Panelas de barro
QUILOMBOLAS: CULTURA
E PANELAS DE BARRO
Fonte: www.agenciapara.com
Da Redação
Agência Pará de Notícias
Atualizado em 27/05/2012 às 17:35
Na Feira
da Agricultura Familiar da Amazônia Legal (Agrifal), que a Empresa de
Assistência Técnica e Extensão Rural do Pará (Emater) promove até domingo (27),
no Hangar – Centro de Convenções e Feiras da Amazônia, quilombolas da
Associação Quilombola de África e Laranjituba, que representa duas comunidades
de Abaetetuba, no nordeste paraense, estão expondo seus modos de produção
artesanal e vendendo panelas de barro.
No espaço
“Ilha Temática da Sociobiodiversidade”, artesãos da comunidade África fabricam,
ao vivo, peças de cerâmica, e o visitante pode participar do processo, sentando
no torno e colocando a mão na massa, ou presenciar as etapas da fabricação, que
incluem modelagem do barro com um rolo de madeira, tempo de secagem e
acabamento a partir da esfregação com caroços de tucumã e anajá.
No mesmo
espaço, há uma gamela (espécie de pia) feita com tronco de cupiúba e repleta de
banho-de-cheiro, disponível a quem quiser “se purificar ou se curar”, como
explica a quilombola Catarina Nascimento. Segundo ela, o banho-de-cheiro no
qual o visitante da Agrifal pode mergulhar as mãos diretamente ou mesmo dali
encher garrafinhas é “um santo remédio, curando de coração partido à gripe de
criança”. A mistura é toda de ervas amazônicas, como manjericão, japana, cedro,
cipó-curimbó e pião-roxo.
Ainda na
ilha, há outros exemplos de artesanato quilombola, como enfeites feitos de
“vassoura” (parte do cacho, sem os frutos) de açaí e móveis de madeira nativa.
Uns passos à frente, dentro dos corredores da Agrifal, um estande da Associação
África e Laranjituba expõe e vende panelas diversas, que são o carro-chefe do
artesanato quilombola da região de Abaetetuba, Moju, Baião e Concórdia do Pará.
As
panelas são produzidas com barro retirado do fundo do igarapé Caeté, que corta
as comunidades. Representando um resgate da ancestralidade quilombola, os
utensílios foram abandonados por um tempo pelas gerações atuais e só voltaram a
ser considerados há cerca de dois anos, com o incentivo da Emater e do Serviço
Brasileiro de Apoio às Micro e Pequenas Empresas (Sebrae).
Atualmente,
são produzidas por mês cerca de 200 panelas estilizadas (com motivos animais,
em alto relevo – em geral, caranguejos e cobras – vendidas diretamente nas
comunidades e em dois pontos permanentes de Belém: na Fundação Curro Velho, no
Telégrafo, e no Mercado de São Brás, pela Cooperativa dos Micro Produtores e
Artesãos (Comip). No verão, cada panela demora 15 dias para ficar pronta; no
inverno, esse período pode chegar a um mês. O lucro dos quilombolas alcança os
70%, porque a matéria-prima é toda reciclada ou baseada na natureza.
Na
Agrifal, as panelas médias, que costumam ter mais saída, custam por volta de R$
40. Segundo o artesão Magno Nascimento, os objetos, se bem cuidados, podem
durar séculos, literalmente. “Nas comunidades, temos panelas de mais de 300
anos”, conta. Nascimento garante também que o preparo de comida em panelas de
barro é, em todos os sentidos, muito mais vantajoso do que aquele em panelas de
alumínio.
“A
ciência já provou que cozinhar no alumínio libera partículas do metal muito
danosas à saúde. O barro, se soltar, não faz mal nenhum. Além disso, a comida
feita em panelas de barro fica mais gostosa e se mantém aquecida por muito mais
tempo, quando retirada do fogão”, afirma. A Agrifal funciona até às 22 horas. O
acesso à feira é livre e gratuito. À noite, haverá show do Arraial do
Pavulagem. O ingresso é um quilo de alimento não-perecível.
Texto:
Aline Miranda - Emater
Aline Miranda - Emater
Reproduzido pelo Blog do Prof. Ademir Rocha, de Abaetetuba-PA

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