Palavra de Vida de
Agosto de 2017
Em 28 Julho 2017
“O Senhor é bom para com todos,
compassivo com todas as suas criaturas.” (Sl 144[145],9)
Este salmo é um cântico de glória para celebrar a
realeza do Senhor que domina toda a história: é eterna e majestosa, mas se
exprime na justiça e na bondade e se assemelha mais à proximidade de um pai do
que à potência de um soberano.
O protagonista desse hino é Deus, que revela a sua
ternura, superabundante como a ternura materna: Ele é misericordioso,
compassivo, lento para a cólera, grande no amor, bom para com todos…
A bondade de Deus se manifestou para com o povo de
Israel, mas se estende a tudo o que saiu de suas mãos criadoras, a cada pessoa
e a toda a criação.
No final do salmo, o autor convida todos os
viventes a se juntarem a esse cântico, para fazê-lo ressoar ainda mais, num
harmonioso coral de muitas vozes:
“O Senhor é bom para com todos, compassivo com
todas as suas criaturas.”
O próprio Deus confiou a criação às mãos
trabalhadoras do homem e da mulher, como “livro” aberto no qual
está escrita a sua bondade. Eles são
chamados a colaborar na obra do
Criador,
acrescentando páginas de justiça e de paz,
caminhando de acordo com o Seu projeto de amor.
Infelizmente, porém, o que vemos ao nosso redor são
as inúmeras feridas infligidas a pessoas muitas vezes indefesas e ao ambiente
natural. Isso por causa da indiferença de muitos e devido ao egoísmo e à avidez
de quem explora as grandes riquezas do ambiente só em função dos próprios
interesses, em prejuízo do bem comum.
Nos últimos anos foi ganhando espaço na comunidade
cristã uma nova consciência e sensibilidade quanto ao respeito pela criação.
Nessa perspectiva podemos recordar os muitos apelos de pessoas abalizadas que
promovem a redescoberta da natureza como espelho da bondade divina e patrimônio
de toda a humanidade.
Assim se exprimiu o Patriarca Ecumênico Bartolomeu
I, na sua Mensagem para a Jornada da Criação, do ano passado: “Exige-se
uma vigilância contínua, formação e instrução, de modo que fique clara a
relação da atual crise ecológica com as paixões humanas (…) cujo (…) resultado
e fruto é a crise ambiental que estamos vivendo. Constitui-se, portanto, como
única saída o retorno à beleza antiga (…) da moderação e da ascese, que podem
conduzir à sábia gestão do ambiente natural. De modo especial, a avidez em
satisfazer as necessidades materiais leva com certeza à pobreza espiritual do
homem, a qual implica a destruição do ambiente natural”.1
E o Papa Francisco, no documento Laudato si’, escreveu:
“O cuidado da natureza faz parte dum estilo de vida que implica capacidade
de viver juntos e de comunhão. Jesus lembrou-nos que temos Deus como nosso Pai
comum e que isto nos torna irmãos. O amor fraterno só pode ser gratuito (…).
Esta mesma gratuidade leva-nos a amar e aceitar o vento, o sol ou as nuvens,
embora não se submetam ao nosso controle. (…) É necessário voltar a sentir que
precisamos uns dos outros, que temos uma responsabilidade para como os outros e
o mundo, que vale a pena ser bons e honestos”.2
Aproveitemos então os momentos livres dos
compromissos de trabalho, ou todas as ocasiões que temos durante o dia, para
dirigir o olhar à profundidade do céu, aos majestosos cumes das montanhas e à
imensidão do mar, ou mesmo só ao pequeno fio de
erva que germinou na beira da estrada. Isso nos
ajudará a reconhecer a grandeza do Criador “que ama
a vida” e a reencontrar a raiz da nossa esperança na sua infinita bondade, que
envolve e acompanha todas as coisas.
Adotemos para nós mesmos e para a nossa família um
estilo de vida sóbrio, que respeita o ambiente e considera as necessidades dos
outros, para nos enriquecermos de amor. Vamos compartilhar os bens da terra e
do trabalho com os irmãos mais pobres e testemunhemos essa plenitude de vida e
de alegria, tornando-nos portadores de ternura, benevolência e reconciliação no
nosso ambiente.
Letizia Magri
__________________________________
- Cf.
Patriarca Ecumênico Bartolomeu I, Mensagem para a Jornada da Criação, 1º
de setembro de 2016
- Cf.
Papa Francisco, Carta Encíclica Laudato si’, 24 de maio de 2015 (nº
228-229).
Reproduzido pelo Blog do Ademir
Rocha
Economia de Comunhão
EdC no antigo Império
Inca
9 Dezembro 2016
Um Instituto nas periferias de Lima (Peru), que trabalha com crianças de
rua, adere ao projeto da Economia de Comunhão, com o apoio da Solidarpole e da
Associação por um Mundo Unido (AMU) de Luxemburgo.
Na periferia de Lima, surge um bairro, que assume o nome do Santuário
pré-Inca Pachacamac (Deus criador da Terra, em lingua quechua).”Viemos
aqui com o objetivo de desenvolver uma atividade produtiva, definida de acordo
com as práticas da Economia de Comunhão (EdC), cujos lucros são
capazes de sustentar um centro de reabilitação para crianças de rua e com
problemas de drogas”, conta-nos Germán Jorge, um empresário da EdC na Argentina.
Atualmente, o Instituto Mundo Libre é o único que trata de tais
situações no Peru. Premiado internacionalmente pela seriedade com que realiza
seu trabalho, apesar de terem a capacidade de acomodar 100 crianças, por falta
de recursos, é possível ajudar apenas um número restrito di 40 crianças.
Marilú Gonzalez Posada, fundadora do projeto, há 32
anos, vive por esse objetivo. Sua grande preocupação é a sustentabilidade do
Instituto, um problema comum a todas as obras sociais que não podem sobreviver
apenas por altruísmo e pela cooperação internacional. Um dos laboratórios de Mundo
Libre é a produção de um chocolate peruano típico: o “chocoteja”.
“Ao redor deste projeto estamos trabalhando para
implementar um plano empresárial até o final de 2017, junto com Solidarpole (que promove diferentes projetos
econômicos solidários e sugeriu que um deles, fosse o projeto da EdC) e da AMU
de Luxemburgo (que ofereceu os recursos para reestruturar um celeiro
e para a aquisição de novos equipamentos). Trata-se agora de coordenar esses
recursos. A EdC tem muito a oferecer para o enfrentamento desse desafio: uma
comunhão que não é ¨implementada¨, mas ¨gerada¨ em resposta a um ato de
generosidade. É o que nós tentamos fazer com cada pessoa que encontramos”.
Quando os espanhóis chegaram a estas terras a
cavalo, carregando suas armaduras para conquistar o Totem Pachacamac (símbolo
sagrado adotado como emblema por tribos ou clãs), os índios que nunca
tinham visto os cavalos acreditaram que eram deuses que tinham chegado para
tomar o lugar do deus em quem acreditavam e não se opuseram.
A história deixa sua marca em traços culturais, ¨observavamos devido às
dificuldades de relacionamentos¨. Portanto, o nosso principal empenho, era dar
espaço a todos, esforçando-nos para romper a lógica do europeu “conquistador”
(ou seus descendentes) e do Aborígene passivo e submisso. Com o passar dos dias
e apoiando-nos em relações de confiança que, gradualmente, amadureceram,
começamos a superar estas dinâmicas de relacionamentos seculares e a construir
novas relações de reciprocidade”.
“A formação sobre “Diretrizes para a gestão da empresa” ajudou-nos a trabalhar colocando
as pessoas no centro da atividade econômica, sem negligenciar o
profissionalismo e a eficiência necessária para atingir tais objetivos. Depois
desses dias de convivência, nossos interlocutores do Instituto Mundo
Libre disseram-nos que já se sentem parte do projeto da EdC, que, de
certo modo, já tinham vivenciado tal experiência sem o saber. Agora eles querem
oferecer a mesma formação aos seus dependentes e também formar os jovens a
esses princípios. “É o nosso desafio para 2017″».
Os cavalos não originários do Peru tiveram que desenvolver a
capacidade de caminhar nas areias destas áreas desérticas. Nesses 500 anos,
desenvolveu-se uma raça equina que tem um passo característico em círculos
concêntricos, que lhes permitem mover-se bem nestas regiões.
Nós somos como os primeiros cavalos e fazemos um grande esforço para
aprender a viver em comunhão, segundo a “cultura do dar”. Mas, se tentarmos
desenvolver esta capacidade, gradualmente, haverá muitas outras pessoas, em
tantas partes do planeta, que levarão esta nova cultura no sangue e seremos
capazes de transformar o mundo”.
Gustavo Clariá
Reproduzido
pelo Blog do Ademir Rocha


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