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sexta-feira, 31 de dezembro de 2010

Rio Genipaúba - Rios de Abaeteuba 2







RIOS DE ABAETETUBA: PROJETO NO RIO GENIPAÚBA 2


Água da chuva melhora qualidade de vida

A região amazônica apresenta a maior reserva de água doce do mundo, mas, ainda assim, uma grande parcela da população sofre com a carência de água potável. É a população ribeirinha que depende, muitas vezes, da água do rio para suprir as suas necessidades mais básicas. O município de Abaetetuba, no nordeste do Estado do Pará, faz parte dessa realidade.

A comunidade quilombola do Rio Genipaúba, em Abaetetuba, não tinha outra escolha senão consumir a água do rio ou dos poços artesanais, que estão vulneráveis às contaminações. Diante disso, o Instituto Federal de Educação, Ciência e Tecnologia do Pará (IFPA)/Campus Abaetetuba, em parceria com a Fundação de Amparo à Pesquisa do Pará/Fapespa, desenvolveu um projeto de captação de baixo custo de água da chuva.

A idéia foi atender as necessidades dos ribeirinhos de Genipaúba, com o auxílio da ciência, e que fosse de baixo custo. Juntou-se uma lona, garrafas pet e alguns pedaços de madeira e estava pronto um protótipo de coleta de água da chuva. A iniciativa foi coordenada pela professora de Biologia do IFPA, Marcela Cordeiro e mais três alunos do Instituto.

A professora explica que a lona é, estrategicamente, colocada em diagonal, de maneira que a água da chuva caia sobre ela e escorra para as garrafas, que servem de calha. Em seguida, acrescenta-se hipoclorito ou a água é fervida e está pronta para o consumo. Após a coleta da água, a lona é higienizada e removida para evitar contaminações.

Todo o processo foi explicado aos moradores da comunidade, que ficaram responsáveis pela manutenção do captador. “Criar um projeto de baixo custo e que eles (os ribeirinhos) possam executar”, explica Daniel Cardoso, aluno do 3° ano do curso de Edificações, do IFPA, sobre o objetivo do projeto.

PROTÓTIPO

Cada morador é que vai decidir onde o protótipo vai ficar: no telhado, ao lado da janela, no quintal de casa, o importante é coletar água e que a higienização da lona e das garrafas plásticas seja feita de forma correta, evitando possíveis contaminações.

Foi feito ainda um levantamento com os dados dos moradores e verificou-se que o modelo de captação mais adequado era um de baixo custo. Além do protótipo, os moradores foram contemplados com algumas palestras sobre a importância do projeto e as doenças transmitidas pela água, garantindo a assistência continuada de que os ribeirinhos têm carência.

A captação de água da chuva é uma medida paliativa, cuja coleta é só para o auxílio doméstico, pois a fonte principal dos moradores são os poços. As águas dos poços ficam armazenadas em um reservatório, mas a estrutura de madeira que sustenta o reservatório está em decomposição e pode desabar.

A professora e os alunos do IFPA já pensam em uma solução. A ideia é integrar o projeto ao curso de edificações do IFPA/Campus Abaetetuba e, no próximo ano, construir uma estrutura de concreto. Segundo a coordenadora do projeto, são comuns os relatos de moradores sobre pessoas, principalmente as crianças, que apresentarem sintomas de diarréia, o que mudou com o projeto de reaproveitamento da água da chuva. A diarréia é um dos sintomas mais comuns em casos de consumo de água contaminada, mas não é a única ameaça da precariedade da qualidade da água. A cólera, leptospirose, hepatite e a esquistossomose são exemplos de doenças que podem ser contraídas pela água.

Segundo a Organização Mundial da Saúde (OMS), 80% de todas as doenças em países subdesenvolvidos são disseminadas por meio do consumo da água. O plano atendeu mais de 20 famílias. Marcela Cordeira conta que o Campus Abaetetuba tem apenas dois anos, e que esse projeto é apenas o primeiro passo do IFPA em Abaetetuba. (Diário do Pará)
Reproduzido pelo Blog do Prof. Ademir Rocha em 31/12/2010.

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