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sábado, 9 de junho de 2012

BRINQUEDO DE MIRITI E LITERATURA


BRINQUEDOS DE MIRITI DE ABAETETUBA & LITERATURA

Fonte: Blog do Pedrox       pedrox.com.br
Na próximo dia 15 de junho, a partir das 18h30, acontecerá, no Hall do Teatro Margarida Schivasappa, o lançamento em Belém do projeto“Da Cor do Norte – Brinquedos de Miriti”, edição de um caixa com miniaturas dos brinquedos produzidos pelos artesãos do município de Abaetetuba (foto ao lado) e de um livro mostrando todo o processo, desde a coleta do miriti, a fabricação dos brinquedos com foco na cena lúdica a que os mesmos se referem e sua estreita ligação com o Círio de Nazaré.

O livro foi escrito pelo poeta e escritor João de Jesus Paes Loureiro e fartamente ilustrado com fotografias de Jarbas Oliveira, um grande fotógrafo cearense. Consiste numa analise interpretativa dos brinquedos de miriti de Abaetetuba sob o ponto de vista da sua poetica e ao mesmo tempo das dimensões psicológica, filosófica, imaginária, estética, social e cultural.

Fotos: Jarbas Oliveira/Divulgação.
Paes Loureiro diz que recebeu o convite com entusiasmo e emoção. ”Nasci em Abaetetuba e os brinquedos de miriti são um dos tesouros de minha infância nos meus guardados da alma”, diz o escritor, cuja tese de doutorado na Sorbonne, foi publicada com o nome de “Cultura Amazônica – Uma poética do imaginário”, onde há um capítulo sobre o brinquedo de miriti.
Foto: Jarbas Oliveira/Divulgação.
Para o escritor, o trabalho foi sonho tornado real, pois a primeira exposição dos brinquedos de miriti como objetos de artesanato artístico, tanto em Belém como no Museu Nacional do Folclore do Rio de Janeiro, foi proposta de Paes Loureiro. “Costumo dizer que o Círio de Nazaré tem três signos fundamentais: A Santa na Berlinda – símbolo da Fé; a Corda – símbolo da devoção e o brinquedo de Miriti de Abaetetuba – símbolo da cultura artística”, explica.
Foto: Jarbas Oliveira/Divulgação.
Durante o evento haverá sessão de autógrafos dos autores Paes Loureiro e Jarbas Oliveira, responsável pelas fotografias. O material foi produzido com o apoio do Ministério da Cultura através da Lei Rouanet, teve o patrocínio da Paragás e Schincariol e a execução da Lumiar Assessoria e Editora.
Serviço:
Lançamento em Belém do projeto “Da Cor do Norte – Brinquedos de Miriti”
Quando? Sexta-feira, 15 de junho de 2012. A partir das 18h30.
Onde? No Hall do Teatro Margarida Schivasappa, no Centur (Av. Gentil Bittencourt, n°650).
http://pedrox.com.br/wp-content/uploads/2012/06/Da-Cor-do-Norte34-1024x667.jpg


PAES LOUREIRO

Diário do Pará

Paes Loureiro lança ensaio sobre o miriti


A primeira etapa da pesquisa de João de Jesus Paes Loureiro para compor o livro “Da Cor do Norte: Brinquedos de Miriti”, foi brincando com o objeto de estudo quando criança. Natural do município paraense de Abaetetuba, considerado o berço da técnica de artesanato, ele teve sua infância marcada pelo colorido dos bonecos e barcos entalhados em madeira.

“O Círio não estava completo sem um deles. Em minha casa, os brinquedos de miriti não se resumiam ao meu quarto, estavam espalhados pela casa como decoração”, relembra o escritor de 72 anos.

Apesar da familiaridade com o tema, a ideia do livro partiu de um convite da editora Lumiar. O trabalho encomendado a Paes Loureiro consistia em um pequeno prefácio para acompanhar o registro do fotógrafo cearense Jarbas Oliveira realizado durante o Círio do ano passado. O material entregue pelo pesquisador resultou um ensaio de em mais de 200 páginas. O projeto foi produzido com o apoio do Ministério da Cultura através da Lei Rouanet, com o patrocínio da Paragás e Schincariol.

Em seu trabalho, o escritor analisa aspectos da manifestação cultural como sua relação com as festividades nazarenas e o papel como símbolo estético de representação do cotidiano amazônico. Em sua tese, ele sustenta que o brinquedo de miriti de Abaetetuba deve ser considerado uma forma de criação artística coletiva.

“O brinquedo de miriti mantém uma particularidade, um estilo. É uma criação dos artesãos de Abaetetuba que utiliza uma técnica diferenciada, uma tipologia própria. E é uma cultura viva que está sempre se reinventando, sempre acrescentando novos objetos ao seu vocabulário. Tem gente que esculpe não só os personagens tradicionais como a canoa, a cobra, mas inventam peças complexas como carros e robôs. Não é mera repetição como o artesanato que conhecemos”, afirma.

Pendendo para o conceito de “livro arte”, como define o autor, “Da Cor do Norte” - que vem, inclusive, encartado em uma caixa com miniaturas dos brinquedos de miriti- não se preocupa em documentar de forma fidedigna a atividade, funcionando mais como uma observação empírica do escritor.

Parte da pesquisa feita para o livro foi retirada da tese de doutorado em Sociologia da Cultura defendida por ele na universidade de Sorbonne, na França. Paes Loureiro tem uma vasta produção literária que abarca campos como o da poesia, textos teatrais, composições musicais, até chegar em ensaios teóricos sobre arte e cultura amazônica.

“Não me preocupei em fazer um livro definitivo sobre o assunto ou um documentário. Fui simplesmente aprofundar aquilo que pensava e sentia. Fui em Abaetetuba conversei com artesãos. Expandi algumas das entrevistas que já tinha feito e faziam parte do meu acervo. O resto foi pura vivência”, explica.

A parte documental fica a cargo do fotógrafo Jarbas Oliveira que segue desde a extração do miriti, até a confecção dos brinquedos no município de Abaetetuba, passando pelo Círio.

Relação espontânea com o Círio

Artesanato típico do período do Círio, comemorado em Belém no 2º domingo de outubro, o brinquedo é confeccionado a partir da madeira da palmeira do miriti, árvore comum nas áreas de várzea da Amazônia, apreciada pelos artesãos pela sua leveza e facilidade para o entalhe.

O artesanato reflete o cotidiano do ribeirinho. Os temas mais recorrentes estão ligados a animais como a cobra, o tatu e pássaros; as canoas que utilizam para a pesca, a atividade de pilar comida.

Mas a importância econômica da atividade não se restringe ao brinquedo. Da palmeira é possível se aproveitar quase tudo. Do tronco são retiradas as talas, utilizadas para construção de paneiros. Do fruto é feito doce, mingau e sucos. As folhas são usadas para forrar os telhados das casas dos ribeirinhos.

“Em Abaetetuba, o brinquedo ainda continua uma tradição fortíssima ainda. O miriti é uma das principais atividades econômicas da população, sendo o brinquedo sua maior expressão. É o que sustenta ao longo do ano, mas principalmente por causa do Círio”, conta Paes Loureiro.

Não se sabe ao certo quando o brinquedo foi incorporado às comemorações religiosas, mas, segundo a pesquisa do autor, existem registros dele datando do século XIX. A tradição fez com que o artesanato ganhasse uma carga religiosa: é comum ver devotos carregando representações de miriti como promessa a santa.

“A relação com o Círio foi espontânea. Os artesãos perceberam na época que poderiam vender mais durante o período. Entretanto, hoje ela extrapolou o simples comércio para se firmar como um dos três signos fundamentais do Círio de Nazaré. É a berlinda com a santa, como signo da fé, a corda , como signo da crença, e o brinquedo, como signo da cultura”, defende.

Prestigie

O lançamento do livro “Da Cor do Norte: Brinquedos de Miriti”, escrito por João de Jesus Paes Loureiro , com fotografias de Jarbas Oliveira acontece hoje (15), às 18h30, no Hall do Teatro Margarida Schwazzapa, no Centur (Gentil esquina com Rui Barbosa). O evento compõe a programação do Encontro Norte e Nordeste de Produtores Culturais de Fotografia (ENNEFOTO.12).
Fonte: www.diariodopara.com.br
(Diário do Pará)



IOLANDA PARENTE: Publicação de Livro sobre História/Memória familiar e aspectos de Abaetetuba e impressões pessoais:

Iolanda Brasileiro Parente, filha de Abaetetuba, também lança o livro "Retratos da Vida", pelas Livraria Fox e Editora Paka-Tatu, que fala de sua vida profissional, de sua família e de sua infância e juventude em Abaetetuba. Impressão do Blog do Ademir Rocha: É um importante livro de resgate da história e memória de aspectos da vida de Abaetetuba e das tradicionais famílias Parente e Calliari e da vida profissional da autora.

Reproduzido pelo Blog do Ademir Rocha, de Abaetetuba/PA - Vide postagem original no endereço eletrônico acima

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