Mapa de visitantes

segunda-feira, 9 de julho de 2012

MESTRE FIFI: MEMÓRIAS DOS VULTOS, PERSONALIDADES E FIGURAS POPULARES DE ABAETETUBA

MESTRE FIFI, MESTRE SINEIRO DE ABAETÉ

 Igreja inacabada da nova matriz
de Abaeté e já com o antigo
sino doado por um fiel em 1877
Amostra de um sino em bronze
e com badalo interno
MESTRE FIFI: MEMÓRIAS DOS VULTOS, PERSONALIDADES E FIGURAS POPULARES DE ABAETETUBA
O sino existe desde o ano de 1287 e é um dispositivo simples de produzir som e a sua forma é aproximadamente um cone oco que ressoa ao ser golpeado. O instrumento que faz a percussão do sino é o badalo que fica pendurado suspenso dentro do sino, que ao movimento deste, o badalo interno bate as bordas internas do sino e daí sai o som que repercute no ambiente ao seu redor. É assim o sino da Igreja de Nossa Senhora da Conceição, de Abaetetuba, que segundo pesquisas, data do ano de 1877 e que fica localizado na alta torre da dita igreja. Existem também sinos onde o badalo faz a percussão externa do sino, quando essa peça bate o sino por fora.
O sino da Igreja Catedral de Nossa Senhora da Conceição, de Abaetetuba, está inativo há vários anos e ele é feito em bronze e tem um valor sentimental, histórico e cultural muito grande, no nosso e no conceito de outras pessoas que se mobilizaram para reativar as funções desse sino, como também do enorme relógio situado também na torre da Catedral de Nossa Senhora da Conceição.
Para se provocar os sons do sino dessa catedral, o sineiro tem que segurar uma corda presa ao maquinismo do sino e que desce pela torre até um determinado ponto da dita igreja, que corresponde a um 2º pavimento e o sineiro puxa a corda que faz mover o sino movimento, onde seu badalo interno bate nas bordas do sino, provocando o som que praticamente se espalha por toda a cidade.
O mais famoso e o mais conhecido sineiro da igreja de Nossa Senhora da Conceição foi o Sr. Fifi, que trabalhou muitos anos nessa função e que se tornou uma figura conhecida e popular na antiga Abaeté, que nos leva a recordar e escrever algumas memórias desse antigo tempo.

FIFI, o Sineiro Fifi, de nome Feliciano Rodrigues,  não era apenas um simples sineiro da antiga Igreja Matriz de Nossa Senhora da Conceição ou Igreja Matriz de Abaeté,  quando nem existia a Prelazia de Abaeté do Tocantins, esta sob a comando dos padres xaverianos,  que chegaram à Abaeté em 1961. O sineiro Fifi nos faz recordar muitos aspectos históricos e nos leva a deslumbrar alguns momentos inesquecíveis da memória de variados aspectos da antiga cultura de Abaeté. Algumas dessas memórias:

O som do sino a anunciar o raiar do Sol pela manhãzinha, que não só chamava os fiéis católicos para a “Missa da Madrugada” (5h da manhã), como avisava ao povo o horário do dia e o momento em que os trabalhadores tinham que levantar do seu sono repousante para a faina diária de suas profissões.

O som do sino a anunciar o sol a pino e o programa de “A Voz da Matriz”, levado ao ar pelo Totó do Kemil com suas mensagens da Matriz e, especialmente, aquelas músicas que nos pareciam anjos do céu cantando e tocando para nos encher de melancolia, saudades ou alegrias em partilhar aquelas suaves e chorosas melodias no programa A Voz da Matriz.

O som do sino a anunciar o acaso do Sol e as orações diárias da “A Prece do Ângelus”, também através da nítida, aguda e anasalada voz do Totó do Kemil. Acreditamos que a “A Voz da Matriz” tenha sido o 1º programa radiofônico de Abaeté, com o Totó do Kemil como o 1º locutor de Abaeté ao lado, ou antes, de Bandute Sena, do Sonoros Copacabana. Ou foi  o Sonoros Copacabana a 1ª aparelhagem de som de Abaetetuba? O som do sino e do programa da “A Prece do Ângelus, às 18:00h, avisava também esse horário do dia e o momento de reflexão e meditação das preces e canções que se propagavam por toda a cidade, convidando a todos os fiéis católicos ao recolhimento interior das orações e meditações e da reza do Terço e das ladainhas na igreja ou pelas casas em frente aos oratórios que existiam em cada residência que professava o catolicismo.

O som do sino a anunciar a alegria dos noivos, familiares e amigos pelo alegre enlace matrimonial que se realizava toda semana, na hora determinada pelo vigário da Matriz, geralmente nas manhãs dos sábados e domingos. O 1º casamento a se realizar na nova Igreja matriz de Nossa Senhora da Conceição, lá pelos idos anos de 1930, foi o da professora Esmerina Ferreira Nunes com o sírio-judeu Jorge Antonio Bou-Habib, e a progessora Esmerina,  por sinal,  foi quem teceu as primeiras toalhas e demais paramentos  do altar da referida matriz. E os pesquisadores Lial Bentes e Naldo Araujo asseveram que o sino da igreja foi uma doação feita por um fiel nos idos anos de 1877, logo é uma relíquia, de valor histórico-cultural inestimável.

O som do sino a anunciar a despedida e a benção final por mais um abaeteense que se despedia desta dimensão terrena da vida, não só dos falecidos na cidade como também pelos falecidos nas Ilhas e Ramais de Abaeté (ainda eram poucos as estradas e ramais de Abaeté). Era o repicar fúnebre do sino a qualquer hora do dia, anunciando a chegada de mais um defunto na Igreja, que em poucos minutos se apinhava de gente para comungar daquele momento de tristeza com os familiares e amigos do falecido. Nas épocas das grandes epidemias da cólera, bexiga (varíola), febre amarela esse sino deve ter soado muitas vezes no mesmo dia, anunciando as inúmeras mortes por essas epidemias. O cemitério de São Gabriel (hoje não mais existente), na Rua 1º de Maio, perto do atual campo de futebol do Vênus Atlético Clube, surgiu devido às muitas mortes pela epidemia da varíola (bexiga) em Abaeté. Inclusive o nome de outro time de futebol que surgiu nas mediações desse antigo cemitério recebeu o nome de “Ossada”, pelos ossos que afloravam desse cemitério.

O som do sino a anunciar um fato, evento, acontecimento extraordinário, acontecido na paróquia ou na pequena cidade de Abaeté e, novamente, a voz aguda do Totó do Kemil ou, na falta deste, outra pessoa, anunciando o fato extraordinário que merecia um anúncio extra do sino e um extra de “A Voz da Matriz”.

O som do sino a anunciar os momentos das celebrações litúrgicas das missas diárias e dominicais e os eventos da Semana Santa, Páscoa, Natal, Ano Novo, Corpus Christi e outros eventos religiosos do calendário litúrgico da igreja Católica ou das Missões Populares dos anos de 1950 e 1960, onde os fiéis eram convidados para as diversas etapas das missões dirigidas pelos padres redentoristas que vinham de Belém ou de outros estados do Brasil.

O som do sino nas festividades de Nossa Senhora da Conceição, que anunciavam a alvorada festiva pela madrugada, misturada ao som dos foguetes e foguetões e também os mesmos sons ao meio-dia, de todos os dias da festividade, e às 18:00 h, igualmente todos os dias, e sempre acompanhadas pelas mensagens e músicas do programa “A Voz da Matriz”, especialmente os inesquecíveis momentos da “Prece do Ângelus” que era diário.

Então, o Sineiro Fifi, que Deus já o tenha em sua Glória, não foi um simples mestre sineiro a anunciar simplesmente os eventos da Igreja de Nossa Senhora da Conceição, mas foi uma pessoa, que junto com o badalar desse centenário e histórico sino, que atualmente calou sua voz, que nos faz recordar e refletir sobre a vida em nossa pequena, pacata e importante cidade de Abaeté, quando ainda era Abaeté, e que nos trazem gratas recordações de momentos, pessoas e eventos que marcaram para sempre a nossa vida.

O Sineiro Fifi/Feliciano Rodrigues, não foi somente o mestre sineiro da Igreja Matriz de Abaeté. Ele exercia sua função de sineiro naquelas horas e momentos acima descritos e, nas horas vagas do badalar do sino, exercia a profissão de mestre relojoeiro, nessa época consertando relógios despertadores, relógios de pulso, relógios de algibeira (este ainda era muito usado no seu tempo) e os artísticos relógios de parede de estilo barroco, que não só marcavam as horas, como também enfeitavam as paredes das casas e anunciavam o poder aquisitivo das famílias. E seu Fifi, e os demais de seu tempo, além de mestres relojoeiros, também eram mestres ourives, fabricando anéis, alianças e outros artefatos e objetos em ouro e prata.

Em tempo, o Sr. Feliciano Rodrigues/Sineiro Fifi ou Mestre Fifi, era casado e com filhos e nos faltam os dados para montar a sua genealogia, e quem quiser ajudar no resgate mais completo dessa grande personalidade da hoje Abaetetuba,  é só entrar em nossos e-mails ou no Blog e nos enviar dados, fotos, documentos, etc. que enriqueceremos mais esta postagem.

Blog do Ademir Rocha, de Abaetetuba/Pa.

Nenhum comentário:

Postar um comentário