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sábado, 25 de agosto de 2012

Artes Cênicas, Festivais e Feiras na Musicalidade 11 de Abaetetuba Através dos Anos

A MUSICALIDADE 11 DE ABAETETUBA ATRAVÉS DOS ANOS
Foto do arquivo fotográfico de Lial Bentes 
A musicalidade é um dos aspectos da cultura de Abaetetuba que funciona como guardiã de uma rica memória, ainda viva na lembrança de cada filho destas terras que vivenciou os ricos períodos desse aspecto cultural e em muitas de suas vertentes, considerando aspectos dos mitos, do imaginário e da cultura que essas vertentes da musicalidade construíram através dos tempos, como veremos a seguir. Esse aspecto cultural da musicalidade usou suas vertentes como forma de comunicação, de transmissão de mensagens, de histórias que marcaram pra sempre, direta ou indiretamente, a vida de muitas pessoas que ainda são depositárias dessas memórias ou que já estão marcadas nos escritos de nossos historiadores em um rico acervo onde pode se encontrar esses variados aspectos da musicalidade de Abaetetuba.
A música em si nada mais é que um conjunto de sons articulados para formar um discurso poético de sons, vozes e encenações de linguagem transmitida através dos tempos usando de recursos rústicos até chegar aos mais sofisticados, de acordo com o período histórico em questão.
Deste modo a musicalidade torna-se uma importante fonte ou documento histórico da memória sobre o nosso passado, conservado e analisado a partir de pessoas e contextos que nos permite uma volta a esse passado para o conhecimento de seu meio e dos variados aspectos da musicalidade a ser analisada. 

Esses aspectos da musicalidade serão aqui analisados em várias postagens que faremos sobre “A MUSICALIDADE EM ABAETETUBA ATRAVÉS DOS TEMPOS” e, em certos casos, tecendo comentários, considerações e sugestões de melhorias naquilo que pode se constituir um aspecto cultural que pode se consolidar como um evento com identidade própria e, desse modo, se constituir em Abaetetuba um evento que possa também gerar renda e trabalho para o município.
Portanto, a memória da musicalidade, é o ato de lembrar, de reter, o que já se passou, de reconstruir a relação entre passado e presente, e que pode dar sentido à nossa história. Nesse aspecto, a memória não seria uma realidade estática e perdida no contexto cultural de sua época, mas dinâmica e inovadora, se reconstruída em novas formas culturais que possam nos fazer recordar e apreciar no presente sob nova roupagem, e com identidade própria, a ponto de se firmar no cenário da musicalidade em geral como evento que chama a atenção de todos pela riqueza que contém e, consequentemente, como fator turístico que possa chamar a atenção para essas manifestações culturais e se firmar no calendário turístico do município como evento que possa trazer emprego e rendas para muitas pessoas, além de fazer o município ser conhecido e reconhecido como um verdadeiro centro de cultura. Os estudos sobre a musicalidade em Abaetetuba estão atrelados à questão da memória e do que a música desperta em cada pessoa e que marca momentos e sentimentos que são revividos quando se ouve determinada música ou manifestação cultural onde a musicalidade se faz presente. Todos nós temos aquelas músicas ou eventos musicais que vivenciamos na infância, na adolescência, que podem nos trazer a sensação de nostalgia e de rememoração dos bons tempos que já se foram, onde o passado ressurge fragmentado em várias lembranças, advindas de uma memória afetiva onde a sonoridade e até mesmo sabores e cheiros tinham importante papel nesse processo. 

Também gostaríamos de explicar que A MUSICALIDADE EM ABAETETUBA ATRAVÉS DOS ANOS é o conjunto de todas as formas musicais que aqui já existiram ou continuam a existir, na rica cultura musical do município, manifestada através das mais variadas formas, estruturas, eventos, pessoas, grupos, entidades e ritmos espalhados pelos mais diversos segmentos sociais e recantos do município. Essa musicalidade, a partir dos anos finais do século 19 e durante o século 20, é um período rico de manifestações musicais, que influenciaram sua época, ditaram os modismos, costumes e influenciaram a cultura musical do município e que, com a chegada de outras formas e expressões musicais, íam sendo substituídas através do tempo, mudnado os costumes, as modas e outras formas culturais que marcaram cada época no município, como foi o caso da chegada do Rock e suas vertentes dos Anos Rebeldes e da Sociedade Alternativa, que alguns grupos pregavam, e das músicas da MPB, do Samba e Bossa Nova, da Tropicália, do Iê-Iê-Iê, do Brega, dos ritmos caribenhos que também influenciaram segmentos da sociedade de seu tempo, tendo alguns desses modismos subsistido até os tempos atuais, pelo menos para algumas pessoas que ainda cultuam seus ídolos e costumes dessa época. Todas essas formas de musicalidade com seus modismos e costumes serão aqui rememorados.

Abaetetuba possuía a sua antiga musicalidade manifestada de vários modos conforme veremos abaixo, sendo que muitas dessas formas musicais foram extintas ou absorvidas por novas formas e expressões musicais advindas de outras culturas musicais do Brasil ou exterior, trazendo no seu bojo os avanços rítmicos e tecnológicos com aplicação de novas técnicas, meios, recursos e instrumentos de sons inovadores que definiram as ETAPAS da cena musical de Abaetetuba e, em especial, o aspecto Festivo-Dançante de grande parcela do povo. O incessante aperfeiçoamento de Gravação, Transmissão e Audição musical através de novos equipamentos e tecnologias trouxe o microfone, os gravadores portáteis, o disco long-playing (LP), a fita Cassete, os Compact Discs (CD), o MP3, o computador e a Internet e, com isso, trouxe também novas Figuras, Personalidades e Vultos para o cenário musical de cada época e o aperfeiçoamento tecnológica na musicalidade trouxe também a demanda por novas profissões, como os Promotores de Festas dos clubes e salões e operadores das aparelhagens de som, inicialmente os locutores, os Disk Jockeis e agora os DJs, que também marcaram os períodos da musicalidade de Abaetetuba. Entre os novos instrumentos eletrônicos, surgidos em Abaetetuba, destacamos a Guitarra Elétrica e o Teclado, que definiram fortemente a cultura musical de Abaetetuba na sonoridade musical, as Festas Dançantes, assim como os novos gêneros, estilos e ritmos aqui surgidos a partir da década de 1960, na forma do Rock e seus subgêneros que desembocaram nas atuais formas musicais eletrônicas dos Dances, Tecnos, Hip-Hop, Funk e da atual Música Digital.

Será necessário que façamos as devidas considerações sobre os diferentes estilos e gêneros musicais já existentes no Brasil antes dos anos de 1960 e dos estilos musicais surgidos a partir dessa década de transformações na musicalidade e nos recursos tecnológicos dela advinda. Também deveremos fazer considerações sobre a Musicalidade Paraense, juntando alguns itens com a Musicalidade de Abaetetuba, para delimitar a influência da música como um todo em Abaetetuba e o aspecto Festivo-Dançante que definiram cada fase da musicalidade em nosso município, empleitada difícil pela intensa hibridização e coexistência de diferentes estilos e gêneros musicais que já vêm desde os anos de 1960 e que ainda se fazem presente na cena musical de Abaetetuba, através do saudosismo e as festas de saudade com músicas que marcaram as décadas musicais. Os Conjuntos Musicais, a Cultura Musical, os Cantores, Grupos Musicais e cada expressão musical antiga e as novas formas musicais, serão também analisados sob diversos aspectos, que vão da cultura criada no meio musical, como de sua substituição por novas formas e os costumes impostos pelos modismos advindos da musicalidade vinda de outros centros musicais do Brasil ou do exterior que marcaram profundamente a cena musical e as modas em Abaetetuba. Seria bom também se analisar alguns aspectos dos Anos Rebeldes e da Sociedade Alternativa que teve como figuras principais cantores e grupos musicais como Raul Seixas, Pepeu Gomes, Baby Consuelo que até os dias atuais encotra espaços para suas idéias através de parcela da população que vivenciou essa forma de protesto através da música e costumes impostos pelas idéias dessa exótica filosofia de vida, como também do Movimento da Jovem Guarda da cultura musical brasileira a partir dos anos de 1960.

As festas dançantes, como parte integrante e importante da musicalidade de Abaetetuba, vão ser enfatizadas, de acordo com alguns parâmetros, em várias FASES DAS FESTAS DANÇANTES DE ABAETETUBA que, no nosso entendimento, se manifestaram conforme algumas características peculiares a cada fase, elencadas abaixo, e que serão citadas no decorrer das exposições de determinados itens das várias postagens que serão feitas a respeito da musicalidade de Abaetetuba.

Além disso outros aspectos da Musicalidade de Abaetetuba serão elencados e analisados pois foram e continuam a ser formas culturais sustentadas pela forte musicalidades como as Festas de Santos, os períodos religiosos como a Quadra Naralina, a Páscoa, Ano Novo, como também as quadras Junina e Carnavalesca, as festividades de santos e tantas outras formas sustentadas também pela música em suas várias formas.
Os dados destas postagens foram coletados das obras de nossos escritores abaetetubenses, como Maria de Nazaré Carvalho Lobato, Maria do Monte Serrat Carvalho Quaresma, Antonio Braga da Costa Júnior, Luiz Gonzaga Nascimento Lobato e pesquisas feitas pelo autor do blog em antigos documentos, revistas ou jornais, internet e das muitas entrevistas que fizemos com pessoas detentoras da memória cultural de Abaetetuba, como Orêncio Barbosa André, Alcimar Carneiro de Araujo, Dinho Silva, Flauri Silva, Mestre Café, Mário Tabaranã e tantas outras pessoas entrevistadas pela cidade e interior do município.
Estas análises, ponderações, dados, conceitos e nomes não são definitivos, pois podem existir inconsistências e incoerências nos textos e falta de dados fundamentais, que serão corrigidos ou acrescentados de acordo com novas pesquisas ou colaboração de pessoas que conhecem, pesquisaram ou vivenciaram os vários aspectos da musicalidade de Abaetetuba.

Caso o autor de algumas fotos ou textos não queira referidas fotos e textos nestas postagens,
favor avisar para retirarmos as mesmas. Em contrapartida, temos centenas de fotos e textos
que podem ser copiadas por pesquisadores, estudantes interessados, promotores e autores
científicos e culturais.

AS ARTES CÊNICAS E OS FESTIVAIS E FEIRAS CULTURAIS EM ABAETETUBA

A antiga Arte Cênica de Abaetetuba era carregada de musicalidade, como também os atuais Festivais e Feiras que acontecem em Abaetetuba que estão cheios de muita musicalidade na forma de encenações folclóricas e teatrais, danças, shows de artistas, bandas, orquestras e grupos musicais variados.

A Antiga Arte Cênica de Abaetetuba:
Existia na antiga cidade de Abaeté, desde o início do século 20, a presença de muitos clubes e associações que se dedicavam às artes musicais, artes cênicas, literatura, poesia e civismo (Vide postagens sobre música e artes cênicas em Abaeté). Porém, no meio de todas as artes praticadas em Abaeté, existia um grupo de pessoas, entidades e grupos musicais que praticavam a Arte Cênica e com o objetivo único da arrecadação de fundos para a construção da nova Igreja Matriz de Nossa Senhora da Conceição.

Havia um teatro em Abaeté denominado Theatro de Nossa Senhora da Conceição, que funcionava no alpendre da antiga Igreja Matriz do Divino Espírito Santo, que se localizava na Praça do Divino ou Praça da Conceição (como era chamada pelos devotos de Nossa Senhora da Conceição). As peças teatrais encenadas nesse teatrinho destinavam-se na arrecadação de fundos para a construção da nova Matriz, e eram apresentados por um grupo de artistas amadores de Abaeté, que recebia o nome de Grupo Scênico de Abaeté e com a ajuda da Banda Paulino Chaves que fazia o fundo musical dessas peças teatrais. Esta antiga banda também participava das concorridas quermesses e soirés musicais promovidos por outro grupo de abnegadas mulheres que se envolveram nas campanhas de arrecadação de fundos, que era a Liga de Torcedoras do Vera Cruz Sport Club. Elas uniam o útil ao agradável, pois esse grupo foi fundado por estímulo do Padre Luiz de França do Amaral Varella para compor a torcida feminina do clube de denominado Vera Cruz Sport Club, também fundado por esse ativo padre, clube que ficou famoso não só pelos memoráveis embates futebolísticos contra outros antigos clubes de futebol de Abaeté, especialmente o seu grande rival dessa época, a Associação Sportiva de Abaeté, como também pelas quermesses, soirès e bailes entremeados de momentos cívicos, declamações de poesias, discursos e com o apoio das orquestras musicais desse tempo, especialmente a Orquestra Paulino Chaves. Essa animada torcida do Vera Cruz, além de apoiar esse clube, também deu uma grande contribuição nas campanhas de arrecadação de fundos para a construção da nova Igreja Matriz de Abaeté, fazendo o fundo musical nas apresentações teatrais do Grupo Scênico de Abaeté e no Theatro de Nossa Senhora da Conceição que funcionava no alpendre da Igreja do Divino.

A motivação para o impulso das artes cênicas em Abaeté foi o ideal da população católica local de construir a nova Igreja Matriz de Abaeté e uma das formas encontradas para a arrecadação de fundos para essa construção seria através de apresentações teatrais. Para isso e com o incentivo e apoio do vigário da época, Pe. Luiz Varella foi criado o Grupo Scênico de Abaeté, formado por pessoas da sociedade, como: mestres, trabalhadores, funcionários públicos, músicos e rapazes e moças da sociedade. Além dos artistas do Grupo Scênico de Abaeté, da Banda Paulino Chaves e da Liga de Torcedoras do Vera Cruz, havia a participação da Irmandade de Nossa Senhora da Conceição, comandada pelo rico comerciante e industrial, Sr. Francisco de Assunção dos Santos Rosado e seus companheiros, entidades essas que também se mobilizavam nas ações de arrecadação de fundos para a construção da referida igreja. Essa, portanto, foi a grande motivação, a partir dos anos de 1920 até os anos de 1930, para o grande incremento nas artes cênicas em Abaeté.

Antigos Atores e Atrizes de Abaeté:
Os atores e atrizes abaixo relacionados se destacaram nas artes cênicas de Abaeté e precisam ter seus nomes perpetuados na galeria dos grandes artistas da cidade:

. Pombo da Maroca Lima/Francisco de Lima Batista, filho da famosa parteira Moroca Lima e que foi um extraordinário ator teatral de Abaeté e que também se destacava nas apresentações das artes folclóricas dos cordões de pássaros juninos de Abaeté.

. Licínio Araujo e seus irmãos, Prudente, Antonico e Angelina Araujo. Licínio, além de ator teatral era músico e professor de música, tendo repassado seus conhecimentos a muitos músicos de Abaeté. Prudente, também era músico da Banda Carlos Gomes e Antonico e Angelina Araujo foram ativos participantes do grupo teatral.

. Diquinha Soares, ativa participante do grupo teatral

. Miloca Matos, grande atriz de Abaeté e que figuarava em quase todas as peças do Grupo Scênico de Abaeté.

. Bararaty Franco/Bararaty Barroso Franco, agente postal e fiscal em Abaeté, casado com Dona Archimima de Carvalho Franco.

. João Pontes/João Nepomuceno de Pontes, figura de destaque da sociedade abaeteense, guarda-livro, funcionário da Prefeitura Municipal, Secretário Municipal e membro e diretor de várias sociedades e clubes de Abaeté e grande nome da arte teatral.

. Menina Arthemita, citada como participante das peças teatrais.

. Lucília Pinheiro, citada como participante das peças teatrais

. Abel de Barros/Abel Guiães de Barros, artista vindo do Marajó, dono de oficina mecânica em citação de 1947, na Av. Aristides Silva em Abaeté/Pa, músico da Banda Carlos Gomes, sendo um de seus diretores em 1908, desportista, participando da diretoria da Associação Sportiva de Abaeté em 1927 e que foi um dos baluartes do teatro e da música em Abaeté.

. Edgar Borges/Edgar dos Reis Borges, que era membro da Irmandade de São Sebastião, em 1908 e citado como participante de várias peças teatrais do Grupo Scênico de Abaeté.

. Raimundo Leite Lobato, figura de destaque da sociedade abaeteense, tesoureiro e funcionário público municipal, desportista, membro da diretoria da Associação Sportiva de Abaeté em 1927 e participante do Grupo Scênico de Abaeté.

. Guilherme Abreu, que foi figura de destaque do grupo de teatro, ensaiador das peças teatrais, jornalista em vários periódicos de Abaeté, um idealista da causa teatral e do jornalismo.

. Osvaldina da Fonseca e Hilda V. da Fonseca. Osvaldina Fonseca era filha de Nércio Fonseca e Brasilina Lobato da Fonseca e ambas eram ativas participantes do Grupo Scênico de Abaeté.

. Elpídio Paes, outro nome constante nas apresentações teatrais

. Risoleta de Lima Araujo/Sinhá, filha de Ramiro Pereira de Araujo e Bruna Lima, com nome na lista dos autores e atrizes do grupo de teatro.

. Abel Lobo/Abel de Almeida Lobo, mestre ferreiro nos anos de 1930, 1940 em Abaeté, na Av. João Pessoa, ator, desportista e músico da Banda Carlos Gomes e ativo ator nas antigas peças teatrais do Grupo Scênico de Abaeté.

. Pedro Loureiro, figura de destaque da sociedade abaeteense, irmão do Mestre Carlito Loureiro e sócios de uma fábrica de calçados, a Sapataria Abaeteense, citado como membro do grupo cênico.

. Alberto Costa, professor, outra figura de destaque do teatro abaeteense e que organizava os espetáculos teatrais.

Outras Citações Sobre o Teatro de Abaeté: 
Citações de 1927:
“A Banda Paulino Chaves participando da campanha em prol da construção da nova Igreja Matriz de Abaeté, tocando nas quermesses da Liga de Torcedoras do Vera Cruz Sport Club e nos eventos teatrais do Theatro de Nossa Senhora da Conceição, fazendo o fundo musical das peças apresentadas pelo Grupo Scênico de Abaeté”.
Em 1927:
“Atores de teatro: Pombo da Maroca Lima, Licínio Araujo, Diquinha Soares”.
“O Grupo Scênico de Abaeté, encenando o sentimental drama de Júlio Dantas intitulado “Mater Dolorosa”, tendo nos papéis, Angelina Araujo, Miloca Matos, Bararaty Franco, João Pontes, Antonico Araujo, Menina Arthemita”. 
“Apresentaram também a comédia “Quem Desdenha”, tendo como atores, Lucília Pinheiro, Abel de Barros, Miloca Matos, A. Araujo, João Pontes, Bararaty Franco, Edgar Borges”.
Citações de 1928:
“Félix Machado, Sub-Regente da Philarmônica Paulino Chaves e Chefe de Orquestra do Theatro de Nossa Senhora da Conceição”.

Outros Atores e Atrizes Mais Recentes de Abaeté: 
Os artistas abaixo, junto com alguns acima, já são de uma geração mais recente de atores e atrizes do teatro de Abaeté, anos de 1940, 1950:
. Bandute Sena, político, ativo folclorista dos cordões juninos e carnavalesco que promovia grandes festas carnavalesca na sede do Vasco da Gama, proprietário do antigo “Sonoros Copacabana”, provavelmente o mais antigo serviço de som de Abaeté e grande nome do teatro e dos autos natalinos.
. Antonico do Grato
. Belemita Contente, filha do político Joaquim Mendes Contente
. Gerusa
. Professora Elza de Jesus da Silva Paes, famosa organizadora de festas cívico-literárias nos anos de 1940 e 1950, que procuravam despertar sentimentos patrióticos nos alunos e nas pessoas presentes a essas sessões, com peças de poesias, de teatro com dramas e comédias e variadas danças folclóricas e de execução de danças de balés, cantos e corais e também as apresentações da festa da Independência, o 7 de Setembro, quando organizava desfiles escolares, competições esportivas e números de ginásticas. Praticamente em quase todos os dias festivos do calendário escolar, lá estava a Professora Elza a preparar suas crianças do Grupo Escolar, onde era diretora, organizando números variados para despertar sentimentos nativistas, cristãos, humanitários e de amor à natureza.

A SEMANA DE ARTE E FOLCLORE DE ABAETETUBA
A Profa. foi uma das fundadoras da 'Semana de Arte e Folclore de
Abaetetuba em 1981 e sempre será lembrada como baluarte das
Artes e Cultura de Abaetetuba.

Adenaldo Santos Cardoso, 1993
Rai Beja
Gestão do prefeito Chico Narrina
Eu com o mano sumano Rai Beja recebendo premiação das mãos do saudoso prefeito Chico Narrina, na Semana de Arte e Folclore de Abaetetuba (1993)
A Semana de Arte e Folclore de Abaetetuba é uma das maiores expressões da Musicalidade de Abaetetuba, pois em quase todas as apresentações de palco a música se faz presente expressando fortemente as variadas artes e folclore de Abaetetuba que são densos em musicalidade e sem contar o espírito festivo que toma conta da multidão que se desloca todas as noites dessa semana para participar dos variados eventos musicais e folclóricos da pauta dessas noites.
Esse evento foi criado em 1981 por Maria José Costa, Maria de Nazaré Carvalho Lobato, Maria da Graça Loureiro e Izabel Lobato com o intuito de resgatar as artes e o folclore de Abaetetuba e tirando do anonimato os valores reais existentes na comunidade abaetetubense e mostrar a todos, não só o trabalho produzido, como quem o produziu, na forma de artesãos variados, artistas na figura do ator, do compositor, do poeta, do escritor, do dançarino, do artista plástico e as suas respectivas produções. Porém o evento deveria enfatizar o humilde, porém grandioso criador anônimo, que vive nas feiras e ruas e praças, apregoando para tentar vender sua arte. Esse foi o objetivo da criação da Semana de Artes e Folclore de Abaetetuba, o desejo de preservar, divulgar e valorizar a cultura e a tradição do povo abaetetubense. Porém, ao longo do tempo, esse evento foi se desgatando e perdendo seus objetivos originais para se transformar num mero evento de shows artísticos, sem muita afinidade com nossa melhor cultura e folclore.
Para isso precisa que o projeto inicial seja reelaborado de modo a resgatar nossa verdadeira cultura e folclore para mostrar os valores artísticos de nossa terra e sua produção. Alguém já disse que o evento, como estava sendo conduzido, mais parecia um “festival de cerveja”, onde a arte ficava em 2º plano. Outro dizia que o evento se transformou em “show de bandas”, onde os artistas e as suas artes não contavam muito.
É necessário que esse evento volte a incentivar e promover o artista e a arte local, que como dizem os idealizadores do evento, “promover o que já é famoso e o anônimo”, para que a Semana de Artes e Folclore cumpra o seu objetivo. Com a palavra, então, o Comunicador Manoel de Jesus Rodrigues de Moraes, atual Diretor da Fundação Cultural de Abaetetuba, que entende de artes, de folclore e de promoção humana e de valores.
Como esse evento se realiza junto com à Semana de Aniversário da Cidade de Abaetetuba, em agosto, então se acrescenta ao exposto acima a nossa História-Memória Sócio-Política e Econômica, em eventos paralelos, porém sincronizados dentro dos verdadeiros objetivos da Semana de Arte e Folclore, segundo suas idealizadoras citadas.
Junto com a ajuda e divulgação dessas festas se poderia, também, fazer o resgate de nossas antigas bandas musicais, que outrora abrilhantavam as festas religiosas, bandas essas que estão sobrevivendo graças à teimosia de alguns poucos músicos e abnegados idealistas locais. Vide postagens sobre os Antigos Músicos e a Música em Abaeté.

Conforme programação de palco acima sobre
a XXXI Semana de Arte e Folclore de Abaetetuba,
a Musicalidade se faz presente em quase todos os
momentos dessa programação

A Cultura em geral de Abaetetuba, conforme imagens
acima e abaixo, exalam musicalidade em todos os segmentos 
culturais e folclóricos

A FEIRA MIRITIFEST




A palmeira miritizeiro abaixo é árvore-símbolo
do Festival Miritifest, e da qual se aproveita
todas as suas partes no artesanato e outras
atividades econômicas do município de 
Abaetetuba 
O Miritizeiro, que é uma palmeira giganteca, de onde se retira
a polpa miriti, esta que vai servir na fabricação dos Brinquedos
de Miriti, e dessa palmeira se retiram os frutos miriti, que são
usados na culinária local.

Do miriti, que é a polpa extraída das varas das
folhas do miritizeiros se fazem todos os tipos
de embarcações que sengram os igarapés, rios
e baías da Região do Baixo Tocantins 
E da polpa miriti se fazem todos os tipos de animais e
outras motivações amazônicas, objetos feitos artesanalmente
e que ganham um colorido que chama a atenção de todos
Devido a longa tradição de mais de um século na
fabricação do brinquedo de miriti, Abaetetuba ficou
sendo conhecida como

A CAPITAL MUNDIAL DO BRINQUEDO DE MIRITI
O fruto do miritizeiro, também conhecido como
miriti, fornece uma massa amarelada que é largamente
aplicada na produção de sucos, vinhos, mingaus e
outras iguarias da culinária abaetetubense
A bonita festa do MIRITIFEST é patrocinada pela Prefeitura Municipal, Associação dos Artesãos de Miriti de Abaetetuba-ASAMAB, SEBRAE, Câmara dos Dirigentes Lojistas de Abaetetuba-CDL e outros órgãos e entidades e firmas de Abaetetuba, procura divulgar o antigo e rico artesanato de miriti do município, que já é um exemplo de como se prepara um projeto turístico envolvendo vários órgãos e entidades. Só precisa de apoio do Governo do Estado e apoio de fortes patrocinadores como as Indústrias ALBRÁS, ALUNORTE, CAULIM, etc., um pouco mais de divulgação à nível de mídia regional e nacional. Também essa feira foi enriquecida com outros produtos produzidos a partir das partes da versátil árvore do miritizeiro, que além dos brinquedos de miriti, fornece matéria-prima para o artesanato de paneiros, cestas, e na culinária com vinhos, mingaus, doces, bolos e na indústria de comésticos, etc. a partir de seus frutos, sementes, folhas, polpa, caule. O Miritifest também se apresenta como mostruário de produtos e serviços das firmas, órgãos e entidades de Abaetetuba. É uma feira bonita de se ver e apreciar, além de comprar e fazer negócios.
E é claro que a musicalidade se faz presente através de aspectos da Feira que não pode prescindir da música ou fundo musical e é até natural que eventos musicais se façam presente nessa grande feira chamativa de pessoas, turistas e comerciantes que queiram fazer negócios com os brinquedos de miriti e outras produções artísticas ou comerciais de Abaetetuba.




A festa do MIRITIFEST já é um festival que alcançou
grande receptividade a nível local, regional e até nacional, 
por envolver o artesanato de miriti agora de projeção
nacional e outros aspectos da cultura abaetetubense e, 
em especial, a musicalidade, conforme convite acima
que se refere aos eventos musicais locais e atrações
de outras localidades do Pará.
culturais e folclóricos


Além das cores dos Brinquedos de Miriti, tem os sabores da Culinária
de Abaetetuba, levando em conta os elementos locais da cultura 
abaetetubense
Grupo de organizadores do Miritifest 2004
A FEIRA DO EXTRA-ABAETÉ
Essa feira é outro exemplo de evento bem planejado e sucedido, realizado em convênios ou parcerias da Diocese de Abaetetuba, SEBRAE, EMATER, artesãos, fábricas, firmas, oficinas e comerciantes de Abaetetuba, etc. que procuram mostra seus produtos e serviços e, especialmente, de nosso artesanato em geral, fruto da criatividade de nossos artesões. Porém o local de realização dessa feira já está se tornando pequeno para a realização desse evento.
Precisa também de divulgação à nível de mídia regional e nacional, de apoio dos grandes conglomerados industriais da região, do comércio local e de melhor suporte para a comercialização dos produtos em exposição. Cada artesão, comerciante, industrial local deve também propagandear a feira, seus produtos e serviços, artesanato e modos de comercialização, através da mídia e dos modernos “blogs” da internet que são meios gratuitos de divulgação existentes.
E no decorrer dos dias dessa feira, já tivemos oportunidade de comprovar a presenta de variadas formas da musicalidade que se faz presente através de shows musicais variados e apresentações de outras artes que também têm a música como parte componente dessas apresentações.

Blog do Ademir Rocha, de Abaetetuba/Pa

A Música Paraense na Musicalidade 10 de Abaetetuba Através dos Anos

A MUSICALIDADE 10 DE ABAETETUBA ATRAVÉS DOS ANOS
Foto do arquivo fotográfico de Lial Bentes

A musicalidade é um dos aspectos da cultura de Abaetetuba que funciona como guardiã de uma rica memória, ainda viva na lembrança de cada filho destas terras que vivenciou os ricos períodos desse aspecto cultural e em muitas de suas vertentes, considerando aspectos dos mitos, do imaginário e da cultura que essas vertentes da musicalidade construíram através dos tempos, como veremos a seguir. Esse aspecto cultural da musicalidade usou suas vertentes como forma de comunicação, de transmissão de mensagens, de histórias que marcaram pra sempre, direta ou indiretamente, a vida de muitas pessoas que ainda são depositárias dessas memórias ou que já estão marcadas nos escritos de nossos historiadores em um rico acervo onde pode se encontrar esses variados aspectos da musicalidade de Abaetetuba.
A música em si nada mais é que um conjunto de sons articulados para formar um discurso poético de sons, vozes e encenações de linguagem transmitida através dos tempos usando de recursos rústicos até chegar aos mais sofisticados, de acordo com o período histórico em questão.
Deste modo a musicalidade torna-se uma importante fonte ou documento histórico da memória sobre o nosso passado, conservado e analisado a partir de pessoas e contextos que  nos permite uma volta a esse passado para o conhecimento de seu meio e dos variados aspectos da musicalidade a ser analisada. 
Esses aspectos da musicalidade serão aqui analisados em várias postagens que faremos sobre “A MUSICALIDADE EM ABAETETUBA ATRAVÉS DOS TEMPOS” e, em certos casos, tecendo comentários, considerações e sugestões de melhorias naquilo que pode se constituir um aspecto cultural que pode se consolidar como um evento com identidade própria e, desse modo, se constituir em Abaetetuba um evento que possa também gerar renda e trabalho para o município.
Portanto, a memória da musicalidade, é o ato de lembrar, de reter, o que já se passou, de reconstruir a relação entre passado e presente, e que pode dar sentido à nossa história. Nesse aspecto, a memória não seria uma realidade estática e perdida no contexto cultural de sua época, mas dinâmica e inovadora, se reconstruída em novas formas culturais que possam nos fazer recordar e apreciar no presente sob nova roupagem, e com identidade própria, a ponto de se firmar no cenário da musicalidade em geral como evento que chama a atenção de todos pela riqueza que contém e, consequentemente, como fator turístico que possa chamar a atenção para essas manifestações culturais e se firmar no calendário turístico do município como evento que possa trazer emprego e rendas para muitas pessoas, além de fazer o município ser conhecido e reconhecido como um verdadeiro centro de cultura. Os estudos sobre a musicalidade em Abaetetuba estão atrelados à questão da memória e do que a música desperta em cada pessoa e que marca momentos e sentimentos que são revividos quando se ouve determinada música ou manifestação cultural onde a musicalidade se faz presente. Todos nós temos aquelas músicas ou eventos musicais que vivenciamos na infância, na adolescência, que podem nos trazer a sensação de nostalgia e de rememoração dos bons tempos que já se foram, onde o passado ressurge fragmentado em várias lembranças, advindas de uma memória afetiva onde a sonoridade e até mesmo sabores e cheiros tinham importante papel nesse processo. 

Também gostaríamos de explicar que A MUSICALIDADE EM ABAETETUBA ATRAVÉS DOS ANOS  é o conjunto de todas as formas musicais que aqui já existiram ou continuam a existir, na rica cultura musical do município, manifestada através das mais variadas formas, estruturas, eventos, pessoas, grupos, entidades e ritmos espalhados pelos mais diversos segmentos sociais e recantos do município. Essa musicalidade, a partir dos anos finais do século 19 e durante o século 20, é um período rico de manifestações musicais, que influenciaram sua época, ditaram os modismos, costumes e influenciaram a cultura musical do município e que, com a chegada de outras formas e expressões musicais, íam sendo substituídas através do tempo, mudnado os costumes, as modas e outras formas culturais que marcaram cada época  no município, como foi o caso da chegada do Rock e suas vertentes dos Anos Rebeldes e da Sociedade Alternativa, que alguns grupos pregavam, e das músicas da MPB, do Samba e Bossa Nova, da Tropicália, do Iê-Iê-Iê, do Brega, dos ritmos caribenhos que também influenciaram segmentos da sociedade de seu tempo, tendo alguns desses modismos subsistido até os tempos atuais, pelo menos para algumas pessoas que ainda cultuam seus ídolos e costumes dessa época. Todas essas formas de musicalidade com seus modismos e costumes serão aqui rememorados.
Abaetetuba possuía a sua antiga musicalidade manifestada de vários modos conforme veremos abaixo, sendo que muitas dessas formas musicais foram extintas ou absorvidas por novas formas e expressões musicais advindas de outras culturas musicais do Brasil ou exterior, trazendo no seu bojo os avanços rítmicos e tecnológicos com aplicação de novas técnicas, meios, recursos e instrumentos de sons inovadores que definiram as ETAPAS da cena musical de Abaetetuba e, em especial, o aspecto Festivo-Dançante de grande parcela do povo. O incessante aperfeiçoamento de Gravação, Transmissão e Audição musical através de novos equipamentos e tecnologias trouxe o microfone, os gravadores portáteis, o disco long-playing (LP), a fita Cassete, os Compact Discs (CD), o MP3, o computador e a Internet e, com isso, trouxe também novas Figuras, Personalidades e Vultos para o cenário musical de cada época e o aperfeiçoamento tecnológica na musicalidade trouxe também a demanda por novas profissões, como os Promotores de Festas dos clubes e salões e operadores das aparelhagens de som, inicialmente os locutores, os Disk Jockeis e agora os DJs, que também marcaram os períodos da musicalidade de Abaetetuba. Entre os novos instrumentos eletrônicos, surgidos em Abaetetuba, destacamos a Guitarra Elétrica e o Teclado, que definiram fortemente a cultura musical de Abaetetuba na sonoridade musical, as Festas Dançantes, assim como os novos gêneros, estilos e ritmos aqui surgidos a partir da década de 1960, na forma do Rock e seus subgêneros que desembocaram nas atuais formas musicais eletrônicas dos Dances, Tecnos, Hip-Hop, Funk e da atual Música Digital.
Será necessário que façamos as devidas considerações sobre os diferentes estilos e gêneros musicais já existentes no Brasil antes dos anos de 1960 e dos estilos musicais surgidos a partir dessa década de transformações na musicalidade e nos recursos tecnológicos dela advinda. Também deveremos fazer considerações sobre a Musicalidade Paraense, juntando alguns itens com a Musicalidade de Abaetetuba, para delimitar a influência da música como um todo em Abaetetuba e o aspecto Festivo-Dançante que definiram cada fase da musicalidade em nosso município, empleitada difícil pela intensa hibridização e coexistência de diferentes estilos e gêneros musicais que já vêm desde os anos de 1960 e que ainda se fazem presente na cena musical de Abaetetuba, através do saudosismo e as festas de saudade com músicas que marcaram as décadas musicais. Os Conjuntos Musicais, a Cultura Musical, os Cantores, Grupos Musicais e cada expressão musical antiga e as novas formas musicais, serão também analisados sob diversos aspectos, que vão da cultura criada no meio musical, como de sua substituição por novas formas e os costumes impostos pelos modismos advindos da musicalidade vinda de outros centros musicais do Brasil ou do exterior que marcaram profundamente a cena musical e as modas em Abaetetuba. Seria bom também se analisar alguns aspectos dos Anos Rebeldes e da Sociedade Alternativa que teve como figuras principais cantores e grupos musicais como Raul Seixas, Pepeu Gomes, Baby Consuelo que até os dias atuais encotra espaços para suas idéias através de parcela da população que vivenciou essa forma de protesto através da música e costumes impostos pelas idéias dessa exótica filosofia de vida, como também do Movimento da Jovem Guarda da cultura musical brasileira a partir dos anos de 1960.
As festas dançantes, como parte integrante e importante da musicalidade de Abaetetuba, vão ser enfatizadas, de acordo com alguns parâmetros, em várias FASES DAS FESTAS DANÇANTES DE ABAETETUBA que, no nosso entendimento, se manifestaram conforme algumas características peculiares a cada fase, elencadas abaixo, e que serão citadas no decorrer das exposições de determinados itens das várias postagens que serão feitas a respeito da musicalidade de Abaetetuba.
Além disso outros aspectos da Musicalidade de Abaetetuba serão elencados e analisados pois foram e continuam a ser formas culturais sustentadas pela forte musicalidades como as Festas de Santos, os períodos religiosos como a Quadra Naralina, a Páscoa, Ano Novo, como também as quadras Junina e Carnavalesca, as festividades de santos e tantas outras formas sustentadas também pela música em suas várias formas.

Os dados destas postagens foram coletados das obras de nossos escritores abaetetubenses, como Maria de Nazaré Carvalho Lobato, Maria do Monte Serrat Carvalho Quaresma, Antonio Braga da Costa Júnior, Luiz Gonzaga Nascimento Lobato e pesquisas feitas pelo autor do blog em antigos documentos, revistas ou jornais, internet e das muitas entrevistas que fizemos com pessoas detentoras da memória cultural de Abaetetuba, como Orêncio Barbosa André, Alcimar Carneiro de Araujo, Dinho Silva, Flauri Silva, Mestre Café, Mário Tabaranã e tantas outras pessoas entrevistadas pela cidade e interior do município.
Estas análises, ponderações, dados, conceitos e nomes não são definitivos, pois podem existir inconsistências e incoerências nos textos e falta de dados fundamentais, que serão corrigidos ou acrescentados de acordo com novas pesquisas ou colaboração de pessoas que conhecem, pesquisaram ou vivenciaram os vários aspectos da musicalidade de Abaetetuba.


Caso o autor de alguma foto ou texto não queira referidas fotos e textos nestas postagens,
favor avisar para retirarmos as mesmas. Em contrapartida, temos centenas de fotos e textos
que podem ser copiadas por pesquisadores, estudantes interessados, promotores e autores
científicos e culturais.

AS MÚSICAS PARAENSES EM ABAETETUBA
Já vimos que a música paraense surgiu a partir da influência das três raças que mesclando seus ritmos deram origem aos variados gêneros musicais do Pará.
Porém temos que analisar nossos ritmos musicais sob a influência dos antigos cantores chamados românticos e da influência dos ritmos vindos dos Estados Unidos e Inglaterra, já a partir dos anos de 1920 através do Jazz e dos anos finais da década de 1950 com o Rock e seus subgêneros e da influência dos ritmos caribenhos, do tecno e do dance que atualmente também constituem moda no Pará.

A Influência do Jazz Americano

JAZZ é uma manifestação artístico-musical originária dos EUA, surgida por volta de 1890 na região de Nova Orleans, tendo na cultura popular e na criatividade das comunidades negras que ali viviam um de seus espaços de desenvolvimento mais importantes. O Jazz veio com a mistura de várias tradições musicais, em particular a afro-americana com sons e instrumentos da música européia, tendo produzido  um novo estilo de música que se espalhou rapidamente pelo mundo, gerando uma grande variedade de subgêneros, como:  Dixieland da década de 1910; Swing das Big Bands das décadas 1930 e 1940; Bebop de meados da década de 1940; Jazz latino das décadas de 1950 e 1960; Fusion das décadas de 1970 e 1980.
Devido à sua divulgação mundial, o Jazz se adaptou a muitos estilos musicais locais, obtendo assim uma grande variedade melódica, harmônica e rítmica. O jazz possui alguns atributos, tais como: swing, improvisação, interação, criatividade, voz individual e estar aberto a diferentes possibilidades musicais. Um intérprete/músico de jazz pode alterar melodias, harmonias ou fórmulas de compasso da maneira que achar melhor.
Os instrumentos musicais básicos para o Jazz são aqueles usados em bandas marciais e bandas de dança: metais, palhetas e baterias. No entanto, o Jazz, em suas várias formas, aceita praticamente todo tipo de instrumento
                              As Influências do Jazz no Brasil                              
Nos fins dos anos de 1920, o músico e compositor Pixinguinha organizou o conjunto “Oito Batutas”, do qual faziam parte ele próprio, José Alves, Luís Silva, Jacó Palmieri, China (seu irmão), Nelson Alves, João Pernambuco, Raul Palmieri e Donga. O conjunto foi a Paris e fez enorme sucesso com a dança do maxixe. E voltaram ao Brasil com as influências das “jazz-bands”: baterias, mais sopros, banjos, etc. Do Rio de Janeiro as jazz-bands se espalharam pelo país.
O swing dos Jazz-Bands em Abaetetuba
Já nos idos anos de 1920, 1930 o rítmo Jazz já influenciava o comportamento musical de Abaetetuba, quando os conjuntos musicais locais começaram a assimilar o rítmo instrumental e o swing que essa música e suas vertentes proporcionavam, adequando-os aos rítmos locais nos já numerosos eventos festivos dessa época, especialmente as festas dançantes. E até os dias atuais o rítmo Jazz influencia a musicalidade no Pará e em Abaetetuba, haja vista os rítmos e danças atuais marcadamente influenciados também por esse rítmo americano.
Não queremos dizer que os conjuntos musicais locais tocavam o rítmo jazz para o povo dançar, mas que se apropriaram de alguns aspectos desse rítmo, para fundí-los aos rítmos de danças antigos, como mambo, rumba, xote, merengue e outros rítmos, inclusive os rítmos caribenhos que faziam parte do repertório musical desses conjuntos e também das bandas musicais. Os conjuntos musicais para festas até se auto-intitulavam “jazz band”.
Nos anos de 1920 nossos músicos e cantores sofreram influências do ritmo jazz e suas variantes e até mesmo em Abaeté existiam conjuntos musicais que até no nome mostravam essa influência, época dos “jazzes band”, que juntamente com os antigos estilos e gêneros musicais e já analisados anteriormente, dominavam a cena musical do Brasil. Nos anos de 1940 a 1950, através da Era do Rádio essas músicas se propagavam por todo o país. Como na Era do Rádio havia a predominância das músicas ditas românticas, esse estilo musical veio a influenciar grandemente a música paraense já a partir dos anos de 1960, tempo em que também aconteceu a onda da invasão do Rock e seus subgêneros, onda musical que não conseguiu suplantar a onda de música romântica que se manifestava através de grandes nomes do cancioneiro popular do Brasil. Citemos alguns exemplos de músicos românticos: Lindomar Castilho, Carlos Alberto, Agnaldo Rayol, Agnaldo Timóteo, Ângela Maria e tantos outros nacionais e internacionais e mesmo na onda do Iê-Iê,Iê (esta onda vinda do Movimento da Jovem Guarda em contraposição à Velha Guarda da musicalidade brasileira) existiam muitos artistas da onda romântica, como Paulo Sérgio, Odair José, Evaldo Braga, Reginaldo Rossi e outros grandes nomes do estilo romântico.
Ressalta-se, entretanto, que as músicas do estilo romântico a partir dos anos de 1960 foram concomitantes, em Abaetetuba, às músicas do Rock e seus subgêneros, das músicas do estilo caribenho e de outros estilos musicais que atendiam a todos os gostos musicais da época.
Porém, com a invasão do Rock quebrando costumes e ditando novas regras antes inexistentes no cenário musical-dançante de Abaetetuba, modismos que foram incorporados pelos adeptos do antigo Brega do Pará e que se mantém no atual Tecnobrega, como, por exemplo, o exagerado consumo de bebidas alcoólicas e relacionamentos sentimentais sem compromissos maiores que a de uma noitada de festa, fenômenos que se repetem nos outros estilos musicais como o Dance, por exemplo.
Como queremos enfatizar a musicalidade do Pará e de Abaetetuba, temos que nos reportar às músicas do estilo brega-romântico, que falavam de dor de cotovelo, amorores fatais ou não correspondidos, paixões proibidas e outras mazelas amorosas, músicas com conotações puramente bregas, nas vozes de cantores brasileiros ou da língua espanhola, famosos ou não, que vieram antes e depois dos Anos Rebeldes de 1960. Foram estas músicas que vieram influenciar no rítmo Brega que nasceu no Pará e que também sofreu enorme influência do estilo Tecno e Dance que também invandiram os salões de festas de Abaetetuba e também ditaram normas de comportamentos e influênciaram os costumes e ditaram modas que  se fazem sentir até os dias atuais com a invasão do Tecnobrega ou Tecnomelody que assola o grande segmento das festas dançantes de aparelhagens do Pará.
Músicas Bregas?
No Pará, as músicas consideradas “Bregas-Românticas” começaram a sofrer modificações na sua composição, estrutura rítmica e, aos poucos, foram se adaptando ao estilo dançante do paraense. O termo “Brega”, que antes era um termo pejorativo e aplicado a outros aspectos da vida, fora dos padrões do moderno, foi se firmando como um novo estilo de música que nascia em terras paraenses. Com o aparecimento das novas tecnologias eletrônicas e digitais, as músicas do estilo Brega do Pará foram sendo adaptadas e passaram a receber outras denominações como “Brega Pop”, “Tecnobrega” e, assim, foi sendo construinda a música que hoje é considerada o maior fenômeno musical já surgido no Estado do Pará, com um timbre tipicamente apropriado à Cultura Musical-Dançante Paraense e que, desde o seu início,  foi difundido através dos muitos cantores e cantoras desse rítmo, pelas rádios e pelas famosas Aparelhagens de Som que  ajudaram a massificar e firmar o já considerado rítmo Brega, que agora é conhecido nacionalmente, como um dos rítmos do Pará. Porém, existiam outras músicas paraenses que fizeram e continuam a fazer muito sucesso nas festas dançantes locais ou nos grupos folclóricos das cidades paraenses. Vide abaixo. 
Carimbó e Siriá
CARIMBÓ, é uma dança de origem indígena (instrumentos indígenas e corpo curvado) que sofreu influências africanas (batuque africano) e portuguesa (estalar dos dedos). Seu nome, em tupi, refere-se ao tambor com o qual se marca o ritmo, o curimbó.
O Carimbó surgiu na zona do Salgado (Marapanim, Curuçá, Algodoal) e na Ilha de Marajó, e passou de uma dança tradicional para um ritmo moderno, influenciando a lambada e o zouk e outros rítmos. Na forma tradicional, é acompanhada por tambores feitos com troncos de árvores com o nome de "curimbó", coberto por couro de veado, e o nome é uma corruptela da palavra carimbó. Costumam estar presentes também os maracás e nos anos de 1960 e 1970 recebeu outros  instrumentos elétricos (guitarras nos carimbós do Pinduca e Mestre Vieira) e influências do merengue e da cúmbia (que são rítmos caribenhos). O ritmo tornou-se popular no Norte do Brasil e gerou a lambada, que espalhou-se para o resto do mundo.
A formação instrumental original do Carimbó era composta por dois curimbós: um alto e outro baixo, em referência aos timbres (agudo e grave) dos instrumentos e com os tocadores sentados sobre os troncos e usando as mãos como baquetas; uma flauta de madeira (geralmente de ébano ou acapú), maracás e uma viola cabocla de quatro cordas, posteriormente substituída pelo banjo artesanal, feito com madeira, cordas de náilon e couro de veado. Hoje o instrumental incorpora outros instrumentos de sopro, como flautas, clarinetes e saxofones e, dependendo do lugar, usa-se o ganzá, o reco-reco, o afoché, os pandeiros e até intrumentos eletrônicos.
O carimbó era a música preferida pelos pescadores marajoaras, embora não conhecida como carimbó até então, e o ritmo atravessou a baía de Guajará com esses pescadores e veio dar em praias do Salgado paraense. Em alguma região próxima às cidades de Marapanim e Curuçá, o gênero se solidificou, ganhando o nome que tem hoje. Em Marapanim, na região do Salgado, nordeste paraense, o gênero é bastante cultivado, acontecendo anualmente o "Festival de Carimbó de Marapanim — O Canto Mágico da Amazônia", no mês de novembro.
Na dança dos grupos, as mulheres dançam descalças e com saias coloridas que vão até os pés muito franzidas e amplas. A saia normalmente possui estampas florais grandes e blusas de cor branca, pulseiras e colares de sementes grandes. Os cabelos são ornamentados com ramos de rosas ou jasmim de Santo Antônio. Todos os dançarinos apresentam-se descalços. Os homens dançam utilizando calças geralmente brancas e simples, comumente com a bainha enrolada, costume herdado dos ancestrais negros que utilizavam a bainha da calça desta forma, devido as atividades exercidas, como, a coleta de caranguejos nos manguesais. Além disto ainda utilizam camisa de pano com desenho e corte comum a que a população ribeirinha tradicionalmente utilizava até meados do início do século 20, juntamente com o tradicional chapéu de palha. A dança é apresentada em pares e começa com duas fileiras de homens e mulheres com a frente voltada para o centro. Quando a música inicia os homens vão em direção às mulheres, diante das quais batem palmas como uma espécie de convite para a dança. Imediatamente os pares se formam, girando continuamente em torno de si mesmo, ao mesmo tempo formando um grande círculo que gira em sentido contrário ao ponteiro do relógio. Nesta parte observa-se a influência indígena, quando os dançarinos fazem alguns movimentos com o corpo curvado para frente, sempre puxando-o com um pé na frente, marcando acentuadamente o ritmo vibrante. O carimbó também é dançado nos salões de festas, especialmente na quadra junina.
Carimbó em Abaetetuba
Tanto a música Carimbó quanto a dança Carimbó tiveram grande receptividade nos neios musicais, dançantes e folclóricos no município de Abaetetuba. A professora Maria de Nazaré Carvalho Lobato chegou a criar algumas músicas desse rítmo musical e a criar grupos de danças com o objetivo de difundir essa esse esfuziante rítmo no município. Os conjuntos musicais nas décadas de 1960, 1970 e 1980 tinham as músicas do Carimbó como parte de seus repertórios musicais e a Banda Os Muiraquitãs chegaram a gravar 2 discos contendo músicas do Carimbó e parte do sucesso dessa banda se deve à maestria como os músicos componentes desse grupo musical de Abaetetuba se apresentavam nos numerosos eventos e festas dançantes em Abaetetuba e municípios vizinhos e já era uma banda semi-profissional.
Impressão do Abaetetubense João Pedro Maués Sobre o Grupo Muiraquitãs

Com Laquê na bateria, Nonatinho no contrabaixo, Cloriomar na guitarra solo, Cavalo de Aço como crooner, Raimundo Besteira, Maestro Rui Guilherme, Lamparina e outros nos metais, aqui vai um pouco da musicalidade que o Ademir Heleno falou...É a segunda vez que faço essa postagem....Tem um pouco de cada um de nós aqui...Mesmo pra quem não curte o ritmo, é uma produção genuinamente abaetetubense...E PARABÉNS ABAETETUBA...
Os Muiraquitãs
  • OS MUIRAQUITÃS, outro bom e famoso conjunto musical de Abaetetuba, criado em  1976 pelo empresário Gigi/Hermenegildo Solano Gomes, para tocar na antiga Boate Borboleta, na então distante Rua D. Pedro I, canto a  Rua Lauro Sodré, que foi um famoso ponto da boemia nos idos anos de 1970 e 1980. Criou renome quando teve na sua direção o também famoso e idealista músico Rui Guilherme/Rui Guilherme Mendes dos Reis, tocando pelas festas da cidade e do interior do município e outras localidades do Estado. Uma 1ª formação dos Muiraquitãs, ainda com Gigi na direção: Laquê, na bateria; Cavalo–de-Aço, como croner; Cloriomar, com 13 anos, no contrabaixo; Cardinal, no clarinete e Camargo, na guitarra-solo. Uma 2ª formação dos Muiraquitãns, era: Cloriomar, na guitarra-solo; Nonatinho, no contrabaixo; Laquê, na bateria; Cavalo-de-Aço, como croner e Cardinal, no clarinete.Depois. Em 1977, Rui Guilherme consegue gravar o 1º disco LP (long-play) da banda, que ficando cada vez mais famosa. A formação da banda, já com Rui Guilherme: Besteira, no pistão; Otávio, no saxofone; Lamparina, na percussão; Zeca, na percussão, que foi a formação que gravou o 1º LP. Numa excursão do conjunto em 1977, o ônibus em que viajavam seus componentes, sofreu um pavoroso acidente na estrada, onde morreram 8 pessoas, entre elas, 2 componentes da banda, que foram o Tio Guel e o folclórico Besteira, fato esse que consternou toda sociedade abaetetubense e repercutiu em todo o Estado. O músico Rui Guilherme, amante da música e idealista, também cria o “Muiraquitãs Boys”,  com o objetivo de criar bons músicos jovens na cidade. Os Muiraquitãs marcaram fortemente e cultura dançante de Abaeté e já é extinto.

Como o fenomenal Conjunto "Os Muiraquitãs", de Abaetetuba,
está sendo objeto de estudos e de resgate através do Centro
Cultural de Abaetetuba e recebendo apoios de artistas locais
como Humberto Costa, Lial Bentes, Adenaldo Cardoso e outros grandes
nomes da Musicalidade Abaetetubense, como Paulo Vasconcelos dos Santos,
Benedito Costa e outros, nós tomamos a liberdade de
emprestar a foto acima e também divulgar a Banda Os 
Muiraquitãs, através de seus antigos componentes em 
apresentações na XXXI Semana de Arte e Folclore de
Abaetetuba e na TV Cultura de Belém
A Música e Dança do Siriá
SIRIÁ, é a mais famosa dança folclórica do município de Cametá/Pa, com uma bela coreografia, parecida com a do Carimbó. Do ponto de vista musical é uma variante do batuque africano, com alterações recebidas através dos tempos pela influência de ritmos indígenas e branca, que a enriqueceram de maneira extraordinária. Foi uma dança criada para homenagear as abundantes pescas dos siris que lhes servia de alimento, daí o nome “síriá” para a dança, com um ritmo que começa com um andamento lento e aos poucos vai desenvolvendo velocidade crescente, atingindo ao final um ritmo quase frenético. A "Dança do Siriá" apresenta uma rica coreografia que obedece às indicações dos versos cantados sendo que, no refrão, os pares fazem volteios com o corpo curvado para os dois lados. Na dança, as mulheres usam belas blusas de renda branca, saias bem rodadas e amplas, pulseiras e colares de contas e sementes, além de enfeites floridos na cabeça. Já os homens, também descalços como as mulheres, vestem calças escuras e camisas coloridas com as pontas das fraldas amarradas na frente. Eles usam ainda um pequeno chapéu de palha enfeitado com flores que as damas retiram, em certos momentos, para demonstrar alegria, fazendo volteios.
O maior representante do Siriá, é um senhor de nome Joaquim Maria Dias de Castro, 74 anos, ou para ser exato o Mestre Cupijó, considerado o re-inventor do Siriá e responsável por torná-lo conhecido no Brasil e mundo afora e já com 6 discos gravados com essa música e outros ritmos do Pará, a partir da década de 1970.
O Siriá, como também o Carimbó, faziam parte das rodas musicais de Abaetetuba e era dançado principalmente nas festas da quadra junina. Os grupos de carimbó, em suas apresentações nos eventos da cidade, também apresentavam a Dança do Siriá.
Vide Abaixo AlgumasLetras da Música do Siriá
A Dança do Siriá

Siriá, meu bem siriá.
Estava dormindo, vieram me acordar.
Siriá, meu bem siriá.
Estava dormindo, vieram me acordar.
Se eu soubesse, não vinha do mato.
Pra tirar sarará do buraco.
Se eu soubesse, não vinha do mato.
Pra tirar sarará do buraco.
Ah! Como é bom pescar à beira-mar em noite de luar!
Ah! Como é bom pescar à beira-mar em noite de luar!

Maçariquinho na beira da praia, como é que a mulher
levanta a saia?
Maçariquinho na beira da praia, como é que a mulher
levanta a saia?
É assim, é assim, é assim o lê lê.
É assim que a mulher levanta a saia.
É assim, é assim, é assim o lê lê.
É assim que a mulher levanta a saia.

Siriá, meu bem siriá.
Estava dormindo, vieram me acordar.
Siriá, meu bem siriá.
Estava dormindo, vieram me acordar.
Se eu soubesse, não vinha do mato.
Pra tirar sarará do buraco.
Se eu soubesse, não vinha do mato.
Pra tirar sarará do buraco.

Bate o pé no chão, morena.
Bate o pé no chão, morena.
Bate o pé no chão, morena.
Bate o pé no chão, morena.

Ah! Como é bom pescar à beira-mar em noite de luar!
Ah! Como é bom pescar à beira-mar em noite de luar!

Siriá, meu bem siriá.
Estava dormindo, vieram me acordar.
Siriá, meu bem siriá.
Estava dormindo, vieram me acordar.

Instrumentos Musicais da Dança do Siriá
Tal como a "Dança do Carimbó", existe o canto puxado por dois cantadores e os instrumentos típicos utilizados são os seguintes:
Curimbós, que são 2 tambores ocos feitos de troncos de árvores, muito utilizado na dança do carimbo, um para os sons agudos (tambor mais estreito e menor) e outro para os graves (tambor mais grosso e maior).
Maracás, instrumento feito da cabaça da “cuia”, contendo pedaços de pedregulhos para intensificar o som.
Banjo, é revestido com pele de animal e muito utilizado em diversos ritmos brasileiros.
Ganzá, utilizado em percussão, no samba e em outros ritmos.
Pau de chuva, espécie de "tipiti" (artefato usado para extrair Tucupí) que é feito de cipó ou cizal e quando o instrumento é virado lentamente de um lado para o outro, o som parece com uma chuva caindo.
Na dança do Siriá também é utilizado reco-reco e a flauta para aprimorar o ritmo musical.
Músicas de Carimbó e Siriá são fartamente oferecidos em discos de CD através dos camelôs da cidade na forma de Guitarradas ou músicas de Carimbó e Siriá estilizados  nas vozes de cantores paraenses e ainda são rítmos das festas dançantes e de eventos de Abaetetuba. O tradicional Carimbó do Pará, aquele de raiz, somente é encontrado em municípios da Zona do Salgado Paraense.
Lambada e Guitarrada
LAMBADA, é um gênero musical de rítmo quente, bem dançante, surgido no Pará na década de 1970, tendo como base o Carimbó e a Guitarrada, influenciada por ritmos como a Cúmbia e o Merengue.  O músico e compositor de Carimbó Pinduca lançou, em 1976, uma música intitulada "Lambada (Sambão)"  que foi a primeira gravação de uma música sob o rótulo de "Lambada" na história da música popular brasileira e o guitarrista e compositor paraense Mestre Vieira, o inventor da “Guitarrada”, que no seu primeiro disco oficial, "Lambada das Quebradas", que foi gravado em 1976 e em 1978, lançou o novo rítmo, que caiu no gosto popular e se estendeu até o Nordeste. O grande sucesso, no entanto, só aconteceu após a entrada de empresários franceses no negócio.
Com uma gigantesca estrutura de marketing e músicos populares, o grupo Kaoma lançou com êxito a lambada na Europa e outros continentes. Adaptada ao ritmo, a música boliviana "Llorando Se Fue" tornou-se o carro chefe da novidade pelo mundo. Como acontece com certa freqüência em outras situações, a valorização do produto só se deu após reconhecimento no exterior. Seguiu-se um período intenso de composições e gravações de lambadas tanto no mercado interno quanto externo, quando dezenas de grupos e diversos cantores pegaram carona no sucesso do ritmo. Depois dessa fase de superexposição, como acontece com quase todo fenômeno midiático, deu-se o natural desgaste com a conseqüente queda nas vendas, até cessar a produção e sucesso no Brasil, menos no Pará, onde o rítmo ainda é usado em variados formatos e, especilamente, nas guitarradas paraenses (execução de rítmos frenéticos com instrumentação e vigorosos solos de guitarra).

GUITARRADA, é um estilo musical instrumental do Pará surgido no início da década de 1970, que mistura o choro, o carimbo, o merengue, o maxixe, a cúmbia e a lambada, em uma mistura de ritmos que leva a guitarra ao papel principal da composição. As maiores expressões da guitarrada são os mestres Vieira , Curica e Aldo Sena.
Em Abaetetuba temos o Mestre Palheta, na localidade Abaetézinho, que nada fica a dever aos grandes nomes da Guitarrada do Pará e esse mestre se apresentou na XXXI Semana de Arte e Folclore, acontecida recentemente na cidade.
Mestre Curica
O Mestre Curica é compositor e multi-instrumentista, sendo um dos principais nomes do carimbó paraense, ao lado dos compositores Verequete e Pinduca e o Mestre Cupijó, que é o principal nome do Siriá de Cametá/Pa e grande nome das guitarradas.
Mestre Vieira
O Mestre Vieira, multi-músico e compositor de Barcarena, é responsável pela criação de uma genuína linhagem de guitarristas no Pará e na década de 1970, seu disco “Lambadas das Quebradas” (1978) solidificou o surgimento do gênero conhecido como “Guitarrada”, popularizado nos anos de 1980 sob o rótulo de lambada. Sua originalidade musical está no aprimoramento de uma técnica única de execução para a guitarra elétrica e ele já gravou 17 discos muito bem aceitos pelo público da região, Brasil e mundo.
Mestre Aldo Sena
Aldo Sena foi integrante da banda Populares de Igarapé-Miri, primeiro grupo de lambada do Brasil, criado no início da década de 80. O músico está entre os mais significativos compositores de guitarradas surgidos em Belém (PA), ao lado de Pio Lobato, do grupo Cravo Crabono, e de Chimbinha, da Banda Calypso.
Mestre Solano
Há muito tempo o Mestre Solano, cuja origem é Abaetetuba, vem mostrando seu trabalho no cenário musical paraense, mas somente agora as mídias e os críticos de música vêm fazendo destaque desse grande músico paraense. Vide abaixo um texto produzido fora do Pará sobre o Mestre Solano:

Mestre Solano, o BB King da Amazônia

O 17º álbum de Mestre Solano mostra a força das guitarras do Norte

02 de janeiro de 2014 | 2h 06

Co
Julio Maria - O Estado de S.Paulo
Solano é pouco reverenciado fora de seu reino - Divulgação
Divulgação
Solano é pouco reverenciado fora de seu reino
Se o Rio Mississippi cortasse o Pará e em suas margens brotasse cupuaçu em vez de algodão, blues seria só festa e BB King, um caboclo chamado Mestre Solano. Aos 72 anos, 60 de carreira, 17 discos lançados, só Deus sabe quantos vendidos, Solano é um totem pouco reverenciado fora de seu reino. Instituiu no final dos anos 70 a guitarrada, uma música tão brasileira e saborosa quanto o açaí, chamada assim a partir dos anos 90, quando sua progenitora, a lambada, entrou em decadência.
Solano com sua Gibson, uma das quatro guitarras que possui (da mesma marca de Lucille, a menina dos olhos de BB King), acaba de lançar o mais cuidadoso álbum de sua discografia. Como só agora teve dinheiro de uma empresa patrocinadora, a Natura, honrou cada centavo. Mestre Solano - O Som da Amazônia tem 13 temas do guitarrista paraense, sete deles inéditos. Conta com outro hábil das seis cordas do Amapá, Manoel Cordeiro (pai do cantor Felipe Cordeiro), na faixa As Belezas do Marajó. E com o grande violonista de Santarém Sebastião Tapajós, que protagonizou a rara cena de deixar suas terras e ir a Belém apenas para gravar o tema que fez ao amigo, Rei Solano.
A guitarra de Solano é imune a egos alterados, limpa de efeitos e transparente de técnica. Nada de distorções, nada de velocidade. Sua guitarrada é assim, uma música essencialmente instrumental e vibrante, pensada para fazer o baile ferver com o som puro de uma Gibson, uma Fender, uma Yamaha japonesa ou uma Condor brasileira. O tema é apresentado primeiro, geralmente sobre uma base rítmica de carimbó, bolero, lambada ou brega - o que no Norte não tem carga pejorativa nem é sinônimo de Reginaldo Rossi. E o improviso vem depois, mas não com o efeito vulcânico do blues. Cada frase pensada sobre as harmonias primitivas têm vida própria, como se fossem novos temas.
Solano chegou até aqui se equilibrando em épocas de seca e dias de glória. Gravou seus primeiros três discos pela Continental, ainda decodificado pelo Sul e Sudeste como um "cantor brega". Seguiu depois para a Atração e RGE até desaguar no amazônico leito dos independentes. Sua vitória maior foi com Ela É Americana, de 1975, regravada por Dorgival Dantas, Aviões do Forró, Alípio Martins e Arnaldo Antunes. Se fosse BB King, estaria milionário. "Os vendedores diziam que não davam conta de repor meu disco nas lojas. Este com Ela É Americana deve ter vendido demais, acho que mais de 200 mil cópias", ele calcula. Sua história melhor se deu dentro de uma prisão. Se fosse BB King, já teria seu filme.
Fim de semana na penitenciária de Belém, 1970. Solano fazia um show para os detentos, que em dias de festa andavam livres pelo pátio central. Quando terminou a terceira ou a quarta música, um deles se aproximou. Era Denizar, homem perigoso de Abaetetuba, mesma cidade de Solano, no interior do Pará, condenado por matar um cabra e esfaquear outro. Como a justiça dos homens já o condenara, restava a Solano estender-lhe a mão. No meio da conversa, Denizar o surpreendeu. "Se você quiser, eu te faço uma guitarra muito melhor do que essa sua aí." Solano aceitou meio que duvidando. As mesmas mãos que tiraram a vida de um homem seriam capazes de esculpir uma guitarra melhor que a dele? Meses depois, a encomenda estava pronta. Solano voltou à penitenciária e lá estava sua prometida: uma belezura de três captadores, cor de vinho, máscara preta e esculpida no cedro. "Com o tempo, acabei vendendo o instrumento. Como me arrependo", diz ainda Solano.
As sementes da guitarrada chegaram ao Brasil pelo radinho de pilhas Sharp de três faixas que o menino Solano ouvia ainda em Abaetetuba. Quando tentava sintonizar as emissoras de Belém, seguia de chiado em chiado até pescar uma cumbia colombiana, um bolero dominicano ou um calipso hondurenho. Em vez de emissoras brasileiras, os rádios do Norte sintonizavam as ondas saídas das antenas do Caribe. "Foi assim que começamos esse estilo aqui no Pará. E digam o que quiser: assim como o axé é da Bahia, a guitarrada é 100% paraense." Assim como o blues é de BB King, a guitarrada é de Mestre Solano. 

Em Abaetetuba os rítmos lambada e guitarrada eram e ainda são muito tocadas nas residencias locais e dançadas nas festas e, principalmente, na quadra junina, quando os brincantes se esmeram em executar coreografias variadas ao som desses alegres e vibrantes  rítmos musicais. Os discos CDs de lambada e guitarrada são fartamente vendidos por camelôs da cidade nas vozes dos cantores e grupos musicais do Pará.

Músicas Bregas
As antigas músicas bregas brasileiras e internacionais se situam, junto com outros ritmos, estilos e gêneros musicais na 2ª Fase Das Festas Dançantes de Abaetetuba e também são concomitantes ao rock e seus subgêneros e músicas como sambas, sambas-canções, boleros, ritmos caribenhos (vide adiante), músicas da MPB, Tropicália, Bossa Nova. As músicas da invasão do Rock e seus subgêneros no Brasil vieram se contrapor às músicas bregas em moda no Brasil. Porém muitos músicos da Própria Jovem Guarda e outros estilos que surgiram a partir do ano de 1960 tinham seus representantes bregas.
Período da 2ª Fase: perdurou dos anos de 1960 e se estendeu até o aparecimento de nova modalidade de conjuntos musicais tipo “skemas musicais” da década de 1980.
Portanto, as primeiras músicas do Estilo Brega (da dor de cotovelo, amores fatais e eternos, do  romantismo exagerado, das antigas músicas brasileiras ou da língua espanhola, vindas dos outros estilos musicais, inclusive da Jovem Guarda),  inspiraram a criação das músicas do Ritmo Brega Paraense.
O Brega
BREGA,  no nosso entendimento e pelas nossas observações, é um estilo musical vindo das décadas de 1940 e 1950, através de artistas das várias vertentes musicais, uma vez que não havia um ritmo musical propriamente "brega". Inicialmente, o termo designava um tipo de música romântica vindas dos boleros, sambas-canções e, posteriormente, das músicas românticas vindas de outros gêneros surgidos a partir da década de 1960, como algumas músicas do movimento da Jovem Guarda (Paulo Sérgio, Reginaldo Rossi, etc), e de outras vertentes como Odail José, Lindomar Castilho, Silvinho e outros, da MPB, da Tropicália, de alguns sambas e das músicas regionais do Brasil, como as do estilo sertanejo, todas com conotação “romântica”, que na visão dos críticos da época se caracterizavam como brega. Essas músicas se caracterizavam pelo apelo bastante sentimental, que falava de dor de cotovelo, dramas de amores desfeitos, amores fatais ou eternos, paixões proibidas e outros sentimentos similares. São muitos os artistas que desfilaram no estilo romântico, entre os quais destacamos:

Os precursores do estilo romântico das décadas de 1940 e 1950: Orlando Dias, Silvio Caldas, Dava de Oliveira e outros.
Da década de 1970: os do movimento da Jovem Guarda, como o pernambucano Reginaldo Rossi e Paulo Sérgio, Evaldo Braga e outros e ainda os românticos: Altemar Dutra, Odair José, Waldick Soriano, Lindomar Castilhos, Silvinho, Agnaldo Timóteo. Da segunda metade dos anos 70, influenciados pela discotéque e o pop dançante: Sidney Magal e outros.

Da década de 1980 os cantores da linha romântica, como os populares Amado Batista, Wando, Gilliard, Fábio Junior, José Augusto e outros. 

Compositores do estilo brega dessa década: Michael Sullivan e Paulo Massadas, que se especializou em composições tidas como "bregas". Entre elas, "Me Dê Motivo", na voz de Tim Maia, e "Deslizes", na voz de Raimundo Fagner, Eduardo Dusek  (que fez o LP "Brega-Chique", em 1984). Nessa década, uma série de artistas passou a se assumir como "Brega”, entre os quais Reginaldo Rossi, auto-intitulado o "Rei do Brega", da linha brega-romântico, a partir da canção "Garçom" que transformou-o subitamente em sensação no Sudeste, onde aconteceu uma reavaliação do Brega, inclusive com gravações feitas por consagrados artistas nacionais, como Caetano Veloso, o cantor baiano, que já havia gravado em 1982 a canção "Sonhos", de Peninha, regravaria em 2004 "Você não me ensinou a te esquecer", famosa canção de Fernando Mendes. Nos anos 2000, outros "cafonas" receberam reconhecimento, como Odair José, que ganhou álbum-tributo do qual participam Pato Fu, Mundo Livre S/A e Zeca Baleiro.

Da década de 1990, o estilo brega-romântico continua a ganhar reconhecimento e onde surge um estilo de "brega-escrachado", do cearense Falcão.

O GÊNERO BREGA DO NORTE DO BRASIL 
Portanto, foram as músicas do estilo brega-romântico (cafona) nacional e internacional que serviram de espelho para que, longe da cobertura da mídia cultural do país e do suporte técnico das grandes gravadoras nacionais que o estilo Brega, já a partir dos anos finais da década de 1960, começasse a se consolidar como gênero musical no Pará, onde sofreu influências de ritmos como o merengue, salsa, rumba, o calypso, o bolero e outros. 
Aqui as primeiras músicas do estilo Brega, eram realmente músicas da linha popular-romântica, os chamados “bregões” de muito apelo sentimental e letras sofríveis, de mau gosto e cafona mesmo, mas somente para a parcela do povo mais elitizada, enquanto que a população da periferia de Belém e cidades vizinhas, como Abaetetuba, Igarapé-Miri, aceitaram o novo estilo, de tal modo, que fizeram alavancar essas músicas através das inúmeras festas dançantes que se realizavam pelos salões de festa dessas cidades e pelas vendagens de discos facilmente encontradas nas bancas de camelôs de Belém, Abaetetuba e cidades citadas. 
O Brega, também como estilo musical dançante em Abaetetuba, vem atravessando todas as Fases das Festas Dançantes de Abaetetuba. Da 1ª Fase, dos anos de 1940, 1950 (da Era de Ouro dá Rádio) e parte da década de 1960, o Brega era representado pelas músicas do estilo cafona dessas décadas; da 2ª Fase, era representado pelos artistas ainda do estilo romântico-sentimental como os cantores Reginaldo Rossi e outros artistas vindos do movimento da Jovem Guarda e demais estilos musicais vindos dos primeiros anos da década de 1960; da 3ª Fase o Brega era representado pelas primeiras músicas do estilo chamado “bregão” (os primeiros bregas surgidos no Pará)  devido o apelo fortemente sentimental dessas músicas e nas fases seguintes, o brega foi representado pelo rítmo que incorporara os elementos e avanços da tecnologia, da música eletrônica tecno e dance e da música digital (décadas de 1990 e 2000) em suas gravações, que agora em 2012 está consolidado como um dos rítmos musicais do Pará, na forma de Tecnobrega e Tecnomelody.
O Estilo Brega em Abaaetetuba
 Em Abaetetuba o estilo Brega-romântico se fazia sentir através dos famosos cantores e cantoras da “Era de Ouro da Rádio”, dos anos de 1940 e 1950, onde os cantores românticos eram bastante apreciados, tanto na musicalidade em geral como nas festas dançantes dessas décadas e esse estilo também se fez presente em Abaetetuba, sem se abalar com as influências da musicalidade dos Anos Rebeldes de 1960, e também com a concorrência das novas formas musicais vindas ds EUA e Inglaterra e as criadas em território nacional na forma de músicas do Movimento da Jovem Guarda, da Bossa Nova, da Tropicália e do MPB, e também com a presença marcante de alguns antigos rítmos caribenhos. 
A Evolução do Estilo Brega no Pará
Nos anos de 1970 o Brega-romântico, no Pará, evoluiu para outras formas de brega dançante, os chamados “Bregões” (estes ainda subsistem com as vendagens de discos CDs em Abaetetuba e Belém), que dominaram a cena musical do Pará e com grande influência em Abaetetuba, devido a proximidade com a Capital, através das antigas rádios (Rádio Clube do Pará, Rádio Marajora, Rádio Liberal, etc), dos discos de vinil facilmente encontrados, juntamente com os toca-discos, das aparelhagens de som de Abaetetuba e Belém, sendo estas, juntamente com as rádios de Belém e cidades vizinhas, as grandes difusoras do rítmo Brega Paraense, já na forma de Brega-Pop (o brega dançante de rítmo mais rápido), até chegar na forma das modernas músicas do Tecnobrega e Tecnomelody, esta vertente com grande influência da música eletrônica e da música digital. O brega, nas suas formas antigas e novas, e até os dias atuais, ainda faz parte do cenário musical do município de Abaetetuba e o Tecnobrega e o Tecnomelody, é a sensação de parcela musical-dançante da cidade e que convive com outros rítmos dançantes paraenses e  nacionais (inclusive os brega-românticos dos vários estilos musicais antigos e novos do Brasil) e das modernas músicas da era eletrônico-digital, tudo por segmentos, conforme os textos explicativos abaixo.

A Consolidação do Estilo Brega em Belém e Abaetetuba na Década de 1980

Belém do Pará, juntamente com Abaetetuba e cidades metropolitanas e vizinhas, tornaram-se a principal referência na consolidação do "Brega" como estilo musical no país. Inicialmente restrito aos circuitos das rádios, bailes e shows com os  chamados "bregões"  em casas noturnas da periferia das cidades, quando a cena musical foi aos poucos adquirindo grandes proporções regionais, reforçadas pelas programações musicais das emissoras de rádio e pelas já famosas "aparelhagens" (pequenas, médias ou grandes e potentes sistemas profissionais de som) das grandes festas populares, freqüentadas por milhares de pessoas, geralmente caracterizadas pelas músicas típicas da região Norte, alguns sucessos da música pop (nacional e internacional) e ritmos caribenhos, como os merengues e calypso e mais adiante a lambada. A mistura destes sons influenciou novas vertentes praticadas pelos artistas "bregas" que surgiam todo dia. Fora do âmbito da indústria fonográfica nacional, a produção musical "brega" paraense era distribuída diretamente por vendedores ambulantes e camelôs de Belém e cidades vizinhas como Abaetetuba, consolidando um mercado alternativo para esse movimento, regionalmente batizado como "brega pop”, isto é, um brega que procurava sair do apelo sentimental que alimentava o brega-romântico e os “bregões” do próprio Pará.
O Brega-Pop
Com letras que ainda mantinham em geral a carga romântica, embora freqüentemente se desviasse para a acentuada sensualidade, refletida até mesmo na coreografia dos dançarinos que acompanha a malícia da música e com o acréscimo de batidas eletrônicas mais aceleradas e com ênfase no acorde das guitarras e teclados eletrônicos, que começaram a definir o "Brega-Pop". Embora tenha se desenvolvido no mercado paralelo das periferias de Belém e das cidades vizinhas, o "Brega Pop" transformou-se em um negócio lucrativo, não só para os músicos e produtores musicais como para os vendedores de discos CDs pelas lojas e ruas das cidades e reconquistou espaço nas mídias locais, com presença na programação das grandes rádios comerciais, através de muitos cantores, cantoras e grupos musicais que se destacavam no novo rítmo.
O Tecnobrega
Pelo avanço das tecnologias na cena musical paraense, alguns cantores e bandas aderiram a essas novas técnicas no mercado musical que, aos poucos, foram se firmando no rítmo Brega e que resultaram em novas vertentes do Brega-Pop como o popular “Tecnobrega”, fazendo com que esses cantores e bandas do "Brega-Pop" ganhassem projeção nacional. Enquanto isso, uma imensa maioria de músicos e cantores que teimavam em permanecer no rítmo do antigo Brega, começaram a perder o mercado para os artistas do Brega-Pop e de suas vertentes como o Tecnobrega e esses artistas do antigo brega rapidamente desapareciam da cena musical, dando lugar ao brega com batidas eletrônicas. Junte-se a isso o grande desenvolvimento que as aparelhagens de som foram tendo, com a introdução de modernos recursos eletrônicos e digitais na sua estrutura, o que levou essas grandes aparelhagens a se tornar verdadeiras indústrias dentro do circuito do Tecnobrega e que se tornaram as produtoras de seus próprios discos e, também, as grandes promotoras das festas do Tecnobrega nas periferias de Belém e nas cidades vizinhas como Abaetetuba, Igarapé-Miri e que se espalharam por todas as localidades paraenses, onde as festas de aparelhagens, com seus famosos DJs, se tornaram o novo fenômeno musical do Estado, que agora avança por todos os recantos do Brasil e do mundo.

As festas de aparelhagens e seus famosos DJs vieram a constituir parte das Fases das Festas Dançantes de Abaetetuba. (Ver acima)
A partir de 1990 o Brega do Pará se consolida como um verdadeiro gênero musical no Pará e que na década de 2000 se impõe pelos novos grupos e artista de renome nacional, como a Banda Calypso e agora a cantora Gaby Amarantos e com aceitação total por parte de parcela significativa da população do Pará e do Brasil.
Agora os críticos de música do Paré e Brasil, as grandes produtoras musicais brasileiras, os antropólogos, todos elogiam o Tecnobrega como um momento da música paraense, junto com o Funk Carioca, o Hip-Hop paulista, a Tchê Music Gaucha, o Lambadão Matogrossense, o Forró Amazonense e toda a música das periferias das grandes cidades, segundo comentários da mídia nacional e o acesso do Tecnobrega até em programas importantes do país, como o Fantástico e o Programa do Fautão, onde os cantores e grupos do Tecnobrega têm aparecido com destaque.
No ínico da história do Brega do Pará, além dos críticos, as grandes gravadoras brasileiras viravam os olhos para o novo rítmo paraense, fato que não afetou nem um pouquinho a popularidade da música nos estratos sociais onde se desenvolvia, devido a forma sui-gêneris que os cantores e bandas do Brega encontraram para promover as músicas, que eram as divulgações pelas periferias de Belém e cidades vizinhas como Abaetetuba, pelas rádios paraenses que eram solicitadas para disponibilizar as músicas do estilo brega através dos programas populares e, principalmente, a divulgação dos discos produzidos aqui mesmo no Pará, pelas grandes, médias e pequenas aparelhagens de som e suas famosas Festas de Aparelhagens e seus DJs famosos que muito ajudaram na promoção e divulgação do estilo Brega em Belém e todo o Pará e, agora, Brasil. Sem esquecer também dos camelôs que se encarregavam de vender aos milhares as cópias piratas desses discos pelas praças e ruas das cidades e todos saíam lucrando.
O grande mérito do tecnobrega não diz respeito à qualidade da música, que precisa mesmo melhorar a qualidade sofrível de suas letras, mas à capacidade de ter nascido e aparecido e crescido sem a presença das grandes gravadoras do Brasil e da mídia nacional e local e sim através do meio quase atesanal da produção musical do Pará que, diga-se de passagem, melhorou muito a qualidade de suas gravações através do avanço tecnológico à disposição e da criatividade dos donos das aparelhagens de som do Pará, com suas produções musicais através de seus criativos DJs. Por sinal que esses DJs e os de Abaetetuba, nada têm a dever aos dos grandes centros do Brasil em termo de qualidade e criatividade. Quando o Brega Paraense começou a tomar conta de Belém, Abaetetuba e outras cidades do Pará, e sobrepor à enxurrada de Axê-Music baiano e outros rítmos do Brasil e estes com o apoio da grande mídia e gravadoras e dos críticos musicais, e onde grande parcela da cena musical-dançante era dominada por estas músicas vindas de outros recantos do país, foi aí que se percebeu que estava nascendo um fenômeno musical-dançante que começava a dominar os salões de festas e periferias de Belém e outras cidades como Abaetetuba.
Outro grande fator para o sucesso do Brega, Tecnobrega ou Tecnomelody e o seu grande apelo dançante-sensual, onde os pares desenvolveram verdadeiras coreografias que levam os dançarinos a desenvolver verdadeiros malabarismos, como no tempo do merengue que se dançava nos anos de 1960 e 1970 em Belém e Abaetetuba. Os bregueiros do Pará acreditaram no potencial da música e hoje observam o rítmo tomar conta do Brasil inteiro, como rítmo musical do Pará.
Os Nomes do Brega, do Brega-Pop e do Tecno-Brega do Pará e Sua Evolução
O maior expoente nacional do movimento seria a Banda Calypso. Ainda no Pará surgiram outras ramificações dentro do "Brega", tais como o popularmente conhecido "Tecnobrega", resultado da fusão do "Brega" com estilos da música eletrônica.
Na década de 1990 o Brega assimila as batidas eletrônicas e daí surge o Brega-Pop e Tecnobrega e já longe da linha romântica-popular do início do Brega e que se tornaram bastante populares na cena regional do Norte do Brasil, em especial, na periferia de Belém, Abaetetuba e outras cidades paraenses. É claro que os outros segmentos musicais do Pará conservaram os seus estilos e até avançaram com a criação de inúmeras bandas e o surgimento de muitos artistas de sucesso, mas o Tecnobrega se tornou a música preferida dos segmentos sociais periféricos das cidades e das festas dançantes.
Como o estilo musical e dançante chamado Brega influenciou e continua influenciado a cena musical do Pará, especialmente em Belém e sua zona metropolitana e fazendo o mesmo em Abaetetuba, é bom que recordemos alguns nomes da história desse rítmo musical nascido no Pará e com grande aceitação em Abaetetuba e agora no Brasil, através de cantores já consagrados como Gaby Amarantos, a Musa do Tecnobrega do Pará:
História
A influência Brega na musicalidade do Pará se iniciou através das músicas românticas chorosas e dançantes dos anos de 1940, 1960 e 1970 através de grandes nomes da música romântica do Brasil, que começaram a sofrer modificações rítmicas e dançantes no Pará, porém o estilo Brega tem suas primeiras expressões Suas na década de 1980, mas o sucesso começou apenas na década de 1990, principalmente em artistas como Tonny Brasil, Kim Marques, Adilson Ribeiro, Nilk Oliveira, Mário Senna entre outros. O ritmo foi rapidamente se espalhando pelas periferias de Belém e cidades de sua Zona Metropolitana e cidades vizinhas como Abaetetuba e Igarapé-Miri que se caracterizam pelo seu aspecto festivo-dançante e a partir daí atingiu outras partes das regiões norte e nordeste do Brasil.O nome "Brega Pop" foi uma criação dos radialistas Jorge Reis, Rosenildo Franco e Marquinho Pinheiro que notaram a diferença do brega surgido no Pará.

Na década de 2000 com o surgimento da Banda Calypso e de novos artistas como Daniel Galeno, este filho de Bartô Galeno Roberto Bessa, Dandão Viola e outros artistas, o Brega Pop também se popularizou no Pará e pelo Brasil. Do Brega Pop surgiu o Tecnobrega, difundido pelas periferias de Belém e sua Zona Metropolitana e cidades vizinhas como Abaetetubaparaenses.
No Pará nos anos de 1980 aconteceu o 1º "Movimento do Rítmo Brega", que foi encabeçado por populares cantores, a maioria tendo gravadora nacional, como:
Alípio Marntins (in Memoriam)
Juca Medalha
Luiz Guilherme
Ted Max
Mauro Cota
Francis Dalva
Miriam Cunha
Carlos Santos
Ari Santos
Os Panteras
Waldo César
Solano e seu Conjunto
Vieira e Banda
Fernando Belém
Beto Barbosa
Ditão (in memoriam) 
E também artistas maranhenses, que moraram e gravaram seus primeiros discos no Pará:
Ribamar José
Beto Douglas
Adelino Nascimento 
e outros. 
       No final dos anos de 1980, já sem o apoio da mídia, principalmente as rádios de Belém, o Movimento Brega enfraqueceu e passou a depender apenas das Aparelhagens de Som, espécie de aparelho de som gigante,  que já começavam a ganhar  a se modernizar eletronicamente e a ganhar fama no Pará (faremos postagem sobre as Aparelhagens de Som do Pará e Abaetetuba).
      Entre as aparelhagens gigantes que difundiam o Brega no Pará e já iniciavam a promover suas Festas de Aparelhagens, destacamos:
Rubi, tradicional aparelhagem de Belém
Tupinambá, tradicional aparelhagem nascida em Abaetetuba nos anos de 1950 e que se transferiu para a Capital Paraense onde até os dias atuais goza de estrondoso sucesso sob o comando do DJ Dinho.
Itamarati
Guanabara
Depois vieram outras Aparelhagens de Som mais recentes:
Super Pop Som, que, como a Tupinambá e outras gigantes, já é uma empresa com toda a estrura necessária na promoção de eventos e gravações de discos e vídeos:

Principe Negro, outra gigante com estrutura da já citadas
Crocodilo
Ciclone e outras parelhagens de Belém.
Essas aparelhagens foram importantes para o Tecnobrega porque mantinham em seu reportório quase 80% da produção de música e vídeo local, e mais especificamente o Brega e muita publicidade sonora, porém com pouca visualização de cantores e bandas independestes das aparelhagens de som, como uma espécie de monopólio musical. Porém as bandas e cantores, apesar de muitas dificuldades e obscuridade se mantiveram no cenário musical do Pará.
No início da década de 1990, em meio à enxurrada do Axé-Music, o Pará também se adequou a essa onda, pois o Carimbó não era valorizado até mesmo no Pará, pela imprensa, pelos cantores e pelo público e foi esse rítmo que conseguiu sustentar a música do Pará na cena musical.
Devido o Axé-Music que não só invadiu o Pará, como o Brasil inteiro, o Brega do Pará ficou um bom tempo fora da mídia e refugiando-se apenas no apoio das Aparelhagens de Som do Pará e o Brega ficou esquecido pelos órgãos da cultura, dos críticos musicais e dos governanantes pela preservação de nossa Cultura Musical.
Porém, pela visualização através das Aparelhagens de Som do Pará, o Brega deu o ar de sua graça na mídia através da música "A Nuvem", do cantor e compositor Roberto Vilar e trazendo algumas reformulações no rítmo e nas sofríveis letras antigas. A partir daí outros artistas, músicos e bandas começaram a aparecer no cenário musical paraense, como:
Chimbinha, guitarrista
Tony Brasil, guitarrista e outros grandes músicos do Pará.
O CD "Ator Principal (O Papudinho) de Roberto Villar, já se podiam perceber mudanças na aceleração do rítmo Brega, maior desenvoltura e ousadia dos músicos e cantores com um swuing mesclado com outros rítmos, e o uso de outros instumentos percussivos de maior expressão e a inserção de mais guitarras e dando ao Brega mais sensualidade e tornando-o mais dançante, saindo daqueles bregas que lembravam as dores de cotovelo e amores fatais e de ritmo menos atrativo para as coreografias que as bandas do Pará começaram a introduzir em seus shows. 
A partir daí o Rítmo Brega começou a reconquistar o cenário musical paraense e já com espaço na mídia local mais acentuada que dos anos de 1980. Pará ganhar outros estados brasileiros foi um pulo só, em performaces de artistas que rebatizaram o rítmo de "Brega-Pop", fazendo alusão as mudanças sofridas pelo antigo rítmo Brega. Artistas que se destacaram nessa nova fase do Brega-Pop:
Wanderley Andrade, que até ganha espaço em programas de rede nacional
Kim Marques
Alberto Moreno
Edilson Moreno
Banda Xeiro-Verde
Rosemarie, baiana e outras.
Em 1997, com a TV Liberal divulgando as festas do Brega-Pop, especialmente Fernando Belém, nas casas noturnas de Belém, especialmente na Xodó, vindo essas festas em reporgens de outras TV e o rítmo saiu das festas da madrugada e a Rádio Liberal começou a colocar o rítmo do Brega-Pop em programas populares do dia e com isso ganhou o Sistema Liberal e o rítmo Brega-Pop, especialmente no programa Zuera Liberal, comandado pelos radialistas Jorge Reis, Rosenildo Franco e Marquinho Pinheiro, a quem o Brega-Pop muito deve em popularidade e divulgação.

Relação dos artistas que assumiram em 1996 e 1997 em diante o rítmo Brega-Pop, como questão de subsistência artística:
Tony Brasil
Kim Marques
Edilson Moreno
Adilson Ribeiro
Jr. Neves
Nilk Oliveira
Edinho 
Alberto Moreno

Após esses mais famosos, vieram outros:
Marcelo Wall, mais romântico
Tarcísio França
Daniel Delatuche
Mário Senna
João Paulo e banda
Sandro Aragão
Josiel Carvalho
Jocel Penalflor e outros.
Desse modo o Rítmo Brega-Pop tornava-se mais evidente no cenário musical paraense e começava a quebrar alguns tabus vindos de alguns setores da imprensa, dos críticos, da sociedade elitista que ainda teimavam em não enxergar o sucesso do rítmo Brega-Pop no Pará e Brasil.
Outros nomes do Brega-Pop que vieram dar mais diversidade ao rítmo:
 Joba
Lenne Bandeira, atualmente na Banda Companhia do Calypso, junto com Mylla Carvalho.
Simone Faoli e Suzane Faoli, na Banda Sayonara
Marquinho e Banda
Gerson Thirrê
Joelma e Banda Calypso
Suelene
Edilson Moreno
Aninha
Bosco Guimarães
Carla Maués
Fábia Lenizze da Banda Cajuí
Sandro Aragão
 Chico Salles e outros.
O Brega em Abaetetuba:
Abaetetuba se destaca no Pará como um centro festivo-musical-dançante e o Brega, desde o seu início nos anos de 1960 com os ainda cantores românticos da Jovem Guarda e com os Bregões dos anos de 1970 até o atual Brega-Pop, Tecno-Brega e Tecnomelody, é uma das localidades do Pará onde o rítmo Brega teve grande aceitação nas festas dançantes, nos shows dos artistas acima citados e mesmo como ouvinte desse estilo musical, onde até carros automotivos são dotados de potentes sistemas de som que ficam o dia inteiro azucrinando os ouvidos e paciência dos moradores da cidade, das estradas e ilhas de Abaetetuba.
Muitos dos artistas acima citados já estiveram participando de festas dançantes e shows no Estádio Humberto Parente e casas de festas de Abaeté (que são muitas) e se virem novamente, pode-se dizer que é ocasião de casa cheia, pela afinidade que esse rítmo ganhou em parcelas consideráveis da populaçao. Nem todos aceitam esse rítmo e é natural que asim seja, como nem todos aceitam a onda de Música Sertaneja que invandiu também a cena musical de Abaetetuba.
No Centro Comercial de Abaetetuba, em cada rua ou esquina, pode-se observar centenas de pessoas tirando o sustento de suas famílias com a venda de CDs piratas, onde a maioria é do Brega-Pop e suas novas variantes.
Também existem aqueles adeptos dos antigos Bregões que também são encontrados nos ditos camelôs de rua.
Calypso:

Como a Banda Calypso é um forte símbolo musical do Pará, aqui descrevemos um pouquinho desse grupo musical que é um fenômeno, inclusive com penetração na cena musical mudial.

CALYPSO, é um estilo musical afro-caribenho muito alegre, que surgiu em Trindad e Tobago no século 19 e cujas raízes desssa música remetem à chegada dos escravos africanos, que, não podendo conversar uns com os outros, comunicavam-se pela música. No final do século 20, o Calipso passou a fazer sucesso de diversas formas no mundo inteiro, criando versões totalmente diferentes, tendo influenciado a música Jamaicana dos anos 1970 em alguns géneros musicais como o reggae-rap ou reggae-swing. No Brasil o Calypso é citado desde o fim da década de 1950, quando foi usado por pioneiros do rock, porém é mais conhecido tanto no Nordeste quanto no Norte pelas músicas da banda homônima, mas que em nada diz respeito ao ritmo original caribenho e no Pará o calypso se refere a um estilo musical específico, mas que estilisticamente leva poucas influências do calipso original.

Calypso no Estado do Pará e em Abaetetuba:

No estado do Pará a Banda Calypso foi criada em 1999 pela cantora Joelma e pelo guitarrista Chimbinha, que a partir do segundo álbum, optaram pela prevalência do Calypso em suas músicas e shows e com grande receptividade nos meios dançantes e musicais da época e a partir daí, avançaram do Pará em shows memoráveis e ao vivo, que ajudou na divulgação desse rítmo pelo Nordeste e demais regiões brasileiras. Quando o grupo ganha fama nacional, em  2005, inicia sua primeira turnê internacional, passando por países como EUA, Itália, Portugal e Suécia e atualmente goza de prestígio a nível nacional e internacional. Porém a musicalidade do Calipso não difere muito do que alguns chamam de Tecnomelody e também são músicas altamente dançantes e sensuais.

Em Abaetetuba o rítmo Calypso ganha os salões de festa a partir dos primeiros discos dessa banda nos anos de 2000, juntamente com as músicas dos grupos nordestinos do forró estilizado, que se tornam rítmos dançantes preferidos nas festas pela cidade e interior do município. Porém, a partir do início dos anos de 2010, esses rítmos vêm perdendo terreno pela enxurrada de música eletrônica e outros gêneros tecnos  do Pará. Ver nomes do Brega no Pará.

Blog do Ademir Rocha, de Abaetetuba/Pa