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segunda-feira, 13 de dezembro de 2010

Rio Sapocajuba - Rios de Abaetetuba




































RIOS DE ABAETETUBA: RIO SAPUCAJUBA, SEUS TRIBUTÁRIOS E OUTROS RIOS

Vamos continuar postando alguns projetos executados pelos professores do Some, até para que sirva como "espelho" ou adequação para outros projetos desenvolvidos pelos educadores de diversas disciplinas e modalidades de ensino.

R I O S A P U C A J U B A: H I S T Ó R I A E M E M Ó R I A EM COLETÂNEA DE TEXTOS:

Projeto executado na Escola Municipal São Raimundo, no mês de junho, julho e agosto de 2007 no Rio Sapucajuba, pelos alunos dos ensino médio e fundamental, sob a coordenação dos professores:
Prof. Ribamar de Oliveira (GEEM – SEDUC – Pólo de Abaetetuba);
Professor Cosmo Cabral (GEEM – SEDUC – Pólo de Abaetetuba);
Prof. João Sérgio (GEEM – SEDUC – Pólo de Abaetetuba).

Sendo autores da Coletânea os seguintes alunos:
- Andecléa Moraes Martins
- Roque Junior da Silva Batista
- Lenildo Fonseca Almeida
- Josiel Figueredo da Silva
- Dinaldo da Silva Batista
- Sila Martins Leal
- Maria de Fátima Martins Leal
- Maria Neuza Martins Leal
- Francidalva Batista Moraes
- Milene da Silva Gonçalves
- Ana Maria Lobato Martins
- Maikon Reis da Silva
- Patrícia Paraense Corrêa
- Marizilda Ribeiro Pereira
- Rafaela Batista Martins
- Josiane da Silva Batista
- Janaina Batista da Costa
- Luan da Silva Costa
- Maria do Socorro Gonçalves Leal
- Arilene Silva da Silva
- Valdecira Amaral Barreto
- Veriane Ferreira Gonçalves
- Leiciane Silva Corrêa
- Josilene Ferreira Barreto
- Kleidison dos Passos Barreto
- Josimar Moraes de Castilho
- Nazilda dos Santos Corrêa
- Cleidilene Teixeira dos Santos
- Rosália Martins de Castilho
- Noeme Leal dos Passos
- Marluci da Costa Martins
- Solange Gonçalves Batista
- Daniele Fonseca Almeida
- Hígor Fonseca
- Rodrigo Negrão Gonçalves
- Alessandro Ferreira Cardoso
- Manoel José Martins Gonçalves
- Ivan Gonçalves dos Passos
- Kícila Cardoso de Lima
- Josicléa do Socorro Ferreira Barreto
- Valdelice Amaral da Silva
- Jacira Amaral da Silva
- Jhonatan Cardoso Sampaio
- Cleidiane dos Passos Barreto
- Cristiana Gonçalves Pereira
- Ramon Negrão Gonçalves
- Marinaldo Ribeiro Pereira
-Francineide Trindade da Trindade
- Jocenilda Pereira Martins
- Raul de Castilho Lobato
- Breno Cardoso Costa
- Evanilson Martins Corrêa
- Iolanda Jéssica Martins Costa

Apresentação: Professora Maria de Fátima Santos de Oliveira (Escola Estadual de Ensino Fundamental e Médio Profa. Maria Gabriela – Belém)

Revisão: Prof. Valdivino Cunha (GEEM – SEDUC – Pólo de Bujaru);

Prof. Ribamar de Oliveira (GEEM – SEDUC).

APRESENTAÇÃO

Uma das variantes que distancia o homem dos demais animais é que ele tem um legado, um passado, uma história que vem sendo transmitida de geração em geração desde os tempos mais remotos. O que seria do homem se não fosse sua história? Não teríamos passado.

O trabalho dos professores José Ribamar, João Sérgio e Cosmo Cabral apontam neste sentido. A história contada como se pode verificar nas narrativas, é muito mais dos vencidos que dos vencedores. Não são histórias de reis nem de imperadores, muito menos daqueles que construíram império e fortunas. São histórias dos joões e das marias. Nas sagas que eles contam os grandes submarinhos ou os assombrosos barcos a vela foram substituídos pelas canoas a remo, e assim também vão contando suas próprias histórias ou “causos”.

No processo dialógico ensino aprendizagem, nós, educadores tornamo-nos por diversas vezes educandos, pois às vezes sem saber e sem querer nossos educandos também nos ensinam. É Paulo Freire que nos diz: “educar e educar-se na prática da liberdade, é tarefa daqueles que sabem que pouco sabem- por isso sabem algo e podem assim chegar a saber mais- diálogo com aqueles, que sempre, pensam que nada sabem, para estes, transformando seu pensar que nada sabem em saber que pouco sabem,possam igualmente saber mais”.

Acreditamos que essa troca de saber é uma constante neste tipo de trabalho realizada pelos professores aqui citados que assim como inúmeros outros do GEEM (Grupo Especial de Ensino Modular), transformam-se em verdadeiros cavaleiros do conhecimento socializando saberes nos mais longínquos rincões paraenses dando vez e voz aqueles que de fato fazem à história.

Esta proposta de trabalhar a pesquisa em sala de aula é fundamental para a comunidade escolar e a sociedade em geral. Ela busca a reconfiguração das atividades curriculares das disciplinas História, Sociologia e Geografia, no sentido de incorporá-la ao contexto sócio-econômico e cultural de Sapucajuba. Esta idéia resulta de um conjunto de experiências produzidas pelos docentes do Grupo Especial Ensino Modular (GEEM): Ribamar de Oliveira, Cosmo Cabral e João Sérgio, mais especificamente na comunidade do Rio Sapucajuba, no município de Abaetetuba.

A discussão das disciplinas buscando introduzí-las no contexto sócio-econômico e cultural local, parte do princípio de que a realidade é “tecida junta”, e sua compreensão, será tanto melhor alcançada na medida em que as várias disciplinas que historicamente tem se ocupado separadamente em conhecer os vários aspectos dessa realidade superem suas ações isoladas e fragmentadas, e passem a se organizar de modo cooperativo e integrado, provocando uma interpretação complexa da realidade.

O presente trabalho foi centrado na reconstituição da memória local, adotando como instrumento a História Oral, com a finalidade de analisar a realidade sócio-econômico e cultural desta localidade, facilitando a troca do saberes entre os segmentos que formam a comunidade visando traçar o perfil do Rio Sapucajuba.

Maria de Fátima Santos de Oliveira e Valdivino Cunha da Silva
Educadores

SAPUCAJUBA CONTA...

A Origem do Sapucajuba

Na verdade a história existe desde o momento em que nós seres humanos passamos a existir. Conforme nos conta Dona Maria do Livramento, que nasceu e foi criada no Sapucajuba. O primeiro morador de Sapucajuba foi Raimundo Corrêa, cujo tinha apelido de “sapu” e, sua subsistência era feita com farinha com açaí, que se chamava “sajuba”. Segundo ela, a união desses dois nomes, “sapu” + “Cajuba”, deu o surgimento do Rio Sapucajuba.

A Igreja e a Festividade de São Raimundo Nonato

Dona Maria nos conta que, a primeira reza realizada no Rio Sapucajuba foi numa capela de madeira, celebrada pelo padre Valeriano, com quatro noites de festas, de quinta-feira até domingo. Passado alguns anos, depois de várias dificuldades, conseguiram finalmente construir a Igreja de cimento de São Raimundo Nonato, que permanece até os dias de hoje. Ela conta que passou seis anos fora de sua terra natal, e ao voltar à capela já tinha sido inaugurada, sob a coordenação de Sebastião Matias Pereira.

As Atividades Econômicas no Sapucajuba

As atividades exercidas nessa época eram: a roça (onde se plantava mandioca, que passava por um processo manual, produzindo a farinha); o roçado (onde eram plantados vários tipos de frutas, legumes, cereais, etc.) e o engenho (local onde se produzia “cachaça” da cana-de-açúcar).

O Antigo Sapucajuba , Atividades e Moradias

Outra moradora, Dona Maria da Paz Rodrigues, nascida no dia 12 de dezembro de 1917, criada no Rio Tucumanduba, viveu em vários lugares, antes de vim morar no Sapucajuba. Quando veio morar no Sapucajuba tinha 16 anos de idade. Ela falou que ao vir habitar no Sapucajuba, não era nem a metade povoada do que é agora, existiam pouquíssimas famílias morando no Sapucajuba. As moradias eram feitas de açaizeiros, paredes de miriti e teto de palha. Seus principais trabalhos eram: a roça, tapar igarapés, cortar seringueiras para extrair Látex, diz também que os meios de comunicações não existiam. Diz ainda que transportes não existia a não ser canoas, pra ir á Abaeté a remo. Seus utensílios domésticos eram de barro (panela, prato, colheres, fogão, tigela, etc...).

Histórias Perdidas do Sapucajuba

Já a Dona Nantirdes dos Santos Matias diz que sua história do Sapucajuba com certeza é bastante longa, mas é uma pena que boa parte já tenha se perdido. Ela acredita que conversando com pessoas mais idosas é possível resgatar boa parte dessa história.

Antigos Moradores, Donos de Engenhos, Religiosidade e o Povoamento do Sapucajuba

Segundo as informações coletadas durante este projeto, uma das entrevistas com uma “senhora” da localidade, foi possível constatar que a Dona “Bermina” foi uma das primeiras moradoras do Rio Sapucajuba, mas além de Bermina, outros moradores da mesma época possuíam grandes extensões de terras, onde nas terras de Bermina foi construído um engenho por dois irmãos, Mimin Corrêa e Alacir Corrêa, abrangendo não só trabalhadores da própria localidade, como também de outras localidades de onde traziam cana e lenha em grandes “batelões”, como eram chamados na época os “cascos” grandes.

Outros moradores começaram a instalar-se no interior de Sapucajuba e começaram a cultivar a terra como meio de subsistência. O senhor Mimin Corrêa em sua residência possuía uma imagem de um santo, chamado de São Raimundo, onde o ano inteiro ficava em casa, pois em seu festejo, no primeiro dia era realizada uma missa e logo após começava sua festividade. Depois de alguns tempos, alguns senhores começaram a levar a imagem do santo ás demais comunidades e logo em seguida foi construída a igreja de São Raimundo, toda em madeira e, portanto, a partir daí ficou conhecida como comunidade São Raimundo. Algumas pessoas de outros lugares compraram terras e assim o Rio Sapucajuba começou a povoar-se, a maioria das pessoas vindas para a comunidade era porque tinham alguns parentes ou casavam-se, construindo e formando sua família.

ARTESANATO NO SAPUCAJUBA

Antigamente as pessoas sobreviviam somente do artesanato tendo como matéria prima básica o talo do miriti, os cipós entre outros. Hoje são poucas pessoas que ainda vivem do artesanato, porque o material está ficando escasso e dessa forma são poucas as pessoas que tem acesso a esse material, o motivo dessa escassez é o uso sem controle, que está levando ao sumiço desses materiais. Para fazer o artesanato é preciso comprar o material de outras localidades.

A seguir será descrito a forma como os ribeirinhos confeccionam seus produtos indispensáveis ao seu dia-a-dia:

O MATAPI

Para fazer o matapi é preciso comprar a tala, a fibra, garaxama e o cipó.

Ela no ensina que para confeccionar um matapi a receita é a seguinte: apara-se a tala na forma, limpa, depois tece o pari. Fecha, põe na garaxama. Tece a língua e faz o funil. Depois prega a tampa. Vale ressaltar que não há uma uniformidade na confecção desses materiais. variando muitas vezes de comunidade à comunidade ou dos próprios artesãos, muito embora a essência seja mantida.

Matapi é um instrumento artesanal feito com cipós e talas de palmeiras, muito usado na captura de camarão. Usam-se muitos matapis para uma razoável captura de camarões.

O PANEIRO RASA

Material necessário: tala do miriti, tala de urumã, tala da jacitara. O berço é feito de garrafa de refrigerante. A comercialização é feita na própria localidade para os compradores de açaí. Ela gosta da profissão porque gosta de trabalhar. E é também seu meio de sobrevivência.

A rasa também é feita de jacitara, também pode ser feita de urumã e miriti. E o berço é feito de garrafa de refrigerante.

A PENEIRA

Para fazer a peneira utiliza-se a tala do urumã e varas.
Limpa-se a tala, tece o peneiro. O peneiro é feito de tala de jupati.
Serve para deposito de camarão salgado, é comercializado na localidade.

O Preço do Matapi e do Rasa e Outra Explicação Sobre Sua Fabricação

Em se tratando do matapi, para a Sra. Maria de Nazaré Martins Leal, que tem 29 anos e trabalha há doze anos na profissão o preço da matapi é R$ 2,50 (dois reais e cinqüenta centavos), cada unidade.
Esse produto é vendido na localidade. Nazaré diz que além de gostar da profissão, é também é um meio de sobrevivência. Ela no ensina que para confeccionar um matapi a receita é a seguinte: apara-se a tala na forma, limpa, depois tece o pari. Fecha, põe na garaxama. Tece a língua e faz o funil. Depois prega a tampa.

Preparo da Rasa

Quanto ao preparo da rasa para a Sra. Maria Gonçalves Leal, de 55 anos de idade e que trabalha desde os 15 anos de idade, o preço da rasa é R$ 2,00 (dois reais) a unidade. A comercialização é feita na localidade para os compradores de açaí. Ela gosta da profissão porque gosta de trabalhar e é também seu meio de sobrevivência.
Destopa a jacitara e põe pra secar e depois faz o fundo e em seguida tece a árvore e amarra o berço.

Preparo do Cesto

Entretanto para a fabricação de paneiro tipo cesto, segundo a Dona Deleuza Laba Leal, que tem 35 anos e trabalha desde o dez anos na profissão, o preço da cesta é de R$ 0,50 (cinqüenta centavos) a unidade, que é vendida na localidade. Ela trabalha porque é o seu meio de sobrevivência.
Limpa-se a tala, tece o peneiro. O peneiro é feito de tala de jupati.
O cesto serve para depósito de camarão salgado e é comercializado na localidade.

O Trabalho nas Olarias

Para o senhor Floresvaldo de Souza Leal, que tem 62 anos e trabalha 12 anos no ramo diz não gostar da profissão porque já enjoou e a produção está sendo pouca, o barro é trazido de longe.
O trabalho na olaria está difícil porque o acesso ao barro está ficando muito difícil e em função disso, poucas pessoas se dedicam a fabricação de tijolos.

O COTIDIANO NO SAPUCAJUBA

Sapucajuba Conta...

O cotidiano do Sapucajubense é tão normal como em quaisquer outros lugares que existem. As pessoas de lá trabalham duro todo o dia, principalmente na pesca.
Na pesca com matapí, as pessoas acordam cedo às 6hs da manhã para tirar camarão e depois pescar.

Trabalho das Mulheres

Um trabalho feito mais pelas mulheres é varrer a casa, lavar roupa todo dia que é a profissão da dona de casa, fazer a comida, fofocar com o vizinho até da um tempo de aprontar a comida.

Trabalho dos Homens

A pesca de rede (tramalho) é feita pelos homens que é o trabalho mais pesado, os homens (pescadores), eles ficam quase 5 horas de tempo pegando sol na baia, até conseguir a sua comida que é a pesca do mapará e dourada. Essa tradição ainda existe desde a época dos indígenas.

Descanso e Trabalho Depois do Almoço

Depois do almoço, alguns descansam, enquanto outros saem para trabalhar, o mesmo dia pela parte da tarde, onde novamente o trabalho é de iscar o matapí, fazendo a puqueca. Dentro dessa puqueca está uma mistura heterogênea e também, claro que é a isca do camarão (misturas do babaçu e o farelo). Terminando de iscar o matapí, é só pegar o casco e o remo, coloca ele no casco para sentar (palavra muito utilizada para levar o matapí até a água e amarrar na vara). Vara é onde se amarra o matapí. Terminando essa etapa, quando não tem mais nada para fazer, toma se banho, come quando tem o que comer.
A maioria das pessoas daqui do Sapucajuba, têm motor de luz e a sua TV pra assistir novela, porque o caboclo do sítio gosta muito de novela. Enquanto outras que não têm nem motor e nem televisão, eles têm duas opções: ir para casa do vizinho ou “amarrar” (linguagem muito falada) a rede pra dormir depois de um dia muito agitado.

A Linguagem no Sapucajuba

A linguagem de nossa região é acaboclada, sem preocupação com a linguagem culta, portanto, uma linguagem regionalizada, característica.

“ Amarrar a rede de dormir” (artar)
“Eu vô lá na Sintina”.
“Bora embora”: Vamos a boa hora
“Da donde”
“Compadre”
“Que tá comadre ?”
“Eu vô bem compadre!”
““Na Baeté”: em Abaeté”
“Passa pra cá piqueno”.
“Qui tá sumano”: que tal meu irmão.
“Sar”: Em vez do L é trocado pelo r.
“Cadê meu decumento”: palavra muito utilizada, ou seja, muito antiga que ainda é usada pelos idosos.
“Vamo derribar a avé” (árvore de açaí).
“Vaia lá em casa”: Vai lá a casa.

Observar acima o linguajar cametaoara dos ribeirinhos de Abaetetuba, que é o mesmo, com pequenas variações, para os habitantes dos demais município da Micro-Região do Baixo Tocantins. É a linguagem falada ou linguagem popular, o falar caboclo, que resultou da mistura das três línguas: o português, a linguagem indígena e a língua dos escravos negros vindos da África, que resultou na conversa, ou fala, ou linguagem dos caboclos, típica em toda a região do Baixo Tocantins.

A Educação no Sapucajuba

Para tratar de educação quem colaborou neste projeto foi à senhora Dionéia Fonseca Almeida, que tem 60 anos e reside aqui no Rio Sapucajuba e nasceu em 11/11/1946. Além de citar como referência o nome da Professora Maria José Carvalho que pertence a Escola Municipal do Rio Sapucajuba.

O ENSINO ANTIGO

Antigamente não havia colégio, os alunos estudavam em casa de família, não havia recurso naquela época. Os alunos de 4ª série ajudavam a professora a ensinar os alunos da 1ª série, em função da quantidade de alunos para uma única professora, o que nos leva a entender que o ensino naquela localidade ficava aquém do esperado, pois só havia uma professora que se chamava Maria José Carvalho.
Antigamente: Escola Sem Merenda, Sem Prédio e Sem Carteiras:
Antigamente não havia merenda, os alunos que estudavam na parte da manhã iam de suas casas só com o café que tomavam, até a hora de vir embora, pois no tempo de seus filhos que já existia a merenda, mais não havia serventes, cada aluno levava a sua lenha para fazer a merenda, porque naquela época era fogão de lenha.
Os alunos estudavam na casa da professora, a casa não era muito grande, tinha só dois compartimentos, não tinha carteira, os alunos sentavam no chão para estudar. Isso aconteceu por volta de 1937, não havia recursos para a educação.

A Escola Evolui
4 Mesas e 8 Bancos e Muitos Alunos Com a Professora Dionéia:

Quando a professora Dionéia começou a trabalhar, tinha quatro mesas e oito bancos, mais não dava para todos que eram obrigados sentarem no chão. Isso aconteceu por volta de 1984.

A Profa. Venine da Escola Municipal do Sapucajuba

Então a professora Venine dava um assunto como, por exemplo: Conhecimentos Gerais e sabatinava os alunos dias de sábado. A professora dava determinado assunto e no dia seguinte ela perguntava pros os alunos. Quem soubesse não apanhava e aquele que não soubesse apanhava com palmatória. Então os alunos tinham que se esforçar bastante.

A Escola Municipal de Educação Infantil e de Ensino Fundamental Bom Pastor

E hoje em dia a escola é alugada pelo município e a merenda é da prefeitura, pois ainda não tem uma escola adequada. Hoje o nome da escola é Escola Municipal de Educação Infantil e de Ensino Fundamental Bom Pastor.
Na escola estudam 115 alunos. A escola não atende de forma satisfatória a comunidade, necessitando de alguns ajustes. A antiga escola era uma casa de família, pois a casa era da própria professora, onde os alunos se serviam de: água, banheiro etc... E às vezes a diretora ia buscar a merenda na cidade. O corpo discente da escola é formado por cinco professores: Dionéia Fonseca Almeida, Eli Regina Quaresma de Lima (Diretora), Elieth Fonseca Almeida, Leila Fonseca Almeida e Márcio Paulo de Oliveira que lecionam de 1ª a 4ª série.

Nos Tempos Antigos
Várias Escolas Isoladas no Sapucajuba

Já para a Dona Antônia Matias Martins, que tem 52 anos e nasceu no dia 28 de outubro de 1954 e tem como endereço o Rio Sapucajuba, que colaborou também nas inforações da educação daqui. Conforme nos conta, antigamente havia várias escolas. A da professora Cléa de Castilho Lobato, o nome da escola onde ela dava aula era São Pedro e da professora Antônia era São Raimundo. Depois que elas passaram a trabalhar juntas, em 1985, a escola passou a ser escola São Raimundo.

O Ensino Antigo e o Novo e as Mudanças nas Leis do Ensino

A educação de 1ª a 4ª série era rígida, os alunos respeitavam os mais velhos, aprendiam melhor, porque tinha uma turma multi-seriada e eles aprendiam bastante.
Com as mudanças das Leis do Ensino foi tirada a lei rígida e trazida para a escola a lei flexível. Com essa mudança os alunos não estão conseguindo aprender, não respeitam os professores, as pessoas mais idosas, etc.

O GEEM (voltou ao nome antigo: SOME), no Sapucajuba

O GEEM foi implantado em 1999 com várias turmas da 5ª do Ensino Fundamental até o 3ª ano do Ensino Médio e já saíram duas turmas formadas no Ensino Médio e continua o ensino com os outros alunos. O GEEM é uma modalidade de ensino em forma de módulo implantado pelo Governo do Pará, que consiste no revezamento de professores na localidade, sem prejuízo de carga horária ou disciplina aos alunos.
Uma das reclamações dos alunos do GEEM diz respeito a merenda escolar pois muitas escola não disponibiliza merenda para eles. Isso nem sempre foi assim, pois no início, a merenda era servida a todos, independentemente de ser ou não aluno do GEEM, isso pelo menos até 2003. Com a mudança de governo Jatene, começou a faltar merenda. Somente agora está sendo regularizada a merenda.

Nome das Professoras e Diretora Que Participam da Educação da Escola São Raimundo

Diretora: Antônia Matias Martins.
Professoras: Cléa de Castilho Lobato Pereira e Rosilene Corrêa da Silva.

Existem também os professores do GEEM (atualmente: SOME), em que em cada módulo, vêm professores diferentes.Todas essas pessoas trabalham na educação da Escola São Raimundo.

AGRICULTURA

O Manejo do Açaí Nativo

A touceira de açaí tem que ter no mínimo três a cinco metros de distância uma da outra, com três açaizeiros em cada. Com isso o açaizeiro se desenvolve mais, e o palmito tem mais valor. Os primeiros cachos são pequenos, mais com o tempo ela se desenvolve e dá cachos maiores. Um açaizeiro plantado e bem cuidado custa quatro anos para produzir, quando começa a afinar a rama já está na hora de cortá-la para dar oportunidade para outras novas, chamadas filhotões.
Tem que cavar a terra, abrir um buraco que não deixe a raiz ficar apertada, e não deixar feri-la. Depois de plantado tem que limpar o açaizeiro e não deixar o mato crescer ao redor, tirar o coroatá seco.
O açaí começa a paroá no mês de setembro com a safra e pára de dar açaí no mês de janeiro.
Também há uma técnica que muda a safra do açaí. Quando uma arvore começa a dar um cacho de açaí, esse cacho só irá apretar com seis meses.
Exemplo: se der cacho no mês de setembro, vai apretar em março. Se você quiser que aprete em outubro, tem que arrancar o primeiro cacho dessa árvore, o segundo, até completar os seis meses.
Daí em diante ele acostuma a dar frutos naquela determinada época.

A Venda do Açaí, os Marreteiros e os Preços

Logo que iniciou a venda do açaí, os donos dos açaizais apanhavam os frutos e iam vender de canoa em Abaetetuba e o açaí não tinha muito valor, era muito barato por que ainda não era conhecido.
Hoje as pessoas vendem na cidade se quiser, pois tem os marreteiros que vêm pegar o açaí na casa do agricultor. A venda se inicia no mês de Setembro num preço de 5 a 7 reais e ao final da safra (Janeiro) chega a custar R$ 25, 00.


As Despesas Com a Venda do Açaí Diretamente na Cidade

Despesa com o peconheiro (apanhador do açaí) R$1,50 por cada rasa.
Despesa com o ajudante que debulha o açaí, R$ 1,50 por rasa;
Despesa com a pessoa que leva o açaí R$ 0,50, por rasa.
Despesa com o aluguel do barco R$2,50 por cada rasa.
Produtor é a pessoa dona do açaizal.

CUIDADOS HIGIÊNICOS COM O AÇAÍ

Quando o açaí é apanhado ele tem que ser colocado em cima de um encerado (plástico) para que não toque no chão, livre de contaminação e no debulhar, tem que usar luvas plásticas bem limpas e depois, colocadas em basquetas e devem ser lavadas com sabão e água sanitária. No paneiro do açaí não deve ter nenhuma folha e pau. Em casa não pode ser exposto perto de animais como cachorro, gato, por que soltam pêlos e da poeira e de insetos.

O Manipulador do Açaí

O manipulador é o batedor do açaí e ele têm que ter muita higiene. Suas unhas têm que estar bem limpas, curtas e não podem ser pintadas. O cabelo deve ficar preso a uma touca e as roupas bem limpas. A máquina tem que estar muito limpa e deve ser lavada todos os dias com sabão e água sanitária, desmontada e depois colocada em cima de uma mesa coberta com um pano limpo. A água tem que está coberta e clorada.

O Açaí Vendido em Lata

Uma lata de açaí na safra produz no máximo 8 litros de vinho e custa R$1,00 o litro e no final depende do preço do açaí em lata, se custar R$30,00 faz 40 litros, segundo o informante André Pereira Fonseca.
O vinho de açaí e muito usado na alimentação local, acompanhado de outros alimentos como peixes, carnes, charques.

O Miriti

O tempo de maturação dos frutos do miritizeiro é de dois em dois anos.
O miritizeiro demora a dar os primeiros cachos, no mínimo uns dez anos.
O miritizeiro dá primeiro os braços e depois seca e o coratá cai e segue esse processo até aparecer o caule.
Os braços do miritizeiro servem para trabalhar com o artesanato de miriti. Porém, se cortar os braços, o miritizeiro demora mais tempo para dar o fruto miriti.
O fruto é ajuntado debaixo da árvore, que quando está maduro cai. Outras pessoas sobem em alguma árvore que está ao lado do miritizeiro, para cortar o cacho maduro e com cinco dias os frutos soltam do cacho. Para descer o cacho de miriti, corta um canto da folha e ele vem descendo aos poucos até chegar ao chão.
Para colocar para amolecer os frutos do miritizeiro, tem que lavar em uma lata ou pote de barro, colocando o miriti dentro da água e depois põe para esquentar a água.
No final da safra o miriti começa a secar e isso impede dele amolecer mais rápido.
O miritizeiro é natural do mato e não há no Pará o manejo de miriti. Ele ajuda muito na alimentação das populações ribeirinhas, pois ele substitui o açaí como alimento.

O Preço dos Frutos de Miriti

Um paneiro do miriti duro custa R$ 2,00 (dois reais).
O miriti da nossa região é vendido na própria região.
Depois de batido, o litro do miriti sai a R$1,00 e o vinho do miriti acompanha a comida, o mingau e toma-se o suco com açúcar.

Do Miritizeiro Tudo se Aproveita

É uma árvore de Ouro.

Das talas do miritizeiro se faz o paneiro;
Dos braço faz-se artesanato de miriti (brinquedo de miriti);
Do tronco faz-se pontes;
Dos frutos se faz o vinho de miriti, bolos e doces e o mingau de miriti;
Dos frutos também se extrai até óleo: pega o suco do miriti, ferve e depois de fervido separa o óleo e a espuma. O óleo de miriti serve para se fritar comida, segundo a informante Aurora Moisés Negrão.

O Miritizeiro á uma palmeira muito importante em Abaetetuba, que por fornecer a madeira miriti e o fruto miriti e onde até mesmo uma grande feira anual é promovida, chamada FEIRA MIRITIFEST, para mostrar os brinquedos de miriti, feitos com a polpa miriti e os alimentos preparados com o fruto miriti, sem contar o artesanato feito com a fibra e a tala do miritizeiro.
Porém não existem projetos nem governamentais e nem privados para o plantio e replantio dessa importante palmeira.
O vinho de miriti também é muito usado como alimento, da mesma forma como se faz com o açaí.

O TRABALHO E O COMÉRCIO NO SAPUCAJUBA

Antigamente o comércio funcionava em grandes casas, onde se vendiam os produtos de acordo com a força de trabalho das pessoas. O comerciante contratava pessoas para realizar os trabalhos manuais e em troca as pessoas eram pagas com alimentos (não existia o dinheiro).

Os Tipos de Trabalhos

Trabalho nos roçados de cana, mandioca, milho, feijão, arroz;
Cortar lenha no mato;
Extrair o barro para as olarias;
Trabalho nos engenhos de cana na fabricação de mel, açúcar e cachaça;
Extração de borracha, que naquelas época era o produto mais comercializado e valorizado.

O Trabalho dos Seringueiros

O trabalho nos seringais era pesado e mal pago. Os seringueiros tratavam com os comerciantes que compravam a borracha e eles iam tirar a borracha para eles, que em troca eram pagos com alimentos com preços elevados. Como por exemplo: se o feijão custasse R$ 3,00 o kg, o comerciante cobrava o preço de R$ 6,00 pelo trabalho dos seringueiros. Com isso os seringueiros passavam por um trabalho escravista e nunca saiam do caderno de anotações do patrão, sempre tendo que trabalhar para pagar conta ou seja, esse trabalho só dava para a sobrevivência.

Os Trabalhos de Revenda dos Comerciantes

As mercadorias só davam lucro para os patrões, porque os compradores (espécies de caixeiros viajantes) não sabiam valorizar seu trabalho. Os revendedores compravam essas mercadorias por um preço e revendiam com outro preço muito maior para seu freguês e com os lucros eles espalhavam seus comércios para outras localidades, como por exemplos: Rio da Prata, Muaná e Rio Cajuúba (algumas destas localidades são da Ilha do Marajó) e o que eles lucravam, repartiam com o seu patrão.

OUTROS NEGÓCIOS NO SAPUCAJUBA

O patrão tinha várias embarcações com as quais fazia vários negócios:
Transportavam carvão, lenha e madeira para Belém;
Comprava sementes de ucuhúba e revendiam em Icoarací, só que ele comprava conforme a safra que começava em janeiro e ia até abril.
Um desses comerciante era o senhor Alexandre Corrêa, que trabalhou poucos anos, e depois deixou para seus filhos, porque ele já estava muito idoso e não tinha mais capacidade de trabalhar, segundo o informante Valdomiro Caripuna Corrêa.

O Comércio no Sapucajauba

No Sapocajuba o comércio era feito nas casas, ou em comércios ao lado das casas ou até mesmo dentro da própria casa e com a venda de variados produtos, alguns bastante caros e outros mais baratos. A venda era feita de acordo com o preço que foi comprado no mercado produtor da mercadoria, com preços de vendas muito acima do de compra, para que o comerciante possa ficar com maior lucro e para manter o capital do comércio.
Para algumas pessoas de confiança, os comerciantes até vendiam fiado, ou seja, para as pessoas de suas eterna confiança e para outras em que não confiavam, só vendiam à vista.
As casas comerciais da cidade e das ilhas vendiam de tudo, eram verdadeiros empórios comerciais: remédios caseiros pra insônia, dor de barriga, dor de cabeça, gripe, tosses, catarros, produtos medicinais, xaropes, depurativos para o sangue, remédios para todos os tipos de doenças, elixir, secos e molhados, querosene, pólvora, carbureto para os lampiões, peles, sementes oleaginosas, látex, tecidos, cachaça e outras bebidas alcoólicas e muitos produtos vindos de outras regiões do Brasil e até da Europa.

O Transporte no Sapucajuba

Hoje em dia o transporte é uma forma de sobrevivência para muitas pessoas, porque antigamente o transporte não era utilizado como hoje em dia, ou seja, as pessoas pra poder ir a Abaeté, tinham que ir de canoa em viagens demoradas, porque existiam poucos recursos quanto à navegação.
Sendo que hoje, para os ribeirinhos, o transporte é muito importante também como um sustento, porque é utilizado para transportar pequenas cargas e pessoas de Abaeté para o interior e outras coisas a mais.
Sendo que alguns pequenos barcos freteiros transportam os aposentados, para receber o seu dinheiro de aposentadoria, só que esses aposentados pagam a esses freteiros com a quantia de R$ 4,00 por pessoa. Com esse dinheiro os freteiros mantém suas despesas de viagens e o sustento de suas famílias.
O tempo que dá mais dinheiro para os freteiros é o mês que tem as festas tradicionais, onde as pessoas vão do interior para Abaetetuba para passar a festa de Conceição.

Tipos de Transportes Usados no Sapucajuba

Como sabemos, o transporte mais utilizado são as canoas, os cascos e as rabetas, porque são transportes pequenos para ser utilizado nos rios e nos furos.
As embarcações maiores não são muito utilizadas para transporte de passageiros. Essas embarcações maiores servem nas pescarias, no transporte de mercadorias, no transporte de madeiras ou no comércio de regatão para o estado do Amazonas e outros lugares.
Batelão, é um barco feito de madeira, sem cobertura (toldo), com um porão fundo, movido por um ou dois remos de faias, usado para o transporte de mercadorias, especialmente frasqueiras de cachaça, barro, telhas e tijolos, mel de cana, varas de cana-de-açúcar ou lenha. Quando o usineiro ou comerciante tinha muita mercadoria para transportar, ele colocava vários batelões, em fileiras, um na polpa do outro, que eram rebocados por barcos mais potentes, como canoas grandes, lanchas ou barcos motorizados.

MEDICINA POPULAR NO SAPOCAJUBA

Tosse
Para combater a tosse podemos fazer o xarope do Agrião.
Modo de Fazer: socamos algumas folhas do agrião e tiramos o sumo e misturamos um pouco de mel de abelha e um pouco de suco de limão batemos tudo com o sumo do agrião até ficar bem mistura.
Modo de Usar: a criança ou até mesmo adulto tomar 1 Colher (de chá) 2 a 3 vezes ao dia.

Inchaço dos pés:
Para reduzir o inchaço dos pés cozinhamos 2 a 3 folhas de do abacateiro em ½ litro de água deixando ferver de 10 a 15 minutos.
Modo de Usar: Tomamos um copo (de chá) 2 vezes ao dia.
Obs: É bom também para fortificar dentes e gengivas e para curar infecções.
Modo de Usar: Mastigamos a folha do abacateiro fresca.

Cólica Menstrual
Para diminuir a cólica menstrual, fazemos a chá com 1 ou 2 ramos de arruda.
Modo de Fazer: ½ litro de água e colocamos a folha da arruda e deixe ferver de 15 a 20 minutos.
Modo de Usar: Tomar 1 copo de chá 2 vezes ao dia.

Pressão Alta
Em caso de pressão alta, preparamos o chuchu da seguinte forma: Lavamos o chuchu usando uma escovinha para tirar o eventual agrotóxico da casca. Depois cortamos em fatias e batemos no liquidificador com um pouco de suco de laranja e coamos.
Modo de Usar: tomar 2 á 3 vezes ao dia.
No caso de emagrecimento cortamos o chuchu e colocamos na água.
Modo de Usar: Tomar diariamente.

Náuseas e Vômitos
Contra náuseas e vômitos, pegue 2 ou 3 pedaços de pau de canela e coloque dentro de ½ copo de água fria. Aguarde meia hora e beba.

Hemorróida
No caso da hemorróida prepara-se um suco feito da casca grossa da babosa.
Modo de Fazer: corta a parte interna da casca grossa da babosa e espreme o suco.
Modo de Usar: Tomar 2 vezes ao dia.

Infecções
Pegamos o amor-crescido, socamos e misturamos com o leite condensado para beber.
Modo de usar: tomar 3 vezes ao dia.
Pessoa entrevistada: Ema da Conceição M. Maués.

Outras Receitas

Derrame
Em caso de derrame é necessário a casca da copaíba, a folha do biribá e óleo elétrico.
Modo de Fazer: ferver o chá da folha do beribá com a casca da copaíba durante 15 minutos e coloca ½ copo de chá e logo após, coloca 3 pingos de óleo elétrico.
Modo de Usar: pegue o ½ copo de chá e 3 pingos de óleo elétrico, metade é para tomar e o resto coloque no sereno para colocar no meio da cabeça.
Obs: No caso de ficar alguma seqüela passar junto com a banha da preguiça real.

Espasmos
Sabemos que podem ocorrer em qualquer pessoa, desde criancinhas até idosos. O tratamento ocorre através de remédios, hortaliças e alface.
Modo de fazer: ferver o chá com os talos de alface com 40g por litro de água e tomar 3 xícaras ao dia.

E o pepino:
Fazer o suco diluído em água.
Tomar 250ml 2 vezes ao dia e comer saladas cruas de rabanete.

No caso das frutas:
Laranja: refeições exclusivas 3 vezes por semana.
Limão: cura de limão e maçã em refeição exclusivas, 3 vezes por semana.

Plantas:
Camomila: chá das folhas e flores 20g para 1 litro de água. Tomar 4 xícaras ao dia.
Capim-cidreira: chá das folhas e raízes (20g para 1 litro de água). Tomar 5 xícaras ao dia.
Hortelã: chá das folhas (20g para 1 litro de água) tomar 5 xícaras.

Sapinho
O sapinho são manchas esbranquiçadas que surgem na mucosa da boca e na língua, muito freqüente em bebês. E geralmente são causadas por acidez estomacal.

O Tratamento
O feijão: pegar feijão cozinhar e retirar o caldo do cozimento, sem temperar, depois de frio aplique na boca da criança, com um algodão embebido. Deixe agir por 15 minutos e lave em água corrente.
O suco puro do tomate: aplica na boca da criança com um algodão embebido. Deixe agir por 10 minutos e lave em água corrente.

Frutas:
Banana: cortar a bananeira e aparar com um copo a nódoa que escorre: aplique na boca da criança, com um algodão embebido. Deixe agir por 10 minutos e lave em água corrente.
Romã: chá da casca do fruto (1 romã para 250 ml de água). Aplique na boca da criança com um algodão embebido deixe por 10 minutos e lave em água corrente.

Plantas:
Tanchagem: sumo da folhas trituradas. Aplique na boca da criança com um algodão embebido deixe por 10 minutos e lave em água corrente.

Tifo
Tratamento:
1ª semana
De 3 a 5 dias, tome água de alho com gotas de limão, de hora em hora, 1 colher de sopa; suco de cenouras de hora em hora, 1 colher de sopa; água, quando tiver sede; água de côco.

Para baixar a febre, use fricções de faixas frias, quantas vezes precisar pela manhã.
1 banho de tronco de 10 minutos, em alfada.
Resfrie com banho, emplasto de barro a regiãov toda do ventre, estomago e rins. Cubra bem com lã, aqueça os pés com bolsa de água de quente. Deixe por duas horas.
Tire o emplasto de barro, resfrie em banho vital.
Massagem com óleo de oliva no corpo todo, principalmente na região do ventre, e deixe descansar.

A tarde:
Deixe o doente suar, envolvendo-o no lençol dobrado, molhado no chá de alfada e sal. Enrole em cobertores e bolsa de água e deixe.
Resfrie com faixa fria e com gelo na região baixa do ventre.
Aplique em seguida emplasto de barro, como foi escrito acima.
Mantenha os pés aquecidos. Deixe por três horas.
Retire o emplasto, aplique um banho vital com os pés aquecidos deixe descansar.
Massagem com óleo de oliva, no corpo todo, principalmente no ventre.
Dormir com emplasto de barro.

3ª semana
1ª refeição: frutas com castanha-do-pará
2ª refeição: saladas cruas, batata, cará ou inhame.
3ª refeição: frutas com castanha-do-pará.
Em jejum e ao deitar, um copo de suco de mamão ou cenoura ou água de côco.
Continue com o tratamento indicado e importante: a criança deve usar desde o primeiro dia, três vezes ao dia 1 colher de sobremesa de carvão vegetal, diminua a dose assim que apresentar melhoras, segundo a entrevistada Maria Brasil Martins Costa.

Como Cuidar do Bebê Com Diarréia:
A diarréia é muito perigosa para o bebê e para a criança pequena. Normalmente não hã necessidade de medicamento, mas cuidados especiais devem ser tomados porque o bebê pode morrer rapidamente de desidratação.
Dê goles de água de arroz e soro caseiro (p. 178).

Hemorragia Nasal:
Hemorragia nasal é perda de sangue pelo nariz. Ela ocorre pelo excesso de sal, esforço ao espirrar, muito calor ou frio.
Na maioria das vezes, a criança que cresce ao ar livre exercitando-se naturalmente ao sol e com alimentação rica em vitaminas e sais minerais, está livre desse mal.

Plantas Úteis: cavalinha, casca de carvalho, alfafa, mil - folhas.

Tratamento: em caso de crise:
Deixe a criança de costas com os pés descalços. Coloque os pés até a barriga da perna em água quente (escalda-pés).
Imediatamente, coloque uma faixa de 8 dobras com gelo na região genital.
Use uma compressa fria também sobre as faces e nariz introduza nas narinas chá forte de cavalinha e a casca de carvalho, 3 a 4 gotas em cada narina, se a hemorragia persistir, procure um profissional.

Inflamação do Útero:
A inflamação do útero é chamada de cervicite, e não deve ser descuidada.

Plantas úteis: malva, camomila, salvia, alecrim, mil-folhas, espinheira santa, calêndula.
Tratamento: banho de tronco de 20 minutos com chá de eucalipto, uma vez ao dia.
Banho frio de fricção na região genital, 3 vezes ao dia, de 5 a 20 minutos de duração.

Lavagens genitais (durante a primeira semana do tratamento, 3 vezes ao dia com 1 copo de chá de malva, sálvia ou camomila). Veja o tratamento para corrimento.
Deite com travesseiro nos quadris, introduza o chá forte e permaneça alguns minutos nessa posição.
Na segunda semana, use a ducha vaginal 2 vezes por dia e na 3ª semana, 1 vez por dia.
Durma com emplasto frio de argila na região baixa do ventre, e pés aquecidos. Usa os emplastos de argila 2 vezes ao dia.

Banho de sal de 15 minutos à 1 hora por dia nos horários próprios.
Procure sempre o acompanhamento médico para a avaliação dos resultados para exames e diagnósticos segundo a informante Dionéia Fonseca Almeida.

Infarto do Miocárdio:
O infarto é uma súbita dor em que a pessoa sente dores do lado esquerdo do peito e adormece o braço esquerdo, dores no tornozelo direito, náuseas, tonturas, etc.
O tratamento:
Faz o suco das folhas e dos talos da alface em água e tomar 3 xícaras ao dia.
Amassa 3 dentes de alho, deixá-los de molho por duas horas num copo d’água. Tomar 3 xícaras ao dia.
Berinjela: fazer o suco diluído em água, juntamente com 1 limão. Tomar 250 ml de manhã, em jejum.
Cebola: fazer o suco diluído em água e limão. Tomar 2 xícaras ao dia.

As frutas:
Abacaxi – fazer refeições exclusivas 3 vezes ao dia por semana.
Limão – fazer o chá de limão.
Maçã – refeições exclusivas 3 fezes por semana.

As plantas:
Guaraná: fazer o chá do pó do guaraná (30g para 1 litro de água). Tomar 4 xícaras ao dia.
Fazer o chá das folhas de sete-sangrias (30g para 1 litro de água) tomar 4 xícaras ao dia.

Outros tratamentos:
Diluir 20 g em 1 litro de mel de abelhas. Tomar 4 colheres das de sopa ao dia.
A Geoterapia – compressa de argila sobre o coração, com duração de 2 horas segundo a informante Joana Martins Maués.

As rezas, benzeções e os chás, enfusões e outros produtos da medicina popular eram utilizados para tirar o “mau olhado” e curar doenças, espantar espíritos malignos, etc.

A PESCA NO SAPUCAJUBA

Tipo de pesca: de Caniço
Para o senhor Deusdete Pereira Gonçalvez, que tem 60 anos, há 36 anos esta no ramo da pesca e foram elaboradas algumas perguntas para ele:

Como é praticado esse tipo de pesca?
Quais são os equipamentos necessários?
Segundo ele, primeiro pega-se uma vara e um anzol, é só amarra o anzol numa linha e amarra na ponta da vara e o caniço está pronto para pescar.
Há um período em que o peixe fica escassa e há um período que ela fica farta. Segundo ele, a fartura é quando chega à safra, nesse período praticamente se uma pessoa pescar todo o dia, todo o dia ela pega peixe.
Para ele o período escasso é geralmente nos meses de Janeiro, Fevereiro e Março, quando o peixe some e só começa aparecer do mês de Abril em diante.
O funcionamento do sistema de atravessamento do produto até o consumidor, segundo Deusdete Gonçalves, é quando é tirado para o sustento, e quando sobra e é vendida na região.
Segundo ele para melhorar a vida do pescador na região é preciso primeiramente que se tivesse um lugar reservado para a procriação do peixe. Outras medidas: acabar com a rede de lancear, tarrafa e as redes plásticas.
O interessante é que ele deixa um recado para as autoridades (políticas) a favor do pescador que é o seguinte: “Por favor, que mande acudir o povo da região que está precisando muito da alimentação que vem da pesca”.

Tipo de pesca: por Matapi
Já na pesca do matapi, para o senhor João Reis Marques Gonçalves, que tem 37 anos, reside no Rio Anequara e tem 30 anos que exerce a profissão de pescador.
O preparo do Matapi e a pesca por Matapi, segundo o Sr. João Reis Marques Gonçalves:
Materiais usados na confecção do matapi: tala, cipó, roda ou garachama, corda, vara e fibra e os equipamentos necessários é a poqueca (isca) feita de babaçu e farelo.
Primeiro preparamos a tala, roda, cipó e cortamos a fibra, fazemos o tambor depois o funil da tala, corta a roda ou garachama até o tamanho certo, depois entorta até ficar uma roda. Colocamos a roda dentro do tambor e começamos a apertar e depois apertamos os funis junto ao tambor e por fim fazemos a tampa colocamos a corda e fica pronto o Matapi.
À tarde fazemos a poqueca (isca), amarramos na tampa e na boca do matapi, aí colocamos no casco (pequena embarcação) e vamos para a praia e amarramos os matapis na vara, passa a noite e quando é de manhã nós vamos buscar ou tirar os matapis, eu com a minha mulher e aí nós dispecamos o matapi e levamos a produção ou camarão para o fiscal olhar quantos quilos pegamos.
Para o Sr. João a maré ideal par dar o camarão é quando tem maré lançante e tem maré que dá nas mortas.
A produção de camarão no mês de junho (2007), segundo o Sr. João, está dando muito pouco camarão e não sabe se vai melhorar em outro mês.
Para ele a quantidade de matapis necessários para pesca seria de 45 matapis.
Segundo ele, a sua maior pega de camarão neste ano foi de 5 kg. Está dando pouco o camarão porque está aumentando cada vez mais a população que pesca camarão e só agora nesse tempo aumentou o dobro de matapis. E aumentou o dobro de matapis, por que a lei que foi feita para pescadores beneficia muita gente, com o seguro desemprego.
O camarão é vendido às vezes para o marreteiro outras vezes agente descasca para vender em Abaeté. O camarão vivo é vendido no máximo R$ 2,00 e o descacado, às vezes, é vendido por R$ 8,00, R$ 5,00, R$ 6,00 ou mais, agora que ta pouco camarão, aí aumenta o preço.
Para ele, o que deve ser feito para melhorar a vida do pescador na região é que tem que diminuir mais a quantidade de matapis, de um jeito de sairmos para pescar em outro lugar, para descansar o lugar aqui na baía, pra ver se melhora a situação.
O recado que deixa para as autoridades (políticas) e as leis a favor do pescador: “Pra quando eles pegarem os cargos, ser honesto e não enganarem o povo porque vêem aqui querer votos, ele só falta chorar para as pessoas.”
Para as autoridades trabalharem sério em seu serviço e não dar cobertura aos bandidos. E pros advogados prestarem atenção no que estão fazendo, estão defendendo muitos os bandidos e os inocentes tão prendendo porque não tem dinheiro para pagar os advogados e muitos são pescadores.

Tipo de Pesca: por Espinhel:
Para a senhora Maria Marques Gonçalves, que tem 45 anos de idade e exerce a profissão de pescadora há 35 anos, ela nos ensina como praticar esse tipo de pesca e o equipamento necessário.
Tira-se a maiuíra. Corta e isca-se no anzol, aí vão para a baia e jogam lá fora no fim da maré. Quando é no outro dia voltam para ir tirar o espinhel.

Os equipamentos do espinhel são: o náilon, anzol, marra e bóia.

Para ela há um período em que fica farto de peixes, dependendo do ano, porque hoje em dia tudo está mudado, tem ano que dá bem peixe e tem outro que dá pouco, não existe mais safra.
Segundo ela o funcionamento do sistema de atravessamento do produtor, até o consumidor é desigual, e ela diz: “Eu vendo para o atravessador porque na minha pesca, compramos óleo fiado e quando chega ao fim da semana ele faz o ajuste da produção e desconta o débito, se pagar pagou, se não pagar, pesca na outra semana para pagar, e assim por diante”. “É o sistema de aviamento da borracha, se aplicando nos rios”, nos diz o professor da escola.

Maria Gonçalves argumenta que para melhorar a vida do pescador da região, teria que arrumar emprego e os pescadores saírem dessa vida, para ver se melhora a condição da pesca e o recado que ela deixa para as autoridades a favor do pescador é que queria que a lei brasileira mudasse, por que elas beneficiam os políticos, porque se eles roubam, não é roubo, é desvio. Às vezes quando pegam um político ou um empresário num roubo é muito difícil eles serem preso, porque eles têm poder aquisitivo que é o dinheiro.

Quanto a maré, é nela que se pega uma boa quantidade de dourados (tipo de peixe). Para ela é a maré de quarto que se coloca o espinhel no canal grande ou em cima do seco e o filhote (outro tipo de peixe) num lugar chamado rego da pedra.

Tipo de Pesca: por Bloqueio/Borqueio

Para o senhor José Marques Gonçalves que tem 52 anos de idade e a 40 exerce a profissão de pescador, os equipamentos necessários para esse tipo de pesca são: sonda, tala, 3 casca grande, a rede de bloqueio (ou borqueio). As pessoas que trabalham no bloqueio são mais ou menos 25 a 30 homens e as pessoas trabalham no caxo da turma são 10 trabalhadores nos dois cascos grande. E no da carona 5, nos dos taleiros somos 3 e 3 pilotos, marreteiro são 5 pessoas em cada barco.
Segundo ele, há um período em que o peixe fica farto e há outro que ele fica escasso, é que não existe mais isso de safra, porque cada vez há mais há consumo de peixes, que quer dizer tem muitas pessoas para consumir o que natureza oferece. Nesse caso a situação da população ribeirinha vai ficando cada vez mais difícil e os meses desse tipo de pesca são de Março a Outubro.
Para José Gonçalves o funcionamento do sistema de atravessamento do mapará, do produtor até o consumidor: “ quando nós tava pegando o marreteiro vendia o mapará de 2 e trinta a 3 reais.”
Para o pescador o que deve ser feito para melhorar a vida do pescador na região é que o pescador deve parar de pescar e arrumar outro trabalho ou um emprego e parar mais de explorar a pesca.
A maior quantia que ele já pegou de mapará em um bloqueio foi de 4 mil quilos.
O recado que ele deixa para as autoridades (políticas) e leis a favor do pescador o que acontece que eles quando fizeram uma lei não metam os pés pela mão, à intenção deles é ajudar e acabaram prejudicando o pescador.
O presidente fez uma lei para os pescadores porque teve um monte de denúncia da colônia dos pescadores, que tinha pescador no seguro desemprego que não pescavam e fez essa lei justamente para que todos os pescadores pescarem, para quando chegarem da baia mostrar sua produção, para provarem realmente que são pescadores, e nesse caso, a baia ficou mais cultivada e piorou a situação da turma de bloqueio.
E agora se não dá mapará, ta difícil dar, porque aumentou o dobro de rede plástica na baia e acontece que espanta qualquer tipo de peixe.

A localidade Rio Sapocajuba abriga uma secretaria da Colônia de Pescadores Z-14 e abriga a Comunidade S. Raimundo, com a festa do mesmo santo na capela da comunidade e a Escola Bom Pastor. Nessa localidade existiam alguns engenhos na antiga cidade de Abaeté.
O repovoamento dos peixes na região é uma coisa incerta, devido vários fatores, um dos quais foi a instalação da Usina Hidrelétrica de Tucuruí, que cortou a chamada “piracema”, onde diversas espécies de peixes ficaram impedidos de completar o seu ciclo de reprodução. Porém, poder-se-ia pensar em usar as escolas do interior do Município, especialmente as escolas do projeto SOME, para se convocar as populações ribeirinhas e começar a educá-las para a preservação dos remanescentes dessas espécies ameaçadas de extinção e propor a repovoação dos rios e baías com espécies de peixes que não utilizam a piracema na sua reprodução.

TRABALHO SOBRE A SAÚDE

Antigamente não tinha recursos nas ilhas, não tinha posto de saúde, não tinha agente de saúde, não vinha vacina para as pessoas, muitas crianças morriam de doença de contágio, por exemplo, caxumba, sarampo, guariba, paralisia infantil, etc.
As mulheres grávidas não faziam nenhum tipo de tratamento durante seu período de gravidez, muitas vezes morriam no parto com o filho na barriga.
As pessoas não faziam o tratamento da água, não usavam nenhum medicamento, não ferviam a água, ocorrendo assim muitas doenças da água, como por exemplo, a cólera.
Hoje em dia não melhorou tanto, mas temos alguma melhora, porque já existem mais recursos que antigamente, tem posto de saúde, tem agente de saúde, já vem vacina para as pessoas, não só para pessoas, mas até mesmo para animais, como, cachorro e gato, e agora é difícil saber que crianças morreram de doença de contágio e já não acontece tanto número de paralisia infantil.
Melhorou um pouco mais que antigamente, mas apesar de tudo isso precisa de mais recursos, muitas vezes acontecem acidentes e corremos diretamente para um posto, que muitas vezes não tenham pessoas para atender e falta de medicamentos.

CONTOS E LENDAS NO SAPUCAJUBA

Pacto:
Por Pedro Batista da Costa, 73 anos, mais conhecido como Pedrinho.
Esse foi mais uma caso real que aconteceu aqui no rio Sapucajuba, há 30 anos atrás.

Uma mulher muito pobre que vivia com seu marido e seus dois filhos. Mas essa mulher não agüentava mais tanta miséria e resolveu fazer um pacto com o Satanás. Se ele fizessem eles ficassem rico e ter de tudo, ela daria em troca para o Satanás um filho. Então o Satanás deu de tudo a eles: dinheiro, casa, barcos, muito luxo e ela cumpriu sua promessa e fez um filho com o satanás. Mas a criança nasceu morta, onde metade era gente e metade Satanás e tinha até chifre. Um pajé muito bom curou ela e Satanás sumiu da vida dela, pois a promessa dela, ela cumpriu e ela livrou-se dele e resolveu mudar de vida e nunca mais fez pacto com ninguém e ela até se mudou daqui.

Pobre Riqueza
Estávamos, Tanto e eu na casa do seu Barbosa. Uma noite o meu parceiro, às duas horas da manhã, foi fazer o café e eu tava deitado na rede, olhando para ele fazer o café. Nesse momento um homem apareceu e segurou meus dois braços e perguntou se eu queria ficar rico, aí eu perguntei onde tá essa riqueza. Nessa hora ele me amorteceu e eu fiquei parado olhando pra ele e ele me disse:
- Abra a porta e o que tá lá é teu.
E nesse momento eu não tive mais como andar, sabe?
E ele largou dos meus braços e eu fiquei olhando pra ele e pensei que meu parceiro Tanto estivesse olhando pro homem, mas só eu estava vendo o homem. Nesse momento eu fiquei normal.
Eu peguei a escova pra escovar os dentes, peguei a toalha e enxuguei meu rosto, tomei café e fui pro meu matapí. Eu não contei nada pro meu parceiro Tanto, porque eu queria ficar rico sozinho.
Passou a segunda noite e esse homem não veio, passou a terceira e ele não veio não.
Foi o jeito contar pro meu parceiro Tanto, só que me deu muito medo do homem me encontrar, sabe?
O Tanto falou:
– Tu és um medroso e perdeste a riqueza.
Esse foi um causo real que aconteceu com o seu Manuel João dos Passos Quaresma, mais conhecido como grisalho (39 anos) morador do Rio Sapucajuba, em outubro de 2000.

As Ilhas e Estradas de Abaeté são regiões formadas por populações que possuem cultura rica de lendas, mitos, busões, crendices e superstições que povoam a mentalidade dessas populações até os dias atuais.

FAMÍLIAS, PERSONALIDADES, COMERCIANTES, DONOS DE ENGENHOS NO SAPUCAJUBA

. Seu Manuel João dos Passos Quaresma, mais conhecido como Grisalho (39 anos) morador do Rio Sapucajuba, em outubro de 2000, sobre um causo real.
. Pedro Batista da Costa, 73 anos, mais conhecido como Pedrinho, contando um caso real que aconteceu no Sapucajuba.
. Manoel Baptista da Costa, era Fiscal no Rio Sapocajuba no Governo do Coronel Aristides em 1922.
. D. Maria do Livramento
. Raimundo Correa, dono de engenho e antigo morador do Sapocajuba.
. Raimundo da Silva Correa, dono do Engenho São Raimundo, no Rio Sapocajuba.
. Sebastião Matias Pereira, um dos primeiros coordenadores da Comunidade de São Raimundo Nonato.
. Maria da Paz Rodrigues, nascida em 12/12/1917, na localidade Tucumanduba e uma das guardiãs da memória do Sapocajuba.
. D. Nantirdes dos Santos Matias.

Outros antigos moradores do Sapocajuba

. D. Bermina, uma das entrevistadas da Coletânea de depoimentos do Sapocajuba.
. Os Irmãos Mimi e Alacir Correa, donos de um engenho e da imagem de São
. Raimundo Nonato, que se tornou padroeiro do Sapocajuba.
. Maria de Nazaré Martins Leal, artesã de matapi e rasa na Sapocajuba.
. Maria Gonçalves Leal, de 55 anos em 2007, artesã de matapi e rasa no Sapocajuba.
. D. Deleuza Laba Leal, com 35 anos em 2007, artesã de cestos no Sapocajuba.
. Floresvaldo de Souza Leal, com 62 anos em 2007, oleiro há doze anos no Sapojabuba.
. Dionéia Fonseca Almeida, nascida em 11/11/1946, com 60 anos em 2007, que prestou informações sobre a educação no Sapocajuba, professora desde 1984 da Escola Municipal de Educação Infantil e de Ensino Fundamental Bom Pastor, do Sapocajuba em 2007.
. Professora Maria José Carvalho, antiga professora da Escola Municipal do Rio Sapocajuba.
. Professora Venina, da Escola Municipal do Sapocajuba.
. Professora Eli Regina Quaresma de Lima, da Escola Municipal de Ensino Infantil e de Ensino Fundamental Bom Pastor, do Sapocajuba e também diretora em 2007.
. Professora Elieth Fonseca Almeida, da Escola Municipal de Ensino Infantil e de Ensino Fundamental Bom Pastor, do Sapocajuba, em 2007.
. Professora Leila Fonseca Almeida, da Escola Municipal de Ensino Infantil e de Ensino Fundamental Bom Pastor, do Sapocajuba, em 2007.
Prof. Márcio Paulo de Oliveira, da Escola Municipal de Ensino Infantil e de Ensino Fundamental Bom Pastor, do Sapocajuba, em 2007.
. D. Antonia Matias Martins, nascida em 28/10/1954 e com 52 anos em 2007, informante para a Coletânea, do Rio Sapucajuba, em 2007.
Cléa de Castilho Lobato, antiga professora da Escola São Pedro em 2007, do Sapucajuba.
. Diretora: Antônia Matias Martins, da Escola São Raimundo em 2007.
. Rosilene Corrêa da Silva, professoras da Escola São Raimundo, em 2007.
. Ema da Conceição M. Maués, que prestou informações sobre medicina popular, em 2007.
. Valdomiro Caripuna Correa, informante do comércio antigo no Sapocajuba, em 2007.
. Alexandre Correa e filhos, antigos comerciantes no Sapocajuba, citados nos depoimentos de 2007.
. Aurora Moisés Negrão, informante sobre as utilidades do miriti, em 2007.
. André Pereira Fonseca, informante do custo do açaí em lata, em 2007.

Alguns Alunos do Some

- Andecléa Moraes Martins
- Roque Junior da Silva Batista
- Lenildo Fonseca Almeida
- Josiel Figueredo da Silva
- Dinaldo da Silva Batista
- Sila Martins Leal
- Maria de Fátima Martins Leal
- Maria Neuza Martins Leal
- Francidalva Batista Moraes
- Milene da Silva Gonçalves
- Ana Maria Lobato Martins
- Maikon Reis da Silva
- Patrícia Paraense Corrêa
- Marizilda Ribeiro Pereira
- Rafaela Batista Martins
- Josiane da Silva Batista
- Janaina Batista da Costa
- Luan da Silva Costa
- Maria do Socorro Gonçalves Leal
- Arilene Silva da Silva
- Valdecira Amaral Barreto
- Veriane Ferreira Gonçalves
- Leiciane Silva Corrêa
- Josilene Ferreira Barreto
- Kleidison dos Passos Barreto
- Josimar Moraes de Castilho
- Nazilda dos Santos Corrêa
- Cleidilene Teixeira dos Santos
- Rosália Martins de Castilho
- Noeme Leal dos Passos
- Marluci da Costa Martins
- Solange Gonçalves Batista
- Daniele Fonseca Almeida
- Hígor Fonseca
- Rodrigo Negrão Gonçalves
- Alessandro Ferreira Cardoso
- Manoel José Martins Gonçalves
- Ivan Gonçalves dos Passos
- Kícila Cardoso de Lima
- Josicléa do Socorro Ferreira Barreto
- Valdelice Amaral da Silva
- Jacira Amaral da Silva
- Jhonatan Cardoso Sampaio
- Cleidiane dos Passos Barreto
- Cristiana Gonçalves Pereira
- Ramon Negrão Gonçalves
- Marinaldo Ribeiro Pereira
-Francineide Trindade da Trindade
- Jocenilda Pereira Martins
- Raul de Castilho Lobato
- Breno Cardoso Costa
- Evanilson Martins Corrêa
- Iolanda Jéssica Martins Costa

Algumas Pessoas do Rio Sapocajuba Citadas em 1961
. Alírio de Jesus Miranda
. Antonio Mercês
. Beata Caldas Martins
. Erci Maués Macedo
. Francisca Pinheiro do Monte
. José Mendonça
. Josefina C. Moura
. Manoel Paulo de Melo
. Raimundo Melo
. Vicente Farias Caldas

RIO ANEQUARA

Benzedeiras e Pajelanças:
Durante muito tempo as pessoas procuram a cura de seus males; assim elas optam por todas as formas existentes na sociedade: médico, pajé, espíritas, benzedeiras e outros.
Aqui na localidade Rio Anequara, as benzedeiras, antigamente, já salvaram muitas vidas, pois através de seus conhecimentos elas ensinavam remédios que ajudado com a fé do paciente, eles ficavam curados.

Depoimentos:
“Um dia minha filha estava passando mal de diarréia e vômito e não tendo condições de levá-la ao médico, levei-a D. Maria benzedeira aqui no rio Anequara”. Ela estava entre a vida e a morte, então, Ela disse:
- Minha Filha, tu tem fé em Deus?
Eu disse: Tenho.
Ela falou:
- Então acredita em mim e reza para que o remédio que eu vou passar, para ela faça obra. Ai ela benzeu e ensinou um chá de hortelã, raiz de açaí, grelo de goiaba, marupazinho. Aí eu fiz e dei para a minha filha. “Dentro de poucas horas ela já conseguia abrir os zolinhos e ficou curada graças a Deus e a benzedeira”.

Depoimento de D. Maria José em 19-06-2007 no Rio Anequara.
“Um dia minha filha ficou muito doente e estava prenha de 7 meses, então, a levei ao médico em Abaeté, o médico disse:
- O problema dela é grave, leve imediatamente para Belém.
Então eu disse que não tinha condição e não conhecia Belém. E voltei para casa. Chegando a casa falei pra mulher que ia procurar um pajé. E fui, chegando lá ele disse:
- Meu amigo se o médico mandou você pra Belém, leve ela que eu não me comprometo.
Então eu disse que ficava responsável pelo que acontecesse e pedi que ele passasse o remédio. “Porque se eu perdesse o anel, ficava o dedo e se eu perdesse o dedo ficava o anel”. Portanto, faça o meu pedido. Ele passou o medicamento e ela ficou curada e não perdeu o bebê. Então, falei:
-Quem tem fé, tem tudo.

Depoimento do Sr. Otávio Pinheiro em 19-06-2007.
Casos como esses, constantemente aconteciam e acontecem, onde as pessoas são curadas de diarréia, vômitos, aborrecimentos, quebranto, só através das benzeções.
Para muitos, o olhar de alguém pode trazer algum tipo de doenças como dor de cabeça ou algo negativo na vida das pessoas. Para isso é bastante uma pessoa quem tem “olho gordo” (malicia) dirija esse olhar para alguém.
A pessoa acometida pelo mal olhado sente dores de cabeça e começa a bocejar muito, caracterizando um mal-estar. Aí é necessário procurar o benzedor ou pajé.
A pajelança é uma forma que o povo utiliza para a cura dos seus males. A benzenção é um ritual que demora aproximadamente 20 a 40 minutos.
Inicialmente o benzedor faz orações invocando santos e vai tocando com o galho de ervas a cabeça e o corpo da pessoa acometida pela enfermidade, até a expulsão do mal.
“Eu aprendi a benzer, para benzer meus filhos e as pessoas que não tem condições de pagar.”

Depoimento de D. Maria do Socorro Barreto Gonçalves, benzedeira, entrevistada em 21-06-07, no rio Anequara.

As tradições culturais sofreram a influencia de diversos povos:
As festas, os mitos, as lendas, as danças, as comédias, as músicas, enfim, muitas manifestações fazem parte das tradições culturais de um povo. Elas geralmente, são transmitidas pelos pais aos filhos.

Agora vamos conhecer um pouco mais sobre as tradições culturais da nossa região:

A RELIGIOSIDADE E LAZER NO RIO ANEQUARA

O Festejo de Nossa Senhora do Perpétuo Socorro no Rio Anequara
A maioria dos moradores do rio Anequara, é devota de Nossa Senhora do Perpétuo Socorro, sendo, que antigamente e até mesmo hoje há festejo em honra a padroeira local, que durava cinco dias e hoje apenas três dias.
No primeiro dia acontece o círio fluvial onde os moradores preparam suas embarcações, enfeitam com as bandeirinhas, balões para poderem participar do círio.
O percurso é ir de um rio vizinho para o local onde a santa estava durante o círio e os devotos cantam e jogam foguetes para pagarem suas promessas. Na chegada da santa é aquela alegria, pois a mesma passeava no rio todo, e as famílias que por algum motivo não podiam participar do círio, pagavam suas promessas feitas à padroeira na frente de suas próprias casas.
No final a santa retorna a igreja onde se celebrava a missa, pelo vigário, que está atuando nas ilhas.
Depois da missa inicia-se a festa de arraial e permanecia durante o resto da semana.
No domingo de manhã que é chamado o “dia da festa”, há brincadeiras com as crianças, show de calouros, concursos de danças e todas as crianças que participam recebem brinquedos. Em seguida há competições de natação, onde também o vencedor recebe prêmios. E a tarde é o tradicional jogo de futebol masculino, onde são convidados os times de outras localidades próximas para virem até a comunidade. É uma tarde muito movimentada, pois cada time de futebol também traz sua torcida.
Durante a tarde acontece a disputa entre os clubes sendo que o vencedor sempre ganha como prêmio: porco, boi, grade de cerveja ou outro prêmio. O organizador desse evento é o clube da localidade que tem como nome Aliado Esporte Cube.
Às dezesseis horas é feito o encerramento desse torneio, onde as pessoas se dirigem até suas casas, para tomarem banho, descansarem e em seguida voltar para o arraial para o encerramento da festa.
Quando voltam para o arraial, às oito horas, acontece a santa missa solene celebrada pelo padre. E à meia noite acontece o tradicional leilão do bolo da santa, onde as pessoas se reúnem para arrematar o mesmo, assim, termina o festejo da santa e as pessoas se despedem até o próximo ano.

FOLIA DOS SANTOS

Outra forma de expressar a fé é a folia dos santos que acontece. A folia é composta por um grande grupo de pessoas que utilizavam vários instrumentos musicais, como: viola, tambor, reco-reco, pandeiro.
Viajando em canoa com toda a comitiva dos foliões percorria os rios levando sempre a imagem do santo.
Ao perceber o som dos foliões as famílias iniciavam a arrumação da casa para receber o Santo e havia até o lugar para colocar o Santo (oratório) e as famílias deveriam estar ali presente.
Ao se aproximar do porto o dono da casa vinha à frente, enquanto o representante dos foliões lhe entregava o Santo (imagem). Após ser recebido o Santo era levado para o interior da casa acompanhado pelos foliões.
Na porta da casa, a esposa acolhia a imagem e a conduzia até a sala, onde ela se benzia e colocava a imagem sobre a cabeça, pedindo proteção, saúde e etc. Em seguida repetia os mesmos gestos nos filhos. Havia nesse momento os cumprimentos entre os presentes, eram oferecidos água ou café aos foliões. Seguindo de um cântico acompanhamos pelos instrumentos musicais, eram momentos emocionais para todos. Ao se retirarem levando a imagem do Santo, os foliões recebiam das mãos das famílias acolhedora o donativo ou contribuição em dinheiro.

REZA CAPITULADA
LADAINHA

A reza capitulada já existia há muito tempo na comunidade Nossa Senhora de Perpétuo Socorro, localidade no rio Anequara, desde mais ou menos 50 anos atrás. As pesssoas, principalmente homens, saiam com a imagem da Santa para esmolar e rezar.
A reza capitulada é tradição e preparação para a festividade de nossa Senhora do Perpétuo Socorro. É uma reza muito respeitada pelos devotos anaquarenses.
É composta por cinco pessoas e cada pessoa exerce uma função:
* Capitulante- exerce a função de celebrar a reza;
* O baixo- tem como obrigação de agüentar a voz do capitulante;
* O contra baixo - que tem a função de agüentar a voz do baixo.
* Alto- é a pessoa que tem a voz mais alta o que dá o ritmo da reza;
*O Contra-alto -agüenta a voz do alto.

LENDAS, MITOS E “CAUSOS”

A Lenda do Menino Pretinho:
Minha mãe conta que aos uns 30 anos atrás havia um menino que aparecia quase todos os dias à beira da praia.
Certo dia minha irmã Rosimeire e meu irmão Nonato iam para a escola quando de repente olharam para a beira e viram aquele menino muito moreno, que tomava banho e quando eles olhavam para o menino ele pegava dava um mergulho na água e saia correndo pro mato. Então meu irmão falou:
- Olha mana que interessante, o menino quer brincar com agente e ela falou:
- Não olhe muito, vamos embora e deixa isso pra lá porque não sabemos quem é ele.
Meus irmãos foram embora e o menino ficou brincando de correr pra água e pro mato.
E assim foi que uma bela noite na casa da minha avó Joana, minha tia Jandira estava deitada e quando ela deu deitou ao seu lado um menino e começou a brincar com ela, então ela dizia:
- Mamãe pegue o Ró do meu lado porque ele não quer ficar quieto.
E a minha avó disse:
- Péra aí que eu vou pegar a lamparina.
E foi ver e quando ela viu saiu correndo do lado da minha tia e a vó disse:
- Você está doente imaginando coisas, porque no teu lado não tem ninguém.
E minha a tia disse que tinha sim e ele tava deitado no meu lado.
E a vovó disse:
- Não minha filha, era o pretinho que tava brincando contigo e você pensou que fosse seu irmão.
E então minha tia ficou se benzendo e rezando, pensando no que tinha visto e acabado de acontecer com ela e desde aí então ele desapareceu e até hoje não se viu falar mais nele.
Isso aconteceu na boca do Rio Prainha.

ERA NO DIA 1o DE NOVEMBRO DE 1998

Minha mãe e meus irmãos e os vizinhos foram assistir novela na casa do vizinho. Nessa época havia apenas uma televisão na beirada.
Certo dia quando eles vinham da casa do vizinho passaram por um caminho e de repente começou a barulhar pro mato e todos eles pararam para ver o que era aquilo.
O barulho era tão grande que eles começaram a gritar desesperados e a minha mãe que é uma mulher tão corajosa que não tem medo de nada se assustou também, então ela disse:
- Gente se acalmem que esse barulho tão grande é o boi do Pantoja que está por aí.
E o meu irmão disse:
- Não mamãe, se fosse ele já estaria correndo atrás de nós.
E as meninas falaram:
-Vamos correr Grevita, porque esse barulho já esta nos dando dor de cabeça e não estamos agüentando ficar aqui.
O barulho era de pau, folha tudo quanto era barulho e se aproximava. Passou-se um tempo juntos e quando ela olhou pra árvore do açaizeiro o meu irmão já estava no meio da arvore e a minha mãe estava com um facho de fogaréu na mão, rimpou.
Ele e disse:
- “Desse daí, caramba, que se não, tu vai ficar.
Pegou nas pernas dele e puxou para baixo e todos correram. Isso aconteceu no grande dia santo e no dia seguinte morreu minha tia e até hoje não se sabe o que era aquilo.

“Boto”

O marido e boto tinha relações sexuais com uma única mulher que era casada.
O Mimigrande ia pra Abaeté todas as madrugadas e deixava sua mulher sozinha na casa e o boto abusava dela, mais só que ela não sabia e ela amanhecia embaixo da rede.
Certo dia Mimigrande desconfiou que a sua mulher estivesse ficando amarela e muito seca e levou ela ao macumbeiro e o macumbeiro dizia que era o boto. Mimigrande disse que ia matar o boto.
Quando chegou a hora de ir pra Abaeté, ele embarcou no seu batelão e saiu normalmente, mas só que ele deixou o batelão na beira e voltou pra casa pelo mato e pegou sua cartucheira e se escondeu em baixo do jiráu.
Quando ele viu, aquele homem todo de branco encostou-se no porto de sua casa, vindo num casquinho e amarrou o casco e subiu no miritizeiro. Quando ele já estava no meio do miritizeiro o boto sentiu o Mimigrande embaixo do jiráu e desceu. E o Mimigrande atirou.

“ A Mucura”

Fomos num tornei no campo de Zeca Quinto, eu, o Neto, João e o Miranda. Quando foi às 6 horas da tarde terminou o torneio, no tempo da mucura (que era uma pequena festa). Quando deu umas 8 horas da noite começou o espetáculo e o Miranda estava liso e ele falou assim pra mim:
– João fala pro dono da festa abrir um crédito pra mim.
E eu falei pro dono da festa abrir um crédito pro Miranda e ele se meteu na cachaça. Quando deu umas 11 horas da noite, eu e João fomos dormir na casa da Dona Demétria. Dormimos num pátio. Quando estávamos dormindo, apareceu Neto chorando, chamando eu:
- João me acode!
E eu me espantei nessa hora e perguntei:
– O que é que tá acontecendo Neto?
Ele me disse:
- Foi o Miranda, ele me partiu o cotovelo com uma acha de paxiúba.
Nós fomos pra beira do campo por volta de 12 horas da noite. Fiquemos perto de um pau mulato um no lado do outro e começou a porrada. Deram uma bofetada no Miranda, que caiu dentro do curral de porco e o porco correu pra tudo lado. Ele corre para o lado da casa e grita:
– Chegou o Satanás!
E nessa hora apareceu um homem atrás desse pau mulato e ele era o Satanás um homem de 4 metros de altura, magro, preto, mais preto que um pedaço de carvão e eu rezando dentro de mim. A porrada rimpou na casa do seu Zeca Quinto, e era padrinho contra o filhado, tio contra sobrinho, pai contra filho, uma porrada só.

“LABISONHA”

Um homem na Praia do Coelho tinha uma porca que sempre enfrentava ele. Aí um dia ele não pode mais descansar e nem despeixar o matapí, por que ficava em terra. Aí ele amolou uma faca e foi ao encontro da porca. A porca enfrentou ele e ele furou ela e ela foi gritando pro mato. Tinha um casal que tinha uma empregada e eles ouviram ela gemendo. Aí eles foram ver o que era e tinha uma poça de sangue no quarto dela e eles ficaram assustado, chamaram o pessoal e foram ver. Ela tava com a tripa pra fora e aí levaram ela pra Abaeté e depois levaram ela pra Belém, e ela ficou boa e voltou. Aí o casal começou a interrogar ela, até que ela contou que ela transava com o próprio irmão e que ela era labisonha e que ela era aquela porca que foi furada pelo homem.
Esse foi um caso real contado por Dona Maria Brasil Martins Costa, 69 anos, apelido – Sampaio, que aconteceu em 1950.

“REMANSO”

Dona Joana vinha sempre visitar a sua irmã Bé, sabe?
Certo dia ela viu um remanso e ela gritou e logo todos ficaram sabendo, só a irmã de dona Joana dona Bé acreditou. As outras pessoas não acreditaram.
Ela passou a vim dormi na casa de sua irmã Bé com medo do que viu naquele dia, sabe?
Outro dia outras pessoas viram o mesmo remanso e todos dizem que há um bicho Sapucajuba, mas até hoje ninguém sabe o que é não.
Causo real que aconteceu com dona Joana Irmã de dona Bé.
Nome: Benedita Santos Lima, 62 anos, mais conhecida como dona Bé.

A LENDA DA COBRA GRANDE, uma das mais contadas

O imaginário popular informa que uma dessas gigantescas cobras vive debaixo da ilha da Paçoca, próximo a séde municipal e toda vez que ela se movimenta, destrói o cais da cidade. Detalhe: Hoje Abaetetuba não dispõe de cais, porque os que foram construídos acabaram desmoronando. Apenas um pequeno trapiche é utilizado como atracadouro. Essa história já foi contada por muitos moradores da cidade e que pode existir até hoje...

“O POÇO DA MOÇA”

O Poço da Moça fica nas cercanias do Ramal do Bacuri, próximo ao Curuperé, e é outra atração que leva dezenas de pessoas a conhecer o local onde fica esse lindo poço.
Conta a tradição que ali viveram duas tribos indígenas formadas por criaturas muito lindas, amantes da natureza, mas que se odiavam entre si. No limite das terras onde moravam existia um olho d’água muito límpido, onde cumpriam seus rituais.
Nesse lugar nasceu o amor de dois jovens, filhos de tribos inimigas. Logo após descobertos, seu amor tornou-se proibido e, ao descumprirem as imposições dos pajés, aconteceu a guerra, nela vindo a morrer o jovem índio. A jovem, muito triste, passou a freqüentar todos os dias o poço, onde chorava toda a sua tristeza. Depois, lavava o rosto no olho d’água, cujas águas cresciam a cada dia. Um dia, o jovem lhe apareceu como uma visão e arrebatou-a consigo para o fundo do poço. Logo após isso ter acontecido os índios abandonaram o local onde, diz a lenda, a moça aparece, em noites de lua cheia, lavando o rosto e os cabelos.

Segundo Dona Benedita Pereira Martins, no ano de 1963 ela tinha 16 anos quando começou a enxergar uma grande sombra na água bem em frente nossa casa, depois foi prestando atenção era uma grande cobra que ficava na hora de meio dia com a cabeça e o pescoço mais ou menos um metro empinado fora d’água. Todo o dia era a mesma coisa.
Quando foi um dia, uma família do Rio Muaná, vinhoa atravessando a baia à remo, o pai, a mãe e um lindo menino que se chamava Rafael, que tinha 5 anos. Os pais vinham remando e o menino vinha olhando para o mar com a mão na água. Foi quando sua mãe sentiu que algo estava acontecendo, olhou para o lado onde Rafael vinha sentado e sentiu que alguém o tinha puxado para as águas do mar. Seus pais gritavam pedindo socorro, até que apareceu um pescador, que perguntou o que tinha acontecido. Eles contaram ao pescador como aconteceu e o pescador falou:
Amigo aqui mora uma cobra encantada e ninguém pode passar aqui, por que as pessoas que ela simpatiza, ela encanta junto com ele.
Os pais ficaram muito tristes procuraram 8 dias para ver se achavam o corpo do filho, mas em vão.
Foi o jeito aceitar a perca do filho.
Sete anos anos depois, em 1970, o pai de Rafael teve um sonho.
Uma moça muito bonita o chamou pelo seu nome:
- Seu João, seu João você lembra o que aconteceu há 7 anos atrás?
No sonho ele disse:
- Claro que lembro perdi meu filho nas águas.
A voz disse:
- Você quer encontrar ele de volta?
Seu João respondeu:
- Quero sim.
A moça disse:
- Você tem coragem?
– Ele respondeu:
- É claro que tenho, para ver meu filho enfrento até a morte.
A moça disse:
- Você tem coragem no que diz?
– João disse:
- Tenho toda certeza do mundo.
A moça disse:
- Está bem, amanhã à meia noite você vai á praia e leve uma faca de ponta fina, espera dar a 1ª marinha, a 2ª e na 3ª vai boiar uma grande cobra e no meio da cobra tem uma pinta verde. Você pega a faca e afinca de ponta no sinal e vai sangra, aí ela se desencantará e aparece uma cidade muito bonita. Seu filho Rafael mora lá.
Seu João disse:
- Tudo bem eu irei com maior prazer.
A moça disse ao seu João:
- Tenha cuidado, não diga isso a ninguém. Se você temer ou contar a alguém redobrará meus encantos.
Seu João foi a hora marcada que combinou, e ficou à beira do mar e à meia noite ouviu um barulho. Veio a 1ª maresia, a 2ª e quando deu a 3ª apareceu uma cobra muito grande e seu João não teve coragem e correu, foi embora e ouviu um grito muito alto:
Ah! Ingrato redobraste meus encantos.

Informantes:
Maria do Livramento
Maria da Paz Rodrigues
Nantirdes dos Santos Matias
Dileuza Lobo Leal
Floresvaldo de Sousa Leal
Dioneia Fonseca Almeida
Antônia Matias Martins
André Pereira Fonseca
Aurora Maués Negrão
Valdomiro Caripuna Corrêa
Elida da Conceição M. Maués
Maria Brasil Martins Costa (Sampaia)
Joana Martins Maués
Desdete Pereira Gonçalves
João Reis Marques Gonçalves
José Maria Marques Gonçalves
Manoel José Marques Gonçalves
Otávio Pinheiro
Maria do Socorro Barreto Gonçalves
Raquel Corrêa Martins
Manuel João dos Passos Quaresma (Grisalho)
Benedita Santos Lima (Dona Bé)
Pedro Batista da Costa(Pedrinho)
Benedita Pereira Martins

Moradores, Personalidades e Famílias do Rio Anequara

Sr. Otávio Pinheiro em 19-06-2007, depoimento sobre pajelanças.
A avó Joana, Tia Jandira, Os irmãos: Rosimeire, Nonato, sobre o menino Pretinho.
Zeca Quinto, dono do campo de futebol.
Dona Demétria
D. Maria Brasil Martins Costa, 69 anos, apelido – Sampaio, falando de um caso real de labisonho que aconteceu em 1950.
D. Joana vinha sempre visitar a sua irmã Bé.
Causo real que aconteceu com dona Joana Irmã de dona bé.
D. Maria José ,em 19-06-2007 no rio Anequara, com depoimento sobre a benzedeira.
D. Maria do Socorro Barreto Gonçalves, benzedeira, entrevistada em 21-06-07, no rio Anequara.
D. Maria do Socorro Barreto Gonçalves, benzedeira, entrevistada em 21-06-07, no rio Anequara) sobre benzeções.
Benedita Santos Lima, 62 anos, mais conhecida como dona Bé e sua irmã Joana.
D. Benedita Pereira Martins no ano de 1963 ela tinha 16 anos, quando se iniciou a lenda do Poço da Moça nas cercanias do Ramal do Bacuri, próximo ao Curuperé.

Bibliografia
THOMPSON, Paul. A Voz do Passado: Paz e Terra, 1998.
MONTENEGRO, Antônio Torres. História Oral e Memória. A Cultura Revisada.São Paulo : Contexto, 1994.
SIMÕES, Maria do Socorro & GOLDER, Christophe (Coordenadores). Abaetetuba Conta... Cejup/Ufpa, 1995.
Site
http://pt.wikipedia.org/wiki/Abaetetuba
Postado por blog do "riba" às 18:23
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1 comentários:
Parabéns!!!

Eu sou professora de Estudos Amazonicos e achei um trabalho belíssimo dos alunos do Sapucajuba!
Um abraço a todos

Kézia Almeida
José Ribamar Lira de Oliveira
Possui Graduação em História pela Universidade Federal do Pará(UFPA:1987)e Especialização em História do Brasil pela Pontíficia Universidade Católica(PUC:2004). Participou da Coleção Estante da Amazônia,V. 1(Seduc:1997), exerceu ainda a diretoria: do CAHIS(UFPA:1985/86),do Conselho Escolar da EEEFM"Maria Gabriela Ramos de Oliveira"(1997),da União dos Moradores do Conjunto Maguari(UMOJAM:1997.1999, 2001 e 2003), da Rádio FM Comunitária "Cidade Livre"(1997), da Associação dos Professores do Sistema de Organização Modular de Ensino(APSOME) e atualmente, Coordenador Pedagógico do SOME/SEDUC.Pa.E luta por uma sociedade justa, digna e socialista.

Reproduzido, com alguns acreéscimos das pesquisas do Prof. Ademir Rocha, o belo trabalhos dos professores e alunos do SOME.
Prof. Ademir Rocha, de Abaetetuba/Pa, em 13/12/2010.

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