MESTRE VIEIRA: CULTURA PARAENSE 1
Mestres da Guitarrada no Pará
A GUITARRADA: MÚSICAS DO PARÁ
Não defendemos as músicas do Pará
porque somos paraenses. Defendemos e aprovamos as músicas com origem no Pará,
porque somos paraenses e apreciamos e até ouvimos até os dias atuais e dançávamos esses ritmos em nossa juventude
nas décadas de 1960 e 1970. E gostamos e apreciamos também outros estilos e
gêneros musicais como as músicas clássicas, as músicas orquestradas, os
clássicos da MPB, as músicas da Bossa
Nova, as músicas do movimento Iê-Iê, Iê, e do samba, das músicas de carnaval,
as do Forró genuíno ou estilizado e das músicas da quadra junina. Na juventude
e até os dias atuais éramos e continuamos a ser fã dessas músicas e das outras músicas
do Pará, como: Carimbó, Lambada,
Merengue, Cúmbia, Tecnomelody, Técnobrega (claro, fazendo algumas distinções
daquelas de mau gosto) e, ultimamente, admiramos e gostamos ainda mais da música
Guitarrada, estas executados por exímios músicos como Mestre Vieira, Mestre
Curica, Mestre, Mestre Aldo Sena e outros grandes músicos, grupos musicais e
cantores do Pará, como o carimbó do Mestre Verequete e seu conjunto Uiarapuru.
Temos em casa discos de todos esses gêneros e estilos musicais citados acima.
Gostaríamos de tecer alguns comentários
sobre o estilo musical da Guitarrada e nada melhor de que iniciar falando do
Mestre Vieira, que é daqui do vizinho município de Barcarena/Pa. Esses comentários vão se juntar a outros recolhidos na Internete.
Guitarrada é o solo musical de
músicas como o choro, o carimbó, o merengue, o maxixe e a lambada, a cúmbia, o calypso,
o tecnomelody e outros ritmos do Pará,
da América do Sul e do Caribe. É uma mistura de ritmos que leva o solo da
guitarra ao papel principal da composição.
A primeira gravação de guitarrada
foi do mestre Verequete, acompanhado pelo mestre Curica, com quem fundou o
‘Conjunto Uirapuru’. Mas quem criou
mesmo o estilo foi o Mestre Vieira. Mestre Aldo Sena, dos três mestres é o que
mais tem influência dos ritmos do rock e pop.
Em 2003, o guitarrista Pio
Lobato, da banda ‘Cravo Carbono’, conseguiu reunir os três mestres e maiores
expoentes desse estilo, para juntos gravarem um disco de guitarrada. Aldo Sena,
Curica e Vieira, os legítimos ‘Mestres da Guitarrada’.
Iniciamos dizendo que quando
fomos comprar alguns discos do gênero Guitarrada, vimos alguns gringos
(turistas) fazendo o mesmo, fato que demonstra que esse estilo musical já
atravessou as fronteiras do Brasil e chegou ao exterior há muito tempo.
A guitarrada tem como marco o
lançamento do disco “Lambadas das Quebradas” (1978). A inovação do disco foi
apresentar temas instrumentais para guitarra, sempre valorizando os rítmos
amazônicos e caribenhos em solos de guitarra.
Além da guitarra o Mestre Vieira
tocou bandolim, banjo, cavaquinho, violão e instrumentos de sopro, ele só teve
contato com a guitarra elétrica na década de 1970.
Como o Blog do Ademir Rocha tem
também a finalidade da divulgação da cultura dos municípios do Baixo Tocantins
e Marajó, com muita satisfação é que apresentamos alguns trechos da biografia
do Mestre Vieira que foram extraídos das pesquisas de Givaldo Pastana, biógrafo
do Mestre Vieira:
O Sr. Joaquim de Lima Vieira nasceu em 29 de Outubro
de 1934. Natural da invasão do Itapoã, em Barcarena, Município do Pará que fica
a aprox. 40 km da Capital, Belém. Filho do Sr. Zacarias Pinto Vieira, de origem
Portuguesa e mecânico, e da Sra. Sofia Rosa de lima Vieira (lavradora) e
aprendeu a tocar seu primeiro instrumento (banjo) aos 5 anos, assistindo
escondido às aulas que seu irmão tinha. Com 5 anos de idade começou a tocar com
seu irmão em festanças da redondeza... ainda escondido do pai! Aos 10 anos
montou com seus irmãos e primos um conjunto Regional (conjunto que tocava
música brasileira com instrumentos regionais, incluindo o Banjo), e sempre às
escondidas do pai. Numa ida à Belém com um de seus irmãos, deparou- se, em uma
loja de instrumentos, com o famoso Bandolim e como não podia comprar o
instrumento, convenceu seu irmão, um excelente marceneiro, a fazer uma réplica
do instrumento. Assim, com 14 anos aprendeu a tocar o Bandolim e foi convidado
à participar de um concurso na Rádio Clube do Pará, vencendo com nota máxima
com o choro, de sua autoria, intitulado "Te agasalho". Foi eleito, em
meio a feras da época, o melhor solista do Pará, e só tinha 14 anos!
A carreira do menino prodígio do interior seguiu e o
grupo Regional continuou a tocar, junto com os grupos "Martelo de
Ouro", "Los Crioulos" e a "Banda do Teixeira". Por um
longo período, ele cultivou outro sonho: O de ser técnico em operação de rádio.
Trabalhou por uns tempos para um amigo chamado Peixoto, fazendo alegorias para
a escola de samba Boêmios da Campina. Surge neste período, o rádio a pilha... e
Vieira, tempos depois, ganha um de presente de uma senhora vinda do Rio de
Janeiro. Logo depois, seu Peixoto lhe dá material e equipamento e ele começa a
montar e consertar rádios. Passados uns anos o seu Joaquim volta a tocar,
formando o grupo "Vieira e seu conjunto". Aprendeu a tocar guitarra,
com influência do choro e outros estilos.
O menino Joaquim torna-se o criador da lambada e
grava o clássico e pioneiro disco de sua carreira: Lambada das quebradas –
1978, quando são vendidas 80 mil
cópias,e seguiu-se com "Lambada das quebradas volume 2", outro
sucesso, destaque para as músicas "Melô do bode" e "Lambada do
rei". Foram vendidas 230 mil cópias deste disco com sucesso total.
A música de Mestre Vieira ultrapassou os solos
brasileiros e chegou a Suiça, França e Inglaterra. Os ingleses negociaram com a
Continental, sua gravadora na época, a regravação do LPs "Lambada das
quebradas volume 2" em Inglês, e seu som contagiante conquistou a Europa.
Em 1980, foi coroado pelos gringos, Rei da Guitarra e
da Lambada. Em 2002, foi premiado pelos escoceses e ingleses como o melhor
guitarrista do mundo.
A partir de 2004, Mestre Vieira viajou o Brasil e
alguns países do mundo, como a Alemanha (onde tocou em plena Copa do Mundo),
junto a outros 2 amigos (Aldo Sena e Curica), que formavam o famoso grupo Mestres
da Guitarrada. Paralelo a este trabalho, manteve seu grupo original (Vieira e
banda), que tem como baterista e tecladista dois de seus filhos.
O Mestre Vieira é totalmente desprovido de ganância,
amor por bens materiais e estrelismo. Vive em Barcarena, e não pretende sair de
lá. Não é raro vê-lo nas ruas de Barcarena em sua bicicleta. Fala com todos, é
amado por todos... infelizmente, só agora os brasileiros estão lhe dando o
verdadeiro reconhecimento... coisa que os estrangeiros e o povo de sua terra
sempre lhe deram... mas tudo bem, o importante é que ele está sendo
reconhecido.
Em
outubro de 2008, Vieira foi homenageado com a Medalha de Honra ao Mérito
Cultural.
Atualmente o mestre está viajando o Brasil com uma
grande banda de apoio formada por Pio Lobato (guitarra), Vovô (bateria),
Guilherme (guitarra), Gorayeb (percussão) e Breno Oliveira.
Givaldo Pastana
Biógrafo do mestre
Postado
por mundialprog
Mestre Vieira/Joaquim de Lima
Vieira, hoje com seus 78 anos bem vividos, quando na juventude se deslocava de
Barcarena, vinha remando várias horas para se apresentar em Belém/Pa, e que se
especializou como músico tocando bandolim e que, agora em 2012, se tornou um
dos ícones da música paraense e foi através dele que as Guitarradas surgiram no
Pará, e com grandes méritos também para os demais grandes nomes dessa música
paraense. Mestre Vieira, aliás, já vem a muitos anos despontando na cena
musical do Pará e despertando o interesse não só do público paraense como também
dos grandes músicos e público do Pará, do Brasil e do exterior e isso há mais de
50 anos de atividades musicais.
Esse ritmo, ao lado de outros
surgidos no Pará, foi determinante para dizer que no Pará se produz e se
consomem ritmos musicais marcantes como o Carimbó, a Lambada o Merengue, o
Calypso e a Cúmbia (este 3 rítmos são músicas da América do Sul e do Caribe,
que aqui foram adaptadas aos ritmos paraenses) e que ultimamente vêm
despertando admiração e causando grande sucesso no Pará e no Brasil inteiro.
Além de ser exímio músico, Mestre
Vieira também é compositor musical, função que ele executa com propriedade e os
melhores teatros do Pará e do Brasil já receberam
e continuam a receber os acordes vibrantes desse grande mestre das guitarras e
tocando ao lado de outros músicos exponenciais, não só do Pará como do Brasil,
que vêm prestar reverência ao grande mestre musical.
Vejam só como é a vida, quando os
críticos musicais e a intelectualidade cultural do Pará que torciam o nariz
para o que chamavam de “lixo musical do Pará”, que se renderam ao talento do
Mestre Vieira e seus ritmos da Guitarrada. Esse mestre, que se auto-intitula o
Rei da Lambada, estará tendo os seus 50 anos de carreira festejado no Pará,
pelo esforço da jornalista Luciana Medeiros, organizadora dos shows,
documentário, gravação de CDs dos shows e com o apoio da Lei Semear, da Secretaria
da Cultura do Estado do Pará e do Programa Conexão Vivo, com 2 shows no Theatro
da Paz, dias 11 e 12/7, às 20:00h, com participação especial destas feras da
musicalidade paraense e nacional:
No dia 11/7, quarta-feira, o
Mestre Vieira se apresenta com o grupo “Os Dinâmicos” dos músicos Dejacir Magno
(vocal), Lauro Honório (guitarra-base), Luís Poça (teclado), Idalgino Cabral
(baixo) e Jairo Rocha (bateria) e com a participação de Itanaã Figueiredo
(percussão) e tendo como convidados: Fernando Catatau (da banda Cidadão
Instigado-CE), Lia Sophia (que está fazendo sucesso fora do circuito paraense),
Luiz Pardal, André Macleuri, Iva Rothe e Pantoja do Pará (Grupo Metaleiras)
mais Keila Gentil e William Pereira (Gang do Eletro).
No dia 12/7, quinta-feira, o
Mestre Vieira, estará ao lado das feras: uma banda local e os convidados:
Mestre Curica (outro mestre da guitarrada), Sebastião Tapajós (violonista
conhecido internacionalmente pelo seu virtuosismo), Paulinho Moura, Felipe
Cordeiro, Manoel Cordeiro, Gabi Amarantos (a fera do tecnomelody do Pará com
visual na Rede Globo), Pio Lobato (músico que fez seu trabalho de conclusão de
curso de Bacharelado em Música baseado no trabalho e vida do Mestre Vieira),
Vovô, Otávio Gorayeb, Breno Oliveira, Trio Manari (Nazaco, Márcio Jardim, e
Kleber Patury), Família Vieira (waldecir, Wilson, Éric e Kim).
No decorrer desses 50 anos de
carreira o Mestre Vieira teve ao seu lado músicos do grupo “Os Dinâmicos”, como
também é sempre acompanhado em seus shows musicais ao lado dos grandes nomes da
musicalidade paraense e nacional.
Dentre
os músicos que já estiveram nesses 50 anos de carreira do Mestre Vieira, tem os
do grupo já citado dos Dinâmicos, que também fazem grande sucesso e, músicos
conterrâneos do Mestre Vieira e seus filhos que tocam com ele em seus shows.
Pela importância do Mestre Vieira
no cenário musical e cultural do Pará, até mesmo documentários já foram feitos
e continuam a ser, dado a importância musical e cultural desse mestre musical
de Barcarena/Pa, que começou a tocar aos 5 anos de idade em sua cidade natal,
cidade que o mesmo faz questão de manter como domicílio, apesar de sua fama
hoje ultrapassar até as fronteiras do país.
E tem mais, Vieira não é apenas
um grande músico da cena musical paraense, como também é daqueles músicos que há tempos vêm influenciando os músicos
paraenses e até de outros estados.
Mestre Vieira já tocou várias
vezes no Theatro da Paz, em Belém, já foi premiado várias vezes como o melhor
do Pará em seu gênero e como músico e já gravou 2 DVDs, já participou de
eventos culturais de importância no Pará e o mesmo se sente realizado ao
contemplar sua carreira e em executar o seu trabalho como músico. Mas para
chegar a esse ponto de sua carreira musical Mestre Vieira começou a aparecer
tocando aquelas músicas dos anos de 1960 e 1970 que os críticos e figuras
exponenciais da cultura paraense classificavam como “ brega” e sem a menor chance
de aparecer no cenário musical como música de qualidade. A mesma música foi
ganhando espaço a partir dos anos de 2000. Aí ,então, os entendidos no assunto,
percebendo que aqueles sons musicais exóticos,
saídos da guitarra, pelas mãos daquele caboclo barcarenense, possuíam
refinamento melódico no meio do exotismo musical da época. Os cultores do bom
gosto musical das músicas do MPB, da Bossa Nova começaram a se render ao
talento do Mestre Vieira, fama que ajudou a alavancar outros grandes nomes de
outros estilos musicais paraenses e de outros músicos, grupos musicais e
cantores do Pará. Vieira, com méritos e profissionalismo musical, começou a
galgar os degraus da fama e hoje já se faz conhecido no Pará, no Brasil e no
mundo inteiro.
E a Guitarrada, que nasceu com o
Mestre Vieira, hoje é considerada gênero musical genuinamente paraense e
Patrimônio Musical do Pará, assim considerado através da Lei nº 7.499 desde
março de 2011, quando foi publicada no Diário Oficial do Estado do Pará, e
agora, esse gênero musical e seu
criador, o Mestre Vieira, de Barcarena, o Rei da Guitarrada, estão ganhando
documentário que retratam os 50 anos do Mestre e junto com o gênero musical por
ele criado.
Blog do Ademir Rocha, de
Abaetetuba/Pa

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