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quinta-feira, 10 de agosto de 2017

- - Planeta Invertebrados Brasil 3 - Fauna e Flora

- - Planeta Invertebrados Brasil -

Fonte: Planeta Invertebrados Brasil

Artigo publicado em 20/01/2014, última edição em 02/07/2017  

Sarará, fotografado nas praias de Mosqueiro, margens do Rio Amazonas, PA. Foto cedida por Breno Peck.


Sarará – Armases benedicti

Nome em português: Sarará, Almofada, Aratu
Nome em inglês: Fatfinger Marsh Crab
Nome científicoArmases benedicti (Rathbun, 1897)
Origem: Américas, costa atlântica tropical
Tamanho: carapaça com largura de 1,8 cm
Temperatura: 25-35° C
Salinidade: baixa
Reprodução
: parcialmente abreviada, mas necessita de água salobra para as larvas
Comportamento: pacífico
Dificuldade: fácil

Apresentação

            O Armases benedicti é um pequeno caranguejo semi-terrestre conhecido como “Sarará”, habitante das margens dos rios próximos ao Delta do Rio Amazonas. É a espécie de Armases mais bem adaptada à vida continental, suportando longos períodos emerso, e sendo encontrado em ambientes bastante longe do litoral. Constrói suas tocas nas margens de riachos de água doce, ou salobra de baixa salinidade, só dependendo de água salobra para a reprodução. 
            O gênero Armases foi criado em 1992, a partir da sub-classificação do gênero Sesarma, na ocasião um grupo bastante heterogêneo contendo mais de 125 espécies. Existem três espécies de Armases brasileiros: A. angustipesA. benedicti e A. rubripes. Destes, o Armases benedicti é a espécie com distribuição mais restrita no Brasil, sendo encontrado somente na foz do Amazonas, em AP e PA.
            Etimologia: A palavra Armases é uma “brincadeira” com Sesarma, é um anagrama, praticamente a mesma palavra escrita de trás para frente; benedicti é uma homenagem ao eminente carcinologista norte-americano James Everard Benedict (1854 – 1940).



Distribuição geográfica de Armases benedicti. Imagem original Google Maps; dados de Melo GAS 1996.

Origem e habitat 
É encontrado em áreas estuarinas das zonas tropicais da costa atlântica das Américas, na Flórida, Golfo do México, e na América do Sul desde Venezuela até o norte do Brasil, estados de Amapá e Pará. No Brasil, habita margens de riachos e rios próximos ao delta do Rio Amazonas, em ambientes mais longe do litoral, de água doce ou baixa salinidade, onde são bastante numerosos. Alguns questionáveis relatos de coleta em outros estados, como Bahia e Rio de Janeiro.
É um caranguejo praticamente terrestre, passando boa parte do período emerso. Constrói suas tocas em barrancos marginais destes rios, sendo encontrado também sob troncos e pedras.


 
Aparência

São caranguejos achatados de porte médio, carapaça quadrada, um pouco mais larga do que comprida, e pernas dispostas lateralmente. Olhos nas bordas ântero-laterais da carapaça, pedunculados mas curtos. Coloração em tons acastanhados ou avermelhados. Muitos têm as garras com uma cor vermelha.
Podem ser confundidos com outras espécies de Aratus (GoniopsisSesarmaAratus). Podem ser diferenciadas dos Sesarmas pelo aspecto nodulado das garras, sem crista dorsal. A diferenciação com os outros Armases é fácil nos machos adultos, devido ao dedo inflado da garra. Um detalhe bastante útil é o aspecto típico dos dedos das quelas, com amplo hiato basal. Também possuem o mero das pernas alargados, com aspecto em "remos".

Sarará, fotografado próximo ao delta do Rio Parnaíba, PA. Note o hiato basal na quela. Foto cedida por Carlos Eduardo Ribeiro.

Dimorfismo Sexual

Como quase todos os caranguejos, a distinção pode ser feita facilmente através da análise do abdômen, que fica dobrado sobre a porção ventral da carapaça. Fêmeas possuem o abdômen largo, onde incubam seus ovos. Nos machos, o abdômen é estreito.
Há também um nítido dimorfismo nas garras, machos adultos têm o dedo móvel bastante inflado na metade proximal, além de terem granulações grosseiras ao longo de toda a quela. Machos adultos também possuem garras maiores e mais robustas.








Sarará, fotografado próximo ao manguezal de Bragança (PA). Fotos cedidas por Daniela Torres.

Reprodução

Armases benedicti depende de água salgada para sua reprodução. Seu ciclo de vida é muito semelhante ao de outros crustáceos semi-terrestres estuarinos. Durante a estação reprodutiva, estes caranguejos lançam milhares de larvas na água, estas são levadas pela correnteza até áreas de maior salinidade, onde permanecem por semanas até retornarem para os riachos.
É uma espécie com um padrão reprodutivo parcialmente abreviado, composto de quatro estágios larvares planctônicos (zoea) além do megalopaO único trabalho sobre a sua reprodução em laboratório descreve todo o desenvolvimento larvar em água salobra de média salinidade, 15%o. O tempo de desenvolvimento larvar é de cerca de 26 dias até o estágio juvenil. As larvas são carnívoras, podendo ser alimentadas com náuplios de Artemia em cativeiro.

Armases benedicti, fotografados em Abaetetuba, Pará. Fotos gentilmente cedidas por Ademir Heleno A. Rocha.

Comportamento

São animais sociais, vivendo em numerosas colônias. São mais ativos à noite. Tornam-se vulneráveis após a ecdise, quando permanecem entocados, até a solidificação completa da carapaça.

Armases benedicti, fotografados em Abaetetuba, Pará. Fotos gentilmente cedidas por Ademir Heleno A. Rocha.

Alimentação

São onívoros, mas sua base alimentar é constituída quase que exclusivamente por folhas de árvores, sendo assim classificados como herbívoros funcionais. Consomem também insetos e outros pequenos animais.
Em cativeiro, necessitam de um balanço adequado entre Fósforo e Cálcio, com predomínio deste último. Muitos criadores fornecem suplementos de cálcio, como alimentos para répteis, ou pastilhas para uso humano. É conveniente também evitar um excesso de proteínas na dieta, mantendo uma dieta básica de vegetais. Outros alimentos não recomendados são o espinafre (rico em ácido oxálico) e salsinha (alto teor de ácido prússico, bastante tóxico para os caranguejos).

Pequeno filhote de Sarará, "surgiu" no filtro externo de um aquário em Belém (PA), provavelmente introduzido junto com alguma planta ornamental. Fotos de Anderson Souza.

Manutenção em Aquaterrários

É uma das espécies de sesarmídeos mais bem adaptada à vida terrestre, ficando praticamente todo o tempo emerso. Desta forma, pode ser mantido em terrários somente com um pequeno recipiente com água. Ao contrário de outras espécies, esta água pode ser doce, sem prejuízo na qualidade de vida destes animais. Porém, pode ser mantido também em aquaterrários salobros oligohalinos, sem problema algum. Por se tratar de uma espécie tropical, prefere temperaturas mais elevadas.
O substrato é indiferente, mas é preferível algum material que permita aos animais cavarem suas tocas.
  
Bibliografia: 
  • Melo GAS. Manual de Identificação dos Brachyura (caranguejos e siris) do litoral brasileiro. São Paulo: Plêiade/FAPESP Ed., 1996, 604p. 
  • Abele LG. 1992. A review of the grapsid crab genus Sesarma (Crustacea: Decapoda: Grapsidae) in America, with the description of a new genus. Smithson. Contr. Zool. 527:1-60. 
  • Lima JF, Abrunhosa F. The complete larval development of Armases benedicti (Rathbun) (Decapoda, Sesarmidae), from the Amazon region, reared in the laboratory. Rev. Bras. Zool. 2006 June; 23(2): 460-470. 
  • Garcia JS, Aparicio GKS, da Silva TC, Lima JF. Dieta natural de Armases benedicti Rathbun, 1897 (Brachyura, Sersamidae) na foz do Rio Amazonas. Congresso Brasileiro sobre crustáceos, 2008, Gramado RS. 
  • Ribeiro ASS. A fauna silvestre e o homem ribeirinho: interações nos agroecossistemas amazônicos. Tese de Doutorado em Ciências Agrárias, Universidade Federal Rural da Amazônia, 184p. 2010. 
  • Costa-Neto EM. Restrições e preferências alimentares em comunidades de pescadores do município de Conde, estado da Bahia, Brasil. Rev. Nutr., Campinas, 13(2): 117-126, maio/ago., 2000.

Agradecimentos ao professor Ademir Heleno A. Rocha (veja seu blog  aqui )aos aquaristas Carlos Eduardo Ribeiro e Anderson Souza, à professora e bióloga Daniela Torres ( Lela Orca ), e ao colega Breno Peck (veja sua galeria de fotos do Flickr  aqui pela cessão das fotos para o artigo.
Reproduzido pelo Blog do Ademir Rocha

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Fonte; Planeta Invertebrados Brasil

Artigo publicado em 06/05/2012, última edição em 02/07/2017  


Sylviocarcinus/Zilchiopsis

Nome em português: Caranguejo de água doce, Caranguejo de rio, Araruta.
Nome em inglês: -
Origem: América do Sul
Tamanho: carapaça com largura de até 6,0 cm
Temperatura: vide texto
pH: vide texto
Dureza: vide texto
Reprodução
: especializada, todo ciclo de vida em água doce
Comportamento: agressividade média
Dificuldade: fácil


Apresentação

Existem quatro espécies de caranguejos sul-americanos de água doce que são quase idênticos, de identificação praticamente impossível para um não-especialista. São eles:
  • Sylviocarcinus pictus (H. Milne-Edwards 1853)
  • Sylviocarcinus australis Magalhães & Türkay 1996
  • Zilchiopsis oronensis (Pretzmann 1968)
  • Zilchiopsis colastinensis (Pretzmann 1968)

São animais bastante comuns nas bacias continentais da América do Sul, cada um deles tendo uma distribuição geográfica específica, mas cujas áreas se sobrepõem. São pequenos caranguejos aquáticos, de hábitos noturnos, com uma bela padronagem de pequenas manchas avermelhadas.
Etimologia:
  • Sylvio tem etimologia incerta, ou é derivado de um nome próprio, de origem desconhecida, ou do latim silva (floresta); carcinus vem do grego karkinos (caranguejo).
  • Zilchiopsis é uma referência a outro gênero de caranguejo de água doce, Zilchia (Pseudothelphusidae), -opsis designa semelhança.
  • Pictus tem origem no latim, e significa “pintado”.
  • Australis vem do latim auster, significa com distribuição ao Sul.
  • Oronensis é uma menção ao Riacho del Oro, Chaco, Argentina, onde foi coletado o espécime-tipo.
  • Colastinensis é uma menção ao Río Colastiné, Santa Fe, Argentina.

Origem

            Somadas, as quatro espécies têm uma ampla distribuição na América do Sul, desde a Bacia Amazônica até a do Paraguai/Baixo Paraná, como demonstrado no mapa.
            O Sylviocarcinus pictus é a espécie encontrada mais ao norte, até a pouco era considerada uma espécie confinada à Bacia Amazônica, e focos nas bacias costeiras do norte-nordeste. Ocorrem na Guiana, Guiana Francesa, Suriname, Colômbia, Peru, Bolívia e Brasil. Recentemente (2009) foi descrito na Argentina, Bacia do médio Paraná, ampliando sua distribuição, e sobrepondo-a com a das demais espécies. No Brasil, é encontrado nos estados do AP, RR, AM, PA, MA, PI e RO. No PA, são chamados localmente de "Araruta".
Como o nome já diz, o Sylviocarcinus australis tem uma ocorrência mais ao sul, sendo encontrado na Bacia do Rio Paraguai (Brasil e Paraguai), e áreas vizinhas da Bacia do Paraná na Argentina. No Brasil ocorre no Pantanal, nos estados do MT e MS.
O Zilchiopsis oronensis é tipicamente uma espécie tropical, ocorre na porção central e sul da Bacia Amazônica, e na bacia do Rio Paraguai, norte do Paraguai, Bolívia e Brasil, e também Argentina. Na Argentina, acreditava-se que era restrito somente à sua região norte, mas desde 2002 há registros desta espécie mais ao sul, sobrepondo-se com a distribuição do Z. colastinensis. No Brasil, é encontrado nos estados do AM, PA, MT e RO.
Até onde se sabe, o Zilchiopsis colastinensis é uma espécie de climas temperados, com área de ocorrência restrita à Argentina, onde é encontrado na região nordeste. Não é encontrado no Brasil.
Estes caranguejos habitam variados corpos d´água, mas são mais comuns em rios e riachos. Ocorrem também em terrenos que sofrem inundação periódica, como na região do Pantanal. Têm hábitos semi-aquáticos, adultos constroem tocas emersas junto às margens.

Distribuição geográfica das quatro espécies de Tricodactilídeos na América do Sul. Imagem original Google Maps; dados de Magalhães C 2003, Magalhães C et al. 1996, Collins PA et al. 2002 e 2009.


Aparência

Cefalotórax de altura média, arredondado e convexo. Olhos pequenos, antenas curtas, margem frontal lisa e bilobada. Grandes quelípodos, assimétricos nos machos, pernas dispostas lateralmente. Carapaça lisa, com uma padronagem de pequenas pintas avermelhadas, ou manchas maiores de aspecto circular, como os de uma onça.
Dentro da família Trichodactylidae, os Sylviocarcinus e Zilchiopsis podem ser identificados baseados na forma do abdômen (fusão parcial dos somitos, III-VI), e a presença de 3 a 4 dentes na margem da carapaça, além do dente exorbital.
A identificação da espécie é muito difícil para o não-especialista, e somente possível em machos mortos, pela análise dos gonopódios. O gênero das fêmeas pode ser identificado baseado no espermatóforo. Citando dois trechos de um artigo de revisão do Dr. Célio Magalhães (1996):
 
“Ambas espécies são próximas, e indistinguíveis se não houver machos adultos disponíveis para análise.” (sobre as duas espécies de Sylviocarcinus)

“De fato, a morfologia externa não pode ser usada para se distinguir o Z. collastinensis, Z. oronensis, S. pictus e S. australis. Isto significa que, no presente momento, espécimes do sexo feminino não podem ser identificados além do seu gênero.”


Sylviocarcinus pictus, fotografado em um riacho nas Montanhas Kanuku, Guiana. Imagens gentilmente cedidas pelo Dr. Arthur Anker (UFC).

Caranguejo de espécie desconhecida, coletado em Buenos Aires, Argentina. Fotos cedidas pela aquarista argentina Maria Romina Chirico.

Caranguejo de espécie desconhecida, fotografado no Rio da Prata, Bonito, MS. Foto cedida pela aquarista Raquel Toledo.


Parâmetros de Água

Por habitar uma extensa área geográfica, e bacias hidrográficas distintas, as condições físico-químicas dos seus locais de origem variam bastante. Além do clima e temperaturas distintas, a Bacia Amazônica tem águas ácidas e moles, rica em compostos orgânicos. As Bacias do Paraná e Paraguai têm água dura, com um pH próximo de neutro.
Entretanto, são espécies robustas, bastante tolerantes quanto às condições da água.

Caranguejo de espécie desconhecida, coletado em um afluente do Rio Paraná, na Argentina. Fotos cedidas por Pablo Daniel Lopez.

Dimorfismo Sexual

Como todo caranguejo, pode ser feita facilmente através da análise do abdômen, o macho possui abdômen estreito, e a fêmea, abdômen largo, onde fixa seus ovos. Os machos também têm maiores dimensões, garras mais desenvolvidas e assimétricas.






Provável Sylviocarcinus pictus, macho coletado no parque nacional Alto Purús, em Ucayali, Peru. Fotos de James Albert.


Reprodução

Vive em águas continentais, todo seu ciclo de vida se dá em água doce. Reprodução sazonal, pico reprodutivo nos meses mais quentes e chuvosos, geralmente de novembro a março.
Na cópula, o macho segura a fêmea com suas garras, a qual rebaixa seu pleon abdominal, os dois animais ficando ventre a ventre.
Produzem poucos ovos esféricos de grandes dimensões, medindo cerca de 2 mm. O número médio é de 200 ovos (S. australis). De forma semelhante a outros Tricodactilídeos, estes ovos não ficam fixos aos pleópodes abdominais, mas somente alojados em uma cavidade incubatória formada por uma depressão na face ventral da carapaça, e pelo abdômen alargado da fêmea. Desta forma, estes animais são bastante sensíveis a estresse nesta fase, abandonando os ovos em contato com alguma ameaça. Trabalhos mostram que somente o estresse da coleta e manipulação é o suficiente para fazê-las abandonar a prole.
Apresentam desenvolvimento pós-embrionário direto, também chamado epimórfico, onde as fases larvais completam-se ainda dentro do ovo. Na eclosão são liberados indivíduos juvenis, já com características semelhantes ao adulto, medindo cerca de 3,5 mm (S. pictus). Por vários dias (cerca de 17 no S. pictus), os jovens são protegidos e carregados pelas fêmeas sob o abdome, caracterizando cuidado parental. Nesta fase, os filhotes se alojam na mesma cavidade onde se localizavam os ovos. Durante este período os pequenos caranguejos não realizam ecdises, abandonando a mãe somente após a primeira muda. Diferente dos lagostins com cuidado parental, estes filhotes não têm nenhuma estrutura anatômica especializada para se fixarem no corpo da mãe. Mesmo após este período, os filhotes mostram comportamento gregário, escalando a carapaça da mãe por algumas semanas.
O tempo de desenvolvimento embrionário não é bem estudado, mas estima-se em cerca de 15~20 dias. Os ovos mudam de cor, inicialmente são laranja-escuro, tornando-se depois laranja-claro, e depois amarelado-claro. Nesta fase final os caranguejos juvenis já são visíveis dentro do ovo, com seus grandes olhos escuros.
Semelhante ao Dilocarcinus pagei, acredita-se que estes caranguejos também apresentem o que se chama de Desova Parcelada. Ou seja, os ovos são liberados de forma não-sincronizada, mais de uma vez durante o período reprodutivo, em parcelas. Por este motivo, as fêmeas carregam ovos em diferentes estágios de desenvolvimento, juntamente com juvenis.

Provável Sylviocarcinus pictus, fêmea carregando filhotes, fotografado no Amapá. Foto de Flávio Mendes.

Caranguejos argentinos em um aquário. Nas últimas imagens, é visível o abdômen com os segmentos fundidos. Fotos cedidas por Nicolas N. Acosta.

Caranguejos amazônicos em um aquário, provável Sylviocarcinus pictus, coletado em um igarapé no Pará. A última imagem mostra as pintas na carapaça em close. Fotos cedidas por Higo Abe.

Comportamento

Embora sejam animais aquáticos, tem hábitos anfíbios, suportando algum tempo fora d´água, principalmente se houver umidade. Fugas são bastante frequentes, o aquário deverá ser sempre mantido bem tampado.
São relativamente agressivos, não sendo recomendada a sua manutenção com outros animais. Mesmo entre indivíduos da mesma espécie, pode haver predação de animais menores. Plantas tenras costumam ser devoradas também.
Adultos são escavadores, não são indicados para tanques com substrato fértil, ou com layout ornamental. Adultos têm hábitos noturnos, e costumam ficar entocados até anoitecer, jovens são mais ativos durante o dia.
Como os demais crustáceos, tornam-se vulneráveis após a ecdise, e podem ser predados por outros animais. Por este motivo, nesta época permanecem entocados, até a solidificação completa da carapaça.

Pequeno caranguejo juvenil de espécie desconhecida, coletado em Buenos Aires, Argentina. Fotos cedidas pela aquarista argentina Maria Romina Chirico.

Sylviocarcinus pictus, fotografados em Abaetetuba, Pará. Fotos gentilmente cedidas por Ademir Heleno A. Rocha.

Alimentação

São onívoros, com importante componente vegetal na dieta. Não são nada exigentes quanto à alimentação, comendo desde algas, animais mortos a ração dos peixes. Caçam pequenos invertebrados, e podem se alimentar também de plantas com folhas tenras.

Sylviocarcinus pictus, fotografados em Abaetetuba, Pará. Nas duas últimas imagens, sobre um Valdivia serrata. Fotos gentilmente cedidas por Ademir Heleno A. Rocha.


Bibliografia:
  • Magalhães C. Famílias Pseudothelphusidae e Trichodactylidae. In: Melo GAS. Manual de Identificação dos Crustacea Decapoda de água doce do Brasil. São Paulo: Editora Loyola, 2003.
  • Magalhães C, Türkay M. Taxonomy of the Neotropical freshwater crab family Trichodactylidae II. The genera Forsteria, Melocarcinus, Sylviocarcinus and Zilchiopsis (Crustacea: Decapoda: Trichodactylidae). Senckenbergiana Biologica, v.75, p. 97-130, 1996.
  • Rosa FR, Lopes IR, Sanches VQA, Rezende EK. Distribuição de caranguejos Trichodactylidae (Crustacea, Brachyura) em alagados do Pantanal Mato-Grossense (Brasil) e sua correlação com a proximidade do rio Cuiabá e cobertura vegetal. Pap. Avulsos Zool. (São Paulo). 2009; 49(24): 311-317.
  • Collins PA, Giri F, Williner V. Range extension for three species of South American freshwater crabs (Crustacea: Decapoda: Trichodactylidae). Zootaxa 1977, 2009: 49–54.
  • Collins PA, Williner V, Giri F. A new distribution record for Zilchiopsis oronensis (Pretzmann, 1968) (Decapoda, Trichodactylidae) in Argentina. Crustaceana, 2002. 75: 931–934.
  • Mansur CB, Hebling NJ. Análise comparativa entre a fecundidade de Dilocarcinus pagei Stimpson e Sylviocarcinus australis Magalhães & Turkay (Crustacea, Decapoda, Trichodactylidae) no Pantanal do Rio Paraguai, Porto Murtinho, Mato Grosso do Sul. Rev. Bras. Zool. 2002  Sep; 19(3): 797-805.
  • Greco LSL, Viau V, Lavolpe M, Bond-Buckup G, Rodriguez EM. Juvenile Hatching and Maternal Care in Aegla uruguayana (Anomura, Aeglidae). Journal of Crustacean Biology Vol. 24, No. 2 (May, 2004), pp. 309-313.
  • Sant’Anna B, Takahashi E, Hattori G. (2013) Parental care in the freshwater crab Sylviocarcinus pictus (Milne-Edwards, 1853). Open Journal of Ecology, 3, 161-163. 

Agradecimentos ao professor Ademir Heleno A. Rocha (veja seu blog  aqui ), aos zoólogos Flávio Mendes, Dr. Arthur Anker (Universidade Federal do Ceará, Fortaleza) e Dr. James Albert (Departamento de Biologia, Universidade de Louisiana, Lafayette) pela cessão das fotos para o artigo. Agradecemos também aos colega aquaristas brasileiros Higo Abe e Raquel Toledo, e aos colegas aquaristas argentinos Maria Romina Chirico, Nicolas N. Acosta e Pablo Daniel Lopez pela cessão das fotos.
Reproduzido pelo Blog do Ademir Rocha