MESTRE FIFI, MESTRE SINEIRO DE ABAETÉ
Igreja inacabada da nova matriz
de Abaeté e já com o antigo
sino doado por um fiel em 1877
Amostra de um sino em bronze
e com badalo interno
MESTRE FIFI: MEMÓRIAS
DOS VULTOS, PERSONALIDADES E FIGURAS POPULARES DE ABAETETUBA
O sino
existe desde o ano de 1287 e é um
dispositivo simples de produzir som
e a sua forma é aproximadamente um cone oco
que ressoa ao ser golpeado. O instrumento
que faz a percussão do sino é o badalo que fica pendurado suspenso dentro do
sino, que ao movimento deste, o badalo interno bate as bordas internas do sino e
daí sai o som que repercute no ambiente ao seu redor. É assim o sino da Igreja
de Nossa Senhora da Conceição, de Abaetetuba, que segundo pesquisas, data do
ano de 1877 e que fica localizado na alta torre da dita igreja. Existem também
sinos onde o badalo faz a percussão externa do sino, quando essa peça bate o
sino por fora.
O sino da
Igreja Catedral de Nossa Senhora da Conceição, de Abaetetuba, está inativo há
vários anos e ele é feito em bronze e tem um valor sentimental, histórico e
cultural muito grande, no nosso e no conceito de outras pessoas que se
mobilizaram para reativar as funções desse sino, como também do enorme relógio
situado também na torre da Catedral de Nossa Senhora da Conceição.
Para se
provocar os sons do sino dessa catedral, o sineiro tem que segurar uma corda
presa ao maquinismo do sino e que desce pela torre até um determinado ponto da
dita igreja, que corresponde a um 2º pavimento e o sineiro puxa a corda que faz
mover o sino movimento, onde seu badalo interno bate nas bordas do sino,
provocando o som que praticamente se espalha por toda a cidade.
O mais famoso e o mais conhecido sineiro da igreja de Nossa
Senhora da Conceição foi o Sr. Fifi, que trabalhou muitos anos nessa função e
que se tornou uma figura conhecida e popular na antiga Abaeté, que nos leva a
recordar e escrever algumas memórias desse antigo tempo.
FIFI, o Sineiro Fifi, de nome
Feliciano Rodrigues, não era apenas um
simples sineiro da antiga Igreja Matriz de Nossa Senhora da Conceição ou Igreja
Matriz de Abaeté, quando nem existia a
Prelazia de Abaeté do Tocantins, esta sob a comando dos padres xaverianos, que chegaram à Abaeté em 1961. O sineiro Fifi
nos faz recordar muitos aspectos históricos e nos leva a deslumbrar alguns
momentos inesquecíveis da memória de variados aspectos da antiga cultura de
Abaeté. Algumas dessas memórias:
O som do sino a anunciar o raiar do
Sol pela manhãzinha, que não só chamava os fiéis católicos para a “Missa da
Madrugada” (5h da manhã), como avisava ao povo o horário do dia e o momento em
que os trabalhadores tinham que levantar do seu sono repousante para a faina
diária de suas profissões.
O som do sino a anunciar o sol a
pino e o programa de “A Voz da Matriz”, levado ao ar pelo Totó do Kemil com
suas mensagens da Matriz e, especialmente, aquelas músicas que nos pareciam
anjos do céu cantando e tocando para nos encher de melancolia, saudades ou
alegrias em partilhar aquelas suaves e chorosas melodias no programa A Voz da
Matriz.
O som do sino a anunciar o acaso
do Sol e as orações diárias da “A Prece do Ângelus”, também através da nítida, aguda
e anasalada voz do Totó do Kemil. Acreditamos que a “A Voz da Matriz” tenha
sido o 1º programa radiofônico de Abaeté, com o Totó do Kemil como o 1º locutor
de Abaeté ao lado, ou antes, de Bandute Sena, do Sonoros Copacabana. Ou foi o Sonoros Copacabana a 1ª aparelhagem de som
de Abaetetuba? O som do sino e do programa da “A Prece do Ângelus, às 18:00h,
avisava também esse horário do dia e o momento de reflexão e meditação das
preces e canções que se propagavam por toda a cidade, convidando a todos os
fiéis católicos ao recolhimento interior das orações e meditações e da reza do
Terço e das ladainhas na igreja ou pelas casas em frente aos oratórios que
existiam em cada residência que professava o catolicismo.
O som do sino a anunciar a
alegria dos noivos, familiares e amigos pelo alegre enlace matrimonial que se
realizava toda semana, na hora determinada pelo vigário da Matriz, geralmente
nas manhãs dos sábados e domingos. O 1º casamento a se realizar na nova Igreja matriz
de Nossa Senhora da Conceição, lá pelos idos anos de 1930, foi o da professora
Esmerina Ferreira Nunes com o sírio-judeu Jorge Antonio Bou-Habib, e a
progessora Esmerina, por sinal, foi quem teceu as primeiras toalhas e demais
paramentos do altar da referida matriz.
E os pesquisadores Lial Bentes e Naldo Araujo asseveram que o sino da igreja
foi uma doação feita por um fiel nos idos anos de 1877, logo é uma relíquia, de
valor histórico-cultural inestimável.
O som do sino a anunciar a
despedida e a benção final por mais um abaeteense que se despedia desta
dimensão terrena da vida, não só dos falecidos na cidade como também pelos
falecidos nas Ilhas e Ramais de Abaeté (ainda eram poucos as estradas e ramais
de Abaeté). Era o repicar fúnebre do sino a qualquer hora do dia, anunciando a
chegada de mais um defunto na Igreja, que em poucos minutos se apinhava de
gente para comungar daquele momento de tristeza com os familiares e amigos do
falecido. Nas épocas das grandes epidemias da cólera, bexiga (varíola), febre
amarela esse sino deve ter soado muitas vezes no mesmo dia, anunciando as
inúmeras mortes por essas epidemias. O cemitério de São Gabriel (hoje não mais
existente), na Rua 1º de Maio, perto do atual campo de futebol do Vênus
Atlético Clube, surgiu devido às muitas mortes pela epidemia da varíola
(bexiga) em Abaeté. Inclusive o nome de outro time de futebol que surgiu nas
mediações desse antigo cemitério recebeu o nome de “Ossada”, pelos ossos que
afloravam desse cemitério.
O som do sino a anunciar um fato,
evento, acontecimento extraordinário, acontecido na paróquia ou na pequena
cidade de Abaeté e, novamente, a voz aguda do Totó do Kemil ou, na falta deste,
outra pessoa, anunciando o fato extraordinário que merecia um anúncio extra do
sino e um extra de “A Voz da Matriz”.
O som do sino a anunciar os momentos
das celebrações litúrgicas das missas diárias e dominicais e os eventos da
Semana Santa, Páscoa, Natal, Ano Novo, Corpus Christi e outros eventos
religiosos do calendário litúrgico da igreja Católica ou das Missões Populares
dos anos de 1950 e 1960, onde os fiéis eram convidados para as diversas etapas
das missões dirigidas pelos padres redentoristas que vinham de Belém ou de
outros estados do Brasil.
O som do sino nas festividades de
Nossa Senhora da Conceição, que anunciavam a alvorada festiva pela madrugada, misturada
ao som dos foguetes e foguetões e também os mesmos sons ao meio-dia, de todos
os dias da festividade, e às 18:00 h, igualmente todos os dias, e sempre
acompanhadas pelas mensagens e músicas do programa “A Voz da Matriz”,
especialmente os inesquecíveis momentos da “Prece do Ângelus” que era diário.
Então, o Sineiro Fifi, que Deus
já o tenha em sua Glória, não foi um simples mestre sineiro a anunciar
simplesmente os eventos da Igreja de Nossa Senhora da Conceição, mas foi uma
pessoa, que junto com o badalar desse centenário e histórico sino, que atualmente
calou sua voz, que nos faz recordar e refletir sobre a vida em nossa pequena,
pacata e importante cidade de Abaeté, quando ainda era Abaeté, e que nos trazem
gratas recordações de momentos, pessoas e eventos que marcaram para sempre a
nossa vida.
O Sineiro Fifi/Feliciano
Rodrigues, não foi somente o mestre sineiro da Igreja Matriz de Abaeté. Ele
exercia sua função de sineiro naquelas horas e momentos acima descritos e, nas
horas vagas do badalar do sino, exercia a profissão de mestre relojoeiro, nessa
época consertando relógios despertadores, relógios de pulso, relógios de
algibeira (este ainda era muito usado no seu tempo) e os artísticos relógios de
parede de estilo barroco, que não só marcavam as horas, como também enfeitavam
as paredes das casas e anunciavam o poder aquisitivo das famílias. E seu Fifi,
e os demais de seu tempo, além de mestres relojoeiros, também eram mestres ourives,
fabricando anéis, alianças e outros artefatos e objetos em ouro e prata.
Em tempo, o Sr. Feliciano
Rodrigues/Sineiro Fifi ou Mestre Fifi, era casado e com filhos e nos faltam os
dados para montar a sua genealogia, e quem quiser ajudar no resgate mais
completo dessa grande personalidade da hoje Abaetetuba, é só entrar em nossos e-mails ou no Blog e nos
enviar dados, fotos, documentos, etc. que enriqueceremos mais esta postagem.
Blog do Ademir Rocha, de
Abaetetuba/Pa.


Sou neto do seu Fifi (Feliciano Gonçalves Rodrigues) me chamo Elias, moro em Belém be sou músico católico. Sou filho de Terezinha de Jesus dos reis Rodrigues filha mais velha de seu Fifi. São filhos de seu Fifi :Antônio dos reis Rodrigues que já foi professor ns universidade dai da cidade, minha tia mais conhecida como titó, minha tia rosinha, meu tio Francisco que de vezcem quando dá manuntenção no relógio da torre....eu também queria saber mais sobre meu avô.... Meu contato ,999222780
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