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quinta-feira, 3 de maio de 2012

JURUBEBA: VEGETAIS DA AMAZÔNIA


MEMÓRIAS DA JURUBEBA

 
Poucas pessoas dão atenção e valor à planta “jurubeba”. É apenas um mato espinhento e cheio de “formigas de fogo”, devem dizer. Porém a jurubeba teima em se apresentar em nosso caminho.

 
Um bonito e saudável pé de jurubeba está a nascer ali onde se constrói a nova ala de 3 pavimentos da Escola São Francisco Xavier, crescendo apegado a uma parede improvisada de madeira e entre as pedras da calçada da pracinha da Escola. Em ninguém despertava atenção aquele “mato”, já cheio de flores e com seus espinhos prontos a ferir os menos avisados e as formigas de fogo, que são suas parceiras permanentes. Pobre pé de jurubeba! Está com os seus dias contados! O bonito  e novo prédio da Escola São Francisco não vai querer um pé de jurubeba, logo ali no seu centro.

Porém esse pé de jurubeba nos trouxe, logo ao avistá-lo hoje, belas recordações dos moleques de Abaetetuba nos anos de 1950, 1960.

A jurubeba é um mato (para nós é uma planta) dos quintais ermos, dos matagais de beiras de estradas e ramais ou até mesmo de escolas, como esse pé de jurubeba na Escola São Francisco.

A jurubeba é um arbusto da mesma família do tomate, pensamos nós, que possui folhas e galhos cheios de espinhos. E na época das floradas, que é qualquer época, ela se enche de umas flores amarelas em meio às sépalas brancas (que dá a impressão de ser uma flor de cor branca com pontos amarelados). As flores dão origem a cachos de umas frutinhas de cor verde, que maduras, se tornam vermelhas e, nesse ponto, se enchem de formigas de fogo. As formigas de fogo não estão ali por causa das frutinhas de jurubeba e sim estão ali em relação com uns tipos de piolhos brancos e estes devem produzir algumas substâncias adocicadas, que chamam a atenção das formigas de fogo.

Porém, as formigas de fogo, junto com os pontiagudos espinhos da jurubeba, se tornam como que proteções invioláveis das frutinhas vermelhas da jurubeba. Quem se atreve a levar furadas de espinhos e picadas das ferozes formigas de fogo? Claro, os moleques de Abaetetuba, que saíam a passarinhar ou coletar sacaí para as fogueiras de São Marçal. Na folga desses trabalhos, mesmo com as furadas de espinhos e picadas das formigas de fogo, íam se deliciar com as frutinhas de jurubeba, com os melões de São Caetano ou com as “marias-pretinhas”, todas frutas de plantas arbustivas da beira do mato e, após as passarinhadas, a coleta de sacaí, das furadas de espinhos e picadas de formigas de fogo, existia ali perto o Igarapé do Atalaia, ou o Igarapé Jarumãzinho, para o banho refrescante de águas correntes, que suavizavam o suor e as furadas e picadas no meio do mato, sem contar os cortes nos braços e pernas do amolado capim juquiri.

Voltando à jurubeba, os piolhos brancos estabelecem o seu habitat nos pés de jurubeba, as formigas de fogo fazem relação alimentar com esses piolhos, defendendo-os e, consequentemente, defendendo a jurubeba e seus frutinhos de visitantes indesejáveis e as formigas, ganham dos pulgões o açúcar que tanto as atraem. 

Quem dá valor jurubeba? Somente quem recebeu milhares de espetadas de espinhos de jurubeba e picadas de formigas de fogo!


Blog do Prof. Ademir Rocha, de Abaetetuba/PA

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