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quinta-feira, 20 de janeiro de 2011

JULIÃO SIMPLÍCIO DE OLIVEIRA: DONO DE ENGENHO












DONO DE ENGENHO: JULIÃO SIMPLÍCIO DE OLIVEIRA

JULIÃO SIMPLÍCIO DE OLIVEIRA aparece na postagem dos engenhos da vizinha cidade de Igarapé-Miri, conforme abaixo.

Em 1912 as culturas de cana-de-açúcar e cacau ainda são importantes para a economia do município de Igarapé-Miri.

Engenho Menino Deus, no Rio Panacuéra-Miri, de Albino da Costa Correa, para produção de açúcar e mel de cana.

Engenho Santa Maria, no Rio Maiuatá, de Antonio Primo da Costa, para produção de cachaça. Esse engenho, depois, passou à propriedade de A. Sampaio & Cia.

Engenho São João, no Rio Meruú-Assu, de José Timóteo & Cia., para produção de cachaça.

Engenho Indiano, no Rio Meruuu-Assu, de Nonato & Filhos, para produção de cachaça.

Engenho Vera Cruz, no Rio Panacuéra-Miri, de Lobato & Cia., para produção de cachaça. Esse engenho, depois, passou à propriedade de Tourão Correa & Irmão.

Engenho Cariá, no Rio Meruu, de Silvestre Correa de Miranda, para produção de cachaça.

Engenho Cacaual, no lugar Espera, Rio Igarapé-Miri, de Amadeu G. Pinheiro, para produção de cachaça.

Engenho Carmo, no Rio Igarapé-Miri, de Amadeu. C. Pinheiro, para produção de cachaça.

Engenho Livramento, no Rio Itanimbuca, de Arcelino Brasiliano, para produção de cachaça. Esse engenho, depois, passou para a propriedade de Eládio Correa Lobato.

Engenho Santo Antonio do Botelho, no Rio Maiuatá, de Sampaio & Irmãos, para produção de cachaça.

Engenho São Sebastião, no Rio Juarimbu, de Meneleu Correa Leão & Cia., para produção de cachaça.

Engenho Vivi, no Trapiche Hipólito, Rio Maiuatá, de Sampaio & Irmãos, para produção de cachaça.

Engenho São Paulo, no lugar São Paulo, Rio Merecu, de José Roberto & Cia., para produção de cachaça.

Engenho Novo Horizonte, no Rio Merecu-Assu, de João Nicolau Fortes, para produção de cachaça.

Engenho São Sebastião, no Rio Japuret, de Anilo Martins Cardoso, para produção de cachaça.

Engenho Nazaré, no Rio Domingos, de Henrique Bittencourt, para produção de cachaça. Esse engenho, depois, passou para a propriedade de Viúva Henrique Bittencourt & Cia.

Engenho Recreio, no Rio Santo Antonio, de Leão & Filhos, para produção de cachaça.

Engenho Brasil, na localidade Brasil, Rio Santo Antonio, de JULIÃO SIMPLÍCIO DE OLIVEIRA, para produção de cachaça e álcool.

Engenho São Miguel, no Rio Maiuatá, de Sampaio Ltda., para produção de cachaça.

Engenho São Raimundo, no Rio Maiuatá, de Viúva Raimundo Lopes Sampaio & Filho Ltda., para produção de cachaça.

Engenho Santa Cruz, no Rio Panacuéra-Assu, de Viúva Vale & Cia., para produção de cachaça, álcool e açúcar branco.

Recebi de André Serrão, neto de Julião Simplício de Oliveira, o trecho de livro do escritor miriense Eládio Lobato, que relata parte da biografia desse antigo dono de engenho da vizinha cidade de Igarapé-Miri.

Esse trecho de livro enfatiza a ação da Justiça do Trabalho, cuja Junta de Conciliação e Julgamento que foi instalada em Abaetetuba em 1973, com jurisdição sobre alguns municípios vizinhos, inclusive Igarapé-Miri.

Na história dos engenhos de cana-de-açúcar para produção de cachaça, açúcar e outros gêneros, nossos historiadores locais, falando da decadência da indústria canavieira na região, citam a Justiça do Trabalho como um dos fatores para essa decadência. Porém, alguns engenhos já vinham enfrentando dificuldades de comercialização de seus produtos devido a outros fatores.

Nas pesquisas do blog a respeito dos antigos engenhos de Abaeté, entre os entrevistados nessas pesquisas, alguns donos de engenhos remanescentes dos anos de 1980, eram antigos empregados de engenhos que tinham se tornado proprietários desses mesmos engenhos, devido processos trabalhistas movidos contra seus antigos donos, que não tendo como pagar as elevadas somas desses processos, entregaram seus engenhos para quitar seus débitos trabalhistas.

Vamos reprisar alguns trechos da postagem que trata dos antigos engenhos de cana-de-açúcar de Abaeté e da decadência dos mesmos engenhos. Os mesmos trechos dos fatores que foram responsáveis pela derrocada dos engenhos de Abaeté, também foram os responsáveis pela derrocada dos engenhos de Igarapé-Miri.

No caso específico do engenho e outros negócios de Julião Simplício de Oliveira, conforme o texto de livro citado, parece que foi mesmo a Justiça do Trabalho a responsável pela decadência financeira do referido senhor. Clique e amplie a imagem.

O período dos engenhos de Abaeté, e região, se intensificou desde os fins do século 19, tendo alcançado sua fase áurea nas décadas de 1940, 1950 e 1960, tendo se constituído numa das principais fontes de riqueza local. Essa atividade econômica passou a sofrer uma irrecuperável estagnação, a partir da década de 1970, causada por uma série de fatores:
• A política nacional da economia, quando o antigo Instituto do Açúcar e do Álcool-IAA, decretou que a produção de açúcar e álcool ficaria restrito ao Nordeste e Sudeste do País, instituindo um nefasto monopólio, que veio se somar a outros problemas de nossa indústria canavieira.

• Os engenhos funcionavam em situação precária, com estrutura física degradada, produção artesanal vinda dos tempos provinciais e cada vez mais decadente, com muita sujeira e maquinário obsoleto. A falta de investimentos na modernização desses engenhos, o sistema de comercialização e os utensílios de engarrafamento da cachaça e outros produtos advindos da cana-de-açúcar, inviabilizaram a continuidade de produção de muitos engenhos. O maquinário dos muitos engenhos era importado, especialmente da Inglaterra, país que dominava a produção industrial do fim do fim do Século 19 e início do Século 20. A reposição das peças em ferro, aço e cobre deveria ser muito difícil e demorada, como também a substituição dos grandes tonéis de carvalho. Os utensílios de armazenamento da cachaça eram os mesmos dos fins do Século 19 e a venda, mais difícil ainda, pela falta de condições de repasse dos gêneros produzidos, especialmente a tradicional cachaça.

• A cultura de cana-de-açúcar era realizada em terreno de várzeas, ao longo das margens dos rios e igarapés, obtendo-se uma cana não muito produtiva, por falta de um preparo adequado do solo. O lavrador queria que a terra produzisse por si só, sem o auxílio de uma técnica adequada de plantio, fato que resultava numa baixa produtividade da variedade de cana plantada. Quem plantava cana eram os proprietários de engenhos ou lavradores ribeirinhos. Em muitos casos acontecia a meação no plantio de cana, entrando o senhor de engenho com as terras e o lavrador com o seu trabalho. No tempo do Coronel Aristides como intendente, anos de 1919 e 1920, Abaeté possuía uma área plantada de cana-de-açúcar de mais de 14.600.000m3, pelos senhores de engenho e outra área de mais de 4.200.000m3, pelos lavradores ribeirinhos. A cana plantada nas áreas de várzeas citada acima era chamada piajota, que é uma variedade de cana rústica, resistente às pragas e quase selvagem, mas pouco produtiva devido a sua pequena espessura.

• A entrada nos anos de 1970 no mercado local, estadual e nacional de produtos industriais bem melhores vindos do Sudeste e Nordeste do Brasil, mais baratos e com bom apelo de marketing.

• O mercado de nossos produtos, que não se ampliou, ficando restrito ao mercado local, Belém e o Baixo Amazonas.

• O tipo de relação de trabalho entre donos de engenhos com os seus empregados e fornecedores de cana-de-açúcar que se baseava no paternalismo dos donos de engenhos com ajuda aos familiares, sem vínculo empregatício e sem remuneração adequada e com o método do antigo sistema comercial do aviamento. Com o surgimento da Justiça do Trabalho esta começou a cobrar dos patrões os direitos dos trabalhadores e muitos engenhos foram à falência dessa forma. Em muitos casos os engenhos eram entregues aos próprios trabalhadores como pagamento de direitos trabalhista.

• Mudança dos donos de engenhos para a cidade de Abaeté ou Belém, deixando seus negócios nas mãos de terceiros.

• O sistema de transporte também era precário, existindo só algumas embarcações pequenas, que suportavam pouco peso e que só poderiam carregar algumas dezenas de garrafões e outros produtos da cana para serem negociados aleatoriamente na cidade, pois não havia um plano de vendas, uma organização sequer.

Em resumo, esses fatores foram comprovados por nós “in loco”: os engenhos não se atualizaram no que diz respeito ao maquinário usado na produção da cachaça, ficando naquela produção arcaica e quase artesanal; a matéria-prima, a cana-de-açúcar, não era de boa qualidade e produtividade; a qualidade da cachaça era razoável, mas o seu tipo de armazenamento era muito precário e mal direcionado nas vendas; os engenhos eram locais de muita sujeira, com a presença de muitos animais, como ratos, baratas, moscas e mosquitos e, com certeza, a presença de muitos microorganismos que não só prejudicavam a produção, como deviam ser agentes de muitas doenças e não havia a preocupação de fazer desses locais um ambiente limpo, com a desculpa de que o que interessava era só o produto final, a cachaça, que passava pelo processo de destilação e assim se tornava uma substância “pura”; não havia um incentivo à produção da cana-de-açúcar pelos lavradores, porque estes, via de regra, eram dependentes dos próprios “senhores de engenho” que adotavam um regime de quase escravidão aos seus empregados e fornecedores, que eram subjugados pela força política dos “coronéis” que constituíam, como em muitas partes do País, a “oligarquia” que dava rumo a vida política, social e financeira do lugar, mas essa elite ficou parada no tempo, quanto ao modo de sua produção comercial e industrial; o tipo de transporte usado no escoamento da produção também não era adequado para a colocação dos produtos dos engenhos nos mercados da época; a Justiça do Trabalho, através da implantação da Junta de Conciliação e Julgamento de Abaetetuba, que veio dar um “xeque-mate” na antiga relação de trabalho entre patrão e empregado, devido ao regime de exploração dos empregados, mas o problema foi o modo de como essa arbitragem foi feita, onde os empregados tinham a seu favor todos os “direitos” e os donos de engenho, como vimos no caso do engenho do Sr. Miguel Matos e também no de Julião Simplício de Oliveira, que entravam com o “prejuízo financeiro”, fato que detonou de vez a indústria da cana-de-açúcar na região. Hoje só resta a lembrança das riquezas geradas por essa indústria, que sustentou e enriqueceu por longos anos famílias inteiras e que após o enriquecimento, se mudaram para outros mercados e com novos tipos de comércio.

Acima vai reproduzido o texto do escritor Eládio Lobato enviado por André Serrão, neto de Julião Simplício de Oliveira, que reproduz com fidelidade a ação da Justiça do Trabalho em relação ao seu avô. Clique em cima para ampliar e leia o referido texto.
Ademir Rocha, de Abaetetuba/Pa, em 20/1/2010

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