Fonte: Clipping Ambiente Brasil via SOS Rios do Brasil, foto e texto
Clique na Legenda e veja foto e leia o texto sobre a destruição dos Manguezais e o prejuízo ambiental que o fato causou
31 de dezembro de 2013
DE IMPORTÂNCIA POUCO CONHECIDA, CERCA DE 35% DOS MANGUEZAIS FORAM DESTRUÍDOS NO MUNDO
Importante para deter enchentes,
manguezal é ecossistema ameaçado
Desde os anos 80, cerca
de 35% dos manguezais foram destruídos em todo o mundo. A importância
desse ecossistema para a proteção costeira nem sempre é conhecida. Uma
floresta que se ergue do mar. Nas costas tropicais, árvores singulares
formam um cinturão verde entre o mar e a terra. Os mangues precisam de
águas mornas e uma mistura de água salgada e doce para sobreviver.
Numerosas espécies de aves vivem entre seus ramos e raízes aéreas. Na
água, peixes nadam entre suas raízes e caranguejos reviram o fundo
lamacento.
Desde os anos 80,
entretanto, os valiosos manguezais diminuíram em 35% em todo o mundo. Há
várias razões para isso, explica Ulrich Saint-Paul, do Centro Leibniz
de Ecologia Tropical Marinha, da Universidade de Bremen. Muitas vezes,
eles são removidos para a construção de portos, aeroportos ou
residências. “Mas estas áreas também são cada vez mais usadas para
abrigar culturas de caranguejos e camarões, destinadas ao mercado
internacional.”
Para que o exterior
receba camarões a preços baratos, os países que abrigam manguezais pagam
um preço alto. Com o fim dessa vegetação, eles perdem um recurso
importante, comenta Saint-Paul. “Os mangues não são só importantes zonas
de reprodução de peixes, mas servem à proteção costeira. São barreiras
naturais contra tempestades e, no quadro climático global, têm uma
função importante, pois retêm dióxido de carbono.”
A construção de
barragens ou o desvio de rios também ameaçam os manguezais, lembra o
especialista em política de desenvolvimento René Capote, que examinou
manguezais em sua terra natal, Cuba, para seu trabalho de doutorado pela
Universidade de Bonn.
Segundo ele, os
manguezais garantem uma água mais limpa na zona costeira, através da
filtragem de sedimentos. “Isso também é importante para a preservação
dos recifes de coral e para termos praias limpas e, portanto, para o
turismo”, lembra Capote.
Barreira natural contra tempestades –
Em eventos climáticos extremos, os manguezais atuam de várias maneiras
como um cinturão de proteção. “Esse ecossistema pode absorver uma grande
quantidade de água, fazendo com que a inundação de áreas povoadas após
fortes chuvas seja reduzida”, diz o especialista cubano. Além disso,
eles também formam uma barreira natural contra ventos e ondas. “Suas
raízes aéreas e galhos seguram a inundação”, diz Femke Tonneijck, da
organização ambientalista Wetlands International, que luta pela
preservação das vegetações de mangue.
Além disso, esse
ecossistema pode fornecer lenha e alimentos às populações costeiras, na
época posterior a uma catástrofe natural. “No entanto, é necessário um
cinturão de manguezais muito largo para atenuar uma grande enchente”,
sublinha Tonneijck. Por isso, ela luta por uma revitalização das costas
por meio de ações complementares, como a construção de diques, em
regiões onde os manguezais já desapareceram. Muitas vezes, nessas áreas
não há espaço suficiente para muitos quilômetros de cinturão verde.
O replantio também ajuda
a combater a erosão costeira. “Trabalhamos numa região de Java onde os
mangues foram substituídos por viveiros de peixes e camarões. Para a
recuperação, você também precisa de sedimentos, onde os mangues crescem.
Em vez de construir estruturas duras, como diques, para proteger a
costa de uma erosão adicional, utilizamos estruturas de madeira,
similares a cercas, que permitem a passagem de sedimentos. Este método
tem sido usado há séculos na Holanda e no norte da Alemanha”, diz
Tonneijck.
“Existem hoje técnicas
muito bem sucedidas, e o Banco Mundial financia tais projetos com muito
dinheiro”, diz Saint-Paul. “Mas, nesses casos, sempre se comete um erro:
os manguezais são replantados como monoculturas. A biodiversidade
natural, que proporciona a uma floresta uma estabilidade ecológica muito
maior, não é considerada.”
Capote enfatiza ser
necessário um planejamento de longo prazo e um monitoramento constante
das condições de crescimento em projetos de revitalização de manguezais.
Muitos projetos têm, segundo ele, fracassado ao fim de poucos anos
devido a negligências nos trabalhos de preparo e manutenção de longo
prazo.
Cultivo sustentável de camarão –
Capote defende ainda a gestão sustentável dos manguezais existentes,
incluindo medidas para uma criação sustentável de peixes e camarão.
“Deveria ser introduzido um sistema de rotatividade que protegesse
certas áreas e que desse a zonas de mangue já exploradas a oportunidade
de se recuperarem. Além disso, deve ser evitada uma poluição duradoura
através de rações com aditivos químicos. Uma área só consegue alimentar
um certo número de camarões. É preciso escolher entre ganhos de curto
prazo, que levam à destruição de manguezais, e um lucro menor, que
colabora na conservação dessas áreas a longo prazo.”
A consciência da
importância dos manguezais aumenta após cada catástrofe provocada por
tempestades tropicais, mas ela dura pouco, critica Saint-Paul.
“Precisamos de um programa educativo de longo prazo, tanto nas escolas
como na educação de adultos, para fazer com que as pessoas que moram
perto dos manguezais percebam a importância dessa vegetação e saibam as
razões pelas quais ela deve ser protegida.” (Fonte: Terra)
Reproduzido pelo Blog do ADEMIR ROCHA

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