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segunda-feira, 23 de julho de 2012

O Carnaval na Musicalidade 7 de Abaetetuba Através dos Anos

A MUSICALIDADE 7 DE ABAETETUBA ATRAVÉS DOS ANOS
Conjunto Os Muiraquitãs
do acervo fotográfico de
Lial Bentes

A MUSICALIDADE 7 EM ABAETETUBA ATRAVÉS DOS ANOS

A musicalidade é um dos aspectos da cultura de Abaetetuba que funciona como guardiã de uma rica memória, ainda viva na lembrança de cada filho destas terras que vivenciou os ricos períodos desse aspecto cultural e em muitas de suas vertentes, considerando aspectos dos mitos, do imaginário e da cultura que essas vertentes da musicalidade construíram através dos tempos, como veremos a seguir. Esse aspecto cultural da musicalidade usou suas vertentes como forma de comunicação, de transmissão de mensagens, de histórias que marcaram pra sempre, direta ou indiretamente, a vida de muitas pessoas que ainda são depositárias dessas memórias ou que já estão marcadas nos escritos de nossos historiadores em um rico acervo onde pode se encontrar esses variados aspectos da musicalidade de Abaetetuba.

A música em si nada mais é que um conjunto de sons articulados para formar um discurso poético de sons, vozes e encenações de linguagem transmitida através dos tempos usando de recursos rústicos até chegar aos mais sofisticados, de acordo com o período histórico em questão.

Deste modo a musicalidade torna-se uma importante fonte ou documento histórico da memória sobre o nosso passado, conservado e analisado a partir de pessoas e contextos que  nos permite uma volta a esse passado para o conhecimento de seu meio e dos variados aspectos da musicalidade a ser analisada. 

Esses aspectos da musicalidade serão aqui analisados em várias postagens que faremos sobre “A MUSICALIDADE EM ABAETETUBA ATRAVÉS DOS TEMPOS” e, em certos casos, tecendo comentários, considerações e sugestões de melhorias naquilo que pode se constituir um aspecto cultural que pode se consolidar como um evento com identidade própria e, desse modo, se constituir em Abaetetuba um evento que possa também gerar renda e trabalho para o município.

Portanto, a memória da musicalidade, é o ato de lembrar, de reter, o que já se passou, de reconstruir a relação entre passado e presente, e que pode dar sentido à nossa história. Nesse aspecto, a memória não seria uma realidade estática e perdida no contexto cultural de sua época, mas dinâmica e inovadora, se reconstruída em novas formas culturais que possam nos fazer recordar e apreciar no presente sob nova roupagem, e com identidade própria, a ponto de se firmar no cenário da musicalidade em geral como evento que chama a atenção de todos pela riqueza que contém e, consequentemente, como fator turístico que possa chamar a atenção para essas manifestações culturais e se firmar no calendário turístico do município como evento que possa trazer emprego e rendas para muitas pessoas, além de fazer o município ser conhecido e reconhecido como um verdadeiro centro de cultura. Os estudos sobre a musicalidade em Abaetetuba estão atrelados à questão da memória e do que a música desperta em cada pessoa e que marca momentos e sentimentos que são revividos quando se ouve determinada música ou   manifestação cultural onde a musicalidade se faz presente. Todos nós temos aquelas músicas ou eventos musicais que vivenciamos na infância, na adolescência, que podem nos trazer a sensação de nostalgia e de rememoração dos bons tempos que já se foram, onde o passado ressurge fragmentado em várias lembranças, advindas de uma memória afetiva onde a sonoridade e até mesmo sabores e cheiros tinham importante papel nesse processo. 

Carnaval antigo

O Carnalval: 

O Carnaval não nasceu no Brasil. Essa festa teve sua origem há séculos atrás e estava associada aos cultos agrários do mundo antigo, especialmente da Grécia antiga (cerca do século V a.C.), que com o surgimento da agricultura, os homens passaram a comemorar a fertilidade do solo e as colheitas, a cada ano que chegava era sempre a mesma festa, que acabou dando origem aos festejos do carnaval. Ao longo dos séculos seguintes essa tradição se espalhou da Grécia para Roma e por toda a Europa medieval. A separação da sociedade em classes contribuiu para dar feições a essa festa, pela necessidade de válvulas de escape para dar vazão à ânsia de divertimento do povo e foi na Idade Média que sexo e bebida passaram a fazer parte das festas de carnaval. Assim, o Carnaval, chegou à cidade de Veneza com as características atuais das máscaras, fantasias, carros alegóricos, desfiles e outras motivações como a alegria, o riso, o deboche, a brincadeira, os instrumentos rudimentais de carnaval e outros aspectos que fizeram o carnaval no Brasil adquirir características próprias.

No Brasil o carnaval chegou por volta de 1723, com a chegada dos portugueses da Ilha da Madeira, Açores e Cabo Verde onde já existia esse tipo de festa.

A programação das antigas rádios do Brasil, especialmente da Rádio Nacional, que consistia em programas de música, rádio-novela, programas de humor, programas esportivos, todos realizados ao vivo em seus auditórios e deu oportunidades aos artista da quadra carnavalesca, na programação musical, onde os cantores se apresentavam acompanhados de orquestras ou conjuntos musicais, jazzes, com o auditório lotado e também cantando os sucessos do carnaval da época e, desse modo, o carnaval foi se popularizando no Brasil. A Rádio Nacional foi  realmente a responsável pelo sucesso de inúmeros artistas, entre cantores e compositores, entre os quais os de carnaval.

Com o tempo foram surgindo outras figuras no carnaval como os Entrudos, onde pessoas fantasiadas, especialmente os escravos e os das camadas mais baixas da sociedade, que passavam correndo pelas ruas sujando uns aos outros com materiais como farinhas, água e outros materiais perfumados que, inclusive, passaram a ser produzidos para vendas na época do carnaval. Quando as brincadeiras do carnaval começaram a ficar mais violentas essa festa passou um bom tempo proibida, até retornar em 1840, de modo mais civilizado, na forma dos cordões, ranchos das camadas mais pobres e dos bailes carnavalescos da elite do Rio de Janeiro. Com o passar do tempo o carnaval foi sofrendo modificações no Brasil até os dias atuais e cada estado do Brasil foi instituindo seus carnavais com características próprias.

A QUADRA CARNAVALESCA EM ABAETETUBA:

A antiga Quadra Carnavalesca de Abaeté se enchia de muita alegria e festas, sob o som das famosas marchinhas, frevos e sambas, que eram tocadas nos desfiles de sujos, blocos e cordões carnavalescos de ruas e nas festas de salão, que vêm dos tempos bem antigos, e essas músicas já eram cantadas e tocadas pelos antigos conjuntos musicais da cidade desde os anos de 1920.

O CARNAVAL antigo consistia na animação dos chamados “foliões”, que saíam pelas estradas, caminhos ou ruas, durante o período da quadra carnavalesca, em pequenos grupos ou em blocos ou cordões carnavalescos de rua, embalados pelo batuque de tambores, tamborins, pandeiros, flautas, afoxés, surdos, chocalhos, reco-reco e, posteriormente, com o acréscimo dos sons tirados dos clarinetes, saxofones, violas, banjos e cavaquinhos.

O Cordão dos Pretinhos era organizado pelas mesmas pessoas que também organizavam os antigos cordões juninos, como os mestres Abreu, Afonso e Severino e as músicas desses blocos eram compostas pelos próprios componentes do grupo, e cantadas e tocadas junto com as antigas marchas e frevos em sucesso no país, da Era do Rádio.

A Era do Rádio e a Sua Influência em Abaetetuba:

A Era do Rádio foi o período entre 1940 e 1950 quando a música popular brasileira viveu um momento de especial riqueza, tendo como principal meio de difusão o Rádio. Inúmeros artistas (compositores e cantores) tornaram-se famosos com os programas de auditório levados aos ouvintes pelas ondas do rádio, inclusive as músicas do carnaval que também eram apresentados nos programas de rádio.

Naquela época, não havendo televisão, os brasileiros, especialmente os jovens, estavam sintonizados diariamente às principais emissoras de rádio do país. A primeira rádio brasileira foi a Rádio Sociedade do Rio de Janeiro (cujo prefixo era PRA-A), que entrou no ar em 1923.

A partir dos anos 1940 começaram a aparecer outras emissoras como a Rádio Mayrink Veiga e a Rádio Nacional.

A Rádio Nacional se tornou a mais popular de todas, principalmente por causa da programação musical, por conta dos famosos programas de auditório apresentados por Ary Barroso e César de Alencar, entre outros. Ary Barroso foi também um grande compositor de sambas e canções inesquecíveis como “Aquarela do Brasil”.

A Rádio Nacional teve em sua programação vários programas e apresentadores, cuja fama chegava até a juventude de Abaeté, que era quem organizava os antigos bailes, inclusive os de carnaval. O Rádio brasileiro lançou inúmeros artistas, entre compositores e cantores, como Emilinha Borba, Carmen Miranda, Orlando Silva, Sílvio Caldas e Francisco Alves, que se tornaram famosos também em Abaeté. Esses cantores e compositores também ficaram conhecidos através das ondas das rádios e que influenciaram a musicalidade de Abaeté dessas décadas de 1940 e 1950, cujas músicas também eram tocadas nas antigas quermesses, bailes e festas tocadas pelos antigos jazzes, conjuntos musicais e bandas de Abaeté. As festas da Mucura de Abaeté também usavam as músicas desses antigos e famosos artistas.

Algumas Características dos Antigos Carnavais das Décadas de 1940, 1950 e 1960:

Havia o Bloco dos Mascarados, que saía pelas ruas usando fantasias e instrumentos como tamborins, pandeiros, tambores, afoxés e outros.

Não eram desfiles aleatórios, por que existiam pessoas que se encarregavam de organizar os antigos cordões e blocos de ruas, assim como as festas de salão eram organizadas pelas moças e rapazes da sociedade de então ou pelos clubes da época.

Em 1927 o Grupo Carnavalesco “Namorados”, fazia muito sucesso sambando e dançando pelas ruas da cidade de Abaeté.

Do costume das batalhas de farinha branca, água perfumada e tintas corantes nos componentes dos sujos e nos passantes, ninguém escapava de sair sujo, em brincadeiras que beiravam excessos.

As batalhas de confetes e serpentinas também pelos blocos e cordões de rua e nos bailes de salão.

Os cordões, ranchos e sujos de carnaval de ruas eram manifestações das camadas mais pobres da população que podiam participar livremente das brincadeiras do carnaval.

Os Antigos Bailes Carnavalescos de Abaetetuba:

Nos primeiríssimos tempos da Quadra Carnavalesca de Abaeté lá pelo início do século 20, nos tempos do fonógrafo, eram as marchas carnavalescas, os frevos, os maxixes, as polcas, os lundus, os choros que eram tocados nas festas de carnaval. Os primeiros sambas começaram a surgir a partir de 1917 compostos pelo músico Donga e seus companheiros.

Os antigos bailes carnavalescos de Abaetetuba fazem parte da 1ª e 2ª FASE DAS FESTAS DANÇANTES DE ABAETETUBA. Os bailes da 1ª Fase se reportam aos bailes carnavalescos realizados nas antigas sedes dos clubes de Abaetetuba dos anos de 1940 e 1950, como: Vera Cruz, Associação, Abaeté, Itatiaia, Vasco, Brasil e outros clubes dessas décadas e quando os conjuntos musicais que comandavam essas festas eram do antigo modelo não eletrônico. As festas carnavalescas da 2ª Fase se reportam às festas realizadas a partir da década de 1960 e já com a presença dos conjuntos musicais eletrônicos e nas sedes dos clubes sociais: AABB, Assembléia, Bancrévea e ainda as festas dos clubes: Abaeté, Venus, Tietê e outros que restaram do passado e os novos criados a partir da década de 1960, como, Barão, Palmeiras, Magno e outros.

Os bailes carnavalescos de salão eram organizados pelas camadas mais abastadas da sociedade e pelos antigos clubes sociais e esportivos existentes na época.

Nos primeiros bailes de carnaval, além das marchas, sambas e frevos, dançavam-se ritmos importados como a polca e o maxixe.

Também eram moda as máscaras e fantasias nos carnavais de Abaetetuba e as fantasias eram confeccionadas pelas grandes costureiras locais e as máscaras passaram a ser confeccionadas artesanalmente pelos próprios brincantes do carnaval.

A partir dos anos de 1950 as festas carnavalescas de salão de Abaetetuba foram incrementadas pelos desfiles dos blocos organizados para essas ocasiões.

O Clube Vasco da Gama Esporte Clube, através do carnavalesco Bandute Sena e Guilherme Cruz, promovia memoráveis festas de salão, com desfiles de blocos na sede social do Vasco, sito na antiga Rua Silva Jardim (hoje Trav. Pe. Luiz Varella), com direito aos jogos de confetes e serpentinas e os participantes dessas festas com direito ao ponche (que era uma bebida com leve teor alcoólico) e o uso de lança-perfumes.

Posteriormente os clubes como Abaeté, Vênus, Tietê e Palmeiras, também começaram a promover concorridas festas carnavalescas em suas sedes sociais, ao som dos conjuntos musicais dos anos de 1960 e 1970 ou das primeiras aparelhagens de som que estavam surgindo na cidade e com muitas atrações no decorrer das festas, como desfiles de blocos, concursos de fantasias e ainda os jogos de confetes e serpentinas e os lança-perfumes (que ainda não eram proibidos). E as marchinhas, frevos e sambas eram as músicas tocadas nas festas.

Na década de 1960, foram criados os elitizados clubes sociais, Bancrévea Clube de Abaetetuba e Assembléia Abaetetubense, que instituíram rígidos quadros de associados e com o uso de carteirinhas de associado e o sistema de venda de mesas. Essa foi realmente a grande época do carnaval de salão de Abaetetuba, enquanto o carnaval de rua era promovido pela camada mais pobre da população e seus mestres dos cordões e blocos de ruas.

Eram sempre os melhores conjuntos musicais de Abaetetuba e de Belém, que cobriam as memoráveis festas de carnaval de salão dos clubes Bancrévea, Assembléia Abaetetubense e, posteriormente, a AABB, como os Conjuntos D. M. Show, Muiraquitãs, de Abaetetuba e as orquestras Orlando Pereira e Sayonara, de Belém ou conjuntos vindos de cidades vizinhas como Cametá, Igarapé-Miri, Barcarena. As antigas aparelhagens de som de Abaetetuba tinham participação nessas festas, cobrindo esses eventos e também as festas de carnaval que continuavam sendo promovidas pelos clubes Vênus, Abaeté, Tietê e os novos clubes como Palmeiras, Barão. Bons tempos esses, sem os exageros da bebida alcoólica, sem violência, sem brigas e com músicas próprias de carnaval, que perduraram até os anos de 1980, quando começaram a aparecer novos ritmos que as aparelhagens de som, os skemas e os conjuntos musicais começaram a introduzir nas festas de carnaval.

 Carnaval antigo

Os mais abastados jogavam também perfumes nos foliões e passantes

As Músicas do Carnaval Antigo em Abaeté:
 
Nos primeiríssimos tempos da Quadra Carnavalesca de Abaeté, eram as marchas carnavalescas, os frevos e o samba que dominavam o cenário musical dessa quadra, tanto pelas ruas como nos bailes de salão e algumas eram compostas aqui mesmo em Abaetetuba. 


MARCHA DE CARNAVAL:

MARCHA DE CARNAVAL, é um gênero de música popular que foi predominante no carnaval brasileiros dos anos 1920 emdiante, sendo um estilo musical ainda importado de Portugal para o Brasil e descende diretamente das marchas populares portuguesas, embora mais acelerado e de melodias mais simples e vivas, e com letras picantes, cheias de duplo sentido. As antigas marchas começaram a fazer parte do carnaval, já à partir das primeiras décadas do 1900 e, posteriormente, esse tipo de música fazia grande sucesso cantadas por grandes nomes da música brasileira, como Carmém Miranda, Emilinha Borba, Dalva de Oliveira, Almirante, Mário Réis, e outros grandes interpretes. 

Em Abaetetuba as antigas marchinhas eram cantadas e tocadas pelas antigas bandas e jazzes e era um dos rítmos mais tocados no antigo carnaval de rua e salão da cidade, junto com outros gêneros musicais alegres e dançantes. Esse gênero musical, junto com o samba e o frevo, também foi usado nas décadas de 1960 e 1970, tendo subsistido nas festas de salão até as últimas grandes festas de carnaval promovidas pelos clubes Bancrévea e Assembléia Abaetetubense, AABB-Associação Atlética Banco do Brasil e pelos clubes da cidade, juntamente com as novas marchinhas surgidas, inclusive a marchinha “Abaetetuba, Terra Morena”, de composição local, que nunca saiu de cartaz.

 Os antigos filmes brasileiros de chanchadas, com atuação de Oscaristo e Grande Otelo, Ankito ajudaram muito na consolidação das marchinhas de carnaval nos bailes de Abaetetuba.

Algumas velhas marchinhas, marchas-rancho, frevos e sambas de carnaval, de Abaetetuba, Pará e Brasil, que eram tocadas e dançadas nas ruas e salões de Abaetetuba a partir das décadas iniciais do século 20 até as décadas seguintes:

·         Zé Pereira, marchinha que puxava o início dos bailes em Abaetetuba

·         Abre Alas, marchinha de Chiquinha Gonzaga, que foi a 1ª música composta para o carnaval em 1899. 

Ó Abre Alas (Chiquinha Gonzaga):
Ó Abre Alas que eu quero passar
Ó Abre Alas que eu quero passar
Eu sou da lira não posso negar
Rosa de Ouro é quem vai ganhar!

·         Mamãe eu quero:

Mamãe eu quero
Mamãe eu quero
Mamãe eu quero mamar
Dá a chupeta
Dá a chupeta
Dá a chupeta pro neném não chorar
Dorme filhinho do meu coração
Pega a mamadeira e entra no cordão
Eu tenho uma irmã que se chama Ana
De tanto piscar o olho
Já ficou sem a pestana

·         Sassaricando

·         Chiquita Bacana, marchinha de Noel Rosa

A Filha da Chiquita Bacana, de Caetano Veloso

·         Chuva, Suor e Cerveja

·         Jardineira, antiga marcha de Benedito Lacerda e Humberto Porto

·         Pierrot Apaixonado, de Noel Rosa

·         Noite dos Mascarados, de Chico Buarque de Holanda

·         Twist no Carnaval

·         Aurora

·         Cabeleira do Zezé

·         Turma do Barril

·         Mulata Bossa Nova

·         Menina Vai

·         Maria Sapatão

·         Colombina

·         Yes, quero banana


·         Aurora, autoria de Mário Lago e Roberto Roberti:


                                    
Se você fosse sincera / Ô ô ô ô, Aurora

Veja só que bom que era / Ô ô ô ô , Aurora

Se você fosse sincera / Ô ô ô ô, Aurora

Veja só que bom que era / Ô ô ô ô , Aurora


Um lindo apartamento / Com porteiro e elevador

E ar refrigerado / Para os dias de calor/ Madame

Antes do nome / Você teria agora/ Ôôôô Aurora

·         Abaetetuba, Terra Morena, do abaetetubense Verediano Goes Teixeira, nunca saiu de cartaz nas festas de salão do carnaval de Abaetetuba.


Os Rítmos Importados:

Com a chegada de ritmos vindos de outras localidades como, axé music, músicas eletrônicas, tecnos e outras, as marchas de carnaval e frevos começaram a perder terreno nas festas e eventos do carnaval de salão e de rua para esses modernos ritmos dançantes, desfigurando totalmente o antigo e tradicional carnaval de Abaetetuba. Até as diversificadas fantasias, cheias de muito colorido e brilho foram substituídas pelas singelas e opacas camisetas e blusas dos blocos de micareta e sujos. E os grandes bailes carnavalescos de salão já não mais existem e o que subsistiu foi o carnaval de rua, com os chamados arrastões de sujos e o desfile de escolas de samba, blocos e micaretas promovidos pela Prefeitura Municipal e apenas nos dias finais de carnaval.

FREVO:

FREVO, cuja origem está ligada às antigas bandas de músicas com seus dobrados e polca, quando os que iam dançando na frente desses desfiles começaram a defender os músicos das multidões ao redor, dançando ao ritmo dos dobrados e assim nasceram os primeiros passos do frevo, que assim foi chamado em 1908, por um jornal. A palavra frevo nasceu da linguagem simples do povo pernambucano do século 19, que pronunciava a palavra “frever” (ferver), significando fervura, efervescência, agitação. Na década de 1930 o frevo foi popularizado no Brasil pelas primeiras gravações e suas transmissões através dos programas de rádio. Sua orquestra é composta de instrumentos musicais de madeira e de corda. Um ano depois os ases da Era de Ouro do rádio, como Almirante, Mário Reis, Carlos Galhardo, Linda Batista, Nelson Gonçalves, Cyro Monteiro, Dircinha Batista e outros, ajudaram a incorporar os frevos nos antigos carnavais. Já a partir dos anos finais do 1950, surgiram pessoas tocando instrumentos eletrificados em carros, o que foi a inspiração para a criação dos atuais trios elétricos, que invadiram as festas de carnaval de todo o país.

Os antigos FREVOS, como Vassourinha, Ô Abre Alas e outros já eram tocados e cantados nas festas em Abaeté nos anos de 1950, 1960, e a partir daí os frevos  começaram a fazer parte das festas e eventos da Quadra Carnavalesca da cidade. Também eram tocados nas apresentações musicais das antigas bandas de música. Os antigos cordões e mascarados praticamente já não mais existem nos seus formatos originais, assim como as festas e bailes de carnaval que estão escasseando a cada novo ano.

O Atual Carnaval de Abaetetuba:

A atual quadra carnavalesca de Abaetetuba mudou quase que completamente do seu antigo enfoque de tradição/cultura e no visual de seus entrudos, sujos, mascarados, cordões e blocos de ruas, ricamente vestidos com os variados motivos da antiga quadra carnavalesca, para dar lugar a um carnaval que possui um pouco de tudo, na forma de arrastões carnavalescos, arrastões culturais, grupos de sujos, blocos de ruas, escolas de samba, sons automotivos, que saem às ruas nos domingos da quadra carnavalesca e, no final da quadra, a programação carnavalesca promovida pela Prefeitura Municipal, com o já tradicional desfile de carnaval na Avenida D. Pedro II (que transformou-se-se no Corredor da Folia de Abaetetuba na época do carnaval), que atrai uma multidão de mais de 50 mil pessoas para assistir, nos dias programados, aos desfiles e concursos de escolas de samba, blocos carnavalescos e blocos de micarestas, cada qual formados por milhares de brincantes e ao som de bandas, trios elétricos, sons automotivos e batuques, que fazem a festa das pessoas que se espalham ao redor do Corredor da Folia, com destaque para as micaretas.

Como música, os sambas ainda são utilizados nos desfiles de escolas de samba e alguns blocos de ruas. Nas micaretas, as músicas utilizadas são o axé music, tecnobregas, tecnomelody, trios elétricos e outros ritmos de bandas ou mixados pelos nossos DJs, e estes já com participação ativa na musicalidade de alguns blocos e micaretas. Nesses desfiles há o consumo exagerado de bebidas alcoólicas por parcela significativa dos brincantes dos grupos carnavalescos e por parcela do público que assiste aos desfiles, fato que resulta em algumas violências e também a prática de assaltos e furtos por parte de pessoas de má fé que adentram nos grupos e multidão para a prática desses crimes comuns em grandes aglomerações, porém nada que possa tirar o brilho dos desfiles.

Ressalte-se, atualmente, a ausência dos bailes carnavalescos de salão, mesmo porque o Clube Bancrévea foi extinto e a clubes como Assembléia Abaetetubense, AABB e os clubes futebolísticos já estão ausentes dessas programações já faz bastante tempo, devido as violências ocasionadas pelo consumo em excesso de álcool por parte de parcela dos brincantes.

Não vamos ser intolerantes e preconceituosos e dizer que as micaretas são modelo de musicalidade importado de outras regiões e que não deveriam fazer parte do carnaval de Abaetetuba. Elas, agora, são parte integrante e importante do nosso carnaval e, mesmo porque, as festas de micaretas ocupam pequena parcela do tempo da quadra carnavalesca e esse tipo de carnaval pode muito bem conviver com as outras formas de grupos carnavalescos como os blocos e escolas de samba.

O que não deveria ter acontecido era o desaparecimento do tradicional carnaval de rua e de salão da cidade, com os cordões, blocos de rua, entrudos, mascarados e outras formas que existiam e com a massiva participação de grande parcela do povo que, atualmente, só participa como expectador, membro da multidão que apenas “vai assistir” aos desfiles promovidos pela Prefeitura Municipal.

Portanto, as micaretas, agora fazem parte do brilho dos desfiles da quadra carnavalesca de Abaetetuba, que devem se levadas em conta, daí nosso esforço em colher alguns dados sobre essa festa e dos grupos de micareta de Abaetetuba para melhor conhecermos sua história. Quem quiser fornecer os dados históricos, objetivos dos blocos de micaretas e dos outros tipos de blocos, não citados e os citados abaixo, nós agradecemos antecipadamente e com o nosso compromisso de incluir esses dados nesta mesma postagem.

A MICARETA:

Micareta é um tipo de carnaval fora de época que desde os anos de 1990 é marcado principalmente pelo estilo baiano do Axé Music, dos trios elétricos e dos abadás. O nome micareta deriva-se de uma festa francesa, Mi-carême, e desde os anos de 1990 vem se espalhando por várias capitais e cidades brasileiras e existe também em outros países como Canadá, Portugal e Espanha que realizam anualmente sua micareta de acordo com cada cultura local. O abadá é um tipo de bata ou camisolão branco usado pelos muçulmanos que aportaram no Brasil como escravos e a  palavra abadá é de origem africana, do yorubá, trazida pelos negros malês para a Bahia. A vestimenta abadá é, até hoje, a indumentária dos lutadores da capoeira. A palavra abadá foi parar nas micarestas do Carnaval de 1993, quando o designer Pedrinho da Rocha, o músico Durval Lelys, da Banda Asa de Águia, e o Bloco Carnavalesco Eva lançaram um novo tipo de fantasia para substituir as antigas mortalhas dos capoeiristas e foi em homenagem ao Mestre Sena, antigo capoeirista e amigo, que o designer batizou a nova fantasia de “abadá” que logo virou sucesso na Bahia e em todo o Brasil e terminou por popularizar essa palavra. O abadá das micaretas consiste em simples e opacas blusas e camisetas, que dão a essas festas, a visão de um amontoado de pessoas vestindo a mesma fantasia e correndo atrás de trios elétricos tocando axés-music, totalmente diferente dos espontâneos e antigos carnavais das diferentes e multi-coloridas fantasias, que saíam da imaginação dos criativos foliões do passado, em musicalidade dos diferentes rítmos dos antigos carnavais.

Festas de Micaretas em Abaetetuba:

Em Abaetetuba existem vários blocos de micareta que surgiram a partir da década de 2000, que se apresentam nos seus chamados “arrastões elétricos” e nos concursos de carnaval da Prefeitura Municipal da quadra carnavalesca. Esses blocos seguem o figurino dos da Bahia e, como tais, são sustentados pelas vendas dos chamados abadás (vide história acima) e outras contribuições e apoios. Essas micaretas seguem também o esquema das “levadas eléticas”, em desfiles de carnaval fora da época do carnaval e comandadas pelos insubstituíveis “trios elétricos”, e presença de cantores, bandas, DJs  que vem de outros estados, Belém ou locais, para dar maior brilho a essas festas, onde centenas de pessoas se aglomeram nesses blocos para se divertir ao som do axé-music, funk, tecno e, e agora, também contando com o vibrante som do tecnobrega do Pará. As as micaretas de Abaetetuba são, também, o grande destaque dos desfiles e concursos de carnaval promovidos pela Prefeitura Municipal, atraindo foliões de várias partes do Pará e de outros estados para participar desses grupos ou de participar como membro da multidão que acorre para assistir aos desfiles do carnaval. Por sinal que o carnaval de Abaetetuba já está atraindo dezenas de milhares de pessoas e isso se torna preocupante devido ausência de infra-estrutura turística e segurança para tantos turistas.

Grupos Carnavalescos dos Variados Estilos que participam dos Desfiles Carnavalescos promovido pela Prefeitura Municipal:

Palhuk, antigo grupo carnavalesco de Abaetetuba já extinto e que era um bloco de empolgação, nascido na década de 1970 em plena efervescência do regime político da ditadura militar e da onda musical do rock e suas vertentes musicais dos protestos e rompimentos de paradigmas sociais e de costumes, formado por jovens estudantes e sonhadores de uma sociedade alternativa. Para início do bloco esses jovens compraram um fusca velho, de cor preta, onde os jovens escreveram o nome PALHUK, seguido dos nomes de todos os membros da turma, querendo imitar os carros do filme de "Embalos de Sábado à Noite", "Tempos da Brilantina" e esse carro ficou sendo o maior símbolo representando a irreverência do grupo e cujo grito de guerra ficou sendo "Palhuk, uk, uk; Palhuk, uk, uk" repetido incenssantemente durante as apresentações do grupo na avenida. Como as apresentações do grupo despertaram a atenção de muitas pessoas de pensamentos liberais e avançados e, a partir daí, o grupo participava todos os anos dos desfiles de carnaval levando para a avenida seus enredos irreverentes do cotidiano ou imaginário de Abaetetuba como as histórias de assobrações, brincadeiras dos membros do grupo, personagens da cidade e outros enredos dos fatos e causos de Abaetetuba apresentados por esse grupo de amigos em seus desfiles pela avenida do samba e ruas de Abaetetuba. Não é necessário dizer que ao lado da irreverência a farra estava presente e que avançavam até o amanhecer do outro dia e que os eventos para angariar fundos para os desfiles também eram tremendas brincadeiras desse grupo que, de certa forma, revolucionou os costumes do carnaval de Abaetetuba, pois parcela do povo que assistia os desfiles desse bloco já não se contentava em assistir, mas queria também participar das brincadeiras e gente não só do segmento jovem, como das outras faixas atárias e camadas da sociedade. Com o passar dos anos, com os jovens fundadores tendo que seguir seus estudos ou assumir novos rumos na vida, o Bloco PALHUK está com suas atividades paralisadas e o que ficou foram as lembranças e as amizades construídas por esses jovens que construíram a geração PALHUK do carnaval de Abaetetuba. Alguns antigos membros desse Grupo Carnavalesco: Guri, Walter Lobato, Eustáquio e muitos outros palhukeiros.

Bloco Manhoso, ou Movimento Cultural do Manhoso, que era um dos antigos blocos de Abaetetuba, fundado por volta de 1982 e em 8/2/2002 era dirigido pelo saudoso carnavalesco Cabá Felgueiras. Uma antiga letra para o desfile desse bloco em 2/2002, composto pelo poeta Nonato Loureiro:

Bloco Carnavalesco S.A. Kanas, antigo bloco fundado pelo carnavalesco Osni Barros da Silva, Já extinto, este que foi pioneiro no carnaval de rua em Abaetetub.

Bloco Pigmeus, que era um bloco de enredo
Bloco Brejo, que era um bloco de enredo
Bloco Amigos da Sócia, que era um bloco de escola de samba
Bloco Pissinti, que era um bloco de escola de samba
Bloco Varela, que era um bloco de escola de samba
Bloco Amigos da Francilândia, que era um bloco de escola de samba
Bloco EQ do Seu Dodô, que era uma bloco de micareta, organizado pelo Carnavalesco Paulo Paiva.
Kanto do BASA
Bloco Barão, organizado pelos moradores da Rua Barão do Rio Branco, do clube de Futebol de mesmo nome, trecho da Av. 15 de Agosto até o antigo bairro Cafezal.
Bloco Praça, que era um bloco de carnaval formado pelos componentes do clube de futebol Praça.

Bloco Tracuá
Bloco Dente-de-Leite
·         Bloco Urubu na Avenida, bloco de micareta criado pelo publicitário Luís Azevedo e coordenado pelo mesmo e ainda: Diego Azevedo, Cinaldo dos Mares, Ediene Ellen Azevedo, Juliana Lima, Valdinéi Maués e Andrenilson Silva, e que foi a sensação do Carnaval de 2011 na cidade de Abaetetuba e que reuniu mais de 1000 rubro-negros no carnaval desse ano. Tudo começou com a idéia de confeccionar 50 abadás do Flamengo para sua família e amigos, porém esse número foi insuficiente para tantos rubro-negros da cidade de Abaetetuba querendo desfilar. Com poucos recursos foram produzidos 300 abadás, que se esgotaram facilmente. Então a coordenação do Bloco permitiu a participação de todos os flamenguistas vestindo a camisa ou com a bandeira do clube rubro-negro. Sendo assim, às 20 horas da segunda-feira de carnaval, o Bloco Urubu na Avenida mostrou toda sua alegria, descontração e o motivo do Flamengo ser o mais querido do Brasil. A coordenação do Bloco garante que no ano de 2011 realizará vários eventos no âmbito social, como campanhas para doação de sangue e campanhas solidárias em prol da sociedade abaetetubense. No próximo carnaval serão confeccionados 2.000 abadás para que todos os Rubro-Negros de Abaetetuba possam participar devidamente uniformizados e façam a festa ficar ainda mais vermelha e preta. "Vai começar a festa...".
Coordenação do Bloco Urubu na Avenida:
Luís Azevedo / Diego Azevedo / Cinaldo dos Mares / Ediene Ellen Azevedo / Juliana Lima / Valdinéia Maués / Andrenilson Silva. Contatos: 91 8132-0573, 91 9227-7573. Twitter:
@jluislima
Fonte da pesquisa: Bruno Nin
paixao@magiarubronegra.com.br

Twitter:
@brunonin
  
·         Bloco do Dragão
·         Bloco Atracajá
·         Bloco Pânico na Folia, bloco de micareta, já tradicional na cidade e que já chegou a apresentar mais de 3 mil pessoas no corredor da folia de Abaetetuba.
·         Bloco Kamaka, bloco de micareta, tradicional na cidade e com mais de 1000 brincantes atrás do trio elétrico;
·         Bloco EQ do Seu Dodô, esse bloco de micareta foi fundado pelo promotor de eventos Paulo Paiva
·         Bloco Hyabadabadu, bloco de micareta, que já é tradicional na cidade e com milhares de componentes;
·         Bloco Pimenta, bloco de micareta, citado em 2010.
  • Bloco Canto do BASA,
·         Bloco Cachorrão
·         Bloco Os Abateuaras, o Bloco, grupo fundado no final de 2011.
·         Bloco Companhia do Abadá



Sugestões Para a Melhoria do Carnaval de Abaetetuba:

O carnaval de rua ainda existe em Abaetetuba, e com pessoas, sujos, blocos e arrastões que dispersadamente saem pelas ruas da cidade nos domingos de carnaval, usando de pouca criatividade e com a falta de bons apoios musicais como bandas, sons automotivos ou mesmo trios elétricos locais. O carnaval de salão praticamente não mais existe em Abaetetuba. Ainda existe o carnaval promovido pela Prefeitura Municipal e em concursos de blocos das várias categorias e que atrai um bom público (mais de 50 mil pessoas que vem de muitos lugares do Pará e Brasil para participar nos blocos ou como expectador dos desfiles dos grupos carnavalesco) para esses dias de desfile, que são os dias finais da quadra carnavalesca.

Porém, faltam algumas melhoras e criatividade no carnaval de Abaetetuba, tanto nos chamados grupos de ruas, ou “sujos” ou mesmo desfile dos blocos durante os domingos de carnaval e no próprio desfile de carnaval promovido pela Prefeitura Municipal nos dias finais da quadra carnavalesca de Abaetetuba. Para isso temos algumas sugestões que ajudariam a melhorar o carnaval como um todo e atrair mais turistas para a quadra carnavalesca da cidade.

Uma Identidade Para o Carnaval de Abaetetuba:

O carnaval de Abaetetuba poderia ter uma identidade própria, onde não se descartaria as atuais micaretas, blocos e escolas de samba, mas apenas se incrementariam motivações que realmente chamassem a atenção do povo de Abaetetuba e de nossos visitantes. É o que já se faz em algumas cidades amazônicas, que já usam de sua rica cultura e folclore para apresentar um bonito e concorrido carnaval que atraem milhares de turistas.

As motivações para o nosso carnaval se buscariam na rica cultura e folclore, nos nossos antigos costumes e hábitos, no nosso rico artesanato, lendas e mitos, usando materiais descartáveis ou reciclados ou os tecidos e plásticos vendidos em nosso comércio, sem precisar usar os materiais da nossa já degradada flora e fauna (na forma de cordas, fibras, talas, cipós, folhas vegetais e penas e couros animais, o que ajuda a extinguir mais rapidamente a já rara quantidade de espécimes da flora e fauna). Temos os materiais da coleta seletiva do lixo e produtos comerciais baratos e acessíveis para a confecção dos figurinos dos componentes dos blocos e dos personagens do carnaval.

Alguns Exemplos dos Motivos Carnavalescos Para o Carnaval de Abaetetuba:

De Nossos Mitos e Lendas:

As figuras mitológicas e lendárias do Saci-Pererê, Matinta-Pereira, Mãe-d’Água, Mãe-do-Mato, Anhangá, Cobra-Grande, que já fazem parte de nossa identidade cultural, mas que não figuram nos eventos da quadra carnavalesca. Em cidades do Amazonas e Pará (Parintins, Juruti, Peixe-Boi, Santarém, Belém, etc. já existem carnavais nesse sentido cultural e ecológico). Se fariam grandes bonecos ressaltando a importância cultural dessas figuras.

Figuras da Flora e Fauna:

As figuras de nossa Fauna e Flora poderiam ser apresentadas com fantasias ou bonecos gigantes (tipo os bois ocos e cabeçudos de outros lugares), que se apresentados de modo pedagógico, poderiam educar para conter a grande extinção de nossas espécies de peixes (acarás, pirararas, poraquês, maparás, acaris, bacus, maiacus, candiru, mandi, carataís e outros), mamíferos (botos, peixes-bois, lontras), quelônios (tartarugas, jabotis, muçuãs, tracajás), lagartos (jacurarus, jacuruxis, lagarto verde, papa-vento, etc), jacarés, insetos, crustáceos (camarão, sararás, araruta, etc), aves (araras, papagaios, tucanos, garças, socós, saracuras, pica-paus, sururinas, marrecos, patos-do-mato, ciganas, gaviões, urubus, corujas, garças, anus, gaivotas, andorinhas, etc que já estão extintos ou em vias de extinção na região), animais de caça (pacas, tatus, veados, mucuras, macacos, preguiças, antas, etc) e também figuras com as motivações vegetais, como: flores, frutos, folhas, arbustos, etc e bois, cobras (jibóia, sucuri, surucucu, jararacas) que povoam a imaginação de nossos caboclos na forma de lendas e mitos diversos. Seriam também representados por grandes bonecos ou fantasias.

Personagens da História da Formação do Povo:

As figuras de nossos antepassados, índios, negros e brancos, em figuras populares, devidamente paramentados de indígenas, negros e brancos de nossa história;

As Antigas Figuras Carnavalescas:

As figuras carnavalescas antigas e já esquecidas como os Pretinhos, Macacos, Arlequim, Pierrot, Entrudos, etc.

Assim teríamos um carnaval cheio de pessoas fantasiadas com essas motivações mitológicas, lendárias, folclóricas, índios, negros, colonizadores, seringueiros, lenhadores, apanhadores e amassadeiras de açaí, canavieiros/canavieiras, pescadores e figuras de nossa flora, fauna, animais domésticos, tudo devidamente apresentado em fantasias e bonecos gigantes ocos, etc.

Figuras do Artesanato de Miriti e Outras Manifestações Culturais Tradicionais:

O artesanato de miriti de Abaetetuba tem as suas figuras clássicas dos Brinquedos de Miriti, como:

·         Barcos e Barquinhos
·         Cobras
·         Tucanos
·         Araras
·         Papagaios
·         Dançarinos
·         Soca-soca
·         Bica-bica

Como fazer as fantasias e figurinos dos Brinquedos de Miriti?

Naturalmente que não se deve usar o próprio miriti, pois ele já corre o risco de extinção pela grande demanda por essa matéria-prima, que não possui projetos de plantios, nem replantios no município. Fazer-se-íam bonecos gigantes das figuras do artesanato de miriti (ocas ou suspensas em varas), usando isopor, tinta, cola e tecidos, papel e papelão em figuras coloridas como os próprios brinquedos, material que se encontra em abundância na praça comercial local e dos materiais recolhidos da reciclagem do lixo em bom estado, como papelão, garrafas plásticas, caixas de madeiras, peças em metais leves e os próprios artesãos de miriti ou outros artesãos e pessoas se encarregariam de confeccionar os bonecos gigantes para apresentação nos desfiles do carnaval de rua.

Isso chamaria muita a atenção de todas as pessoas e turistas vendo a cultura do brinquedo de miriti sendo apresentada em desfiles carnavalescos pelas ruas da cidade, como acontece em Pernanbuco, no Arraial do Pavulagem e em São Caetano de Odivelas, que já são desfiles tradicionais desses carnavais. E tudo feito em um colorido e criatividade que realmente chamasse a atenção de todos.

Convênios do Órgão da Cultura de Abaetetuba:

E o órgão responsável pela cultura do município, a Fundação Cultural de Abaetetuba e a própria Prefeitura Municipal, deveriam firmar convênios e parcerias com os interessados para que se possam acrescentar essas melhorias ao nosso carnaval, com regras e motivações para que as pessoas pudessem se interessar nesse carnaval de Abaetetuba com motivações culturais e ecológicas.

Carnaval com Motivos da Quadra Junina?

Não vamos nos tornar puristas ou intransigentes defensores da Cultura, dizendo que carnaval e quadra junina não se misturam. Vamos olhar a questão com visão turística. Se quisermos, podemos acrescentar ao carnaval, os motivos da quadra-junina (como já se faz em Belém e outras cidades, com a mistura do carnaval com a quadra junina), como os cordões juninos de bois e pássaros, índios, etc. Fazendo parte do Carnaval e que pode gerar emprego e renda para nossas famílias, em atividades de mercado e turísticas.

Aí a festa se transformaria num Carnaval Amazônico (alguns puristas vão criticar esta idéia), mas aqui também se trata da afirmação do turismo em nosso  município, para beneficiar milhares de famílias, comerciantes, empresários, promotores de eventos, etc.

A prefeitura se encarregaria de preparar a infraestrutura e a premiação dos melhores e a segurança, em convênios  junto com os órgãos e entidades competentes e proibindo o uso de bebida alcoólica, tendo em vista a violência e degradação física e moral que esta gera.

Esse projeto seria acrescentado ao do atual figurino do carnaval das micaretas, escolas de samba e blocos, que a prefeitura já patrocina, porém como eventos separados, sendo os desfiles que sugerimos realizados nos domingos de carnavais e pelas ruas e como arrastões culturais, e à noite com o já tradicional concurso da Prefeitura Municipal da Quadra Carnavalesca, no Ginásio Hildo Carvalho (antigo Bancrévea).

Parcerias, Convênios e Contratos:

Os convênios, parcerias e contratos seriam firmados pela Prefeitura Municipal com pessoas, firmas, empresas, entidades e associações culturais que pudessem colaborar nesse novo modo de fazer um carnaval mais atraente, sadio, ecológico e pedagógico em Abaetetuba.

Para isso precisa que se prepare com antecedência um projeto que detalhe minuciosamente as ações e atividades e regras a serem desenvolvidas nesse tipo de carnaval, como os dias de desfile para grupo de brincantes, as parcerias, inscrições, tempo de duração de cada grupo, premiações, estrutura física, iluminação elétrica, construção das arquibancadas, etc.

Sem esquecer as parcerias e convênios com órgãos e entidades essenciais nessas programações, como CELPA, Segurança, Polícia, Bombeiros, Justiça, CDL, ACA, Saúde, Saneamento e outras entidades, conselhos, hotéis, limpeza pública, comerciantes, empresários e os grupos carnavalescos, para que não aconteçam as falhas e excessos muito comuns nesses tipos de eventos.

Para chamar mais atenção e dá mais motivação a um carnaval desse tipo, se promoveriam concursos da fantasia individual mais bonita e original, o bloco ou cordão mais animado, bonito e original, o boneco mais bonito, etc.

Blog do Ademir Rocha, de Abaetetuba/Pa

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