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quinta-feira, 27 de janeiro de 2011

AMIGOS DO BLOG 1





CELSO DE ALENCAR

Muitas pessoas telefonam ou usam o endereço eletrônico do blog para acrescentar, corrigir, agradecer ou xingar alguns itens de nossas postagens. Foi através de um telefonema que viemos conhecer melhor o poeta e conferencista Celso de Alencar. Estávamos buscando matéria para fazer uma postagem para esse novo amigo do blog e, nem a propósito, recebemos uma postagem feita por sua sobrinha Michele Mourão e pesquisamos no Google trechos de sua biografia, trabalhos, comentários, produção e algumas de suas poesias que os levaram a receber o título de poeta revolucionário.

De posse de um de seus livros de poesias que deverá chegar muito em breve em minhas mãos tentarei esboçar alguns comentários a respeito dessa sua obra.

O que levou o Poeta Celso de Alencar a se comunicar com o autor do Blog do Professor Ademir Rocha foi a capa de um de seus livros de poesias que leva o nome de “Os Reis de Abaeté” que publicamos em uma de nossas postagens, que retiramos das postagens do abaetetubense Clóvis de Figueiredo Cardoso, advogado em Cuiabá/Mt.

Ele tem ligações com o Pará e com Abaetetuba, apesar de morar em São Paulo. Leiam seu perfil e algumas de suas poesias.fantasias.

Páginas 24 de janeiro de 2011

Tio poeta - Celso de Alencar

Meu tio, irmão da minha mãe, nascido no Ceará, Celso de Alencar mudou cedo para São Paulo, deixou a familia em Abaetetuba no Pará. O pai, dele, meu avó era vereador na cidade. Nunca convivi com nenhum dos dois ele, somente aos 26 anos quando uns dias conhecendo São Paulo, visitei-o no Largo 13, em Santo Amaro.

Conhecido como poeta revolucionário é o tio que nunca tive, simpático e brincalhão, tem uma rotina metodica, quase uma poesia. Acorda cedo. Lê o jornal. Toma café com açucar mascavo. Gosta de suco de melancia e jamais toma remédio para dor de cabeça.

É tradutor da poesia do nicaragüense Rubén Darío e intérprete da poesia de Mao Tse Tung. É autor de Tentações (1979), Salve Salve (1981), Arco Vermelho (1983, 1985 e 1992), Os Reis de Abaeté (1985), O Pastor (1994, infanto-juvenil), O Primeiro Inferno e Outros Poemas (1994 e 2001), Sete (2002), A Outra Metade do Coração (CD- antologia poética), Testamentos (2003).

Participou de diversas antologias entre as quais Poesia Contemporânea Brasileira (2001, ed. Alma Azul, de Coimbra), Poesia do Grão-Pará (2001), Scène Poétique (2003, dez poetas brasileiros e dez franceses, edição Cena e Consulado da França em São Paulo), Quando Freud Não Explica Tente a Poesia (2007), além de publicações em revistas e periódicos. Palestrante e integrante de diversos júris de concursos de poesia. Ex-diretor da União Brasileira dos Escritores (gestão 1990/92 e 1992/94).


NÃO ESQUEÇAMOS AS VELHAS AMIGAS DE 1925

As mulheres nuas.

Aquelas colocadas sobre as portas

que se levantavam dentro das casas.

As que exalavam aromas leves

de lírios recém-nascidos.

Seus seios prolongados.

Suas pernas extensas e derramadas

no próprio coração e na orelha que se estendia.

As bocas sinuosas tombadas

sobre as batatas cozidas.

As mandíbulas separadas pelos dentes

que se cortavam e se distraíam.

Suas mãos que se escondiam

entre as pernas, dentro da genitália sombreada e vazia.

Não esqueçamos as velhas amigas de 1925.


A cor dos seus olhos iluminados.

As nádegas arredondadas sobre as coxas.

Seus dedos indicando o caminho

da cidade onde se encontrava o rio.

Suas palavras mais antigas

cantadas pelos olhos solidários

e pela haste que se ocultava

na garganta incendiada e multiplicada

por trinta e uma e mais cinco.

O doce que se extraia de seus lábios estremecidos

e acordados nas manhãs reconstituídas.

A pele que brotava da própria pele

como se fosse de aves rejuvenescidas.

Não esqueçamos as velhas amigas de 1925.


Não esqueçamos

seus vestidos estampados.

Suas maquiagens avermelhadas.

Suas testas de onde saíam

facas sujas de leite e pão.

Seus cachorros de raça alemã.

Suas bacias onde lavavam roupas íntimas.

Seus braços finos esticados sobre a cabeça.

Seus talheres de prata importada.

Suas línguas de mistério, delicadeza e furor.

Suas loucuras quando tratavam da morte

e daquilo que as fecundavam.

Não esqueçamos a chuva e a noite,

as fotografias com dedicatória.

Os cabelos escondendo as costas.

O delírio debaixo das mesas silvestres.

O amor prenunciado e indestrutível.

Não esqueçamos as velhas amigas de 1925.



O Primeiro Inferno

"Todo homem cuja Pátria sucumbe;
cuja Pátria sucumbe como se fosse
folhas secas de mangueira
– devoradas por saúvas –
merecerá o inferno.
Não o inferno de sua herança, a Pátria,
E sim o inferno do Nada."

Celso de Alencar

25 de janeiro de 2011 04:49

Outros Comentários de A. Miranda:

Poeta e declamador paraense, radicado em São Paulo desde 1972. Sobre Celso de Alencar, o poeta e crítico Cláudio Willer, afirma que se trata do mais enfático poeta contemporâneo brasileiro, enquanto o compositor e poeta, Jorge Mautner, o considera um poeta da 4ª dimensão, escandalizador e libertador de almas. É reconhecido entre os grandes talentos da geração de 70. A convite apresentou-se na Inglaterra, França e Portugal.

É tradutor da poesia do nicaragüense Rubén Darío e intérprete da poesia de Mao Tse Tung. É autor de Tentações (1979), Salve Salve (1981), Arco Vermelho (1983, 1985 e 1992), Os Reis de Abaeté (1985), O Pastor (1994, infanto-juvenil), O Primeiro Inferno e Outros Poemas (1994 e 2001), Sete (2002), A Outra Metade do Coração (CD- antologia poética), Testamentos (2003).

Participou de diversas antologias entre as quais Poesia Contemporânea Brasileira (2001, ed. Alma Azul, de Coimbra), Poesia do Grão-Pará (2001), Scène Poétique (2003, dez poetas brasileiros e dez franceses, edição Cena e Consulado da França em São Paulo), Quando Freud Não Explica Tente a Poesia (2007), além de publicações em revistas e periódicos. Palestrante e integrante de diversos júris de concursos de poesia. Ex-diretor da União Brasileira dos Escritores (gestão 1990/92 e 1992/94).

Celso de Alencar nasceu em Belém, Pará, a 3 de agosto de 1949. Publicou, entre outros: Tentação, Borghi Editora, 1979; Arco Vermelho, 1983 (1ª edição), 1985 (2ª edição), 1991 (3ª edição); Salve Salve, 1982; Os reis de Abaeté, João Scortecci Editor, São Paulo, 1991; O primeiro inferno e outros poemas, Editora Maltese, 1994, e O Pastor, Cejup, Belém, 1996. Participou das antologias Papel Arroz, Ensaio IV, Água 1, Folhetim, Ensaio V.


Poema da antologia Fui Eu

A última notícia de tia Ethel
Foi de médico a notícia do desvio
vaginal de minha tia Ethel.
Foi figura popular em nossa cidade.
A mulher de buceta torta.
Teve ela, ainda assim, uma dúzia
de filhos, entre os quais, cinco estão mortos.
Tia Ethel já não vive.
Carregou na névoa uma absurda história
de lábios de madeira de lei,
pombos que não conheciam a arte do segredo
e longas feridas entre os dedos das mãos.
Não se sabe ao certo a sua dor.
Discreta, confinou-se no campo,
colhendo arroz, feijão, entremanhãs,
marcas de velas e cinzas da vida. Fui Eu

Celso de Alencar

________________________________________
Poema da antologia Fui Eu EPITÁFIO

Aqui jaz um passarinho.
Foi encontrado morto na rua
e velado sobre o tubo de ferro
que ornamenta a entrada deste prédio.
Seu corpo ainda estava quente
quando foi colocado sobre este
jardim de poeira marrom.
Morreu distante da família
assim como morrem os loucos
internados e abandonados
nos manicômios de Minas Gerais.
Certamente ainda hoje
os funcionários da limpeza
o levarão para o lixo.
Então essas palavras serão
apenas palavras de morte.

Celso de Alencar

Poemas Perversos, livro de poemas

Com um abraço do amigo: Prof. Ademir Rocha.

2 comentários:

  1. É por esse motivo que o divulgo, além de ser-lhe muito grata, Prof. Ademir.
    Ao Senhor devemos um monte de informações importantes da nossa cultura, que se não fossem divulgadas pelo seu Blog , como o resultado de suas pesquisas, estariam perdidas para sempre.

    Parabéns, pelo seu louvável trabalho de pesquisa, Prof Ademir!

    Um abraço

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  2. Cara Lígia Saavedra,
    Agradeço pelos elogios, mas seu blog de divulgação dos artistas, das artes poéticas e das artes musicais, além da cultura do Pará, é nota mil.
    Di amigo: Prof. Ademir Rocha

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