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terça-feira, 14 de agosto de 2012

A Fé Católica Como Influência na Musicalidade 9 de Abaetetuba Através dos Anos

A MUSICALIDADE 9 DE ABAETETUBA ATRAVÉS DOS ANOS
Esta composição musical, Mater Puríssima, foi extraída do livro
Verdades, Atos e fatos Ainda Não Ditos da escitora
abaetetubense Maria do Monte Serrat Carvalho
Quaresma e é prova cabal da influência da fé
católica na musicalidade de nossos antigos
músicos e autores musicais

A musicalidade é um dos aspectos da cultura de Abaetetuba que funciona como guardiã de uma rica memória, ainda viva na lembrança de cada filho destas terras que vivenciou os ricos períodos desse aspecto cultural e em muitas de suas vertentes, considerando aspectos dos mitos, do imaginário e da cultura que essas vertentes da musicalidade construíram através dos tempos, como veremos a seguir. Esse aspecto cultural da musicalidade usou suas vertentes como forma de comunicação, de transmissão de mensagens, de histórias que marcaram pra sempre, direta ou indiretamente, a vida de muitas pessoas que ainda são depositárias dessas memórias ou que já estão marcadas nos escritos de nossos historiadores em um rico acervo onde pode se encontrar esses variados aspectos da musicalidade de Abaetetuba.

A música em si nada mais é que um conjunto de sons articulados para formar um discurso poético de sons, vozes e encenações de linguagem transmitida através dos tempos usando de recursos rústicos até chegar aos mais sofisticados, de acordo com o período histórico em questão.

Deste modo a musicalidade torna-se uma importante fonte ou documento histórico da memória sobre o nosso passado, conservado e analisado a partir de pessoas e contextos que  nos permite uma volta a esse passado para o conhecimento de seu meio e dos variados aspectos da musicalidade a ser analisada.

Esses aspectos da musicalidade serão aqui analisados em várias postagens que faremos sobre “A MUSICALIDADE EM ABAETETUBA ATRAVÉS DOS TEMPOS” e, em certos casos, tecendo comentários, considerações e sugestões de melhorias naquilo que pode se constituir um aspecto cultural que pode se consolidar como um evento com identidade própria e, desse modo, se constituir em Abaetetuba um evento que possa também gerar renda e trabalho para o município.

Portanto, a memória da musicalidade, é o ato de lembrar, de reter, o que já se passou, de reconstruir a relação entre passado e presente, e que pode dar sentido à nossa história. Nesse aspecto, a memória não seria uma realidade estática e perdida no contexto cultural de sua época, mas dinâmica e inovadora, se reconstruída em novas formas culturais que possam nos fazer recordar e apreciar no presente sob nova roupagem, e com identidade própria, a ponto de se firmar no cenário da musicalidade em geral como evento que chama a atenção de todos pela riqueza que contém e, consequentemente, como fator turístico que possa chamar a atenção para essas manifestações culturais e se firmar no calendário turístico do município como evento que possa trazer emprego e rendas para muitas pessoas, além de fazer o município ser conhecido e reconhecido como um verdadeiro centro de cultura. Os estudos sobre a musicalidade em Abaetetuba estão atrelados à questão da memória e do que a música desperta em cada pessoa e que marca momentos e sentimentos que são revividos quando se ouve determinada música ou manifestação cultural onde a musicalidade se faz presente. Todos nós temos aquelas músicas ou eventos musicais que vivenciamos na infância, na adolescência, que podem nos trazer a sensação de nostalgia e de rememoração dos bons tempos que já se foram, onde o passado ressurge fragmentado em várias lembranças, advindas de uma memória afetiva onde a sonoridade e até mesmo sabores e cheiros tinham importante papel nesse processo. 

Também gostaríamos de explicar que A MUSICALIDADE EM ABAETETUBA ATRAVÉS DOS ANOS  é o conjunto de todas as formas musicais que aqui já existiram ou continuam a existir, na rica cultura musical do município, manifestada através das mais variadas formas, estruturas, eventos, pessoas, grupos, entidades e ritmos espalhados pelos mais diversos segmentos sociais e recantos do município. Essa musicalidade, a partir dos anos finais do século 19 e durante o século 20, é um período rico de manifestações musicais, que influenciaram sua época, ditaram os modismos, costumes e influenciaram a cultura musical do município e que, com a chegada de outras formas e expressões musicais, íam sendo substituídas através do tempo, mudnado os costumes, as modas e outras formas culturais que marcaram cada época  no município, como foi o caso da chegada do Rock e suas vertentes dos Anos Rebeldes e da Sociedade Alternativa, que alguns grupos pregavam, e das músicas da MPB, do Samba e Bossa Nova, da Tropicália, do Iê-Iê-Iê, do Brega, dos ritmos caribenhos que também influenciaram segmentos da sociedade de seu tempo, tendo alguns desses modismos subsistido até os tempos atuais, pelo menos para algumas pessoas que ainda cultuam seus ídolos e costumes dessa época. Todas essas formas de musicalidade com seus modismos e costumes serão aqui rememorados.

Abaetetuba possuía a sua antiga musicalidade manifestada de vários modos conforme veremos abaixo, sendo que muitas dessas formas musicais foram extintas ou absorvidas por novas formas e expressões musicais advindas de outras culturas musicais do Brasil ou exterior, trazendo no seu bojo os avanços rítmicos e tecnológicos com aplicação de novas técnicas, meios, recursos e instrumentos de sons inovadores que definiram as ETAPAS da cena musical de Abaetetuba e, em especial, o aspecto Festivo-Dançante de grande parcela do povo. O incessante aperfeiçoamento de Gravação, Transmissão e Audição musical através de novos equipamentos e tecnologias trouxe o microfone, os gravadores portáteis, o disco long-playing (LP), a fita Cassete, os Compact Discs (CD), o MP3, o computador e a Internet e, com isso, trouxe também novas Figuras, Personalidades e Vultos para o cenário musical de cada época e o aperfeiçoamento tecnológica na musicalidade trouxe também a demanda por novas profissões, como os Promotores de Festas dos clubes e salões e operadores das aparelhagens de som, inicialmente os locutores, os Disk Jockeis e agora os DJs, que também marcaram os períodos da musicalidade de Abaetetuba. Entre os novos instrumentos eletrônicos, surgidos em Abaetetuba, destacamos a Guitarra Elétrica e o Teclado, que definiram fortemente a cultura musical de Abaetetuba na sonoridade musical, as Festas Dançantes, assim como os novos gêneros, estilos e ritmos aqui surgidos a partir da década de 1960, na forma do Rock e seus subgêneros que desembocaram nas atuais formas musicais eletrônicas dos Dances, Tecnos, Hip-Hop, Funk e da atual Música Digital.

Será necessário que façamos as devidas considerações sobre os diferentes estilos e gêneros musicais já existentes no Brasil antes dos anos de 1960 e dos estilos musicais surgidos a partir dessa década de transformações na musicalidade e nos recursos tecnológicos dela advinda. Também deveremos fazer considerações sobre a Musicalidade Paraense, juntando alguns itens com a Musicalidade de Abaetetuba, para delimitar a influência da música como um todo em Abaetetuba e o aspecto Festivo-Dançante que definiram cada fase da musicalidade em nosso município, empleitada difícil pela intensa hibridização e coexistência de diferentes estilos e gêneros musicais que já vêm desde os anos de 1960 e que ainda se fazem presente na cena musical de Abaetetuba, através do saudosismo e as festas de saudade com músicas que marcaram as décadas musicais. Os Conjuntos Musicais, a Cultura Musical, os Cantores, Grupos Musicais e cada expressão musical antiga e as novas formas musicais, serão também analisados sob diversos aspectos, que vão da cultura criada no meio musical, como de sua substituição por novas formas e os costumes impostos pelos modismos advindos da musicalidade vinda de outros centros musicais do Brasil ou do exterior que marcaram profundamente a cena musical e as modas em Abaetetuba. Seria bom também se analisar alguns aspectos dos Anos Rebeldes e da Sociedade Alternativa que teve como figuras principais cantores e grupos musicais como Raul Seixas, Pepeu Gomes, Baby Consuelo que até os dias atuais encotra espaços para suas idéias através de parcela da população que vivenciou essa forma de protesto através da música e costumes impostos pelas idéias dessa exótica filosofia de vida, como também do Movimento da Jovem Guarda da cultura musical brasileira a partir dos anos de 1960.

As festas dançantes, como parte integrante e importante da musicalidade de Abaetetuba, vão ser enfatizadas, de acordo com alguns parâmetros, em várias FASES DAS FESTAS DANÇANTES DE ABAETETUBA que, no nosso entendimento, se manifestaram conforme algumas características peculiares a cada fase, elencadas abaixo, e que serão citadas no decorrer das exposições de determinados itens das várias postagens que serão feitas a respeito da musicalidade de Abaetetuba.

Além disso outros aspectos da Musicalidade de Abaetetuba serão elencados e analisados pois foram e continuam a ser formas culturais sustentadas pela forte musicalidades como as Festas de Santos, os períodos religiosos como a Quadra Naralina, a Páscoa, Ano Novo, como também as quadras Junina e Carnavalesca, as festividades de santos e tantas outras formas sustentadas também pela música em suas várias formas.

Os dados destas postagens foram coletados das obras de nossos escritores abaetetubenses, como Maria de Nazaré Carvalho Lobato, Maria do Monte Serrat Carvalho Quaresma, Antonio Braga da Costa Júnior, Luiz Gonzaga Nascimento Lobato e pesquisas feitas pelo autor do blog em antigos documentos, revistas ou jornais, internet e das muitas entrevistas que fizemos com pessoas detentoras da memória cultural de Abaetetuba, como Orêncio Barbosa André, Alcimar Carneiro de Araujo, Dinho Silva, Flauri Silva, Mestre Café, Mário Tabaranã e tantas outras pessoas entrevistadas pela cidade e interior do município.

Estas análises, ponderações, dados, conceitos e nomes não são definitivos, pois podem existir inconsistências e incoerências nos textos e falta de dados fundamentais, que serão corrigidos ou acrescentados de acordo com novas pesquisas ou colaboração de pessoas que conhecem, pesquisaram ou vivenciaram os vários aspectos da musicalidade de Abaetetuba.

A INFLUÊNCIA DA FÉ NA MUSICALIDADE DE ABAETETUBA:

Fé dos Indios, Negros e Brancos:

Os índios, negros e brancos que concorreram na formação do povo paraense, possuíam na sua bagagem cultural a sua fé, que era demonstrada de várias formas.

Na fé dos indígenas e negros a música e a dança faziam parte de muitas cerimônias e rituais.

O povo branco, especialmente o colonizador português, trouxe em sua bagagem cultural os elementos de sua fé, que em muitos aspectos, trazia a música como parte da herança de devoção aos santos populares.

Com a miscigenação desses povos na formação do povo paraense, também a música e a dança sofreram a contribuição desses três povos na consolidação da cultura musical paraense. Vide nas postagens anteriores o item das contribuições de negros e índios na musicalidade de Abaetetuba.

Essa devoção estava recheada de motivos que tinham a música como um dos elementos principais, como nos coros das igrejas, nas orações e ladainhas cantadas, nas folias e nos festejos de santos, nas missas antigas, nas procissões e nos círios, nos folguedos de arraial das festas religiosas, das festas dos santos das quadras junina e natalinas e nas demais festas de santos da devoção popular.

O livro “O Imaginário Religioso na Musicalidade dos Artistas de Abaetetuba (1930 a 1955)”, de autoria de Antonio Braga da Costa Júnior nos faz lembrar a influência que a fé Católica exerceu na formação e motivação musical de nossos músicos.

Algumas provas:

A fé nos santos populares é que levou os ribeirinhos a introduzir os elementos da musicalidade nas antigas folias de santos e rezas de ladainhas.

Muitos dos antigos clubes musicais e bandas do município foram criadas para também reverenciar os seus santos patronos (Clube Lauro Sodré – Nossa S. do Rosário; Clube Musical São Sebastião – São Sebastião; Banda Henrique Gurjão – São Sebastião; Banda Paulino Chaves – Nossa Senhora da Conceição; Clube Musical Carlos Gomes – São Raimundo Nonato e Nossa S. da Conceição; Banda Virgem da Conceição – Nossa Senhora da Conceição, etc). Essas antigas bandas e clubes musicais também existiam em função da fé religiosa nos seus santos padroeiros e era a maior alegria e até mesmo uma realização pessoal, para a maioria dos antigos músicos, artistas, compositores musicais, participar das antigas festas religiosas com o seu contributo artístico e levados pela fé.

O belo hino de Nossa S. da Conceição, Mater Puríssima, foi composto em função da fé do músico Oscar Santos nessa Santa e letra do poeta Bruno de Menezes (vide abaixo).
 Todos ficam embevecidos e cheios de
emoção ao ouvir e cantar este belo Hino de Nossa
Senhora da Conceição

Modernamente, apesar do secularismo e materialismo que se apossou do modo de vida de alguns segmentos sociais do município, muitos artistas, músicos e compositores ainda fazem questão de dar sua contribuição à Nossa Senhora da Conceição ou outros eventos católicos festivos.

Veja-se o Caso de Alguns Cantores e Compositores Musicais:

Lial Bentes, que já gravou disco com músicas de cunho religioso, como o belo Hino de Nossa Senhora da Conceição.

Da compositora e cantora Neusa Rodrigues, que gravou belas canções dedicadas a Nossa S. da Conceição e outras músicas de cunho religioso.

Do músico Fran Mendes, múltiplo músico, com mais de 40 anos dedicados ao grupo musical Neófitos, do âmbito da Paróquia de Nossa S. da Conceição, juntamente com outros da mesma época ou mais recentes.

Dos pandeiros, tambores e cavaquinhos da banda de pagode Sandália de Embuá, com músicas religiosas, inclusive o Hino de Nossa Senhora da Conceição e músicas da quadra natalina, gravadas inclusive.

E os cantores e bandas gospel que agora estão entrando no mercado musical nacional ou local, inclusive em Abaetetuba.

Portanto, a fé foi poderoso fator que influenciou a musicalidade antiga de Abaetetuba e ainda continua a influenciar determinados extratos religiosos do povo. Vide folias, festas de santos e grupos musicais de Abaetetuba.

O hino “Mater Puríssima”, que é o hino oficial da Festa de Nossa S. Da Conceição de Abaetetuba, com música do Maestro Oscar Santos e letra do poeta Bruno de Menezes, que é exemplo marcante de música religiosa que impressiona a todos pela sua mensagem de amor de Nossa Senhora por seu rebanho e musicalidade ímpar entre os hinos religiosos e que emociona a todas as gerações a partir de sua composição nos anos de 1940.

A Fé dos Músicos nas Festas de Santos:

Os antigos músicos, em sua maioria, eram quem tomavam iniciativa, consciente ou inconscientemente, da organização das festas de santos, especialmente no tempo em que Abaeté praticamente não possuía um pároco residente no município e eram as comunidades dos diversos locais que tomavam a iniciativa dos festejos dos santos na forma das antigas devoções dos santos, com as Folias de Santos de Abaeté. Vide Folias de Santos em postagem anterior.

AS FESTAS RELIGIOSAS EM ABAETETUBA

Nas antigas festas religiosas estão incluídas as Folias de Santos, já postadas anteriormente, e as demais festas religiosas do calendário litúrgico da Igreja Católica, que envolvia a Festa da Páscoa da Ressurreição de Jesus com o antigo Aleluia, que era deturpada pelas festas dançantes do chamado Sábado de Aleluia, Festa de Maria que atingia o mês inteiro de maio, envolvendo a população inteira, irmandades e as escolas, repartições e com o ápice na Coroação de Maria como Rainha da Igreja e a Festa de São Benedito no mesmo mês de maio, Festa do Corpus Christi e do Sagrado Coração de Jesus em junho, festa de São Raimundo Nonato em agosto, Festa de Nossa Senhora de Nazaré em setembro, Festa de Nossa Senhora de Nazaré e do Círio de Nazaré em Belém no mês de outubro e que refletia na população inteira de Abaetetuba, Festa de Todos os Santos e Finados em novembro, Festa de Nossa Senhora da Conceição que começava em 28 de novembro até o apoteótico dia de Nossa Senhora da Conceição em 8 de dezembro e a Festa de Natal e Ano Novo, que fechavam o período festivo do calendário católico. Todas essas festas envolviam muita musicalidade e que influenciavam grandemente no aspecto festivo de toda a população e em nossos antigos artistas (folcloristas, atores, músicos, cantores, pintores, escultores ou entalhadores de imagens, compositores, coros, bandas, conjuntos musicais, aparelhagens de som, etc) e que vão ser descritas nestas postagens ou já foram postadas anteriormente.

As festas religiosas são uma tradição antiga no Pará, tendo sido iniciadas através dos padres missionários e governantes que geralmente denominavam as antigas localidades da Província com os nomes dos Santos da Igreja Católica, sendo a religião usada como política de colonização pelos antigos colonizadores portugueses, onde cada povoado, freguesia vila ou cidade recebia o nome de um santo da devoção popular portuguesa. Exemplos: Santa Maria de Belém do Grão-Pará, Freguesia de Sant’Anna de Igarapé-Miry, Freguesia de Nossa Senhora da Conceição de Abaeté, Freguesia do Divino Espírito Santo do Moju, Freguesia de São Francisco Xavier de Barcarena, Freguesia de Nossa Senhora de Soledade de Cairary, São João Batista de Cametá e assim seguiam os nomes das demais localidades e nessas localidades os santos padroeiros eram objeto da veneração popular, em devoção que evoluiu para as festas de santos, com direito a todos os aspectos festivos dos antigos folguedos de arraial, como mastro, hasteamento de bandeiras, alvorada com fogos e bandas, bandas musicais nos coretos das praças, repicar dos sinos, colorido dos enfeites, artes cênicas, barraca do santo com os festivos e musicados leilões de donativos e os círios e missas festivas, com direito às músicas de bandas e coros, com fogos e enfeites pelas casas das ruas, ladainhas e missas festivas cantadas em latim, rezas de Terços e ainda as missas festivas com coro e bandas e o desfecho com o festivo Dia do Santo.

Festa de Santo em Abaetetuba possuía a presença da musicalidade em todos os seus momentos e aspectos. Em Belém, por exemplo, a festa de Nossa Senhora de Nazaré e em Abaetetuba, a festa de Nossa Senhora da Conceição, têm um forte e marcante apelo festivo-musical, não só na festividade em si, como nos eventos que acontecem pela cidade e atingem a sociedade em vários de seus aspectos, como, por exemplo, o grande movimento do comércio e dos vendedores ambulantes que se multiplicam e as festas dançantes pela cidade em época de festejos de santos. Vide os antigos festejos de santos nas postagens sobre “Festividades de Santos em Abaetetuba”

E em Abaetetuba, assim como na festa de Nossa Senhora da Conceição, as demais festividades de santo, pela cidade e interior do município, seguiam o mesmo figurino de eventos festivos e com alto apelo da musicalidade e em muitas delas as festas dançantes que se multiplicavam no decorrer dessas festividades.

As Antigas Festas de Santos de Abaetetuba:

As Festas de Santos em Abaetetuba aconteciam e ainda acontecem pelos bairros da cidade e comunidades das regiões das Ilhas e Estradas do município. Muitas Festas de Santos de Abaetetuba vieram da Devoção Popular e muitas iniciaram pelas antigas Folias de Santos com suas Esmolações e rezas das Ladainhas. Algumas surgiram por iniciativas particulares ou dos antigos Clubes, Irmandades e outras formas da Devoção dos Santos e todas com forte influência da Musicalidade como já vimos anteriormente e veremos abaixo. As mais antigas festas de Santos de Abaeté:

Os Credos da Igreja Católica:

Os Santos da Igreja Católica em Abaetetuba, desde a origem do Povoado de Nossa Senhora da Conceição de Abaeté em 1724, sempre foram reverenciados pelo povo, através das antigas devoções ou venerações que se transformavam em eventos festivos. Sabemos, através da história, que muitos Santos eram reverenciados na antiga Igreja do Divino Espírito Santo. Essa antiga igreja ficava situada na Praça do Divino, que posteriormente, também foi chamada de Praça de Nossa S. da Conceição (nome reduzido para Praça da Conceição devido os festejos de Nossa S. da Conceição que aconteciam nessa igreja) e que, oficialmente, recebia o nome de Praça da República ou com a alcunha de Praça da Bandeira (por que ali se realizavam todos os eventos cívicos de Abaeté), que atualmente é a Praça Francisco de Azevedo Monteiro ou Praça da Bandeira como continua a ser chamada. Essa praça possuía coreto e jardim, que foi batizado pelo antigo Intendente Aristides dos Reis e Silva, de “Jardim Getúlio Vargas” nos anos de 1930.

A antiga Igreja do Divino Espírito Santo, que se
localizava na Praça de mesmo nome, abrigou todas
as antigas devoções e festas de santos de Abaetetuba
até os anos finais de 1940. Na praça existia o coreto
onde as antigas bandas animavam as festividades de
santos e devoções antigas
Os Braços Musicais dos Santos de Abaeté:

Muitos Santos de Abaeté estavam atrelados aos seus braços musicais, que podiam ser bandas ou clubes musicais.

Era o que acontecia com São Raimundo Nonato, cujo braço religioso era a Banda Carlos Gomes, da família Pauxis.

Com São Sebastião, cujo braço religioso era a Banda Henrique Gurjão ou o Clube Musical São Sebastião.

Com Nossa Senhora da Conceição, cujo 1º braço religioso foi a Banda Paulino Chaves, nos anos de 1920 aos anos de 1930, tempos do Padre Luiz Varella e posteriormente, nos anos de 1940, a Banda Virgem da Conceição.

Com Clube Musical 15 de Novembro, de Tomás de Senna e Adalberto Rodrigues, que era o braço musical de Nossa Senhora do Rosário e sua festa.

Os santos que não possuíam os seus braços religiosos recorriam às bandas e clubes musicais de seu tempo, que eram contratados para abrilhantar os festejos desses santos.

Posteriormente, a partir dos anos de 1930, as festas de Nossa Senhora da Conceição passaram a contar com a presença das Bandas Paulino Chaves e Carlos Gomes, que em memoráveis apresentações, davam maior brilho a essas festas religiosas e a partir dos anos finais da década de 1940, surgiu a Banda Virgem da Conceição (devido dissidência de alguns músicos da Banda Carlos Gomes, que foram cooptados pelos padres capuchinhos da época) que passou a comandar a parte musical do Círio e Festa de Nossa Senhora da Conceição. Somente depois dos padres capuchinhos é que a Banda Carlos Gomes passou a participar das Festas de Nossa Senhora da Conceição.

Função das Bandas e Orquestras nas Festas de Santos de Abaeté:

O que esses grupos musicais faziam nessas festas religiosas? Como essas festas religiosas eram eventos festivos e onde alguns ritos eram feitos através de cantos ou orações musicadas, então, as bandas participavam dos coros das igrejas, fazendo o acompanhamento musical e também faziam o fundo musical durante a parte religiosa da festa.

Após o término das funções religiosas, as bandas se dirigiam às praças para fazer o fundo musical dos chamados “folguedos de arraial” (autos, comédias, etc) e após os folguedos subiam os coretos das praças para as suas apresentações musicais durante os dias de festejo dos Santos, que era a parte profana da festa. Também as bandas ou clubes musicais faziam o apoio musical durante as procissões e, quando vieram as procissões dos Círios a partir do ano de 1912, as bandas faziam o acompanhamento musical dessas grandes procissões. Os Círios de Nossa Senhora da Conceição e de Nossa Senhora de Nazaré ganharam fama na cidade, e era uma questão de honra e fé dos músicos, através de suas bandas, participar desses Círios e muitas vezes em verdadeiras disputas musicais entre as bandas, para ver quem se apresentava melhor nas procissões e nos coretos das praças.

Algumas Antigas Festas de Santos de Abaetetuba Com Alta Musicalidade:

As antigas festas de santos de Abaetetuba eram festas de santos da tradição popular realizadas na antiga Igreja do Divino Espírito Santo e Praça de mesmo nome ou outras localidades da cidade, que além do aspecto religioso, envolvia os aspectos dos folguedos de arraial e com a presença da musicalidade através das antigas bandas de música tocando os fundos musicais de alguns eventos festivos e no coreto da praça. Praticamente todas essas festas saíram do calendário das festas religiosas de Abaetetuba, restando apenas algumas, como a festa de Nossa S. da Conceição, a festa de São Miguel de Beja, festa de Nossa S. de Nazaré. Algumas festas de santos, após muitos anos de inatividade, voltaram a acontecer, agora em novo formato e ritos.

FESTA DO DIVINO ESPÍRITO SANTO:

Festa do Divino Espírito Santo, era realizada na antiga Igreja do Divino Espírito Santo, na Praça do Divino ou Praça da República, organizada pela Irmandade do Divino Espírito Santo, com alta musicalidade em seus festejos e presença de grupos musicais para tocar nas novenas, procissões, orações musicadas, folguedos e nos coretos da praça. A antiga festa do Divino Espírito Santo procurava seguir os ritos folclóricos de outras festas do Divino que eram realizadas país a fora, com a presença da Coroa do Divino, dos estandartes e procissões pelas casas dos consórcios e as procissões do Dia do Divino Espírito Santo. Em Abaetetuba aconteceram fatos que abalaram esses antigos festejos e que levaram essa festa a uma decadência irreversível (Vide a postagem sobre as Antigas Festas de Santos de Abaetetuba). Igualmente na Povoação de Beja aconteciam as festas do Divino Espírito Santo com os mesmos moldes da de Abaeté.

Com a criação do novo Bairro da Aviação de Abaetetuba, o padroeiro desse bairro é o Divino Espírito Santo, cujos festejos são realizados anualmente, agora dentro dos parâmetros de Comunidade Eclesial da igreja Católica, porém, ainda com muitas formas de musicalidade,  como shows musicais de grupos de jovens, som de aparelhagens ou de sistema de som próprio da Paróquia do Divino e com o aspecto festivo de toda festa de Santo.

FESTA DE NOSSA SENHORA DA CONCEIÇÃO:
A devoção a Nossa Senhora da Conceição vem desde
a fundação do Povoado em 1724 e a Festa de Nossa
Senhora da Conceição vem desde o ano de 1912,
portanto já é uma festa quase centenária

Festa de Nossa Senhora da Conceição, cujos primeiros festejos eram realizados na antiga Praça do Divino (que também era chamada pelos devotos da Santa, de Praça de Nossa S. da Conceição ou Praça da Conceição) de 28/11 a 8/12, com procissões, presença de bandas nos folguedos de arraial e cujo 1º Círio aconteceu em 1912, com a presença de bandas.

A antiga Banda Carlos Gomes, que era o braço religioso da Confraria de São Raimundo Nonato, também participava dos festejos de Nossa S. da Conceição. Porém a banda que teve muita participação nos festejos dessa Santa nos anos de 1920 até os anos de 1930, por influência do Padre Luiz Varella, foi a Banda Paulino Chaves, acompanhada do coro das festas,  e as peças teatrais no alpendre da Igreja do Divino, e os Círios de Nossa S. da Conceição.

A banda que passou a participar dos festejos dessa Santa nos anos finais de 1940 foi a Banda Virgem da Conceição, fundada pelo músico e devoto Chiquinho Margalho, em 1949, criada exatamente para tocar nas festas de Nossa Senhora da Conceição em substituição à tradicional Banda Carlos Gomes, que foi afastada dos festejos da Santa por desavenças dos dirigentes dessa banda com os padres capuchinhos por alguns anos (vide postagens sobre as bandas de músicas de Abaetetuba).

Nos anos de 1950, 1960 e 1970 as festas de Nossa S. da Conceição tinham a presença de duas bandas, a Carlos Gomes e a Virgem da Conceição, uma em cada coreto da Praça Matriz, posteriormente Praça da Catedral (O nome oficial é Praça de Nossa Senhora da Conceição).

Após esse período as bandas de música começaram a ser descartadas desses festejos e, atualmente, não existe mais a presença das músicas de bandas nas festas de santos, o que tirou muito do aspecto cultural e festivo dessas festas. Ressalte-se que foi a partir do ano de 1937 que os festejos de Nossa Senhora da Conceição passaram a ser realizados na nova Igreja Matriz de Abaetetuba ou Igreja de Nossa Senhora da Conceição. Na atual festa a musicalidade desses festejos se fazem sentir das seguintes formas: as novenas, missas e orações do aspecto religioso que envolve cantos, músicos da Banda Neófitos e Coro do mesmo grupo, (coro que atualmente é o responsável pelo chamado Círio Musical, que é a participação na grande procissão do Círio de Nossa S. da Conceição através de sonorização concentrada na Praça Catedral, envolvendo também a Rádio e TV Conceição, de propriedade da Diocese de Abaetetuba); música no interior da Barraca de Nossa Senhora da Conceição, prédio anexo à catedral, nos intervalos dos leilões de donativos; musica dos sistemas de som das empresas de publicidade instaladas também na praça; músicas nas barracas de vendas e as festas dançantes que explodem pelos recantos da cidade. Porém a festa de Nossa Senhora da Conceição, perdendo muito de seu aspecto festivo-cultural, perdeu a identidade antiga que mobilizava toda a população da cidade e do interior do município que vinham em massa participar desses festejos.

Letra e Hino de Nossa Senhora da Conceição:

FESTA DE SÃO RAIMUNDO NONATO:

Festa que era realizada pelos dirigentes da Banda Carlos Gomes e dirigentes da Confraria de São Raimundo Nonato, sendo este Santo o Patrono da Banda Carlos Gomes, que participava dos grandes festejos desse Santo, cuja grande imagem era de propriedade da família Pauxis (Hermínio Pauxis e seus filhos). Como a Banda Carlos Gomes foi fundada a 25/4/1880 e Hermínio Pauxis, o fundador da Banda, era fervoroso devoto desse santo (sua 1ª escola musical recebia o nome de Escola Musical 31 de Agosto, que é dia de São Raimundo Nonato e seu 1º filho se chamava Raimundo Nonato Pauxis e foi Hermínio que instituiu a Festa de São Raimundo Nonato e colocou o Santo como Patrono da Banda Carlos Gomes), e as festas desse Santo que iam de 29 a 31 de agosto (Dia de São Raimundo Nonato) até o dia 2 de setembro, e as festas de São Raimundo Nonato tinham o apoio musical da Banda Carlos Gomes, esta também fundada por Hermínio Pauxis.

As antigas festas de São Raimundo Nonato aconteciam na antiga Igreja do Divino Espírito Santo, esta situada na antiga Praça da Bandeira ou Praça do Divino em Abaeté e era a maior festa da cidade e que por conflitos dos dirigentes da Banda Carlos Gomes com os padres da Igreja Católica a festa foi extinta no município. Essa festa mobilizava todo o município de Abaeté, como também a antiga festa de Nossa Senhora da Conceição. Da antiga Festa de São Raimundo Nonato só resta a grande imagem que se encontra na atual Igreja de São Benedito em Abaetetuba.

Praça do Divino

As Desavenças dos Dirigentes da Banda Carlos Gomes Com os Padres da Igreja Católica:

Sabe-se que foi a partir dos anos de 1900, época do Padre Pimentel, que se iniciaram os atritos dos padres da Igreja Católica com os dirigentes da Banda Carlos Gomes, quando, com o apoio desse padre, foi criada a Banda Henrique Gurjão pelo musicista Horácio de Deus e Silva, em 1904 e que essa banda veio para ocupar o lugar da Banda Carlos Gomes nos festejos de Nossa S. da Conceição e em 1918 até os primeiros anos da década de 1930, época do Padre Luiz Varela, aconteceram novos atritos, e foi criada a Banda Paulino Chaves pelo Maestro Jerônimo Guedes, para cobrir os festejos de Nossa S. da Conceição e, finalmente, em 1949, foi criada a Banda Virgem da Conceição, pelo músico e devoto Chiquinho Margalho, para substituir a Banda Carlos Gomes, no tempo dos padres capuchinhos. Devido esses atritos dos dirigentes da Banda Carlos Gomes (que eram os mesmos dirigentes da festa e Confraria de São Raimundo Nonato) os festejos de São Raimundo foram perdendo terreno, até que esses festejos foram transferidos para a localidade de Guajará de Beja, localidade de residência da família Pauxis (criadores da Banda Carlos Gomes e da festa de São Raimundo-vide postagens sobre esses atritos em Bandas Musicais de Abaetetuba).

Assim, a grande festa de São Raimundo Nonato, desapareceu do calendário das festas religiosas de Abaeté, como também desapareceram outras antigas festas de Santos pelos mesmos motivos. A antiga e grande imagem de São Raimundo Nonato (o de barba), que foi um dos objetos sacros da antiga desavença dos padres com os dirigentes da Banda Carlos Gomes, atualmente, se encontra fazendo parte do acervo sacro da Capela de São Benedito, na Rua do Atalaia.

A Confraria de São Raimundo Nonato chegou reunir mais de 350 confrades e com a grande imagem do Santo e este com a tradicional barba, imagem que era de propriedade da família Pauxis (Hermínio e Raimundo Pauxis, pai e filho) e que a partir dos atritos com os padres da Igreja Matriz de Abaeté, passou a ser chamado São Raimundo Velho.

Irmandade de São Raimundo Nonato, surgiu por iniciativa dos padres capuchinhos e para se contrapor à Confraria de São Raimundo Nonato e a Irmandade desse Santo era uma imagem sem barba, daí o nome de São Raimundo Novo. Eram os padres da Igreja Matriz e os dirigentes da Irmandade de São Raimundo Nonato, que organizavam a festa do São Raimundo Novo e, portanto, eram duas festas simultâneas de São Raimundo Nonato, o de barba e o sem barba.

FESTA DE SÃO SEBASTIÃO:

Festa de São Sebastião, santo que era reverenciado tanto por católicos como por umbandistas e cujas festas eram realizadas na antiga Praça do Divino e com a presença da Banda Henrique Gurjão e Clube Musical São Sebastião e com outras numerosas festas desse santo que eram realizadas pelo interior do município, que tinham a presença das bandas do interior do município ou dos clubes e bandas da cidade. A festa de São Sebastião, era organizada pela Irmandade de São Sebastião, no modelo antigo, desapareceu do calendário católico e reapareceram quando foi criado o Bairro de São Sebastião, em Abaetetuba e em outras localidades que têm esse santo como padroeiro e dentro dos parâmetros eclesiais citados acima.

FESTA DE SÃO BENEDITO:

Festa de São Benedito, santo que era reverenciado pelos católicos que possuíam a sua festa no âmbito da Igreja Católica e com apoio musical das antigas bandas e clubes musicais (A origem da Festa de São Benedito deve-se a antiga FESTA DE SÃO BENEDITO DOS CATIVOS, que era reverenciado pelos escravos das fazendas de cana-de-açúcar do município e com muitos elementos místicos do credo afro misturado aos motivos religiosos da Igreja Católica). O Professor Maximiano Antonio Rodrigues (Professor Maxico) era uma das pessoas que faziam os festejos de São Benedito e ele possuía uma grande imagem desse Santo que agora encontra-se na atual Capela de São Benedito, em Abaetetuba.

Posteriormente, as festas de São Benedito deixaram de existir no município e só reapareceram com a construção da atual Capela de São Benedito e outras localidades do interior do município que têm esse santo como patrono.

FESTA DE SANTA LUZIA:

Festa de Santa Luzia, a Santa protetora dos olhos, de 9 a 13/12, com a antiga festa realizada na Rua Siqueira Mendes , canto com a atual Av. 15 de Agosto (era chamada Travessa Santa Luzia), promovida pelos seus devotos, entre os quais o professor Maximiano Antonio Rodrigues/Professor Maxico e que subsistiu até os anos finais de 1950, quando foi proibido os seus festejos através do Padre Chagas, vigário de então. Com os fins desses festejos, alguns fiéis devotos de Santa Luzia, entre os quais e Sra. Meire Silva, se cotizaram e reconstruíram a Capela de Santa Luzia, no Bairro de Mesmo nome.

FESTA DE SANTA TEREZINHA DO MENINO JESUS:

Santa Terezinha do Menino Jesus, cujas festas eram realizadas na antiga Praça do Divino e com cobertura das bandas ou clubes musicais locais, festejos que desapareceram do calendário católico e só reaparecem na década de 2000, quando foi reativada a devoção a essa Santa em Abaetetuba.

FESTA DE NOSSA SENHORA DE NAZARÉ:
A festa de Nossa Senhora de Nazaré em Abaetetuba
surgiu por influência da mesma Festa e Círio em Belém

Festa de Nossa Senhora de Nazaré, que é uma festa antiga de Abaetetuba, nascida sob a influência da Festa e Círio de Nossa Senhora de Nazaré, de Belém, através dos devotos Aldemos Maués, Hildefrides dos Reis e Silva e outros nos anos de 1940, e celebrada na Igreja Matriz de Nossa Senhora da Conceição e que agora é a 2ª maior festa de Santo em grandeza, que envolve todo o aparato religioso e musical já descrito nas demais festas, e agora é festa realizada em igreja própria, sito na Rua Magno de Araujo com Praça de Nazaré.

FESTA DE SÃO MIGUEL DE BEJA:

Festa de São Miguel de Beja, cujas festas eram realizadas na antiga Povoação de Beja e que recebiam a cobertura das bandas da cidade de Abaeté (Banda Carlos Gomes, Paulino Chaves) e também da Banda Sai Cinza, daquela localidade, nos anos de 1920 em diante. A festa de São Miguel de Beja era uma das maiores de Abaetetuba e tinha a presença de centenas de pessoas de outros lugares, especialmente da cidade de Abaeté, que acorriam em massa para aquela bonita festa religiosa e com direito a Folia de São Miguel e banhos na aprazível Praia de Beja. Atualmente a Festa de São Miguel de Beja é festejada pela Igreja Católica e dentro dos parâmetros de festa eclesial da Diocese e não mais como festa popular, que era o antigo modo de festejos do santo.

As Atuais Festas de Santos em Abaetetuba:

Eram e ainda são muitas as Festas Religiosas em Abaetetuba, algumas já desaparecidas e outras que se sucedem por todo o ano, sendo as principais as festas:

Festa de Nossa Senhora da Conceição, Padroeira da Paróquia de mesmo nome, no bairro Centro, que é uma antiga festividade e a principal festa religiosa da cidade.

Festa de Nossa Senhora de Nazaré, da Paróquia de mesmo nome, no bairro de São Lourenço, que é uma antiga festa que se iniciou na antiga Igreja Matriz de Nossa Senhora da Conceição e teve continuidade na atual igreja de Nossa Senhora de Nazaré, bairro e Praça de mesmo nome.

Festa de Nossa Senhora do Perpétuo Socorro, da Paróquia de mesmo nome, no bairro de Algodoal.

Festa de Santa Rosa, da Paróquia de mesmo nome, no bairro de Santa Rosa
Festa do Divino Espírito Santo, da Paróquia de mesmo nome, no bairro da Aviação.

Festa de São Francisco de Assis, na Paróquia de mesmo nome, no bairro da Francilândia.

Festa de São José, da Paróquia de mesmo nome, no bairro de São José.
A festa de São José é uma festa recente em
Abaetetuba e segue o figurino das atuais festas
de Santos de Abaetetuba
Festa de São Pedro, da Paróquia de Nossa Senhora da Conceição, Comunidade de São Pedro, bairro Centro.

Festa de São Sebastião, no bairro de mesmo nome.
A Festa de São Pedro é organizada pela
Comunidade de mesmo nome

Festa do Cristo Redentor, no bairro de mesmo nome.
Festa de São Domingos de Gusmão, no bairro da Angélica.
Festa do bairro Mutirão

Festa de Santa Clara, no bairro de mesmo nome e é a mais recente festa de Santo de Abaeté.

Igualmente, pelo interior do município, as festas religiosas existiam e ainda existem em cada localidade e com a festa do Santo Padroeiro, com direito aos folguedos de arraial citados acima e, muitas vezes, com as festas dançantes como parte desses festejos.

AS FESTAS DE SANTOS DE ABAETETUBA E SUAS LOCALIDADES, ALGUMAS COM ESMOLAÇÕES, FOLIAS, FOLGUEDOS E FESTAS DANÇANTES:

Algumas localidades da Região das Ilhas e das Colônias de Abaetetuba realizavam suas Festas de Santos e após as funções religiosas, realizavam as festas dançantes, que eram, de certo modo, um dos aspectos profanos das festas religiosas dos Santos da Igreja Católica, costume que foi herdado de seus antepassados e que, agora, está sendo abolido das festas religiosas de Abaetetuba, a partir da chegada dos padres xaverianos, desde a década de 1970. Algumas festas de santos das localidades de Abaetetuba já envolviam também as festas dançantes desde as primeiras décadas do século 20 e até a sua 1ª metade, através da Festa da Mucura e dos antigos conjuntos musicais não eletrônicos, tipos jazzes e, portanto, as festas dançantes dos Santos, já faziam parte da 1ª Fase das Festas Dançantes de Abaetetuba.

A
As Festas de Santos envolviam a musicalidade em seus festejos, envolvendo ou não as  festas dançante, e que se tornaram parte da cultura popular do povo de Abaetetuba.Algumas dessas festas de santos:

·         Festa de São Benedito dos Cativos, com rezas, cantos, danças e músicas, realizadas em Abaeté e algumas localidades onde havia grande concentração de escravos ou seus descendentes.
·         Festa de São Benedito, na casa de Raimundo Belchioara, no rio Belchior, com festa dançante no final das rezas.

  • Festa de São Benedito do Bacuri, do finado Ponciano, com folias e esmolações e festas dançantes.
  • Festa de Nossa S. de Nazaré do rio Caripetuba, realizada inicialmente no barracão da família Sarges, com folias, esmolações e festas dançantes, atualmente transformada em festa de santo das Comunidades Eclesiais da Igreja Católica e sem festa dançante.
  • Festa de santo e dançante no barracão de Maria Farinha, no rio Itacuruçá-Cabeceiras.
  • Festa de santo, com folias, esmolações e rezas na localidade Arapapu, sob o comando do músico e folião Edmundo Quaresma e ainda Festa de santo e dançante na casa de Biti Pinheiro, no rio Arapapu-Boca.
  • Festa do Bom Jesus da Cana Verde do Furo Grande, com folias, esmolações e festas dançantes e existente até os dias atuais.
  • Festa do Bom Jesus dos Navegantes de Conde, organizada inicialmente por Manoel  Tracajás e sua família (ainda citado em 2003), com suas famosas e antigas Folias de Santos, com participação dos Foliões de São Miguel da localidade Jarumã em Abaetetuba e com direito às Esmolações, na antiga Vila de Conde e que atualmente foi transformada em Festa de Santo da comunidade católica da Vila de Conde (agora sem festa dançante), com Círio em 8 de janeiro e em festa que se prorroga até o dia 15, quando se festeja o Dia do Bom Jesus dos Navegantes e com participação da comunidade católica de Abaetetuba da localidade Jarumã, que cede a imagem desse Santo e participa desses festejos com trechos das orações rezadas e cantadas em latim vulgar, em parceria de comunidades que existe há mais de um século.
  • Festa do Bom Jesus, na casa do Velho Pachola, com festa dançante, no Rio Maracapucu.
  • Festa de Santa Terezinha, no Furo Grande.
  • Festa de Santo Antonio, na casa de Velha Angélica, com festa dançante, no rio Arumanduba.
  • Festa de Santo Antonio, na casa de Servino Barreto, com festa dançante, no rio Arumanduba.
  • Festa de Santo Antonio, na casa de Manoel Churu, com festa dançante, no rio Paramajó.
  • Festa de Nossa S. de Nazaré do Caripetuba, com folias, esmolações e festa dançante, na casa de Velha Cordolina Sarges e que atualmente é comunidade eclesial.
  • Festa de Nossa Senhora de Nazaré do Pirocaba, com folias e esmolações de santo e festas dançantes, festa que atualmente se transformou em comunidade eclesial, matendo a festa dessa santa, porém sem festa dançante.
  • Festa de São Tomé, na casa de Maurício, com festa dançante, no rio Xingu.
  • Festa de São Miguel do Sirituba, com folias, esmolações e festa dançante, na casa de Joaquim Belo e família, no rio Sirituba.
  • Festa de São Miguel do Beca, na casa de Beca e família, na localidade Jarumã, com folias, esmolações e festas dançantes existente até os dias atuais como Comunidade Eclesial e sem a festa dançante.
  • Festa de São Miguel, na casa de Adalberto Alves e família, com festa dançante, no Rio Camotim.
  • Festa de São Miguel do Murutinga, com folias e esmolações de santo e festas dançantes, que atualmente se transformou em comunidade eclesial com a festa do santo e sem festa dançante.
  • Festa de São Miguel da Ilha Tatabatinga, patrocinada pelo Sr. Jorge fogueteiro, com folias e esmolações de santos e festas dançantes.
  • Festa de Nossa S. do Carmo, na casa de Raimundo Coforote, com festa dançante, na Costa Maratauíra.
  • Festa de Nossa S. do Carmo, na Costa Maratauíra, na casa de D. Benedita, avó do músico Nilamon Xavier de Sena, filho de Tomás de Sena, enquanto estava viva, com até oitenta e poucos anos de vida, da qual possuía uma imagem e ela e toda a sua família se reuniam anualmente para festejar essa santa que tinha a participação da Orquestra “15 de Novembro”, que acompanhava as ladainhas e as festas dançantes nas noites dos festejos. Como ainda não existia energia elétrica, essa festa era realizadas à luz de lampião de carbureto.
  • Festa de Nossa Senhora do Carmo do Murutinga, com folias e esmolações de santos e que atualmente se constitui comunidade eclesial e sem festa dançante.
  • Festa de São João, na casa de Luiz Sarges e família, com festa dançante, no rio Guajarázinho.
  • Festas de São João, em outras localidades, com esmolações, folias e festas dançantes. Algumas festas, inclusive as festas de São João, apresentavam outras motivações folclóricas, como: levantamento do mastro (dia da ramada), folguedes juninos, fogos, etc. Algumas festas de São João foram transformadas em Comunidades Eclesiais e sem festas dançantes;
  • Festa de Santo com esmolações, folias e festas dançante, no rio Maúba.
  • Festa de Santo e dançante, no rio Ajuaí.
  • Festa de Santo e dançante na casa de Luiz Pezinho, no rio Pirocaba.
  • Festa de Santo e dançante, no rio Anequara.
  • Festa de Santo na localidade Assacu, com esmolações, folias e festa dançante.
  • Festa de Santo na localidade Panacuéra, com esmolações, folias e festas dançantes.
  • Festa de Santo na localidade Prainha, com esmolações, folias e festas dançantes.
  • Festa de Santo Antonio, na casa de Antonio Pereira, com festa dançante, no Rio Maracapucu.
  • Festa de Santo e dançante, no rio Abaeté.
  • Festa de Santo, na casa de Manoel José de Sena, com festa dançante, no rio Acaraqui.
  • Festa de São Miguel de Beja, com folias, esmolações e festas dançantes nos anos de 1950 na casa do músico Raimundo Pauxis e existente até os dias atuais, porém como Comunidade Eclesial, igreja própria e sem festa dançante.
  • Festa de São Miguel dos Navegantes de Vila de Beja, com folias, esmolações, festas dançantes, festa atualmente paralisada.
  • Festa de São Miguel de Beja, na casa da família Pimentel, com folias, esmolações e festa dançante, na Vila de Beja.
  • Festa de São Miguel de Conde, na casa de Iaiá Almeida, na Vila de Conde, onde acontecias as folias e festas da mucura e já com os conjuntos musicais em forma de jazzes.
  • Festa do Divino Espírito Santo de Beja, organizada pelo músico Manoel do Nascimento e com festa dançante.
  • Festa de Nossa S. de Nazaré, na casa de Manezinho Lobato e família, com festa dançante, no rio Curuperé.
  • Festa de Santa Maria, na localidade Maracapucu, com rezas, folias, folguedos.
  • Festa do Divino Espírito Santo, com novenas e músicas à cargo da Philarmônica Henrique Gurjão e outros grupos e folguedos de arraial, na antiga Praça do Divino em Abaeté e sem festa dançante.
  • Festa do Divino Espírito Santo de Beja, com novenas, folguedos de arraial e músicas à cargo da Banda Sai Cinza, do Mestre Manoel Nascimento e outros grupos musicais de Abaetetuba e com festa dançante.
  • Festa de São Sebastião, com novenas, folguedos de arraial e música à cargo da Banda Henrique Gurjão, do Mestre Horácio Silva, sem festa dançante, em Abaeté.
  • Festa de São Raimundo Nonato, com novenas, folguedos de arraial e música à cargo da Banda Carlos Gomes, dos Mestres Hermínio e Raimundo Pauxis, sem festa dançante, em Abaeté.
·         Festa de Nossa S. da Conceição, com novenas, missas, folguedos de Arraial e música à cargo das 3 bandas de música de Abaeté e sem festa dançante e atualmente foi transformada em Festa de Santo da Paróquia de Nossa. S. da Conceição e sem festa dançante. Porém muitos promotores de festas dançantes aproveitam o período para realizar festas dançantes e shows musicais pela cidade. O Auto da Padroeira, é um arrastão cultural organizado pelos artistas de Abaetetuba, que promove pelas ruas da cidade um bonito desfile e com variados espetáculos para homenagera Nossa Senhora da Conceição, a Padroeira do município e que, na Quadra Natalina, poderia também apresentar essa espécie de arrastal cultural pelas ruas da cidade.

  • Festa de São Sebastião na residência do Sr. João de Matos Bitencourt, de 3 a 14 de agosto, em 1927, com festa dançante, na localidade rio Bechior.
Com a chegada dos padres xaverianos à Abaeté nos anos de 1960 essas festas de santos foram sendo gradativamente reformadas e aquelas antigas comunidades se constituíram nas novas comunidades da Igreja Católica com festejos de seus santos padroeiros e sem festas dançantes.

As Demais Festas Religiosas de Abaetetuba:

Além das Festas de Santos, acima especificadas, existiam e ainda existem em Abaetetuba as demais festas religiosas do Calendário Litúrgico da Igreja Católica:

Festa da Páscoa da Ressurreição de Jesus, com a festa do Aleluia, com muitas festas dançantes pelo interior do município.

Festa de Natal e Ano Novo, com grande musicalidade em todos os seus aspectos.

Mês de Maria, no mês de maio, que era todo consagrado à Virgem Maria, festejada na Igreja, nas Escolas, com reza do terço, canto da Ladainha de Nossa Senhora, oferta das flores a cada dia pelas irmandades, grupos e confrarias, bênção com o Santíssimo Sacramento, a Oração pela Pátria, Governantes, pelo Povo e pela Paz,  e a apoteose do Mês de Maria com a Coroação de Nossa Senhora como Rainha, com as ofertas de flores e corações com a presença dos anjinhos (crianças vestidas de anjos), jovens com suas túnicas brancas, róseas e azuis que coloriam o ambiente.

Festa do Corpus Christi ou Dia do Corpo de Deus, em junho, com a grande procissão que sai pelas ruas da cidade, levando o Santíssimo Sacramento em ato de adoração ao Corpo e Sangue de Cristo presente na Eucaristia.

Festa do Sagrado Coração de Jesus, no mês de junho, antigamente era organizada pela irmandade do Coração de Jesus e, posteriormente, pela Igreja e Irmandade, festa que ainda existe em Abaetetuba.

Círio e Festa de Nossa Senhora de Nazaré, em Belém, que influencia enormemente a população de Abaetetuba.

Aspectos da Musicalidade das Festas de Santos e Festas Religiosas:

·         Orações e cantos em Latim, língua que foi ensinada pelos antigos padres missionários capuchinhos, quando as orações, missas, ladainhas e até os antigos cantos das funções e festas religiosas eram cantadas em Latim.

·         Presença das antigas bandas musicais nas procissões e círios e festas, e nas funções religiosas dando o apoio musical no coro dessas atividades litúrgicas e também tocando nos coretos das praças durante o período de realização das festas religiosas.

·         Presença das bandas ou conjuntos musicais, cantores na barraca ou barracão dos santos durante a realização dos leilões de donativos nas festas religiosas de santos.

·         Presença da aparelhagem de som ou sistema musical no arraial e no leilão de donativos das festas de santos.

·         Muita música pelas barracas do Arraial na Praça de Nossa Senhora da Conceição.

·         Festas dançantes em vários pontos de festas da cidade e interior.

·         O aspecto festivo-musical nas residências dos moradores da cidade.

·         O atual Auto da Padroeira, promovido pelos artistas, músicos e produtores cultuais com variados momentos de musicalidade e encenações.

Considerações Sobre as Festas Dançantes e Consumo de Bebidas Alcóolicas nas Festas de Santos de Abaetetuba:

Por ser considerado um aspecto profano nas festividades de Santos, grande parte da musicalidade das festas religiosas dos santos foram retirados dessas festas, juntamente com o consumo de bebidas alcóolicas. Tal fato veio a enfraquecer o aspecto festivo das festas religiosas e até concorrer para essas festas deixar de chamar a atenção de abaetetubenses residentes fora de Abaetetuba e do apelo turístico que essas festas possuíam no passado e no enfraquecimento cultural das festas de santos.

A retirada das bandas musicais que participavam ativamente dos variados momentos das festividades de santos veio concorrer para o enfraquecimento desses tradicionais grupos musicais que agora se encontram em grande dificuldade de subsistência, que sem o apoio dos poderes públicos, do setor da cultura do município e o apoio da Igreja Católica agora não são nem a sombra do que eram antes no aspecto musical e cultural de Abaetetuba. As bandas musicais já foram grandes atrações das festas religiosas de Abaetetuba.

A Musicalidade Atual nas Festividades de Santos de Abaetetuba:

Mesmo nos moldes atuais as festas religiosas de santos padroeiros em Abaetetuba ainda possuem musicalidade, pois as liturgias, missas, procissões ainda têm a presença de cantos e músicas religiosas que fazem parte dessas funções religiosas e que são feitas pelos fiéis que participam dessas comunidades. A Festa com maior musicalidade é a de Nossa Senhora da Conceição que tem o conjunto musical, Os Neófitos, a Rádio Conceição FM que fazem a parte musical do Círio de Nossa Senhora da Conceição e de outros momentos da Festa.

Perda do Aspecto Cultural das Festas Religiosas:

A principal festa religiosa de Santo de Abaetetuba, a Festa de Nossa Senhora da Conceição, talvez por estratégia dos organizadores dessa festa, que não querem fazer da festa uma festa cultural e sim religiosa, não é divulgada à nível de mídia local e regional e nem recebe patrocínio, apoios, nem mesmo de Belém, onde residem muitos abaetetubenses, que poderiam vir prestigiar e reverenciar  a padroeira do município, e essa festa como que perdeu o seu aspecto místico que atraía milhares de fiéis das regiões da Ilhas e Estradas de Abaetetuba e os abaetetubenses e fiéis de Belém e outras cidades. Parte dessa perda se deve a ausência das motivações culturais das festas religiosas, aspecto que a festa de Nossa S. de Nazaré, em Belém, e o seu grandioso Círio de Nazaré ainda conserva e atraindo, a cada ano, mais fiéis para participar da Festa e Círio de Nossa Senhora de Nazaré.

O rigor religioso, em detrimento do aspecto cultural da Festa de Nossa Senhora da Conceição e das demais festas de Santos do município, ao invés de atrair fiéis, os afasta, perdendo as festas religiosas um aspecto de chamamento à religiosidade, que se não é de muita profundidade religiosa, pelo menos tem o mérito de atrair e conservar fiéis nestes tempos críticos da invasão das seitas e  religiões exóticas na cidade e interior do município. Nossa proposta é de que ao lado do aspecto cultural a Igreja fizesse um forte trabalho de reevangelização dos fiéis das comunidades através dos meios e métodos eficazes de evangelização por leigos e ministros da Igreja devidamente preparados para essa missão.

Outra questão a considerar é que no aspecto religioso as Festas de Santos são da Igreja Católica, porém, culturamente, as antigas e tradicionais Festas de Santos  pertencem ao povo de Abaetetuba e, como tal, deveriam merecer uma melhor atenção das autoridades, associações, entidades, empresários e pessoas interessadas em promover o Turismo Religioso em nossa terra, como acontece em determinados lugares do Brasil, como em Aparecida/SP, cidades mineiras, Belém/Pa, etc, ajudando e apoiando nos aspectos tradicionais das festas e na divulgação das mesmas e trazendo de volta seus aspectos culturais, especialmente as bandas musicais nos coretos das praças. Vide postagens sobre a festa de Nossa Senhora da Conceição e outras festas.  Vide nossas postagens sobre as antigas festas religiosas de Abaetetuba.

Festas dos Cultos Afro-Brasileiros e Indígenas:

Dentro dos Cultos Afro-Brasileiro (Umbandismo, Orixás, Pai-de-Santos, etc) e os de origem indígena (Pajelanças, Curandeirismo, etc) em sincretismo com algumas festas católicas de Abaetetuba que existiam em dezenas de Terreiros e Curandeiros espalhados pela cidade e interior do município, que se utilizavam, em suas cerimônias místicas, dos tambores e cantos religiosos, próprios ou os da Igreja Católica, nos numerosos cultos de suas divindades. 

Quizomba na língua angolana que dizer canto, dança, que se traduz também nas vestimentas, frutas, comidas, banquetes, também presentes nesses cultos festivos.
Do misticismo indígena vieram as tradições dos cultos das Curandeiras, Benzedeiras e Pajés, que também se utilizavam de elementos musicais em suas cerimônias.

Algumas festas do Culto Umbandista:

Festa de Obá, Abá e Oxalá, divindades que estão acima das outras divindades.
Festa de Iemanjá, a Rainha do Mar, que no sincretismo religioso com a Igreja Católica é representada por Nossa S. da Conceição.

Festa de Ogum, que representa a Rainha das grandes batalhas.
Festa de Iansã, entidade que representa os ventos e tempestades.

Festa de Omolu, entidade que representa as chuvas e ares, filho de Nanã Burocô, adotado por Iemanjá, ao ser desprezado por sua mãe, por causa de sua maldade, tendo se transformado na entidade Orixá da Morte.

Festa de Oxose, entidade que representa as matas e as caçadas.
Festa de Oxum, entidade que representa a beleza e o ouro.
Festa de Oxumaré, entidade que representa o Arco-Íris.
Festa de Nagô, Orixá que representa a bondade.
Festa de Xangô, Orixá das pedras
Festa de Assaim, Orixá da cozinha e alimentos.
Festa de Aruerê, entidade da sabedoria e arte.

Festa de Naiade, entidade que representa uma ninfa das beiras dos rios e fontes.
Festa da Mariana, que no culto afro-brasileiro, pode ser uma entidade em forma de cabocla bravia, com força para quebrar os feitiços e encantos das pessoas ou pode ser uma cabocla séria e brincalhona, que sabe das mazelas dos que procuram tratamento nos terreiros sob sua proteção. Mariana é irmã de outra entidade poderosa, Jarina.

Blog do Ademir Rocha, de Abaetetuba/Pa

2 comentários:

  1. Amigo Ademir Rocha, sempre que posso leio as suas postagens, pois são muito úteis e prestativas, enaltecendo sempre a nossa cultura, e ainda nos deixam caminhos para reflexão. Abraços.

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  2. Caro amigo Wander Gomes, obrigado pelas visitas e palavras ao n/Blog e estamos aqui ao seu dispor para alguma informação. Abçs do Ademir Rocha

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