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sexta-feira, 23 de abril de 2010

Abaetetuba 2 - Turismo, Cultura e Memória Ambiental


















































Abaetetuba 2 - Turismo Cultura e Memória Ambiental
Dando continuidade de como poderia ser um futuro Turismo em Abaetetuba, aproveitando a sua outrora rica cultura, como também o seu outrora rico meio ambiente, apresentamos as espécies da Fauna que deveriam ser preservadas, tendo em vista a implantação desse futuro turismo de visitações na cidade/região.

Observações:

• As pesquisas para subsidiar o meio ambiente de Abaeté foram realizadas a partir dos escritos do Coronel Aristides dos Reis e Silva, do ribeirinho Orêncio Barbosa André e outros, dos documentos da Fundação Cultural de Abaetetuba e de escritores de Abaetetuba e micro-região sobre o assunto.

• Como nesta postagem estamos falando de fauna, sugerimos que sejam criadas áreas de preservação ambiental em Abaetetuba, uma na Região das Ilhas, uma na Região das Estradas e outra na Vila de Beja.

ESPÉCIES DA FAUNA AQUÁTICA:

No caso da fauna aquática, dever-se-ia pensar nas espécies que outrora povoavam nossos rios, igarapés e baías. O que não se pode conceber é uma grande massa de água doce praticamente vazia de vida aquática e que outrora serviu no fornecimento de alimentação e comercialização, durante séculos, aos nossos nativos, colonos portugueses e ribeirinhos.

PEIXES DA REGIÃO DE ABAETÉ:
Alguns desses peixes não são propriamente da região de Abaeté, mas eram trazidos para comercialização em Abaeté e, na maioria, já estão extintos ou em vias de extinção na região, devido pesca predatória e indiscriminada:

Acarás
Acaris: várias espécies. Acary, palavra de origem tupi que designa peixe da família loricaridae, com mais de 12 espécies:
Acari
Acari-bodó
Acari cheiroso
Acari-pucu,
Acari preto
Acari-da-pedra
Acari-da-praia
Acari-ximbó.
É ainda desta família o peixe chamado chicote ou cascudo, abundantes na região de Abaeté/Pa.
Amurés
Anujás (cachorrinho-de-padre)
Apaiaris
Aracus
Aruanãs, que chegam a saltar da água e pegar presas como morcegos em vôos rasantes sob a água;
Aramaçá, peixe em forma de lua.
Arraias, com várias espécies, peixe de águas rasas, com ferrão venenoso e perigoso e não importa a idade da arraia que o seu ferrão já é venenoso;
Aruiris

Bacus, com duas espécies: amarelo, dá em toda a região, existindo em grande quantidade nas águas de Conde, etc.
Bacuís.
Baiacu ou maiacu, é peixe venenoso;
Bagres, com várias espécies: bagre de água-doce.
Cachorro de padre, maior que o cachorrinho de padre, este vindo de fora.

Candirus, com duas espécies: candiru-açu e candiru pequeno, que são perigosos por que penetram nos orifícios de pessoas em mergulho nos rios e igarapés.

Carataís, são peixes agressivos e que ferroam as pessoas e ficam presos em suas peles, através de seus ferrões existentes em suas barbatanas e são de duas espécies:
Carataí-açu, há a ocorrência deste peixe nas águas do Igarapé Jacaréquara, que fica próximo ao Matadouro Municipal, que estão lá presentes para se alimentar de restos de gado abatido jogados nas águas daquele igarapé.
Carataí pequeno

Caratingas
Carás-tipioca
Chicote ou cascudo, da família dos acaris outrora abundantes na região de Abaeté/Pa.
Chinela ou peixe-lenha, um peixe de forma chata e bicudo.
Curimatãs
Douradas de água doce
Filhote, que é o peixe piraíba, ainda pequeno.
Ituís, peixe comprido e achatado e com várias espécies: Ituí-terçado etc;
Jacundás, peixes vistosos e com várias espécies.
Jaíras, peixes de poços;
Jandiás
Jatuaranas
Jejus, peixes das águas calmas dos igarapés;
Lambaris
Maiuíra, muito usado como isca para a pesca do filhote.
Mandiis, pequeno peixe das vendido nas sarandagens (uma mistura de peixes miúdos);

Mandubé, que é uma palavra de origem tupi que designa um peixe da família dos ageneiosídeos que apresentam boca e corpo afunilado, por isso também é chamado bocudo e vive junto aos cardumes de maparás, abundantes na Micro-Região.

Maparás, várias espécies:
Mapará branco, que é muito comum na região de Cametá, a “Terra do Mapará”, mas que dá também em Abaeté.
Mapará preto
Matrinxãs
Matupy
Muçun, peixe roliço e comprido, com duas espécies muçun-liso e muçun-de-guelra.
Matupiris
Pacus
Peixe-agulha, peixes bem finos e compridos.
Peixe-lenha,
Peixe-serra
Pescadas, com várias variedades:
Pescada branca, ainda existe no Rio Capim
Pescada botoque (pequena);
Piabas
Piabinhas
Piracatinga
Piramutabas

Piraíba, peixe de grande porte e peso, que é a denominação da fêmea do macho desse peixe, que era chamado de capitari pelos pescadores antigos. A ocorrência de cardumes dos grandes peixes piraíbas é maior no mês de agosto a outubro, daí sua maior pescaria ocorrer nesses meses, na Baia do Capim.

Piranderás
Piranhas, peixes vorazes, com dentes afiados e carnívoras;
Piranambu ou peixe galinha
Piranambuí
Pirapitinga

Pirararas, uma espécie de bagre gigante, dentes pontiagudos, muito voraz e carnívoro. Em Abaetetuba, devido se jogar restos do gado abatido nas águas do Igarapé Jacaréquara, que fica próximo ao Matadouro Municipal, há muita ocorrência de pirararas, que é um animal carnívoro.
Pirarucu, peixe grande, que chega a alcançar até 3m de comprimento, que prefere águas calmas dos rios e igarapés e que foi extinto da região pela pesca indiscriminada, desapareceu de nossas águas, existindo só no Baixo Amazonas.

Poraquês: várias espécies e são peixes perigosos pelos choques que causam em suas presas e inimigos, até mesmo no homem. Uma descarga elétrica de poraquê joga uma pessoa longe e ainda fica dando rimpadas no peito das pessoas atacadas, chegando a matar. Não importa o tamanho do poraquê por que a descarga elétrica é a mesma. Existem algumas espécies de poraquê:
Poraquê preto, é grande e se alimenta de frutos, como miriti, açaí e outros peixes menores. Quando quer comer miriti, o poraquê dá descargas elétricas no tronco dos miritizeiros e açaizeiros para o fruto cair e ele comê-los.
Poraquê-pretinho
Poraquê de barriga amarela

Sapopema, peixe bem pequenino.
Sarapó, um peixe comprido.
Sardas, com várias espécies:
Sarda-de-gato,
Sarda arueri, etc.
Surubim

Tainhas, várias espécies: pequena, média, grande. Nas águas da Baía do Capim, ainda há ocorrências de tainhas, arraias, pescadas, etc.

Tamoatás, caracterizado por escamas duras e carne amarelada;
Tambaquis
Traíras, são peixes bravos e existem em todo lugar de água doce;
Trairões
Tralhotos, animais de olhos salientes e que nadam rapidamente sob a superfície da água;
Tucunarés, com várias espécies: tucunaré-açu, etc.
Uerás

CRUSTÁCEOS DA REGIÃO DE ABAETÉ:
Camarões: com várias espécies na região e largamente utilizados na alimentação dos habitantes da região:

Camarão-de-água-doce
Camarão aviú, que é bem pequeno, que dá na região de Cametá.
Lagosta, na verdade é uma variedade gigante de camarão, o camarão pitu.
Araru ou araruta, com variedades:
Araru pintado
Araruqueira
Araru vermelho, vive nos mangues e mora em tocas.

Sararás, pequenos crustáceos, arredios à presença humana, abundantes nas margens dos rios e igarpés e com várias espécies:
Sarará comum
Sarará péua, que tem uma das garras bem grandes
Sarará-baú.
Siri, que vem nas marés cheias de água salgada do oceano que chegam até os rios e igarapés da região.

SOBRE AS ATIVIDADES PESQUEIRA DOS RIBEIRINHOS:

Pescagem com linha e anzol, onde o ribeirinho, na sua montaria, no meio dos rios, ficava fisgando os peixes que tentassem abocanhar as iscas dos anzóis.

A caça, a pesca, a atividade rural e a extração dos produtos dos rios e florestas ainda obedece aos antigos costumes dos nativos, primeiros habitantes do lugar, com o uso dos mesmos objetos e seguindo os mesmos procedimentos. A caça e pesca e os seus apetrechos como matapi, cacori, mundé, espingardas, redes de pescas, tapagens, etc. Em um turismo de pesca recomenda-se a prática de atividades de pescade espécies que ainda são abanduntantes na região, como maparás, pescadinhas brancas e outras.

São as seguintes as antigas modalidades de pescagens do povo ribeirinho:

Pesca de camarão por matapi, que é um instrumento artesanal, feito de talas e cipós e de forma cilíndrica, dentro dos quais se colocam iscas para chamar os camarões. A isca mais comum era de farelo de arroz e babaçu.

Através das camboas, que é um tipo de pescagem feita com pari, que é uma esteira de talas, com suportes de varas e amarradas com cipós e o pari é colocado à beira-mar, na diagonal, fazendo a tapagem para os peixes e camarões não saírem dos igarapés com a maré vazante.

Pescagem de tapagem com os cacoris, que é uma pescagem feita com o pari, acima descrito, porém colocado em forma oval e na boca de igarapés e feita a colheita dos peixes na vazante da maré.

Pescagem com lanço, onde os pescadores em suas canoas/montarias e com suas de redes de lancear, tecidas pelos próprios ribeirinhos, presa a instrumentos chamadas bóias e chumbo, aquele para emergir e este para submergir a rede na água, que lançadas várias vezes e arrastadas pelos rios, faz a colheitas sucessivas de peixes. As pessoas circulam a rede através dos igarapés e rios, até a rede se encher de peixes e camarões.

Através de gapuias, que podem ser feitas com paneiros/aricás (feitos de talas) e feitas em igarapés com tapagens, onde se colhe peixes miúdos (sarandagem) e mariscos.

Gapuia é uma pescagem de camarões e peixes de poços ou lagos de igarapés remanescentes de vazantes das marés. Antigamente a gapuia se utilizava de instrumentos como paneiros/aricás. Se faziam regos para esvaziamentos dos lagos e colhia-se camarões e pequenos peixes.

Sarandagem, é o produto da pescaria de peixes pequenos através de gapuias e os peixes mais comuns desse tipo de pescaria, são: carás, mandubés, piranambus, sardinhas, sardas, jacundás, amurés, jandiás, carataís, mandiís, aruiris, tucunarés, arraias, curimatãs, ituís, matupiris, acaris, maparás, pescadinhas brancas, pescadas botoques, sarapós, carimximbos, etc.

Pesca com timbós, que são plantas com veneno, que quando espremidos ou batidos, lançam esses venenos nas águas dos e poços de igarapés, fazendo com que os peixes morram envenenados. Depois é só colher esses peixes. Ésse é um tipo de pesca predatória, matando indiscriminadamente vários tipos de peixes e outros pequenos animais aquáticos.

As atividades de pesca foram fortemente influenciadas pela cultura indígena na região. O modo de pescar e os materiais usados nas pescarias vieram, na sua maioria, da cultura indígena. Até mesmo o modo de conservação dos peixes, a salga, veio dessa antiga cultura. Alguns materiais usados para confeccionar os utensílios de pesca e caças são feitos com varas, talas, canoas, matapis, paris, cacuris.

Foi a pesca predatória e indiscriminada que secou nossas águas desses peixes e outros animais aquáticos? O que importa agora é que não podemos ficar com uma imensa massa de água doce despovoada de animais, especialmente dos peixes que são excelentes fontes de proteínas para o povo.

OUTROS ANIMAIS AQUÁTICOS DA REGIÃO DE ABAETÉ:
Peixe-boi, mamífero extinto na região, devido caça indiscriminada a partir do Período Colonial, de carne muito apreciada pelos índios, colonizadores e antigos ribeirinhos.
Botos, mamíferos com três espécies, quase extintos na região, devido a contaminação dos rios e escasses de alimentos (peixes):
Boto tucuxi, de cor preta, menor que os demais e cuja presença ainda é detectada no Rio Moju, perto de Abaetetuba e no Rio Ajuhahy.
Boto Cor-de-rosa
Boto malhado.

Lontras, quase extintas na região.
Ariranhas, parente da lontra e quase extintas na região.
Já não mais se vêem esses animais em nossos rios e baiás, pela pesca indiscriminada e poluição das águas dos rios e igarapés e pela falta de peixes e mariscos da dieta alimentar desses animais.

RÉPTEIS DO GRUPO DOS JACARÉS DA REGIÃO DE ABAETÉ:
Também já foram quase todos extintos da região de Abaeté, devido a caça indiscriminado por sua saborosa carne e couro muito usado na confecção de bolsas, sapatos, cintos. Alguns jacarés remanescentes e nativos de Abaeté ainda existem na Ilha do Capim.

Jacaré-curuá, extinto na região;
Jacaretinga, extinto na região.
Jacareúna (é de cor preta), quase extinto.
Jacaré-coroa, o menor, alcançando até 1,5 m, extinto na região.
Jacuxi, extinto.
jacaré-do-papo-amarelo, extinto na região,
Jacarérana, extinto na região.

ANIMAIS DA REGIÃO DE ABAETÉ:
Ariranhas
Cachorro-do-mato/Iraras
Lebres
Lobos
Lontras
Quatipurus
Quatis
Preás
Raposas
Tamaquarés

ANIMAIS DE CAÇAS DA REGIÃO DE ABAETÉ:
A caça indiscriminada dos animais silvestre, para a alimentação dos ribeirinhos ou extração de couros para venda, diminuiu drasticamente a população desses animais e também pela destruição de seus habitats naturais. A maioria já está extinta na região:

Antas, com duas variedades: antinha e anta grande, usadas na alimentação;
Ariranha, caçada para extração de couros;
Caetetus, da família do porco, de dente aguçado, usados na alimentação;
Camaleões, são lagartos, cujas carne e ovos são usados na alimentação;

Capivaras, da família dos roedores e sua alimentação preferida é a canarana (espécie de capim) e o uso de sua carne faz parte da culinária ribeirinha.

Cachorro-do-mato ou irara, quase extinto e é de cor cinzenta.
Cotias, quase extinta, da família dos roedores, de carne largamente usada na alimentação ribeirinha.

Cuandu, palavra de origem indígena, espécie de porco-espinho, também um animal espinhento como o porco-espinho, mas pequeno.
Gatos-do-mato, da família dos felinos, caçado devido devorar galinhas caipiras e outras aves domésticas dos ribeirinhos;

Guaribas, são macacos, grande, de cor amarela, que andam em bandos, muitos caçados para servir de alimento. O macho dominante e líder do bando era chamado capelão. Os remanecestes destes grandes macacos subsistem penosamente na Ilha do Capim e outros poucos lugares e estão em fase crítica de extinção;

Guaxinins ou papa-cana, era praga nos canaviais de Abaeté e por isso foi muito caçado;
Jacurarus, são lagartos;
Jaguatiricas, caçados devido suas lindas peles e já foram extintos da região;

Jibóias, cobras não venenoas que alcançam grandes comprimentos e são caçadas pelo couro e por que devoram animais domésticos dos ribeirinhos. Existem duas variedades: jibóia branca e jibóia vermelha, devido a cor de suas peles;

Juparás, da família dos macacos, animal de hábitos noturno e também em vias de extinção na região de Abaeté;

Macacos, são animais que se alimentam de frutas, como ingás, jambos, etc e andam em bandos, sendo que no bando existe um que vigia enquanto os outros se alimentam e se o vigia falha em sua função ele é espancado pelos demais e grita muito no espancamento. Macacos são de várias espécies:

Macaco cheiroso,
Macaco da noite ou jupará
Macaco-prego
Macaco pretinho, que anda em bandos e se alimenta de frutos silvestres.
Mucuras, são de quase 10 espécies na região de Abaeté e algumas já em vias de extinção, pela destruição de seus habitats:

Mucura branca, do mesmo tamanho da mucura preta e que são as maiores espécies e que come frutos e sua carne é muito apreciada na alimentação ribeirinha e a que ainda resiste à predação humana;
Mucura chichica ou quatro olhos, devido apresentar duas estrelas em cima de cada olho, já em vias de extinção.
Mucura-do-cacau, é pequenina e já em vias de extinção;
Mucura-do-fundo/mucura d’água, é de cor branca, malhada de preto, que se alimenta de crustáceos e peixes e já em vias de extinção.
Mucura jupará, é pequenina, de cor preta azulado e já em vias de extinção;
Mucura marmelo, olhos bem grandes e salientes/zolhuda, de pelos avermelhados, já em vias de extinção.
Mucura preta, do mesmo tamanho da mucura branca, muito usada na alimentação ribeirinha e que resiste à sua extinção pela facilidade de procriação.

Onças, caçadas devido à sua valiosa pele e já extinta na região

Pacas, da família dos roedores, com dentes muito afiados e de carne muito apreciada na alimentação ribeirinha, que gera muitos filhotes e só por isso ainda não está extinta na região e se alimenta de frutos como inajás, tucumãs caídos no chão. Uma característica da paca macho é matar o filhote se este também é macho. Se o filhote cresce, mata o pai para ficar com as fêmeas da área. A fêmea se não gosta do macho, o mata e come.

Porco-do-mato ou caetetu, de carne muito usada na alimentação ribeirinha e quase extinto na região.
Porco-espinho: com duas várias variedades e já são raros pela destruição de seus habitats;
Preás, quase extintos.
Preguiça, duas variedades: real e preguiça bentinha, usadas na alimentação local e já extintas na região.
Quati, palavra de origem indígena, muito caçado devido devorar ovos e pequenos animais domésticos.
Quatipurus, são esquilos de cauda muito grande e já extintos na região;

Queixadas, de carne muito apreciadas e extintos na região;
Raposa-do-mato, extintas devido destruição de seus habitats.

Soiás, duas variedades: soiá-da-terra e soiá-bandeira, este vive só nos galhos e se alimenta de frutos, com rabo e testa de cor branca e quase extinto na região e já em vias de extinção.

Tamaduás, com várias variedades: comum, tamanduá-bandeira, tamanduateí e (tamanduázinho) e já extintos na região devido destruição de seus habitats;

Tatus, com duas espécies: tatu bola e tatu peba, de carne muito apreciadas na alimentação ribeirinha e já raros na região. O tatu come come no chão e faz barulho ao comer e isso chama a atenção de caçadores para o abate desses animais;

Veados, animais com dentes amoladíssimos, muito caçados e ameaçados de extinção, devido sua carne apreciada como alimento e com várias variedades:
Veado mateiro
Veado de chifre

Os métodos de caças dos animais terrestres eram variados:

Através do mundé. Mundé era uma rústica armadilha para apanhar pequenos animais silvestres e essa caçada era feita no chão. O mundé consistia de uma estrutura em formato de caixa, que ficava suspensa de um dos lados por uma escora que ficava embaixo dessa armadilha, junto com a isca para atrair os animais. Quando o animal entrava para comer a isca, forçosamente enconstava na frágil escora e a caixa caía, prendendo o animal, geralmente pequenos roedores das matas.

Através das lanternagens, que eram caçadas feitas à noite, onde o caçador ia munido de sua espingarda, facão e lanterna de foco poderoso. O caçador procurava os lugares de “comidia” dos animais, como veados, pacas, tatus, ficava na espreita da chegada das caças e quando elas chegavam eram abatidas à tiros. Esse processo levava a noite inteira e, na maioria das vezes a caçada era feita por caçador solitário, devido o barulho que mais pessoas poderiam fazer e espantar as ariscas caças.

Outra forma de caçadas eram através das vigias/tocaias em “mutás”. Mutá era uma rústica guarita, feita de varas e cipós no alto das árvores onde o caçador ficava à espera de caças que por ali passavam em direção às comidias e quando isso acontecia, eram abatidas à tiros de espingardas.

Espingardas eram de uso comum em toda residência ribeirinha ou de colonos das estradas de Abaeté, devido a existência de caças fartas para uso na alimentação diária.

Além de pacas tatus, veados, eram abatidos outros animais, como macacos, aves e felinos, estes para venda de suas peles. A caçada de macacos e aves eram feitas conforme os hábitos desses animais, que podiam ser de dia ou à noite.

Um modo de caçar pássaros vivos era através das arapucas. A arapuca funcionava de maneira quase semelhante ao mundé acima descrito ou através de arapucas montadas em gaiolas com outras aves vivas para atrair parceiros sexuais.

RÉPTEIS/QUELÔNIOS DA REGIÃO DE ABAETÉ:
Estes animais já foram praticamente extintos na região devido uso de suas carnes nas iguarias regionais:
Tartarugas, extintas na região;
Jabotis, quase extintos na região.
Jabotas, eram as fêmeas dos jabotis;
Jabotizinho, quase extinto.
Jaboti matamatá, possui o corpo com saliências espinhentas e um grande pescoço e cabeça chata, já extinto na região.
Carumbé, quase extinto.
Muçuan, quase extinto.
Tracajás, extintos.
Cágado ou tartaruga-de-água-doce, de pescoço chato e comprido, já extintos na região.

RÉPTEIS/COBRAS DA REGIÃO DE ABAETÉ:
Muitos desses animais tiveram seus habitats destruídos pela ação humana e outros, por serem venenosos também são caçados impiedosamente por esse motivo, por isso, estão desaparecendo de nossas matas.

COBRAS VENENOSAS:
O povo mantém o antigo hábito de matar qualquer tipo de cobra, especialmente as venenosas, sucurijus, sucuris, fato que está determinando o rareamento desses animais na região.

Quando uma cobra venenosa ataca animais domésticos ou silvestres, procura picar nos focinhos, que são lugares sensíveis e que pode levar esses animais à morte.

Cobras venenosas geralmente são de hábitos noturnos e tiram o dia para dormir.

Surucucus, são cobras temidas e destemidas e nada as faz parar quando resolve atacar suas presas ou inimigos. Quando o ribeirinho vai para o meio do mato onde há ocorrência dessas perigosas cobras, ele deve levar consigo breu, que no iminente ataque das surucucus, o breu deve ser queimado e jogado em direção às cobras, que engolem o breu queimado e logo após morrem. As surucucus são de várias espécies:
Surucucu-açu, cobra venenosa grande, cor matizada, quase extinta na região;
Surucucu-pena, quase extinta;
Surucucu bico-de-jaca;
Surucucu de fogo, de cor predominate vermelha;
Surucucu de rodilha, que é a menor de todas

Jararacas, várias variedades e quase extintas na região;
Coral: falsa coral e coral verdadeira, esta venenosa, quase extintas na região.

COBRAS NÃO VENENOSAS:
Sucuriju/sucuri ou cobra grande, qualquer destas cobras que é localizada é logo morta, pela lendas e tradição de se alimentarem de animais domésticos criados pelos ribeirinhos. É a cobra que alcança o maior comprimento e peso na região. Em Abaetetuba, devido se jogar os restos do gado abatido nas águas do Igarapé Jacaréquara, que fica perto do Matadouro Municipal, existe muita ocorrência dessa temida cobra.

Jibóia: duas variedades: jibóia branca e jibóia vermelha, caçadas pelo couro e pela tradição das lendas que dizem: “mundiava”/hipnotizava caçadores e pessoas que adentravam matas e por se alimentarem de animais domésticos dos ribeirinhos. Elas alcançam vários metros de comprimento, fazendo delas as maiores da região. Geralmente onde há ninharal de japins há a ocorrência de jibóias por perto, devido os ninhos serem muitos e muitos filhotes de japins caem dos ninhos ou filhotes de iraúnas serem jogados para fora dos ninhos e a jibóia fica na espreita dessas ocorrências para se alimentar desses filhotes.

Cutimbóia, não venenosa e com duas variedades: amarela e vermelha e elas engolem outras cobras, especialmente jararacas. Geralmente é mansa, mas quando aborrecida, enterra a cabeça na terra e rimpa/chicoteia com a cauda os seus agressores, até mesmo as pessoas. Já são raras na região de Abaeté;

Tarirambóia, já são raras;
Cobra-cipó, não mais se vêem na região;
Cobra sacaí, também estão rareando na região;
Cobra-papagaio ou periquitambóia, se alimenta de aves, morcegos e já são raras.
Cobra caninana
Falsa coral, já se faz rara e sofre o estigma de ser parecida com a coral venenosa, por isso é logo morta pelos que a avistam.

ANIMAIS DOMÉSTICOS CRIADOS NA REGIÃO DE ABAETÉ:
Antigamente era comum a criação de gado nas grandes fazendas/engenhos de Abaeté. Atualmente já não mais existe esse antigo costume, a não ser de alguns poucos desses animais, como: gatos, cachorros, galinhas, patos, porcos que são animais eminentemente domésticos. A criação de gado se tornou inviável na região ribeirinha de Abaeté e persiste na região das estradas em pequena escala:

Bois
Carneiros
Cabras
Gatos
Porcos
Cachorros
Cavalos
Galinhas: caipira, galinha-de-angola/picota
Patos, caipiras e de Caiena;
Perus

FELINOS DA REGIÃO DE ABAETÉ:
São animais extintos na região devido a caçada indiscriminada e a destruição de seus habitats naturais:

Gato-do-mato ou gato montado, já extinto na região. Tem o gato-do-mato pintado de cor branco e preto que é o maior e tem o de cor vermelha.
Gato maracajá, extintos na região;
Jaguatiricas, extintas na região.
Onças, extinta na região. Onça malhada/pintada, onça preta (chamado de tigre na região), e onça parda, já extintas na região.

RÉPTEIS DO GRUPO DOS LAGARTOS E LAGARTIXAS DA REGIÃO DE ABAETÉ:
RÉTEIS/FAMÍLIA DOS LAGARTOS:

Largartixas de muro, já se fazem raros;
Osgas, são lagartixas caseiras, de cor branca, que comem insetos.
Trapupéuas, são lagartixas parecidas com osgas, mas de cor preta e vivem nas cercas e muros dos quintais.

Papa-vento, lagarto que por ter o hábito de encher o pescoço de ar, recebe esse nome e já se faz raro nas árvores da região;

Iguanas, já são lagartos raros na região, pela destruição de seus habitats;

Jacuraru, valente lagarto, com dentes afiados e venenosos, de muita força, que enfrentava e vence até cobras venenosas, como as jararacas. Nas lutas, quando ferido ou cansado, parava e se esfregava nas folhas e voltava para a luta. Se alimenta de ratos, sapos e algumas cobras. Já é quase extinto na região de Abaeté.

Jacuruxi ou lagarto-jacaré, lagarto, de cor vermelha, muito vistoso, que se escondia por baixo das folhas podres dos igarapés, muito difícil de ser achado. Come caramujos, sararás, ararutas. Já extintos da região de Abaeté devido destruição de seus habitats;

Lagarto de parede
Tamaquarés
Lagartos verdes, dos quintais, terrenos, arbustos, que se alimentam de insetos.

Camaleões, seus ovos e carne são muito apreciados na alimentação local e estão ameaçados de extinção. Têm as seguintes características: podem mudar de cor rapidamente (camuflagem), têm olhos móveis e independentes (avistam 180% ao seu redor) e línguas retráteis na captura de suas presas.

ANIMAIS ANFÍBIOS DA REGIÃO DE ABAETÉ:
Pela destruição de seus habitats já se fazem raros na região e são mortos pelas pessoas que os avistam, devido lendas à seu respeito.
Sapos, várias espécies:
Sapo aru
Sapo cururu
Sapos pigmeus/sapinhos de vegetação rasteira e encharcada, de aspecto semelhante aos grandes.
Rãs, várias espécies:
Rã verde
Cutaca, que era uma rãnzinha de aspecto bastante feio e de longos braços e pernas e que fazia grandes saltos.
Pererecas, várias espécies:

MORCEGOS EM ABAETETUBA/PA:
Morcegos ocorrem em toda a Região das Ilhas de Abaetetuba/Pa e eles são de várias espécies:
Morcego hematófago, é pequeno e ocorre em todos os lugares das ilhas ele suga animais domésticos como gatos, cachorros, galinhas, animais silvestres e o homem e chega a matar alguns desses animais. Geralmente estão infectados pela doença da raiva, que pode também infectar humanos. Eles vivem em colônias de 25 a 30 morcegos e quando estão infectados pela doença da raiva, basta passar uma pasta venenosa em alguns morcegos capturados e como eles têm o hábito de se lamber, os mesmos morrem envenenados. Assim se combate a raiva transmitida pelos morcegos hematófagos. A culpa pelo morcego também sugar sangue de animais domésticos e do homem é do próprio homem que praticamente caçou todos os animais silvestres usados na alimentação desses morcegos, destruiu seus habitats, fato que fez esse morcego se voltasse contra o homem e seus animais domésticos. Antes não era assim, pela abundância de animais silvestres nas florestas.

Morcego Vampiro, é um morcego grande, carnívoro e também se alimenta de peixes

INSETOS DA REGIÃO DE ABAETÉ:
Alguns desses insetos já estão rareando na região de Abaeté, devido a destruição de seus habitats.

Cabas. Caba é uma expressão local para esses insetos de ferroadas doloridas e que são de várias espécies:

Caba vermelha, que faz o ninho com barro;
Caba tapiocaba preta, que faz a casa com limo de pau e em forma de tambor;
Caba tapiocaba amarela, que é menor, porém mais perigosa e faz casa bem no alto das árvores;
Caba asa-branca ou beiju-caba, que é grande;
Caba piranga, faz casa no forro das casas e bebe água dos recipientes;
Caba tatu-caba, que é grande e preta, com ninho em forma de tatu, que são estruturas uma apegada a outra;
Caba tucandeira, com ferroada doída e que dá febre.

Vespas, são de várias espécies.

Aranhas, onde algumas são peçonhentas/venenosas e são de várias espécies:
Aranha caranguejeira, a mais temida de todas.
Aranha preta-de-buraco ou aranha surucucu, faz buraco no chão como moradia e quem pisar em cima de um desses buracos, geralmente leva picada dessas aranhas, por que ela dá botes longos.

Formigas, que são de várias espécies:
Formiga tapeaí, formiga caçadora, porém não sobe em árvores e fica só no chão, é de cor avermelhada, é grande e caça e carrega tudo, inclusive outros insetos de peso maior que o dela e só ferroa se pisar nela. Caça, inclusive o gafanhoto do mato, este com mordida venenosa e muito maior que a formiga, mas que serve de comida dessas formigas.
Formiga saúva vermelha, que é maior que outros tipos de saúvas;
Formiga saúva preta, que come folhas de maniva, é uma praga nos roçados e folhas servem para alimentação e no aquecimento dos ovos e filhotes;
Formiga taoca, só anda em grupo e possui variedades:
Formiga taóca preta, de ferroada doída, comichenta e é fedorenta, que põe ovos no corpo de insetos mortos como baratas, besouros, etc.;
Formiga taóca vermelha, diferença só na cor;
Formiga taóca grande, com patas e juntas de cor amarelas;
Formiga de fogo grande, dá no chão, onde faz o ninho e sua ferroada é doída;
Formiga de fogo miúda, menor que a outra, porém de mesmo hábito;
Formiga doida, de cor preta e andar atabalhoado;
Formiga cachimbo-de-velha;
Formiga tracuá, é de cor preta, anda em bandos e dá no alto das árvores;
Formigas sararás (vermelha de cabeça preta);
Formiga tachi-coratá, que faz casa no ananazeiro e sua ferroada é doída;
Formiga tachi-comprido, que dá na árvore taxizeiro e sua ferroada é doída;
Formiga tucandeira, grande, porém menor que a tapeai, de cor preta, terrestre e faz ninho em buracos, sua ferroada é doída e dá febre e o lugar da picada fica amortecido. A fêmea da formiga tucandeira é chamada pelos ribeirinhos e colonos de Abaetétuba de tapecoani
Formiga caçadora, grandes, de cor preta, muito valente e voraz, que ataca presas muito maiores que ela, inclusive gafanhotos.

Abelhas, que são de várias espécies e que produzem o mel silvestre, muito apreciado na alimentação ribeirinha antiga e usado como remédio:
Abelha preta;
Abelha amarela;
Abelha urucu, que é de cor preta, que ferroa e que faz ninho na casa de cupim;
Abelha jupará, que é de cor preta e pintada de branco nas pernas;
Abelha Jataí;
Abelhas mamangáuas/mamangavas, que polinizam preferencialmente o maracujá comum ou do mato, mas também polinizam outras plantas e são de duas variedades em Abaeté:
Abelhas mamangavas amarelas, que é uma abelha grande, peluda, que faz ninho em buracos de pau podre e faz zunido/zumbido/barulho quando está em vôo;
Abelha mamangaua preta, peluda, de hábitos semelhantes à amarela, mas menor que esta, que faz zumbido/zunido quando está em vôo.

Lagartas, que são animais que vão originar as borboletas e mariposas e nessa fase são terrestres, muito vorazes se alimentando de folhas e muitas são venenosas, como as lagartas-de-fogo e outras.

Tapuru eram o nome era o nome genérico que se dava ás lagartas peludas e de pelos venenosos.

Pernilongos, da família dos mosquitos, grande e de pernas articuladas e compridas;

Carapanãs, da família dos mosquitos, de hábitos noturnos e são hematófagos;

Louva-deus/ponha-mesa, que são de várias espécies, carnívoras, devoradores de outros insetos e que também são presas apetitosas de vários tipos de pequenas aves, como saís, pipiras, bentevís, etc;

Gafanhotos, que são de várias espécies e vorazes devoradores defolhas de plantas;

Tucuras, que é um tipo de gafanhoto com ferrão, voraz comedor de folhas, e são de várias espécies;

Pirilampos, é o mesmo vaga-lume, de hábitos noturnos e com luzinha no corpo;

Jacintas, de várias espécies, voadoras, cabeças grandes e cauda comprida, carnívoras e insetos muito bonitos.

Marijuanas
Embuás, de duas espécies: vermelho e grande e preto, pequeno;
Carrapatos, de várias espécies.

Maruim, que são mosquitos bem pequenos, de cor avermelhada, hematófagos e de picada dolorida;

Mucuim, de coloração preta, que são pequenos mosquitos, hematófagos e de picadas doloridas;

Turu, palavra de origem tupi, que designa uma larva comestível existente em troncos apodrecidos abundantes nos rios e igarapés de Abaetetuba/Pa e que podem ser consumidos frescos misturados ao suco de limão ou cozidos. Dizem que é um alimento com poderes afrodisíacos, que eram muito utilizados pelos nativos e ribeirinhos da região.

Baratas, são de várias espécies:
Barata comum, caseira;
Barata cascuda
Barata bruxa
Barata branca.
Barata d”água, de porte grande que surge no período de inverno;

Besouros, várias espécies e muitos já são raros na região;
Joaninas, bonitos e coloridos insetos da família dos besouros e são de várias espécies e já raros na região;
Escaravelhos, bonitos besouros, de cor verde brilhante e que já são raros na região;

Borboletas, que são belos e coloridos insetos, de várias espécies e algumas já extintas e outras já raras na região;
Mariposas, várias espécies;

Bicho-Pau, já praticamente extinto na região;
Cigarras, várias espécies e já raros na região;
Moscas, várias espécies: varejeira, azul, etc.
Mosquitos, várias espécies;

Mutucas, várias espécies: mutuca-de-cavalo, etc., hematófagas e de picadas doloridas;
Centopéias, é inseto venenoso e por esse motivo, muito caçado.

Tatupira, é um mosquito semelhante a uma formiga, com asas e transmissor da doença leishymaniose;
Etc.

AVES DA REGIÃO DE ABAETÉ:
O Cel. Aristides dos Reis e Silva, que chegou a ser intendente e prefeito de Abaeté, abaeteense apaixonado, foi um dos primeiros ecologistas do município, tendo deixado nos seus escritos os grupos de animais e plantas de nossa então rica fauna e flora e as espécies de seu tempo, na maioria, já foram extintos de nossa região, o que é uma grande pena. A maioria de aves dos grupos abaixo foram elencados pelo dito coronel:

Andorinhas, de várias espécies, comedoras de insetos:
Andorinhão/tesouras, grandes andorinhas que aparecem na região;
Andorinha preta, prevalece mais a cor preta do que a branca;
Andorinha branca, prevalece mais a cor branca do que a preta;
Andorininha, bem pequena e cor branca e preta.

Anus: são de duas variedades e voam sempre em bandos: anu-coroca, que é o maior e anu-chorão, ambos de cantos estridentes.
Araçaris, são da família dos tucanos e menores que o tucano.

Aracuãs. Aracuan, palavra de origem indígena, se refere a uma ave já escassa nas matas e canta à noite.
Araguaris
Araras, animais de várias espécies, de plumagens vistosas e já extintas na região;
Ariramba
Anumás
Ararapás
Ariramba
Azulão, ave canora, já extinta na região;
Bacuraus, aves de hábitos noturnos;
Beija-flor, de várias espécies e já são raros na natureza:
Beija-flor azul
Beija-flor azuzinho, bem oequenino e é o menor de todos.
Beija-flor Holanda, devido a cor alaranjada.

Bem-te-vi. Valente passarinho que enfrenta até gaviões em defesa de seus filhotes, de cor amarelo e branco, de canto alegre e ainda são comuns na região;
Bicudo, ave canora que já se tornou rara devido caçadas para sua comercialização.
Cancã
Cardeais
Ciganas, aves da beira dos rios e voam em bandos.
Cigarras, ave canora já extinta na região;
Chincoãs
Colera, ave canora, já raras na região;
Curicas

Corujas, de várias espécies e todas de hábitos noturnos, comedoras de ratos, rãs, pererecas e filhotes de aves: e que já se tornam raras na região
Coruja-rasga-mortalha, que é uma coruja de porte grande, de canto forte e estridente;
Corujinha-do-luar
Coruja murucututu

Corós-corós
Curauas, são aves de hábitos noturnos, da família das corujas;
Curió, ave canora e muito caçado para venda aos aficionados por seus cantos;
Ferreiro

Gaivotas, aves que voam em bandos organizados e chefiados por uma dessas gaivotas, que sobrevoam as águas dos rios e baías e quando avistam cardumes de peixes mergulham em seus encalços;

Galinha caipira, aves domésticas e eram criadas nos quintais dos antigos ribeirinhos, junto com outras aves como patos, marrecos, perus;
Garças, várias espécies, comedoras de peixes e mariscos;
Gaturamas

Gaviões, vorazes aves de rapina. Em Abaetetuba/Pa, devido se jogar restos do gado abatido nas águas do Igarapé Jacaréquara, que fica próximo ao Matadouro Municipal, há a presença de algumas espécies de gaviões, para se alimentar dessas carniças. Os gaviões são de várias espécies e portes:
Gavião real/harpia, grande gavião de nossas matas, já extinta na região;
Gavião comum
Gaviãozinho, é o menor de todos.

Guarás, aves que voam em bandos, de cor avermelhada e que já não se vêem na região;
Inambus inambu, ave já escassa nas matas.

Iraunas. Irauna, ave de cor preta, que põe ovo no ninho do japim, para este chocar e criar como seu filhote e ela come arroz e, por isso, é praga dessa cultura. Porém ela quando filhote, pode ser criada pelas pessoas e se torna muito mansa.

Jaçanãs, já não mais existem em Abaeté;
Jacu, ave já não mais existem nas matas de Abaeté.

Japins, aves de cor preta e amarela, que fazem longos ninhos pendentes em galhos de árvores, pertos das casas, de canto estridente e imitadores dos cantos de outras aves.
Jurutaí
Juruti, já não mais existem nas matas de Abaeté;
Maçarico, aves comedoras de mariscos e já não mais existem nas várzeas dos rios de Abaeté;
Maguaris
Maracanã, um tipo de papagaio e que já não mais existem em Abaeté;
Maria-judia

Marrecas, aves da família dos patos, que voam, que são de várias espécies e não mais existem em Abaeté pela sua caça indiscriminada. Havia muitos bandos de marrecas na antiga cidade de Abaeté e elas eram abatidas e sua carne salgada para venda nos comércios locais.

Matintaperê, é uma ave de assobio forte, estridente, que até assusta as pessoas. Existe lendas a respeito do assobio desse pássaro, considerado agourento e ligado à lenda da matinta-pereira, que também, segundo a lenda, possui um assobio agourento.

Patos, de várias espécies, como: pato caipira, pato-domato.

Pavões. O pavão das matas de Abaeté era de porte pequeno (pavãozinho) e já foi extinto de nossas matas;
Peiú
Peru, ave doméstica, criada pelos antigos ribeirinhos. Hoje são escassos em Abaeté.
Piaçoca

Papagaios, aves de várias espécies, que foram caçados indiscriminadamente para servir de animal de estimação na casa dos brasileiros e que chamavam atenção devido saber imitar a fala humana, devido sua língua musculosa e hoje já não mais existem nas matas de Abaeté;

Papa-arroz, pequena ave de cor preta e comedora de arroz;

Patativa, ave canora e já escassa em Abaeté;
Patativa-da-mangueira, ave canora e já extinta em Abaeté, que não possui nem mais as mangueiras;
Peiú

Periquitos, são de várias espécies e como os papagaios, já extintos na região;

Pica-paus: são aves de plumagem vistosas e de várias espécies e comedores de larvas de insetos e que fazem um barulho estridente nas árvores, em suas caçadas por alimentos:
Pica-pau de cabeça amarela
Pica-pau de cabeça vermelha
Piicapauzinho, de cor amarelada e é o menor;
Pinta-ferro,
Pintassilgo
Pipiras, são aves também habitantes das cidades e com variedades diferentes:
Pipira preta
Pipira preta-bico-de-lacre
Pipira marron
Pitilique, é da família dos tucanos e o menor de todos, até mesmo menor que o araçari, que também é da família dos tucanos. Já é ave rara na região.

Pombos, com duas espécies:
Pombo-do-mato, ave silvestre, muito caçada para servir de alimento, se alimenta de frutos silvestres e já está em extinção no município;
Pombo comum.

Primavera
Pula-pula
Rajado
Rendeira
Rolinhas, são da família dos pombos, porém menores.
Rouxinol, ave canora, já extinta na região;
Sabiás, aves canoras e já raras na região e são de duas variedades: sabiá-laranjeira e sabiá comum;

Saís, são aves comuns de nossas matas e cidades e com várias variedades: saí azul e saí pardo e em ambos os casos podem ser macho ou fêmea.
Saracura, canta nas marés, ave já escassa nas matas e com muitas lendas, devido seu canto.
Siriris, são da família dos bem-te-vis e menores;
Socó, duas variedades: socó-boi e socoí e já não mais existem em nossos mangues;
Sururina, ave já escassa nas matas.
Tanguruparás
Tem-tem, palavra de origem tupi que designa um passarinho canoro, de coloração preta e peito amarelo existente na região de Abaeté/Pa.
Tico-tico
Tucanos, aves de coloração vistosas, de bico grande e muito visados nas caçadas de aves para o comércio na região. São de várias espécies:
Tucanos de peito branco
Tucanos de peito alaranjado
Tuiuius
Urubus, são aves comedoras de carniça e de várias espécies:
Urubu preto, muito comum na região;
Urubu preto de cabeça-vermelha, de hábitos solitário, já raríssimos na região, mas ainda aparece em lixões;
Urubu-rei, de pelagem vistosa e mais colorido que os demais e cabeça mais colorida e já extinto na região.
Urus
Xexéus

AVES DE CANTOS DA REGIÃO DE ABAETÉ:
Coleras
Galo-da-campina
Sabiás,
Curiós
Azulão
Caboquinho
Patativas: duas espécies: de coleira, etc.
Bicudo
Rouxinóis.
Cigarras
Ten-tén

CARACÓIS E OSTRAS DA REGIÃO DE ABAETÉ:
Caracóis: duas variedades:
Uruá da terra
Uruá-da-água.
Caramujos, pequenos carocóis, usados na alimentação ribeirinha.
Ostras, várias espécies:
Ostra navalha, dá nos rios e é igual a uma navalha;
Ostra grande
Ostra pequena, muito comum nas praias da região.

Os uruás e caramujos encontrados nos mangues e igapós serviam na alimentação dos antigos abaeteenses e eles eram apanhados nas marés vazantes quando se encontravam grudadados nas folhas e caules de amingueiras e certas raízes externas de vegetais de mangues, como os aturiás. Depois de encher os vasilhames de barro ou grandes cuias, eram levados para serem cozinhados e comidos pelos ribeirinhos.

Turus, que se desenvolvem em troncos de árvores caídas no mangue: mangueiras, seringueiras, mangueiro (uma árvore do mangue), taperebazeiros e outras árvores. O turu é um afrodisíaco natural que deve ser comido vivo e cru, temperado com limão e pimenta e ainda era usado como remédio para o peito, na tuberculose.





























Blog do Ademir Rocha, de Abaetetuba/PA

quinta-feira, 22 de abril de 2010

Abaetetuba 1 - Turismo, Cultura e Memória Ambiental





























































Abaetetuba 1 - Turismo, Cultura e Memória Ambiental
Observações
• As pesquisas para subsidiar o meio ambiente de Abaeté foram realizadas a partir dos escritos do Coronel Aristides dos Reis e Silva, do ribeirinho Orêncio Barbosa André e outros ribeirinhos, dos documentos da Fundação Cultural de Abaetetuba e de escritores de Abaetetuba e micro-região em seus escritos sobre o assunto.
• Como esta postagem se refere à flora da região, sugerimos que sejam criados hortos florestais, levando em conta as espécies aqui mencionadas e já em risco de extinção, através de uma ação de replantio. Sobre hortos florestais ainda falaremos em outra postagem.

Introdução
Abaetetuba/Pa, cidade situada na Micro-Região do Baixo Tocantins/Micro-Região de Cametá, já possui algumas condições para oferecer algum tipo de turismo aos seus visitantes. Mas é ainda um turismo incipiente, onde faltam algumas condições e melhoramentos para A cidade/região se tornar um verdadeiro pólo turístico.
É uma região de muitas e belas ilhas fluviais, muitos rios, igarapés, baías e costas e uma zona de estradas onde também existem condições para um bom turismo de visitações e diversões.
Mas faltam mais hotéis, pousadas e melhoramentos na infra-estrutura turística inadequada e para a qual apontaremos soluções de melhorias e de como fazê-los, é claro, tudo hipoteticamente, uma vez que esses serviços demandam verbas da União, Estado e Município, coisa que se tornam inviáveis para os dias atuais. Talvez em um futuro não muito distante existam condições para Abaetetuba se tornar esse pólo turístico mais atraente ainda.
Aqui tentaremos criar situações turísticas, levando em conta um passado e um presente cultural muito rico de variados motivos culturais, em itens atraentes de se ver e relembrar, com estruturas criadas também hipoteticamente como melhorias em estradas, orla da cidade com sua estação hidrográfica e criações de museus para abrigar os itens da rica cultura abaetetubense.
Na área ambiental mostraremos a outrora rica flora e fauna, com sugestões da criaçõesd de hortos e áreas de preservação ambiental, assim como repovoamento de florestas e rios com espécies da flora e fauna praticamente desaparecidos da região, situações que podem tornar a cidade/região mais atraente para visitações turísticas futuras. Por enquanto, aqui nestes escritos, faremos apenas visitações mentais a essa recriada e variada cultura e meio ambiente.
No tocante à cultura seria a concretização de um resgate material e concreto de itens culturais que já foram devidamente documentados por nossos historiadores e pesquisadores de Abaetetuba e Micro-Região, que constituem nossa História e Memória Documental, faltando apenas o aspecto material dessas pesquisas, que em algumas situações seriam fáceis de resgatar, através de atraentes estruturas e museus históricos e culturais.
Seria também o resgate da do legado cultural de nossos antepassados índios, negros africanos e colonizadores portugueses em itens variados, conforme veremos adiante.
Por isso, tomamos a liberdade de criar uma utopia, levando sugestões de como fazer turismo em nossa cidade/região, criando essas situações e roteiros turísticos para melhoramentos de nossa infra-estrutura turística. São utopias que podem, quem sabe, em futuro não muito distante, nortear nossos governantes e outros interessados, na implantação desses sonhos.
E se o assunto interessar a alguns leitores já ficaremos satisfeitos, pois já dizia o grande poeta e filósofo Raul Seixas: “O sonho que se sonha só, é só um sonho. Mas o sonho que se sonha junto já é realidade”. E outro pensamento interessante para nos ajudar nessas questões está resumido em uma frase de uma pesquisadora paraense: “Cidade sem Memória Material é cidade sem História”.

A Microrregião e Suas Riquezas Turísticas, Cultural e Ambiental
ABAETETUBA/PA e a Micro-Região do Baixo Tocantins possuem, como já foi mostrado nas postagens anteriores sobre as “Localidades de Abaetetuba”, uma geografia pitoresca e muito bonita, com suas dezenas de ilhas, rios, igarapés, furos, praias e costas e cidades históricas como Cametá (com sua rica história e patrimônio histórico invejável), Abaetetuba (com sua rica história e cultura, especialmente a dos antigos engenhos de cana-de-açúcar), Barcarena (com sua história e grandes vultos históricos com participação na Revolta da Cabanagem) e Moju e Igarapé-Miri (com suas inúmeras riquezas, vultos e histórias).
E já possuiu uma rica flora e fauna, cujas espécies serão relembradas nestas postagens, onde procuraremos detalhar alguns aspectos dessas espécies, muitas já desaparecidas de nosso meio ambiente e outras em risco iminente de desaparecimento.
A Micro-Região, felizmente, já está integrada/interligada à Capital do Estado, Belém e já está interligada a outras regiões do Estado, através da Alça Viária e da PA-150, esta fazendo a interligação com o Sul e Sudeste do Estado, fato que facilita em muito o turismo na região. E Abaetetuba já está integrada/interligada com as cidades vizinhas da Micro-Região, onde essa interligação se faz através de rodovias e dos nossos antigos meios de locomoção, que são nossos rios, igarapés e baías, estes meios, ainda fazendo a interligação com as vizinhas cidades do Marajó. Vide mapas.
A indústria do turismo a ser implantada na região se ressente da falta de infra-estrutura portuária e de transportes adequados, para explorar essas ricas regiões turísticas das Ilhas e Estradas de Abaetetuba e cidades vizinhas, daí a necessidade de estruturas como Estações Rodoviárias e Hidroviárias adequadas e com as frentes das cidades com bonitas orlas pavimentadas e com suas feiras e comércios devidamente higienizados e organizados.
Esses projetos podem ser concretizados à CURTO, MÉDIO e LONGO PRAZO, de acordo com a complexidade dos trabalhos e a disponibilidade de verbas. Mas precisa de pessoas idealistas, determinadas e de governantes com vontade política para fazer de Abaetetuba/Região um verdadeiro PÓLO TURÍSTICO.

Exemplos de Alguns Melhoramentos Para Futuras Visitações Turísticas em Abaetetuba e Microrregiões do Tocantins e Marajó:
Construções de Estações Hidroviárias nas Orlas Marítimas das Cidades
Como todas as cidades da Micro-Região se localizam nas beiras dos rios, é natural que elas possuíssem uma boa orla marítima e com uma boa estação hidroviária, pois a movimentação de embarcações de todos os tipos e portes, ainda é muito grande em movimento de embarque/desembarque de pessoas e mercadorias em toda hora do dia. Infelizmente a cidade de Abaetetuba sempre possuiu uma orla marítima mal cuidada à dezenas de anos e precisa também de uma boa estação hidroviária para atender suas exigências turísticas.
Nesse quesito Abaetetuba já estava Incluída em um projeto do Governo Federal, constando de uma lista de 5 cidades do Pará onde deveriam ser construídas Estações Hidroviárias. Esse projeto ainda não foi concretizado e é necessário que nossos políticos e governantes se movimentem no sentido de viabilizar essa construção.
A estação hidroviária em Abaetetuba, na questão do turismo, é tão importante quanto o terminal rodoviário, este, felizmente, já existente.

Construções de Aeroportos nas Principais Cidades das Microrregiões do Tocantins e Marajó
Abaetetuba possuI uma área onde existe um aeroporto que se encontra desativado. E se os nossos governantes não abrirem os olhos, essa área será, futuramente, uma área de invasão no município.
Uma proposta, já ventilada, seria transformar o aeroporto de Abaetetuba em um Aeroporto Alternativo para Belém e Região Metropolitana, pois Belém está se transformando em um grande Pólo Rurístico de Eventos e Visitações ao seu patrimônio histórico parte já devidamente restaurado/revitalizado e grandiosos eventos, mas não possui um aeroporto para receber um fluxo maior de turistas. E esse Aeroporto Alternativo para a Capital, também serviria de Apoio para as visitas mais rápidas às cidades tocantinas e marajoaras
O aeroporto de Abaetetuba serviria para receber aviões de pequeno e médio porte e até receber o próprio Aéreo Clube do Pará, este cedendo suas instalações, na Capital, para o aumento das instalações do Aeroporto Internacional de Belém, que já se faz pequeno para uma grande movimentação aérea.
Abaetetuba dista, em linha reta, poucos quilômetros de Belém e já existe a Alça Viária que interliga/integra as Microrregião do Baixo Tocantins e Marajó com aquela Capital e sua área metropolitana, fator que favorece enormemente a hipótese levantada acima.

Melhoramentos em Acostamentos e Construção de Ciclovias naas Estradas da Alça Viária e das Estradas de Todo o Sistema Rodoviário dos Municípios
Existem trechos das estradas da Alça Viária e do Estado que são razoavelmente povoados e com intenso movimento de veículos. Essas estradas não possuem acostamentos e nem ciclovias, fator que evitaria os muitos acidentes e mortes nesses trechos de estradas.
É o caso dos povoamentos de Colônia Nova e Colônia Velha na PA-151 e das rodovias PA-252 (Rodovia Dr. João Miranda) e a Estrada de Beja e das demais estradas tocantinas e marajoaras, que pela falta de ciclovias e acostamentos se tornam muito perigosas para os pedestres e usuários de bicicletas.
Os acostamentos e ciclovias para a Colônia Nova e Colônia Velha (este povoamento já fazendo parte da Zona Urbana do município de Abaetetuba) são obras que se fazem urgentes e necessárias, dado o grande fluxo de pedestres e bicicletas por esses trechos onde, ainda, existem muitas escolas e movimento intenso de veículos leves e pesados. Turista pensa duas vezes para se arriscar em viajar por estradas perigosas desse tipo.
No caso da Rodovia Dr. João Miranda (PA-252), que é a estrada de entrada para a Zona Urbana de Abaetetuba e essa estrada já fazendo parte da zona urbana, e já possui um considerável trecho que já foi devidamente duplicado, restando o outro trecho que leva até o “Portal da Cidade”,e ao Trevo Rodoviário que leva à Belem e demais municípios no povoamento Colônia Velha e o acostamento e ciclovias para toda a extensão da estrada, que é muito usada pela população em caminhadas, corridas e outros exercícios físicos.
E a Estrada de Beja (PA-409), além de levar à Vila de Beja e à sua aprazível praia de mesmo nome, serve também ao fluxo de veículos que se dirigem à Zona Portuária de Vila do Conde, à Vila dos Cabanos (que abriga famílias que trabalham nas indústrias e no referido Porto) e que leva trabalhadores e funcionários de Abaetetuba que trabalham também nesse Porto e no Complexo Industrial de Barcarena (ALBRÀS/ALUNORTE e outras indústrias).
Então, a duplicação, a construção de acostamentos e ciclovias se faz necessária nessa estrada que serve a esses importantes propósitos já mencionados e já é zona densamente povoada e precisa também do plantio de árvores dado o nosso calor tropical.
Invasão das Áreas das Estradas, Plantio de Árvores e Apoio das Grandes Empresas do Projeto Albrás-Alunorte
Além do mais, as construções de casas estão acontecendo à beira dessa estrada fato que no futuro poderá inviabilizar a sua duplicação e construção de acostamentos e ciclovias. E contando com a construção de pontes de concreto sob os inúmeros rios e igarapés que atravessam essa rodovia.
Essas obras poderiam receber ajuda material do complexo industrial ALBRÁS/ALUNORTE que diretamente ou indiretamente se serve dessas rodovias no transporte de cargas e trabalhadores dessas indústrias. Seria como que uma contrapartida desse complexo aos muitos problemas sociais que a implantação dessas indústrias perto de Abaetetuba trouxe para o nosso município, na forma de inchamento da cidade com o surgimento de muitos bairros pobres e favelas, e servindo Abaetetuba apenas como cidade-dormitório de trabalhadores e funcionários dessas empresas, sem nenhuma contrapartida do complexo a essa questão social. A oportunidade de ajudar seria essa, a ajuda no melhoramento dessas estradas.

Inclusão dos Eventos, Festivais e Feiras como Patrimônio Cultural
Fato que daria condição de perenidade aos nossos eventos culturais e folclóricos, o que já aconteceu com o MIRITIFEST, evento que já está devidamente elencado como Patrimônio Cultural do Estado do Pará. Parabéns aos autores dessa façanha.
Essa seria uma ação à nível de governantes, políticos e entidades locais e que não exige verbas e sim esforços junto aos Órgão Competentes, no caso as Secretarias de Cultura do Município e do Estado. Sendo incluídos no rol de patrimônios culturais os eventos, museus e instituições culturais ou folclóricas poderiam, inclusive, poderiam receber apoio financeiro e material do próprio Governo do Estado e da Nação, através de Projetos e Programas já existentes do próprio Estado e Secretarias e Órgãos da União.

Replantio de Árvores em Áreas Degradadas das Vias Públicas e Com Árvores da Flora Local
Grande parte da Rodovia João Miranda se encontra sem a devida presença de árvores e que mereceria o plantio de árvores para favorecer a população de pedestres e praticantes de caminhadas. Nesse e outros locais do município deveriam receber espécies da flora local citadas nesta postagem e que poderiam, também, subsidiar futuras implantações de áreas de preservação ambiental e de hortos municipais e particulares.
O que mais existem são áreas degradadas no município/região. Existe, inclusive, projeto do Governo do Estado para replantio de um milhão de árvores até o término do atual governo (estamos em 2010). Precisa de vontade política de nossos governantes locais, da Secretaria do Meio Ambiente e dos chamados Ambientalistas sinceros. Mas é necessário preparar os projetos de replantio.
E o replantio também pode ser feita com verbas do próprio município e com ajuda de órgãos como EMATER, SAGRI. IBAMA. No replantio seriam usadas as belas espécies de nossa flora, já praticamente extintas ou em vias de extinção na região, especialmente nossas belas palmeiras locais, que nunca foram pensadas em atos de plantio ou replantio e outras belas espécies de nossa outrora exuberante flora, rica em madeiras-de-lei e árvores frutíferas e ornamentais.

ÁRVORES FRUTÍFERAS/FRUTOS QUE PODERIAM SER USADAS NOS REPLANTIOS:

Abacate – Abacateiros, árvores com duas variedades e já raros na região;
Abiu - abiuzeiros, que possui duas variedades, já raros e com frutos muito apreciados e com um látex pegajoso nos lábios e do qual nasceu a expressão popular: “comeu abiu”, isto é ficou calado;
Abricó – abricózeiros, árvores fornecedoras de frutos silvestres e já em fase crítica de extinção na região;

Açaí - açaizeiros, com várias variedades e que é outra famosa palmeira da região, de uso variados em artesanato, bijouterias, alimentação, energizante, indústrias variadas, etc. (Vide semente de açaí);

Ajuru – ajuruzeiros, arbusto naturais de áreas de mangues, fornecedores de frutos silvestres e madeira para lenha. Já em fase crítica de extinção na região;

Ameixa – ameixeiras, árvores de grande portes, fornecedores de frutos silvestres;

Ananá – ananazeiro, da família do abacaxizeiro, só serve para fazer sucos e doces;

Araçá - Araçázeiros, árvores com variedades: araçá-do-sertão, araçá-boi, araçá pitangae o araçá-cheiroso, já raros na região;

Bacaba - bacabeiras, cujos frutos forneceram vinho semelhante ao açaí e com largo uso na alimentação ribeirinha e das cidades. São de várias espécies:

Bacabeira grande;

Bacabeira-do-sertão, de porte menor

Bacuri - bacurizeiros, árvores nativas de grande porte e com duas variedades: bacuri-pari e o bacuri-açu e com frutos saborosos e já raros na região;
Banana - bananeiras, várias variedades, usadas na alimentação local e exportação para Belém;

Biribá – biribázeiros, árvores de médio porte que fornecem saboroso frutos silvestres;

Bussu – bussuzeiros, palmeiras que fornecem cachos com um coquinho com água, muito usados na medicina popular;
Cacau – cacaueiros, que fazia parte da antiga agricultura de Abaeté;

Cacauí, árvore da família do cacaueiro e dá frutos silvestres;

Cacuí – cacauízeiros, árvores da família do cacaueiro e dá frutos também nos galhos, troncosde frutos silvestres;

Cajá - Cajarana, dá frutos comestíveis;

Caju – Cajueiros, com duas variedades: cajueiro-do-mato e o comum, que fornecem frutos silvestres muito usados no preparo de sucos e doces e as sementes são comestíveis. Estão em fase crítica de extinção na região e o cajueiro-do-mato é uma árvore de grande porte e que fornece um fruto de caju de cor vermelha e muito pequeno;

Camiquim, uma árvore nativa da família do abiuzeiro, raríssimas e já extintas na região;

Cana-de-açúcar, várias variedades e que fazia parte do famoso ciclo da “Indústria Canavieira de Abaeté”, que produzia a famosa cachaça de Abaeté e que fez a cidade ficar conhecida a nível regional e nacional de “Cidade da Cachaça”, indústria que além de seus famosos engenhos de cana-de-açúcar, produzia outros produtos como: açúcar, mel de cana e que desencandearam um processo de enriquecimento de muitos proprietários de engenhos na região (vide postagens sobre a Antiga Indústria Canavieira em Abaeté);

Canarana ou cana de macaco, da família das gramíneas e é usada na medicina popular para curar câncer de próstata;

Carambola - caramboleiras, árvore da flora medicinal;

Castanha-do-Pará, árvores nativas de grande porte e que fornecem frutos em ouriços fechados,, cujas sementes são usadas na alimentação em doces, beijus, mingaus e que fornecem madeira-de-lei. Essa árvore já se encontra em fase de extinção na região;

Castanha sapucaia, árvore nativa de grande porte que produz frutos silvestres em ouriços, com tampa, dentro dos quais vêm saborosas sementes comestíveis e madeira-de-lei e já se encontra em fase de extinção na região;

Coco – coqueiros, palmeira disseminadas na região, fornecedores de frutos usados como complemtos no preparo de variados bolos e doces e cuja água, a água-de-coco, é muito utilizada na região. Muitos agricultores de Abaetetuba possuem cocais para o fornecimento de água-de-coco na região;

Cubiu – cubiuzeiros, árvores nativas de frutos nativos e não mais vistos na região;
Cupuaçu – cupuaçuzeiros, árvores silvestres, cujo fruto possuem sementes múltiplas que fornecem a famosa polpa de cupuaçu, largamente utilizada no preparo de vinho, doces variados e complentos dos famosos doces de chocolates artesanais de Abaeté e outras cidades;

Cupuí – cupuizeiros, arvores de frutos silvestres comestíveis, que não caem e tem que apanhá-los na árvore e cupuizeiros são da família do cupuaçuzeiro;

CutitIribá – cutitiribazeiros, árvores de grande porte que fornecem saborosos frutos silvestres e já em extinção na região;

Embaubeiras, fornecem a lenha de embaúba e árvores com 3 variedades: branca, preta e dourada e têm o caule oco.
Erva-pão, árvore semelhante ao fruta-pão, mas com frutos sem sementes e comestível;

Fruta-pão, árvore fornecedoras de frutos silvestres largamente utilizados pelo povo de Abaeté e região;

Ginja – ginjeiras, árvores de médio porte e fornecedoras de frutos silvestres comestíveis e usados no preparo de doces variados;

Goiaba - goiabeiras, árvoresjá raras na região e com duas variedades:
Goiaba-branca, de árvores e frutos grandes;
Goiaba-vermelha e já raras na região;
Graviola – gravioleiras, com árvores praticamente extintas na região e de frutos silvestres saborosos;

Ingá - ingazeiros, com várias variedades: ingá-chichica, ingá-cipó, ingá-de-metro, Ingá-chinelo, etc. que são frutos silvestres saborosos já em fase de extinção na região.
Jaca –Jaqueiras, árvores raras na região, que produz um fruto muito grande e de sementes múltiplas e já raras na região;

Jambo - jambeiros, com duas variedades: jambo-rosa e jambo-vermelho, que são frutos silvestres;

Jenipapo – jenipapeiros, árvores de médio porte, antigamente fornecedores de frutos silvestres largamente no fornecimento de tinta e no preparo de licor com uso de cachaça e já em fase de extinção na região;

Jeniparana, cujos frutos que quando maduros estouram e espalham no chão à semelhança ao da castanheira sapucaia

Jutaí – jutaízeiros;

Laranja - laranjeiras, várias variedades: Laranjeira-da-terra, e com vasto uso na antiga medicina popular, etc.

Limão - limoeiro, várias variedades: limão-da-terra, limão Caiena, limão galego, com uso como temperos e na medicina popular e já em extinção na região;

Mamão - mamoeiros, várias variedades e largo uso na alimentação, na medicina popular dos ribeirinhos e habitantes da cidade;

Mamoranas, nas margens dos rios com frutos semelhantes ao cupuaçu no seu formato e servindo na proteção das margens dos rios e igarapés contra a erosão;

Manga - mangueira, várias variedades que fornecem saboroso frutos silvestres: manga-rosa (grande e pequena), manga-quilo, manga-de-cheiro, manga-cametá, manga-espada, etc. e em fases de extição na região;

Maracujá, maracujazeiros, com variedades: maracujá-do-mato e maracujá comum, fornecedoras de frutos silvestres usados no preparo de sucos e doces. O maracujá-do-mato já está em fase crítica de extinção;

Marmelo – marmeleiros, árvores nativas já extintas na região e com frutos com que se faziam os famosos doces chamados de marmeladas;
Marajá – marajázeiros, palmeiras de frutos silvestres;

Mari – marizeiros, árvores nativas que produzem frutos silvestes e que já se fazem raras na região;
Miriti – miritizeiros, palmeiras abundantes e famosas em Abaetetuba pelo seu múltiplo uso (vide sementes de miriti);

Mucajá – mucajázeiros;, palmeiras fornecedoras de frutos silvestres;

Mumbeca, frutos parecidos com o fruto marajá;

Muruci – murucizeiros, árvores nativas em duas variedades e que fornecem frutinhas muito usadas em sorvestes e já em fase de extinção na região;
Murucuzeiro
Olho-de-boi, de sementes usadas no artesanato.
Oitizeiros
Pau d’Angola, madeira cheirosa, usada no antigo artesanato de bijuterias em ouro de pulseiras, pingentes e argolas;
Pinha, árvore da família da jaqueira e dá frutos comestíveis;

Pepino-do-mato – frutos raríssimos e com árvores já extintas na região;

Pupunha – Pupunheiras, com várias variedades de palmeiras que produzem um saboroso e apreciado fruto na região, usados no café da manhã, junto com mel de cana;

Piquiá – piquiazeiro, árvore de grande porte e frutos silvestres saborosos e madeira-de-lei de muita procura e já em processo de extinção na região. Piquiazeiros são de flor de cor amarela e diferentes da flor da piquiarana, que têm flor de cor vermelha e os frutos dos piquiazeiros atraem a presença de veados para comer seus frutos.

Sapoti – sapotilheiras, árvores de grandes portes, fornecedores de saborosos frutos silvestres;

Samaumeira, árvores de grande porte, cujo tronco possuem espinhos e lançam saliências chamadas sapopemas e já são raras na região;

Siriubeiras: que são árvores nativas da região e já raras;
Sucuba, árvore cuja casca e leite são usados na medicina popular, como fortificantes;
Tangerina – tangerineiras, árvores de médio porte, fornecedores de tangerinas quase silvestres;

Taperebá - taperebazeiro, árvores nativas com duas variedades: taperebá-do-sertão e o taperebá comum, já raros na região;
Tucumã – tucumanzeiros (vide sementes oleaginosas);

Ucuubeira, produz sementes oleaginosas (vide sementes);
Uxi – uxizeiro; árvores nativas de grande porte com fruto de cheiro forte e caracterísitico, muito saboroso e já raras na região;
Xuru - xuruzeiros, árvores nativas com castanhas que vêm dentro de um fruto silvestre com tampa e já são raros na região;

Nas últimas décadas a maioria desses frutos desapareceu das feiras de Abaetetuba, acredita-se que pela derrubada indiscriminada dessas árvores, muitas usadas como madeira-de-lei, lenha, carvão ou nas queimadas e derrubadas para a agricultura e pastos.

SEMENTES OLEAGINOSAS DA REGIÃO DE ABAETÉ:
Ucuúba – ucuubeira, é uma palmeira, com sementes exportadas em larga escala para uso na indústria de sabão;

Tucumã – tucumanzeiro, é uma palmeira com fruto comestível;
Inajá – inajázeiro, é uma palmeira com fruto comestível;
Patauá – patauázeiro, é uma palmeira e o óleo das sementes serviam no preparo de alimentos;
Piquiá – piquiazeiro, é uma árvore de grande porte, com fruto comestível;

Bacaba – bacabeira, é uma palmeira, com fruto servindo na alimentação ribeirinha, na forma de vinho e junto com outros alimentos;

Babaçu – babaçuzeiro, é uma palmeira;
Mucaru
Copaíba – copaíbeira, é uma árvore cujo óleo era largamente utilizado na medicina popular;

Miriti – miritizeiro, é uma palmeira de onde se aproveitam todas as suas partes. Os frutos fornecem óleo, usados na índústria de comésticos, produção de alimentos como: vinho de miriti, usado como alimento junto com outros alimentos, mingaus (com arroz e farinha de mandioca), doces, bolos; sementes usadas no artesanato; folhas que fornecem talas largamente usadas no artesanato local e a polpa de miriti, largamente utilizada no famoso artesanato de miriti, dando a Abaetetuba o título de “Capital Mundial dos Brinquedos de Miriti”. E o miritizeiro ainda fornece fibras/enviras que eram largamento utilizadas no antigo artesanato e troncos que servem no embarque/desembarque de ribeirinhos em suas casas nas vazantes das marés. É uma palmeira de muita importância e de múltiplos usos na região, daí o fato de em Abaetetuba acontecer a feira MIRITI FEST, que procura exaltar, divulgar e comercializar os produtos obtidos a partir das partes dessa palmeira e especialmente os famosos brinquedos de miriti, famosos a nível regional, nacional e mundial e é o maior evento turístico da cidade.

Açaí – açaizeros, outra famosa palmeira da região e com múltiplas utilidades: frutos fornecedores do famoso vinho de açaí, largamente utilizado como alimento, junto com outros alimentos e em industria de comésticos, energizante, corantes, etc; sementes largamente utilizadas no artesanato de bijouterias. O açaí está se constituindo em um grande item de exportação de polpa de açaí do Estado do Pará a nível nacional e internacional.

A colheita do açaí criou várias figura várias figuras nessa antiga atividade, entre as quais:

O apanhador de açaí, das Ilhas e Colônias de Abaeté, é a pessoa que sobe agilmente no açaizeiro, palmeira que possui longos e compridos troncos, e usando nos pés um apoio para os troncos chamado “peçonha”, que é um anel tecido com folhas do açaizeiro e enviras, e que na boca leva um pequeno terçado, com o qual corta o cacho de açaí e rapidamente desce para debulhar o cacho colhido em paneiros apropriados, os aricás, estes feitos de talas e cipós trançados. Cheios uma razoável quantidade de paneiros com açaí, o apanhador coloca-os em sua canoa montaria e vem à cidade vender o seu produto que lhe proporciona alguma renda.

A amassadeira de açaí, é outra pessoa relacionada ás atividades que o açaí proporciona. Nas ilhas e colônias de Abaeté o apanhador de açaí, adentra a floresta para escolher os melhores cachos de açaí, que depois de apanhados são levados para as amassadeiras de açaí. Amassar o açaí obedece alguns processos, o 1º é colocar os bagos de açaí em bacias de barro chamados alguidares, onde já se encontra a água quente para amolecer a película de massa do açaí; o çaí, depois de amolecido, é colocado em outro alguidar para que a amassadeira possa, com as mãos, amassar os caroços de açaí, para que estes soltem suas massas nesse 2º alguidar; a massa extraída dos caroços eram colocados nas chamadas peneiras, que são intrumentos artesanais feitos com varas e talas e furos, estes servindo para o escoamento da massa extraída pelo amassamento em outra peneira de furos ainda nenores e neste processo, a massa era era ainda mais espremida, junto com uma certa quantidade de água para que fornecesse um grosso vinho, o açaí. Nas ilhas e colônias de Abaeté esse processo era realizado no horário das refeições, para que o açaí fosse utilizado como alimento, misturado com a farinha de mandioca e comido junto com carnes de caças, camarões, peixes já devidamente cozidos, assados ou moqueados.

Na cidade de Abaeté ainda não existiam as máquinas para amassar açaí e as amassadeiras de açaí utilizavam o mesmo processo acima para preparar o açaí que eram colocados à venda em baiúcas onde existiam uma pequena bandeira vermelha que anunciava a venda de açaí preparado. Isso se tornou uma fonte de renda para muitas famílias, que persiste até os dias atuais, mas já com o uso de máquinas elétricas para amassar o açaí.
As antigas amassadeiras de açaí ficaram como memória para se recordar de como se preparava esse gostoso alimento da dieta alimentar de todo paraense.

O atravessador ou marreteiro de açaí. Como nas ilhas e colônias de Abaeté as palmeiras de açaizeiros são abundantes nas margens dos rios e igarapés e mesmo em terras firmes, muitas famílias interioranas se dedicavam ao negócio de venda de açaí em paneiros. Quando essas pessoas chegavam com seus produtos no antigo cáis ou pontes da orla da cidade, já encontravam os atravessadores ou marreteiros que compravam suas mercadorias. Os ribeirinhos eram praticamente obrigados a vender seus produtos aos marreteiros, devido às longas viagens que tinham que fazer de vindas e idas para seus lugares, em canoas à remo, em viagens demoradas e cansativas. Atualmente são os próprios ribeirinhos que vendem seus produtos, pois muitas famílias já dispõem de rápidas embarcações motorizadas, as bajaras ou rabetas, que permitem um deslocamento rápido.

Cueiras, árvores que dão o fruto redondo ou oval, de diversos tamanhos, não comestível, chamados cuia, cuja casca dura serve para fazer um vasilhame/tijela de mesmo nome e são de duas variedades:

Cueiras, cujos frutos grandes ou pequenos, redondos ou ovais, que partidos ao meio e retirados sua massa e devidamente preparados artesanalmente, fornecem as cuias usadas na vendas de tacacá e as pintadas artesanalmente com motivos amazônicos e vendidas como artesanatos em lojas especializadas. A pintura preta das cuias é feita com a tinta da planta cumatê.

As cuias brutas, isto é, não preparadas, são chamadas “cuias pitingas”, com varias utilidades, como utensílios caseiros, tipo tijelas, para tomar água e mingaus, baldes, para carregar água e em atividades de pesca e para retirar água de canoas.

O fruto da cueira possui casca dura e leve, que quando serrados no meio fornecem as chamadas cuias, grandes ou pequenas, artesanais ou pitingas.

Dizem que no preparo das cuias artesanais, estas devem ficar expostas a vapores amoniacais da urina, para poder receber outros tratamentos do preparo artesanal desses utensílios.

Cabaças, que também são plantas da família da cueiras, cujos frutos podem receber o mesmo tratamento artesanal das cuia verdadeira, descrita acima.

Existe outra variedade de planta da família das cueiras, mas que dão fruto pequeno e não apropriados para tratamentos artesanais, devido sua casca ser muito fina e mole.

PLANTAS DA AGRICULTURA DE ABAETÉ:
Cana-de-açúcar, vegetal largamente cultivado nas terras de várzes e terras firmes, para utilização nas dezenas de engenhos da época do ciclo econômico da indústria canavieira de Abaeté, que produzia a famosa cachaça de Abaeté. Eram várias variedades de cana para os muitos engenhos locais, que produzia a famosa cachaça de Abaeté, que criou renome no Estado e fora e que fez a cidade ficar conhecida a nível regional e nacional de “Cidade da Cachaça”.

Ao lado da produção de cachaça indústria canavieira também produzia outros produtos da cana-de-açúcar, como: açúcar, mel de cana, rapadura que eram também largamente comercializados na antiga cidade de Abaeté e arredores, em comércio que enriqueceu muitas famílias abaeteenses. (vide postagens sobre a Antiga Indústria Canavieira em Abaeté).

Nos roçados de Abaeté a cana-de-açúcar criou a figura do canavieiro, que na verdade, geralmente, eram mulheres, portanto, canavieiras, que se tornaram conhecidas pela figura incomum que representavam. A canavieira trabalhava nos roçados de cana devidamente protegida do sol inclemente e dos espinhos (picos) e folhas cortantes da cana-de-açúcar. Para isso usava um grande chapéu com amplas abas e na cabeça, por baixo do chapéu colocava um pano que recobria melhor sua cabeça e rosto contra a ação do sol. Para se proteger dos picos e das folhas cortantes da cana-de-açúcar, usava uma blusa de mangas longas, feita de panos grossos e uma grande saia que chegava até os pés, estes, também protegidos por uma espécie de bota feita de sacas de sarrapilheira. Usando seus terçado chamado terçado rabo-de-galo, pasava grande parte da manhã cortando as canas maduras, retirando suas folhagens e empilhando as varas de cana nos chamdos “feixes” de cana que levava para as beiradas dos rios e igarapés para serem recolhidos pelas embarcações chamadas “batelões”, movidos à varas ou remos de faia.

A cultura da cana-de-açúcar criou no comércio local algumas figuras populares, como:

O vendedor de varas de cana-de-açúcar, que vinham em suas embarcações chamadas “batelões”, impulsionados à remo de faia, traziam essas embarcações cheias dos chamados “feixes” de cana-de-açúcar, que eram logo vendidas na cidade aos donos de engenhos existentes na própria cidade de Abaeté e vendidas a muitas outras pessoas interessadas no comércio de caldo de cana-de-açúcar, a famosa “garapa”.

O garapeiro, figura que exercia o comércio de garapa. Essas pessoas exerciam essa atividade em locais fixos ou eram ambulantes fazendo esse serviço pelas ruas da cidade. O garapeiro possuía o seu carrinho ou uma venda fixa, onde existia uma pequena engenhoca, a moenda manual em madeira, o sarilho, para moer as varas de cana-de-açúcar e assim produzir garapa fresca, que eram vendidas como lanches, junto com pastéis ou outras guloseimas da época. Muitos garapeiros enchiam garrafas de litros e as vendiam para as famílias locais usarem na merenda e nas horas das refeições. Essa atividade ajudou a sustentar muitas famílias de Abaeté e esse pequeno comércio persiste até os dias atuais, mas em moendas mais modernas e movidas à energia elétrica.

No comércio local, além das garrafas de cachaça, de variadas marcas, devidamente rotuladas, eram vendidos os potes de mel e as rapaduras, que eram produtos de muita aceitação na época e os potes de mel (potes de barro) eram largamente vendidos na famosa feira do Ver-o-peso, em Belém, por muitos marreteiros daquela feira. O mel era largamente utilizado como alimento, comido puro ou no café da manhã, misturado ao fruto pupunha ou mel comido com farinha de mandioca.

SERINGUEIRAS, árvore de grande porte de onde se extraía o látex, para a produção da borracha, produto de grande procura na região (vide itens anteriores). Na época do chamado “Ciclo da Borracha”, que enriqueceu muitas famílias do período, especialmente em Belém, Manaus e no Estado do Acre. E a antiga cidade de Abaeté tirou proveito dessa época, pois em suas matas existiam muitas seringueiras nativas, que chegou a criar uma opção econômica para o município, junto a outras antigas atividades, especialmente no Ciclo da Indústria Canavieira de Abaeté. A colheita do leite de seringa/látex era feita por grandes donos de engenhos/fazendas ou pelo simples ribeirinho. Essa atividade econômica criou a figura popular do seringueiro.

O SERINGUEIRO, que de madrugada se embrenhava nas matas para exercer sua atividade. Inicialmente feria o pé da seringueira, de tal modo que o leite de seringa seguia um curso predeterminado pelos cortes, que eram vários que levavam o leite para um mesmo ponto, para a devida coleta. Os cortes eram feitos por uma espécie de machadinha, instrumento apropriado para esse serviço. Embaixo dos cortes ficava acoplada uma tigelinha de barro para receber o látex que escorria pelos cortes. Esse serviço era feito em dezenas de árvores de seringueiras, que tomavam grande parte do tempo do seringueiro. Á tardinha o seringueiro voltava para fazer a colheita de seu serviço, quando retirava o leite de cada tigelinha de barro e o jogava em grandes baldes que levava para essa colheita. Voltava para sua casa para o preparo do “sernambi”, que eram grandes bolas de borracha que eram vendidas aos grandes comerciantes das ilhas ou as levados para a cidade para venda aos comerciantes locais.

O preparo do sernambi. O seringueiro juntava grandes varas de pau e preparava um fogaréu, de onde devia sair muita fumaça quente. Ele colocava um pano na ponta de uma das grandes varas e embebia essa ponta no leite da seringa e ficava “defumando” esse leite embebido na ponta da vara, na fumaça quente do fogaréu. Esse processo ele fazia seguidamente, até criar uma grande bola de borracha endurecida chamada “sernambi”. Quando várias bolas de sernambi ficavam prontas, o seringueiro as colocava em seus batelões à remo e saía para as vendas já mencionadas.

Os grandes donos de fazendas/engenhos, que possuíam grandes terrenos de matas virgens e cheias de árvores de seringueiras, possuíam os seus empregados para fazer o serviço de seringalista descrito acima. Esse grande comerciante/industrial, que dispunha de embarcações potentes, movidas à vapor, levava as bolas de sernambi para os grandes comerciantes de Belém. Muitas vezes, os próprios comerciantes de Belém é que enviavam embarcações chamadas alvarengas (espécies de chatas, porém com grandes porões, onde eram acondicionados as bolas de sernambi, junto com toras de madeira e outros produtos extraídos das matas de Abaeté.

Alguns comerciantes de Abaeté, vendo os grandes lucros que a venda de leite de seringa proporcionavam, enviavam suas grandes canoas à vela para a Ilha do Marajó e ali comprar bolas de sernambi ali produzidas, pois essa grande ilha possuía, também, grande quantidade de seringais em suas matas.

Alguns criativos ribeirinhos inventaram uma bola de futebol, criadas a partir do leite de seringa, que fazia a alegria da garotada amante do futebol, esporte que despontava na antiga cidade de Abaeté. Essa bola era chamada bola de seringa.

Abaeté possuía muitas “estradas de seringa" para a extração desse látex. E os antigos seringais de Abaeté foram derrubados para dar lugar a outras culturas ou vendidos como madeira e hoje já não se vêem essas majestosas árvores em nossas florestas.

Cacaueiro, árvore trazida e plantada na região, cuja semente era um produto muito valioso no antigo comércio local de nossas antigas fazendas/engenhos e hoje já não existe mais a cultura de cacau em Abaeté;

Arroz (arrozais), cultura que não prosperou na região. Abaetetuba chegou a possuir até usinas de beneficiamento de arroz e hoje essa cultura está praticamente desaparecida no município;
Algodão (algodoais), cultura que não prosperou na região. Uma área da antiga Abaeté, plantada com algodão, por migrantes nordestinos, se tornou bairro da cidade com o nome de Algodoal;
Feijão, cultura que não prosperou na região, existindo apenas como cultura de subsistência em alguns lugares;

Gergelim, cultura que não avançou na região. Antigamente o gergelim produzido em Abaeté servia na produção de paçocas (onde o gergelim torrado e triturado em antigos instrumentos chamados pilões, em mistura com açúcar e farinha de mandioca) e que eram vendidos em cones de papel pelas ruas de Abaeté. O gergelim servia também na produção de doces de gergelim. E Abaeté possuía exímias doceiras em suas zonas: rural e ribeirinha.

O pilão para socar o gergelim e outras culturas, era feito de grossos troncos de árvores, onde se fazia um furo considerável onde o gergelim era socado através da chamada “mão de pilão”, este também feito de madeira dura e com pontas maiores que o centro, para melhor manuseio desse instrumento que era usado manualmente.

Mandobis/amendoís, cultura que também não prosperou e que antigamente servia na produção de sementes assadas e vendidas em cones de papel pelas ruas da cidade pelos vendedores de mandobis;

Milho (milharais), cultura que também não prosperou no município. Atualmente a produção é de subsistência, pequena e de um milho raquítico, vendido nas épocas de safra e que serve para se comer cozido, assado e na produção de pamonhas, mingaus, etc.

Mandioca (mandiocais), cultura centenária da região, que vem dos nossos ancestrais indígenas e cuja produção persiste nas pequenas roças de nossos colonos e ribeirinhos e que tem múltiplas utilidades, como:

Produção da farinha de mandioca, largamente utilizada na dieta alimentar do abaetetubense;

Extração do tucupi, sumo de cor amarelada, extraído da massa de mandioca ralada e prensada pelo instrumento chamado tipiti (tecido artesanalmente em palha da região, na forma de um longo tubo) e sumo largamente utilizado na culinária paraense, especialmente no tacacá e no pato do tucupi, que são duas iguarias da cozinha paraense.

Produção de tapioca, que é um produto largamente utilizado na produção de beijus de tapioca, beijus chicas, etc.

Para se fazer a goma de mandioca usada no famoso tacacá, uma iguaria da Amazônia;

E das folhas moídas da mandioca, trituradas, se faz a maniçoba, outra iguaria amazônica;
Farinha de tapioca, feita de tapioca seca e prensada;

A cultura da mandioca criou algumas figuras populares nas atividades econômicas de Abaeté, como:

O FARINHEIRO, que é o produtor e vendedor de farinha de mandioca, que vendem seus produtos em baiúcas ou nas feiras da cidade;

A TACACAZEIRA, que é a vendedora de tacacá, iguaria produzida a partir de alguns produtos da mandioca, como a massa de mandioca, o tucupi. A tacacazeira que se preze usa o avental na cabeça e utiliza os tradiocinais vasilhames chamados cuias de tacacá. No seu local de trabalho ficam o fogão e panelas. Uma panela prepara a goma de tacacá, feita a partir da massa de mandioca e em outra panela ou vasilhames, ficam o tucupi já devidamente fervido, os camarões e o jambu, que são componentes essenciais de um verdadeiro tacacá, que deve ser servido nas cuias. Se a pessoa quiser pode acrescentar um pouco de tempero de tucupi e pimenta. A atividade de tacacazeira sustentou muitas famílias de Abaeté. Esse antigo costume ainda permance em alguns pontos de venda de Abaetetuba.

Café (cafezais), cultura antiga que não avançou em Abaeté e cujas sementes eram torradas e, posteriormente moídas nos famosos moedores manuais de café, para a produção do pó de café, que servia para o preparo de cafezinhos servidos em chícaras. Com o advento do café em pó industrializado a cultura do café desapareceu de nossos roçados. Existe um bairro em Abaetetuba de nome Cafezal, onde deve ter existido plantações de café.
Feijão cuandu, cultura antiga e que não avançou no município;

PLANTAS COM FLORES:
Muitas famílias perderam o costume de preparar jardins com as muitas das plantas que fornecem as flores abaixo e elas já não mais se vêem nos terrenos das casas ribeirinhas, de colonos ou da cidade:

Roseiras
Cravos
Alecrim
Alfazema
Dhálias
Malmequer
Zina
Primavera
Juarez
Loucura
Lóris-rosa
Manjerona
Plumas
Brisa
Bugarins
Oriza
Jasmins
Flor-do-campo

ÁRVORES PARA LENHA DA REGIÃO DE ABAETÉ:
Muitas dessas árvores já se encontram extintas ou em fase crítica de extinção.
Existe madeira para lenha simples e lenha pesada (usada nos fornos, caldeiras).

Andorinha
Boiussu
Carapanã
Caraperana
Ceruzeiro
Churuzeiro
Cinzeiro,
Cumaté
Guajará-pedra
Jacamim
Jacareúba, esta também usada na medicina popular.
Jutahy
Macuar
Macuxi
Mangue
Mariximbé
Massaranduba
Matamatá
Morototó,
Muirachichibé
Murucy

Mututi. Madeira existente na Floresta Amazônica, que engloba várias variedades de árvores, extraídas para exportação e que serve na fabricação de rolhas, carretéis, brinquedos e caixotes. É uma madeira leve e esbranquiçada, como o miriti, da palmeira de mesmo nome. Ocorria também em Abaeté, mas hoje está praticamente extinta nesta região.

Mututirana,
Pacapena,
Paracaxi
Pracaxy,
Taxizeiro
Ucuhuba, esta também usada na medicina popular
etc.

Muitas árvores que eram usadas como lenha também eram usadas para produzir carvão. A extração de lenha produziu algumas figuras da história econômica de Abaeté:

O LENHADOR, cuja função era cortar a lenha que seria usada em fogões de lenha, nas caldeiras dos antigos engenhos de cana-de-açúcar, nos fornos de olarias, fornos de padarias e fornos das “casas de retiro” para fazer a farinha de mandioca. Nas matas, o lenhador cortava as árvores, retirando e acondicionado os “feixes de lenha”, devidamente amarrados com cipós ou enviras retirados das matas. Depois desse serviço ele carregava os pesados feixes de lenha na cabeça, esta contendo uma espécie de proteção feita de folhas de palmeiras ou panos grossos. Ele levava parte do dia fazendo esse serviço e vendendo seu produto para os comerciantes de lenha, que carregavam os feixes de lenha em suas embarcações chamadas canoas grandes à vela ou nos batelões à remo. Os lenhadores das estradas traziam seus produtos em carroças.

Grande parte das lenha produzida na antiga cidade de Abaeté, seguia para a capital, Belém do Pará, levadas pelas mesmas canoas à vela.

No entanto, o pequeno lenhador não conseguia derrubar as grandes árvores fornecedoras de lenha mais pesada e esse serviço era feito pelos grandes comerciantes e donos de engenhos que possuíam serrarias e trabalhadores que faziam esse serviço. O destino dessa madeira eram as caldeiras dos grandes engenhos de cana-de-açúcar e fornos potentes de olarias, padarias e outras fábricas.

O CARVOEIRO, que derrubava as árvores apropriadas para produzir carvão. Depois que a madeira estava preparada para produzir o carvão, o carvoeiro fazia uma grande vala de profundidade relativa e ali colocava os galhos e troncos das árvores, devidamente envolvidas em folhas de árvores de bananeiras ou sororocas e quando o buraco ficava cheio, o carvoeiro jogava a mesma terra retirada do buraco, formando a chamada “caieira”, que possuía apenas um pequeno orifício para a circulação do ar e saída da fumaça. Esse processo levava alguns dias e depois que o carvão ficava pronto ele era retirado da caiera, esfriado e acondicionado em sacas de sarrapilheira e levado para a cidade para venda na feira de Abaeté. A maioria dos fogões das casas da cidade eram à carvão, assim também os ferros de passar roupa que também eram de carvão.

PLANTAS COM ENVIRA/FIBRAS:
Enviras são fibras extraídas de vários tipos de plantas e de múltiplos usos nas atividades ribeirinhas e dos colonos de Abaeté. As plantas fornecedoras de enviras são:

Envireira, planta de onde se tira a fibra chamada envira, usada para se fazer cordas.

Ucima, uma espécie de malva, donde se extrai a fibra para se fazer cordas.

Miritizeiro, palmeira de onde se tira uma envira chamada curauá, envira para fazer cordas.

Mamorana, se tira envira para fazer corda.

Mucuna, se tira envira para fazer corda.

Malva

Cupuaçurana

Aningueira, são plantas de várzeas, cujas folhas eram largamente usadas para forrar paneiros com peixes e camarões vindos das Ilhas de Abaeté e embrulhar outros produtos alimentícios de mesma procedência e com várias espécies;
Matamatá

CIPÓS DA REGIÃO DE ABAETÉ:
Mucunã, cipó usado para amarrar pari, que era uma tapagem para apanhar peixes nos igarapés.

Cipó Escada-de-jaboti, cipó que era usado como remédio.

Japana, cipó que era usado como remédio para o estômago.

Cipó tucano, cipó que era usado para se fazer o arco do matapi (armadilha para pegar camarões) e usado como remédio.

Garaxama

Cipó-morcego

Cipó-titica, é um cipó fino, que dá folhas tipo palmeirinha, muito usado no artesanato e para amarrar as talas dos aturás (cesto para transportar produtos), cestos rasas para transporte de frutos do açaí e fazer outros tipos de amarras pelos ribeirinhos e colonos de Abaeté.

Timbó, é um cipó grosso e venenoso e esse veneno era muito usado em um tipo de pescaria em que se esfacelava esse cipó para jogar o veneno nas águas para matar os peixes e depois recolhê-los e esse é um tipo de pescaria muito predatória e indiscriminada, pois matava toda forma de vida dos rios.

Timboaçu, é um tipo de cipó grosso;

Cipó cunambi, que é outro cipó venenoso e usado para envenenar peixes, como na pescaria com cipó timbó;

Ceboleira, que é um cipó que desce de grandes árvores, especialmente o angelim e o piquiá e dá uma espécie de cebola selvagem.

Cipó-pucá

Cipó-catinga, com raízes usadas na medicina popular;

Cipó uíra, com raízes usadas na medicina popular;

Apuí, é um cipó grosso, que envolve e chega a matar árvores, sufocadas.

ÁRVORES E PALMEIRAS FORNECEDORAS DE TALAS:
Arumanzeiro, palmeira típica da zona de várzeas, de cujos longos braços das folhas se tira a tala e a fibra de arumã usada para se fabricar peneiras, aturás (grande cesto usado nas costas dos agricultores para transportar produtos) e para empalhar frasqueira (Frasqueira era um grande garrafão de vidro empalhado com folhas de miriti ou obuim, atracadas com talas de arumã. As talas do arumanzeiros são retiradas do ápice da planta e ela dá brotos que fornecem outras árvores. As folhas servem ainda para empalhar paneiros de farinha e enrolar alimentos, como beijus, vindos das colônias.

Caranãzeiro, palmeira que dá um fruto chamado caranã e de onde se tira a tala para se fazer o matapi, instrumento artezanal usado para espremer a mandioca e tirar o tucupi, de muita utilidade na alimentação regional como tacacá, pato-no-tucupi.

Jupatizeiro, palmeira de onde se tira a tala de jupati, usada para se fazer o pari, uma tapagem para se apanhar peixes nos igarapés e matapi, instrumento artesanal para pegar camarões vivos. Dos braços longos das folhas de jupatizeiros são extraídas pequenas tábuas muito usadas em paredes de casas ribeirinhas e de colonos das estradas.

Marajázeiro, palmeira com duas variedades, o marajá de várzea e o de terra-firme. O de várzea fornece a tala para se fazer o cacuri, instrumento para se pegar peixe nos igarapés.

Miritizeiro, palmeira de onde se aproveita tudo: tala, frutos, troncos, polpa (madeira). A tala de miriti possui várias utilidades: fabricar peneiros, armação de pipas. Na região. O fruto, miriti, é muito apreciado como alimento e para se fazer o vinho de miriti, doces, bolos. E a polpa das folhas do miritizeiro serve para fabricar os famosos brinquedos de miriti de Abaetetuba. A cachaça produzida nos engenhos de Abaeté era acondicionada em frasqueiras. Frasqueira era um grande garrafão de vidro empalhado com folhas de miriti ou obuim, atracadas com talas de arumã.

Ubuim: cujas folhas serviam para empalhar as frasqueiras de cachaça dos engenhos de Abaeté e forrar paneiros e embrulhar determinados produtos alimentícios.

Jacitara, que fornece talas para fabricar diversos tipos de instrumentos artesanais, especialmente o tipiti (prensa usada manualmente para espremer a massa da mandioca e dela extrair o sumo chamado tucupi);

Guarumã, cuja tala serve para fabricar diversos instrumentos artesanais, inclusive o tipiti (instrumento para prensar a massa da mandioca), e fabricar esteiras de uso variados.

PALMEIRAS DA REGIÃO DE ABAETÉ:
Caranãzeiros, fruto caranã.

Ouricuris

Murumurus, é uma palmeira espinhenta e quando uma pessoa se fere nesses espinhos, estes só saem depois que se corta o espinho para a saída do ar do mesmo e também fornece fruto murumuru, com o qual se fabricam comésticos;

Jussara, com frutos comestíveis na forma de vinhos;

Pupunheira, com várias variedades de palmeiras que produzem um saboroso e apreciado fruto na região, a pupunha, muito usados no café da manhã, comido junto com mel de cana;

Miritizeiros, fruto: miriti, é uma palmeira de onde se aproveitam todas as suas partes. Os frutos fornecem óleo, usados na índústria de comésticos, produção de alimentos como: vinho de miriti, usado como alimento junto com outros alimentos, mingaus (com arroz e farinha de mandioca), doces, bolos; sementes usadas no artesanato; folhas que fornecem talas largamente usadas no artesanato local e a polpa de miriti, largamente utilizada no famoso artesanato de miriti, dando a Abaetetuba o título de “Capital Mundial dos Brinquedos de Miriti”. E o miritizeiro ainda fornece fibras/enviras que eram largamento utilizadas no antigo artesanato e troncos que servem no embarque/desembarque de ribeirinhos em suas casas nas vazantes das marés. É uma palmeira de muita importância e de múltiplos usos na região, daí o fato de em Abaetetuba acontecer a feira MIRITIFEST, que procura exaltar, divulgar e comercializar os produtos obtidos a partir das partes dessa palmeira e especialmente os famosos brinquedos de miriti, famosos a nível regional, nacional e mundial e é o maior evento turístico da cidade.

Dendezeiros, fornece o fruto oleaginoso dendê;

Inajázeiro, fruto inajá, comestível;

Palheiros, fonecem palhas para fins diversos; coberturas e paredes de casas, etc.

Bacabeira, fruto bacaba, palmeiras em várias variedades e cujos frutos forneceram vinho semelhante ao açaí e com largo uso na alimentação ribeirinha e das cidades;

Açaizeros, frutos: açaí, outra famosa palmeira da região e com múltiplas utilidades: frutos fornecedores do famoso vinho de açaí, largamente utilizado como alimento, junto com outros alimentos e em industria de comésticos, energizante, corantes, etc; sementes largamente utilizadas no artesanato de bijouterias. O açaí está se constituindo em um grande item de exportação de polpa de açaí do Estado do Pará a nível nacional e internacional.

Tucumãzeiros, fruto tucumã (vide sementes oleaginosas);

Mucajázeiros, fruto silvestre mucajá;

Jupatizeiros, fornece a tala de jupati, muito resistente e com várias utilidades e resinas que serviam no revestimento interno de panelas e outros utensílios de barro;

Bussuzeiros, palmeira que produz o fruto bussu que vêm em grandes cachos com um coquinho com água, muito usados na medicina popular;

Murumiry

Paxiúbeiras, dá frutos parecidos com a pupunheira e fornece, do tronco, quando partido ao meio e batido, fornece as tábuas de paxiúba, muito usadas como nos assoalhos e paredes das casas; ribeirinhas e de colonos das estradas;

Marajázeiros, frutos: marajá, silvestre;

Patuázeiros, que produz um fruto oleaginoso, o patauá e o óleo das sementes serviam no preparo de alimentos;

Carnaúbeiras, fruto carnaúba;

Coqueiros, fruto coco, que contém água de côco e massa; palmeira disseminadas na região, fornecedores de frutos usados como complementos no preparo de variados bolos e doces e cuja água, a água-de-coco, é muito utilizada na região. Muitos agricultores de Abaetetuba possuem cocais para o fornecimento de água-de-coco na região;

Cauê

A parte das folhas das palmeiras que se fixam aos troncos desses vegetais são chamados curuatás e os de algumas palmeiras são muito grandes e de utilidades em alguns serviços.

MATERIAIS PRODUZIDOS A PARTIR DAS ÁRVORES FORNECEDORAS DE FIBRAS, TALAS E CIPÓS DA REGIÃO DE ABAETÉ:
Aturás, que são grandes cestos, com pernas, tecidos com talas e que eram muito usados por nossos colonos e ribeirinhos em várias atividades: transporte de mandioca, frutos, coleta de castanha-do-Pará e usados para trazer mercadorias para vendas na cidade de Abaeté e na volta para as colônias para levar mantimentos para suas casas. O caboclo usava o aturá usando uma alça vinda do aturá e que ele prendia à sua testa e esse cesto pendurado às suas constas, ficando, assim, com as mãos livres para carregar outros objetos ou produtos.

Pari e Cacori, que eram instrumentos usados nas pescagens de tapagens de igarapés e feitos com varas e paredes de talas. Vide pari e cacoris, acima.

Cordas, de vários tipos e espessuras, feitas de enviras/fibras de vegetais, tipo envireiras, palmeiras, etc.

Peneiras, instrumentos fabricados artesalnamente de gravetos, talas e enviras devidamente tecidos e com várias utilidades na coagem de certos produtos, como açaí;

Matapí instrumento de pesca, de fabricação artesanal, fabricado com talas e enviras, de forma cilíndrica, usado na pescagem de camarão vivo. Vide acima.

Mutá, espécie de guarita rústica/tocaia, feita com cipós e varas de pau e usada nas caçadas de animais como veados, tatus, pacas, que passavam em direção às suas “comidias”/lugar onde o animal encontrava o seu alimento;

Panacarica, é uma tolda rústica, cobertura feita artesanalmente, tecido com talas, folhas, cipós e enviras, usado como abrigo em pequenas embarcações tipo pequenas canoas;

Peconhas, instrumentos artesanais, uma espécie de anel feito com folhas e enviras trançadas e que serve para usar nos pés dos apanhadores de açaí e bacaba, como suporte na subida e descida dessas árvores e com os cachos dessas palmeiras em mãos;

Tipiti, que é um longo e flexível instrumento de confecção artesanal, feito com talas e fibras vegetais, que é usado na prensagem da massa de mandioca para dela extrair o sumo chamado tucupi e assim poder fabricar a famosa farinha de mandioca de largo uso na cozinha paraense;

Chapeus, confeccionados artesalmente em folhas ou fibras vegetais, usados largamente por colonos e ribeirinhos na proteção do sol, quando em atividades de agricultura;

Abanos de fogões, confeccinados artesalnamente com folhas e fibras vegetais, usados domesticamente para avivar os fogoões de lenha ou carvão de ribeirinhos e colonos de Abaeté;

Esteiras, instrumentos de confecção artesanal com variadas utilidades e tecidas com fibras e talas vegetais. Algumas esteiras eram usadas em casas ribeirinhas, como uma espécie de tapetes para se colocar crianças e para se sentar. Outras maiores eram usadas nas atividades produtivas dos ribeirinhos ou colonos, para secagem de sementes de cacau, café, arroz, milho, camarões, peixes,etc.

Rede maqueira, rede artesanal confeccionadas com fibras e cipós, usadas no descanso de ribeirinhos e colonos;

Vassouras, fabricadas artesanalmente com alguns tipos de cipós e utilizadas pelos antigos colonos e ribeirinhos de Abaeté;

Paredes e assoalhos de casas ribeirinhas e de colonos de Abaeté, feitos a partir das varas das folhas e troncos de palmeiras como jupatizeiros e paxiubeiras e tecidas com cipós;

Paneiros variados, feitos com talas de variados tipos de árvores e palemiras da região de Abaeté.

ÁRVORES OLEAGINOSAS:
Mamona, extraída de uma árvore e de uso na medicina popular/caseira;

Pupunheira, cujos frutos forneciam o óleo de pupunha na medicina caseira e outras utilidades;
Patauázeiros, palmeiras cujos frutos forneciam o famoso óleo de patauá, largamente utilizado na antiga cozinha abaeteense;

Andiroba, óleo extraído da árvore andirobeira e que era largamente utilizada na medicina casieira de nossos avós;

Mururé

Copaíba, extraída de uma árvore capaibeira, que fornece um óleo largamente utilizado na medicina caseira/popular de nossos ávos e que servia no tratamento de muitos males;

Ucuhubeira, árvore naturais dos mangues de Abaeté, que além do óleo, fornecia sebo de uso medicinal e fabricação de sabão. Como existia grande quantidade de árvores de ucuúba nas margens dos rios e igarapés da antiga Abaeté, o processo de coleta das sementes de ucuúba criou a figura popular de coletor de semente de ucuúba.

Esse coletor pegava sua montaria (pequena canoa de madeira) e saía a coletar as sementes de ucuúba que deslizavam boiando sob as águas, nas vazantes das marés. As sementes eram recolhidas através de uma vara que possuía na ponta uma espécie de puçá, instrumento artesanal feito com talas ou fibras de miriti e outras fibras, que possuía uma boca circular e fundo como os de coador de café. Assim enchia sua montaria dessas semente e o produto de sua coleta ele vendia para os comerciantes, donos de fábricas de sabão existentes em Abaeté ou remetia esses produtos para as fábricas de Belém/Pa.

As sementes de ucuúba serviam para se fabricar, artesanalmente, um tipo de azeite, o azeite de ucuúba.

O processo de extração de óleo ou azeite de ucuúba, era realizado deste modo: fervia-se as sementes para que ela amolecesse e a seguir se amassavam as sementes para formar uma massa que era colocada em uma espécie de taboa recurvada e inclinada, por onde o óleo escorria e caía em vasilhames de barro. Com a borra que sobrava do óleo se fazia sabão .

Camomila, planta que fornecia um óleo e folhas para uso na medicina caseira antiga;

LEITES E ÁRVORES LEITOSAS DA REGIÃO DE ABAETÉ:
São árvores que produzem leites/sumos, usados na medicina popular/caseira e outras utilidades:

Leite de jatobá, extraída de árvores de jatobá, utilizado na medicina caseira antiga;
Leite de seringueira, extraídas da árvore de seringueira para uso na medicina caseira;
Leite de Ananim, extraído de árvores do ananinzeiros, usado na medicina popular;
Leite de Ucuúba, extraído das árvores ucuhubeiras, que fornece também a madeira chamada ucuhúba, sebo e sementes oleaginosas.
Leite de Amapá, extraído de árvores chamadas amapázeiros, largamente utilizado na medicina popular antiga;
Leite de Sucuúba, árvore que além da casaca, fornecia o leite muito usado na medicina popular como fortificante;
Quina, cujo leite era usado nas garrafadas.
Leite de caxinguba, extraído dessas árvores medicinais, que além da casca, forneciam o leite de largo uso em Abaeté na medicina caseira;
Leite de massaranduba, extraído das árvores massarandubas, que, que além da madeira e da semente comestível, forneciam esse leite usado na medicina popular antiga.
Leite de erva-pão, extraído da árvore de erva-pão e para uso na medicina popular e para fazer o “cerol” da antiga brincadeira de pipas e papagaios em Abaeté;

ÁRVORES PROTETORAS DAS MARGENS DOS RIOS:
Siriubeiras
Falcãozeiros
Mamoranas
Aningueiras, estas com várias espécies.
Aturiás, que possuem grandes raízes externas.

ÁRVORES FORNECEDORAS DE SEBOS:
Ucuhubeiras, cujo sebo é retirado da semente para fazer sabão e que fornece também óleo e o azeite de ucuúba.

ÁRVORES FORNECEDORAS DE TINTAS:
Mangueiro
Murucy,
Assahy,
Genipapeiros, com o fruto genipapo;
Urucuzeiros, que fornece o urucum/sementes ;

Cumatês, cuja tinta era usada para pintar cuias. As cuias são feitas a partir da casca dos frutos da árvore cueira, que podem ser de tamanho pequeno ou de grandes frutos, donde se fabricavam as cuias-pitingas. As cuias menores são largamente usadas nas barracas de vendas do tacacá, que é uma comida típica do Pará e como objetos ornamentais;

Areuareuas, cuja tinta era usada para tingir velas das canoas grandes.
Murucizeiros
Verônicas, cipó também usado na medicina popular.
Anileiras, que fornece o anil.

PLANTAS CHEIROSAS:
Caá, palavra de origem indígena.
Mucura-caá

MADEIRAS USADAS NA CONSTRUÇÃO NAVAL DE ABAETÉ:
Alguns tipos de madeira-de-lei usados na construção de embarcações em madeira:

Piquiá, vem da árvore piquiázeiro e é a madeira que sustenta o forro dos cascos e já está em extinção.
Acuri
Mangabarana
Gurajuba, madeira resistente e muito usada na construção de vários tipos de barcos usados na região
Pau d’arco,
Acapu, vê de árvores chamadas acapuzeiros, já extintos na região.
Piquiarana,
Bacuri, de das árvores chamadas bacurizeiros, já em processo de extinção ma área;
Angelim, vêm de árvores chamadas angelinzeiros e são de 3 variedades;
Louro
Cedro, vêm de árvores chamadas cedreiros, com duas variedades: cedro vermelho e cedro branco e já em processo de extinção na região;
Anany, madeira que v~em de árvores chamadas ananinzeiros;
Andiroba, vêm de árvores chamadas andirobeiras que têm outras utilidades;
Acariquaia,
Matá-matá
Jacaré
Ubá,
Massaranduba, vêm de árvores chamadas massarandubeiras, já em processo de extinção na região.
Mahúba,
Pracuhúba, vêm de árvores chamadas pracaubeiras;
Fava, vêm de árvores chamadas faveiros, já em processo de extinção na região;
Burajuba, árvore forte, que resistia ao fogo sem rachar, utilizada antigamente para construir canoas, extinta em Abaeté.
Itaúbeiras, que fornece a madeira itaúba, muito usada na construção de barcos variados;

MADEIRA PARA QUILHA DE CANOAS À VELA:
Parinary, que chega a alcançar 80 palmos e cresce nas várzeas.

ÁRVORES DE MADEIRA-DE-LEI:
Os casos de árvores de madeira-de-lei são emblemáticos e preocupantes no Município, pois já não se vê mais em nosso município árvores de madeira-de-lei como as abaixo mencionadas e respectivas madeiras, quase todas praticamente extintas da micro-região pela demanda por madeira-de-lei nas indústrias moveleiras, naval e construções de casas e nas grandes construções de prédios e exportação de madeira, sem contar as queimadas para uso das terras pela agricultura e pecuária:

Essas eram muito exploradas para uso na construção civil.
Abiurana
Acapuzeiros, árvores de sombras, que fornecem a madeira acapu, usada para retirar táboas, esteios, estacas para cercas, muito dura, pesada e que possui tronco com reentrâncias e depressões na sua base e onde ocorrem muitos tipos de cipós. Inicialmente a cor da madeira acapu é amarelada, mas quando envelhece, fica de cor preta.

Acapurana
Acapuzeiros, madeira acapu, muito usado como assoalho de casas, já não existe nas matas de Abaeté;

Ameselão
Ananinzeiro, madeira anani, com variedades: anani-branco.
Andirobeiras, madeira andiroba;
Angelinzeiro, madeira Angelim, com várias variedades, muito usada nas construções de casas, com as variedades: Angelim-liso, Angelim-pedra e Angelim-vermelho;
Aquariquara
Araracanga
Atanazeiro, madeira ataná;
Bacurizeiros, madeira bacuri e fornece também frutos;
Baobá, árvore que veio importada junto com os escravos africanos e ela guarda água no caule e identifica lugares onde existe água;
Breu-branco

Burajuba, árvore forte, que resistia ao fogo sem rachar, utilizada antigamente para construir canoas, extinta em Abaeté.
Castanha-do-pará, fornece madeira-de-lei e sua semente é usada na alimentação e seu período de vida é de 1000 anos de vida. É a árvore rainha da floresta amazônica, que já está em extinção em Abaeté.
Cedreiros, fornece a madeira cedro, é árvore de grande porte, de madeira-de-lei, praticamente extinta na região. Com várias variedades:
Cedro-branco, muito usado na indústria moveleira
Cedro vermelho, muito usados nas movelaria e outras utilidades;
Cedrinho
Cumaru, madeira mais forte que o acapu e pesada, de cor amarela e âmago de cor preto azulado e com variedades:
Cumaru-de-cheiro, de onde é extraída essências para a produção de perfumes, sabonetes, etc.
Cumatê, com variedades: cumaté branco, etc.
Copihuba
Faveiros, são árvores da família das leguminosas e dão vagem e fornecem a madeira fava, com variedades: fava arara.
Geniparana, dá frutos parecidos com os frutos de castanheiras e essa madeira era muito usada para confecção de flexas indígenas;
Goiabarana-da-mata
Garapeira
Guajará
Gurajuba

Freijó, árvore de madeira-de-lei, extinta em Abaeté.
Ipê, se distingue pela florada e variedades: ipê amarelo, ipê branco e ipê roxo.
Itaúba

Jacarerana
Jacaréhuba
Jarana, fornece madeira para esteios e estacas, especialmente de pimenteiras-do-reino;
Jareua
Jarina
Jatobá
Jutaizeiro, árvore que fornece madeira e dá um fruto comestível.
Louro, com folhas que brilham ao sol e com várias variedades:
Louro-faia
Louro Vermelho
Louro branco
Macacahuba - Macacahubeira, madeira macacaúba;
Mahuba
Marupahuba

Matamatá, árvore de grande porte, que fornece madeira de cor amarela e dá um fruto muito usado como isca de caças e serve como comida de pacas. Sua madeira era usada nas construções dos antigos trapiches de Abaeté, por serem resistentes à ação das águas dos rios e igarapés e ainda fornece um tipo de envira/fibra.

Mogno, árvore de madeira-de-lei nobre, exportada para a Europa e Estados Unidos, extinta em Abaeté.

Monguba
Muiracatiara.
Muirapinina
Muirapiranga
Murumaru, é uma palmeira espinhenta;
Marupázeiros, madeira marupá, muito usado nas movelarias;

Marupahúba

Massarandubeiras, madeira massaranduba, madeira dura e muito usadas nas construções de casas, que além da madeira e da semente comestível, forneciam leite usado na medicina popular antiga.
Mogno, é um tipo de cedro muito usado nas exportações;

Pará-pará

Paricá, árvore de madeira-de-lei, que só ocorre em áreas de várzeas que já estão quase extinta em Abaeté.
Pau-amarelo
Pau-de-bezerro, árvore de tronco fino e alto e de folhas grandes, que dá frutos e é usada no tratamento de câncer pelos antigos. Essa árvore, em certa fase da vida, morre e dá filhotes perto do tronco morto;
Pau-d’arco
Pau-de-bicho
Pau-ferro

Pau mulato, ainda é comum nas ilhas e estradas de Abaetetuba, devido facilidade de fornecer mudas;
Pérola
Piquiarana

Piquiázeiros, madeira piquiá, muito usado na construções de barcos de madeira; são duas espécies: piquiaranas, estas de flores vermelhas e piquiazeiros, de flores de cor amarela e o fruto e flores são comida veados.

Piquiarana, fornece madeira-de-lei e é da família do piquiazeiro;

Pracaxizeiros, madeira pracaxi;
Pracuhuba
Praxiuba

Quariquara, árvore que possui reentrâncias em toda extensão do tronco e sua madeira serve para confecção de esteios para a construção de casas, malocas, trapiches, etc.

Quaruba, madeira que vem das árvores quarubeiras e servem para fornecer tábos, pernamancas para construção de casas;

Samaúmeira, árvores com duas variedades, uma que é bem alta e outra mais baixa;

Seringueira, fornece madeira e látex para se fazer borracha e leite de seringueira para uso na medicina caseira;

Sucupira

Tamanca
Tamaquaré
Tambori

Tanã roxo, dá flores de cor roxa.

Tauari
Taxizeiro, madeira taxi
Ucuhubarana
Ucuubeiras, madeira ucuhuba, muito usada como refugos de construções e também forneciam o leite de ucuúba e sementes oleaginosas.
Umiry
Uxirana

Viqueiro, nome dado a uma planta que possui odor semelhante ao do remédio vick-vaporub;

Virola, madeira que vêm das árvores viroleiras, que ocorrem nas florestas de igapós.


ÁRVORES DA FÁMILIA DAS BANANEIRAS:

Sororoca, árvores de folhas grandes, de múltiplos usos pelos ribeirinhos e colonos antigos e cuja flor serve de alimentos para aves como a sururina;

Cantã, árvore um pouco parecida com a sororoca;


OUTRAS ÁRVORES DA REGIÃO DE ABAETÉ:
Timboranas, árvores com raiz em sapopemas

CAPINS DE ABAETETUBA:
Juquiri, é uma planta da família das gramíneas, que dá um capim espinhento e que fere quem os toca.

PLANTAS MEDICINAIS DA REGIÃO DE ABAETÉ:
Medicina Popular em Abaetetuba:

A Amazônia, com a sua rica flora e fauna, desde os tempos em que era habitada somente pelos seus nativos, sempre usou os animais e vegetais no tratamento de muitas doenças que acometiam os povos das florestas. O curandeiro, espécie de médico das tribos indígenas, era o responsável pelos rituais de cura e preparo dos medicamentos à base de ervas e cascas , raízes, folhas, sementes e outros elementos da floresta e rios.

Prevenir, aliviar ou curar doenças, na forma de chás, infusões, emplastros, sumos, óleos, banhas, xaropes, banhos, garrafadas (combinação de várias plantas medicinais misturado a um líquido alcólico) era o que nossas avós faziam nos tempos em que a cidade se chamava Abaeté.

Plantas medicinais de Abaetetuba:
Abacaxi (sumo),
Abuta (um cipó): para inflamações.
acapu (lenho seco)
Alfavaca (folhas)
Algodão (folhas)
Alho para gripes, febres.
Amapá (leite),
Amor crescido (folhas),
Andiroba (óleo), misturado à copaíba e mel-de-abelha, para problemas da garganta e respiratório.
Apií
Aroeira
Arruda, folhas para rouquidão.
Babosa (sumo das folhas)
Banana são tomé (casca)
Barbatimão (casca, raízes), anti-inflamatório, trata de úlceras e problemas ginecológicos.
Batata-doce: chá das folhas para infecções da boca.
Borboleta (raízes)
Buiussu (casca)
Cabacinha (cápsulas), para hematomas, inflamações e sinusite.
Cafeeiro (folhas)
Caju branco, cicatrizante;
Caju-do-mato, casca de cajueiro;
Camapu (folhas)
Camembeca (raízes)
Camomila: calmante.
Canarana (folhas)
Canela (folhas), na digestão e contra diarréias.
Capim marinho (planta inteira), pressão alta.
Carambola
Carapanã (casca)
Caroba (folhas)
Carrapato
Carucaá (folhas)
Chicórea: para problemas do fígado.
Castanheira (entrecasca)
Catinga de mulata (folhas)
Catuaba (casca
Caximguba (leite e casca), chá da casca para verminoses.
Chifre-de-boi
Cipó-catinga (raízes)
Cipó-pucá
Cipó uíra (raízes)
Coco (leite)
copaíba (óleo), antiinfamatório e cicatrizante.
Couve
Cravos
Cuitininga
Cumaru (sementes)
Erva cidreira (folhas), Erva-cidreira: calmante.
Erva-doce (casca e folhas), na disgestão;
Espinheira santa
Faveiro, dá o fruto fava e é palnta das margens de rios e igarapés.
Gengibre: dor de garganta.
Gergelim preto (sementes)
Goiabeiras (folhas, casca);
Graviola
Guaraná (sementes): tonificante, energético.
Hortelã (folhas): na digestão.
Imbaubeira (folhas)
Imbiriba
Ipê (casca)
Jamacaru
Jambu (folhas)
Japana branca (folhas)
Jerimum (sementes)
Jucá (favas)
Jutahy (casca)
Laranjeira (flores, folhas)
Lima (casca)
Limoeiro
Língua de vaca (folhas)
Louro (folhas),
Malva-rosa (folhas)
Malvarisco (folhas)

Mamoeiro (folhas, flores, raízes, leite), mamão macho (flor), com várias variedades, usados na alimentação e na medicina popular. Raízes: tônico para os nervos, hemorragias renais. Folhas: chá digestivo. Suco leitoso das folhas: vermífugo, digestivo e cicatrizante. Flor do mamoeiro-macho: xarope para rouquidão, tosse, bronquite, gripe. Mamão maduro: digestivo, diurético, laxante, prisão de ventre e é usado no combate a diabete, asma e como depurativo do sangue. Sementes: são vermífugas.

Manga, casca
Mangarataia (raízes),
Manjericão
Manjerona
Maracujá (folhas), Maracujá: calmante.
Marapuama (raízes)
Mastruço (folhas)
Melão de são Caetano (folhas)
Moleque (raízes)
Mucura-caá (folhas)
Mururé (casca)
Ortelã
Panamá
Pata de vaca (folhas)
Patichulim
Pariri (folhas)
Pimenta malagueta (sumo)
Pião roxo, pião branco (folhas), leite de pião
Pirarucu (folhas)
Pluma (folhas)

Pripioca (raízes), arbusto, cuja raiz é ralada ou raspada para ser usada como remédio e ingrediente de banho de cheiro. O óleo dessas raízes é altamente aromático, de cheiro marcante e inusitado, utilizado em perfumes e águas de banho;

Pupunha: óleo usado em problemas do ouvido.
Pirarucu: folha, na tosse;
Quebra-pedra (toda a planta): diurético e para cálculos renais.
Quina
Sabugueiro: para sarampo;
Sacaca (casca)
Salsa (folhas)
Salva (folhas)
Sálvia: resfriados, dores de cabeça.
Sensitiva (folhas)
Sicupira (sementes): nas dores reumáticas.
Sucurijú (folhas),
Sucuuba, casca e leite
Tamarindo (folhas)
Urtiga (raízes),
Urucu (sementes)
Vassourinha (folhas)
Verônica, raízes e casca
Vindicá (folhas)

PLANTAS CHEIROSAS E VENDEDORES DE CHEIROS DE ABAETÉ:
Vender folhas cheirosas e cheiros preparados era um antigo costume em Abaeté e durante o ano todo. As ervas e cascas cheirosas serviam para fazer infusões cheirosas, as quais eram utilizadas nos banhos de bebês e como perfume de adultos.

Hoje só se esse tipo de venda durante a quadra junina e quem as usa são apelidados de mulato e mulata de cheiro. Na madrugada do dia de São João toma-se o banho de ervas cheirosas, para lavar do corpo toda e qualquer impureza e azar e ter sorte o resto do ano.

Entre as plantas cheirosas, temos:
Abuta (um cipó): para inflamações.
Alecrim
Alfavaca
Arruda
Batata-doce: chá das folhas para infecções da boca.
Borboleta (raízes)
Buiuçu, casca
Camomila: calmante.
Canela
Capetiu, casca
Capim santo ou capim-marinho
Catinga-de-mulata
Cedro, casca, infusão
Cipó-catinga
Cipó uíra
Chiicória
Chifre-de-boi
Cravo
Erva-cidreira branca
Gipioca, raiz
jambu (folhas)
Japana branca (folhas)
Laranjeira-da-terra
Lima (casca)
Limão
Limão Galego
Limão de Caiena Jenipapeiro
Malva-rosa
Manjerona
Manjericão
Marcela
Maracujá: calmante.
Mucura-caá, folhas
Najarana
Oriza
Ortelã
Pariri (folhas)
Pata de vaca (folhas)
Patichulim

Priprioca, arbusto, cuja raiz é ralada ou raspada para ser usada como remédio e ingrediente de banho de cheiro. O óleo dessas raízes é altamente aromático, de cheiro marcante e inusitado, utilizado em perfumes e águas de banho.

Pau-de-angola, madeira cheirosa, usada para a fabricação de pulseiras de ouro sobre o pau-de-angola, muito usadas pelas moças e senhoras antigas e no preparo de cheiros.

Pau-rosa, casaca, infusão
Pluma
Quina
Salsa (folhas)
Salva
Urubu-caá
Urtiga cheirosa
Vindicá.

PLANTAS VENENOSAS:
As plantas venenosas eram usadas por pescadores que jogavam os sumos dessas árvores nos rios e igarapés para tontear e até matar os peixes. Essa é uma prática condenável de pescaria e altamente predatória. Entre as plantas de sumos venenosos, temos:

Assacúzeiro
Timbó, é um cipó de sumo venenoso, que servia na pescaria com timbó. Vide cipós de Abaeté.
Jujoca
Cunambi, é outra planta de sumo venenoso, usado em pescarias, para matar os peixes.

Prof. Ademir Rocha, de Abaetetuba/Pa, em 18/4/2010. Continua: Turismo, Cultura e Memória Ambiental em Abaeté.