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terça-feira, 21 de setembro de 2010

Família Contente Genealogia e Famílias de Abaetetuba




















Família Contente de Abaetetuba

1ª G/Pais de José Mendes Contente, residentes na Vila de Mocajuba/Pa e tiveram filhos, 2ª G/Filhos/F.
2ª G/Filhos/F: José Mendes Contente, falecido em 17/12/1896, era abolicionista e republicano, tendo concedido liberdade para seus escravos, antes mesmo da abolição da escravatura e doando a cada um de seus escravos libertados 10 braçadas em terreno de sua propriedade e de sua esposa, c/c Anna Rodrigues Contente, que não mediu esforços, amor e dedicação na educação de seus filhos após o falecimento de seu marido. José e Anna tiveram filhos, 3ª G/Netos/N: Joaquim, Raimunda, José, João e Maria Mendes Contente.
3ª G/Netos/N, filhos de José Mendes Contente e Anna Rodrigues Contente.

Joaquim Mendes Contente
3ª G/N: Joaquim Mendes Contente/Quincota (para seus familiares), nasceu em 18/11/1895 no interior da Vila de Mocajuba e faleceu em 1984. Fez seus estudos primários de 6 anos (4 anos do curso primário e 2 de estudos complementares) no Grupo Escolar de Mocajuba, tendo terminado esses estudos em 1911. Nesse mesmo ano foi para Belém para continuar seus estudos no Colégio Nossa S. do Carmo dos irmãos maristas. Em 1916 matriculou-se na Escola de Farmácia do Pará, onde foi obrigado a interromper esses estudos para servir ao Exército. Terminou o Curso de Farmácia em 1919 e no ano seguinte trabalhou em uma famosa farmácia de Beirão em Belém/Pa, onde praticava seus conhecimentos de farmácia. Viajou para Marabá para trabalhar na Farmácia Marabá de seu irmão João Mendes Contente.
Veio para Abaeté em 1923 com um amigo seu, à convite do Dr. Lindolpho Cavalcante de Abreu, quando este era médico em Abaeté, trazendo apenas 500 cruzeiros nos bolsos e a determinação de iniciar uma farmácia em Abaeté. O Sr. Lindolpho Cavalcante de Abreu, que era médico sanitarista, especialista em doenças tropicais, fabricava remédios contra malária e outras doenças, renomado no Estado do Pará, tendo, vindo de Belém e era também muito amigo e benfeitor do povo e convidou Contente para tomar conta de uma farmácia, hospedando-o em sua própria casa. Começaram juntos na farmácia, num estande improvisado, trabalhando em sociedade. Contente, que era muito inteligente e com bons conhecimentos farmacêuticos, começou a fabricar remédios para a população. Aprendeu muito com o Dr. Abreu, e este tendo ajudou o Dr. Evandro Chagas em suas pesquisas médicas em Abaeté. O Dr. Abreu também foi eleito como intendente de Abaeté (1922-1926).
Terminado o seu período de Intendente, após alguns anos, o Dr. Abreu, voltou para Belém, ficando somente o Sr. Contente com a responsabilidade da “Phamárcia Indiana”, localizada na antiga Avenida João Pessoa, hoje Avenida Pedro Rodrigues, farmácia muito famosa e conceituada em Abaeté, com mais de 85 anos e que existe até os dias atuais, sob a responsabilidade de seu filho Pedro Guerreiro Contente/Pedrinho Contente.
Mendes Contente era homem trabalhador e sensível às necessidades humanas, fazendo de seu trabalho de farmacêutico a felicidade e o bem-estar de muitas pessoas carentes de Abaeté e se tornou a o Delegado de Higiene em Abaeté. Somente depois do Contente é que outro farmacêutico se instalou na cidade, o Sr. Fernando, que montou a sua farmácia. Mas este não chegou a ter a fama do Contente, que era quem curava toda a população local. Nenhum médico se firmava por aqui por que todos só procuravam o Contente, um misto de farmacêutico e médico. Anos depois é que chegaram o Dr. Novais e, depois, a Fundação SESP.
Joaquim Mendes Contente iniciou seu trabalho na saúde em favor do povo de Abaeté por volta de 1923 e chegou ao ponto de realizar atendimentos gerais na saúde: clínica médica, exames laboratoriais, fabricação de medicamentos, partos, ambulatório com aplicações de injeções, curativos. Apesar de não ser médico gozava de grande conceito na cidade pelo profissionalismo, seriedade, amor ao seu trabalho e atendimento público e atendimento domiciliar.
Vida Política
Como político foi membro do Conselho de Intendência de Abaeté, como vogal, do intendente Garibaldi Parente (1926-1930).
Elegeu-se prefeito municipal nas eleições de 1950 pelo Partido Social Progressista. Foi empossado em 8/4/1951 e governou até 31/8/1955. Como prefeito o Sr. Contente deixou diversos marcos de sua administração: iniciou a construção de um cais de encostamento na cidade ribeirinha, que não chegou a ser concluída e de um hospital, posteriormente doado à Prelazia de Abaeté, ainda inacabado.
O seu sonho de caridade foi sempre a construção do “Abrigo de S. Vicente” que chegou a ser iniciado por conta dos congregados vicentinos em 8/12/1941, para alojar o pessoal do interior que viesse a Abaeté para tratamento de saúde, construção que ficou inacabada, tendo sido a dita construção doada pelo Sr. Contente às Irmãs Capuchinhas, para que o prédio fosse terminado para o funcionamento da Escola INSA. Ainda com a ajuda do Sr. Contente e do povo de Abaeté, o prédio foi finalmente terminado e hoje, depois de algumas reformas, abriga o Instituto Nossa S. dos Anjos, das Irmãs Missionárias Capuchinhas.
Foi vereador na gestão do prefeito João Luiz dos Reis (1/2/1959-25/2/1963).

Vida Religiosa
A vida de “Quincota”, assim chamado por seus familiares e amigos mais próximos, sempre irradiou alegria, simplicidade, pobreza e amor. Distinguiu-se por seu amor aos pobres, dedicando todas as suas atividades, tanto às suas atividades religiosas, quanto as profissionais, na ajuda a pobreza, tendo herdado essas características de seus pais e de seu amigo médico, o Dr. Abreu. Muitas vezes os ribeirinhos vinham buscar o Sr. Contente na cidade e os levavam em reboques até o paciente que estava impedido de vir à cidade. Junto com ele levava suas poções que salvaram muitas vidas da morte certa.
Como católico fervoroso que era, desde jovem pertenceu a algumas associações ou grupos religiosos, como a Sociedade São Vicente de Paula e à Ordem Terceira de São Francisco.
Foi um dos baluartes na construção da nova Igreja Matriz de Abaeté, sonho antigo de todo abaeteense.
Participou de uma 2ª comissão formada para a construção da dita igreja, nos tempos do Padre Magalhães/Ignácio Ramos de Magalhães e com o aval do Arcebispo do Pará, D. Antonio Lustosa e com o nome de “fabriqueiro”, isto é, o principal responsável pela construção da igreja na década de 1930.
“Em 1932 foi constituída outra Comissão para a construção da Igreja Matriz, presidida por Joaquim Mendes Contente, que recebeu o aval do Arcebispo do Pará, D. Antonio Lustosa para a referida construção”.
“O 2º movimento para a construção da nova igreja acontece a partir das ações do Padre Magalhães e Joaquim Mendes Contente, anos de 1930 a 1940. Uma nova Comissão foi formada com a participação do Padre Inácio Magalhães, que culmina no início efetivo da construção, até o seu término em 1941. Mas foi o farmacêutico Joaquim Mendes Contente que esteve à frente da 2ª comissão, tendo envolvido seus demais companheiros de comissão e toda a população na construção da sonhada igreja”.
De fato, toda a população de Abaeté se envolveu unida nas campanhas de construção da Igreja Matriz, como também tinha acontecido com a comissão anterior liderada pelo Padre Luiz Varella e o comerciante/industrial Francisco de Assunção dos Santos Rosado, nas primeiras campanhas de arrecadação de fundos na década de 1920.
O requerimento pedindo a autorização do Arcebispo do Para, D. Antonio Lustosa foi preparado no dia 7/5/1933 e assinado pelas seguintes pessoas: Pe. Inácio Magalhães, Vigário; Bernardino Mendes da Costa; Raimundo Nonato Viégas; José Ferreira; Joaquim Mendes Contente; José Pinheiro Bahia; Raimundo Pauxis; Humberto Parente; Emiliano de Lima Pontes; Raimundo Nonato Ferreira e Oscar Solano de Albuquerque”.
Ao lado do Padre Cônego Ignácio de Magalhães, o Sr. Contente congregou o povo para a construção da nova Igreja Matriz de Abaeté, cuja 1ª pedra da construção foi lançada em 28/5/1933. Mas em 1935 aconteceu o triste episódio do espancamento do Padre Magalhães e a cidade ficou sem vigário durante alguns anos, por decisão do Bispo do Pará, D. Antonio Lustosa/D. Antonio de Almeida Lustosa.
Uma citação de 1939: “As obras da Igreja Matriz já vão bastante adiantadas, à Praça Dr. Augusto Montenegro, com custos, até então, de mais de 90 contos de réis (90:949$280).
Mesmo sem a presença de um Vigário, as obras da nova matriz continuaram e o Sr. Contente conseguiu que padres de Belém viessem a cada mês, para visitar os trabalhos de construção da igreja. Muitas vezes o Sr. Contente oferecia-lhes hospedagem em sua própria casa. Continuando na direção das obras da nova igreja, ele também mandou construir uma casa para a residência do vigário, em um grande terreno onde hoje existe a Escola São Francisco Xavier.
O Sr. Contente também foi um dos grandes responsáveis pela vinda das então chamadas Irmãs Terceiras Capuchinhas do Brasil (hoje irmãs Missionárias Capuchinhas) para Abaeté, no tempo do Frei José Maria de Manaus, então vigário de Abaeté na década de 1950.
“Algumas senhoras católicas, como Dona Aureliana/Aureliana da Silva Miranda, Dona Celina Guerreiro Contente, Professora Zaíde Cardoso e outras, foram até o Frei José Maria de Manaus para o efeito da vinda das irmãs capuchinhas para Abaeté. Esse frei, em 2/8/1952, convocou uma reunião com as lideranças da igreja, das comunidades e autoridades e o Prefeito Joaquim Mendes Contente, a fim de tratar do assunto da vinda das irmãs capuchinhas para Abaeté. Nessa reunião foram feitos todos os acertos com essa finalidade. Em 1953 foi declarada aberta uma “casa colégio” para as então chamadas Irmãs Terceiras Capuchinhas do Brasil, para um trabalho educativo na cidade, em um casarão que existia onde hoje funciona a Farmácia “Big-Bem”.
Posteriormente, pelos esforços do Sr. Contente, foi doada a essas irmãs, um prédio inacabado, pertencente a Conferência Vicentina, que hoje abriga a escola INSA.
Mendes Contente também participava da Diretoria da Festa de Nossa S. da Conceição: Presidente: Vigário Paroquial Frei Camilo Maia; 1º Secretário: João Luiz dos Reis; 2º secretário: José Ferreira Ribeiro; Tesoureiro e Diretor geral, Joaquim Mendes Contente.
Outras citações sobre Mendes Contente e a Phamácia Indiana
Joaquim Mendes Contente, com terreno à Rua Siqueira Campos, nº 41, medindo 9 x 49m, divisa com Raymundo Lício Baia e do outro lado o requerente, em 1931.
Phamárcia Indiana à Avenida João Pessoa, em 1931.
Mendes Contente foi um dos Homenageados Especiais da Turma de Humanista, ano de 1960, do Ginásio Nossa S. dos Anjos. E foi, também, um dos Homenageados Especiais, das Professorandas de 1960, do Instituto Nossa S. dos Anjos.
Continuação da Genealogia da família Contente
Joaquim Mendes Contente teve filhos com Clarinda Mendes, 4ª G/Bisnetos/Bn: Olinda Vieira Contente e Joaquim Medeiros Contente.
4ª G/Bisnetos/Bn, filhos de Joaquim Mendes Contente e Clarinda Mendes:
4ª G/Bn: Olinda Vieira Contente, nasceu em 28/10/1915, c/c Egydio Miranda Gonçalves em 27/5/1933, ainda na antiga Igreja do Divino Espírito Santo e não tiveram filhos. Olinda em 12/2/1994 estava com 79 anos de idade quando prestou estas informações.
Egydio nasceu no dia 4/2/1908, na cidade de Mocajuba-Pa e veio para Abaetetuba no ano de 1928, a convite de Joaquim Mendes Contente, para trabalhar na Farmácia Indiana, de propriedade de Contente, cuja função era preparar os remédios da farmácia. Nesse período trabalhou também na Pharmácia Indiana o Sr. Guilherme Abreu e uma empregada chamada carinhosamente de Maria Preta.
4ª G/Bn: Joaquim Medeiros Contente, morava em Belém e seus filhos são todos formados.
Continuação da genealogia da Família Contente
3ª G/Netos/N: Joaquim Mendes Contente casou em 19/3/1924 e ficou viúvo de Maria Magdalena de Sousa, filha de Moysés Alvino de Sousa, que era sócio da firma Garibaldi Parente & Cia, junto com Garibaldi Parente e tiveram filhos, 4ª G;Bisnetos/Bn: Mariana, José Joaquim e Vinícius de Sousa Contente.
4ª G/Bisnetos/Bn, filhos de Joaquim Mendes Contente e Maria Magdalena de Sousa:
4ª G/Bn: Mariana, que faleceu com 1 ano de idade.
4ª G/Bn: José Joaquim de Sousa Contente.
4ª G/Bn: Venícius de Sousa Contente, proprietário do antigo Hotel Lapa, sito na atual Avenida Pedro Rodrigues, próximo da Phamarcia Indiana de seu pai.
Genealogia paralela Moisés Alvino de Sousa
1ª G/Pais de Moysés Alvino, que teve filho, 2ª G/F: Moysés Alvino de Sousa.
2ª G/Filhos/F: Moysés Alvino de Sousa, que teve filha, 3ª G/Netos/N: Maria Magdalena de Sousa Contente.
3ª G/Netos/Maria Magdalena de Sousa Contente, que c/c Joaquim Mendes Contente e tiveram filhos, 4ª G/Bisnetos/Bn: Mariana/falecida com 1 ano, José Joaquim e Vinicius Sousa Contente.
Continuação da genealogia da Família Contente
3ª G/Netos/N: Joaquim Mendes Contente casou novamente em 1930 com Celina de Nazaré Neves Guerreiro, filha do Dr. Germano Bentes Guerreiro, este Juiz do distrito de Abaeté e Leopoldina Neves Guerreiro, esta professora do Grupo Escolar Prof. Basílio de Carvalho e tiveram filhos, 4ª G/Bisnetos/Bn: Maria de Belém/Belemita, Terezinha de Jesus, Benedito Germano, Joacéli, Ana Leopoldina/Analéo e Pedro Décio Guerreiro Contente/Pedrinho Contente.
4ª G/Bisnetos/Bn, filhos de Joaquim Mendes Contente e Celina de Nazaré Guerreiro Contente:
4ª G/Bn, Belemita Contente, que aparece nos livros de autores de Abaetetuba como atriz de teatro amador, junto com Pombo da Maroca Lima, Jerusa, Bandute Sena, e outros artistas locais, anos de 1930.
4ª G/Bn: Ana Leopoldina Guerreiro Contente/Analéo, que foi oradora da turma de professorandas e catequistas, ano de 1962, do Instituto Nossa S. dos Anjos.
4ª G/Bn: Terezinha de Jesus Contente Dias, c/c Ailton Ferreira Dias e tiveram 1 filho, 5ª G/Trinetos/Tn.
4ª G/Bn: Pedro Décio Guerreiro Contente/Pedrinho Contente, comerciante do ramo de farmácia, formado em 1965 na 1ª turma de humanista do Ginásio Bernardino Pereira de Barros, c/c Maria do Carmos Araujo Loureiro e tiveram filhos, 5ª G/Trinetos/Tn.
Genealogia paralela de Germano Bentes Guerreiro
1ª G/ Pais de Germano, que teve filho, 2ª G/Filhos/F.
2ª G/Filhos/F: Germano Bentes Guerreiro, que era Juiz substituto do distrito de Abaeté em 1927.
Algumas citações sobre o Juiz Germano Bentes Guerreiro
O Juiz Germano Bentes Guereiro, tendo como testemunhas Eugênio Tavares Ferreira, Francisco Freire de Andrade e Carmelita Parente de Andrade realizou o casamento de Ademar Lobato Rocha e Risoleta Lima de Araujo, casamento realizado na residência do Sr. João Cunha de Oliveira.
Eis alguns consórcios do Vera Cruz em 1920: Raimundo Pinheiro Garcia, José Joaquim Nunes, Tupy Jorge, Anísio Rodrigues, Joaquim Loureiro Silva, Plínio Andrade, José Ferreira, João Paranhos, Raymundo B. de Araujo Pereira, Maximiano Rodrigues, Pedro Ribeiro de Araujo, Germano Bentes Guerreiro (Juiz Substituto de Abaeté).
Germano Bentes Guerreiro, c/c Leopoldina Neves Guerreiro e tiveram filha, 3ª G/Netos: Celina de Nazaré Neves Guerreiro.
3ª G/Netos/N, filha de Germano Bentes Guerreiro e Leopoldina Neves Guerreiro:
3ª G/N: Celina de Nazaré Guerreiro, que em 1927 organizou o Mês de Maria junto com Laura dos Santos Ribeiro, Celina H. de Moraes e Antonia Ribeiro.
C/c Joaquim Mendes Contente e tiveram filhos, 4ª G/Bisnetos/Bn: Maria de Belém/Belemita, Terezinha de Jesus, Benedito Germano, Joacéli, Ana Leopoldina/Analéo e Pedro Décio Guerreiro Contente/Pedrinho Contente.
4ª G/Bisnetos/Bn, filhos de Celina de Nazaré Guerreiro Contente e Joaquim Mendes Contente:
4ª G/Bn: Terezinha de Jesus Contente Dias, c/c Airton Dias e tiveram 1 filho, 5ª G/Trinetos/Tn.
4ª G/Bn: Maria de Belém Guerreiro Contente/Belemita Contente, segundo Lauro Cardoso da Silva em seu livro de memórias, era atriz de teatro amador, junto com Pombo da Maroca Lima, Jerusa, Bandute Sena, e outros artistas locais, anos de 1930.
4ª G/Pedro Décio Guerreiro Contente, comerciante do ramo de farmácia, formado na 1ª turma de humanista do Ginásio Prof. Bernardino Pereira de Barros, c/c Maria do Carmo Araujo Loureiro e tiveram filhos, 5ª G/Trinetos/Tn.
2ª G/Filhos/F: José Mendes Contente, falecido em 17/12/1896, c/c Anna Rodrigues Contente, que não mediu esforços, amor e dedicação na educação de seus filhos após o falecimento de seu marido. José e Anna tiveram filhos, 3ª G/Netos/N: Joaquim, Raimunda, José, João e Maria Mendes Contente.
Continuação da genealogia da família Contente
Irmãos de Joaquim Mendes Contente
3ª G/Netos/N, filhos de José Mendes Contente e Anna Rodrigues Contente:
3ª G/N: Raimunda Mendes Contente
3ª G/N: José Mendes Contente (o filho)
3ª G/N: João Mendes Contente, citado em 1920 como dono da Farmácia Marabá, na cidade de Marabá, onde trabalhou seu irmão Joaquim Mendes Contente em 1920.
3ª G/N: Maria Mendes Contente/D. Cotinha, que foi uma das primeiras e dedicadas catequistas de Abaeté.
Outros Mendes Contente
Padre Clementino José Mendes Contente, citado em 18/6/1895, presente nas homenagens ao seu parente Cônego Manoel José de Siqueira Mendes, este líder político paraense chefe do Partido Conservador, nascido em Cametá/Pa 6/9/1825 e falecido em 6/3/1892, deputado por vários mandatos, vice-presidente e presidente de Assembléia Legislativa, senador, filho do major Francisco José de Siqueira Mendes e de dona Maria do Carmo Brito Mendes.
Outras Famílias Contente em pesquisa
. Antonio de Barros Contente, casado e com filhos: Pedro Rodrigues Contente e outros?
. José Rodrigues Contente, nascido em 1905 na Ilha de Jararaca, em frente ao municipio de Barcarena/PA, pertencente ao município de Muaná/PA, que herdou o nome Contente se seu padrinho que pode ser da linhagem dos Contente do Baixo Tocantins ou  de Abaetetuba citados acima no final do Século 19 ou início do Século 20, e José com filhos: Raimundo de Barros Contente, Antonio de Barros Contente e outros?
. Pedro Rodrigues Contente, filho de Antonio de Barros Contente, e pedro nasceu em Belém/PA e atualmente mora em Manaus, que herdou o sobrenome Contente de seus avô José Rodrigues Contente.
Prof. Ademir Rocha, de Abaetetuba/Pa, em 21/9/2010.

segunda-feira, 20 de setembro de 2010

Colegio São Francisco Xavier - Escolas de Abaetetuba










ESCOLAS DE ABAETETUBA

AUTO DA BARCA AMAZÔNICA

O Auto da Barca Amazônica é uma iniciativa em ensino de artes para alunos de escolas públicas. O espetáculo foi criado em 2007 pelos professores Jaqueline Souza , artista plástica e cênica e Paulo Anete, artista plástico e carnavalesco.A iniciativa tem por objetivos trabalhar a linguagem cênica (teatro, dança circo e cenografia) que resulta na produção de um grande cortejo que sai pelas ruas da cidade de Abaetetuba.

Já temos 3 edições e estamos preparando a edição 2010. Fiquem à vontade e divulguem nosso trabalho.

Palavras chave:

educação; arte; cortejo;carnaval;circo;teatro;dança

Excelente notícia, o ABA foi um dos classificados para a segunda fase do XI Prêmio Arte na Escola Cidadã (PAEC) realizado pelo Instituto Arte na Escola e pelo SESI,visando reconhecer e revelar projetos desenvolvidos por profissionais de ensino na área de Arte.

Este prêmio é destinado aos professores ou equipes de professores que desenvolveram projetos nos anos de 2008 e/ou 2009 nas respectivas escolas de ensino regular, públicas ou particulares, em todo o território nacional e em qualquer uma das quatro linguagens artísticas (Artes Visuais,Dança, Música, Teatro).

Temos concorrentes de todo o Brasil, mas lutaremos para que sejamos classificados e representaremos com muita honra o estado do Pará, a região do Baixo Tocantins, Abaetetuba, a terra que nos acolheu.

POSTADO POR JAQUELINE SOUZA ÀS 09:59
Reações:

Esta é uma iniciativa solitária de dois arte educadores que acreditam na transformação do mundo pela arte e que essa transformação se dá no processo diário, trabalho de formiga mesmo.
Esperamos que nosso blog sirva para que mais iniciativas como essa possam surgir ou mesmo ampliar a nossa idéia através de novas parcerias.

O espetáculo nosso de cada dia deve continuar para que não acabe o que nos mantém vivos.

Bom espetáculo!!!

Jaqueline Souza e Paulo Anete

COLÉGIO SÃO FRANCISCO XAVIER
Escolas domingo, 19 de setembro de 2010

Feliz em saber que Jaqueline Souza, que faz parte de minha ilustre lista de seguidores, foi premiada, juntamente com sua equipe, em um evento nacional sobre arte nas escolas.

Pra quem quiser saber mais, repasso o e-mail que ela me enviou.
Muito massa. Parabéns Jaque!!!

Uma iniciativa em ensino de artes para alunos de escolas públicas foi premiada pelo Instituto Arte na Escola como um dos cinco melhores projetos de educação em artes do Brasil.

O Auto da Barca Amazônica é um espetáculo criado em 2007 pelos professores Jaqueline Souza, artista plástica e cênica e Paulo Anete, artista plástico e carnavalesco.

A primeira edição do Auto da Barca Amazônica aconteceu em 26 de outubro de 2007 com alunos de ensino médio do colégio São Francisco Xavier, localizado na cidade de Abaetetuba região do Baixo Tocantins, Pará. O objetivo principal do projeto é envolver os alunos em atividades ligadas as artes do espetáculo: teatro, dança, circo, cenografia e também trazer a tona os velhos costumes de contar estórias, a valorização da cultura local e dos saberes da comunidade.

Todo esse processo resulta na produção de um grande cortejo cênico que sai pelas ruas da cidade de Abaetetuba.

Já temos três edições do projeto e neste ano de 2010 estamos nos preparando para produzir um documentário que será exibido na cerimônia de premiação que acontecerá no dia 26 de outubro em São Paulo.

Esta premiação é realizada pelo Instituto Arte na Escola, pelo SESI e Fundação IOCHIPE visando reconhecer e revelar projetos desenvolvidos por profissionais de ensino na área de Arte.Este prêmio é destinado aos professores ou equipes de professores que desenvolveram projetos nos anos de 2008 e/ou 2009 nas respectivas escolas de ensino regular, públicas ou particulares, em todo o território nacional e em qualquer uma das quatro linguagens artísticas (Artes Visuais,Dança,Música,Teatro).

É a primeira vez em onze edições do concurso que o prêmio sai para um projeto de escola pública da região norte e foi justamente no interior do estado do Pará, na cidade de Abaetetuba de onde saem as mais diversas notícias de violência,tráfico de drogas.

Nós da equipe do ABA só temos a agradecer e compartilhar esse prêmio com todos aqueles que acreditaram no nosso trabalho e no sonho de desenvolver a transformação da sociedade através da arte.

Jaqueline Souza

Veja os vencedores do XI PAEC:
http://www.artenaescola.org.br/premio/resultado.php
Conheça nosso blog
http://www.autodabarcamazonica.blogspot.com/

Postado por Tony Leão às 07:55

Reações:
1 comentários:

Jaqueline Souza disse...
Obrigada Tony, mais feliz eu fiquei em ter recebido o prêmio rssrsrsr.
Espero que um dia vc possa nos conhecer e quem sabe vir somar conosco.
Abraços.
19 de setembro de 2010 18:38

domingo, 19 de setembro de 2010
mim comigo mesmo gostaria de falar. Mas todos serão bem
Reproduzido pelo Blog do Prof. Ademir Rocha, em 20/9/2010. Parabens!!!

domingo, 19 de setembro de 2010

OS ÍNDIOS NO PARÁ 1



OS ÍNDIOS NO PARÁ E NO BAIXO TOCANTINS
” A trajetória dos povos livres e nas cidades são exemplos de resistência e de disposição na construção de Outros 500. Mais do que uma prova viva do fracasso do projeto colonizador, eles mostram que é possível e é imprescindível lutar para a evolução de uma sociedade que respeite, celebre e compartilhe as diferenças.” Cimi
Antiga População Indígena
Historiadores afirmam que antes da chegada dos europeus à América havia aproximadamente 100 milhões de índios no continente. Só em território brasileiro, esse número chegava 5 milhões de nativos, aproximadamente. Estes índios brasileiros estavam divididos em tribos, de acordo com o tronco lingüístico ao qual pertenciam: tupi-guaranis (região do litoral), macro-jê ou tapuias (região do Planalto Central), aruaques (Amazônia) e caraíbas (Amazônia). Atualmente, calcula-se que apenas 400 mil índios ocupam o território brasileiro, principalmente em reservas indígenas demarcadas e protegidas pelo governo.
Etnias e Línguas
São cerca de 200 etnias indígenas e 170 línguas. Porém, muitas delas não vivem mais como antes da chegada dos portugueses. O contato com o homem branco fez com que muitas tribos perdessem sua identidade cultural.
A sociedade indígena na época da chegada dos portugueses.
O primeiro contato entre índios e portugueses em 1500 foi de muita estranheza para ambas as partes. As duas culturas eram muito diferentes e pertenciam a mundos completamente distintos. Sabemos muito sobre os índios que viviam naquela época, graças a Carta de Pero Vaz de Caminha (escrivão da expedição de Pedro Álvares Cabral ) e também aos documentos deixados pelos padres jesuítas.

Os indígenas que habitavam o Brasil em 1500 viviam da caça, da pesca e da agricultura de milho, amendoim, feijão, abóbora, bata-doce e principalmente mandioca. Esta agricultura era praticada de forma bem rudimentar, pois utilizavam a técnica da coivara (derrubada de mata e queimada para limpar o solo para o plantio). Os índios domesticavam animais de pequeno porte como, por exemplo, porco do mato e capivara. Não conheciam o cavalo, o boi e a galinha. Na Carta de Caminha é relatado que os índios se espantaram ao entrar em contato pela primeira vez com uma galinha. As tribos indígenas possuíam uma relação baseada em regras sociais, políticas e religiosas.

O contato entre as tribos acontecia em momentos de guerras, casamentos, cerimônias de enterro e também no momento de estabelecer alianças contra um inimigo comum.

Trabalhos, Atividades, Objetos, Utensílios e Artefatos Indígenas
Os índios faziam objetos utilizando as matérias-primas da natureza. Vale lembrar que índio respeita muito o meio ambiente, retirando dele somente o necessário para a sua sobrevivência. Desta madeira, construíam canoas, arcos e flechas e suas habitações (oca).
A palha era utilizada para fazer cestos, esteiras, redes e outros objetos. A cerâmica também era muito utilizada para fazer potes, panelas e utensílios domésticos em geral. Penas e peles de animais serviam para fazer roupas ou enfeites para as cerimônias das tribos. O urucum era muito usado para fazer pinturas no corpo.
A organização social dos índios
Entre os indígenas não há classes sociais como a do homem branco. Todos têm os mesmo direitos e recebem o mesmo tratamento. A terra, por exemplo, pertence a todos e quando um índio caça, costuma dividir com os habitantes de sua tribo. Apenas os instrumentos de trabalho (machado, arcos, flechas, arpões) são de propriedade individual. O trabalho na tribo é realizado por todos, porém possui uma divisão por sexo e idade. As mulheres são responsáveis pela comida, crianças, colheita e plantio. Já os homens da tribo ficam encarregados do trabalho mais pesado: caça, pesca, guerra e derrubada das árvores.
Pajés e Caciques
Duas figuras importantes na organização das tribos são o pajé e o cacique. O pajé é o sacerdote da tribo, pois conhece todos os rituais e recebe as mensagens dos deuses. Ele também é o curandeiro, pois conhece todos os chás e ervas para curar doenças. Ele que faz o ritual da pajelança, onde evoca os deuses da floresta e dos ancestrais para ajudar na cura. O cacique, também importante na vida tribal, faz o papel de chefe, pois organiza e orienta os índios.
A educação indígena é bem interessante.
Os pequenos índios, conhecidos como curumins, aprender desde pequenos e de forma prática. Costumam observar o que os adultos fazem e vão treinando desde cedo. Quando o pai vai caçar, costuma levar o indiozinho junto para que este aprender. Portanto a educação indígena é bem pratica e vinculada a realidade da vida da tribo indígena. Quando atinge os 13 os 14 anos, o jovem passa por um teste e uma cerimônia para ingressar na vida adulta.
Os contatos entre indígenas e portugueses
Como dissemos, os primeiros contatos foram de estranheza e de certa admiração e respeito. Caminha relata a troca de sinais, presentes e informações. Quando os portugueses começam a explorar o pau-brasil das matas, começam a escravizar muitos indígenas ou a utilizar o escambo. Davam espelhos, apitos, colares e chocalhos para os indígenas em troca de seu trabalho. O canto que se segue foi muito prejudicial aos povos indígenas. Interessados nas terras, os portugueses usaram a violência contra os índios. Para tomar as terras, chegavam a matar os nativos ou até mesmo transmitir doenças a eles para dizimar tribos e tomar as terras. Esse comportamento violento seguiu-se por séculos, resultando no pequenos número de índios que temos hoje. A visão que o europeu tinha a respeito dos índios era eurocêntrica. Os portugueses achavam-se superiores aos indígenas e, portanto, deveriam dominá-los e colocá-los ao seu serviço. A cultura indígena era considera pelo europeu como sendo inferior e grosseira. Dentro desta visão, acreditavam que sua função era convertê-los ao cristianismo e fazer os índios seguirem a cultura européia. Foi assim, que aos poucos, os índios foram perdendo sua cultura e também sua identidade.
De: Pedacinhos da Amazônia    

AUSÊNCIA DE PROVAS MATERIAIS DA EXISTÊNCIA DE GRUPOS INDÍGENAS NO BAIXO TOCANTINS
Sempre quisermos falar positivamente dos primitivos povos que habitaram o Pará antes da chegada dos invasores brancos, especialmente os portugueses e franceses, porém nos faltavam provas materiais da existência desses povos em nossas costas e matas do Baixo Tocantins. Falar dos indígenas do antigo Grão-Pará era uma inquietação que nos movia a resgatar um pouco da história desses povos dos quais somos descendentes e que nos legaram grande parte de nossa cultura e mostrar também que o gentio paraense tinha o seu lado guerreiro, altivez e orgulho de suas tradições e das terras onde habitavam.
Sabemos que grande parte da cultura do Pará veio da influência indígena nos costumes e tradições, que até os dias atuais permeia o dia a dia dos paraenses, como a influência na culinária, no linguajar do povo, na música, danças, folclore, lendas e mitos e nas denominações dos rios, furos, igarapés, baías e denominações da flora e da fauna da região, onde o tupi antigo ainda se faz fortemente presente nesses aspectos culturais. E os livros históricos que falam da região estão repletos de dados que comprovam que a região era habitada por muitos povos indígenas, porém não procuram enfatizar a rica cultura indígena, exceto o Museu Paraense Emídio Goeldi em suas pesquisas históricas e arqueológicas desses primitivos povos da Amazônia.
Outra prova de que grande parte da população genuinamente paraense descende dos primitivos povos que habitaram as costas e matas do antigo Grão-Pará é o aspecto físico, com traços fortemente influenciados pela descendência indígena, miscigenada com a descendência negra e branca, que também povoaram o antigo Grão-Pará de nossa história.

Arqueólogos comprovam a existência de Tribos Indígenas em Abaetetuba e Região
Sabia-se também que em terras de Abaetetuba e municípios vizinhos existiram muitas tribos indígenas, porém não existiam PROVAS MATERIAIS da existência dessas culturas nas costas e matas dos municípios da micro-região e também não existem museus locais que comprovem a existência dessas culturas primitivas nos municípios de Moju, Abaeté, Igarapé-Miri, Barcarena e Cametá, diferentemente do que acontece com os primitivos habitantes da Ilha do Marajó e da Região do Tapajós, com provas materiais fartas, preservadas em museus de Belém e na própria Ilha do Marajó, especialmente a antiga cerâmica marajoara e tapajônica.
E falar dos povos indígenas do Pará implica em falar dos conquistadores portugueses, dos padres missionários e dos escravos negros que também fizeram parte da história de colonização do Grão-Pará.

O MUSEU PARAENSE EMÍLIO GOELDI ENCONTRA SÍTIOS ARQUEOLÓGICOS NA MICRORREGIÃO DO BAIXO TOCANTINS:
Agora foram encontrados, mesmo que timidamente, provas materiais da presença de povos primitivos em SÍTIOS ARQUEOLÓGICOS em Moju, Barcarena e Abaetetuba. Vide figuras acima, clique e aumente as imagens.
Essas descobertas foram frutos de parceria entre o Museu Paraense Emílio Goeldi e a empresa Vale, em estudos de impactos ambientais para a exploração das riquezas minerais na região. Os sítios arqueológicos, já bastante deteriorados pela longa presença humana e exploração agrícola centenária, foram encontrados em 2003, nas comunidades São Bernardino, em Moju, Colônia Nova, em Abaetetuba e na própria fábrica da Alunorte, em Barcarena. Foram feitas análises sobre a origem de muitos fragmentos de peças em cerâmica, louças, rochas e outros vestígios arqueológicos e foi cientificamente comprovado que essas peças vieram da presença de povos primitivos na região.
Agora, livres das dúvidas da existência de provas materiais da presença dos antigos povos indígenas na região, podemos fazer uma postagem que fale da história desses nossos primitivos, gloriosos e altivos guerreiros, nossos ascendentes, cujo sangue corre em nossas veias misturado ao sangue dos igualmente valorosos povos negros vindos da África e dos valentes e cruéis conquistadores brancos, lusitanos, colonizadores do Grão-Pará. Muitos dados destas pesquisas foram extraídos de autores paraenses e não paraenses que tratam do assunto, especialmente Ernesto Cruz, Manoel Barata e Artur Viana.

A HISTÓRIA GLORIOSA DOS ÍNDIOS NA COLONIZAÇÃO DO PARÁ
Foi durante o período da União Ibérica (1580-1640) que foi fundada a cidade de Belém, por Francisco Caldeira Castelo Branco.
Taba Parauassu dos Índios Tupinambás em Belém e o Início da Exterminação Indígena
Após a expulsão dos franceses do Maranhão, o comandante português Alexandre de Moura determinara que fosse realizada uma expedição militar para ocupar as terras do rio Amazonas, em expedição composta por 200 homens e chefiados por Francisco Caldeira Castelo Branco, que visava dar combate aos ingleses e holandeses fixados na região. Iniciada a viagem em 25/12/1615, Castelo Branco e seus companheiros adentraram a Baía de Guajará e em suas margens construíram um forte de madeira a quem denominaram de Forte do Presépio, construído justamente sobre uma TABA INDÍGENA, a Taba de Parauassu, dando início ao extermínio dos antigos ÍNDIOS TUPINAMBÁS habitantes das costas e matas do Rio Amazonas e outros grupos indígenas.
A cidade de Nossa Senhora de Belém do Grão-Pará foi fundada a 12/1/1616 e os portugueses continuaram as práticas de abusos contra os nativos locais, tentando a escravização dos mesmos. Esses fatos deram início ao estado de guerra declarado entre muitas tribos indígenas, que não aceitavam os maus tratos e a dominação dos invasores portugueses, contra Castelo Branco e outros governantes que o sucederam e isso levou a insurreições que muitos falam de ”CONJURAÇÃO DOS TUPINAMBÁS CONTRA OS PORTUGUESES”, porém com nítidas desvantagens dos guerreiros indígenas contra as poderosas armas portuguesas.
Também em 1616 se inicia a carreira gloriosa do alferes Pedro Teixeira como guerreiro e conquistador do rio Amazonas e na expulsão dos invasores franceses, holandeses e ingleses das costas do Pará e Maranhão, contando com a ajuda decisiva dos GUERREIROS TUPINAMBÁS dessas regiões.
Pedro Teixeira iniciou sua jornada levando só dois soldados e 30 guerreiros, provavelmente índios cativos, que também o guiavam nas guerras de conquistas, através dos inúmeros e perigosos rios da Amazônia. Nessa sua 1ª viagem ao Maranhão fora buscar armas e soldados para dar combate aos invasores. Trouxe somente 30 arcabuzeiros e muitos outros GUERREIROS tupinambás e uma grande partida de artigos para as trocas entre os colonos lusitanos e os índios arredios e hostis, espalhados em centenas de tribos pelas costas e matas paraenses.
Os índios eram guerreiros especialistas na arte de navegar pelos inúmeros e perigosos rios da Amazônia e eram eles que faziam os contatos com as tribos indígenas hostis a quem davam presentes em nome dos forasteiros e recebiam em troca milho, batatas, peixes e carnes de tartarugas, peixes-bois e outros alimentos. Porém esses guerreiros das expedições de Pedro Teixeira já estavam subjugados ao domínio português e que eram obrigados a prestar serviços ao Reino e sem nenhuma consideração e apreço por seus serviços de guerreiros, remeiros, guias das armadas e como exímios caçadores e pescadores e nas salgas desses mantimentos, para garantir a sobrevivência das tripulações dos barcos de guerra. Pelo contrário, eram considerados simples súditos da Coroa e eram forçados a essas viagens e nada recebiam como pagamento e ainda eram severamente castigados nas falhas e erros e praticamente eram mantidos como escravos pelas forças das armas lusitanas.
A Expedição de Pedro Teixeira com Índios Tupinambás
A primeira missão de guerra de Pedro Teixeira foi a caça aos holandeses e sua expulsão do Grão-Pará e Maranhão. Ele primeiramente recolhe informações junto aos NATIVOS do lugar e com a ajuda destes, parte à vela e a remos e com duas grandes canoas de guerra, uma comandada por ele e outra comandada por Gaspar de Freitas Macedo, guarnecidos por 20 soldados e MUITOS índios guerreiros tupinambás, flecheiros e remeiros e em velocidade de navegação que só os BRAÇOS SELVAGENS obtinham e que fizeram Pedro Teixeira abordar a grande nau holandesa com uma chuva de balas e flechadas certeiras. Caem mortos e feridos nesse embate holandeses, portugueses e selvagens paraenses e a luta prossegue corpo a corpo, com uso de mosquetes, arcabuzes, espadas, BORDUNAS E FLECHAS, em luta encarniçada e desfavorável à Pedro Teixeira e ele bate em retirada para as canoas desatracadas da nau holandesa e lança mão das FLECHAS INCENDIÁRIAS que os tupinambás fazem cair numa chuva de fogo por todos os recantos do navio holandês, conseguindo, desse modo, ganhar aquela batalha, graças à ajuda dos GUERREIROS indígenas. Ele ainda consegue recolher grande quantidade de armas que lhes seriam muito úteis nas próximas jornadas de guerra.
O GROSSO das tropas de Pedro Teixeira eram sempre os guerreiros selvagens, que também sempre eram os primeiros a invadirem as naus estrangeiras, iniciando ali a matança, que lembrava suas ferozes lutas de tabas contra tabas, quando ainda viviam em suas terras nos sertões do Grão-Pará.
Até mesmo a cura dos ferimentos era feito pelos PAJÉS INDÍGENAS, com ervas e óleos da terra, pois as expedições geralmente não possuíam cirurgiões.

Guerreiros Tupinambás na Expedição de Pedro Teixeira e Outras Expedições
Na sua gloriosa subida do grande rio Amazonas, que se inicia a 28/10/1637, a mando de Jacome Raimundo de Noronha, governador interino do Maranhão, partiu Pedro Teixeira do Porto de Cametá, com uma escolta de 60 soldados lusitanos e cerca de 1.200 GUERREIROS indígenas e outros indígenas em serviços diversos, alguns religiosos, cujo número total chegou a 2.500 almas, viajando em uma armada de 47 canoas e seus índios remeiros e naus portuguesas, que chegou até Quito no Peru, de onde regressou coberto de louros, tendo aportado em Belém em 12/12/1639. Novamente os GUERREIROS indígenas desempenham grande papel nessa viagem de conquistas e demarcações de terras. Porém a missão de Pedro Teixeira não foi muito pacífica entre os indígenas já inquietos pela demora da viagem e forçados a viajar e onde aconteciam deserções diárias.

A Expedição de Luis Aranha de Vasconcelos e Bento Maciel Parente com Índios Tupinambás
Em 1623, sob o comando de Luís Aranha de Vasconcelos e Bento Maciel Parente, uma expedição militar formada por soldados vindos de Lisboa, Pernambuco, Rio Grande do Norte, Maranhão e Pará, além de MIL ÍNDIOS flecheiros guiados pelo frei Cristóvão de São José, guerrearam contra as fortificações inglesas e holandesas existentes ao longo do rio Amazonas.
Bento Maciel Parente, em 1625, torna-se Capitão-mór do Pará e o temível exterminador e apresador de índios.
Índios Tupinambás na Expedição de Pedro Baião de Abreu
Em 1632 o capitão Pedro Baião de Abreu com 20 soldados e 50 GUERREIROS índios tomou o forte inglês de Cumaú.
Desta forma, foram primeiramente os franceses e posteriormente os holandeses e ingleses expulso do vale amazônico pelos lusitanos e contando com a DECISIVA ajuda dos GUERREIROS índios.

Os Maus Tratos dos Conquistadores Portugueses contra os Indígenas do Grão-Pará
No contato com os conquistadores portugueses os indígenas, além dos maus tratos destes, também eram presas fáceis das suas doenças que vitimaram outros milhares de nativos.
A Coroa Portuguesa não reconhecia os serviços dos GUERREIROS tupinambás do Maranhão e Grão-Pará nessas lutas de desbravamento e nem os livros de história enaltecem esses guerreiros e sim as conquistas lusitanas e seus bravos comandantes como Pedro Teixeira, Bento Maciel Parente e outros lusitanos conquistadores e exterminadores de indígenas. E as carnificinas das tribos indígenas continuavam no Grão-Pará, como política de colonização, pois os indígenas hostis eram considerados obstáculos a esse processo.
A história da fundação do Grão-Pará foi escrita com o sangue derramado de muitos GUERREIROS INDÍGENAS do Pará em lutas junto com os colonizadores portugueses ou contra estes, por parte de tribos que não se submetiam ao domínio lusitano.
Anos depois das lutas e carnificinas dos índios guerreiros do Pará, já na fase da República Brasileira, no início do século 20, é que a bravura desses povos é timidamente reconhecida e mereceu dos edis paraenses algumas justas e significativas homenagens, como mereceram também muitos de seus algozes e outros vultos e fatos da história do Pará, com nomes de várias ruas do bairro de Batista Campos das seguintes tribos indígenas:
. Pariquis
. Caripunas
. Timbiras
. Tamoios
. Mundurucus
. Jurunas
. Apinagés
. Tupinambás
GUERRA DOS TUPINAMBÁS CONTRA OS PORTUGUESES
A arrogância de Castelo Branco se refletia na sua tropa e em seus parentes e pelas muitas atrocidades cometidas em seu governo contra os nativos do Pará e, por ordens reais, acabou por ser preso a um grilhão bem pesado, deposto de seu cargo de Capitão-mór do Grão-Pará e assim foi levado de volta a Portugal em 1618.
Até mesmo os invasores holandeses e franceses tratavam os selvagens com franca cordialidade, sabendo que estes poderiam lhes ser muito úteis em suas conquistas em terras paraenses.
Castelo Branco foi grande guerreiro e conquistador, porém foi a partir dele em 1616 que se iniciam as atrocidades e extermínios dos índios do Grão-Pará e a partir daí sempre foi visto com desconfiança pelos aborígenes. E olhe que os tupinambás foram seus GRANDES auxiliares na construção da cidade de Belém, desde a instalação do Forte do Presépio e muitas outras fortificações espalhadas pelo Grão-Pará, que constituíram as bases de defesa do domínio lusitano e que ajudaram na fixação dos marcos geográficos das conquistas de Pedro Teixeira. A PODEROSA ajuda dos nativos foi ainda decisiva no desbravamento e avanço para os arredores da cidade de Belém, construção de seus primeiros prédios governamentais e residenciais, das primeiras ruelas da Cidade Velha e da Campina e das primeiras igrejas de Santa Maria do Grão-Pará e nos trabalhos forçados nas casas dos poderosos de Belém.

Algumas Etnias, Nações, Tribos, Aldeias, Missões e Povos Indígenas do Pará
. Índios Tucujus, da foz do Rio Amazonas
. Indios Nheengagaibas, do Marajó
. Índios Aruãs, do Marajó
. Índios Tupinambás, do Marajó e arredores de Belém
. Índios Pacajás, dos arredores de Belém
. Índios Caetés, da Região Bragantina

Mas as atrocidades dos portugueses contra os povos indígenas foram tantas, que os tupinambás achavam que tinham contas a ajustar contra os patrícios de Castelo Branco, que tinha sido levado preso para Portugal. Esse clima de guerra declarada por parte de tribos hostis se espalhava por toda a Capitania, como entre os tacujús da foz do rio Amazonas, os nhengaíbas e aruãs, do arquipélago de Marajó, os tupinambás e pacajás, de Belém, os caetés, da região de Bragança e outras tribos indígenas da região.
Assim, em 7/1/1619, fizeram os tupinambás o cerco por mar e terra ao Forte do Presépio, chefiados pelo lendário e bravo tucháua Guaimiaba, chamado pelos portugueses de Cabelo de Velha. Porém a desvantagem dos selvagens era nítida, entre tiros de mosquetes, arcabuzes e peças de artilharia dos portugueses contra as frágeis e impotentes flexas de taquara dos tupinambás, fato que não diminui o furor guerreiros dos selvagens atacantes. O chefe tucháua Guaimiaba foi morto em combate e como era costume entre os indígenas, morto o chefe, dava-se por terminado o combate. E assim aconteceu. Retiraram-se os tupinambás rapidamente do assalto, levando os mortos e feridos para as suas aldeias.
A matança dos índios do Pará foi política que consolidou o domínio lusitano pelo TERROR contra os selvagens na colonização do Grão-Pará. Os padres missionários capuchos que vieram junto com os conquistadores portugueses ficaram horrorizados com essa política de hostilidades e extermínios dos gentios e eles se mudam do Forte do Presépio para lugar afastado, no igarapé do Una, onde instalam uma base de catequese para os povos indígenas dos arredores de Belém.
E o que os governantes e colonos lusitanos queriam era só o trabalho escravo que os selvagens podiam lhes oferecer, nas suas roças, construções, casas, pescas, navegações e nos combates sangrentos, como visto acima, aos estrangeiros invasores e às tribos indígenas hostis.

. Índios Caetés da Região Bragantina
. Índios Nheengaibas, do Marajó
. Índios Aruãs, do Marajó
. Índios Tembés, de Vizeu
. Índios Mortinguras, de Conde
. Índios de Iguapé

Muitos grupos de índios Tupinambás do Grão-Pará foram cruelmente castigados e dizimados, a partir do 1º Capitão-mór do Grão-Pará, Francisco Caldeira Castelo Branco, onde foram destruídas várias tabas indígenas em Belém e seus arredores, como também as aldeias dos índios Caetés, em Bragança, Nheengaíbas e Aruãs, do Marajó, Tembés, de Vizeu, Mortinguras, em Conde e na localidade de Iguapé, que sofreram iguais chacinas como as de Belém e das aldeias indígenas ao longo do rio Amazonas. E Francisco Caldeira Castelo Branco continuava a mandar tropas para atacar as aldeias indígenas dos tupinambás insurretos do Pará, para matá-los ou torná-los ESCRAVOS dos seus protegidos e gananciosos colonos portugueses.
Os combates são desiguais, pois enquanto as forças portuguesas usavam grandes barcos armados com artilharia e canoas de guerra, os tupinambás combatiam com poucas canoas tipos igarités, em heróicos, porém desiguais combates. Berredo, o cronista português, dizia que eram poucos os selvagens que conseguiam se salvar desses massacres contra as populações nativas da região que prosseguiam em 1617.
Em 1636 as tropas portuguesas avançavam rio acima, expulsando os estrangeiros invasores e escravizando índios e na caça às riquezas naturais do vale amazônico, especialmente as drogas do sertão, abundantes na região.
Há uma contradição no comportamento dos gentios, pois ora se mostram tribos indômitas, guerreiras e em outros momentos se tornam dóceis aos conquistadores, oferecendo-lhes alimentos coletados nos rios e matas. Essa variação de comportamento se explica pela ação dos padres capuchos na evangelização dos selvagens, que a partir daí passam a servir às tropas portuguesas, incorporados às expedições de guerras dos lusitanos.

A CHEGADA DOS MISSIONÁRIOS CAPUCHOS E JESUÍTAS E A COLONIZAÇÃO DO GRÃO-PARÁ

. Índios Caripunas, do Tocantins
. Índios Aruãs, do Marajó
. Índios Tucujus, da Foz do Rio Amazonas
. Índios da Tribo Canhão
Missão dos Amaquizes
Em 22/7/1617 chegaram à Belém, vindos do Maranhão, os religiosos capuchos da Província de Santo Antonio, Frei Cristovam de São José, Frei Sebastião do Rosário, Frei Felipe de São Boaventura, sob a direção de Frei Antonio de Marciana e os mesmos presenciaram no Forte do Presépio o clima de hostilidade contra os indígenas, clima francamente contrário aos seus objetivos de catequese.
Se os indígenas fugiam do convívio com os brancos, pelo terror que lhe infundiam as armas e as desmedidas ambições dos colonos portugueses, que estavam sob a tutela de Castelo Branco, aproximavam-se confiantes dos padres capuchos, especialmente do Frei Cristovam de São José, que foi o primeiro a lançar-se nas selvas paraenses, em 1620, em busca de almas selvagens para a civilização cristã.
Foi a catequese desse frei junto a tribo dos índios Camutás, em um sítio denominado Cametá-tapera, que lançou os fundamentos da futura Vila Viçosa de Santa Cruz de Camutá (elevada à vila em 1635), onde havia de ser ereta a Capitania de Feliciano Coelho de Carvalho. Com a ajuda dos gentios catequizados o Frei Cristovam de São José abriu caminho em direção a outras tribos das florestas do Baixo Tocantins.
O trabalho de catequese dos padres Capuchos tornou-se notável no Grão-Pará, que foi o primeiro trabalho na evangelização dos nativos da região e na entrada através do sertão, onde encontraram e doutrinaram índios das NAÇÕES Caripunas, Aruãs, Tucujús e Canhoão, aldeando-os na missão dos Amaquizes.

Igualmente notável foi o trabalho de outros religiosos, entre os quais os Jesuítas
Índios Aruãs, do Marajó
O primeiro jesuíta a desembarcar na cidade de Belém foi o padre Luís Figueira, no ano de 1636, acompanhando o Governador Francisco Coelho de Carvalho. Esse padre subiu o rio Amazonas e começou a evangelização das TRIBOS do rio Xingu.
Para prosseguir na sua jornada junto às tribos do Pará, o Padre Figueira retorna à Europa a fim de trazer mais religiosos para a obra de catequese dos gentios. Em 1645, viajando com o Governador Pedro de Albuquerque, estava de volta ao Amazonas com mais 14 missionários, porém a fatalidade não permitiu a realização de seu sonho. Naufragou esse padre às proximidades da Baía do Sol e conseguiu chegar à Ilha do Marajó, onde foi trucidado junto com nove de seus companheiros pelos ferozes índios Aruãs daquela localidade, fato que refletia o ódio que os índios nutriam pelos conquistadores portugueses.
Somente em 1653 é que os jesuítas recomeçaram seu trabalho missionário de doutrinação do gentio e também dos filhos dos colonos do Grão-Pará e a construção de igrejas, a partir de Belém. Foi grandioso o trabalho dos jesuítas no Pará, subindo os rios e penetrando em lugares inóspitos, fundando povoados, levando a Palavra de Deus aos índios e tornando-os excelentes colaboradores dos portugueses na obra de penetração do sertão.
O Padre Antonio Vieira
Índios Nheengaíbas, do Marajó
O grande e famoso Padre Antonio Vieira chegou à Belém em 1653, acompanhando os padres Francisco Veloso e Antonio Ribeiro e do irmão Luís, iniciou um trabalho no Pará que resultou na pacificação dos índios Nheengaíbas, do Marajó, em 1655, que estavam em conflito com os colonos portugueses. No Marajó os jesuítas também estabeleceram fazendas de gado vacum e cavalar com mais de 130.000 mil cabeças de gado.
A notável pacificação de mais de cem mil guerreiros Nheengaíbas pelo Padre Antonio Vieira, que tornaram-se submissos aos sermões do grande pregador, levaram esses guerreiros a fazer as pazes com os lusitanos. Foi a ajuda decisiva dos missionários católicos que facilitou a colonização do Grão-Pará. Porém a catequização dos gentios por esses padres, mesmo que com a melhor da boa vontade ou como inocentes úteis na história de colonização do Pará, vai merecer de nossa parte algumas análises, visto que essa catequese muito ajudou na perda da identidade cultural desses antigos povos e no seu extermínio em massa pelas tropas portuguesas.
O bom tratamento que os padres dispensavam aos índios era suficiente para garantir a segurança desses sacerdotes contra as investidas bélicas das tribos com quem estabeleciam contato e demonstrava que a altivez guerreira podia ser refreada por bons tratamentos, coisa que a arrogância de Caldeira Castelo Branco não enxergava.
Porém alguns padres missionários foram sacrificados em 1649 em assaltos dos indígenas revoltados com a crueldade das tropas e dos colonos portugueses contra os gentios. Mas esses padres não desistiram de lutar pela liberdade dos índios e como seus protetores da sanha dos brancos.

CATEQUESE, MISSÕES, NAÇÕES, ETNIAS, POVOS E ALDEIAS INDÍGENAS
Foram muitos os núcleos de catequese, missões ou aldeias de índios fundadas pelas ordens religiosas no Pará até o ano de 1751, como:

Muitas aldeias sob a administração dos padres Capuchos, entre as quais:
Aldeias ou missões de:
. Menino Jesus
. São José
. Anaiatuba
. Bocas
. Caviana
. Urubuquara
. Acarapy
Parú (esta fundada entre 1757-1758 e que deu origem ao município de Almeirim)
Aldeia dos Aruãs, no Marajó
Aldeia dos índios Camutás, no Baixo Tocantins, Cametá
E mais duas aldeias na Ilha de Joannes (uma das quais a Aldeia dos Aruãs, fundada entre 1757-1758, que deu origem ao município de Chaves)
Uma aldeia dos índios Camutás (vide acima, origem da cidade de Cametá), sob a direção dos padres capuchos de Santo Antonio.

Aldeias ou missões:
. Aldeia dos Parijós, em Cametá
. Mangabeiras
. Cayá
. Conceição
. Iaray
. Tauary
. Urumacu, missionadas pelos padres capuchos da Conceição da Beira e Minho;

Aldeias ou missões de:
. Gurupá
. Acapijó
. Caviana
. Maturú (fundada em 1639, que dá origem, em 16/71758 à Vila de Porto de Moz), missionadas pelos padres capuchos de São José.

Aldeias ou missões de:
. Jamundá (hoje município de Faro)
. Juruti
. Pauxis Hoje município de Óbidos)
. Outeiro (hoje município de Prainha)
. Curuá
. Manemá
. Surubiú (hoje município de Alenquer)
. Gurupatiba (origem do município de Monte Alegre), dos padres capuchos de Nossa Senhora da Piedade.

Aldeias ou missões de:
. Coary
. Tefé
. Maneruá
. Paraguary
. Tucuruatuba
. São Paulo
. São Pedro
. Jaú
. Caragary
. Comaru
. Mariná
. São Caetano
. Cabuquana
. Bararuá
. Dary, no Rio Negro, pelos padres do Carmo;
. Uma aldeia no sertão dos índios Urubu
. E a aldeia de Mangabeira, em Marajó-assu, origem do povoado de Itaguary, pelos padres das Mercês.

Muitas aldeias ou missões sob a administração dos padres Jesuítas, chegados ao Pará em 1636, entre as quais:
. Maracanã
. Cabu
. Vigia
. Mortigura
. Sumahuma
. Araticu
. Aricará
. Borari
. Camaú
. Santo Inácio
. Itacuruçá
. Piramiry
. São José
. Abacaxis
. Trocano
. E uma aldeia na Capitania de Camutá
. E outra na Capitania de Caeté

Essas aldeias fundadas pelas ordens religiosas seriam a origem de muitos municípios paraenses e pode-se dizer que a catequese dos padres missionários foi o maior trabalho de desbravamento feito no 1º século da fundação do Grão-Pará. Sem esse trabalho os portugueses não conseguiriam colonizar o Pará.
Nessas aldeias ou missões os padres ensinavam as várias profissões da época, como as de carpinteiros, pedreiros e marceneiros, que foram muito úteis nas obras de edificações dos padres e dos conquistadores portugueses. Outras profissões foram ensinadas pelos padres como as de sapateiros, ferreiros, alfaiates e na lavra da terra.

Caso as antigas aldeias de índios, fundadas e disciplinadas pelos padres de diversas ordens que funcionaram no Pará não tivessem sido mudada de nome pelo Governador Francisco Xavier de Mendonça Furtado, em 1751, muitas cidades do Pará teriam ainda os nomes indígenas dados pelos padres, como:

. Urubu, que mudou para Alenquer;
. Gurupatuba, que mudou para Monte Alegre;
. Pauxis, que mudou para Óbidos;
. Tapajós, que mudou para Santarém;
. Aruãs, que mudou para Chaves;
. Tupinambás, que mudou para Colares;
. Aricury, que mudou para Melgaço;
. Araticu, que mudou para Oeiras;
. Maturu, que mudou para Porto de Moz;
. Marauanás, que mudou para Soure;
. Paru, que mudou para Almeirim;
. Gebrié ou Curuçá, que mudou para Barcarena;
. Pirauiry, que mudou para Pombal;
. Cauhiana, que mudou para Vilarinho do Monte;
. Sacácas, que mudou para Salvaterra;
. Atamucu, que mudou para Espozende;
. Cumaru, que mudou para Vila Franca;
. Santana, que mudou para Mazagão;
. Maracanã, que mudou para Cintra;
. Sousa do Caeté, que mudou para Bragança.

Desde 1570, com D. Sebastião, existiam editos reais para proteção dos nativos do Brasil e que dizia que somente em justa guerra eles podiam ser cativos dos brancos, editos que foram francamente derrespeitados pelos governantes e magistrados da Capitania do Grão-Pará.
Em 29/5/1649 conseguiram os jesuítas a Ordem Régia para que os nativos não fossem mais obrigados a trabalhar sem salário, nem sujeitos às violências dos brancos, o que equivalia à liberdade dos nativos. Foi a partir daí que se iniciaram as intrigas dos colonos portugueses contra os padres missionários, que inclusive pesou na expulsão desses padres por várias vezes do Pará. O Rei aboliu a Ordem Régia e voltaram os índios ao cativeiro. Outra lei veio em favor dos índios protegidos pelo “Regimento dos Órfãos”, que invés de escravos, passariam para condição de criados de seus donos, porém, na prática, os índios continuavam em sua condição de escravos, face os interesses contrariados dos colonos, agentes do Reino, governadores e magistrados. Os jesuítas, por força de interesses contrariados dessas pessoas acabaram por ser expulsos definitivamente de todo o sertão do Amazonas a 10/7/1757.

OS INVASORES ESTRANGEIROS E OS GRUPOS INDÍGENAS DO GRÃO-PARÁ
. Índios Tupinambás, de Belém
. Índios Camarapins, tupinambás das margens do Rio Tocantins
. Índios Pacajás
. Índios Parissós

Os franceses, invasores do Maranhão e do Grão-Pará, sabiam como negociar com os índios Tupinambás que habitavam as margens do Rio Pará e recebiam destes toda a atenção, por sua educação e maneira pacífica com que conviviam com os índios. Essa convivência amistosa com os franceses vinha desde 8/7/1613, quando o fidalgo francês Daniel de La Touche, senhor de La Ravardiére chegou ao ponto onde mais tarde seriam lançados os fundamentos da cidade de Belém, primitivamente habitada por muitas tribos de índios tupinambás. Desse ponto saiu Daniel de La Touche, com forte contingente de franceses e indígenas em direção ao rio Tocantins e também fazendo guerras contra as tribos de índios hostis, como os índios Camarapins, tribo inimiga dos Tupinambás que habitavam as margens do Rio Tocantins. Os franceses e indígenas também fizeram guerra nas aldeias dos índios Pacajás e Parissós, que foram duramente combatidos e derrotados pelos invasores franceses.
Daniel de La Touche, tendo estado em terras onde seria fundada a Capitania de Cametá, ficou no Pará até 1616 quando da instalação da Capitania do Grão-Pará a 12 de janeiro desse ano.

. Índios Caripunas, no Oiapoque
. Índios Nheengaíbas, do Marajó
. Índios Aruãs, do Marajó
Após a expulsão do Pará os franceses fugiram para o distante Oiapoque. Muitos gentios do Grão-Pará também fugiram junto com os franceses para o Oiapoque, constituindo a nação dos índios Caripunas remanescentes naquela localidade.
Igualmente os invasores holandeses sabiam como tratar com os selvagens do Grão-Pará, a quem os índios Nheengaíbas e Aruãs do Marajó dispensavam amizade e com quem comercializavam, enchendo seus navios de peixe-boi, animal abundante na Ilha Grande de Joannes, em 1616. Essa ilha era densamente povoada de gentios.

OS BRAÇOS INDÍGENAS E NEGROS ESCRAVOS NOS TRABALHOS DOS COLONOS PORTUGUESES
Os trabalhos nas terras dos colonos do Grão-Pará exigiam muita mão-de-obra e esses colonos recorreram ao trabalho escravo para os serviços de seus engenhos, roçados ou fazendas de gado e nada se fazia nas casas dos povoados e vilas sem o auxílio dos índios cativos e, posteriormente, dos escravos negros vindos de Angola e Guiné. Pode-se dizer que a riqueza de um colono era medida pela quantidade de escravos que possuísse.
Com a implantação das fazendas/engenhos pelos colonos portugueses no período da cultura do cacau e dos engenhos da cana doce, foram os braços dos índios cativos e dos escravos negros. Até mesmo os engenhos dos padres missionários usavam a mão-de-obra escrava nos serviços dos seus engenhos.
Usar mão-de-obra dos nativos era proibida pela legislação real, porém essas leis eram francamente descumpridas pelos colonos portugueses e como os missionários jesuítas lutavam pelo cumprimento dessas leis, foram também caluniados pelos colonos, que não viam com bons olhos os trabalhos desses missionários junto às tribos indígenas locais, fornecedoras de mão-de-obra para os serviços das fazendas/engenhos e dos roçados. As calúnias levantadas pelos colonos portugueses contra os padres jesuítas, defensores da liberdade indígena, foi usada no episódio da expulsão desses missionários do Grão-Pará por duas vezes, até sua expulsão definitiva em 1757.
Aos índios não era permitido lavrar canaviais e tabaco e trabalhos nos engenhos, segundo as leis reais.
Pelas margens dos rios ficavam as aldeias dos índios submissos, isto é, índios que já tinham sido catequizados pela ação dos missionários religiosos, viviam nas chamadas aldeias e de onde as tropas iam buscar guerreiros e mantimentos, arcos flechas para as guerras e braços para os serviços dos colonos. Porém restavam inúmeras tribos de índios selvagens, que frequentemente causavam problemas aos colonos lusitanos.

. Índios Aruãs, no Marajó
. Índios Nheengaíbas, no Marajó
Os conquistadores opinaram para que se fizesse guerra a esses hostis índios Aruãs e Nheengaíbas do Marajó, chamadas de guerras defensivas ou guerras justas, devido os constantes ataques praticados por esses índios, conforme citados acima. As guerras defensivas eram necessárias para conter esses ataques dos selvagens segundo seus defensores e elas estavam na alçada de poder dos governantes do Grão-Pará. Porém as guerras defensivas contra os índios se tornaram meios para os governantes do Grão-Pará descumprirem as Cartas Régias que protegiam os nativos da região.
“Os índios do Marajó eram invencíveis em sua ilha e usavam canoas ligeiras e também atacavam as aldeias dos índios submissos e vinham até aos povoados e vilas das redondezas para atacar os colonos e seus engenhos. Desse modo muitos engenhos foram abandonados por seus proprietários”.

Os serviços usuais executados pelos escravos, índios ou negros:
Os escravos eram usados como coletores das chamadas drogas do sertão, abundantes nas matas do Grão-Pará.
Os índios cativos faziam a fabricação de farinha de mandioca, que era considerada o pão da terra;
Os escravos faziam os trabalhos nos roçados, especialmente na roças de cana doce e nos cacauais;
Os índios cativos faziam a caça e pesca dos peixes e animais abundantes nos rios e matas da região, assim como faziam a salga para manutenção desses mantimentos;
Escravos eram usados como carregadores dos inúmeros produtos extraídos das terras, matas e rios da região e do açúcar e aguardente produzidos nos engenhos de cana doce;
As escravas eram usadas como lavadeiras de roupas nas beiras dos rios e igarapés da região;
Os índios cativos também eram usados como remeiros das inúmeras canoas de todos os tipos e tamanhos, inclusive para se ir à missa nas capelas das casas de colonos mais abastados ou nas igrejas dos povoados e vilas e nas expedições exploratórias;
Os escravos índios eram usados como guias, intérpretes e guerreiros das expedições militares pelos rios da região;
Os índios cativos e escravos negros, desde pequenos, eram usados como empregados domésticos nas casas dos senhores de engenho, colonos, governantes e casas dos povoados e vilas;
As escravas eram usadas como fiandeiras e costureiras de roupas de algodão e outros materiais do vestuário;
Os índios cativos e escravos negros eram usados como operários nas oficinas e serrarias dos engenhos;
Os escravos eram usados como tecelões e operários sapateiros, marceneiros, barbeiros, carpinteiros;
As escravas índias ou negras ainda eram usadas como repasto sexual de seus senhores. Porfiavam os homens na posse das negras e das índias, sem que suas famílias ou religião lhe pusessem freios nos seus instintos carnais. Era a dissolução dos costumes que escandalizavam alguns religiosos.
Como os senhores de engenhos e seus filhos varões possuíam muitos escravos para os trabalhos dos engenhos, das lavouras e das casas, sobrava-lhes tempo para esses amores libertinos com as negras e índias moças.
O bispo D. Frei Caetano Brandão, chegando ao Pará em 20/10/1780, para o governo da Diocese, ficou surpreendido com os costumes dissolutos da sociedade paraense.

Índios Hostis e Índios Submissos (Cativos)
. Índios Nheengaíbas
. Índios Aruãs
A presença de escravos era essencial para os trabalhos nas fazendas/engenhos e sempre faltavam escravos, índios ou negros, para os trabalhos, especialmente dos engenhos, pois muitas eram as fugas dos índios cativos e escravos negros para o interior das matas da região. Por essa razão é que os índios cativos eram marcados com ferro em brasa com as marcas de seus donos. Melhor sorte não tiveram os escravos negros que também recebiam as marcas de seus donos para facilitar a captura desses escravos fugidos.
Os escravos eram vendidos por preços muito altos e em verdadeiras disputas entre os senhores de engenhos, colonos e para os serviços das residências dos povoados e vilas e até nos serviços da Igreja Católica.
O litoral vivia sempre agitado devido os trabalhos nas propriedades, sempre cheias de escravos negros e índios cativos, que os senhores tratavam com os rigores e exigências da época, com muita crueldade e violência.
Mas nem todos os índios aceitavam a submissão do branco. Os índios hostis das tribos Aruãs e Nheengaíbas do Marajó atacavam periodicamente as aldeias dos índios submissos, numa audácia próxima de seu temperamento selvagem e hostil e vinham ainda atacar os colonos em suas próprias propriedades.
Para 50 escravos negros havia outros 50 índios submissos, com os quais se movimentavam os engenhos de açúcar e se cultivava cana, cacau, arroz e outras culturas.

Padres em Missão no Grão-Pará
O padre João Felipe Betendorf, cronista jesuíta, fala do engenho dos frades do Carmo, com mais de 200 escravos, na margem esquerda do rio Bujaru, com o nome de Santa Teresa do Monte Alegre, em 1627.
Em 1669 os jesuítas também possuíam engenho no Moju, que viria a ser um dos mais importantes da Capitania do Grão-Pará e com muitos escravos.
Engenho Santana, na foz do rio Arary, no Marajó, dos frades mercedários, também com muito trabalho escravo.

O USO DA AGUARDENTE PELOS ÍNDIOS CATIVOS OU ESCRAVOS NEGROS

Nos engenhos se fabricavam açúcar, aguardente, mel de cana e rapadura. Porém a fabricação de aguardente era restrita, apesar de sua produção oferecer melhores ganhos aos colonos que o açúcar.
Devido a insistência dos donos de engenho na fabricação de aguardente, o Ouvidor-Geral da Capitania do Grão-Pará, levantou devassa contra os produtores de aguardente e a partir daí só se podia fabricar aguardente se a produção de açúcar chegasse para as necessidades da Capitania e atingisse os limites para a exportação.
E a aguardente era prejudicial por que também viciava os escravos negros e índios cativos, prejudicando seus trabalhos nos engenhos e demais lavouras.
A produção de aguardente era mais intensa nos pequenos engenhos chamados molinotes, que nos grandes engenhos de fabricação de açúcar.

CRONOLOGIA DA CULTURA DA CANA DOCE NO GRÃO-PARÁ E O USO DA MÃO-DE-OBRA ESCRAVA DOS ÍNDIOS E NEGROS

Os primeiros a possuir engenhos na Amazônia foram os holandeses, para fabricar açúcar, desde o final do século 16, com dois engenhos que produziam carga suficiente para seus navios no Cabo Norte, que ficavam sob a proteção de duas fortalezas, cada uma guarnecidas por 300 homens e com fabricação crescente. Quando eles foram expulsos do Grão-Pará ficaram os seus canaviais espalhados pelas costas paraenses.
Antes e depois da expulsão da expulsão dos holandeses, ingleses e franceses da Capitania do Grão-Pará, novos engenhos foram construídos e às margens dos rios da região e todos usando mão-de-obra escrava de índios ou negros.
Em 14/4/1655 já existiam muitos engenhos pelas costas paraenses.
O açúcar na fase colonial era o mais importante artigo do escambo marítimo internacional quando ainda era notável o predomínio do açúcar brasileiro no mercado internacional, em 1660.
Em carta para El-Rei as autoridades locais o conclamavam a instalar mais engenhos na Capitania do Grão-Pará, pois as terras eram boas e essa era a melhor maneira para colonizar a região e com mão-de-obra escrava dos nativos do lugar.
Em 1684 já havia a produção de açúcar fino pelos portugueses.
Os escravos vindos de Angola e Guiné em 1689 eram obrigados a lavrar a terra com cana doce e levá-la para fabricar açúcar nos engenhos. A falta do trabalho escravo prejudicava as exportações de açúcar e tabaco no Grão-Pará.
Ainda nos séculos 17 aconteceu a instalação de muitos outros novos engenhos e o açúcar era usado como moeda corrente na Capitania.
Os engenhos foram importantes na Capitania do Grão-Pará, por que criavam aglomerados populacionais, pela utilização das terras por extensos canaviais, pastos e culturas diversas. A maior parte desses aglomerados populacionais era de índios cativos e escravos negros.
Os canaviais lavrados pelos escravos geralmente possuíam milha e meia de comprimento por uma milha de largura e enchiam as margens dos rios.
Em 1751 o número de engenhos no Pará havia crescido e o Grão-Pará possuía 24 engenhos reais, alguns com mais de 200 escravos, entre os quais o dos padres do Carmo.
Além desses engenhos reais, havia em todo o estado 77 engenhocas para fabricar aguardente, sendo 22 de propriedade de moradores e 2 de religiosos, ambos com centenas de escravos negros ou índios cativos.
Com o declínio dos preços do açúcar e pouco tempo depois com a abolição da escravatura – os escravos eram os que trabalhavam para valer – o Pará teve a sua indústria canavieira desmantelada. Porém as freguesias de Abaeté e Igarapé-Miri continuaram a sua vocação de produtores de açúcar e aguardente desde o novo ciclo econômico da goma elástica (1850) até os anos de 1980, quando veio o declínio da produção de cachaça.
Os engenhos nos séculos 17, 18 e 19, compuseram o cenário do ciclo do açúcar no Pará, com engenhos em Belém, Guamá, Moju, Tocantins, Acará, Bujaru, Arary, Barcarena e Capim. Era a civilização do açúcar em meados do século 19, onde se queimavam matas, cortavam árvores para fazer um mar de cana.

ENTRE AS CARACTERÍSTICAS DE UM ANTIGO ENGENHO REAL A PRESENÇA DE ESCRAVOS
Um engenho dos primeiros tempos da colonização do Grão-Pará, para ser consiederado engenho real, tinha que possuir algumas características, como:
Tinha que possuir todos os componentes de um verdadeiro engenho;
Tinha possuir todas as oficinas completas e perfeitas para o funcionamento do engenho;
Era cheio de um grande número de escravos;
Tinha que possuir grandes canaviais próprios e outros ligados às suas moendas.
Era engenho que moía a cana pela força da água, diferentes de outros que moíam pela força dos cavalos e bois, estes menos providos e aparelhados;

O AÇÚCAR E OUTROS PRODUTOS USADOS COMO MOEDA DE TROCAS NO TEMPO DOS PRIMEIROS ENGENHOS DO GRÃO-PARÁ, INCLUSIVE NA COMPRA DE ESCRAVOS
O açúcar era o principal gênero usado como moeda de troca, custando cada arroba 3 mil réis. Além do açúcar muitos outros gêneros eram usados como moeda de trocas, como:
Os novelos de algodão;
Os rolos de panos;
As drogas do sertão;
Os peixes secos salgados, especialmente a tainha;
A moeda só foi introduzida no Grão-Pará em 1749 e era de uso restrito, permanecendo o antigo modelo de trocas através de produtos por muitos anos.

OUTRAS CULTURAS TRABALHADAS PELOS ESCRAVOS DO GRÃO-PARÁ
Muitos donos dos antigos engenhos do Grão-Pará, além da cultura da cana doce, também desenvolviam outras culturas em suas terras, daí a denominação de fazendas/engenhos para essas terras e que usavam grande quantidade de mão-obra escrava.
Porém, alguns colonos, não podendo arcar com as altas despesas de compras constantes de mão-de-obra escrava, preferiam se dedicar a poucos tipos de culturas em seus sítios e usando poucos escravos nesses trabalhos. Entre essas culturas, existiam:
Os lavradores de tabaco, que junto dos senhores de engenho era outra classe opulenta da Capitania e que também ocupavam patentes militares e cargos políticos. O tabaco desenvolveu uma forte manufatura na Província do Pará, anos de 1870.
Os lavradores de café;
Os coletadores e lavradores de baunilha;
Os lavradores de cacau, onde nas terras da Província do Grão-Pará existiram extensos cacauais nos anos de 1800.
Os lavradores de algodão, que também desenvolveu a manufatura do algodão;
Os lavradores de arroz;

ESTRUTURA DAS ANTIGAS FAZENDAS/ENGENHOS DO GRÃO-PARÁ QUE USAVAM A MÃO-DE-OBRA ESCRAVA EM TODOS OS SERVIÇOS

Além dos engenhos propriamente ditos, em cada propriedade existiam os pontos de comercialização dos produtos dos próprios engenhos (açúcar, aguardente, mel de cana, rapadura), dos gêneros da terra (arroz, farinha, milho, tabaco, algodão, cacau, café) e de outros produtos de comercialização importados de outros lugares, tudo à base de trocas ou aviamentos, pois não existia moeda corrente.
A casa de comércio dos engenhos ficava sempre à frente do engenho, que fazia caminho por uma ponte feita de grossas peças de madeira. Da escada, por um acesso, alcançava-se a varanda, onde se recebiam e se alojavam os hóspedes e onde todos os negócios eram realizados. As refeições também eram feitas na varanda.
Nas antigas fazendas/engenhos os prédios ficavam situados a 4 ou 5 pés acima do nível das mais altas marés, repousando sobre resistentes pilares de madeira.
Completamente apartada deste prédio fica a casa onde residiam a dona, os filhos e os servos, sendo feito o seu acesso pela varanda e ao longo de um passadiço de madeira de 40 a 50 pés de comprimento.
Algumas casas de engenhos e moradias eram casas de sobrado e com varanda, com vista sempre para o rio e este com suas margens repletas de canaviais. Eram casas com grandes moendas, caldeiras e alambiques de modelo inglês. A produção de aguardente desses grandes engenhos era de 1.500 pipas por ano.
A dona da casa e suas filhas não apareciam aos hóspedes e tão ciosos se mostravam os colonos das suas esposas e filhas, que mandavam guarnecer as janelas das casas com urupemas ou panos de algodão grosso, para que o interior da casa não fosse devassado e não pudessem os estranhos avistar a mulher ou suas filhas donzelas.
As mulheres brancas, esposas ou filhas do senhor de engenho, levavam vida acomodada, sem canseiras, por que eram servidas por numerosas mucamas e índias e estas, fugindo sempre, como suas donas, da vista dos hóspedes estranhos. E todos os serviços dos engenhos, das lavouras, do comércio e dos serviços domésticos eram feitos pelos escravos.

AS ESCRAVAS, OS CURUMINS E NEGRINHOS USADOS NAS REFEIÇÕES DAS CASAS DOS SENHORES DE ENGENHOS

Os hóspedes dos engenhos faziam as refeições preparados pelas escravas juntos com os donos de engenhos, nos seguintes horários:
Às 6,00 horas da manhã, o café;
Às 9,00 horas, o almoço, onde era servido: carne de vaca, peixes, peixes secos com farinha de mandioca e como complemento do almoço, café com bolos de farinha;
Às 3,00 horas da tarde, o jantar, onde eram servidos: ovos ou camarões ensopados, outros tipos de carnes, caças ou peixe fresco, terminando com a sobremesa de frutas, principalmente, abacaxis e laranjas cortados em fatias e servidos em caldas;
Às 8,00 horas da noite, outra pequena refeição, onde eram servidos: chás e bolos de farinha.
As mesas eram servidas por negrinhos e índios curumins.
As mesas dos senhores de engenhos eram servidos por negrinhos e índios curumins, meninos e meninas.

OS SENHORES DE ENGENHOS E AS FACILIDADES FISCAIS NA COMPRA DE ESCRAVOS

O título de senhor de engenho era um título aspirado por muitos donos de engenhos, por que significava:
Ser servido por grande números de escravos;
Ser obedecido por todos, incluindo parentes e famílias agregadas aos trabalhos dos engenhos;
Ser respeitado por todos, inclusive pelos moradores dos povoados e vilas;
Ocupar funções de mandos, patentes militares e cargos políticos nos povoados, vilas e na Capital Belém;
Os senhores de engenho também possuíam facilidades fiscais na concessão de escravos negros e de índios cativos.


Aldeias, Aldeamentos, Povos e Nações Indígenas Com Datas
Captura dos índios para servirem de escravos nas residências, igrejas, fazendas ou engenhos ou soldados das forças militares do período da colonização.
Quando os índios eram apresados pelas tropas militares ou “descidos” (remanejados) de suas aldeias para os aldeamentos implantados pelos padres missionários, esses índios eram preparados para uma série de atividades civis e militares do período colonial e provincial do Pará. Os índios começavam a aprender a ler e escrever, aprendiam os ofícios ensinados pelos próprios missionários e aprendiam as técnicas do plantio de outras culturas, além do milho e mandioca.
Os aldeamentos também serviam de preparo dos índios para fazer parte como soldados nas expedições de guerra das forças militares da Coroa Portuguesa.
Os índios apresados aprendiam uma profissão, eram batizados e recebiam um nome cristão:

1756
O Governo do Grão-Pará e Maranhão, Francisco Xavier de Mendonça Furtado envia a seu irmão, o Marquês de Pombal/ a relação dos índios que desertaram das fileiras militares, acusando o enorme prejuízo que a fuga desses índios causou aos cofres de sua majestade, influenciados pelos padres jesuítas:

·        Carpinteiros navais do povo Marcanã: Afonso Guaramanduba, Urbano, Raimundo Coema, João Moteque, Antonio Assu, Thomé Pucu, Natário e Miguel Assu.
·        Serralheiros do povo Bourary: Antonio, Paschoal, Teodósio e Domingos.
·        Pedreiros do povo Tapajó: Manuel de Jesus, Januário e Manuel.
·        Tanoeiros do povo Aricará: Afonso, Frutuoso valério, Severino, Pedro, Alexandre Bueno, Fernando, Agostinho, Bonifácio, Martinho, João Lucas e Alexandre.
·        Entalhadores do povo Itacurussá: Antonio, Júlio, Geraldo, Romão, Alberto, Jacinto, Patrício, Bonifácio, Estácio e ainda: Gaspar, Leonardo, João Gaspar, Nicolau, Agostinho, Raimundo e Cláudio, que eram carpinteiros.
·        Escultores de imagens sacras do povo Arucará: Alexandre e Pedro, que eram primorosos escultores de imagens sacras.
·        Peritos em cordoaria do povo Aricurá: Francisco André, Thomé, Manoel, Ignácio, Valentim, Feliciano, José, André, Antonio, Pedro, José, Fernando, Ambrósio, Manoel, Pedro eMandu.
·        Ferreiros do povo Araticu: Luiz Maraunu, Jerônimo marimba, Domingos Marannu, João Francisco Carapina, Alexandre Suariuna.

1775
No levantamento mandado proceder pelo governador do Grão-Pará e Maranhão, Francisco Xavier de Mendonça Furtado, sobre quantos índios estavam incorporados nos regimentos militares do estado, Foi encontrado este número de índios e oficiais brancos, 2.898 soldados-índios e 122 oficiais, assim destacados:

·        Freguesia de Ponta de Pedras,  2 oficiais e 46 índios soldados
·        Freguesia de Nossa Senhora da Cruz de Portel, 6 oficiais e 515 índios-soldados.
·        Vila de Monsarás, 3 oficiais e 37 soldados-índios
·        Condeixas, 1 oficial e 26 soldados-índios
·        São Francisco de Avelar, 1 oficial e 20 soldados-índios
·        São José de Carrazedo, 1 oficial e 33 soldados-índios
·        Nossa Senhora de Penha Longa, 1 oficial e 17 soldados-índios
·        Nossa Senhora do Rosário da Vila de Colares,  4 oficiais e 51 soldados-índios.
·        Vila do Pinhal, 4 oficiais e 77 soldados-índios
·        Vila de Pombal, 5 oficiais e 155 soldados-índios
·        Veiros, 2 oficiais e 64 soldados-índios
·        Vila de Conde, 4 oficiais e 73 soldados-índios
·        São Miguel de Beja, 7 oficiais e 17 soldados-índios
·        Vila de Cintra, 8 oficiais e 104 sóldados-índios
·        Vila Nova del-Rei (Curuçá), 3 oficiais e 85 soldados
·        Santo Antonio da Vila de Chaves, 7 oficiais e 96 soldados-índios
·        São Joaquim de Rebordello, 2 oficiais e 24 soldados-índios
·        Nossa Senhora da Assumpção da Vargem grande, 9 oficiais e 208 soldados-índios.
·        Nossa Senhora da Conceição de Santarém, 8 oficiais e 139 soldados-índios.
·        São Francisco de Monte Alegre, 7 oficiais e 234 soldados-índios
·        Nossa Senhora da Conceição de Benfica, 3 oficiais e 40 soldados-índios.
·        Nossa Senhora da Conceição de Santarém Novo, 1 oficial e 55 soldados-índios.
·        Nossa Senhora da Saúde de Alter do Chão, 6 oficiais e 55 soldados-índios.
·        Freguesia do Largo Azevedo, 5 oficiais e 70 soldados-índios
·        Nossa Senhora de Oeiras, 8 oficiais e 453 soldados-índios
·        Nossa Senhora de Portelões, 5 oficiais e 27 soldados-índios
·        Nossa Senhora do Rosário de Bragança, 1 oficial e 69 soldados-índios
·        São Francisco Xavier de Barcarena, 2 oficiais e 24 índios

Observações
·        Os indígenas citados nas localidades acima e em outras localidades não mencionadas (serão acrescentados aos poucos todas a localidades que surgiram a partir de aldeias indígenas) foram os grandes esquecidos na colonização do Pará e nas guerras de conquistas, à exceção de umas poucas menções aos povos indígenas por algumas ruas de Belém (que agora estão sendo substituídas a bel-prazer de governantes e legisladores).
·        Além desses soldados-índios (que podiam ser índios puros ou mestiços), naturalmente que existiam os soldados-brancos.
·        Em alguns lugares havia a presença de um grande contingente de soldados-índios e naturalmente que esses lugares eram os que estavam fortificados para a defesa da colônia contra as invasões inglesas, holandesas e francesas.
·        Os soldados-indios eram índios das várias etnias existentes na época, especialmente os da nação Tupinambá (que eram os mais propensos às guerras) apresados pelas tropas portuguesas  no tempo do Pará colonial e os vindos dos aldeamentos dos padres missionários (que também podiam ser de várias etnias).
Foram muitos os núcleos de catequese, missões ou aldeias de índios fundadas pelas ordens religiosas no Pará até o ano de 1751, como:

Muitas aldeias sob a administração dos padres Capuchos, entre as quais
·        Menino Jesus
·        São José
·        Anaiatuba
·        Bocas
·        Caviana
·        Urubuquara
·        Acarapy
·        Parú (fundada entre 1757-1758 e que deu origem ao município de Almeirim).
·        E mais duas aldeias na Ilha de Joanes (uma das quais a Aldeia dos Aruãs, fundada entre 1757-1758, que deu origem ao município de Chaves), e uma aldeia dos índios Camutás (vide acima, origem da cidade de Cametá), sob a direção dos padres capuchos de Santo Antonio.

Aldeias ou Missões dos Padres Capuchos da Conceição da Beira e Minho:
·        Mangabeiras
·        Cayá
·        Conceição
·        Iaray
·        Tauary
·        Urumacu

Aldeias ou Missões dos Padres Capuchos de São José:
·        Gurupá
·        Acapijó
·        Caviana
·        Maturú (fundada em 1639, que dá origem, em 16/71758 à Vila de Porto de Moz).

Aldeias ou missões dos Padres Capuchos de Nossa Senhora da Piedade:
·        Jamundá (hoje município de Faro)
·        Juruti
·        Pauxis (hoje município de Óbidos)
·        Outeiro (hoje município de Prainha)
·        Curuá
·        Manemá
·        Surubiú (hoje município de Alenquer)
·        Gurupatiba (origem do município de Monte Alegre)

Aldeias ou Missões dos Padres do Carmo:
·        Coary
·        Tefé
·        Maneruá
·        Paraguary
·        Tucuruatuba
·        São Paulo
·        São Pedro
·        Jaú
·        Caragary
·        Comaru
·        Mariná
·        São Caetano
·        Cabuquana
·        Bararuá
·        Dary, no Rio Negro

Aldeias ou Missões dos Padres das Mercês:
·        Uma aldeia no sertão dos índios Urubu
·        Aldeia de Mangabeira, em Marajó-assu, origem do povoado de Itaguary

Aldeias ou Missões sob a administração dos padres Jesuítas, chegados ao Pará em 1636, entre as quais:

·        Maracanã
·        Cabu
·        Vigia
·        Mortigura
·        Sumahuma
·        Araticu
·        Aricará
·        Borari
·        Camaú
·        Santo Inácio
·        Itacuruçá
·        Piramiry
·        São José
·        Abacaxis
·        Trocano
·        Uma aldeia na Capitania de Camutá
·        Uma aldeia na Capitania de Caeté

Essas aldeias fundadas pelas ordens religiosas seriam a origem de muitos municípios paraenses e pode-se dizer que a catequese dos padres missionários foi o maior trabalho de desbravamento feito no 1º século da fundação do Grão-Pará. Sem esse trabalho os portugueses não conseguiriam colonizar o Pará.
Nessas aldeias ou missões os padres ensinavam as várias profissões da época, como as de carpinteiros, pedreiros e marceneiros, que foram muito úteis nas obras de edificações dos padres e dos conquistadores portugueses. Outras profissões foram ensinadas pelos padres como as de sapateiros, ferreiros, alfaiates e na lavra da terra. Porém, o maior uso uso dos braços indígenas foram nas guerras de conquistas do colonizador portiguês e, especialmente nas guerras contra os invasores ingleses, franceses e holandese..

Mudanças dos nomes das localidades indígenas no Grão-Pará
Caso as antigas aldeias de índios, fundadas e disciplinadas pelos padres de diversas ordens que funcionaram no Pará não tivessem sido mudada de nome pelo Governador Francisco Xavier de Mendonça Furtado, em 1751, muitas cidades do Pará teriam ainda os nomes indígenas dados pelos padres, como:

·        Urubu, que mudou para Alenquer
·        Gurupatuba, que mudou para Monte Alegre
·        Pauxis, que mudou para Óbidos
·        Tapajós, que mudou para Santarém
·        Aruãs, que mudou para Chaves
·        Tupinambás, que mudou para Colares
·        Aricury, que mudou para Melgaço
·        Araticu, que mudou para Oeiras
·        Maturu, que mudou para Porto de Moz
·        Marauanás, que mudou para Soure
·        Paru, que mudou para Almeirim
·        Gibirié ou Curuçá, que mudou para Barcarena
·        Pirauiry, que mudou para Pombal
·        Cauhiana, que mudou para Vilarinho do Monte
·        Sacácas, que mudou para Salvaterra
·        Atamucu, que mudou para Espozende
·        Cumaru, que mudou para Vila Franca
·        Santana, que mudou para Mazagão
·        Maracanã, que mudou para Cintra
·        Sousa do Caeté, que mudou para Bragança

TRIBOS, NAÇÕES, ETNIAS, ALDEIAS MISSÕES, TERMOS E LENDAS INDÍGENAS E FORTES E LOCALIDADES MARAJOARAS E DO BAIXO TOCANTINS
Algumas Considerações dos historiadores, missionários, colonizadores ou naturalistas sobre os gentios do Marajó, Baixo Tocantins e outras localidades das fases históricas do Pará.
Índios da Ilha Grande de Joanes ou Marajó
. Índios Aroans, da Nação Aroans
Índios Mereuanuns
. Índios Ingaíbas
. Índios Mocoans
Índios Mariapans
Índios Caripunás
. Índios Cariponas (Caripunas)
. Nação Iuioanas (nome que depois reduziu para Joanes)
. Índios Sacacas, (antes Índios Iuioanes)
Índios Tupinambás
Índios Ingaíbas
. Aldeia Samaúma
. Aldeia Murtigura
Índios Iuioanes (depois sacacas)
Índios Nheengaíbas
Roteiro da viagem para a Ilha Grande de Joanes ou Marajó:
Dos escritos da "Notícia Histórica da Ilha Grande de Joanes ou Marajó" , do naturalista Alexandre Rodrigues Ferreira, extraímos alguns trechos da viagem ordenada por Martinho de Souza e Albuquerque, saindo lá pelas 11 h da noite do dia 7/11/1756 até o ano de 1792, saindo de Belém para a Vila de Monforte, acompanhado do Inspetor Geral daquela vila, Florentino da Silveira Frade, da Vila Pé na Cova, Fazenda de Val de Cães, onde possuem os religiosos da Mercês um engenho de descascar arroz, olaria, fornos de cal, arrozais, roças de maniba, café, cacau, etc., passando ainda pelas
olarias e roças do Sr. Capitão Antonio de Carvalho,
Fazenda do Livramento, que pertencia aos religiosos do Carmo,
Ponta do Mel, onde fica a Fazenda Pinheiros, dos religiosos do Carmo.
Canoa com 19 índios remeiros, 
passando pela Vila de Monsarás.
. Índios Nheengaíbas
. Índios Aruãs (Índios Aroans)
. Índios Pacajás
. Índios Tupinambás
Índios Aruak
Índios Nuaruaques
Índios Tupis
Índios Guianases
Índios Mapuás
 Índios Anajás
Índios Pixi-pixi
Índios Cambebas (inventores da seringa-látex da borracha)
Índios Mamaianás
Índios Tucujús
. Aldeia dos Guianases ou Guaianases
Aldeia das Mangabeiras
Índios Kalina
Índios Iona
Índios Tapuias
Índios Marajós
Índios Joanes (Iuioanes) ou Marajós
Índios Caraíbas
Textos extraídos dos escritos do marajoara José Varella Pereira, que é atualmente o maior defensor da Cultura Marajoara e o maior crítico da situação de pobreza e falta de investimentos na Ilha do Marajó. O mesmo é sobrinho do grande escritor marajoara, Dalcidio Jurandir, este também muito esquecido pelos governantes, elite política paraense e brasileira e acadêmicos, que não se dão conta da importância de Dalcídio Jurandir na literatura e nas letras paraenses.
Do naturalista Alexandre Ferreira Rodrigues, em a "Notícia Histórica da Ilha Grande de Joanes ou Marajó", 1783 e outros escritores e naturalista.
Índios da terra e índios das Ilhas do Marajó são descendentes dos antigos ìndios Nheengaíbas ou Marajós 'malvados', falantes da 'língua ruim',  ferozes índios que não se submeteram aos antigos colonizadores da Ilha Grande ou Marajó e que viviam em guerra contra os índios cristãos (Tupinambás catequizados) e colonizadores. Nheengaíbas é um termo que significa "pagões falantes da bárbara língua ruim", enquanto o Nheengatu era a língua geral dos índios catequizados pelos padres missionários do Período Colonial do Pará. Os Índios Tupinambás vindos pelo caminho do Maranhão e sertões adentro começaram a pelejar contra os índios Tapuias em geral, até o Baixo Tocantins, em marcha de guerra a fim de ocupar o Pará na sua visão utópica da 'Yvy Marãey ('terra sem mal'), paraíso mítico onde não há fome, trabalho escravo, doenças, velhice ou morte. Sonho do bicho homem em se tornar "Abaeté' ('verdadeiro homem', íntimo dos deuses ao encontro do Paraíso, procurado na terra dos Tapuias, caminho de infinitos males guiados por Caraíbas medonhos fiéis do Jurupari e adoradores do Jaguar a custo de carne humana pelas virtudes da guerra através de sendeiros luminosos de Guaracy (mãe dos viventes) - o Sol....na faina dura de cada dia"
Quando o guerreiro Tupy inebriado pela visão do Paraíso procurado ao por do sol tocava flauta e a tapuia apaixonada tendo lá seu amor distante, rezava a poderosa oração do Sol à 'boca da noite' enquanto o dia ia sentando para atar rede no 'Araquiçaua' (lugar onde o Sol adormece) e adormecia com as criaturas do dia a se agasalhar e os bichos da 'primeira noite do mundo' a se alvoraçar nas férteis imaginações  tropicais. Desta reza forte no extremo Norte paresque que saiu o casamento da 'filha da Cobragrande'.
Foi assim que nasceu a lenda da 'Primeira Noite' do mundo e as cantigas amorosas do sair da Lua ('aci, 'nossa mãe' que envolveram guerreiros 'Abaetés", com que a antiga guerra à margem da História foi amassando, pouco a pouco, até a 1ª geração da etnia dos cabocos ('caa bok', saídos do mato), que compõem a "Criaturada Grande' dos escritos de Dalcídio Jurandir, dita pela escritora paraense Eneida de Moraes ao ler esses romances com fundo marajoara, com a região da Ilha Grande e  povo esquecidos pela História e que ostenta o pior índice de IDH do Brasil. 
Povo paraense fiel às suas raízes oriundos da antiga 'Terra dos Tapuias' (algo em torno de 5 mil anos, além da nossa 1ª civilização amazônica - a Cultura Marajoara de quase 2 mil anos movido pelo sentimento ancestral da 'Confederação do Arapari (o país do Cruzeiro do Sul, Brasil pelo nome português.
No Pará, o nome do cacique dos Aruães e Mexiana, Guamã ficou memorizado no rio que banha a cidade de Belém.
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A PAZ DE MAPUÁ E A EXPULSÃO DOS JESUÍTASS E O ILUMINISMO NA COLONIZAÇÃO DO PARÁ
Índios Marajoaras
Payaçu dos Índios
Índios Tupinambás
Índios 'Mansos (negros da terra')
Índios Tapuias
Mamelucos (filhos de índias e brancos)
ÍndiosNhengaíbas
Aldeia de Aricará (Melgaço)
Aldeia de Aracaru (Portel) Os valentes marajoaras enganados e traídos no acordo de paz de Mapuá (1659) pelo triste fato da expulsão do ''Payaçu dos dos índios', Padre Antonio Vieira e seus confrades (1660, para a criação dativa da Capitania Hereditária da Ilha Grande de Joanes (1665) vingavam-s de seus antigos inimigos hereditários Tupinambás e de seus aliados portugueses, assaltando aldeias de índios 'mansos' ('negros da terra') às ilhargas da capital paraense. No início do 'Século da Luzes' (que deu origem ao Iluminismo no mundo) a tapuiada Aruaca estava revoltada contra a escravidão na Amazônia colonial portuguesa. Embora decadente era nação Tupinambá com seus arcos e remos imprescindíveis comandados por 'mamelucos' (filhos de índias e portugueses) façanhudos, falantes da língua geral amazônica ou 'Nheengatu' era o instrumento colonizador, na 'Redução Missionária', onde se forjava sobre as ruínas pagãs tapuias, a civilização cristã nova brasileira. Esse projeto messiânico colonizador, casando o útil ao agradável entre colonizadores e colonizados, todavia teve a sua história cortada rés ao chão pelo império de Dom José I mediante a expulsão dos Jesuítas em 1760, cem anos depois do Padre Vieira dar por concluída a "missão de paz' aos Nheengaíbas e deixar o Pará tranquilo e seguro, após os 44 anos de guerra de conquista do Rio das Amazonas, desde a tomada de São Luís do Maranhão (1615). O famigerado 'Diretório dos Índios' do Marquês de Pombal (1757-1798), fato que decretou a extinção geral dos indígenas para a invenção original dos 'cabocos', levado pela teoria do Iluminismo que também atingiu os povos amazônicos em teoria fadada ao fracasso, pois nossos avós portugueses, incapazes de caçar, pescar e fazer roças para o seu próprio sustento no trópico úmido, cuidaram de transformar o 'negro da terra' (índios e mestiços) em súditos reais e ainda importar 'negros da Guinés' para as demais tarefas de escravo. Foram estes portugueses abrasileirados de outrora, vítimas do 'Diretório dos Índios, que provocaram a guerra civil ou 'Revolta da Cabanagem' (1835-1840) e ajudaram a plantar o pendão do 'Império do Brasil' sobre o chão ensaguentado da extinta terra tapuia, não no 15 de agosto festejado, mas no dia 28 de maio de 1823, na heróica Vila de Muaná, no Marajó e como consequência histórica da 'Paz de Mapuá (Breves), que selou a paz entre índios e portugueses do Pará e que deu as devidas condições para as 'Expedições de Conquista' dos colonizadores portugueses em 27/08/1659, paz que teve como grande artífice o Padre Antonio Vieira, concluída de fato pela fundação das aldeias dos Nheengaíbas de Aricará (Melgaço) e Arucará (Portel). Sem a 'Paz de Mapuá', dando termo a 44 anos de guerra para a conquista do Rio das Amazonas (cfe. carta de 11/02/1660 do Padre Antonio Vieira a El-Rei Dom Afonso VI na Regência de Dona Luísa de Gusmão) não existiria o tratado de limites de Madri (1750) entre Espanha e Portugal, logo não existiria a Amazônia Portuguesa e, depois, a brasileira, com a adesão do Pará à independência. Paz que foi quebrada pelo Marquês de Pombal e seu famigerado 'Diretório dos Índios', que fizeram os indígenas e mestiços mais escravos do que antes, em ato que também ajudou a extinguir as diversas etnias indígenas do Marajó, Baixo Tocantins e demais localidades.
Breves é a terra do índio Piyé Mapuá, cacique dos Índios Mapuás, das tribos extintas dos Nheengaíbas, onde índios eram tirados do mato pelas tropas de resgate (caçadores de escravos), ou pelo descimento de selvagens para a catequese cristã e proletarização até a solução final civilizatória do Diretório dos Índios (1757-1798), aos quais vieram se juntar os deportados da pobreza européia e os míseros escravos africanos que vieram formar os 'cabocos' que daí em diante seriam 'súditos de El-Rei, que acabaram por forma a "Criaturada Grande dos escritos da Dalcídio Jurandir da sua série de livros.....
A gente marajoara foi usurpada da grande Ilha dos Nheengaíbas para a adoção da Ilha Grande de Joanes, com a implantação das sesmarias marajoaras.
Foi nos anos de 1300 que os belicosos índios Aroans começaram a chegar pela costa norte da Ilha Grande de Joanes ou Marajó e começaram a fustigar as mais antigas aldeias nas Ilhas Caviana, Mexiana e Marajó Grande.
Enquanto que os Índios Tupinambás eram os Índios canibais vindos do Nordeste Brasileiro, chegados pela costa-fronteira do Pará, vindos do Maranhão através da Região do Salgado e do Rio Tocantins, que começaram a empurrar aqueles índios nativos para o centro das ilhas antes mesmo da chegada dos europeus por estas bandas. E desde a chegada dos primeiros cristãos no Caribe, nunca mais os antigos povos originais americanos tiveram paz até a presente data da colonização amazônica.
Mas convém salientar, cfe. José Varella Pereira, "de repente, na boca do maior rio do mundo, numa modesta 'ponta de pedra' - onde o Rio Marajó começa - o milagre da paz poderá ser renovada depois, no velho Marajó (Marayu-'gente malvada'), que começa no velho Itaguary ('ponta de pedras') é o destemido aruã, guerrilheiro de zabaratana em punho e dardos envenenados pelo mortal 'curare' para repelir e matar o antropófago invasor (índios Tupinambás). Assim, os 'Marajós'  falantes da 'língua ruim' foram barreiras vivas que brecou a marcha avassaladora dos Tupinambás, desde o Nordeste, antigamente Amazonas acima no rumo do Araguaia ('sítio sagrado onde o sol ata  rede para dormir (trecho de lenda indígena marajoara) e foram 40 e tantos anos de guerras indígenas, trilha do padre João do Souto Maior e sua tumba na terra dos índios Pacajás, em lutas a começar de Aricará (Melgaço) e Aricaru (Portel), onde primitivamente os índios Aruak e os índios Tupis mediram força violentamente durantes dezenas de anos.
Consta na relato do mameluco Diogo Nunes (1538) ao Governador Geral, Tomé de Souza a respeito da enorme migração Tupinambá de Pernambuco até o Peru, subindo pelo Alto Amazonas, em cruentas pelejas quando se encontravam no Rio Pará e Baixo Amazonas, localidades que estavam repletas de de aldeias indígenas, varando os Furos de Breves e Gurupá. Essa é a explicação para os Índios Tupinambas que chegaram ao Grão-Para através do Maranhão. 
E depois de rompidas as periclitantes 'pazes de Mapuá' (Vieira, 'Cartas' 11/02/1660) e quando os 'Jesuítas do 'Payaçu dos índios' foram expulsos do Pará (efetivamente em 1661), onde os bravios índios 'Aruãs' retomaram as armas contra os inimigos hereditários 'Tupinambás' e o aliado português, como prova o recomeço dos ataques dos ataques dos "Aruãs' aos 'índios mansos (escravos dos portugueses do Pará) das ilhargas de Belém, isto na 2ª década do século 18 e a guerra dos índios começada antes da chegada dos europeus. Foi então, que o cacique dos 'Aruãs' e Mexiana, o lendário bandoleiro 'Gumã' apoiado por traficantes franceses de Caiena, atacou a 'Aldeia Murueir; passando então a tropa de guardas costa a perseguí-lo para trazer vivo ou morto, assim como os desertores de sempre e escravos encontrados na jornada até Caiena PADRE ANTONIO VIEIRA
Alexandre Rodrigues Ferreira, naturalista
. Aldeia de Aricará (Melgaço)
. Aldeia de Aricaru (Portel)
Índios Tupinambás
Índios Nheengaíbas (Nuaruaques ou Marajós)
Fazenda São Francisco (depois Malato)
Aldeia dos Índios Guaianases (Guaimã)
Aldeia Samaúma (depois Beja, fazendo parte hoje de Abaetetuba)
Aldeia das Mangabeiras (depois Vila de Mangabeira)
Lugar de Vilar
Aldeia de Aricará (Melgaço)
Aldeia de Aricaru (Portel)
Índios Aruãs
Tudo isso está descrito  nas crônicas antigas dos 'padres jesuítas' do século 17, na "História da Companhia de Jesus no Brasil" e nos escritos dos renomados naturalistas que passaram pela Amazônia, especialmente do naturalista Alexandre Rodrigues Ferreira, que escreveu a monumental 'Viagem Filosófica' (1783-1792) com a 'Notícia Histórica da Ilha Grande de Joanes ou Marajó' (1783)'.
Em Melgaço,  o naturalista Alexandre Rodrigues Ferreira, poderia saber da geopolítica do recém instaurado reino de Portugal para consolidar a conquista do Amazonas tomado dos holandeses e ingleses, graças à rixa entre Índios Tupinambás e Nheengaíbas (Nuaruaques ou Marajós).
Paz de Mapuá
As aldeias de Aricará (Melgaço) e Aricaru (Portel) estão implicadas nas 'pazes de Mapuá' (Breves), feita através da ação do Padre Antonio Vieira (cfe. carta de 11/02/1660 a El-Rei de Portugal Afonso VI em 'História do Futuro' e o 'Reino de Jesus Cristo consumado na terra'.
Ninguém melhor que os os jesuítas por perto de outros 'sesmeiros' particulares ou religiosos (Mercedários e e Carmelitas, neste último caso) para aqueles 'índios bravios, desertores e escravos fugidos' dos centros das ilhas (cfe. "Notícias Históricas da Ilha Grande de Joanes ou Marajó' do naturalista Alexandre Rodrigues Ferreira-1783) que fizeram retardar a ocupação efetiva da ilha do Marajó durante 64 anos, desde a fundação de Belém do Pará até a construção do 1º curral de gado caboverdiano no Rio Arari (1680), pelo carpinteiro português Francisco Rodrigues Pereira.
Sabia o chanceler de Dom Afonso VI, por dever de ofício, da carta do Padre Antonio Vieira, datada de 11/02/1660, ao rei por intermédio da regente Dona Luísa de Gusmão, viúva de Dom João IV, relatando a situação da região pacificada após 44 anos anos de guerra de conquista, desde a tomada do Maranhão aos franceses, em 1615, incluindo a expulsão dos holandeses e ingleses do Xingu, Baixo Amazonas e Amapá (1623-1547) até as pazes de Mapuá (Breves) em 1659. O acordo rompido da 'Paz de Mapuá' , cujo apurado histórico é a fundação das aldeias missionárias junto aos 'Nheengaíbas' de Aricará (Melgaço e Arucará (Portel). Ou o chanceler escondeu deliberadamente essa notícia do El-Rei e sua regente Dona Luísa de Gusmão?
O fato é que o término da guerra entre indígenas está na consumação da paz selada entre os 7 caciques do Marajó e os portugueses do Pará - ver a carta do Padre Antonio Vieira ao Rei Dom Afonso VI, de 28/11/1654, publicada em 11/02/1660, acessível pela internet, segundo José Varella Pereira, (o sobrinho de Dalcídio Jurandir) que é o autor da maioria destes escritos, em fato que facilitou as expedições de conquista e exploração do Rio das Amazonas e ainda facilitou a 'Adesão do Pará à Independência', haja vista a nossa Adesão de 28 de maio de 1823 em Muaná, quando devemos lembrar os mártires paraenses da Adesão ao Império do Brasil e luta marajoara para pertencer integralmente à Pátria Brasileira
Após a quebra dos acordos da 'Paz de Mapuá' os índios bravios, desertores e escravos fugidos, mantiveram ao largo, pelo menos desde a quebra das pazes de Mapuá para doação da 'Ilha dos Nheengaíbas', pela má-fé do El-Rei lusitano, para criação da Capitania da Ilha Grande de Joanes e 64 anos depois da fundação do Presépio (Belém) por lusos e tupis de corda e braço.
Como consequência da paz selada entre índios em guerra e colonizadores, está a implantação da velha Fazenda São Francisco (hoje Malato), que foi a primeira sesmaria dos jesuítas na Ilha do Marajó, em cujas terras havia antes a Aldeia dos Índios Guaianases ('Guaimã), elevada em 1758 em Lugar de Vilar, tendo por padroeiro São  Francisco de Borja, e que foi também terras da dita sesmaria, formada a aldeia de catequese com ´'índios mansos' trazidos da Aldeia Samaúma (Beja), a Aldeia das Mangabeiras (hoje Vila de Mangabeira), que no quadro da expulsão dos jesuítas (1759) e implantação do 'Diretório dos Índios (1657-1798) passou junto com o Vilar a se chamar Lugar de Ponta de Pedras, tendo N. Senhora da Conceição por Padroeira (cfe. 'Notícia Histórica da Ilha Grande de Joanes ou Marajó, de Alexandre Rodrigues Ferreira, 1783. Mais tarde a Fazenda São Francisco foi expropriada da 'Missão' (1757) e doada em 1760, junto com outros bens, por ordem do chanceler, Marquês de Pombal, ao Sargento-mor (major) Domingos Pereira de Moraes, contemplado entre 'homens bons', antepassado do vereador Antonio Pereira de Moraes, o 1º presidente da Câmara da nova Vila de Ponta de Pedras (cfe. ata de instalação de 30/04/1878) e de seu irmão João Pereira de Moraes - vogal da dita câmara municipal.
Depois de rompidas as pazes de Mapuá (Vieira, 'cartas, 11/2/1660) e com a expulsão do Pará (1660) dos jesuítas do 'Payaçu dos índios' (Vieira), o que aconteceu aos bravos aruãs para eles retomares as armas contra os inimigos hereditários Tupinambás e o aliado português?. Certo que foi o rompimentos dos acordos de paz mediado por Vieira, quando retomaram os ataques dos Aruãs aos 'índios
Hoje existe a Agrovila Antonio Vieira, antiga Povoação Pau Grande, que foi o lugar de encontro desse padre com os então 'bravos Nheengaíbas', às ilhargas do igarapé da antiga Aldeias dos Guianases, que foi porta de pesca na costa-fronteira da Ilha Grande, servindo também à velha aldeia das Mangabeiras, à meia légua de distância (cerca de 3 km) em terras da 1ª Sesmaria dos Jesuítas e Fazenda São Francisco Xavier (Malato),1686
A cerimônia da paz selada entre os 7 caciques marajoaras aconteceu na antiga Igreja do Santo Cristo (que nada mais era do que uma simples barraca de palhas construída pelos índios Tupinambás e os índios anfitriões Mapuás, Aruãs, Anajás, Pixi-Pixi, Cambecas, Mamaianás e Tucujus), a fim de receber o Padre Antonio Vieira, demais padres da expedição, que vieram com escolta de portugueses e remadores tupinambás, vindos de Cametá até o Rio Mapuá (Breves), que na verdade era o Sítio da Paz dos Índios Nheengaíbas que se acha no 'rio dos Mapuaises', (grafia varia conforme autor dos escritos), Mapuá, no município de Breves, conforme a  'Carta de Antonio Vieira'.
Com a expulsão dos Padres Jesuítas, em 1759, a Aldeia dos Guianases passou a se chamar 'Lugar de Vilar', sob o orago de São Francisco, e hoje, nem mesmo o Igarapé do Vilar existe, extinto que foi pelo assoreamento.
Os Índios Nuaruques (comedores de farinha de mandioca brava), surgiram no ano de 1300, quando aconteceu a grande migração Aruã, em guerra antropofágica com os Índios Kalina, do mar, por isso os inventivos índios Nuaruaques se tornaram os donos do segredo do mortal 'curare', invadindo as ilhas Caviana, Mexiana até a Ilha Grande de Joanes ('Analáu' Yohynkaku- Marinatambalo) dos índios Nheengaíbas) que investiram sobre as mais antigas nações insulanas marajoaras, inclusive sobre o povo Iona, notável pela antiga Arte Cerãmica Marajoara. Foram esses bárbaros aruaques, com certeza, que com suas guerrilhas e emboscadas, armados de zabaratanas feitas de paxiúba e darbos feitos de talos de patauá envenenado que criaram a fama de 'malvados marajós, aprendizes de vespas assassinas e afilhados da cobra jararaca', freando assim nas ilhas a avassaladora avançada dos canibais Tupinambás, vindos do Nordeste, pelo Maranhão, conquistadores da antiga terra dos Tapuias, Para-uaçú ou Grão-Pará na tradução colonial portuguesa.
Índios Iuioanas e índios Aroans
A Ilha Grande de Joanes havia sido povoada por diversas nações de índios, como os Aroans, Mucoans, Ingaíbas, Mariapans, Mereuanuns e Cariponas, e entre esses povos também a Nação Iuioanas, este nome que depois se reduziu para Joanes.
O índio do povo sacaca Severino dos Santos, que era sargento-mor da ordenança dos Índios da Vila de Monforte, com 70 e tantos anos, explica a origem do nome Sacaca, nome que veio a substituir o nome da Nação Iuioanas. Esses índios foram para trabalhar na Fortaleza da barra da cidade de Belém, junto com índios de muitas outras etnias e naturalmente que não se falavam entre si, devido a variedade de línguas das várias etnias. O feitor desse trabalho, para animar os índios Iuioanas, os chamava de sacacon (aviar com o trabalho-que significa trabalhar com ânimo). E os índios das outras nações, que ali também estavam a trabalhar, ouvindo a gíria do dito feitor, começaram a chamar os índios Iuioanas pela gíria de "sacacas", e sacacas ficaram, inclusive os de sua nação inteira da Ilha Grande de Joanes ou Marajó.
Os ìndios Iuioanas (antes de serem Sacacas) habitavam os centros da ilha, nos lugares chamados Laranjeiras, Figueiras, Três Irmãos, Curuxis e por outras ilhas (são milhares de ilhas no Arquipélago do Marajó) em meio dos campos (são muitos campos no Marajó) em cabeceiras dos rios ou junto a lagos, enquanto não os perseguia os ìndios Aroans (estes eram índios selvagens que odiavam os índios submissos) e os Iuioanas eram também perseguidos pelos índios Tupinambás, estes vindo aos milhares do Maranhão, perseguição que obrigou os índios sacacas a descerem para a costa em que se acha a Vila de Monforte e os índios sacacas (Iuioanas) foram informados por alguns Índios Caripunás, a parte camarada, que na parte que no presente está a cidade do Pará (depois Belém), onde se achava gente branca valorosa pelas suas armas e que poderiam os proteger dos ataques e violências dos ìndios Aroans. (Foi assim que muitos índios Iuioanas chegaram para trabalhar na Fortaleza da Barra e se transformaram em ìndios Sacacas).
Depois, soldados foram mandados para a Vila de Monforte, para tentar conter os ataques dos índios Aroans.

ARTE MARAJOARA DA FASE PRECOLOMBIANA DOS INDIOS DA ILHA GRANDE DE JOANES OU MARAJÓ E OS TESOS E PACOVAIS
Índios Nheengaíbas
Índios Aroans (Aruãs)
Índios
Índios Mereauanuns
Índios Sacacas
Índios Ingaíbas
Índios Mocoans
Índios Mariapans
Índios Carupunás (Caripunas)
Arte Marajoara , Tesos e Pacovais
A grande Ilha do Marajó (maior do que a Holanda) apareenta políguino de 'sitios arqueológicos' correspondentes à ocorrência das primeiras sociedades complexas da Amazônia, tipo 'cacicado' denominado 'Cultura Marajoara de 1500 anos de idade, a mais velha universidade 'pés descalços' das terras das baixas das Américas, aquela singular eco-civilização que já estava na Ilha do Marajó há 1800 anos atrás, no tempo do 'homem do pacoval'.
O 'Teso do Pacoval', sítio arqueológico da 'Ilha dos Bichos' e outro monumentos naturais do tempo pré-invenção da Amazônia são vestígios da invenção marajoara cujas amostras se encontram em grandes museus do país e mundo
 A Cerâmica Marajoara pré-colombiana é reconhecida mundialmente como 'manifestação de arte primeva do Brasil' , onde peças e coleções valiosas dessa antiga arte encontram-se em diversos museus nacionais e estrangeiros de grande porte, enquanto em Cachoeira do Arari, com seu modesto 'IDH', o periclitante 'Museu do Marajó' resiste com sua história ímpar a partir de fragmentosd ('cacos de índios, segundo alguns marajoaras) e a inventiva de seu criador, Padre Giovanni Gallo, segundo o mesmo conta  em seu livro 'Motivos Ornamentais da Cerâmica Marajoara', assim também também afirma a arqueóloga Denise Schaan na obra 'Cultura Marajoara'.
Quanto aos 'tesos' na Ilha do Marajó, eles foram erguidos pelos antigos marajoaras no século V, sem uso de máquinas, que nem curso de engenharia tinham, mas fizeram esses grandes aterros a que chamamos de 'tesos' para edificar suas aldeias e hortos suspensos, barragens e reservatório de água para manter peixes em cativeiro sob o comando dos caciques Nheengaíbas...........
Os índios da Nação Aroans, índios Mereuanuns, índios Sacacas, e outros índios, habitantes das variadas ilhas marajoaras, possivelmente são também descendentes dos antigos índios da era pré-colombiana, em cujas terras foram achadas muitas panelas "ingassabas" (que é o mesmo que cântaros ou potes), tudo muito bem feito, achados debaixo da terra e dentro de algumas panelas grandes (cântaros) tem se achado alguns ossos de gente e caveiras, onde se colige ser costume (cultura) daqueles índios serem sepultados daquela forma. Em muitas das ilhas se tem achado muitos "pacovais" (aterros altos onde abunda a maniba e as bananas pacovas), mas nunca nenhum maior que o que se descobriu em 26/11/1756, o qual tem o comprimento de 300 braças e 30 braças de largo; e vários pés de maniba e plantas ananases e bananas pacovas.
Algumas Aldeias dos Índios da Ilha Grande ou Marajó 
Depois da intervenção das tropas militares os índios Aroans e outros se repartiram por várias aldeias:
. Aldeia de Najatuba, na contracosta da Ilha (litoral norte da Ilha do Marajó, hoje a cidade de Chaves)
. Aldeia de N.S. da Conceição (hoje Vila de Salvaterra)
. Aldeia São José (depois Lugar de Modim)
Todas da administração dos Padres Capuchos
. Aldeia de Joanes (Vila de Monforte)
. Aldeia de Caiá (Vila de Monsarás)
. Aldeia do Menino Jesus (hoje Vila de Soure-nesse tempo)
. Aldeia da Doutrina (Lugar de Condeixas)
Aldeia de S. Francisco dos Guianases (Lugar de Vilar)
. Aldeia das Mangabeiras (Lugar de Ponta de Pedras).
Os índios Ingaíbas ainda existem (nesse ano) nas vilas de Conde e Beja, que algum dia foi foram as aldeias Samaúma e Murtigura, da Administração dos padres jesuítas.
Os índios Mocoans, Mariapans e Caripunás por acaso ainda existem alguns de seus descendentes, ano de 1757 (que foram extintos ainda nesses tempos).
A Aldeia de Joanes, da administração dos padres de Santo Antonio, passou à Vila de Monforte.
A Aldeias de Caiá, da administração dos Padres de São Boaventura, passou para a Vila de Monsarás.
. A Aldeia de da Conceição, dos Padres de São Boaventura, passou para Vila de Salvaterra.
. A Akldeia do Menino Jesus, da administração dos Padres de Santo Antonio, passou para Vila de Soure.
. A Aldeias de São José, dos Padres de Santo Antonio, passou para Lugar de Mondim
. A Aldeia da Doutrina, no Rio Maruacá, dos Padres de São Boaventura, passou para Lugar de Condeixas.
. A Aldeia de S. Francisco dos Guaianases, dos Padres de São Boaventura, passou para Lugar de Vilar, perto de Ponta de Pedras.
. A Aldeias das Mangabeiras, dos Padres de São Boaventura, passou para o Lugar de Ponta de Pedras.

OUTRAS INFORMAÇÕES SOBRE A LOCALIZAÇÃO DAS ANTIGAS ALDEIAS, DEPOIS VILAS OU LUGARES NA ILHA DE JOANES OU MARAJÓ
Vilas de Monsarás e Monforte
. Corendo costa abaixo e sobre ela as duas vilas: Monsarás e Monforte
Lugar de Condeixa
. Ao pé de Monsarás, dentro do Rio Maruacá, rio acima e para a esquerda dele, o Lugar de Condeixa.
. Abaixo da Vila de de Monforte, coisa de 3 léguas, entrando pelo Rio Paracauari ou Igarapé Grande, para a esquerda do rio, a Vila de de Salvaterra.
. Defronte de Salvaterra, à direita, o Lugar de Mondim, e deste mesmo lado, à distância de 1/4 de légua, a Vila de Soure, costa acima de Monsarás para diante e pouco distante do Rio Arari o 1º Lugar de Vilar e, deste à distância de meia légua, o Lugar de Ponta de Pedras.
. E para mais adiante de um quarto de légua, o Rio Marajó-Guaçu, tudo roças de uns e fazendas de gado de outros.
Na contracosta da Ilha de Joanes ou Marajó, a Aldeia de Najatuba, da administração dos Padres de Santo Antonio, que passou à Vila de Chaves.
. A outra aldeia que havia dentro do Rio Cajuína, acima de Chaves, e pela esquerda do rio, chamada Santa Ana, passou o Lugar de Parada, mas este lugar se juntou depois, à 24 anos, a Vila de Chaves, sendo Diretor desta vila o Capitão Félix da Silva Cunha.
. Se de todas estas povoações tirarmos a soma e a ela juntarmos o novo lugar que criou o Sr. Capitão-General José de Nápoles Telo de Menezes no Rio Paracauari de invocação de Santa Ana dos Breves, vir-se-á que são 10 por todas as povoações da Ilha Grande de Joanes: 5 vilas e 5 lugares, sem nelas se incluírem ainda as fazendas particulares dos que a cultivam em diversos campos e rios.
. Uma coisa se não mudou no meio desta revolução geral, que foi em cada povoação a invocação da Igreja: ficaram todas sendo as mesmas que tinham quando aldeias:
Igreja de N.S. do Rosário, de Monforte
São Francisco, de Monsarás
N.S. da Conceição, Salvaterra
Menino Jesus, Soure
S. José, Lugar de Mondim
N. S. da Conceição, Lugar de Condeixa
S. Francisco, Lugar de Vilar
N.S. da Conceição, Lugar de Ponta de Pedras
E na contracosta da Ilha:
S. Francisco, Vila de Chaves
. Não falando agora das Missões que são vilas e lugares, como:
A 1ª Igreja Matriz de N.S. da Conceição sobre a Cachoeira do Rio Arari, que ainda existe corria o ano de 1747 quando veio para este sítio o Sr. Florentino da Silveira Frade, mudando-se com toda a sua família da fazenda que possuía no Guamá para esta que também tinha no Rio Arari e outras capelas.
. Convém salientar que o Rio Arari fica fronteiro à cidade do Pará (Belém),
. Na contracosta acima aparece o Rio Guaiapaúba, que reparte um braço que é chamado Rio dos Aroans para a parte do Rio Ganhoão

MAIS INFORMAÇÕES DO AUTOR DA "Notícia Histórica da Ilha Grande de Joanes ou Marajó" SOBRE OS ÍNDIOS MARAJOARAS
. Os índios são precisos  para o contrato do Pesqueiro Real, onde se pescam infinitas tainhas, além de gurijubas e mais peixes da costa.
. Os índios da Vila de Monforte são tidos como muito forçosos, industriosos e trabalhadores. Os Índios dessa vila são enviados também para os serviços particulares, e eles não têm tempo para nada, levantar suas casas, trabalhos de roças.
. Estou a dizer, Sr. Exmo, que mais escravos ficaram os índios depois de declarada sua liberdade do antes, onde quem ganha é o diretor, que zelava os seus ganhos, não importando que o índio adoeça, que morra, que estoure de trabalho, poque nesse trabalho ganha o contratador, o diretor, o juiz, etc. Do índio morrer ninguém perde, pois vem outro para substituí-lo....( se trata da reforma do Marquês de Pombal, que mandou trocar os nomes das antigas povoações e instituiu o chamado 'Diretório dos Índios').

FORTES NO PARÁ DURANTE AS INVASÕES ESTRANGEIRAS E GUERRAS CONTRA OS INDÍGENAS NOS SÉCULOS 17 E 18

OS INVASORES ESTRANGEIROS E OS GRUPOS INDÍGENAS DO GRÃO-PARÁ
. Índios Tupinambás, de Belém
. Índios Camarapins, tupinambás das margens do Rio Tocantins
. Índios Pacajás
. Índios Parissós
Os franceses, invasores do Maranhão e do Grão-Pará, sabiam como negociar com os índios Tupinambás que habitavam as margens do Rio Pará e recebiam destes toda a atenção, por sua educação e maneira pacífica com que conviviam com os índios. Essa convivência amistosa com os franceses vinha desde 8/7/1613, quando o fidalgo francês Daniel de La Touche, senhor de La Ravardiére chegou ao ponto onde mais tarde seriam lançados os fundamentos da cidade de Belém, primitivamente habitada por muitas tribos de índios tupinambás. Desse ponto saiu Daniel de La Touche, com forte contingente de franceses e indígenas em direção ao rio Tocantins e também fazendo guerras contra as tribos de índios hostis, como os índios Camarapins, tribo inimiga dos Tupinambás que habitavam as margens do Rio Tocantins. Os franceses e indígenas também fizeram guerra nas aldeias dos índios Pacajás e Parissós, que foram duramente combatidos e derrotados pelos invasores franceses.
Daniel de La Touche, tendo estado em terras onde seria fundada a Capitania de Cametá, ficou no Pará até 1616 quando da instalação da Capitania do Grão-Pará a 12 de janeiro desse ano.

. Índios Caripunas, no Oiapoque
. Índios Nheengaíbas, do Marajó
. Índios Aruãs, do Marajó
Após a expulsão do Pará os franceses fugiram para o distante Oiapoque. Muitos gentios do Grão-Pará também fugiram junto com os franceses para o Oiapoque, constituindo a nação dos Índios Caripunas remanescentes, naquela localidade.
Igualmente os invasores holandeses sabiam como tratar com os selvagens do Grão-Pará, a quem os índios Nheengaíbas e Aruãs do Marajó dispensavam amizade e com quem comercializavam, enchendo seus navios de peixe-boi, animal abundante na Ilha Grande de Joannes, em 1616. Essa ilha era densamente povoada de gentios.

Aldeias ou Missões dos Padres Capuchos de São José
. Forte de Gurupá
. Aldeia de Mariocai
Índios Nheengaíbas
Índios Mapuás
Gurupá, no fim do Ciclo da Borracha, na Amazônia onde desponta a imagem inigmática do arruinado Forte de Santo Antonio e a exclusão social que assombra o cenário; Gurupá, onde saberíamos a verdadeira história da conquista de Gurupá, primordialmente pelo feito de arcos e remos da brava nação dos Tupinambás, onde conquistadores europeus de passagem através do Baixo Tocantins e o Rio Pará, em busca guerreira da 'terra sem mal', antiga Aldeia de Mariocai.
Cinco mil anos de namalismo indígena e dois mil anos dos 'sítios arqueológicos da vestuta 'Cultura Marajoara', nos comtemplam do cimo do Forte de Gurupá com seus canhões frios e silenciosos apontados para inimigos invisíveis e fantasmas do Rio Babel na memória abandonada da conquista portuguesa para a expulsão dos estrangeiros desde o Maranhão até o Amapá. E foram 44 anos de 'guerra das Amazonas' até as mal cozidas 'pazes de Mapuá'.
E assim, se o nosso Brasil já houvesse empoderado oficial e efetivamente da milenar 'Cultura Marajoara' como deveria ser hoje - 15 de agosto - não haveria feriado estadual da farsa 'Adesão do Pará', quepariu a Revolta dos Cabanos, traídos tantas vezes pelos coloniais luso-brasileiros, em detrimento dos marajoaras brasileiros desde Muaná de 28/5/1823.
Então, a esquecida 'paz' celebrada na Igreja de Santo Cristo, improvisada na mata pelos 'índios guerrilheiros Nheengaíbas e consagrada pelo Padre Antonio Vieira, na beira do 'Rio dos Mapuases' (Mapuá).
O Museu Goeldi está no no município de Marupá desde 2013 realizando estudos arqueológicos e ações de educação patrimonial sempre em colaboração com a população e os gestores locais na Reserva Ambietal do Jucupi, que revelou grande potencial histórico e estará fazendo escavações no Forte de Santo Antonio de Gurupá, outrora o bastião contra a invasão estrangeira e esses sítios arqueológicos de Gurupá são importantes também porque revelam uma história milenar de presença indígena e de intensos contatos interculturais, com legado de holandeses, portugueses, quilombolas e judeus.

O RIO MARAJÓ
Índios Aruans (Aruãs)
Índios Nheengaíbas
O Rio Marajó que deu nome a grande ilha e tudo mais derivado deste topônimo e, consequentemente do 'homem mau'  (marãyu), guerrilheiro aruã invisível na peleja, falante da 'língua ruim' (nheengaíba), que ali viveu, lutou e deixou descendência após 5 mil e tantos anos de nomalismo atrás de peixe para comer pelas beiras do grande  Rio das Amazonas e beira-mar desde as ilhas do Caribe. Gente que quase 2 mil anos inventou por acaso a "Cerâmica Marajoara', práticos de barro do começo do mundo, arquitetos de aldeias suspensas sobre campos alagados ('tesos') donde a Cerâmica Marajoara, Arte Primeira do Brasil e 1ª cultura complexa das regiões amazônicas foi parida.
Nós, marajoaras, portanto, somos filhos dos primeiros 'negros da terra (escravos indígenas) da América do Sul. Certo, os 'negros da terra, propriamente ditos.
Essa Ilha dos Aruãs ou Nhengaíbas, foi expropriada em 1665, por doação da Capitania da Ilha Grande de Joanes ao Secretário de Estado Antonio de Sousa de Macedo, donatário que nunca pôs os pés em Melgaço, aliás Aldeia Aricará ou então qualquer lugar do Pará.

LITERATURA DE DALCÍDIO JURANDIR E O MUSEU DO MARAJÓ DO PADRE GIOVANNI GALLO
Índios Araris
O 'Índio Sutil', Dalcídio Jurandir, alcunha intuída pelo escritor baiano Jorge Amado para Dalcídio, apesar deste ser 'mulato na pele', remanescente dos extintos Índios Araris'. Tempo viria, depois, para o 'comunista marajoara' (foi preso por causa de sua ideologia) ficar acamaradado do antropólogo gringo Charles Wagley (1913-1991) que andava estudando 'as gentes das ilhas' com Eduardo Galvão, então diretor do Museu Paraense em luta, inclusive, contra a 'malária' dos 'soldados da borracha'.
e sua 'Criaturada Grande'
Índios Marajoaras
José Varella Pereira, sobrinho do escritor marajoara Dalcídio Jurandir, também luta em favor do reconhecimento da obra literária de seu tio Dalcídio e com o sonho da literatura de seu tio se tornar uma atração turística líterocultural em Cachoeira e pela preservação do Museu do Marajó, este criado pelo Padre Giovanni Gallo.
Dalcídio Jurandir, ganhou a alcunha de 'Índio Sutil" de seu colega de letras, Jorge Amado e .na expressão da escritora paraense Eneida de Moraes o povo marajoara mais simples e pobre ganhou a alcunha de 'Criaturada Grande' devido sua obra vir permeada de personagens pobres formada pelas populações tradicionais ribeirinhas vindos daquelas antigas etnias indígenas de Nheengaíbas, vítimas da geopolítica colonial, agora agravada pela exclusão social dos governantes paraenses, onde José Pereira Valente, sobrinho de Dalcídio, sonha com um turismo literário na Ilha, assim como na implantação da Universidade Federal do Marajó, para ajudar na promoção humana, social, cultural e econômica dos habitantes dessa localidade que amarga os piores índices de pobreza do Brasil ou em palavras estatísticas, onde prolifera o pior 'índice de desenvolvimento humano' do Brasil, pelo menos em algumas localidades com belezas naturais exuberantes.
A expressão 'Criaturada Grande', de Eneida de Moraes, nasceu nos idos anos de 1930, na célebre 'Academia do Peixe Frito' nas decisões a respeito da vocação econômica da região estuarina, levado pelo esplendor natural e cultural dessa região das ilhas situadas na região deltáica-estuarina amazônica, onde a pobreza de sua gente é absurda e que poderia ser atenuada por um turismo responsável nessas ilhas do estuário do maior rio do mundo. 
O 1º romance de Dalcídio Jurandir retrata o contexto marajoara baseado no que se tornara a velha vila de pescadores dos antigos nativos marajoaras,
Dalcídio Jurandir, recém saído da Cadeia de São José, em Belém, em 1939
No Delta-estuário do maior rio da terra, nós somos mais de 2000 ilhas com porção de terra forme, com mais de 500 aldeias ou comunidades pertencentes a 16 municípios, dos quais metade da população é analfabeta de pai e mãe, mais os analfabetos funcionais e não muito menos analfabetos políticos, o que nós diz o fracasso que foi a implantação de 'sesmarias', com a política do 'Diretório dos Índios' e a seu lema de 'Civilização Indígena', que tornou os indígenas mais escravos do que foram antes quando estavam sobre a proteção dos Padres Missionários, especialmente os Jesuítas, que acabaram sendo expulsos do Pará em 1760, e com a consequente implantação daquela 'Civilização dos Indígenas' do Marquês de Pombal, com a desastrosa transformação das antigas 'Aldeias Indígenas', sob a tutela dos Padres Missionários, em Vilas ou Lugares, onde a figura do Diretor dos Índios, em conluio com as demais autoridades, fazendeiros e contratantes dos Pesqueiros Reais, transformaram os índios em mais escravos do que já eram, isto refletindo também no desaparecimento da cultura e dos próprios povos indígenas do Marajó e Pará, transformando-os todos em 'cabocos', súditos de El-Rei.
O livro 'Ribanceiras', o último romance do ciclo literário 'Extremo Norte' de Dalcídio Jurandir, o 'Índio Sutil citado acima, recebeu o prêmio 'Machado de Assis (1972, da ABL-Academia Brasileira de Letras, este que foi o único prêmio até hoje dado para um romancista da Amazônia.
onde os fazendeiros, herdeiros de sesmarias, 
O 'Indio Sutil', Dalcídio Jurandir nasceu em Ponta de Pedras em 10/01/1909 no antigo chalé de seu pai Capitão Alfredo Nascimento Pereira, autor da gazetilha 'O Arary' e faleceu no Rio de janeiro em 16/06/1979. O pai de Dalcídio Jurandir é retratado no romance 'Chove nos campos de Cachoeira, escrito em 1939, na Vila de Salvaterra, então distrito de Soure. Dalcídio Jurandir com placa alusiva ao seu Centenário de seu nascimentono antigo chalé e faixa com transcrição de anotações do acervo de Dalcídio, imagens do escritor com o chalé e do original do livro "Chove nos Campos de Cachoeira,  na Casa de Rui Barbosa, Botafogo, Rio de Janeiro.
'Marajó (aliás Marinatambalo da lenda indígena), festejado pela crítica literária como '1º romance sociológico, além de ser uma narrativa de irrecusável valor literário (segundo Aldemaro Taranto Goulart), escrito em 1939 na humilde Vila de pescadores de Salvaterra, na Ilha do Marajó. Aliás os dois primeiros romances-mestres do ciclo 'Extremo Norte', de dalcídio Jurandir, 'Chove nos campos de cachoeira' e 'Marajó' são as duas faces do mesmo dalcidiano chão encharcado das águas do dilúvio equatorial, povoado pela 'criaturada' em meio a peixes, gado do rio e dos campos, passarada e bichos do fundo encantado: na ordem cronológica de elaboração, o romance de Alfredo, veio muito antes..
No retiro do escritor saído da prisão, na velha 'aldeia sacaca', invadida antigamente pelos bravos aruãs e civilizada na marra pelo 'diretor dos índios' do Marquês de Pombal.
Sobressai nos seus escritos o paneiro indígena, cesto de tala de miriti ou jupati, o pai d'egua 'jamaxi com que os índios carregam o mundo sobre as costas ou o 'aturá' com que cabocos aturam o peso da lida. Dalcídio Jurandir (Dalcídio José Ramos Pereira) também trabalhou o  barro do princípio do mundo-Marajó a fim de revitalizar ruínas idílicas do rio 'Babel' pela magia do verbo resgatado no romance amazônico para restaurar de palavras encantadoras como mel selvagem de 'jandira' (donde seu pseudonimo foi adotado)  para tirar o fel da triste lida do gado na dura vida da sua 'criaturada'. E o que ele, paresque, veio ao mundo trazido pela luz do relâmpago parido em riba de esteira sobre o frio chão numa barraca de paredes de de barro e pau-a-pique coberta de palha de inajá tirada da mata à ilharga de casa.
E ilhas filhas da pororoca do mar com o grande Amazonas . Era a chuva, os campos alagados, o chalé na baixada inundada, e cachoeira do Rio Arari que exigiam palavras próprias para expressar o parto do mundo, daquele especialmente: a voz dos bichos e da gente quase bicho, os seres encantados, que chamavam pela  existência face a olhos e ouvidos humanos, onde, paresque, a lusa Salvaterra, hoje naturalizada ao pís que se chama Pará; serve de capa a antiga pátria 'sacaca' e salva a honra dos descendentes da resiliente 'nação Yona; os mais velhos marajós conhecidos dentre todos mais 'Nheengaíbas' da época colonial - aportuguesados já pela corruptela 'Joanes': prevenidos do coletivo mal de Elzheimar 'caboco' pela prodigiosa do indio velho, Severino dos Santos, já citado, desembarcado na velha aldeia dos Joanes (Yona ou sakakas); o prodígio da conquista do baluarte holandês de Mariocay (no Gurupá), 1623, que deveria ser atribuído ao endiabrado Jurupari dos bravos Tupinambás.
Ficou 7 meses de molho no xadrez de São José, para aí, sim, escrever o "Chove) com Alfredo e todos mais salvos do primitivo palimpseto da 'Criaturada'.
E Dalcídio ainda diz: "Quando eu morrer levem-me para Cachoeira, enterrem-me debaixo da 'Folha Miúda' (a minha árvore, defronte do chalé, toda a minha infância), quero ficar ali, perto do rio e perto da casa debaixo daquela sombra entre os ninhos e as estrelas, parece que todos os meus sonhos ficaram pendurados naqueles ramos todos, meu primeiro deslumbramento. Eis porque minha saudade me faz ter esse desejo romântico.".
O ano de 1972 foi o ano do reconhecimento da obra literária do "Índio Sutil' Dalcídio Jurandir pela Academia Brasileira de Letras, com o prêmio 'Machado de Assis' e que também foi o ano em que o Padre Giovanni Gallo fundou o 'Museu do Marajó'
Dalcídio Jurandir era filho do 2º casamento de seu pai ' o mestre escola e rábula da Vila de Ponta de Pedras Alfredo Nascimento Pereira' , e Jurandir nascido na humilde casa de seu tio materno Manoel Eustáquio Ramos no bairro do Campinho. Sua mãe, Margarida Ramos era uma jovem mulher negra solteira que fica grávida do capitão viúvo de sua 1ª mulher Antonia Silva, uma indígena da Aldeia de Mangabeira (Ponta de Pedras) e Margarida era ex-aluna da da escola primária da localidade e o seu tio Manoel Eustáquio registro o menino com o nome de Dalcídio José Ramos, no cartório de Malato (Ponta de Pedras, ano de 1909.
No ano de 1910 o pai de Dalcídio, o Capitão Alfredo deixa os filhos do 1] casamento em Ponta de Pedras e muda com sua nova família para a vizinha Vila de Cachoeira (Araraúna, atual Cachoeira do Arari) onde adquire o famoso chalé retratado no romance de seu filho mais famoso, onde roi nomeado secretário da da intendência municipal, na administração do Coronel Bento Lobato de Miranda (Vide livro 'Três casas e um rio' e outros liros de Dalcídio. Em Cachoeira, o Capitão Alfredo e Dona Margarida se casaram formalmente de papel passado e no reconhecimento de paternidade que o registro de nascimento do escritor foi retificado com o nome de DalcídioJosé Ramos Pereira (e Dalcídio Jurandir ficou como pseudônimo literário) e toda a infância do escritor transcorreu em Cachoeira, entre 1910 e 1922, tendo viajado algumas vezes com seu pai para Ponta de Pedras e Belém.. Com 13 anos em Belém frequentou o Grupo Escolar "Barão do Rio Branco" a fim de terminar o curso primário e começar a cursar o ginasial no "Paes de Carvalho".
Em 1986 Dalcídio Jurandir publicou, através do Campus de Soure (Marajó)/UFPA, o livro 'Tragédia e Comédio de um escritor Novo do Norte."

PADRE GIOVANNI GALLO
Toda a história da experiência de Giovanni Gallo (Turim, Itália 1927-Belém do Pará 2003) está em sua autobiografia 'O Homem que implodiu'. Já o livro-reportagem 'Marajó, a ditadura da água' estabeleceu conexão direta entre o chão de Dalcídio e 'Cacos de Índio'  do incrível 'museu do Padre Gallo' onde o premiado 'Índios Sutil' e seu ciclo de romances 'Extremo Norte', entrou sem precisar bater a porta de entrada, pois parecia estar esperando pela primeira manhã onde 'cacos' que eram fragmentos de peças de barro, seram como sementes de um novo tempo. Mas o indispensável livro 'Motivos Ornamentais' é o passaporte do 'Museu do Marajó' para a incortonável arqueologia da Amazônia Marajoara, na reconstrução da identidade da 'Criaturada Grande' de Dalcídio e, sobretudo, a ponte entre a obra ancestral dos antigos 'marajoaras' e a fundamental pesquisa conteporânea de Denise Schaan, com as novas contribuições ao conhecimento dos 'tesos' e a herança do 'Homem de Pacoval' achado por acaso em 20/11/1756. A notícia deste furtivo achado, posto que tardia, ecoou na exposição universal de Chicago, Estados Unidos (1893), porém apesar de tantos esforços ainda não chegou com toda honra devida em Brasília, Capital Federal, Não poque a brava gente marajoara não tenha lutado. (do lv. de Denise Pahl Schaan, Senai, 2009-399 páginas
1932, foi o ano de criação do "Museu do Marajó' pelo obstinado padre dos pescadores Giovanni Gallo, que também o ano do reconhecimento da obra literária do ' Índio Sutil", Dalcidio Juarandir, que foram dois acontecimentos emblemáticos para a Amazonidade, embora separados e ocorridos em locais díspares e distantes - o Rio de Janeiro cosmopolita e o pequeno e isolado município de Santa Cruz do Arari, no Marajó, porém dotados de formidável importãncia histórica na construção da consciência social, cultural e política do povo marajoara (este oriundo dos índios marajoaras) como se pode constatar na correspondência de Maria de Belém Meneses (filha do poeta Bruno de Menezes) com Dalcídio Jurandir, que suscitou à distância o livro reportagem 'Marajó, a ditadura da água', do Padre Giovanni Gallo, dando começo a uma renascença inesperada e vasão a resiliência inerente na bravura de uma gente incomparável, remanescente de 'índios bravios, desertores e escravos fugidos' nos centros da ilha (cfe. Alexandre Rodrigues Ferreira em 'Notícias Históricas da Ilha Grande de Joanes ou Marajó) que retardaram a colonização por mais de 50 anos desde a tomada do Forte de Mariocai (Gurupá) em 1623.
Os 'cacos de índios' podem fazer prodígio de remendar o passado, no exemplo invulgar do 'Museu do Marajó', onde gente do povo vai aprender a ver com as pontas dos dedos, o tecido do tempo arqueológico através duma escrita à 'la Braile', inventado pelo casamento da necessidade com o acaso, coisa feita por um padre daltônico, que talvez deixaria o pioneiro evolucionista Charles Robert darwin, viajante do 'H.M.S. Beagle) do Capitão Robert Fitz Roy, em 15/09/1835 e lá permanecendo até 20/10, um mês e cinco dias para detonar uma revolução na evolução das espécies. E esse padre pesquisador deixaria Wallace feliz da vida em saber e querer ver de perto pra contar de certo a respeito da 'Ilha dos Bichos', filha legítima da necessidade com o acaso, com o sítio arqueológico a meio caminho de distãncia entre a finada 'cachoeira' do Rio Arari e o desencatado lago 'Guajará'.
Em 2003 morreu o Gallo, o 'o padre dos Pescadores do lago Arari', onde existem centenas de "sítios arqueológicos' e outros lugares marajoaras.
É uma pena mesmo que essa 'arte marajoara' e seus autores 'indios pré-colombianos marajoaras', que ajudaram na formação cultural antiga do Brasil, seja tão pouco valorizada pelos nossos governantes e que essa valorização também pudesse gerar rendas de um turismo literário e cultural no Marajó, como tantas vezes José Varella Pereira tem pugnado em suas postagens no seu blog 'gentemarajoara.blogspot.com.br' 
Acesse e leia esses escritos tão bem feitos por alguém que tem conhecimentos de causa e, portanto, conhece e escreve com rara maestria e precisão sobre a peculiar cultura marajoara, antiga e nova, como também escrevia seu tio Dalcídio Jurandir, o 'Índio Sutil'.

EPOPÉIA DOS ÍNDIOS PARAENSES

Na epopéia dos Índios paraenses, na utopia da Yvy marãey (terra sem mal), o rio Babel (Amazonas) para as multidões aruacas, vivendo nas suas margens, pescando de zagaias ou a praticar a pesca de gapuia pelos baixios a pegar peixes com a mão, toda esta imensidão de águas grandes se chamando simplesmente, o Rio (Uêne, água), cego na busca encantadas ou utopia selvagem onde não haverá fome, trabalho escravo, doença, velhice e morte na Yvy marãey, onde o orgulhoso conquistador Tupinambá deu nome novo ao velho rio dos Tapuias, chamando-o de Paraná-Uaçu (que os lusitanos traduziram corretamente em Grão-Pará, que mal sabiam as agruras e gueras que iriam passar. Mas a antiga Tapuya tetama (terra dos Tapuias) no mapa dos portugueses acabou passando a Rio das Amazonas, desde a boca até as cabeceiras.
Depois que a geografia cultural do conquistador devorou todas as nações da Tapuiarama e a massagada Tapuia foi catequizada com suas aldeias elevadas em 'vilas e lugares' portugueses e que a 'Pax de Mapuá, 1659, colocando termo a 44 anos de guerra de expulsão dos estrangeiros desde a tomada do Maranhão e sua usurpação para a doação da capitania Hereditária, 1665-1757, agravada pela expropriação de catequese e fazendas das missões pelo 'Diretório dos Índios (1757-1798) (Leia 'Rio babel' do professor José Ribamar Lessa Freire).
E após tantos maus tratos do colonizador os Índios são  obrigados a deflagar a revolta de 7 de janeiro de 1619 dos Tupinambás do Maranhão e Grão-Pará, e na surda resistência marajoara, desde quando a invasão da Terra Tapuia teve começo, antes mesmo da chegada dos primeiros estrangeiros e quando os índios se tornaram 'negros da terra' (escravos indígenas, aos quais vieram se juntar os escravos africanos, forros (escravos libertos), cafuzos, cabocos, curibocas  e o campesinato degredado para povoar a terra pelo casamento com as índias catequizadas, tudo isso ao longo de 2 séculos, desde a fundação de Belém do Pará e que dá como resultado isso que se chama povo paraense de tantas lutas, que no Império Brasileiro veio a se revoltar contra os maus tratos e privilégios da elite governamental e comercial paraense, tomada ainda de negociantes portugueses, novos exploradores das massas humanas necessitadas, novamente escravizadas, usadas, enganadas e ludibriadas no comércio látex, do Ciclo da Borracha.

ÍNDÍOS DO BAIXO TOCANTINS, BELÉM E OUTRAS LOCALIDADES
Parte dos textos extraídos de autores e historiadores paraenses
Índios Camutás
Os índios Camutás receberam esse nome dos índios Tupinambás, pela fato de morarem em casas construídas em árvores.

A CHEGADA DOS MISSIONÁRIOS CAPUCHOS E JESUÍTAS E A COLONIZAÇÃO DO GRÃO-PARÁ
Índios Caripunas, do Tocantins
Índios Aruãs, do Marajó
Índios Tucujus, da Foz do Rio Amazonas
Índios da Tribo Canhoão
Missão dos Amaquizes
Em 22/7/1617 chegaram à Belém, vindos do Maranhão, os religiosos capuchos da Província de Santo Antonio, Frei Cristovam de São José, Frei Sebastião do Rosário, Frei Felipe de São Boaventura, sob a direção de Frei Antonio de Marciana e os mesmos presenciaram no Forte do Presépio o clima de hostilidade contra os indígenas, clima francamente contrário aos seus objetivos de catequese.
Se os indígenas fugiam do convívio com os brancos, pelo terror que lhe infundiam as armas e as desmedidas ambições dos colonos portugueses, que estavam sob a tutela de Castelo Branco, aproximavam-se confiantes dos padres capuchos, especialmente do Frei Cristovam de São José, que foi o primeiro a lançar-se nas selvas paraenses, em 1620, em busca de almas selvagens para a civilização cristã.
Foi a catequese desse frei junto a tribo dos índios Camutás, em um sítio denominado Cametá-tapera, que lançou os fundamentos da futura Vila Viçosa de Santa Cruz de Camutá (elevada à vila em 1635), onde havia de ser ereta a Capitania de Feliciano Coelho de Carvalho. Com a ajuda dos gentios catequizados o Frei Cristovam de São José abriu caminho em direção a outras tribos das florestas do Baixo Tocantins.
O trabalho de catequese dos padres Capuchos tornou-se notável no Grão-Pará, que foi o primeiro trabalho na evangelização dos nativos da região e na entrada através do sertão, onde encontraram e doutrinaram índios das NAÇÕES Caripunas, Aruãs, Tucujús e Canhoão, aldeando-os na missão dos Amaquizes.

Igualmente notável foi o trabalho de outros religiosos, entre os quais os Jesuítas.
Índios Aruãs, do Marajó
O primeiro jesuíta a desembarcar na cidade de Belém foi o padre Luís Figueira, no ano de 1636, acompanhando o Governador Francisco Coelho de Carvalho. Esse padre subiu o rio Amazonas e começou a evangelização das TRIBOS do rio Xingu.
Para prosseguir na sua jornada junto às tribos do Pará, o Padre Figueira retorna à Europa a fim de trazer mais religiosos para a obra de catequese dos gentios. Em 1645, viajando com o Governador Pedro de Albuquerque, estava de volta ao Amazonas com mais 14 missionários, porém a fatalidade não permitiu a realização de seu sonho. Naufragou esse padre às proximidades da Baía do Sol e conseguiu chegar à Ilha do Marajó, onde foi trucidado junto com nove de seus companheiros pelos ferozes índios Aruãs daquela localidade, fato que refletia o ódio que os índios nutriam pelos conquistadores portugueses.
Somente em 1653 é que os jesuítas recomeçaram seu trabalho missionário de doutrinação do gentio e também dos filhos dos colonos do Grão-Pará e a construção de igrejas, a partir de Belém. Foi grandioso o trabalho dos jesuítas no Pará, subindo os rios e penetrando em lugares inóspitos, fundando povoados, levando a Palavra de Deus aos índios e tornando-os excelentes colaboradores dos portugueses na obra de penetração do sertão.

O Padre Antonio Vieira:
Índios Nheengaíbas, do Marajó
O grande e famoso Padre Antonio Vieira chegou à Belém em 1653, acompanhando os padres Francisco Veloso e Antonio Ribeiro e do irmão Luís, iniciou um trabalho no Pará que resultou na pacificação dos índios Nheengaíbas, do Marajó, em 1655, que estavam em conflito com os colonos portugueses. No Marajó os jesuítas também estabeleceram fazendas de gado vacum e cavalar com mais de 130.000 mil cabeças de gado.
A notável pacificação de mais de cem mil guerreiros Nheengaíbas pelo Padre Antonio Vieira, que tornaram-se submissos aos sermões do grande pregador, levaram esses guerreiros a fazer as pazes com os lusitanos. Foi a ajuda decisiva dos missionários católicos que facilitou a colonização do Grão-Pará. Porém a catequização dos gentios por esses padres, mesmo que com a melhor da boa vontade ou como inocentes úteis na história de colonização do Pará, vai merecer de nossa parte algumas análises, visto que essa catequese muito ajudou na perda da identidade cultural desses antigos povos e no seu extermínio em massa pelas tropas portuguesas.
O bom tratamento que os padres dispensavam aos índios era suficiente para garantir a segurança desses sacerdotes contra as investidas bélicas das tribos com quem estabeleciam contato e demonstrava que a altivez guerreira podia ser refreada por bons tratamentos, coisa que a arrogância de Caldeira Castelo Branco não enxergava.
Porém alguns padres missionários foram sacrificados em 1649 em assaltos dos indígenas revoltados com a crueldade das tropas e dos colonos portugueses contra os gentios. Mas esses padres não desistiram de lutar pela liberdade dos índios e como seus protetores da sanha dos brancos.
Igualmente notável foi o trabalho de outros religiosos, entre os quais os Jesuítas
Índios Aruãs, do Marajó
O primeiro jesuíta a desembarcar na cidade de Belém foi o padre Luís Figueira, no ano de 1636, acompanhando o Governador Francisco Coelho de Carvalho. Esse padre subiu o rio Amazonas e começou a evangelização das TRIBOS do rio Xingu.
Para prosseguir na sua jornada junto às tribos do Pará, o Padre Figueira retorna à Europa a fim de trazer mais religiosos para a obra de catequese dos gentios. Em 1645, viajando com o Governador Pedro de Albuquerque, estava de volta ao Amazonas com mais 14 missionários, porém a fatalidade não permitiu a realização de seu sonho. Naufragou esse padre às proximidades da Baía do Sol e conseguiu chegar à Ilha do Marajó, onde foi trucidado junto com nove de seus companheiros pelos ferozes índios Aruãs daquela localidade, fato que refletia o ódio que os índios nutriam pelos conquistadores portugueses.
Somente em 1653 é que os jesuítas recomeçaram seu trabalho missionário de doutrinação do gentio e também dos filhos dos colonos do Grão-Pará e a construção de igrejas, a partir de Belém. Foi grandioso o trabalho dos jesuítas no Pará, subindo os rios e penetrando em lugares inóspitos, fundando povoados, levando a Palavra de Deus aos índios e tornando-os excelentes colaboradores dos portugueses na obra de penetração do sertão.

CATEQUESE, MISSÕES, NAÇÕES, ETNIAS, POVOS E ALDEIAS INDÍGENAS
Foram muitos os núcleos de catequese, missões ou aldeias de índios fundadas pelas ordens religiosas no Pará até o ano de 1751, como:
Muitas aldeias sob a administração dos padres Capuchos, entre as quais:
Aldeias ou missões de:
Menino Jesus
São José
Anaiatuba
Bocas
Caviana
Urubuquara
Acarapy
Parú (esta fundada entre 1757-1758 e que deu origem ao município de Almeirim)
Aldeia dos Aruãs, no Marajó
Aldeia dos índios Camutás, no Baixo Tocantins, Cametá
E mais duas aldeias na Ilha de Joannes (uma das quais a Aldeia dos Aruãs, fundada entre 1757-1758, que deu origem ao município de Chaves)
Uma aldeia dos índios Camutás (vide acima, origem da cidade de Cametá), sob a direção dos padres capuchos de Santo Antonio.

Aldeias ou missões de:
Mangabeiras
Cayá
Conceição
Iaray
Tauary
Urumacu, missionadas pelos padres capuchos da Conceição da Beira e Minho;

Aldeias ou missões de:
Gurupá
Acapijó
Caviana
Maturú (fundada em 1639, que dá origem, em 16/71758 à Vila de Porto de Moz), missionadas pelos padres capuchos de São José.
Aldeias ou missões de:
Jamundá (hoje município de Faro)
Juruti
Pauxis Hoje município de Óbidos)
Outeiro (hoje município de Prainha)
Curuá
Manemá
Surubiú (hoje município de Alenquer)
Gurupatiba (origem do município de Monte Alegre), dos padres capuchos de Nossa Senhora da Piedade.

Aldeias ou missões de:
Coary
Tefé
Maneruá
Paraguary
Tucuruatuba
São Paulo
São Pedro
Jaú, Caragary
Comaru
Mariná
São Caetano
Cabuquana
Bararuá
Dary, no Rio Negro, pelos padres do Carmo;
Uma aldeia no sertão dos índios Urubu
E a aldeia de Mangabeira, em Marajó-assu, origem do povoado de Itaguary, pelos padres das Mercês.
Muitas aldeias ou missões sob a administração dos padres Jesuítas, chegados ao Pará em 1636, entre as quais:
Maracanã
Cabu
Vigia
Mortigura
Sumahuma
Araticu
Aricará
Borari
Camaú
Santo Inácio
Itacuruçá
Piramiry
São José
Abacaxis
Trocano
E uma aldeia na Capitania de Camutá
E outra na Capitania de Caeté
Essas aldeias fundadas pelas ordens religiosas seriam a origem de muitos municípios paraenses e pode-se dizer que a catequese dos padres missionários foi o maior trabalho de desbravamento feito no 1º século da fundação do Grão-Pará. Sem esse trabalho os portugueses não conseguiriam colonizar o Pará.
Nessas aldeias ou missões os padres ensinavam as várias profissões da época, como as de carpinteiros, pedreiros e marceneiros, que foram muito úteis nas obras de edificações dos padres e dos conquistadores portugueses. Outras profissões foram ensinadas pelos padres como as de sapateiros, ferreiros, alfaiates e na lavra da terra.
Caso as antigas aldeias de índios, fundadas e disciplinadas pelos padres de diversas ordens que funcionaram no Pará não tivessem sido mudada de nome pelo Governador Francisco Xavier de Mendonça Furtado, em 1751, muitas cidades do Pará teriam ainda os nomes indígenas dados pelos padres, como:
Desde 1570, com D. Sebastião, existiam editos reais para proteção dos nativos do Brasil e que dizia que somente em justa guerra eles podiam ser cativos dos brancos, editos que foram francamente derrespeitados pelos governantes e magistrados da Capitania do Grão-Pará.
Em 29/5/1649 conseguiram os jesuítas a Ordem Régia para que os nativos não fossem mais obrigados a trabalhar sem salário, nem sujeitos às violências dos brancos, o que equivalia à liberdade dos nativos. Foi a partir daí que se iniciaram as intrigas dos colonos portugueses contra os padres missionários, que inclusive pesou na expulsão desses padres por várias vezes do Pará. O Rei aboliu a Ordem Régia e voltaram os índios ao cativeiro. Outra lei veio em favor dos índios protegidos pelo “Regimento dos Órfãos”, que invés de escravos, passariam para condição de criados de seus donos, porém, na prática, os índios continuavam em sua condição de escravos, face os interesses contrariados dos colonos, agentes do Reino, governadores e magistrados. Os jesuítas, por força de interesses contrariados dessas pessoas acabaram por ser expulsos definitivamente de todo o sertão do Amazonas a 10/7/1757.

OS INVASORES ESTRANGEIROS E OS GRUPOS INDÍGENAS DO GRÃO-PARÁ:
Índios Tupinambás, de Belém
Índios Camarapins, tupinambás das margens do Rio Tocantins
Índios Pacajás
Índios Parissós
Os franceses, invasores do Maranhão e do Grão-Pará, sabiam como negociar com os índios Tupinambás que habitavam as margens do Rio Pará e recebiam destes toda a atenção, por sua educação e maneira pacífica com que conviviam com os índios. Essa convivência amistosa com os franceses vinha desde 8/7/1613, quando o fidalgo francês Daniel de La Touche, senhor de La Ravardiére chegou ao ponto onde mais tarde seriam lançados os fundamentos da cidade de Belém, primitivamente habitada por muitas tribos de índios tupinambás. Desse ponto saiu Daniel de La Touche, com forte contingente de franceses e indígenas em direção ao rio Tocantins e também fazendo guerras contra as tribos de índios hostis, como os índios Camarapins, tribo inimiga dos Tupinambás que habitavam as margens do Rio Tocantins. Os franceses e indígenas também fizeram guerra nas aldeias dos índios Pacajás e Parissós, que foram duramente combatidos e derrotados pelos invasores franceses.

Daniel de La Touche, tendo estado em terras onde seria fundada a Capitania de Cametá, ficou no Pará até 1616 quando da instalação da Capitania do Grão-Pará a 12 de janeiro desse ano.
Índios Caripunas, no Oiapoque
Índios Nheengaíbas, do Marajó
Índios Aruãs, do Marajó
Após a expulsão do Pará os franceses fugiram para o distante Oiapoque. Muitos gentios do Grão-Pará também fugiram junto com os franceses para o Oiapoque, constituindo a nação dos índios Caripunas remanescentes naquela localidade.
Igualmente os invasores holandeses sabiam como tratar com os selvagens do Grão-Pará, a quem os índios Nheengaíbas e Aruãs do Marajó dispensavam amizade e com quem comercializavam, enchendo seus navios de peixe-boi, animal abundante na Ilha Grande de Joannes, em 1616. Essa ilha era densamente povoada de gentios.

Aldeias, Aldeamentos, Povos e Nações Indígenas Com Datas
Captura dos índios para servirem de escravos nas residências, igrejas, fazendas ou engenhos ou soldados das forças militares do período da colonização.
Quando os índios eram apresados pelas tropas militares ou “descidos” (remanejados) de suas aldeias para os aldeamentos implantados pelos padres missionários, esses índios eram preparados para uma série de atividades civis e militares do período colonial e provincial do Pará. Os índios começavam a aprender a ler e escrever, aprendiam os ofícios ensinados pelos próprios missionários e aprendiam as técnicas do plantio de outras culturas, além do milho e mandioca.
Os aldeamentos também serviam de preparo dos índios para fazer parte como soldados nas expedições de guerra das forças militares da Coroa Portuguesa.
Os índios apresados aprendiam uma profissão, eram batizados e recebiam um nome cristão:

1756:
O Governo do Grão-Pará e Maranhão, Francisco Xavier de Mendonça Furtado envia a seu irmão, o Marquês de Pombal/ a relação dos índios que desertaram das fileiras militares, acusando o enorme prejuízo que a fuga desses índios causou aos cofres de sua majestade, influenciados pelos padres jesuítas:
·        Carpinteiros navais do povo Marcanã: Afonso Guaramanduba, Urbano, Raimundo Coema, João Moteque, Antonio Assu, Thomé Pucu, Natário e Miguel Assu.
·        Serralheiros do povo Bourary: Antonio, Paschoal, Teodósio e Domingos.
·        Pedreiros do povo Tapajó: Manuel de Jesus, Januário e Manuel.
·        Tanoeiros do povo Aricará: Afonso, Frutuoso valério, Severino, Pedro, Alexandre Bueno, Fernando, Agostinho, Bonifácio, Martinho, João Lucas e Alexandre.
·        Entalhadores do povo Itacurussá: Antonio, Júlio, Geraldo, Romão, Alberto, Jacinto, Patrício, Bonifácio, Estácio e ainda: Gaspar, Leonardo, João Gaspar, Nicolau, Agostinho, Raimundo e Cláudio, que eram carpinteiros.
·        Escultores de imagens sacras do povo Arucará: Alexandre e Pedro, que eram primorosos escultores de imagens sacras.
·        Peritos em cordoaria do povo Aricurá: Francisco André, Thomé, Manoel, Ignácio, Valentim, Feliciano, José, André, Antonio, Pedro, José, Fernando, Ambrósio, Manoel, Pedro eMandu.
·        Ferreiros do povo Araticu: Luiz Maraunu, Jerônimo marimba, Domingos Marannu, João Francisco Carapina, Alexandre Suariuna.

1775:
No levantamento mandado proceder pelo governador do Grão-Pará e Maranhão, Francisco Xavier de Mendonça Furtado, sobre quantos índios estavam incorporados nos regimentos militares do estado, Foi encontrado este número de índios e oficiais brancos, 2.898 soldados-índios e 122 oficiais, assim destacados:
·        Freguesia de Ponta de Pedras,  2 oficiais e 46 índios soldados
·        Freguesia de Nossa Senhora da Cruz de Portel, 6 oficiais e 515 índios-soldados.
·        Vila de Monsarás, 3 oficiais e 37 soldados-índios
·        Condeixas, 1 oficial e 26 soldados-índios
·        São Francisco de Avelar, 1 oficial e 20 soldados-índios
·        São José de Carrazedo, 1 oficial e 33 soldados-índios
·        Nossa Senhora de Penha Longa, 1 oficial e 17 soldados-índios
·        Nossa Senhora do Rosário da Vila de Colares,  4 oficiais e 51 soldados-índios.
·        Vila do Pinhal, 4 oficiais e 77 soldados-índios
·        Vila de Pombal, 5 oficiais e 155 soldados-índios
·        Veiros, 2 oficiais e 64 soldados-índios
·        Vila de Conde, 4 oficiais e 73 soldados-índios
·        São Miguel de Beja, 7 oficiais e 17 soldados-índios
·        Vila de Cintra, 8 oficiais e 104 sóldados-índios
·        Vila Nova del-Rei (Curuçá), 3 oficiais e 85 soldados
·        Santo Antonio da Vila de Chaves, 7 oficiais e 96 soldados-índios
·        São Joaquim de Rebordello, 2 oficiais e 24 soldados-índios
·        Nossa Senhora da Assumpção da Vargem grande, 9 oficiais e 208 soldados-índios.
·        Nossa Senhora da Conceição de Santarém, 8 oficiais e 139 soldados-índios.
·        São Francisco de Monte Alegre, 7 oficiais e 234 soldados-índios
·        Nossa Senhora da Conceição de Benfica, 3 oficiais e 40 soldados-índios.
·        Nossa Senhora da Conceição de Santarém Novo, 1 oficial e 55 soldados-índios.
·        Nossa Senhora da Saúde de Alter do Chão, 6 oficiais e 55 soldados-índios.
·        Freguesia do Largo Azevedo, 5 oficiais e 70 soldados-índios
·        Nossa Senhora de Oeiras, 8 oficiais e 453 soldados-índios
·        Nossa Senhora de Portelões, 5 oficiais e 27 soldados-índios
·        Nossa Senhora do Rosário de Bragança, 1 oficial e 69 soldados-índios
·        São Francisco Xavier de Barcarena, 2 oficiais e 24 índios

Observações:
·        Os indígenas citados nas localidades acima e em outras localidades não mencionadas (serão acrescentados aos poucos todas a localidades que surgiram a partir de aldeias indígenas) foram os grandes esquecidos na colonização do Pará e nas guerras de conquistas, à exceção de umas poucas menções aos povos indígenas por algumas ruas de Belém (que agora estão substituídos a bel-prazer de governantes e legisladores).
·        Além desses soldados-índios (que podiam ser índios puros ou mestiços), naturalmente que existiam os soldados-brancos.
·        Em alguns lugares havia a presença de um grande contingente de soldados-índios e naturalmente que esses lugares eram os que estavam fortificados para a defesa da colônia contra as invasões inglesas, holandesas e francesas.
·        Os soldados-indios eram índios das várias etnias existentes na época, especialmente os da nação Tupinambá (que eram os mais propensos às guerras) apresados pelas tropas portuguesas  no tempo do Pará colonial e os vindos dos aldeamentos dos padres missionários (que também podiam ser de várias etnias).
Foram muitos os núcleos de catequese, missões ou aldeias de índios fundadas pelas ordens religiosas no Pará até o ano de 1751, como:

Muitas aldeias sob a administração dos padres Capuchos, entre as quais:
·        Menino Jesus
·        São José
·        Anaiatuba
·        Bocas
·        Caviana
·        Urubuquara
·        Acarapy
·        Parú (fundada entre 1757-1758 e que deu origem ao município de Almeirim).
·        E mais duas aldeias na Ilha de Joanes (uma das quais a Aldeia dos Aruãs, fundada entre 1757-1758, que deu origem ao município de Chaves), e uma aldeia dos índios Camutás (vide acima, origem da cidade de Cametá), sob a direção dos padres capuchos de Santo Antonio.

Aldeias ou Missões dos Padres Capuchos da Conceição da Beira e Minho:
·        Mangabeiras
·        Cayá
·        Conceição
·        Iaray
·        Tauary
·        Urumacu
Aldeias ou Missões dos Padres Capuchos de São José:
·        Gurupá
·        Acapijó
·        Caviana
·        Maturú (fundada em 1639, que dá origem, em 16/71758 à Vila de Porto de Moz).
Aldeias ou missões dos Padres Capuchos de Nossa Senhora da Piedade:
·        Jamundá (hoje município de Faro)
·        Juruti
·        Pauxis (hoje município de Óbidos)
·        Outeiro (hoje município de Prainha)
·        Curuá
·        Manemá
·        Surubiú (hoje município de Alenquer)
·        Gurupatiba (origem do município de Monte Alegre)
Aldeias ou Missões dos Padres do Carmo:
·        Coary
·        Tefé
·        Maneruá
·        Paraguary
·        Tucuruatuba
·        São Paulo
·        São Pedro
·        Jaú
·        Caragary
·        Comaru
·        Mariná
·        São Caetano
·        Cabuquana
·        Bararuá
·        Dary, no Rio Negro
Aldeias ou Missões dos Padres das Mercês:
·        Uma aldeia no sertão dos índios Urubu
·        Aldeia de Mangabeira, em Marajó-assu, origem do povoado de Itaguary
Aldeias ou Missões sob a administração dos padres Jesuítas, chegados ao Pará em 1636, entre as quais:
·        Maracanã
·        Cabu
·        Vigia
·        Mortigura
·        Sumahuma
·        Araticu
·        Aricará
·        Borari
·        Camaú
·        Santo Inácio
·        Itacuruçá
·        Piramiry
·        São José
·        Abacaxis
·        Trocano
·        Uma aldeia na Capitania de Camutá
·        Uma aldeia na Capitania de Caeté
Essas aldeias fundadas pelas ordens religiosas seriam a origem de muitos municípios paraenses e pode-se dizer que a catequese dos padres missionários foi o maior trabalho de desbravamento feito no 1º século da fundação do Grão-Pará. Sem esse trabalho os portugueses não conseguiriam colonizar o Pará.
Nessas aldeias ou missões os padres ensinavam as várias profissões da época, como as de carpinteiros, pedreiros e marceneiros, que foram muito úteis nas obras de edificações dos padres e dos conquistadores portugueses. Outras profissões foram ensinadas pelos padres como as de sapateiros, ferreiros, alfaiates e na lavra da terra. Porém, o maior uso uso dos braços indígenas foram nas guerras de conquistas do colonizador portiguês e, especialmente nas guerras contra os invasores ingleses, franceses e holandese..

Blog do ADEMIR ROCHA, de Abaetetuba/Pa, em 19/9/2010.