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domingo, 19 de junho de 2016

Adenaldo dos Santos Cardoso 4 - Poetas e Poesias

Adenaldo dos Santos Cardoso 4 - Poetas e Poesias


3 DE JANEIRO
Hoje é domingo
Dia três
É o segundo
Dia sem feira
Só não entendo
Porque amanhã
A gente chama
Segunda-feira
Mas não importa
O que importa
É que estou vivo
Estando vivo
Posso pensar
No amanhã
E amanhã
É o dia de eu ir na “Beira”
O mapará e o açaí
Irei comprar...
Depois da mesa
Vou atar à baladeira
A espreguiçadeira
Deixar a noite me acordar
Mas é melhor não divagar...
Se estou sabendo
Que o hoje não tem feira
Deixa o amanhã
Que não vivi
Hoje pra lá
Porque o hoje
Mal me cabe a cerveja
E o bafo
Dos amigos
A lorotar

(Adenaldo)


VAGAMUNDO

Sou um vagamundo
Vago em mundo vão
Sem autorização
Munido de paixão
Olho na janela

Sou da construção
Do mundo de então
Mas não ligo pra razão
Se minha visão
Não consegue vê-la

Trago em minhas mãos
“Emes” de opção
Sozinho à multidão
Seguro o corrimão
De uma vida bela

Já passei de grão
Tenho coração!
E a chave que lhe cabe
É a salvação
Quando uso ela

(Adenaldo)
BEIRA DE ABAETETUBA
De mãos calejadas
De velhas ilusões
De pontes, calçadas
De raça e rações...

BEIRA DE ABAETETUBA
Começo comércio
Beira da Cidade
Aconchego do Rio
H o s p i t a l i d a d e
De grande verdade
Do "obrigado Senhor"
Da nossa saudade
Da alegria e da dor...


VAGAMUNDO
Sou um vagamundo
Vago em mundo vão
Sem autorização
Munido de paixão
Olho na janela
Sou da construção
Do mundo de então
Mas não ligo pra razão
Se minha visão
Não consegue vê-la
Trago em minhas mãos
“Emes” de opção
Sozinho à multidão
Seguro o corrimão
De uma vida bela
Já passei de grão
Tenho coração!
E a chave que lhe cabe
É a salvação
Quando uso ela
(Adenaldo)


Cristo que é de pedra
Entre pedras não se mexe
Ave, Abaetetuba!
Salve, salve Beja!!!...


Abaetetuba
Abaeté do Tocantins
Pelo teu corpo
Tuas veias são teus rios...


3 DE JANEIRO
Hoje é domingo
Dia três
É o segundo
Dia sem feira
Só não entendo
Porque amanhã
A gente chama
Segunda-feira
Mas não importa
O que importa
É que estou vivo
Estando vivo
Posso pensar
No amanhã
E amanhã
É o dia de eu ir na “Beira”
O mapará e o açaí
Irei comprar...
Depois da mesa
Vou atar à baladeira
A espreguiçadeira
Deixar a noite me acordar
Mas é melhor não divagar...
Se estou sabendo
Que o hoje não tem feira
Deixa o amanhã
Que não vivi
Hoje pra lá
Porque o hoje
Mal me cabe a cerveja
E o bafo
Dos amigos
A lorotar
(Adenaldo)
3 DE JANEIRO
Hoje é domingo
Dia três
É o segundo
Dia sem feira
Só não entendo
Porque amanhã
A gente chama
Segunda-feira
Mas não importa
O que importa
É que estou vivo
Estando vivo
Posso pensar
No amanhã
E amanhã
É o dia de eu ir na “Beira”
O mapará e o açaí
Irei comprar...
Depois da mesa
Vou atar à baladeira
A espreguiçadeira
Deixar a noite me acordar
Mas é melhor não divagar...
Se estou sabendo
Que o hoje não tem feira
Deixa o amanhã
Que não vivi
Hoje pra lá
Porque o hoje
Mal me cabe a cerveja
E o bafo
Dos amigos
A lorotar
(Adenaldo)
3 DE JANEIRO
Hoje é domingo
Dia três
É o segundo
Dia sem feira
Só não entendo
Porque amanhã
A gente chama
Segunda-feira
Mas não importa
O que importa
É que estou vivo
Estando vivo
Posso pensar
No amanhã
E amanhã
É o dia de eu ir na “Beira”
O mapará e o açaí
Irei comprar...
Depois da mesa
Vou atar à baladeira
A espreguiçadeira
Deixar a noite me acordar
Mas é melhor não divagar...
Se estou sabendo
Que o hoje não tem feira
Deixa o amanhã
Que não vivi
Hoje pra lá
Porque o hoje
Mal me cabe a cerveja
E o bafo
Dos amigos
A lorotar

(Adenaldo)



Hoje é sábado
Dia dois
Único dois
Que tem janeiro
Mais onze vezes
Pode contar
Ele vai se apresentar
Em seu dia o ano inteiro
Ele é comum
Pode apostar
Alguém pode lhe marcar
Se nascer no seu poleiro
Filho do tempo
Ele é imortal!
Mas morre de morte natural
Pra renascer em fevereiro
(Adenaldo)
TEMPO DE AMOR E PAZ
Os ponteiros do relógio passam
Pelo mesmo caminho todo dia
Não registram seus cansaços
Ao percorrerem a mesma via
O calendário da parede
Vira um anciãozinho
Quando chega o Ano Novo
O Velho sai de seu caminho
O sol é o mesmo de sempre
A trilha do tempo aquece
No compasso de seus passos
Ele passa; não envelhece!
O tempo condena o Homem
À vida curta demais...
As pernas firmes do relógio
Nunca andam para trás
O mundo tem suas feridas
Que só as línguas curam os “ais”
Mas o remédio são as lambidas
Em doses de amor e paz
(Adenaldo)
TEMPO DE AMOR E PAZ
Os ponteiros do relógio passam
Pelo mesmo caminho todo dia
Não registram seus cansaços
Ao percorrerem a mesma via
O calendário da parede
Vira um anciãozinho
Quando chega o Ano Novo
O Velho sai de seu caminho
O sol é o mesmo de sempre
A trilha do tempo aquece
No compasso de seus passos
Ele passa; não envelhece!
O tempo condena o Homem
À vida curta demais...
As pernas firmes do relógio
Nunca andam para trás
O mundo tem suas feridas
Que só as línguas curam os “ais”
Mas o remédio são as lambidas
Em doses de amor e paz
(Adenaldo)


DISCURSO VAZIO
O ranço de tua língua
Adentra os meus ouvidos
Falas o que queres
Mas não ouves o teu conflito
Desdenhas da vida alheia
Do elo por tê-lo perdido
Colocas fogo na casa
De quem não é teu amigo
Em torno de interesses
Formas teu próprio juízo
Julgas mandando às favas
Aquele que não ladra contigo
O outro que te conhece
Bem sabe teu lado maldito
Não vives o auto da fala
Teus zelos são tantos mesquinhos
(Adenaldo)

DESEJO DA ROSA
Plantei
Reguei...
Minhas
Roseiras
Germinaram
O sol
A lua
A chuva
O vento
Ajudaram-me
Minhas roseiras
Floriram...
Encantado
Desejei
Um buquê de rosas!
Mas ao ver os pássaros
Beijarem as rosas com carinho
Senti que as rosas
Não pretendem
As minhas mãos
(Adenaldo)

MANI DE ABAETÉ
Flor Cabana
Criança mulher
Raiz da maniva
Mani de Abaeté
A alma de planta
Resenha o que é
Inocência tamanha
Na flor da maré
Seu jeito sumana
Humilde em ser
Sofia Helena
A luz do saber
(Adenaldo)

CONCEIÇÃO DE ABAETÉ
Vindo de Belém pra sua sesmaria
Francisco Monteiro se perdeu na ventania
No dia consagrado à Virgem da Conceição
Seu Francisco apavorado pediu logo proteção
Uma capela à Santa o Sesmeiro construiu
Às margens do Maratauira onde o povo reuniu
Como aqui não tinha ouro, Seu Francisco se mandou
Em sua caravela, nem uma árvore aqui plantou...
Veja só, foi milagre meu irmão!
Abaetetuba, segura às mãos de Conceição!!!
(Adenaldo)

ROTAÇÃO
Fede por aqui
A burguesia
As rotas são
Exploração
E mais valia
Educação
Pedagogia
Letras na mão
Preposição
Morfologia
Versos passeiam
Filosofia
O grão no chão
Vegetação
Agronomia
Olho no olho
Astrologia
Evolução
Ovulação
Biologia
Desperta o corpo
Ideologia
Viva a razão
Revolução
Sociologia
Tem compaixão
Teologia
Meu São João
Cai, cai balão
Democracia
(Adenaldo)

Caboclo vai indo contra a correnteza
O peixe valente despenca do céu
Cano-à-vela no rio não se cansa
A água que dança tem gosto de mel
ASSOMBRAÇÃO

Pela madrugada
Vi Matinta Pereira
Falei que pela manhã
Ela fosse lá na Beira
Pegar tabaco de primeira

Ela parecia irritada
Seu fififiu me assustava
Então, lembrei que ela viu
Ontem na pedra do porto
O corpo de um boto morto

(Adenaldo)

MANI DE ABAETÉ
Flor Cabana
Criança mulher
Raiz da maniva
Mani de Abaeté
A alma de planta
Resenha o que é
Inocência tamanha
Na flor da maré
Seu jeito sumana
Humilde em ser
Sofia Helena
A luz e o saber
(Adenaldo)

HALL DA MEMÓRIA

Na linha do tempo
Recompõe-se a história
Amigos que partem
Nunca vão embora
Amigos são artes
Preciosas joias
Guardadas no peito
No hall da memória

(Adenaldo)
LIBERDADE DE EXPRESSÃO
Colocas palavras em minha boca
Meio a toa quer me alugar
Mas o verbo tem sua casa própria
Próprio do verbo conjugar
Minha cabeça ainda é boa
Não tenho pressa para voar
Bato as asas, abrindo a boca...
Vê se entendes meu linguajar
Não faço ninho em alheia proa
Cada cabeça é um altar
Meu passarinho um canto entoa
Meu coração é o seu lugar
(Adenaldo)
A RUA
A rua é grande
Tem nome e coração
A rua leva ao longe
Sem precisar de corrimão
A rua não tem começo
Nem meio; tampouco fim!
Todo ponto de chegada
É um ponto de partir
A rua fica embaixo
Pronta para ir e vim
Se ela tem serenata
O amor mora ali
A rua quando calçada
Veste-se para não sair
Mas ela só fica parada
Se o destino permitir
(Adenaldo)

VERÃO ABAETETUBAR
Não quero complicar
Vou falar o que sinto
Em linguagem popular
É como sei me expressar!
A dor eu nunca espero
Mas o amor lhe dá lugar
Condicionado ao universo
Não marco hora pra chorar
Vulnerável ser humano
Modelado ser vulgar
Faço parte de um esquema
Muito antes de chegar
Já viajei pelas galáxias
Vi São Jorge galopar
Pelos olhos da peneira
Fiz estrelas ao luar
A procura do infinito
Não me canso de andar
Concretizo o impossível
Num possível imaginar
Sem saber o que acontece
Por saber que sei amar
Adentrei à primavera
Num verão abaetetubar
(Adenaldo)





ABAETETUBA, ÉS MINHA PAIXÃO!
VIVES DENTRO DO MEU CORAÇÃO
EU TE ABRAÇO COM MUITA EMOÇÃO
AO PISAR NO ESPLENDOR DO TEU CHÃO...









Parabéns pelos 120 anos!





SOU ASSIM
Com pano sujo não me alinho
Entretanto, não sou Omo!
Prefiro nu saber de mim
Do que vestir um sujo pano
Luto na vida pra ser feliz
Que o travesseiro não reclame
Quero adormecer nos meus bons quis
Cantar meu canto a alguém que ame
(Adenaldo)

Vivo nesse Mapa Brasileiro
Meu Pará no teu canteiro
Abaetetuba é uma flor
Vivo a mercê de um outro dia
Me agarro à ventania
Só por causa do amor...

MARIA DE ABAETÉ
Maria cheia de graça
O verbo se fez mulher
Benditos os teus frutos
Professora Nazaré
Entre nós o vosso reino
Tradição, paixão e fé
Protetora da cultura
Senhora de Abaeté
Sob teu manto
Santa magia
Cobre nós todos
Com tua sabedoria
Em nosso canto
Estrela Guia
O teu encanto
Enche o céu de poesia
(Adenaldo)

COISAS DE VÁRZEA
(Adenaldo Cardoso)
* Interpretada pelo Grupo Sororocando No Mato*
Na tabatinga da ilusão  
Lambuzei meu coração
Viajei feito aninga
No remanso do teu rio
Fui chutado pelo vento
Eu quase não aguento
A tempestade foi tão grande
Que encalhei na ribanceira
Vi cobra grande, curupira
Boto, matinta perera
Ao teu lado vivo só
Atolado na lameira


DA SAGRADA ESCRITURA DOS VIOLEIROS…

A defesa é natural:
cada qual para o que nasce,
cada qual com sua classe,
seus estilos de agradar.
Um nasce para trabalhar,
outro nasce para briga,
outro vive de intriga,
E outro de negociar.
Outro vive de enganar -
o mundo só presta assim:
é um bom outro ruim,
e eu não tenho jeito pra dar.
Pra acabar de completar:
Quem tem o mel, dá o mel.
Quem tem o fel. dá o fel.
Quem nada tem, nada dá.

Beira
Do tipiti retorcido, de sonhos compridos
Do matapi parido, de peitos despidos
De mãos calejadas, de velhas ilusões
De ponte, calçada, de raça e rações...

INTÉ, POR LÁ!
(Ao saudoso amigo maestro Miguel Afonso)
Meu amigo Miguelito!
Meu parceiro, meu irmão!
Na raiz do teu umbigo
Amarrei meu coração
A flor que tu me deste
Perfumou meu violão
No canto de minha alma
Primavera faz canção
Plantaste flores no rio
Em terra firme a tua arte
Tocaste o dedo de Zeus
Com as canções que dedilhaste
Estrelas iluminaram
O teu espaço inspirador
No Recanto da Iara
Encontraste o amor
Para o desconhecido
Como a fonte alcança o mar
Viajaste tão depressa
Num lance de preamar
Por aqui eu vou vivendo
Nas águas vivas da maré
Encho e vazo de saudade
Como um rio no igarapé

                                                                                   (Adenaldo) 


Violão Faceiro

Para João Fran.

Viola, violeiro e violão
menestrel ou trovador.
Arma a lírica canção
no castelo do pendor.

E de castelo em castelo,
plangentes prima e bordão
Arrima no doce anelo
da alma no coração.

Na florada da lua cheia
segue à risca a melodia.
A ressonância prateia
na ode da lua alegria.

Viola, violeiro e violão
acorde ao prazer do canto.
Vibrante toca a emoção
e deslumbra mais encanto.

Viola, violeiro e violão
palco de ameno luar.
E vem Beethoven tocar
em nosso faceiro odeão.
TRAÍRA
Adenaldo
O meu sonho é um rio
De ondas vivas, serenas
Meu porto é solidão
Plantado no pé da beira
Consulto meu coração
Na terra firme da feira
O meu amor é um anzol
Em busca de uma sereia
Mas pra minha decepção
Traíra eu pesco na areia

(Adenaldo dos Santos Cardoso)
FESTANÇA

Autoria : Adenaldo Cardoso /Júlio Orlando

Vai barquinho, vai barquinho!
Sai das mãos para a maré
No meu sonho de menino
O meu rio é igarapé
Como um bom timoneiro
Desvio de mururé
Brinco com a cobra grande
Mas não toco em poraquê

Miriti em festa
Soca-soca a pilar
Que bonitas as bonequinhas
Caboquinhos a remar (REFRÃO)
Miritifest
Cultura tupiniquim
Onde a arte ganha a vida
Brinquedo de miriti

Avião, aviãozinho!
Faz o céu aparecer
No meu mundo pequenino
Sinto muito de prazer
Voa, voa, passarinho!
Nas asas da imaginação
Voa, canta, faz teu ninho
Faz da vida uma canção

Miriti em festa ... (REFRÃO)

No gingar da nossa história
A festa da Conceição
Miriti, buquê de glória
Das mãos santas do artesão
No encanto da Amazônia
A cultura de Abaeté
Junto com Jesus Cristinho
Nos Braços de Nazaré

Miriti em festa ... (REFRÃO)

Adenaldo Santoscardoso Prosseguindo com a bela homenagem: Alcimar canta / Feliz pra nos alegrar / No ventre de Abaetetuba / O verbo se fez Alcimar


A MORTE É CERTA
Adenaldo
O meu lado santo
Perturba o diabo
Minha maluques
Serve de retalho
Pra viver entre tantos
Babados e bordados
Cinjo o meu manto
Meu mundo transviado
Estendo a minha roupa
Sob o céu nublado
Sigo como ateu
Pra não ter pecado
Mas a morte é certa
Serei desnudado

(Adenaldo dos Santos Cardoso)
MAL ME QUER, BEM ME QUER...
Adenaldo
Uns sentem raiva
Outros sentem dó
Uns alegria
Outros a dor
Eu na verdade
Sinto meu mundo
Despetalado
Como uma flor

(Adenaldo dos Santos Cardoso)
REFLEXO
Adenado
O sangue acende à lenha
O que é isso Maria?
O que é isso José?
Cuidado com o fogo!
Ele fere, ele emprenha...
E a vida passa ser
O que ela não é
José Maria ou Maria José

(Adenaldo dos Santos Cardoso)
OBRA DOS SENTIDOS
Adenaldo
Lá vem você...
Inevitavelmente
É só ouvir aquela música
Você aparece em minha mente

Lá vem você...
Misteriosamente
É só sentir aquele perfume
Você aparece de repente

Lá vem você...
Indiscutivelmente
É só estar naquele lugar
Você aparece em minha frente

Lá vem você...
Sem querer estar presente
Mas por obra dos sentidos
Você se torna insistente

(Adenaldo dos Santos Cardoso)
OBRA DOS SENTIDOS
Adenaldo
Lá vem você...
Inevitavelmente
É só ouvir aquela música
Você aparece em minha mente

Lá vem você...
Misteriosamente
É só sentir aquele perfume
Você aparece de repente

Lá vem você...
Indiscutivelmente
É só estar naquele lugar
Você aparece em minha frente

Lá vem você...
Sem querer estar presente
Mas por obra dos sentidos
Você se torna insistente

(Adenaldo dos Santos Cardoso)
OBRA DOS SENTIDOS
Adenaldo
Lá vem você...
Inevitavelmente
É só ouvir aquela música
Você aparece em minha mente

Lá vem você...
Misteriosamente
É só sentir aquele perfume
Você aparece de repente

Lá vem você...
Indiscutivelmente
É só estar naquele lugar
Você aparece em minha frente

Lá vem você...
Sem querer estar presente
Mas por obra dos sentidos
Você se torna insistente

(Adenaldo dos Santos Cardoso)
SANTA ARQUITETURA
Adenaldo
Querida Abaeté!
Querida Abaetetuba!
Sei que os teus braços são as tuas ruas
E dos teus abraços brota a tua cultura
O povo no nos bairros "Santa Arquitetura"

Bairro da AVIAÇÃO, Divino Espírito Santo
ALGODOAL, Socorro do teu pranto
Bairro do MUTIRÃO, Antonio Casamenteiro
SÃO SEBASTIÃO, Glorioso Guerreiro

CRISTO REDENTOR, Deus é a salvação
FRANCILÂNDIA ensina "Francisco é irmão"
SANTA CLARA clareia os obscuros caminhos
SANTA ROSA perfuma onde houverem espinhos

SÃO JOÃO batiza em nome de Jesus
Bendito São José ao CAFEZAL conduz
SÃO LOURENÇO concentra o povo cheio de fé
Elevando suas preces à Virgem de Nazaré

SÃO DOMINGOS DA ANGÉLICA protege o destino
São Cristovão carrega CASTANHAL com carinho
Nessa caminhada de devoção
O CENTRO homenageia à Virgem da Conceição


Adenaldo Cardoso/Julio Orlando
Abaetetuba - Pará - Brasil
*Em letras maiúsculas os 14 bairros de Abaetetuba

Adenaldo
Como disse o poeta
"Amar é necessário"
Mas debulhando o meu rosário
Meus versos loucos ordinários
As contas que me deu o vigário
Despetalei a vida assim
"Mal me quer", "Bem me quer"
"Mal me quer", "Bem me quer..."

(Adenaldo dos Santos Cardoso)
Pai, sei que sou diferente
Dos santos e dos anjos.
Não quero ser como eles
Me basta ser simples gente!
Senhor sou apenas uma reles
Poeta , nem demônio nem arcanjo.
Sou feito de carne e versos
E sentimentos diversos
Sou poeta, nada mais,
Santa? Jamais!
De: Iolanda Parente



Adenaldo Santoscardoso


QUO VADIS?

URUBUTUBA
"Beira"
"Beirada"
"Beiradão"
"Lá Embaixo"
Também
"Calçadão"

Abaetetuba - Pará - Brasil
Adenaldo Não matem os urubus / Nem a tua educação / Não matem as baratas e ratos / Viva a nossa salvação!
De Adenaldo


AO POETA COM CARINHO
O poeta está no berço
Viva, viva o poeta!
Muitobéns, amigo meu!!!
É o que desejo em tua festa
Não me sinto a vontade
Pra escolher o teu presente
O que encontrei foram palavras
Que penso ser teu nutriente
De tanto eu me apreciar
Das guloseimas da tua mente
GARIBALDI NICOLA PARENTE
Sejas eterno eternamente!
(Do sumano Adenaldo)


Adenaldo
Cheira a valentia
Pelos ares desta terra
Voam aves marias
Quando o sol no rio se enterra
Corre montaria
O tempo não te espera
Morre mais um dia
Na igreja o sino berra!

PORTO SEDUTOR

No parque da vida
De viva lembrança
Barquinhas transportam
Ao mundo criança.
Olhe a comida, meu senhor! / Cheiro cheiroso, meu amor! / Olho de Boto, seu doutor / Ervacidreira!... / Olhe o espinho... olhe a flor! / Olhe o sol feliz se pôr / A vida do trabalhador / Olhe à Beira!!!



Violão Faceiro

Para João Fran.

Viola, violeiro e violão
menestrel ou trovador.
Arma a lírica canção
no castelo do pendor.

E de castelo em castelo,
plangentes prima e bordão
Arrima no doce anelo
da alma no coração.

Na florada da lua cheia
segue à risca a melodia.
A ressonância prateia
na ode da lua alegria.

Viola, violeiro e violão
acorde ao prazer do canto.
Vibrante toca a emoção
e deslumbra mais encanto.

Viola, violeiro e violão
palco de ameno luar.
E vem Beethoven tocar
em nosso faceiro odeão.


Adenaldo Santoscardoso É verdade minha querida Eliana Fonseca Fonseca, acho que você teve o prazer de viver esse momento inesquecível, que é o desfile irreverente do Palhuk e seus palhukeiros. Acho de suma importância que a gente não desista de nosso ideal. Devemos contribuir de todas as formas para que o Palhuk permaneça de fato para sempre. O Palhuk ainda é o orgasmo do nosso carnaval abaeteuara, sem o Palhuk retiro-me do Carnaval. Viva o mestre Guri e a sua esposa Luíza, sem eles, com certeza o Palhuk já teria falecido e nosso Carnaval se resumiria numa grande porcaria. VIVA O PALHUK, VIVA O GURY E VIVA A LUÍZA PARA SEMPRE! VAMOS TODOS OS ABAETETUBENSES LUTAR PARA QUE NÃO PERCAMOS A NOSSA IDENTIDADE CULTURAL.
Adenaldo Santoscardosopublicou emXARÃO CULTURAL ABAETEUARA
NÃO ESQUEÇO O MEU UMBIGO

O céu está na boca
Mas se existe outra coisa boa
É o paraíso!
Eu rezo pra Alá, pra ir pra lá
Depois de cá
Sem esquecer o meu umbigo:

- Olha a pupunha, olha a pupunha, olha a pupunha...
- É o doce gelado!

Não venha me prender
Por eu vender um bom CD pirateado
Eu vendo pra sobreviver
Se a policia quer saber
São os políticos os errados

O Papa vive nas estrelas
Papai Noel no Polo Norte
E eu no mundo da lua
Feito Cavalo de São Jorge
Quando o trem vier me buscar
Que me deixe num lugar
Onde eu possa escutar:

- Olha a pupunha, olha a pupunha, olha a pupunha...
- É o doce gelado!

Adenaldo dos Santos Cardoso
Abaetetuba - Pará - Brasil
Adenaldo Santoscardoso
ADEMIR HELENO ARAÚJO ROCHA
*Enciclopédia Viva da Nossa História Abaeteuara*

Na Terra de Homens Valentes
Que lembra Guerreiros de Tróia
A armadura de Heleno
Protege a nossa memória

Navega nos mares de dantes
Vasculha o fundo do rio
Gapuia junto com Netuno
A nossa história com brio

Visita as cavernas escuras
Com sua espada a luzir
Coeso a raiz da existência
Não deixa a vida partir

Edifica sua fortaleza
No plano espiritual
Vivendo num mundo de letras
Arquiteta no mundo virtual

Carimba com tintas eternas
Às páginas do nosso existir
Professor Heleno Araújo
Rocha de ouro Ademir


Adenaldo dos Santos Cardoso
Abaetetuba - Pará – Brasil


Adenaldo Santoscardoso
ESSE CARA NÃO É O CARA

Vou dizer na tua cara
Que esse cara não é o cara
Vou provar na tua cara
Que essa cara é de pau
Minha cara ela escarra
Na tua cuia de mingau

Olha o peixe na vazante
Pitiú, alto falante!
Pupunha a todo instante
O Carão apareceu
Encara outra pessoa
Pode ser a que vende broa
Ao teu pai que te perdeu

Adenaldo dos Santos Cardoso
Abaetetuba - Pará - Brasil

Adenaldo Santoscardoso
DONA DA NOSSA CABEÇA
Olhar Fotográfico: Angelo Paganelli

Da nossa marca registrada
Também temos “Seu Miriti”
Valha-nos Deus, Nossa Senhora!
“Dona Farinha” e “Seu Açai”

Mas a “mardita desgraçada”
Não sai de nossas cabeças
Embriaga-nos de sonho
Alambique que veleja

Traz o cheiro do ribeirinho
Da coroa de sua fama
Brilha ouro refinado
Parideiro pé-de-cana

Dona de nossas cabeças
Prostituta de Abaeté
Pro mundo ela foi plantada
Pra morrer num cabaré

Dona do Engenho São José
Que paria Vista Alegre

Dona do Engenho Nazaré
Que paria Nazaré

Dona do Engenho Da Paz
Que paria Maués

Dona do Engenho São Jerônimo
Que paria São Jerônimo

Dona do Engenho Santa Rosa
Que paria Alvorada

Dona do Engenho Papagaio
Que paria Papagaio

Dona do Engenho Feliz
Que paria Feliz

Dona do Engenho Paraíso
Que paria Paraíso

Dona do Engenho São Pedro
Que paria São Pedro

Dona do Engenho São João
Que paria São João

Dona do Engenho Santa Cruz
Que paria Santa Cruz

Dona do Engenho Borboleta
Que paria Borboleta

Engenho do Nazareno
Que paria Amazônia

Dona do Engenho Pacheco
Que paria...

Saudosos engenhos de canas
Autores de nossa glória
Em meio as festas profanas
Alegravam nossa história

Ao vermos um pé-de-cana
Lembranças o vento traz
Da Dona de nossas cabeças
Famosa Dama que jaz

Mas no nosso porto em luto
Não esquecemos jamais
A Pura de Abaetetuba
Mater dos canaviais
AMIGAETÉS
(Dedico as minhas sobrinhas Carol Kemil e Kamila Kemil)

Cá vivo sonhando comigo
Morando às margens dos igarapés
Vivendo o socialismo
Na tribo dos Abaetés

No relampejo desse desejo
Troveja em meu peito o amor fraternal
Acordo e vejo Kamila
E Carol na comuna tribal

Minhas amigas não são poesias
Não são fantasias, são mesmo reais
É o encontro do que eu procuro
No claro ou no escuro são sempre leais

Minhas amigas não tem quem maldiga
A nossa mandinga espanta o mal
Premeditando o nosso futuro
Jamais verei muro no nosso quintal

(Adenaldo dos Santos Cardoso)


Adenaldo Santoscardosopublicou emCassio Dias
Amigo Cassio Dias
Que a vida me deu de presente
Ao sabor de suas alegrias
Eu sinto o valor de ser gente
MAR VERMELHO

Nos cantos do mundo
Plantaram muitas cruzes
Cemitérios ocultos
Não ocultam o odor das flores
Cruz credo, hemisférios!
Antagônicos bastidores

Diante dos olhos dos reis
Juro que não vi nada de novo
Nas teias trançadas das leis
O inseto pequeno é o povo
Na malha do direito burguês
O pinto é sufocado no ovo

Sem terra, sem teto...
No fundo do poço
A justiça afogada outra vez
A janta servida no almoço

A água e o vinho se abraçam
Tingidos não buscam seus leitos
Namoram deixando suas marcas
O rosto da morte num beijo
Unidos não vejo suas caras
Mas sinto o gosto do Tejo

O Rio vermelho desagua
Nas águas do Rio Araguaia
Emergem granadas, fuzis...
As dores de mães desoladas
Lembranças das flores de abril
No fundo do rio sepultadas

O rio que veio e que foi
Não chorou por ser chorado
Cuspiu nos dez mandamentos
Bebeu o cálice de Baco
Lambeu a cruz... depois partiu
Pororocou no céu do fraco

Foi até o Carandiru
Inundou a Candelária
Eldorado dos Carajás
Vigário Geral, Corumbiara
Passou pela Amazônia
Por que será que ele não para?

Fez remanso em Hiroshima
Nagasaki, que banzeiro!
Beirute, Iraque, Malvinas...
Estilhaçou o meu espelho
Já não vejo mais um rio
Mais um grande M A R V E R M E L H O.

(Adenaldo dos Santos Cardoso)
GASTRONOMIA

Como posso arrotar carne
Se o quê comi foi peixe?

Tem gente que não entente
Ou pensa que eu sou otário
É sempre a mesma história
Quer minha cabeça em seu prato
Porra! Cada um cuide de si...
O certo pode estar errado
Eu serei o que bom de sê-lo
Desodorizo o meu suvaco
Pare de ser meu pentelho
E não encha o meu saco

(Adenaldo dos Santos Cardoso)


Adenaldo Santoscardosopublicou emXARÃO CULTURAL ABAETEUARA
NÃO ESQUEÇO O MEU UMBIGO

O céu está na boca
Mas se existe outra coisa boa
É o paraíso!
Eu rezo pra Alá, pra ir pra lá
Depois de cá
Sem esquecer o meu umbigo:

- Olha a pupunha, olha a pupunha, olha a pupunha...
- É o doce gelado!

Não venha me prender
Por eu vender um bom CD pirateado
Eu vendo pra sobreviver
Se a policia quer saber
São os políticos os errados

O Papa vive nas estrelas
Papai Noel no Polo Norte
E eu no mundo da lua
Feito Cavalo de São Jorge
Quando o trem vier me buscar
Que me deixe num lugar
Onde eu possa escutar:

- Olha a pupunha, olha a pupunha, olha a pupunha...
- É o doce gelado!

Adenaldo dos Santos Cardoso
Abaetetuba - Pará - Brasil


DESTECNOLÓGICOS
(Para Luiz Gonzaga Lobato e Ney Viola)

Nem tudo é o que parece
Continuo amando a filosofia
Nunca juro, desconjuro
Os que juram que eu juro
Pois, é pura fantasia
É do nada que se cria
E do tudo se copia
EXAGERO a gente pensa
- Pesarosa ventania -
Nasci nu, mas não sou índio
Mudo de roupa todo dia
Tomo cachaça no boteco
Sempre em boa companhia
Gonzaga Lobato e Ney Viola
Amigos do Cassio e da Sofia
Raul Seixas e Bob Marley
Camaradas da anarquia
Obrigado meus amigos
Brindemos à democracia
Eu sou filho da Amazônia
Mas meu avô era da Síria

(Adenaldo dos Santos Cardoso)
Adenaldo
PESADELO

Acordei meio assustado
Afastando o que via
Procurando o meu Deus
Pra acabar minha agonia

Deus de tantos, tantos eus
Eu dos Santos, anjo meu
Minha mãe, salve Rainha!
Meu pai nosso , pai do céu!

Escapei do purgatório
Vi minha filha que dormia
Como um anjo aposentado
Minha mulher apagou o dia

Voltei para os braços ternos
De Morfeu que me acudia
Fugi do grande pesadelo
Da noite; não sei do dia...

(Adenaldo dos Santos Cardoso)
4 de Junho de 2013 09:21
Um barco na praça
Vive a ver navio
Um barco parado
Que nunca partiu
Nasceu encalhado
Abaetetuba pariu
Um barco de pedra
Um barco sem rio

(Adenaldo dos Santos Cardoso


Adenaldo
17 de maio de 2013 20:52

NÃO ESQUEÇO O MEU UMBIGO

O céu está na boca
Mas se existe outra coisa boa
É o paraíso!
Eu rezo pra Alá, pra ir pra lá
Depois de cá
Sem esquecer o meu umbigo:

- Olha a pupunha, olha a pupunha, olha a pupunha...
- É o doce gelado!

Não venha me prender
Por eu vender um bom CD pirateado
Eu vendo pra sobreviver
Se a policia quer saber
São os políticos os errados

O Papa vive nas estrelas
Papai Noel no Polo Norte
E eu no mundo da lua
Feito Cavalo de São Jorge
Quando o trem vier me buscar
Que me deixe num lugar
Onde eu possa escutar:

- Olha a pupunha, olha a pupunha, olha a pupunha...
- É o doce gelado!

Adenaldo dos Santos Cardoso
Abaetetuba - Pará - Brasil



Adenaldo Santoscardoso


Hoje eu vi a lua
Em plena luz do dia
Eu vi a lua
No céu de Abaetetuba
Eu vi a lua
Que coisa absurda
Eu vi a lua
Namorando com o sol
Adenaldo Santoscardosopublicou emXARÃO CULTURAL ABAETEUARA
CRUZEIRO

Ergueram um altar
Que nos conduz
Pra mãe Conceição
Pra mãe de Jesus
Abaeté do Pará
Que nos seduz
Minha nossa Senhora
Nos livre da cruz!

(Adenaldo dos Santos Cardoso)
Adenaldo
POEMA DE NINGUÉM

Não entendi aquele rio
Ao mergulhar com meu escafrando
Não entendi aquele rio
Achei um poema de outro mundo
Não entendi aquele rio
Achando que ele me pertencia
Não entendi aquele rio
Busquei ajuda nos oceanos
Não entendi aquele rio
Era muito mais profundo
Não entendi aquele rio
Não consegui chegar ao fundo
Não entendi aquele rio
Aos meus olhos desaguando

(Adenaldo dos Santos Cardoso)
Adenaldo
AORTA DE ABAETÉ

Maratauira!
Sinto a tua alma
Em meu corpo tuíra
Embaixo da tua saia
Não vejo alegoria
Olhando o remanso
Percebo teu corpo eriçar
Tudo é obra do vento
Que não se cansa de te amar

Alvorada criança!
Pontes, cais, lembranças..
Amazônia, aguardentes!
Cascos, batelões. reboques
Enchentes, vazantes...
Tempo antigamente
Os valores sepultados
Na bagaceira do presente

Braço do Tocantins!
Ainda não foste amputado
Porque serves como corredor
Ninguém percebe a tua dor
Abaetetuba é teu mar
O teu amor, o teu amar
Mas o teu ventre
Não gesta nem “baiacu”
És carregador da “Beira”
Com o “Giz” te assemelhas
Daqui pra ali
De lá pra cá

(Adenaldo dos Santos Cardoso)
Adenaldo Santoscardoso
DONA DA NOSSA CABEÇA
Olhar Fotográfico: Angelo Paganelli

Da nossa marca registrada
Também temos “Seu Miriti”
Valha-nos Deus, Nossa Senhora!
“Dona Farinha” e “Seu Açai”

Mas a “mardita desgraçada”
Não sai de nossas cabeças
Embriaga-nos de sonho
Alambique que veleja

Traz o cheiro do ribeirinho
Da coroa de sua fama
Brilha ouro refinado
Parideiro pé-de-cana

Dona de nossas cabeças
Prostituta de Abaeté
Pro mundo ela foi plantada
Pra morrer num cabaré

Dona do Engenho São José
Que paria Vista Alegre

Dona do Engenho Nazaré
Que paria Nazaré

Dona do Engenho Da Paz
Que paria Maués

Dona do Engenho São Jerônimo
Que paria São Jerônimo

Dona do Engenho Santa Rosa
Que paria Alvorada

Dona do Engenho Papagaio
Que paria Papagaio

Dona do Engenho Feliz
Que paria Feliz

Dona do Engenho Paraíso
Que paria Paraíso

Dona do Engenho São Pedro
Que paria São Pedro

Dona do Engenho São João
Que paria São João

Dona do Engenho Santa Cruz
Que paria Santa Cruz

Dona do Engenho Borboleta
Que paria Borboleta

Engenho do Nazareno
Que paria Amazônia

Dona do Engenho Pacheco
Que paria...

Saudosos engenhos de canas
Autores de nossa glória
Em meio as festas profanas
Alegravam nossa história

Ao vermos um pé-de-cana
Lembranças o vento traz
Da Dona de nossas cabeças
Famosa Dama que jaz

Mas no nosso porto em luto
Não esquecemos jamais
A Pura de Abaetetuba
Mater dos canaviais
Adenaldo Santoscardoso
ESSE CARA NÃO É O CARA

Vou dizer na tua cara
Que esse cara não é o cara
Vou provar na tua cara
Que essa cara é de pau
Minha cara ela escarra
Na tua cuia de mingau

Olha o peixe na vazante
Pitiú, alto falante!
Pupunha a todo instante
O Carão apareceu
Encara outra pessoa
Pode ser a que vende broa
Ao teu pai que te perdeu

Adenaldo dos Santos Cardoso
Abaetetuba - Pará - Brasil


Adenaldo Santoscardoso Na época em que participava do Grupo os Neófitos, a noite reuniámos atrás do Cristo. Era o nosso ponto de encontro e de muita conversa boa, hem, Lial Bentes, diga lá, quanta saudade!
PORTO SEDUTOR

No parque da vida
De viva lembrança
Barquinhas transportam
Ao mundo criança.
Uma criança bonita, alegre e cativante.

Não tem nenhum preconceito musical.
Ela dança samba, merengue, bossa-nova.
Dança e canta de forma natural
Alegrando aquele lar, cheia de prosa.

Adenaldo e Joelma, tão felizes,
Acompanhando a filhinha nessa dança.
A música rola em todos os matizes
Enquanto Sofia dança feliz e não se cansa.

Feliz quem pode ter numa criança
A inspiração que tive nesta hora.
Dance feliz, Sofia. Ame a esperança,
Que assim a felicidade não demora.
À SOFIA

Nesta manhã que nasce docemente
Com sua música suave, extasiante,
Eu vejo, dançando pela sala, sorridente,
Adenaldo
Cheira a valentia
Pelos ares desta terra
Voam aves marias
Quando o sol no rio se enterra
Corre montaria
O tempo não te espera
Morre mais um dia
Na igreja o sino berraParte


Adenaldo
O cinema voltou a ser mudo...
Mas guardo boas lembranças do CINE IMPERADOR
e de seu patriarca ABEL GUIMARÃES
Mas como deveria esquece-lo?
Era ele que ficava à porta,
abria seu coração
E deixava a meninada entrar gratuitamente,
levada pelas suas mãos cheias de bondade...
E a gente apressadamente,
agradecia com o coração cheio de alegria!!!

MASOQUISMO
(Adenaldo Cardoso)
Violão: João Fran Silva.
Você pisou em mim
Mas eu não quero nem saber
Mamãe achou ruim
Mas o meu caso é com você
Papai se aborreceu
Mas eu me calo por você...


adenaldoROTAÇÃO

Fede por aqui
A burguesia
As rotas são
Exploração
E mais valia

Educação
Pedagogia
Letras na mão
Preposição
Morfologia

Versos passeiam
Filosofia
O grão no chão
Vegetação
Agronomia

Olho no olho
Astrologia
Evolução
Ovulação
Biologia

Desperta o corpo
Ideologia
Viva a razão
Revolução
Sociologia

Tem compaixão
Teologia
Meu São João
Estenda a mão
Democracia

(Adenaldo)"


AdenaldoCORAÇÃO MORTIGUAR

Do céu vem teu sorriso
Da areia o teu lençol
Do rio boto atrevido
Brejeiro e sedutor
Do rio o teu espírito
Caboclo do Marajó

Beja em tempo de férias
Manicure cuida do teu pé
Rola marola na beira
Desafoga o igarapé
O velho coqueiro se embala
No deserto do teu olhar
O teu perfume exala
Flor antiga de mortiguar

Beja, meu bem, Beja!
Beja, me dá prazer...
Beja pela areia
Beja pela maré
Beja, meu bem, Beja!
Beja, meu bem querer...
Beja, vê se desperta
Beja pra não morrer...

O estalo do carvão
No preparo do café
O beiju de tapioca
O beijo de tua mulher
Bem cedinho, bem cedinho!
Chega gente de Abaeté
Vai passando, passeando...
Procissão de São Migué

(Adenaldo dos Santos Cardoso)
Olhar Fotográfico: Angelo Paganelli
Adenaldo
APAGADOR

Eu tive um sonho tão lindo
Encarnei num passarinho
Fugi da terra pra bem longe
Procurei um outro ninho
Voei feliz comigo mesmo
Por me encontrar longe de espinho
Em outra parte, liberdade!
Fui amigo de um anjinho
Que me levou ao paraíso
Porque eu tinha dormido
Como na vida tudo se apaga
Senti o meu mundo caindo
Na pele o beijo de uma praga
Carapanã me perseguindo

(Adenaldo dos Santos Cardoso)


Adenaldo Santoscardoso
DIA DO AMIGO

Amigo a gente não guarda
Não é propriedade da gente
Amigo é um anjo visível
Que Deus nos deu de presente

(Adenaldo dos Santos Cardoso)
adenaldoAPAGADOR

Eu tive um sonho tão lindo
Encarnei num passarinho
Fugi da terra pra bem longe
Procurei um outro ninho
Voei feliz comigo mesmo
Por me encontrar longe de espinho
Em outra parte, liberdade!
Fui amigo de um anjinho
Que me levou ao paraíso
Porque eu tinha dormido
Como na vida tudo se apaga
Senti o meu mundo caindo
Na pele o beijo de uma praga
Carapanã me perseguindo

(Adenaldo dos Santos Cardoso)


SANTA ARQUITETURA

Querida Abaeté!
Querida Abaetetuba!
Sei que os teus braços são as tuas ruas
E dos teus abraços brota a tua cultura
O povo no nos bairros "Santa Arquitetura"

Bairro da AVIAÇÃO, Divino Espírito Santo
ALGODOAL, Socorro do teu pranto
Bairro do MUTIRÃO, Antonio Casamenteiro
SÃO SEBASTIÃO, Glorioso Guerreiro

CRISTO REDENTOR, Deus é a salvação
FRANCILÂNDIA ensina "Francisco é irmão"
SANTA CLARA clareia os obscuros caminhos
SANTA ROSA perfuma onde houverem espinhos

SÃO JOÃO batiza em nome de Jesus
Bendito São José ao CAFEZAL conduz
SÃO LOURENÇO concentra o povo cheio de fé
Elevando suas preces à Virgem de Nazaré

SÃO DOMINGOS DA ANGÉLICA protege o destino
São Cristovão carrega CASTANHAL com carinho
Nessa caminhada de devoção
O CENTRO homenageia à Virgem da Conceição


Adenaldo Cardoso/Julio Orlando
Abaetetuba - Pará - Brasil
*Em letras maiúsculas os 14 bairros de Abaetetuba
Adenaldo A MORTE É CERTA

O meu lado santo
Perturba o diabo
Minha maluques
Serve de retalho
Pra viver entre tantos
Babados e bordados
Cinjo o meu manto
Meu mundo transviado
Estendo a minha roupa
Sob o céu nublado
Sigo como ateu
Pra não ter pecado
Mas a morte é certa
Serei desnudado

(Adenaldo dos Santos Cardoso)
Adenaldo MAL ME QUER, BEM ME QUER...

Uns sentem raiva
Outros sentem dó
Uns alegria
Outros a dor
Eu na verdade
Sinto meu mundo
Despetalado
Como uma flor

(Adenaldo dos Santos Cardoso)
Adenaldo REFLEXO

O sangue acende à lenha
O que é isso Maria?
O que é isso José?
Cuidado com o fogo!
Ele fere, ele emprenha...
E a vida passa ser
O que ela não é
José Maria ou Maria José

(Adenaldo dos Santos Cardoso)
Adenaldo OBRA DOS SENTIDOS

Lá vem você...
Inevitavelmente
É só ouvir aquela música
Você aparece em minha mente

Lá vem você...
Misteriosamente
É só sentir aquele perfume
Você aparece de repente

Lá vem você...
Indiscutivelmente
É só estar naquele lugar
Você aparece em minha frente

Lá vem você...
Sem querer estar presente
Mas por obra dos sentidos
Você se torna insistente

(Adenaldo dos Santos Cardoso)
Adenaldo CABOCLO DE ABAETÉ

O poeta se foi
Nas linhas mágicas da partida
Pendurou seu coração
Durante sua despedida
No pescoço de sua Pátria
Abaetetuba, toda vida!

(Adenaldo dos Santos Cardoso


Adenaldo Santoscardoso
DIA DO AMIGO

Amigo a gente não guarda
Não é propriedade da gente
Amigo é um anjo visível
Que Deus nos deu de presente

(Adenaldo dos Santos Cardoso)
Adenaldo Santos Cardoso
Meu grande amigo Garibaldi
Parente do canto do mato
Caminhas no ramal da cultura
Da terra que amas de fato

CORAÇÃO MORTIGUAR

Do céu vem teu sorriso
Da areia o teu lençol
Do rio boto atrevido
Brejeiro e sedutor
Do rio o teu espírito
Caboclo do Marajó

Beja em tempo de férias
Manicure cuida do teu pé
Rola marola na beira
Desafoga o igarapé
O velho coqueiro se embala
No deserto do teu olhar
O teu perfume exala
Flor antiga de mortiguar

Beja, meu bem, Beja!
Beja, me dá prazer...
Beja pela areia
Beja pela maré
Beja, meu bem, Beja!
Beja, meu bem querer...
Beja, vê se desperta
Beja pra não morrer...

O estalo do carvão
No preparo do café
O beiju de tapioca
O beijo de tua mulher
Bem cedinho, bem cedinho!
Chega gente de Abaeté
Vai passando, passeando...
Procissão de São Migué

(Adenaldo dos Santos Cardoso)
Olhar Fotográfico: Angelo Paganelli

Adenaldo Santoscardoso
XARÃO CULTURAL ABAETEUARA

Beira
Do Maratauira
De peixes pescados
Da nossa cuíra
De barcos cansados....

VOZES DA MATRIZ

Sou sumano abaeteuara
Que aprendeu que o sino fala
Ouvindo vozes da matriz

Vi com o passar do tempo
Os ponteiros do relógio
Não acenarem mais pra mim

Vi o Cristo ser pintado
Novamente maltratado
Entre pedras se ferir

Vi a cara do progresso
No afã dos sortilégios
Vi meu bem ter que partir

Na mudança de cenário
O sino tão badalado
Não cansa de repetir

Sua voz me dá passagem
Pra tal da realidade
Sem ponteiros pra seguir

(Adenaldo)

ENTRE O CÉU E AS ESTRELAS

Viajo pelas mãos dos meus desejos
Amparado pelas asas da canção
Vou ao encontro do teu rosto nos lampejos
Dos meus sonhos energizados de paixão

Faço ponte entre o céu e as estrelas
Acompanho os asteroides da ilusão
Numa nave condicionada de incertezas
Reconheço que mereço o teu "não"

(Adenaldo)

MARIA DE ABAETÉ
XXXIII Semana de Arte e Folclore de Abaetetuba/2014.
Autoria: Adenaldo Santoscardoso.
Interprete: Debora Lobo.

“Ao torná-la personagem de “si” mesma...
No escrever seus livros... Ao cantar seus cantos...
Ao formular suas crônicas e pensamentos...
Ao criar seus poemas...
Na transcrição de suas orações...
Na oratória teatral de sua existência...
Em toda profundidade de seu amor...
Ela é... E será sempre:
Maria de Nazaré Carvalho Lobato”

Maria cheia de graça
O verbo se fez mulher
Benditos os teus frutos
Professora Nazaré

Sob teu manto
Santa magia
Cobre nós todos
Com tua sabedoria
Em nosso canto
Estrela Guia
O teu encanto
Enche o céu de poesia

Entre nós o vosso reino
Tradição, paixão e fé
Protetora da cultura
Senhora de Abaeté

Sob teu manto
Santa magia
Cobre nós todos
Com tua sabedoria
Em nosso canto
Estrela Guia
O teu encanto
Enche o céu de poesia

Amém!"
REMARUJAR

Perguntam-me como vou
Respondo-lhes que vou indo
Procurando diamantes
De alegria em meu caminho

Aos pés do sol sinto a vida
Como um rio a me levar
Deitado aos pés do tempo
Durmo feito preamar

Sob um manto de estrelas
A terra roda de mansinho
A vida é curta, todos sabem
Cada rio tem seu destino

(Adenaldo)

A MORDIDA NA MAÇÃ
(Miguel Afonso/Adenaldo Cardoso)
Outubro de 2012.

O esplendor da lua
Num dia vã
Desabrochou na rua
No céu de Tupã
E a Terra toda nua
Terra imã
Esfera, irmã da lua
Toda manhã

E a vida continua sendo o que sempre vi
A gente vivendo
Buscando o momento de ser feliz

No céu brilha o sol
Desnudando a lua
A vida propaga a morte
A arte é um pé na sorte
Quem sofre é que se comove
Com a mordida na maçã"

PELA SALVAÇÃO DO VERDE QUE ARDE
(Ao poeta Milton Teixeira)

O verde ardente
Ferida na gente
A vida em chama
A alma reclama
Devastação!
Corpos pelo chão
Fumaça no espaço
Serras de aço
Cheiro de mato
Cinza, carvão
Poluição!
Madeira de lei
Cheque, dinheiro
Tudo de papel
Sacado das árvores

Lá na floresta
Existe um vulcão
Em erupção
Brasil, em tua carne!

Parabéns, ao poeta
Milton Teixeira
Que com sua arte
Joga seus baldes
De água poética
No coração
Do Homem de então
Pela salvação
Do verde que arde

(Adenaldo)"

"DECRETO AMOR

Manipularam os versos
A prosa é outro papo
Querem minha cabeça
Pra adubar seus vasos
E, ainda perguntam
O que é que eu acho?
Minha cabeça
Já não acha nada
Alavanco minha marcha
Fora do compasso
Atiro minhas flechas
Defendo meu reinado
Nas asas do vento
Canto e viajo
Empunho a bandeira
Da paz que eu mesmo traço
Amor em minha vida
Decreta o meu estado

(Adenaldo)"

Adenaldo
RASA OU ARICÁ
Aconchego do açaí
Também serve pra aninhar
O saboroso miriti

Faleceu no último dia 13 de agosto de 2014, em Belém do Pará o músico miriense (Vila Maiauatá), Miguel Benedito Quaresma Afonso. “Boboca” como era conhecido nasceu no dia 23 de julho de 1956 , filho de José Maria Afonso (Tio Zeca) e Araci Santa Maria Afonso. “Boboca” deixou 05 filhos, dois deles frutos de seu casamento que teve pouca duração, talvez em virtude de sua vida artística, de pouco paradeiro. Desde a infância desenvolveu o gosto pela música, tendo em sua trajetória adquirido uma vasta experiência, tanto em nível local, como no cenário estadual.
“Boboca” foi um importantes nomes do grupo “Os Positivos” (sucesso na época), além de Grupo Wama e outras formações de grupos locais. Participou de bandas com o Rei do Carimbó “Pinduca”, Pim, Orquestra Orlando Pereira, Banda Gênesis, Tribo de Jazz. Tocou inclusive com o grande nome da música popular brasileira, Ney Matogrosso. Pelo que se acompanhou de sua vida da pra perceber que “Boboca” construiu uma trajetória incontestável de dedicação à música.
Em 2000 “mestre Boboca” concorreu ao cargo de vereador do município pelo Partido dos Trabalhadores, mas não teve muito sucesso, logo não fez outras tentativas e continuou trilhando os caminhos da música.
De acordo com Socorro Afonso, irmã de “ Boboca”, o artista tinha muitos sonhos, como por exemplo, a construção de um espaço para formação de novos músicos em Vila Maiauatá, mesmo não tendo conseguido tal objetivo contribuiu para formação musical de muitos jovens que hoje mantêm atividades na música local, são exemplos, desse legado, Augusto ( Bimbarro), Paulinho, Diego, Johnny, Davi,entre outros.
Mesmo com toda essa “bagagem” musical de quem foi aluno e até professor na Fundação Carlos Gomes, “Boboca” nunca abandonou sua simplicidade e paixão pela sua encantadora maneira de ver a sua terra. A Iara, nome atribuído ao seu humilde sitio em Vila Maiauatá, sempre foi o seu retiro para inspiração, como se lê nos versos da canção a seguir:

CANTILHA
(Adenaldo Cardoso/Miguel Afonso “Boboca”)
Encontrei o amor
No canto de uma fada
O encanto me encantou
No Recanto da Iara
Ilha pequena
Paraíso, joia rara
Liberta a mente
Faz o céu ser tua cara
Minha pequena
Terra fértil, inspiração
Vejo a vida
Refletida no teu chão
Colho a flor
Que eu te dei
Com muito amor
Quanto plantei
Pra te alegrar
No teu silêncio
Ouço tua voz
“Maiauatá!”
Vila Maiauatá chora a perda de seu “mestre”, mas certamente o canto da Iara continuará encantando todos os que tiveram a satisfação de conviver e apreciar a bela expressão musical do “mestre Boboca”

Fui também premiado ontem, em 3° lugar, na XXXIII Semana de Arte e Folclore de Abaetetuba, com esta outra composição:

ABAETETUBA DA RUA
( Adenaldo dos Santos Cardoso)

Guardei os raios do sol
Em minhas rústicas gavetas
Em envelopes de saudades
Amarelas fotos mofentas
O passado é um álbum feliz
Que o presente apresenta

No dorso das nuvens brancas
Engancha o tempo vivido
Desmancha minha esperança
Despenca meu sonho atrevido
O céu que parece azul
Também fica encardido

Catando as estrelas
Quase mortas no altar
Semeio a paz esquecida
Esperando o amor brilhar
Na luta adormecida
Canto para não chorar

No decorrer das tempestades
Correndo sem competir
Em teus braços vou vivendo
Abaeté do Tocantins
Simplesmente te amando
Eternamente até o fim

Ontem participei da Semana de Arte e Folclore de Abaetetuba (SEAFA XXXIII), fui contemplado em 1° lugar, com o poema abaixo:
DONA DA NOSSA CABEÇA
(Adenaldo dos Santos Cardoso)
Da nossa marca registrada
Também temos “Seu Miriti”
Valha-nos Deus, Nossa Senhora!
“Dona Farinha” e “Seu Açai”
Mas a “mardita” cheia de graça!
Límpida, ardente de danar
Vivia na sociedade
Em Abaeté do Grão Pará
Dona da nossa cabeça
Prostituta dos Abaetés
Bailarina pé-de-cana
A beira de rios e igarapés
Parida no alambique
Do Engenho São José
Joaquim engarrafava
“Vista Alegre” pra Alenquer
No Engenho Nazaré
Duca Costa rezava
Vendo a cana convertida
Sua fé só aumentava
No engenho Da Paz
Paz Maués alegrava
“Maués”, timbrada em sonho
O Amazonas regatava
No Engenho São Jerônimo
Noé Guimarães embarcava
O liquido precioso
Até o santo se embriagava
No Engenho Santa Cruz
Murilo resplandecia!
Com o clarão de tanta luz
Que a branquinha exibia
No Engenho Papagaio
Claudionor tranquilizava
Pois, a água que era ardente
Passarinho não bicava
No Engenho Feliz
Aprigio felicitava
A água vinda da raiz
Em seu porto abundava
No Engenho Paraíso
Francisco imaginava
O céu de cada boca
Quando a pura adentrava
No Engenho São João
Duca Ferreira festejava
Era grande a devoção
Pela cachaça que exportava
No Engenho São Pedro
Álvaro Matos festejava
Espinhos e pedras no caminho
Ele nunca se importava
No Engenho Borboleta
Delclécio flutuava
Nas asas mágicas da paixão
Do verde que transformava
No Engenho do Nazareno
Nazareno encantava!
“Amazônia” era seu leito
Onde ele divagava
No Engenho Santa Rosa
Raimundo orgulhava
“Alvorada” servia de prosa
No lugar onde morava
No Engenho “Cá te espero”
Kemil nunca desviava
De ser um grande anfitrião
Do povo que convidava
Saudosos engenhos de canas
Autores da nossa glória
Em meio as festas profanas
Alegravam a nossa história
Sepulcros caiados na lama
Saudades eternas demais!
Abaetetuba de outrora
Lembranças da puta do cais

ANGÚSTIA
Ao meu eterno amigo Miguel Afonso

Uns riem
Outros choram
Neste momento estou calado
Mas meu silêncio grita de dor
Meu Deus!
Deus todo poderoso!
Tiraste um pedaço de mim
Minha tristeza pesa
Já não consigo levantar a cabeça
Olhar para o céu procurando ver estrelas
Pois, a estrela principal se apagou
Como uma vela soprada pelo vento
Sinto a luz do sol
Na penumbra amarga da vida
Meus sentimentos aguçam em meu peito
Como um sabre furando lá na entranha
O meu coração...
Neste momento só tristeza
Abriu a porta da saudade
Meus pensamentos voam como uma gaivota
Indo em vários lugares em busca do amigo
Percorro rios, estradas, igarapés
Cidades, lugares... em busca do Maestro
Que partiu inesperadamente
Sem que tu, Deus!
Concedesse-me a oportunidade
De lhe dizer ADEUS
Mas tenho certeza
Que ele está fazendo festa
Tocando com seus amigos
Enquanto aqui na terra
Sinto inveja, dele está aí contigo

(Adenaldo)"

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Fede por aqui
A burguesia
As rotas são
Exploração
E mais valia

Educação
Pedagogia
Letras na mão
Preposição
Morfologia

Versos passeiam
Filosofia
O grão no chão
Vegetação
Agronomia

Olho no olho
Astrologia
Evolução
Ovulação
Biologia

Desperta o corpo
Ideologia
Viva a razão
Revolução
Sociologia

Tem compaixão
Teologia
Meu São João
Estenda a mão
Democracia

Adenaldo

O MILTON DE ABAETÉ
(Compadre Chico - Milton Teixeira)

Sua mãe lhe chama Francisco
Sua esposa Chico ou Chiquinho
Seus irmãos mano Francisquinho
Seus amigos Babá ou Mitinho

Poeta de tantos nomes
De universos que ficam pertinhos
Da Amazônia no peito encarnada
Poeta de tantos caminhos

Do shopping , do botequim
Do asfalto, do lamaçal
Do concreto vizinho das ruas
Da paxiúba vizinha do quintal

Atleta das arquibancadas
Seus olhos correm pelo chão
Sonhando com a bola entrando
No gol a favor do Papão

Debruça sobre um aquário na mesa
Com o garfo pendente na mão
Soluça se carne está presa
No músculo da emoção

Cavuca procurando seu mito
Um rito papa chibé
Um outro nome registro
“O Milton de Abaeté”

(Adenaldo Cardoso)

Adenaldo Santoscardoso
EU, SEU LACERDA E VELHO ZUZA

Era o dia 25 de fevereiro, não lembro o ano. Perpetua-me a lembrança
de ser o aniversário do Lial Bentes, e eventualmente um domingo de carnaval.
Nós , como acordávamos antigamente, tínhamos a obrigação de marcar presença
em todos os atos de risonhas primaveras, inclusive, daqueles que não conhecíamos.
Como eramos do coral da igreja, a parte que mais prestávamos atenção na missa,
era aquela em que o padre parabenizava os aniversariantes. Nós também fazíamos
questão de parabeniza-los, simplesmente com o intuito que estes nos convidassem...

Mas quanto ao aniversário de meu amigo Lial, seríamos penalizados se não marcássemos presenças... afinal de contas, acontece só uma vez por ano...
Ao me aproximar do banquete, ouvi o som de um pandeiro e a voz melodioso, que como perfume, saia pela porta e janelas da casa dos Bentes. Nesse momento, a timidez, peculiar a minha adolescência ,acompanhou-me até o altar, onde jaziam vários caranguejos expostos num xarão , ladeados de inúmeros copos, entregues a batida de limão e cerveja...

Lá o Mestre Lacerda, que de uma forma carinhosa, pegou em minha mão e me chamou de filho... um pai, que naquele momento, tive o prazer de adotá-lo.

Fiquei ali apreciando as suas conversas agradáveis o seu estilo musical culto e prazeroso. Depois de algum tempo batido pela cachaça e limão comecei a vê-lo como um de nós, jovem, desvinculado de qualquer rabugice. Porém, apesar de seus pedidos, nunca consegui chamá-lo de “tu”.

As horas andavam e nós ali esquecidos do mundo, confortados por “Honda”, “As Rosas Não Falam”, “Meus Tempos De Criança”, “Carinhoso”... não nos dávamos conta que era Carnaval...

Nessa época existiam as Escolas de Sambas em Abaetetuba. A turma de jovens que estavam no aniversário começaram a vestir suas fantasias para ir desfilar.

Por volta das 19:00, só restava eu e o Seu Lacerda no aniversário.

Olhei para o mesmo e perguntei:

- E agora?

Ele tranquilamente respondeu:

– Não te preocupes, meu filho, vamos para casa.

Partimos via canela. Chegando em sua casa, trouxe um paneiro de carvão. Pilamos e nos passamos sem pestanejar . Fui até o boteco da esquina e comprei maisena que passamos nos cabelos. Ele vestiu uma blusa de mangas compridas bermuda, sapatos, meias e gravatas.

E eu?

Bom eu... vestir-me com suas roupas, exceção à cueca... tudo do Seu Lacerda...
Então ele olhou-me alegremente e disse:

- Paidégua!...De hoje em diante você vai ser o filho do Velho Zuza.

Saímos pela avenida dando trabalho pro seguranças das Escolas, inclusive, pro Osni d pois, várias vezes ele nos tirou das frentes das alas. Pedia pra que a gente ficasse atrás da escola. Mas não aguentávamos ficar no meio do público, queríamos ser também atração...

Depois, devido a minha família ter se mudado para Belém, não participei do Bloco do Velho Zuza, mas ouvi as suas extraordinárias histórias.

Seu Lacerda, o Velho Zuza
Eternamente em meu coração!
Descanse em paz, Pai Zuza!!!

Adenaldo dos Santos Cardoso
Abaetetuba-Pará, em 15 de julho de 2013.

Lembranças, devaneios
ASA FERIDA
Abaetetuba!
Teus filhos se foram
Uns sepultados
Outros assombrados
Outros sem opção
De viver ao teu lado
Foram contra a vontade
Deixando saudade
No pé do teu chão

Abaetetuba!
Teus filhos se foram
Deixaram teus braços
Abraços de mãe
Deixaram tua luz
Quando ouviram o trovão
Mas levaram nas malas
As roupas talhadas
Pelas tuas mãos

Abaetetuba!
Teus filhos se foram
Uns para sempre
Outros retornaram
Pra te visitar
Mataram a saudade
Depois viajaram
Num barco de sonho
Pra outro lugar

Abaetetuba!
Teus filhos se foram
De volta pra casa
Deixaram suas marcas
Pra outro dia voltar
No caminho da vida
A despedida
É asa ferida
Antes de voar

Abaetetuba!
Teus filhos se foram
Se foram teus filhos
Pensaram em ficar
Teus filhos se foram
Se foram teus filhos
Os filhos que foram
Serão os teus filhos
Em qualquer lugar
Lembranças, devaneios  
CINZAS DA TRADIÇÃO
No fogo do Carnaval
Vivi cinzas da verdade
Derramei pela fogueira
O combustível da saudade

Da chama alegre da paixão
Fiz a minha fantasia
Diante de tanta aculturação
Minh’ alma ficou vazia

Não encontrei a Colombina
Não encontrei com o Pierrô
Não encontrei o Zé Pereira
Nem tampouco o seu tambor

Procurei pelo Rei Momo
Não encontrei nem seu reinado
Tomei cachaça com Palhuk
Em Abaetetuba coroado

Devaneios, filosofias
Para você também. Você é de Abaeté/
REVELAÇÃO

O muito que se tem para dizer
É o pouco que se consegue captar
Mas se outra vida haveremos de viver
Vendo esta vida temos que acreditar
Decerto, Deus é o dono do poder
Nosso sofrer pode até nos revelar
O corpo fica, fica o tato do saber
O paraíso não está neste lugar

Adenaldo dos Santos Cardoso
Abaetetuba - Pará - Brasil
Adenaldo Santoscardoso
Lembranças do Raul Seixas
‎"Eu perdi o meu medo,
o meu medo da chuva"
Repentes, Família

Sofia brinca o Carnaval
Defende o tradicional
Sua bandeira é uma sombrinha
Que lembra a Buzina do Chacrinha

Homenagem, cultura de Abaetetuba 
 Adenaldo como cantor e intérprete de Raul Seixas
já extrapolou os limites de Abaetetuba


Uma característica marcante de Adenaldo é
divulgar a cultura, as figuras e personagens e
artistas de Abaetetuba



ABAETETUBA, ÉS MINHA PAIXÃO!

Abaetetuba, és minha paixão
Vives dentro do meu coração
Eu te abraço com muita emoção
Ao pisar no esplendor do teu chão

Afagando as tuas tranças me sinto criança e começo a sonhar
Brinquedo de miriti navegando em alto mar
Monto numa bicicleta e com cara de atleta meu garbo é gabar
O amor que vem de ti, linda Flor do meu Pará

Passeando de canoa um rock na proa me faz delirar
Vejo o boto tucuxi com a iara a dançar
No carnaval quem te cutuca é o Bloco do Palhuk que dá o que falar
Não esqueço do Osni, o pierrô do teu bailar

Tuas ilhas são tuas filhas, teus rios são teus filhos “encantos a encantar”
A boiúna apareceu sob a luz do teu olhar
Minha cidade querida, te levo em vida pra qualquer lugar
Senhora da Conceição, vive a te abençoar!

Adenaldo dos Santos Cardoso
Abaetetuba - Pará - Brasil
Foto: Angelo Paganelli
Adenaldo Santoscardoso
Cotidiano
Em Que Estou Pensando?

Estou pensando
Naquela pessoa
Que só apredeja
Que põe na bandeja
A sua emoção...

Estou pensando
Na pessoa que pensa
Pelas outras cabeças
Me dando a certeza
Que não é a dela, não...

Estou pensando
No homem cagado
Homem vomitado
Que borra de fezes
O seu coração...

Estou pensando
No pobre coitado
Que torna culpado
O amigo do face
Pela opinião...

Estou pensando
No homem zangado
Que escreve o que quer
Depois vê mordaça
Na livre expressão...

Estou pensando
No homem mal amado
Que procura culpado
Nas redes sociais
Pela sua depressão...

Estou pensando
Indíscutivelmente
Juro que não entendo
Porque estou pensando
Pois, basta a omissão...
 Repentes, Devaneios
Não importa qual é a cor de uma flor
Nem se ela desabrocha perfumada
Certamente uma flor é uma flor
E como for, uma flor será chamada
 (Adenaldo Cardoso)
*Foto tirada no Bosque Cultural e Ecológico Camaleão Encantado*
13 de Junho de 2012

Homenagem em jogo de palavras
HOMENAGEM AOS AMIGOS DO FACE + AMIGOS
(Inspirado nos posts de Mari C. Cardo e Marivaldo Rodrigues)

Eu planto castanheira e Gilmar pinho
Eu vejo pedras e Firmo matos
Eu vagueio noites e Cassio dias
Eu programo e Beto farias
Eu tenho terçado e Alexandre machado
Eu bebo mingau e Mari cardo
Eu abraço amigo e Giussepe parente
Eu sou Abaeté e Maria caripuna
Eu dou frente e Benedito costa
Eu coloco sal e Antonio pimenta
Eu homenageio Abaetetuba e Eliane Belém
Eu aprecio morena e Ava branco
Eu curto Zé Carioca e Lucas Thor
Eu canto regional e Jaime Brasil
Eu sigo Jesus e João Pedro
Eu elogio cantor e Chiquinho tecladista
Eu danço carimbó e Esmerino roque
Eu tenho um vira-lata e Moisés lobo
Eu vivo urbano e Alexandre silvestre
Eu admiro Raul e Ivan John Lennon
Eu valorizo boi-bumbá e Marco reis
Eu ouço Dominguinho e Luiz Gonzaga
Eu prefiro areia e Alex rocha
Eu sintonizo Deus e Eustáquio santos
Eu sopro algodão e Paulo pena
Eu protejo coração e Davi figueiredo
Eu sou que sou e Hélio maués
Eu chupo laranja e Osorio lima
Eu imito bode e Sávio carneiro
Eu venero Nazaré e Aninha Conceição
Eu degusto araçá e Sidney goiaba
Eu declaro guerra e Joelma paes

Cotidiano e memória
O FERRO VELHO

Ferro a carvão
Ferro de passar
Parecia embarcação
Sobre a roupa a navegar

Hoje a tecnologia
Inova sem cessar
Inventou um ferro novo
Fez o velho aposentar

O ferro novo é elétrico
Não precisa assoprar
Não precisa de carvão
Nem se vê cinzas no ar

Coitado do ferro velho!
Ninguém quer ouvir falar
Ninguém mais lhe dar a mão
Ninguém lhe ajuda a caminhar

Adenaldo dos Santos Cardoso
Abaetetuba - Pará - Brasil
Devaneios
OH! PÔ, ETA!

O poeta parece angustiado
Conversa com as estrelas de dia
Seu céu aparece nublado
Com nuvens de melancolia

O poeta deserda os outros
De suas fiéis companhias
Apedreja procurando culpados
Pelos motivos da sua agonia

O poeta reclama que não pesca
Provoca muita maresia
Naufraga em seu próprio remanso
Não rema; espera a ventania

O poeta professa em sua arte
“Abracadabra” em suas poesias
Transforma seus verdadeiros amigos
Em inimigos, com suas magias

-Oh! Pô, eta!.. Não, não cospe nos pratos
Das amizades de outros dias...
Coloca os inimigos na cartola
Tira amigos, com sua sabedoria!


Adenaldo dos Santos Cardoso
Abaetetuba - Pará - Brasil
Homenagem, devaneios
Quando tu adentraste meu coração
Fechei todas as portas
Coloquei grades em todas as janelas...
Fiz de tudo para que não fosses embora
Mas num descuido simplesmente esqueci
Que tu tinhas uma chave, aquela que te dei
Quando chegaste, quando barrei o sol
Quando te escravizei...
Só hoje eu sei o que não sei
Porque te chamava de Senhora
Comemorando o dia da poesia

Devaneios, jogo de palavras
 
BORBOLETRAS

O poeta cava o poço da utopia
Suga a água límpida do prazer do despertar da vida

O poeta se banha de inspiração
Suga da entranha o prazer de se alimentar de sonhos

O poeta mergulha nu no universo
Absorve as vibrações de ser, engravida de satisfação e pari...

O poeta pari na mais profunda emoção
As suas queridas borboletras

Adenaldo dos Santos Cardoso
Abaetetuba - Pará - Brasil

Cotidiano, devaneios

Adenaldo Santos Cardoso
Hoje acordei mais cedo
Vi o sol nascer
Os pássaros cantando
As aves voando
Tudo tranquilo sob o céu
Ouvi até a voz do meu coração
O silêncio falando alto
Vi e ouvi ao acordar com o dia
A rua me olhando
Com grande simpatia
Eu vi! Não era sonho...
Vendo a Cidade que dormia.



Adenaldo Santoscardoso 

Homenagem, Hino para a EBPB, lembranças
Hoje está no berço,completando 51 anos, a
ESCOLA BERNADINO PEREIRA DE BARROS
- FONTE LÍMPIDA DE SABER E LUZ -
Música - Autoria: Adenaldo Cardoso / Angela Santos.

Escola, símbolo de luta
Garra e esperança
Presente eternamente
Em nossa lembrança.

Plantada com fervor
No jardim de Abaetetuba
Pelas mãos de um povo bravo
Que preserva sua cultura.

Fonte de luz!
Resplandecente estrela guia
Clareia a vida
Transmite sabedoria
Escola Bernadino (REFRÃO)
É nossa paixão
Com muito orgulho
Muito amor e educação

Escola, desperta o corpo
Ao dar e receber
Seus galhos tão frondosos
Nos ajudam a crescer.

No esporte e no lazer
Temos muito que festejar
Troféus de nossa glória
O jeito bom de superar .

(REFRÃO)

Sacrifício e boa vontade
Aos mestres com gratidão
Nós somos os tijolos
E a escola é a construção.

Neste lar de aprendizagem
Exemplos de motivação
Só nos realizamos
Se aprendermos a lição

(REFRÃO)


Aqueles que aqui passaram
Aqueles que aqui estão
Bernadino Pereira de Barros
Nunca mais esquecerão.
CORRETO - Nossa escola nos ilumina
Com seus focos orientadores
Nos mostrando o caminho
Para sermos vencedores.

Fonte de luz!
Resplandecente estrela guia
Clareia a vida
Transmite sabedoria
Escola Bernadino
É nossa paixão
Com muito orgulho
Muito amor e educação.

Devaneios, família

O CAMPEÃO

Vi um homem forte segurando a dor
Escondendo a tristeza no cobertor
Vi falar com todo mundo como um professor
Alexandre é o grande nosso protetor

Vi em seu semblante a expressão do amor
Seu sorriso de menino, o abrir da flor
Vi seus gestos de carinhos a tudo se opor
O Guerreiro Poderoso é nosso Senhor

"Eu já lhe falei de tudo,
Mas tudo isso é pouco
Diante do que sinto...
Olhando seus cabelos, tão bonitos,
Beijo suas mãos e digo
Meu querido, meu velho, meu amigo"

Adenaldo dos Santos Cardoso
Em, maio de 1995.
Abaetetuba - Pará – Brasil

Homenagem, família
Hoje é um dia especial: de muita alegria e felicidade!
Salve, 13 de março - o dia em que nasceu a minha anja
Angela Inez Paes Cardoso.
MUITOBÉNS!!!

Minha filha, minha vida
Minha amada, meu amor
Deus inventou tua fantasia
E te vestiu de esplendor

Folclórica flor de março
Mês que aniversaria
Em junho é só Pavulagem
Sai em grande romaria

Sou feliz com tua existência
Sou feliz, juro que sou!
Minha Angela, minha Inez
Anjo que Deus me mandou
Adenaldo SantoscardosoAngela P. Cardoso
A vida me deu de presente
Grande áurea da alegria
Que encanta a minha alma
Sublime broto de poesia

MUITOBÉNS, minha filha!
Adenaldo Santoscardoso
Repente, lembranças

Os olhos de um amigo
São como refletores
Que clareiam nossas vidas
Que apagam nossas dores
Homenagem, cultura
ABAETETUBA

Amo
Rio
Mergulho

Nado
Remo
Navego

Verso
Proso
Conjugo

Rimo
Vida
Barco

Adenaldo dos Santos Cardoso
Olhar Fotográfico: João Fran.

Cultura, cotidiano
MINHA CUIA DE PIRÃO

Vi muitos caroços
Caroços de açaí
Rolando pela "Beira"
Vi o sol se pondo
Por detrás do açaizal
Vi bagos de farinha
Encharcados pelo chão
Vi a tarde se cobrindo
Com o lençol da escuridão
No porão de meus bolso
O pitiú da inflação
Senti a praga de um bêdado
Por não pegar na sua mão
E o meu sonho desfeito
Minha cuia de pirão

Adenaldo dos Santos Cardoso
Abaetetuba - Pará - Brasil
Devaneio, homenagem
MINHA ESTRELA

Interligo meu amor na tua ceia
No teu sentido, na tua veia

Desejo-te ver ligada!
Iluminada como uma estrela
Afinal, eu sei que sou...
Aquele mar que te espelha

Aonde vou, sou defensor
Do esplendor que te rodeia
E por amor, sou infrator
De toda luz que te clareia

Não te desligo!
“Sonhar, falar, sorrir, cantar
Amar, poetizar e até chorar...”
Como reflito!
Saiba que sou teu refletor
Mais...muito mais... que teu amigo

Adenaldo dos Santos Cardoso
Abaetetuba – Pará – Brasil


BAILE DE MÁSCARA

(Sonho Fantasia)


Sonhei que estava num baile de máscara

Que eu era o boto e você a iara

Depois de meia-noite a gente se banhava

Nas águas folclóricas de um rio de paixão

A banda remava, a gente navegava

Singrava o rio com muita emoção

No rebojo das águas a alegria boiava

E o remanso formava renda de cordão

Havia pierrô, havia colombina

Bailarina, palhaço, monstro , abusão...

Chovia confete e serpentina

Lembrava teu rabo em descamação

Na várzea aportei buscando teu beijo

Foi quando acordei na desilusão

Ouvindo o barulho da realidade

Adernei com o barco da tradição

Homenagem, família
TRAÇOS DE GIZ

Meus traços soberbos
Que pouco percebo
Herdei de meus pais
O sol que clareia
Ilumina a noite
Num toque se vai
Na minha retina
O mundo ilumina
O caminho da paz
No avesso do corpo
Existem os ossos
Que me leva e traz
No cortejo da alma
O amor me acalma
Num canto feliz
Vislumbro em meus filhos
Meus traços perfeitos
Traçados com giz

Adenaldo dos Santos Cardoso
Abaetetuba - Pará - Brasil
Cultura, 
ORATÓRIO
Autoria: Clovis Cardoso / Adenaldo Cardoso.

É no altar que mora o santo
Caboclo embaixo faz contrição
Bem aventurado é o homem que ama
Deus segura na sua mão

O santo ouve cantos e preces
O caboclo a se lamentar
Pede pro santo de joelhos
Pra sua vida melhorar

Pede saúde e felicidade
Pede pro santo ser seu guia
Pede pra ser um homem bom
Pra afastar o que lhe agonia

Caboclo debulha seus pecados
Distribui grão de empatia
Pra ver se o santo lhe promete
Dar graças de garantia

Mas a maneira de viver calado
Poupa a boca de um palavrão
Caboclo pede angustiado
Ficha limpa em eleição

A reza segue seu itinerário
Caboclo quer seu ganha-pão
O santo no oratório matuta
No ar luzi um flash compaixão

Não existe novidade
O santo nunca disse não
Quem vive a vida de milagre
Deve ser bom cidadão

Espera a rede, o remédio...
Que seja breve a solução
Aí, emerge a fé sentida
O santo é seu amigão

Depois de elevar as suas preces
Caboclo se benze em despedida
Sinais da cruz da paixão
Que ele carrega na vida

Composição musical, cultura de Abaetetuba
XXXI SEMANA DE ARTE E FOLCLORE DE ABAETETUBA
1° Lugar - Uma Canção para Abaetetuba
Em, 15 de agosto de 2012
MIRITIFEST, MADE IN BRAZIL
Autoria: Agenaldo Cardoso / Adenaldo Cardoso
Intérprete: Jillyan Kleber

Do teu corpo fiz minha casa
Da tua pele o meu varal
Dos teus cabelos fiz o meu teto
Do teu sangue o meu mingau
Dos teus braços surgem outras formas
Mosaicos do teu festival

Miro teu mundo
Mundo encantado
Mergulho fundo "tibum" no teu rio
Em Abaetetuba tu és laureado
Miritifest, made in Brazil

Árvore da vida enraizada
Às margens de rios e igarapés
Te transformam em passarinhos
Cobras, tatus e jacarés
Às mãos que esculpem a história
Semeiam tuba aos pés de Abaeté

Miro teu mundo... (REFRÃO)

Brinquedo de miriti
Desejo e imaginação
Da vida tu és uma escola
De existência e formação
Os polens da tua cultura
Fecundam a minha paixão

Miro teu mundo... (REFRÃO)

Mauritia Flexuosa
Gloriosa, transcendental
Caminha com Nossa Senhora
Desfila no carnaval
Profana e religiosa
Formosa Palmeira Real

Homenagem aos escritores, poetas de Abaetetuba

TECELÕES DA NOSSA HISTÓRIA

Quando penso em Abaeté
Sinto tuba de saudade
O encanto que me encanta
Quem me conta é GARIBALDI

ROFESSORA NAZARÉ
Não se cansa de remar
Na maré da nossa História
Junto com MONTE SERRAT

Abro livro e me agarro
Na palavra e seu bordado
Escuto a prosa de LUIZ REIS
Em alto tom JORGE MACHADO

Nas rendas da preamar
Navegando na poesia
NONATO lembra JESUS
Em Abaeté quando vivia

O imaginário religioso
Na musicalidade do artista
PADRE JUNIOR me leva a crer
Como é bom ser altruísta

A arte de escrever, de cantar
De viver com orgulho de verdade
É paixão em retratar
Um grande amor pela cidade
               

Quando penso em Abaeté
Sinto tuba de saudade
O encanto que me encanta

Adenado dos Santos Cardoso

Repentes, famíli

À SOFIA

Nesta manhã que nasce docemente
Com sua música suave, extasiante,
Eu vejo, dançando pela sala, sorridente,
Uma criança bonita, alegre e cativante.

Não tem nenhum preconceito musical.
Ela dança samba, merengue, bossa-nova.
Dança e canta de forma natural
Alegrando aquele lar, cheia de prosa.

Adenaldo e Joelma, tão felizes,
Acompanhando a filhinha nessa dança.
A música rola em todos os matizes
Enquanto Sofia dança feliz e não se cansa.

Feliz quem pode ter numa criança
A inspiração que tive nesta hora.
Dance feliz, Sofia. Ame a esperança,
Que assim a felicidade não demora.
Adenaldo dos Santos Cardoso

Quando da criação da página Xarão Cultural
O Chá Cultural
Que cultivamos
Advém de um Grão
Chamado Pará
Porandubas extraídas
Dos ramos das vidas
Dos manos sumanos
A ri e a chorar
Árvore abateuara
Suas folhas encantadas
Fervem na chaleira
Odoram o ar
O chá decantado
Puro adocicado
Desagua na xícara
Pelas mãos da paixão
Pronto para ser servido
A qualquer visita
Bem-vinda ao XARÃO!
Homenagem no fim de ano
FELIZ ANO TODO DIA!

Hoje acordei cedo
Abri minha janela
Procurando um novo dia
Senti um olho sentinela
Servindo-me de guia
Rosa flor despetalava
Enquanto o dia amanhecia
31 de dezembro
A cidade ainda dormia...
No começo do último dia
A cidade ainda dormia...
Pouco importa ao sol
Se a terra gira
Amanhã é o mesmo
O mesmo tempo, outro dia
Nós é que marcamos
Os segundos, os minutos
As horas, os dias, as semanas
Os meses, os anos ...
Escrevemos nossas histórias
Agendamos nossas vidas
Retelhamos nossas casas
Pra escaparmos às ventanias
Desejamos o bem profundo
No ano que se anuncia
Paz na terra a todo mundo
Feliz ano todo dia!

Homenagem ao Palhuk e Guri

GURITRICAURO

Todo mundo querendo mostrar tudo
- arria a calça -
Isso é o Palhuk!

A Porca
O Chopp
O Fusca
É quase nada...

Briela
Cobra Curá
Nêga Maluca
É quase tudo...

O prato
A feijoada
A cumbuca

A rua de bunda nua
- cheia de graça -
Isso é o Palhuk

Meio homem
Meio viado
Meio puta

Adenaldo dos Santos Cardoso
Abaetetuba - Pará - Brasil

Homenagem de aniversário
Adenaldo dos Santos Cardoso
Hoje está no berço o Amigo Sumano Davi Figueiredo. Muitobéns!!!

No universo mergulha
Com sua baladeira
Dá tabaco a velha
Matinta Pereira

Enfrenta o Golias
Florenses centelhas
Com seus argumentos
A justiça aparelha

Vinicius dos sambas
Chico das canções
Atira suas pedras
Contra "os pancadões"

Na roda ele é bamba
Bamba da paixão
A viola sempre assanha
O pandeiro em sua mão

É devoto de Maria
Nete é proteção
Davi Figueiredo
Gigante coração

Repente, cotidiano

Cheira à valentia!
Cheira a valentia
Pelos ares desta terra
Voam aves marias
Quando o sol no rio se enterra
Corre montaria
O tempo não te espera
Morre mais um dia
Na igreja o sino berra
Adenaldo Santoscardoso
Família
O nó da dor...
Só você meu amor
Sabe desatar!
Com seu sorriso
Com seu jeito puro
Inocente e verdadeiro
Só você meu amor
Pra me libertar!!!
Homenagem ao pai
ESTIRPE

Papai plantou várias sementes
No âmago deste planeta
Nasceram árvores e gente
Vida que a terra inventa

Angelandre, Angela, Adenaldo
Adelma, Agenaldo, Advaldo
Ademilde, Alexandre, Alessandro
Provas de amor praticado

Cupuaçú, pupunha, açaí
Acerola, caju, mangustão
Manga, graviola, bacuri...
O amor plantado no chão

Papai cuidava de todos
Indiscriminadamente
Mamãe amava em dobro
O que Deus lhe deu de presente

Filhos, netos, flores, frutos...
Prazer de existir tão frondoso
Vidas extraídas dos ramos
Das vidas dos Santos Cardoso

Adenaldo dos Santos Cardoso
Abaetetuba - Pará – Brasil

Lembranças, devaneios

CHUVA, GOTEJO DE TERNURA!

Lembro da minha infância
Quando corria pra te encontrar
Afagava-me com tanta ternura
Sentia a brandura do teu linguajar

Beijava-me no meio da rua
Eu não queria de ti desgrudar
Ao sabor de tanta doçura
Eu delirava com teu paladar

Ao ver-te indo embora
Entrava em casa pra me agasalhar
Do frio que em minha carne deixavas
Quando partias sem me avisar

Ias bailando com o vento
No rabo da nuvem pra outro lugar
Fitava o firmamento
Esperando outro tempo pra te namorar

Autoria: Adenaldo Cardoso/Joelma Paes
Abaetetuba - Pará – Brasil

Cultura de Abaetetuba
Adenaldo Santoscardoso
FANTASIA CABOCLA

Caboclo vai indo contra a correnteza
O peixe valente despenca do céu
Canoa à vela no rio não se cansa
A água que dança tem gosto de mel

Irmão, meu irmão... divagas nas águas
Esperas a lua, o cio nesse chão
Sonhas com a vida sem dificuldade
Escolhendo a cidade cheio de ilusão

Espinhéis desprezados sobre paxiúbas
Matapís emagrecidos: a fome é irmã
A noite embala o corpo mal dormido
Curumins com seus gritos acordam o amanhã

Os vermes escondidos reclamam do nada
Doidos não se calam, inventam canções
Caboclo vencido parte sem estrada
Pro rio do futuro que espelhe a razão

Cidade, Cidade... Quem te viu pelo Círio
Amou o estribilho da santa canção
Veio lá do sítio com a fé de ser rico
Acabou no teu círculo “carrinho de mão”

Autoria: Adenaldo dos Santos Cardoso
Foto: 
Angelo Paganelli.
Abaetetuba - Pará – Brasil


Devaneios, divagações

O RIO

No rio não vejo caminho
O rio é uma caminhada
O rio é uma porta sem chave
Aberta para qualquer morada

O rio deita e levanta
O rio cumpre a sua jornada
O rio está sempre acordado
Na preamar faz sua serenata

O rio se emociona
Com a chuva, com o beijo do vento
Eriça seu corpo e despeja
Na praia o seu sentimento

O rio ri docemente
Quando caminha para o mar
Ensina a sermos solidários
Em seus braços nos faz caminhar

Adenaldo dos Santos Cardoso 

Devaneios, divagações
O GATO EM CIMA DO MURO

O gato em cima do muro
Posa de onça pintada
Não engana nem cachorro
Seu miado não diz nada

O gato em cima do muro
Vive a fazer reclame
Visto como um bibelô
Sobre a mesa de madame

O gato em cima do muro
Não quer voltar para o gueto
Vigia a cova da onça
Por um pedacinho de leito

O gato em cima do muro
Faz arte de enlouquecer
Contenta-se com o leite no pires
E a coleira pra não se perder

O gato em cima do muro
Só desce quando alguém lhe apedreja
Abocanha a fatia do bolo
Servida pelas mãos que ele beija

Adenaldo dos Santos Cardoso
 
Abaetetuba - Pará - Brasil

Homenagem à Vila de Beja
ABAETIGUAR

A noite dorme na praia
O vento acorda o mar
Lua no vago vagueia
Abaeté ama mortiguar

Abraça a Vila de Beja
Veja bem que faz bem
A vida se tira da terra
O mundo vai e vem...
O sino enferrujado faz blem, blem!
E o povo acomodado diz amém!

As flores se abrem sorrindo
Amor não é somente se dar
O homem vive agredindo
A natureza seu próprio habitat

Abraça a Vila de Beja
Veja bem que faz bem
A vida se tira da terra
O mundo vai e vem...
O sino enferrujado faz blem, blem!
E o povo acomodado diz amém!
Composição musical, um clássico do cancioneiro de Abaetetuba, homengem à Vila de Beja
UM PEDAÇO DE ABAETÉ
(Adenaldo Cardoso/Beto Kemil)
*1º Lugar - Festival Uma Canção para Beja/1991*

É, pois é!
Vila de Beja é um pedaço de Abaeté
É, pois é!
Praia de Beja quem te beija é a maré

Força do homem o bem e o mal
Destrói a vida em nome do capital
Feito do homem irracional
Cria problema em seu habitat natural
Jogaram pedras pela areia
Parece até que espantaram a sereia
Jogaram aterro no igarapé
Acho também que afogaram o poraquê

É, pois é!... (REFRÃO)

Estou aqui, venho de lá...
O abaeté se misturou com mortiguar
Eu vou ali e volto já
Vou ver se encontro uma cuia com aluá
O tempo passa fica a história
No teu folclore tem a dança da fofoia
Como é lindo o teu luar
No teu castelo não tem rei e não tem guerra

É, pois é!... (REFRÃO)

Nosso lamento pelo aningal
Não é a cobra que derruba o açaizal
Sabemos bem que te desama
Olho de boto se perdeu na tua lama
Agora é hora de acordar
A arraia ferra se alguém nela pisar
Pegue a espada vamos lutar
Naturalmente São Miguel vai te ajudar

É, pois é!... (REFRÃO)

FIM
Homenagem a um pobre escriba!
ADEMIR HELENO ARAÚJO ROCHA

*Enciclopédia Viva da Nossa História Abaeteuara*


Na terra de homens valentes
Que lembra guerreiros de troia
A armadura de Heleno
Protege a nossa memória

Navega nos mares de dantes
Vasculha o fundo do rio
Gapuia junto com Netuno
A nossa história com brio

Visita as cavernas escuras
Com sua espada a luzir
Coeso a raiz da existência
Não deixa a vida partir

Edifica sua fortaleza
No plano espiritual
Vivendo num mundo de letras
Navega o mundo virtual

Carimba com tintas eternas
Às páginas do nosso existir
Professor Heleno Araújo
Rocha de ouro Ademir

História
ANAIS DA NOSSA HISTÓRIA

Vindo de Belém pra sua Sesmaria
Francisco Monteiro se perdeu na ventania
No dia consagrado à Virgem da Conceição

Seu Francisco apavorado pediu logo proteção
Uma Capela à Santa o Sesmeiro construiu
Às margens do Maratauira onde o povo reuniu
Como aqui não tinha ouro seu Francisco se mandou
Na sua caravela, nem uma árvore aqui plantou

Veja só, foi milagre meu irmão!
Seu Francisco aportou neste torrão
A mesma história da Coroa Imperial
De Castelo, de Monteiro e de Cabral

Com o passar do tempo esta terra recebeu
Caboclo Marajoara que a história não esqueceu
Era o Manoel Raposo que esta terra adotou
Esta terra benfazeja que Monteiro desprezou
O Povoado que se ergueu da ventania
No coração de Beja se tornou uma Freguesia
O povo desta terra cultivara a união
Homens fortes e valentes que elevaram este chão
Nossa riqueza era o fundamental
Alimentava os gringos, o Reino de Portugal

O Povoado, a Freguesia, Vila, Cidade, Abaeté acontecia
Do Grão Pará, hoje em dia, Abaetetuba é a nossa moradia

Adenaldo dos Santos Cardoso

Lembranças, divagações
CINZAS DA TRADIÇÃO

No fogo do Carnaval
Vivi cinzas da verdade
Derramei pela fogueira
O combustível da saudade

Da chama alegre da paixão
Fiz a minha fantasia
Diante de tanta aculturação
Minh’ alma ficou vazia

Não encontrei a Colombina
Não encontrei com o Pierrô
Não encontrei o Zé Pereira
Nem tampouco o seu tambor

Procurei pelo Rei Momo
Não encontrei nem seu reinado
Tomei cachaça com Palhuk
Em Abaetetuba coroado
Adenaldo Santoscardoso
Adenaldo Santoscardoso
Repentes, Homenagem, família
Hoje está no berço minha filha amada, adorada, idolatrada.
Salve, salve, bela Angela P. Cardoso.
MUITOBÉNS!!!

Minha filha cresceu
Em estatura e sabedoria
Mas não deixa de ser criança
Muita paz ela anuncia

Repentes, família
Minha doce Sofia
Meu amor verdadeiro
Linda flor que me acalma
E me faz feliz por inteiro
 Repentes, família
Num mundo de sonhos
Eu vejo Sofia
Vivendo e brincando
Em boa companhia
Repentes, jogo de palavras
Se pensa que o engana / você mesmo se engana / porque ele não se engana / Que você o outro engana.

Repentes, lendas

Cruzes na estrada!
Já era madrugada.
O lobisomem apareceu
e fez a troca do pneu.

Repentes, jogo de palavras
Não importa qual é a cor de uma flor
Nem se ela desabrocha perfumada
Certamente uma flor é uma flor
E como for, uma flor será chamada
(Adenaldo Cardoso)

Repentes, homenagem ao Zé do Pará

Zé do Pará é valente

Abaetetubense!
Que ama seu chão

E, mostra pra gente

Aquilo que sente

Em seu coração!

Repentes, devaneios
‎"A nossa vida é um carnaval!
A gente brinca escondendo a dor.
E a fantasia do meu ideal,
é você meu amor."
 
Repentes, cultura de Abaetetuba 
FAÇA A PECONHA, SUBA NO AÇAIZEIRO / ESQUENTE A ÁGUA NO BRASEIRO / JOGUE O FRUTO NO ALGUIDÁ / AMASSE O FRUTO, TIRE A BORRA NA PENEIRA / NÃO ACEITE A BURRALHEIRA / NÃO DERRUBE O AÇAIZÁ.

Homenagem à Vila de Beja


A NOITE NASCEU MAIS TRISTE
MAS EU SEI QUE AINDA EXISTE
O LUAR NESTE LUGAR


Beja, meu bem, beja!
Beja me dá prazer
Beja, vê se desperta
Beja, pra não morrer

Beja, meu bem, beja!
Beja meu bem querer
Beja, vê se desperta
Beja pra não morrer...

Beja, meu bem, beja!
Beja me dá prazer
Beja, vê se desperta
Beja, pra não morrer

Beja, meu bem, beja!
Beja meu bem querer
Beja, vê se desperta
Beja pra não morrer...

Repentes, homenagem
Amigo Cassio Dias
Que a vida me deu de presente
Ao sabor de suas alegrias
Eu sinto o valor de ser gente
Repentes, família
Sofia bate palma
À boneca que merece
A música lhe toca a alma
Sob forma de uma prece
Repentes, família
Sofia é como seu pai
Gosta de parcerias
Na comuna da amizade
Medalhões de poesias
Repentes, família
Sofia bem acompanhada
Canta com ousadia
Seu canto encanta a gente
Encanto de pura alegria!!!
Repentes, família
Sofia toca e canta
Faz show no meu coração
No espetáculo da vida
Minha filha, é a mais linda canção!
Repentes, família
A Boneca de Sofia
Parece com a Emília de Machado
Sua fiel companhia
De seu lindo mundo encantado
Homenagem
Garibaldi Nicola Parente, hoje está no berço o amigo sumano, MUITOBÉNS!!!
Gari crava seus olhos
Na saia da maresia
Navega no pé do vento
Brincando com a ventania
Provoca risos nas águas
Remadas de utopia
Gari recolhe do rio
Balde de poesia

Adenaldo dos Santos Cardoso
Abaetetuba - Pará - Brasil
Repentes, homenagem
Gari não perde sua pose / Garibaldi é brincalhão / Parente da poesia / Nicola, meu amigão!... Abraços fraternos, mestre!!!

Homenagem em prosa

Gabriel Paes "O Médico dos Pobres", Osni, Manoel Raposo, Oscar Santos... é tanta gente que não sei como coube no Cemitério de Abaetetuba. Sumanos verdadeiramente abaeteuaras, gente que merece ser eternizados pela nossa memória, antes que façamos parte do mundo deles, e, quem me diz, que não seremos lembrados pelo foco cego do esquecimento, no labirinto obscuro de nossa claríssima história. Por isso, VIVA O PROFESSOR Ademir Heleno Araujo Rocha, ESTE SIM, MERECE NOSSOS APLAUSOS, E M V I D A, ESTE SIM PERPETUA HUMILDEMENTE A VIDA DE NOSSOS COMPATRIOTAS COM EMOÇÃO SEM PERDER A RAZÃO. APLAUDIR OS MORTOS É FELICITAR À FAMILIA, PORQUE, CONVENHAMOS: OS MORTOS NÃO OUVEM E NEM FALAM. PORÉM, MUITOBÉNS PELAS BOAS INTENÇÕES! ABRAÇOS!!!

Repentes, realidade
Antes do jogo: todos são amigos.
Durante o jogo: a rivalidade.
Após o jogo: só Deus sabe...
 Divagações e incentivo às letras


Quem escreve,
dá à mão a palmatória;
ao papel, vida!
nutrida pelo sangue
das veias da caneta,
em tempo e movimento
da inspiração:
sequência produtiva,
perpétua do saber
- experimentado, vivido -
abstrato ou concreto,
na pesquisa
no sentir.
Livre, expressa
o pensamento em ação.
Ora homem,
ora menino;
maduro ou assustado,
encanta-se encantado
pela palavra
por cada letra
cada ponto,
a compor histórias
transpor universos
dizer das coisas
desesafiar o desconhecido.
Põe a prova
o outro pelo outro,
na medida certa
do sentimento de quem lê.
Cabe-vos os rótulos
de fingidor
de filósofo
de povo,
página por página
da vida
do ser
do escritor.
Com Adenaldo Cardoso

Devaneios de um sonhador

APAGADOR

Eu tive um sonho tão lindo
Encarnei num passarinho
Fugi da terra pra bem longe
Procurei um outro ninho
Voei feliz comigo mesmo
Por me encontrar longe de espinho
Em outra parte, liberdade!
Fui amigo de um anjinho
Que me levou ao paraíso
Porque eu tinha dormido
Como na vida tudo se apaga
Senti o meu mundo caindo
Na pele o beijo de uma praga
Carapanã me perseguindo

(Adenaldo dos Santos Cardoso)

Homenagem à Vila de Beja, ao povo mortiguar e ao veraneio

CORAÇÃO MORTIGUAR

Do céu vem teu sorriso
Da areia o teu lençol
Do rio boto atrevido
Brejeiro e sedutor
Do rio o teu espírito
Caboclo do Marajó

Beja em tempo de férias
Manicure cuida do teu pé
Rola marola na beira
Desafoga o igarapé
O velho coqueiro se embala
No deserto do teu olhar
O teu perfume exala
Flor antiga de mortiguar

Beja, meu bem, Beja!
Beja, me dá prazer...
Beja pela areia
Beja pela maré
Beja, meu bem, Beja!
Beja, meu bem querer...
Beja, vê se desperta
Beja pra não morrer...

O estalo do carvão
No preparo do café
O beiju de tapioca
O beijo de tua mulher
Bem cedinho, bem cedinho!
Chega gente de Abaeté
Vai passando, passeando...
Procissão de São Migué

(Adenaldo dos Santos Cardoso)

Devaneios sobre o sol
SOL, RISO E MARESIA

Lindo sol, sol, sol!
Salve teus filhos...

Lindo sol mostre os trilhos
Cara a cara
Dar vida viva rara

Lindo sol mostre os brilhos
A tua cara
Dar vida viva áurea

Sol acorde e me levante
Sol transmita harmonia
Sol que faz o meu semblante
Ser de riso e maresia

Sol sozinho invade o mundo
É de todos, todo dia
É amante desta terra
Sol é pai, é companhia

Lindo sol, sol sol!
Salve teus filhos...

AUTORIA: Adenaldo Cardoso / 
Milton Teixeira.
Olhar Fotográfico: 
Adenaldo Santoscardoso.
*Nascer do Sol Abaeteuara, hoje (06:30), por
detrás da casa do Paulo Tribi, na Rua Magno
de Araújo, sem efeito espacial*
Composição musical, cultura de Abaetetuba
Adenaldo Santos Cardoso
XXXII SEMANA DE ARTE E FOLCLORE DE ABAETETUBA / 2013
3º Lugar - Uma Canção Para Abaetetuba.
Melhor Letra

ABAETETUBA – PARÁ - BRASIL
Autoria: Adeenaldo dos Santos Cardoso

Minha vida anda, meu corpo balança
Vibra a minha alma, o meu ser criança
Nos palcos do mundo sou um aventureiro
Meus sonhos deslancham meu lado verdadeiro

Sou abaeteuara
Neto do Brasil
Filho de Abaetetuba
Que Abaeté pariu

Sou fruto maduro do miritizeiro
Que caiu nas águas e se fez veleiro
Singrei na maré espreitando à praia
Encarnei no boto, brinquei com arraia

Sou abaeteuara... (REFRÃO)

No andor de encantos a paixão me amarra
No leito da Amazônia me entreguei a iara
Nos braços da lua fiz juras de amor
Namorei com a Conce, deitei com a Malú

Sou abaeteuara... (REFRÃO)

Vi a cobra grande, lembrei o meu poleiro
Meus irmãos entregues aos olhos do paneiro
Bailei nas maresias, pulei nos temporais
Na folia dos remansos brinquei meus carnavais

Sou abaeteuara... (REFRÃO)

Minha liberdade me leva para o mar
Sou um miriti que aprendeu nadar
Minha faculdade é a de navegar
Sou um miriti que aprendeu amar

Sou abaeteuara
Que Abaeté pariu
Sou de Abaetetuba
Do Pará - Brasil

Memória, história e cotidiano de Abaetetuba
XXXII SEMANA DE ARTE E FOLCLORE DE ABAETETUBA 2013
2° Lugar - Um Poema Para Abaetetuba

AVE, ABAETETUBA!
Autoria: Adenaldo dos Santos Cardoso.

Em minha linha do tempo
As horas parecem lerdas
Já não ouço os sinos da Matriz
Ou será que sou eu que não acertei os meus ponteiros?
Mas a “Beira” é outra
As casas mudaram suas caras
O cinema voltou a ser mudo
Mas lembro do Cine Imperador e de seu patriarca Abel Guimarães
Como deveria esquecê-lo?
Era ele que ficava à porta
Abria seu coração
E deixava a meninada entrar gratuitamente
Levada pelas suas mãos cheias de bondade
E a gente apressada agradecia com o coração cheio de alegria
Ah, que saudades!
Saudades da Miloca, do Kida, do Chico
Do Igarapé do Curro
Dos retiros da minha infância
Quando era só Algodoal e São Lourenço
Do Vênus, do Tiête, do Palmeiras, do Abaeté...
Que nos enchiam de felicidades
Proporcionadas pelos pés de nossos craques
Oh, tempo de glória!
Nosso Café Abaetetuba
Que com sua pureza perfumava as ruas
E nos dava o prazer de ser “O Gostosão”
E que prazer!
Da minha adolescência querida
Da Venuta, Do Escorrega Bunda...
Do Gigi que pariu os Muiraquitãs
Da Gigete, orgulhosa por ser a primeira
Dos Engenhos de cana
Que fizeram a nossa fama!
Mas que hoje vivem sepultados
No ventre do lamaçal
E a canoa-à-vela ?
É verdade passávamos dias e dias
Pra chegar a Belém
Hoje a gente vai pela a Alça ou pela Balsa
Alçado na esperança do retornamos aos teus braços
Sem nenhum arranhão físico ou mental
Pois, a violência amedronta
Seja fora ou dentro de teu ventre
Minha querida matriarca!
As bicicletas que nos exercitavam
Proporcionando maior tempo de vida
Agora, motos e carros diminuem a nossa existência
Acomodam e incomodam nossa gente
- Seja pela falta de exercícios físicos
Ou pela presença destruidora da poluição -
Um verdadeiro caos urbano
Dizem que é o progresso em nossa vida
O modismo aparecendo e se oferendo de forma bruta
A aparelhagem que não me deixou dormir...
Do meu vizinho sádico que me tortura com seus “batidões”
Invadindo meu domicílio e minha paz espiritual
Das calçadas ocupadas pelo desrespeito, impedindo o ir e vir...
Abaetetuba cresceste , é verdade!
Te vejo, grande, mas em tamanho
Tamanho é minha mágoa
Mas não vou chorar...
Quero elevar minha prece aos teus filhos
E pedir que cuidem de ti...
Não precisamos de autoridades
Juizados e nem ministérios
Precisamos de respeito
Precisamos de paz
Precisamos de amor
Sei que isso é possível
Tudo depende unicamente e exclusivamente de cada um de nós
Não vou para Pasárgada, como pensou Manuel Bandeira
Ou Adenaré (Cidade das Estrelas), como eu mesmo inventei
Pra fugir de meus tormentos...
Vou ficar por aqui, Abaetetuba!
Morrer nos teus braços
Como um filho que nutre um grande amor por sua mãe.

Repentes, sobre a Beira de Abaetetuba
Beira!
Do Marataiura
De peixes pescados
Da nossa cuíra
De barcos cansados...

Adenaldo Santos Cardoso


Devaneios e realidades
TRAÍRA

O meu sonho é um rio
De ondas vivas, serenas
Meu porto é solidão
Plantado no pé da beira
Consulto meu coração
Na terra firme da feira
O meu amor é um anzol
Em busca de uma sereia
Mas pra minha decepção
Traíra eu pesco na areia

(Adenaldo dos Santos Cardoso)
Composição Musical, cultura de Abaetetuba
FESTANÇA

Autoria : Adenaldo Cardoso /Júlio Orlando

Vai barquinho, vai barquinho!
Sai das mãos para a maré
No meu sonho de menino
O meu rio é igarapé
Como um bom timoneiro
Desvio de mururé
Brinco com a cobra grande
Mas não toco em poraquê

Miriti em festa
Soca-soca a pilar
Que bonitas as bonequinhas
Caboquinhos a remar (REFRÃO)
Miritifest
Cultura tupiniquim
Onde a arte ganha a vida
Brinquedo de miriti

Avião, aviãozinho!
Faz o céu aparecer
No meu mundo pequenino
Sinto muito de prazer
Voa, voa, passarinho!
Nas asas da imaginação
Voa, canta, faz teu ninho
Faz da vida uma canção

Miriti em festa ... (REFRÃO)

No gingar da nossa história
A festa da Conceição
Miriti, buquê de glória
Das mãos santas do artesão
No encanto da Amazônia
A cultura de Abaeté
Junto com Jesus Cristinho
Nos Braços de Nazaré

Miriti em festa ... (REFRÃO)

Homenagem ao Círio de Nazaré, cultura de Abaetetuba

Enorme rio de gente
Que desagua aqui
Rio de penitentes
Fé que não tem fim

Ondas de esperanças
Navios de devoções
Cobra: águas mansas
Enchente de orações

Caminhos de promessas
Vão em direção
À fonte que expressa
Amor e proteção

Bubuiam nas águas vivas
Milagres... vai procissão
A corda tão repartida
Corrente de união

O canto é que encanta
O balanço da maré
Mãe Virgem, Virgem Santa
Senhora de Nazaré!


Adenaldo dos Santos Cardoso
Abaetetuba - Pará - Brasil

Repentes, cotidiano
Cheira a valentia
Pelos ares desta terra
Voam aves marias
Quando o sol no rio se enterra
Corre montaria
O tempo não te espera
Morre mais um dia
Na igreja o sino berra!

Músicas extraídas do livro de Antonio Braga da Costa Júnior, um clássico do cancioneiro de Abaetetuba, cultura, devaneios
Encanto e Desencanto – Autoria: Adenado Cardoso
Já cansei de matutar
Oh! Abaeté do meu Pará
Vila de Beja, o que será?
O boto preto, não vi passar.

Abaetetuba, nossa morada
Quem vem aqui tende a voltar
Mas muita coisa está errada
Se está errada, vamos falar
Entenda que nós entendemos
Que a cobra grande não morreu no mar
Sabemos que a curupira não morreu na mata, nem se perdeu por lá.

Já cansei de matutar ...(refrão)

Nossa esperança: um pó, mais nada
Beira, beirada, não tem mais cais
Praia de Beja, apedrejada
Fede a queimada nos matagais
Entenda que nós entedemos
Que o lobisomem não esqueceu o luar
Sabemos que pela Pacoca
O encanto desemboca durante a preamar

Já cansei de matutar...(refrão)

A nossa fama está na cachaça
Mas não tem graça, tem que importar
Falta incentivo, nó na desgraça
Engenhos mortos, sonhos no ar
Entenda que nós entendemos
Que tia Matinta não morreu num bar
Sabemos que o passarinho só perdeu seu ninho
Porque não quis lutar.
Beira – Autoria de Adenado Cardoso
Beira, feira
É bom te ver
Ó Beira!

Braços abertos de Abaetetuba
Caminho pro Sol, passagem pra Lua
Ribanceira talhada nos moldes da rua
De dia se veste, de noite está nua

Beira...(refrão)

Começo, comércio, beira da cidade
Aconchego do rio, hospitalidade
De grande verdade, do Obrigado Senhor
Da nossa saudade, da alegria e da dor

Beira...(refrão)

Do Maratauíra, de peixes pescados
Da nossa cuíra, de barcos cansados
De sono perdido, de gente sofrida
Do vento atrevido, de água ferida

Beira ...(refrão)

De montaria, canoa, carrinho de mão
Do Dico Souza e seu violão
De Kemil dos Santos, de Lucídio e João
De Maria Coroa cheirando a pensão

Beira ...(refrão)

De Nicola Parente, Humberto e Janjão
De Zariquinho, Contente, Duquinha e Conceição
De marcas no chão, de nossos ancestrais
De contradição, de Chile e Novaes

Beira ...(refrão)

Do tipiti retorcido, de sonhos compridos
Do matapi parido, de peitos despidos
De mãos calejadas, de velhas ilusões
De ponte, calçada, de raça e rações

Beira ...(refrão)

Do Aricá de açaí, da cuia pitinga
Da Justo Chermont, do cheiro de pinga
Beira, onde mora o poente
Feira, democraticamente
Lugar de homem valente
“Beira”
“Beirada”
“Beirão”
“Lá embaixo”
Também “Calçadão”
Uma simples homenagem, a uma valorosa mulher abaetetubense. Parabéns Professora Nazaré Lobato pela sua garra, esforço e dedicação por nossa cultura. Deixaste para todos nós o teu ensinamento. obrigado. 
Homenagem.

Assim é a Poetiza Nazaré Lobato:
Como nota musical
Que sintetiza
Agitando as Emoções
Acalmando ou elevando
Esse acorde sublime
Que incita
O engrandecimento
Da terna e ardente chama
No calor
Fragoroso e divinal
Da essência
De quem Ama.
HOMENAGEM POSTADA NO GRUPO ABAETETUBAR,
NO DIA 09 DE NOVEMBRO DE 2012:

MARIA DE NAZARÉ CARVALHO LOBATO
*Personagem Ilustre de Abaetetuba*

Mestra debulha a história
Num aricá de ortografia
Molda com classe a memória
Um alguidar de sabedoria

Borda nas águas barrentas
As lendas, os encantos dos rios
Nos braços abaeteuaras
Conta, canta o que viu e ouviu

Atropela carros e motos
Remando a sua canoa
Navega com o miriti
Nas ondas do Rock na Proa

Ave, cheia de arte!
Poeta, valente mulher
Amante de sua cidade
Maria de Nazaré
Carvalho Lobato
Filha-de-Abaeté.

Desafio de Adenaldo Santos Cardoso com Garibaldi Nicola Parente:
Adenaldo Santoscardoso 
Plantador de cana verde / Rabeta, rabudo, fazem procissão /
Nos rios angustiados / Sem peixe e sem batelão.

Garibaldi Nicola Parente
Este papagaio é gay /perdeu todos os calores. /Não quis virar encarnado, / visgaram-lhe mil sabores.

Adenaldo Santoscardoso:
Frasqueira, tsunami da pura / Aniquila amargura / Mata o medo e o frio / Garapa, mel, açúcar e rapadura / Ardência e doçura / Sangue bom do Brasil.
Adenaldo Santoscardoso:
O Covina, Gari! / Agora é Zukha / É um bicho da fruta / Chamada Palhukha.
Adenaldo Santoscardoso
Vivo embrulhado de encanto por esse rio Maratuíra e empacotado de amor por minha querida Cidade de Abaetetuba:

SOU DOENTE PARAENSE / MORREREI ABAETETUBENSE / QUEM QUISER VAI ENTENDER... MÃE, OH, MÃE! O BARCO PARTE DE TEIMOSO. / MÃE, OH, MÃE! A GENTE VAI A CONTRAGOSTO. / MÃE, OH, MÃE! ESTRELAS VÃO JUNTO CONOSCO. / MÃE, OH, MÃE! E NAS ESTRELAS VÃO SEUS ROSTOS.



FESTANÇA

Autoria : Adenaldo Cardoso /Júlio Orlando

Vai barquinho, vai barquinho!
Sai das mãos para a maré
No meu sonho de menino
O meu rio é igarapé
Como um bom timoneiro
Desvio de mururé
Brinco com a cobra grande
Mas não toco em poraquê

Miriti em festa
Soca-soca a pilar
Que bonitas as bonequinhas
Caboquinhos a remar (REFRÃO)
Miritifest
Cultura tupiniquim
Onde a arte ganha a vida
Brinquedo de miriti

Avião, aviãozinho!
Faz o céu aparecer
No meu mundo pequenino
Sinto muito de prazer
Voa, voa, passarinho!
Nas asas da imaginação
Voa, canta, faz teu ninho
Faz da vida uma canção

Miriti em festa ... (REFRÃO)

No gingar da nossa história
A festa da Conceição
Miriti, buquê de glória
Das mãos santas do artesão
No encanto da Amazônia
A cultura de Abaeté
Junto com Jesus Cristinho
Nos Braços de Nazaré

Miriti em festa ... (REFRÃO)


TRAÍRA

O meu sonho é um rio
De ondas vivas, serenas
Meu porto é solidão
Plantado no pé da beira
Consulto meu coração
Na terra firme da feira
O meu amor é um anzol
Em busca de uma sereia
Mas pra minha decepção
Traíra eu pesco na areia

(Adenaldo dos Santos Cardoso)



RIO MARATUIRA

Cheira a poesia
Das flores de minha terra
Voam Aves Marias
Quando o sol no rio se enterra

Corre montaria
Maratauira não espera
Morre mais um dia
Na igreja o sino berra!

(Adenaldo)

ENTRE O CÉU E AS ESTRELAS

Viajo pelas mãos dos meus desejos
Amparado pelas asas da canção
Vou ao encontro do teu rosto nos lampejos
Dos meus sonhos energizados de paixão

Faço ponte entre o céu e as estrelas
Acompanho os asteroides da ilusão
Numa nave condicionada de incertezas
Reconheço que mereço o teu "não"

(Adenaldo)
VOZES DA MATRIZ

Sou sumano abaeteuara
Que aprendeu que o sino fala
Ouvindo vozes da matriz

Vi com o passar do tempo
Os ponteiros do relógio
Não acenarem mais pra mim

Vi o Cristo ser pintado
Novamente maltratado
Entre pedras se ferir

Vi a cara do progresso
No afã dos sortilégios
Vi meu bem ter que partir

Na mudança de cenário
O sino tão badalado
Não cansa de repetir

Sua voz me dá passagem
Pra tal da realidade
Sem ponteiros pra seguir

(Adenaldo)

Adenaldo
RASA OU ARICÁ
Aconchego do açaí
Também serve pra aninhar
O saboroso miriti
"DECRETO AMOR

Manipularam os versos
A prosa é outro papo
Querem minha cabeça
Pra adubar seus vasos
E, ainda perguntam
O que é que eu acho?
Minha cabeça
Já não acha nada
Alavanco minha marcha
Fora do compasso
Atiro minhas flechas
Defendo meu reinado
Nas asas do vento
Canto e viajo
Empunho a bandeira
Da paz que eu mesmo traço
Amor em minha vida
Decreta o meu estado

(Adenaldo)"

PELA SALVAÇÃO DO VERDE QUE ARDE
(Ao poeta Milton Teixeira)

O verde ardente
Ferida na gente
A vida em chama
A alma reclama
Devastação!
Corpos pelo chão
Fumaça no espaço
Serras de aço
Cheiro de mato
Cinza, carvão
Poluição!
Madeira de lei
Cheque, dinheiro
Tudo de papel
Sacado das árvores

Lá na floresta
Existe um vulcão
Em erupção
Brasil, em tua carne!

Parabéns, ao poeta
Milton Teixeira
Que com sua arte
Joga seus baldes
De água poética
No coração
Do Homem de então
Pela salvação
Do verde que arde

(Adenaldo)"

A MORDIDA NA MAÇÃ
(Miguel Afonso/Adenaldo Cardoso)
Outubro de 2012.

O esplendor da lua
Num dia vã
Desabrochou na rua
No céu de Tupã
E a Terra toda nua
Terra imã
Esfera, irmã da lua
Toda manhã

E a vida continua sendo o que sempre vi
A gente vivendo
Buscando o momento de ser feliz

No céu brilha o sol
Desnudando a lua
A vida propaga a morte
A arte é um pé na sorte
Quem sofre é que se comove
Com a mordida na maçã"

Não

REMARUJAR

Perguntam-me como vou
Respondo-lhes que vou indo
Procurando diamantes
De alegria em meu caminho

Aos pés do sol sinto a vida
Como um rio a me levar
Deitado aos pés do tempo
Durmo feito preamar

Sob um manto de estrelas
A terra roda de mansinho
A vida é curta, todos sabem
Cada rio tem seu destino

(Adenaldo)

MARIA DE ABAETÉ
XXXIII Semana de Arte e Folclore de Abaetetuba/2014.
Autoria: Adenaldo Santoscardoso.
Interprete: Debora Lobo.

“Ao torná-la personagem de “si” mesma...
No escrever seus livros... Ao cantar seus cantos...
Ao formular suas crônicas e pensamentos...
Ao criar seus poemas...
Na transcrição de suas orações...
Na oratória teatral de sua existência...
Em toda profundidade de seu amor...
Ela é... E será sempre:
Maria de Nazaré Carvalho Lobato”

Maria cheia de graça
O verbo se fez mulher
Benditos os teus frutos
Professora Nazaré

Sob teu manto
Santa magia
Cobre nós todos
Com tua sabedoria
Em nosso canto
Estrela Guia
O teu encanto
Enche o céu de poesia

Entre nós o vosso reino
Tradição, paixão e fé
Protetora da cultura
Senhora de Abaeté

Sob teu manto
Santa magia
Cobre nós todos
Com tua sabedoria
Em nosso canto
Estrela Guia
O teu encanto
Enche o céu de poesia

Amém!"

CANTILHA
(Adenaldo Cardoso/Miguel Afonso “Boboca”)
Encontrei o amor
No canto de uma fada
O encanto me encantou
No Recanto da Iara
Ilha pequena
Paraíso, joia rara
Liberta a mente
Faz o céu ser tua cara
Minha pequena
Terra fértil, inspiração
Vejo a vida
Refletida no teu chão
Colho a flor
Que eu te dei
Com muito amor
Quanto plantei
Pra te alegrar
No teu silêncio
Ouço tua voz
“Maiauatá!”
Vila Maiauatá chora a perda de seu “mestre”, mas certamente o canto da Iara continuará encantando todos os que tiveram a satisfação de conviver e apreciar a bela expressão musical do “mestre Boboca”
Fui também premiado ontem, em 3° lugar, na XXXIII Semana de Arte e Folclore de Abaetetuba, com esta outra composição:

ABAETETUBA DA RUA
( Adenaldo dos Santos Cardoso)

Guardei os raios do sol
Em minhas rústicas gavetas
Em envelopes de saudades
Amarelas fotos mofentas
O passado é um álbum feliz
Que o presente apresenta

No dorso das nuvens brancas
Engancha o tempo vivido
Desmancha minha esperança
Despenca meu sonho atrevido
O céu que parece azul
Também fica encardido

Catando as estrelas
Quase mortas no altar
Semeio a paz esquecida
Esperando o amor brilhar
Na luta adormecida
Canto para não chorar

No decorrer das tempestades
Correndo sem competir
Em teus braços vou vivendo
Abaeté do Tocantins
Simplesmente te amando
Eternamente até o fim
Ontem participei da Semana de Arte e Folclore de Abaetetuba (SEAFA XXXIII), fui contemplado em 1° lugar, com o poema abaixo:
DONA DA NOSSA CABEÇA
(Adenaldo dos Santos Cardoso)
Da nossa marca registrada
Também temos “Seu Miriti”
Valha-nos Deus, Nossa Senhora!
“Dona Farinha” e “Seu Açai”
Mas a “mardita” cheia de graça!
Límpida, ardente de danar
Vivia na sociedade
Em Abaeté do Grão Pará
Dona da nossa cabeça
Prostituta dos Abaetés
Bailarina pé-de-cana
A beira de rios e igarapés
Parida no alambique
Do Engenho São José
Joaquim engarrafava
“Vista Alegre” pra Alenquer
No Engenho Nazaré
Duca Costa rezava
Vendo a cana convertida
Sua fé só aumentava
No engenho Da Paz
Paz Maués alegrava
“Maués”, timbrada em sonho
O Amazonas regatava
No Engenho São Jerônimo
Noé Guimarães embarcava
O liquido precioso
Até o santo se embriagava
No Engenho Santa Cruz
Murilo resplandecia!
Com o clarão de tanta luz
Que a branquinha exibia
No Engenho Papagaio
Claudionor tranquilizava
Pois, a água que era ardente
Passarinho não bicava
No Engenho Feliz
Aprigio felicitava
A água vinda da raiz
Em seu porto abundava
No Engenho Paraíso
Francisco imaginava
O céu de cada boca
Quando a pura adentrava
No Engenho São João
Duca Ferreira festejava
Era grande a devoção
Pela cachaça que exportava
No Engenho São Pedro
Álvaro Matos festejava
Espinhos e pedras no caminho
Ele nunca se importava
No Engenho Borboleta
Delclécio flutuava
Nas asas mágicas da paixão
Do verde que transformava
No Engenho do Nazareno
Nazareno encantava!
“Amazônia” era seu leito
Onde ele divagava
No Engenho Santa Rosa
Raimundo orgulhava
“Alvorada” servia de prosa
No lugar onde morava
No Engenho “Cá te espero”
Kemil nunca desviava
De ser um grande anfitrião
Do povo que convidava
Saudosos engenhos de canas
Autores da nossa glória
Em meio as festas profanas
Alegravam a nossa história
Sepulcros caiados na lama
Saudades eternas demais!
Abaetetuba de outrora
Lembranças da puta do cais

ANGÚSTIA
Ao meu eterno amigo Miguel Afonso

Uns riem
Outros choram
Neste momento estou calado
Mas meu silêncio grita de dor
Meu Deus!
Deus todo poderoso!
Tiraste um pedaço de mim
Minha tristeza pesa
Já não consigo levantar a cabeça
Olhar para o céu procurando ver estrelas
Pois, a estrela principal se apagou
Como uma vela soprada pelo vento
Sinto a luz do sol
Na penumbra amarga da vida
Meus sentimentos aguçam em meu peito
Como um sabre furando lá na entranha
O meu coração...
Neste momento só tristeza
Abriu a porta da saudade
Meus pensamentos voam como uma gaivota
Indo em vários lugares em busca do amigo
Percorro rios, estradas, igarapés
Cidades, lugares... em busca do Maestro
Que partiu inesperadamente
Sem que tu, Deus!
Concedesse-me a oportunidade
De lhe dizer ADEUS
Mas tenho certeza
Que ele está fazendo festa
Tocando com seus amigos
Enquanto aqui na terra
Sinto inveja, dele está aí contigo

(Adenaldo)"

adicionou uma nova foto: "ROTAÇÃO

Fede por aqui
A burguesia
As rotas são
Exploração
E mais valia

Educação
Pedagogia
Letras na mão
Preposição
Morfologia

Versos passeiam
Filosofia
O grão no chão
Vegetação
Agronomia

Olho no olho
Astrologia
Evolução
Ovulação
Biologia

Desperta o corpo
Ideologia
Viva a razão
Revolução
Sociologia

Tem compaixão
Teologia
Meu São João
Estenda a mão
Democracia

Adenaldo

O MILTON DE ABAETÉ
(Compadre Chico - Milton Teixeira)

Sua mãe lhe chama Francisco
Sua esposa Chico ou Chiquinho
Seus irmãos mano Francisquinho
Seus amigos Babá ou Mitinho

Poeta de tantos nomes
De universos que ficam pertinhos
Da Amazônia no peito encarnada
Poeta de tantos caminhos

Do shopping , do botequim
Do asfalto, do lamaçal
Do concreto vizinho das ruas
Da paxiúba vizinha do quintal

Atleta das arquibancadas
Seus olhos correm pelo chão
Sonhando com a bola entrando
No gol a favor do Papão

Debruça sobre um aquário na mesa
Com o garfo pendente na mão
Soluça se carne está presa
No músculo da emoção

Cavuca procurando seu mito
Um rito papa chibé
Um outro nome registro
“O Milton de Abaeté”

(Adenaldo Cardoso)

XXXII SEMANA DE ARTE E FOLCLORE DE ABAETETUBA / 2013
3º Lugar - Uma Canção Para Abaetetuba.
Melhor Letra

ABAETETUBA – PARÁ - BRASIL
Autoria: Adeenaldo dos Santos Cardoso

Minha vida anda, meu corpo balança
Vibra a minha alma, o meu ser criança
Nos palcos do mundo sou um aventureiro
Meus sonhos deslancham meu lado verdadeiro

Sou abaeteuara
Neto do Brasil
Filho de Abaetetuba
Que Abaeté pariu

Sou fruto maduro do miritizeiro
Que caiu nas águas e se fez veleiro
Singrei na maré espreitando à praia
Encarnei no boto, brinquei com arraia

Sou abaeteuara... (REFRÃO)

No andor de encantos a paixão me amarra
No leito da Amazônia me entreguei a iara
Nos braços da lua fiz juras de amor
Namorei com a Conce, deitei com a Malú

Sou abaeteuara... (REFRÃO)

Vi a cobra grande, lembrei o meu poleiro
Meus irmãos entregues aos olhos do paneiro
Bailei nas maresias, pulei nos temporais
Na folia dos remansos brinquei meus carnavais

Sou abaeteuara... (REFRÃO)

Minha liberdade me leva para o mar
Sou um miriti que aprendeu nadar
Minha faculdade é a de navegar
Sou um miriti que aprendeu amar

Sou abaeteuara
Que Abaeté pariu
Sou de Abaetetuba
Do Pará - Brasil


SOL, RISO E MARESIA

Lindo sol, sol, sol!
Salve teus filhos...

Lindo sol mostre os trilhos
Cara a cara
Dar vida viva rara

Lindo sol mostre os brilhos
A tua cara
Dar vida viva áurea

Sol acorde e me levante
Sol transmita harmonia
Sol que faz o meu semblante
Ser de riso e maresia

Sol sozinho invade o mundo
É de todos, todo dia
É amante desta terra
Sol é pai, é companhia

Lindo sol, sol sol!
Salve teus filhos...

AUTORIA: Adenaldo Cardoso / Milton Teixeira.
Olhar Fotográfico: Adenaldo Santoscardoso.
*Nascer do Sol Abaeteuara, hoje (06:30), por


    




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Ademir Heleno A. Rocha, nascido em Abaetetuba-PA, Brasil, casado com Maria de Jesus A. Rocha, cinco filhos, professor, pesquisador de famílias, religião, genealogia e memória biográfica, ambientalista, católico e amigo.

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