ESTUÁRIO 3 - ABAETETUBA E O BAIXO TOCANTINS NO CONTEXTO DELTAICO ESTUARINO AMAZÔNICO ATRAVÉS DOS PERÍODOS HISTÓRICOS DO PARÁ
3ª postagem
Sumário dos itens desta postagem:
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Datas de referências históricas
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O complexo deltaico estuarino amazônico:
particularidades, ilhas estuarinas, florestas estuarinas
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Os rios do Estuário Amazônico ou com influências
no Estuário: Bacia Amazônica
·
O Rio Amazonas: aspectos, navegação fluvial,
navegabilidade dos afluentes, importantes afluentes, ilhas no Rio Amazonas
(Grande de Gurupá, Caviana, Mexiana, Janaucu, Queimadas), fonômenos no Rio
Amazonas (pororoca, mistura das águas, marés, terras caídas, cores dos rios),
foz amazônica/desembocadura, drenagem do Rio Amazonas e seus tributários,
volume d’água do Rio Amazonas, aspectos dos principais afluentes: Rio Tapajós,
rio Araguaia e seus afluentes, Rio Tocantins e o estuário do Rio Pará, Rio
Nhamundá, Rio Trombetas, Rio Xingu
·
Outros rios do sistema deltaico estuarino: Rio
Capim, Rio Jari, Rio Pará, Rio Moju, Rio Guamá, Rio Acará, Rio Maiuatá
·
Alguns furos, igarapés e lagos (Arari, Poção,
Sapucá, Ipuapixuna) no Rio Amazonas e seus afluentes
·
Bacia do Tocantins-Araguaia
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Citação sobre antigas localidades, freguesias e
municípios estuarinos
·
Abaetetuba e o Baixo Tocantins no Estuário
Tocantino e Amazônico
·
A atual divisão do Pará em mesos e microrregiões
vindas das antigas regiões: importâncias das distantes mesorregiões do Pará
para Abaetetuba e sua região, as antigas relações comerciais com essas
distantes mesos, o Comércio de Regatão do Baixo Tocantins com essas mesos e
alguns produtos desse comércio (cachaça, borracha, produtos dos extrativismo,
caça e pesca, etc), Abaetetuba e igarapé-Miri nesse comércio.
Datas de Referências Para o Entendimento das Diversas Fases que Serão
Citadas nos Textos Abaixo:
Estas postagens são frutos de
pesquisas várias em textos novos e antigos, com poucas opiniões do autor do
Blog do ADEMIR ROCHA, com nomes e itens que já podem se encontrar defasados,
mas importantes para o bom entendimento dos variados assuntos das diversas postagens
sobre o Estuário Amazônico. Os respectivos itens serão acrescidos de outras
informações de acordo com as nossas pesquisas.
Resgatar a história-memória de pessoas, cidades, regiões, fatos
históricos e cultura seria um trabalho sem consistência se não existissem
as datas, e estas como elementos importantes
para levar os leitores a se situar melhor no contexto
sócio-histórico-cultural e financeiro do passado, daí a preocupação do autor do
Blog na citação de datas e fatos, que procuram identificar melhor as pessoas,
os vultos, os personagens, as localidades, os municípios e regiões e muitos
eventos dessa história-memória que envolve direta ou indiretamente Abaetetuba e
sua Região do Baixo Tocantins. As datas são importantes para nos situar no
passado e assim darmos valor àquilo que já tivemos, o que temos nos presente e
o que podemos almejar para o futuro de nosso município e Região. Uma localidade
sem sua memória é uma localidade sem história.
1.
Período
Colonial:
·
Dos Capitães-Mores: 1615 a 1753
·
Dos Governadores: 1753 a 1820.
Foi no tempo dos capitães-mores e dos governadores do então Grão-Pará
que surgiu a cidade de Santa Maria de Belém do Grão-Pará e as primeiras
povoações, entre estes o Povoado de Nossa S. da Conceição de Abaeté e os primeiros
engenhos de cana de açúcar que surgiram nas terras do Baixo Tocantins, Marajó,
Zonas do Capim, Guamá, Acará, Moju e outras regiões do antigo Pará.
2.
Período
Provincial ou da Província do Grão-Pará, com os Presidentes da Província: 1821
a 1889 (até a Proclamação da República).
Foi a partir do início do período provincial que a indústria canavieira
tomou novo impulso que resultou na instalação de dezenas de engenhos em
Abaetetuba e Igarapé-Miri e agora não mais para a produção de açúcar e sim da
produção da aguardente de cana ou cachaça, esta, junto com outros produtos,
levados aos mais longínquos lugares do Estuário Amazônico e outras regiões
amazônicas, através do importante Comércio de Regatão do Baixo Tocantins.
3.
Período
Republicano: 16/11/1889 a 2007.
·
A Era
Republicana, pelo Movimento Republicano decreta o fim do império em 1889.
República Velha ou República das Oligarquias: 1889 a 1930, com a
Revolução de 1930, de Getúlio Vargas.
No início do Período Republicano a Indústria Canavieira estava em pleno
auge e Abaeté e Igarapé-Miri/PA começaram a ganhar projeção no cenário
econômico do Baixo Tocantins, onde Cametá/PA já desfrutava de renome pelo seu
passado histórico-econômico glorioso, este
vindo desde os tempos dos governadores-mores.
Independência do
Brasil da Coroa Portuguesa: 1822, através de D. Pedro I.
No período colonial do Pará, os engenhos eram obrigados a produzir
açúcar para abastecer os mercados da Capital, Belém e com grande parte da
produção sendo exportada para Portugal. Nesse período, pela obrigatoriedade da
produção de açúcar, os engenhos foram proibidos de produzir cachaça por vários
motivos, sendo o motivo principal a produção de açúcar para suprir as
necessidades da Coroa Portuguesa e a cachaça praticamente era produzida clandestinamente
no tempo do Brasil-Colônia. Somente com a independência do Brasil a produção de
cachaça se tornou comum nos engenhos e o mais importante produto do Comércio de
Regatão do Baixo Tocantins.
·
Fim da
escravidão negra no Brasil: 13/5/1888, instituída pela Lei Áurea, decretada
pela princesa Isabel.
Antes do fim definitivo da escravidão negra no Brasil e, em consequência
no Pará, os engenhos de cana-de-açúcar utilizavam uma grande quantidade de
braços escravos de indígenas e escravos africanos nas pesadas tarefas da
indústria canavieira e em outros roçados e serviços, e os donos de engenhos
sentiram o forte impacto que o fim da escravidão negra ocasionou pela falta de
braços nos roçados de cana, das outras culturas e demais serviços. Os donos de
engenho do Baixo Tocantins conseguiram adaptar o sistema patriarcal da tutela
em relação aos trabalhadores dos engenhos e de suas famílias e a produção de
cachaça seguiu o seu curso no Baixo Tocantins, sendo esse produto e outros
recursos do Estuário Amazônico os usados no Comércio de Regatão do Baixo
Tocantins.
·
Diocese
do Pará: 4/3/1719, criada com o desmembramento da então Diocese do Maranhão.
Abaetetuba e Igarapé-Miri fizeram parte, por muitos anos, do Bispado e,
posteriormente, da Arquidiocese do Pará, quando Igreja e Estado constituíam um
só ente político-social e a Catequese e Civilização dos Indígenas e o Culto
Divino ou Culto Público faziam parte da política de colonização do Grão-Pará
através das Missões Religiosas que se encarregavam de catequizar os nativos do
Grão-Pará e, com isso, de fundar centenas de freguesias, lugares, sistema que avançou para o período provincial
e das primeiras décadas do Regime Republicano. Foi sob o importante trabalho
das missões e catequese dos padres missionários de várias ordens religiosas que
Belém e as primeiras cidades do Estuário Amazônico surgiram no cenário desse
grande Estuário, inclusive as antigas Freguesias de Sant’Ana de Igarapé-Miry
e Nossa Senhora da Conceição de Abaeté e
demais freguesias do Baixo Tocantins, que somente nos anos de 1960 saíram da
dependência da gigantesca Área Eclesiástica da
Arquidiocese de Belém. Abaetetuba e Igarapé-Miri ficaram atreladas
à Arquidiocese de Belém ou Sé Metropolitana até 25/11/1961, no caso de
Abaetetuba e a Paróquia de Igarapé-Miri passou a fazer parte da Prelazia da
vizinha cidade de Cametá. Para Abaetetuba foi importante a criação da Prelazia
de Abaeté do Tocantins, em 1961, pois foi a partir daí que os municípios da
região da Prelazia começaram a receber os importantes serviços das Obras
Sociais da Igreja Católica, com a instalação de escolas, hospitais, centros
sociais e criação das Comunidades Eclesiais de Base que serviram na visão de
uma sociedade mais justa, fraterna e solidária e um olhar político menos
atrelado aos interesses de pessoas e grupos dominantes. Foi através do trabalho
da Igreja que Abaetetuba muito avançou no seu desenvolvimento sócio-político e educacional através das Obras Sociais da
então Prelazia de Abaeté do Tocantins e hoje Diocese de Abaetetuba.
·
Períodos
de Povoado, Freguesia, Vila e Cidade:
Esses períodos são marco importante da história-memória das localidades
do Pará, nos aspectos econômicos, financeiros, políticos, sociais, geográficos
e demográficos.
·
Igarapé-Miri:
A partir de 1710, Povoação de Sant’Anna de Igarapé-Miri se estendeu até
a condição de Freguesia de Sant’Anna de Igarapé-Miri em 29/12/1754, dada pelo
D. Frei Miguel de Bulhões e pela Lei Nº 113, de 16/10/1843 torna-se Vila de
Igarapé-Miri, que compreende a freguesia de mesmo nome e as freguesias de
Abaeté e Cairary, tendo a sua instalação e 1ª Câmara Municipal somente em 26/7/1845
(1845 a 1849) e a Comarca de Igarapé-Miry foi criada pelo Decreto nº 6.992 de
14/8/1878, composta de 3 municípios: Igarapé-Miry, Abaeté e Moju e 5
freguesias: Sant’Anna de Igarapé-Miry, Nossa Senhora da Conceição de Abaeté,
São Miguel de Beja, Divino Espírito Santo do Moju e Nossa Senhora da Soledade
de Cairary. E, pela Lei Nº 438, de 23/5/1896, a Villa de Igarapé-Miry é elevada
à condição de Cidade de Igarapé-Miri.
·
Abaetetuba:
Povoação de Nossa Senhora da Conceição de Abaeté em 8/12/1724 se
estendeu até 1750, quando se torna Freguesia de Nossa Senhora da Conceição de
Abaeté e em se torna Villa de Abaeté pela Lei nº 973 de 23/3/1880, que também
criava a Câmara de Vereadores e a instalação da Cidade de Abaeté em 15/8/1895 e
até os dias atuais, quando se torna o importante polo comercial e educacional
do Baixo Tocantins.
·
1ª
Câmara de Vereadores:
Eram as Câmaras de Vereadores, antes da adoção do Conselho de
Intendência, que faziam a administração das vilas ou cidades da Província do
Pará. Todas as demandas e questões políticas eram tarefas das antigas Câmaras
de Vereadores dos municípios até o surgimento dos Conselhos de Intendência, que
substituíram o sistema anterior das Câmaras de Vereadores. Abaeté só chegou a
ter Câmara de Vereadores a partir de sua elevação à condição de Vila de Abaeté
em 1880 até o ano 1889, com a Proclamação da República.
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Igarapé-Miri
já era município desde 1845 com a 1ª Câmara criada em 1845 a 1849.
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Abaetetuba,
com 1ª Câmara criada em 7/1/1881 até 1884; 2ª Câmara até 1884 1887; 3ª Câmara:
1887 a 1889.
·
O
ESTUÁRIO AMAZÔNICO:
Para falar do Estuário Amazônico, precisamos saber do que se trata e dos
impactos e recursos que proporciona às diversas comunidades tradicionais que
dele fazem parte como populações ribeirinhas, descendentes dos nativos do
lugar, mescladas aos grupos dos negros escravos vindos da África e com os
brancos de origem européia, e também precisamos entender a linguagem que
usaremos nestas postagens, no tocante à geografia deltaica estuarina, como
também precisamos saber algumas palavras e termos usados na hidrografia, na
Geologia e na Geografia e outros importantes aspectos da complexidade de um
Estuário.
O COMPLEXO DELTA ESTUARINO AMAZÔNICO:
O Delta Estuarino da embocadura
do Rio Amazonas, sito no largo vão fluvial que separa o oeste de Marajó das
colinas e planícies ribeirinhas do Amapá, é um gigantesco Complexo Deltaico
Estuarino, do Planeta Terra.
Inicia na pequena ilha Galhoão,
no Marajó, até a Ponta de Jupaú, no Amapá (ao sudoeste da Ilha de Curuá) com
180 km, passando pela frente de 3 canais que constituem a embocadura do Rio
Amazonas, que são:
·
O Canal Norte
·
O Canal Perigoso
·
E o Canal Sul
Particularidades do Estuário
Amazônico:
O grande Estuário Amazônico não
se resume a uma definição e para um melhor entendimento desse Estuário, requer
que conheçamos um pouco da sua complexidade. Vejamos alguns aspectos dessa
complexidade:
1.
O Estuário Amazônico é formado pelas 3 canais
acima citados, que apresentam agrupamentos de ilhas, desde a embocadura do Rio
Xingu e ilhas Urucuricália e Grande Gurupá, e esses conjuntos insulares do
largo Estuário Amazônico, possuem as seguintes particularidades:
2.
Região das Ilhas do Pará com uma área de 300.274
km2, com uma população de 193.116 habitantes em 1920 que correspondia ao 2º
lugar em termos populacionais por área, que com seus extensos castanhais e
seringais foi a região que antigamente muito contribuiu para a produção de
castanha e borracha para a Província e posterior Estado do Pará. Sua produção
agrícola também era considerável com 41,2%, excluindo-se a Capital.
Tipos de Ilhas:
·
As Ilhas insulares do tampão deltaico estuarino
de Gurupá-Queimada, com a presença de ilhas de porte mediano e pequeno, que
ficam espremidas entre a Baía do Vieira Grande, Canal Sul e o Canal Norte.
·
As Ilhas insulares dos subdeltas situados entre
os rios Jacaré e Anajás-Charapucu, à oeste e Nordeste do Marajó.
·
As Ilhas insulares frontais dos baixios de
Belém-Marajó, com a presença das planícies inundáveis costeiras e a banda de
manguezais de todo o arquipélago estuarino.
·
As Ilhas existentes desde a Ponta de Pedras até
Salvaterra, na margem leste do Marajó.
·
As Ilhas rasas de fundo de estuários existentes
no interior da Boca Norte do Rio Amazonas, entre o Amapá e Marajó.
3. Um
Delta tampão entre o Marajó-Portel e Baía das Bocas.
4.
O Estreito de Breves, que corresponde a um
tampão deltaico que assoreou um canal largo que interligava o Rio Amazonas com
o Estuário do Rio Pará (Baia de Guajará).
5.
A “Baía das Bocas”, que corresponde a
nomenclatura popular da Região (que designava a transição entre os rios do
Estuário e a largura da Baia de Guajará-Rio Pará) e a “Baia das Bocas”, é
equivalente à identificação da frente de um delta.
6.
O Delta de Boiuçu-Breves, que corresponde as terminações que
representam uma área de assoreamento deltático recente, localizada entre uma
ilha e o continente.
7.
O Estuário do Rio Pará, que corresponde ao
Estuário que fica entre a região de Belém e a costa Sul-Sudeste da Ilha do
Marajó
8.
A Baía do Marajó, que resulta do contínuo
estuarino que se inicia na Baía das Bocas (Delta Boiuçu-Breves), prossegue pelo
Rio Pará, área em que recebe toda a massa de águas do Rio Tocantins e inclui
uma pequena baía frente a Belém, à altura do despejo d’água dos rios
Guamá-Moju-Acará-Capim, passando a alongada boca do complexo estuarino
terminal. Logo, da Baía das Bocas até a frente da Baía de Marajó são 300 km de
extensão.
9.
Os Arquipélagos fluviais no fundo do Estuário
Amazônico ficam desde o despejo principal do Rio Amazonas, na boca do Rio Xingu
até as ilhas frontais do Estuário do mesmo rio, com uma distância aproximada de
370 km, onde existem diversos agrupamentos de ilhas que constituem esses
arquipélagos fluviais.
10.
O 1º trecho do Estuário do Rio Pará, vai das
bocas do Delta de Breves até a Ponta do Flexal, na embocadura do Rio Tocantins
e se estende por 125 km e daí vai até um ponto intermediário frontal à Ilha do
Marajó com 185 km.
11.
O fundo do Estuário do Rio Pará, se estende da
Baía das Bocas até as proximidades de Curralinho e daí segue até a região que
antecede a Foz do Rio Tocantins, onde existem estrangulamentos devido a
presença de ilhas e canais de São Sebastião da Boa Vista, onde Estuário diminui
de 10 a 3 km.
12.
O volume de águas jogadas pelo Rio Tocantins no
Estuário do Rio Pará e Baía do Marajó, deve-se aos mais de 23 km de largura que
o Rio Tocantins apresenta em sua foz (desembocadura).
13.
As Florestas de Várzeas da Amazônia que se
situam desde as Ilhotas frontais do Delta Estuarino do Rio Tocantins, com a
tríplice confluência dos rios Guamá, Moju e Acará, que apresentam as típicas
florestas de várzeas.
14.
Os Baixos Terraços de Icoaraci, que segue do fim
das florestas de várzeas, daí seguem os baixos terraços, na Região de Belém.
15.
O Delta Interno de Breves-Boiuçu e Rio Pará, que
se inicia na superfície plana de Anajás, no Marajó, que abrange toda a metade
ocidental dessa ilha, onde se encontram rios e igarapés que seguem para
noroeste, oeste, sul e sudeste, na direção da Ilha de Anajás-Charapucu e Baía
do Vieira Grande.
16.
Os Altos do Estuário que vai desde a região de
Mosqueiro e ilhas situadas desde a Ponta de Pedras, até Salvaterra na margem
leste do Marajó.
17.
As planicies alagaveis, os lagos e tesos (áreas
de terras firmes centrais) se estendem desde o rebordo central do conjunto de
Anajás até o Canal Sul e o Litoral Atlântico, com área de sedimentação rica em
manguezais.
18.
As Costas do Estuário Amazônico, vindo da
sedimentação recente, onde, acredita-se, tenha existido um braço do Rio
Tocantins a partir de Muaná até Ponta de Pedras, que forma o Lago de Santa Cruz
do Arari, que anteriormente devia ter sido uma enseada fechada por restingas.
19.
O Complexo Deltaico Estuarino Amazônico, com os
ecossistemas das terras firmes e os
ecossistemas das planícies inundáveis
(Marajó, Belém, Mosqueiro e Guamá-Moju são extremamente variáveis no que diz respeito aos suportes
ecológicos, constituição biótica e funcionalidade, como:
·
As Florestas densas, presentes nos rasos da
região; florestas densas de terras firmes insulares; florestas densas
continentais (de Anajás-Belém). Na transição do bloco de Anajás para os campos
alagáveis de Marajó, em uma faixa que se estende desde os arredores de Muaná
até as proximidades de Chaves, ocorre um ecossistema de palmeiras e bosques
diferenciados.
·
As Florestas de várzeas deltaicas (Guamá-Moju e
Acará e delta interno de Guamá-Moju).
·
As Florestas de várzeas das planícies aluviais
·
Os Campos submersíveis (Marajó)
·
As Faixas de aningais (Marajó)
·
As Campinas, campinaranas, veredas campestres
(Moju-Bragantina). Nas veredas arenosas
da região Bragantina, destacavam-se as florestas galerias nas faixas centrais
de planícies.
·
Os Mangues da margem direita da bacia de Marajó.
·
As Costas do Estuário Tocantino, onde o 2º ponto
de costa se encontra no bordo oriental do lago de Santa Cruz do Arari e no
bordo oriental da Baía de Santa Cruz.
OS RIOS DO ESTUÁRIO AMAZÔNICO OU COM
INFLUÊNCIAS NO ESTUÁRIO E ALGUNS ASPECTOS DESSES RIOS:
Falar do Estuário Amazônico sem falar dos rios que o formam ou com ele
tem relações de todos os tipos, não soaria bem para aqueles que gostariam de
saber quais os rios e outras massas de água doce estão presentes na vida dos
ribeirinhos do grande Estuário. A seguir apresentamos alguns importantes rios
do complexo deltaico estuarino amazônico:
A Bacia Amazônica e Alguns Rios Importantes:
A Bacia Amazônica destaca-se pela
sua extensão e pela importância de seus rios principais. Com 3 904 393 km2, é a
nossa maior bacia hidrográfica e drena terras de mais de 45% do território
brasileiro.
·
O RIO
AMAZONAS:
Rio em que os
fatos são tão assombrosos quanto as lendas, o Amazonas fertiliza uma região
de quase seis milhões de quilômetros quadrados, equivalente a mais de metade
da Europa.
Amazônia como "o pulmão do mundo", teria como sua artéria
principal o Rio Amazonas, cuja nascente são os cursos d’água andinos,
Apurimac-Ucayali, com o comprimento de 6.571 km, um pouco menor que o do
Nilo, consagrado em torno de 6.670 km. Porém existem outras versões para o
comprimento do Rio Amazonas.
O curso médio do Amazonas depende de se tomar o Marañón ou o Ucayali
como principal formador. No primeiro caso, inicia em Pongo de Manseriche, no
segundo, em Contamana, ambas pequenas cidades do Peru. Daí vai até Óbidos, a
mil quilômetros da foz, onde já se notam efeitos das marés.
Além do Peru, marcado quase de ponta a ponta pelas duas tortuosas
vertentes da primeira parte do rio, o norte do Brasil (estados de Amazonas e
Pará) constitui o imenso território onde o rio se expande, formando a maior
bacia hidrográfica da Terra (5.846.100km2), que alcança ainda trechos da
Colômbia, Bolívia, Equador, Venezuela e Guianas. Além dos nomes que recebe no
Peru, dentro do próprio Brasil, o Amazonas é conhecido por outro nome, o de
Solimões, mais ou menos entre Benjamin Constant e Manaus.
Alguns Aspectos do Rio Amazonas:
·
Delta
do Amazonas, que é o imenso Delta formado pelos rios Amazonas o mais
caudaloso da Terra e Bacia Tocantins-Araguaia, no norte da América do Sul, é
chamado Delta do Amazonas.
Ele recebe ainda águas de centenas de rios menores. Localizado entre os
Estados brasileiros do Pará e Amapá, é circundado pela maior Floresta
Tropical do Planeta, a Floresta Amazônica, e pelo Oceano Atlântico.
·
Os
seus infindáveis Canais envolvem centenas de Ilhas e Ilhéus, com destaque
para a Ilha de Marajó (Pará), a maior ilha fluvio-marinho do mundo, que
mescla belas praias, floresta e cerrado. Esta é cercada pelos dois principais
rios do Delta, pelo Oceano, e ainda pelo chamado Rio Pará: Canal Sul do
Amazonas que liga sua bacia a bacia do Tocantins, ao desaguar naquele curso
de água. Como o Rio Orenoco envia parte de suas águas ao Amazonas, temos um
raro caso de três enormes bacias hidrográficas interligadas.
·
Sua
descarga, vazão ou volume de água, é também, de longe, a maior que se
conhece, com vazão em Óbidos de 216.342m3 por segundo, doze vezes a do Mississippi,
mais de vinte vezes a do Nilo.
·
Vale
notar que, depois de Óbidos o Amazonas recebe as águas dos rios Tapajós e do
Xingu, na margem direita, e do Maicuru, Paru e Jari, na margem esquerda.
·
A
velocidade média no médio e baixo curso é de 2,5km por hora, mas em Óbidos,
onde o rio tem sua passagem mais estreita em território brasileiro (2.600m),
a velocidade chega a oito quilômetros por hora.
·
A
largura é outra das medidas de cálculo difícil, por causa das muitas ilhas
que se formam no leito, dando origem a uma subdivisão das águas em vários
braços ou "paranás". Sem ilhas de permeio, um dos trechos
reconhecidamente mais largos fica uns 20 km antes da foz do Xingu e mede 13
km. Mas, nas épocas de cheia, muitas passagens vão além de 50 km de largura.
Tudo ali é variável e dinâmico demais.
·
Num
único dia, o Amazonas despeja no Oceano Atlântico mais água do que toda a
vazão do Rio Tâmisa, em Londres, durante um ano inteiro. Só a Bacia do Rio
Negro, um dos afluentes do Amazonas, tem mais água doce do que toda a Europa.
·
O
volume de terra que o Rio Amazonas joga no mar é tão grande que, graças a
esses sedimentos, o litoral da Guiana Francesa e do Amapá está crescendo.
A Navegação Fluvial Pelo Rio Amazonas:
O Amazonas é um rio plenamente navegável e nos 3.700km, que vão da sua
embocadura à cidade de Iquitos, sua profundidade (às vezes mais de 50m) lhe
permite receber navios de alto-mar. O rio Amazonas percorre extensas
regiões de terras baixas e permite a navegação fluvial integrando diferentes
bacias hidrográficas brasileiras.
Navegabilidade dos Afluentes do Rio Amazonas:
Muitos de seus afluentes são também navegáveis, de modo que o
transporte hidroviário é um dos mais fáceis da região e permanece sub-explorado
em todos os planos, como:
·
Quanto
a quantidade aproveitável da navegabilidade
·
Quanto
a qualidade dos meios de transporte
·
Quanto
os recursos tecnológicos empregados com objetivos para a navegabilidade
Se fosse bem programado o transporte hidroviário seria o meio ideal no
que diz respeito à navegação na Amazônia e à proteção da natureza e seus
recursos naturais.
Afluentes Navegáveis:
Entre os
afluentes do Amazonas há também muitos rios colossais que se colocam entre os
maiores do mundo:
·
O
Madeira é um dos vinte maiores rios do mundo
·
O
Purus
·
O Tocantins
·
O
Juruá
Importantes Afluentes do Rio Amazonas:
·
Pela
Margem Direita do Amazonas:
·
Em
toda a rede desses afluentes, no Brasil, sobressaem, pela margem direita,
o Javari, Juruá, Purus, Madeira, Tapajós e Xingu
·
Margem
Esquerda do Amazonas:
·
pela
margem esquerda, Içá, Japurá, Negro, Trombetas, Paru e Jari
·
O
Estuário do Rio Amazonas tem duas partes, pelo menos:
·
O
Canal do Norte, mais largo,
·
O
Canal do Sul, conhecido ainda pelos nomes de rio Pará e Baía de Marajó
·
Distâncias
entre os Canais:
·
De um
a outro lado dos dois canais a distância é de cerca de 150 km.
·
Se se
considera o Estuário até a costa leste da ilha de Marajó, a medida é o dobro,
girando em torno de 300 km.
Na realidade há mais corredores para a saída do rio, que são os
chamados Furos de Breves, que são uma série de canais naturais a sudoeste da
ilha de Marajó, por onde as águas se distribuem, se filtram como se fossem
muitos e cuidadosos os preparativos para entrar no oceano. Adiante surgem as
ilhas:
Além da Ilha de Marajó, se destacam as ilhas:
·
A
Ilha Grande de Gurupá
·
A
Ilha Caviana,
·
A
Ilha Mexiana,
·
A
Ilha Janaucu,
·
A
Ilha Queimada etc.
Por quase todos esses rios da Bacia do Rio Amazonas os chamados
marítimos do Baixo Tocantins estiveram praticando o chamado Comércio de
Regatão. Sem contar a grande romaria de embarcações que antigamente se fazia
de todos os tipos, especialmente dos navios à vapor, em busca da preciosa
borracha e demais produtos oriundos da coleta de recursos naturais realizada
em toda as áreas do Estuário Amazônico.
As principais cidades situadas nas redondezas são Belém e Macapá,
ambas com suas respectivas regiões metropolitanas.
Alguns Fenômenos
Apresentados Pelo Rio Amazonas:
O Amazonas apresenta ainda vários fenômenos muito curiosos, como:
·
A Pororoca é um dos maiores fenômenos
hidrográficos da região e que é uma grande onda que acontece nos rios da
Amazônia e só aparece uma vez por dia. Em Tupi, a palavra poro'oka significa
estrondo, que se ouve a quilômetros de distância. E é o barulho do encontro das águas que avisa a proximidade
da pororoca. Esse fenômeno natural é produzido pelo encontro violento das
águas do mar com as correntes dos rios e acontece no baixo curso, na foz do
Rio Amazonas, nos afluentes do litoral do Pará e Amapá. No Maranhão, acontece com maior intensidade na foz do Rio
Mearim, onda a onda é tão forte que derruba árvores e chega a mudar o leito
de alguns rios.
Só que há 15
anos uma turma resolveu explorar a grande onda de uma forma diferente. No
Pará o ponto de encontro dos surfistas é a cidade de Arari, distante pouco mais de 150 quilômetros da capital. Em 12
anos vários eventos foram realizados com a participação de surfistas
estrangeiros. As ondas sobem
abruptamente e depois descem em sucessão sobre as praias, tornando perigosa a
navegação. Acontece principalmente em outubro, quando as condições do rio e
do mar, águas baixas e maré alta, são propícias. A pororoca acontece quando
grandes ondas (vagalhões), de 1 a 4m de altura, invadem as águas fluviais,
durante as marés de águas vivas (sizígia) que ocorrem nas luas Nova e Cheia.
·
A
mistura das águas do rio Negro e rio Amazonas é o fenômeno que ocorre nas
proximidades de Manaus quando as águas desses rios se encontram: embora não
se dê a explosiva luta da pororoca, os dois custam muito a se misturar e, como
suas cores são bastante diferentes, vê-se a dificuldade com que o Negro
deságua, infiltrando-se aos poucos no Amazonas.
·
As
Marés de água doce também são também fenômenos intrigantes. Ocorrem em
diversos rios que acabam no mesmo Estuário Amazônico, e duas vezes por dia,
dada a variação do nível do mar.
·
O
fenômeno das “terras caídas” resulta do avanço da força das correntezas das
marés sobre as ribanceiras dos rios que é a responsável pelo fenômeno, quando
pedaços de terras com sua vegetação se soltam dessas margens e seguem rumo à
correnteza das marés. As Terras Caídas, que já são fenômenos perfeitamente
conhecido, e às vezes apavorante e surgem como consequência evidente da
formidável força das águas em toda a Amazônia, onde as margens são solapadas
e subitamente sai da terra uma nova ilha levada pelo rio, muitas vezes
com animais como insetos e outros pequenos ou grandes animais e até
moradores, uma parte do gado ou instalações e casas.
·
As
Cores dos Rios da Amazônia, de pesquisas mais recente, onde há rios
"brancos" ou amarelos, alaranjados, de forte castanho-escuro,
verdes, negros, transparentes. A explicação está nos compostos químicos
(orgânicos e inorgânicos) que prevalecem nos lugares por onde passam. O
Amazonas, de um modo geral, é dos "brancos", barrento claro, ao
menos em sua viagem pela planície.
As Consequências Históricas das Cores do Rio Amazonas:
·
As
águas do Rio Amazonas tingem as do oceano até cerca de 200 km da costa,
reduzindo a salinidade. Por isso o espanhol Vicente Pinzón, que em 1500 teria
chegado à foz, denominou-o Mar Dulce.
·
Em
1542 Francisco Orellana desceu o rio a partir do Peru. Quer por causa de um
ataque de índios de cabelos longos, quer por acrescentar a seu relato de
viagem a fantasia das mulheres guerreiras, referiu-se ao rio como das
Amazonas, permanecendo esse nome para sempre.
A Foz do Rio Amazonas:
|
·
A maioria dos nossos rios tem desembocadura ou
foz em forma de estuário, mas o principal rio brasileiro, o Amazonas, possui
foz mista (em delta e estuário).
A Drenagem do Rio Amazonas e Seus
Tributários:
·
A drenagem do rio Amazonas e seus tributários
são do tipo dos que voltam para o mar, e todos tributários do Atlântico, de
maneira direta.
Rio Amazonas, Como o Principal
Rio da Bacia Amazônica:
·
O Rio Amazonas nasce na cordilheira dos Andes,
no Peru e recebe denominações diferentes, até atingir o oceano Atlântico. Em
território peruano é chamado de Vilcanota e Ucayali-Maranon. Ao entrar em
território brasileiro, recebe o nome de Solimões e, apenas depois de receber as
águas do rio Negro, não muito distante da cidade de Manaus, passa a chamar-se
Rio Amazonas. Seu comprimento, de 7 075 km, o coloca em primeiro lugar, entre
os maiores do mundo, ultrapassando o rio Nilo, no Egito, que tem 6 671 km. O
Amazonas atravessa uma grande área de planícies e depressões, porém seus
afluentes correm em áreas de planaltos, dotando essa bacia de grande potencial
hidrelétrico disponível, na verdade o maior do Brasil. Entretanto, por estar
localizado em uma região pouco habitada e com poucas indústrias, é pouco
aproveitado para a geração de energia elétrica. Os rios da Bacia Amazônica,
entre os quais o Rio Amazonas, são em quase toda a sua extensão, a única via de
transporte das populações ribeirinhas, tornando-se seu único contato com as cidades
maiores da região. E por eles que as pessoas recebem alimento e assistência
médica, em barcos que funcionam como "lojas" ou
"pronto-socorro".
O Volume d’Água do Rio Amazonas:
·
O Rio
Amazonas é o maior rio do mundo, também em volume d'água, pois despeja no mar
cerca de 200.000m³ de água por segundo, o equivalente a um quinto de todos os
rios do planeta.
O Rio Amazonas Como Rio de Planície e os Países de Seu Curso:
·
O Rio
Amazonas é um típico rio de planície, e tem seu curso em três países: Peru,
Colômbia (em curtíssimo trecho) e Brasil, cortando o Pará no sentido Oeste-
Leste.
Outros Aspectos dos Principais Afluentes do Rio Amazonas:
No território paraense o Rio Amazonas recebe vários dos seus 1.100
afluentes, como Tapajós e Xingu pela margem direita, e Nhamundá, Trombetas,
Paru e Jari pela margem esquerda.
Na foz do Amazonas,
que mede cerca de 149.000km², ficam os rios Pará, Tocantins e Capim, estes
muitos importantes no Estuário Tocantino (Foz Tocantina).
·
O Rio
Tapajós:
O Rio Tapajós é afluente do Rio Amazonas, e nasce do encontro dos rios
Juruena e São Manuel, também conhecido como Teles-Pires, na divisa dos Estados
do Pará, Amazonas e Mato Grosso e mede 1.992 km de extensão, e entre seus
principais afluentes está o Rio Arapiuns. Suas águas são de coloração
azul-esverdeada, constituindo-se em atração turística. Devido às diferenças de
composição, densidade e temperatura, as águas do Tapajós não se misturam com as
águas do Amazonas, provocando o fenômeno conhecido como "Encontro das
Águas", que pode ser visto em frente à cidade de Santarém.
·
O Rio
Araguaia e Seus Afluentes:
O Rio Araguaia mede 2.627 km de extensão, e nasce no Morro Vermelho, da
Serra Selada, na divisa dos Estados do Mato Grosso e Tocantins e corre em
direção SO-NE, desaguando na margem esquerda do Rio Tocantins. Pela margem
esquerda tem os seguintes afluentes: rios das Mortes ou Manso, das Garças,
Barreiros, Cristalino e das Vertentes. Pela margem direita, rios do Peixe,
Formoso, Xavante, Água Limpa, Vermelho, Caiapó e das Lontras. O Araguaia é
famoso pela beleza das inúmeras praias que se formam ao longo do seu curso, na
época de estiagem.
·
O Rio
Tocantins e o Estuário do Rio Pará:
O Rio Tocantins é formado pelos rios Maranhão e Paranã e nasce na
serra dos Pireneus, no Tocantins, juntamente ao Araguaia, próximo ao município
de Marabá, e deságua no Oceano Atlântico, formado o Estuário do Rio Pará, às
proximidades de Belém (Estuário Tocantino). Pelo canal de Tagipuru o Rio
Tocantins comunica-se como o Rio Amazonas. Seus principais afluentes pela
margem direita são os rios Manuel Alves da Natividade, Sono, Manuel Alves
Grande e Farinha; e pela margem esquerda são os rios Santa Teresa, Itacaiúnas e
Araguaia (seu maior afluente). Na região do Baixo Tocantins, desde a Cachoeira
das Guaribas até a Baía de Marajó, o Tocantins recebe as águas dos rios Anapu e
Pacajá, em águas já misturadas com uma relativa quantidade de águas do Rio
Amazonas. O Rio Tocantins oferece, em qualquer estação do ano, uma plena
navegação em sua barra na Baia de Marajó até a pequena Ilha dos Santos (próxima
as corredeiras de tapayunaquara) em uma extensão de cerca de 140 milhas.
·
Rio
Nhamundá:
O Rio Nhamundá, também conhecido por Jamundá ou Cumuri, é afluente da
margem esquerda do Rio Amazonas e divide os Estados do Pará e do Amazonas.
Nasce na Serra de Acaraí, descendo primeiro na direção Norte-Sul para depois
mudar o rumo de Noroeste para Sudeste. No curso superior forma várias
cachoeiras, para depois entrar num vale longo e plano. Durante o trajeto passa
por inúmeras ilhas, num trecho que atinge cerca de 200m de largura. No curso
inferior suas margens ficam bastante elevadas. Abaixo, as confluências com o
Rio Paracutu atinge largura considerável, formado um lago que ultrapassa 40 km
de comprimento e 4 km de largura. O Nhamundá tem seu leito arenoso e águas
claras. Seu principal afluente da margem esquerda é o Rio Paraná-Pitinga, onde
há inúmeras cachoeiras.
·
Rio
Trombetas:
O Rio Trombetas é afluente da margem esquerda do Rio Amazonas e nasce na
fronteira do Brasil com a Guiana, e em sua formação recebe águas dos rios
Mapuera, Cachorro e Erepecuru, seus principais tributários. Ele tem sua
cabeleira no Rio Curucuri, descendo da Serra do Curucuri com o nome de Rio
Cafu. Só passa a se chamar Trombetas a partir do encontro com o Rio Wanamu (que
desce da Serra de Tumucumaque). Também é conhecido como Rio Uaiximana e
Oriximiná. Com cerca de 750 km de extensão é largo, profundo e navegável, por
embarcações de até 500 toneladas, numa extensão de 230 km. Nesse trecho
navegável suas margens apresentaram terrenos planos, onde se formam vários
lagos. Sua foz fica em frente à cidade de Oriximiná, onde se junta ao Paraná de
Sapucuá, cujo prolongamento é chamado de Baixo Trombetas. Após o encontro com o
Paraná Sapucuá, chega a atingir até 1.800 m de largura, tendo seu leito
dividido por várias ilhas estreitas e compridas, como a Ilha da Jacitara.
Depois estreita- se, não ultrapassando 400 m de largura, até atingir sua
primeira cachoeira, a conhecida Cachoeira Porteira.
·
Rio
Xingu:
O Rio Xingu é afluente da margem direita do Rio Amazonas e é navegável
em apenas 900 km. Nasce no Planalto do Mato Grosso, na parte ocidental da Serra
do Roncador, sendo formado pela junção dos rios Ronuro, Batovi e Culuene. Corre
entre os rios Tapajós e Tocantins num vale estreito, na direção Sul-Norte. Com
1.980km de extensão, é um rio de águas claras. Seu curso é sinuoso até desaguar
no Amazonas, na cabeça do Estuário. Próximo da foz, através de um vasto
emaranhado de ilhas e enseadas, alarga-se num lençol de água semelhante a um
lago. Mas, ao longo de seu curso, estreita- se rochoso, com cachoeiras que às
vezes atingem mais de 50m. Em sua margem esquerda fica a cidade de Altamira. No
Pará seu principal afluente é o Rio Iriri.
Outros importantes rios do sistema deltaico estuarino amazônico:
·
Rio
Capim:
O Rio Capim nasce a oeste da serra dos Coroados e desemboca do Rio Guamá
e é um dos formadores da Baía do Marajó, tem um curso sinuoso, superior a 1.000
km. É considerado um rio ligeiramente estreito, mas tem um volume de descarga
superior ao Rio Guamá. Navegável em quase todo o seu curso por embarcações de
pequeno porte, apresenta apenas uma cachoeira, que desaparece na época chuvosa.
·
Rio
Jari:
O Rio Jari com cerca de 800 km de extensão, nasce na Serra do
Tumucumaque e deságua no Estuário do Rio Amazonas, em frente a Ilha Grande de
Gurupá. Apesar de largo, o Jari torna-se difícil de ser navegado devido às
inúmeras cachoeiras existentes ao longo de seu curso. Destacam-se as cachoeiras
da Pancada, com cerca de 20m, e do Desespero, com 26m. A mais bela é a de Santo
Antônio, na divisa com o Amapá. Entre seus afluentes da margem esquerda estão
os rios Apaouani (ou Mapaoni), o Kou (ou Rouapir) e o Iratapuru.
·
Rio
Pará:
O Rio Pará é importante rio do Estuário Tocantino e para as regiões
guajarina, tocantina, salgado e marajoara, nasce na Região das Ilhas do Pará e
deságua entre o Cabo Maguari e a Ponta Curuçá e é um dos principais formadores
da Baía do Marajó. O Rio Pará recebe a vazão dos rios Anapu-Pacajá, Jacundá,
Araticu, Cupijó, Tocantins, Moju, Acará e Guamá. Através do estreito de Breves
une-se ao Rio Amazonas, separando a Ilha do Marajó do continente. Da foz do
Tocantins segue até o Estuário do Amazonas, na direção Nordeste, até o Oceano
Atlântico. Na margem esquerda tem a costa da Ilha do Marajó e na margem direita
várias ilhas, separadas do continente por furos e a cidade de Belém e seu
entorno metropolitano.
Convém salientar que o Rio Cururuhy, antes de entrar no Rio Pacajá, tem
uma grande cachoeira de grande salto, onde as canoas não podem passar, senão
puxadas por terra. O Rio Pacajahy é o afluente mais oriental do Pacajá e corre
paralelo ao rio Tocantins. O Rio Pacajá Grande segue direto para o norte e tem
muitos igapós. Esse era o cenário para os navegantes do Estuário Amazônico em
1864.
·
Rio
Moju:
O Rio Moju que na língua Tupi significa "Rio das Cobras" nasce
na Serra da Desordem e desemboca no Rio Pará, formando, com o Rio Guamá, a Baía
do Marajó. Tem mais de 800 km de extensão e sua largura, na confluência com o
rio Acará (a 24 km de Belém), atinge 500m. É navegável até suas cabeceiras por
embarcações de pequeno porte. Durante o fenômeno das marés de sizígia, acontece
em suas margens a pororoca. Sua primeira cachoeira é encontrada a 630 km acima
do ponto de encontro com o Rio Acará. Seu principal afluente é o Rio Cairary.
·
Rio
Guamá:
O Rio Guamá é afluente do Rio Pará e tem 700 km de extensão e nasce na
serra dos Coroados, correndo na direção Sul-Norte até a cidade de Ourém,
situada em sua margem direita. Seguindo para o Oeste, encontra-se com o Rio
Capim. É navegável por pequenas embarcações até sua primeira cachoeira, a 225
km de Belém. Na sua foz, na Baía do Guajará, atinge 900 km de largura.
Rio Acará:
·
Alguns
Furos, Igarapés e Lagos Que Têm Relação com o Estuário Amazônico:
Os Furos e Igarapés do Estuário Amazônico:
Os furos e igarapés também têm grande importância dentro desse
verdadeiro complexo hidrográfico.
·
O furo
é um canal, sem correnteza própria, que corta uma ilha fluvial, como os furos
de Breves, do Combu, da Onça, da Paciência e das Marinhas. Liga braços de rios
no meio de planícies à beira de rio com lago de várzea, dois lados de várzea e
um paraná com o rio principal ou uma depressão de lago de várzea.
·
O
igarapé é um riacho pequeno, que em seu baixo curso cruza floresta de várzea.
Geralmente os igarapés fluem por túneis de vegetação e apresentam águas
escurecidas, devido à quantidade de sedimentos depositados nos leitos e por
receberem pouca luminosidade solar. O termo vem dos vocábulos indígenas
"igara" (que é a embarcação escavada num único de árvore) e "apé
ou pé" (que significa caminho). Os "caminhos de canoa" foram
fundamentais na ocupação da região pelos Índios, e até hoje participam
diariamente do dia- a- dia dos habitantes de suas margens.
Os Lagos no Estuário Amazônico:
Os lagos são importantes corpos d’água que se formam no Estuário
Amazônico e citamos:
·
Lago do
Arari que é considerado o maior lago do Arquipélago do Marajó e um dos
maiores do mundo em água doce, medindo de 4 a 7 km de largura e 18 km de
comprimento, em direção Norte e Sul, com profundidade de 1 a 5m no verão e 5 a
7m no inverno, com águas mais claras no inverno e devido à seca do lago em
quase 70% no verão, a água do mesmo torna-se barrenta, e é de grande
importância para economia dos municípios de Santa Cruz do Arari e Cachoeira do
Arari. O Lago Arari é considerado o maior santuário ecológico da Ilha do
Marajó, destacando-se também pelo ponto de vista cientifico, por ter em suas
margens diversos cemitérios indígenas (tesos).[cf. http://tiomigamarajo.blogspot.com/
]
·
Lago
Poção, que está localizado em Santarém e é um lago de várzea que serve de
limite com Óbidos e Juruti.
·
Lago
Sapucá, que é um dos maiores lagos de terra firme do Estado do Pará, com cerca
de 30 km de comprimento por quase 8 km de largura e localiza-se entre as
cidades de Óbidos e Faro, desaguando no Paraná de Faro.
·
Lago
Ipuapixuna, que é um lago de terra firme e está localizado próximo à cidade de
Óbidos.
A Bacia do Tocantins-Araguaia:
Fica localizada no coração do
país, é a maior bacia inteiramente brasileira, formada por dois rios formadores
dessa bacia e nascem no Estado de Goiás. O Rio Tocantins, depois de receber o
Araguaia (nas proximidades da cidade de Marabá, no Pará), segue rumo à sua foz,
no Golfão Amazônico, no Estado do Pará. Essa bacia possui grande potencial
hidrelétrico e em seu rio principal, o Tocantins, foi construída a Hidrelétrica
de Tucuruí, que abastece grande parte da Região Norte e o Projeto Carajás. A
maior ilha fluvial do mundo – a ilha do Bananal – encontra-se no curso médio do
rio Araguaia.
Muitos dos corpos d’água mencionados
acima são cenários do cotidiano dos ribeirinhos do Baixo Tocantins e Marajó e
são rio, baías que fazem parte da história do Baixo Tocantins desde imemoriais
datas pelas relações comerciais estabelecidas com os rios de nossas imediações,
como com os que levam às regiões mais distantes do Estuário Amazônico. A antiga
Carpintaria Naval do Baixo Tocantins supriu esses corpos d’água de embarcações
de todos os tamanhos e tipos e para as mais diferentes atividades pelas águas
do Estuário Amazônico.
CITAÇÃO DE ALGUMAS
ANTIGAS E IMPORTANTES LOCALIDADES, MUNICÍPIOS E REGIÕES NO COMPLEXO DELTÁICO
ESTUARINO AMAZÔNICO NO PERÍODO PROVINCIAL DO PARÁ:
No Complexo Deltaico Estuarino
temos a presença de antigas localidades, municípios, regiões, estados, oceano,
rios, canais, baías, ilhas, fazendo parte do Estuário Amazônico e novos
municípios que foram surgindo em diferentes regiões do Estuário, alguns dos
quais serão aqui citados por se situarem em antigas regiões de coletas e agora
com outros potenciais. Entre as localidades e corpos geográficos antigos da
relação abaixo, alguns desses merecerão, nas diversas postagens, algumas
menções por seu passado histórico ou por outros motivos de importância para
Abaetetuba e sua região do Baixo Tocantins. Vide o histórico desses e outros
municípios do sistema deltaico estuarino amazônico em outros itens destas
postagens. Aqui fazemos apenas a citação de algumas localidades e vias fluviais
importantes, faltando a citação de outros que entrarão posteriormente, em razão
da falta de tempo para suas inclusões.
·
Região de Mosqueiro, com a Ilha de Mosqueiro e
os seus Altos estuarinos
·
Arquipélago do Marajó, com a Ilha do Marajó,
Baía de Marajó, costas do Marajó, margens do Marajó. Ilha do Marajó, grande e importante ilha fluvial do curso do Rio Amazonas.
·
Belém,
como a porta de entrada da Amazônia e com o Rio Pará que nasce na Região das
Ilhas do Pará e deságua entre o Cabo Maguari e a Ponta Curuçá e é um dos
principais formadores da Baía do Marajó. Na margem esquerda o Rio Pará tem a
costa da Ilha do Marajó e na margem direita várias ilhas, separadas do
continente por furos, e a cidade de Belém.
Belém também com suas baías, rios, lagos, igarapés, sua região
metropolitana, que como a principal cidade do Estuário Amazônico, recebe o
impacto do deságue de importantes rios, como o Guamá, Capim, Acará e Moju e
Belém, e demais cidades de sua
influência, se encarregam de despejar nesses corpos d’água uma grande
quantidade de dejetos de seu sistema sanitário, que vêm contribuindo para fazer
dessas massas d´água áreas contaminadas e poluídas, que em breve tempo, caso
não sejam tomadas medidas saneadoras desses problemas, se tornarão áreas de um
deserto biológico.
·
Santa Cruz do Arari, com o Lago do Arari
·
Ilhas
importantes, além da Marajó: a Grande de Gurupá, a Caviana, a Mexiana, a
Janaucu, a Queimada etc.
·
Baixo Tocantins com o seu Complexo Deltaico
Estuarino
·
Rios do complexo dos rios Guamá/Moju/Acará/Capim
·
Rios do complexo dos rios Guamá-Moju
·
Oceano Atlântico como limite Norte com o Pará, junto com o Estado do Amapá, o
Suriname e a Guiana.
·
do Pará e a Costa Atlântica no Estuário
Amazônico, Litoral Atlântico, Estado do Amapá e Guianas às proximidades do
Marajó.
·
Breves com o Delta das Bocas (Breves/Boiuçu) ou
simplesmente Delta de Breves, que é um delta interno no Complexo Deltaico
Estuarino Amazônico, Estreito de Breves.
·
Rio Tocantins e o seu Delta Estuarino Tocantino
·
Rio Pará e seu delta interno junto com
Breves-Boiuçu e o estuário do Rio Pará
·
Estado do Amapá, que participa do Complexo
Estuarino Amazônico, junto com o Estado do Pará e é o limite Norte do Pará, junto com o Suriname e a Guiana.
·
Estado do Pará Estado, que participa do Complexo
Estuarino Amazônico, junto com o Estado do Amapá.
·
Anajás no complexo das Ilhas de
Anajás/Charapucu, com as planícies alagáveis, os lagos e tesos (áreas de terras
firmes centrais) que se estendem desde o rebordo central do conjunto de Anajás
até o Canal Sul e o Litoral Atlântico, com área de sedimentação rica em
manguezais.
·
Ilha Galhoão, de Marajó, Estado do Pará, onde se
inicia o grande Estuário Amazônico
·
Gurupá, na Ilha Grande Gurupá
·
Ponta de Jupaú, no Estado do Amapá (ao sudoeste
da Ilha de Curuá), onde finaliza o grande Estuário Amazônico.
·
Ponta de Pedras, nome que vem da sua Ponta de
Pedras
·
Abaetetuba, que junto com Cametá e demais
municípios tocantinos, possuem suas centenas de pequenas ilhas, e baías,
costas, rios, igarapés, praias, sitos no Estuário Tocantino e a indústria
canavieira e o comércio de regatão em Abaetetuba.
·
Acará e o Rio Acará
·
Barcarena e o rio Carnapijó, Furo do Arrozal
como caminho natural para Belém dos que vinham do Baixo Tocantins e Marajó.
·
Cametá, como a cidade mais antiga e histórica do
Baixo Tocantins e demais atributos dos municípios da área do Estuário
Tocantino.
·
Chaves
·
Curralinho
·
Gurupá com a Ilha Grande de Gurupá em divisa com
o Estado do Amapá
·
Muaná
1.
Salvaterra, com as ilhas existentes desde a
Ponta de Pedras até Salvaterra, na margem leste do Marajó.
·
Soure
·
São Sebastião de Boa Vista, como importante
entreposto comercial durante a indústria canavieira do Baixo Tocantins.
·
São Domingos do Capim e o Rio Capim
·
São Miguel do Guamá e o Rio Guamá
·
Ourém e o Rio Guamá
·
Moju e o Rio Moju, antigos engenhos coloniais e
o rio e lacalidade Cairary
·
Faro
·
Serra
de Carajás
·
Santarém
e o Rio Tapajós, que é afluente do Rio Amazonas, que nasce do encontro dos rios
Juruena e São Manuel, também conhecido como Teles-Pires, na divisa dos Estados
do Pará, Amazonas e Mato Grosso e mede 1.992 km de extensão. Suas águas são de
coloração azul-esverdeada, constituindo-se em atração turística. Devido às
diferenças de composição, densidade e temperatura, as águas do Tapajós não se
misturam com as águas do Amazonas, provocando o fenômeno conhecido como
“Encontro das Águas” que pode ser visto em frente à cidade de Santarém e o Lago
Poção como limite com Óbidos e Juruti.
·
Óbidos
com o Lago Poção e Lago Ipuapixuna
·
Juruti
com o Lago Poção
·
Óbidos,
município que se destaca pela grande vazão ou descarga do Rio Amazonas e onde
esse rio tem sua passagem mais estreita (Estreito de Óbidos), que faz o Rio
Amazonas descer para apenas 2,5 km/h em sua velocidade, em comparação à
velocidade normal de 8 km/h.
·
Juruti
e o Lago Poção
·
Oriximiná
e o Rio Trombetas
·
Igarapé-Miri,
Canal de Igarapé-Miri, Vila e Rio Maiuatá, antigos engenhos coloniais e da
indústria canavieira e comércio de regatão.
·
Macapá e sua Região Metropolitana no Estuário
Amazônico
·
Acará com o Rio Acará
·
Icoaraci com os Terraços de Icoaraci
·
Portel, com seus vales e os vales de Caxiuanã
·
Tucurui, localizada no alto Tocantins, e este
rio, depois de receber o Rio Araguaia (nas proximidades da cidade de Marabá, no
Pará), segue rumo à sua foz, no Golfão Amazônico, no Estado do Pará,
constituindo a Bacia Araguaia-Tocantins. Essa bacia possui grande potencial hidrelétrico
e em seu rio principal, o Tocantins, onde foi construída a Hidrelétrica de
Tucuruí, que abastece grande parte da Região Norte e o Projeto Carajás.
·
Altamira,
que fica situada na margem esquerda Rio Xingu e este rio é afluente da margem
direita do Rio Amazonas. A cidade de
Altamira e sua região, no futuro, serão bastante conhecidas pela construção da
barragem da Hidrelétrica de Belo Monte com seus impactos ambientais que já
começaram a ser sentidos pela destruição de ecossistemas, na biodiversidade e
pelas populações nativas da região.
·
Marabá, com o rio Araguaia, a coleta de
castanha-do-Pará e como importante centro mineral do Pará
ABAETETUBA E A REGIÃO DO BAIXO TOCANTINS NO ESTUÁRIO AMAZÔNICO:
·
No Complexo Deltaico Estuarino Amazônico, o
município de Abaetetuba é um minúsculo ponto do grande Estuário e nós a
enfatizamos junto com toda a Região do Baixo Tocantins, pelo fato de serem os
municípios do Baixo Tocantins os de nossa origem, com sua história e cultura
peculiar, que ao longo dos períodos históricos do Pará, sofreram, e continuam
sofrendo, pelas influências históricas e econômicas emanadas pela ocupação do
próprio Estuário Amazônico, incluindo nessas influências, os municípios
vizinhos do Baixo Tocantins, como também alguns municípios mais distantes e
suas regiões que, de algum modo, impactaram a nossa história, especialmente no
tocante à economia da região, baseada nos recursos naturais oferecidos pelo
grande Estuário Amazônico e sua parte que chamamos de Estuário Tocantino, que
compreende municípios de algumas regiões do Pará. Assim, os principais
municípios dessas regiões e outros mais distantes, serão mencionados nestas
postagens, que serão várias, abarcando os fatos históricos, sócio-econômicos,
aspectos geográficos, culturais e outros, que consideramos importantes para a
nossa história e desenvolvimento. É claro que não somos os principais
municípios e regiões do grande Estuário Amazônico, mas essa região diz respeito
à nossa história, como ribeirinhos do Baixo Tocantins, Marajó e Região de Belém.
Belém sim, é a principal cidade do Complexo Deltáico Estuarino Amazônico e essa
cidade e sua Região Metropolitana serão destacados nas postagens, pelos grandes
impactos, positivos ou negativos, que influenciaram e continuam influenciando
na vida das diversas localidades tocantinas. Faremos também um apanhado de
Macapá e sua Região Metropolitana, pois Macapá é o segundo município mais
importante, no que diz respeito à extensão do Estuário Amazônico.
·
Outro aspecto a ser considerados nestas
postagens é o dos Recursos Naturais do Estuário Amazônico, que se tornaram
determinantes para o surgimento e desenvolvimento dos núcleos populacionais do
Estuário Amazônico e que, agora, estão começando a rarear e alguns desses
aspectos se tornando fatores de dificuldades, como é o caso de diversas massas
d´águas, florestas, Flora, Fauna e outros aspectos que estão sofrendo grande
impacto pela ação destrutiva do próprio homem, este representando pelos nossos
ribeirinhos e, principalmente, pela ação dos que vieram desenvolver atividades,
lícitas ou ilícitas, no Estuário Amazônico.
·
Também faremos um apanhado no potencial hídrico
do Estuário Amazônico, nas questões do potencial hidrelétrico e portuário,
abrangendo os fatores positivos ou negativos no uso desses potenciais, isto é,
nas facilidades econômicas no uso desses potenciais, como também nos grandes
impactos ambientais que vêm causando nas áreas do Estuário.
·
Além de mencionar os diversos aspectos da vida
ribeirinha, faremos críticas construtivas e daremos algumas sugestões de
soluções para alguns problemas decorrentes do Estuário Amazônico.
AS ATUAIS MESOS E MICRORREGIÕES DO PARÁ:
Antigamente a divisão da Província do Pará se dava em função das
atividades econômicas das localidades, especialmente pela produção da borracha.
Assim existiam as seguintes regiões: Região das Guyannas, Região das Ilhas do
Pará, Região dos Rios, Região Agrícola.
Atualmente o Estado do Pará foi dividido em Mesos e Microrregiões,
divisão baseada nas questões das águas, terras, recursos naturais e
atividades econômicas similares. Baseado nessa divisão é que resolvemos
destacar algumas Mesos e Microrregiões e alguns municípios que foram nos tempos
mais antigos, e continuam a ser nos tempos mais recentes, importante para a
história de Abaetetuba/PA e sua região do Baixo Tocantins ou da atual
Microrregião de Cametá, conforme as pesquisas efetuadas em várias fontes, como
dados do IBGE dos anos de 2008 até 2010 e até pode ser que a divisão
apresentada abaixo já tenha sido modificada, dado o dinamismo em vários
aspectos que afeta a vida de algumas Mesos e Microrregiões do Pará.
Mesorregião é uma subdivisão dos estados brasileiros que congrega
diversos municípios de uma área geográfica com similaridades econômicas e
sociais, que por sua vez, são subdivididas em microrregiões. Foi criada pelo
IBGE e é utilizada para fins estatísticos e não constitui, portanto, uma entidade
política ou administrativa.
Microrregião é, de acordo com a Constituição brasileira de 1988,
um agrupamento de municípios limítrofes. Sua finalidade é integrar a
organização, o planejamento e a execução de funções públicas de interesse
comum, definidas por lei complementar estadual. Entretanto, raras são as
microrregiões assim definidas. Consequentemente, o termo é muito mais conhecido
em função de seu uso prático pelo IBGE que, para fins estatísticos e com base
em similaridades econômicas e sociais, divide os diversos estados da federação
brasileira em microrregiões.
AS MESORREGIÕES DO PARÁ:
São 6 as Mesorregiões do Estado do Pará:
1.
Mesorregião
do Baixo Amazonas
2.
Mesorregião
de Marajó
3.
Mesorregião
Metropolitana de Belém
4.
Mesorregião
do Nordeste Paraense
5.
Mesorregião
do Sudeste Paraense
6. Mesorregião do Sudoeste Paraense
A mesorregião onde está situado o
município de Belém é a Mesorregião Metropolitana de Belém, que é fortemente
influenciada pelo Estuário Tocantino, sendo Belém a Capital do Estado do Pará,
a maior dentre todas as cidades e que têm influência no cotidiano da vida da
maioria dos municípios às suas proximidades, inclusive dos municípios de
Abaetetuba e as demais do Baixo Tocantins, que estão situados na Mesorregião do
Nordeste Paraense que, junto com a Capital, serão o centro destas postagens
sobre o Estuário Amazônico.
Quando nos referirmos à
Abaetetuba e sua Região estaremos nos referindo às regiões das quais Abaetetuba
faz parte como a Microrregião de Cametá, da Região do Baixo Tocantins, da
Mesorregião do Nordeste Paraense, da Zona Tocantina e até mesmo da região
abrangida pela Diocese de Abaetetuba, daí o destaque que faremos a algumas
mesorregiões e algumas microrregiões que, desde o Período Colonial do Pará,
passando pelo Período Provincial e até o início e atual fase do Período
Republicano, vem destacando a importâncias dessas regiões e alguns de seus
municípios, para Abaetetuba e sua Região e em variados aspectos, especialmente
nos aspectos econômicos, sócio-político, histórico e outros que contribuíram
para o desenvolvimento de Abaetetuba e demais municípios de sua Região.
IMPORTÂNCIA DAS MESORREGIÕES DO
PARÁ PARA ABAETETUBA E SUA REGIÃO:
Para melhor situar Abaetetuba e
sua Região no Estado do Pará como um todo, iniciamos por enumerar as Mesos e
Microrregiões e os diversos aspectos e relações que essas regiões têm para com
Abaetetuba e sua Região do Baixo Tocantins no contexto Estuarino Amazônico.
A divisão do Pará em Mesos e
Microrregiões é fato recente, se comparado com a história do nosso estado
através de seus períodos históricos. Existem antigos municípios nas diversas
mesorregiões do Pará que mantiveram estreitas relações comerciais com
Abaetetuba e alguns desses municípios serão enfatizados nas diversas postagens.
Muitos municípios surgiram no Pará após a década de 1970, data que consideramos
importante devido o ciclo da Indústria Canavieira e do Comércio de Regatão do
Baixo Tocantins, que foram elementos importantes do relacionamento comercial
estabelecido com alguns antigos municípios do Estuário Amazônico, onde as
relações comerciais só eram possíveis de efetuar através das vias fluviais,
inclusive em comércio com outros estados vizinhos e até os limites com a Guiana
Francesa que faz limites com o atual Estado do Amapá. Citaremos alguns desses
novos municípios do Pará devido sua importância econômica com reflexos na
economia atual dos municípios do Baixo Tocantins.
·
Mesorregião
do Baixo Amazonas:
A Mesorregião do Baixo Amazonas possui as seguintes mesorregiões como
limites: Marajó, Sudoeste Paraense, Sul do Amapá/AP, Sul de Roraima/RR e Centro
Amazonese/AM e que é formada por 14 municípios: Alenquer, Juruti, Porto de Moz,
ALMEIRIM, Monte Alegre, Prainha, Belterra, ÓBIDOS, SANTARÉM, Curuá, Oriximiná,
Terra Santa, Faro, Placas, agrupados em 3 microrregiões:
Microrregiões do Baixo Amazonas:
·
Microrregião
de Almeirim
·
Microrregião
de Óbidos
·
Microrregião
de Santarém
Mesorregião do Marajó:
Tem como Mesorregiões limítrofes:
·
Mesorregião Metropolitana de Belém
·
Mesorregão do Nordeste Paraense
·
Mesorregião do Sudoeste Paraense
·
Mesorregião do Baixo Amazonas
·
Mesorregião do Sul do Amapá/AP
E compõe-se de 16 municípios que formam a Mesorregião do Marajó: Afuá, Curralinho,
Salvaterra, Anajás, Gurupá, Santa Cruz do Arari, Bagre, Melgaço, São Sebastião
da Boa Vista, BREVES, Muaná, Soure, Cachoeira do Arari, Ponta de Pedras,
Chaves, PORTEL, que estão distribuídos
em 3 microrregiões:
·
Microrregião
do Arari
·
Microrregiãos
dos Furos de Breves
·
Microrregião
de Portel
A Importância das Mesorregiões do Baixo Amazonas e
do Marajó Para Abaetetuba e Sua Região:
São duas mesorregiões, incluindo alguns municípios vizinhos do Amazonas e
Acre, que foram importantes para Abaetetuba, sua Região e todo o Pará, pelo
intercâmbio comercial (transporte via
fluvial da borracha, produtos do extrativismo animal e vegeta e do comércio de
regatão) desde os tempos provinciais em diante (1822 ...), que ajudou no
desenvolvimento e Abaetetuba e outros municípios da região. E a Mesorregião do
Marajó tem também importância pela proximidade de sua região com Abaetetuba e
pela grande contribuição de seus antigos habitantes, os índios do Arquipélago
do Marajó, que também ajudaram a povoar as costas e margens dos rios que
atualmente formam as populações ribeirinhas do Baixo Tocantins, e também no
fornecimento de pescados, carne de gado vacum e outras carnes (capivara,
jacaré, atualmente proibidas a sua comercialização), da borracha, peles
(comércio também proibido hoje), madeiras e outros produtos do extrativismo
animal e vegetal que faziam parte das antigas relações comerciais desssa meso
com a Região Tocantina, especialmente o Baixo Tocantins e a Capital, Belém. O
Arquipélago do Marajó se encontra em pleno coração do Estuário Tocantino, junto
com a Microrregião do Baixo Tocantins.
·
A
Mesorregião Metropolitana de Belém:
A Mesorregião Metropolitana de Belém possui as seguintes mesorregiões como
limites:
·
Mesorregião
do Marajó
·
Mesorregião
do Nordeste Paraense
E compõ-se de 11 os municípios que compõem a Mesorregião Metropolitana de Belém: Ananindeua,
Bujaru, Santa Bárbara do Pará, Barcarena, CASTANHAL, Santa Izabel do Pará,
BELÉM, Inhangapi, Santo Antonio do Tauá, Benevides, Marituba, (alguns desses
municípios estão bem perto de Abaetetuba e outros municípios da Micorregião de
Cametá) que, por sua vez, estão agrupados em duas microrregiões:
·
Microrrregião
de Belém
·
Microrregião
de Castanhal
A Mesorregião do Nordeste Paraense:
A Mesorregião do Nordeste Paraeense possui como Mesorregiões limítrofes:
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Mesorregião
Metropolitana de Belém
·
Mesorregião
do Marajó
·
Mesorregião
do Sudoeste Paraense
·
Mesorregião
do Sudeste Paraense
·
Mesorregião
do Oeste Maranhense/MA
E são 49 municípios paraenses que compõem a Mesorregião do Nordeste Paraense: ABAETETUBA,
Ipixuna do Pará, Santa Luzia do Pará, Acará, Irituia, Santa Maria do Pará,
Augusto Corrêa, Limoeiro do Ajuru, Santarém Novo, Aurora do Pará, Mãe do Rio,
São Caetano de Odivelas, Baião, Magalhães Barata, São Domingos do Capim,
Bonito, Maracanã, São Francisco do Pará, BRAGANÇA, Marapanim, São João da
Ponta, Cachoeira do Piriá, Mocajuba, São João de Pirabas, CAMETÁ, Moju, São
Miguel do Guamá, Capanema, Nova Esperança do Piriá, Tailândia, Capitão Poço,
Nova Timboteua, Terra Alta, Colares, Oeiras do Pará, TOMÉ-AÇU, Concórdia do Pará,
Ourém, Tracuateua, Curuçá, Peixe-Boi, Vigia, Garrafão do Norte, Primavera,
Viseu, Igarapé-Açu, Quatipuru, Igarapé-Miri, Salinópolis, que, por sua vez,
estão agrupados em 5 microrregiões. Portanto, Abaetetuba e os demais municípios da Microorregião de Cametá,
estão localizados na Mesorregião do Nordeste Paraense.
Microrregiões da Mesorregião do Nordeste
Paraense:
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Microrregião
Bragantina
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Microrregião
de CAMETÁ
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Microrregião
do Guamá
·
Microrregião
do Salgado
·
Microrregião
de TOMÉ-AÇU
A Importância da Mesorregião Metropolitana de Belém e da Mesorregião do
Nordeste Paraense Para Abaetetuba e Demais Municípios da Região e do Pará:
A Mesorregião Metropolitana de Belém, que tem Belém como Capital do Estado
do Pará, é a mais rica e povoada e que influencia em diversos aspectos
(econômico-financeiro, sócio-político, cultural, educacional, transportes e
outros) as demais mesos e que também recebe os benefícios advindos das demais
mesorregiões do Estado, como exemplo a energia elétrica fornecida pela
Hidrelétrica de Tucuruí, pescados do Marajó, madeira e frutos dos municípios do
Estuário Tocantino, carne de gado vacum e madeira das regiões Sudeste e
Sudoeste. E a Mesorregião do Nordeste Paraense é importante porque nela estão
situados os municípios de Abaetetuba e demais municíos da Microrregião de
Cametá e as demais microrregiões vizinhas que são fortemente influenciadas
pelos diversos aspectos do Estuário Tocantino (Vide abaixo).
·
A
Mesorregião do Sudeste Paraense:
A Mesorregião do Sudeste Paraense possui como mesorregiões
limítrofes:
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Mesorregião
do Nordeste Paraense
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Mesorregião
do Sudoeste Paraense
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Mesorregião
do Oeste Maranhense/MA
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Mesorregião
do Nordeste Matogrossense/MT
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Mesorregião
Ocidental do Tocantins/TO
E são 39 os municípios que compêm a potencialmente rica Mesorregião do Sudeste Paraense: Abel Figueiredo,
Goianésia do Pará, Rio Maria, Água Azul do Norte, Itupiranga, Rondon do Pará,
Bannach, Jacundá, Santa Maria das Barreiras, Bom Jesus do Tocantins, MARABÁ,
Santana do Araguaia, Brejo Grande do Araguaia, Nova Ipixuna, São Domingos do
Araguaia, Breu Branco, Novo Repartimento, SÃO FÉLIX DO XINGU, Canaã dos
Carajás, Ourilândia do Norte, São Geraldo do Araguaia, CONCEIÇÃO DO ARAGUAIA,
Palestina do Pará, São João do Araguaia, Cumarú do Norte,
PARAGOMINAS, Sapucaia, Curionópolis, PARAUAPEBAS, Tucumã, Dom Eliseu, Pau D'arco, TUCURUÍ, Eldorado do Carajás, Piçarra, Ulianópolis, Floresta do Araguaia, REDENÇÃO, Xinguara, que, por sua vez, são agrupados em 7 microrregiões.
PARAGOMINAS, Sapucaia, Curionópolis, PARAUAPEBAS, Tucumã, Dom Eliseu, Pau D'arco, TUCURUÍ, Eldorado do Carajás, Piçarra, Ulianópolis, Floresta do Araguaia, REDENÇÃO, Xinguara, que, por sua vez, são agrupados em 7 microrregiões.
Microrregiões da Mesorregião do Sudeste
Paraense:
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Microrregião
de Conceição do Araguaia
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Microrregião
de Marabá
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Microrregião
de Paragominas
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Microrregião
de Parauapebas
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Microrregião
de Redenção
·
Microrregião
de São Félix do Xingu
·
Microrregião
de Tucuruí
A Mesorregião do Sudoeste Paraense:
A Mesorregião do Sudeste Paraense tem como
mesorregiões limítrofes:
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Mesorregião
do Baixo Amazonas
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Mesorregião
do Marajó
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Mesorregião
do Nordeste Paraense
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Mesorregião
do Sudeste Paraense
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Mesorregião
do Centro Amazonense/AM
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Mesorregião
do Norte Matogrossense/MT
E possui 14 os municípios que
formam a potencialmente rica Mesorregião do Sudoeste Paraense: ALTAMIRA,
Jacareacanga, Senador José Porfírio, Anapu, Medicilândia, Trairão, Aveiro, Novo
Progresso, Uruará, Brasil Novo, Pacajá, Vitória do Xingu, ITAITUBA, Rurópolis,
que por sua vez são agrupados em duas importantes microrregiões.
Microrregiões do Sudoeste Paraense:
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Microrregião
de Altamira
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Microrregião
de Itaituba
Importância das Mesorregiões do Sudeste Paraense e
do Sudoeste Paraense Para o Baixo Tocantins e o Pará, Como um Todo:
Nessas mesos encontra-se ainda uma considerável porção de floresta nativa
amazônica que é importante para o equilíbrio dos ecossistemas ali presentes,
exceção feita às áreas portuárias e as marginais das rodovias como
Transamazônica e a Santarém-Cuiabá (que sofreram e sofrem os efeitos do
desmatamento por conta da indústria madereira, da agro-indústria, da mineração
e das usinas diversas e agora da Usina Hidrelétrica de Tucuruí e das usinas
hidrelétricas, projetadas para essas regiões e também pela ação de grileiros e
posseiros das áreas), de importância estratégica no escoamento da produção
mineral, grãos e outros produtos advindos do Pará, Mato Grosso e outras mesos
circunvizinhas, até os Portos de Santarém, Itaituba e outros terminais hidroviários
importantes e de seu potencial hidroenergético para as instalações de usinas
hidrelétricas.
Hoje a Mesorregião do Sudoeste Paraense vive a expectiva da construção da
grande Hidrelética de Belo Monte, que com certeza vai se tornar elemento vital
na redenção econômica do Pará como um todo e das microrregiões dessa área.
Precisa apenas que os projetos nesse sentido levem em conta a grande quantidade
de populações nativas e ribeirinhas e a grande quantidade de ecossistemas
ecológicos que serão afetadas pela barragem da grande usina projetada e já em
execução. E o Complexo do Hidrelétrico do Tapajós, onde estão projetadas outras
usinas para aproveitar o grande potencial do rio Tapajós, como: UHE São Luiz do
Tapajós, UHE Jatobá, UHE Jamanxim, UHE Cachoeira do Caí e UHE Cachoeira dos
Patos, com obras que devem começar em 2012 e durar cerca de 5 anos, quando,
após intaladas, terão uma capacidade somadas de 10.682 MW e Itaituba sendo cidade base para a construção e operação
dessas usinas, juntamente com o grande porto dessa cidade, já em projeto.
A Usina Hidrelétrica de Belo Monte é uma usina hidrelétrica projetada para ser
construída no Rio Xingu, no município de Altamira e sua potência geradora de
energia elétrica será de 11 233 MW, o que a tornará a maior usina hidrelétrica
inteiramente brasileira.
As Antigas Relações Comerciais de Abaetetuba e Sua Região Com as
Mesorregiões do Sudeste e Sudoente do Pará:
Antes do surgimento de muitos municípios dessas Mesorregiões, as antigas
relações comerciais de Abaetetuba e sua região com essas mesorregiões, se
fizeram sentir através da “Era da Borracha” (da metade do Seculo 19, até as
primeiras décadas do Século 20) e do extrativismo animal e vegetal, onde o
Baixo Tocantins também servia de rota no transporte da borracha e dos demais
produtos desses antigos tempos, onde o município de Cametá foi o centro da
comercialização desses produtos, circundado pelos demais municípios do Marajó e
do Baixo Tocantins, que muito proveito souberam extrair desses laços
comerciais. Inclusive o antigo comércio de regatão/regateio já era praticado
nesses velhos tempos (regatear já era
termo usado pelos comerciantes das águas que navegavam pelos furos,
igarapés, rios e baias da Região Amazônica, desde antes da 1ª metade do Século
19, onde o regatão eram as trocas de produtos dos comerciante com as
mercadorias dos caboclos), e onde os barcos à vela (especialmente as canoas à
vela), os batelões e os igarités de origem indígena, foram fundamentais no
recolhimento dos produtos comerciais ribeirinhos, coletados em todas as antigas
povoações (freguesias, vilas e cidades de então), que então eram produtos
existentes em abundância no Baixo
Tocantins, na Ilha do Marajó e na Região do Baixo Amazonas (incluindo a
parte paraense e a parte amazonense, que antes eram até unidos politicamente na
antiga Capitania do Grão-Pará, em comércio que avançou para a era de Província
do Pará).
O COMÉRCIO DE
REGATÃO DO BAIXO TOCANTINS NAS DISTANTES REGIÕES ESTUARINAS:
·
A
Cachaça, Produtos da Indústria Cerâmica, do Extrativismo e o Comércio de
Regatão:
A cachaça, junto com os produtos advindos da indústria cerâmica, da
atividade pesqueira, do extrativismo animal e vegetal, foram os principais
produtos que impulsionaram o Comércio de Regatão do Baixo Tocantins, sendo esta
a maneira que os donos de engenhos encontraram para desenvolver seus negócios.
Geralmente os donos de engenhos de cana-de-açúcar do Baixo Tocantins,
especialmente de Igarapé-Miri e Abaetetuba, atrelavam os negócios da indústria
canavieira às atividades de comércio e navegação, criando a tríade de negócios
da indústria-comércio-navegação, que se juntava, em alguns casos, aos negócios
da indústria de cerâmica, das serrarias, das fábricas de refrigerantes, das
usinas de beneficiamento de sementes oleaginosas, da indústria do sabão, dos
empórios comerciais, etc, em fórmula seguida pelos donos de engenhos mais
abastados, tendo alguns destes se destacado economicamente e, antes da grande
crise da cachaça (anos finais de 1975) se estabeleceram nas cidades do Baixo
Tocantins e, especialmente, na Capital do Estado, Belém/Pa, hoje desfrutando de
sólidos negócios no Estado do Pará.
A atividade do Comércio de Regatão é antiga na Amazônia e já era
praticada desde o Período Colonial, passando para o Período Provincial e
avançando para o Período Republicano do Pará. No Baixo Tocantins o Ciclo da
Borracha, as demais coletas e as atividades de caça e pesca ajudaram a incrementar esse tipo de comércio
pelas vias fluviais do Estuário Tocantino. Porém, foi com a Indústria Canavieira
do Baixo Tocantins a partir do início do século 20 que esse tipo de comércio
atingiu o seu período áureo, sendo inicialmente realizado através das chamadas
canoas grandes à vela pelas regiões vizinhas do Marajó, Salgado Paraense e
pelas localidades do sistema deltaico estuarino dos rios
Guamá-Capim-Moju-Acará-Pará-Maiuatá, e ainda através das canoas à vela, levando
os produtos das indústrias canavieira, oleira e outros produtos
industrializados que tinham dificuldades em chegar às inúmeras localidades
desse sistema estuarino. Na volta, os regateiros do Baixo Tocantins,
especialmente os de Igarapé-Miri e Abaetetuba traziam desses lugares produtos
como farinha de mandioca, peixes secos e salgados e outros produtos que eram
facilmente comercializados pelas localidades do Baixo Tocantins, Marajó, Belém
e sua região. O Comércio de Regatão avançou para localidades mais distantes do
Baixo Amazonas e ainda através das canoas grandes dos tipos bivelas e trivelas.
Com o surgimento dos chamados barcos-motores, o Comércio de Regatão atingiu
localidades ainda mais distantes da Bacia Amazônica, especialmente as
localidades do Baixo Amazonas, Tapajós, rios Trombeta, Jari e chegando a outros
estados brasileiros, como o Amazonas, Acre, Amapá e esse tipo de comércio
chegou até às Guianas Francesa e Holandesa, de lá trazendo mercadorias que hoje
são consideradas da contravenção penal. O certo é que o Comércio de Regatão
ajudou a alavancar a indústria canavieira do Baixo Tocantins, cujo principal
produto era a famosa cachaça de Igarapé-Miri e Abaeté, que a partir dos anos
finais da década de 1970 começou a sofrer irrefreável decadência, levando
consigo o tradicional Comércio de Regatão do Baixo Tocantins que ainda teima em
subsistir com viagens de alguns regateiros por distantes áreas do Estuário
Amazônico.
Portanto, as inúmeras
localidades, rios, municípios e regiões que aqui serão mencionadas, já tiveram
com os municípios do Baixo Tocantins relacionamentos comerciais que incluíam os
produtos daqui levados através dos barcos-motores que passavam mais de 3 meses
em cada viagem.
Os barcos do Comércio de Regatão
do Baixo Tocantins eram verdadeiras casas comerciais que atendiam os
ribeirinhos e comerciantes de localidades distantes do Estuário Tocantino e
demais localidades da Bacia do Rio Amazonas, incluindo o Baixo e Alto Tocantins
e outras bacias em outros estados vizinhos.
Alguns
Produtos do Comércio de Regatão do Baixo Tocantins:
·
Sementes oleaginosas da Região das Ilhas do Pará
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Peixes secos salgados das localidades da Região
do Salgado Paraense
·
Peixes frescos da Ilha do Marajó e Região do
Salgado
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Camarão do Marajó e das Costas
·
Pirarucu salgado do Baixo Amazonas
·
Farinha de mandioca da região do Guamá, Moju,
Capim e regiões circunvizinhas
·
Borracha ou balata da Ilha do Marajó, Zona
Tocantina e Baixo Amazonas
·
Madeira da Zona Tocantina, Região do Marajó e
Baixo Amazonas
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Peles de animais silvestres do Baixo Amazonas
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Carnes de jacarés e capivaras
·
Produtos industrializados de Caiena, Paramaribo,
Zona Franca de Manaus, que depois foram proibidos devido às leis das contravenções
penais estabelecidas para esse tipo de comércio.
·
Utensílios e artefatos em barro do Baixo
Tocantins e Marajó
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Grãos da cultura tradicional do Pará
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Cachaça, mel de cana da Indústria Canavieira do
Baixo Tocantins
·
Refrigerantes e outros engarrafados industrializados
·
Enlatados, conservas e produtos alimentícios
industrializados
Através de das
embarcações do Baixo Tocantins ainda se estabeleceram os seguintes tipos de
comércio:
·
Comércio de pescado com as regiões do Marajó e
do Salgado feito através das antigas canoas à vela e, depois, dos barcos
geleiros.
·
Comércio de gado da região do Marajó através dos
barcos boiadeiros e desde o Período Provincial do Pará. O comércio de gado
sustentou numerosas famílias de marchantes de Abaetetuba e região.
O Comércio de
Regatão do Baixo Tocantins e o Ciclo da Borracha em relação com as distantes
regiões do Estuário Amazônico e Bacia Amazônica:
Durante o Ciclo da Borracha, esta
vinda do Marajó e das localidades tocantinas, da Região do Xingu, do Baixo
Amazonas e de outras localidades da Planície Amazônica, com apogeu de 1890 a
1920, o Comércio de Regatão concorreu para a circulação dessa matéria-prima que
era largamente exportada para a Europa e Estados Unidos pelo porto de Belém e
Manaus. Os barcos recolhiam a borracha em todos os pontos da Amazônia, que na
maioria era transportada das localidades pelos barcos à vapor das diversas
companhias da Província do Pará e início da Era Republicana. Porém os barcos do
Comércio de Regatão aproveitaram para incrementar o seu comércio com esse
produto que era levado para Manaus e Belém, de onde eram exportados para a
Europa e EUA. No seu início não eram poucos os abusos e violências praticados
pelos comerciantes de regatão contra às população indígenas, ribeirinhas e
seringueiros, na forma de trapaças nas negociações, abusos sexuais,
escravização dos povos indígenas.
Apesar dos abusos praticados
pelos primeiros regateiros dos tempos provinciais, esse tipo de comércio era o
único meio que as diversas e longínquas regiões da Província possuíam para
receber produtos como: farinha, bebidas alcoólicas, tecidos, grãos, carnes
salgadas, pirarucu salgado, perfumes, calçados, jóias (poucas eram
verdadeiras), fósforos, armas, facas, facões, utensílios de cozinha e outros
produtos. Sabe-se que no comércio de borracha que os únicos perdedores desse
grande e rico comércio foi o segmento dos extrativistas (seringueiros), por que
eram os demais elos, inclusive os regateiros, os que lucravam com esse
comércio. Nos anos de 1850 o comércio da borracha já correspondia a 1/3 das
rendas da Província, devido às exportações em massa desse produto, que era o
mais visado pelos primeiros regateiros da Província do Pará.
·
Ainda o Comércio de Regatão no Baixo Tocantins e
Marajó com as distantes regiões estuarinas amazônicas:
Mais recentemente, a partir dos
anos de 1940, o comércio de regatão continuou a ser realizado pelos rios da região e também com
regiões mais distantes, através das embarcações de Abaetetuba e Igarapé-Miri e
outros municípios, tipo de comércio que também teve a sua fase áurea
concomitante à fase áurea da Indústria Canavieira, cuja cachaça era vendida em
todo o Estado do Pará, chegando até os estados vizinhos do Amazonas, Amapá,
Acre e Guianas e Paramaribo e que, com a crise da cachaça nos anos finais de
1975, o Comércio de Regatão também entrou em decadência. Era uma forte
atividade das economias de Abaetetuba e Igarapé-Miri, que ainda subsiste nos
dias atuais, porém sem a pujança do passado.
As relações comerciais de
Abaetetuba e Igarapé-Miri com outras regiões, através do Comércio de Regatão,
vêm do Período Colonial do Pará, que atravessaram todo o Período Provincial e
atingiram o Período Republicano, chegando até aquele marco histórico dos anos
finais da década de 1970, quando se iniciou a decadência da Indústria
Canavieira de Abaetetuba e Igarapé-Miri, tendo a cachaça como o carro-chefe dos
produtos que saíam desses municípios para abastecer os tradicionais municípios
das hoje chamadas Mesorregiões do Baixo Amazonas, do Marajó, Metropolitana de
Belém, Nordeste Paraense e alguns municípios de outras Mesorregiões, chegando
até os municípios de outros estados brasileiros, das Guianas e Paramaribo. Com
o início da derrocada da indústria canavieira, este fato também levou à
derrocada de outras importantes atividades comerciais e agro-industriais de
Abaetetuba, Igarapé-Miri e área do Marajó, como o antigo Comércio de
Regatão, a Indústria Cerâmica, a Carpintaria Naval que eram base da antiga
economia desses municípios.
O Comércio de Regatão é antigo no
Pará, tendo surgido ainda no período colonial e se intensificado no período
provincial. O antigo comércio de
regatão se baseava nos produtos trocados pelos comerciantes do regateio, que
íam das simples trocas de objetos como agulhas, anzóis, remédios usados pelos
antigos coletores (no tempo das grandes epidemias de malária e outras doenças
tropicais), até as roupas, tecidos, perfumes, bebidas, jóias, louças, etc.
locais ou vindas da Europa e Estados Unidos que eram trocados pelos produtos da
coleta dos caboclos como a borracha, algodão, arroz, cacau, azeites, óleos,
castanha-do-pará, couros de animais silvestres, drogas do sertão, farinha
d’água, peixes salgados e grudes de peixes, madeira, fibras vegetais, etc. É
claro que eram os índios e, posteriormente, os caboclos e ribeirinhos que saíam
no prejuízo nessa antiga forma de comercialização, já que não conheciam o valor
dos produtos de suas necessidades e dos vindos de sua coleta e produção
agrícola.
Relação do
Comércio de Regatão de Abaetetuba, Igarapé-Miri e outros municípios do Baixo
Tocantins Com as Regiões Atingidas por Esse Tipo de Comércio:
É histórica a relação comercial
que os municípios de Abaetetuba e Igarapé-Miri estabeleceram com os municípios
das Mesorregiões do Baixo Amazonas, Marajó e com os municípios das
Microrregiões de Almeirim, Arari, Bragantina, Belém, Cametá, Furo de Breves,
Guamá, Óbidos, Salgado, Santarém e Rio Capim, quando da fase áurea da Indústria
Canavieira (principalmente com a comercialização de açúcar e cachaça), dos
produtos da indústria cerâmica, da atividade pesqueira e da produção
extrativista animal e vegetal (fases que foram praticamente contemporâneas),
que ajudaram no desenvolvimento desses dois municípios que podem,
historicamente, ser chamados de “Terra da Cachaça”.
·
Cachaça
Como o Principal Produto do Comércio de Regatão do Baixo Tocantins:
Pela imensidão do território da Província do Pará e pela presença de
centenas de vias navegáveis, o comércio de regatão começou a ser praticado no
Período Colonial do Pará e se estendeu para os períodos Provincial e
Republicano, em comércio praticado através de botes, batelões e,
posteriormente, de canoas à vela e barcos-motores. Esse comércio consistia em
se levar produtos manufaturados e trocá-los ou vendê-los pelos produtos
do extrativismo animal e vegetal praticado pelos indígenas, sendo estes, por
sua ingenuidade e falta de práticas comerciais, largamente logrados pelos
primeiros comerciantes de regatão da Província do Pará.
Existem citações em documentos provinciais
que descrevem o contexto desse comércio e a iniciativa governamental em tentar
proibir o comércio feito pelos rios da Província:
Ano de 1852, quando era presidente da Província do Pará, o Dr. José
Joaquim da Cunha, que escreveu: “Foi decretada uma lei que proíbe o Comércio de
Regatão, porém privou indivíduos que habitando grandes distâncias das povoações
e que as obrigam a ir a estas para vender e comprar, fazendo com que isso
gerasse mais despesas, incômodos, riscos de vida, abandono de suas famílias que
também ficavam sujeitas aos riscos e os coletores e extratores das florestas
perdiam grande tempo nessas viagens. Este comércio não deve ser proibido e sim
regularizado”.
Motivos pelo qual foi decretada referida lei: “O abuso dos comerciantes
de regatão com os índios, que eram lesados nas trocas, maltratados pelos comerciantes
e sempre enganados nas negociações”.
E o Comércio de Regatão seguiu seu curso e no Baixo Tocantins, Ilha do
Marajó, Região do Salgado, terras banhadas pelos rios Acará, Capim, Moju,
Guamá, Igarapé-Miri, e para o Baixo Amazonas e Capital da Província e sua área
metropolitana, onde era praticado em larga escala em embarcações à vapor e,
posteriormente, embarcações movidas à motor de óleo Díesel.
Foi o Comércio de Regatão que alavancou a
Indústria Canavieira do Baixo Tocantins, especialmente nos municípios de
Abaetetuba e Igarapé-Miri, conforme as informações:
E foi realmente a cachaça o carro-chefe do comércio de regatão de
Igarapé-Miri e Abaetetuba já a partir
das últimas décadas do século 19 e no século 20, até os anos finais da década
de 1970, quando esse comércio começou também a ser atingido pela crise da
cachaça dessa fatídica década. Os comerciantes de regatão do Baixo Tocantins
seguiam com seus barcos comercializando seus produtos pelas localidades
situadas nas margens dos rios do Baixo Tocantins, Marajó, localidades do Baixo
Amazonas, pela região do Salgado e pelas margens dos rios Capim, Guamá, Acará,
Moju, Igarapé Miri, nas capitais dos estados do Pará, Amazonas, Amapá, pelo rio
Oiapoque, chegando até o Estado do Acre. Foi a Indústria Canavieira
(especialmente a cachaça) e o comércio de regatão que impulsionaram a
prosperidade de muitas famílias de Igarapé-Miri e Abaetetuba, famílias essas
que também deram origem aos tradicionais clãs familiares desses dois
municípios.
Pelas mesmas características de produção econômica da Indústria
Canavieira e do Comércio de Regatão, as famílias que exploravam esses negócios
mantinham seus interesses comerciais tanto em um, quanto em outro desses dois
municípios, fato que também leva ao fenômeno das antigas famílias de Abaetetuba
e Igarapé-Miri possuírem a ancestralidade comum das famílias que constituíram
as populações atuais desses dois municípios.
Abaetetuba Como Polo Comercial e
Educacional no Baixo Tocantins:
No caso de Abaetetuba, quando da
decadência da Indústria Canavieira e do Comércio de Regatão, sua já forte
condição de Polo Comercial ajudou na escalada do desenvolvimento que hoje
experimenta e a coloca como Pólo Comercial e Educacional da sua Microrregião de
Cametá e junto com Cametá, e também como Polo Comercial e Educacional de todo o
Baixo Tocantins e também com influência em alguns municípios de outras
Microrregiões vizinhas. E o dito desenvolvimento se deve às antigas relações
comerciais que vieram dos antigos e tradicionais municípios das hoje
classificadas Mesos e Microrregiões que ainda não possuíam a quantidade de
municípios que surgiram após os anos finais da década de 1970, que consideramos
o marco da decadência da Indústria Canavieira e do Comércio de Regatão.
Blog do ADEMIR ROCHA, de Abaetetuba/PA




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