Mapa de visitantes

domingo, 30 de junho de 2013

Estuário 3 - O Complexo Deltático Estuarino, Rios e Abaetetuba e o Baixo Tocantins no Contexto do Estuário Amazônico

ESTUÁRIO 3 - ABAETETUBA E O BAIXO TOCANTINS NO CONTEXTO DELTAICO ESTUARINO AMAZÔNICO ATRAVÉS DOS PERÍODOS HISTÓRICOS DO PARÁ
Abaetetuba é uma das muitas cidades ribeirinhas do chamado
'Estuário Amazônico'. Fotos abaixo




3ª postagem
Sumário dos itens desta postagem:
·         Datas de referências históricas
·         O complexo deltaico estuarino amazônico: particularidades, ilhas estuarinas, florestas estuarinas
·         Os rios do Estuário Amazônico ou com influências no Estuário: Bacia Amazônica
·         O Rio Amazonas: aspectos, navegação fluvial, navegabilidade dos afluentes, importantes afluentes, ilhas no Rio Amazonas (Grande de Gurupá, Caviana, Mexiana, Janaucu, Queimadas), fonômenos no Rio Amazonas (pororoca, mistura das águas, marés, terras caídas, cores dos rios), foz amazônica/desembocadura, drenagem do Rio Amazonas e seus tributários, volume d’água do Rio Amazonas, aspectos dos principais afluentes: Rio Tapajós, rio Araguaia e seus afluentes, Rio Tocantins e o estuário do Rio Pará, Rio Nhamundá, Rio Trombetas, Rio Xingu
·         Outros rios do sistema deltaico estuarino: Rio Capim, Rio Jari, Rio Pará, Rio Moju, Rio Guamá, Rio Acará, Rio Maiuatá
·         Alguns furos, igarapés e lagos (Arari, Poção, Sapucá, Ipuapixuna) no Rio Amazonas e seus afluentes
·         Bacia do Tocantins-Araguaia
·         Citação sobre antigas localidades, freguesias e municípios estuarinos
·         Abaetetuba e o Baixo Tocantins no Estuário Tocantino e Amazônico
·         A atual divisão do Pará em mesos e microrregiões vindas das antigas regiões: importâncias das distantes mesorregiões do Pará para Abaetetuba e sua região, as antigas relações comerciais com essas distantes mesos, o Comércio de Regatão do Baixo Tocantins com essas mesos e alguns produtos desse comércio (cachaça, borracha, produtos dos extrativismo, caça e pesca, etc), Abaetetuba e igarapé-Miri nesse comércio.

Datas de Referências Para o Entendimento das Diversas Fases que Serão Citadas nos Textos Abaixo:
Estas postagens são frutos de pesquisas várias em textos novos e antigos, com poucas opiniões do autor do Blog do ADEMIR ROCHA, com nomes e itens que já podem se encontrar defasados, mas importantes para o bom entendimento dos variados assuntos das diversas postagens sobre o Estuário Amazônico. Os respectivos itens serão acrescidos de outras informações de acordo com as nossas pesquisas.
Resgatar a história-memória de pessoas, cidades, regiões, fatos históricos e cultura seria um trabalho sem consistência  se não existissem as datas, e estas como elementos importantes  para levar os leitores a se situar melhor no contexto sócio-histórico-cultural e financeiro do passado, daí a preocupação do autor do Blog na citação de datas e fatos, que procuram identificar melhor as pessoas, os vultos, os personagens, as localidades, os municípios e regiões e muitos eventos dessa história-memória que envolve direta ou indiretamente Abaetetuba e sua Região do Baixo Tocantins. As datas são importantes para nos situar no passado e assim darmos valor àquilo que já tivemos, o que temos nos presente e o que podemos almejar para o futuro de nosso município e Região. Uma localidade sem sua memória é uma localidade sem história.
1.       Período Colonial:
·         Dos Capitães-Mores: 1615 a 1753
·         Dos Governadores: 1753 a 1820.
Foi no tempo dos capitães-mores e dos governadores do então Grão-Pará que surgiu a cidade de Santa Maria de Belém do Grão-Pará e as primeiras povoações, entre estes o Povoado de Nossa S. da Conceição de Abaeté e os primeiros engenhos de cana de açúcar que surgiram nas terras do Baixo Tocantins, Marajó, Zonas do Capim, Guamá, Acará, Moju e outras regiões do antigo Pará.
2.       Período Provincial ou da Província do Grão-Pará, com os Presidentes da Província: 1821 a 1889 (até a Proclamação da República).
Foi a partir do início do período provincial que a indústria canavieira tomou novo impulso que resultou na instalação de dezenas de engenhos em Abaetetuba e Igarapé-Miri e agora não mais para a produção de açúcar e sim da produção da aguardente de cana ou cachaça, esta, junto com outros produtos, levados aos mais longínquos lugares do Estuário Amazônico e outras regiões amazônicas, através do importante Comércio de Regatão do Baixo Tocantins.
3.       Período Republicano: 16/11/1889 a 2007.
·     A Era Republicana, pelo Movimento Republicano decreta o fim do império em 1889.

República Velha ou República das Oligarquias: 1889 a 1930, com a Revolução de 1930, de Getúlio Vargas.
No início do Período Republicano a Indústria Canavieira estava em pleno auge e Abaeté e Igarapé-Miri/PA começaram a ganhar projeção no cenário econômico do Baixo Tocantins, onde Cametá/PA já desfrutava de renome pelo seu passado histórico-econômico glorioso, este  vindo desde os tempos dos governadores-mores.
Independência do Brasil da Coroa Portuguesa: 1822, através de D. Pedro I.
No período colonial do Pará, os engenhos eram obrigados a produzir açúcar para abastecer os mercados da Capital, Belém e com grande parte da produção sendo exportada para Portugal. Nesse período, pela obrigatoriedade da produção de açúcar, os engenhos foram proibidos de produzir cachaça por vários motivos, sendo o motivo principal a produção de açúcar para suprir as necessidades da Coroa Portuguesa e a cachaça praticamente era produzida clandestinamente no tempo do Brasil-Colônia. Somente com a independência do Brasil a produção de cachaça se tornou comum nos engenhos e o mais importante produto do Comércio de Regatão do Baixo Tocantins.
·         Fim da escravidão negra no Brasil: 13/5/1888, instituída pela Lei Áurea, decretada pela princesa Isabel.
Antes do fim definitivo da escravidão negra no Brasil e, em consequência no Pará, os engenhos de cana-de-açúcar utilizavam uma grande quantidade de braços escravos de indígenas e escravos africanos nas pesadas tarefas da indústria canavieira e em outros roçados e serviços, e os donos de engenhos sentiram o forte impacto que o fim da escravidão negra ocasionou pela falta de braços nos roçados de cana, das outras culturas e demais serviços. Os donos de engenho do Baixo Tocantins conseguiram adaptar o sistema patriarcal da tutela em relação aos trabalhadores dos engenhos e de suas famílias e a produção de cachaça seguiu o seu curso no Baixo Tocantins, sendo esse produto e outros recursos do Estuário Amazônico os usados no Comércio de Regatão do Baixo Tocantins. 
·         Diocese do Pará: 4/3/1719, criada com o desmembramento da então Diocese do Maranhão.
Abaetetuba e Igarapé-Miri fizeram parte, por muitos anos, do Bispado e, posteriormente, da Arquidiocese do Pará, quando Igreja e Estado constituíam um só ente político-social e a Catequese e Civilização dos Indígenas e o Culto Divino ou Culto Público faziam parte da política de colonização do Grão-Pará através das Missões Religiosas que se encarregavam de catequizar os nativos do Grão-Pará e, com isso, de fundar centenas de freguesias, lugares,  sistema que avançou para o período provincial e das primeiras décadas do Regime Republicano. Foi sob o importante trabalho das missões e catequese dos padres missionários de várias ordens religiosas que Belém e as primeiras cidades do Estuário Amazônico surgiram no cenário desse grande Estuário, inclusive as antigas Freguesias de Sant’Ana de Igarapé-Miry e  Nossa Senhora da Conceição de Abaeté e demais freguesias do Baixo Tocantins, que somente nos anos de 1960 saíram da dependência da gigantesca Área Eclesiástica da  Arquidiocese de Belém. Abaetetuba e Igarapé-Miri ficaram atreladas  à Arquidiocese de Belém ou Sé Metropolitana até 25/11/1961, no caso de Abaetetuba e a Paróquia de Igarapé-Miri passou a fazer parte da Prelazia da vizinha cidade de Cametá. Para Abaetetuba foi importante a criação da Prelazia de Abaeté do Tocantins, em 1961, pois foi a partir daí que os municípios da região da Prelazia começaram a receber os importantes serviços das Obras Sociais da Igreja Católica, com a instalação de escolas, hospitais, centros sociais e criação das Comunidades Eclesiais de Base que serviram na visão de uma sociedade mais justa, fraterna e solidária e um olhar político menos atrelado aos interesses de pessoas e grupos dominantes. Foi através do trabalho da Igreja que Abaetetuba muito avançou no seu desenvolvimento sócio-político e  educacional através das Obras Sociais da então Prelazia de Abaeté do Tocantins e hoje Diocese de Abaetetuba.
·         Períodos de Povoado, Freguesia, Vila e Cidade:
Esses períodos são marco importante da história-memória das localidades do Pará, nos aspectos econômicos, financeiros, políticos, sociais, geográficos e demográficos.
·         Igarapé-Miri:
A partir de 1710, Povoação de Sant’Anna de Igarapé-Miri se estendeu até a condição de Freguesia de Sant’Anna de Igarapé-Miri em 29/12/1754, dada pelo D. Frei Miguel de Bulhões e pela Lei Nº 113, de 16/10/1843 torna-se Vila de Igarapé-Miri, que compreende a freguesia de mesmo nome e as freguesias de Abaeté e Cairary, tendo a sua instalação e 1ª Câmara Municipal somente em 26/7/1845 (1845 a 1849) e a Comarca de Igarapé-Miry foi criada pelo Decreto nº 6.992 de 14/8/1878, composta de 3 municípios: Igarapé-Miry, Abaeté e Moju e 5 freguesias: Sant’Anna de Igarapé-Miry, Nossa Senhora da Conceição de Abaeté, São Miguel de Beja, Divino Espírito Santo do Moju e Nossa Senhora da Soledade de Cairary. E, pela Lei Nº 438, de 23/5/1896, a Villa de Igarapé-Miry é elevada à condição de Cidade de Igarapé-Miri.
·         Abaetetuba:
Povoação de Nossa Senhora da Conceição de Abaeté em 8/12/1724 se estendeu até 1750, quando se torna Freguesia de Nossa Senhora da Conceição de Abaeté e em se torna Villa de Abaeté pela Lei nº 973 de 23/3/1880, que também criava a Câmara de Vereadores e a instalação da Cidade de Abaeté em 15/8/1895 e até os dias atuais, quando se torna o importante polo comercial e educacional do Baixo Tocantins.
·         1ª Câmara de Vereadores:
Eram as Câmaras de Vereadores, antes da adoção do Conselho de Intendência, que faziam a administração das vilas ou cidades da Província do Pará. Todas as demandas e questões políticas eram tarefas das antigas Câmaras de Vereadores dos municípios até o surgimento dos Conselhos de Intendência, que substituíram o sistema anterior das Câmaras de Vereadores. Abaeté só chegou a ter Câmara de Vereadores a partir de sua elevação à condição de Vila de Abaeté em 1880 até o ano 1889, com a Proclamação da República.
·         Igarapé-Miri já era município desde 1845 com a 1ª Câmara criada em 1845 a 1849.
·         Abaetetuba, com 1ª Câmara criada em 7/1/1881 até 1884; 2ª Câmara até 1884 1887; 3ª Câmara: 1887 a 1889.

·         O ESTUÁRIO AMAZÔNICO:
Para falar do Estuário Amazônico, precisamos saber do que se trata e dos impactos e recursos que proporciona às diversas comunidades tradicionais que dele fazem parte como populações ribeirinhas, descendentes dos nativos do lugar, mescladas aos grupos dos negros escravos vindos da África e com os brancos de origem européia, e também precisamos entender a linguagem que usaremos nestas postagens, no tocante à geografia deltaica estuarina, como também precisamos saber algumas palavras e termos usados na hidrografia, na Geologia e na Geografia e outros importantes aspectos da complexidade de um Estuário.

O COMPLEXO DELTA ESTUARINO AMAZÔNICO:
O Delta Estuarino da embocadura do Rio Amazonas, sito no largo vão fluvial que separa o oeste de Marajó das colinas e planícies ribeirinhas do Amapá, é um gigantesco Complexo Deltaico Estuarino, do Planeta Terra.
Inicia na pequena ilha Galhoão, no Marajó, até a Ponta de Jupaú, no Amapá (ao sudoeste da Ilha de Curuá) com 180 km, passando pela frente de 3 canais que constituem a embocadura do Rio Amazonas, que são:
·         O Canal Norte
·         O Canal Perigoso
·         E o Canal Sul
Particularidades do Estuário Amazônico:
O grande Estuário Amazônico não se resume a uma definição e para um melhor entendimento desse Estuário, requer que conheçamos um pouco da sua complexidade. Vejamos alguns aspectos dessa complexidade:
1.       O Estuário Amazônico é formado pelas 3 canais acima citados, que apresentam agrupamentos de ilhas, desde a embocadura do Rio Xingu e ilhas Urucuricália e Grande Gurupá, e esses conjuntos insulares do largo Estuário Amazônico, possuem as seguintes particularidades:
2.       Região das Ilhas do Pará com uma área de 300.274 km2, com uma população de 193.116 habitantes em 1920 que correspondia ao 2º lugar em termos populacionais por área, que com seus extensos castanhais e seringais foi a região que antigamente muito contribuiu para a produção de castanha e borracha para a Província e posterior Estado do Pará. Sua produção agrícola também era considerável com 41,2%, excluindo-se a Capital.
Tipos de Ilhas:
·         As Ilhas insulares do tampão deltaico estuarino de Gurupá-Queimada, com a presença de ilhas de porte mediano e pequeno, que ficam espremidas entre a Baía do Vieira Grande, Canal Sul e o Canal Norte.
·         As Ilhas insulares dos subdeltas situados entre os rios Jacaré e Anajás-Charapucu, à oeste e Nordeste do Marajó.
·         As Ilhas insulares frontais dos baixios de Belém-Marajó, com a presença das planícies inundáveis costeiras e a banda de manguezais de todo o arquipélago estuarino.
·         As Ilhas existentes desde a Ponta de Pedras até Salvaterra, na margem leste do Marajó.
·         As Ilhas rasas de fundo de estuários existentes no interior da Boca Norte do Rio Amazonas, entre o Amapá e Marajó.
3.       Um Delta tampão entre o Marajó-Portel e Baía das Bocas.
4.       O Estreito de Breves, que corresponde a um tampão deltaico que assoreou um canal largo que interligava o Rio Amazonas com o Estuário do Rio Pará (Baia de Guajará).
5.       A “Baía das Bocas”, que corresponde a nomenclatura popular da Região (que designava a transição entre os rios do Estuário e a largura da Baia de Guajará-Rio Pará) e a “Baia das Bocas”, é equivalente à identificação da frente de um delta.
6.       O Delta de Boiuçu-Breves,  que corresponde as terminações que representam uma área de assoreamento deltático recente, localizada entre uma ilha e o continente.
7.       O Estuário do Rio Pará, que corresponde ao Estuário que fica entre a região de Belém e a costa Sul-Sudeste da Ilha do Marajó
8.       A Baía do Marajó, que resulta do contínuo estuarino que se inicia na Baía das Bocas (Delta Boiuçu-Breves), prossegue pelo Rio Pará, área em que recebe toda a massa de águas do Rio Tocantins e inclui uma pequena baía frente a Belém, à altura do despejo d’água dos rios Guamá-Moju-Acará-Capim, passando a alongada boca do complexo estuarino terminal. Logo, da Baía das Bocas até a frente da Baía de Marajó são 300 km de extensão.
9.       Os Arquipélagos fluviais no fundo do Estuário Amazônico ficam desde o despejo principal do Rio Amazonas, na boca do Rio Xingu até as ilhas frontais do Estuário do mesmo rio, com uma distância aproximada de 370 km, onde existem diversos agrupamentos de ilhas que constituem esses arquipélagos fluviais.
10.   O 1º trecho do Estuário do Rio Pará, vai das bocas do Delta de Breves até a Ponta do Flexal, na embocadura do Rio Tocantins e se estende por 125 km e daí vai até um ponto intermediário frontal à Ilha do Marajó com 185 km.
11.   O fundo do Estuário do Rio Pará, se estende da Baía das Bocas até as proximidades de Curralinho e daí segue até a região que antecede a Foz do Rio Tocantins, onde existem estrangulamentos devido a presença de ilhas e canais de São Sebastião da Boa Vista, onde Estuário diminui de 10 a 3 km.
12.   O volume de águas jogadas pelo Rio Tocantins no Estuário do Rio Pará e Baía do Marajó, deve-se aos mais de 23 km de largura que o Rio Tocantins apresenta em sua foz (desembocadura).
13.   As Florestas de Várzeas da Amazônia que se situam desde as Ilhotas frontais do Delta Estuarino do Rio Tocantins, com a tríplice confluência dos rios Guamá, Moju e Acará, que apresentam as típicas florestas de várzeas.
14.   Os Baixos Terraços de Icoaraci, que segue do fim das florestas de várzeas, daí seguem os baixos terraços, na Região de Belém.
15.   O Delta Interno de Breves-Boiuçu e Rio Pará, que se inicia na superfície plana de Anajás, no Marajó, que abrange toda a metade ocidental dessa ilha, onde se encontram rios e igarapés que seguem para noroeste, oeste, sul e sudeste, na direção da Ilha de Anajás-Charapucu e Baía do Vieira Grande.
16.   Os Altos do Estuário que vai desde a região de Mosqueiro e ilhas situadas desde a Ponta de Pedras, até Salvaterra na margem leste do Marajó.
17.   As planicies alagaveis, os lagos e tesos (áreas de terras firmes centrais) se estendem desde o rebordo central do conjunto de Anajás até o Canal Sul e o Litoral Atlântico, com área de sedimentação rica em manguezais.
18.   As Costas do Estuário Amazônico, vindo da sedimentação recente, onde, acredita-se, tenha existido um braço do Rio Tocantins a partir de Muaná até Ponta de Pedras, que forma o Lago de Santa Cruz do Arari, que anteriormente devia ter sido uma enseada fechada por restingas.
19.   O Complexo Deltaico Estuarino Amazônico, com os ecossistemas das terras firmes e os  ecossistemas das planícies inundáveis  (Marajó, Belém, Mosqueiro e Guamá-Moju são extremamente  variáveis no que diz respeito aos suportes ecológicos, constituição biótica e funcionalidade, como:
·         As Florestas densas, presentes nos rasos da região; florestas densas de terras firmes insulares; florestas densas continentais (de Anajás-Belém). Na transição do bloco de Anajás para os campos alagáveis de Marajó, em uma faixa que se estende desde os arredores de Muaná até as proximidades de Chaves, ocorre um ecossistema de palmeiras e bosques diferenciados.
·         As Florestas de várzeas deltaicas (Guamá-Moju e Acará e delta interno de Guamá-Moju).
·         As Florestas de várzeas das planícies aluviais
·         Os Campos submersíveis (Marajó)
·         As Faixas de aningais (Marajó)
·         As Campinas, campinaranas, veredas campestres (Moju-Bragantina). Nas  veredas arenosas da região Bragantina, destacavam-se as florestas galerias nas faixas centrais de planícies.
·         Os Mangues da margem direita da bacia de Marajó.
·         As Costas do Estuário Tocantino, onde o 2º ponto de costa se encontra no bordo oriental do lago de Santa Cruz do Arari e no bordo oriental da Baía de Santa Cruz.

OS RIOS DO ESTUÁRIO AMAZÔNICO OU COM INFLUÊNCIAS NO ESTUÁRIO E ALGUNS ASPECTOS DESSES RIOS:
Falar do Estuário Amazônico sem falar dos rios que o formam ou com ele tem relações de todos os tipos, não soaria bem para aqueles que gostariam de saber quais os rios e outras massas de água doce estão presentes na vida dos ribeirinhos do grande Estuário. A seguir apresentamos alguns importantes rios do complexo deltaico estuarino amazônico:
A Bacia Amazônica e Alguns Rios Importantes:
A Bacia Amazônica destaca-se pela sua extensão e pela importância de seus rios principais. Com 3 904 393 km2, é a nossa maior bacia hidrográfica e drena terras de mais de 45% do território brasileiro.

·         O RIO AMAZONAS:
Rio em que os fatos são tão assombrosos quanto as lendas, o Amazonas fertiliza uma região de quase seis milhões de quilômetros quadrados, equivalente a mais de metade da Europa.
Amazônia como "o pulmão do mundo", teria como sua artéria principal o Rio Amazonas, cuja nascente são os cursos d’água andinos, Apurimac-Ucayali, com o comprimento de 6.571 km, um pouco menor que o do Nilo, consagrado em torno de 6.670 km. Porém existem outras versões para o comprimento do Rio Amazonas.
O curso médio do Amazonas depende de se tomar o Marañón ou o Ucayali como principal formador. No primeiro caso, inicia em Pongo de Manseriche, no segundo, em Contamana, ambas pequenas cidades do Peru. Daí vai até Óbidos, a mil quilômetros da foz, onde já se notam efeitos das marés.
Além do Peru, marcado quase de ponta a ponta pelas duas tortuosas vertentes da primeira parte do rio, o norte do Brasil (estados de Amazonas e Pará) constitui o imenso território onde o rio se expande, formando a maior bacia hidrográfica da Terra (5.846.100km2), que alcança ainda trechos da Colômbia, Bolívia, Equador, Venezuela e Guianas. Além dos nomes que recebe no Peru, dentro do próprio Brasil, o Amazonas é conhecido por outro nome, o de Solimões, mais ou menos entre Benjamin Constant e Manaus.
Alguns Aspectos do Rio Amazonas:
·         Delta do Amazonas, que é o imenso Delta formado pelos rios Amazonas o mais caudaloso da Terra e Bacia Tocantins-Araguaia, no norte da América do Sul, é chamado Delta do Amazonas. Ele recebe ainda águas de centenas de rios menores. Localizado entre os Estados brasileiros do Pará e Amapá, é circundado pela maior Floresta Tropical do Planeta, a Floresta Amazônica, e pelo Oceano Atlântico.
·         Os seus infindáveis Canais envolvem centenas de Ilhas e Ilhéus, com destaque para a Ilha de Marajó (Pará), a maior ilha fluvio-marinho do mundo, que mescla belas praias, floresta e cerrado. Esta é cercada pelos dois principais rios do Delta, pelo Oceano, e ainda pelo chamado Rio Pará: Canal Sul do Amazonas que liga sua bacia a bacia do Tocantins, ao desaguar naquele curso de água. Como o Rio Orenoco envia parte de suas águas ao Amazonas, temos um raro caso de três enormes bacias hidrográficas interligadas.
·         Sua descarga, vazão ou volume de água, é também, de longe, a maior que se conhece, com vazão em Óbidos de 216.342m3 por segundo, doze vezes a do Mississippi, mais de vinte vezes a do Nilo.
·         Vale notar que, depois de Óbidos o Amazonas recebe as águas dos rios Tapajós e do Xingu, na margem direita, e do Maicuru, Paru e Jari, na margem esquerda.
·         A velocidade média no médio e baixo curso é de 2,5km por hora, mas em Óbidos, onde o rio tem sua passagem mais estreita em território brasileiro (2.600m), a velocidade chega a oito quilômetros por hora.
·         A largura é outra das medidas de cálculo difícil, por causa das muitas ilhas que se formam no leito, dando origem a uma subdivisão das águas em vários braços ou "paranás". Sem ilhas de permeio, um dos trechos reconhecidamente mais largos fica uns 20 km antes da foz do Xingu e mede 13 km. Mas, nas épocas de cheia, muitas passagens vão além de 50 km de largura. Tudo ali é variável e dinâmico demais.
·         Num único dia, o Amazonas despeja no Oceano Atlântico mais água do que toda a vazão do Rio Tâmisa, em Londres, durante um ano inteiro. Só a Bacia do Rio Negro, um dos afluentes do Amazonas, tem mais água doce do que toda a Europa.
·         O volume de terra que o Rio Amazonas joga no mar é tão grande que, graças a esses sedimentos, o litoral da Guiana Francesa e do Amapá está crescendo.
A Navegação Fluvial Pelo Rio Amazonas:
O Amazonas é um rio plenamente navegável e nos 3.700km, que vão da sua embocadura à cidade de Iquitos, sua profundidade (às vezes mais de 50m) lhe permite receber navios de alto-mar. O rio Amazonas percorre extensas regiões de terras baixas e permite a navegação fluvial integrando diferentes bacias hidrográficas brasileiras.
Navegabilidade dos Afluentes do Rio Amazonas:
Muitos de seus afluentes são também navegáveis, de modo que o transporte hidroviário é um dos mais fáceis da região e permanece sub-explorado em todos os planos, como:
·         Quanto a quantidade aproveitável da navegabilidade
·         Quanto a qualidade dos meios de transporte
·         Quanto os recursos tecnológicos empregados com objetivos para a navegabilidade
Se fosse bem programado o transporte hidroviário seria o meio ideal no que diz respeito à navegação na Amazônia e à proteção da natureza e seus recursos naturais.
Afluentes Navegáveis:
Entre os afluentes do Amazonas há também muitos rios colossais que se colocam entre os maiores do mundo:
·         O Madeira é um dos vinte maiores rios do mundo
·         O Purus
·         O Tocantins
·         O Juruá
Importantes Afluentes do Rio Amazonas:
·         Pela Margem Direita do Amazonas:
·         Em toda a rede desses afluentes, no Brasil, sobressaem, pela margem direita, o  Javari, Juruá, Purus, Madeira, Tapajós e Xingu
·         Margem Esquerda do Amazonas:
·         pela margem esquerda, Içá, Japurá, Negro, Trombetas, Paru e Jari
·         O Estuário do Rio Amazonas tem duas partes, pelo menos:
·         O Canal do Norte, mais largo,
·         O Canal do Sul, conhecido ainda pelos nomes de rio Pará e Baía de Marajó
·         Distâncias entre os Canais:
·         De um a outro lado dos dois canais a distância é de cerca de 150 km.
·         Se se considera o Estuário até a costa leste da ilha de Marajó, a medida é o dobro, girando em torno de 300 km.
Na realidade há mais corredores para a saída do rio, que são os chamados Furos de Breves, que são uma série de canais naturais a sudoeste da ilha de Marajó, por onde as águas se distribuem, se filtram como se fossem muitos e cuidadosos os preparativos para entrar no oceano. Adiante surgem as ilhas:
Além da Ilha de Marajó, se destacam as ilhas:
·         A Ilha Grande de Gurupá
·         A Ilha Caviana,
·         A Ilha Mexiana,
·         A Ilha Janaucu,
·         A Ilha Queimada etc.
Por quase todos esses rios da Bacia do Rio Amazonas os chamados marítimos do Baixo Tocantins estiveram praticando o chamado Comércio de Regatão. Sem contar a grande romaria de embarcações que antigamente se fazia de todos os tipos, especialmente dos navios à vapor, em busca da preciosa borracha e demais produtos oriundos da coleta de recursos naturais realizada em toda as áreas do Estuário Amazônico.
As principais cidades situadas nas redondezas são Belém e Macapá, ambas com suas respectivas regiões metropolitanas.

Alguns Fenômenos Apresentados Pelo Rio Amazonas:

O Amazonas apresenta ainda vários fenômenos muito curiosos, como:
·         A Pororoca é um dos maiores fenômenos hidrográficos da região e que é uma grande onda que acontece nos rios da Amazônia e só aparece uma vez por dia. Em Tupi, a palavra poro'oka significa estrondo, que se ouve a quilômetros de distância. E é o barulho do  encontro das águas que avisa a proximidade da pororoca. Esse fenômeno natural é produzido pelo encontro violento das águas do mar com as correntes dos rios e acontece no baixo curso, na foz do Rio Amazonas, nos afluentes do litoral do Pará e Amapá. No Maranhão, acontece com maior intensidade na foz do Rio Mearim, onda a onda é tão forte que derruba árvores e chega a mudar o leito de alguns rios.
Só que há 15 anos uma turma resolveu explorar a grande onda de uma forma diferente. No Pará o ponto de encontro dos surfistas é a cidade de Arari, distante pouco mais de 150 quilômetros da capital. Em 12 anos vários eventos foram realizados com a participação de surfistas estrangeiros. As ondas sobem abruptamente e depois descem em sucessão sobre as praias, tornando perigosa a navegação. Acontece principalmente em outubro, quando as condições do rio e do mar, águas baixas e maré alta, são propícias. A pororoca acontece quando grandes ondas (vagalhões), de 1 a 4m de altura, invadem as águas fluviais, durante as marés de águas vivas (sizígia) que ocorrem nas luas Nova e Cheia.
·         A mistura das águas do rio Negro e rio Amazonas é o fenômeno que ocorre nas proximidades de Manaus quando as águas desses rios se encontram: embora não se dê a explosiva luta da pororoca, os dois custam muito a se misturar e, como suas cores são bastante diferentes, vê-se a dificuldade com que o Negro deságua, infiltrando-se aos poucos no Amazonas.
·         As Marés de água doce também são também fenômenos intrigantes. Ocorrem em diversos rios que acabam no mesmo Estuário Amazônico, e duas vezes por dia, dada a variação do nível do mar.
·         O fenômeno das “terras caídas” resulta do avanço da força das correntezas das marés sobre as ribanceiras dos rios que é a responsável pelo fenômeno, quando pedaços de terras com sua vegetação se soltam dessas margens e seguem rumo à correnteza das marés. As Terras Caídas, que já são fenômenos perfeitamente conhecido, e às vezes apavorante e surgem como consequência evidente da formidável força das águas em toda a Amazônia, onde as margens são solapadas e  subitamente sai da terra uma nova ilha levada pelo rio, muitas vezes com animais como insetos e outros pequenos ou grandes animais e até moradores, uma parte do gado ou instalações e casas.
·         As Cores dos Rios da Amazônia, de pesquisas mais recente, onde há rios "brancos" ou amarelos, alaranjados, de forte castanho-escuro, verdes, negros, transparentes. A explicação está nos compostos químicos (orgânicos e inorgânicos) que prevalecem nos lugares por onde passam. O Amazonas, de um modo geral, é dos "brancos", barrento claro, ao menos em sua viagem pela planície.
As Consequências Históricas das Cores do Rio Amazonas:
·         As águas do Rio Amazonas tingem as do oceano até cerca de 200 km da costa, reduzindo a salinidade. Por isso o espanhol Vicente Pinzón, que em 1500 teria chegado à foz, denominou-o Mar Dulce.
·         Em 1542 Francisco Orellana desceu o rio a partir do Peru. Quer por causa de um ataque de índios de cabelos longos, quer por acrescentar a seu relato de viagem a fantasia das mulheres guerreiras, referiu-se ao rio como das Amazonas, permanecendo esse nome para sempre.

A Foz do Rio Amazonas:
·         A maioria dos nossos rios tem desembocadura ou foz em forma de estuário, mas o principal rio brasileiro, o Amazonas, possui foz mista (em delta e estuário).
A Drenagem do Rio Amazonas e Seus Tributários:
·         A drenagem do rio Amazonas e seus tributários são do tipo dos que voltam para o mar, e todos tributários do Atlântico, de maneira direta.
Rio Amazonas, Como o Principal Rio da Bacia Amazônica:
·         O Rio Amazonas nasce na cordilheira dos Andes, no Peru e recebe denominações diferentes, até atingir o oceano Atlântico. Em território peruano é chamado de Vilcanota e Ucayali-Maranon. Ao entrar em território brasileiro, recebe o nome de Solimões e, apenas depois de receber as águas do rio Negro, não muito distante da cidade de Manaus, passa a chamar-se Rio Amazonas. Seu comprimento, de 7 075 km, o coloca em primeiro lugar, entre os maiores do mundo, ultrapassando o rio Nilo, no Egito, que tem 6 671 km. O Amazonas atravessa uma grande área de planícies e depressões, porém seus afluentes correm em áreas de planaltos, dotando essa bacia de grande potencial hidrelétrico disponível, na verdade o maior do Brasil. Entretanto, por estar localizado em uma região pouco habitada e com poucas indústrias, é pouco aproveitado para a geração de energia elétrica. Os rios da Bacia Amazônica, entre os quais o Rio Amazonas, são em quase toda a sua extensão, a única via de transporte das populações ribeirinhas, tornando-se seu único contato com as cidades maiores da região. E por eles que as pessoas recebem alimento e assistência médica, em barcos que funcionam como "lojas" ou "pronto-socorro".
O Volume d’Água do Rio Amazonas:
·         O Rio Amazonas é o maior rio do mundo, também em volume d'água, pois despeja no mar cerca de 200.000m³ de água por segundo, o equivalente a um quinto de todos os rios do planeta.
O Rio Amazonas Como Rio de Planície e os Países de Seu Curso:
·         O Rio Amazonas é um típico rio de planície, e tem seu curso em três países: Peru, Colômbia (em curtíssimo trecho) e Brasil, cortando o Pará no sentido Oeste- Leste.

Outros Aspectos dos Principais Afluentes do Rio Amazonas:
No território paraense o Rio Amazonas recebe vários dos seus 1.100 afluentes, como Tapajós e Xingu pela margem direita, e Nhamundá, Trombetas, Paru e Jari pela margem esquerda.
Na foz do Amazonas, que mede cerca de 149.000km², ficam os rios Pará, Tocantins e Capim, estes muitos importantes no Estuário Tocantino (Foz Tocantina).
·         O Rio Tapajós: 
O Rio Tapajós é afluente do Rio Amazonas, e nasce do encontro dos rios Juruena e São Manuel, também conhecido como Teles-Pires, na divisa dos Estados do Pará, Amazonas e Mato Grosso e mede 1.992 km de extensão, e entre seus principais afluentes está o Rio Arapiuns. Suas águas são de coloração azul-esverdeada, constituindo-se em atração turística. Devido às diferenças de composição, densidade e temperatura, as águas do Tapajós não se misturam com as águas do Amazonas, provocando o fenômeno conhecido como "Encontro das Águas", que pode ser visto em frente à cidade de Santarém.
·         O Rio Araguaia e Seus Afluentes:
O Rio Araguaia mede 2.627 km de extensão, e nasce no Morro Vermelho, da Serra Selada, na divisa dos Estados do Mato Grosso e Tocantins e corre em direção SO-NE, desaguando na margem esquerda do Rio Tocantins. Pela margem esquerda tem os seguintes afluentes: rios das Mortes ou Manso, das Garças, Barreiros, Cristalino e das Vertentes. Pela margem direita, rios do Peixe, Formoso, Xavante, Água Limpa, Vermelho, Caiapó e das Lontras. O Araguaia é famoso pela beleza das inúmeras praias que se formam ao longo do seu curso, na época de estiagem.

·         O Rio Tocantins e o Estuário do Rio Pará:
O Rio Tocantins é formado pelos rios Maranhão e Paranã e nasce na serra dos Pireneus, no Tocantins, juntamente ao Araguaia, próximo ao município de Marabá, e deságua no Oceano Atlântico, formado o Estuário do Rio Pará, às proximidades de Belém (Estuário Tocantino). Pelo canal de Tagipuru o Rio Tocantins comunica-se como o Rio Amazonas. Seus principais afluentes pela margem direita são os rios Manuel Alves da Natividade, Sono, Manuel Alves Grande e Farinha; e pela margem esquerda são os rios Santa Teresa, Itacaiúnas e Araguaia (seu maior afluente). Na região do Baixo Tocantins, desde a Cachoeira das Guaribas até a Baía de Marajó, o Tocantins recebe as águas dos rios Anapu e Pacajá, em águas já misturadas com uma relativa quantidade de águas do Rio Amazonas. O Rio Tocantins oferece, em qualquer estação do ano, uma plena navegação em sua barra na Baia de Marajó até a pequena Ilha dos Santos (próxima as corredeiras de tapayunaquara) em uma extensão de cerca de 140 milhas.

·         Rio Nhamundá:
O Rio Nhamundá, também conhecido por Jamundá ou Cumuri, é afluente da margem esquerda do Rio Amazonas e divide os Estados do Pará e do Amazonas. Nasce na Serra de Acaraí, descendo primeiro na direção Norte-Sul para depois mudar o rumo de Noroeste para Sudeste. No curso superior forma várias cachoeiras, para depois entrar num vale longo e plano. Durante o trajeto passa por inúmeras ilhas, num trecho que atinge cerca de 200m de largura. No curso inferior suas margens ficam bastante elevadas. Abaixo, as confluências com o Rio Paracutu atinge largura considerável, formado um lago que ultrapassa 40 km de comprimento e 4 km de largura. O Nhamundá tem seu leito arenoso e águas claras. Seu principal afluente da margem esquerda é o Rio Paraná-Pitinga, onde há inúmeras cachoeiras.
·         Rio Trombetas:
O Rio Trombetas é afluente da margem esquerda do Rio Amazonas e nasce na fronteira do Brasil com a Guiana, e em sua formação recebe águas dos rios Mapuera, Cachorro e Erepecuru, seus principais tributários. Ele tem sua cabeleira no Rio Curucuri, descendo da Serra do Curucuri com o nome de Rio Cafu. Só passa a se chamar Trombetas a partir do encontro com o Rio Wanamu (que desce da Serra de Tumucumaque). Também é conhecido como Rio Uaiximana e Oriximiná. Com cerca de 750 km de extensão é largo, profundo e navegável, por embarcações de até 500 toneladas, numa extensão de 230 km. Nesse trecho navegável suas margens apresentaram terrenos planos, onde se formam vários lagos. Sua foz fica em frente à cidade de Oriximiná, onde se junta ao Paraná de Sapucuá, cujo prolongamento é chamado de Baixo Trombetas. Após o encontro com o Paraná Sapucuá, chega a atingir até 1.800 m de largura, tendo seu leito dividido por várias ilhas estreitas e compridas, como a Ilha da Jacitara. Depois estreita- se, não ultrapassando 400 m de largura, até atingir sua primeira cachoeira, a conhecida Cachoeira Porteira.
·         Rio Xingu:
O Rio Xingu é afluente da margem direita do Rio Amazonas e é navegável em apenas 900 km. Nasce no Planalto do Mato Grosso, na parte ocidental da Serra do Roncador, sendo formado pela junção dos rios Ronuro, Batovi e Culuene. Corre entre os rios Tapajós e Tocantins num vale estreito, na direção Sul-Norte. Com 1.980km de extensão, é um rio de águas claras. Seu curso é sinuoso até desaguar no Amazonas, na cabeça do Estuário. Próximo da foz, através de um vasto emaranhado de ilhas e enseadas, alarga-se num lençol de água semelhante a um lago. Mas, ao longo de seu curso, estreita- se rochoso, com cachoeiras que às vezes atingem mais de 50m. Em sua margem esquerda fica a cidade de Altamira. No Pará seu principal afluente é o Rio Iriri. 

Outros importantes rios do sistema deltaico estuarino amazônico:
·         Rio Capim:
O Rio Capim nasce a oeste da serra dos Coroados e desemboca do Rio Guamá e é um dos formadores da Baía do Marajó, tem um curso sinuoso, superior a 1.000 km. É considerado um rio ligeiramente estreito, mas tem um volume de descarga superior ao Rio Guamá. Navegável em quase todo o seu curso por embarcações de pequeno porte, apresenta apenas uma cachoeira, que desaparece na época chuvosa.
·         Rio Jari:
O Rio Jari com cerca de 800 km de extensão, nasce na Serra do Tumucumaque e deságua no Estuário do Rio Amazonas, em frente a Ilha Grande de Gurupá. Apesar de largo, o Jari torna-se difícil de ser navegado devido às inúmeras cachoeiras existentes ao longo de seu curso. Destacam-se as cachoeiras da Pancada, com cerca de 20m, e do Desespero, com 26m. A mais bela é a de Santo Antônio, na divisa com o Amapá. Entre seus afluentes da margem esquerda estão os rios Apaouani (ou Mapaoni), o Kou (ou Rouapir) e o Iratapuru.
·         Rio Pará:
O Rio Pará é importante rio do Estuário Tocantino e para as regiões guajarina, tocantina, salgado e marajoara, nasce na Região das Ilhas do Pará e deságua entre o Cabo Maguari e a Ponta Curuçá e é um dos principais formadores da Baía do Marajó. O Rio Pará recebe a vazão dos rios Anapu-Pacajá, Jacundá, Araticu, Cupijó, Tocantins, Moju, Acará e Guamá. Através do estreito de Breves une-se ao Rio Amazonas, separando a Ilha do Marajó do continente. Da foz do Tocantins segue até o Estuário do Amazonas, na direção Nordeste, até o Oceano Atlântico. Na margem esquerda tem a costa da Ilha do Marajó e na margem direita várias ilhas, separadas do continente por furos e a cidade de Belém e seu entorno metropolitano.
Convém salientar que o Rio Cururuhy, antes de entrar no Rio Pacajá, tem uma grande cachoeira de grande salto, onde as canoas não podem passar, senão puxadas por terra. O Rio Pacajahy é o afluente mais oriental do Pacajá e corre paralelo ao rio Tocantins. O Rio Pacajá Grande segue direto para o norte e tem muitos igapós. Esse era o cenário para os navegantes do Estuário Amazônico em 1864.
·         Rio Moju:
O Rio Moju que na língua Tupi significa "Rio das Cobras" nasce na Serra da Desordem e desemboca no Rio Pará, formando, com o Rio Guamá, a Baía do Marajó. Tem mais de 800 km de extensão e sua largura, na confluência com o rio Acará (a 24 km de Belém), atinge 500m. É navegável até suas cabeceiras por embarcações de pequeno porte. Durante o fenômeno das marés de sizígia, acontece em suas margens a pororoca. Sua primeira cachoeira é encontrada a 630 km acima do ponto de encontro com o Rio Acará. Seu principal afluente é o Rio Cairary.
·         Rio Guamá:
O Rio Guamá é afluente do Rio Pará e tem 700 km de extensão e nasce na serra dos Coroados, correndo na direção Sul-Norte até a cidade de Ourém, situada em sua margem direita. Seguindo para o Oeste, encontra-se com o Rio Capim. É navegável por pequenas embarcações até sua primeira cachoeira, a 225 km de Belém. Na sua foz, na Baía do Guajará, atinge 900 km de largura.
Rio Acará:
·         Alguns Furos, Igarapés e Lagos Que Têm Relação com o Estuário Amazônico:
Os Furos e Igarapés do Estuário Amazônico:
Os furos e igarapés também têm grande importância dentro desse verdadeiro complexo hidrográfico.
·         O furo é um canal, sem correnteza própria, que corta uma ilha fluvial, como os furos de Breves, do Combu, da Onça, da Paciência e das Marinhas. Liga braços de rios no meio de planícies à beira de rio com lago de várzea, dois lados de várzea e um paraná com o rio principal ou uma depressão de lago de várzea.
·         O igarapé é um riacho pequeno, que em seu baixo curso cruza floresta de várzea. Geralmente os igarapés fluem por túneis de vegetação e apresentam águas escurecidas, devido à quantidade de sedimentos depositados nos leitos e por receberem pouca luminosidade solar. O termo vem dos vocábulos indígenas "igara" (que é a embarcação escavada num único de árvore) e "apé ou pé" (que significa caminho). Os "caminhos de canoa" foram fundamentais na ocupação da região pelos Índios, e até hoje participam diariamente do dia- a- dia dos habitantes de suas margens.
Os Lagos no Estuário Amazônico:
Os lagos são importantes corpos d’água que se formam no Estuário Amazônico e citamos:
·         Lago do Arari que é considerado o maior lago do Arquipélago do Marajó e um dos maiores do mundo em água doce, medindo de 4 a 7 km de largura e 18 km de comprimento, em direção Norte e Sul, com profundidade de 1 a 5m no verão e 5 a 7m no inverno, com águas mais claras no inverno e devido à seca do lago em quase 70% no verão, a água do mesmo torna-se barrenta, e é de grande importância para economia dos municípios de Santa Cruz do Arari e Cachoeira do Arari. O Lago Arari é considerado o maior santuário ecológico da Ilha do Marajó, destacando-se também pelo ponto de vista cientifico, por ter em suas margens diversos cemitérios indígenas (tesos).[cf. http://tiomigamarajo.blogspot.com/ ]
·         Lago Poção, que está localizado em Santarém e é um lago de várzea que serve de limite com Óbidos e Juruti.
·         Lago Sapucá, que é um dos maiores lagos de terra firme do Estado do Pará, com cerca de 30 km de comprimento por quase 8 km de largura e localiza-se entre as cidades de Óbidos e Faro, desaguando no Paraná de Faro.
·         Lago Ipuapixuna, que é um lago de terra firme e está localizado próximo à cidade de Óbidos. 

A Bacia do Tocantins-Araguaia:
Fica localizada no coração do país, é a maior bacia inteiramente brasileira, formada por dois rios formadores dessa bacia e nascem no Estado de Goiás. O Rio Tocantins, depois de receber o Araguaia (nas proximidades da cidade de Marabá, no Pará), segue rumo à sua foz, no Golfão Amazônico, no Estado do Pará. Essa bacia possui grande potencial hidrelétrico e em seu rio principal, o Tocantins, foi construída a Hidrelétrica de Tucuruí, que abastece grande parte da Região Norte e o Projeto Carajás. A maior ilha fluvial do mundo – a ilha do Bananal – encontra-se no curso médio do rio Araguaia.
Muitos dos corpos d’água mencionados acima são cenários do cotidiano dos ribeirinhos do Baixo Tocantins e Marajó e são rio, baías que fazem parte da história do Baixo Tocantins desde imemoriais datas pelas relações comerciais estabelecidas com os rios de nossas imediações, como com os que levam às regiões mais distantes do Estuário Amazônico. A antiga Carpintaria Naval do Baixo Tocantins supriu esses corpos d’água de embarcações de todos os tamanhos e tipos e para as mais diferentes atividades pelas águas do Estuário Amazônico.

CITAÇÃO DE ALGUMAS ANTIGAS E IMPORTANTES LOCALIDADES, MUNICÍPIOS E REGIÕES NO COMPLEXO DELTÁICO ESTUARINO AMAZÔNICO NO PERÍODO PROVINCIAL DO PARÁ:
No Complexo Deltaico Estuarino temos a presença de antigas localidades, municípios, regiões, estados, oceano, rios, canais, baías, ilhas, fazendo parte do Estuário Amazônico e novos municípios que foram surgindo em diferentes regiões do Estuário, alguns dos quais serão aqui citados por se situarem em antigas regiões de coletas e agora com outros potenciais. Entre as localidades e corpos geográficos antigos da relação abaixo, alguns desses merecerão, nas diversas postagens, algumas menções por seu passado histórico ou por outros motivos de importância para Abaetetuba e sua região do Baixo Tocantins. Vide o histórico desses e outros municípios do sistema deltaico estuarino amazônico em outros itens destas postagens. Aqui fazemos apenas a citação de algumas localidades e vias fluviais importantes, faltando a citação de outros que entrarão posteriormente, em razão da falta de tempo para suas inclusões.
·         Região de Mosqueiro, com a Ilha de Mosqueiro e os seus Altos estuarinos
·         Arquipélago do Marajó, com a Ilha do Marajó, Baía de Marajó, costas do Marajó, margens do Marajó. Ilha do Marajó, grande e importante ilha fluvial do curso do Rio Amazonas.
·         Belém, como a porta de entrada da Amazônia e com o Rio Pará que nasce na Região das Ilhas do Pará e deságua entre o Cabo Maguari e a Ponta Curuçá e é um dos principais formadores da Baía do Marajó. Na margem esquerda o Rio Pará tem a costa da Ilha do Marajó e na margem direita várias ilhas, separadas do continente por furos, e a cidade de Belém.  Belém também com suas baías, rios, lagos, igarapés, sua região metropolitana, que como a principal cidade do Estuário Amazônico, recebe o impacto do deságue de importantes rios, como o Guamá, Capim, Acará e Moju e Belém,  e demais cidades de sua influência, se encarregam de despejar nesses corpos d’água uma grande quantidade de dejetos de seu sistema sanitário, que vêm contribuindo para fazer dessas massas d´água áreas contaminadas e poluídas, que em breve tempo, caso não sejam tomadas medidas saneadoras desses problemas, se tornarão áreas de um deserto biológico.
·         Santa Cruz do Arari, com o Lago do Arari
·         Ilhas importantes, além da Marajó: a Grande de Gurupá, a Caviana, a Mexiana, a Janaucu, a Queimada etc.
·         Baixo Tocantins com o seu Complexo Deltaico Estuarino
·         Rios do complexo dos rios Guamá/Moju/Acará/Capim
·         Rios do complexo dos rios Guamá-Moju
·         Oceano Atlântico como limite Norte com o Pará, junto com o Estado do Amapá, o Suriname e a Guiana.
·         do Pará e a Costa Atlântica no Estuário Amazônico, Litoral Atlântico, Estado do Amapá e Guianas às proximidades do Marajó.
·         Breves com o Delta das Bocas (Breves/Boiuçu) ou simplesmente Delta de Breves, que é um delta interno no Complexo Deltaico Estuarino Amazônico, Estreito de Breves.
·         Rio Tocantins e o seu Delta Estuarino Tocantino
·         Rio Pará e seu delta interno junto com Breves-Boiuçu e o estuário do Rio Pará
·         Estado do Amapá, que participa do Complexo Estuarino Amazônico, junto com o Estado do Pará e é o limite Norte do Pará, junto com o Suriname e a Guiana.
·         Estado do Pará Estado, que participa do Complexo Estuarino Amazônico, junto com o Estado do Amapá.
·         Anajás no complexo das Ilhas de Anajás/Charapucu, com as planícies alagáveis, os lagos e tesos (áreas de terras firmes centrais) que se estendem desde o rebordo central do conjunto de Anajás até o Canal Sul e o Litoral Atlântico, com área de sedimentação rica em manguezais.
·         Ilha Galhoão, de Marajó, Estado do Pará, onde se inicia o grande Estuário Amazônico
·         Gurupá, na Ilha Grande Gurupá
·         Ponta de Jupaú, no Estado do Amapá (ao sudoeste da Ilha de Curuá), onde finaliza o grande Estuário Amazônico.
·         Ponta de Pedras, nome que vem da sua Ponta de Pedras
·         Abaetetuba, que junto com Cametá e demais municípios tocantinos, possuem suas centenas de pequenas ilhas, e baías, costas, rios, igarapés, praias, sitos no Estuário Tocantino e a indústria canavieira e o comércio de regatão em Abaetetuba.
·         Acará e o Rio Acará
·         Barcarena e o rio Carnapijó, Furo do Arrozal como caminho natural para Belém dos que vinham do Baixo Tocantins e Marajó.
·         Cametá, como a cidade mais antiga e histórica do Baixo Tocantins e demais atributos dos municípios da área do Estuário Tocantino.
·         Chaves
·         Curralinho
·         Gurupá com a Ilha Grande de Gurupá em divisa com o Estado do Amapá
·         Muaná
1.       Salvaterra, com as ilhas existentes desde a Ponta de Pedras até Salvaterra, na margem leste do Marajó.
·         Soure
·         São Sebastião de Boa Vista, como importante entreposto comercial durante a indústria canavieira do Baixo Tocantins.
·         São Domingos do Capim e o Rio Capim
·         São Miguel do Guamá e o Rio Guamá
·         Ourém e o Rio Guamá
·         Moju e o Rio Moju, antigos engenhos coloniais e o rio e lacalidade Cairary
·         Faro
·         Serra de Carajás
·         Santarém e o Rio Tapajós, que é afluente do Rio Amazonas, que nasce do encontro dos rios Juruena e São Manuel, também conhecido como Teles-Pires, na divisa dos Estados do Pará, Amazonas e Mato Grosso e mede 1.992 km de extensão. Suas águas são de coloração azul-esverdeada, constituindo-se em atração turística. Devido às diferenças de composição, densidade e temperatura, as águas do Tapajós não se misturam com as águas do Amazonas, provocando o fenômeno conhecido como “Encontro das Águas” que pode ser visto em frente à cidade de Santarém e o Lago Poção como limite com Óbidos e Juruti.
·         Óbidos com o Lago Poção e Lago Ipuapixuna
·         Juruti com o Lago Poção
·         Óbidos, município que se destaca pela grande vazão ou descarga do Rio Amazonas e onde esse rio tem sua passagem mais estreita (Estreito de Óbidos), que faz o Rio Amazonas descer para apenas 2,5 km/h em sua velocidade, em comparação à velocidade normal de 8 km/h.
·         Juruti e o Lago Poção
·         Oriximiná e o Rio Trombetas
·         Igarapé-Miri, Canal de Igarapé-Miri, Vila e Rio Maiuatá, antigos engenhos coloniais e da indústria canavieira e comércio de regatão.
·         Macapá e sua Região Metropolitana no Estuário Amazônico
·         Acará com o Rio Acará
·         Icoaraci com os Terraços de Icoaraci
·         Portel, com seus vales e os vales de Caxiuanã
·         Tucurui, localizada no alto Tocantins, e este rio, depois de receber o Rio Araguaia (nas proximidades da cidade de Marabá, no Pará), segue rumo à sua foz, no Golfão Amazônico, no Estado do Pará, constituindo a Bacia Araguaia-Tocantins. Essa bacia possui grande potencial hidrelétrico e em seu rio principal, o Tocantins, onde foi construída a Hidrelétrica de Tucuruí, que abastece grande parte da Região Norte e o Projeto Carajás.
·         Altamira, que fica situada na margem esquerda Rio Xingu e este rio é afluente da margem direita do Rio Amazonas.  A cidade de Altamira e sua região, no futuro, serão bastante conhecidas pela construção da barragem da Hidrelétrica de Belo Monte com seus impactos ambientais que já começaram a ser sentidos pela destruição de ecossistemas, na biodiversidade e pelas populações nativas da região.
·         Marabá,  com o rio Araguaia, a coleta de castanha-do-Pará e como importante centro mineral do Pará

ABAETETUBA E A REGIÃO DO BAIXO TOCANTINS NO ESTUÁRIO AMAZÔNICO:
·         No Complexo Deltaico Estuarino Amazônico, o município de Abaetetuba é um minúsculo ponto do grande Estuário e nós a enfatizamos junto com toda a Região do Baixo Tocantins, pelo fato de serem os municípios do Baixo Tocantins os de nossa origem, com sua história e cultura peculiar, que ao longo dos períodos históricos do Pará, sofreram, e continuam sofrendo, pelas influências históricas e econômicas emanadas pela ocupação do próprio Estuário Amazônico, incluindo nessas influências, os municípios vizinhos do Baixo Tocantins, como também alguns municípios mais distantes e suas regiões que, de algum modo, impactaram a nossa história, especialmente no tocante à economia da região, baseada nos recursos naturais oferecidos pelo grande Estuário Amazônico e sua parte que chamamos de Estuário Tocantino, que compreende municípios de algumas regiões do Pará. Assim, os principais municípios dessas regiões e outros mais distantes, serão mencionados nestas postagens, que serão várias, abarcando os fatos históricos, sócio-econômicos, aspectos geográficos, culturais e outros, que consideramos importantes para a nossa história e desenvolvimento. É claro que não somos os principais municípios e regiões do grande Estuário Amazônico, mas essa região diz respeito à nossa história, como ribeirinhos do Baixo Tocantins, Marajó e Região de Belém. Belém sim, é a principal cidade do Complexo Deltáico Estuarino Amazônico e essa cidade e sua Região Metropolitana serão destacados nas postagens, pelos grandes impactos, positivos ou negativos, que influenciaram e continuam influenciando na vida das diversas localidades tocantinas. Faremos também um apanhado de Macapá e sua Região Metropolitana, pois Macapá é o segundo município mais importante, no que diz respeito à extensão do Estuário Amazônico.
·         Outro aspecto a ser considerados nestas postagens é o dos Recursos Naturais do Estuário Amazônico, que se tornaram determinantes para o surgimento e desenvolvimento dos núcleos populacionais do Estuário Amazônico e que, agora, estão começando a rarear e alguns desses aspectos se tornando fatores de dificuldades, como é o caso de diversas massas d´águas, florestas, Flora, Fauna e outros aspectos que estão sofrendo grande impacto pela ação destrutiva do próprio homem, este representando pelos nossos ribeirinhos e, principalmente, pela ação dos que vieram desenvolver atividades, lícitas ou ilícitas, no Estuário Amazônico.
·         Também faremos um apanhado no potencial hídrico do Estuário Amazônico, nas questões do potencial hidrelétrico e portuário, abrangendo os fatores positivos ou negativos no uso desses potenciais, isto é, nas facilidades econômicas no uso desses potenciais, como também nos grandes impactos ambientais que vêm causando nas áreas do Estuário.
·         Além de mencionar os diversos aspectos da vida ribeirinha, faremos críticas construtivas e daremos algumas sugestões de soluções para alguns problemas decorrentes do Estuário Amazônico.

AS ATUAIS MESOS E MICRORREGIÕES DO PARÁ:
Antigamente a divisão da Província do Pará se dava em função das atividades econômicas das localidades, especialmente pela produção da borracha. Assim existiam as seguintes regiões: Região das Guyannas, Região das Ilhas do Pará, Região dos Rios, Região Agrícola.
Atualmente o Estado do Pará foi dividido em Mesos e Microrregiões, divisão baseada nas questões das águas, terras, recursos naturais e atividades econômicas similares. Baseado nessa divisão é que resolvemos destacar algumas Mesos e Microrregiões e alguns municípios que foram nos tempos mais antigos, e continuam a ser nos tempos mais recentes, importante para a história de Abaetetuba/PA e sua região do Baixo Tocantins ou da atual Microrregião de Cametá, conforme as pesquisas efetuadas em várias fontes, como dados do IBGE dos anos de 2008 até 2010 e até pode ser que a divisão apresentada abaixo já tenha sido modificada, dado o dinamismo em vários aspectos que afeta a vida de algumas Mesos e Microrregiões do Pará.
Mesorregião é uma subdivisão dos estados brasileiros que congrega diversos municípios de uma área geográfica com similaridades econômicas e sociais, que por sua vez, são subdivididas em microrregiões. Foi criada pelo IBGE e é utilizada para fins estatísticos e não constitui, portanto, uma entidade política ou administrativa.
Microrregião é, de acordo com a Constituição brasileira de 1988, um agrupamento de municípios limítrofes. Sua finalidade é integrar a organização, o planejamento e a execução de funções públicas de interesse comum, definidas por lei complementar estadual. Entretanto, raras são as microrregiões assim definidas. Consequentemente, o termo é muito mais conhecido em função de seu uso prático pelo IBGE que, para fins estatísticos e com base em similaridades econômicas e sociais, divide os diversos estados da federação brasileira em microrregiões.
AS MESORREGIÕES DO PARÁ:
São 6 as Mesorregiões do Estado do Pará:
1.       Mesorregião do Baixo Amazonas
2.       Mesorregião de Marajó
3.       Mesorregião Metropolitana de Belém
4.       Mesorregião do Nordeste Paraense
5.       Mesorregião do Sudeste Paraense
6.       Mesorregião do Sudoeste Paraense
A mesorregião onde está situado o município de Belém é a Mesorregião Metropolitana de Belém, que é fortemente influenciada pelo Estuário Tocantino, sendo Belém a Capital do Estado do Pará, a maior dentre todas as cidades e que têm influência no cotidiano da vida da maioria dos municípios às suas proximidades, inclusive dos municípios de Abaetetuba e as demais do Baixo Tocantins, que estão situados na Mesorregião do Nordeste Paraense que, junto com a Capital, serão o centro destas postagens sobre o Estuário Amazônico.
Quando nos referirmos à Abaetetuba e sua Região estaremos nos referindo às regiões das quais Abaetetuba faz parte como a Microrregião de Cametá, da Região do Baixo Tocantins, da Mesorregião do Nordeste Paraense, da Zona Tocantina e até mesmo da região abrangida pela Diocese de Abaetetuba, daí o destaque que faremos a algumas mesorregiões e algumas microrregiões que, desde o Período Colonial do Pará, passando pelo Período Provincial e até o início e atual fase do Período Republicano, vem destacando a importâncias dessas regiões e alguns de seus municípios, para Abaetetuba e sua Região e em variados aspectos, especialmente nos aspectos econômicos, sócio-político, histórico e outros que contribuíram para o desenvolvimento de Abaetetuba e demais municípios de sua Região.

IMPORTÂNCIA DAS MESORREGIÕES DO PARÁ PARA ABAETETUBA E SUA REGIÃO:
Para melhor situar Abaetetuba e sua Região no Estado do Pará como um todo, iniciamos por enumerar as Mesos e Microrregiões e os diversos aspectos e relações que essas regiões têm para com Abaetetuba e sua Região do Baixo Tocantins no contexto Estuarino Amazônico.
A divisão do Pará em Mesos e Microrregiões é fato recente, se comparado com a história do nosso estado através de seus períodos históricos. Existem antigos municípios nas diversas mesorregiões do Pará que mantiveram estreitas relações comerciais com Abaetetuba e alguns desses municípios serão enfatizados nas diversas postagens. Muitos municípios surgiram no Pará após a década de 1970, data que consideramos importante devido o ciclo da Indústria Canavieira e do Comércio de Regatão do Baixo Tocantins, que foram elementos importantes do relacionamento comercial estabelecido com alguns antigos municípios do Estuário Amazônico, onde as relações comerciais só eram possíveis de efetuar através das vias fluviais, inclusive em comércio com outros estados vizinhos e até os limites com a Guiana Francesa que faz limites com o atual Estado do Amapá. Citaremos alguns desses novos municípios do Pará devido sua importância econômica com reflexos na economia atual dos municípios do Baixo Tocantins.

·         Mesorregião do Baixo Amazonas:
A Mesorregião do Baixo Amazonas possui as seguintes mesorregiões como limites: Marajó, Sudoeste Paraense, Sul do Amapá/AP, Sul de Roraima/RR e Centro Amazonese/AM e que é formada por 14 municípios: Alenquer, Juruti, Porto de Moz, ALMEIRIM, Monte Alegre, Prainha, Belterra, ÓBIDOS, SANTARÉM, Curuá, Oriximiná, Terra Santa, Faro, Placas, agrupados em 3 microrregiões:
Microrregiões do Baixo Amazonas:
·         Microrregião de Almeirim
·         Microrregião de Óbidos
·         Microrregião de Santarém
Mesorregião do Marajó:
Tem como Mesorregiões limítrofes:
·         Mesorregião Metropolitana de Belém
·         Mesorregão do Nordeste Paraense
·         Mesorregião do Sudoeste Paraense
·         Mesorregião do Baixo Amazonas
·         Mesorregião do Sul do Amapá/AP
E compõe-se de 16 municípios que formam a Mesorregião do Marajó: Afuá, Curralinho, Salvaterra, Anajás, Gurupá, Santa Cruz do Arari, Bagre, Melgaço, São Sebastião da Boa Vista, BREVES, Muaná, Soure, Cachoeira do Arari, Ponta de Pedras, Chaves, PORTEL, que estão distribuídos em 3 microrregiões:
·         Microrregião do Arari
·         Microrregiãos dos Furos de Breves
·         Microrregião de Portel
A Importância das Mesorregiões do Baixo Amazonas e do Marajó Para Abaetetuba e Sua Região:
São duas mesorregiões, incluindo alguns municípios vizinhos do Amazonas e Acre, que foram importantes para Abaetetuba, sua Região e todo o Pará, pelo intercâmbio comercial  (transporte via fluvial da borracha, produtos do extrativismo animal e vegeta e do comércio de regatão) desde os tempos provinciais em diante (1822 ...), que ajudou no desenvolvimento e Abaetetuba e outros municípios da região. E a Mesorregião do Marajó tem também importância pela proximidade de sua região com Abaetetuba e pela grande contribuição de seus antigos habitantes, os índios do Arquipélago do Marajó, que também ajudaram a povoar as costas e margens dos rios que atualmente formam as populações ribeirinhas do Baixo Tocantins, e também no fornecimento de pescados, carne de gado vacum e outras carnes (capivara, jacaré, atualmente proibidas a sua comercialização), da borracha, peles (comércio também proibido hoje), madeiras e outros produtos do extrativismo animal e vegetal que faziam parte das antigas relações comerciais desssa meso com a Região Tocantina, especialmente o Baixo Tocantins e a Capital, Belém. O Arquipélago do Marajó se encontra em pleno coração do Estuário Tocantino, junto com a Microrregião do Baixo Tocantins.
·         A Mesorregião Metropolitana de Belém:
A Mesorregião Metropolitana de Belém possui as seguintes mesorregiões como limites:
·         Mesorregião do Marajó
·         Mesorregião do Nordeste Paraense
E compõ-se de 11 os municípios que compõem a Mesorregião Metropolitana de Belém: Ananindeua, Bujaru, Santa Bárbara do Pará, Barcarena, CASTANHAL, Santa Izabel do Pará, BELÉM, Inhangapi, Santo Antonio do Tauá, Benevides, Marituba, (alguns desses municípios estão bem perto de Abaetetuba e outros municípios da Micorregião de Cametá) que, por sua vez, estão agrupados em duas microrregiões:
·         Microrrregião de Belém
·         Microrregião de Castanhal
A Mesorregião do Nordeste Paraense:
A Mesorregião do Nordeste Paraeense possui como Mesorregiões limítrofes:
·         Mesorregião Metropolitana de Belém
·         Mesorregião do Marajó
·         Mesorregião do Sudoeste Paraense
·         Mesorregião do Sudeste Paraense
·         Mesorregião do Oeste Maranhense/MA
E são 49 municípios paraenses que compõem a Mesorregião do Nordeste Paraense: ABAETETUBA, Ipixuna do Pará, Santa Luzia do Pará, Acará, Irituia, Santa Maria do Pará, Augusto Corrêa, Limoeiro do Ajuru, Santarém Novo, Aurora do Pará, Mãe do Rio, São Caetano de Odivelas, Baião, Magalhães Barata, São Domingos do Capim, Bonito, Maracanã, São Francisco do Pará, BRAGANÇA, Marapanim, São João da Ponta, Cachoeira do Piriá, Mocajuba, São João de Pirabas, CAMETÁ, Moju, São Miguel do Guamá, Capanema, Nova Esperança do Piriá, Tailândia, Capitão Poço, Nova Timboteua, Terra Alta, Colares, Oeiras do Pará, TOMÉ-AÇU, Concórdia do Pará, Ourém, Tracuateua, Curuçá, Peixe-Boi, Vigia, Garrafão do Norte, Primavera, Viseu, Igarapé-Açu, Quatipuru, Igarapé-Miri, Salinópolis, que, por sua vez, estão agrupados em 5 microrregiões. Portanto, Abaetetuba e os demais municípios da Microorregião de Cametá, estão localizados na Mesorregião do Nordeste Paraense.
Microrregiões da Mesorregião do Nordeste Paraense:
·         Microrregião Bragantina
·         Microrregião de CAMETÁ
·         Microrregião do Guamá
·         Microrregião do Salgado
·         Microrregião de TOMÉ-AÇU
A Importância da Mesorregião Metropolitana de Belém e da Mesorregião do Nordeste Paraense Para Abaetetuba e Demais Municípios da Região e do Pará:
A Mesorregião Metropolitana de Belém, que tem Belém como Capital do Estado do Pará, é a mais rica e povoada e que influencia em diversos aspectos (econômico-financeiro, sócio-político, cultural, educacional, transportes e outros) as demais mesos e que também recebe os benefícios advindos das demais mesorregiões do Estado, como exemplo a energia elétrica fornecida pela Hidrelétrica de Tucuruí, pescados do Marajó, madeira e frutos dos municípios do Estuário Tocantino, carne de gado vacum e madeira das regiões Sudeste e Sudoeste. E a Mesorregião do Nordeste Paraense é importante porque nela estão situados os municípios de Abaetetuba e demais municíos da Microrregião de Cametá e as demais microrregiões vizinhas que são fortemente influenciadas pelos diversos aspectos do Estuário Tocantino (Vide abaixo).
·         A Mesorregião do Sudeste Paraense:
A Mesorregião do Sudeste Paraense possui como mesorregiões limítrofes:
·         Mesorregião do Nordeste Paraense
·         Mesorregião do Sudoeste Paraense
·         Mesorregião do Oeste Maranhense/MA
·         Mesorregião do Nordeste Matogrossense/MT
·         Mesorregião Ocidental do Tocantins/TO
E são 39 os municípios que compêm a potencialmente rica Mesorregião do Sudeste Paraense: Abel Figueiredo, Goianésia do Pará, Rio Maria, Água Azul do Norte, Itupiranga, Rondon do Pará, Bannach, Jacundá, Santa Maria das Barreiras, Bom Jesus do Tocantins, MARABÁ, Santana do Araguaia, Brejo Grande do Araguaia, Nova Ipixuna, São Domingos do Araguaia, Breu Branco, Novo Repartimento, SÃO FÉLIX DO XINGU, Canaã dos Carajás, Ourilândia do Norte, São Geraldo do Araguaia, CONCEIÇÃO DO ARAGUAIA, Palestina do Pará, São João do Araguaia, Cumarú do Norte,
PARAGOMINAS, Sapucaia, Curionópolis, PARAUAPEBAS, Tucumã, Dom Eliseu, Pau D'arco, TUCURUÍ, Eldorado do Carajás
, Piçarra, Ulianópolis, Floresta do Araguaia, REDENÇÃO, Xinguara, que, por sua vez, são agrupados em 7 microrregiões.
Microrregiões da Mesorregião do Sudeste Paraense:
·         Microrregião de Conceição do Araguaia
·         Microrregião de Marabá
·         Microrregião de Paragominas
·         Microrregião de Parauapebas
·         Microrregião de Redenção
·         Microrregião de São Félix do Xingu
·         Microrregião de Tucuruí
A Mesorregião do Sudoeste Paraense:
A Mesorregião do Sudeste Paraense tem como mesorregiões limítrofes:
·         Mesorregião do Baixo Amazonas
·         Mesorregião do Marajó
·         Mesorregião do Nordeste Paraense
·         Mesorregião do Sudeste Paraense
·         Mesorregião do Centro Amazonense/AM
·         Mesorregião do Norte Matogrossense/MT
E possui 14 os municípios que formam a potencialmente rica Mesorregião do Sudoeste Paraense: ALTAMIRA, Jacareacanga, Senador José Porfírio, Anapu, Medicilândia, Trairão, Aveiro, Novo Progresso, Uruará, Brasil Novo, Pacajá, Vitória do Xingu, ITAITUBA, Rurópolis, que por sua vez são agrupados em duas importantes microrregiões.
Microrregiões do Sudoeste Paraense:
·         Microrregião de Altamira
·         Microrregião de Itaituba
Importância das Mesorregiões do Sudeste Paraense e do Sudoeste Paraense Para o Baixo Tocantins e o Pará, Como um Todo:
Nessas mesos encontra-se ainda uma considerável porção de floresta nativa amazônica que é importante para o equilíbrio dos ecossistemas ali presentes, exceção feita às áreas portuárias e as marginais das rodovias como Transamazônica e a Santarém-Cuiabá (que sofreram e sofrem os efeitos do desmatamento por conta da indústria madereira, da agro-indústria, da mineração e das usinas diversas e agora da Usina Hidrelétrica de Tucuruí e das usinas hidrelétricas, projetadas para essas regiões e também pela ação de grileiros e posseiros das áreas), de importância estratégica no escoamento da produção mineral, grãos e outros produtos advindos do Pará, Mato Grosso e outras mesos circunvizinhas, até os Portos de Santarém, Itaituba e outros terminais hidroviários importantes e de seu potencial hidroenergético para as instalações de usinas hidrelétricas.
Hoje a Mesorregião do Sudoeste Paraense vive a expectiva da construção da grande Hidrelética de Belo Monte, que com certeza vai se tornar elemento vital na redenção econômica do Pará como um todo e das microrregiões dessa área. Precisa apenas que os projetos nesse sentido levem em conta a grande quantidade de populações nativas e ribeirinhas e a grande quantidade de ecossistemas ecológicos que serão afetadas pela barragem da grande usina projetada e já em execução. E o Complexo do Hidrelétrico do Tapajós, onde estão projetadas outras usinas para aproveitar o grande potencial do rio Tapajós, como: UHE São Luiz do Tapajós, UHE Jatobá, UHE Jamanxim, UHE Cachoeira do Caí e UHE Cachoeira dos Patos, com obras que devem começar em 2012 e durar cerca de 5 anos, quando, após intaladas, terão uma capacidade somadas de 10.682 MW e Itaituba sendo  cidade base para a construção e operação dessas usinas, juntamente com o grande porto dessa cidade, já em projeto.
A Usina Hidrelétrica de Belo Monte é uma usina hidrelétrica projetada para ser construída no Rio Xingu, no município de Altamira e sua potência geradora de energia elétrica será de 11 233 MW, o que a tornará a maior usina hidrelétrica inteiramente brasileira.

As Antigas Relações Comerciais de Abaetetuba e Sua Região Com as Mesorregiões do Sudeste e Sudoente do Pará:
Antes do surgimento de muitos municípios dessas Mesorregiões, as antigas relações comerciais de Abaetetuba e sua região com essas mesorregiões, se fizeram sentir através da “Era da Borracha” (da metade do Seculo 19, até as primeiras décadas do Século 20) e do extrativismo animal e vegetal, onde o Baixo Tocantins também servia de rota no transporte da borracha e dos demais produtos desses antigos tempos, onde o município de Cametá foi o centro da comercialização desses produtos, circundado pelos demais municípios do Marajó e do Baixo Tocantins, que muito proveito souberam extrair desses laços comerciais. Inclusive o antigo comércio de regatão/regateio já era praticado nesses velhos tempos (regatear já era  termo usado pelos comerciantes das águas que navegavam pelos furos, igarapés, rios e baias da Região Amazônica, desde antes da 1ª metade do Século 19, onde o regatão eram as trocas de produtos dos comerciante com as mercadorias dos caboclos), e onde os barcos à vela (especialmente as canoas à vela), os batelões e os igarités de origem indígena, foram fundamentais no recolhimento dos produtos comerciais ribeirinhos, coletados em todas as antigas povoações (freguesias, vilas e cidades de então), que então eram produtos existentes em abundância no Baixo  Tocantins, na Ilha do Marajó e na Região do Baixo Amazonas (incluindo a parte paraense e a parte amazonense, que antes eram até unidos politicamente na antiga Capitania do Grão-Pará, em comércio que avançou para a era de Província do Pará).

O COMÉRCIO DE REGATÃO DO BAIXO TOCANTINS NAS DISTANTES REGIÕES ESTUARINAS:
·         A Cachaça, Produtos da Indústria Cerâmica, do Extrativismo e o Comércio de Regatão:
A cachaça, junto com os produtos advindos da indústria cerâmica, da atividade pesqueira, do extrativismo animal e vegetal, foram os principais produtos que impulsionaram o Comércio de Regatão do Baixo Tocantins, sendo esta a maneira que os donos de engenhos encontraram para desenvolver seus negócios. Geralmente os donos de engenhos de cana-de-açúcar do Baixo Tocantins, especialmente de Igarapé-Miri e Abaetetuba, atrelavam os negócios da indústria canavieira às atividades de comércio e navegação, criando a tríade de negócios da indústria-comércio-navegação, que se juntava, em alguns casos, aos negócios da indústria de cerâmica, das serrarias, das fábricas de refrigerantes, das usinas de beneficiamento de sementes oleaginosas, da indústria do sabão, dos empórios comerciais, etc, em fórmula seguida pelos donos de engenhos mais abastados, tendo alguns destes se destacado economicamente e, antes da grande crise da cachaça (anos finais de 1975) se estabeleceram nas cidades do Baixo Tocantins e, especialmente, na Capital do Estado, Belém/Pa, hoje desfrutando de sólidos negócios no Estado do Pará.
A atividade do Comércio de Regatão é antiga na Amazônia e já era praticada desde o Período Colonial, passando para o Período Provincial e avançando para o Período Republicano do Pará. No Baixo Tocantins o Ciclo da Borracha, as demais coletas e as atividades de caça e pesca  ajudaram a incrementar esse tipo de comércio pelas vias fluviais do Estuário Tocantino. Porém, foi com a Indústria Canavieira do Baixo Tocantins a partir do início do século 20 que esse tipo de comércio atingiu o seu período áureo, sendo inicialmente realizado através das chamadas canoas grandes à vela pelas regiões vizinhas do Marajó, Salgado Paraense e pelas localidades do sistema deltaico estuarino dos rios Guamá-Capim-Moju-Acará-Pará-Maiuatá, e ainda através das canoas à vela, levando os produtos das indústrias canavieira, oleira e outros produtos industrializados que tinham dificuldades em chegar às inúmeras localidades desse sistema estuarino. Na volta, os regateiros do Baixo Tocantins, especialmente os de Igarapé-Miri e Abaetetuba traziam desses lugares produtos como farinha de mandioca, peixes secos e salgados e outros produtos que eram facilmente comercializados pelas localidades do Baixo Tocantins, Marajó, Belém e sua região. O Comércio de Regatão avançou para localidades mais distantes do Baixo Amazonas e ainda através das canoas grandes dos tipos bivelas e trivelas. Com o surgimento dos chamados barcos-motores, o Comércio de Regatão atingiu localidades ainda mais distantes da Bacia Amazônica, especialmente as localidades do Baixo Amazonas, Tapajós, rios Trombeta, Jari e chegando a outros estados brasileiros, como o Amazonas, Acre, Amapá e esse tipo de comércio chegou até às Guianas Francesa e Holandesa, de lá trazendo mercadorias que hoje são consideradas da contravenção penal. O certo é que o Comércio de Regatão ajudou a alavancar a indústria canavieira do Baixo Tocantins, cujo principal produto era a famosa cachaça de Igarapé-Miri e Abaeté, que a partir dos anos finais da década de 1970 começou a sofrer irrefreável decadência, levando consigo o tradicional Comércio de Regatão do Baixo Tocantins que ainda teima em subsistir com viagens de alguns regateiros por distantes áreas do Estuário Amazônico.
Portanto, as inúmeras localidades, rios, municípios e regiões que aqui serão mencionadas, já tiveram com os municípios do Baixo Tocantins relacionamentos comerciais que incluíam os produtos daqui levados através dos barcos-motores que passavam mais de 3 meses em cada viagem.
Os barcos do Comércio de Regatão do Baixo Tocantins eram verdadeiras casas comerciais que atendiam os ribeirinhos e comerciantes de localidades distantes do Estuário Tocantino e demais localidades da Bacia do Rio Amazonas, incluindo o Baixo e Alto Tocantins e outras bacias em outros estados vizinhos.

Alguns Produtos do Comércio de Regatão do Baixo Tocantins:
·         Sementes oleaginosas da Região das Ilhas do Pará
·         Peixes secos salgados das localidades da Região do Salgado Paraense
·         Peixes frescos da Ilha do Marajó e Região do Salgado
·         Camarão do Marajó e das Costas
·         Pirarucu salgado do Baixo Amazonas
·         Farinha de mandioca da região do Guamá, Moju, Capim e regiões circunvizinhas
·         Borracha ou balata da Ilha do Marajó, Zona Tocantina e Baixo Amazonas
·         Madeira da Zona Tocantina, Região do Marajó e Baixo Amazonas
·         Peles de animais silvestres do Baixo Amazonas
·         Carnes de jacarés e capivaras
·         Produtos industrializados de Caiena, Paramaribo, Zona Franca de Manaus, que depois foram proibidos devido às leis das contravenções penais estabelecidas para esse tipo de comércio.
·         Utensílios e artefatos em barro do Baixo Tocantins e Marajó
·         Grãos da cultura tradicional do Pará
·         Cachaça, mel de cana da Indústria Canavieira do Baixo Tocantins
·         Refrigerantes e outros engarrafados industrializados
·         Enlatados, conservas e produtos alimentícios industrializados
Através de das embarcações do Baixo Tocantins ainda se estabeleceram os seguintes tipos de comércio:
·         Comércio de pescado com as regiões do Marajó e do Salgado feito através das antigas canoas à vela e, depois, dos barcos geleiros.
·         Comércio de gado da região do Marajó através dos barcos boiadeiros e desde o Período Provincial do Pará. O comércio de gado sustentou numerosas famílias de marchantes de Abaetetuba e região.

O Comércio de Regatão do Baixo Tocantins e o Ciclo da Borracha em relação com as distantes regiões do Estuário Amazônico e Bacia Amazônica:
Durante o Ciclo da Borracha, esta vinda do Marajó e das localidades tocantinas, da Região do Xingu, do Baixo Amazonas e de outras localidades da Planície Amazônica, com apogeu de 1890 a 1920, o Comércio de Regatão concorreu para a circulação dessa matéria-prima que era largamente exportada para a Europa e Estados Unidos pelo porto de Belém e Manaus. Os barcos recolhiam a borracha em todos os pontos da Amazônia, que na maioria era transportada das localidades pelos barcos à vapor das diversas companhias da Província do Pará e início da Era Republicana. Porém os barcos do Comércio de Regatão aproveitaram para incrementar o seu comércio com esse produto que era levado para Manaus e Belém, de onde eram exportados para a Europa e EUA. No seu início não eram poucos os abusos e violências praticados pelos comerciantes de regatão contra às população indígenas, ribeirinhas e seringueiros, na forma de trapaças nas negociações, abusos sexuais, escravização dos povos indígenas.
Apesar dos abusos praticados pelos primeiros regateiros dos tempos provinciais, esse tipo de comércio era o único meio que as diversas e longínquas regiões da Província possuíam para receber produtos como: farinha, bebidas alcoólicas, tecidos, grãos, carnes salgadas, pirarucu salgado, perfumes, calçados, jóias (poucas eram verdadeiras), fósforos, armas, facas, facões, utensílios de cozinha e outros produtos. Sabe-se que no comércio de borracha que os únicos perdedores desse grande e rico comércio foi o segmento dos extrativistas (seringueiros), por que eram os demais elos, inclusive os regateiros, os que lucravam com esse comércio. Nos anos de 1850 o comércio da borracha já correspondia a 1/3 das rendas da Província, devido às exportações em massa desse produto, que era o mais visado pelos primeiros regateiros da Província do Pará.
·         Ainda o Comércio de Regatão no Baixo Tocantins e Marajó com as distantes regiões estuarinas amazônicas:
Mais recentemente, a partir dos anos de 1940, o comércio de regatão continuou a ser  realizado pelos rios da região e também com regiões mais distantes, através das embarcações de Abaetetuba e Igarapé-Miri e outros municípios, tipo de comércio que também teve a sua fase áurea concomitante à fase áurea da Indústria Canavieira, cuja cachaça era vendida em todo o Estado do Pará, chegando até os estados vizinhos do Amazonas, Amapá, Acre e Guianas e Paramaribo e que, com a crise da cachaça nos anos finais de 1975, o Comércio de Regatão também entrou em decadência. Era uma forte atividade das economias de Abaetetuba e Igarapé-Miri, que ainda subsiste nos dias atuais, porém sem a pujança do passado.
As relações comerciais de Abaetetuba e Igarapé-Miri com outras regiões, através do Comércio de Regatão, vêm do Período Colonial do Pará, que atravessaram todo o Período Provincial e atingiram o Período Republicano, chegando até aquele marco histórico dos anos finais da década de 1970, quando se iniciou a decadência da Indústria Canavieira de Abaetetuba e Igarapé-Miri, tendo a cachaça como o carro-chefe dos produtos que saíam desses municípios para abastecer os tradicionais municípios das hoje chamadas Mesorregiões do Baixo Amazonas, do Marajó, Metropolitana de Belém, Nordeste Paraense e alguns municípios de outras Mesorregiões, chegando até os municípios de outros estados brasileiros, das Guianas e Paramaribo. Com o início da derrocada da indústria canavieira, este fato também levou à derrocada de outras importantes atividades comerciais e agro-industriais de Abaetetuba,  Igarapé-Miri  e área do Marajó, como o antigo Comércio de Regatão, a Indústria Cerâmica, a Carpintaria Naval que eram base da antiga economia desses municípios.
O Comércio de Regatão é antigo no Pará, tendo surgido ainda no período colonial e se intensificado no período provincial. O antigo comércio de regatão se baseava nos produtos trocados pelos comerciantes do regateio, que íam das simples trocas de objetos como agulhas, anzóis, remédios usados pelos antigos coletores (no tempo das grandes epidemias de malária e outras doenças tropicais), até as roupas, tecidos, perfumes, bebidas, jóias, louças, etc. locais ou vindas da Europa e Estados Unidos que eram trocados pelos produtos da coleta dos caboclos como a borracha, algodão, arroz, cacau, azeites, óleos, castanha-do-pará, couros de animais silvestres, drogas do sertão, farinha d’água, peixes salgados e grudes de peixes, madeira, fibras vegetais, etc. É claro que eram os índios e, posteriormente, os caboclos e ribeirinhos que saíam no prejuízo nessa antiga forma de comercialização, já que não conheciam o valor dos produtos de suas necessidades e dos vindos de sua coleta e produção agrícola.

Relação do Comércio de Regatão de Abaetetuba, Igarapé-Miri e outros municípios do Baixo Tocantins Com as Regiões Atingidas por Esse Tipo de Comércio:
É histórica a relação comercial que os municípios de Abaetetuba e Igarapé-Miri estabeleceram com os municípios das Mesorregiões do Baixo Amazonas, Marajó e com os municípios das Microrregiões de Almeirim, Arari, Bragantina, Belém, Cametá, Furo de Breves, Guamá, Óbidos, Salgado, Santarém e Rio Capim, quando da fase áurea da Indústria Canavieira (principalmente com a comercialização de açúcar e cachaça), dos produtos da indústria cerâmica, da atividade pesqueira e da produção extrativista animal e vegetal (fases que foram praticamente contemporâneas), que ajudaram no desenvolvimento desses dois municípios que podem, historicamente, ser chamados de “Terra da Cachaça”.
·         Cachaça Como o Principal Produto do Comércio de Regatão do Baixo Tocantins:
Pela imensidão do território da Província do Pará e pela presença de centenas de vias navegáveis, o comércio de regatão começou a ser praticado no Período Colonial do Pará e se estendeu para os períodos Provincial e Republicano, em comércio praticado através de botes, batelões e, posteriormente, de canoas à vela e barcos-motores. Esse comércio consistia em se levar produtos  manufaturados e trocá-los ou vendê-los pelos produtos do extrativismo animal e vegetal praticado pelos indígenas, sendo estes, por sua ingenuidade e falta de práticas comerciais, largamente logrados pelos primeiros comerciantes de regatão da Província do Pará.
Existem citações em documentos provinciais que descrevem o contexto desse comércio e a iniciativa governamental em tentar proibir o comércio feito pelos rios da Província:
Ano de 1852, quando era presidente da Província do Pará, o Dr. José Joaquim da Cunha, que escreveu: “Foi decretada uma lei que proíbe o Comércio de Regatão, porém privou indivíduos que habitando grandes distâncias das povoações e que as obrigam a ir a estas para vender e comprar, fazendo com que isso gerasse mais despesas, incômodos, riscos de vida, abandono de suas famílias que também ficavam sujeitas aos riscos e os coletores e extratores das florestas perdiam grande tempo nessas viagens. Este comércio não deve ser proibido e sim regularizado”.
Motivos pelo qual foi decretada referida lei: “O abuso dos comerciantes de regatão com os índios, que eram lesados nas trocas, maltratados pelos comerciantes e sempre enganados nas negociações”. 
E o Comércio de Regatão seguiu seu curso e no Baixo Tocantins, Ilha do Marajó, Região do Salgado, terras banhadas pelos rios Acará, Capim, Moju, Guamá, Igarapé-Miri, e para o Baixo Amazonas e Capital da Província e sua área metropolitana, onde era praticado em larga escala em embarcações à vapor e, posteriormente, embarcações movidas à motor de óleo Díesel.

Foi o Comércio de Regatão que alavancou a Indústria Canavieira do Baixo Tocantins, especialmente nos municípios de Abaetetuba e Igarapé-Miri, conforme as informações:
E foi realmente a cachaça o carro-chefe do comércio de regatão de Igarapé-Miri e Abaetetuba  já a partir das últimas décadas do século 19 e no século 20, até os anos finais da década de 1970, quando esse comércio começou também a ser atingido pela crise da cachaça dessa fatídica década. Os comerciantes de regatão do Baixo Tocantins seguiam com seus barcos comercializando seus produtos pelas localidades situadas nas margens dos rios do Baixo Tocantins, Marajó, localidades do Baixo Amazonas, pela região do Salgado e pelas margens dos rios Capim, Guamá, Acará, Moju, Igarapé Miri, nas capitais dos estados do Pará, Amazonas, Amapá, pelo rio Oiapoque, chegando até o Estado do Acre. Foi a Indústria Canavieira (especialmente a cachaça) e o comércio de regatão que impulsionaram a prosperidade de muitas famílias de Igarapé-Miri e Abaetetuba, famílias essas que também deram origem aos tradicionais clãs familiares desses dois municípios.
Pelas mesmas características de produção econômica da Indústria Canavieira e do Comércio de Regatão, as famílias que exploravam esses negócios mantinham seus interesses comerciais tanto em um, quanto em outro desses dois municípios, fato que também leva ao fenômeno das antigas famílias de Abaetetuba e Igarapé-Miri possuírem a ancestralidade comum das famílias que constituíram as populações atuais desses dois municípios.
Abaetetuba Como Polo Comercial e Educacional no Baixo Tocantins:
No caso de Abaetetuba, quando da decadência da Indústria Canavieira e do Comércio de Regatão, sua já forte condição de Polo Comercial ajudou na escalada do desenvolvimento que hoje experimenta e a coloca como Pólo Comercial e Educacional da sua Microrregião de Cametá e junto com Cametá, e também como Polo Comercial e Educacional de todo o Baixo Tocantins e também com influência em alguns municípios de outras Microrregiões vizinhas. E o dito desenvolvimento se deve às antigas relações comerciais que vieram dos antigos e tradicionais municípios das hoje classificadas Mesos e Microrregiões que ainda não possuíam a quantidade de municípios que surgiram após os anos finais da década de 1970, que consideramos o marco da decadência da Indústria Canavieira e do Comércio de Regatão.

Blog do ADEMIR ROCHA, de Abaetetuba/PA

Nenhum comentário:

Postar um comentário