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segunda-feira, 3 de janeiro de 2011

RIO MAUBA 1: RIOS DE ABAETETUBA



























RIO MAÚBA 1: RIOS DE ABAETETUBA
RIO MAÚBA : HISTÓRIA E MEMÓRIA
Trabalho desenvolvido pelos Professores João Sérgio de Sociologia; Cosmo Cabral de Geografia e José Ribamar de História, durante o período em que lecionaram no Rio Maúba, em Abaetetuba, juntamente com os alunos, pelo Sistema de Organização Modular de Ensino (SOME), no ano de 2008.
Com dados do livro "Memória, Cultura, Sonhos e Fantasias" de Adamor Lima e com acréscimos da pesquisa do Prof. Ademir Rocha sobre o Rio Maúba e seus arredores.
ESSE RIO É MEU E TEU
Os limites de Abaetetuba e o Rio Maúba
. O Rio Tocantins entra no Rio Pará, a 137 km de Belém e pela sua margem direita, uns 30 km de Cametá, entra no Furo de Miritipucu, que vai sair no Rio de Igarapé-Miri, onde fica a cidade do mesmo nome. Do Rio de Igarapé-Miri, o canal ou Furo de Igarapé-Miri permite passar para o Rio Moju. Também do Furo Miritipucu, passa-se para o Rio Abaeté, em cuja margem direita, a 40km de Belém, está a cidade de Abaetetuba, rio muito bom para a navegação, com uma profundidade superior a 12 metros.
. O Rio Tocantins faz limite com o Oeste de Abaetetuba, através de sua foz, junto com Limoeiro do Ajuru, Cametá e a Baia de Marapatá, com a cidade de Abaetetuba: começa da foz do Rio Maúba, segue pela costa da margem deste rio e pela Baía de Marapatá, até a foz do Tocantins, no Rio Pará.
. O Rio Pará nasce na região das Ilhas do Pará e deságua entre o Cabo Maguari e a ponta Curuçá, no Oceano Atlâtico, é um dos principais formadores da Baía do Marajó. Através do estreito de Breves, une-se ao Rio Amazonas, separando a Ilha do Marajó do continente e divide Abaetetuba dos municípios de Muaná e Ponta de Pedras.
Limites de Abaetetuba e o Rio Maúba
. O Rio Maúba também é importante pelo limite que estabelece com os município vizinhos de Igarapé-Miri e Cametá/Pa, sendo que uma das margens pertence à Abaetetuba e outra ao município vozinho de Igarapé-Miri.
Com a Baía de Marapatá, os limites se fazem através da foz, pela sua margem direita, chegando até a foz do Furo Mahúba, na mesma margem direita até o Rio Pará.
. Com o Rio Pará e a Baía do Marajó, os limites começam na foz do Rio, seguindo pela margem direita desse rio até a Costa do rio Uiarenga.
. Com o município de Belém, os limites se fazem pela foz do Rio Uiarenga, na baía do Marajó, seguindo por esse rio até as nascentes do Rio Uiarenga, nas margens nascentes do igarapé Cabresto, afluente esquerdo do Rio Moju.
. Abaeté limita com o município de Igarapé-Miri, começando o limite nas cabeceiras do Rio Mocajatuba, destas, alcança, por uma reta, as cabeceiras do rio Itanimbuca; desce por este até o furo do Inferno, pelo qual segue até sair no rio Meruú, o qual atravessa para a boca do furo Camarãoquara, pelo qual também segue até a sua foz, no furo Tucumanduba e segue por esse furo até encontrar o Furo do Pinheiro e por este até a sua boca, no Furo Itaboca, pelo qual continua até sair no Furo Panacuéra e por este último até sair no Rio Mahuba, pelo qual desce até a sua foz no rio Tocantins.
. O Rio Maúba é afluente do Rio Tocantins, nos limites com Cametá e tem sua desembocadura na Baía do Marajó e com extensão de cerca de 4km, 800m de largura em alguns pontos e 4m de profundidade.
Na localidade Rio Mahuba existiam importantes engenhos de cana e comércios e abriga uma Delegacia Sindical do Sindicato dos Trabalhadores Rurais de Abaetetuba e a Comunidade N. S. do Perpétuo Socorro.
. O Rio Maúba é composto por margem, igarapés e beira da costa, esta frente com o mar.
. Os igarapés que são afluentes e outros acidentes naturais do Rio Maúba:
     .  Igarapé Arara, em cuja frente existe um banco de areia que surge na maré baixa.
     .  Igarapé Caputeua
     .  Igarapé Grande
     .  Igarapé dos Gomes
     .  Ilha Grande, que é a ilha ladeada pelo Rio Maúba até o deságue na Baía do Marajó.
. Rios, localidades e outros acidentes naturais que ficam nas proximidades do Rio Maúba:
     .   Ilha do Marajó, ilha em grande parte cercada pelas águas do Rio Tocantins, Rio Pará e Baía do Marajó.
     .  Baía do Marajó, baía que recebe o deságue do Rio Maúba e outros rios de Abaetetuba e Igarapé-Miri.
     .  Rio Panacuéra, que tem sua desembocadura na Rio Maúba
     .  RioTimbuí, que tem sua desembocadura no Rio Maúba
     .  Rio Anapu, que pertence ao município vizinho de Igarapé-Miri.
     .  Rio Pindobal, que pertence ao município vizinho de Igarapé-Miri.
     .  Rio Paruru
     .  Rio Ajuaí
     .  Rio Maiuatá, que pertence ao município vizinho de Igarapé-Miri.
     .  Ponta de Pedras, município da Ilha do Marajó que possui terras em frente ao Rio Maúba.
     .  Muaná, município da Ilha do Marajó que possui terras em frente ao Rio Maúba.
     .  Ilhas da Foz (desembocadura) do rio Panacoera, destacando-se entre estas, a Ilha Rasa, rica em pescados em suas margens.
Antigamente o distrito de Abaetetuba abrangia os seguintes subdistritos: Abaetetuba, Arapapu, Maracapucu, Maúba, Tucumanduba e Urubuéua. O distrito de Beja não possui subdistritos.
O NOME MAÚBA
O nome Maúba originou-se pelo fato de haver muita saúva e principalmente pelo fato de que tinha muito pau-maúba.
AS ANTIGAS FESTAS E FAMÍLIAS NO RIO MAÚBA
As margens do rio moravam aproximadamente 20 famílias, pessoas que hoje já morreram e que alguns de seus seus filhos e netos continuam no rio Maúba e muitos foram para Abaetetuba, Belém, Barcarena e outros lugares.
“Dona Gegé, nos conta que seu sogro Pedro Rodrigues Ferreira/Pedrozinho tinha uma casa muito grande onde festejava o santo São Pedro no dia 29 de Junho.
- “Era uma festa muito linda acompanhada de ladainha e instrumentos musicais”.
Dona Gegé conta que existia também outra casa de festa, onde mora a professora Deusa, que seu Caboco Ferreira era o dono, não tinha apenas festa no Sítio Miguelão como era chamado e tinha engenho, comércio e negócios de Caboco Ferreira.
A ANTIGA ECONOMIA NA REGIÃO DAS ILHAS DE ABAETETUBA
A antiga economia da região das Ilhas do Baixo Tocantins, que abrange os municípios de Abaetetuba, Igarapé-Miri, Barcarena e Cametá, se baseava nas indústrias oleira e canavieira, no plantio de cana-de-açúcar, arroz, milho, mandioca e da coleta da seringa, sementes oleaginosas, frutas e nas atividades da caça e pesca, na extração da madeira-de-lei, na carpintaria naval e no comércio de regatão, atividades de fretes marítimos e casas comerciais espalhadas pelas localidades ribeirinhas. Esses eram tempos de fartura e da plena economia nas Ilhas do Baixo Tocantins, pois a economia dessa região como que entrou em um grande retrocesso e a comercialização existente se baseia em poucas atividades como a da coleta do açaí e do fretamento de embarcações. Quanto à antiga economia, vejamos algumas das atividades econômicas desenvolvidas nas Ilhas do Baixo Tocantins, com foco nas atividades da localidade Rio Maúba, além de outros aspectos ligados à essa localidade.
O SÍTIO SANTA CRUZ
Dona Gegé nos contou também de quando era jovem ia à localidade Santa Cruz. Perguntamos a ela: O que era o Santa Cruz?
- Santa Cruz era um sitio onde hoje fica a escola Graziela, onde hoje tem um posto de saúde e casas que formam pequenas vilas, que antigamente pertencia a família Alves Vaz, onde moravam os donos do barco Rodrigues Alves, que faz linha para Breves, Belém, Cametá, Mocajuba e outras cidades.
- O Sítio Santa Cruz era composto por engenho, olaria, comercio e estaleiro onde havia pessoas capacitadas a ensinar a fazer barcos. A família Alves empregava em seu complexo cerca de 300 pessoas. Além das atividades e dos trabalhos, havia também a área de lazer onde tinha torneios e se houvesse vitoria do time Santa Cruz, tinha festa na Casa Vales.
- O chamado Sítio Santa Cruz, na realidade era o Engenho Santa Cruz, da família Alves Vaz, que desenvolvia as atividades de indústria-comércio-navegação nos áureos tempos da indústria canavieira (1940-1980). Esse grande engenho ficava localizado na desembocadura do Rio Panacuéra, em frente à boca do Rio Maúba e que desenvolvia uma grande atividade industrial e comercial na fase econômica da indústria canavieira do Baixo Tocantins e que, ao lado do engenho, possuía uma grande casa da Família Alves Vaz, com amplos compartimentos. O Engenho Santa Cruz possuía os seguintes componentes:
- O grande "picadeiro" que se estendia pelas margens dos Rios Panacuéra e Timbuí.e cuja finalidade era receber os feixes de canas trazidos pelos batelões dos extensos canaviais do dito engenho.
- O casarão do engenho, que possuía os compartimentos para a caldeira, a bagaceira, as moendas, tanques, alambique, dornas.
Outras Informações Sobre o Engenho Santa Cruz
- O grande picadeiro do engenho era o local que recebia os feixes de cana trazidos pelos inumeráveis batelões dos extensos canaviais do dito engenho. A caldeira era o equipamento que fornecia a energia (vapor) para movimentar as moendas, alambiques e demais processos da fabricação da cachaça. O próprio bagaço da cana triturada era um dos combustíveis que alimentava o fogaréu da caldeira.
- A bagaceira era um amplo espaço situado por trás da caldeira e que servia para receber os bagaços de canas trituradas.
As moendas eram as máquinas que se encarregavam de triturar as varas de cana e delas retirar o líquido chamado garapa, este ficando armazenado nos grandes tanques do engenho que ficavam por baixo das moendas.
Alambique era o instrumento que recebia o líquido vindo da cana triturada e que, pelo processo da destilação, o transformava em cachaça e, esta, podia sofrer o processo da bi-destilação para se obter uma melhor pureza na cachaça do engenho.
Dornas eram grandes tonéis onde a garapa sofria o processo da fermentação para, posteriormente, sofrer o processo da destilação nos alambiques.

Outras palavras ou termos usados no Engenho Santa Cruz e nos demais engenhos de Abaetetuba e Igarapé-Miri
- canavieiro, era o trabalhor braçal que executava os seviços nos canaviais, que incluíam o preparo da terra, o plantio da cana, os cuidados nos canaviais, os cortes das varas de cana e o transporte dos feixes de canas para os batelões.
- trabalhador braçal, que além do canavieiro, incluía os trabalhadores nos batelões, os trabalhadores das moendas, os transportadores de feixes de canas para as moendas e do bagaço de cana para a bagaceira e os demais serviços mais pesados dos engenhos, que inclusive envolvia mulheres nos serviços da limpeza de frascos e o engarrafamento da cachaça e demais etapas desse processo. Alguns engenhos, além do engarrafamento da cachaça, também possuíam o engarrafamento de vinho e refrigerantes. Os canavieiros e demais trabalhadores braçais dos engenhos viviam no sistema de pagamento por aviamentos de mercadorias e, por isso, viviam em eterno sistema de endividamento com seus patrões e suas casas eram paupérrimas, em geral cobertas de palha, assoalho de paxíúba e paredes de talas de jupati ou fibra de miriti ou palha e sustentadas por troncos de açaizeiros ou varas de arbustos e suas embarcações eram do tipo casco ou canoas à remo para suas locomoções.
. Além dos Alves Vaz, donos do Engenho Santa Cruz, existiam outros grandes comerciantes no Maúba, como as famílias Brinquedo, Brabo, Ferreira e Nahum.
Hino do Time da Santa Cruz
Chuta o beque avança linha
Santa Cruz joga na combina
Chuta o beque a linha avança
A Santa Cruz não dar confiança.
Esse hino era cantado pelos componentes do time em caso de vitória, que tinha uma tradição onde somente os homens poderiam ir ao campo, e as mulheres ficavam na Casa Vales cuidando das comidas e bebidas para o baile. Esse baile acontecia quando o time do Santa Cruz vencia, juntando várias pessoas que dançavam bolero, valsa, carimbó, quadrilha, xote e mambo. Havia o Cordão do Boi Bricha Fama, que se apresentava no baile com seguinte canção.
O couro de meu boi eu já mandei buscar
E pegue com cuidado para não amarrotar
O couro de meu boi veio do Rio de Janeiro
Isto é só pra quem pode, pra quem tem muito dinheiro.

Todo mundo já dizia que o Bricha Fama não saia,
Bricha Fama está dançando com prazer e alegria,
Dança, dança Bricha Fama teu patrão quem te mandou
Pra quebrar uma bolacha na boca de quem falou.
O complexo Santa Cruz existiu até a década de 1980, quando o proprietário Vasconcelos foi embora para Belém, deixando para seus familiares darem continuidade aos trabalhos, mais isso infelizmente não aconteceu, pois foi nesse período que se expandiu a concorrência, eles obtiveram dívidas trabalhistas, levando com isso a falência do complexo, fato que também alcançou os demais proprietários de engenhos de Abaetetuba e Igarapé-Miri.
A LOCALIDADE CAPUTEUA
Caputeua era uma localidade antes chamada de Caputuba, situada às margens do Igarapé de mesmo nome, onde anteriormente existiam apenas 7 casa. Suas rendas financeiras eram baseadas na agricultura e pesca e ganhavam em média R$ 2,00 reais no dinheiro de hoje. Algumas informações dessa localidade:
. Martinha Pantoja Ferreira tem 91 anos, é filha de Rosa de Almeida Pantoja e Cândido de Almeida Pantoja e é esposa de José Calazans Ferreira/Cala. Dona Martinha como é chamada começou seu serviço de parteira aos 16 anos e até hoje ainda continua sua profissão, E ainda nos deu uma dica.
- Quando uma criança na hora do parto vem de pé e coloca apenas um pé pra fora ela arranha o pezinho da criança para que a criança sinta cócegas e coloque o outro pé.
Suas receitas para que as mulheres sintam dor são as seguintes:
• Mamona e café amargo (2 ou 3 pingos)
• Chá de canela
• Gota salvador
. Dona Enedina, mais conhecida como Giloca, não teve nem um filho e nem marido, mas criou filhos de outras pessoas. Dona Giloca contou também que trabalhava na plantação de acará e açaí. Os pais de dona Enedina/Giloca cortavam seringueiras e ela ajudava vender para comprar os seus alimentos e eles comiam raiz de pau, acará, misturavam açaí com acará amassavam no alguidal e depois comiam.
. O pai de dona Giloca festejava em 2 de Fevereiro o santo São Braz em uma casa chamada Mandú (séde) onde rezavam novenas.
As danças tocadas eram: bolero, valsa, quadrilha, carimbo, mazurca, xote e mambo.
ENGENHOS NO MAÚBA
Para Zacarias Gomes Cardoso que foi entrevistado fala sobre o tempo dos engenhos:
- Não tenho uma data fixa para relatar isso, mais sei que em nossa região existiu muitos engenhos.
O ANTIGO SISTEMA DE ESCAMBO NO MAÚBA
As pessoas que possuíam grandes extensões de terras pediam ao senhor de engenho que lhes aviasse com as mercadorias de seu comércio e este era pago com o fornecimento de cana-de-açúcar tirada de seus roçados.
O Trabalho nos Roçados
O trabalho nos roçados se processava da seguinte maneira: de inicio o dono das terras derrubava grande extensão de vegetação de seu terreno, utilizando somente o machado, pois na época não existia os motor serras. Após isso, faziam uma grande queimada nessa área e somente depois de uma semana é que se podia plantar a cana-de-açúcar. O proprietário do roçado aproveitava a lenha deixada pela derrubada das arvores, vendendo-a para os donos de olarias, essa indústria encontrava-se em pequeno desenvolvimento.
A Colheita da Cana
Após o plantio da cana-de-açúcar decorria um ano para a colheita. O dono do roçado arcava sozinho com as despesas do corte, tendo que pagar outras pessoas porque só não realizava essa atividade.
O produto era transportado para o engenho em batelões (nome dado as grandes canoas que serviam de transporte, usando-se remos de faias para movê-los) e estes tinham limites por frasqueiras. De um batelão de 10 frasqueiras, o dono do roçado ficava com cinco, enquanto que a outra metade era de direito do proprietário do engenho, fora os aviamentos, isso funcionava como uma espécie de juros.
Sendo que quem saia em maior vantagem era o dono do engenho e os donos de roçados deixavam de plantar a cana-de-açúcar, resultando na falência dos engenhos. As olarias vieram substituir então essa atividade econômica.
Relatos da pesquisa feita no único engenho de cana existente no município de Abaetetuba/Pa, o Engenho Pacheco
No Furo Grande já existiu muitos engenhos, mas atualmente uma única fabrica dessas existe no rio. João Marcelino Pacheco diz não ter informação da data da construção da fabrica, mas calcula que ele existe há mais de cem anos.
-A caldeira existente no Engenho Pacheco gerava luz para a cidade de Abaetetuba pois pertencia à indústria termoelétrica da região, afirmou Benedito Quaresma Nunes.
Como se Processa o Trabalho no Engenho?
Dentro do engenho o primeiro processo do trabalho encontra-se na caldeira, a qual aquecida a uma certa temperatura gera vapor que põe outras máquinas em funcionamento.
A máquina entrando em funcionamento, a moenda é encarregada de retirar o caldo da cana-de-açúcar, o qual é repassado para o segundo setor, o paiol, onde uma bomba transporta do paiol o caldo-de-cana para as dornas que são tanques grandes que armazenam a garapa para a fermentação durante cinco dias. Terminando o processo de fermentação a garapa é transportada por meio de canos para um segundo paiol, saindo daí para o alambique, que fica na parte superior do barracão e lá passa pelo último processo, a destilação ou alambicação que perdura 6 horas, ficando pronto para o uso próprio.
É usado um alcômetro para verificar a temperatura da cachaça que varia entre 20ºC a 21ºC, e o proprietário da fábrica encontra dificuldade em comprar esse objeto, pois está raro no mercado comercial.
O Engenho Pacheco estando em pleno funcionamento, durante um dia, produz 800 litros de cachaça.
A Origem da Cana-de-Açúcar do Engenho Pacheco
A cana-de-açúcar é produzida em área de várzea e o proprietário compra o produto em seu porto, o qual é vendido por frasqueiras. Uma frasqueira compreende 10 feixes de cana-de-açúcar correspondente a 50 kg que entrando em funcionamento produz 23 litros de cachaça.
A cana-de-açúcar de melhor qualidade para a produção da cachaça é a caiena, mas o tipo usado no Engenho Pacheco é a piajota, que possui um certo teor de água devidos as condições climáticas da região, diminuindo a taxa de açúcaína.
A Reposição das Peças do Engenho:
Quando alguma peça do engenho precisa ser ratificada, seu Jurandir Pacheco a leva até a cidade de Igarapé-Miri, onde esta é consertada por um mecânico que trabalha especificamente nessa área.
Quais os fatores que contribuíram para o desaparecimento dos engenhos da localidade Furo Grande?
O desaparecimento dos engenhos se deu devido ao declínio dos lucros obtidos pelos proprietários dessas fabricas. Porém, a justiça colaborou para esse fim, usando de suas fiscalizações e fechando várias indústrias. E também a concorrência, com indústrias mais adequadas, ou seja, usando de melhor tecnologia.
Revitalização do Patrimônio Histórico
Jurandir Pacheco idealiza uma revitalização do seu engenho e pretendo transformar a indústria em um centro turístico, pelo fato de receber muitas visitas de pesquisadores, mas encontra dificuldades para isso, pois precisa de recursos financeiros, sem contar com o apoio do Estado ou Município, seu Pacheco tende a se contentar somente com as promessas do poder público em restaurar a fábrica.
No Furo Grande acontece todo ano a Festa de Santa Terezinha, na capela da comunidade.
Pessoa entrevistada: Jurandir Corrêa Pacheco, proprietário do Engenho Pacheco e substituto de João Marcelino Pacheco.
OUTROS ENGENHOS NO FURO GRANDE
.  Abel Guimarães, dono de engenho na localidade Furo Grande.
.  J. C. Rodrigues/José Costa Rodrigues, dono de engenho na localidade Furo Grande.
.  Chiquinho Ferreira, dono do Engenho Dom Bosco na Foz do Furo Grande.
.  Raymundo Ferreira Vaz, dono de engenho para fabricar açúcar na localidade Furo Grande em 1931 e que fechou em 1932.
.  Didico Guimarães, filho de Antonio Guimarães Rodrigues e Raymunda V. da Silva Rodrigues, era dono de engenho no Rio Furo Grande.
.  Coronel Caripuna/Antonio Francisco Correa Caripuna, tenente-coronel Comandante da Guarda Nacional, chefe político de Abaeté, muito influente na localidade, que até designou Abaeté de Cidade dos Caripuna, dono de engenhos no Furo Grande e na localidade Tucumanduba. Engenho do Caripuna foi um dos primeiros na então Vila de Abaeté.
.  Jurandir Correa Pacheco, dono do Engenho Pacheco, localizado no Furo Grande, atualmente, em 2010-03-24, é o único engenho existente em Abaetetuba. É um antigo engenho, montado em 1925, com produção quase artesanal, maquinário inglês antigo e está em acentuada decadência.
.  José C. Maués, com comércio na localidade Furo Grande em 1931.
Manoel Costa, com comércio de fumos e bebidas no Furo Grande em 1930.
AS OLARIAS NO MAÚBA
No Rio Maúba existem 8 olarias e o número dessas pequenas indústrias diminuiu a partir da diminuição dos lucros obtidos pelos proprietários das mesmas, também devido à escassez do principal material para a produção, o barro.
O trabalho nas olarias requer muita disposição para o trabalho, por ser uma atividade que exige muito esforço do trabalhador.
São necessários os seguintes materiais para a produção:O barro, que é retirado na praia da boca do Maúba ou comprado de pessoas que possuem em suas terras esse material, geralmente vendendo o barro de seus igarapés por R$ 15,00 a barcada.
Mas o barro de melhor qualidade encontra-se no rio Anapú e comprando esse material o oleiro tem mais despesas, pois, além de pagar R$ 25,00 a cada trabalhador, que são cinco pessoas, o dono da olaria tem que comprar o óleo para o motor do barco, necessário para o trajeto de nosso rio até o Anapú;
a lenha, é comprada por bancos, que corresponde a 7 palmos de altura e 7 de largura e um banco de lenha custa R$ 25,00;
O oleiro ainda compra o óleo para funcionamento do motor da olaria, que é ligado à maromba por meio de uma grande correia, fazendo esta funcionar e onde os caracóis da maromba, que ao receberem o barro, transporta-o para a boca da maromba onde está o pistão, o elemento que dá a forma do tijolo, saindo diretamente para o carretilho, onde é cortado e transportado para as prateleiras, ficando lá para a secagem, que varia entre cinco a dez dias, dependendo da temperatura predominante nas diferentes épocas.
A quantidade necessária dos materiais citados para uma queima de olaria depende do tamanho do forno. Um forno que comporta 15 milheiros de tijolos necessita de:
. quatro barcadas de barro;
. trinta litros de óleo;
. oito bancos de lenha para uma queimada.
Estando a produção pronta para a queimada, que custa R$ 40,00, é contratado o queimador João Gomes da Conceição/Bibicita, que aos 53 anos pratica essa atividade com eficiência.
Esse processo pelo qual a produção passa para ficar bem sólida e resistente, perdura 22 horas (queima de tijolos).
A Venda do Produto da Olaria
O produto das olarias é vendido nos portos dessas olarias, aos viajantes das seguintes cidades: Baião, Mocajuba, Mojú e outros. No caso da pessoa entrevistada a produção é negociada com os comerciantes locais e de Abaetetuba.
Os Riscos Oferecidos Pela Indústria Oleira
O trabalho nas olarias é arriscado fora ou dentro do barracão:
No barreiro se faz grandes valas que chegam a ter 5m de profundidade e o perigo se apresenta quando as valas atingem um certo limite, e quando há muita água e essa água tornam frágeis as valas e podem levá-las a romperem a qualquer instante.
Dentro da olaria o maior risco está na grande máquina chamada maromba. No momento em que se joga o barro no seu interior deve-se ter o máximo cuidado para não ter parte do corpo amputada pelos caracóis, por isso é essencial se ter um equipamento na boca da maromba, para se evitar essa espécie de acidente.
Prejuízos Ecológicos Deixados Pelas Olarias
A grande cavidade deixada nos barreiros é preenchida por terras de ribanceiras, onde as “beiras” começam a quebrar e junto com elas vai a vegetação das ribanceiras. A terra se desestrutura e quebra, caindo n as águas onde colaboram para o assoreamento do rio.
O EXTRATIVISMO VEGETAL NO MAÚBA
O Manejo do Açaí no Maúba
O manejo do açaí é um processo necessário para a produção em ritmo mais adequado dos açaizais.
Processa-se da seguinte forma: é importante que os açaizeiros fiquem dispersos uns dos outros, sendo um metro de distancia entre eles.
Quanto às reboladas (o conjunto de açaizeiros) é licito que fiquem no máximo 4 árvores de açaí. Isso é favorável ao desenvolvimento mais acelerado dos açaizais, contando com a manutenção dos mesmos, não deixando que fiquem abafadas pelos coforotes que devem ser retirados das árvores.
Também há a retirada daqueles açaizeiros maiores as quais não produzem mais. Desses açaizeiros são retirados os palmitos e vendidos para a fábrica.
Os açaizais que passam por esse processo, levam 4 anos para produzirem e mas 6 meses para ficar no ponto de colhê-lo, possuindo maior vantagem em relação aos outros açaizais, pois seu período de produção começa mais cedo e tem uma maior duração.
O açaí começa a pretar no mês de julho, mas é no mês de agosto seu período de esplendor, durando até dezembro, não com a mesma quantidade dos meses anteriores, pois a produção entra em decadência.
São nesses períodos que os compradores passam espalhando as rasas aos donos dos açaizais e estes contratam os apanhadores, pagando a eles R$ 1,50 por cada rasa que apanham. Uma lata (rasa) concentra 14 kg de açaí.
No inicio da venda o açaí é vendido por baixo preço, devido à super produção nesse período, quando o comprador paga R$ 6,00 a lata (rasa). Quando o açaí cai de produção o preço se eleva, chegando a uma média de R$ 20,00 a rasa. Essas rasas feitas geralmente por mulheres que utilizam talas de urumã ou de jacitara para tecê-las, amarrando seus beiços com tiras de garrafas plásticas. Algumas pessoas utilizam esse método para ganharem dinheiro, pois essas rasas são vendidas aos compradores de açaí.
O açaí de nosso rio é mais vendido aos compradores do rio Paruru e Ajuaí, pois os daqui não praticam essa atividade atualmente.
Devido à potencialidade comercial desse produto algumas empresas compradoras de açaí julgam que o transmissor da doença de chagas se aloja nos cachos do açaí, transmitindo a Doença de Chagas, o que é uma afirmação totalmente errada e prejudicando a venda desse produto. Algumas pessoas já não consomem mais o açaí por causa desse falso boato.
A Indústria do Palmito de Açaí no Maúba
A extração da matéria-prima da árvore de açaí se dá principalmente naquelas que não estão produzindo mais, onde se retira o palmito de acordo com a lei do IBAMA, que proíbe a retirada dos palmitos das árvores produtivas.
Tira-se a copa da árvore e a seguir retira-se a casca, até chegar na massa do palmito que vai ser confirmada da seguinte maneira: corta-se em pedaços que possuem mais ou menos 12 cm, que são colocados no molho e a seguir, envidra-se com outro molho.
O molho é composto de água, sal e ácido. O ácido serve para evitar o amarelamento do produto. Depois de passar por esse processo, é levado ao tacho, quando a água deste deve estar à altura do frasco e entra em ebulição, ficando lá durante 30 minutos.
Após esse processo, o frasco é lavado com água para retirar o ácido de sua tampa evitando que esta enferruje.
O produto é embalado e encaminhado para a Vila Maiuatá, onde existe a fábrica que o deixa rotulado. De lá é enviado para São Paulo onde será comercializado nas principais redes comerciais.
As indústrias locais vendem o produto por R$ 20,00 a caixa, que é composta de 15 vidros, que varia no mínimo 4 e no máximo 10 pedaços de palmito em cada frasco.
Atualmente existe dificuldades para comprar a matéria-prima, pois grande parte dos ribeirinhos vem desenvolvendo o projeto de manejo de açaí, dificultando a venda de palmitos.
No inicio produzia-se 50 caixas, atualmente não se produz a metade, acredita-se que a tendência é diminuir ainda mais.
Pessoa entrevistada: Manuel Macedo Gloria, que desenvolve a atividade há quase dois anos.
A PESCA NO RIO MAÚBA E ARREDORES
A pesca era uma grande atividade econômica no Rio Maúba e arredores, que sofreu um grande abalo com a construção da barragem da Usina Hidrelétrica de Tucuruí, que impediu a migração em massa dos grandes cardumes de peixes pelos rios da região, especialmente do peixe mapará, que antes existia em abundância e era pescado em grandes quantidades por todo o Baixo Tocantins. Atualmente ainda existem alguns processos de pesca que se restrigem à subsistência do povo ribeirinho e da comercialização do excesso. No Rio Maúba, antigamente, existiam vários processos de pescagens de diferentes tipos de peixes, conforme abaixo.
TIPOS DE PESCAS NO MAÚBA
Os tipos de pesca realizados na localidade Maúba, são: a pesca de matapi, a pesca de caniço, a pesca de malhadeira, a pesca de espinhel e a pesca de arrastão.
Pesca de Matapi
O matapi é um equipamento de pesca, uma espécie de armadilha para apanhar o camarão e ele mede cerca de 50cm, com a forma cilíndrica e com aberturas nas bocas do matapi. O matapi é feito a partir da tala seca de jupati, que amarradas com cipó, uma ao redor da outra, vai ganhando sua forma cilíndrica. Depois do preparo do corpo do matapi, preparam-se as bocas em forma de funil côncavo, com um orifício no centro do bico do funil, por onde o camarão entra e não sabe mais sair. O que atrai o camarão é a isca feita de farelo de babaçu, na forma de uma poqueca, que é colocada pendurada dentro do matapi, fixada nas talas. Pela parte da tardinha, ou noutro dia, pela manhã, o pescador faz a despecagem do camarão, através de uma portinhola no corpo do matapi.
Essa pesca é feita da seguinte forma: o pescador isca os matapis e coloca-os no casco e vai para a espia, onde os matapis são amarrados e na manhã seguinte ele volta para despescá-los.
O melhor período para realizar esse tipo de pesca é de junho a julho.
Os tipos de isca são o farelo de arroz com babaçu, que são misturados para fazer a poqueca (que é feita da folha de urumã).
Os equipamentos utilizados para essa atividade são: os matapis (que são feitos de tala de jupati, cipó e fibra), o casco e o remo.
Nesse tipo de pesca, o pescador pega somente o camarão, que é para o seu alimento e a sobra é para comercializar.
O pescador não armazena o camarão, porque é logo vendido para o marreteiro e o pescador trabalha individualmente.
O tipo de maré mais própria para realizar essa atividade é a maré de quarto (quebra d’água).
A pessoa entrevistada não tem nenhuma entidade ou sindicato que represente seus interesses.
Pesca de Caniço
A pesca de caniço exige muita paciência do pescador e ela é feita a partir das varas de pesca, que varia conforme o tamanho do peixe a apanhar e cada vara, de acordo com seu tamanho, possui um nº de linha e um tamanho de anzol apropriado. Nas pescas dos igarapés exige-se uma vara com um menor tamanho de linha e um anzol pequeno, devido o pequeno tamanho dos peixes. nos rios e baías o tamanho da linha e dos anzois depende de cada pescador e do tipo de peixe que quer apanhar e da variação da água, na preamar, na enchente, na vazante ou durante o dia ou à noite.
A pesca de caniço é feita da seguinte maneira: o pescador lança a linha com o anzol iscado no rio e espera o peixe bater, (ou seja, comer a isca) para poder fisgar e puxar o peixe. A principal isca utilizada é o camarão.
Os tipos de peixes que o pescador puxa são: mandií, pescada, tucunaré, jacundá, acará, acaratinga, piaba, filhote, dourada, mandubé, caratinga e outros. Quando puxa muitos peixes, ele armazena-os no isopor. Usa-se vários tipos de iscas para a pesca com caniços, como munhoca, camarão, pedaços pequenos de peixes
A maré mais própria para realizar essa atividade é a maré de quarto (quebra d’água).
Os equipamentos utilizados são: uma vara de metro e meio, linha de 20 metros de números 35 e 40 e anzol de números 9 e 10.
O pescador pode também trabalhar individualmente, num casco com a capacidade para duas ou 3 pessoas, porque essa pesca é realizada no rio. O pescado é para o seu alimento. Ele tem uma entidade que é a Colônia dos Pescadores, em caso de doença ou de acidente que não possa trabalhar por um longo tempo, este recebe o auxilio doença (benefício).
Pesca de Malhadeira
A Malhadeira é uma rede de pesca feita de náilon e em vários tamanhos e diferente quanto aos furos, de acordo com o peixe a pescar. Dizem que esse tipo de pesca está acabando com os tipos de pescados, pois os que a praticam não respeitam as safras e tamanhos dos peixes. Para uso da malhadeira são necessários duas pessoas e a pesca consiste em se amarrar uma das pontas em um tronco ou arbusto da beira do rio e se esticar a rede, acompanhando a ribanceira do rio, ou mais para fora da beirada do rio, até a dita rede ficar bem estendida, Na parte inferior da rede amarra-se um peso, para este esticar a rede no fundo do rio e na parte superior da rede prende-se uma bóia de isopor, para que a rede fique boiando e, então, olha-se ao redor para ver se tem o boto, para enxotá-lo, sob o risco dele roubar os peixes que podem ficar presos na rede ou avairar a rede com enormes buracos.
As técnicas utilizadas para a realização desse tipo de pesca são: primeiramente o pescador lança a rede na água a qual, em geral,  possui 5 braças de cordas (bóias) e 120 braças de comprimento. A duração de tempo que a rede fica na água é de uma hora.
Os peixes que se pega são: mapará, pescada, sarda e outros. O tamanho dos peixes que se pega depende da malha da rede. No caso da pessoa entrevistada a malha é de 40 com linha (nylon) 40 e a bóia é de isopor, a qual impede que a rede afunde totalmente.
O pescador leva o pescado para sua casa, o qual serve de seu alimento, ou vende-o quando pega muitos quilos.
As melhores marés para realizar esse tipo de pesca são: maré de quarto e quebra d’água, essas são propiciais para a pesca pois a água corre menos.
O pescador tem uma entidade representativa que é a Colônia dos Pescadores, em caso de acidente ou doença ele recebe o auxilio doença.
Pesca de Espinhel
A pesca do espinhel é realizada da seguinte forma: o pescador leva para a baia uma rede pequena de malha 15 para pegar a isca, depois que pega a isca, corta-a em pequenos pedaços e isca no anzol e lança no mar, num lugar apropriado e deixa-o no mar 4,6,12 e até 24 horas de tempo e puxa-o com a água. Um pescador fica na proa (frente) do casco puxando a linha e outro no meio, arrumando.
O período da pesca é de março a novembro e os quatro meses restantes é da piracema (que fecha a pesca, para a procriação dos peixes) o melhor período para realizar essa pesca é de junho à novembro.
O tipo de iscas são: mapará, maiuíra, sarantanha, que são o tipos de pesca próprias, mais existem outras como: pescada, miaca, etc.
Os equipamentos usados nessa pesca são: a linha números 72 e 108 e 144 e os anzóis números 3, 4, 5 e 6.
Os tipos de peixes que pegam é o dourado, filhote, piraíba e pega também peixe variado como: bacu, arraia, pescada, piaba, etc.
A pesca é para sua alimentação e para comercialização.
O tipo de barco é o casco, com a capacidade de uma tonelada e meia, motorizado.
As marés próprias são: maré de quarto, maré de lua cheia e maré de tepacuema (lançante).
O material usado para armazenar o peixe é o isopor.
O pescador trabalha individualmente, ou seja, o que produz é para si mesmo. Ele tem uma entidade que é a Colônia dos Pescadores, que em caso de acidente ou de doença grave em que não possa trabalhar durante um longo tempo, recebe o auxilio doença, para sustentar a sua família.
A pessoa entrevistada não tem nenhuma espécie de financiamento em termo de casco e de seus aparelhos para realizar essa pesca. O capital é dele mesmo, que usa para comprar os seus utensílios de pesca.
Pesca de Arrastão
O grupo sai para a baia ou rio, em 2 cascos grandes, que leva a rede e 1 ou 2 pequenos, onde vai o talero, que vai talear com a tala ou com a sonda (é um fio com uma chumbada na ponta) à procura do peixe. Quando o talero acha o peixe, ele manda os trabalhadores jogar a rede (pesca que chamamos de borqueio). Assim que a rede é jogada, os trabalhadores batem na água, fazendo barulhos, e deixando-a em movimento (batem a água com as mãos), para que os peixes rumem para a rede e em seguida, os mergulhadores entram em ação, juntando as redes no fundo, passando uma por cima da outra, para que o peixe não escape.
Período da pesca é de março a novembro (nos quatro meses fecha-se a pesca para a procriação dos peixes).
O Borqueio do Mapará
A pesca do mapará vai de fevereiro a agosto de cada ano e a localidade Maúba e outras localidades da Costa do Marajó começavam a se preparar no início de fevereiro para iniciar o processo de pesca conhecido como "Borqueio do Mapará", pois era em fevereiro que os cardumes desse peixe já se encontravam nas águas da Baía do Marajó ou Marapatá no período da engorda e nesse período incontáveis "turmas de pesca", das várias localidades, iniciavam a pesca desse peixe. Cada turma de pesca era composta de umas 30 pessoas, algumas com funções bem definidas. O chefe da turma era o "capitalista" que financiava o borqueio, pois este era um processo caro, que exigia os materiais da pesca como as grandes redes de pesca, os barcos de pesca e os barcos para serem abastecidos com o produto de cada borqueio que envolviam toneladas de mapará em cada borqueio, e cada membro da turma era pago com determinada porcentagem dessas toneladas de mapará pescados.
O período da Antessafra do Mapará
O período da antressafra do mapará (defeso), ia de agosto a janeiro e esse período era aproveitado para a confecção das grandes redes para o Borqueio do Mapará, serviço que era realizado principalmente pelas mulheres dos pescadores, pois estes, no período da antressafra desse peixe, tinham que tirar o sustento de suas famílias com outras atividades de coleta, caça ou plantios diversos. As empanadas das redes de arrastão mediam, em geral, 3m de altura por 100m de comprimento, sendo que o chefe da turma era o que fornecia os materiais para a confecção dessas redes. Os materiais consistiam de linhas de náilon e de outros materiais como os pedaços de chumbo na parte inferior da rede e bóias de isopor na sua parte superior. O chumbo era para fazer a rede sentar, sem tocar no leito, devido a ação das bóias de isopor que contrabalançava o peso da rede. As redes também sofriam o processo de tingimento por tinta do mangueiro. Nesse período da entressafra do mapará as mulheres também se dedicavam ao conserto das redes avariadas nos borqueios, por troncos de árvores no leito dos rios ou pela ação de botos em busca de alimentos ou mesmo quando puxadas para os barcos de pesca e no processo de tingimento por mangue em todas as redes para novos borqueios. O tingimento, segundo os pescadores, era para acostumar os peixes e afastar os botos com essa coloração escura. 
O Mangueiro
Mangueiro era um arbusto das áreas de mangue, de onde os pescadores retiravam a casca, que devidamente amassada, era levada ao fogo em grandes tachos, que depois de algum tempo de fervura, liberava uma tinta cor de vinho que eram armazenadas em outros grandes tachos de tinta. Nesses grandes tachos é que eram megulhadas as redes para o devido tingimento por alguns dias, que depois tinham que ser levadas para a secagem ao sol em grandes varais de paus, troncos de açaizeiros que eram fincados ao longo dos rios.
A Tala e o Taleiro no Borqueio do Mapará
A Tala era um instrumento da pesca por borqueio, usada pelo Taleiro para procurar e, depois de achado o cardume de mapará, juntar os peixes e empurrá-los para a rede de pesca. Essa Tala era confeccionada a partir do tronco do açaizeiro e media cerca de 5m de comprimento, que possuía uma parte mais grossa que ia afinando até a outra extremidade e, depois, era devidamente lixada até ficar inteiramente lisa, para melhor manuseio pelo Taleiro. Além da Tala, o Taleiro também usava uma espécie de sonda, que era uma linha de náilon com um peso na extremidade, com a finalidade de medir a profundidade em que o cardume de mapará se encontrava e também a profundidade do rio onde iria se processar o borqueio. O Taleiro, pelo toque dos peixes na Tala ou na sonda de náilon, também media por intuição o tamanho dos peixes do cardume. Convém dizer que a função do Taleiro era de suma importância na pesca por borqueio e uma pessoa levava anos até dominar os conhecimentos que a função exigia. Após essas identificações do cardume de mapará, entrava em ação os manuseadores das redes, que faziam um bloqueio com as grandes redes do cardume de peixes, impedindo que eles escapassem para longe do local da pesca. As Talas para o Borqueio do Mapará eram confeccionadas no período da entressafra desse peixe, junto com a confecção ou conserto das redes e dos barcos de pesca.
Os Barcos do Borqueio do Mapará
Existiam os barcos de pesca e os barcos geleiros na pesca do mapará. Os barcos usados no Borqueio do Mapará eram os tipo casco com cerca de 10m de comprimento por 2m de largura, contendo os bancos para os remeiros e um vão onde ficavam as grandes redes de pesca por arrastão. Os grandes cascos de pesca transportavam, além das redes, os remeiros e demais pescadores.
A Pesca e Outros Processos do Borqueio do Mapará
O Borqueio do Mapará era o mais complexo sistema de pesca do Baixo Tocantins e por isso exigia, além dos ítens explicitados acima, outros procedimentos para o pleno êxito da pesca de uma grande quantidade do peixe mapará.Entre esses procedimentos, destacamos:
. A observação da maré e o tempo propício para a pesca, em tarefa executada pelos taleiros, na sondagem dos cardumes, e cada taleiro em um casco pequeno onde cabiam duas pessoas.
 . Sob a orientação dos taleiros, os pescadores começavam a lançar as redes até formar o borqueio e, para isso, mergulhadores também eram orientados para fazer barulho com os braços e mãos na água para ajudar a empurrar os cardumes para as redes de pesca.
. A extensão do borqueio pode formar uma circunferência, dependendo do tamanho do cardume de mapará.
. As redes do borqueio são puxadas para dentro de um casco disponível para esse fim, com muita calma para não avariar a rede, nem machucar ninguém e se aproveitar da maior quantidade possível dos peixes presos na rede.
. Afastar ou matar os botos invasores das redes com mapará.
. Os mergulhadores das turmas do Borqueio, ao sinal dos taleiros, novamente entram em ação para fazer o cruzamento das redes em baixo d'água, para assim aprisionar o cardume de peixes
Convém salientar que nos antigos Borqueios de Mapará, uma tão grande quantidade de peixes era apanhada, que dava para abastecer os barcos geleiros já prontos para receber suas cargas, sobrando ainda uma grande quantidade de peixes que era distribuida entre os componentes das turmas e distribuídas entre as famílias das localidades. Se mesmo assim sobrassem peixes, estes íam para as salgadeiras para o devido processo da salga. 
O fim da pesca por Borqueio do Mapará, onde toneladas desse peixe eram apanhadas, veio com a construção da barragem da Usina Hidrelétrica de Tucuruí, que impediu a piracema desse peixe no Baixo Tocantins.
O melhor período para pegarem peixe é de junho a agosto.
O tipo de peixe que pegam é o mapará e a pescada.
O material desse tipo de pesca é a rede e a tala ou a sonda.
A pesca é para sua alimentação e para comercializar. O pescado é comercializado na cidade de Abaetetuba.
Algumas das pessoas que realizam essa atividade tem a sua entidade representativa, a Colônia dos Pescadores, por meio da qual recebem o seguro, que é um beneficio que os associados recebem, no período em que fecha a pesca.
Em termos de assistência médica, o associado que sofre algum acidente nesse trabalho ou sofre alguma enfermidade grave (ficando impossibilitado de trabalhar por longo tempo) ele recebe o auxilio doença.
A maré própria para esse tipo de pesca é a maré de quarto.
O material utilizado para o armazenamento do peixe é o isopor.
O trabalho se processa em parceria.
O trabalho realizado nessa atividade não tem nenhum tipo de financiamento para comprar os equipamentos necessários para essa pesca e o capital é deles mesmos, que usam para comprar os utensílios de pesca.
O Mapará na Culinária do Baixo Tocantins
Eram vários os processos do preparo do mapará para que esse peixe pudesse ser consumido pelas populações do Baixo Tocantins, especialmente dos municípios de Cametá, Abaetetuba, Igarapé-Miri. Entre esses preparos, destacamos:
.  Mapará moqueado, que era aquele mapará fresco devidamente assado no chamado moquém, que é um processo mais lento de assar peixe.
.  Mapará fresco e frito
.  Mapará salgado e frito
.  Mapará fresco cosido
.  Mapará lanhado, salgado e cosido
.  Mapará salgado, aberto no meio e cosido
.  Mapará lanhado assado no espeto
.  Mapará fresco e assado
O melhor acompanhamento para os diferentes preparos do mapará é sempre o açaí com farinha de mandioca e, na falta do açaí, o miriti com farinha de mandioca. Muitas pessoas juntam ao acompanhamentos do mapará o limão e a pimenta.
Outros Processos de Pesca no Baixo Tocantins e Marajó
Além dos sistemas de pesca acima especificados, outros eram usados na pesca de peixes e camarões:
.  Gapuiagem ou gapuia, que era um processo de pesca de peixes e camarões usada nos igarapés quando a maré estava baixa e nas épocas das safras desses peixes e crustáceos. O pescador vai até o local do igarapé onde vai fazer a gapuia, munido de do aricá (paneiro apropriado, com talas fechadas), facão ou terçado e a cuia. O pescador faz a mocooca (uma pequena barragem para a água não escoar) e, depois de fazer a prisão dos peixes e mariscos nesse poço, o pescador entra no referido poço e, com o aricá, começa a colher os peixes e camarões do local. Assim o pescador chega a apanhar até uns 10kg de mariscos. O grande problema da pesca através da gapuiagem é a presença de arraias e poraquês nos poços da gapuia, pelo perigo que esses peixes oferecem ao pescador. Vide ítens sobre arraias e poraquês. Uma gapuiagem é feita em pequenas canoas onde cabem poucas pessoas.
.  A pesca por Lanço, que consiste em uma pescagem feita à noite, na maré baixa, por um período de umas 3h, onde os lanceadores vão acompanhando o barranco ou ribanceira do rio. Nesse tipo de pesca usa-se uma rede pequena com cerca de 5m de comprimento por 2m de altura e, na parte inferior com os chumbos, para pesar e arrastar a rede no fundo e na parte superior as bóias de isopor, para a rede flutuar sob o domínio do pescador, A rede de lancear fica presa pelas suas duas extremidades em duas varas, por onde os lanceadores podem agarrá-la e arrastá-la e com isso podiam jogar para dentro da canoa o camarão e os peixes que vêm no lanço. Como os lanceadores ficam pisando na lama dos barrancos dos igarapés, podiam pisar em arraias e assim sofrer uma ferrada de arraia. Vide o ítem sobre as arraias. 
.  A pesca de Camboa, que consiste na observação dos cardumes de peixe e, ali, na maré baixa, faz-se o devido estaqueamento do local na forma de um semicírculo, através do instrumento de pesca chamado pari, deixando uma pequena entrada por onde o cardume dos peixes possam entrar na maré alta. O pari é um instrumento de pesca confeccionado em tala de jupati, tecida uma próxima da outra, sem deixar fendas, até formar uma tela de cerca de 2m de altura por 3m de comprimento. Depois da maré alta, já com a maré baixa, basta se fazer a despecagem do cardume de peixe. A tainha é o peixe preferido nesse tipo de pescagem. O pari é retirado do local para secar ao sol, sob pena de apodrecer devido a umidade.
.  A pesca por Tapagem, que é um tipo de pesca do período de verão, quando os rios não estão cheios e feita na maré baixa nos igarapés que serão tapados para a devida pescagem. O pescador finca as varas, vedando a cabeceira do igarapé em suas duas margens com folhas de açaízeiros e se colocando o pari ou rede de pesca, deixando uma pequena abertura para a entrada dos peixes e camarões na enchente da maré. Na preamar (período entre a enchente e vazante da maré) o pescador vai e fecha totalmente a tapagem do igarapé. Quando a maré está totalmente baixa, faz-se a devida despecagem de peixes como tucunaré, jacundás, pescadas, ituís, arraias, acaris-cachimbo, camarão, mandubé, sarda e outros tipos de peixes e mariscos. Nesse tipo de pescaria deve-se tomar o cuidado com as arraias e poraquês que podem ser encontrados nas tapagens.
.  Pesca por Cacuri, que é um processo de pesca que se faz na maré baixa, quando se faz o devido estaqueamento do local dos cardumes, tendo-se em conta a força da maré e o tipo de peixe que se quer pescar. O cacuri é feito através dos paris, que formam um grande círculo, dos quais dois braços saem em paralelo por alguns metros, deixando uma abertura por onde os peixes entram. depois é só esperar a baixa da maré para se fazer a devida despecagem dos cardumes de peixes de todos os tipos.
A SALGA DOS PESCADOS
Na época das safras do pescado, grandes quantidades de diferentes tipos de peixes eram pescados nesse período das marés favoráveis. Desse modo toneladas de peixes abasteciam as dezenas de embarcações que levavam o produto comprado dos pescadores para as diversas praças comerciais da região, especialmente Abaetetuba, Igarapé-Miri e Belém/PA. Porém, nem toda a safra de pescados era comercializada e essa sobra de peixes da safra era devidamente salgada para a devida conservação do peixe, que servia na alimentação dos ribeirinhos e na comercialização nas praças comerciais citadas. O local da salga dos peixes era chamado de "salgadeira". Porém o local chamado de salgadeira, além da salga dos peixes, tinha também a função de guarda das grandes, médias e pequenas redes usadas nos diversos tipos de pescarias, especialmente na entressafra da pesca do mapará que ía de agosto até fevereiro do ano seguinte.
A SALGADEIRA
Além de servir na salga do pescado excedente, a salgadeira servia para guardar os apetrechos de pesca na entressafra do mapará, especialmente as grandes redes dos borqueios que eram consertadas nesse local.
A ALIMENTAÇÃO NO MAÚBA
Como a Zona Ribeirinha ou Região das Ilhas de Abaetetuba fica localizada em terras de várzeas, dificilmente passava-se fome nas casas dessa região devido a fartura dos açaizais, miritizais, da abundância das árvores frutíferas, dos peixes, camarões e mariscos dos alagados, das caças e coletas de tartarugas ou dos produtos advindos da tradicional agricultura ribeirinha do milho, arroz, mandioca, feijão, etc. A antiga alimentação no Maúba seguia esse hábito cardápio alimentar, onde as famílias podiam fazer as três refeições do café, almoço e jantar. No café da manhã era servido os beijus e mingaus de arroz, farinha ou curêra, aguados em vinho de açaí, miriti ou bacaba. O almoço era à base de peixes e camarões ou carne de alguma caça ou serimbabo, junto com a farinha de mandioca. O jantar, à boca da noite, era servido com os mesmos ingredientes do almoço. Esse tempo de fartura já se foi, quando já acontece a escassez de peixes, camarões, caças e onde a pobreza se faz sentir nos períodos das entressafras do açaí, miriti e já não se pratica a antiga agricultura devido a conjutura sócio-econômica atual do município de Abaetetuba e Igarapé-Miri, onde a indústria canavieira já não mais constitui a base econômico dessas populações, que tentam subsistir da coleta do açaí e outras atividades econômicas menos relevantes.
Tipos de peixes, crustáceos e maricos mais comuns no Maúba
. Mapará, que era o peixe mais abundante nas águas do Maúba e arredores, que era pescado em abundância pelo método do borqueio do mapará e que em sua maior quantidade era comercializado e que também era usado na alimentação do povo ribeirinho.
PEIXES
. Filhote
. Dourada
. Tainha
. Tucunaré
. Jacundá
. Pescada branca
. Arraia
. Poraquê
. Sarda
. Mandubé
. Ituí
. Acari
. Acari-cachimbo
. Acaratinga
. Sarandagem, termo que é empregado para se designar os pequenos e diferentes peixes pescados pelo método da tapagem. Os mais comuns peixes da sarandagem eram: mandiís, ituís, pescadas, acaris, maparás e outros, todos em tamanho pequeno.
O Peixe Candiru
O peixe candirú é um pequeno peixe muito fino, quase transaparente, medindo cerca de 10cm e que pode se tornar um perigo para os pescadores ou para as pessoas que tomam banhos nos rios. Esse peixinho pode confundir os oríficios do corpo humano, como boca, ânus, vagina, pênis, nariz, ouvido, e entrar por esses orifícios e, ao ser puxado para fora do orifício, pode causar sérias lesões, rasgaduras que podem deixar sérias sequelas em suas vítimas, algumas das quais podem até ser sumetidas à cirurgias para a retirada do peixe. As lesões ou rasgaduras são causadas quando o peixeixinho, ao ser puxado, abre suas guelras e estas, como lâminas afiadas, vêm rasgando os tecidos dos órgãos ao se puxar o peixinho.
O Tralhoto
O tralhoto é um pequeno peixe, quase transparente, que possui dois olhos para cima e dois para baixo que usa ao fazer seus nados na superfície da água (ele só nada desse jeito). Os olhos superiores servem para o tralhoto enxergar tudo o que está acima da superfície da água e os olhos de baixo servem para o tralhoto enxergar tudo o que se encontra abaixo dele, dentro da água. Outra característica desse pequeno peixe é o seu rápido nado por sobre a água, sendo quase impossível de ser capturado. Aliás, ele nem serve na alimentação humana.
O Boto nas Pescarias
O boto é um mamífero aquático que se alimenta de peixes, existente em duas espécies no Baixo Tocantins. Nesse sentido sua presença pode até indicar a presença de cardumes de peixes pelos locais onde se encontra. Ou pode se tornar inconveniente para os pescadores de redes de pescar, pois pode espantar os peixes ou pode investir nos peixes presos nas redes de pesca em busca de alimento e nessa investida pode rasgar a rede, causando sérios prejuízos aos pescadores, que não só perdem alguns quilos de peixes, como ficam com avarias nas redes de pescar. Alguns pescadores, ao sentir a presença de botos em sua área de pesca, podem investir contra esses mamíferos, ferindo-os ou matando-os. Entre os botos tucuxi e o boto preto, este é o que investe contra os peixes presos nas redes de pesca, causando prejuízos aos pescadores.
As Arraias nas Pescarias
As arraias eram os peixes mais temidos pelos pescadores de lanço devido sua ferroada. As arraias preferem as praias dos rios e igarapés para se alimentar no lodo dessas águas. Se a pessoa desprevenida pisar uma arraia, leva uma ferroada que causa uma dor insuportável, devido o ferrão da arraia, que ao penetrar em alguma parte da perna, abre uma grande ferida, que depois infecciona, devido o veneno do ferrão e o limo que penetra pela ferida, levando a pessoa ao desespero e ao choro. Uma ferroada de arraia leva meses para cicatrizar e se a pessoa não for levada para tratamento médico, a ferida infecciona e leva a um grande período de sofrimento, com dores insuportáveis e a pessoa fica inativa durante um grande período de tempo em que poderia estar desenvolvendo atividades para o sustento de sua família.
O Peixe Poraquê ou Peixe Elétrico
O Poraquê também é um peixe muito temido pelos pescadores pela descarga elétrica que emite contra quem se aproxima ou tenta pescá-lo. Sua descarga elétrica é tão poderosa que chega ao ponto de até matar uma pessoa. O Poraquê pode ser encontrado nas pescarias de tapagens, quando a maré está baixa, para se retirar os peixes que ficaram presos na armadilha da tapagem pelo pari. Pode ser que ao tentar retirar os peixes que ficarm presos, se encontre um poraquê, que é temido pela descarga elétrica, que atingindo o peito da pessoa, esta venha a falecer pelo choque elétrico que afeta o coração, tornando-se fatal contra a pessoas que estava fazendo a despecagem da tapagem.
CRUSTÁCEOS
. Camarão
O ARTESANATO NAS ILHAS DO BAIXO TOCANTINS
O artesanto nas Ilhas do Baixo Tocantins é variado e ele vai ao encontro das necessidades diárias do ribeirinho, como também serve como produtos para venda em Belém, Abaetetuba e outras cidades do Baixo Tocantins. Existe o artesanato em barro, em cuia, em fibras, talas e folhas e em cipós.
O Artesanato em Fibras, Talas e Folhas
São vários os tipos de artesanato em fibras, talas e folhas:
. Paneiros, que são instrumentos para uso doméstico e para venda. São vários os  tipos de paneiros fabricados na Região das Ilhas do Baixo Tocantins: ariacá, rasa, paneiro comum, paneirinhos. Os cestos e cestas também podem ser feitos desses materiais. As mulheres das casas ribeirinhas eram as encarregadas na confeção de paneiros e outros utensílios de fibra, folha ou tala.
As Árvores Fornecedoras de talas, fibras e folhas
.  O Miritizeiro, que é uma palmeira que ocorre em abundância nas várzeas ou alagados tocantinos  e que têm enorme importãncia na cultura ribeirinha, pois tudo dessa árvore é aproveitável. O tronco serve como pontes das casas para os rios (no embarque/desembarque das canoas) ou das casas entre si. O braço das folhas do miritizeiros servem para fornecer a fibra do miriti, esta que é usada na confecção dos Brinquedos de Miriti de Abaetetuba e os próprios braços sevem para se fazer as paredes das casas ribeirinhas. As talas retiradas dos braços das folhas, serven na confecção dos paneiros. As folhas servem para se fazer chapéus, abanos, etc. O fruto do miritizeiro é usado para a produção do vinho de miriti, que é usado como alimento à semelhança do açaí e ainda serve na confecção de doces, sucos, bolos, sorvetes, etc.
. O jupati é uma palmeira que fornece a forte tala de jupati, que servia para confeccionar matapi (na pesca do camarão), pari (usado em vários tipos de pescas), aricá (um tipo de paneiro resistente), panacarica (cobertura de alguns barcos à remo ou pequenas embarcações motorizadas), etc. A tala do jupati também era usada na confecção de gaiolas para apanhar passarinhos e como talas de espeto do mapará moqueado.
.  Arumanzeiro, que é um tipo de sororoquinha, que fornecia talas e folhas com várias finalidades. A tala servia na confecção de peneiras, aricás e outros artefatos em talas e a folha servia para forrar o paneiro de farinha de mandioca, o que permitia que a farinha permanecesse sempre bem conservada e essas folhas eram usadas como o papel, para embrulhar os produtos das vendas ribeirinhas: peixe, carne, camarão, etc.
Algumas árvores fornecem os materiais, não só para esse tipo de artesanato, como de outros tipos de artesanato. Entre essas árvores destacamos:
O COMÉRCIO E TRANSPORTE NO MAÚBA
O Comércio no Maúba
Os tipos de Comércio desenvolvido na região são: as mercearias que vendem de tudo um pouco, a venda de açaí, camarão, venda de peixe, etc...
Entrevistamos o senhor Marcelino do Espírito Santo Gonçalves Corrêa, que é um dos mais antigos donos de mercearias do Rio Maúba. Ele vem desenvolvendo essa profissão há uns 46 anos, desde que seu pai, o Sr. Miguel Pinheiro Corrêa, faleceu e ele, como filho, herdou de seu pai a mercearia, que até hoje está sendo desenvolvida na região. Vende medicamentos, estivas em geral, bebidas e também vende produtos regionais como cacau, açaí. Ele vendia camarão, mas atualmente deixou de vender devido não obter mais lucros. Ele ainda usa o sistema de aviamento e vem obtendo lucros e com esses negócios e vem ampliando o seu comércio.
Também entrevistamos o senhor Fermino Silva que é um dos mais antigos donos de mercearia, que vem desenvolvendo sua profissão há uns 20 anos, comércio que é de sua propriedade. Vende em sua mercearia: estivas em geral, medicamentos, bebidas e não vende produtos regionais como açaí, peixe, cacau, etc...
Ele está obtendo pouco lucro, que não dá pra sortir o seu comércio. Por isso é aplicada um pouco da renda da família, como por exemplo, da aposentadoria. Não usa o sistema de aviamento para todas as pessoas, só para os aposentados, que compram e no final do mês quando recebem, pagam o seu débito.
O Transporte no Maúba
Os igarapés, rios e baías da Região das Ilhas Tocantinas são como as ruas das cidades, pois é através dessas vias fluviais que o ribeirinho executa todas as suas atividades de deslocamento e trabalho. Os barcos, de todos os tipos e tamanhos, são fundamentais nessas atividades. Para os pequenos deslocamentos e trabalhos eram usados os cascos, montarias, batelões, reboques e canoas de tamanhos variados, construídas em madeira e movidas à remos. Para os maiores deslocamentos ou atividade de trabalho maior, usavam-se os barcos motorizados e somente as pessoas de maior poder aquisitivo é que podiam usufruir desses tipos de embarcações. 
Algumas Características dos Transportes nas Ilhas do Baixo Tocantins e Marajó
. Casco, era uma embarcação construída em madeira, que podia variar em tamanho, existentes os cascos para transportar de duas até dez pessoas e que eram muito usados nos diferentes tipos de pescarias e movidas à remos. O casco é confeccionado de tábuas, possuindo os bancos para que as pessoas pudessem sentar.
.  Montaria, também era uma embarcação semelhante ao casco na sua utilização e direntes no modo de sua construção, pois as montarias usavam poucas tábuas para serem construídas, movidas à remo.
.  Batelão, era uma embarcação construída em madeira e servia no transporte de cargas de feixes de cana, barro, telhas, tijolos, lenhas, madeira ou outros produtos que superava algumas toneladas de peso. Um batelão podia ser rebocado por uma embarcação motorizada ou ser movimentado através dos chamados remos de faias existentes na popa (parte traseira dessa embarcação).
.  Reboque, era um tipo de embarcação construído em madeira e movido a remos de faia, com uma cobertura em palha (panacarica). Era esse antigo tipo de transporte que levava as pessoas para Belém, Abaetetuba, Igarapé-Miri, Vila Concórdia (hoje Vila Maiuatá), e outros lugares, daí a necessidade da panacarica para proteção das pessoas do sol e chuva nas longas e demoradas viagens de até uma semana de duração, com várias paradas pelo caminho.
.  Barcos motorizados, que eram as lanchas, barcos-motores, iates motoroziados, navios, que começaram a ser usados nas longas viagens, em substituição aos reboques, canoas à vela e que começaram a ser utilizados a partir dos anos de 1940 em diante.
Como a demanda para a construção das pequenas e grandes embarcações de madeira era muito grande, especialmente para atender a indústria canavieira, o comércio de regatão e o transporte de cargas e mercadorias para Belém, surgiram centenas dos chamados "estaleiros", onde os carpinteiros navais do Baixo Tocantins e Marajó construíam todos os tipos de barcos e variadas tonelagens, para atender essa grande demanda das indústrias canavieira, oleira, do comércio de regatão e no transporte de cargas e passageiros para Belém, Baixo Amazonas, Marajó, Zona do Salgado, região dos rios Guamá-Moju-Acará-Capim.
Os tipos de transportes fluviais que os ribeirinhos utilizam são os barcos, as canoas, os cascos e as rabetas, que servem para que o homem ribeirinho consiga navegar nos rios e que servem também para pescar e muitas outras coisas.
Existem duas freteiras atuando no Rio Maúba. Uma é do Sr. Domingos de Assis Pantoja de Souza, que transporta os seus passageiros em um barco que não tem limite de passageiros e já transportou para Abaeté até 40 passageiro por viagem. A época de maior procura da freteira é nas férias e mensalmente, quando os aposentados vão receber. Ele costuma levar produtos da região para vender na cidade como açaí, peixe e camarão e muitos passageiros aproveitam essa oportunidade para também venderem os produtos citados anteriormente.
Os dias de viagens para Abaetetuba são: domingo para segunda, terça para quarta e quinta para sexta-feira. O preço da passagem ida e vinda é de R$8,00.
E a outra freteira é um barco que é alugado para o Sr. Antonio Ramos Pantoja, que transporta passageiros para Abaetetuba. Seu barco não é grande, então ele costuma levar 20 passageiros, no máximo. A época de maior procura de sua freteira é o final do mês, quando as pessoas vão receber a bolsa escola. Ele não costuma levar produtos regionais para vender na cidade e só ás vezes, quando os passageiros aproveitam a oportunidade e levam alguns produtos para vender lá em Abaeté. O preço da passagem é R$ 8,00 e os dias que viaja para Abaeté são: segunda, quarta e sexta-feira.
A EDUCAÇÃO NO MAÚBA
Todos querem o melhor para nós e nós sonhamos com um futuro com mais oportunidades para sermos mais felizes e de realização na vida profissional e pessoal. Para que esses nossos sonhos tornem-se realidade, nós precisamos nos aprimorar cada vez mais. Contamos com a ajuda da família e professores , para despertarmos cada vez mais o interesse e a curiosidade de nosso aprendizado. Somos jovens do Brasil inteiro buscando construir uma sociedade justa sustentável e feliz. Assumimos responsabilidades e ações cheias de sonhos e necessidades. Este é um meio de expressar nossas vontades e nosso carinho pela vida e sua diversidade.
É esse o compromisso que temos com o nosso país e só queremos lamentar o péssimo trato que os governantes nos fazem passar, quando o assunto é “Educação”. É com esse intuito que a equipe de professores do Geem (hoje SOME) organiza os alunos em equipes para pesquisar a situação da educação do nosso rio.
Como aqui perto tem o município de Igarapé-Miri, começamos esse município a pesquisa.
É lamentável que esse município não possua mais escolas Para as crianças do pré-escolar à 4ª série, que são obrigadas a estudar na casa dos próprios professores. A atual prefeita Nilza Pantoja estava com grande vontade na construção da escola no Igarapé Acaputeua, mas até o presente momento não se manifestou sobre essa obra. Sobre esse assunto e outros, a nossa equipe conversou com os respectivos professores.
As Dificuldades na Educação
As dificuldades são muitas e para começar, não temos um prédio escolar e isso dificulta totalmente nosso trabalho. E não temos espaço suficiente para todos e as turmas estudam nas nossas próprias casas e o espaço é ocupado pelas poucas cadeiras que temos e sendo assim, não temos como realizar atividades como: educação física, exposição de trabalhos e armazenamento de materiais.
As Críticas à Educação
Começam a surgir da parte dos próprios pais dos alunos, pois acham o lugar não possui estrutura e nem condições de funcionamento e culpam os professores, dizendo que somos nós os responsáveis pela inexistência de uma verdadeira escola.
Os meios de Organização na Educação
É, somos criticados, mas na hora de se organizar para reivindicar uma escola, os pais pulam fora e não querem procurar os meios de se organizar como equipe e ir atrás das soluções e acham que esse serviço é pra nós, professores, porque as únicas pessoas que vão lucrar somos nós. Poréme eles se enganam, pois as melhoras seria para seus próprios filhos e para a comunidade em geral e nós professores , não temos como ir sozinhos lutar por aquilo que sozinhos não vamos conseguir. Além disso, somos contratados e isso implica muito, porque muitas das vezes querem tirar nosso emprego.
As Desistências na Educação
Todas essas contradições implicam muito no aprendizado dos alunos e é por isso que alguns alunos abandonam os estudos ou não levam muito a sério e acham que pelo fato de não ter uma escola, não têm compromissos de assumir uma tarefa ou de cumprir regras, etc.
As Persistências na Educação
Nós sempre damos todo nosso apoio e incentivo e mesmo assim, quando algum aluno desiste, ficamos muito tristes, porque nosso compromisso é o de ajudar os alunos a crescerem de forma justa, digna e sustentável, mostrando que não é uma grande escola que faz um grande aluno, mas um grande aluno que faz uma grande escola.
As Contribuições à Educação
As contribuições, infelizmente, são bem poucas e vamos começar pela merenda, que é um dos melhores meios de incentivar nossos alunos. E a merenda só vem poucas vezes ao ano. Depois, não temos água tratada aqui, porque não temos vasilhames para armazenar água. As pontes para o banheiro são também precárias e faltam cadeiras para maioria das crianças e também livros, materiais em geral, armários e transportes, que são benefícios que com certeza contribuem de uma forma ou de outra no aprendizado dos alunos e que ajudam na evolução e progresso dos mesmos.
As Orientações aos Alunos
Como todos os professores, nós sempre estamos orientando os alunos nos assuntos mais discutidos nesses últimos tempos e temos como exemplo o “aquecimento global” que é um assunto bem preocupante, inclusive estamos fazendo trabalhos na universidade com o objetivo de ajudar no incentivo e preservação do meio em que vivemos e os alunos estão bem informados de que não podem fazer derrubadas, queimadas, jogar animais mortos e lixo em geral no rio, porque poderá agravar a situação e causar uma série de problemas.
Acidentes na Escola
São os alunos as principais vitimas de tudo isso, eles não merecem estudar em um lugar como este, mas como não têm outra opção, são obrigados a se sujeitar, a começar na subida, quando eles chegam, e já estão passando por perigos, inclusive, já aconteceu de uma aluna cair na ida para o banheiro, mas não foi nada grave e só teve ferimentos leves.
Metas Alcançadas Na Educação no Maúba
Ficamos muito felizes quando nossas metas são alcançadas, pois percebemos que nosso compromisso está se realizando aos poucos e é isso que nos interessa, para fazer muitos sonhos acontecerem e fazer muitas pessoas a voltar a viver. Também incentivamos e contribuímos de alguma forma e queremos, que cada dia que passa, possamos acender mais uma estrela , com novo brilho dentro de cada coração e que os alunos não desistam e sonhem, enquanto há esperança e que eles devem ir em busca daquilo que querem, mesmo que esteja tão longe, mas com ajuda de todos, consigam alcançar seus objetivos.
Principais objetivos da Educação
Nós temos um compromisso com nossos alunos, um objetivo para que eles possam ter bom aprendizado, que eles evoluam no dia-a-dia, para que mais tarde, possam contribuir com a sociedade de uma forma justa e feliz. Mas isso só será possível se a família estiver junta nessa caminhada. Porque depois de nós, eles são os segundos incentivadores, então é isso que nós esperamos, que com essa parceria os alunos possam alcançar seus objetivos.
A Educação na Parte do Maúba de Abaetetuba
No governo do prefeito Francisco Maués Carvalho foi construída a Escola Nossa Senhora do Perpétuo Socorro, que tem 6 salas de aulas e outras áreas, porém que vão atender às necessidades que precisaria para incluir o projeto GEEM, que seria no máximo 10 salas, sendo que algumas turmas foram transferidas para o barracão ao lado da Escola. Conversamos com o responsável da Escola do GEEM sobre esse assunto e com os professores sobre os maiores problemas, que ainda enfrentam.
Vocês acham que a escola está em boas condições e a maneira de funcionamento é satisfatória?
A escola não está em boas condições e nem a sua maneira de funcionamento, porque estamos no momento sem o motor da água, que foi roubado, que faz com que falte água, porque a caixa d’água só é cheia com funcionamento da bomba.Também ficamos sem o funcionamento do banheiro, que precisa de água e as crianças têm que se deslocarem para outro banheiro que fica no meio do mato.
Depois, estamos sem merenda, que é um dos maiores problemas da escola. Nós, como professores, sofremos junto com as crianças, quando chega nove horas, que é a hora da merenda. É um dos piores momentos da Escola, devido a reclamação que eles fazem e é triste a situação.
Temos também as portas da Escola que estão quase todas sem fechadura, que facilita a invasão por animais que destroem o trabalho que fazemos.
E a falta de água tratada para beber na Escola, devido a falta de vasilhames para armazenar água suficiente, para termos uma água saudável para nossas crianças
Para finalizar, existe a ausência do responsável da Escola, que tem vários trabalhos ao mesmo tempo e esquece a Escola. Para melhorar está faltando empenho e interesse do responsável pela Escola.
E os alunos, apesar de todas essas dificuldades, estão indo bem nos seus estudos ou precisa de uma parceria vigorosa com os pais?
Nós acreditamos que a aprendizagem só acontece plenamente quando todos estão comprometidos com a educação das crianças. Os pais têm um papel importantíssimo, pois através deles os alunos são motivados e educados, como são educados pelos professores.
A aprendizagem precisa do apoio e ajuda dos pais, dos professores e dos órgãos responsáveis pelo desenvolvimento da educação. Sem eles os alunos não conseguem acompanhar o ritmo de ensino.
A maior parte dos alunos da turma se desenvolve bem, mas os pais os ajudam e participam do processo de ensino-aprendizagem e são parceiros da escola. Os que não têm esse mesmo avanço, são os que não contam com o apoio dos pais.
Vocês acham que merenda e incentivos com o responsável da Escola ajuda o aluno a se desenvolver?
Sim, o aluno tem mais capacidade de participar das atividades escolares e mais interesses, ânimo para praticar suas atividades físicas e espirituais. Sem uma merenda adequada, seu corpo ficará indisposto, sem interesse e sem capacidade para qualquer atividade. Seu organismo estará impossibilitado de repassar energia para o corpo inteiro, para que esteja em atividades, principalmente na Escola. O responsável deve ter uma participação ativa na organização de documentos, deve ajudar nas regras disciplinares, na manutenção dos objetos que ampliam o ambiente escolar. Também deve ajudar os funcionários na questão disciplinar e organizativa, para um bom desenvolvimento dos alunos.
E seus objetivos, quais são?
Eu espero que os alunos tenham uma ótima aprendizagem para alcançarem um bom conhecimento no seu futuro e sejam o fruto da nossa escola e para que eles tenham um amanhã com mais oportunidades de ser alguém na vida.
E para o responsável da escola fizemos uma pergunta simples e de interesses de todos: - Se existia chances de serem construídas mais salas para que as turmas que ficam no barracão passem para a escola?
A resposta foi a seguinte: - Não, pois não temos mais terreno para a construção de novas salas, a não ser que um engenheiro diga que pode ser possível com uma escola de 2 ou 3 andares.
A educação pode estar um fracasso no nosso rio, mas não são esses pontos negativo que vão nos fazer desistir dos nossos objetivos. Ao contrario, vamos acreditar, nos aperfeiçoar e fazer dos pontos negativos um aliado para a vitória.
A SAÚDE NO MAÚBA
A saúde é um bem-estar físico, mental e social. Mostrar, por exemplo, que a alimentação é uma necessidade biológica e que o tipo de alimento e sua forma de preparo depende não só de preferências pessoais, mas também de influências culturais. É preciso estar atento a manipulação da mídia quanto ao consumo de alimentos e medicamentos. O hábito da automedicação pode colocar em risco a saúde e a vida.
Em relação a tudo isso, a nossa saúde hoje em dia está muito complicada, pois não temos um lugar adequado para recebermos pessoas em situações de desconforto ou seja graves. Para que isso possa melhorar, seria necessário um posto médico qualificado, com pessoas adequadas no atendimento de saúde, principalmente pessoas qualificadas para esse cargo. Porém, infelizmente, não temos todo esse conforto, pelo motivo de vivermos em um lugar distante das cidades e com governantes que não se preocupam com a saúde dos ribeirinhos.
A saúde no local onde moramos está numa situação drástica e não temos todos os materiais necessários para um bom trabalho.
Com essa situação, entrevistamos dois funcionários públicos do local de saúde, que se chamam Cilene que mora no Rio Panacauera e Zacarias, no rio Maúba, que transmitiram para nós informações importantíssimas. Eles trabalham na enfermagem fazendo curativos, suturas (pontos), aplicação de injeções, etc. Os materiais utilizados para curativos são: gases, esparadrapos, polvinho, luva álcool-iodato. Os materiais de primeiros socorros são: Anestésico, seringa, agulha e etc. Mas infelizmente nem sempre eles possuem todos esses materiais que necessitam.
Em casos de emergências eles encaminham para a cidade mais próxima. Entretanto o Rio Panacauera é sempre visitado por um clinico geral no dia de quarta-feira da semana. É uma base de 30 pessoas que freqüentam o posto por dia.
Já no Rio Maúba a situação é um pouco diferente: o agente de saúde não vai freqüentemente ás casas e temos um posto médico somente com um enfermeiro e não tem médicos diariamente e só vem uma vez por ano, que se desloca em um barco de saúde de Abaeté.
Os entrevistados se expressam dizendo que a saúde é ainda desprezada e acham que não há recursos médico suficientes para cuidar do povo em geral. Mesmo assim se sentem felizes em poder ajudar pessoas que precisam de seus trabalhos e ajudar as muitas comunidades, porque antes era muito difícil e não havia nem mesmo os primeiros socorros.
Para ajudar essas pessoas eles fazem tudo o que está ao seu alcance, o possível e o impossível.
PROJETOS NO MAÚBA
Voltados para a região por parte do governo Estadual e Federal.
Existem vários projetos na nossa localidade, através, do Governo Federal, entre esses podemos citar:
• PRONAF “B” e “C” (Programa Nacional de Agricultura Familiar).
• PAE (Projeto Agro Extrativista).
• PRONERA (Programa Nacional de Educação na Reforma Agrária).
• FOMENTO MERCANTIL
Cada um desses projetos é muito importante para o desenvolvimento econômico, cultural e social dos trabalhadores rurais da nossa comunidade.
Mas infelizmente nem todos têm esse acesso, devidamente não terem uma entidade representativa como: Associações, sindicatos e colônia cooperativa, que se responsabilizam com os mesmos. As famílias que já foram beneficiadas foram somente as quais conseguiram se organizar com as entidades. Por isso que até hoje são poucas.
• PRONAF “B” e “C” (Programa Nacional da Agricultura Familiar).
No PRONAF existe uma linha de crédito. Os mais comuns na nossa ilha são o PRONAF “B” e “C”, que ervem para gerar emprego e renda para as famílias beneficiadas. Infelizmente nem todas têm acesso devidamente não terem terra suficiente como exige o projeto e, principalmente, por não terem uma entidade representativa como: Associações, sindicatos, colônia cooperativa, ou seja, que se responsabilizem pelos mesmos. As famílias que já foram beneficiadas foram somente as quais se organizam nas entidades. Por isso que até hoje são poucas.
O valor do PRONAF “B” é de 1.000 reais e do PRONAF “C” é de 6.000 reais. Os mesmos estão atuando na fase final dos projetos. A devolução dos projetos se dá a partir da própria produção,caso os produtores vendam o açaí.
A forma de pagamento do PRONAF “B” é de um ano e não tem período de carência devido ser projeto de custeio (compra de material urgente para desenvolver determinado trabalho, Ex: terçado, ferro de cova etc., para a limpeza do açaizal, rasa para colocar o açaí). Mas se a pessoa pagar antes de um ano tem um reajuste de 25%.
O PRONAF “C” é de três anos com um ano de carência.
• Manejo do Açaizal Como Parte do Projeto:
É selecionar a árvore mais alta, mais fina para derrubar e deixar as que estiverem mais bonitas e viçosas.
O período que começa frutificar uma arvore de açaí, quando é muda e com assistência técnica é de três anos. Vale ressaltar que as touceiras têm que ter um espaço de quatro metros de distancia uma da outra.
Os projetos que o Governo Federal tem na questão agrária são baseados na agricultura familiar. O dinheiro financiado é per capita, a renda da família, portanto com a venda de sua cultura. Ex: o açaí que o produtor vende para qualquer comprador e apura o dinheiro para quitação de sua divida com o banco. Vale ressaltar que esse dinheiro não dá para pagar nenhum trabalhador, devido ser baseado na agricultura familiar.
• PAE (Projeto Agro Extrativista)
No PAE tem crédito de habitação que é a construção de casas para os assentados. Quase 99% das famílias já foram beneficiadas. No primeiro momento, com fomento que é para beneficiar as famílias assentadas na compra de materiais para o seu consumo. Ex: Cestas básicas e material doméstico. No segundo momento é a construção de casas para os assentados, 99% dos assentados já estão com suas RB’s( Relação dos Beneficiados) prontas.
O valor de cada casa a ser construída é de R$ 7.000. O fomento é de R$2.400.
O pagamento das casas: Cada família beneficiada vai pagar 50% do valor. O fomento é a fundo perdido, ou seja, não tem mais devolução.
O PAE está na fase inicial, o começo com fomento. Depois vem o Crédito de Habitação.
• PRONERA (Programa Nacional da Educação na Reforma Agrária):
O PRONERA vem beneficiar os assentados das ilhas. Com a educação voltada para a área rural, ou seja, educação no campo. É para todos que não tiveram acesso a educação.
No primeiro momento vai ser trabalho e só quem tem o ensino fundamental completo. Os assentados vão passar por um processo seletivo, concorrendo vaga ao curso profissionalizante na área agrícola. Também neste momento vai ter outro processo seletivo para os assentados que têm o nível médio completo, concorrendo vagas ao nível superior pela UFPA.
Quem conseguir passar, o INCRA compra um pacote da UFPA e ainda dar uma bolsa para cada estudante no valor de meio salário mínimo, para os mesmos se manterem na universidade,
O PRONERA está na fase inicial, os assentados já estão com suas relações prontas. Esse projeto é a fundo perdido, ou seja, não haverá devolução.
MEDICINA CASEIRA NO MAÚBA E ARREDORES
Se nas ciades tocantinas os serviços de saúde eram precários, nas regiões das Ilhas e Colônias das cidades era ainda mais precária, por isso a população tinha que recorrer às parteiras, benzedeiras e curadores, que detinham o conhecimento do uso das plantas e outros elementos da natureza na tentativa de curas para todas as doenças, com o uso de chás, poções, fomentações, cura de garganta, garrafadas, óleos, banhas, cataplasmas, bolas e outros tipos de procedimentos da medicina caseira que se juntava aos rituais das benzeções, curanderismo e das forças ocultas na resolução de todos os problemas de saúde das populações ribeirinhas, das colônias e até das cidade. A medicina caseira também era uma prática comum na localidade Rio Maúba e seus arredores. Vejamos algumas plantas usadas nesse tipo de medicina:
.  Mistura da arruda, cravo, mucura-caá e álcool, passado à noite na testa, nas costas e na cabeça. Serve para combater o derrame e o reumatismo.
.  Folha de bobosa assada em mistura com folha de malvarisco e folha da urtiga-do-sertão (urtiga braba), que serve no combate às inflamações do organismo.
.  Coramina, serve para curar dor no coração. Modo de fazer: Utiliza-se as folhas da coramina e água e coloca-se para ferver aproximadamente por 20 minutos, depois é só deixar esfriar e tomar duas vezes ao dia.
.  Hortelã, serve para quem sofre de diarréia. Modo de fazer: Utiliza-se seis folhas de hortelã e um pouco d’água em seguida coloca-se no fogo e deixa aproximadamente 5 minutos e em seguida deixe esfriar e logo toma 4 vezes ao dia.
.  Boldo em mistura com sucuriju-cipó, amor-crescido, folha de pirarucu e babosa, que serve no combate aos males do fígado.
.  Mingau caribé em mistura com alho e manteiga ou sopa de turu, que serve para combater as fraquezas do organismo.
.  Cravo, serve para fazer choque para quem sente dor na cabeça. Modo de fazer:
Misgalha-se as folhas do cravo com um pouco de álcool depois é só colocar quatro vezes no dia na cabeça da pessoa.
.  Arruda, serve para quem sofre de derrame. Modo de fazer: Utiliza-se as folhas da arruda e álcool e depois é só misgalhar em uma vasilha, depois é só bater na cabeça da pessoa. Serve também para fazer chá e tomar cinco vezes ao dia.
.  Raiz da pupunheira, em mistura com o inajá, quebra-pedra, raiz de açaizeiro branco, que serve no combate aos males dos rins.
.  Tutano de boi em mistura com manteiga, sebo de Holanda, sebo de cacau, colocada a mistura sobre a fronte, serve para combater a tontura.
.  Anador, serve para curar quem sofre de dor no fígado. Modo de fazer: Coloca-se a folha de anador em uma vasilha com água e deixa ferver por uns 3 minutos. Toma-se três vezes ao dia.
.  Emplasto com a gema do ovo de galinha caipira em mistura com manteiga e vinho, devidamente batida a mistura, misturando um pouco de trigo, colocado na fronte, serve para combater a fraqueza do organismo.
.  Apií, serve para curar quem tem o peito aberto. Modo de fazer: Utiliza-se as folhas do Apií em um pouco d’água e deixa ferver pó uns 4 minutos. Toma-se três vezes ao dia.
.  ovos de uruá, quando espremidos e devidamente coado o sumo, em mistura com trigo, colocado no peito ou no braço da pessoa, serve para combater a  fraqueza orgânica. 
.  Sucurijú-cipó: serve para quem sofre de dor de barriga. Modo de fazer: Põe as folhas do Sicurijú-cipó em uma vasilha com água e coloca-se para ferver por uns 3 minutos, depois é só tomar 3 vezes ao dia.
.  O azeite de andiroba junto com o amoníaco em quantidade proporcionais. Serve para combater o reumatismo através das afomentações dos locais afetados pela doença.
.  Garrafada do sumo da verônica em mistura com pariri, camapu, tudo misturado com água e depois beber a mistura, que serve para combater a anemia.
.  Catinga-de-mulata, serve para curar dor no fígado. Modo de fazer: Coloca-se as folhas da caatinga em uma panela com água depois é só deixar ferver por uns 5 minutos. Toma-se três vezes ao dia.
.  Sumo do pracaxi bebido, serve como vomitório para combater o veneno das picadas de cobra.
.  Chama, serve para curar diarréia de criança quando estão nascendo os dentes. Modo de fazer: Utiliza-se as folhas da chama e coloca-se em uma panela com água e deixa ferver por uns 10 minutos. Depois é só dar para a criança duas vezes ao dia.
.  Álcool misturado com o amoníaco, serve para se massagear as partes do corpo atingidas pelo reumatismo, flexionando os membros e massageando-os.
.  Álcool em mistura com vinagre, serve na afomentação da barriga e das escardeiras (bacia), que serve para acalmar a pessoa no ataque de vermes.
.  O tabaco fervido em um pouco de urina, serve para se combater a inflamação da ferida provocada pela ferrada de arraia e passa-se, depois, a banha do boto.
.  Marcela, serve para curar dor no estômago. Modo de fazer: Coloca-se as folhas da marcela em uma panela com um pouco d’água e deixa ferver aproximadamente quinze minutos, depois toma-se três vezes ao dia.
.  O chá do mastruz misturado ao leite de caxinguba no café, com o seguinte preparo: tira-se o leite da caxinguba e coloca-se em um vidro e deixa no sol e sereno por cinco dias. Dissolve-se o preparado em  uma colher das de sopa no café quente, pela manhã e toma-se o preparado para combater os vermes intestinais. Para cirança, mistura-se o chá com o mel de abelha, em proporção à quantidade de caxinguba.
.  Caroço de abacate ralado bem fino, colocado em álcool em mistura com um pouco de alecrim santo ou o pau-de-angola, que serve para combater o reumatismo.
.  Chá de alho, tomado na tapacuema (na maré lançante), quando os vermes estão em desova, em lua de quarto-crescente, serve para combater os vermes intestinais.
.  Verônica em mistura com o pião branco, o pião roxo, a língua de vaca, a casaca do barbatimão, e com o preparado devidamente fervido e, depois, conservado em garrafada, quando bebida antes de dormir, serve para combater os males do útero das mulheres com problemas.
.  Boldo, serve para quem sofre de dor no fígado e dor no estômago. Modo de fazer: Utiliza-se as folhas do boldo em uma panela com uma pouco d’água e deixa ferver por uns quinze minutos, depois é só tomar 5 vezes ao dia.
.  Quebra-pedra, que é uma planta é muito utilizada para quem sofre de pedra no rim. Modo de fazer: Utilizam-se as folhas em um pouco d’água e deixa ferver por uns dez minutos depois é só deixar esfriar e tomar quantas vezes quiser durante o dia.
.  Pó de café misturado com alguns grãos de pimenta-do-reino e cachaça, que depois de levado à fervura, servia para combater a tosse, tomando-se aos poucos.
.  Canela, server para quem sofre de pressão baixa. Modo de fazer: Utilizam-se as folhas de canela e faz-se o chá deixando ferver por uns quinze minutos.
.  Babosa, server para quem sofre de gastrite. Modo de fazer: Utilizam-se as folhas da babosa.
.  Terramicina, serve para quem sofre de dor de barriga. Modo de fazer: Utilizam-se as folhas da terramicina e ferve, depois é só tomar 4 vezes ao dia.
.  Urtiga, serve para curar dor de ouvido. Modo de fazer: Colocam-se as folhas da urtiga em um pano, depois espreme no ouvido.
.  Palmito de açaí assado, que depois de lavado, assado e batido com um pau, que depois de espremido e coado esse sumo e que misturado com caldo de toranja e maisena, que servia para combater a diarréia, tomando-se uma xícara de café de hora em hora.
.  Pau-de-Moquém, serve para criança ficar mansinha. Modo de fazer: Põem-se as folhas em uma bacia com água e coloca no sol por um dia no outro dia é só dar o banho na criança.
.  Marupazinho em mistura com jambu, hortelá, marcela, casca e grelo de caju e goiaba, que na forma de chá servia para combater a diarréia e a dor, bebido de vez em quando.
.  Oriza, serve para dar banho em criança. Modo de fazer: Põem-se as folhas de oriza em uma bacia com água e coloca no sol por um dia e no outro dia é só dar o banho na criança.
.  Azeite de andiroba, era um óleo que tinha larga aplicação, usado isolado ou junto com outros elementos, que servia nas afomentações de baques, puxação de desmentiduras e curas de garganta e outros males.
Outros  Procedimentos e Rituais da Medicina Caseira no Maúba e Arredores
O quebranto se dava em uma pessoa e, especialmente em crianças, quando outra pessoa lança olhares de admiração sobre a pessoa ou criança e isso provocava aqueles desequilíbrios no organismo, levando essas pessoas à crises de diárreia, vômito, dor de cabeça e outros males que levavam a mofineza do corpo.
O mau-olhado era outro modo que provocava em em outras pessoas, especialmente crianças, e também nos seus animais e plantas, desequilíbrios orgânicos, financeiros em virtude dos malefícios do mau-olhado das pessoas com inveja do outro. Era necessário se recorrer aos pajés, benzedeiras, curandeiras, pais-de-santos, para poder quebrar aquele mau olhado que podia levar as pessoas à morte ou perda de todos os seus bens.
.  Mães que esquentavam as mãos no calor do fogo do fogão, para passar nas pernas das criançasverdes, para que suas pernas não ficassem tortas.
.  Para tirar o quebranto de crianças, quando estas ficavam mofinas, fracas e com diarréia e febre, levava-se as crianças nessa situação aos benzedores ou benzedeiras, para que estes aplicassem a bênção nessas crianças, atraves de orações e usando um galho de arruda ou outra planta aromática nas referidas rezas.
. Para o nascimento de cabelo nas áreas do sovaco e dos pelos pubianos em meninos de 11 anos de idade, deve-se aquecer os gomos da cebola no fogo até ficarem chamuscadas e, depois, passa-se esse produto nas áreas citadas, em várias aplicações diárias, assim nascerão os pelos da púbis e do sovaco.
.  Para combater o quebranto do sol (mofineza), usa-se a manjerona misturada à carmelitana na forma de chá.
. A erisipela, que era uma espécie de inflamação por má circulação do sangue,  era combatida com as rezas das benzedeiras ou curandeiras que rezavam as várias orações do credo católico e, depois da bênção, o benzedor receitava o uso de alguns remédios caseiros.
.  Para combater a quirana na cabeça das pessoas, bastava se encher as mãos com farinha e ir comê-la na privada ou retrete e por várias vezes, até acabar o mal.
.  Mau olhado, das pessoas e suas propriedades, fazer o banho da arruda em mistura com mucura-caá, cipó-alho, folha da pimenta malagueta e malvarisco e, depois, tomar banho com o preparado.
.  Para meninos de dez a treze anos, para o crescimento do pênis, deve-se pegar um peixe tralhoto dos pequenos, de uns 15cm e bater com o peixe 3 vezes no pênis e, depois, soltar o tralhoto de volta ao rio e, quando o tralhoto pequeno vai crescendo, o pênis do menino também vai crescendo na mesma proporção.
RELIGIÃO CATÓLICA NO MAÚBA E ARREDORES
. A comunidade católica surgiu na casa do Pedrozinho Ferreira, promovida pelo padre Sebastião. Foram fazer o curso de catequese: Novato, Gegé, Carmita, Zacarias e Dolores.
. Não existia capela no Maúba e os cultos eram celebrado no depósito da casa do Bizinho Ferreira durante 2 anos.
. Um velho dono de um terreno, Raimundo da Cruz, deu um pedação de terra para construir o barracão. O primeiro culto foi celebrado onde hoje está localizada a igreja e era coberta com folhas de saroroca.
Os cultos foram celebrados no barracão durante 4 anos. Com a ajuda do povo foi construída a igreja, que tem 30 anos. A primeira festividade aconteceu quando construíram outro barracão de alvenaria. Os grupos que existem hoje na comunidade são: pastoral das mães, grupo de jovens, catequese, equipe de liturgia, etc...
. As festividades eram realizadas na primeira semana do mês julho, com o círio fluvial, novena, missa, brincadeiras com as crianças e hoje continua sendo assim e a comunidade está crescendo cada vez mais com ajuda do povo.
A Religiosidade Popular nas Ilhas de Abaetetuba
As populações das dezenas de localidades da Região das Ilhas de Abaetetuba possuíam uma peculiar maneira de demonstrar sua fé através da religião Católica e a localidade Maúba não fugia desse figurino religioso. Sempre existiam os responsáveis pelas práticas religiosas, responsabilidade que geralmente recaía nas mãos dos mais idosos, matriarcas ou patriarca de uma grande família da localidade. As orações, ou rezas, eram sempre realizadas ao anoitecer, onde eram recitados as orações do Terço, da Ladainha e outras orações. Como a presença do sacerdote eram escassas nas localidades, a celebração da Santa Missa aconteciam uma vez ao ano, geralmente na época do festejo do Santo da dita localidade e o acompanhamento pastoral praticamente não existia e por esse motivo as práticas da fé religiosa se transformavam em religiosidade popular, manifestada na forma acima e nas folias de santos, festa dos Santos Reis, festa do Santo Padroeiro da localidade e outras formas da religiosidade popular. Convém salientar que a religiosidade popular das Ilhas de Abaetetuba carregava forte influência das forças ocultas da natureza e do sobrenatural. Desse modo os ribeirinhos seguiam uma rotina de orações sempre levando em conta os males que podiam existir ao seu redor, assim, pela manhã, ao levantar, sempre se fazia o Sinal da Cruz, seguida da reza da Ave-Maria; ao ir para o trabalho novas orações para as devidas recomendações de proteção; ao tomar o banho e ao dormir sempre acompanhados de uma oração. Maria, a Mãe de Jesus, sempre era lembrada nessas orações, especialmente nas orações para a proteção contra os males na forma de doenças, acidentes, gestações e morte. Cada casa ribeirinha possuía o seu oratório com a imagem do Santo Padroeiro e demais santos protetores, assim como os quadros pregados nas paredes da sala. Na Ladainha, Maria era invocada de várias maneiras como protetora e intercessora junto à seu Filho Jesus.
No Rio Maúba se festejavam vários Santos do Calendário Católico, como São Pedro, São Benedito, Santa Luzia e outros santos da devoção popular. Em algumas casas onde se festejava algum Santo da devoção popular, após as rezas seguia-se as festas dançantes.
Como se Processavam as Rezas nas Casas Ribeirinhas
As festas dos Santos Padroeiros seguiam um mesmo esquema, onde inicialmente aconteciam os preparativos para as festas. Assim eram contratados os grupos de rezadores ou foliões dos Santos para as rezas e a contratação do jazz e da aparelhagem de som para animar a festa dançante, após as rezas. Da cidade de Abaetetuba seguiam as bebidas na forma de refrigerante e cerveja em lata, enquanto a comilança da festa era organizada por um grupo de pessoas destinadas a essa função. Ressalte-se que durante o ano inteiro eram criados patos, porcos, galinhas, além das paneladas de mingaus que se juntavam aos pratos regionais que eram servidos aos participantes das festas de santos. Um grande salão era enfeitado com o oratório do Santo Padroeiro e que também servia para receber os participantes da festa dançante.
Como as  festas de santos da Zona Ribeirinha de Abaetetuba envolvia vários dias de festejos, o dia da festa era o mais festivo e seguia um determinado esquema: pela manhã acontecia o levantamento do Mastro com a Bandeira do Santo e com a devida salva de fogos; pela parte da tarde começavam a chegar os barcos com as pessoas para participar das cerimônias religiosas e, após, da festa dançante. Havia um local na casa onde as mães atavam as redes para fazer dormir seus filhos pequenos; a ladainha começava ás 20:00h, sob o comando do grupo de foliões de santo e com o povo respondendo os versos das cantorias e no final da reza era oferecido o café ou mingau aos presentes. Depois, começava o baile ao som das músicas de aparelhagens de som e, à meia noite, o baile era comandado pelo grupo do jazz, que nesses tempos eram as grandes atrações dos bailes de festas de santos, que levavam a festa até o amanhecer do dia seguinte, quando as famílias começavam a se retirar para suas casas em suas embarcações.
As Ladainhas
As ladainhas eram rezas que não podiam faltar nas festas dos Santos Padroeiros ou como pagamento da promessa de algum ribeirinho mais abastado e essas rezas eram realizadas pelos grupos de rezadores ou grupos de foliões de santos existentes em algumas localidades das Ilhas de Abaetetuba. Existia um roteiro e uma rotina para essas rezas: na hora marcada os rezadores chegavam, tocando e cantando o Sinal da Cruz, o Pai-Nosso, a Ave-Maria e, por fim, a Ladainha adequada para a ocasião e de acordo com o Santo da Invocação ou da Promessa e tudo cantado em Latim vulgar, onde o povo também respondia em Latim às diversas fases da reza; no fim, acontecia o agradecimento ao Santo da Invocação, seguido do oferecimento, pelo dono da festa, de café com biscoitos ou mingau de milho ou arroz ou um jnatar, dependendo das posses do dono da festa. Esse esquema de festa de Santos perdurou até os anos iniciais da década de 1970, quando começaram a surgir os grupos da Comunidades Eclesiais de Base, introduzidos pelos Padres Xaverianos que iniciaram a assistência espiritual pelas comunidades das Ilhas de Abaetetuba.
As Esmolações e Folias de Santos
Os mesmos grupos que rezavam as Ladainhas nas festas de Santos ou casas de pagadores de promessas, eram os mesmos que cantavam e tocavam nas antigas Esmolações e Folias de Santos e Folias de Reis, onde igualmente passavam ou chegavam cantando em suas canoas rumo a algum lugar para fazer suas cantorias, onde o Santo (Imagem do Santo), vinha todo enfeitado de fitas e flores nos braços de um folião, junto com os estandartes ou bandeira de algum Santo, objeto da Esmolação ou Folia. Os membros desses grupos de foliões também vinham devidamente paramentados com vestuário e chapéus cheios de fitas coloridas, e desembarcavam na ponte da casa da festa, onde os membros dessa família já estavam esperando os ditos foliões. No ritual, antes da entrada na casa, faziam uma cantoria pedindo licença para entrar e pedindo proteção ao Santo para a família, convidados e casa que os acolhia. Ao entrar, também cantando, colocavam a imagem do Santo no altar já devidamente preparado e enfeitado para a festa, fazendo as áultimas cantorias de sua chegada. Pela noite, com a presença dos convidados e pessoas da localidade, iniciavam o canto da Ladainha em louvor ao referido Santo e, após a Ladainha, era oferecido um lanche ou uma alimentação mais consistente aos foliões e demais presentes na folia. No outro dia, de manhã cedo, os foliões faziam a alvorada cantada e após o café, o dono da casa oferecia donativos ao Santo, na forma de porcos, patos, frangos, perus, ovos, dinheiro ou outras oferendas e, depois que recebiam os donativos, os foliões faziam a despedida cantada, com os agradecimentos e seguiam para outro rio, onde em outra residência faziam outro ritual de Esmolação. Os mais conhecidos grupos de foliões eram: São Benedito de Gurupá, São Miguel de Beja, São Miguel de Conde, Bom Jesus dos Navegantes e outros grupos de folias de santos.
O Oratório nas Casas Ribeirinhas
O Oratário era o local onde ficavam as Imagens dos Santos da devoção católica, sendo que no centro do Oratário ficava a imagem do Santo da devoção de cada localidade e com as imagens dos demais Santos da Religiosidade Popular e a Bíblia Sagrada. Geralmente o Santo da devoção era a Virgem Maria que era invocada com diferentes denominações. As imagens geralmente eram esculpidas em madeira por santeiros da própria Região das Ilhas, em tamanhos que chegavam a alcançar até 30cm. O oratório, além das imagens, era enfeitado com flores e fitas e era o local para onde se dirigiam todas as orações das casas e, principalmente, as rezas das Ladainhas e Esmolações de Santos, que eram muito comuns nos velhos tempos do devocionismo popular. Para completar a religiosidade popular nas casas ribeirinhas, as paredes dessas casas ficavam repletas de quadros com imagens dos santos, folinhas com motivações religiosas, Terços e outros objetos religiosos. Aliás o Oratório era presença em todas as casas católicas antigas e foi através das casas ribeirinhas que esse costume da presença do oratório se fez mais forte e se prolongou até os dias atuais, porém com menor fervor devocional.
Quadra Junina
Outro grande momento para as festas de santos nas Ilhas de Abaetetuba, era o mês de junho, quando se festejava Santo Antonio, São João e São Pedro. No caso da localidade Maúba, a festa de São Pedro, que acontecia do dia 28 para 29 de junho, era o grande desfecho para a quadra junina que era fortemente festejada e participada com direito a fogueiras, brincadeiras de adivinhações, casamento na roça, banho cheiroso  de São João às 6h da manhã, comilanças com comidas típicas da quadra junina, passar fogueira para ser compadres ou comadres de fogueira ou os laços de fogueira de Minha Rosa, Meu Cheiro, Meu Cravo, Minha Flor, festa dançante, etc.
Outros Antigos Costumes da Quadra Junina nas Ilhas de Abaetetuba
O mês junino nas Ilhas de Abaetetuba, além das festas, culinária própria, fogos, cordões de animais, era carregado de muito misticismo que envolvia a todos, especialmente nos banhos de cheiros como nas advinhações de todos os momentos da quadra junina e nas fogueiras juninas. As adivinhações eram alguns rituais juninos em que uma pessoa tentava obter alguns pedidos ligados aos seus interesses, especialmente aos do namoro e casamento.
Clubes, Centros Comunitários, Entidades no Maúba e Arredores
. Na localidade de Maúba existiam 4 clubes: Barcelona, Manival Esporte Clube, Real Madrid e Manqueirinha, e todos com diretorias e presidentes, só que cada um tem um modo diferente de se manter. O Barcelona se mantém com o patrocínio do Sr. Eraldo Pantoja. O Manival Esporte Clube se mantém através de coletas entre os jogadores do clube. O Real Madrid se mantém com o dinheiro das incrições que o presidente reúne nos torneios que o clube patrocina e o Mangueirinha se mantém com a ajuda de dois patrocinadores que são: Raimundo de Almeida e Jorge Pantoja Teixeira.
. Esses clubes são formados por 11 atletas e no máximo 16 atletas, que participam dos jogos das ilhas. O Barcelona faz parte do campeonato do Arumanduba, a Copa Norte e os outros 3 só participam dos torneios amistosos na localidade.
. Todos os clubes têm campo próprio.
. Os atletas, uns residem no lado de Igarapé-Miri e outros do lado de Abaetetuba.
Todos os clubes têm seus presidentes que são: do Barcelona é o senhor Raimundo de Oliveira Gomes; do Manival Esporte Clube é o rapaz Francimário Pinheiro Gomes; o do Real Madrid é o Natanael Machado da Silva e do Mangueirinha é o Sr George Pantoja Teixeira.
Essa é a conclusão da pesquisa sobre os clubes da localidade do Maúba.
Os Centros Comunitários do Maúba
No Maúba existem três comunidades, sendo duas católicas e uma evangélica, a Assembléia de Deus.
Nossa Senhora de Fátima, Nossa Senhora do Perpétuo Socorro e a Igreja Evangélica Assembléia de Deus Monte das Oliveiras.
As três comunidades têm seus dirigentes e elas se reúnem freqüentemente.
A Igreja de Nossa Senhora de Fátima foi fundada em 13/04/1995, sendo coordenadores: Francisco da Silva Gomes e Fernando da Silva Pantoja. Ela é composta por 2 grupos de mães, 1 grupo de jovens e a catequese. Um dos grupos de mães funciona com as crianças. Tem também o grupo do dízimo.
Todos os grupos têm reuniões todos os sábados, para discutir os interesses da comunidade.
As rendas econômicas são os dízimos que os membros da igreja oferecem e as festas que fazem para angariar renda para a comunidade.
Cada comunidade é administrada pelo coordenador, secretário, tesoureiro e os grupos que formam o corpo comunitário.
A igreja evangélica Assembléia de Deus Monte das Oliveiras foi fundada em 15/12/1989 e ela funciona um pouco diferente das comunidades católicas. Ela tem seu dirigente, o pastor e os crentes que fazem parte da igreja. Ela tem seu regimento, tem estatuto e tem 183 participantes que fazem parte dos cultos. Eles se reúnem três vezes na semana: domingo, quarta-feira e aos sábados. Os interesses da igreja são decididos com pastor e outros dirigentes nas reuniões do ministério, que é feita todos os meses na séde que fica localizada no Rio Ajuaí.
O dirigente atual da Assembléia de Deus é o Sr. Francisco Teixeira Pantoja e por ela já passaram vários dirigentes.
As rendas econômicas da Assembléia de Deus são obtidas através de cultos, onde os crentes fazem as ofertas para manter a igreja.
A Comunidade Nossa Senhora do Perpetuo Socorro foi fundada em 1972 e ela possui até o CNPJ que é inserido na paróquia de Abaetetuba. Ela tem 151 participantes, divididos em vários grupos: Grupo A, Grupo B e grupo C.
Os interesses da comunidade são discutidos através das Assembléias Gerais. Ela tem várias reuniões entre o presidente e os tesoureiros.
A renda é mensal obtida na comunidade mesma e ela tem o apoio dos alunos da escola tanto fundamental quanto do ensino médio.
A data de sua festividade é 1º a 9 de julho.
DIVISÃO DO RIO MAÚBA
Como o Rio Maúba corta os municípios de Abaetetuba e Igarapé-Miri, a população dessa localidade é dividida em duas partes: uma parte pertence à Abaetetuba e o outro lado pertence a Igarapé-Miri.
Portanto, existem maubenses que são de Abaetetuba e maubenses que são de Igarapé-Miri
Do lado de Abaetetuba existem 114 famílias e do lado de Igarapé-Miri existem 133 famílias.
COLÔNIA DE PESCADORES NO MAÚBA
A Colônia dos Pescadores Zona 14 é uma entidade constituída legalmente no município de Abaetetuba e ela possui o CNPJ e ela existe no Maúba desde 1983. Essa entidade tem reuniões mensais na casa do Sr. Marcelino do Espírito Santo Gonçalves Corrêa que é o capataz da colônia aqui na localidade e tem 171 associados. A colônia oferece vários projetos para os associados como o PPRONAF que beneficia muitos colonizados e que assumiram compromisso com o banco.
LENDAS, MITOS, CAUSOS, CRENDICES, SUPERSTIÇÕES NO MAÚBA
.  As Duas Cobras
No rio Mojú existia duas cobras encantadas, que eram dois irmãos – Noratinho e Mariazinha.
E certo dia Mariazinha se apaixonou por uma cobra brava e ficou grávida, mas seu irmão era contra pois sabia que ela iria se tornar má e iria começar a malinar com o povo do rio. Seu irmão resolveu eliminá-la e foi avisar o povo. Quando ia pela estrada encontrou um velinho que cortava seringa e falou para ele que haveria uma briga entre duas cobras e que ele avisasse para os vizinhos que enchessem água e tomassem banho, por que em algumas horas a água iria ficar muito tipitinga.
O velinho chegando em casa foi logo avisar os seus vizinhos, mas eles não acreditaram em que ele disse, achando que ele estava ficando louco.
Ao entardecer a água começou a ficar suja e o povo começou a acreditar no que o velho tinha dito. Ao amanhecer a cobra Mariazinha estava morta em cima da praia. Com o passar dos anos a cobra Noratinho foi desencantado, mas não viveu por muito tempo.
.  Dona Alzira e as Duas Cobrinhas
Há muitos anos atrás morava aqui no Rio Maúba uma senhora que se chamava Dona Alzira, que era muito pobre e vivia sozinha e ela tinha alguns problemas mentais. Por isso os homens se aproveitavam desse problema da senhora e a agrediam sexualmente e ainda comiam sua comida etc.
Certo dia a senhora apareceu gestante e todos pensaram que fosse uma criança. Passou-se os nove meses e deu dor de parto na senhora e acompanhando a senhora estava o Sr. Manduca, que foi buscar a parteira. E logo após o parto lá vem a parteira trazendo uma bacia com água e com duas cobrinhas dentro. O Sr. Manduca disse: -Vamos matá-la. E a parteira disse: - Não, vamos soltá-las. Com esse trato eles ainda batizaram as cobrinhas, sendo ela a madrinha e ele, o padrinho, dando os nomes de José e Maria às cobrinhas e logo depois ele soltou-as no rio e disse a elas que o dia que precisassem se desencantar poderiam chamá-lo, que ele faria o que pedissem para desencantar.
Todos os dias as cobrinhas vinham conversar com dona Alzira, até o dia em que os filhos de dona Alzira a levaram para morar em Abaetetuba.
Passou-se o tempo e não se sabe se as cobras ficaram com raiva, por que junto à igreja de Nossa Senhora do Perpétuo Socorro morava uma família, justamente no local onde elas encantaram quando foram soltas por seu Manduca. A casa afundou com tudo o que tinha dentro: os santos do oratório, o casco, o burutizeiro, deixando da casa só a parte da cozinha, onde tinha pessoas dormindo. Não boiou nada do fundo e até hoje, não sabemos se foram as cobras que de fato fizeram isso ou se ainda moram aqui.
.  O Dia 24 de Agosto
O dia 24 de agosto, dizem nossos avós, que é o dia que o Demônio desce à terra e fica vagando entre o povo. Eles dizem que nesse dia ninguém pode andar sozinho pela mata e nem abusar do Demônio, se não ele aparece e malina com as pessoas. Só que nem todas as pessoas acreditam nisso e outras dizem que é lenda e que não acreditam que isso possa ser verdade.
Um certo dia, um senhor chamado Silva, disse que queria ver se era verdade o que diziam sobre o Demônio e que ele iria entrar na mata pra ver e se fosse verdade, que aparecesse pra ele.
Ele pegou seu casquinho e remou em direção a um igarapé chamado Mané Raimundo e ele remou e remou, passando por várias curvas, até chegar em um braço do igarapé que se chamava Cachimbo e chegando, encostou o casco e andou e subiu em direção ao centro da mata. Não muito longe, avistou uma árvore muito grande e bem no pé da árvore ele avistou um bicho muito grande, em forma de um dragão, que jogava fogo pela boca e fumaça pelo nariz. Vendo isso, lembrou o que seus pais tinham lhe dito. Com medo, voltou andando de costas, rezando e pedindo a Deus que o livra-se dessa e que nunca mais iria duvidar no que seus pais e avós lhe falavam.
MITOS, LENDAS, SUPERSTIÇÕES RIBEIRINHAS
Crenças e Superstições
.  Sandália de boca para baixo, o pai ou a mãe vai morrer.
.  Se alguém varrer o pé de um (a) jovem ele (a) vai casar com velha (o).
.  Se marreteiro parar em frente de uma casa, é sinal que vai morrer afogado.
.  Se um miritizeiro vier boiando e parar em frente de uma casa, é porque tem gente que está quase pra morrer.
Mitos da Natureza
.  Quando o pássaro chamado o pássaro Chiincuam cantar bem forte: chiincuam, é sinal que alguma coisa de mal vai acontecer. E quando ele cantar ti, ti, ti... é alguma coisa de bom que está pra vir.
.  Quando o pica-pau voar e pousar lá em cima de uma árvore e começar a cantar vem, vem, vem... é porque alguém que você não via a muito tempo vem te visitar.
.  Quando a coruja bate as asas ou chora de madrugada, é alguém que vai adoecer ou morrer.
.  Quando o urubu chorar à noite, é alguém que vai morrer.
.  Quando o cupim de asa começa a voar em frente à casa, é porque está vindo o inverno.
.  Quando entrar um vaga-lume ou uma borboleta de asa preta à noite dentro da casa, alguém da família vai ficar doente.
Se urubu defecar em cima da cabeça de alguém, vai ficar panema pro resto da vida.
Mitos
Dona Alzira, que era muito pobre e vivia sozinha e ela tinha alguns problemas mentais. Por isso os homens se aproveitavam desse problema da senhora e a agrediam sexualmente e ainda comiam sua comida etc.
Certo dia a senhora apareceu gestante e todos pensaram que fosse uma criança. Passou-se os nove meses e deu dor de parto na senhora e acompanhando a senhora estava o Sr. Manduca, que foi buscar a parteira. E logo após o parto lá vem a parteira trazendo uma bacia com água e com duas cobrinhas dentro. O Sr. Manduca disse: -Vamos matá-la. E a parteira disse: - Não, vamos soltá-las. Com esse trato eles ainda batizaram as cobrinhas, sendo ela a madrinha e ele, o padrinho, dando os nomes de José e Maria às cobrinhas e logo depois ele soltou-as no rio e disse a elas que o dia que precisassem se desencantar poderiam chamá-lo, que ele faria o que pedissem para desencantar. Dona Alzira, que era muito pobre e vivia sozinha e ela tinha alguns problemas mentais. Por isso os homens se aproveitavam desse problema da senhora e a agrediam sexualmente e ainda comiam sua comida etc.

 um terçado e bateu em frente à canoa que estava em frente ao rumo do fogo. E de repente, o fogo se aproximou muito rápido deles e eles, com medo e assustados, se aproximaram da praia e subiram levando a canoa e eles viraram a canoa e se colocaram em baixo e o fogo se espalhou como se fosse duas pessoas e delas saiam ruídos estranhos, como se fossem vozes, mas que eles não a compreendiam. Nessa hora atacou o medo e o desespero e eles se pegaram com Deus e a Virgem Maria, pedindo que afasta-se o fogo de perto deles e com isso o fogo foi se afastando e eles nunca mais duvidaram do que seus pais e avós lhe contavam do fogo do mar.
Mitos
.  O Boto Burro do Município de Muaná
Em uma certa noite, eu Alexandre e meu amigo Nilco, saímos para malhar. Quando passamos por um certo lugar onde havia uma ponte, de repente o cachorro começou a latir e depois que o cachorro latiu. nós olhamos e avistamos algo em cima da ponte, que pulou assustado com o barulho do latido do cachorro. Mas em vez de pular no mar, o boto burro caiu na praia que existe neste local e ele nos avistou e começou a nos perseguir. Eu e meu amigo ficamos transtornados e começamos a remar, pois o boto gritava, berrava, gemia, assobiava. Depois de certo tempo, chegamos em um lugar onde não tinha casas por perto e deixamos o casco e o puxando na beira e corremos para o mato, onde ficamos até o dia raiar. Voltamos para casa muito assustados com aquilo que vimos e contamos para nossos amigos. Pois ainda hoje existem pessoas que vê esse boto que está vagando por lá.
Lenda
.  O homem do Casquinho
As pessoas dizem que o homem do casquinho verdadeiramente existe e que ele vive nos igarapés, e ele é chamado do “homem do casquinho” por que ele tem um casco bem pequeno, que só cabe ele e também tem um remo de dois apás.
Ele não é malvado, mais gosta de meter as pessoas no fundo, os que vão pra festa ou namorar. Meter no fundo as pessoas é uma das brincadeiras prediletas do chamado homem do casquinho.
.  O Assobiador
O assobiador vive nas matas. Quando a maré dá grande, à noite ele sai no seu casco, dando assobios tão forte que quem ouve não consegue dormir. Se alguém falar alguma coisa contra ele ou remedar, ele vem atrás, e persegue até assombrar. E quando a pessoa é assombrada, na mesma hora dá uma dor forte de cabeça e passa a beber sem parar. Pra pessoa voltar ao normal é preciso levar num curador dos bons, se não a pessoa assombrada pode morrer bebendo.
Lenda
Nas margens do rio Maúba, à sua esquerda, morava uma família onde os homens trabalhavam na torna e as mulheres faziam paneiros e outros, sendo vizinhos, trabalhavam como empregados do dono da torna.
Essa torna era do Sr. Pedro, na intimidade Pedrozinho. Um dos trabalhadores chamava-se Fábio, que tinha várias filhas com a sua esposa. Muitas vezes eles viam alguma coisa que chamava as suas atenções , mas pouco ligavam.
Um dia D. Santinha, esposa de Fábio, estava à espera do esposo, que estava pescando longe dali e, de vez quando, durante o dia, ela olhava pro rio pensando em enxergar o marido vindo da pesca. A noite chegou e ele não veio.
Todos, cedo deitaram e dormiram e a mulher de Fábio passou por um cochicho e logo após, começou a ouvir passos na casa que ia dar na sala à cozinha. Mas ela, que estava de parto, não podia sair do quarto e chamou pelo nome do marido, mas ele não respondia e uma das vezes viu alguém entrando no quarto, em direção à sua rede e sentou um pouco baixo, à beira da rede, mas não deitou. E ela ficou adormecida, sem poder falar e logo após, o sono veio, e ela não viu mais nada.
Ao amanhecer, suas filhas levantaram para fazer o café e ao levarem o seu café, ela perguntou se o pai delas já tinha chegado e elas responderam: Não sei. E foram ver se o pai tinha chegado ou se suas coisas estavam a sala. Logo em seguida, voltaram e responderam à sua mãe que seu pai não tinha chegado e nem suas coisas estavam na sala.
Quando uma das filhas foi até a cozinha, se deparou com uma grande cambada de peixe pendurado.
Depois cuidaram do serviço da casa e serviram sua mãe e suas irmãs. O que sobrou dos peixes, salgaram. No outro dia, seu Fábio chegou com a embarcação cheia de peixes do borqueio e conversando com sua mulher perguntou: - Como passaram esses dias. E ela respondeu: -Com os peixes que tu deixastes outra noite. E ele, espantado, disse: -Que noite, pois desde que saí para pescar, não voltei? E a mulher contou o que tinha acontecido.
Mas seu Fábio lhe disse: - Santinha, não é a primeira vez que isso acontece, e ás vezes, ouço passos, e vejo as meninas preparando peixe e não sou eu quem traz.
Desconfiados, todos começaram a desvendar o mistério e a tarde, começou a boiar boto e passear no rio. Os vizinhos, Léo e João, ficaram à espera.
À noite, ficaram escondidos com uma espingarda e serra lenta. Mais tarde, se depararam com um homem todo de branco subindo em direção à casa de seu Fábio. Quando o boto quis descer a escada, seu Léo apontou a espingarda e atirou e o homem de branco caiu na água. No dia seguinte, na ponta da ilha, amanheceu um boto morto com sinais de chumbo pela costa e na cabeça.
Outros Mitos, Lendas e Superstições e Assombrações Ribeirinhas
Na realidade, as crenças nos Mitos, Lendas, Superstições e Assombrações se davam em todas as populações das regiões Ribeirinhas, Colônias e Cidade e essas práticas passavam de geração para geração e por mais que as pessoas estudassem, se formassem ou se tornassem "mais esclarecidas", no entanto, sempre conservava consigo essas crenças do passado, que estavam já condicionadas em seu pensamento e procedimentos. Mais alguns exemplos dessas práticas, conforme pesquisas do Padre Adamor Lima e da saudosa professora Maria de Nazaré Carvalho Lobato: 

Prof. Ademir Rocha, de Abaetetuba/Pa, em 3/1/2011.

2 comentários:

  1. Colega Ademir Rocha, sem dúvida que a inclusão de alguns aspectos foi fundamental, para você proporcionar uma visão ampla sobre o assunto e seu foco. Revendo algumas atividades pedagógicas, encontrei seu Blog onde deu outro viés, porém interessante. Esse, como mais de cinquenta que orientei com colegas, nessa imensidão territorial, que é o Pará, apenas no meu espaço eletrônico postei de forma resumida as pesquisas dos alunos, muitos aspectos, infelizmente, não foi possível postar, inclusive as imagens, que cada um dessas pesquisas possuem. Gostei. Parabéns.

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  2. Caro Professor Ribamar, parece que somos iguais na idéia do resgate das da Cultura e da Memória das localidades onde desenvolvemos nossas atividades. Comecei a desnvolver o Blog do Ademir Rocha desse jeito, mas levei um susto de contente onde me deparei com suas pesquisas e de seus colegas e alunos no Projeto SOME e não pensei duas vezes, colocando suas pesquisas em destaque no Blog, e as receitas dos Remédios Caseiros e demais assuntos são universais. Também aproveito os pesquisadores de Abaetetuba, Ig-Miri e Marajó e esses assutos correm o mundo. Abgado, abçs de Ademir Rocha

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