A MUSICALIDADE 8 DE ABAETETUBA ATRAVÉS DOS ANOS
Foto do acervo fotográfico de Lial Bentes
A MUSICALIDADE 8 EM
ABAETETUBA ATRAVÉS DOS ANOS
A musicalidade é um dos aspectos
da cultura de Abaetetuba que funciona como guardiã de uma rica memória, ainda
viva na lembrança de cada filho destas terras que vivenciou os ricos períodos
desse aspecto cultural e em muitas de suas vertentes, considerando aspectos dos
mitos, do imaginário e da cultura que essas vertentes da musicalidade
construíram através dos tempos, como veremos a seguir. Esse aspecto cultural da
musicalidade usou suas vertentes como forma de comunicação, de transmissão de
mensagens, de histórias que marcaram pra sempre, direta ou indiretamente, a
vida de muitas pessoas que ainda são depositárias dessas memórias ou que já
estão marcadas nos escritos de nossos historiadores em um rico acervo onde pode
se encontrar esses variados aspectos da musicalidade de Abaetetuba.
A música em si nada mais é que um
conjunto de sons articulados para formar um discurso poético de sons, vozes e
encenações de linguagem transmitida através dos tempos usando de recursos
rústicos até chegar aos mais sofisticados, de acordo com o período histórico em
questão.
Deste modo a musicalidade
torna-se uma importante fonte ou documento histórico da memória sobre o nosso
passado, conservado e analisado a partir de pessoas e contextos que nos permite uma volta a esse passado para o
conhecimento de seu meio e dos variados aspectos da musicalidade a ser
analisada.
Esses aspectos da musicalidade
serão aqui analisados em várias postagens que faremos sobre “A MUSICALIDADE EM
ABAETETUBA ATRAVÉS DOS TEMPOS” e, em certos casos, tecendo comentários,
considerações e sugestões de melhorias naquilo que pode se constituir um
aspecto cultural que pode se consolidar como um evento com identidade própria
e, desse modo, se constituir em Abaetetuba um evento que possa também gerar
renda e trabalho para o município.
Portanto, a memória da
musicalidade, é o ato de lembrar, de reter, o que já se passou, de reconstruir
a relação entre passado e presente, e que pode dar sentido à nossa história. Nesse
aspecto, a memória não seria uma realidade estática e perdida no contexto
cultural de sua época, mas dinâmica e inovadora, se reconstruída em novas
formas culturais que possam nos fazer recordar e apreciar no presente sob nova
roupagem, e com identidade própria, a ponto de se firmar no cenário da
musicalidade em geral como evento que chama a atenção de todos pela riqueza que
contém e, consequentemente, como fator turístico que possa chamar a atenção
para essas manifestações culturais e se firmar no calendário turístico do
município como evento que possa trazer emprego e rendas para muitas pessoas,
além de fazer o município ser conhecido e reconhecido como um verdadeiro centro
de cultura. Os estudos sobre a musicalidade em Abaetetuba estão atrelados à questão
da memória e do que a música desperta em cada pessoa e que marca momentos e
sentimentos que são revividos quando se ouve determinada música ou manifestação cultural onde a musicalidade se
faz presente. Todos nós temos aquelas músicas ou eventos musicais que
vivenciamos na infância, na adolescência, que podem nos trazer a sensação de
nostalgia e de rememoração dos bons tempos que já se foram, onde o passado
ressurge fragmentado em várias
lembranças, advindas de uma memória afetiva onde a sonoridade e até mesmo
sabores e cheiros tinham importante papel nesse processo.
Os Antigos Rítmos Dançantes em
Abaeté
Nossa música é riquíssima em
estilos, gêneros e movimentos. Eram polcas, mazurcas,
valsas, foxes, maxixes, xaxados, choros, sambas-canções, boleros, xotes, citados
acima, que faziam parte das antigas festas dançantes da então Abaeté, dos anos
de 1920 aos anos de 1950 e, conforme nosso entedimento, também faziam parte da
1ª Fase das Festas Dançantes de Abaetetuba, quando essas músicas também eram
tocadas e dançadas nas improvisadas “festas da mucura”, do interior do
município, e que eram realizadas após as
Folias de Santos, e com uso de instrumentos
musicais artesanais.
Com o advento dos
primeiros instrumentos musicais não artesanais, ainda nos anos de 1920, essas
músicas também se faziam presentes nas antigas festas e bailes de Abaetetuba,
da época dos primeiríssimos jazzes de Abaeté que, depois, se espalharam por
todo o município. Após os primeiros jazzes vieram outros jazzes dos anos de
1940, 1950 e início dos anos de 1960, que faziam parte da 1ª Fase das Festas
Dançantes de Abaeté, fase que perdurou até os anos iniciais de 1960, quando da
invasão dos rítmos como o rock, seus subgêneros, das músicas do Movimento da
Jovem Guarda, o brega-romântico antigo e as músicas caribenhas e outros rítmos
que vieram fazer parte de uma 2ª Fase das Festas Dançantes de Abaetetuba.
Porém, a partir dos anos de
1960, os antigos rítmos foram saindo dos repertórios dos conjuntos musicais,
sobrando apenas o Samba-Canção, o Bolero, o Xote, o Choro que subsistiram em
outros formatos na musicalidade local. Samba-Canção, Xote e Bolero avançaram os
anos de 1960, junto com os novos rítmos que começaram a surgir nessa década e
os boleros e sambas-canções, junto com os chorinhos subsistiram também através dos inúmeros
conjuntos de serestas que começaram a aparecer, após a invasão do Iê-Iê-Iê, do
Brega e dos Rítmos Caribenhos. O Samba, em alguns de seus formatos, como o
Samba de Raízes, o Pagode e Samba-Enredo avançaram as décadas seguintes, cada
qual no seu segmento de interesse e o Choro ficou restrito ao círculo dos
conjuntos de serestas e o Xote se incorporou às danças do Forró da quadra
junina. Com a onda das músicas de saudade que atualmente existe em Abaetetuba
muitos rítmos acima citados, das décadas de 1960, 1970, 1980, 1990 voltaram a
fazer parte das chamadas Festas de Saudade de Abaetetuba.
As antigas músicas tocadas e cantadas pelo Brasil inteiro se
faziam presente também em Abaetetuba e que eram ouvidas através da Era do Rádio,
como a Rádio Nacional, pelas antigas eletrolas e também faziam parte das
músicas dançadas nas antigas quermesses, soirés ou bailes antigos, músicas que
faziam parte da Era do Rádio das décadas de 1940 e 1950.
Caso o autor de alguma foto ou texto não queira referidas fotos e textos nestas postagens,
favor avisar para retirarmos as mesmas. Em contrapartida, temos centenas de fotos e textos
que podem ser copiadas por pesquisadores, estudantes interessados, promotores e autores
científicos e culturais.
OS ANTIGOS RÍTMOS MUSICAIS:
A POLCA:
POLCA, é um estilo musical e de dança com
aproximação física dos dançarinos e originou-se na Europa, na região da Boêmia,
no início do século 19, com difusão posterior por toda a Europa e parte da
América. No Brasil foi interpretada pela 1ª vez no Rio de Janeiro em 1845 e daí
espalhou-se como uma febre pelos salões de todo o país. A polca acabou por fundir-se com outros gêneros locais de
música popular, desde a virada dos séculos 19/20, até chegar à era dos discos
mecânicos em 1930, sob a forma polca-choro, polca-maxixe, polca-baião, em
músicas de Ernesto Nazareth, Chiquinha Gonzaga e na voz de cantores
famosos. Em Abaeté teve presença
desde as antigas danças da mucura e foi tocada pelos antigos conjuntos
populares de serestas e nos bailes de 1940, 1950.
A MAZURCA:
MAZURCA é uma dança tradicional de origem
polonesa, feita por rodas de 4 a 8 pares ou
um só destes e apresentava como característica as batidas de pés no chão
e entre os dois calcanhares. surgida no
século 16 e difundiu-se pelos salões russos e alemãs e, por volta de 1830
chegou à Inglaterra e à França. Também no século 19, foi dança de salão no
Brasil. Muito
difundida na Europa do período romântico, a mazurca foi estilizada por Frédéric
Chopin em mais de cinquenta peças musicais, o que dá a medida da popularidade
do gênero à época do compositor. A mazurca foi gênero musical altamente aceito
nos salões de bailes de Abaeté e conforme o estilo local, nos anos de 1940,
1950 e também era tocada pelos antigos seresteiros e conjuntos populares de
serestas.
A VALSA:
VALSA, é
um gênero musical que surgiu na Áustria e na Alemanha a partir do século 18,
inicialmente como gênero musical incluída nas composições de grande nomes da
música clássica e, posteriormente gerou danças com braços entrelaçados ao nível
da cintura. A valsa chegou ao Brasil com a transferência da corte portuguesa ao
país, em 1808. A música foi apresentada em salões onde a elite do Rio de Janeiro
dançava. Depois chegou outro gênero musical, a polca, em 1845. Ao longo da
segunda metade do século 19 a valsa continuou a ter grande aceitação. Entre os
músicos brasileiros que fizeram obras neste gênero estão os compositores Villa
Lobos, Carlos Gomes e Ernesto Nazaré, Chiquinha Gonzaga, Zequinha de Abreu,
Pixinguinha, Tom Jobim e Chico Buarque. As valsas são muito utilizadas em bailes de debutantes e casamentos e
aniversarios de 15 anos de meninas. Em Abaetetuba teve grande aceitação pelos
cantores de seresta e nos salões de dança dos anos de 1940 e 1950 e nos
dias atuais só é tocada nos aniversários e bailes de 15 anos ou ouvida pelos
adeptos da música clássica, que inclui também a valsa.
O FOX:
FOX, é
uma dança de salão e um ritmo musical que leva o nome de seu inventor, o ator
norte-americano Harry Fox e com passos que podem ser anexados em outras
modalidades, tais como pagode, bolero e outras músicas. O fox é citado pelos
nossos escritores como um dos tipos de dança dos anos anos de 1940 e 1950 em Abaeté.
O
CHORO:
CHORO, mais conhecido como
chorinho, bonita música que resultou das antigas músicas instrumentalizadas de
origem européia, nascidas no Rio de Janeiro no ano de 1870 e tocadas por
músicos chamados chorões. É um gênero musical de difícil execução, que exige
sutis modulações instrumentais, virtualismo e improvisos por parte dos músicos
e dos muitos conjuntos que se dedicavam a executar essa música e que eram
chamados de regionais, que usavam um ou mais instrumentos de solo, como flauta,
bandolim e cavaquinho, que executam a melodia, e violões que formam a base
musical, além do pandeiro como marcador de ritmo. Esse tipo de música se
espalhou pelo Brasil e chegou em Abaeté pelos idos anos de 1950 onde também era
tocada nas danças da mucura e tocada pelos antigos músicos e grupos de serestas
da cidade, pelas bandas de música e que hoje
já está quase desaparecida das rodas musicais da cidade. Alguns dos
chorinhos mais famosos do Brasil, como Tico-Tico no fubá, Brasileirinho, Noites
Cariocas, Carinhos, Lamentos e outros, eram executados pelos músicos Cardinal
(clarinete), Zé Mestringue e Cavalinho (cavaquinho e bandolim), com virtuosismo
e maestria. Esses músicos e outros como Chiquinho Margalho, Miguel Loureiro,
também compuseram várias músicas nesse ritmo para os seus respectivos conjuntos
de serestas ou bandas musicais. Em Belém do Pará ainda existem os regionais,
que são grupos musicais de choros. Os chorinhos também faziam parte do
repertório dos antigos conjuntos de seresta de Abaeté. Vide abaixo alguns
desses conjuntos.
O BOLERO:
BOLERO, que é um ritmo
que mescla raízes espanholas com influências locais de vários países hispano-americanos,
tendo incorporado temas mais românticos e ritmo mais lento. Tem tradição nos
países de língua espanhola e no Brasil.
O primeiro bolero data de 1883, na voz do cubano José
Sanchéz,
posteriormente adotado pelos mexicanos, e depois por toda
a América Latina. O mais célebre bolero mexicano é “Bésame Mucho”, composto em 1941,
e interpretado em vários países no docorrer dos anos, inclusive pelo The
Beatles.
Dentre os mais conhecidos intérpretes estão: Altemar
Dutra
(Brasil), Agustin Lara, Bienvenido
Granda,
Lucho Gatica, Pedro Vargas,
Armando Manzanero, podendo ser dançado como
músicas atuais como MPB e Baladas.
Sabe-se que o bolero influenciou o samba-canção,
mambo
(bolero-mambo), o chá-chá-chá e a salsa.
O bolero também fazia parte das antigas festas dançantes de Abaeté, fazendo
grande sucesso nas festas dos anos de 1940, 1950 e 1960 e era também tocado
pelas bandas musicais nos variados eventos festivos e dançantes. Atualmente os
antigos boleros e sambas-canções são ainda recordados por antigos aficionados
desses gêneros musicais e nas festas de saudade em Abaetetuba. O abaetetubense
Alcimar Carneiro de Araujo, como amante das músicas românticas dos anos de
1940, 1950 e 1960, já gravou alguns CDs que incluem os famosos boleros mundiais
e brasileiros. Muitos boleros românticos serviram como inspiração na
implantação do rítmo Brega no Pará.
O SAMBA:
A História do Samba:
O nome samba é provavelmente
de origem angolana, vindo de semba, que era um rítmo religioso, que significava
umbigada, devido a forma como era dançando e que chegou ao Brasil através dos
escravos negros vindos daquele país na época da colonização do Brasil.
Em 1838 a palavra “samba” já
aparecia em revistas e jornais dessa época.
O samba é uma das principais
formas musicais que têm raízes africanas no Brasil e o Rio de Janeiro foi o
principal reduto do samba nesse antigo tempo. Mesmo assim o samba do Rio de
Janeiro foi recebendo influências dos rítmos dos escravos negros que chegavam
nesse estado para trabalhar nas plantações de café no Estado do Rio, onde
ganhou contornos e instrumentos musicais diferentes das antigas formas das
primeiras décadas do século 20. E, a partir daí o samba passou a fazer parte do
Carnaval do Rio de Janeiro e, dali, foi ganhando outras formas ou subgêneros
através dos anos.
No seu início, o samba era
acompanhado por violões, pandeiros, violinos e outros instrumentos de percussão
e, depois, foi incorporando outros instrumentos musicais.
Origem e Influências no Samba:
Portanto,
SAMBA, é um dos gêneros musicais brasileiros com origem no batuque dos escravos
africanos em diversos estados do Brasil e hoje é considerado uma das principais
manifestações culturais populares brasileiras. Dentre suas características
originais, está a forma onde a dança é acompanhada por pequenas frases
melódicas e refrões e que, na segunda metade do século 19, foi levado para a
cidade do Rio de Janeiro, onde ganhou o formato que hoje conhecemos, tendo
absorvido outros rítmos musicais tocados na cidade, como a polca, o maxixe, o
lundu, o xote e na década de 1930, o
samba carioca saiu da categoria local para ser alçado à condição de símbolo da
identidade nacional brasileira. A partir daquele momento, esse samba
urbano carioca começou a ser difundido pelo país, inicialmente associado ao
carnaval e posteriormente adquirindo um lugar próprio no mercado musical.
Instrumentos
Musicais do Samba:
A
medida que o samba no Rio de Janeiro consolidava-se como uma expressão musical
urbana e moderna, ele passou a ser tocado em larga escala nas rádios,
espalhando-se por todo o país. Tradicionalmente o samba é tocado por
instrumentos de corda (cavaquinho e vários tipos de violão) e variados
instrumentos de percussão, como o pandeiro, o surdo e o tamborim. Por
influência dos jazzes norte-americanos, passaram a ser utilizados também
instrumentos como trombones e trompetes, e, por influência do choro, passou a
usar a flauta e clarineta. Com o passar dos anos, surgiram mais vertentes no
seio do samba urbano carioca, que ganharam denominações próprias, como samba-de-breque, samba-canção,
bossa nova, samba-rock, pagode, entre outras.
O
Samba em Abaetetuba:
O gênero musical samba já vem fazendo parte da musicalidade de Abaetetuba
desde as primeiras décadas do século 20, quando ele passou a fazer parte de
todas as fases das festas dançantes do município, por que nunca saiu de moda
pelo seu rítmo esfuziante e dançante e suas variadas formas (vide tipos de sambas
abaixo).
Já a partir dos anos iniciais do século 20 o samba já fazia parte do
repertório musical dos grupos musicais e das primeiras festas dançantes em
forma da Dança da Mucura e se estendeu até as décadas de 1940 e 1950, o
que caracteriza que esse rítmo já fazia
Parte da 1ª Fase das Festas Dançantes de Abaetetuba, através dos antigos sambas
vindos do Rio de Janeiro e Bahia, via rádio e que, a partir daí o samba veio a fazer parte das demais fases
de festas dançantes.
O samba tradicional ou de raízes, já fazia muito sucesso, não só nas
antigas festas de carnaval de Abaeté, como nas outras festas. As antigas bandas
musicais de Abaetetuba tinham o samba como um dos gêneros de suas
apresentações. Até os dias atuais, o samba, em seus variados subgêneros, é
largamente utilizado nas festas dançantes e outros eventos musicais da cidade.
Existem também na cidade grupos musicais que se dedicam a tocar o atual samba
de pagode e o de raízes em eventos pela cidade e vários são os compositores de
sambas para as escolas de sambas locais. O samba-enredo das escolas de samba só
é tocado durante o desfile dessas escolas na quadra carnavalesca e esses sambas
são da lavra de músicos e compositores locais.
Até os dias atuais, o samba, em
seus variados subgêneros, é largamente utilizado nas festas de carnaval e dançantes
e nos outros eventos musicais da cidade.
Não existiam em Abaetetuba conjuntos
musicais específicos para tocar samba e eram as bandas musicais e os jazzes e
os conjuntos musicais que usavam o samba em seu repertório para tocar nos
eventos musicais como as festas religiosas de santos, nos eventos cívicos, nas
quermesses, soirées, festas dançantes antigas, etc.
O SAMBA-CANÇÃO:
SAMBA-CANÇÃO, é uma antiga
variedade de samba, de cunho romântico, muito bem aceito nos salões de bailes
da cidade nos anos de 1940 e 1950, que atravessou as décadas posteriores, e na
década de 1980 também ainda era um estilo musical muito usado pelos grupos de
serestas locais. Os cantores Nelson Gonçalves, Altemar Dutra e Ângela Maria,
Agnaldo Timóteo, Carlos Alberto, Miltinho Rodrigues, Silvinho, Bievenildo
Granda e outros eram os preferidos em Abaetetuba, cantando músicas do estilo
samba-canção e até imitados nas rodas musicais da cidade. Atualmente o
samba-canção faz parte do repertório musical dos atuais “bailes de saudade” que
acontecem em profusão pela cidade. Muitos cantores e cantoras de samba-canção
locais fizeram muito sucesso em Abaetetuba como Maracanã, Parajara, Jorge
Rodrigues e outros, não só nos grupos boêmios como nos eventos musicais e nas
festas dançantes e esse ritmo musical, por algumas canções dramaticamente
românticas, foram também espelhos para a criação do ritmo Brega no Pará.
O FORRÓ:
Os Ritmos do Forró, elencados
anteriormente na 1ª Fase das festas dançantes de Abaetetuba, devido a profunda
estilização que sofreram por numerosos cantores e bandas de Forró modernos, e
agora, com uso de instrumentos como guitarras, baterias e teclados, podem
novamente se enquadrados numa 2ª FASE DAS FESTAS DANÇANTES DE ABAETETUBA, fase
esta com algumas características, como:
O XOTE:
XOTE, é um ritmo musical
e uma dança de salão de origem européia
e foi trazido pelos portugueses ao Brasil, e em 1851 e tornou-se apreciado como
dança da elite no período do Segundo Reinado.
Os escravos negros aprenderam alguns passos dessa dança e acrescentaram a ela a
sua maneira peculiar de dança e, assim, o xote foi caindo no gosto popular do
brasileiro e com variadas versões, por ter incorporado diversos passos de
outras danças, como, por exemplo, alguns passos de salsa,
de rumba e mambo.
Hoje em dia, o xote é um dos ritmos mais tocados e dançados em todo o Brasil na
quadra junina e que foi incorporado à musicalidade do forró nordestino.
Em Abaetetuba o xote era
dançado desde os anos de 1940 e que perdura nas festas dançantes locais,
especialmente nas festas e eventos da quadra junina. No Pará, a cidade
de Bragança criou um estilo peculiar de dançar o xote, onde todos são
arrastados para executar as bonitas coreografias dessa dança.
O BAIÃO:
BAIÃO, é um ritmo de dança da região Nordeste do Brasil, de passes muito rápidos,
derivados do lundu e, segundo informa Câmara Cascudo, foi gênero de dança
popular bastante comum durante o século
19, cuja popularização no país, du-se a partir de 1946, com Luiz Gonzaga, em
forma modificada, sendo rítmo de muito sucesso. Sua execução original era com
sanfonas, que com a popularização, passou a anexar o orquestramento. O conjunto
da instrumentação básica do baião, é de origem portuguesa, mais especificamente
da chula, porque a chula tinhas, o
ferrinho (triângulo), o bombo (zabumba) e a rabeca (sanfona). Gonzaga
tornou o gênero musical popular a partir
da década de 1950, o qual passou a ser gravado por outros artistas, dentre os
quais Marlene, Emilinha Borba, Carmem Miranda, Ademilde Fonseca, Dircinha
Batista, dentre outros. Após um período de relativo esquecimento, durante a
década de 1960 e 1970, foi no início dos anos de 1980 que o baião ressurgiu com Dominguinhos, Zito Borborema,
João do Vale, Quinteto Violado, Jorge de Altinho e outros.
O Baião em
Abaetetuba
O
baião era rítmo tocado nas festas de 1940, 1950 e, nas décadas seguintes,
passou a fazer parte das festas da Quadra Junina de Abaetetuba, através dos
diversos cantores e bandas, que usavam o baião em seu repertório musical
modernizado pelo uso das guitarras e teclados. Também era muito utilizado no
repertório das antigas bandas musicais durante os antigos festejos de Nossa S.
Da Conceição.
O
XAXADO:
XAXADO, é uma dança popular originada nas regiões do Agreste e do Sertão do
Estado Pernambuco, muito praticada no passado pelos cangaceiros da região,
caracterizada pelo arrastar das alpergatas em celebração de vitórias de guerras
e entretenimentos, no inicio dos anos de 1920. A partir de Serra Talhada/Pe,
espalhou-se pelos sertões nordestinos. Era uma dança exclusivamente masculina,
quando os cangaceiros faziam da arma a dama e, a presença feminina apareceu
posteriormente. Originalmente a estrutura básica do xaxado é da seguinte forma:
avança o pé direito em três e quatro movimentos laterais e puxa o pé esquerdo,
num rápido e deslizado sapateado.
Seus
instrumentos eram o pífano, zabumba, triângulo e a sanfona. As roupas eram
sempre nas cores marrons e caqui e elas eram de couro, porque era pra eles se
protegerem dos espinhos da caatinga do agreste do sertão.
O
xaxado chegou ao Pará nos anos finais do 1800 e nas primeiras décadas dos anos
do do 1900, através de levas de nordestinos que para cá vieram durante os
períodos de secas no Nordeste Brasileiro e no Ciclo da Borracha no Pará, quando
era rítmo musical dançado nos momentos de entretenimento nas antigas festas dos
coletores do látex da borracha e mais
modernamente, nos anos de 1940 e 1950 eram dançados nas festas de salão, porém
de forma modificada do original.
O
MAXIXE:
MAXIXE,
é um rítmo rápido e também conhecido como tango brasileiro, um tipo de dança
de salão
brasileira, criada pelos negros e sob forte influência do
lundu, que esteve em moda entre o fim do século 19
e o início do século 20. Dançava-se o maxixe acompanhado da forma musical do mesmo nome.
O maior nome na composição de
maxixe foi a maestrina Chiquinha Gonzaga e esse rítmo veio
na época em que o tango também dava os seus primeiros
passos na Argentina e no Uruguai,
países no qual sofreria algumas influências. Hoje, o gênero musical chamado
maxixe é considerado um subgênero do choro.
No seu início, a dança do maxixe, era alvo de forte preconceito da elites da
época, porque consideravam-no rítmo indecente, chegando mesmo a ser proibído.
Dava-se o nome de "Tango Brasileiro" para se esconder a relação com o
maxixe dançado nas camadas mais pobres da sociedade.
Na atualidade, o maxixe,
enquanto dança, ainda existe nos passos do samba
de gafieira,
cuja música é um tipo de samba, o samba de breque
e o samba-choro que também preservam
muitas estruturas rítmicas do maxixe original. O samba
e a lambada são dois exemplos de danças
que têm algumas contribuições de estilo ao maxixe. O maxixe foi um dos gêneros
musicais tocado e dançado nos salões de bailes de Abaetetuba nos anos de 1940 e
1950.
A partir do século XX a produção
musical se diversificou, acompanhando as inúmeras novidades técnicas que foram
surgindo, desde a gravação sonora, que permitiu o registro das músicas, até o
rádio, a televisão e a internet.
OS RÍTMOS CARIBENHOS:
Os Ritmos Caribenhos (nem todos
vindos do Caribe) podem ser enquadrados na 2ª FASE DAS FESTAS DANÇANTES DE
ABAETETUBA, devido serem ritmos das festas dançantes dos anos de 1960 com a
presença dos conjuntos musicais eletrônicos e, podem ser enquadrados nas demais
fases das Festas Dançantes de Abaetetuba, com alguns dos antigos ritmos
caribenhos, como o Calypso, Cúmbia e merengue que avançaram através das décadas
nas festas dançantes de Abaetetuba e subsistem até os dias atuais: acrescentar as outras fases aqui.
Outros ritmos, estilos e gêneros
musicais da 2ª Fase concomitantes ao rock e seus subgêneros: sambas,
sambas-canções, boleros, ritmos caribenhos (vide adiante), 1ºs bregas nacionais
e internacionais, músicas da MPB, Tropicália, Bossa Nova.
Período da 2ª Fase: perdurou dos
anos de 1960 e se estendeu até o aparecimento de nova modalidade de conjuntos
musicais tipo “skemas musicais” da década de 1980.
Clubes dos anos de 1960 em diante
de Abaetetuba e suas famosas festas dançantes: clubes de futebol Vasco, Abaeté
e Venus e dos clubes sociais Assembléia Abaetetubense e Bancrévea Clube e tudo
isso foi uma verdadeira revolução na musicalidade de Abaetetuba.
Justificativa: Os alegres e dançantes
rítmos vindos do Caribe a partir da década de 1950 tiveram grande aceitação por
parte da parcela dançante de Abaeté, em rítmos musicais sensuais que
obrigatoriamente tinham que fazer parte do repertório musical dos antigos
jazzes, dos conjuntos musicais e das bandas de música de Abaetetuba a partir da
década de 1960. Vide esses rítmos abaixo:
Clubes dos anos de 1960 em diante
de Abaetetuba e suas famosas festas dançantes: clubes de futebol Vasco, Abaeté
e Vênus e dos clubes sociais Assembléia Abaetetubense e Bancrévea Clube de
Abaetetuba e tudo isso foi uma verdadeira revolução na musicalidade de
Abaetetuba.
O MERENGUE:
MERENGUE,
é a dança nacional da República Dominicana, no Caribe, rítmo contagiante,
altamente dançante, por casais entrelaçados e de passos rápidos e fáceis. As
suas origem são africanas (Angola) e a sua primeira referência escrita data do
século 19. O merengue é interpretado por
um conjunto de instrumentos que inclui vários saxofones, acordeões, trompetas e
teclados, com vocalistas divertidos. Foi rejeitada pela elite que não o
aceitava, pois as letras eram vulgares e descendiam de negros africanos. Foi a
partir de 1930 que o merengue foi aceitado como rítmo popular e passou a ser
dançado em muitos lugares do Caribe e América do Sul. Atualmente, o merengue,
assim como a sua prima salsa, sofreu influências norte americanas, como a de
grandes bandas de rock. Os instrumentos mudaram, mas o ritmo continua
inconfudível.
A
CÚMBIA:
CÚMBIA é a música de origem africana, com
conteúdo da cultura espanhola e indígena, surgida na Colômbia e Panamá, nos guetos das grandes cidades colombianas,
sendo que até hoje é uma categoria popular da música. O ritmo se disseminou por
todos os países falantes do castelhano na América Latina. Atualmente é
considerado o ritmo musical mais popular da Argentina e de outros países
latino-americanos. Na instrumentação estão os tambores de origem africano, as maracas, o guache e os
pitos de origem indígena. Essa música, devido seus passos exageradamente
sensuais, como o merengue, também ficava restrito às festas das zonas boêmias
de Abaetetuba.
O
MAMBO:
MAMBO, é um estilo musical e de dança originária
de Cuba no século 18, que a partir de 1939 se moderniza com a fusão de várias
sonoridades musicais e na década de 1950 o mambo revoluciona a paisagem
musical, não se rendendo nem mesmo diante dos jazzes americanos, tendo atingido
em 1955 o topo da parada musical. Este
estilo musical, porém, não teve longa duração; seu sucesso foi efêmero. Mas
esta sonoridade, que misturava ritmos cubanos e elementos jazzísticos, marcou a
história da música até princípios da década de 60. A partir daí, ele foi
superado pelo fenômeno do rock. O mambo fazia parte do repertório musical das antigas
bandas musicais e jazzes de Abaeté, dos anos de 1940 e 1950 e 1960 e esses
conjuntos tinham que manter um bom repertório desse estilo musical, que fazia
muito sucesso nas antigas festas dançantes locais.
A RUMBA:
RUMBA, é uma dança cubana de ritmo complexo que teve origem com a
chegada de tribos africanas trazidas a Cuba pelos espanhóis, mais precisamente
da região de língua quimbunda e da Guiné.Tais danças agrupavam uma exagerada
combinação de movimentos do corpo em detrimento dos pés. A melodia era
considerada menos importante do que o complexo cruzamento de ritmos produzidos
pela percussão dos mais variados objetos do dia-a-dia. A rumba, hoje, é uma
dança de competições e salão, mas ainda possui admiradores ao redor do mundo.
Rumba também pode ser apenas uma designação genérica de diversas outras músicas
latinas. A rumba também fazia parte do repertório dos antigos conjuntos
musicais de Abaeté e eram atração nas
festas dançantes dos anos de 1940 e 1950 e também fazia parte do repertório das
bandas musicais da cidade nas suas apresentações públicas.
O
CHÁ-CHÁ-CHÁ:
CHA-CHÁ-CHÁ, é um estilo de música originário de
Cuba nos anos de 1950, sobre o qual se contrói a dança cha-cha-cha. É
considerada uma derivação do mambo, mas com nova concepção estrutural. O nome é
derivado do som ritmado do reco-reco e dos pés dos dançarinos ao arrastá-los no
chão. O estilo se tornou independente, com características próprias de música e
dança. Foi o surgimento da TV e dos discos LP os fatores para a popularidade internacional da
música e da dança “cha-cha-cha. O chá-chá-chá usa instrumentos como
flauta, instrumentos de corda, piano,
baixo e percussão. Nos anos de 1950 e 1960, apesar da invasão do Rock, esse
rítmo era tocado nas festas dançantes de Abaetetuba pelos conjuntos musicais e
aparelhagens de som dessa época.
A
SALSA:
SALSA, é uma mescla de ritmos afro-caribenhos, tais como o mambo, chá-chá-chá, merengue e a rumba cubanos. A Salsa nasceu por volta dos anos 1960 e é uma espécie de adaptação do Cumbia da década de 1950, a partir do México. Recebeu ainda influências do Merengue (da República Dominicana), do Calipso (de Trinidad e Tobago), da Cumbia colombiana, do Rock norte-americano e do Reggae jamaicano.
Hoje, é uma mistura de sons e absorve influências de ritmos mais modernos como Rap ou Techno. A dança é caracterizada por passos intrincados. A Salsa entusiasmou o público norteamaricano no início dos anos 1970 e daí se espalhou pelas comunidades latino-americanas nos EUA e Porto Rico, depois em Cuba, Venezuela, Colômbia e outros países de língua espanhola. Nos anos de 1980, a Salsa foi invadida pelo Merengue da República Dominicana e também pela música Disco. Na década de 1980, a salsa se espalhou pela Europa e chegou ao Japão. E chegou à Abaetetuba onde era apreciada pelos dançarinos da época e muito tocada pelas aparelhagens de som de Abaetetuba.
O CALYPSO:
CALYPSO,
é um estilo musical afro-caribenho muito alegre, que surgiu em Trindad e Tobago
no século 19 e cujas raízes desssa música remetem à chegada dos escravos
africanos, que, não podendo conversar uns com os outros, comunicavam-se pela
música. No final do século 20, o Calipso passou a fazer sucesso de diversas
formas no mundo inteiro, criando versões totalmente diferentes, tendo
influenciado a música Jamaicana dos anos 1970 em alguns géneros musicais como o
reggae-rap ou reggae-swing. No Brasil o Calypso é citado desde o fim da década
de 1950, quando foi usado por pioneiros do rock, porém é mais conhecido tanto
no Nordeste quanto no Norte pelas músicas da banda homônima, mas que em nada
diz respeito ao ritmo original caribenho e no Pará o calypso se refere a
um estilo musical específico, mas que estilisticamente leva poucas influências
do calipso original.
Calypso
no Estado do Pará e em Abaetetuba:
No
estado do Pará a Banda Calypso foi criada em 1999 pela cantora Joelma e pelo
guitarrista Chimbinha, que a partir do segundo álbum, optaram pela prevalência
do Calypso em suas músicas e shows e com grande receptividade nos meios
dançantes e musicais da época e a partir daí, avançaram do Pará em shows
memoráveis e ao vivo, que ajudou na divulgação do rítmo pelo Nordeste e demais
regiões brasileiras. Quando o grupo ganha fama nacional, em 2005, inicia sua
primeira turnê internacional, passando por países como EUA, Itália, Portugal e
Suécia e atualmente goza de prestígio a nível nacional e internacional.
Em Abaetetuba
o rítmo Calypso ganhou os salões de festa a partir dos primeiros discos dessa
banda nos anos de 2000, juntamente com as músicas dos grupos nordestinos do forró
estilizado, que se tornam rítmos dançantes preferidos nas festas pela cidade e
interior do município. Porém, a partir do início dos anos de 2010, esses rítmos
vêm perdendo terreno pela enxurrada de
música eletrônica, sertaneja e os gêneros tecnos do Pará.
Outras
Considerações Sobre as Músicas Caribenhas em Abaetetuba:

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