MEMÓRIAS DA JURUBEBA
Poucas pessoas dão atenção e
valor à planta “jurubeba”. É apenas um mato espinhento e cheio de “formigas de
fogo”, devem dizer. Porém a jurubeba teima em se apresentar em nosso caminho.
Um bonito e saudável pé de
jurubeba está a nascer ali onde se constrói a nova ala de 3 pavimentos da
Escola São Francisco Xavier, crescendo apegado a uma parede improvisada de
madeira e entre as pedras da calçada da pracinha da Escola. Em ninguém despertava
atenção aquele “mato”, já cheio de flores e com seus espinhos prontos a ferir
os menos avisados e as formigas de fogo, que são suas parceiras permanentes. Pobre
pé de jurubeba! Está com os seus dias contados! O bonito e novo prédio da Escola São Francisco não vai
querer um pé de jurubeba, logo ali no seu centro.
Porém esse pé de jurubeba nos
trouxe, logo ao avistá-lo hoje, belas recordações dos moleques de Abaetetuba
nos anos de 1950, 1960.
A jurubeba é um mato (para nós é
uma planta) dos quintais ermos, dos matagais de beiras de estradas e ramais ou
até mesmo de escolas, como esse pé de jurubeba na Escola São Francisco.
A
jurubeba é um arbusto da mesma família do tomate, pensamos nós, que possui
folhas e galhos cheios de espinhos. E na época das floradas, que é qualquer
época, ela se enche de umas flores amarelas em meio às sépalas brancas (que dá
a impressão de ser uma flor de cor branca com pontos amarelados). As flores dão
origem a cachos de umas frutinhas de cor verde, que maduras, se tornam
vermelhas e, nesse ponto, se enchem de formigas de fogo. As formigas de fogo não
estão ali por causa das frutinhas de jurubeba e sim estão ali em relação com
uns tipos de piolhos brancos e estes devem produzir algumas substâncias
adocicadas, que chamam a atenção das formigas de fogo.
Porém, as formigas de fogo,
junto com os pontiagudos espinhos da jurubeba, se tornam como que proteções
invioláveis das frutinhas vermelhas da jurubeba. Quem se atreve a levar furadas
de espinhos e picadas das ferozes formigas de fogo? Claro, os moleques de
Abaetetuba, que saíam a passarinhar ou coletar sacaí para as fogueiras de São
Marçal. Na folga desses trabalhos, mesmo com as furadas de espinhos e picadas das
formigas de fogo, íam se deliciar com as frutinhas de jurubeba, com os melões de
São Caetano ou com as “marias-pretinhas”, todas frutas de plantas arbustivas da
beira do mato e, após as passarinhadas, a coleta de sacaí, das furadas de
espinhos e picadas de formigas de fogo, existia ali perto o Igarapé do Atalaia,
ou o Igarapé Jarumãzinho, para o banho refrescante de águas correntes, que suavizavam o suor e as furadas
e picadas no meio do mato, sem contar os cortes nos braços e pernas do amolado capim juquiri.
Voltando à jurubeba, os piolhos
brancos estabelecem o seu habitat nos pés de jurubeba, as formigas de fogo
fazem relação alimentar com esses piolhos, defendendo-os e, consequentemente, defendendo
a jurubeba e seus frutinhos de visitantes indesejáveis e as formigas, ganham
dos pulgões o açúcar que tanto as atraem.
Quem dá valor jurubeba? Somente
quem recebeu milhares de espetadas de espinhos de jurubeba e picadas de
formigas de fogo!
Blog do Prof. Ademir Rocha, de
Abaetetuba/PA
essa planta é mesmo incrível! obrigada por escrever sobre ela <3
ResponderExcluirAdorei seu texto.Gratidão imensa.Tenho uns 6 pés de Jurubeba em meu quintal,aqui em São Paulo.
ResponderExcluirmenino, eu gostaria muito se essas afirmações sobre os piolhos na jurubeba são baseados em artigos científicos... estava fazendo um trabalho sobre esse espécie de planta.
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