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quarta-feira, 22 de junho de 2016

Poesias 7 do Adenaldo Santos Cardoso - Poetas e Poesias

Poesias 7 do Adenaldo dos Santos Cardoso - Poetas e Poesias


ESSE CARA NÃO É O CARA
Vou dizer na tua cara
Que esse cara não é o cara
Vou provar na tua cara
Que essa cara é de pau
Minha cara ela escarra
Na tua cuia de mingau
Olha o peixe na vazante
Pitiú, alto falante!
Pupunha a todo instante
O Carão apareceu
Encara outra pessoa
Pode ser a que vende broa
Ao teu pai que te perdeu
(Adenaldo)
É tanto blá, blá, blá...
Mas dá pra adivinhar
Na guerra do certo e errado
É difícil errado estar



O CÉU ESTÁ NA BOCA

O ato do bandido
Desfez meu paraíso
Secou minhas roseiras
Minhas lindas companheiras
Que perfumavam meu quintal
Empurrou-me da calçada
Pro meio da patuscada
Fez o bobo da corte
Ser o rei do carnaval

Num “retrô” meio esquisito
Sou eu meu inimigo
O céu está na boca
Por isso minha glicemia
Já subiu mais um degrau
Aos outros não interessa
Se minha vida é uma festa
E se o tempo que me resta
Eu não adoçar com “Zero-Cal”

Com tanto consumismo
Sepultaram o comunismo
Mas não mudo meu rosário
Nem me entrego ao calvário
Vejo sepulcros caiados
Perdidos no matagal
Da morte não deserto
Pois, não sou eu que lhe decreto!
Ah! Se fosse meu o que eu quero...

Morreria num momento
De um abraço fraternal

(Adenaldo)
NATUREZA HUMANA

Adão, posta!
Eva, curte!!!

Eva, posta!
Adão, curte!!!

Deus, posta!
Seus filhos, deletam!!!

(Adenaldo)

CONSELHO DE MAMÃE
Quando era pequenino
Do tamanho de um botão
Dizem que comia merda
Não duvido, muito não!
A inocência de criança
Não tem cheiro e paladar
Lembrança, mundo distante!
Impossível de chegar
Mas desde que me entendi
Vivo o que mamãe me pede
“Filho não mexe com a merda
Porque a merda suja e fede”
(Adenaldo)


Ponte dos Cabanos

Chamem os chineses!
Engenheiros da maior ponte do mundo sobre o mar
Aqui no rio-mar eles irão tirar de letra doze quilômetros
Que farão a maior ponte fluvial do mundo
Em pleno portal da Amazônia verdeazul
Sobre a baía do Marajó entre Barcarena e o Itaguari
Já dizia minha avó que antigamente
Tempo da vela de miriti
O sacrifício destas gentes das ilhas Pará-Amazonas
Era tanto que o viajante carecia rezar ladainha
Dias antes da viagem e ir de casa em casa
se despedir dos parentes e aderentes
Pois podia calhar dele nunca mais voltar.

Chamem os chineses!
O problema desta gente das ilhas filhas da pororoca
É que estamos cansados de ficar na beira a ver navios
Pra China, Noruega, Estados Unidos, Eurozonas
Morrer de inveja e doutras causas naturais e anormais
Saber de tudo hoje em dia que faz indústria lá fora
Com a matéria-prima que foi embora
E quando acaba para o povo das águas não sobra nada,
Só querem o nosso minério, como diz a canção.

Chamem os chineses!
Vencedores do atraso social que estão com todo gás e petróleo
De Áfricas e outras periferias: parceira vanguardeira do Brasil, Rússia,
Índia e África do Sul na locomotiva chamada BRICS
Basta de ser besta a comprarzinho 1,99 em cada esquina
O povo trabalhador quer trens modernos em troca de ferro,
Alumínio e, sobretudo, energia elétrica extraída dos rios
Que vai embutida aos produtos com a mais valia de nosso labor.

Chamem os chineses!
Japoneses, coreanos, os russos e mais europeus,
Todos os gringos com seus cabedais...
‘Mas porém’ não se esqueçam por favor
Que a “ponte dos cabanos” sumanos existe invisível deste quando
O índio conquistador do rio das amazonas seguia o rastro do Sol
A buscar um país encantado
Onde não há fome, trabalho escravo, doença, velhice e morte
Norte constante duma história amazônica oculta à margem da História
Utopia tropical à meia maré de distância entre o paraíso selvagem
E o inferno verde colonial; a um passo da revolução
Como prova o “Bon Sauvage” de Montaigne e Rousseau
Com as lembranças da embaixada da Nação Tupinambá em França.

Na outra margem da saga dos Tupinambás
Vejam só, o bravo povo do Marajó
Há 1000 anos fazia planos de conquista do país do Arapari:
América do Cruzeiro do Sul...
Aqui os extremos Oriente e Ocidente se encontram na curvatura da Terra
As grandes águas do Rio e do Mar se misturam e dispartem ao Norte e Sul.
Por esta sagrada razão das antigas navegações
Os ancentrais de provectas migrações
Tempos do cacique Anakajury atravessaram do Caribe às Guianas
Ponte lendária entre a ilha de Trinidad e as bocas do Orinoco
Fundação da Parikuria na baía do Oyapoc ao Cabo do Norte
De lá pra cá numa universidade pés descalços
Arquitetaram aldeias suspensas e pontes sobre o espaço vazio
Até chegar ao Caripi (caminho do guerreiro)
E ao canal do Caraipijó (Carnapijó) junto à ilha Trambioca
A caminho do rio de Guayamã (Guamá).
Caminhos de rios e mares, travessias e pontes...
Tá ligado, sumano?
José Varella, Belém-PA (1937)
A LÁBIA DO PADRE GRANDE E O ERRO DOS PAJÉS
RIOMAR
Sou feito de água
O rio é minha vida
Riomar que vaga
Em vagas maresias
Sou doce e salgado
Vivo em despedida
Carrego qualquer barca
Mas não sou seu guia
Minha água farta
É de amor e paz
Lavo minhas mágoas
Nas pedras do cais
Sou um retirante
Não tenho a solução
Não adentro a terra
Por justa razão
Nunca fui de guerra
Detesto confusão
Mas se alguém me aterra
Causo inundação
(Adenaldo)


LARGO DE ABAETETUBA
O rio de minha terra
Ri e chora de alegria
Suas risadas desvairadas
É o gargalhar da maresia
O rio de minha terra
Ri de noite e de dia
Num incessante vaivém
Percebo que ele se maquia
O Rio de minha terra
Ri no leito que lhe guia
Ao navegar da marujada
Carrega barco e montaria
O rio de minha terra
Ri de tanta valentia
O vento soprando a vela
O povo em romaria
O rio de minha terra
Ri feliz, que dá cuíra!
Do Tocantins ele é um braço
Largo RIO M A R A T A U I R A
[Adenaldo]
AO POETA
Garibaldi Nicola Parente

Livres!
Voam as palavras
Adentram rios
Adentram mares
Adentram terras
Mundos, cantares...
Em meu cantinho
Se faz presente
Garibaldi Nicola
És meu parente!

(Adenaldo)


Um pouco ausente de minhas atribuições no face....
Problema de saúde: A minha teimosia que
transporta-me até o mais alto grau de ignorância e
a surra violenta ministrada pela Dona Diabrete (diabete),
que só agora mostra o seu poder, revelando-me o seu DEMOLIDOR GOLPE DE ESTADO. Rsrs
MAS A VIDA CONTINUA
ENQUANDO HOUVER VIDA
A GENTE SAI PRA LUTA
E SE A VIDA É A DITA
A TAL DA DITA DURA
MATO A MALDITA
DA TAL DA VIDA DURA
DONA DA NOSSA CABEÇA
Da nossa marca registrada
Também temos “Seu Miriti”
Valha-nos Deus, Nossa Senhora!
“Dona Farinha” e “Seu Açai”
Mas a “mardita” cheia de graça!
Límpida, ardente de danar
Vivia na sociedade
Em Abaeté do Grão Pará
Dona da nossa cabeça
Prostituta dos Abaetés
Bailarina pé-de-cana
A beira de rios e igarapés
Parida no alambique
Do Engenho São José
Joaquim engarrafava
“Vista Alegre” pra Alenquer
No Engenho Nazaré
Duca Costa rezava
Vendo a cana convertida
Sua fé só aumentava
No Engenho da Paz
Paz Maués alegrava
“Maués”, timbrada em sonho
O Amazonas regatava
No Engenho São Jerônimo
Noé Guimarães embarcava
O liquido precioso
Até o santo se embriagava
No Engenho Santa Cruz
Murilo resplandecia!
Com o clarão de tanta luz
Que a branquinha exibia
No Engenho Papagaio
Claudionor tranquilizava
Pois, a água que era ardente
Passarinho não bicava
No Engenho Feliz
Aprigio felicitava
A água vinda da raiz
Em seu porto abundava
No Engenho Paraíso
Francisco imaginava
O céu de cada boca
Quando a pura adentrava
No Engenho São João
Duca Ferreira festejava
Era grande a devoção
Pela cachaça que exportava
No Engenho São Pedro
Álvaro Matos festejava
Espinhos e pedras no caminho
Ele nunca se importava
No Engenho Borboleta
Delclécio flutuava
Nas asas mágicas da paixão
Do verde que transformava
No Engenho do Nazareno
Nazareno encantava!
“Amazônia” era seu leito
Onde ele divagava
No Engenho Santa Rosa
Raimundo orgulhava
“Alvorada” servia de prosa
No lugar onde morava
No Engenho “Cá te espero”
Kemil nunca desviava
De ser um grande anfitrião
Do povo que convidava
Saudosos engenhos de canas
Autores da nossa glória
Em meio as festas profanas
Alegravam a nossa história
Sepulcros caiados na lama
Saudades eternas demais!
Abaetetuba de outrora
Lembranças da puta do cais
(Adenaldo)


DESPETALAR DE UMA FLOR

O rio é a casa
O largo. Marajó!
O Maratauira
É porta sem nó!

Sou filho do mato
Surgi do amor
Do céu de outra plaga
Veio meu avô

Timbraram em meu ser
De ser o que não sou
Forte e valente!
Sou meu professor

Procuro o Abaeté
Que alguém aqui achou
Encontro Abaetetuba
Querendo amor

A paz agredida
Reflete na flor
A flor entristecida
Despetala-se de dor

(Adenaldo)

BARCO DE SONHO

A chuva pode cair
Que eu acho graça
O sol pode tinir
Que graças eu acho
Tudo gira ao meu redor
Banho-me com a lua
Enxugo-me com o arrebol
Só filho da água
E da luz de um farol
Sou carpinteiro de sonhos
Em sonhos ando só
Meu mosteiro é um estaleiro
Meu barco pesqueiro
Tem muitos anzóis

(Adenaldo)

A ILHA DA PACOCA

Terra à vista!
Ali a Pacoca
A Ilha Encantada
Ela dá o rumo perfeito
Do Rio Pequiarana
Onde papai cultivara
Milho, arroz e cana

Mamãe não cansava de contar
Que ela virava navio à meia-noite
E que a cobra grande aparecia do nada
Porque a maldição ali se implantara
Sob os olhos mandingueiros do luar

A gente viajava de “reboque” quase ao amanhecer
Eu e meus irmãos, para estudar na cidade...
Quando chegávamos de volta
Mamãe se alegrava e agradecia
“Graças a Deus, ainda bem, que a Pacoca adormecia!”

[Adenaldo]

NÃO, NÃO, NÃO...
Quando digo NÃO
Não é malcriação
É o meu jeito assim
De SIM dizer o NÃO
O relógio desperta
Não sou mais um menino
O sol entra em meu quarto
Presente do destino
A vida é uma dádiva
Oferenda da razão
Meu ego é um paraíso
Num “SIM” de ditos “NÃO”
(Adenaldo)

MINHA ESTRELA

Interligo meu amor na tua ceia
No teu sentido, na tua veia

Desejo-te ver ligada!
Iluminada como uma estrela
Afinal, eu sei que sou...
Aquele mar que te espelha

Aonde vou, sou defensor
Do esplendor que te rodeia
E por amor, sou infrator
De toda luz que te clareia

Não te desligo!
“Sonhar, cantar, sorrir, gostar
Amar, poetizar e até chorar...”

Como reflito!
Saiba que sou teu refletor
Mais...muito mais... que teu amigo

(Adenaldo)
PAISAGEM FANTASMAGÓRICA

Náutica sabedoria!
O rio me atrapalha
O remo me dá o poder de navegar
Meus movimentos, já não são os mesmos
Ando mais cauteloso...

Outro dia encontrei com um miritizeiro
Parecia a cobra grande vindo em minha direção
Parei de remar... Esperei que se aproximasse...
Afinal, o rio tem seus mistérios...
E eu medo, muito medo do imaginário
Quando adentra o mundo da realidade
Chega a ser real...

Rolando nas águas sob o açoite das ondas
O miritizeiro passava, dando-me a visão alada
De que poderia morrer na beira
E a certidão autêntica de que a sabedoria
É a parideira responsável pelos meus fantasmas

(Adenaldo)


LUCIDEZ DOS TEMPOS

Há muito tempo os fantasmas rondam o meu mundo
Lembro quando era menino
No punho de minha rede via carneirinhos
A Santa Maria com uma aureola de espinhos
Acometido de uma febre de elevado grau
Até o capeta aparecia!
Não sei porque o classificava de capeta
Talvez tenha tirado das cabeças dos adultos
Que o descreviam com a proposita intenção
De causar câimbra em minhas diabruras...

Hoje os meus pesadelos continuam mais fortes
Tenho que enfrenta-los com bravura e determinação
Porque são visíveis e gozam de privilégios
Todos os dias pego o estilingue, e penso ser Davi...
Atiro minhas pedras... Mas acossado pelo Gigante
Recolho-me em minha fortaleza assobiando
Aquela canção infantil que mamãe cantava
Pra desencarnar os meus fantasmas

(Adenaldo)
O QUE ME IMPORTA

Se eu não te importo
Exporta saberes disso
Eu tenho meu lado tétrico
Não me põe num crucifixo
Se o coração não abre a porta
Na cabeça, nada fixo!
Importar o que não importa
Importa um céu sem paraíso

[Adenaldo]
O DONO DA VERDADE

(“Não podemos aprender nada de novo
até que possamos admitir que ainda
não sabemos de tudo” - Erwin G. Hall)

O dono da verdade
É um gato resmunguento
Mia mais do que devia
Pra obter convencimento

O dono da verdade
Exibe prosas eloquentes
Pra provar que ele o tal
Ignora as outras mentes

O dono da verdade
Abraça os porcos no curral
Se alguém diz que ele está sujo
Afirma que é medicinal

O dono da verdade
Metido a intelectual
Mete o dedo no ânus alheio
Porque no dele passa mal

O dono da verdade
Em seu pescoço pus um guizo
Quando ele se aproxima
Saio eu e o meu juízo

(Adenaldo)
Eu chupei cana
Parida no Sirituba
Garapa que gostosura
Lágrima doce do luar... Abaetetuba
Abaeté do Tocantins
Pelo teu corpo
Tuas veias são teus rios... 2 DE JANEIRO

Hoje é sábado
Dia dois
Único dois
Que tem janeiro

Mais onze vezes
Pode contar
Ele vai se apresentar
Em seu dia o ano inteiro

Ele é comum
Pode apostar
Alguém pode lhe marcar
Se nascer no seu poleiro

Filho do tempo
Ele é imortal!
Mas morre de morte natural
Pra renascer em fevereiro

(Adenaldo)
INFINITO PROMISSOR

E assim foi
Ele se foi...
Por um momento
Pensei que estivesse dormindo
Senti o apagar das luzes
Quando meu coração de tristeza chorou
Era o sabor de minha triste alma
Temperada de sofrimento
Experimentando a dor
Paladar amargo
Que pelos leitos dos meus olhos
Em sangue derramou
Eu, um pedaço vivo!
Outro ser de carne
De carne, um sofredor...
Mesmo tendo asas
E composto um ninho
Sinto-me pequenino
Sem meu pé de rosa flor
Se morresse de saudade
Teria a felicidade
De tê-lo sido de amor
Mas como a vida continua
Planto e colho afinidades
Num infinito promissor

(Adenaldo)

MEDITAÇÃO

Na mira do teu reino
Sou o meu maior amigo
Rogo pela eternidade
Sem a figura do inimigo

Se isso é um erro
Não faço por maldade...
Eu sei, sou imperfeito!
Visível à sinceridade

No isso e aquilo
Não entro pra agradar
Sou louco, extrovertido!
Mas eu sei me escutar

Se faço as minhas preces
Embaixo do chuveiro
Ó Deus, eu acredito!
Não precisas de dinheiro

(Adenaldo)
O QUE ME IMPORTA

Se eu não te importo
Exporta saberes disso
Eu tenho meu lado tétrico
Não me põe num crucifixo
Se o coração não abre a porta
Na cabeça, nada fixo!
Importar o que não importa
Importa um céu sem paraíso

[Adenaldo]

"A nossa vida é um carnaval!
A gente brinca escondendo a dor.
E a fantasia do meu ideal,
é você meu amor..."
"A nossa vida é um carnaval!
A gente brinca escondendo a dor.
E a fantasia do meu ideal,
é você meu amor..."
ILHA DA FANTASIA
Encarnei o bobo
Apreciei o povo
Ri da maresia
Distanciei!
Do que não gostei
Na praia em que vivia
Hoje eu bem sei
Lá por onde andei
Mudou com a ventania
Vivo, no entanto
Rebordando o manto
Com toques de folia
Teimoso em meu canto
O mundo que implanto
É de alegoria
Viajo todos os anos
Pra rever os sumanos
Na ilha da fantasia

BEIRA DE ABAETETUBA
De mãos calejadas
De velhas ilusões
De pontes, calçadas
De raça e rações...
BEIRA DE ABAETETUBA
De mãos calejadas
De velhas ilusões
De pontes, calçadas
De raça e rações...

BEIRA DE ABAETETUBA
Começo comércio
Beira da Cidade
Aconchego do Rio
H o s p i t a l i d a d e
De grande verdade
Do "obrigado Senhor"
Da nossa saudade
Da alegria e da dor...
BEIRA DE ABAETETUBA
Começo comércio
Beira da Cidade
Aconchego do Rio
H o s p i t a l i d a d e
De grande verdade
Do "obrigado Senhor"
Da nossa saudade
Da alegria e da dor...




Cristo que é de pedra
Entre pedras não se mexe
Ave, Abaetetuba!
Salve, salve Beja!!!...

Abaetetuba
Abaeté do Tocantins
Pelo teu corpo
Tuas veias são teus rios...



DIVINA PROVIDÊNCIA
É muita violência!
A todo instante se comenta
Que o angu que se esquenta
É o crime em expansão
O cidadão engaiolado
O bandido andando armado
O trânsito desajeitado
Já nem se fala em “São João”
Imagine Santa Rosa
Hospital adoentado
Em seu leito desprezado
Alta; não tem previsão!
O que há pouco se reflete
Está bombando na internet
Mataram Pedro e Margateth
Assaltaram o Manelão
E eu aqui em meu mosteiro
Com alma de palhukeiro
O coração de batuqueiro
Assombrado, digo não!
Chega de tanta demência
Diante da tuba violência
Abaeté pede clemência
Ó meu Deus dê-lhe sua mão!
(Adenaldo)


INFINITO PROMISSOR
E assim foi
Ele se foi...
Por um momento
Pensei que estivesse dormindo
Senti o apagar das luzes
Quando meu coração de tristeza chorou
Era o sabor de minha triste alma
Temperada de sofrimento
Experimentando a dor
Paladar amargo
Que pelos leitos dos meus olhos
Em sangue derramou
Eu, um pedaço vivo!
Outro ser de carne
De carne, um sofredor...
Mesmo tendo asas
E composto um ninho
Sinto-me pequenino
Sem meu pé de rosa flor
Se morresse de saudade
Teria a felicidade
De tê-lo sido de amor
Mas como a vida continua
Planto e colho afinidades
Num infinito promissor
(Adenaldo)



Hoje é domingo
Dia três
É o segundo
Dia sem feira
Só não entendo
Porque amanhã
A gente chama
Segunda-feira
Mas não importa
O que importa
É que estou vivo
Estando vivo
Posso pensar
No amanhã
E amanhã
É o dia de eu ir na “Beira”
O mapará e o açaí
Irei comprar...
Depois da mesa
Vou atar à baladeira
A espreguiçadeira
Deixar a noite me acordar
Mas é melhor não divagar...
Se estou sabendo
Que o hoje não tem feira
Deixa o amanhã
Que não vivi
Hoje pra lá
Porque o hoje
Mal me cabe a cerveja
E o bafo
Dos amigos
A lorotar
(Adenaldo)
ANDARILHO
Andarilho é aquele um anda
Debaixo do azul do céu sem guarda-sol.
Desvia-se da nuvem quando ela vem fazer sombra.
Esse fado se perde na chuva geral.
Sem guarda-sol
Sem guarda-chuva
O andarilho abriga-se sob a primeira árvore que encontrar.
Certo dia desabou uma torrente celeste
E um passarinho arrazoado defecou uma barafunda
Na cabeça do andarilho.
Marginar nas margens do destino
Do caminho em desalinho
Passa por terras do além.
Enfim ele tomou um banho
Sem fim...
GARIBALDI NICOLA PARENTE
O ponto final do poema
Não é o ponto final da poesia.
Não há começo nem fim.
Pode até não ter nome
Porque o nome que estiver no poema
Não é e nem será o mesmo nome
A poesia é volátil.
Coloquei meu coração numa jarra
E gelo seco para conserva-lo.
Fui ao baile a fim de dançar e espraiar meus humores.
Lindas moças em trajes esvoaçantes.
Valsantes valsas vienenses.
Nenhuma quis namorar comigo.
Ah!!
-Desculpe-me. Você é frio demais!
Recoloquei meu coração no peito
Agora com duas asinhas em cada lado.
-Desculpe-me. A cantada é boa, mas você quer voar muito alto!
Virei passarinho
E fui cantar na rama de uma samaumeira
Na beira do rio.
GARIBALDI NICOLA PARENTE
O ponto final do poema
Não é o ponto final da poesia.
Não há começo nem fim.
Pode até não ter nome
Porque o nome que estiver no poema
Não é e nem será o mesmo nome
A poesia é volátil.
Coloquei meu coração numa jarra
E gelo seco para conserva-lo.
Fui ao baile a fim de dançar e espraiar meus humores.
Lindas moças em trajes esvoaçantes.
Valsantes valsas vienenses.
Nenhuma quis namorar comigo.
Ah!!
-Desculpe-me. Você é frio demais!
Recoloquei meu coração no peito
Agora com duas asinhas em cada lado.
-Desculpe-me. A cantada é boa, mas você quer voar muito alto!
Virei passarinho
E fui cantar na rama de uma samaumeira
Na beira do rio.
GARIBALDI NICOLA PARENTE
Redescobertas
Por Miguel Caripuna
Neste ano vou começar “tirando reis”!
E com vocês andar de bicicleta!
Botar uma fantasia esperta e original...
E sair no bloco de rua em pleno carnaval!
Molhar os pés nos igarapés...
Mergulhar nos rios das ilhas...
Indo pelas trilhas de canoa!
E não vou ficar à toa!
Na páscoa renascerei pra comer ovo de chocolate!
Partilhar uma pizza com orégano e tomate!
E enfrentar os combates com virtude de juventude!
Um toque de dialética mascando um ploc...
Ouvindo rock e reggae e tudo segue...
Desejar a um casal feliz casamento!
E lembrar da construção do sentimento!
Dançar quadrilha, forro e xote...
Subir no pau de sebo e quebrar o pote...
Pulando fogueira, fazendo tanta brincadeira!
Passear descalço pelas praias...
E sentir a brisa do vento...
Onde o tempo sempre a de passar!
E eu junto caminhar...
Vendo o sol se por e ele nascer...
Amanhecer jogado em uma rede...
Tomando água de coco pra matar sede!
Cantar MPB com voz e violão!
E namorar beijando a pessoa que amo...
A transformar em amor...
Esta encantadora paixão!
Emoção que faz nas redescobertas da nat ureza...
Nascer uma flor!
E vou sim, esperar a bela primavera...
Contemplando a lua em noite singela!
A ser passarinho!
A ter carinho!
Como idoso corajoso e cheio de saudade!
Que não tem medo da idade!
E de verdade dar gritos de independência!
E na minha consciência ir amando!
Abraçando os amigos...
De prazer!
De paz!
De paciência!
Ser alegre lembrando adolescência!
Jogar bola como criança...
Sendo esperança na fé...
Que reinventa o homem!
Que reinventa a mulher!
Pra ser simplesmente o que se é!
Comer camarão com a mão...
E beber açaí com peixe...
Sem que me deixe de balançar na capoeira!
E na beira puxar ladainha e carimbó...
Ver cordão de boi!
Como fazia a vovó!
Tomar banho de chuva...
Fazendo curva poética no coração!
E será legal dar-me de presente no natal!
E se eu morrer?
Isso não vai acontecer!
Pois é “imortal” e não sente dor...
Quem faz da vida uma linda história de amor!







TEMPO DE AMOR E PAZ
Os ponteiros do relógio passam
Pelo mesmo caminho todo dia
Não registram seus cansaços
Ao percorrerem a mesma via
O calendário da parede
Vira um anciãozinho
Quando chega o Ano Novo
O Velho sai de seu caminho
O sol é o mesmo de sempre
A trilha do tempo aquece
No compasso de seus passos
Ele passa; não envelhece!
O tempo condena o Homem
À vida curta demais...
As pernas firmes do relógio
Nunca andam para trás
O mundo tem suas feridas
Que só as línguas curam os “ais”
Mas o remédio são as lambidas
Em doses de amor e paz
(Adenaldo)



DISCURSO VAZIO
O ranço de tua língua
Adentra os meus ouvidos
Falas o que queres
Mas não ouves o teu conflito
Desdenhas da vida alheia
Do elo por tê-lo perdido
Colocas fogo na casa
De quem não é teu amigo
Em torno de interesses
Formas teu próprio juízo
Julgas mandando às favas
Aquele que não ladra contigo
O outro que te conhece
Bem sabe teu lado maldito
Não vives o auto da fala
Teus zelos são tantos mesquinhos
(Adenaldo)


DESEJO DA ROSA
Plantei
Reguei...
Minhas
Roseiras
Germinaram
O sol
A lua
A chuva
O vento
Ajudaram-me
Minhas roseiras
Floriram...
Encantado
Desejei
Um buquê de rosas!
Mas ao ver os pássaros
Beijarem as rosas com carinho
Senti que as rosas
Não pretendem
As minhas mãos
(Adenaldo)



CONCEIÇÃO DE ABAETÉ
Vindo de Belém pra sua sesmaria
Francisco Monteiro se perdeu na ventania
No dia consagrado à Virgem da Conceição
Seu Francisco apavorado pediu logo proteção
Uma capela à Santa o Sesmeiro construiu
Às margens do Maratauira onde o povo reuniu
Como aqui não tinha ouro, Seu Francisco se mandou
Em sua caravela, nem uma árvore aqui plantou...
Veja só, foi milagre meu irmão!
Abaetetuba, segura às mãos de Conceição!!!
(Adenaldo)


ROTAÇÃO
Fede por aqui
A burguesia
As rotas são
Exploração
E mais valia
Educação
Pedagogia
Letras na mão
Preposição
Morfologia
Versos passeiam
Filosofia
O grão no chão
Vegetação
Agronomia
Olho no olho
Astrologia
Evolução
Ovulação
Biologia
Desperta o corpo
Ideologia
Viva a razão
Revolução
Sociologia
Tem compaixão
Teologia
Meu São João
Cai, cai balão
Democracia
(Adenaldo)


Caboclo vai indo contra a correnteza
O peixe valente despenca do céu
Cano-à-vela no rio não se cansa
A água que dança tem gosto de mel
ASSOMBRAÇÃO

Pela madrugada
Vi Matinta Pereira
Falei que pela manhã
Ela fosse lá na Beira
Pegar tabaco de primeira

Ela parecia irritada
Seu fififiu me assustava
Então, lembrei que ela viu
Ontem na pedra do porto
O corpo de um boto morto

(Adenaldo)



HALL DA MEMÓRIA

Na linha do tempo
Recompõe-se a história
Amigos que partem
Nunca vão embora
Amigos são artes
Preciosas joias
Guardadas no peito
No hall da memória

(Adenaldo)

LIBERDADE DE EXPRESSÃO
Colocas palavras em minha boca
Meio a toa quer me alugar
Mas o verbo tem sua casa própria
Próprio do verbo conjugar
Minha cabeça ainda é boa
Não tenho pressa para voar
Bato as asas, abrindo a boca...
Vê se entendes meu linguajar
Não faço ninho em alheia proa
Cada cabeça é um altar
Meu passarinho um canto entoa
Meu coração é o seu lugar
(Adenaldo)

A RUA
A rua é grande
Tem nome e coração
A rua leva ao longe
Sem precisar de corrimão
A rua não tem começo
Nem meio; tampouco fim!
Todo ponto de chegada
É um ponto de partir
A rua fica embaixo
Pronta para ir e vim
Se ela tem serenata
O amor mora ali
A rua quando calçada
Veste-se para não sair
Mas ela só fica parada
Se o destino permitir
(Adenaldo)



VERÃO ABAETETUBAR
Não quero complicar
Vou falar o que sinto
Em linguagem popular
É como sei me expressar!
A dor eu nunca espero
Mas o amor lhe dá lugar
Condicionado ao universo
Não marco hora pra chorar
Vulnerável ser humano
Modelado ser vulgar
Faço parte de um esquema
Muito antes de chegar
Já viajei pelas galáxias
Vi São Jorge galopar
Pelos olhos da peneira
Fiz estrelas ao luar
A procura do infinito
Não me canso de andar
Concretizo o impossível
Num possível imaginar
Sem saber o que acontece
Por saber que sei amar
Adentrei à primavera
Num verão abaetetubar
(Adenaldo)



SOU ASSIM
Com pano sujo não me alinho
Entretanto, não sou Omo!
Prefiro nu saber de mim
Do que vestir um sujo pano
Luto na vida pra ser feliz
Que o travesseiro não reclame
Quero adormecer nos meus bons quis
Cantar meu canto a alguém que ame
(Adenaldo)

Vivo nesse Mapa Brasileiro
Meu Pará no teu canteiro
Abaetetuba é uma flor
Vivo a mercê de um outro dia
Me agarro à ventania
Só por causa do amor...

MARIA DE ABAETÉ
Maria cheia de graça
O verbo se fez mulher
Benditos os teus frutos
Professora Nazaré
Entre nós o vosso reino
Tradição, paixão e fé
Protetora da cultura
Senhora de Abaeté
Sob teu manto
Santa magia
Cobre nós todos
Com tua sabedoria
Em nosso canto
Estrela Guia
O teu encanto
Enche o céu de poesia
(Adenaldo)

DA SAGRADA ESCRITURA DOS VIOLEIROS…

A defesa é natural:
cada qual para o que nasce,
cada qual com sua classe,
seus estilos de agradar.
Um nasce para trabalhar,
outro nasce para briga,
outro vive de intriga,
E outro de negociar.
Outro vive de enganar -
o mundo só presta assim:
é um bom outro ruim,
e eu não tenho jeito pra dar.
Pra acabar de completar:
Quem tem o mel, dá o mel.
Quem tem o fel. dá o fel.
Quem nada tem, nada dá.

Beira
Do tipiti retorcido, de sonhos compridos
Do matapi parido, de peitos despidos
De mãos calejadas, de velhas ilusões
De ponte, calçada, de raça e rações...

INTÉ, POR LÁ!
(Ao saudoso amigo maestro Miguel Afonso)
Meu amigo Miguelito!
Meu parceiro, meu irmão!
Na raiz do teu umbigo
Amarrei meu coração
A flor que tu me deste
Perfumou meu violão
No canto de minha alma
Primavera faz canção
Plantaste flores no rio
Em terra firme a tua arte
Tocaste o dedo de Zeus
Com as canções que dedilhaste
Estrelas iluminaram
O teu espaço inspirador
No Recanto da Iara
Encontraste o amor
Para o desconhecido
Como a fonte alcança o mar
Viajaste tão depressa
Num lance de preamar
Por aqui eu vou vivendo
Nas águas vivas da maré
Encho e vazo de saudade
Como um rio no igarapé
(Adenaldo)
O RIO DO POETA IX
ANTONIO JURACI SIQUEIRA
Água que canta comigo
No rio aprendi a rimar.
Nas remadas do destino
Meu caminho é navegar.
Ondeia a cantiga do mar
Vem à ribeira do encanto.
Em vapor de vento o verbo
Descobre no velame o manto.
Recanto da fantasia
Do homem-rio no rio sonhar.
É sina é lida do cio
Piracema do poemar.
No perau dos teus segredos
Nada sabe o mururé.
No rio-mito vem nadar
A mãe-d’água da maré.
Poranga que enche e vaza
Na correnteza da Yara.
Luz de Eros-luminosa
Alento do piraguara.
Nada sou do meu falar
É do rio a minha voz.
Viço das icamiabas
Nesse rio de todos nós.
ELÁDIO LOBATO
No caminho de canoa pequena
De remo em remo
De faia em faia
De vela em vela
Aprendi a navegar.
Hoje navego no resplendor da memória
Em traços, passos e paços.
Nunca deixei de ser garoto pequeno do Rio Itamimbuca
Paricá pindá puçá...
Mandií matupiri carataí
No be-a-bá
Abracei-me à Concórdia da Vila Maiauatá
E à Madona Nazaré.
Em cada rio santos e santas nas fachadas das igrejas
Landi na Igreja de Sant’ana de Igarapé- Miri.
Rio das Flores
Flores cultivadas em frente às casas.
Lindas morenas floridas bonitas cheirando o verde da mata.
Uma flor a cultivar outra flor
Em memoráveis histórias de amor.
AH! O Engenho...
A cana, a moenda, a dorna, a caldeira, o alambique, a aguardente...nos rios de água-doce-vida.
Tudo bem. A vida é sempre vida.
Continuo a navegar.
A fêmea do cupim
Tem o nome de arará.
GARIBALDI NICOLA PARENTE




No gingar da nossa história
A festa da Conceição
Miriti, buquê de glória!
Nas mãos santas do artesão
No encanto da Amazônia
A Cultura de Abaeté
Segue o Jesus Cristinho
Nos braços de Nazaré

(Adenaldo / Julio)

ABAETETUBA, ÉS MINHA PAIXÃO!
Afagando as tuas tranças
Me sinto criança e começo a sonhar
Brinquedo de Miriti
Navegando em alto mar...

. Benedito Figueiredo Rodrigues, citado na localidade Rio Maracapucu em 1961 como contribuinte da festa de N. S. da Conceição em Abaetetuba.
. Raymundo Figueiredo Rodrigues, citado em 1939 como contribuinte da festa de N. S. da Conceição em Abaetetuba.
BEIRA

Começo, comércio, beira da cidade
Aconchego do rio, hospitalidade!
De grandes verdades
Do obrigado senhor!
Da nossa saudade
Da alegria e da dor...

Poesias de Adenaldo dos Santos Cardoso
Abaetetuba Agora....

Uma simples homenagem, a uma valorosa mulher abaetetubense. Parabéns Professora Nazaré Lobato pela sua garra, esforço e dedicação por nossa cultura.deixaste para todos nós o teu ensinamento. obrigado.

Assim é a Poetiza Nazaré Lobato:
Como nota musical
Que sintetiza
Agitando as Emoções
Acalmando ou elevando
Esse acorde sublime
Que incita
O engrandecimento
Da terna e ardente chama
No calor
Fragoroso e divinal
Da essência
De quem Ama.
Adenaldo?



Adenaldo
Fala mais do que diz
Quando diz...
Julga com sua fala
Coitada da infeliz
Melhor seria...
Se vivesse calada
Adenaldo
Como disse o poeta
"Amar é necessário"
Mas debulhando o meu rosário
Meus versos loucos ordinários
As contas que me deu o vigário
Despetalei a vida assim
"Mal me quer", "Bem me quer"
"Mal me quer", "Bem me quer..."

(Adenaldo dos Santos Cardoso)
Nonato Publico, hoje, uma Poesia do meu amigo e parceiro de copo Nonato Loureiro, homenageando Abaetetuba, cidade onde nasceu e escolheu voltar a viver, após ter morado em tantas outras cidades. Nonato é irmão de João de Jesus Paes Loureiro, e a poesia navega no sangue. Ressalto que Abaeté e Nonato tem quase a mesma idade, rsrs. Assim que ele completar 118 anos, quero fazer uma poesia épica, bonita e épica, narrando ele. Abraços Raimundo Nonato Paes Loureiro.

ABAETETUBA 118 ANOS

No barco da paixão levei meus versos
Entre paneiros, camarões e alguidares.
Aos poucos, no horizonte, o Sol declina
E a noite traz em si doces penares.

Vêm à memória os velhos regatões
Que, em seu bojo, riquezas transportavam.
No ar, a ilusão da vida flutuava,
No ardente perfume da cana que exalava.

Nas olarias o mundo se moldava
Nas marombas de tijolo e telharias.
Preparando, no barro pré-moldado,
O desenhar de novas moradias.

Gapuiando em busca do sustento
Minha gente se molha de alegria
Carregando em seus ombros, aricás
Repletos do trabalho de um dia.

Canoeiros navegam em minha mente
Nas preamares de turvas águas frias.
São pescadores, os bravos que desbravam,
A terra, que a nós tem dado alegrias.

Minha canoa corre rio acima
Em busca do ombro amigo ribeirinho
Que nas várzeas cultiva, em seu trabalho,
As formas de amar e receber carinho.

Abaetetuba, aqui eu deposito, satisfeito,
Os votos de alegria nesta feliz cidade
Onde meu coração vive ancorado
Nos braços rijos da real felicidade.
Adenaldo
Eu ando indignado / Com a falta de visão / O o urubu não é o errado / Porra, onde está a educação!?!?... Eles fazem as suas ceias / Da forma que o homem quer / O urubu da Beira / É um anjo de Abaeté...
Não matem os urubus / Nem a tua educação / Não matem as baratas e ratos / Viva a nossa salvação!
De Adenaldo


MAL ME QUER, BEM ME QUER...
Adenaldo
Uns sentem raiva
Outros sentem dó
Uns alegria
Outros a dor
Eu na verdade
Sinto meu mundo
Despetalado
Como uma flor

(Adenaldo dos Santos Cardoso)
REFLEXO
Adenaldo
O sangue acende à lenha
O que é isso Maria?
O que é isso José?
Cuidado com o fogo!
Ele fere, ele emprenha...
E a vida passa ser
O que ela não é
José Maria ou Maria José

(Adenaldo dos Santos Cardoso)
OBRA DOS SENTIDOS
Adenaldo
Lá vem você...
Inevitavelmente
É só ouvir aquela música
Você aparece em minha mente

Lá vem você...
Misteriosamente
É só sentir aquele perfume
Você aparece de repente

Lá vem você...
Indiscutivelmente
É só estar naquele lugar
Você aparece em minha frente

Lá vem você...
Sem querer estar presente
Mas por obra dos sentidos
Você se torna insistente

(Adenaldo dos Santos Cardoso)
OBRA DOS SENTIDOS
Adenaldo
Lá vem você...
Inevitavelmente
É só ouvir aquela música
Você aparece em minha mente

Lá vem você...
Misteriosamente
É só sentir aquele perfume
Você aparece de repente

Lá vem você...
Indiscutivelmente
É só estar naquele lugar
Você aparece em minha frente

Lá vem você...
Sem querer estar presente
Mas por obra dos sentidos
Você se torna insistente

(Adenaldo dos Santos Cardoso)
CABOCLO DE ABAETÉ

O poeta se foi
Nas linhas mágicas da partida
Pendurou seu coração
Durante sua despedida
No pescoço de sua Pátria
Abaetetuba, toda vida!

(Adenaldo dos Santos Cardoso
Adenaldo Santoscardoso
Caridade
Quem dá mais, hem?
O crente ou o ateu?
Por caridade...
Quem dá mais?
Deus!!!???
SONHO ABAETEUARA

Adenaldo
Meu sonho caboclo tem cheiro de mato
Floresta exibida da minha aflição
Corpos verdejantes no meio do barro
Nas águas tranquilas da minha paixão

O sol que nos cobre não guarda segredo
Espelha na terra a vida de então
A flor desabrocha num tempo perfeito
Abaeté, te aconchego no meu coração

Das bocas das ruas do tempo de outrora
Ouvia a tua glória sem poluição
Mas com o progresso te violaram
Da paz que reinava brotou um vulcão

No meu devaneio te vejo sorrindo
Mesmo injustiçada, feliz teimas ser
Teu corpo ferido minha alma acalma
No rio da tua mágoa aprendo a viver

O que me anima é viver ao teu lado
Ser felicitado pelos encantos teus
Amando o que faço em cada compasso
Na esperança que o sonho não diga adeus

(Adenaldo dos Santos Cardoso)

Luar Abaeteuara (19:40), alguns minutos atrás.

Se você gosta de encarar a lua,
lance, neste momento,
o seu olhar para o céu.
Quanto a lua, não te preocupes,
Serás mais um iluminado
Com seu terno esplendor!
NÓS OUTROS

Bandeira
Hino
Carimbó
Chorinho
Bossa Nova
Samba Canção...
Invenção
De ser povo
Folclórico
Branco
Negro
Índio
Mulato
Cafuzo
Mestiço
Caboclo
Sumano
Brasil

(Adenaldo dos Santos Cardoso)

XXXII SEMANA DE ARTE E FOLCLORE DE ABAETETUBA / 2013
3º Lugar - Uma Canção Para Abaetetuba.
Melhor Letra
Adenaldo
ABAETETUBA – PARÁ - BRASIL
Autoria: Adeenaldo dos Santos Cardoso

Minha vida anda, meu corpo balança
Vibra a minha alma, o meu ser criança
Nos palcos do mundo sou um aventureiro
Meus sonhos deslancham meu lado verdadeiro

Sou abaeteuara
Neto do Brasil
Filho de Abaetetuba
Que Abaeté pariu

Sou fruto maduro do miritizeiro
Que caiu nas águas e se fez veleiro
Singrei na maré espreitando à praia
Encarnei no boto, brinquei com arraia

Sou abaeteuara... (REFRÃO)

No andor de encantos a paixão me amarra
No leito da Amazônia me entreguei a iara
Nos braços da lua fiz juras de amor
Namorei com a Conce, deitei com a Malú

Sou abaeteuara... (REFRÃO)

Vi a cobra grande, lembrei o meu poleiro
Meus irmãos entregues aos olhos do paneiro
Bailei nas maresias, pulei nos temporais
Na folia dos remansos brinquei meus carnavais

Sou abaeteuara... (REFRÃO)

Minha liberdade me leva para o mar
Sou um miriti que aprendeu nadar
Minha faculdade é a de navegar
Sou um miriti que aprendeu amar

Sou abaeteuara
Que Abaeté pariu
Sou de Abaetetuba
Do Pará - Brasil
FUNDAÇÃO CULTURALDE ABAETETUBA

Um poema para Abaetetuba
Autor: Iso Roberto Silva
Interpretação: Iso Roberto Silva

Onde quer que eu esteja de Janeiro a Dezembro, é de Abaeté que me “alembro”

Com os olhos ouço os fogos explodirem no céu.
Com os ouvidos vejo a banda tocar.
Alvorada acordando a cidade despertada,
Nada esperta, encantada.
Sonhando alto, mais alto que a fumaça
Do fogo que dá graça
Na Abaeté de se “amostrar”!

Em janeiro é assim:
Quem vai pra festa, com sorriso na testa
Roupa nova em prestação
É o comércio gritando alto a promoção:
“É 10 ‘real’ que ta barato, é liquidação!”
O branco reina até encardir no chão descalço a sacudir.
Amanheceu e o réveillon venceu
E em pleno sol, é pra dormir...

Mal acordei e veio fevereiro
Numa semana um ano inteiro
e a “travanca” o tempo todo
“cachaceando” o corpo e meio
Do folião todo festeiro.
E lá se vão mais cinco noites.
E lá se vem mais uma ressaca.
E lá se foi o meu dinheiro...

Passa março, abril, maio...
Sob nuvens muito turvas,
E quando a festa é do miriti,
Pode crer que vem muita chuva.

Em junho a chuva é de bênçãos.
É santo que não acaba mais!
Tem quadrilha, dança e miss
Que em outro lugar, São João nenhum faz.
Ai que saudades do forró das ruas que conheci...
Tinha Nivaldo, Lauro, Magno,
Lembrança que me faz sorrir.
Queria de volta este passado muito antes de partir...

Passa a chuva, ficam as nuvens,
Chega o sol, chega julho, volta a chuva,
O calor e, com ele, Beja morena das garotas de valor!
Xiii! Cuidado com a arraia, Briela!
Se ela te ferrar, não dou mais camarão pra ela.

De julho pra setembro,
Um mês eu vou pular.
Marcha soldado, mas marcha direito.
Não esquece de caprichar na frente do prefeito
E o ponto sacramentar, na escola, se for perfeito.

Já já chega outubro e Abaeté esvaziando.
Pega o pato, o tucupi
Põe no prato, e o açaí?
Vem no barco, eu não menti,
Mas vem lotado, é fato, mas e daí?
Minha promessa pago com fé
Em Belém, com Nazinha, Naza, Nazaré!

A fé não pára, é procissão.
Novembro cala, numa só prece, numa só fala:
É o Círio de Conceição.
E lá vem nova alvorada,
A banda, a batucada, o arraial, a pescaria, a criançada.
Cadê os fogos? É quase nada
E na “barquinha” bem embalada, é o que garante a diversão.

Mas finda o ano, no “frio” de Dezembro.
O comércio esquentando:
Roupa, brinquedo, sapato, perfume...
Compra o mais caro e mais bonito
Que é pra não perder o costume.
E mais prestação pra pagar,
O que importa? Não custa nada sonhar!

Mas e agosto? Eu gosto!
A semana é de arte.
Moderna? Talvez!
Contemporânea sempre.
Ultrapassada jamais!
Saudosista de tudo que era bacana.
Ah que saudades eu tenho,
Dos tempos da gincana...
Os colégios se envolviam
Até pra fazer engenho de moer cana,
Com tantas tarefas a executar,
Findando com a Miss Folclore, donzela estudante
Encantando a dançar.

Eis Abaetetuba, em poema, verso e prosa
Que nasce na beira,
Que tem a puta da feira,
O rabeteiro, o carroceiro, o açougueiro,
Do mercado de carne e de peixe
Que espero que nunca deixe de sonhar, de sonhar.

Pega o moto-táxi
Vem pra praça sorrir
E ouvir com os olhos o poema que li
Para Abaetetuba no seu calendário:
É 15 de agosto! É seu aniversário!

Parabéns, aplausos, amém.
XXXII SEMANA DE ARTE E FOLCLORE DE ABAETETUBA 2013
2° Lugar - Um Poema Para Abaetetuba

AVE, ABAETETUBA!
Autoria: Adenaldo dos Santos Cardoso.

Em minha linha do tempo
As horas parecem lerdas
Já não ouço os sinos da Matriz
Ou será que sou eu que não acertei os meus ponteiros?
Mas a “Beira” é outra
As casas mudaram suas caras
O cinema voltou a ser mudo
Mas lembro do Cine Imperador e de seu patriarca Abel Guimarães
Como deveria esquecê-lo?
Era ele que ficava à porta
Abria seu coração
E deixava a meninada entrar gratuitamente
Levada pelas suas mãos cheias de bondade
E a gente apressada agradecia com o coração cheio de alegria
Ah, que saudades!
Saudades da Miloca, do Kida, do Chico
Do Igarapé do Curro
Dos retiros da minha infância
Quando era só Algodoal e São Lourenço
Do Vênus, do Tiête, do Palmeiras, do Abaeté...
Que nos enchiam de felicidades
Proporcionadas pelos pés de nossos craques
Oh, tempo de glória!
Nosso Café Abaetetuba
Que com sua pureza perfumava as ruas
E nos dava o prazer de ser “O Gostosão”
E que prazer!
Da minha adolescência querida
Da Venuta, Do Escorrega Bunda...
Do Gigi que pariu os Muiraquitãs
Da Gigete, orgulhosa por ser a primeira
Dos Engenhos de cana
Que fizeram a nossa fama!
Mas que hoje vivem sepultados
No ventre do lamaçal
E a canoa-à-vela ?
É verdade passávamos dias e dias
Pra chegar a Belém
Hoje a gente vai pela a Alça ou pela Balsa
Alçado na esperança do retornamos aos teus braços
Sem nenhum arranhão físico ou mental
Pois, a violência amedronta
Seja fora ou dentro de teu ventre
Minha querida matriarca!
As bicicletas que nos exercitavam
Proporcionando maior tempo de vida
Agora, motos e carros diminuem a nossa existência
Acomodam e incomodam nossa gente
- Seja pela falta de exercícios físicos
Ou pela presença destruidora da poluição -
Um verdadeiro caos urbano
Dizem que é o progresso em nossa vida
O modismo aparecendo e se oferendo de forma bruta
A aparelhagem que não me deixou dormir...
Do meu vizinho sádico que me tortura com seus “batidões”
Invadindo meu domicílio e minha paz espiritual
Das calçadas ocupadas pelo desrespeito, impedindo o ir e vir...
Abaetetuba cresceste , é verdade!
Te vejo, grande, mas em tamanho
Tamanho é minha mágoa
Mas não vou chorar...
Quero elevar minha prece aos teus filhos
E pedir que cuidem de ti...
Não precisamos de autoridades
Juizados e nem ministérios
Precisamos de respeito
Precisamos de paz
Precisamos de amor
Sei que isso é possível
Tudo depende unicamente e exclusivamente de cada um de nós
Não vou para Pasárgada, como pensou Manuel Bandeira
Ou Adenaré (Cidade das Estrelas), como eu mesmo inventei
Pra fugir de meus tormentos...
Vou ficar por aqui, Abaetetuba!
Morrer nos teus braços
Como um filho que nutre um grande amor por sua mãe.
HERANÇA MALDITA

Herança Maldita
Miltom T
A corrupção é igual um furacão
Dizima a população de uma nação
Essa falcatrua é herança maldita.
Que a cada dia está mais explicita

Os benefícios ficam pelo caminho.
Na conta bancária do malandrinho
Que se aproveita do cargo público
E do seu encardido poder político

O desvio de recursos da união é real
É uma prática, a nível nacional.
O prestígio particular é bancado
Com a verba subtraída do estado

Atualmente é difícil ser honesto
Quem é correto, não é bem-visto.
Mas há os que tentam virar o jogo
E lutam para nos dar um desafogo.

Autoria: Milton Teixeira O CÍRIO VEM AÍ
Milton Teixeira
Brinquedo de miriti?
O círio vem ai.
São onze procissões
Milhões de emoções.
Pato no tucupi?
O círio vem ai.
Agente se anima
E entra no clima.
Belém fica cheia
Fica transbordando
É muita gente
Pela rua andando
Ninguém tem pressa
De pagar promessa
E nem de ver Maria.
Na grande romaria.
E nem de ver Maria.
Ave Maria!

Autor: Milton Teixeira.


TRAÍRA
Adenaldo
O meu sonho é um rio
De ondas vivas, serenas
Meu porto é solidão
Plantado no pé da beira
Consulto meu coração
Na terra firme da feira
O meu amor é um anzol
Em busca de uma sereia
Mas pra minha decepção
Traíra eu pesco na areia

(Adenaldo dos Santos Cardoso)
FESTANÇA

Autoria : Adenaldo Cardoso /Júlio Orlando

Vai barquinho, vai barquinho!
Sai das mãos para a maré
No meu sonho de menino
O meu rio é igarapé
Como um bom timoneiro
Desvio de mururé
Brinco com a cobra grande
Mas não toco em poraquê

Miriti em festa
Soca-soca a pilar
Que bonitas as bonequinhas
Caboquinhos a remar (REFRÃO)
Miritifest
Cultura tupiniquim
Onde a arte ganha a vida
Brinquedo de miriti

Avião, aviãozinho!
Faz o céu aparecer
No meu mundo pequenino
Sinto muito de prazer
Voa, voa, passarinho!
Nas asas da imaginação
Voa, canta, faz teu ninho
Faz da vida uma canção

Miriti em festa ... (REFRÃO)

No gingar da nossa história
A festa da Conceição
Miriti, buquê de glória
Das mãos santas do artesão
No encanto da Amazônia
A cultura de Abaeté
Junto com Jesus Cristinho
Nos Braços de Nazaré

Miriti em festa ... (REFRÃO)
Adenaldo Santoscardoso Prosseguindo com a bela homenagem: Alcimar canta / Feliz pra nos alegrar / No ventre de Abaetetuba / O verbo se fez Alcimar
POVOS INDÍGENAS
Edson Cardoso
Se sob o sol escaldante
Cai a chuva
E a viúva casa.
Se sob a escura noite
A um assobio sombrio
A matinta aparece.
Se na preamar
A Pacoca se encanta.
Se o cais desaba
Porque a boiúna acordou.
Se o pescador perdido
Ouve o canto da sereia.
Se as mães solteiras
Parem filhos de boto.
Se Anhangá resiste
E mora na floresta.
Se nos moinhos de vento
Rodopia o saci.
Se a sombra da mangueira
Guarda o Curupira.
Então, quão impossível
É tua prova de amor?
A MORTE É CERTA
Adenaldo
O meu lado santo
Perturba o diabo
Minha maluques
Serve de retalho
Pra viver entre tantos
Babados e bordados
Cinjo o meu manto
Meu mundo transviado
Estendo a minha roupa
Sob o céu nublado
Sigo como ateu
Pra não ter pecado
Mas a morte é certa
Serei desnudado

(Adenaldo dos Santos Cardoso)
OBRA DOS SENTIDOS
Adenaldo
Lá vem você...
Inevitavelmente
É só ouvir aquela música
Você aparece em minha mente

Lá vem você...
Misteriosamente
É só sentir aquele perfume
Você aparece de repente

Lá vem você...
Indiscutivelmente
É só estar naquele lugar
Você aparece em minha frente

Lá vem você...
Sem querer estar presente
Mas por obra dos sentidos
Você se torna insistente

(Adenaldo dos Santos Cardoso)
SANTA ARQUITETURA
Adenaldo
Querida Abaeté!
Querida Abaetetuba!
Sei que os teus braços são as tuas ruas
E dos teus abraços brota a tua cultura
O povo no nos bairros "Santa Arquitetura"

Bairro da AVIAÇÃO, Divino Espírito Santo
ALGODOAL, Socorro do teu pranto
Bairro do MUTIRÃO, Antonio Casamenteiro
SÃO SEBASTIÃO, Glorioso Guerreiro

CRISTO REDENTOR, Deus é a salvação
FRANCILÂNDIA ensina "Francisco é irmão"
SANTA CLARA clareia os obscuros caminhos
SANTA ROSA perfuma onde houverem espinhos

SÃO JOÃO batiza em nome de Jesus
Bendito São José ao CAFEZAL conduz
SÃO LOURENÇO concentra o povo cheio de fé
Elevando suas preces à Virgem de Nazaré

SÃO DOMINGOS DA ANGÉLICA protege o destino
São Cristovão carrega CASTANHAL com carinho
Nessa caminhada de devoção
O CENTRO homenageia à Virgem da Conceição


Adenaldo Cardoso/Julio Orlando
Abaetetuba - Pará - Brasil
*Em letras maiúsculas os 14 bairros de Abaetetuba

Adenaldo
Como disse o poeta
"Amar é necessário"
Mas debulhando o meu rosário
Meus versos loucos ordinários
As contas que me deu o vigário
Despetalei a vida assim
"Mal me quer", "Bem me quer"
"Mal me quer", "Bem me quer..."

(Adenaldo dos Santos Cardoso)
Pai, sei que sou diferente
Dos santos e dos anjos.
Não quero ser como eles
Me basta ser simples gente!
Senhor sou apenas uma reles
Poeta , nem demônio nem arcanjo.
Sou feito de carne e versos
E sentimentos diversos
Sou poeta, nada mais,
Santa? Jamais!
QUO VADIS?

URUBUTUBA
"Beira"
"Beirada"
"Beiradão"
"Lá Embaixo"
Também
"Calçadão"

Abaetetuba - Pará - Brasil
Adenaldo Não matem os urubus / Nem a tua educação / Não matem as baratas e ratos / Viva a nossa salvação!
De Adenaldo


AO POETA COM CARINHO
O poeta está no berço
Viva, viva o poeta!
Muitobéns, amigo meu!!!
É o que desejo em tua festa
Não me sinto a vontade
Pra escolher o teu presente
O que encontrei foram palavras
Que penso ser teu nutriente
De tanto eu me apreciar
Das guloseimas da tua mente
GARIBALDI NICOLA PARENTE
Sejas eterno eternamente!
(Do sumano Adenaldo)


PORTO SEDUTOR

No parque da vida
De viva lembrança
Barquinhas transportam
Ao mundo criança.
Olhe a comida, meu senhor! / Cheiro cheiroso, meu amor! / Olho de Boto, seu doutor / Ervacidreira!... / Olhe o espinho... olhe a flor! / Olhe o sol feliz se pôr / A vida do trabalhador / Olhe à Beira!!!



Adenaldo Santoscardoso É verdade minha querida Eliana Fonseca Fonseca, acho que você teve o prazer de viver esse momento inesquecível, que é o desfile irreverente do Palhuk e seus palhukeiros. Acho de suma importância que a gente não desista de nosso ideal. Devemos contribuir de todas as formas para que o Palhuk permaneça de fato para sempre. O Palhuk ainda é o orgasmo do nosso carnaval abaeteuara, sem o Palhuk retiro-me do Carnaval. Viva o mestre Guri e a sua esposa Luíza, sem eles, com certeza o Palhuk já teria falecido e nosso Carnaval se resumiria numa grande porcaria. VIVA O PALHUK, VIVA O GURY E VIVA A LUÍZA PARA SEMPRE! VAMOS TODOS OS ABAETETUBENSES LUTAR PARA QUE NÃO PERCAMOS A NOSSA IDENTIDADE CULTURAL.
Adenaldo Santoscardoso XARÃO CULTURAL ABAETEUARA
NÃO ESQUEÇO O MEU UMBIGO

O céu está na boca
Mas se existe outra coisa boa
É o paraíso!
Eu rezo pra Alá, pra ir pra lá
Depois de cá
Sem esquecer o meu umbigo:

- Olha a pupunha, olha a pupunha, olha a pupunha...
- É o doce gelado!

Não venha me prender
Por eu vender um bom CD pirateado
Eu vendo pra sobreviver
Se a policia quer saber
São os políticos os errados

O Papa vive nas estrelas
Papai Noel no Polo Norte
E eu no mundo da lua
Feito Cavalo de São Jorge
Quando o trem vier me buscar
Que me deixe num lugar
Onde eu possa escutar:

- Olha a pupunha, olha a pupunha, olha a pupunha...
- É o doce gelado!

Adenaldo dos Santos Cardoso
Abaetetuba - Pará - Brasil
Adenaldo Santoscardoso


Adenaldo Santoscardoso
ESSE CARA NÃO É O CARA

Vou dizer na tua cara
Que esse cara não é o cara
Vou provar na tua cara
Que essa cara é de pau
Minha cara ela escarra
Na tua cuia de mingau

Olha o peixe na vazante
Pitiú, alto falante!
Pupunha a todo instante
O Carão apareceu
Encara outra pessoa
Pode ser a que vende broa
Ao teu pai que te perdeu

Adenaldo dos Santos Cardoso
Abaetetuba - Pará - Brasil

Adenaldo Santoscardoso
DONA DA NOSSA CABEÇA
Olhar Fotográfico: Angelo Paganelli

Da nossa marca registrada
Também temos “Seu Miriti”
Valha-nos Deus, Nossa Senhora!
“Dona Farinha” e “Seu Açai”

Mas a “mardita desgraçada”
Não sai de nossas cabeças
Embriaga-nos de sonho
Alambique que veleja

Traz o cheiro do ribeirinho
Da coroa de sua fama
Brilha ouro refinado
Parideiro pé-de-cana

Dona de nossas cabeças
Prostituta de Abaeté
Pro mundo ela foi plantada
Pra morrer num cabaré

Dona do Engenho São José
Que paria Vista Alegre

Dona do Engenho Nazaré
Que paria Nazaré

Dona do Engenho Da Paz
Que paria Maués

Dona do Engenho São Jerônimo
Que paria São Jerônimo

Dona do Engenho Santa Rosa
Que paria Alvorada

Dona do Engenho Papagaio
Que paria Papagaio

Dona do Engenho Feliz
Que paria Feliz

Dona do Engenho Paraíso
Que paria Paraíso

Dona do Engenho São Pedro
Que paria São Pedro

Dona do Engenho São João
Que paria São João

Dona do Engenho Santa Cruz
Que paria Santa Cruz

Dona do Engenho Borboleta
Que paria Borboleta

Engenho do Nazareno
Que paria Amazônia

Dona do Engenho Pacheco
Que paria...

Saudosos engenhos de canas
Autores de nossa glória
Em meio as festas profanas
Alegravam nossa história

Ao vermos um pé-de-cana
Lembranças o vento traz
Da Dona de nossas cabeças
Famosa Dama que jaz

Mas no nosso porto em luto
Não esquecemos jamais
A Pura de Abaetetuba
Mater dos canaviais


AMIGAETÉS
(Dedico as minhas sobrinhas Carol Kemil e Kamila Kemil)

Cá vivo sonhando comigo
Morando às margens dos igarapés
Vivendo o socialismo
Na tribo dos Abaetés

No relampejo desse desejo
Troveja em meu peito o amor fraternal
Acordo e vejo Kamila
E Carol na comuna tribal

Minhas amigas não são poesias
Não são fantasias, são mesmo reais
É o encontro do que eu procuro
No claro ou no escuro são sempre leais

Minhas amigas não tem quem maldiga
A nossa mandinga espanta o mal
Premeditando o nosso futuro
Jamais verei muro no nosso quintal

(Adenaldo dos Santos Cardoso)


Adenaldo Santoscardoso Cassio Dias
Amigo Cassio Dias
Que a vida me deu de presente
Ao sabor de suas alegrias
Eu sinto o valor de ser gente
MAR VERMELHO

Nos cantos do mundo
Plantaram muitas cruzes
Cemitérios ocultos
Não ocultam o odor das flores
Cruz credo, hemisférios!
Antagônicos bastidores

Diante dos olhos dos reis
Juro que não vi nada de novo
Nas teias trançadas das leis
O inseto pequeno é o povo
Na malha do direito burguês
O pinto é sufocado no ovo

Sem terra, sem teto...
No fundo do poço
A justiça afogada outra vez
A janta servida no almoço

A água e o vinho se abraçam
Tingidos não buscam seus leitos
Namoram deixando suas marcas
O rosto da morte num beijo
Unidos não vejo suas caras
Mas sinto o gosto do Tejo

O Rio vermelho desagua
Nas águas do Rio Araguaia
Emergem granadas, fuzis...
As dores de mães desoladas
Lembranças das flores de abril
No fundo do rio sepultadas

O rio que veio e que foi
Não chorou por ser chorado
Cuspiu nos dez mandamentos
Bebeu o cálice de Baco
Lambeu a cruz... depois partiu
Pororocou no céu do fraco

Foi até o Carandiru
Inundou a Candelária
Eldorado dos Carajás
Vigário Geral, Corumbiara
Passou pela Amazônia
Por que será que ele não para?

Fez remanso em Hiroshima
Nagasaki, que banzeiro!
Beirute, Iraque, Malvinas...
Estilhaçou o meu espelho
Já não vejo mais um rio
Mais um grande M A R V E R M E L H O.

(Adenaldo dos Santos Cardoso)
GASTRONOMIA

Como posso arrotar carne
Se o quê comi foi peixe?

Tem gente que não entente
Ou pensa que eu sou otário
É sempre a mesma história
Quer minha cabeça em seu prato
Porra! Cada um cuide de si...
O certo pode estar errado
Eu serei o que bom de sê-lo
Desodorizo o meu suvaco
Pare de ser meu pentelho
E não encha o meu saco

(Adenaldo dos Santos Cardoso)


Adenaldo Santoscardoso XARÃO CULTURAL ABAETEUARA


DESTECNOLÓGICOS
(Para Luiz Gonzaga Lobato e Ney Viola)

Nem tudo é o que parece
Continuo amando a filosofia
Nunca juro, desconjuro
Os que juram que eu juro
Pois, é pura fantasia
É do nada que se cria
E do tudo se copia
EXAGERO a gente pensa
- Pesarosa ventania -
Nasci nu, mas não sou índio
Mudo de roupa todo dia
Tomo cachaça no boteco
Sempre em boa companhia
Gonzaga Lobato e Ney Viola
Amigos do Cassio e da Sofia
Raul Seixas e Bob Marley
Camaradas da anarquia
Obrigado meus amigos
Brindemos à democracia
Eu sou filho da Amazônia
Mas meu avô era da Síria

(Adenaldo dos Santos Cardoso)
Adenaldo
PESADELO

Acordei meio assustado
Afastando o que via
Procurando o meu Deus
Pra acabar minha agonia

Deus de tantos, tantos eus
Eu dos Santos, anjo meu
Minha mãe, salve Rainha!
Meu pai nosso , pai do céu!

Escapei do purgatório
Vi minha filha que dormia
Como um anjo aposentado
Minha mulher apagou o dia

Voltei para os braços ternos
De Morfeu que me acudia
Fugi do grande pesadelo
Da noite; não sei do dia...

(Adenaldo dos Santos Cardoso)
4 de Junho de 2013 09:21
Um barco na praça
Vive a ver navio
Um barco parado
Que nunca partiu
Nasceu encalhado
Abaetetuba pariu
Um barco de pedra
Um barco sem rio

(Adenaldo dos Santos Cardoso
17 de maio de 2013 20:52
NÃO ESQUEÇO O MEU UMBIGO

O céu está na boca
Mas se existe outra coisa boa
É o paraíso!
Eu rezo pra Alá, pra ir pra lá
Depois de cá
Sem esquecer o meu umbigo:

- Olha a pupunha, olha a pupunha, olha a pupunha...
- É o doce gelado!

Não venha me prender
Por eu vender um bom CD pirateado
Eu vendo pra sobreviver
Se a policia quer saber
São os políticos os errados

O Papa vive nas estrelas
Papai Noel no Polo Norte
E eu no mundo da lua
Feito Cavalo de São Jorge
Quando o trem vier me buscar
Que me deixe num lugar
Onde eu possa escutar:

- Olha a pupunha, olha a pupunha, olha a pupunha...
- É o doce gelado!

Adenaldo dos Santos Cardoso
Abaetetuba - Pará - Brasil
Adenaldo Santoscardoso
Hoje eu vi a lua
Em plena luz do dia
Eu vi a lua
No céu de Abaetetuba
Eu vi a lua
Que coisa absurda
Eu vi a lua
Namorando com o sol
Adenaldo Santoscardoso XARÃO CULTURAL ABAETEUARA
CRUZEIRO

Ergueram um altar
Que nos conduz
Pra mãe Conceição
Pra mãe de Jesus
Abaeté do Pará
Que nos seduz
Minha nossa Senhora
Nos livre da cruz!

(Adenaldo dos Santos Cardoso)
Adenaldo
POEMA DE NINGUÉM

Não entendi aquele rio
Ao mergulhar com meu escafrando
Não entendi aquele rio
Achei um poema de outro mundo
Não entendi aquele rio
Achando que ele me pertencia
Não entendi aquele rio
Busquei ajuda nos oceanos
Não entendi aquele rio
Era muito mais profundo
Não entendi aquele rio
Não consegui chegar ao fundo
Não entendi aquele rio
Aos meus olhos desaguando

(Adenaldo dos Santos Cardoso)
Adenaldo
AORTA DE ABAETÉ

Maratauira!
Sinto a tua alma
Em meu corpo tuíra
Embaixo da tua saia
Não vejo alegoria
Olhando o remanso
Percebo teu corpo eriçar
Tudo é obra do vento
Que não se cansa de te amar

Alvorada criança!
Pontes, cais, lembranças..
Amazônia, aguardentes!
Cascos, batelões. reboques
Enchentes, vazantes...
Tempo antigamente
Os valores sepultados
Na bagaceira do presente

Braço do Tocantins!
Ainda não foste amputado
Porque serves como corredor
Ninguém percebe a tua dor
Abaetetuba é teu mar
O teu amor, o teu amar
Mas o teu ventre
Não gesta nem “baiacu”
És carregador da “Beira”
Com o “Giz” te assemelhas
Daqui pra ali
De lá pra cá

(Adenaldo dos Santos Cardoso)
Adenaldo Santoscardoso


Adenaldo Santoscardoso Na época em que participava do Grupo os Neófitos, a noite reuniámos atrás do Cristo. Era o nosso ponto de encontro e de muita conversa boa, hem, Lial Bentes, diga lá, quanta saudade!
PORTO SEDUTOR

No parque da vida
De viva lembrança
Barquinhas transportam
Ao mundo criança.
Uma criança bonita, alegre e cativante.

Não tem nenhum preconceito musical.
Ela dança samba, merengue, bossa-nova.
Dança e canta de forma natural
Alegrando aquele lar, cheia de prosa.

Adenaldo e Joelma, tão felizes,
Acompanhando a filhinha nessa dança.
A música rola em todos os matizes
Enquanto Sofia dança feliz e não se cansa.

Feliz quem pode ter numa criança
A inspiração que tive nesta hora.
Dance feliz, Sofia. Ame a esperança,
Que assim a felicidade não demora.
Adenaldo

O cinema voltou a ser mudo...
Mas guardo boas lembranças do CINE IMPERADOR
e de seu patriarca ABEL GUIMARÃES
Mas como deveria esquece-lo?
Era ele que ficava à porta,
abria seu coração
E deixava a meninada entrar gratuitamente,
levada pelas suas mãos cheias de bondade...
E a gente apressadamente,
agradecia com o coração cheio de alegria!!!

MASOQUISMO
(Adenaldo Cardoso)
Violão: João Fran Silva.
Você pisou em mim
Mas eu não quero nem saber
Mamãe achou ruim
Mas o meu caso é com você
Papai se aborreceu
Mas eu me calo por você...


adenaldoROTAÇÃO

Fede por aqui
A burguesia
As rotas são
Exploração
E mais valia

Educação
Pedagogia
Letras na mão
Preposição
Morfologia

Versos passeiam
Filosofia
O grão no chão
Vegetação
Agronomia

Olho no olho
Astrologia
Evolução
Ovulação
Biologia

Desperta o corpo
Ideologia
Viva a razão
Revolução
Sociologia

Tem compaixão
Teologia
Meu São João
Estenda a mão
Democracia

(Adenaldo)"


AdenaldoCORAÇÃO MORTIGUAR

Do céu vem teu sorriso
Da areia o teu lençol
Do rio boto atrevido
Brejeiro e sedutor
Do rio o teu espírito
Caboclo do Marajó

Beja em tempo de férias
Manicure cuida do teu pé
Rola marola na beira
Desafoga o igarapé
O velho coqueiro se embala
No deserto do teu olhar
O teu perfume exala
Flor antiga de mortiguar

Beja, meu bem, Beja!
Beja, me dá prazer...
Beja pela areia
Beja pela maré
Beja, meu bem, Beja!
Beja, meu bem querer...
Beja, vê se desperta
Beja pra não morrer...

O estalo do carvão
No preparo do café
O beiju de tapioca
O beijo de tua mulher
Bem cedinho, bem cedinho!
Chega gente de Abaeté
Vai passando, passeando...
Procissão de São Migué

(Adenaldo dos Santos Cardoso)
Olhar Fotográfico: Angelo Paganelli
Adenaldo
APAGADOR

Eu tive um sonho tão lindo
Encarnei num passarinho
Fugi da terra pra bem longe
Procurei um outro ninho
Voei feliz comigo mesmo
Por me encontrar longe de espinho
Em outra parte, liberdade!
Fui amigo de um anjinho
Que me levou ao paraíso
Porque eu tinha dormido
Como na vida tudo se apaga
Senti o meu mundo caindo
Na pele o beijo de uma praga
Carapanã me perseguindo

(Adenaldo dos Santos Cardoso)


Adenaldo Santoscardoso
DIA DO AMIGO

Amigo a gente não guarda
Não é propriedade da gente
Amigo é um anjo visível
Que Deus nos deu de presente

(Adenaldo dos Santos Cardoso)
adenaldoAPAGADOR

Eu tive um sonho tão lindo
Encarnei num passarinho
Fugi da terra pra bem longe
Procurei um outro ninho
Voei feliz comigo mesmo
Por me encontrar longe de espinho
Em outra parte, liberdade!
Fui amigo de um anjinho
Que me levou ao paraíso
Porque eu tinha dormido
Como na vida tudo se apaga
Senti o meu mundo caindo
Na pele o beijo de uma praga
Carapanã me perseguindo

(Adenaldo dos Santos Cardoso)


Adenaldo A MORTE É CERTA

O meu lado santo
Perturba o diabo
Minha maluques
Serve de retalho
Pra viver entre tantos
Babados e bordados
Cinjo o meu manto
Meu mundo transviado
Estendo a minha roupa
Sob o céu nublado
Sigo como ateu
Pra não ter pecado
Mas a morte é certa
Serei desnudado

(Adenaldo dos Santos Cardoso)
Adenaldo MAL ME QUER, BEM ME QUER...

Uns sentem raiva
Outros sentem dó
Uns alegria
Outros a dor
Eu na verdade
Sinto meu mundo
Despetalado
Como uma flor

(Adenaldo dos Santos Cardoso)
Adenaldo OBRA DOS SENTIDOS

Lá vem você...
Inevitavelmente
É só ouvir aquela música
Você aparece em minha mente

Lá vem você...
Misteriosamente
É só sentir aquele perfume
Você aparece de repente

Lá vem você...
Indiscutivelmente
É só estar naquele lugar
Você aparece em minha frente

Lá vem você...
Sem querer estar presente
Mas por obra dos sentidos
Você se torna insistente

(Adenaldo dos Santos Cardoso)


Meu grande amigo Garibaldi
Parente do canto do mato
Caminhas no ramal da cultura
Da terra que amas de fato


Adenaldo Santoscardoso
XARÃO CULTURAL ABAETEUARA

Beira
Do Maratauira
De peixes pescados
Da nossa cuíra
De barcos cansados....

VOZES DA MATRIZ

Sou sumano abaeteuara
Que aprendeu que o sino fala
Ouvindo vozes da matriz

Vi com o passar do tempo
Os ponteiros do relógio
Não acenarem mais pra mim

Vi o Cristo ser pintado
Novamente maltratado
Entre pedras se ferir

Vi a cara do progresso
No afã dos sortilégios
Vi meu bem ter que partir

Na mudança de cenário
O sino tão badalado
Não cansa de repetir

Sua voz me dá passagem
Pra tal da realidade
Sem ponteiros pra seguir

(Adenaldo)

ENTRE O CÉU E AS ESTRELAS

Viajo pelas mãos dos meus desejos
Amparado pelas asas da canção
Vou ao encontro do teu rosto nos lampejos
Dos meus sonhos energizados de paixão

Faço ponte entre o céu e as estrelas
Acompanho os asteroides da ilusão
Numa nave condicionada de incertezas
Reconheço que mereço o teu "não"

(Adenaldo)

MARIA DE ABAETÉ
XXXIII Semana de Arte e Folclore de Abaetetuba/2014.
Autoria: Adenaldo Santoscardoso.
Interprete: Debora Lobo.

“Ao torná-la personagem de “si” mesma...
No escrever seus livros... Ao cantar seus cantos...
Ao formular suas crônicas e pensamentos...
Ao criar seus poemas...
Na transcrição de suas orações...
Na oratória teatral de sua existência...
Em toda profundidade de seu amor...
Ela é... E será sempre:
Maria de Nazaré Carvalho Lobato”

Maria cheia de graça
O verbo se fez mulher
Benditos os teus frutos
Professora Nazaré

Sob teu manto
Santa magia
Cobre nós todos
Com tua sabedoria
Em nosso canto
Estrela Guia
O teu encanto
Enche o céu de poesia

Entre nós o vosso reino
Tradição, paixão e fé
Protetora da cultura
Senhora de Abaeté

Sob teu manto
Santa magia
Cobre nós todos
Com tua sabedoria
Em nosso canto
Estrela Guia
O teu encanto
Enche o céu de poesia

Amém!"
REMARUJAR

Perguntam-me como vou
Respondo-lhes que vou indo
Procurando diamantes
De alegria em meu caminho

Aos pés do sol sinto a vida
Como um rio a me levar
Deitado aos pés do tempo
Durmo feito preamar

Sob um manto de estrelas
A terra roda de mansinho
A vida é curta, todos sabem
Cada rio tem seu destino

(Adenaldo)

A MORDIDA NA MAÇÃ
(Miguel Afonso/Adenaldo Cardoso)
Outubro de 2012.

O esplendor da lua
Num dia vã
Desabrochou na rua
No céu de Tupã
E a Terra toda nua
Terra imã
Esfera, irmã da lua
Toda manhã

E a vida continua sendo o que sempre vi
A gente vivendo
Buscando o momento de ser feliz

No céu brilha o sol
Desnudando a lua
A vida propaga a morte
A arte é um pé na sorte
Quem sofre é que se comove
Com a mordida na maçã"

PELA SALVAÇÃO DO VERDE QUE ARDE
(Ao poeta Milton Teixeira)

O verde ardente
Ferida na gente
A vida em chama
A alma reclama
Devastação!
Corpos pelo chão
Fumaça no espaço
Serras de aço
Cheiro de mato
Cinza, carvão
Poluição!
Madeira de lei
Cheque, dinheiro
Tudo de papel
Sacado das árvores

Lá na floresta
Existe um vulcão
Em erupção
Brasil, em tua carne!

Parabéns, ao poeta
Milton Teixeira
Que com sua arte
Joga seus baldes
De água poética
No coração
Do Homem de então
Pela salvação
Do verde que arde

(Adenaldo)"

"DECRETO AMOR

Manipularam os versos
A prosa é outro papo
Querem minha cabeça
Pra adubar seus vasos
E, ainda perguntam
O que é que eu acho?
Minha cabeça
Já não acha nada
Alavanco minha marcha
Fora do compasso
Atiro minhas flechas
Defendo meu reinado
Nas asas do vento
Canto e viajo
Empunho a bandeira
Da paz que eu mesmo traço
Amor em minha vida
Decreta o meu estado

(Adenaldo)"

Adenaldo
RASA OU ARICÁ
Aconchego do açaí
Também serve pra aninhar
O saboroso miriti

Faleceu no último dia 13 de agosto de 2014, em Belém do Pará o músico miriense (Vila Maiauatá), Miguel Benedito Quaresma Afonso. “Boboca” como era conhecido nasceu no dia 23 de julho de 1956 , filho de José Maria Afonso (Tio Zeca) e Araci Santa Maria Afonso. “Boboca” deixou 05 filhos, dois deles frutos de seu casamento que teve pouca duração, talvez em virtude de sua vida artística, de pouco paradeiro. Desde a infância desenvolveu o gosto pela música, tendo em sua trajetória adquirido uma vasta experiência, tanto em nível local, como no cenário estadual.
“Boboca” foi um importantes nomes do grupo “Os Positivos” (sucesso na época), além de Grupo Wama e outras formações de grupos locais. Participou de bandas com o Rei do Carimbó “Pinduca”, Pim, Orquestra Orlando Pereira, Banda Gênesis, Tribo de Jazz. Tocou inclusive com o grande nome da música popular brasileira, Ney Matogrosso. Pelo que se acompanhou de sua vida da pra perceber que “Boboca” construiu uma trajetória incontestável de dedicação à música.
Em 2000 “mestre Boboca” concorreu ao cargo de vereador do município pelo Partido dos Trabalhadores, mas não teve muito sucesso, logo não fez outras tentativas e continuou trilhando os caminhos da música.
De acordo com Socorro Afonso, irmã de “ Boboca”, o artista tinha muitos sonhos, como por exemplo, a construção de um espaço para formação de novos músicos em Vila Maiauatá, mesmo não tendo conseguido tal objetivo contribuiu para formação musical de muitos jovens que hoje mantêm atividades na música local, são exemplos, desse legado, Augusto ( Bimbarro), Paulinho, Diego, Johnny, Davi,entre outros.
Mesmo com toda essa “bagagem” musical de quem foi aluno e até professor na Fundação Carlos Gomes, “Boboca” nunca abandonou sua simplicidade e paixão pela sua encantadora maneira de ver a sua terra. A Iara, nome atribuído ao seu humilde sitio em Vila Maiauatá, sempre foi o seu retiro para inspiração, como se lê nos versos da canção a seguir:

CANTILHA
(Adenaldo Cardoso/Miguel Afonso “Boboca”)
Encontrei o amor
No canto de uma fada
O encanto me encantou
No Recanto da Iara
Ilha pequena
Paraíso, joia rara
Liberta a mente
Faz o céu ser tua cara
Minha pequena
Terra fértil, inspiração
Vejo a vida
Refletida no teu chão
Colho a flor
Que eu te dei
Com muito amor
Quanto plantei
Pra te alegrar
No teu silêncio
Ouço tua voz
“Maiauatá!”
Vila Maiauatá chora a perda de seu “mestre”, mas certamente o canto da Iara continuará encantando todos os que tiveram a satisfação de conviver e apreciar a bela expressão musical do “mestre Boboca”

Fui também premiado ontem, em 3° lugar, na XXXIII Semana de Arte e Folclore de Abaetetuba, com esta outra composição:

ABAETETUBA DA RUA
( Adenaldo dos Santos Cardoso)

Guardei os raios do sol
Em minhas rústicas gavetas
Em envelopes de saudades
Amarelas fotos mofentas
O passado é um álbum feliz
Que o presente apresenta

No dorso das nuvens brancas
Engancha o tempo vivido
Desmancha minha esperança
Despenca meu sonho atrevido
O céu que parece azul
Também fica encardido

Catando as estrelas
Quase mortas no altar
Semeio a paz esquecida
Esperando o amor brilhar
Na luta adormecida
Canto para não chorar

No decorrer das tempestades
Correndo sem competir
Em teus braços vou vivendo
Abaeté do Tocantins
Simplesmente te amando
Eternamente até o fim

Ontem participei da Semana de Arte e Folclore de Abaetetuba (SEAFA XXXIII), fui contemplado em 1° lugar, com o poema abaixo:
DONA DA NOSSA CABEÇA
(Adenaldo dos Santos Cardoso)
Da nossa marca registrada
Também temos “Seu Miriti”
Valha-nos Deus, Nossa Senhora!
“Dona Farinha” e “Seu Açai”
Mas a “mardita” cheia de graça!
Límpida, ardente de danar
Vivia na sociedade
Em Abaeté do Grão Pará
Dona da nossa cabeça
Prostituta dos Abaetés
Bailarina pé-de-cana
A beira de rios e igarapés
Parida no alambique
Do Engenho São José
Joaquim engarrafava
“Vista Alegre” pra Alenquer
No Engenho Nazaré
Duca Costa rezava
Vendo a cana convertida
Sua fé só aumentava
No engenho Da Paz
Paz Maués alegrava
“Maués”, timbrada em sonho
O Amazonas regatava
No Engenho São Jerônimo
Noé Guimarães embarcava
O liquido precioso
Até o santo se embriagava
No Engenho Santa Cruz
Murilo resplandecia!
Com o clarão de tanta luz
Que a branquinha exibia
No Engenho Papagaio
Claudionor tranquilizava
Pois, a água que era ardente
Passarinho não bicava
No Engenho Feliz
Aprigio felicitava
A água vinda da raiz
Em seu porto abundava
No Engenho Paraíso
Francisco imaginava
O céu de cada boca
Quando a pura adentrava
No Engenho São João
Duca Ferreira festejava
Era grande a devoção
Pela cachaça que exportava
No Engenho São Pedro
Álvaro Matos festejava
Espinhos e pedras no caminho
Ele nunca se importava
No Engenho Borboleta
Delclécio flutuava
Nas asas mágicas da paixão
Do verde que transformava
No Engenho do Nazareno
Nazareno encantava!
“Amazônia” era seu leito
Onde ele divagava
No Engenho Santa Rosa
Raimundo orgulhava
“Alvorada” servia de prosa
No lugar onde morava
No Engenho “Cá te espero”
Kemil nunca desviava
De ser um grande anfitrião
Do povo que convidava
Saudosos engenhos de canas
Autores da nossa glória
Em meio as festas profanas
Alegravam a nossa história
Sepulcros caiados na lama
Saudades eternas demais!
Abaetetuba de outrora
Lembranças da puta do cais

ANGÚSTIA
Ao meu eterno amigo Miguel Afonso

Uns riem
Outros choram
Neste momento estou calado
Mas meu silêncio grita de dor
Meu Deus!
Deus todo poderoso!
Tiraste um pedaço de mim
Minha tristeza pesa
Já não consigo levantar a cabeça
Olhar para o céu procurando ver estrelas
Pois, a estrela principal se apagou
Como uma vela soprada pelo vento
Sinto a luz do sol
Na penumbra amarga da vida
Meus sentimentos aguçam em meu peito
Como um sabre furando lá na entranha
O meu coração...
Neste momento só tristeza
Abriu a porta da saudade
Meus pensamentos voam como uma gaivota
Indo em vários lugares em busca do amigo
Percorro rios, estradas, igarapés
Cidades, lugares... em busca do Maestro
Que partiu inesperadamente
Sem que tu, Deus!
Concedesse-me a oportunidade
De lhe dizer ADEUS
Mas tenho certeza
Que ele está fazendo festa
Tocando com seus amigos
Enquanto aqui na terra
Sinto inveja, dele está aí contigo

(Adenaldo)"

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Fede por aqui
A burguesia
As rotas são
Exploração
E mais valia

Educação
Pedagogia
Letras na mão
Preposição
Morfologia

Versos passeiam
Filosofia
O grão no chão
Vegetação
Agronomia

Olho no olho
Astrologia
Evolução
Ovulação
Biologia

Desperta o corpo
Ideologia
Viva a razão
Revolução
Sociologia

Tem compaixão
Teologia
Meu São João
Estenda a mão
Democracia

Adenaldo

O MILTON DE ABAETÉ
(Compadre Chico - Milton Teixeira)

Sua mãe lhe chama Francisco
Sua esposa Chico ou Chiquinho
Seus irmãos mano Francisquinho
Seus amigos Babá ou Mitinho

Poeta de tantos nomes
De universos que ficam pertinhos
Da Amazônia no peito encarnada
Poeta de tantos caminhos

Do shopping , do botequim
Do asfalto, do lamaçal
Do concreto vizinho das ruas
Da paxiúba vizinha do quintal

Atleta das arquibancadas
Seus olhos correm pelo chão
Sonhando com a bola entrando
No gol a favor do Papão

Debruça sobre um aquário na mesa
Com o garfo pendente na mão
Soluça se carne está presa
No músculo da emoção

Cavuca procurando seu mito
Um rito papa chibé
Um outro nome registro
“O Milton de Abaeté”

(Adenaldo Cardoso)

Adenaldo Santoscardoso

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