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terça-feira, 30 de maio de 2017

Engenhos de Abaetetuba e Igarapé-Miry 1

Engenhos de Abaetetuba e Igarapé-Miry

I - MEMÓRIA E HISTÓRIA DOS ENGENHOS DE ABAETÉ/ABAETETUBA/PA

ABAETETUBA E SUAS VIAS FLUVIAIS NAVEGÁVEIS
Abaetetuba é um município pequeno medindo apenas 1.090km2, situado no Nordeste do Estado do Pará, no estuário dos rios Pará e Tocantins, onde esses dois rios formam a baía de Marapatá, na Zona Tocantina.
No entanto possui uma topografia bastante acidentada quanto a presença de ilhas, rios, igarapés, furos, baías, praias e costas que constituem a Zona Ribeirinha ou a Região das Ilhas de Abaetetuba, que vem se juntar a Região das Ilhas do Pará.

Rio é uma corrente natural de água que flui com continuidade (curso de água), que desemboca no mar, num lago ou em outro rio e, em tal caso, denomina-se afluente. Por seu curso podem navegar, dependendo do tamanho, navios, barcos, barcaças e outras embarcações menores.
Os afluentes são rios menores que deságuam em rios principais
Confluência é o termo que define a junção de dois ou mais rios.
Foz é o local onde deságua um rio, podendo dar-se em outro rio, ou em um lago ou no oceano.
Igarapé é um termo amazônico que vem do nheengatu, língua originária do tupi-guarani. Nheengatu=língua boa, língua fácil de ser entendida.
Igarapés são braços estreitos de rios pequenos, médios ou grandes, onde a maioria possui águas escuras e são navegáveis por pequenas embarcações e canoas. São como canais existentes na bacia amazônica, caracterizados por pouca profundidade e por correrem quase no interior das matas que os recobrem como túneis vegetais.
Os igarapés desempenham um importante papel como vias de transporte e comunicação. São como ruas fluviais no meio das matas amazônicas.
Igarapé, palavra tupi=caminho de canoa. Ou significa=pequeno rio, riacho.
Furo é um termo genuinamente amazônico. Furo=pequeno canal estreito de um rio.
Furos são córregos ou riachos que unem rios maiores entre si ou adentram as matas de várzeas e igapós amazônicos.
Igapó, palavra tupi=floresta pantanosa, terreno encharcado. Assemelha-se à várzea.
Os furos da Zona Ribeirinha de Abaetetuba/Pa geralmente são navegáveis por pequenas embarcações que transportam pessoas ou mercadorias, diminuindo as distâncias entre as comunidades das ilhas/comunidade ribeirinha e as cidades. Antigamente as embarcações mais utilizadas nos rios, igarapés e furos eram as chamadas canoas à remo, estas de porte pequeno e para pequenas distâncias, e as canoas à vela, que eram de porte pequeno, médio ou grande e, ainda os reboques, de porte pequeno ou médio, exigindo os chamados remadores. A expressão “canoa grande” se popularizou quando ainda não havia transporte rodoviário no município e o único meio para se fazer comércio e transporte de pessoas eram as canoas grandes à vela. Outras embarcações menores eram usadas no transporte de mercadorias e pessoas pelas vias fluviais do município/rede hidrográfica como os reboques, montarias, batelões, canoas à remo e cascos. Com o advento dos motores à óleo diesel as embarcações existentes foram adaptadas ao uso de motores movidos a óleo diesel e outros tipos de embarcações foram surgindo como pequenos, médios e grandes barcos motorizados, iates, lanchas voadeiras e outros tipos.
Vale salientar que atualmente um pequeno tipo de embarcação é largamente utilizado para o deslocamento rápido de estudantes e moradores das ilhas de Abaetetuba, que é uma pequena canoa motorizada chamada “rabeta” que é o táxi fluvial da rede hidrográfica de Abaetetuba/Pa e região do Baixo Tocantins.

Os rios e igarapés existem em grande quantidade e que se juntam aos furos e baías que vão constituir uma grande massa de água doce que cerca totalmente a parte continental do município e constituem o caminho natural para os habitantes da Zona Ribeirinha em seus deslocamentos diários à Abaetetuba ou municípios vizinhos com as mais variadas finalidades.

Antes das estradas de rodagem, essas vias aquáticas constituíam o único caminho para se chegar a cidade de Abaetetuba, Belém, Cametá, Ilha do Marajó, Igarapé-Miri, Moju, Barcarena ou qualquer outra localidade vizinha do município de Abaeté.
Pelas águas dos rios também se chega a outros estados e até países vizinhos, através do Oceano Atlântico que se encontra ali, às proximidades do grande Rio Tocantins.
Essas vias eram as rotas por onde passavam os navegadores portugueses na época da colonização do Pará, a partir do século XVI em diante.
Essas vias escoaram muitos produtos extraídos das águas e matas da região na forma das chamadas “drogas do sertão”, madeira, borracha, produtos dos engenhos e olarias, peixes, caças, frutas, sementes e plantas de todos os tipos, como também eram rota de distribuição de índios e negros vindos da Guiné e outros países africanos próximos ao Pará, que trabalhavam como escravos para esses colonizadores, distribuídos por todos os locais do Baixo Tocantins, da Ilha do Marajó, de Belém, Cametá e outros municípios vizinhos à Abaetetuba.
Como também eram os caminhos dos milhares de nativos que habitavam as matas, margens e costas dos rios e baías da região, como também os nativos da Ilha do Marajó que por aqui chegavam através de suas velozes canoas à remo, antes da chegada dos colonizadores.
Aliás os índios dessas regiões, por sua grande habilidade na arte de remar, caçar, pescar e na arte de conservar e acondicionar alimentos e na arte das guerras, foram usados pelos colonizadores nesses propósitos e também na milícia provincial e da própria elite dos povoados que começavam a surgir na forma de freguesias, vilas, cidades e outras formas de povoamento das regiões ocupadas.
As chamadas ilhas do Baixo Tocantins e especialmente as de Abaetetuba são trechos de terra formadas por matas de várzeas, igapós e floresta de terra firme cercadas por uma densa rede hidrográfica de rios, igarapés e furos.
As ilhas do município de Abaeté somam um total de 72 ilhas espalhadas, desde a frente da cidade, até os limites com os municípios vizinhos.
A mata existente na região de Abaetetuba era formada por uma cobertura vegetal original, representada pela Floresta Hileiana de Grande Porte/Floresta Densa de Terra Firme que recobria a maior parte do município, que deu origem a uma Floresta Secundária, devido a introdução do cultivo agrícola e extrativismo vegetal intensos.
As áreas de várzeas apresentam sua vegetação característica com espécies de folhas largas, intercaladas com muitos tipos de palmeiras, dentre as quais, despontam o açaizeiro e o miritizeiro.
Dentre os inúmeros rios, igarapés, furos, baías, costas e ilhas de Abaetetuba, alguns são históricos e habitados desde os primórdios da história do município.

ANTIGOS ENGENHOS E DONOS DE ENGENHOS NO MUNICÍPIO DE ABAETÉ/ABAETETUBA/PA
Observação:
Estas pesquisas foram realizadas, em sua maioria, nos arquivos da Fundação Cultural de Abaetetuba, arquivos particulares e nos livros dos historiadores paraenses e da historiadora abaetetubense Maria de Nazaré Carvalho Lobato, em seu livro “Ecos da Terra” – SECULT – 1993. Brevemente publicaremos postagens com os engenhos de outras localidades do Pará.

Sobre os Engenhos
1. A fornalha utiliza como combustível a lenha extraída da região e o próprio bagaço da cana-de-açúcar.

2. A queima da lenha e do bagaço aquece um reservatório de água até que esta entre em ebulição produzindo vapor que é canalizado por tubulações de ferro até o cilindro que contém o pistão.

3. Através da expansão e compressão do vapor, o pistão se movimenta dentro do cilindro num movimento constante de entra e sai.

4. O movimento do pistão faz girar uma alavanca que está acoplada às engrenagens e o movimento é transmitido até os cilindros que esmagam a cana.

5. Assim que a cana é esmagada, seu caldo escorre até um reservatório chamado paiol de onde um mecanismo de sucção utilizando o movimento gerado pelo vapor d’água consegue deslocá-lo até grandes tanques de fermentação.

6. Dentro dos tanques, já existe uma espécie de melaço, que faz com que o caldo sofra fermentação alcoólica por um período de 4 dias(nos engenhos modernos que usam fermentos químicos ocorre fermentação em até 30 minutos).

7. Após o período de fermentação, o caldo é transportado por tubulações de pvc até uma bomba que utilizando a força gerada pelo vapor consegue ejetá-lo até um compartimento mais acima onde ocorrerá a destilação(equipamento denominado alambique).

8. A etapa final da produção consiste em avaliar o nível de álcool na cachaça. Então, utilizando-se um funil(vasos comunicantes) e um instrumento denominado alcoômetro de Gay-lussac e Cártier que flutuando na cachaça colocada dentro do funil avalia através de uma escala a porcentagem de álcool.

10. Verificado o nível de álcool na cachaça, esta é engarrafada e colocada em embalagens artesanais produzidas no próprio local.

ANTIGOS ENGENHOS NA CIDADE DE ABAETÉ/PA
Sede do Município de Abaetetuba 
. Engenho de Luciano Antônio dos Santos (cidade), mel, 1922.
. Engenho Cruzeiro do Sul/Fábrica de cachaça e açúcar de Garibaldi Parente & Cia.(cidade), em 1922, que era um dos engenhos da família Parente e se localizava na frente da cidade de Abaeté, onde hoje se encontra a Fábrica Amazônia de guaraná, de Nazareno Cardoso e arredores.
Em 1922, além da fábrica de cachaça e açúcar, Garibaldi Parente aparece como comerciante, com a denominação de “Garibaldi Parente & Cia., sito à Rua Justo Chermont, relativo as atividades de casa de commércio de 2ª classe, serraria com officina, fábrica de sabão, typographiae fábrica de cachaça e açúcar.
. Engenho Santa Cruz, de Francisco de Assunção dos Santos Rosado, situado na orla da cidade de Abaeté, em 1927.
Engenho Mangal

. Engenho Mangal, na frente da Cidade de Abaeté, no início da atual Avenida 15 de Agosto.
. Pedro Rosado. O engenho de Pedro Rosado localizava-se na Rua do Trapiche (hoje Rua Justo Chermont), onde, anos depois, foi montada uma Usina Elétrica, movida à vapor de lenha.
. Na 2ª intendência do Capitão Manoel João Pinheiro (1891-1894), em 1893, foi construído o 1º engenho de cana à vapor, de propriedade do Sr. Mc-Dowell/Domingos Mac-Dowell.

NO RIO PANACUÉRA
. Engenho de Miguel Procópio Rodrigues (Rio Panacuéra), mel, 1922.
. Engenho de Thomaz Antônio Rodrigues (Rio Panacuéra), mel, 1922.
. Engenho Primavera, de Francisco Lobato.
. Engenho Santo Antonio, de Rosendo Maués., que fabricava cachaça.
. Engenho São Gerônimo, de Noé Guimarães Rodrigues, que fabricava cachaça, no rio Panacuéra, que em 1994 era só abandono e o mato invandindo tudo.
. Engenho Primavera, de A. Tocantins & Filhos, que fabricava cachaça.
. Engenho de Ercílio Ferreira Costa, que fabricava açúcar e mel/melaço de cana.
. Engenho de Segismundo Augusto Rodrigues, que fabricava açúcar e mel de cana.
. Engenho de Antonio Costa Ferreira, que fabricava açúcar e mel de cana.
. Engenho de Virgílio Quarema dos Santos, que fabricava açúcar e mel de cana/melaço.

NO FURO PANACUÉRAZINHO
. Engenho São Gerônimo, de Noé Guimarães Rodrigues, que fabricava a cachaça São Jerônimo.

NA COSTA MARAPATÁ
. Engenho Marapatá, na costa da Baía de Marapatá.

NO FURO DO GAITA
No furo do Gaita existiam casas de comércio, conforme atestam documentos de 1922, como a firma Costa & Irmão.

NO RIO ANAPU
. Engenho Anapu, do Alferes Felippe Correa de Sá.

NO FURO GENTIL
. Engenho de Raimundo Quaresma, na foz do Furo Gentil.

NO RIO CAPIM
. Engenho São José, de Calixto Wallace.

NO RIO DO INFERNO
. Rio do Inferno, em cujas margens existia um engenho São Pedro, de Álvaro Matos.

NO RIO VILHENA
. Engenho de Dona Maximina da Silva (Rio Vilhena), mel, 1922;
. Engenho de Costa & Irmão (Rio Vilhena), mel, 1922;
. Engenho Santo Antonio, de Francisco de Assunção dos Santos Rosado, no Rio Vilhena, com produção de cachaça especial de 21 graus, mel de cana e açúcar batido, em 1927.
. Engenho São Sebastião, de Manoel Miranda da Silva, que fabricava açúcar moreno.
. Engenho Santo Antonio,