A MUSICALIDADE 9 DE ABAETETUBA ATRAVÉS DOS ANOS
Esta composição musical, Mater Puríssima, foi extraída do livro
Verdades, Atos e fatos Ainda Não Ditos da escitora
abaetetubense Maria do Monte Serrat Carvalho
Quaresma e é prova cabal da influência da fé
católica na musicalidade de nossos antigos
músicos e autores musicais
Verdades, Atos e fatos Ainda Não Ditos da escitora
abaetetubense Maria do Monte Serrat Carvalho
Quaresma e é prova cabal da influência da fé
católica na musicalidade de nossos antigos
músicos e autores musicais
A musicalidade é um dos aspectos
da cultura de Abaetetuba que funciona como guardiã de uma rica memória, ainda
viva na lembrança de cada filho destas terras que vivenciou os ricos períodos
desse aspecto cultural e em muitas de suas vertentes, considerando aspectos dos
mitos, do imaginário e da cultura que essas vertentes da musicalidade
construíram através dos tempos, como veremos a seguir. Esse aspecto cultural da
musicalidade usou suas vertentes como forma de comunicação, de transmissão de
mensagens, de histórias que marcaram pra sempre, direta ou indiretamente, a
vida de muitas pessoas que ainda são depositárias dessas memórias ou que já
estão marcadas nos escritos de nossos historiadores em um rico acervo onde pode
se encontrar esses variados aspectos da musicalidade de Abaetetuba.
A música em si nada mais é que um
conjunto de sons articulados para formar um discurso poético de sons, vozes e
encenações de linguagem transmitida através dos tempos usando de recursos
rústicos até chegar aos mais sofisticados, de acordo com o período histórico em
questão.
Deste modo a musicalidade
torna-se uma importante fonte ou documento histórico da memória sobre o nosso
passado, conservado e analisado a partir de pessoas e contextos que nos permite uma volta a esse passado para o
conhecimento de seu meio e dos variados aspectos da musicalidade a ser
analisada.
Esses aspectos da musicalidade
serão aqui analisados em várias postagens que faremos sobre “A MUSICALIDADE EM
ABAETETUBA ATRAVÉS DOS TEMPOS” e, em certos casos, tecendo comentários,
considerações e sugestões de melhorias naquilo que pode se constituir um
aspecto cultural que pode se consolidar como um evento com identidade própria
e, desse modo, se constituir em Abaetetuba um evento que possa também gerar
renda e trabalho para o município.
Portanto, a memória da
musicalidade, é o ato de lembrar, de reter, o que já se passou, de reconstruir
a relação entre passado e presente, e que pode dar sentido à nossa história. Nesse
aspecto, a memória não seria uma realidade estática e perdida no contexto
cultural de sua época, mas dinâmica e inovadora, se reconstruída em novas
formas culturais que possam nos fazer recordar e apreciar no presente sob nova
roupagem, e com identidade própria, a ponto de se firmar no cenário da
musicalidade em geral como evento que chama a atenção de todos pela riqueza que
contém e, consequentemente, como fator turístico que possa chamar a atenção
para essas manifestações culturais e se firmar no calendário turístico do
município como evento que possa trazer emprego e rendas para muitas pessoas,
além de fazer o município ser conhecido e reconhecido como um verdadeiro centro
de cultura. Os estudos sobre a musicalidade em Abaetetuba estão atrelados à questão
da memória e do que a música desperta em cada pessoa e que marca momentos e
sentimentos que são revividos quando se ouve determinada música ou manifestação
cultural onde a musicalidade se faz presente. Todos nós temos aquelas músicas
ou eventos musicais que vivenciamos na infância, na adolescência, que podem nos
trazer a sensação de nostalgia e de rememoração dos bons tempos que já se
foram, onde o passado ressurge
fragmentado em várias lembranças, advindas de uma memória afetiva onde a
sonoridade e até mesmo sabores e cheiros tinham importante papel nesse
processo.
Também gostaríamos de explicar
que A MUSICALIDADE EM ABAETETUBA ATRAVÉS DOS ANOS é o conjunto de todas as formas musicais que
aqui já existiram ou continuam a existir, na rica cultura musical do município,
manifestada através das mais variadas formas, estruturas, eventos, pessoas,
grupos, entidades e ritmos espalhados pelos mais diversos segmentos sociais e
recantos do município. Essa musicalidade, a partir dos anos finais do século 19
e durante o século 20, é um período rico de manifestações musicais, que
influenciaram sua época, ditaram os modismos, costumes e influenciaram a
cultura musical do município e que, com a chegada de outras formas e expressões
musicais, íam sendo substituídas através do tempo, mudnado os costumes, as
modas e outras formas culturais que marcaram cada época no município, como foi o caso da chegada do
Rock e suas vertentes dos Anos Rebeldes e da Sociedade Alternativa, que alguns
grupos pregavam, e das músicas da MPB, do Samba e Bossa Nova, da Tropicália, do
Iê-Iê-Iê, do Brega, dos ritmos caribenhos que também influenciaram segmentos da
sociedade de seu tempo, tendo alguns desses modismos subsistido até os tempos
atuais, pelo menos para algumas pessoas que ainda cultuam seus ídolos e
costumes dessa época. Todas essas formas de musicalidade com seus modismos e
costumes serão aqui rememorados.
Abaetetuba possuía a sua antiga
musicalidade manifestada de vários modos conforme veremos abaixo, sendo que
muitas dessas formas musicais foram extintas ou absorvidas por novas formas e
expressões musicais advindas de outras culturas musicais do Brasil ou exterior,
trazendo no seu bojo os avanços rítmicos e tecnológicos com aplicação de novas
técnicas, meios, recursos e instrumentos de sons inovadores que definiram as
ETAPAS da cena musical de Abaetetuba e, em especial, o aspecto Festivo-Dançante
de grande parcela do povo. O incessante aperfeiçoamento de Gravação,
Transmissão e Audição musical através de novos equipamentos e tecnologias
trouxe o microfone, os gravadores portáteis, o disco long-playing (LP), a fita
Cassete, os Compact Discs (CD), o MP3, o computador e a Internet e, com isso,
trouxe também novas Figuras, Personalidades e Vultos para o cenário musical de
cada época e o aperfeiçoamento tecnológica na musicalidade trouxe também a
demanda por novas profissões, como os Promotores de Festas dos clubes e salões
e operadores das aparelhagens de som, inicialmente os locutores, os Disk
Jockeis e agora os DJs, que também marcaram os períodos da musicalidade de
Abaetetuba. Entre os novos instrumentos eletrônicos, surgidos em Abaetetuba,
destacamos a Guitarra Elétrica e o Teclado, que definiram fortemente a cultura
musical de Abaetetuba na sonoridade musical, as Festas Dançantes, assim como os
novos gêneros, estilos e ritmos aqui surgidos a partir da década de 1960, na
forma do Rock e seus subgêneros que desembocaram nas atuais formas musicais
eletrônicas dos Dances, Tecnos, Hip-Hop, Funk e da atual Música Digital.
Será necessário que façamos as
devidas considerações sobre os diferentes estilos e gêneros musicais já
existentes no Brasil antes dos anos de 1960 e dos estilos musicais surgidos a
partir dessa década de transformações na musicalidade e nos recursos
tecnológicos dela advinda. Também deveremos fazer considerações sobre a
Musicalidade Paraense, juntando alguns itens com a Musicalidade de Abaetetuba,
para delimitar a influência da música como um todo em Abaetetuba e o aspecto
Festivo-Dançante que definiram cada fase da musicalidade em nosso município,
empleitada difícil pela intensa hibridização e coexistência de diferentes
estilos e gêneros musicais que já vêm desde os anos de 1960 e que ainda se
fazem presente na cena musical de Abaetetuba, através do saudosismo e as festas
de saudade com músicas que marcaram as décadas musicais. Os Conjuntos Musicais,
a Cultura Musical, os Cantores, Grupos Musicais e cada expressão musical antiga
e as novas formas musicais, serão também analisados sob diversos aspectos, que
vão da cultura criada no meio musical, como de sua substituição por novas
formas e os costumes impostos pelos modismos advindos da musicalidade vinda de
outros centros musicais do Brasil ou do exterior que marcaram profundamente a
cena musical e as modas em Abaetetuba. Seria bom também se analisar alguns
aspectos dos Anos Rebeldes e da Sociedade Alternativa que teve como figuras
principais cantores e grupos musicais como Raul Seixas, Pepeu Gomes, Baby
Consuelo que até os dias atuais encotra espaços para suas idéias através de
parcela da população que vivenciou essa forma de protesto através da música e
costumes impostos pelas idéias dessa exótica filosofia de vida, como também do
Movimento da Jovem Guarda da cultura musical brasileira a partir dos anos de
1960.
As festas dançantes, como parte
integrante e importante da musicalidade de Abaetetuba, vão ser enfatizadas, de
acordo com alguns parâmetros, em várias FASES DAS FESTAS DANÇANTES DE
ABAETETUBA que, no nosso entendimento, se manifestaram conforme algumas
características peculiares a cada fase, elencadas abaixo, e que serão citadas
no decorrer das exposições de determinados itens das várias postagens que serão
feitas a respeito da musicalidade de Abaetetuba.
Além disso outros aspectos da
Musicalidade de Abaetetuba serão elencados e analisados pois foram e continuam
a ser formas culturais sustentadas pela forte musicalidades como as Festas de
Santos, os períodos religiosos como a Quadra Naralina, a Páscoa, Ano Novo, como
também as quadras Junina e Carnavalesca, as festividades de santos e tantas
outras formas sustentadas também pela música em suas várias formas.
Os dados destas postagens foram
coletados das obras de nossos escritores abaetetubenses, como Maria de Nazaré
Carvalho Lobato, Maria do Monte Serrat Carvalho Quaresma, Antonio Braga da
Costa Júnior, Luiz Gonzaga Nascimento Lobato e pesquisas feitas pelo autor do
blog em antigos documentos, revistas ou jornais, internet e das muitas
entrevistas que fizemos com pessoas detentoras da memória cultural de
Abaetetuba, como Orêncio Barbosa André, Alcimar Carneiro de Araujo, Dinho
Silva, Flauri Silva, Mestre Café, Mário Tabaranã e tantas outras pessoas
entrevistadas pela cidade e interior do município.
Estas análises, ponderações,
dados, conceitos e nomes não são definitivos, pois podem existir
inconsistências e incoerências nos textos e falta de dados fundamentais, que
serão corrigidos ou acrescentados de acordo com novas pesquisas ou colaboração
de pessoas que conhecem, pesquisaram ou vivenciaram os vários aspectos da musicalidade
de Abaetetuba.
Caso o autor de alguma foto ou texto não queira referidas fotos e textos nestas postagens,
favor avisar para retirarmos as mesmas. Em contrapartida, temos centenas de fotos e textos
que podem ser copiadas por pesquisadores, estudantes interessados, promotores e autores
científicos e culturais.
A INFLUÊNCIA DA FÉ NA
MUSICALIDADE DE ABAETETUBA:
Fé dos
Indios, Negros e Brancos:
Os índios, negros e brancos que
concorreram na formação do povo paraense, possuíam na sua bagagem cultural a
sua fé, que era demonstrada de várias formas.
Na fé dos indígenas e negros a
música e a dança faziam parte de muitas cerimônias e rituais.
O povo branco, especialmente o
colonizador português, trouxe em sua bagagem cultural os elementos de sua fé,
que em muitos aspectos, trazia a música como parte da herança de
devoção aos santos populares.
Com a miscigenação desses povos
na formação do povo paraense, também a música e a dança sofreram a contribuição
desses três povos na consolidação da cultura musical paraense. Vide nas
postagens anteriores o item das contribuições de negros e índios na
musicalidade de Abaetetuba.
Essa devoção estava recheada de
motivos que tinham a música como um dos elementos principais, como nos coros
das igrejas, nas orações e ladainhas cantadas, nas folias e nos festejos de
santos, nas missas antigas, nas procissões e nos círios, nos folguedos de
arraial das festas religiosas, das festas dos santos das quadras junina e
natalinas e nas demais festas de santos da devoção popular.
O livro “O Imaginário Religioso
na Musicalidade dos Artistas de Abaetetuba (1930 a 1955)”, de autoria de
Antonio Braga da Costa Júnior nos faz lembrar a influência que a fé Católica
exerceu na formação e motivação musical de nossos músicos.
Algumas provas:
A fé nos santos populares é que
levou os ribeirinhos a introduzir os elementos da musicalidade nas antigas
folias de santos e rezas de ladainhas.
Muitos dos antigos clubes
musicais e bandas do município foram criadas para também reverenciar os seus
santos patronos (Clube Lauro Sodré – Nossa S. do Rosário; Clube Musical São
Sebastião – São Sebastião; Banda Henrique Gurjão – São Sebastião; Banda Paulino
Chaves – Nossa Senhora da Conceição; Clube Musical Carlos Gomes – São Raimundo
Nonato e Nossa S. da Conceição; Banda Virgem da Conceição – Nossa Senhora da
Conceição, etc). Essas antigas bandas e clubes musicais também existiam em
função da fé religiosa nos seus santos padroeiros e era a maior alegria e até
mesmo uma realização pessoal, para a maioria dos antigos músicos, artistas,
compositores musicais, participar das antigas festas religiosas com o seu
contributo artístico e levados pela fé.
O belo hino de Nossa S. da
Conceição, Mater Puríssima, foi composto em função da fé do músico Oscar Santos nessa Santa e letra do poeta Bruno de Menezes (vide abaixo).
Todos ficam embevecidos e cheios de
emoção ao ouvir e cantar este belo Hino de Nossa
Senhora da Conceição
Modernamente, apesar do
secularismo e materialismo que se apossou do modo de vida de alguns segmentos
sociais do município, muitos artistas, músicos e compositores ainda fazem
questão de dar sua contribuição à Nossa Senhora da Conceição ou outros eventos
católicos festivos.
Veja-se o Caso de Alguns Cantores
e Compositores Musicais:
Lial Bentes, que já gravou disco com
músicas de cunho religioso, como o belo Hino de Nossa Senhora da Conceição.
Da compositora e cantora Neusa
Rodrigues, que gravou belas canções dedicadas a Nossa S. da Conceição e outras
músicas de cunho religioso.
Do músico Fran Mendes, múltiplo
músico, com mais de 40 anos dedicados ao grupo musical Neófitos, do âmbito da
Paróquia de Nossa S. da Conceição, juntamente com outros da mesma época ou mais
recentes.
Dos pandeiros, tambores e
cavaquinhos da banda de pagode Sandália de Embuá, com músicas religiosas,
inclusive o Hino de Nossa Senhora da Conceição e músicas da quadra natalina,
gravadas inclusive.
E os cantores e bandas gospel que
agora estão entrando no mercado musical nacional ou local, inclusive em
Abaetetuba.
Portanto, a fé foi poderoso fator
que influenciou a musicalidade antiga de Abaetetuba e ainda continua a
influenciar determinados extratos religiosos do povo. Vide folias, festas de
santos e grupos musicais de Abaetetuba.
O hino “Mater Puríssima”, que é o
hino oficial da Festa de Nossa S. Da Conceição de Abaetetuba, com música do
Maestro Oscar Santos e letra do poeta Bruno de Menezes, que é exemplo marcante
de música religiosa que impressiona a todos pela sua mensagem de amor de Nossa
Senhora por seu rebanho e musicalidade ímpar entre os hinos religiosos e que
emociona a todas as gerações a partir de sua composição nos anos de 1940.
A Fé dos Músicos nas Festas de
Santos:
Os antigos músicos, em sua
maioria, eram quem tomavam iniciativa, consciente ou inconscientemente, da
organização das festas de santos, especialmente no tempo em que Abaeté
praticamente não possuía um pároco residente no município e eram as comunidades
dos diversos locais que tomavam a iniciativa dos festejos dos santos na forma
das antigas devoções dos santos, com as Folias de Santos de Abaeté. Vide Folias
de Santos em postagem anterior.
AS FESTAS RELIGIOSAS EM
ABAETETUBA
Nas antigas festas religiosas
estão incluídas as Folias de Santos, já postadas anteriormente, e as demais
festas religiosas do calendário litúrgico da Igreja Católica, que envolvia a Festa
da Páscoa da Ressurreição de Jesus com o antigo Aleluia, que era deturpada
pelas festas dançantes do chamado Sábado de Aleluia, Festa de Maria que atingia
o mês inteiro de maio, envolvendo a população inteira, irmandades e as escolas,
repartições e com o ápice na Coroação de Maria como Rainha da Igreja e a Festa
de São Benedito no mesmo mês de maio, Festa do Corpus Christi e do Sagrado
Coração de Jesus em junho, festa de São Raimundo Nonato em agosto, Festa de
Nossa Senhora de Nazaré em setembro, Festa de Nossa Senhora de Nazaré e do
Círio de Nazaré em Belém no mês de outubro e que refletia na população inteira
de Abaetetuba, Festa de Todos os Santos e Finados em novembro, Festa de Nossa
Senhora da Conceição que começava em 28 de novembro até o apoteótico dia de
Nossa Senhora da Conceição em 8 de dezembro e a Festa de Natal e Ano Novo, que
fechavam o período festivo do calendário católico. Todas essas festas envolviam
muita musicalidade e que influenciavam grandemente no aspecto festivo de toda a
população e em nossos antigos artistas (folcloristas, atores, músicos, cantores,
pintores, escultores ou entalhadores de imagens, compositores, coros, bandas,
conjuntos musicais, aparelhagens de som, etc) e que vão ser descritas nestas
postagens ou já foram postadas anteriormente.
As festas religiosas são uma tradição antiga no Pará, tendo sido
iniciadas através dos padres missionários e governantes que geralmente
denominavam as antigas localidades da Província com os nomes dos Santos da
Igreja Católica, sendo a religião usada como política de colonização pelos
antigos colonizadores portugueses, onde cada povoado, freguesia vila ou cidade
recebia o nome de um santo da devoção popular portuguesa. Exemplos: Santa Maria
de Belém do Grão-Pará, Freguesia de Sant’Anna de Igarapé-Miry, Freguesia de
Nossa Senhora da Conceição de Abaeté, Freguesia do Divino Espírito Santo do
Moju, Freguesia de São Francisco Xavier de Barcarena, Freguesia de Nossa
Senhora de Soledade de Cairary, São João Batista de Cametá e assim seguiam os
nomes das demais localidades e nessas localidades os santos padroeiros eram objeto
da veneração popular, em devoção que evoluiu para as festas de santos, com
direito a todos os aspectos festivos dos antigos folguedos de arraial, como
mastro, hasteamento de bandeiras, alvorada com fogos e bandas, bandas musicais
nos coretos das praças, repicar dos sinos, colorido dos enfeites, artes
cênicas, barraca do santo com os festivos e musicados leilões de donativos e os
círios e missas festivas, com direito às músicas de bandas e coros, com fogos e
enfeites pelas casas das ruas, ladainhas e missas festivas cantadas em latim, rezas
de Terços e ainda as missas festivas com coro e bandas e o desfecho com o
festivo Dia do Santo.
Festa de Santo em Abaetetuba possuía a presença da musicalidade em todos
os seus momentos e aspectos. Em Belém, por exemplo, a festa de Nossa Senhora de
Nazaré e em Abaetetuba, a festa de Nossa Senhora da Conceição, têm um forte e
marcante apelo festivo-musical, não só na festividade em si, como nos eventos
que acontecem pela cidade e atingem a sociedade em vários de seus aspectos,
como, por exemplo, o grande movimento do comércio e dos vendedores ambulantes
que se multiplicam e as festas dançantes pela cidade em época de festejos de
santos. Vide os antigos festejos de santos nas postagens sobre “Festividades de
Santos em Abaetetuba”
E em Abaetetuba, assim como na festa de Nossa Senhora da Conceição, as
demais festividades de santo, pela cidade e interior do município, seguiam o
mesmo figurino de eventos festivos e com alto apelo da musicalidade e em muitas
delas as festas dançantes que se multiplicavam no decorrer dessas festividades.
As Antigas Festas de Santos de Abaetetuba:
As Festas de Santos em Abaetetuba aconteciam e ainda acontecem pelos
bairros da cidade e comunidades das regiões das Ilhas e Estradas do município.
Muitas Festas de Santos de Abaetetuba vieram da Devoção Popular e muitas
iniciaram pelas antigas Folias de Santos com suas Esmolações e rezas das
Ladainhas. Algumas surgiram por iniciativas particulares ou dos antigos Clubes,
Irmandades e outras formas da Devoção dos Santos e todas com forte influência
da Musicalidade como já vimos anteriormente e veremos abaixo. As mais antigas
festas de Santos de Abaeté:
Os Credos da Igreja Católica:
Os Santos da Igreja Católica em
Abaetetuba, desde a origem do Povoado de Nossa Senhora da Conceição de Abaeté
em 1724, sempre foram reverenciados pelo povo, através das antigas devoções ou
venerações que se transformavam em eventos festivos. Sabemos, através da
história, que muitos Santos eram reverenciados na antiga Igreja do Divino
Espírito Santo. Essa antiga igreja ficava situada na Praça do Divino, que
posteriormente, também foi chamada de Praça de Nossa S. da Conceição (nome
reduzido para Praça da Conceição devido os festejos de Nossa S. da Conceição
que aconteciam nessa igreja) e que, oficialmente, recebia o nome de Praça da
República ou com a alcunha de Praça da Bandeira (por que ali se realizavam
todos os eventos cívicos de Abaeté), que atualmente é a Praça Francisco de
Azevedo Monteiro ou Praça da Bandeira como continua a ser chamada. Essa praça
possuía coreto e jardim, que foi batizado pelo antigo Intendente Aristides dos
Reis e Silva, de “Jardim Getúlio Vargas” nos anos de 1930.
A antiga Igreja do Divino Espírito Santo, que se
localizava na Praça de mesmo nome, abrigou todas
as antigas devoções e festas de santos de Abaetetuba
até os anos finais de 1940. Na praça existia o coreto
onde as antigas bandas animavam as festividades de
santos e devoções antigas
Muitos Santos de Abaeté estavam
atrelados aos seus braços musicais, que podiam ser bandas ou clubes musicais.
Era o que acontecia com São
Raimundo Nonato, cujo braço religioso era a Banda Carlos Gomes, da família
Pauxis.
Com São Sebastião, cujo braço
religioso era a Banda Henrique Gurjão ou o Clube Musical São Sebastião.
Com Nossa Senhora da Conceição,
cujo 1º braço religioso foi a Banda Paulino Chaves, nos anos de 1920 aos anos
de 1930, tempos do Padre Luiz Varella e posteriormente, nos anos de 1940, a
Banda Virgem da Conceição.
Com Clube Musical 15 de Novembro,
de Tomás de Senna e Adalberto Rodrigues, que era o braço musical de Nossa
Senhora do Rosário e sua festa.
Os santos que não possuíam os seus
braços religiosos recorriam às bandas e clubes musicais de seu tempo, que eram
contratados para abrilhantar os festejos desses santos.
Posteriormente, a partir dos anos
de 1930, as festas de Nossa Senhora da Conceição passaram a contar com a
presença das Bandas Paulino Chaves e Carlos Gomes, que em memoráveis
apresentações, davam maior brilho a essas festas religiosas e a partir dos anos
finais da década de 1940, surgiu a Banda Virgem da Conceição (devido
dissidência de alguns músicos da Banda Carlos Gomes, que foram cooptados pelos
padres capuchinhos da época) que passou a comandar a parte musical do Círio e
Festa de Nossa Senhora da Conceição. Somente depois dos padres capuchinhos é
que a Banda Carlos Gomes passou a participar das Festas de Nossa Senhora da
Conceição.
Função das Bandas e Orquestras
nas Festas de Santos de Abaeté:
O que esses grupos musicais faziam
nessas festas religiosas? Como essas festas religiosas eram eventos festivos e
onde alguns ritos eram feitos através de cantos ou orações musicadas, então, as
bandas participavam dos coros das igrejas, fazendo o acompanhamento musical e também
faziam o fundo musical durante a parte religiosa da festa.
Após o término das funções
religiosas, as bandas se dirigiam às praças para fazer o fundo musical dos
chamados “folguedos de arraial” (autos, comédias, etc) e após os folguedos
subiam os coretos das praças para as suas apresentações musicais durante os
dias de festejo dos Santos, que era a parte profana da festa. Também as bandas
ou clubes musicais faziam o apoio musical durante as procissões e, quando
vieram as procissões dos Círios a partir do ano de 1912, as bandas faziam o
acompanhamento musical dessas grandes procissões. Os Círios de Nossa Senhora da
Conceição e de Nossa Senhora de Nazaré ganharam fama na cidade, e era uma
questão de honra e fé dos músicos, através de suas bandas, participar desses Círios
e muitas vezes em verdadeiras disputas musicais entre as bandas, para ver quem
se apresentava melhor nas procissões e nos coretos das praças.
Algumas Antigas Festas de Santos
de Abaetetuba Com Alta Musicalidade:
As antigas festas de santos de
Abaetetuba eram festas de santos da tradição popular realizadas na antiga
Igreja do Divino Espírito Santo e Praça de mesmo nome ou outras localidades da
cidade, que além do aspecto religioso, envolvia os aspectos dos folguedos de
arraial e com a presença da musicalidade através das antigas bandas de música
tocando os fundos musicais de alguns eventos festivos e no coreto da praça.
Praticamente todas essas festas saíram do calendário das festas religiosas de
Abaetetuba, restando apenas algumas, como a festa de Nossa S. da Conceição, a
festa de São Miguel de Beja, festa de Nossa S. de Nazaré. Algumas festas de
santos, após muitos anos de inatividade, voltaram a acontecer, agora em novo
formato e ritos.
FESTA DO DIVINO ESPÍRITO SANTO:
Festa do Divino Espírito Santo,
era realizada na antiga Igreja do Divino Espírito Santo, na Praça do Divino ou
Praça da República, organizada pela Irmandade do Divino Espírito Santo, com
alta musicalidade em seus festejos e presença de grupos musicais para tocar nas
novenas, procissões, orações musicadas, folguedos e nos coretos da praça. A
antiga festa do Divino Espírito Santo procurava seguir os ritos folclóricos de
outras festas do Divino que eram realizadas país a fora, com a presença da
Coroa do Divino, dos estandartes e procissões pelas casas dos consórcios e as
procissões do Dia do Divino Espírito Santo. Em Abaetetuba aconteceram fatos que
abalaram esses antigos festejos e que levaram essa festa a uma decadência
irreversível (Vide a postagem sobre as Antigas Festas de Santos de Abaetetuba).
Igualmente na Povoação de Beja aconteciam as festas do Divino Espírito Santo
com os mesmos moldes da de Abaeté.
Com a criação do novo Bairro da
Aviação de Abaetetuba, o padroeiro desse bairro é o Divino Espírito Santo,
cujos festejos são realizados anualmente, agora dentro dos parâmetros de
Comunidade Eclesial da igreja Católica, porém, ainda com muitas formas de
musicalidade, como shows musicais de
grupos de jovens, som de aparelhagens ou de sistema de som próprio da Paróquia
do Divino e com o aspecto festivo de toda festa de Santo.
FESTA DE NOSSA SENHORA DA
CONCEIÇÃO:
A devoção a Nossa Senhora da Conceição vem desde
a fundação do Povoado em 1724 e a Festa de Nossa
Senhora da Conceição vem desde o ano de 1912,
portanto já é uma festa quase centenária
a fundação do Povoado em 1724 e a Festa de Nossa
Senhora da Conceição vem desde o ano de 1912,
portanto já é uma festa quase centenária
Festa de Nossa Senhora da
Conceição, cujos primeiros festejos eram realizados na antiga Praça do Divino
(que também era chamada pelos devotos da Santa, de Praça de Nossa S. da
Conceição ou Praça da Conceição) de 28/11 a 8/12, com procissões, presença de
bandas nos folguedos de arraial e cujo 1º Círio aconteceu em 1912, com a
presença de bandas.
A antiga Banda Carlos Gomes, que
era o braço religioso da Confraria de São Raimundo Nonato, também participava dos
festejos de Nossa S. da Conceição. Porém a banda que teve muita participação
nos festejos dessa Santa nos anos de 1920 até os anos de 1930, por influência
do Padre Luiz Varella, foi a Banda Paulino Chaves, acompanhada do coro das
festas, e as peças teatrais no alpendre
da Igreja do Divino, e os Círios de Nossa S. da Conceição.
A banda que passou a participar
dos festejos dessa Santa nos anos finais de 1940 foi a Banda Virgem da
Conceição, fundada pelo músico e devoto Chiquinho Margalho, em 1949, criada
exatamente para tocar nas festas de Nossa Senhora da Conceição em substituição
à tradicional Banda Carlos Gomes, que foi afastada dos festejos da Santa por
desavenças dos dirigentes dessa banda com os padres capuchinhos por alguns anos
(vide postagens sobre as bandas de músicas de Abaetetuba).
Nos anos de 1950, 1960 e 1970 as
festas de Nossa S. da Conceição tinham a presença de duas bandas, a Carlos
Gomes e a Virgem da Conceição, uma em cada coreto da Praça Matriz,
posteriormente Praça da Catedral (O nome oficial é Praça de Nossa Senhora da
Conceição).
Após esse período as bandas de
música começaram a ser descartadas desses festejos e, atualmente, não existe
mais a presença das músicas de bandas nas festas de santos, o que tirou muito
do aspecto cultural e festivo dessas festas. Ressalte-se que foi a partir do
ano de 1937 que os festejos de Nossa Senhora da Conceição passaram a ser
realizados na nova Igreja Matriz de Abaetetuba ou Igreja de Nossa Senhora da
Conceição. Na atual festa a musicalidade desses festejos se fazem sentir das
seguintes formas: as novenas, missas e orações do aspecto religioso que envolve
cantos, músicos da Banda Neófitos e Coro do mesmo grupo, (coro que atualmente é
o responsável pelo chamado Círio Musical, que é a participação na grande
procissão do Círio de Nossa S. da Conceição através de sonorização concentrada
na Praça Catedral, envolvendo também a Rádio e TV Conceição, de propriedade da
Diocese de Abaetetuba); música no interior da Barraca de Nossa Senhora da
Conceição, prédio anexo à catedral, nos intervalos dos leilões de donativos;
musica dos sistemas de som das empresas de publicidade instaladas também na
praça; músicas nas barracas de vendas e as festas dançantes que explodem pelos
recantos da cidade. Porém a festa de Nossa Senhora da Conceição, perdendo muito
de seu aspecto festivo-cultural, perdeu a identidade antiga que mobilizava toda
a população da cidade e do interior do município que vinham em massa participar
desses festejos.
Letra e Hino de Nossa Senhora da Conceição:
FESTA DE SÃO RAIMUNDO NONATO:
Festa que era realizada pelos
dirigentes da Banda Carlos Gomes e dirigentes da Confraria de São Raimundo
Nonato, sendo este Santo o Patrono da Banda Carlos Gomes, que participava dos
grandes festejos desse Santo, cuja grande imagem era de propriedade da família
Pauxis (Hermínio Pauxis e seus filhos). Como a Banda Carlos Gomes foi fundada a
25/4/1880 e Hermínio Pauxis, o fundador da Banda, era fervoroso devoto desse
santo (sua 1ª escola musical recebia o nome de Escola Musical 31 de Agosto, que
é dia de São Raimundo Nonato e seu 1º filho se chamava Raimundo Nonato Pauxis e
foi Hermínio que instituiu a Festa de São Raimundo Nonato e colocou o Santo
como Patrono da Banda Carlos Gomes), e as festas desse Santo que iam de 29 a 31
de agosto (Dia de São Raimundo Nonato) até o dia 2 de setembro, e as festas de
São Raimundo Nonato tinham o apoio musical da Banda Carlos Gomes, esta também
fundada por Hermínio Pauxis.
As antigas festas de São Raimundo Nonato aconteciam na antiga Igreja do
Divino Espírito Santo, esta situada na antiga Praça da Bandeira ou Praça do
Divino em Abaeté e era a maior festa da cidade e que por conflitos dos
dirigentes da Banda Carlos Gomes com os padres da Igreja Católica a festa foi
extinta no município. Essa festa mobilizava todo o município de Abaeté, como
também a antiga festa de Nossa Senhora da Conceição. Da antiga Festa de São
Raimundo Nonato só resta a grande imagem que se encontra na atual Igreja de São
Benedito em Abaetetuba.
Praça do Divino
As Desavenças dos Dirigentes da
Banda Carlos Gomes Com os Padres da Igreja Católica:
Sabe-se que foi a partir dos anos
de 1900, época do Padre Pimentel, que se iniciaram os atritos dos padres da
Igreja Católica com os dirigentes da Banda Carlos Gomes, quando, com o apoio desse
padre, foi criada a Banda Henrique Gurjão pelo musicista Horácio de Deus e
Silva, em 1904 e que essa banda veio para ocupar o lugar da Banda Carlos Gomes
nos festejos de Nossa S. da Conceição e em 1918 até os primeiros anos da década
de 1930, época do Padre Luiz Varela, aconteceram novos atritos, e foi criada a
Banda Paulino Chaves pelo Maestro Jerônimo Guedes, para cobrir os festejos de
Nossa S. da Conceição e, finalmente, em 1949, foi criada a Banda Virgem da
Conceição, pelo músico e devoto Chiquinho Margalho, para substituir a Banda
Carlos Gomes, no tempo dos padres capuchinhos. Devido esses atritos dos
dirigentes da Banda Carlos Gomes (que eram os mesmos dirigentes da festa e
Confraria de São Raimundo Nonato) os festejos de São Raimundo foram perdendo
terreno, até que esses festejos foram transferidos para a localidade de Guajará
de Beja, localidade de residência da família Pauxis (criadores da Banda Carlos
Gomes e da festa de São Raimundo-vide postagens sobre esses atritos em Bandas
Musicais de Abaetetuba).
Assim, a grande festa de São
Raimundo Nonato, desapareceu do calendário das festas religiosas de Abaeté,
como também desapareceram outras antigas festas de Santos pelos mesmos motivos.
A antiga e grande imagem de São Raimundo Nonato (o de barba), que foi um dos
objetos sacros da antiga desavença dos padres com os dirigentes da Banda Carlos
Gomes, atualmente, se encontra fazendo parte do acervo sacro da Capela de São
Benedito, na Rua do Atalaia.
A Confraria de São Raimundo Nonato chegou reunir mais de 350 confrades e
com a grande imagem do Santo e este com a tradicional barba, imagem que era de
propriedade da família Pauxis (Hermínio e Raimundo Pauxis, pai e filho) e que a
partir dos atritos com os padres da Igreja Matriz de Abaeté, passou a ser chamado
São Raimundo Velho.
Irmandade de São Raimundo Nonato, surgiu por iniciativa dos padres
capuchinhos e para se contrapor à Confraria de São Raimundo Nonato e a
Irmandade desse Santo era uma imagem sem barba, daí o nome de São Raimundo Novo.
Eram os padres da Igreja Matriz e os dirigentes da Irmandade de São Raimundo
Nonato, que organizavam a festa do São Raimundo Novo e, portanto, eram duas
festas simultâneas de São Raimundo Nonato, o de barba e o sem barba.
FESTA DE SÃO SEBASTIÃO:
Festa de São Sebastião, santo que
era reverenciado tanto por católicos como por umbandistas e cujas festas eram
realizadas na antiga Praça do Divino e com a presença da Banda Henrique Gurjão
e Clube Musical São Sebastião e com outras numerosas festas desse santo que
eram realizadas pelo interior do município, que tinham a presença das bandas do
interior do município ou dos clubes e bandas da cidade. A festa de São
Sebastião, era organizada pela Irmandade de São Sebastião, no modelo antigo,
desapareceu do calendário católico e reapareceram quando foi criado o Bairro de
São Sebastião, em Abaetetuba e em outras localidades que têm esse santo como
padroeiro e dentro dos parâmetros eclesiais citados acima.
FESTA DE SÃO BENEDITO:
Festa de São Benedito, santo que
era reverenciado pelos católicos que possuíam a sua festa no âmbito da Igreja
Católica e com apoio musical das antigas bandas e clubes musicais (A origem da
Festa de São Benedito deve-se a antiga FESTA DE SÃO BENEDITO DOS CATIVOS, que
era reverenciado pelos escravos das fazendas de cana-de-açúcar do município e
com muitos elementos místicos do credo afro misturado aos motivos religiosos da
Igreja Católica). O Professor Maximiano Antonio Rodrigues (Professor Maxico)
era uma das pessoas que faziam os festejos de São Benedito e ele possuía uma
grande imagem desse Santo que agora encontra-se na atual Capela de São
Benedito, em Abaetetuba.
Posteriormente, as festas de São Benedito deixaram de
existir no município e só reapareceram com a construção da atual Capela de São
Benedito e outras localidades do interior do município que têm esse santo como
patrono.
FESTA DE SANTA LUZIA:
Festa de Santa Luzia, a Santa
protetora dos olhos, de 9 a 13/12, com a antiga festa realizada na Rua Siqueira
Mendes , canto com a atual Av. 15 de Agosto (era chamada Travessa Santa Luzia),
promovida pelos seus devotos, entre os quais o professor Maximiano Antonio
Rodrigues/Professor Maxico e que subsistiu até os anos finais de 1950, quando
foi proibido os seus festejos através do Padre Chagas, vigário de então. Com os
fins desses festejos, alguns fiéis devotos de Santa Luzia, entre os quais e
Sra. Meire Silva, se cotizaram e reconstruíram a Capela de Santa Luzia, no
Bairro de Mesmo nome.
FESTA DE SANTA TEREZINHA DO
MENINO JESUS:
Santa Terezinha do Menino Jesus,
cujas festas eram realizadas na antiga Praça do Divino e com cobertura das
bandas ou clubes musicais locais, festejos que desapareceram do calendário
católico e só reaparecem na década de 2000, quando foi reativada a devoção a
essa Santa em Abaetetuba.
FESTA DE NOSSA SENHORA DE NAZARÉ:
A festa de Nossa Senhora de Nazaré em Abaetetuba
surgiu por influência da mesma Festa e Círio em Belém
surgiu por influência da mesma Festa e Círio em Belém
Festa de Nossa Senhora de Nazaré,
que é uma festa antiga de Abaetetuba, nascida sob a influência da Festa e Círio
de Nossa Senhora de Nazaré, de Belém, através dos devotos Aldemos Maués,
Hildefrides dos Reis e Silva e outros nos anos de 1940, e celebrada na Igreja
Matriz de Nossa Senhora da Conceição e que agora é a 2ª maior festa de Santo em
grandeza, que envolve todo o aparato religioso e musical já descrito nas demais
festas, e agora é festa realizada em igreja própria, sito na Rua Magno de
Araujo com Praça de Nazaré.
FESTA DE SÃO MIGUEL DE BEJA:
Festa de São Miguel de Beja,
cujas festas eram realizadas na antiga Povoação de Beja e que recebiam a
cobertura das bandas da cidade de Abaeté (Banda Carlos Gomes, Paulino Chaves) e
também da Banda Sai Cinza, daquela localidade, nos anos de 1920 em diante. A
festa de São Miguel de Beja era uma das maiores de Abaetetuba e tinha a
presença de centenas de pessoas de outros lugares, especialmente da cidade de
Abaeté, que acorriam em massa para aquela bonita festa religiosa e com direito
a Folia de São Miguel e banhos na aprazível Praia de Beja. Atualmente a Festa
de São Miguel de Beja é festejada pela Igreja Católica e dentro dos parâmetros
de festa eclesial da Diocese e não mais como festa popular, que era o antigo
modo de festejos do santo.
As Atuais Festas de Santos em Abaetetuba:
Eram e ainda são muitas as Festas Religiosas em Abaetetuba, algumas já
desaparecidas e outras que se sucedem por todo o ano, sendo as principais as
festas:
Festa de Nossa Senhora da Conceição, Padroeira da Paróquia de mesmo
nome, no bairro Centro, que é uma antiga festividade e a principal festa
religiosa da cidade.
Festa de Nossa Senhora de Nazaré, da Paróquia de mesmo nome, no bairro
de São Lourenço, que é uma antiga festa que se iniciou na antiga Igreja Matriz
de Nossa Senhora da Conceição e teve continuidade na atual igreja de Nossa
Senhora de Nazaré, bairro e Praça de mesmo nome.
Festa de Nossa Senhora do Perpétuo Socorro, da Paróquia de mesmo nome,
no bairro de Algodoal.
Festa de Santa Rosa, da Paróquia de mesmo nome, no bairro de Santa Rosa
Festa do Divino Espírito Santo, da Paróquia de mesmo nome, no bairro da
Aviação.
Festa de São Francisco de Assis, na Paróquia de mesmo nome, no bairro da
Francilândia.
Festa de São José, da Paróquia de mesmo nome, no bairro de São José.
A festa de São José é uma festa recente em
Abaetetuba e segue o figurino das atuais festas
de Santos de Abaetetuba
Festa de São Pedro, da Paróquia de Nossa Senhora da Conceição,
Comunidade de São Pedro, bairro Centro.
Festa de São Sebastião, no bairro de mesmo nome.
Festa do Cristo Redentor, no bairro de mesmo nome.
Festa de São Domingos de Gusmão, no bairro da Angélica.
Festa do bairro Mutirão
Festa de Santa Clara, no bairro de mesmo nome e é a mais recente festa
de Santo de Abaeté.
Igualmente, pelo interior do município, as festas religiosas existiam e
ainda existem em cada localidade e com a festa do Santo Padroeiro, com
direito aos folguedos de arraial citados acima e, muitas vezes, com as festas
dançantes como parte desses festejos.
AS FESTAS DE SANTOS DE ABAETETUBA
E SUAS LOCALIDADES, ALGUMAS COM ESMOLAÇÕES, FOLIAS, FOLGUEDOS E FESTAS
DANÇANTES:
Algumas localidades da Região das Ilhas e das
Colônias de Abaetetuba realizavam suas Festas de Santos e após as funções
religiosas, realizavam as festas dançantes, que eram, de certo modo, um dos
aspectos profanos das festas religiosas dos Santos da Igreja Católica, costume
que foi herdado de seus antepassados e que, agora, está sendo abolido das
festas religiosas de Abaetetuba, a partir da chegada dos padres xaverianos,
desde a década de 1970. Algumas festas de santos das localidades de Abaetetuba já
envolviam também as festas dançantes desde as primeiras décadas do século 20 e
até a sua 1ª metade, através da Festa da Mucura e dos antigos conjuntos
musicais não eletrônicos, tipos jazzes e, portanto, as festas dançantes dos
Santos, já faziam parte da 1ª Fase das Festas Dançantes de Abaetetuba.
As Festas de Santos envolviam a
musicalidade em seus festejos, envolvendo ou não as festas dançante, e que se tornaram parte da
cultura popular do povo de Abaetetuba.Algumas dessas festas de santos:
·
Festa de São Benedito dos Cativos, com rezas,
cantos, danças e músicas, realizadas em Abaeté e algumas localidades onde havia
grande concentração de escravos ou seus descendentes.
·
Festa de São Benedito, na casa de Raimundo
Belchioara, no rio Belchior, com festa dançante no final das rezas.
- Festa de São Benedito do Bacuri, do finado Ponciano, com folias e esmolações e festas dançantes.
- Festa de Nossa S. de Nazaré do rio Caripetuba, realizada inicialmente no barracão da família Sarges, com folias, esmolações e festas dançantes, atualmente transformada em festa de santo das Comunidades Eclesiais da Igreja Católica e sem festa dançante.
- Festa de santo e dançante no barracão de Maria Farinha, no rio Itacuruçá-Cabeceiras.
- Festa de santo, com folias, esmolações e rezas na localidade Arapapu, sob o comando do músico e folião Edmundo Quaresma e ainda Festa de santo e dançante na casa de Biti Pinheiro, no rio Arapapu-Boca.
- Festa do Bom Jesus da Cana Verde do Furo Grande, com folias, esmolações e festas dançantes e existente até os dias atuais.
- Festa do Bom Jesus dos Navegantes de Conde, organizada inicialmente por Manoel Tracajás e sua família (ainda citado em 2003), com suas famosas e antigas Folias de Santos, com participação dos Foliões de São Miguel da localidade Jarumã em Abaetetuba e com direito às Esmolações, na antiga Vila de Conde e que atualmente foi transformada em Festa de Santo da comunidade católica da Vila de Conde (agora sem festa dançante), com Círio em 8 de janeiro e em festa que se prorroga até o dia 15, quando se festeja o Dia do Bom Jesus dos Navegantes e com participação da comunidade católica de Abaetetuba da localidade Jarumã, que cede a imagem desse Santo e participa desses festejos com trechos das orações rezadas e cantadas em latim vulgar, em parceria de comunidades que existe há mais de um século.
- Festa do Bom Jesus, na casa do Velho Pachola, com festa dançante, no Rio Maracapucu.
- Festa de Santa Terezinha, no Furo Grande.
- Festa de Santo Antonio, na casa de Velha Angélica, com festa dançante, no rio Arumanduba.
- Festa de Santo Antonio, na casa de Servino Barreto, com festa dançante, no rio Arumanduba.
- Festa de Santo Antonio, na casa de Manoel Churu, com festa dançante, no rio Paramajó.
- Festa de Nossa S. de Nazaré do Caripetuba, com folias, esmolações e festa dançante, na casa de Velha Cordolina Sarges e que atualmente é comunidade eclesial.
- Festa de Nossa Senhora de Nazaré do Pirocaba, com folias e esmolações de santo e festas dançantes, festa que atualmente se transformou em comunidade eclesial, matendo a festa dessa santa, porém sem festa dançante.
- Festa de São Tomé, na casa de Maurício, com festa dançante, no rio Xingu.
- Festa de São Miguel do Sirituba, com folias, esmolações e festa dançante, na casa de Joaquim Belo e família, no rio Sirituba.
- Festa de São Miguel do Beca, na casa de Beca e família, na localidade Jarumã, com folias, esmolações e festas dançantes existente até os dias atuais como Comunidade Eclesial e sem a festa dançante.
- Festa de São Miguel, na casa de Adalberto Alves e família, com festa dançante, no Rio Camotim.
- Festa de São Miguel do Murutinga, com folias e esmolações de santo e festas dançantes, que atualmente se transformou em comunidade eclesial com a festa do santo e sem festa dançante.
- Festa de São Miguel da Ilha Tatabatinga, patrocinada pelo Sr. Jorge fogueteiro, com folias e esmolações de santos e festas dançantes.
- Festa de Nossa S. do Carmo, na casa de Raimundo Coforote, com festa dançante, na Costa Maratauíra.
- Festa de Nossa S. do Carmo, na Costa Maratauíra, na casa de D. Benedita, avó do músico Nilamon Xavier de Sena, filho de Tomás de Sena, enquanto estava viva, com até oitenta e poucos anos de vida, da qual possuía uma imagem e ela e toda a sua família se reuniam anualmente para festejar essa santa que tinha a participação da Orquestra “15 de Novembro”, que acompanhava as ladainhas e as festas dançantes nas noites dos festejos. Como ainda não existia energia elétrica, essa festa era realizadas à luz de lampião de carbureto.
- Festa de Nossa Senhora do Carmo do Murutinga, com folias e esmolações de santos e que atualmente se constitui comunidade eclesial e sem festa dançante.
- Festa de São João, na casa de Luiz Sarges e família, com festa dançante, no rio Guajarázinho.
- Festas de São João, em outras localidades, com esmolações, folias e festas dançantes. Algumas festas, inclusive as festas de São João, apresentavam outras motivações folclóricas, como: levantamento do mastro (dia da ramada), folguedes juninos, fogos, etc. Algumas festas de São João foram transformadas em Comunidades Eclesiais e sem festas dançantes;
- Festa de Santo com esmolações, folias e festas dançante, no rio Maúba.
- Festa de Santo e dançante, no rio Ajuaí.
- Festa de Santo e dançante na casa de Luiz Pezinho, no rio Pirocaba.
- Festa de Santo e dançante, no rio Anequara.
- Festa de Santo na localidade Assacu, com esmolações, folias e festa dançante.
- Festa de Santo na localidade Panacuéra, com esmolações, folias e festas dançantes.
- Festa de Santo na localidade Prainha, com esmolações, folias e festas dançantes.
- Festa de Santo Antonio, na casa de Antonio Pereira, com festa dançante, no Rio Maracapucu.
- Festa de Santo e dançante, no rio Abaeté.
- Festa de Santo, na casa de Manoel José de Sena, com festa dançante, no rio Acaraqui.
- Festa de São Miguel de Beja, com folias, esmolações e festas dançantes nos anos de 1950 na casa do músico Raimundo Pauxis e existente até os dias atuais, porém como Comunidade Eclesial, igreja própria e sem festa dançante.
- Festa de São Miguel dos Navegantes de Vila de Beja, com folias, esmolações, festas dançantes, festa atualmente paralisada.
- Festa de São Miguel de Beja, na casa da família Pimentel, com folias, esmolações e festa dançante, na Vila de Beja.
- Festa de São Miguel de Conde, na casa de Iaiá Almeida, na Vila de Conde, onde acontecias as folias e festas da mucura e já com os conjuntos musicais em forma de jazzes.
- Festa do Divino Espírito Santo de Beja, organizada pelo músico Manoel do Nascimento e com festa dançante.
- Festa de Nossa S. de Nazaré, na casa de Manezinho Lobato e família, com festa dançante, no rio Curuperé.
- Festa de Santa Maria, na localidade Maracapucu, com rezas, folias, folguedos.
- Festa do Divino Espírito Santo, com novenas e músicas à cargo da Philarmônica Henrique Gurjão e outros grupos e folguedos de arraial, na antiga Praça do Divino em Abaeté e sem festa dançante.
- Festa do Divino Espírito Santo de Beja, com novenas, folguedos de arraial e músicas à cargo da Banda Sai Cinza, do Mestre Manoel Nascimento e outros grupos musicais de Abaetetuba e com festa dançante.
- Festa de São Sebastião, com novenas, folguedos de arraial e música à cargo da Banda Henrique Gurjão, do Mestre Horácio Silva, sem festa dançante, em Abaeté.
- Festa de São Raimundo Nonato, com novenas, folguedos de arraial e música à cargo da Banda Carlos Gomes, dos Mestres Hermínio e Raimundo Pauxis, sem festa dançante, em Abaeté.
·
Festa de Nossa S. da Conceição, com novenas,
missas, folguedos de Arraial e música à cargo das 3 bandas de música de Abaeté
e sem festa dançante e atualmente foi transformada em Festa de Santo da
Paróquia de Nossa. S. da Conceição e sem festa dançante. Porém muitos
promotores de festas dançantes aproveitam o período para realizar festas
dançantes e shows musicais pela cidade. O Auto da Padroeira, é um arrastão
cultural organizado pelos artistas de Abaetetuba, que promove pelas ruas da
cidade um bonito desfile e com variados espetáculos para homenagera Nossa
Senhora da Conceição, a Padroeira do município e que, na Quadra Natalina,
poderia também apresentar essa espécie de arrastal cultural pelas ruas da
cidade.
- Festa de São Sebastião na residência do Sr. João de Matos Bitencourt, de 3 a 14 de agosto, em 1927, com festa dançante, na localidade rio Bechior.
Com a chegada
dos padres xaverianos à Abaeté nos anos de 1960 essas festas de santos foram
sendo gradativamente reformadas e aquelas antigas comunidades se constituíram
nas novas comunidades da Igreja Católica com festejos de seus santos padroeiros
e sem festas dançantes.
As Demais Festas Religiosas de Abaetetuba:
Além das Festas de Santos, acima especificadas, existiam e ainda existem
em Abaetetuba as demais festas religiosas do Calendário Litúrgico da Igreja
Católica:
Festa da Páscoa da Ressurreição de Jesus, com a festa do Aleluia, com
muitas festas dançantes pelo interior do município.
Festa de Natal e Ano Novo, com grande musicalidade em todos os seus
aspectos.
Mês de Maria, no mês de maio, que era todo consagrado à Virgem Maria,
festejada na Igreja, nas Escolas, com reza do terço, canto da Ladainha de Nossa
Senhora, oferta das flores a cada dia pelas irmandades, grupos e confrarias,
bênção com o Santíssimo Sacramento, a Oração pela Pátria, Governantes, pelo
Povo e pela Paz, e a apoteose do Mês de
Maria com a Coroação de Nossa Senhora como Rainha, com as ofertas de flores e
corações com a presença dos anjinhos (crianças vestidas de anjos), jovens com
suas túnicas brancas, róseas e azuis que coloriam o ambiente.
Festa do Corpus Christi ou Dia do Corpo de Deus, em junho, com a grande
procissão que sai pelas ruas da cidade, levando o Santíssimo Sacramento em ato
de adoração ao Corpo e Sangue de Cristo presente na Eucaristia.
Festa do Sagrado Coração de Jesus, no mês de junho, antigamente era
organizada pela irmandade do Coração de Jesus e, posteriormente, pela Igreja e
Irmandade, festa que ainda existe em Abaetetuba.
Círio e Festa de Nossa Senhora de Nazaré, em Belém, que influencia
enormemente a população de Abaetetuba.
Aspectos da Musicalidade das Festas de Santos e Festas Religiosas:
·
Orações e cantos em Latim, língua que foi ensinada pelos antigos padres
missionários capuchinhos, quando as orações, missas, ladainhas e até os antigos
cantos das funções e festas religiosas eram cantadas em Latim.
·
Presença das antigas bandas musicais nas procissões e círios e festas, e
nas funções religiosas dando o apoio musical no coro dessas atividades
litúrgicas e também tocando nos coretos das praças durante o período de realização
das festas religiosas.
·
Presença das bandas ou conjuntos musicais, cantores na barraca ou
barracão dos santos durante a realização dos leilões de donativos nas festas
religiosas de santos.
·
Presença da aparelhagem de som ou sistema musical no arraial e no leilão
de donativos das festas de santos.
·
Muita música pelas barracas do Arraial na Praça de Nossa Senhora da
Conceição.
·
Festas dançantes em vários pontos de festas da cidade e interior.
·
O aspecto festivo-musical nas residências dos moradores da cidade.
·
O atual Auto da Padroeira, promovido pelos artistas, músicos e
produtores cultuais com variados momentos de musicalidade e encenações.
Considerações Sobre as Festas
Dançantes e Consumo de Bebidas Alcóolicas nas Festas de Santos de Abaetetuba:
Por ser considerado um aspecto profano nas festividades de Santos,
grande parte da musicalidade das festas religiosas dos santos foram retirados
dessas festas, juntamente com o consumo de bebidas alcóolicas. Tal fato veio a
enfraquecer o aspecto festivo das festas religiosas e até concorrer para essas
festas deixar de chamar a atenção de abaetetubenses residentes fora de
Abaetetuba e do apelo turístico que essas festas possuíam no passado e no
enfraquecimento cultural das festas de santos.
A retirada das bandas musicais que participavam ativamente dos variados
momentos das festividades de santos veio concorrer para o enfraquecimento
desses tradicionais grupos musicais que agora se encontram em grande
dificuldade de subsistência, que sem o apoio dos poderes públicos, do setor da
cultura do município e o apoio da Igreja Católica agora não são nem a sombra do
que eram antes no aspecto musical e cultural de Abaetetuba. As bandas musicais
já foram grandes atrações das festas religiosas de Abaetetuba.
A Musicalidade Atual nas Festividades de Santos de Abaetetuba:
Mesmo nos moldes atuais as festas religiosas de santos padroeiros em
Abaetetuba ainda possuem musicalidade, pois as liturgias, missas, procissões
ainda têm a presença de cantos e músicas religiosas que fazem parte dessas
funções religiosas e que são feitas pelos fiéis que participam dessas
comunidades. A Festa com maior musicalidade é a de Nossa Senhora da Conceição
que tem o conjunto musical, Os Neófitos, a Rádio Conceição FM que fazem a parte
musical do Círio de Nossa Senhora da Conceição e de outros momentos da Festa.
Perda do Aspecto Cultural das Festas Religiosas:
A principal festa religiosa de Santo de Abaetetuba, a Festa de Nossa
Senhora da Conceição, talvez por estratégia dos organizadores dessa festa, que
não querem fazer da festa uma festa cultural e sim religiosa, não é divulgada à
nível de mídia local e regional e nem recebe patrocínio, apoios, nem mesmo de
Belém, onde residem muitos abaetetubenses, que poderiam vir prestigiar e reverenciar a padroeira do município, e essa festa como
que perdeu o seu aspecto místico que atraía milhares de fiéis das regiões da
Ilhas e Estradas de Abaetetuba e os abaetetubenses e fiéis de Belém e outras
cidades. Parte dessa perda se deve a ausência das motivações culturais das
festas religiosas, aspecto que a festa de Nossa S. de Nazaré, em Belém, e o seu
grandioso Círio de Nazaré ainda conserva e atraindo, a cada ano, mais fiéis
para participar da Festa e Círio de Nossa Senhora de Nazaré.
O rigor religioso, em detrimento do aspecto cultural da Festa de Nossa
Senhora da Conceição e das demais festas de Santos do município, ao invés de
atrair fiéis, os afasta, perdendo as festas religiosas um aspecto de chamamento
à religiosidade, que se não é de muita profundidade religiosa, pelo menos tem o
mérito de atrair e conservar fiéis nestes tempos críticos da invasão das seitas
e religiões exóticas na cidade e
interior do município. Nossa proposta é de que ao lado do aspecto cultural a
Igreja fizesse um forte trabalho de reevangelização dos fiéis das comunidades
através dos meios e métodos eficazes de evangelização por leigos e
ministros da Igreja devidamente preparados para essa missão.
Outra questão a considerar é que no aspecto religioso as Festas de Santos
são da Igreja Católica, porém, culturamente, as antigas e tradicionais Festas
de Santos pertencem ao povo de
Abaetetuba e, como tal, deveriam merecer uma melhor atenção das autoridades,
associações, entidades, empresários e pessoas interessadas em promover o Turismo Religioso
em nossa terra, como acontece em determinados lugares do Brasil, como em
Aparecida/SP, cidades mineiras, Belém/Pa, etc, ajudando e apoiando nos aspectos
tradicionais das festas e na divulgação das mesmas e trazendo de volta seus
aspectos culturais, especialmente as bandas musicais nos coretos das praças.
Vide postagens sobre a festa de Nossa Senhora da Conceição e outras
festas. Vide nossas postagens sobre as
antigas festas religiosas de Abaetetuba.
Festas dos Cultos
Afro-Brasileiros e Indígenas:
Dentro dos Cultos Afro-Brasileiro
(Umbandismo, Orixás, Pai-de-Santos, etc) e os de origem indígena (Pajelanças,
Curandeirismo, etc) em sincretismo com algumas festas católicas de Abaetetuba
que existiam em dezenas de Terreiros e Curandeiros espalhados pela cidade e
interior do município, que se utilizavam, em suas cerimônias místicas, dos
tambores e cantos religiosos, próprios ou os da Igreja Católica, nos numerosos
cultos de suas divindades.
Quizomba na língua angolana que
dizer canto, dança, que se traduz também nas vestimentas, frutas, comidas,
banquetes, também presentes nesses cultos festivos.
Do misticismo indígena vieram as
tradições dos cultos das Curandeiras, Benzedeiras e Pajés, que também se
utilizavam de elementos musicais em suas cerimônias.
Algumas festas do Culto
Umbandista:
Festa de Obá, Abá e Oxalá,
divindades que estão acima das outras divindades.
Festa de Iemanjá, a Rainha do
Mar, que no sincretismo religioso com a Igreja Católica é representada por
Nossa S. da Conceição.
Festa de Ogum, que representa a
Rainha das grandes batalhas.
Festa de Iansã, entidade que representa
os ventos e tempestades.
Festa de Omolu, entidade que
representa as chuvas e ares, filho de Nanã Burocô, adotado por Iemanjá, ao ser
desprezado por sua mãe, por causa de sua maldade, tendo se transformado na
entidade Orixá da Morte.
Festa de Oxose, entidade que representa
as matas e as caçadas.
Festa de Oxum, entidade que
representa a beleza e o ouro.
Festa de Oxumaré, entidade que representa
o Arco-Íris.
Festa de Nagô, Orixá que
representa a bondade.
Festa de Xangô, Orixá das pedras
Festa de Assaim, Orixá da cozinha
e alimentos.
Festa de Aruerê, entidade da
sabedoria e arte.
Festa de Naiade, entidade que
representa uma ninfa das beiras dos rios e fontes.
Festa da Mariana, que no culto
afro-brasileiro, pode ser uma entidade em forma de cabocla bravia, com força
para quebrar os feitiços e encantos das pessoas ou pode ser uma cabocla séria e
brincalhona, que sabe das mazelas dos que procuram tratamento nos terreiros sob
sua proteção. Mariana é irmã de outra entidade poderosa, Jarina.
Blog do Ademir Rocha, de
Abaetetuba/Pa







Amigo Ademir Rocha, sempre que posso leio as suas postagens, pois são muito úteis e prestativas, enaltecendo sempre a nossa cultura, e ainda nos deixam caminhos para reflexão. Abraços.
ResponderExcluirCaro amigo Wander Gomes, obrigado pelas visitas e palavras ao n/Blog e estamos aqui ao seu dispor para alguma informação. Abçs do Ademir Rocha
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