Fonte: Planeta Invertebrados Brasil
| Artigo publicado em 20/01/2014, última edição em 02/07/2017 | |
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Sarará, fotografado nas praias de Mosqueiro, margens do Rio Amazonas, PA. Foto cedida por Breno Peck.
Sarará – Armases benedicti
Nome em português: Sarará, Almofada, Aratu
Nome em inglês: Fatfinger Marsh Crab Nome científico: Armases benedicti (Rathbun, 1897)
Origem: Américas, costa atlântica tropical
Tamanho: carapaça com largura de 1,8 cm Temperatura: 25-35° C Salinidade: baixa Reprodução: parcialmente abreviada, mas necessita de água salobra para as larvas Comportamento: pacífico Dificuldade: fácil
Apresentação
O Armases benedicti é um pequeno caranguejo semi-terrestre conhecido como “Sarará”, habitante das margens dos rios próximos ao Delta do Rio Amazonas. É a espécie de Armases mais bem adaptada à vida continental, suportando longos períodos emerso, e sendo encontrado em ambientes bastante longe do litoral. Constrói suas tocas nas margens de riachos de água doce, ou salobra de baixa salinidade, só dependendo de água salobra para a reprodução.
O gênero Armases foi criado em 1992, a partir da sub-classificação do gênero Sesarma, na ocasião um grupo bastante heterogêneo contendo mais de 125 espécies. Existem três espécies de Armases brasileiros: A. angustipes, A. benedicti e A. rubripes. Destes, o Armases benedicti é a espécie com distribuição mais restrita no Brasil, sendo encontrado somente na foz do Amazonas, em AP e PA.
Etimologia: A palavra Armases é uma “brincadeira” com Sesarma, é um anagrama, praticamente a mesma palavra escrita de trás para frente; benedicti é uma homenagem ao eminente carcinologista norte-americano James Everard Benedict (1854 – 1940).
É encontrado em áreas estuarinas das zonas tropicais da costa atlântica das Américas, na Flórida, Golfo do México, e na América do Sul desde Venezuela até o norte do Brasil, estados de Amapá e Pará. No Brasil, habita margens de riachos e rios próximos ao delta do Rio Amazonas, em ambientes mais longe do litoral, de água doce ou baixa salinidade, onde são bastante numerosos. Alguns questionáveis relatos de coleta em outros estados, como Bahia e Rio de Janeiro.
É um caranguejo praticamente terrestre, passando boa parte do período emerso. Constrói suas tocas em barrancos marginais destes rios, sendo encontrado também sob troncos e pedras.
Aparência
São caranguejos achatados de porte médio, carapaça quadrada, um pouco mais larga do que comprida, e pernas dispostas lateralmente. Olhos nas bordas ântero-laterais da carapaça, pedunculados mas curtos. Coloração em tons acastanhados ou avermelhados. Muitos têm as garras com uma cor vermelha.
Podem ser confundidos com outras espécies de Aratus (Goniopsis, Sesarma, Aratus). Podem ser diferenciadas dos Sesarmas pelo aspecto nodulado das garras, sem crista dorsal. A diferenciação com os outros Armases é fácil nos machos adultos, devido ao dedo inflado da garra. Um detalhe bastante útil é o aspecto típico dos dedos das quelas, com amplo hiato basal. Também possuem o mero das pernas alargados, com aspecto em "remos".
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Sarará, fotografado próximo ao delta do Rio Parnaíba, PA. Note o hiato basal na quela. Foto cedida por Carlos Eduardo Ribeiro.
Dimorfismo Sexual
Como quase todos os caranguejos, a distinção pode ser feita facilmente através da análise do abdômen, que fica dobrado sobre a porção ventral da carapaça. Fêmeas possuem o abdômen largo, onde incubam seus ovos. Nos machos, o abdômen é estreito.
Há também um nítido dimorfismo nas garras, machos adultos têm o dedo móvel bastante inflado na metade proximal, além de terem granulações grosseiras ao longo de toda a quela. Machos adultos também possuem garras maiores e mais robustas.
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Sarará, fotografado próximo ao manguezal de Bragança (PA). Fotos cedidas por Daniela Torres.
Reprodução
O Armases benedicti depende de água salgada para sua reprodução. Seu ciclo de vida é muito semelhante ao de outros crustáceos semi-terrestres estuarinos. Durante a estação reprodutiva, estes caranguejos lançam milhares de larvas na água, estas são levadas pela correnteza até áreas de maior salinidade, onde permanecem por semanas até retornarem para os riachos.
É uma espécie com um padrão reprodutivo parcialmente abreviado, composto de quatro estágios larvares planctônicos (zoea) além do megalopa. O único trabalho sobre a sua reprodução em laboratório descreve todo o desenvolvimento larvar em água salobra de média salinidade, 15%o. O tempo de desenvolvimento larvar é de cerca de 26 dias até o estágio juvenil. As larvas são carnívoras, podendo ser alimentadas com náuplios de Artemia em cativeiro.
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Armases benedicti, fotografados em Abaetetuba, Pará. Fotos gentilmente cedidas por Ademir Heleno A. Rocha.
Comportamento
São animais sociais, vivendo em numerosas colônias. São mais ativos à noite. Tornam-se vulneráveis após a ecdise, quando permanecem entocados, até a solidificação completa da carapaça.
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Armases benedicti, fotografados em Abaetetuba, Pará. Fotos gentilmente cedidas por Ademir Heleno A. Rocha.
Alimentação
São onívoros, mas sua base alimentar é constituída quase que exclusivamente por folhas de árvores, sendo assim classificados como herbívoros funcionais. Consomem também insetos e outros pequenos animais.
Em cativeiro, necessitam de um balanço adequado entre Fósforo e Cálcio, com predomínio deste último. Muitos criadores fornecem suplementos de cálcio, como alimentos para répteis, ou pastilhas para uso humano. É conveniente também evitar um excesso de proteínas na dieta, mantendo uma dieta básica de vegetais. Outros alimentos não recomendados são o espinafre (rico em ácido oxálico) e salsinha (alto teor de ácido prússico, bastante tóxico para os caranguejos).
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Pequeno filhote de Sarará, "surgiu" no filtro externo de um aquário em Belém (PA), provavelmente introduzido junto com alguma planta ornamental. Fotos de Anderson Souza.
Manutenção em Aquaterrários
É uma das espécies de sesarmídeos mais bem adaptada à vida terrestre, ficando praticamente todo o tempo emerso. Desta forma, pode ser mantido em terrários somente com um pequeno recipiente com água. Ao contrário de outras espécies, esta água pode ser doce, sem prejuízo na qualidade de vida destes animais. Porém, pode ser mantido também em aquaterrários salobros oligohalinos, sem problema algum. Por se tratar de uma espécie tropical, prefere temperaturas mais elevadas.
O substrato é indiferente, mas é preferível algum material que permita aos animais cavarem suas tocas.
Bibliografia:
Agradecimentos ao professor Ademir Heleno A. Rocha (veja seu blog aqui ), aos aquaristas Carlos Eduardo Ribeiro e Anderson Souza, à professora e bióloga Daniela Torres ( Lela Orca ), e ao colega Breno Peck (veja sua galeria de fotos do Flickr aqui ) pela cessão das fotos para o artigo.
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