A MUSICALIDADE 1 DE ABAETETUBA ATRAVÉS DOS ANOS
Conjunto Os Muiraquitãs
Foto dos arquivos de
Lial Bentes
A MUSICALIDADE 1 DE
ABAETETUBA: CONSIDERAÇÕES INICIAIS
MÚSICA E MEMÓRIA
A musicalidade é um dos aspectos
da cultura de Abaetetuba que funciona como guardiã de uma rica memória, ainda
viva na lembrança de cada filho destas terras que vivenciou os ricos períodos
desse aspecto cultural e em muitas de suas vertentes, considerando aspectos dos
mitos, do imaginário e da cultura que essas vertentes da musicalidade
construíram através dos tempos, como veremos a seguir. Esse aspecto cultural da
musicalidade usou suas vertentes como forma de comunicação, de transmissão de
mensagens, de histórias que marcaram pra sempre, direta ou indiretamente, a
vida de muitas pessoas que ainda são depositárias dessas memórias ou que já
estão marcadas nos escritos de nossos historiadores em um rico acervo onde pode
se encontrar esses variados aspectos da musicalidade de Abaetetuba.
A música em si nada mais é que um
conjunto de sons articulados para formar um discurso poético de sons, vozes e
encenações de linguagem transmitida através dos tempos usando de recursos
rústicos até chegar aos mais sofisticados, de acordo com o período histórico em
questão.
Deste modo a musicalidade
torna-se uma importante fonte ou documento histórico da memória sobre o nosso
passado, conservado e analisado a partir de pessoas e contextos que nos permite uma volta a esse passado para o
conhecimento de seu meio e dos variados aspectos da musicalidade a ser
analisada.
Esses aspectos da musicalidade
serão aqui analisados em várias postagens que faremos sobre “A MUSICALIDADE EM
ABAETETUBA ATRAVÉS DOS TEMPOS” e, em certos casos, tecendo comentários,
considerações e sugestões de melhorias naquilo que pode se constituir um
aspecto cultural que pode se consolidar como um evento com identidade própria
e, desse modo, se constituir em Abaetetuba um evento que possa também gerar
renda e trabalho para o município.
Portanto, a memória da
musicalidade, é o ato de lembrar, de reter, o que já se passou, de reconstruir
a relação entre passado e presente, e que pode dar sentido à nossa história.
Nesse aspecto, a memória não seria uma realidade estática e perdida no contexto
cultural de sua época, mas dinâmica e inovadora, se reconstruída em novas
formas culturais que possam nos fazer recordar e apreciar no presente sob nova roupagem,
e com identidade própria, a ponto de se firmar no cenário da musicalidade em
geral como evento que chama a atenção de todos pela riqueza que contém e,
consequentemente, como fator turístico que possa chamar a atenção para essas
manifestações culturais e se firmar no calendário turístico do município como
evento que possa trazer emprego e rendas para muitas pessoas, além de fazer o
município ser conhecido e reconhecido como um verdadeiro centro de cultura. Os
estudos sobre a musicalidade em Abaetetuba estão atrelados à questão da memória
e do que a música desperta em cada pessoa e que marca momentos e sentimentos
que são revividos quando se ouve determinada música ou manifestação cultural onde a musicalidade se
faz presente. Todos nós temos aquelas músicas ou eventos musicais que
vivenciamos na infância, na adolescência, que podem nos trazer a sensação de
nostalgia e de rememoração dos bons tempos que já se foram, onde o passado
ressurge fragmentado em várias
lembranças, advindas de uma memória afetiva onde a sonoridade e até mesmo
sabores e cheiros tinham importante papel nesse processo.
Também gostaríamos de explicar
que A MUSICALIDADE EM ABAETETUBA ATRAVÉS DOS ANOS é o conjunto de todas as formas musicais que
aqui já existiram ou continuam a existir, na rica cultura musical do município,
manifestada através das mais variadas formas, estruturas, eventos, pessoas,
grupos, entidades e ritmos espalhados pelos mais diversos segmentos sociais e
recantos do município. Essa musicalidade, a partir dos anos finais do século 19
e durante o século 20, é um período rico de manifestações musicais, que
influenciaram sua época, ditaram os modismos, costumes e influenciaram a
cultura musical do município e que, com a chegada de outras formas e expressões
musicais, íam sendo substituídas através do tempo, mudnado os costumes, as
modas e outras formas culturais que marcaram cada época no município, como foi o caso da chegada do
Rock e suas vertentes dos Anos Rebeldes e da Sociedade Alternativa, que alguns
grupos pregavam, e das músicas da MPB, do Samba e Bossa Nova, da Tropicália, do
Iê-Iê-Iê, do Brega, dos ritmos caribenhos que também influenciaram segmentos da
sociedade de seu tempo, tendo alguns desses modismos subsistido até os tempos
atuais, pelo menos para algumas pessoas que ainda cultuam seus ídolos e
costumes dessa época. Todas essas formas de musicalidade com seus modismos e
costumes serão aqui rememorados.
Abaetetuba possuía a sua antiga
musicalidade manifestada de vários modos conforme veremos abaixo, sendo que
muitas dessas formas musicais foram extintas ou absorvidas por novas formas e
expressões musicais advindas de outras culturas musicais do Brasil ou exterior,
trazendo no seu bojo os avanços rítmicos e tecnológicos com aplicação de novas
técnicas, meios, recursos e instrumentos de sons inovadores que definiram as
ETAPAS da cena musical de Abaetetuba e, em especial, o aspecto Festivo-Dançante
de grande parcela do povo. O incessante aperfeiçoamento de Gravação,
Transmissão e Audição musical através de novos equipamentos e tecnologias
trouxe o microfone, os gravadores portáteis, o disco long-playing (LP), a fita
Cassete, os Compact Discs (CD), o MP3, o computador e a Internet e, com isso,
trouxe também novas Figuras, Personalidades e Vultos para o cenário musical de
cada época e o aperfeiçoamento tecnológica na musicalidade trouxe também a
demanda por novas profissões, como os Promotores de Festas dos clubes e salões
e operadores das aparelhagens de som, inicialmente os locutores, os Disk
Jockeis e agora os DJs, que também marcaram os períodos da musicalidade de
Abaetetuba. Entre os novos instrumentos eletrônicos, surgidos em Abaetetuba,
destacamos a Guitarra Elétrica e o Teclado, que definiram fortemente a cultura
musical de Abaetetuba na sonoridade musical, as Festas Dançantes, assim como os
novos gêneros, estilos e ritmos aqui surgidos a partir da década de 1960, na
forma do Rock e seus subgêneros que desembocaram nas atuais formas musicais
eletrônicas dos Dances, Tecnos, Hip-Hop, Funk e da atual Música Digital.
Será necessário que façamos as
devidas considerações sobre os diferentes estilos e gêneros musicais já
existentes no Brasil antes dos anos de 1960 e dos estilos musicais surgidos a
partir dessa década de transformações na musicalidade e nos recursos
tecnológicos dela advinda. Também deveremos fazer considerações sobre a
Musicalidade Paraense, juntando alguns itens com a Musicalidade de Abaetetuba,
para delimitar a influência da música como um todo em Abaetetuba e o aspecto
Festivo-Dançante que definiram cada fase da musicalidade em nosso município,
empleitada difícil pela intensa hibridização e coexistência de diferentes
estilos e gêneros musicais que já vêm desde os anos de 1960 e que ainda se
fazem presente na cena musical de Abaetetuba, através do saudosismo e as festas
de saudade com músicas que marcaram as décadas musicais. Os Conjuntos Musicais,
a Cultura Musical, os Cantores, Grupos Musicais e cada expressão musical antiga
e as novas formas musicais, serão também analisados sob diversos aspectos, que
vão da cultura criada no meio musical, como de sua substituição por novas
formas e os costumes impostos pelos modismos advindos da musicalidade vinda de
outros centros musicais do Brasil ou do exterior que marcaram profundamente a
cena musical e as modas em Abaetetuba. Seria bom também se analisar alguns
aspectos dos Anos Rebeldes e da Sociedade Alternativa que teve como figuras
principais cantores e grupos musicais como Raul Seixas, Pepeu Gomes, Baby
Consuelo que até os dias atuais encotra espaços para suas idéias através de
parcela da população que vivenciou essa forma de protesto através da música e
costumes impostos pelas idéias dessa exótica filosofia de vida, como também do
Movimento da Jovem Guarda da cultura musical brasileira a partir dos anos de
1960.
As festas dançantes, como parte
integrante e importante da musicalidade de Abaetetuba, vão ser enfatizadas, de
acordo com alguns parâmetros, em várias FASES DAS FESTAS DANÇANTES DE
ABAETETUBA que, no nosso entendimento, se manifestaram conforme algumas
características peculiares a cada fase, elencadas abaixo, e que serão citadas
no decorrer das exposições de determinados itens das várias postagens que serão
feitas a respeito da musicalidade de Abaetetuba.
Além disso outros aspectos da
Musicalidade de Abaetetuba serão elencados e analisados pois foram e continuam
a ser formas culturais sustentadas pela forte musicalidades como as Festas de
Santos, os períodos religiosos como a Quadra Naralina, a Páscoa, Ano Novo, como
também as quadras Junina e Carnavalesca, as festividades de santos e tantas
outras formas sustentadas também pela música em suas várias formas.
Os dados destas postagens foram
coletados das obras de nossos escritores abaetetubenses, como Maria de Nazaré
Carvalho Lobato, Maria do Monte Serrat Carvalho Quaresma, Antonio Braga da
Costa Júnior, Luiz Gonzaga Nascimento Lobato e pesquisas feitas pelo autor do
blog em antigos documentos, revistas ou jornais, internet e das muitas
entrevistas que fizemos com pessoas detentoras da memória cultural de
Abaetetuba, como Orêncio Barbosa André, Alcimar Carneiro de Araujo, Dinho
Silva, Flauri Silva, Mestre Café, Mário Tabaranã e tantas outras pessoas
entrevistadas pela cidade e interior do município.
Estas análises, ponderações,
dados, conceitos e nomes não são definitivos, pois podem existir
inconsistências e incoerências nos textos e falta de dados fundamentais, que
serão corrigidos ou acrescentados de acordo com novas pesquisas ou colaboração
de pessoas que conhecem, pesquisaram ou vivenciaram os vários aspectos da
musicalidade de Abaetetuba.
A CANÇAÕ MUSICAL:
A canção musical em si é uma
mescla de lingüística e de música e como tal pode ser analisada de várias
formas:
Pela letra que dá um sentido para
a música em questão, onde se observa o tempo, o período e o contexto cultural
em que foi criada.
Pela melodia que tem um
significado contextual que não pode ser ignorado, visto que, também constrói o
sentido da canção.
A letra pode se constituir em uma
rica expressão da poesia, um poema que pode nos levar a um conceito literário.
Do mesmo modo a melodia que pode nos levar ao conceito musical correspondente
aos gêneros ou estilos musicais a serem analisados. O conjunto de letra e
melodia são formas de oralidade transmitidas, de geração a geração, que nos leva
a conhecer nosso passado e que pode receber mudanças, de acordo com o contexto
cultural de cada era musical e que nos leva a conhecer o que foi feito e
cantado muito tempo atrás.
Caso o autor de alguma foto ou texto não queira referidas fotos e textos nestas postagens,
favor avisar para retirarmos as mesmas. Em contrapartida, temos centenas de fotos e textos
que podem ser copiadas por pesquisadores, estudantes interessados, promotores e autores
científicos e culturais.
Fases das Festas Dançantes de
Abaetetuba:
1ª FASE DAS FESTAS DANÇANTES DE
ABAETETUBA:
Que leva em consideração os
seguintes elementos e aspectos:
·
Festa da Mucura, que eram realizadas pelo
interior do município e após as cerimônias dos religiosos, das FOLIAS DE SANTOS
e suas Esmolações, usando de rítmos como lundu, chula, batuques e seus
instrumentos artesanais rústicos (violas, banjos, chocalhos e outros) e os
arrastapés e bater de palmas e que foram concomitantes aos primeiros conjuntos
musicais não eletrônicos na forma de jazzes e estes tocando ritmos como:
boleros, sambas, sambas-canções, mambos, xotes, rumbas, valsas, polcas,
quadrilhas, frevos, maxixes e outras.
·
Estrutura dos antigos conjuntos musicais de
Abaeté: os primeiros conjuntos musicais de Abaeté, na forma de jazzes
(conjuntos musicais não eletrônicos), que usavam antigos instrumentos (que
foram os 1ºs instrumentos musicais não artesanais de Abaeté) como requintas,
bombardinos, clarones, oficlides, contrabaixos de corda, e outros, em
conjuntos imitando o swing americano,
citados em documentos de 1920 em diante.
·
Clubes dos anos de 1910, 1920, 1930, 1940 e 1950
de Abaetetuba com suas festas dançantes, quermesses, bailes e eventos
lítero-musicais, como dos clubes de futebol Vera Cruz, Abaeté Foot Ball Club,
Itatiaia, Associação Sportiva de Abaeté, Clube 15 de Novembro, Clube Lauro
Sodré, Vasco, Venus, Brasil e outro clubes esportivos ou sociais.
·
Período da 1ª Fase das festas Dançantes de
Abaetetuba: perdurou dos anos finais do século 19 até os anos de 1960, quando
do aparecimento dos novos ritmos dos Anos Rebeldes (que não mais aceitava o
conservadorismo da sociedade e da passividade sócio-política, que resultou na
Contracultura vinda dos EUA e Inglaterra e que encontraram também no Brasil um
terreno fértil para sua manifestação, mesmo que cerceada pela censura da Ditadura
Militar que tentou castrar os ideais pólitico-culturais de milhares de jovens
adeptos de alguns estilos e gêneros musicais surgidos já a partir da década de
1960.
2ª FASE DAS FESTAS DANÇANTES DE
ABAETETUBA:
Que leva em consideração os
seguintes elementos e aspectos:
·
Composição instrumental dos conjuntos musicais:
início do uso de violões e guitarras elétricas (base, solo e contrabaixo),
baterias, crooner (cantor), que eram a base desses conjuntos que constituíram
os primeiros conjuntos musicais eletrônicos de Abaetetuba e de grande
sonoridade para sua época, que levou a uma reviravolta na maneira de se
promover festas dançantes e adesão ao uso maciço do álcool, das primeiras
drogas recém-chegadas à Abaetetuba e das festas nos salões dos bairros periféricos
da cidade e das primeiras boates surgidas também nos novos bairros periféricos
de Abaetetuba com os marcantes estilos e gêneros musicais dos merengues,
cúmbias e dos primeiros “bregas rasgados” ao lado dos antigos bolerões e
sambas-canções de artistas nacionais e internacionais da época.
·
Rítmos e gêneros musicais: os vindos dos EUA e
Inglaterra (rock e seus subgêneros e os famosos twist, blues, R&B, Soul),
que influenciaram a musicalidade brasileira e costumes, através do movimento da
Jovem Guarda, (em contraposição à Velha
Guarda) que criou o estilo musical do Iê-Iê-Iê (com sua infinidade de cantores,
cantoras, conjuntos musicais famosos) em rítmos que invadiram a cena musical de
Abaetetuba. Outros ritmos da época, concomitantes ao rock e seus subgêneros:
sambas, sambas-canções, boleros, ritmos caribenhos (vide adiante), primeiros
bregas nacionais e internacionais, músicas da MPB, Tropicália, Bossa Nova.
·
Aparecimento das primeiras Aparelhagens de Som
de Abaetetuba (estas vindas dos anos finais da década de 1950 e consolidadas
nos anos de 1960), com suas grandes sonoridades e praticidade em seu tempo e já
usando os famosos discos de vinil (LPs) da época e seus locutores (ainda não se
usava o termo Disk-Jockey e muito menos DJ).
·
Os Clubes dos anos de 1960 em diante de
Abaetetuba e suas famosas festas dançantes: Vasco, Abaeté e Venus (clubes
esportivos) e Assembléia Abaetetubense, Bancrévea Clube e AABB (clubes
sociais), que marcaram a vida da juventude dançante desses anos.
·
Proliferação das Festas Dançantes em boates,
sedes, casas, salões, barracões de festas pela cidade e interior do município a
partir do início da década de 1960.
·
Período da 2ª Fase: perdurou dos anos de 1960 e
se estendeu até o aparecimento de nova modalidade de conjuntos musicais tipo “SKEMA”
das décadas de 1970 e 1980, junto com as primeiras músicas do estilo Dance,
Tecno, Eletro e outras formas musicais surgidas com o avanço da tecnologia
musical.
3ª FASE DAS FESTAS DANÇANTES DE
ABAETETUBA:
Que leva em consideração os
seguintes elementos e aspectos:
·
Aparecimento dos conjuntos musicais tipo “SKEMA”
usando os primeiros teclados eletrônicos de Abaetetuba, formados basicamente
por: tecladista, guitarrista e cantor (ou cantor que podia ser o tecladista). O
que caracterizava os conjuntos musicais tipo “SKEMA” era o reduzido número dos
componentes desses grupos que surgiram em razoável número pela cidade e
interior do município, e que substituíam plenamente os grandes conjuntos
musicais desse tempo que eram formados por um grande número de componentes
(fato este que também contribuiu para a extinção deste tipo de grupo musical em
Abaetetuba).
Porém os conjuntos musicais tipo “SKEMA” ainda fazem parte do
cenário musical do município de Abaetetuba, mesmo com a concorrência da atual
música digital e tocando nas chamadas “festas de saudade” rememorando as
músicas dos anos de 1970, 1980 e 1990, como também as músicas românticas e
bregas que por causa desse mercado nunca saíram de moda desse circuito
saudosista ou “brega”, conforme conceitos de analistas e críticos musicais.
·
Continuação da influência do rock e vertentes
vindos dos EUA e da Inglaterra e das novas formas dançantes da música
eletrônica: Dance, Disco, Tecnos e outros estilos da música eletrônica.
·
Aparecimento de aparelhagens de som com uso de
novas tecnologias e recursos musicais e os primeiros locutores ou Disc Jockeys
(ainda não usava o termo DJ);
·
Período da 3ª Fase: dos anos finais da década de
1980 até o aparecimento das aparelhagens com DJs e as músicas do estilo
Hip-Hop, Funk e suas vertentes.
Uma 4ª, 5ª e 6ª FASES ainda estão
sendo objeto de análises, conforme o tipo de festa dançante e dos estilos e
gêneros musicais de cada fase, como festas de saudades, Dances, Tecnobregas,
Brega Pop, Tecnomelody, Tecnoforró, Sertanejo e dos gêneros musiciais paraenses
que na atualidade estão dominando o cenário musical desta época.
CONTRIBUIÇÕES DOS DIFERENTES POVOS NA MUSICALIDADE
DE ABAETETUBA:
A musicalidade do povo abaeteense é bem antiga e
remonta aos tempos da colonização e que redundou na formação da sociedade
local, onde as três raças concorreram para as diversas culturas aqui
estabelecidas e, no caso, a cultura musical e o aspecto festivo do povo
abaeteense, que é o objeto desta postagem.
O NEGRO:
O povo negro veio contribuir com a musicalidade de
seus batuques nas antigas senzalas e, posteriormente, nos terreiros em
cerimônias recheadas de cantos e danças sensuais, embaladas pelo timbre dos
instrumentos de percussão na forma de tambores potentes. O batuque dos negros
africanos deu origem ao samba, no Rio de Janeiro e na Amazônia deu origem à
dança do carimbo, que também incorporou elementos da musicalidade indígena
através dos rústicos instrumentos usados nessas festas.
O ÍNDIO:
Os povos indígenas também nos deixaram um legado de
musicalidade na forma de cantos, danças, batidas de pés no chão em consonância
com seus movimentos rítmicos do corpo. Seus rústicos instrumentos musicais
eram: chocalhos, como o maracá (cabaça cheia de pedrinhas e enfeitadas de penas
com cores vivas; tambores de troncos de árvores; flautas de tabocas;
instrumentos de assobios, feitos com bambu, ossos de aves. Desses instrumentos
eles extraíam sons para os seus rituais,
festas e pajelanças em cerimônias recheadas de muitas cantorias e danças
exóticas em círculos ou em filas e com o uso de indumentária feita de fibras,
cipós, penas, couros e outros materiais extraídos das florestas. Câmara
Cascudo, folclorista pernambucano, assegura que as antigas canções de ninar
vieram das amas tapuias, que cantavam esses hinos aos filhos de seus amos e nos
embalos das redes de dormir.
O BRANCO:
O branco europeu, principalmente os portugueses e
os vindos de países árabes e os judeus, também contribuíram para a musicalidade
do povo abaeteense, especialmente nas manifestações festivas e religiosas, que
contavam também com cantorias, danças, músicas e festas, e com sons extraídos
das palmas, sapateados e com o uso dos primeiros instrumentos musicais trazidos
por esses povos na forma de requintas, clarones, bombardinos, baritos, violões,
violas, cavaquinhos, banjos, violinos, bandolins, violoncelos, sanfonas,
pianos, clarinetes, gaitas e outros.
A partir da intuição musical de nossos caboclos,
alguns desses instrumentos começaram a ser fabricados artesanalmente em Abaeté,
principalmente os instrumentos de cordas como violas e banjos. Esses antigos
instrumentos musicais começaram a ser usados pelos diversos grupos populares
musicais e pelos conjuntos e bandas musicais a partir dos anos finais do século
19 e até a chegada de outros instrumentos musicais mais modernos trazidos da
Europa e Estados Unidos através das importações marítimas do início do século
20.
AS CANÇÕES DE NINAR:
CANÇÕES DE NINAR, não eram um
ritmo musical, mas canções que as amas tapuias faziam aos filhos de seus amos
abastados dos tempos provinciais do Pará, embalados nas redes de ninar que são
de origem indígena. Esse costume virou tradição em Abaeté, onde as antigas mães
usavam as canções de ninar para cantar para seus filhos pequenos, embalados em
redes de dormir. Vide abaixo letras de canções de ninar, também cantadas em
Abaeté nos anos de 1950, 1960 e que contém elementos da realidade amazônica:
Murucututu
Da beira do telhado
Vem pegar este menino
Que ainda está acordado.
Outra:
Boi, boi, boi,
Boi da cara preta
Pega essa menina
Que tem medo de careta.
Blog do Ademir Rocha, de Abaetetuba/Pa

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