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terça-feira, 12 de fevereiro de 2013

CLÃ 2 PARENTE/CALLIARI: GENEALOGIA, HISTÓRIA/MEMÓRIA


CLÃ 2 PARENTE/CALLIARI: GENEALOGIA, HISTÓRIA/MEMÓRIA
Nicola Maria Parente, um dos patriarcas
da Família Parente/Calliari de Abaetetuba/PA


PARTE 2
1ª G, PAIS DE NICOLA MARIA PARENTE:
2ª G/Filhos/F, NICOLA MARIA PARENTE/Velho Nicolau, nascido em Marsico Nuovo, Sul da Itália, às proximidades da Província de Basilicata, em 1846 e falecido em 19/2/1912 em Abaeté/PA pela explosão de um gerador movido a oxigênio por ele inventado, conforme escritos de seus descendentes, veio para o Brasil em 1865 (outra informação diz que Nicola Maria chegou ao Brasil em 1870), em plena 3ª onda migratória italiana do Século 19, trazendo consigo sua esposa Carolina Rottundo, esta grávida e tendo o filho, 3ª G/Netos/N: Garibaldi Parente em plena viagem em alto-mar (logo Garibaldi Parente nasceu em 1865 ou 1870, segundo a 2ª versão), conforme relatos familiares e Nicola Maria Parente imigrou para o Brasil trazendo 2 filhos, 3ª G/Netos/N: Galileu e Margarida Parente e dois irmãos, 2ª G/Filhos/F: Cármine e João Parente.
NICOLA MARIA PARENTE trouxe consigo, ou aqui se encontrou com a sua 1ª esposa Carolina Rottunda (Carmela) e os filhos, 3ª G/Netos/N: Galileu, Margarida e Garibaldi e seus irmãos, 2ª G/Filhos/F: Carmine e os primos, 2ª G/Filhos/F (conforme a 2ª versão familiar) descendentes de outros irmãos de Nicola Maria Parente: João, Georgina e Luigi, tendo essas famílias se estabelecido na cidade de Taquari/RS e, posteriormente, Nicola Maria percorreu as cidades de São Paulo, Salvador, João Pessoa, Fortaleza e outras cidades brasileiras. O primo Luigi de Garibaldi fixou residência em Fortaleza/CE. Parte dessas famílias chegou em Abaeté por volta do ano de 1896, em pleno Ciclo da Borracha e dos abundantes produtos naturais da Amazônia, quando esta era apenas um extenso vale verde, desabitado e selvagem e com  grandes extensões de matas e rios.

CAROLINA ROTTUNDO:
CAROLINA ROTTUNDO, foi a 1ª esposa de Nicola Maria Parente e que, conforme relatos da família veio grávida de Nicola Maria Parente para o Brasil em 1865 e teve esse filho, 3ª G/Netos/N, Garibaldi Parente durante a viagem e na mesma viagem Carolina faleceu durante a viagem para o Brasil, possivelmente vítima de complicações do parto de seu filho Garibaldi Parente ou foi vítima de uma das doenças comuns daquela época e que vitimavam também os tripulantes e passageiros dos antigos navios vapores em viagens pelo Oceano Atlântico. Como não existiam os procedimentos de conservação dos corpos dos falecidos, estes eram jogados em alto-mar.
Carolina Rotundo é a verdadeira bisavó materna de Iolanda Parente e Marcela Josephina Calliari Parente, pois ambas são netas de Garibaldi Parente, e este, ao que parece, o verdadeiro dono ou herdeiro dos bens de Nicola Maria Parente. Vieram também para o Brasil os demais filhos, 3ª G/Netos/N, do Velho Nicolai: Galileu e Margarida e os irmãos, 2ª G/Filhos/F, do Velho Nicolau, Carmine e João Parente. Galileu Parente e Margarida Parente são filhos de Nicola Maria com mãe não citada. Esses são os 7 italianos, da família Parente, que vieram para o Brasil na onda migratória de italianos, na 2ª metade do século 19, contando com Carolina Rotundo e o bebê Garibaldi Parente.
Outra versão sobre Carolina Rottundo diz que Nicola Maria Parente a conheceu no Rio Grande do Sul e lá casaram. O certo é que Nicola Maria e Carolina Rottundo é que são os pais de Garibaldi Parente, e este, junto com o seu pai, são de muita importância histórica para Abaeté. Foi Nicolau Maria Parente que trouxe o cinema para o Brasil em 1897 e para o Pará, em 1911.
Nicola Maria Parente/Nicolau como aventureiro e visionário, conhecia Paris e estava à par das últimas invenções, como a fotografia e o cinema. E Nicolau viajou do Brasil para a Itália e para a França em 1896 (com 50 anos de idade). Os irmãos Luminiere inventaram o cinematógrafo em 1895 e Nicolau foi para se encontrar (ou já morara anteriormente na França?) com os irmãos Luminieri e Nicolau trouxe da França um desses aparelhos, de acordo com o contrato firmado com os irmãos Luminieri e Nicolau Maria Parente começou a fazer suas apresentações cinematográficas pelo Brasil, tornando-se o 1º a fazer apresentações dessa arte em alguns estados brasileiros, como foi também o 1º fotógrafo em muitas cidades brasileiras pelas suas andanças pelo Brasil. Vide abaixo.
O deslumbramento das pessoas diante de imagens
em Movimento projetadas sobre uma superfície branca e lisa

Citações e Informações Sobre Nicola Maria Parente em Abaeté:
·         Nicolau Maria Parente/Velho Nicolau foi comerciante em Abaeté, com a firma Nicola Parente & Filhos, e com comércio no Rio Abaeté/Abaeté/Pa, em 1922.
·         O velho Nicolau e seus familiares foram pioneiros na área de exibição de filmes na Paraíba, na Bahia e no Pará, no início do séc. 20, por volta de 1910/1911, tendo trazido da França e Itália os equipamentos e materiais necessários à exibição de filmes e da nascente arte fotográfica. 
·         Em Abaeté o cinema dos italianos funcionava ali no local onde funcionou o antigo “Cine Imperador”, quando ainda não existia iluminação elétrica em Abaeté. A iluminação era feita a partir de lampiões à base de carbureto. Dois desses lampiões ficavam na entrada do cinema, colocados em dois sustentáculos em forma de anjos, para iluminar a entrada do cinema. Essas figuras em anjo ficaram guardadas na casa de uma das filhas de Júlio Calliari e Lectícia Carmela, de nome Roma Parente Calliari, na atual Av. D. Pedro II/Abaeté/Pa.

ATIVIDADES EXERCIDAS POR NICOLA MARIA PARENTE: 
Como Iolanda Parente cita em seu livro de memórias “Retratos da Vida”, Nicola Maria Parente foi “o homem dos sete instrumentos”, “o homem das mil artes”, e como curioso e pesquisador que era, dominava conhecimentos não só sobre cinema e fotografia, como de uma série enorme de atividades de sua época. Com esses conhecimentos em diversas atividades profissionais, certamente que Nicola Maria não veio para trabalhar para terceiros nas plantações de café ou cacau no Brasil, mas veio para explorar as oportunidades que o Brasil proporcionava aos aventureiros que quisessem se arriscar nas diversas atividades que a propaganda brasileira anunciava no exterior, pois como era altamente dotado de conhecimentos técnicos de nascentes profissões surgidas no século 19 na Europa, profissões que exigiam razoável conhecimento para a sua prática, conhecimentos que extrapolavam em muito os de seus compatriotas italianos que vieram para o Brasil para trabalhar nas lavouras de café, cacau e outras do fim do Século 19 e início do Século 20.

Tipógrafo: 
Quando Nicola Maria Parente veio para o Brasil a arte da Typographia  era nascente no País. Foi Nicola Maria Parente que possivelmente trouxe para Abaeté, no início do Século 20 a 1ª máquina typográphica, aparelho no qual eram impressos os antigos jornais de Garibaldi Parente e outros impressos.
Além de apresentador de sessões de cinema e fotógrafo profissional que assinava seus trabalhos fotográficos, no Brasil, Nicola Maria possivelmente possuía aparelhos de “typographia” que o ajudavam na profissão de fotógrafo. A atividade tipográfica era nascente no Brasil e, possivelmente, foi Nicola Maria Parente quem trouxe o “typographo”  para Abaeté, onde eram impressos os jornais e impressos diversos da Firma Nicola Parente & Filhos e para terceiros. Sobre os antigos objetos da atividade de fotografia de Nicola Maria Parente, Iolanda Parente faz o seguinte comentário: “Caixa com daguerreótipos, vidros com impressões fotográficas em preto e branco, tubos de ensaios”, material que se perdeu como “tralhas velhas”.
Dentista/Protético:
Na Paraíba e no Ceará, Nicola Maria Parente, além de citado como apresentador de sessões de cinema e nas artes fotográficas, o mesmo é citado como dentista/protético e dominava a fabricação de dentaduras postiças. Essa função era delicada e exigia de seus praticantes uma esmerada habilidade e conhecimentos para o seu exercício e uso de equipamentos, substâncias e materiais protéticos, não do modo atual e moderno como é hoje, mas com bastante experiência de quem praticava essa profissão no final do Século 19. Era um fato que o Brasil ainda não possuía profissionais formados nas faculdades no final do Século 19, pela raridade dessas escolas no Brasil. Então a função de dentista/protético exercida por Nicola Maria era deveras importante para a sociedade de então, muito carente desses profissionais.

Poeta:
Poeta é uma atividade informada pelos descendentes de Nicola Maria Parente e, pelos conhecimentos literários que Nicola e seu filho Galileu possuíam, certamente que os mesmos eram poetas e, provavelmente com suas poesias publicadas nos jornais da Família Parente no início do Século 20.
Empresário/Capitalista:
O termo empresário de Nicola Maria Parente é citado como uma das atividades exercidas por esse imigrante italiano. Usaremos a expressão “capitalista”, que era a expressão usual no final do Século 19 e início do Século 20, para quem possuía “capital” para investir nas atividades de comércio e de indústria, que foi o caso de Nicola Maria Parente com sua Casa italiana e fábricas que aproveitavam os recursos naturais como sementes oleaginosas, madeira-de-lei, barro, cacau, café e outros, para transformá-los em mercadorias que eram colocadas à venda nas suas casas comerciais locais e no comércio de regatão.

Fabricante de Sapatos:
Fabricante de sapatos pode significar o sapateiro (que fabrica o sapato) ou o dono de uma fábrica de sapatos. Ficamos com os dois termos para Nicola Maria Parente pois, dotado de tantos conhecimentos técnicos sobre todas as profissões então existentes, nada custaria para o “homem das mil artes” fabricar sapatos. E como ele possuía empregados, naturalmente que estes também fabricavam sapatos para suprir de calçados as casas comerciais de Nicola Maria Parente e filhos. Como no Pará ainda não se dominavam as técnicas europeias de fabricação de calçados com materiais mais sofisticados que a borracha, naturalmente que os sapatos fabricados por Nicola Maria eram de borracha, mesmo, produto que até era exportado pela Província do Pará, no Ciclo da Borracha.

Químico:
Para trabalhar com fotografia, prótese dentária, lampiões de carbureto, fabricante de cachaça e açúcar, óleos vegetais, sabão e uma série de outros produtos, naturalmente que o fabricante deve conhecer a química, isto é, os processos químicos para a fabricação dos produtos acima citados. No caso de Nicola Maria Parente, Iolanda Parente, cita os tubos de ensaios necessários para medir as quantidades e misturas dos ingredientes químicos. E a função de fotógrafo profissional de Nicola Maria exigia o manuseio de várias substãncias químicas para nas produções fotográficas. Inclusive foi usando substãncias químicas explosivas que Nicola Maria perdera um dos braços e, posteriormente, sua vida foi ceifada por uma explosão de um lampião de carbureto, por ele inventado, conforme informações de sesus familiares.
Comerciante:
Quadro onde são citadas as firmas e os primeiros componentes
da Família Calliari/Parente em Abaeté
Nicola Maria Parente, como grande parte dos italianos imigrantes que vieram para o Brasil, era comerciante e somente nas horas vagas ou nas incursões com as projeções de cinema, é que deixava em 2º plano a sua atividade de comerciante. No livro “Retratos de Vida” de Iolanda Parente, consta:
·         “O aparelho de Nicola parente, um Luminiere, foi comprado pelo italiano em Paris, em 1896. Aqui, em João Pessoa, como ocorria com quase todos os estrangeiros, se dedicava ao comércio, nas horas vagas, aos inventos”.

FILHOS, IRMÃOS E ESPOSAS DE NICOLA MARIA PARENTE QUE VIERAM PARA O BRASIL:
Segundo uma 2ª versão dos descendentes de Nicola Maria Parente, vieram para o Brasil:
·         Sua família composta de Nicola Maria Parente, sua 1ª esposa Carolina Rottundo e seus filhos Galileu, Margarida e Garibaldi Parente, este nascido em alto-mar, durante a viagem para o Brasil em 1865.
·         Os irmãos de Nicola Maria Parente de nomes, Carmine e João Parente de Nicola Maria Parente e, com certeza, estes trazendo também alguns de seus familiares de origem italiana que não são citados nos diversos textos dos descendentes de Nicola Maria Parente e irmãos.
·         Giusephina Calliari, esta vinda em outra viagem posterior à de Nicola Maria Parente, tendo Giuseppina se constituído na 2ª esposa de Nicola Maria Parente, após o falecimento da 1ª esposa e em encontro fortuito no Brasil. Nicola Maria e Giuseppina tiveram a filha Carmelita Parente já no Brasil.

COMPONENTES DA FAMÍLIA PARENTE/CALLIARI QUE VIERAM PARA ABAETÉ:
Relatos da Família:
Acredita-se que a familia PARENTE tenha chegado em 1870, proveniente da cidade de MARSICO NUOVO, no sul da Italia, Província de Basilicata.
O brasão encontrado da Família Parente é encimado por uma serpente, continha a inscrição “Non le me tangere”. Esse distintivo ornava a residencia da familia em Marsico Nuovo. Asseguram outras fontes que a familia seria originaria da regiao do CAUCASO, sul da Russia. Teria conquistado a cidadania italiana no inicio do século XIX pelos relevantes serviços prestados ao país pelas mãos do General Garibaldi com quem os PARENTE lutaram pela unificação italiana.
Se Nicola Maria Parente nasceu em 1846 e veio para o Brasil em 1870, então estava com 24 anos de idade e tinha vários irmãos e provavelmente Nicola Maria Parente já era casado com Margarida Rottundo. Posteriormente casou com Giusephina antes ou depois de 1891, data em que Giseppina chegara ao Brasil conforme resgistros microfilmados em Belo Horizonte/MG (Vide Giuseppina Calliari).

Nicola Maria Parente em Abaeté/PA:
Nicola Maria Parente tinha estado em importantes Estados do Brasil como Paraíba, São Paulo, Bahia, Rio Grande do Sul e até em Paris, na França. E um de seus filhos, Galileu Parente, morou e desenvolveu suas atividades profissionais no Rio de Janeiro e seu irmão Carmine Parente viveu na Bahia e lá casou. E outro irmão de Nicolau Maria Parente, de nome João Parente chegou a desenvolver atividades comerciais em Abaeté e gerar descendentes e ele e um filho de mesmo nome que foram para o estado do Amazonas e não mais de lá voltaram. Os filhos de Nicola Maria Parente, de nomes Margarida, Garibaldi e Carmelita vieram para Abaeté, além de Giuseppina Calliari e filhos que também para cá vieram
Nicolau tinha 57 anos em 1904 e faleceu em 1912 com 64 anos de idade, ano em que os filhos sucedem o pai nos negócios da família.
Relato de D. Itália da Conceição Parente: 
Giusephina Calliari, Marcela, João Parente (este tio de Lectícia Carmela Calliari) e o pai de Itália, Giulio Calliari. Na verdade, tudo começou na Paraíba, onde se encontraram o avô do Nicola Parente, Sr. Nicolau Parente, o avô de Itália, Cármine Parente e João Parente (que é o pai do João Parente da Zenaide). Ainda na Paraíba, a avó Giusephina,  de Itália, que era viúva e com dois filhos, (Marcella e Giulio Calliari ) se encontrou com o Velho Nicolau, que era o avô do Nicola Parente. Nessa época, o Velho Nicolau já tinha os filhos: Garibaldi, Galileu e Margarida (esta é a mãe da Antonieta, Luci, Tirteu, Nápoles). Da Paraíba o avô de Itália Carmine Parente foi para a Bahia, onde namorou e casou com a avó de Itália, Maria da Conceição da Purificação Parente. Dessa união nasceu Lectícia Carmela Parente  (mãe de Itália), que casou com Júlio Calliari.
Quando minha avó Giusephina Calliari veio para o Brasil, os Parente já estavam no Rio Grande do Sul. Lá o meu avô Nicolau/Nicola Maria Parente casou com uma gaúcha de nome Carolina.

O Velho Nicolau teve os filhos: Garibaldi, Margarida e Galileu, que são tios de Itália. Galileu Parente morou e faleceu no Rio de Janeiro e ele era o pai de Violeta e Sombra.
Minha avó Giusephina casou com o avô do Nicola Parente, o finado Nicola Maria Parente e dessa união nasceu a Tia Carmelita, que casou com o Velho Andrade (Francisco Freire de Andrade). Francisco Freire de Andrade e Carmelita são contemporâneos do Tenente Eugênio Tavares Ferreira.
Quem realmente veio para Abaeté:
Conforme relatos de membros/ descendentes da família Parente/Calliari, vieram para Abaeté:

Membros da Família Parente:
·         Nicola Maria Parente, sua 2ª esposa Giuseppina Calliari e seus filhos Margarida, Galileu (este voltou para o Sudeste brasileiro, tendo fixado residência no Rio de Janeiro), Garibaldi Parente e a filha brasileira de Nicola Maria Parente e Giuseppina Calliari, de nome Carmelita Parente.

Os irmãos de Nicola Maria Parente:
·         João Parente, que em Abaeté gerou descendentes com moça da sociedade local.
·         Carmine Parente, que antes de vir para Abaeté constituiu família na Bahia e lá teve a filha Lectícia Carmella com a brasileira Maria da Conceição da Purificação Parente. Logo Lectícia Carmella Parente é brasileira e esta, ao chegar em Abaeté, constituiu família com o italiano Giulio Calliari e tiveram filhos em Abaeté: Roma, Itália, Menotti e Anita Calliari. Em Abaeté, Carmine Parente constituiu família com a abaeteense chamada Coló e tiveram 10 filhos, entre os quais Esmaltina, Carmine Filho, Miloca Manteiga.
Membros da Família Calliari:
·         Giuseppina Calliari e seus filhos Marcela e Giulio Calliari, sendo que Giuseppina veio a ser a 2ª esposa de Nicola Maria Parente. Giuseppina Calliari já casada com Nicola Maria Parente, que trouxeram, além de sua filha Carmelita, os filhos do 1º casamento de Giuseppina Calliari, de nome Marcela e Giulio Calliari. Marcela constituiu família em Abaeté com o filho de Nicola Maria Parente, de nome Garibaldi Parente e Giulio Calliari constituiu família com a filha do irmão (Carmine Parente) de Nicola Maria Parente.
Observação:

Existe um registro microfilmado de uma hospedaria de Belo Horizonte sobre Giuseppina Calliari e seus filhos que ali se hospedaram em 21/7/1891, com os seguintes dados:

GIUSEPPINA CALLIARI:
Na foto acima, bem no centro, está a patriarca Giuseppina Calliari
rodeada por seus parentes da 3ª, 4ª e 5ª geração dos
Parente/Calliari

Giusephina Calliari, conforme Livro SG-826, pagina 72, da prefeitura de Belo Horizonte, em 21/7/1891, tinha 34 anos, logo nasceu por volta de 1857. Como Nicola Maria Parente casou com Giuseppina Calliari e, conforme registros de sua família, nasceu em 1846, logo, Nicola, era mais velho que Giuseppina Calliari em 11 anos. Seguem as demais interpretações e hipóteses sobre as famílias Parente/Calliari:
Marielta e Giulio Calliari foram os dois filhos que se hospedaram junto com a mãe, constando:
Marielta Calliari, 28 anos, logo nasceu por volta de 1863 e Giulio Calliari, com 3 anos, logo nasceu por volta de 1888, em pleno ano da libertação dos escravos no Brasil.
Marielta pode ser Marcella Calliari, com o nome abrasileirado, porém essa hipótese não está de acordo com os registros da Família Parente, que informa que Marcela Calliari chegou ao Brasil com 9 anos de idade e vamos ficar com esta última opção sobre a Genealogia das Família Parente/Calliari. Mas não vamos descartar as datas e demais membros da família Calliari com registros microfilmados na Prefeitura de Belo Horizonte.
Aqui os dados do microfilme da hospedaria de Belo Horizonte com dados de Giuseppina Calliari. Nesse tempo as trocas de datas eram comuns.
NOME
CALLIARI Giuseppina - 34 anos
SOBRENOME
CALLIARI
LIVRO
SG-826  pag.: 72
DATA
21/07/1891 (Data de entrada na Hospedaria)
NACIONALIDADE
Italiana
DEPENDENTES
CALLIARI Marielta - 28 anos - mulher 
CALLIARI Giulio - 03 anos - filho
EMBARCAÇÃO
Duchesse de Genova
MICROFILME
Rolo 01
LOCALIZAÇÃO FÍSICA
Arquivo F - Gaveta 1
                                         
Acima, dados microfilmados de Giuseppina Calliari e dos seus filhos, na hospedaria de Belo Horizonte
Visto de saída de Giuseppina Calliari da Itália, via Veneza

Sobre esses registros fazemos os seguintes questionamentos e ponderações:
Garibaldi Parente em 1891 estava com 26 anos, pois, conforme registros de sua família, nascera em 1865 durante a viagem de imigração para o Brasil nesse ano. Seu pai, Nicola Maria Parente, que conforme registros de sua família nascera em 1846, em 1891 estava com 45 anos e Giuseppina Calliari, nesse ano, estava com 34 anos, conforme os registros da hospedaria de Belo Horizonte.
Carmelita deve ter nascido por volta de 1892, isto é, após o encontro de Nicola Maria com Giuseppina Calliari em 1891.
Em 1870, já com a Italia unificada, Nicola Maria Parente já estava com 24 anos de idade e tinha vários irmãos e provavelmente já era casado com Carolina Rottundo.

CASAMENTOS CONSANGUÍNEOS:
Os casamentos consanguíneos eram muito comuns entre as antigas famílias brasileiras do século 19 e até a 1ª metade do século 20 e os imigrantes italianos que vieram para Abaeté não se furtaram na prática dos casamentos entre parentes e, alguns constituindo mais de uma família, gerando uma infinidade de descendentes.
A 1ª esposa de Nicola Maria Parente foi a italiana Carolina Rottundo e com o falecimento desta, Nicola Maria casou uma 2ª vez com a igualmente italiana Giuseppina Calliari, com quem teve a filha brasileira Carmelita Parente. Com a 1ª esposa Carolina possivelmente tivera os filhos Galileu, Margarida e Garibaldi Parente. Giuseppina Calliari, a 2ª esposa de Nicola Maria já tinha os fílhos Marcella e Giulio Calliari, que se tornaram enteados de Nicola Maria.
Nicola Maria Parente, portanto, tivera possivelmente 3 filhos com a 1ª esposa Carolina Rottundo e uma filha com a 2ª esposa Giuseppina Calliari, portanto irmãos pela parte paterna. O filho Garibaldi Parente acabou casando com a enteada de seu pai, Marcella Calliarii, em casamento que acabou gerando 9 filhos que se encarregaram de dissiminar a família Parente/Calliari por Abaeté, Pará e Brasil.
O irmão de Nicola Maria, de nome Carmine Parente, que tinha esposa (Maria da Conceição da Purificação Parente) e filha (Lectícia Carmela Parente) na Bahia, quando veio para Abaeté, acabou por constituir outra família com numerosa prole. Outro irmão de Nicola Maria, de nome João Parente, também constituíra mais de uma família com prole numerosa. A filha Lectícia Carmela Parente, de Carmine Parente, acabou casando com o enteado de Nicola Maria de nome Giulio Calliari, gerando outra prole de filhos com sobrenome Calliari. Nicola Parente, este filho de Garibaldi Parente, acabou casando com sua prima Itália Conceição Parente, esta uma das filhas de Giulio Calliari.

A Família Parente/Calliari e seus descendentes se constituiu uma das tradicionais famílias de Abaeté e com a multiplicação de seus membros e famílias, acabou por se constituir no clã familiar dos Parente/Calliari, com origem em Abaeté, hoje com membros espalhados por boa parte do Brasil.
BISAVÓS:
Foram bisavós da 4ª geração desse clã familiar, contando de seus pais ou trisavós:
·         Nicola Maria Parente, de origem italiana
·         Carolina Rottundo, de origem italiana, 1ª esposa de Nicola Maria Parente
·         Giuseppina Calliari, de origem italiana, 2ª esposa de Nicola Maria Parente
·         Carmine Parente, de origem italiana, irmão de Nicola Maria Parente
·         Maria da Conceição da Purificação Parente, de origem brasileira e baiana, 1ª esposa de Carmine Parente.
·         D. Coló, de origem brasileira e abaeteense, 2ª esposa de Carmine Parente
·         João Parente e suas esposas, aquele de origem italiana e suas esposas de origem brasileira e abaetetubenses.
AVÓS:
Foram avós desse clã familiar:
·         Os filhos de Nicola Maria Parente; Galileu, Margarida, Garibaldi e Carmelita Parente e seus respectivos esposos ou esposas.
·         Os filhos de Giuseppina Calliari: Marcela e Giulio Calliari e seus respectivos esposos ou esposas.
·         Os filhos de Carmine Parente e suas respectivas esposas ou esposos, entre os quais, Lectícia Carmela Parente.
·         Os filhos de João Parente e suas respectivas esposas.
E, conforme relatos de Iolanda Parente, que diz: Entenderam? Nicola Maria Parente e seus irmãos vindos para Abaeté tinham duas famílias, com numerosos filhos, daí que antigamente era difícil identificar de quem era esse ou aquele descendente, devido a grande profusão de descendentes gerados pelas famílias desses imigrantes italianos que vieram para Abaeté nas décadas finais do Século 19.
Conforme Iolanda Parente: Giusephina era veneziana e por que abandonou a Itália com dois filhos pequenos para aventurar-se no desconhecido Brasil? Dizem que a italiana tinha sangue quente e, já sendo mãe de Marcella foi empregar-se em casa de um nobre que encantou-se com sua beleza e lhe deu mais um filho, Giulio, um italianinho branco de olhos azuis.
Com essa ou outra expressão o velho Calliari botou filha e netos  na rua com passagens só de ida para o Brasil. Sorte dela que encontrou o guapo e aventureiro Nicola, para dar-lhe o amparo devido.

Portanto, Giusephina Calliari também possuía 2 filhos, 3ª G/Netos/N, do 1º casamento: Marcela e Giulio Calliari e este, conforme relatos da família, foi batizado por Pio XII em Veneza. Nicola Maria Parente e Giusephina Calliari tiveram uma única filha, 3ª g/Netos/N, Carmelita Parente.

Nicola Maria Parente veio da Paraíba para Abaeté e D. Giusephina Calliari, que era viúva, também veio da Paraíba com seu já marido Nicola Maria.
Carmine Parente, irmão de Nicola Maria, e sua filha Lectícia Carmela Parente também vieram da Bahia. Garibaldi Parente, filho de Nicola Maria veio também da Bahia para Abaeté e, posteriormente, veio sua esposa Marcela Calliari e seu irmão Giulio Calliari.

3ª G/N, FILHOS DE NICOLA MARIA PARENTE:
Garibaldi Parente que gerou numerosa prole, cujos descendentes,
hoje formam o Clã dos Parente/Calliari, espalhados pelo Pará,
Brasil e mundo
3ª G/N, GARIBALDI PARENTE, nasceu, conforme relatos da família, em alto mar na viagem de imigração de seus pais para o Brasil por volta de 1865 (ou 1870, segunda uma 2ª versão familiar) e falecido na década de 1950, foi sócio-gerente da firma sucessora da firma Nicola Maria Parente & Filhos, do seu pai, agora com o nome de Garibaldi Parente & Cia, esta proprietária da Casa Italiana, que era um grande empório comercial que vendia gêneros variados de todas as procedências, sito à Rua Justo Chermont, nº 2, em Abaeté e que possuía uma grande ponte com trapiche construída em madeira chamada Ponte da Italiana para a movimentação de embarque/desembarque de suas embarcações e de terceiros que fazia desse trapiche um dos mais movimentados da antiga Abaeté.
GARIBALDI PARENTE foi comerciante, industrial, dono de fábrica de sabão, fábrica de óleos vegetais, da Serraria Veneza Paraense, da Olaria do Garibaldi, de engenhos de cana-de-açúcar (produzia cachaça, açúcar branco), de typografia (onde eram impressos os jornais de Garibaldi Parente: “O Colibri”, “Folha do Mato”), dono da “Casa Italiana”, casa comercial na R. Justo Chermont, que possuía ponte com trapiche para o movimento de embarque/desembarque de mercadorias de seus barcos ou de terceiros, seus clientes das Ilhas de Abaeté/Pa, tinha amor exacerbado por Abaeté/Pa e Itália.
GARIBALDI PARENTE se tornou uma das grandes figuras históricas de Abaeté/Pa no âmbito comercial/industrial, lítero-social, político. Era idealista, incentivador das artes musicais, artes literárias, teatro, civismo, desportos, tendo ocupado a presidência do Club Musical Carlos Gomes, em 1908. Como seu pai Nicola Maria Parente tinha amor exacerbado pela Itália e por Abaeté, onde foi incentivador de todos os aspectos culturais da cidade e onde foi um dos maiores empreendedores do município.

Citações e Informações Sobre Garibaldi Parente:
·         Em 1908 ocupou a presidência do Club Musical Carlos Gomes.
BENS MÓVEIS E IMÓVEIS DE GARIBALDI PARENTE E FAMILIARES:
Garibaldi Parente, como um dos maiores empreendedores de Abaeté do seu tempo, adquiriu na fase áurea da Casa Italiana (início do século 20 até sua 1ª metade) numerosos bens móveis e imóveis e adquiriu grandes lotes de terra na Zona Ribeirinha e nas Colônias de Abaeté, e terrenos e casas na cidade e embarcações para o comércio com a Zona Ribeirinha de Abaeté e comércio de regatão. Muitas casas e outros bens foram repassadas para os seus filhos e demais familiares.

Citaçóes e Informações Sobre os Bens de Garibaldi Parente:
·         A Região das Várzeas de Abaeté (Zona Ribeirinha) do final do Século 19 e iníco do Século 20 até a sua 1ª metade era a de maior população, de maior poder aquisitivo e que concentrava as maiores riquezas do município, muito mais que a pequena cidade de Abaeté, de apenas 3 mil habitantes e, consequentemente, era a de maior clientela e com quem Garibaldi Parente fazia mais negócios e vendas. Mas a população da cidade de Abaeté também era grande frequentadora desse armazém para adquirir os produtos de que necessitava, especialmente fazendas (tecidos), querosene, produtos da funilaria, cereais e produtos de alimentação,  “secos e molhados”, especialmente peixes secos e carnes de capivara, pirarucu.
O prédio que abrigava a antiga "Casa Italiana", já em ruínas
A "Ponte da Italiana", os barcos, trecho do antigo Igarapé
e as crianças se divertindo nesse cenário inesquecível
·  Casa italiana, que era um sobrado em dois pavimentos e seus anexos onde funcionava o setor comercial/industrial e onde ficavam as fábricas de Garibaldi Parente e filhos, casa que, como extensão, possuía a sua Ponte Italiana, bens descritos em outro ítem destes escritos.
·         O terreno que abrigava o antigo Campo de Aviação de Abaeté, onde hoje se situa o bairro de Santa Rosa, sem contar suas inúmeras propriedades rurais e espalhadas pelo interior do município.
·         O terreno onde hoje se localiza a Escola Bernardino Pereira de Barros, cedida para o Governo do Estado nos anos de 1960.
·         O terreno chamado Moinha onde se assentavam alguns bens de Garibaldi Parente como a Serraria Veneza, o Engenho cruzeiro do Sul e o Bar e Sorveteria Princesa, esta última propriedade sendo herdada pelo seu filho Nicola Parente.
Em 1922:
·         “Garibaldi Parente com pagamento de imposto de valor locativo de um imóvel sito à Rua Siqueira Mendes, na cidade de Abaeté”.
Em 1930:
·         Imóvel de Garibaldi Parente na Rua Siqueira Mendes.
·         Franklim Lobato Silva, com terreno à Rua Siqueira Mendes, entre as casas da viúva Margalho e Garibaldi Parente.
·         Em 1931 a Sra. Merandolina Cardoso Caporal, viúva de Francisco Paschoal Caporal, filha de Manoel Raimundo Cardoso, com terreno sito à Av. Rui Barbosa (atual Av. D. Pedro II em Abaeté/Pa), terreno este que pertencia à Garibaldi Parente.

GARIBALDI PARENTE E AS ATIVIDADES COMERCIAIS:
Garibaldi Parente foi dono de casas comerciais na cidade e na Região Ribeirinha de Abaeté, em sociedade com seus filhos ou parentes por afinidade, tendo casas comerciais com os nomes de “Querida do Povo”, “Casa Italiana”, esta situada na orla da cidade de Abaeté e com extensão para o rio da frente da cidade através da “Ponte Italiana”, esta como uma espécie de embarcadouro fluvial para as suas embarcações e de clientes que vinham da Região Ribeirinha. A Casa Italiana ficava localizada na antiga Rua Justo Chermont, quando esta ainda era formada por pontes e palafitas na frente da cidade de Abaeté, mas que abrigava a maioria dos comerciantes locais. Na cabeceira da Ponte italiana existia botequim para vendas variadas e especialmente do inesquecível cafezinho do Sr. Luita.

Citações e Informações Sobre as Atividades Comerciais de Garibaldi Parente:
Citações de 1922:
Acima, parte de um documento de 1922 que comprova as inúmeras
atividades comerciais de Garibaldi Parente
·         Em 1922 eram comerciantes contemporâneos de Garibaldi Parente e com casas comerciais na mesma Rua Justo Chermont, no tempo das pontes: “Antonio dos Santos, Miguel Jorge, Herdeiros de Alexandre Felix, Rogério de Carvalho, Elias Felix dos Santos, Raymundo Lício Bahia, Jorge Antonio, Eduardo Magalhães, Felippe João, José Saul, F. A. Santos Rosado (Francisco Assunção dos Santos Rosado), Abel Ayope Elias, Jorge Maria Ferreira, Marcellino Alves Chaves, José Bechir Elias; José Lima da Costa”, sendo grande parte destes comerciantes também imigrantes turcos e sírios-libaneses.
·         Em 1922 a firma “Garibaldi Parente e Cia, sito à Rua Justo Chermont, era classificada pela Intendência de Abaeté como “casa de commércio de 2ª classe” e cujos impostos eram cobrados de acordo com as atividades desenvolvidas (cada atividade pagava o devido imposto): “serraria com officina, fábrica de sabão, typographia, fábrica de cachaça e açúcar”, transporte de cargas, fato que indicava que a firma de Garibaldi Parente era uma das que mais pagava impostos em Abaeté. “A Casa Italiana”, que fazia parte da firma citada, era uma das mais sortidas (com muitos produtos à venda) da praça de Abaeté.
·         Garibaldi Parente e Cia, é citado em 1922 com comércio, serraria, fábrica de sabão, carros de cargas e typografhia, pagando por cada atividade um determinado valor de imposto.
·         “A firma Garibaldi Parente & Cia com casa de commércio na cidade de Abaeté, à Rua Justo Chermont”. A casa de comércio da Rua Justo Chermont denominada “Casa Italiana” e era do tipo empório, que vendia todos os tipos de mercadorias locais, regionais e importados.
·         Garibaldi Parente & Cia em 1931:

Negócios nas Ilhas de Abaeté:
Além de Abaeté, os negócios de Garibaldi Parente e familiares se espalhavam por algumas Ilhas de Abaeté e, nessas localidades, além da atividade comercial, existiam os engenhos para a produção de cachaça e açúcar:
·         “A firma Garibaldi Parente & Cia., com casa de commércio no Rio Piquiarana”.
·         Garibaldi Parente é citado em documento de 1935, “com comércio nas localidades Paramajó e Piquiarana”.

Comércio de Regatão:
Os barcos serviam para atender as demandas comerciais e
industriais da Família Parente/Calliari e também no tradicional
"Comércio de Regatão de Abaetetuba"
Além dos negócios formais das atividades comerciais todo grande capitalista de Abaeté desenvolvia a atividade tríade de Comércio-Indústria-Navegação, que incluía o comércio de regatão com as regiões do Salgado, Ilha do Marajó e Baixo Amazonas, além da intensa atividade marítima com a capital, Belém do Pará. Nos escritos dos descendentes da Família Parente, o comércio de regatão é citado como atividade dessa família e onde vários de seus membros estavam envolvidos direta ou indiretamente. Não é de admirar, portanto, que alguas descendentes da família Parente falem em uma frota de barcos e essa Família chegou mesmo a possuir uma grande frota de embarcações, inclusive os barcos-motores que eram os mais utilizados no comércio de regatão. Iolanda Parente em seu livro “Retratos de Vida” faz menção aos barcos e produtos usados nesse comércio.
A comercialização dos produtos da indústria canavieira do Baixo Tocantins se dava por via fluvial, inicialmente através das antigas canoas à vela e, posteriormente, dos barcos-motores ou iates, foi natural que a família de Garibaldi Parente também passasse a fazer o Comércio de Regatão nos fins do século 19 e início do século 20. Para atender ao fluxo comercial dos negócios da Família Parente com seus clientes das Ilhas de Abaeté e do comércio de regatão a Família Parente possuía um importante embarcadouro localizado na famosa Ponte Italiana, que servia de ponto de embarque/desembarque para os barcos dessa família e de seus clientes.

As Embarcações de Garibaldi Parente e Família:
Sendo Abaeté uma cidade ribeirinha e com muitas localidades espalhadas por sua Zona   Ribeirinha, área com grande fartura de recursos naturais advindos das águas e matas, a locomoção das pessoas, o transporte de produtos e pessoas, o escoamento e vendas de produtos eram feitos através das inúmeras vias fluviais do Baixo Tocantins e Região do Marajó e capital, Belém do Pará. E também para atender ás diversas demandas comerciais a que se dedicava, Garibaldi Parente e famíliares chegaram a possuir uma boa frota de embarcações, algumas para o transporte,  escoamento e vendas dos produtos em Abaeté e região, e outras embarcações usadas no Comércio de Regatão para o Baixo Tocantins, Região do Marajó, Baixo Amazonas e com a Capital, Belém/Pa, existindo também embarcações que faziam o transporte de cargas e passageiros para Belém/Pa. As embarcações eram de todos os tipos e tamanhos e, especialmente, às canoas à vela e os barcos-motores. Entre as embarcações de Garibaldi Parente e Família, destacamos:
·         Barco Garibaldi
·         Barco Sívio Romero
·         Lancha Gaivota, que foi confiscada por questões políticas, no tempo do interventor do Pará, Coronel Magalhães Barata, embarcação que, por retaliação político-partidária, foi afundada, devido a forte oposição política que Garibaldi Parente fazia a esse interventor e ao seu grupo político de Abaeté.
·         Lancha Solano
·         Barco San Timóteo.
·         Barco Tenente Humberto e o barco Tenentinho, de propriedade de Humberto Parente
·         Canoa Garibaldi, que era uma canoa grnde à vela
Serrarria:
A serraria com oficina de Garibaldi Parente era denominada Serraria Veneza Paraense, e que depois foi vendida ao Sr. Raimundo Cruz, e ficava situada no antigo local chamado de Moinha, às margens do Rio Maratauíra (hoje início da Av 15 de agosto), atrás do Bar e Sorveteria Princesa, onde quase todo esse quarteirão pertencia à Família Parente, constituindo um só terreno. A atividade de serraria se deve à grande quantidade de madeira-de-lei e madeira para a produção de carvão e lenha no município de Abaeté e região. A Serraria Veneza Paraense se dedicava á produção de tábuas, pernas-mancas, ripões e outros produtos para construção de casas e, especificamente, produzia caixas de madeira que tinham grande aceitação no Sul e Sudeste do país e para exportação através do Porto de Belém. O refugo produzido pela Serraria Veneza Paraense servia para aterrar aquela parte da atual Av. 15 de Agosto, que na época era formada por um dos inúmeros igarapés da frente da cidade.

Citações:
·         “A firma Garibaldi Parente & Cia. com serraria com officina à Rua Justo Chermont, em Abaeté”. “Serraria Veneza Paraense” era o nome da serraria de Garibaldi Parente e o nome Veneza Paraense é uma homenagem às cidades de Veneza, e também como homenagem à Abaeté, que em alguns aspectos lembrava a cidade italiana de Veneza, a histórica cidade italiana que tem suas ruas na forma de canais fluviais e veículos de transporte na forma de embarcações, entre as quais as conhecidas gôndolas, usadas no transporte de moradores e turistas pela bela cidade. E Abaeté, devido sua localização ribeirinha e cercada de vias fluviais, tendo como principal tipo de embarcações as canoas grandes à vela, que foi considerada por Garibaldi Parente a Veneza Paraense, nome que foi dado à referida serraria.

Cerâmica/Olaria:
A família Parente, a começar pelo patriarca Nicola Maria, possuía olaria na frente da cidade de Abaeté, onde o barro era extraído dos inúmeros igarapés da frente da cidade e outros ricos em argila distribuídos por outros igarapés e rios do município, daí a exploração da indústria oleira, que fornecia os tradicionais potes, bilhas, alguidares, bacias e outros artefatos de barro para o consumo das comunidades locais e para o comércio de regatão. Posteriormente Garibaldi Parente implantou uma olaria nas margens do Igarapé Jacaréquara, que ficou sendo conhecida como “Olaria do Garibaldi”, que foi herdada pelo seu filho Humberto Parente. Hoje o terreno dessa olaria abriga parte do bairro de Santa Rosa, em Abaetetuba.

Fábricas:
Fábricas na Rua Justo Chermont, nos prédios anexos à Casa Italiana:
Citação de 1922:
·         “ A firma Garibalde Parente & Cia. com fábrica de sabão, à Rua Justo Chermont em Abaeté”. A saboaria produzia sabão vegetal a partir da banha de cacau e sementes oleaginosas.
·         Fábrica de sapatos
·         Fábrica de óleos, como sementes oleaginosas produtoras de óleos e azeites eram abundante na região de Abaeté, Garibaldi Parente possuía sua fábrica para esses produtos de grande aceitação no mercado paraense.
·         Estaleiro naval para a construção de novas embarcações ou consertos e reparos nas mais antigas. No tempo de Nicola Maria Parente e seu filho Garibaldi Parente a madeira-de-lei era farta e variada, daí a tradição de Abaeté na chamada carpintaria naval.
·         Oficina mecânica, de ferreiro e outras oficinas, para fabricação ou consertos de motores, máquinas e equipamentos.

Outras Informações:
·         Além disso, Nicola Maria Parente, com todo o conhecimento que detinha sobre motores, aparelhos, equipamentos e máquinas, possivelmente foi o introdutor em Abaeté dos lampiões à gás do carbureto, no tempo em que a cidade só possuía à iluminação das lamparinas à óleo ou querosene, dos lampiões alimentados à óleos extraídos de algumas sementes oleaginosase. Os lampiões alimentados por carbureto foram novidades muito exploradas por Nicola Maria Parente nos anos finais do século 19 e nos anos iniciais do século 20, que já usava à iluminação por esses lampiões em suas atividades comerciais e no cinema que montou na esquina das atuais ruas Pedro Pinheiro Paes e Siqueira Mendes (antigamente era as ruas Tenente-Coronel Costa e  Tenente-Coronel Caripuna). Inclusive Nicola Maria Parente chegou a perder um dos braços em uma explosão de lampião à carbureto e outra explosão que o levou à morte em 1911 com 64 anos de idade (nasceu em 1847).
·         Torrefação e Moagem de Café:
Como no tempo de Nicola Maria Parente e seu filho Garibaldi Parente existiam grandes plantações de café e cacau na Região do Baixo Tocantins esses produtos eram aproveitados na industrialização de sabão de cacau e torrefação e moagem de café, que eram produtos comercializados na Casa Italiana e no comércio de regatão da família.
·         Engarrafamento de vinho:
Como o vinho tinha larga aceitação nas comunidades paraenses do início do século 20, este produto era engarrafado nos anexos da Casa italiana e, possivelmente, além das vendas locais, também era um dos produtos do comércio de regatão da Família Parente.

ENGENHOS DE CANA-DE-AÇÚCAR E (FAZENDAS?) DE GARIBALDI PARENTE E FAMÍLIA:
Garibaldi Parente, conforme documentos das primeiras
décadas do século 20, também possuía atividades na antiga indústria
canavieira, na cidade e região das ilhas de Abaeté
Os engenhos de Garibaldi Parente trabalhavam na produção de cachaça, açúcar branco e mel de cana. O trabalho da indústria canavieira de Abaeté, por Garibaldi Parente e familia, foi assimilado devido essa indústria ter se tornado uma importante atividade econômica dos municípios de Abaeté e Igarapé-Miri/Pa, que tinham os engenhos como carro-chefe de suas economias, devido a grande demanda estadual e interestadual por aguardente-de-cana (cachaça) e açúcar.
Citação de 1922:
·         “A firma Garibaldi Parente & Cia. com engenho para fabricar cachaça e açúcar na cidade de Abaeté”.
·         “Cruzeiro do Sul” era o nome do Engenho de Garibaldi Parente, que produzia cachaça especial e açúcar batido.
Garibaldi Parente Como Dono de Canaviais (e Fazendas?
Muitos donos de engenhos de cana de Abaeté também eram donos de fazendas para criação de gado e cultura de cana-de-açúcar, de arroz, café e cacau, além de outras culturas. Como Garibaldi Parente possuía muitas áreas de terra na Área de Várzeas e nas Colônias de Abaeté, além da cultura dos canaviais, Garibaldi e familiares deviam se dedicar também às culturas de arroz, café e cacau nessas terras. Inclusive o terreno do antigo campo de Aviação de Abaeté era de Garibaldi Parente, terras que foram desapropriadas pela Aeronáutica para servir de campo de pouso de aviões. Nessas terras também se localizava a Olaria de Garibaldi, terras onde hoje se assenta o bairro de Santa Rosa em Abaetetuba. Nas terras da família Parente na região das Várzeas de Abaeté, também essa família cultivava cana-de-açúcar, arroz, café e cacau.

TYPOGRAPHIA E JORNAIS DE GARIBALDI PARENTE E FAMÍLIA:
A Família Parente/Calliari era uma das poucas que
possuía tipografia em Abaeté, onde editava suas propagandas,
jornais da família e trabalhos tipográficos para terceiros
A atividade tipográfica, da Família Parente, vem desde o patriarca Nicola Maria Parente e, posteriormente, pelo seu filho Garibaldi Parente. Outros membros da Família Parente  também foram proprietários de máquinas de typographia. Nessas máquinas é que eram editados os diversos jornais da família Parente e, especialmente, os jornais de Garibaldi Parente. A typographia funcionava em um dos prédios anexos à Casa Italiana, à Rua Justo Chermont, sendo Garibaldi Parente considerado um dos baluartes da antiga imprensa de Abaeté, ao lado de Higino Amanajás, Aristides dos Reis e Silva e outros mais antigos. Garibaldi Parente foi o fundador de jornais que circularam desde o ano de 1884, quando Abaeté ainda era Vila de Abaeté, até o ano de 1935.  Seus jornais foram:  “Folha do Mato”, “O Colibri” e outros.
·         Folha do Mato, era um periódico que não durou muito, apesar do idealismo de seu criador. A Folha do Mato era um jornal de boa impressão gráfica e na parte jornalística fazia críticas ou elogios aos governantes de então. Como em uma crítica atingiu um político de peso local, teve sua redação invadida e depredada a peso de marteladas e machadadas.
·         Porém Garibaldi Parente era um tenaz idealista das causas literárias e culturais de Abaeté e com ânimo redobrado fundou outro jornal, O Colibri, jornal mais modesto que o anterior, mas com conteúdo jornalístico do anterior Folha do Mato, baseado nos valores de justiça e contra os ilícitos e corrupção dos políticos de então. O Colibri foi também de vida efêmera, devido às reações contrárias que despertava nas pessoas atingidas por suas críticas e teve sua impressão encerrada devido as perseguições políticas movidas contra Garibaldi Parente e seu jornal.

Citações:
·         A typographia da firma Garibaldi Parente e Cia é mencionada em documentos de 1918.

O NACIONALISMO E NATIVISMO DA FAMÍLIA PARENTE:
Assim como Nicola Maria Parente, seu filho Garibaldi Parente, irmãos e filhos também denotavam amor pela Itália e por Abaeté e esse nativismo se refletiu em todos os aspectos da vida dessa família, e como exemplos:
Os Nomes Italianos: 
O nacionalismo de Nicola Maria Parente se refletiu fortemente nos nomes próprios que ele e seus descendentes davam a seus filhos e a seus bens. Os nomes de origem italiana ou com referências italianas foram uma constante a partir de Nicola Maria Parente e seus irmãos e filhos e esposas, e que se refletiram em seus descendentes brasileiros, aparecendo nomes próprios nessas famílias.
Nomes Próprios:

·         Nicola, Garibaldi, Roma, Itália, Anita, Menotti (nome de um dos filhos de Giuseppe Garibaldi), Marcela, Josephina, Margarida, Clodóveo, Thimóteo, Glauco, Geovanni, Jones, Carolina, Carmem, Carmelita, Ítalo, Giulio, Galileu, Humberto, Carmine, Joannes, Giuseppe, Olga, Ione, Giordano, etc., nomes que se repetem hà varias gerações no clâ familiar dos Parente/Calliari de Abaetetuba.
Nomes de bens, propriedades, embarcações, fábricas que traziam consigo as recordações da Italia, como: Cinema Vesúvio, Veneza Brasileira (serraria), Casa Italiana (casa comercial), Ponte Italiana.
·         Cinema Vesúvio, Veneza Brasileira (serraria), Casa Italiana (casa comercial), Ponte Italiana.
IDEALISMO DE GARIBALDI PARENTE E ABAETÉ:
Garibaldi Parente, como seu pai e demais imigrantes da Família Parente tinham exacerbado amor pela sua pátria italiana, amor que foi transferido por Garibaldi Parente e alguns de seus descendentes para a pequena cidade de Abaeté, haja vista suas atividades comerciais e industriais concentradas na pequena cidade e suas múltiplas atividades jornalísticas, literárias, políticas, sociais, culturais e esportivas dos quais participava como um autêntico abaeteense,  que queria ver a pequena cidade cada vez mais progressista no cenário paraense, anseio que  também era de seus descendentes. Movido por esses ideais se tornou político e como Intendente de Abaeté (1926-1930) fez uma boa gestão em favor do progresso de Abaeté.
·         Garibaldi Parente foi incentivador das artes musicais, teatro, civismo, desportos, tendo ocupado a presidência do Club Musical Carlos Gomes, em 1908.
·         Garibaldi Parente era comerciante, industrial, dono de fábrica de sabão, fábrica de óleos vegetais,  da Serraria Veneza Paraense, da Olaria do Garibaldi, de engenho de cana-de-açúcar (produzia cachaça, açúcar branco), de typografia, dono  de embarcações, empreendimentos que gerava muitos empregos e rendas para muitos abaeteenses. Assim, também com a ajuda decisiva de Garibaldi Parente, a pequena cidade de Abaeté ia sofrendo o processo de desenvolvimento no cenário paraense e,  nas décadas de 1960 e 1070 da fase áurea da Indústria Canavieira, Abaetetuba já desfrutava de um grande conceito no cenário comercial/industrial do Estado do Pará.

O POLÍTICO GARIABALDI PARENTE:
Após a gestão de Lindolpho Cavalcante de Abreu na Intendência de Abaeté, assume como novo Intendente Garibaldi Parente, que tomou posse em 1926. Garibaldi Parente se mostrou bom administrador, idealista que olhava com carinho para os problemas de educação e dos prédios públicos da cidade. Foram vogais (espécie de vereadores) no Conselho de Intendência de Abaeté, na gestão de Garibaldi Parente: Agostinho Martins de carvalho, Francisco Freire de Andrade (este genro de Garibaldi Parente), José Ferreira Barbosa, Joaquim Mendes Contente, Raimundo Lício Bahia, Firmo Roberto Maués, Acrísio Villaça da Silva e João Floresta da Silva.  
Na sua gestão aconteceu a Revolução de 1930, comandada por Getúlio Vargas, que dissolveu o Conselho de Intendência de Abaeté/Pa, em 21/10/1930. A Interventoria do Estado do Pará, na pessoa do Tenente Joaquim Cardoso de Magalhães Barata, substituiu Garibaldi Parente e passou a nomear os interventores de Abaeté. O primeiro interventor municipal, substituindo Garibaldi Parente foi Maximiano Silvino Cardoso, em 1930.
O modo populista de governar foi uma das características do governo do Interventor e, posterior, governador do Pará, Coronel Magalhães Barata, que atraiu uma grande corrente política de apoio a esse governante em todo Pará. Em Abaetetuba o baratismo teve um forte apoio de políticos locais, como também teve uma aguerrida oposição à sua corrente política do baratismo, que redundou em memoráveis enfrentamentos políticos, com alguns episódios  extrapolando o campo puramente político, quando foram empregadas violências com  sequestros e desapropriações de bens dos opositores à Magalhães Barata. Como seria natural, face à sua destituição do cargo de Intendente Municipal, Garibaldi Parente se colocou frontalmente contra a política de Magalhães Barata e seus seguidores de Abaeté, daí resultando alguns atos de violências contra os bens de Garibaldi Parente, especialmente contra seus jornais e bens imóveis, tendo, inclusive, a lancha gaivota sequestrada e mandada afundar por partidários de Magalhães Barata. 
Devido os seguidos enfrentamentos com Magalhães Barata e as retaliações por parte deste interventor e do seu grupo de Abaeté, os negócios de Garibaldi Parente e Família começaram a entrar em uma fase de decadência (anos de 1950 em diante).

Obras de Garibaldi Parente:
·         Foi Garibaldi Parente quem construiu o 1º Mercado Público de Abaeté e que se localizava à beira-mar, na entrada de Abaeté, e que se destinava á venda de peixes.
Em 1927:
·         A Ponte Pública começou a ser construída a partir de 1927, pelo mestre Fortunato Ramos, com planta e outros dados, no governo de Garibaldi Parente, ponte essa seguindo-se à avenida Basílio de Carvalho, em Abaeté.

Outras Citações e Informações:
·         Em homenagem a Garibaldi Parente existe uma rua na cidade de Abaetetuba com o nome de “Rua Garibaldi Parente”.
Garibaldi Parente lutou por uma Abaeté progressista, com a presença de serviços essenciais e pelo desenvolvimento dos aspectos literário, desportivo e sócio-cultural. Nesse sentido Garibaldi Parente participava ativamente nesses setores da vida da cidade e apoiava através de seus jornais todas as manifestações culturais de sua época e ainda contribuía com o progresso da cidade pagando todos os impostos referentes a todas as suas atividades econômicas, conforme atestam documentos dos anos de 1920, 1930.
Citações e Informações:
Citação de 1908:
·         “O Clube Musical Carlos Gomes, com eleição, ficando assim constituída a diretoria: presidente, Garibaldi Parente; secretário, Estácio dos Passos; tesoureiro, Abel Guiães de Barros; regente, Jerônimo Guedes e contra-mestre, Raymmundo Pauxis”.
Citação de 1922:
·         “Fundação da Banda Musical Paulino Chaves, pelo mestre Jerônimo Guedes”, com sede à Rua Barão do Rio Branco (onde hoje é a casa de comércio “A Suely Armarinho”). Essa banda surgiu do antigo “Grêmio Guarany”, na então Cidade de Abaeté, ano de 1919, sustentada por pessoas de boa situação financeira e para funcionar como uma orquestra sinfônica. Algumas dessas pessoas: avô dos irmãos João Luiz dos Reis e Miguel Reis, Garibaldi Parente, Pe. Luís Varela (Luiz de França do Amaral Varella), Francisco Freire de Andrade e outros idealistas. Essa banda durou 16 anos.

Garibaldi Parente Como Desportista:
·         Garibaldi Parente era consórcio do Vera Cruz na década de 1920.
Citação de 1927:
·         O Vera Cruz Sport Club e a Associação Sportiva de Abaeté possuíam grandes torcidas. O Vera Cruz possuía a sua Liga de Torcedoras do Vera Cruz que saía em passeata pelas ruas da cidade. Essa torcida era muito aguerrida e barulhenta. As cores do Vera Cruz eram azul e branco ou alviazul e as da Associação eram auriverde. Em 1927 o presidente de honra do Vera Cuz era o comerciante Garibaldi Parente e nesse ano aconteceu um embate entre esses dois times que mexeu com toda a cidade.
A formação do Vera Cruz era: Tedesco, Carlito e Zebb: Demétrio, Timóteo e Geraldo; Lima, Ubaldo, Pedro, Dedé e Xito.
·         A formação da Associação Sportiva de Abaeté era: Brício, Margalho II e Preto; Mimi, Vivi e Carmine; Zeferino, Cordeiro, Buçuá, Gonzinho e Lucídio. O juiz dessa partida foi Pedro Pinheiro Paes.
Observações:
Nesses times são identificados componentes da Família Parente: Timóteo, este filho de Garibaldi; Carmine, este tio de Garibaldi. A Família Parente teve vários de seus membros praticando o futebol em Abaetetuba: Cármine, Clóvis, Thimóteo Parente, Menotti (Parente) Calliari, Cláudio Parente de Andrade e outros.
·         Em 1927 a diretoria da Associação Sportiva de Abaeté era assim constituída: vide lista com os membros da diretoria, onde consta o nome Giordano de Nicola Parente.

A CASA ITALIANA E SUA PONTE DA ITALIANA:
Acima parte da famosa Ponte Italiana, anexa à Casa Italiana,
que servia de ancoradouro para os barcos da família e clientes e
onde existia um ponto de venda de lanches e cafezinhos
A grande e famosa CASA ITALIANA, construída em madeira-de-lei ficava perto de um igarapé e na frente do Rio Maratauíra, abrigando a casa de comércio e com uma grande ponte com trapiche na frente da cidade de Abaeté. A Casa Italiana ainda apresentava vestígios de sua existência em 2013 e a sua ponte foi tragado pelas águas em face do abandono e ação inclemente do tempo.
A Casa Italiana era um grande armazém de estivas gerais de todas as procedências, ficava situada na então Rua Justo Chermont, nº 2, quando esta rua ainda se assentava sobre pontes e palafitas e o bonito prédio ficava como que debruçado sobre o rio Maratauíra e possuía duas portas que se abriam, deixando ver o rico gradil de ferro, como proteção para quem quisesse ver o rio e apreciar o movimento do porto e adjacências. O prédio em madeira-de-lei, com telhado de telhas francesas e em dois pavimentos, que possuía uma ponte em madeira-de-lei, denominada Ponte da Italiana, e na cabeça da referida ponte existia um pequeno chalé coberto com folhas de zinco, para vendas de lanches e cafézinhos. As defensas da ponte ficavam enterradas na linha do “perau”, sendo esta a parte mais funda do rio e por essa ponte atracavam os barcos do comércio de regatão e os particulares. Os barcos que chegavam traziam os seguintes produtos: balata, peixes secos e salgados, sementes oleaginosas. As sementes oleaginosas se destinavam à fábrica de sabão em barra. No passadiço dos barcos existiam muitos galões de alumínio contendo querosene para os ribeirinhos. Os barcos de regatão levavam potes de barro de cor vermelha (cor natural dos produtos feitos em barro, depois do cozimento), e nos porões os barcos levavam trigo, açúcar, alimentos em conservas. Na Casa Italiana também se vendiam secos e molhados, peixes secos e salgados que eram retalhados por terçados bem amolados, fazendas (tecidos), miudezas, artigos de moda para homens e meninos, ferragens, produtos de primeira necessidade, produtos para caça e pescas, produtos para as embarcações, inclusive a venda de velas para canoas grandes e uma infinidade de produtos advindos de suas atividades industriais, do extrativismo animal e vegetal e os produtos que atendiam as necessidades dos moradores das ilhas de Abaetetuba (chamados ribeirinhos) cujas canoas de todos os portes e tipos, que atracavam na famosa Ponte da italiana.
A Ponte da Italiana:
A ponte da italiana era uma grande ponte construída em madeira-de-lei que se estendia desde a Casa Italiana, passava em frente do atual Posto Carvalho e terminava perto do Bonde, no Igarapé Curro. E a ponte possuía o seu trapiche, que servia como ancoradouro e atividades de embarque/desembarque dos barcos da Família Parente, e de sua clientela das Ilhas de Abaeté.
Com a decadência dos negócios de Garibaldi Parente e familiares, a Casa Italiana foi vendida para o comerciante, Sr. Nadir Ferreira e, posteriormente, para o Sr. Alcebíades Macedo/Subica.

O Sobrado, Segundo Informações de Iolanda Parente e Outras Informações:
O sobrado com seus anexos, que abrigavam fábricas da família Parente foi construído provavelmente por Nicola Maria Parente, pois ali se encontravam os antigos materiais e instrumentos fotográficos do Velho Nicolau/Nicola Maria Parente. Dito prédio foi contruído em madeira-de-lei e com telhados de telhas francesas, em dois pavimentos, sendo que o andar superior era reservado para moradia, tendo o assoalho em madeira amarela e negra, isto é, feito de tábuas de pau-amarelo e acapu, que eram as madeiras mais resistentes para esse tipo de construção. O sobrado ficava debruçado sobre o rio Maratauíra, na frente da cidade ou “beira” e possuía paredes duplas em madeira e as janelas no estilo veneziano e com duas portas com vista para o movimentado porto na cabeça da ponte da Casa Italiana. O prédio em madeira foi construído por volta de 1895 e sua parte de baixo possuía um compartimento que servia como depósitos e para trás havia outros compartimentos que abrigavam as fábricas de torrefação de café, engarrafamento de vinhos e a fábrica de sabão, depósito de motores de embarcações, máquinas, instrumentos, ferramentas e muitas peças sem condição de uso e encharcadas de óleo, o que deixava o chão sujo e oleoso.
Na parte de trás existia outro compartimento comprido, que abrigava diversas finalidades. Ali se moía café, lacravam-se garrafas de vinho, guardavam-se as coisas velhas, como um imenso guarda-roupa de inverno, pesados casacões de lã e baeta.Mais adiante existia um puxadinho, com uma máquina manual de torrar café, movida à lenha e muque. Existia também uma extensão do puxado e com outro espaço em que ficavam os enormes tabuados de madeira em que o café depois de torrado era resfrado. Bem no fundo ficava a saboaria ou fábrica de sabão da família, com seus tanques de cobre e seus containeres para resfriá-los e no sobrado não havia cozinha, banheiro. Houve um tempo em que a casa ficou sendo ocupada pela família de Clóvis Parente, onde as crianças maiores dormiam ali em redes, lençol. Quando a casa que Clóvis reformou ficou pronta o sobrado ficou desocupado.

Outros Móveis e Materiais Guardados no Sobrado:
·         Existiam velhos guarda roupas, cheio de fardas de gala do Tio Humberto, pesados casacões de lâ dos oficiais, próprios para o inverno na Europa, se fosse para a Guerra.
·         Baú com roupas antigas, espartilhos feitos com costelas de baleia. Tralhas do bisavô Nicolau, um homem das mil artes, curioso, como todo pesquisador.

O Igarapé Existente às Proximidades da Casa Italiana:
Existiam igarapés ao lado da Casa italiana e seus anexos, igarapés que foram devidamente aterrado pela necessidade de dotar a Rua Justo Chermont de melhores condições de saneamento e de infra-estrutura comercial dessa antiga rua, que antes fora erguida sob ponte ao longo da margem do rio Maratauhyra e dos igarapés da frente da cidade. Na fase áurea da Casa Italiana todas as casas comerciais eram em madeira e a Rua Justo Chermont se estendia  até onde se localizava a Casa Italiana. Do outro lado, à direita de quem se encontrava nas embarcações no rio Maratauhyra, tudo era várzea e igarapés e com mato característico. Se avançando mais para a direita, ficava o nascente bairro do Algodoal, que abrigava o antigo Curro, no Igarapé do Curro, os vários estaleiros da cidade e as terras do João Veleiro, cujos rios e igarapés dessa localidade ficavam às proximidade da Casa Italiana e da Ponte da Italiana.
Iolanda Parente em seu livro de memórias “Retrato de Vida”, assim se refere aos banhos no igarapé:
·         “Éramos moleques e vivíamos em bando, como as andorinhas. Não havia horários nem preocupações de quaisquer espécies, o mundo poderia estar em seus diais finais e nós nem aí. A preocupação era com as águas, quando o igarapé enchia e vazava. Isso era deveras importante para o banho de igarapé que durava o tempo em que a água ia e vinha em sua eterna viagem. Era a nossa principal brincadeira”.

Blog do ADEMIR ROCHA, de Abaetetuba/PA

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