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sexta-feira, 4 de agosto de 2017

Palavra de Vida de Agosto 2017

Palavra de Vida de Agosto de 2017

Em 28 Julho 2017
“O Senhor é bom para com todos, compassivo com todas as suas criaturas.” (Sl 144[145],9)
Este salmo é um cântico de glória para celebrar a realeza do Senhor que domina toda a história: é eterna e majestosa, mas se exprime na justiça e na bondade e se assemelha mais à proximidade de um pai do que à potência de um soberano.
O protagonista desse hino é Deus, que revela a sua ternura, superabundante como a ternura materna: Ele é misericordioso, compassivo, lento para a cólera, grande no amor, bom para com todos…
A bondade de Deus se manifestou para com o povo de Israel, mas se estende a tudo o que saiu de suas mãos criadoras, a cada pessoa e a toda a criação.
No final do salmo, o autor convida todos os viventes a se juntarem a esse cântico, para fazê-lo ressoar ainda mais, num harmonioso coral de muitas vozes:
“O Senhor é bom para com todos, compassivo com todas as suas criaturas.”
O próprio Deus confiou a criação às mãos trabalhadoras do homem e da mulher, como “livro” aberto  no  qual  está  escrita  a  sua  bondade.  Eles  são  chamados  a  colaborar  na  obra  do  Criador,
acrescentando páginas de justiça e de paz, caminhando de acordo com o Seu projeto de amor.
Infelizmente, porém, o que vemos ao nosso redor são as inúmeras feridas infligidas a pessoas muitas vezes indefesas e ao ambiente natural. Isso por causa da indiferença de muitos e devido ao egoísmo e à avidez de quem explora as grandes riquezas do ambiente só em função dos próprios interesses, em prejuízo do bem comum.
Nos últimos anos foi ganhando espaço na comunidade cristã uma nova consciência e sensibilidade quanto ao respeito pela criação. Nessa perspectiva podemos recordar os muitos apelos de pessoas abalizadas que promovem a redescoberta da natureza como espelho da bondade divina e patrimônio de toda a humanidade.
Assim se exprimiu o Patriarca Ecumênico Bartolomeu I, na sua Mensagem para a Jornada da Criação, do ano passado: “Exige-se uma vigilância contínua, formação e instrução, de modo que fique clara a relação da atual crise ecológica com as paixões humanas (…) cujo (…) resultado e fruto é a crise ambiental que estamos vivendo. Constitui-se, portanto, como única saída o retorno à beleza antiga (…) da moderação e da ascese, que podem conduzir à sábia gestão do ambiente natural. De modo especial, a avidez em satisfazer as necessidades materiais leva com certeza à pobreza espiritual do homem, a qual implica a destruição do ambiente natural”.1
E o Papa Francisco, no documento Laudato si’, escreveu: “O cuidado da natureza faz parte dum estilo de vida que implica capacidade de viver juntos e de comunhão. Jesus lembrou-nos que temos Deus como nosso Pai comum e que isto nos torna irmãos. O amor fraterno só pode ser gratuito (…). Esta mesma gratuidade leva-nos a amar e aceitar o vento, o sol ou as nuvens, embora não se submetam ao nosso controle. (…) É necessário voltar a sentir que precisamos uns dos outros, que temos uma responsabilidade para como os outros e o mundo, que vale a pena ser bons e honestos”.2
Aproveitemos então os momentos livres dos compromissos de trabalho, ou todas as ocasiões que temos durante o dia, para dirigir o olhar à profundidade do céu, aos majestosos cumes das montanhas e à
imensidão do mar, ou mesmo só ao pequeno fio de erva que germinou na beira da estrada. Isso nos
ajudará a reconhecer a grandeza do Criador “que ama a vida” e a reencontrar a raiz da nossa esperança na sua infinita bondade, que envolve e acompanha todas as coisas.
Adotemos para nós mesmos e para a nossa família um estilo de vida sóbrio, que respeita o ambiente e considera as necessidades dos outros, para nos enriquecermos de amor. Vamos compartilhar os bens da terra e do trabalho com os irmãos mais pobres e testemunhemos essa plenitude de vida e de alegria, tornando-nos portadores de ternura, benevolência e reconciliação no nosso ambiente.
Letizia Magri
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  1. Cf. Patriarca Ecumênico Bartolomeu I, Mensagem para a Jornada da Criação, 1º de setembro de 2016
  2. Cf. Papa Francisco, Carta Encíclica Laudato si’, 24 de maio de 2015 (nº 228-229).
Reproduzido pelo Blog do Ademir Rocha
Economia de Comunhão

EdC no antigo Império Inca

9 Dezembro 2016
Um Instituto nas periferias de Lima (Peru), que trabalha com crianças de rua, adere ao projeto da Economia de Comunhão, com o apoio da Solidarpole e da Associação por um Mundo Unido (AMU) de Luxemburgo.
Na periferia de Lima, surge um bairro, que assume o nome do Santuário pré-Inca Pachacamac (Deus criador da Terra, em lingua quechua).”Viemos aqui com o objetivo de desenvolver uma atividade produtiva, definida de acordo com as práticas da Economia de Comunhão (EdC), cujos lucros são capazes de sustentar um centro de reabilitação para crianças de rua e com problemas de drogas”, conta-nos Germán Jorge, um empresário da EdC na Argentina.
Atualmente, o Instituto Mundo Libre é o único que trata de tais situações no Peru. Premiado internacionalmente pela seriedade com que realiza seu trabalho, apesar de terem a capacidade de acomodar 100 crianças, por falta de recursos, é possível ajudar apenas um número restrito di 40 crianças.
Marilú Gonzalez Posada, fundadora do projeto, há 32 anos, vive por esse objetivo. Sua grande preocupação é a sustentabilidade do Instituto, um problema comum a todas as obras sociais que não podem sobreviver apenas por altruísmo e pela cooperação internacional. Um dos laboratórios de Mundo Libre é a produção de um chocolate peruano típico: o “chocoteja”.
“Ao redor deste projeto estamos trabalhando para implementar um plano empresárial até o final de 2017, junto com Solidarpole (que promove diferentes projetos econômicos solidários e sugeriu que um deles, fosse o projeto da EdC) e da AMU de Luxemburgo (que ofereceu os recursos para reestruturar um celeiro e para a aquisição de novos equipamentos). Trata-se agora de coordenar esses recursos. A EdC tem muito a oferecer para o enfrentamento desse desafio: uma comunhão que não é ¨implementada¨, mas ¨gerada¨ em resposta a um ato de generosidade. É o que nós tentamos fazer com cada pessoa que encontramos”.
Quando os espanhóis chegaram a estas terras a cavalo, carregando suas armaduras para conquistar o Totem Pachacamac (símbolo sagrado adotado como emblema por tribos ou clãs), os índios que nunca tinham visto os cavalos acreditaram que eram deuses que tinham chegado para tomar o lugar do deus em quem acreditavam e não se opuseram.
A história deixa sua marca em traços culturais, ¨observavamos devido às dificuldades de relacionamentos¨. Portanto, o nosso principal empenho, era dar espaço a todos, esforçando-nos para romper a lógica do europeu “conquistador” (ou seus descendentes) e do Aborígene passivo e submisso. Com o passar dos dias e apoiando-nos em relações de confiança que, gradualmente, amadureceram, começamos a superar estas dinâmicas de relacionamentos seculares e a construir novas relações de reciprocidade”.
“A formação sobre “Diretrizes para a gestão da empresa” ajudou-nos a trabalhar colocando as pessoas no centro da atividade econômica, sem negligenciar o profissionalismo e a eficiência necessária para atingir tais objetivos. Depois desses dias de convivência, nossos interlocutores do Instituto Mundo Libre disseram-nos que já se sentem parte do projeto da EdC, que, de certo modo, já tinham vivenciado tal experiência sem o saber. Agora eles querem oferecer a mesma formação aos seus dependentes e também formar os jovens a esses princípios. “É o nosso desafio para 2017″».
Os cavalos não originários do Peru tiveram que desenvolver a capacidade de caminhar nas areias destas áreas desérticas. Nesses 500 anos, desenvolveu-se uma raça equina que tem um passo característico em círculos concêntricos, que lhes permitem mover-se bem nestas regiões.
Nós somos como os primeiros cavalos e fazemos um grande esforço para aprender a viver em comunhão, segundo a “cultura do dar”. Mas, se tentarmos desenvolver esta capacidade, gradualmente, haverá muitas outras pessoas, em tantas partes do planeta, que levarão esta nova cultura no sangue e seremos capazes de transformar o mundo”.
Gustavo Clariá
Reproduzido pelo Blog do Ademir Rocha

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