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quarta-feira, 26 de junho de 2013

Estuário 1- O Estuário Amazônico e Seus Recursos Naturais e Abaetetuba e o Baixo Tocantins Nesse Complexo Estuarino e Abaetetuba e o Baixo Tocantins Através dos Tempos Históricos

ESTUÁRIO 1: ABAETETUBA E O BAIXO TOCANTINS NO CONTEXTO DELTAICO ESTUARINO AMAZÔNICO ATRAVÉS DOS TEMPOS HISTÓRICOS DO PARÁ
Belo cenário no Estuário Tocantino em foto de
Rui Santos
Sumário desta postagem
.  Datas de referências
.  Estuário: definição, fatores, extensão, forças, foz/desembocadura, variáveis, zonas, ecossistemas, vida, produtividade biológica
·  O sistema deltaico estuarino como ambiente ecológico: fauna, renovação das águas, recursos naturais, florestas, várzeas
·     Pequeno histórico dos recursos naturais
·     O extrativismo no estuário Amazônico: drogas do sertão
·   Madeira, municípios exportadores, tipos de madeiras, modalidades de madeiras exportadas, madeira da carpintaria naval
·      Extração e uso de madeiras para carvão e lenha
·      O extrativismo da borracha
    . O extrativismo da castanha
·      .   As culturas do cacau, café
·      As culturas tradicionais: mandioca, milho, algodão, feijão, arroz, tabaco e outras 
  .  Datas de Referências Para o Entendimento das Diversas Fases que Serão Citadas nos Textos Abaixo:
Estas postagens são frutos de pesquisas várias em textos novos e antigos, com poucas opiniões do autor do Blog do ADEMIR ROCHA, com nomes e itens que já podem se encontrar defasados, mas importantes para o bom entendimento dos variados assuntos das diversas postagens sobre o Estuário Amazônico. Os respectivos itens serão acrescidos de outras informações de acordo com as nossas pesquisas.
Resgatar a história-memória de pessoas, cidades, regiões, fatos históricos e cultura seria um trabalho sem consistência  se não existissem as datas, e estas como elementos importantes  para levar os leitores a se situar melhor no contexto sócio-histórico-cultural e financeiro do passado, daí a preocupação do autor do Blog na citação de datas e fatos, que procuram identificar melhor as pessoas, os vultos, os personagens, as localidades, os municípios e regiões e muitos eventos dessa história-memória que envolve direta ou indiretamente Abaetetuba e sua Região do Baixo Tocantins. As datas são importantes para nos situar no passado e assim darmos valor àquilo que já tivemos, o que temos nos presente e o que podemos almejar para o futuro de nosso município e Região. Uma localidade sem sua memória é uma localidade sem história.
1.       Período Colonial:
·         Dos Capitães-Mores: 1615 a 1753
·         Dos Governadores: 1753 a 1820.
Foi no tempo dos capitães-mores e dos governadores do então Grão-Pará que surgiu a cidade de Santa Maria de Belém do Grão-Pará e as primeiras povoações, entre estes o Povoado de Nossa S. da Conceição de Abaeté e os primeiros engenhos de cana de açúcar que surgiram nas terras do Baixo Tocantins, Marajó, Zonas do Capim, Guamá, Acará, Moju e outras regiões do antigo Pará.
2.       Período Provincial ou da Província do Grão-Pará, com os Presidentes da Província: 1821 a 1889 (até a Proclamação da República).
Foi a partir do início do período provincial que a indústria canavieira tomou novo impulso que resultou na instalação de dezenas de engenhos em Abaetetuba e Igarapé-Miri, agora não mais para a produção de açúcar e sim da produção da aguardente de cana ou cachaça, esta, junto com outros produtos, levadas aos mais longínquos lugares do Estuário Amazônico e outras regiões amazôniocas, através do importante Comércio de Regatão do Baixo Tocantins.
3.       Período Republicano: 16/11/1889 a 2007.
·     A Era Republicana, pelo Movimento Republicano decreta o fim do império em 1889.
República Velha ou República das Oligarquias: 1889 a 1930, com a Revolução de 1930, de Getúlio Vargas.
No início do Período Republicano a Indústria Canavieira estava em pleno auge e Abaeté e Igarapé-Miri/PA começaram a ganhar projeção no cenário econômico do Baixo Tocantins, onde Cametá/PA já desfrutava de renome pelo seu passado histórico-econômico glorioso, este  vindo desde os tempos dos governadores-mores.
Independência do Brasil da Coroa Portuguesa: 1822, através de D. Pedro I.
No período colonial do Pará, os engenhos eram obrigados a produzir açúcar para abastecer os mercados da Capital, Belém e com grande parte da produção sendo exportada para Portugal. Nesse período, pela obrigatoriedade da produção de açúcar, os engenhos foram proibidos de produzir cachaça por vários motivos, sendo o motivo principal a produção de açúcar para suprir as necessidades da Coroa Portuguesa e a cachaça praticamente era produzida clandestinamente no tempo do Brasil-Colônia. Somente com a independência do Brasil a produção de cachaça se tornou comum nos engenhos e o mais importante produto do Comércio de Regatão do Baixo Tocantins.
·         Fim da escravidão negra no Brasil: 13/5/1888, instituída pela Lei Áurea, decretada pela princesa Isabel.
Antes do fim definitivo da escravidão negra no Brasil e, em consequência no Pará, os engenhos de cana-de-açúcar utilizavam uma grande quantidade de braços escravos de indígenas e escravos africanos nas pesadas tarefas da indústria canavieira e em outros roçados e serviços, e os donos de engenhos sentiram o forte impacto que o fim da escravidão negra ocasionou pela falta de braços nos roçados de cana, das outras culturas e demais serviços. Os donos de engenho do Baixo Tocantins conseguiram adaptar o sistema patriarcal da tutela em relação aos trabalhadores dos engenhos e de suas famílias e a produção de cachaça seguiu o seu curso no Baixo Tocantins, sendo esse produto e outros recursos do Estuário Amazônico os usados no Comércio de Regatão do Baixo Tocantins. 
·         Diocese do Pará: 4/3/1719, criada com o desmembramento da então Diocese do Maranhão.
Abaetetuba e Igarapé-Miri fizeram parte, por muitos anos, do Bispado e, posteriormente, da Arquidiocese do Pará, quando Igreja e Estado constituíam um só ente político-social e a Catequese e Civilização dos Indígenas e o Culto Divino ou Culto Público faziam parte da política de colonização do Grão-Pará através das Missões Religiosas que se encarregavam de catequizar os nativos do Grão-Pará e, com isso, de fundar centenas de freguesias, lugares,  sistema que avançou para o período provincial e das primeiras décadas do Regime Republicano. Foi sob o importante trabalho das missões e catequese dos padres missionários de várias ordens religiosas que Belém e as primeiras cidades do Estuário Amazônico surgiram no cenário desse grande Estuário, inclusive as antigas Freguesias de Sant’Ana de Igarapé-Miry e  Nossa Senhora da Conceição de Abaeté e demais freguesias do Baixo Tocantins, que somente nos anos de 1960 saíram da dependência da gigantesca Área Eclesiástica da  Arquidiocese de Belém. Abaetetuba e Igarapé-Miri ficaram atreladas  à Arquidiocese de Belém ou Sé Metropolitana até 25/11/1961, no caso de Abaetetuba e a Paróquia de Igarapé-Miri passou a fazer parte da Prelazia da vizinha cidade de Cametá. Para Abaetetuba foi importante a criação da Prelazia de Abaeté do Tocantins, em 1961, pois foi a partir daí que os municípios da região da Prelazia começaram a receber os importantes serviços das Obras Sociais da Igreja Católica, com a instalação de escolas, hospitais, centros sociais e criação das Comunidades Eclesiais de Base que serviram na visão de uma sociedade mais justa, fraterna e solidária e um olhar político menos atrelado aos interesses de pessoas e grupos dominantes. Foi através do trabalho da Igreja que Abaetetuba muito avançou no seu desenvolvimento sócio-político e  educacional através das Obras Sociais da então Prelazia de Abaeté do Tocantins e hoje Diocese de Abaetetuba.
·         Períodos de Povoado, Freguesia, Vila e Cidade:
Esses períodos são marco importante da história-memória das localidades do Pará, nos aspectos econômicos, financeiros, políticos, sociais, geográficos e demográficos.
·         Igarapé-Miri:
A partir de 1710, Povoação de Sant’Anna de Igarapé-Miri se estendeu até a condição de Freguesia de Sant’Anna de Igarapé-Miri em 29/12/1754, dada pelo D. Frei Miguel de Bulhões e pela Lei Nº 113, de 16/10/1843 torna-se Vila de Igarapé-Miri, que compreende a freguesia de mesmo nome e as freguesias de Abaeté e Cairary, tendo a sua instalação e 1ª Câmara Municipal somente em 26/7/1845 (1845 a 1849) e a Comarca de Igarapé-Miry foi criada pelo Decreto nº 6.992 de 14/8/1878, composta de 3 municípios: Igarapé-Miry, Abaeté e Moju e 5 freguesias: Sant’Anna de Igarapé-Miry, Nossa Senhora da Conceição de Abaeté, São Miguel de Beja, Divino Espírito Santo do Moju e Nossa Senhora da Soledade de Cairary. E, pela Lei Nº 438, de 23/5/1896, a Villa de Igarapé-Miry é elevada à condição de Cidade de Igarapé-Miri.
·         Abaetetuba:
Povoação de Nossa Senhora da Conceição de Abaeté em 8/12/1724 se estendeu até 1750, quando se torna Freguesia de Nossa Senhora da Conceição de Abaeté e em se torna Villa de Abaeté pela Lei nº 973 de 23/3/1880, que também criava a Câmara de Vereadores e a instalação da Cidade de Abaeté em 15/8/1895 e até os dias atuais, quando se torna o importante polo comercial e educacional do Baixo Tocantins.
·         1ª Câmara de Vereadores:
Eram as Câmaras de Vereadores, antes da adoção do Conselho de Intendência, que faziam a administração das vilas ou cidades da Província do Pará. Todas as demandas e questões políticas eram tarefas das antigas Câmaras de Vereadores dos municípios até o surgimento dos Conselhos de Intendência, que substituíram o sistema anterior das Câmaras de Vereadores. Abaeté só chegou a ter Câmara de Vereadores a partir de sua elevação à condição de Vila de Abaeté em 1880 até o ano 1889, com a Proclamação da República.
·         Igarapé-Miri já era município desde 1845 com a 1ª Câmara criada em 1845 a 1849.
·         Abaetetuba, com 1ª Câmara criada em 7/1/1881 até 1884; 2ª Câmara até 1884 1887; 3ª Câmara: 1887 a 1889.
·         O ESTUÁRIO AMAZÔNICO
Para falar do Estuário Amazônico, precisamos saber do que se trata e dos impactos e recursos que proporciona às diversas comunidades tradicionais que dele fazem parte como populações ribeirinhas, descendentes dos nativos do lugar, mescladas aos grupos dos negros escravos vindos da África e com os brancos de origem européia, e também precisamos entender a linguagem que usaremos nestas postagens, no tocante à geografia deltaica estuarina, como também precisamos saber algumas palavras e termos usados na hidrografia, na Geologia e na Geografia e outros importantes aspectos da complexidade de um Estuário.
No Estuário, a floresta encontra-se parcialmente inundada, devido os períodos de enchentes e vazantes, e os ecossistemas de várzea, manguezais e terra firme possuem uma enorme variedade de seres vivos e outros recursos cuja exploração teve início com a ocupação das áreas estuarinas no Período Colonial do Pará.
É uma enorme área, composta pelas embocaduras dos rios Amazonas e Tocantins, cuja biodiversidade apresenta altas taxas de vida marinha e fluvial. É ainda a zona de contato da água doce com a água salgada, em dinâmica importante para a vida no Estuário, onde os recursos de água doce se alternam com os do mar. A densidade da ocupação dessa região deve-se em especial à proximidade da cidade de Belém, em torno da qual foi lentamente se organizando a economia e a sociedade, desde o período colonial, com suas freguesias rurais, muitas dando origem às cidades ribeirinhas, que é o caso das cidades da Microrregião de Cametá e outras microrregiões vizinhas que serão citadas em nossas postagens.
A presença de população agroextrativista pode ser observada por todo o estuário, até mesmo em locais próximos aos grandes centros urbanos. Os habitantes desses locais são conhecidos como ribeirinhos, mestiços em sua etnia, que vivem da extração e manejo dos recursos florestais e aquáticos, bem como da agricultura em pequena escala e muitos de seus conhecimentos sobre os recursos naturais foram adquiridos dos seus antepassados indígenas, que utilizavam as florestas de várzea como fonte de alimento e moradia desde a época Pré-Histórica. Como grande parte das áreas do Estuário Tocantino pertencem à União, devido o que determina a Constituição do Brasil de 1988, daremos algumas sugestões para a exploração dos recursos naturais, muitos dos quais em período crítico de extinção devido à superexploração feita de modo não sustentável, empírico e em desacordo com as modernas técnicas de manejos de espécies florestais, animais e da agricultura, como também pela exploração predatória dos demais recursos advindos das águas e florestas. Culturas tradicionais como arroz, milho, feijão, farinha de mandioca, cana-de-açúcar existentes nas regiões das Ilhas e Colônias do Baixo Tocantins já estão em franca decadência, junto como também as produções oleiras, madeireiras e a coleta de frutas, fibras, sementes oleaginosas que perderam competividade para os produtos vindos de outras regiões do Brasil. A caça e pesca são atividades que perderam espaços pela falta das espécies que antigamente existiam em grande quantidade pelos rios e florestas do Estuário Tocantino, inclusive pela extinção das mais valiosas espécies e escassez de outras que outrora se faziam abundantes pelos ecossistemas do Estuário.
·         Definição Clássica de Um Estuário
Segundo a definição clássica um estuário é um corpo de água semi-confinado que tem ligação com o mar e onde ocorre a mistura das águas marinhas e fluviais, estas últimas provenientes da drenagem (escoamento) das águas das terras.
Pela nossa condição de ambientalista, reforçamos o entendimento do Estuário Amazônico, dizemos que do ponto de vista da Ecologia e da Oceanografia, um Estuário é uma região semi-fechada do oceano e influenciada pelas descargas de água doce de terra, quer seja um ou mais rios, ou apenas da drenagem do continente. No Estuário, o rio se mistura com o mar através de vários canais ou braços do Delta (que é o que acontece no Baixo Tocantins e na região do Marajó, que chamamos de Estuário Tocantino). Um aspecto muito importante é que devido aos nutrientes que as águas de terra transportam, um estuário é geralmente uma região com um elevado número de recursos naturais, estes na forma de flora e fauna, associados a uma grande quantidade de corpos d´água e matas nativas, daí a necessidade de sua preservação e racionalidade em sua exploração.
Essas definições ainda precisam levar em consideração a região onde ainda ocorre a influência das ondas das marés, embora não haja mistura com água salgada, pois o estuário como um ambiente aquático de transição entre um rio e o mar, e que também apresenta diversos corpos ambientais, desde águas doces próximos da sua cabeceira, águas salobras, e águas marinhas próximas da sua desembocadura.
·         Fatores Que Devem Ser Considerados na definição de Estuário
A definição de Estuário é mais abrangente, incluindo o trecho inferior do rio onde o escoamento é afetado tanto pela vazão fluvial como também pela propagação da maré. A fronteira rio-estuário não permanece fixa no tempo, mas apresenta variações de posição em função da variação dos parâmetros que caracterizam a maré e o escoamento fluvial. No caso do rio Amazonas, onde a mistura de água doce e salgada ocorre na plataforma continental, a perturbação do escoamento fluvial pela maré se percebe até algumas centenas de quilômetros à montante da foz. A penetração da maré é fortemente afetada pela vazão fluvial e a presença de águas mais rasas, onde o atrito começa a ser importante, quando são geradas outras características das marés.
Do ponto de vista da Ecologia e da Oceanografia, um Estuário é uma região semi-fechada do Oceano, influenciada pelas descargas de água doce que vêm de terra, quer seja um ou mais rios, ou apenas da drenagem do continente. Nos casos das regiões tocantinas e guajarinas e das outras regiões às proximidades, são vários rios que recebem as descargas das águas doces das chuvas e, agora, da drenagem das cidades que estão contribuindo para a poluição e contaminação de nossos rios.
Delta e estuário podem ser confundidos como ambientes diferentes. No caso do Estuário Amazônico, trata-se de um estuário do tipo misto, onde existem os deltas e os estuários, onde o rio se mistura com o mar através de vários canais ou braços do Delta. Portanto, no caso do delta Amazônico, este pode considerar-se também uma Região Estuarina.
Alguns Aspectos do Estuário Amazônico
·         Extensão do Estuário Amazônico
O Delta Interno do Estuário Amazônico apresenta cerca de 380 km de largura, cobrindo uma área triangular de cerca de 85.500 Km. É nesse grande Estuário Amazônico que é projetado no Oceano Atlântico uma grande massa de água doce do Rio Amazonas, incluindo um grande volume de argila e outros materiais misturados às águas das drenagens.
·         As Forças Atuantes nas Marés no Estuário Amazônico:
A penetração da maré num estuário é o resultado da interação do escoamento fluvial e do movimento oscilatório gerado pela maré na sua embocadura, onde essas ondas longas são geralmente amortecidas e progressivamente distorcidas pelas forças do atrito no fundo e a força da vazão fluvial e influenciada também pela geometria do canal. As principais forças intervenientes no processo das marés são a força de gravidade (principal agente no escoamento fluvial), força da de pressão (provenientes de desníveis na linha d’água gerados pela maré), forças de atrito (geradas pela resistência no fundo), forças inerciais e finalmente, as forças provenientes da estratificação da água (pelo encontro de água doce e salgada).
·         Foz ou Desembocadura
A foz ou Desembocadura é o local onde um corpo de água fluente, como um rio, deságua em outro corpo de água que pode ser outro rio, um grande lago, uma lagoa, um mar, ou mesmo o oceano.  Ou Foz ou Desembocadura (desague), é a denominação do local onde há descargas de água doce corrente, como um rio.
Tipos de Foz:
·         Quando um rio desemboca no mar ou oceano, através de um único canal, recebe este tipo de foz o nome de Estuário. A foz em estuário e onde o rio corre uniformemente em seu leito até o fim.
·         Quando, entretanto, o desague se dá de forma capilar, com vários braços, ramificados, formando ilhas, denominamos de Delta. A foz em delta é caracterizada pelo alargamento do leito, formando uma espécie de triângulo (daí o nome Delta), tendo em seus lados as duas margens do rio e o limite com local onde ocorre a desembocadura. Neste tipo de foz, frequentemente, forma-se porções de terra na forma de ilhotas no centro do triângulo. Bons exemplos de fozes em delta são dos Rios Nilo, Amazonas, Níger, Pérolas e Danúbio. Vê-se que o rio de nosso interesse, o Rio Amazonas, possui foz em delta.
·         Quando coexistem esses dois tipos de fozes, chamamos de Mista, que é o caso do grande Estuário Amazônico. Foz Mista, com algumas ilhas laterais, mas com uma foz larga, como é o caso do Rio Amazonas.
Algumas Variáveis de Um Estuário
Um Estuário é um ambiente complexo em vários aspectos. Entre as principais varáveis ambientais do estuário, podemos citar:
·         Salinidade, que pode variar conforme topografia, estação do ano e quantidade de água doce trazida pelos rios ou água salgada pelas  das marés.
·         A água do estuário possui enorme quantidade de partículas em suspensão, dificultando a penetração de luz, causando a diminuição da fotossíntese e sua respectiva produtividade.
·         Temperatura, que costuma variar bastante em razão do menor volume de água existente e da entrada de água doce que tende ser sempre mais fria.
·         As correntes de um Estuário são causadas principalmente pelo fluxo de água do mar e dos rios. Ambiente com seus sedimentos provenientes do mar e rios, com o Estuário possuindo substrato lamoso e macio.
Zonas de Um Estuário
Um Estuário é um sistema, onde podemos encontrar três Zonas distintas:
·         Zona de Maré dos Rios, que corresponde à parte fluvial com baixa salinidade, mas ainda sujeita a influência da maré;
·         Zona de Mistura, onde ocorre a mistura da água doce proveniente da drenagem continental com a água da região costeira adjacente;
·         Zona Costeira, que corresponde à região costeira adjacente.

     Ecossistemas e Biodiversidade no Estuário Amazônico
O Estuário Amazônico é berço de grande biodiversidade, dada à complexidade dos ecossistemas que possui, onde as populações indígenas, ribeirinhas ou urbanas, viveram historicamente de uma economia baseada nos seus recursos florestais e aquáticos, aqui presentes e abundantes em suas dezenas de ilhas espalhadas nas proximidades de sua maior ilha, a do Marajó (Região das Ilhas do Pará com mais de 2.000 ilhas do Pará ao Amapá), que causa surpresa e admiração por tantos que por aqui passaram através dos séculos, pela exuberância da floresta, das águas, das forças e dos seus movimentos. Próximos à sua embocadura e em todo o Estuário formado pelos rios e seus afluentes, pelas ilhas, lagos, furos e igarapés, os grupos sociais espalharam-se, dominaram os territórios e sobreviveram graças aos conhecimentos  empíricos adquiridos através dos tempos.
Dentre os ambientes que integram os ecossistemas estuarinos amazônicos, estão os rios, os igarapés, as florestas, as várzeas, as baías, as ilhas com suas praias, os campos alagados, todos com suas especificidades ambientais e sociais.
No Estuário a floresta encontra-se parcialmente inundada, com seus períodos de enchentes e vazantes, e que determinam os ecossistemas de várzea, manguezais e terra firme. É uma enorme área composta pelas embocaduras dos rios Amazonas e Tocantins, cuja biodiversidade apresenta altas taxas de vida marinha e fluvial. É ainda a zona de contato da água doce com a água salgada, dinâmica importante para a vida no Estuário, onde os recursos de água doce se alternam com os do mar. A densidade da ocupação dessa região é pequena e deve-se em especial à proximidade da cidade de Belém, em torno da qual foram lentamente se organizando a economia e a sociedade tradicional paraense desde o período colonial, com suas freguesias rurais, muitas dando origem às cidades ribeirinhas, que é o caso das cidades das regiões do Tocantins, do Marajó e outras vizinhas ou mais afastadas da Capital do Pará.
E baseado nessas questões das águas e terras do Estuário do Tocantins que resolvemos destacar algumas Mesos e Microrregiões (estes são conceitos recentes) e alguns municípios, que foram e continuam ser importantes para a história de Abaetetuba/Pa e o Baixo Tocantins, conforme as pesquisas efetuadas em várias fontes, como dados do IBGE dos anos de 2008 até 2010 e, pode ser, que a divisão apresentada abaixo, como alguns conceitos e denominações já tenham até sido modificados, dado o dinamismo das mudanças em vários aspectos que afeta a vida de algumas Mesos e Microrregiões do Pará Estimativas do IBGE para 1º de julho de 2009 e outras fontes de pesquisas na Internet, livros e revistas que tratam do assunto.

Importância da Vegetação Estuarina Amazônica na Biodiversidade
A vegetação é parte importante da biodiversidade estuarina amazônica e é um hábito antigo do homem ribeirinho fazer uso das plantas nas mais diversas atividades. Com o passar do tempo, acabamos descobrindo que muitos vegetais, além de atenderem às nossas necessidades básicas de alimentação e de abrigo, podiam também ser utilizados para curar doenças, fabricar utensílios. Com os avanços tecnológicos, passamos a usar mais e mais substâncias medicinais vindas dos vegetais, trazendo novas oportunidades de cura e melhoria da qualidade de vida nas áreas estuarinas amazônicas.

Aspectos da importância da fauna no equilíbrio dos ecossistemas
A fauna tem importância fundamental no equilíbrio dos ecossistemas em geral, pois muitos animais são vitais à existência de muitas plantas, pois estas se constituem no elemento de procriação e multiplicação das espécies, já que muitos animais são agentes polinizadores, como no caso dos beija-flores, insetos como borboletas, besouros, abelhas, etc. E muitos animais são dispersores de sementes, como os casos de muitos mamíferos e aves como principais disseminadores de sementes e todos os animais são excelentes agentes adubadores, através de suas fezes e hábitos alimentares.
         Entre alguns ecossistemas do Estuário Amazônico, vale destacar
·         Mangue, que é um ambiente costeiro, de transição entre ambientes terrestre e marinho, encontrado apenas em regiões tropicais e subtropicais. Saiba que o manguezal é um ecossistema complexo e muito produtivo. Ele está sujeito ao regime das marés, cercado de vegetais típicos (muitas vezes difíceis ou impossíveis de se criar em cativeiro) aos quais estão associados a outros componentes animais e variáveis desses ecossistemas. Muitos animais migram para estas áreas por pelo menos uma fase do ciclo de sua vida e outros permanecem sua vida inteira nestes locais, como no caso dos crustáceos amazônicos. O manguezal é um ambiente de baixa salinidade e suporta uma enorme variedade de animais tanto terrestres, como aquáticos, como: macacos, serpentes e muitos pássaros que são facilmente encontrados devido à infinidade de espécies de peixes, caracóis e pequenos crustáceos encontrados que lhes servem em sua alimentação. Dependendo da região, encontramos peixes exóticos e até mesmo no lamaçal dos mangues. O Litoral Amazônico, que compreende a foz do Rio Oiapoque (AP) ao Rio Parnaíba (MA/PI), com alguns trechos extensos, possuindo largura superior a 100 km e caracterizado por ser lamacento, esse litoral apresenta área extensa de manguezais e matas de várzeas de marés.

        As diversas aplicações da vegetação estuarina amazônica:
A vegetação estuarina amazônica tem variadas aplicações na vida das populações, no setor econômico e outros aspectos. Alguns dos usos dos estoques vegetais ainda são frutos da coleta predatória desses recursos naturais e outros são de muita utilidade nas melhorias da qualidade de vida das populações estuarinas e até mundiais, pois manter de pé as florestas é boa política no uso sustentável dos recursos florestais e do fornecimento do gás oxigênio responsável pela respiração do homem e de outros seres vivos e contribuindo na manutenção da harmonia dos fatores climáticos do planeta Terra.
Os alimentos vegetais                   
   A maior parte dos vegetais também serve de alimento para os animais. Milho, arroz, feijão, caju, babaçu, macaxeira, castanha, amendoim e outras sementes e frutos são alimentos que não podem faltar em nossa dieta alimentar diária e muitas áreas do Estuário Amazônico foram usadas nos períodos históricos do Pará na cultura de alguns desses grãos e na coleta das abundantes frutas amazônicas.
Uso dos vegetais tóxicos na medicina e como remédios caseiros
   São muitas espécies de vegetais tóxicos espalhadas pelas áreas estuarinas amazônicas e alguns desses vegetais já eram usados nos antigos processos de captura de pescados pelos rios e igarapés amazônicos. É chamado de tóxico o vegetal que tem uma substância que envenena e, atualmente, muitos vegetais tóxicos são usados na medicina e na veterinária na fabricação de remédios usados na cura de algumas doenças e para matar insetos, ratos e carrapatos. Como na Amazônia existe uma grande quantidade de vegetais com diferentes princípios ativos, estes são devidamente estudados e posteriormente esses fármacos são utilizados para fabricar remédios e podem ser extraídos de qualquer parte da planta. Já existem muitos exemplos de vegetais que já fornecem substâncias para a produção de remédios industriais e uma grande maioria de vegetais que são usados na tradicional medicina caseira amazônica e no tratamento de muitas doenças e problemas que afetam a saúde humana.
As Ameaças às Plantas Medicinais
    Porém a cultura do uso das plantas como remédios caseiros está ameaçada por diversos fatores. Como sabemos muitas espécies da Flora Amazônica eram  amplamente usadas pelas populações ribeirinhas como remédios caseiros, em conhecimento puramente empírico, com pouco ou nenhum conhecimento científico sobre seu uso como remédios. De concreto se sabe que eram  perto de 200 espécies de plantas usadas pelos diferentes povos das áreas amazônicas como remédios.
A contribuição indígena no uso das plantas medicinais
    As populações indígenas há milênios usaram e ainda utilizam as espécies da flora na cura e tratamento de muitos males que acometiam essas populações. Porém esse conhecimento empírico das plantas vem se perdendo pela rápida aculturação a que os povos indígenas são submetidos nas áreas amazônicas. É provável que muitas espécies de plantas brasileiras tenham uso medicinal ainda desconhecido e esse conhecimento ainda está  ameaçado pelo desmatamento e pela expansão das terras da agropecuária, que são outros grandes problemas que vem afetando as florestas amazônicas.
     Vide Remédios Caseiros no Blog do ADEMIR ROCHA.
Importância das florestas e algumas aplicações dos estoques dos recursos naturais florestais do Estuário Amazônico
 Aplicações
· Na alimentação na forma de frutos, raízes, folhas, caules, que também fornecem farinhas, sucos, doces, etc.
· Na farmacologia e medicina fornecendo muitos princípios ativos para a fabricação de medicamentos e muitos produtos medicinais, especialmente na medicina popular.
·   No vestuário onde muitos tecidos são fabricados através de fibras vegetais.
·   Na habitação fornecendo madeira, folhas e fibras para a construção de moradias.
· Na atividade industrial fornecendo muitas matérias-primas para a fabricação de papel, móveis, óleos, polpas de frutas, etc.
·   Na decoração e arborização de áreas, casas, quintais, jardins.
· Na indústria de cosméticos e perfumes onde as essências e produtos vegetais são fartamente usados na fabricação de perfumes e cosméticos.
Na indústria naval fornecendo madeira para a construção de embarcações de madeira, pequenas ou de grandes portes.
Importância e Influências das florestas sobre a Natureza
 .  As florestas desempenham um papel muito importante na conservação da natureza, pois elas influem no clima de diversas formas:
·Impedem que os raios solares incidam diretamente sobre o solo, tornando a temperatura mais amena.
·Aumentam a umidade da região por meio da transpiração das plantas, tornando maior o índice de chuvas.
·Auxiliam a renovação do ar atmosférico. Durante a fotossíntese, as plantas liberam oxigênio para o ar atmosférico, retirando dele o excesso de gás carbônico.
·Diminuem a velocidade do vento e a incidência direta da chuva no solo, reduzindo assim a erosão.
·         Além dessas vantagens, as florestas impedem que a água das chuvas chegue até o solo com muita força e carregue consigo as substâncias nutritivas da camada superficial. Assim, a flora não só protege o solo contra a erosão provocada pelas chuvas como a mantém fértil.
A VIDA NO ESTUÁRIO AMAZÔNICO
O Delta Externo do Estuário Amazônico abrange toda a costa dos estados do Pará e Amapá e forma um complexo ambiente aquático-terrestre, de elevada produtividade biológica, que sustenta uma grande biomassa de espécies.
Além das espécies de grande importância econômica para a região, o Estuário Amazônico e a vegetação circundante são considerados como um “berçário”, visto que abriga e alimenta populações jovens de diversas espécies de peixes e crustáceos, típicos de águas salobras e marinhas.
Os rios Amazonas e Tocantins deságuam na costa do Estado do Pará, onde formam a Foz Amazônica. Nessa região, acontece um período chuvoso no primeiro semestre do ano, de fevereiro a abril, o qual é caracterizado pelo aumento da descarga dos rios e um período menos chuvoso do ano, entre os meses de agosto a outubro. No segundo semestre ocorre o período de seca, com menos intensidade de chuvas, com a consequente aproximação das águas salgadas em relação à costa. Os períodos de chuvas e secas são fundamentais para a explosão de vida no Estuário Amazônico.
Como o Estuário é a parte terminal de um rio ou lagoa que se encontra em contato com o mar, sofrendo influência das marés e descargas de água doce de terra, possuindo água com mais sais dissolvidos que a água doce e em menor quantidade de sais que a água do mar, pode-se dizer que o Estuário, como ambiente aquático de transição entre um rio e o mar, que sofre a influência das marés e que, por isso, apresenta fortes gradientes ambientais, desde águas doces próximos da sua cabeceira, águas salobras, e águas marinhas próximo da sua desembocadura. As zonas que ficam situadas entre as marés são geralmente constituídas de várzeas (lama) com suas populações de crustáceos, peixes, aves e alguns animais mamíferos importantes para o equilíbrio do meio ambiente. Os mangues são importantes habitats de ostras e os pântanos, são ótimas zonas para o desenvolvimento de espécies aquáticas, sem contar a infinidade de espécies de peixes e outras espécies animais nas regiões costeiras do Estuário Amazônico, incluindo a Costa Atlântica e as costas dos estuários internos do grande Estuário Amazônico.
·         Produtividade Biológica do Estuário Amazônico
Um aspecto muito importante é que, devido aos nutrientes que as águas de terra transportam, um estuário é geralmente uma região com elevada produtividade biológica. No entanto, devido ser uma região semi-fechada que sofre particularmente os efeitos da poluição advinda das drenagens sanitárias das cidades e pode, assim, se transformar num deserto biológico, como já está acontecendo com a Baía de Guajará e demais corpos d’água que seguem as correntes naturais das marés, que também recebem os detritos vindos do sistema de saneamento de Belém e demais cidades estuarinas. Esse fato e as práticas de caça e pesca indiscriminada e predatória, estão tornando essas águas menos ricas em espécies, haja vista a grande quantidade e variedade de espécies que os corpos d’água do Estuário Tocantino possuíam nos tempos mais antigos. A mesma pesca predatória acontece nas costas atlânticas do Estuário Amazônico.
Delta e estuário podem ser confundidos como ambientes diferentes, quando na realidade trata-se do mesmo ambiente.
Os rios Amazonas e Tocantins desaguam no oceano Atlântico na costa norte do Brasil, entre os estados do Pará e Amapá e esta áreaé chamada de Estuário do Amazonas, e estende-se na linha de costa destes estados, formando um ambiente aquático complexo com uma alta produtividade biológica, que suporta uma biomassa substancial de espécies de peixes exploradas por frotas artesanais e industriais estabelecidas em ambos os estados. O Estuário Amazônico é considerado uma das regiões mais produtivas do país e em 1998 estimou-se que cerca de 40% da produção brasileira de pescado foi originada nesta área. Esta riqueza fez do local um grande polo industrial de exploração de recursos pesqueiros. Estudos de 1995 mencionam que as frotas pesqueiras exploraram a abundância do pescado nas águas interiores, no estuário, na costa e no oceano, em diferentes períodos do ano.
·         O Sistema Estuarino Como Ambiente Ecológico
Os estuários apresentam características ambientais únicas, que resultam em elevada produtividade biológica, desempenhando papéis ecológicos de grande importância como:
·  .  É um habitat vital para inúmeras espécies,
·     .   São pontos de passagem para espécies migratórias entre o meio marinho e fluvial
·     São áreas geradoras de bens e serviços para as populações locais.
·   No inverno há uma explosão de produtividade e no verão existe uma alta taxa de crescimento.
·     É um exportador de nutrientes e matéria orgânica para águas costeiras adjacentes
· As águas estuarinas são biologicamente mais produtivas do que as dos rios e oceano adjacente, apresentando altas concentrações de nutrientes e estimulando a produção primária.
·  Devido a dinâmica das águas associada à vegetação de suas margens (mangues), há uma proporção de desenvolvimento exuberante da fauna, tanto terrestre como aquática, tendo as aves no topo da cadeia alimentar. E as aves possuem um grande poder de ingestão de outros seres vivos, como peixes e mariscos, sendo assim, as aves são excelentes bio-indicadores, mostrando como está a saúde de determinado Estuário. Pela ausência das inúmeras espécies de aves em pontos do Estuário Amazônico, acreditamos que esse estuário não está com boa saúde.
·         Fauna de um Estuário
A fauna do Estuário é abundante e diversificada em espécies. No caso do Estuário Amazônico, podemos ter uma Fauna comercial primária, entre os quais podemos citar as ostras, camarões, siris, caranguejos e peixes, mamíferos e os animais das florestas circundantes.
Renovação das Águas de Um Estuário
·    Um Estuário possui capacidade natural de renovação periódica e sistemática de suas águas sob a influência das marés, daí a facilidade de instalações portuárias, comerciais e navais, a abundante biodiversidade, facilidade para captação de água doce e sua proximidade para as atividades econômicas e de lazer. Isso faz com que os estuários sejam receptáculos naturais, não só da drenagem dos afluentes naturais da região adjacente, como também de substâncias patogênicas do centro urbano, como é o caso da cidade de Belém e muitas outras cidades do Estuário Amazônico, com o uso excessivo desses ambientes com finalidade de crescimento, fato que tem ocasionado um desgaste nos recursos naturais dessas áreas em termos ambientais.
RECURSOS NATURAIS DAS FLORESTAS DE VÁRZEAS DO ESTUÁRIO AMAZÔNICO E ALGUMAS ATIVIDADES ECONÔMICAS
O conjunto das florestas de várzea do Estuário Amazônico engloba uma área de aproximadamente 25.000 km², compreendendo as ilhas do Arquipélago de Marajó e as margens dos rios que compõem o Estuário desde sua foz até o Rio Xingu. As várzeas são áreas planas e de baixa altitude, sendo boa parte sujeita às inundações diárias pela variação da maré que chega a 3,50m em Belém e apenas 0,50m na foz do Xingu. O clima da região é quente.
Inúmeros rios e igarapés formam uma rede fluvial densa que facilita o acesso por barco a grande parte das áreas. Vide foto do Estuário
As Florestas de Várzeas do Estuário Amazônico, que antes eram abundantes em recursos naturais de importâncias econômicas, entre as quais madeiras, frutas, palmito, lenha, peixes, fibras e borracha e com muitos desses recursos já esgotados pela grande exploração nos períodos históricos do Pará (Colonial, Provincial e Republicano) e sem políticas públicas adequadas para a exploração atual e racional desses recursos que ainda existem em menor quantidade que em épocas passadas. Apesar de tantas riquezas geradas muitos aglomerados populacionais do Baixo Tocantins e Marajó são do rol dos mais pobres da Amazônia.
·  As florestas de várzea do Estuário Amazônico são abundantes em recursos naturais de importância econômica, que no passado geravam rendas para as famílias e sustentavam a economia dos núcleos populacionais espalhados pelas áreas do Estuário. Não foi uma exploração pacífica e racional e, pelo contrário, foi uma exploração predatória que acabou por reduzir drasticamente esses recursos nessas florestas.
·  Como as populações ribeirinhas continuam pobres como antes, sugerimos a formação de Florestas de Produção em algumas áreas, em particular de Reservas Extrativistas, que seria a melhor forma de gerar renda para a população local, sem continuar agredindo os estoques florestais restantes.
·  O sucesso econômico baseado no extrativismo dependerá da capacidade de explorar sustentavelmente os recursos naturais, diversificar a produção, produzir com qualidade, bem como da habilidade dos moradores para o trabalho em associações e cooperativas. Adiante daremos algumas sugestões de como explorar racionalmente esses e outros recursos que o Estuário ainda possa oferecer.
Pequeno Histórico da Exploração dos Recursos Naturais do Estuário Amazônico no decorrer dos períodos históricos do Pará
A antiga exploração comercial pelos europeus dos recursos naturais na Planície Amazônica e, especificamente no Estuário Amazônico, teve início no Século 16 e durante os séculos 17 e 18 o plantio e processamento da cana de açúcar, do café, bem como a pecuária também fortaleceram a economia estuarina. E algumas indústrias manufatureiras, usinas e engenhos se instalaram nas áreas estuarinas, ao lado do extrativismo e das culturas tradicionais vindas dos povos indígenas e outras introduzidas pelos colonizadores do Grão-Pará, com destaque para o açúcar, o café, o cacau e também o plantio de árvores frutíferas vindas das Guianas e Europa que junto com a pecuária se tornaram importantes atividades econômicas, algumas já a partir do Século 17. Na Região do Marajó, devido os extensos campos e campinaranas existentes em várias áreas do desse arquipélago, se desenvolveu a atividade pecuária que por muitos séculos abasteceram as praças de Belém e demais praças estuarinas. A partir da 2ª metade do Século 19 veio o mais importante produto do extrativismo amazônico, a borracha, que determinou o chamado Ciclo da Borracha, período que determinou o avanço econômico do Pará nos cenários nacional e internacional e que atingiu remotas áreas amazônicas e, consequentemente, as diversas áreas do Estuário Amazônico e envolveu uma enorme quantidade de braços na coleta, preparo, comercialização e exportação da borracha, atividade que alavancou muitas outras atividades nas localidades e vias navegáveis da Amazônia. Abaixo elencamos algumas antigas atividades econômicas e os principais produtos dos períodos históricos do Pará.
·         O EXTRATIVISMO NA AMAZÔNIA
O extrativismo é uma atividade bem antiga na Amazônia, que começou com pelo extrativismo das “drogas do sertão” do Período Colonial, chegou ao Período Provincial com o “Ciclo da Borracha” (este ciclo enriqueceu o Estado do Pará, tornando-o um dos maiores em poderio econômico do Brasil de então-vide “Ciclo da Borracha”), ciclo que avançou até o início da Era Republicana, tornando Belém uma das mais ricas e belas metrópoles do Brasil. As regiões do Baixo Tocantins, Marajó e demais sistemas deltaicos estuarinos amazônicos participaram  ativamente desses períodos do extrativismo, com Cametá tendo se tornado um dos pólos da concentração comercial antiga, recebendo os produtos que desciam os rio Tocantins, Amazonas, Xingu e Araguaia inicialmente através dos antigos botes e escaleres dos tempos provinciais e, posteriormente, dos antigos navios à vapor das empresas de navegação fluvial, costeira e internacional que faziam as linhas através do Estuário, que paravam na cidade de Cametá, e também em outras localidades como Abaeté, Cairary, Moju, Igarapé-Miri (vapores da navegação fluvial), para fazer o embarque dos produtos advindos também da Ilha do Marajó e do Baixo Tocantins (Vide os produtos do extrativismo animal e vegetal do Baixo Tocantins e Ilha do Marajó). Esses produtos do extrativismo seguiam para abastecer o mercado da Capital, sendo que a maior parte desses produtos alimentava o intenso mercado exportador de Belém em direção aos mercados europeus e nortes americanos. Em contrapartida, devido ás riquezas geradas pelo “Ciclo da Borracha”, o porto da Capital se tornou um grande ponto de importação dos produtos manufaturados dos mercados da Europa e Estados Unidos, que serviram na construção e ornamentação de muitas igrejas, prédios, sobrados e instalações antigas de Belém, Manaus e outras cidades importantes como Cametá, Bragança, Vigia, Santarém, Moju, Acará, Igarapé-Miri e outras que ainda guardam os traços da arquitetura barroca e acervos variados de materiais advindos da Europa e Estados unidos.
·         Decadência do Extrativismo Animal e Vegetal
Os produtos do extrativismo animal e vegetal também entraram em decadência pelas atividades irracionais da caça e pesca e extração de outros produtos advindos das matas e rios da região. Foram intensos os comércios dos couros de animais silvestres (jacarés, onças, jaguatiricas, lontras, ariranhas, peles de veados, cobras, capivara, aves e penas de aves, etc), de peixes e outros animais de água doce (que eram salgados e secados para comercialização-foi esse processo que extinguiu o peixe-boi, os quelônios e jacarés do Baixo Tocantins), e das caçadas de animais silvestres (mamíferos, aves, etc) para uso das carnes na alimentação local.
Então, aí está a importância do Blog do Prof. Ademir Rocha se preocupar em ajudar a resgatar a história-memória e genealogia dos municípios do Baixo Tocantins, Marajó e de outras regiões e, quem sabe, com a ajuda de outras pessoas interessadas no assunto, produzir uma obra escrita que eternize a história-memória e genealogia das famílias do Baixo Tocantins e Pará inteiro.
·         O Extrativismo Animal e Vegetal no Estuário Tocantino
Todo estuário é rico em diferentes ecossistemas e, por conseguinte, rico em diferentes  recursos naturais de toda ordem. Entre os recursos naturais temos a Flora e Fauna do Estuário Tocantino, outrora povoado de animais e vegetais, muitos dos quais já foram extintos pela irracional caça, pesca e extrativismo predatórios. Inicialmente, antes da chegada do colonizador e dos invasores do Delta Tocantino, a Natureza vivia em equilíbrio com seus habitantes naturais, os índios, que pela abundância de animais e vegetais, não precisavam depredar o meio ambiente em busca de alimentos e recursos naturais para suprir suas necessidades. Foi com a chegada dos colonizadores e invasores estrangeiros que por aqui estiveram ainda nos tempos coloniais do Pará (1616-1753), onde se iniciaram as grandes matanças de peixes-bois, tartarugas, pescados e muitas espécies de aves para suprir as tropas guerreiras dos colonizadores ou invasores estrangeiros e os moradores das localidades que começaram a ser fundadas desde o início do Período Colonial.
Com a expulsão dos invasores estrangeiros e a afirmação da colonização no Grão-Pará, os recursos naturais do Estuário Tocantino vieram fazer parte do regime alimentar dos colonizadores ou compor no rol dos abundantes recursos naturais exportáveis para a Capital da Colônia, Santa Maria de Belém do Grão-Pará e desta para os portos da Coroa Portuguesa.
Os próprios índios das costas estuarinas passaram a adotar as práticas predatórias dos europeus e também forçados pelos governantes, missionários ou comerciantes de regatão, que os levavam às práticas da depredação das “drogas do sertão”, extração de óleos, banhas ou resinas animais e vegetais e na caça e pesca com métodos predatórios por envenenamento das águas dos rios e igarapés na captura dos peixes e outros animais fluviais.
As aves eram caçadas em vista da comercialização de suas carnes ou penas para uso nas antigas canetas-tinteiros, o mesmo acontecendo com as espécies de peixes, cujas carnes eram salgadas para alimentação das populações, tropas militares ou para exportação, inclusive com a exportação da chamada grude de peixes, que tinha larga aplicação industrial nos países europeus.
O mesmo se pode dizer da exploração da borracha, da castanha-do-pará, das peles de animais silvestres, da madeira e outros produtos que eram explorados nas áreas do Estuário Amazônico.
Com o advento do Período Imperial e do Período Republicano, os processos de depredação dos recursos naturais continuaram agora na forma de exploração das terras do agro-negócio selvagem, devido a derrubada de extensas áreas de terras, do uso dos recursos hidroenergético dos corpos fluviais e da continuação predatória da caça e pesca nociva aos variados ecossistemas do Estuário Amazônico, sem contar a moderna prática da destruição e poluição dos rios da Amazônia pela drenagem dos sistemas de esgoto das cidades.
Inclusive aconteceu no Período Provincial a grande demanda pelas peles dos animais do Estuário Amazônico que eram exportadas para a Europa e Estados Unidos, especialmente da pele de veados, onças, jaguatiricas, lontras, ariranhas, jacarés e de algumas espécies de lagartos de peles vistosas, peles que eram exportadas aos milhares. Muitas peles voltavam desses centros industriais na forma de calçados, bolsas e outros produtos da Belle Èpoque e também levados para as trocas do antigo Comércio de Regatão do Período Provincial e os próprios regateiros é que repassavam essas peles aos compradores da praça de Belém, para a devida exportação.
·         DROGAS DO SERTÃO
O Extrativismo na Amazônia e, especificamente no Pará, se iniciou já a partir do início do Século 17 com a procura pelas chamadas “Drogas do Sertão”, pedras preciosas e ouro através dos primeiros colonizadores que chegaram ao Grão-Pará. Quando as “Drogas do Sertão” foram localizadas em áreas estuarinas amazônicas, começou aí a coleta predatória desses produtos, que já no século 19 estavam com os estoques muito reduzidos pela prática da coleta predatória de muitas espécies. Algumas “Drogas do Sertão” localizadas e coletadas pelas áreas estuarinas amazônicas:
.  Anil, com coleta vinda desde os tempos coloniais do Pará, entre 1764-1769, nas antigas vilas e localidades do Vale do Xingu.entre 1764-1769, como Porto de Moz, Veiros, Pombal, Souzel.
.  Baunilha, droga do sertão com coleta vinda dos tempos coloniais e nos anos de 1860 a árvore baunilheira já estava praticamente extinta pela ação predatória de seus coletores nas terras altas dos rios Pacajás e Anapu.
.  Cravo, coleta vinda dos tempos coloniais nas antigas vilas e lugares de Gurupá, São João Batista de Itacuruçá, Santo Ignácio de Aricary, Veiros, Pombal, Porto de Moz entre 1764-176, século 17, citado na década de 1840, 1870, exportado para a Capital e nos anos de 1860 as áreas dos craveiros já estavam em extinção pelos grandes estragos praticados pelos coletores. Em 1864 é citada a extração de cravo nas terras altas dos rios Pacajá e Anapu, fato que determinou o desparecimento dos craveiros das margens desses rios.
.  Urucu, usado como tintura ou temperos na alimentação, citado na década de 1840, 1870, e Igarapé-Miri era o maior produtor, e Abaetetuba também com usinas artesanais de processamento de urucu, cultura que não teve continuidade no período provincial do Pará. Era um dos produtos das chamadas “drogas do sertão”. O urucu é citado como gênero da pauta de exportação do período de 1863-1864, porém com sensível queda na sua produção. Em 1873 uma pequena quantidade de urucu (399 quilos) foi exportada para fora do Imperio brasileiro.
.  Salsa parrilha (salsa), citada entre 1764-1769 nas antigas vilas e localidades de Porto de Moz, Veiros, Pombal, Souzel e citada na década de 1840, 1870, droga do sertão fartamente explorada pelo extrativismo vegetal dos períodos colonial e provincial e já se encontra praticamente extinta no estuário Tocantino. A salsa é citada como gênero de exportação em 1863-1864, porém com a diminuição da sua quantidade. Em 1873 uma razoável quantidade de salsa parillha (7.836 quilos) foi exportada para fora do Imperio brasileiro.
.  Canela, coleta vinda desde o século 16, citada na década de 1840, droga do sertão, como atividade do extrativismo vegetal e a espécie já está praticamente extinta nas áreas estuarinas tocantinas.
.  Cumaru
.  Rícino
.  Puxuri
·         As Raízes e Essências Aromáticas
      Essências vegetais
.    As matas de várzeas e matas de terra firme do Estuário Amazõnico são ricas em vegetais que fornecem os chamados óleos essenciais ou óleos voláteis de larga aplicação na indústria de perfumes e produtos de beleza. Até então o processo utilizado para aquisição das sementes, cascas, raízes, fibras aromáticas eram feitas através do tradicional processo da coleta no seio das matas amazônicas nos períodos históricos do Pará. Agora, porém, as indústrias interessadas já se preocupam com o plantio de espécies aromáticas que se prestam para o fornecimento dos óleos essenciais. As principais plantas aromáticas são a amburana, o capim-limão, a canela-silvestre, o babaçu, o pau-rosa e o caju. As plantas aromáticas por terem sabor e aroma agradáveis são usadas na fabricação de perfumes e produtos de beleza e também na fabricação de remédios e até do fumo aromatizado.
     Algumas essências vegetais
    .  Cumaru, citado nas décadas de 1840, 1870, produto do extrativismo vegetal para obtenção de essência no período provincial e óbtenção de óleos de cumaru em algumas fábricas da Capital nos anos de 1860.
·  .  Pau-cravo, essência muito apreciada, descoberto ainda nos tempos coloniais e exportado para a Europa a partir dos anos de 1660, em cargas de mais de 10 arrobas por ano e vegetal já praticamente extinta nos tempos provinciais do Pará.
·    .   Raízes aromáticas
Extrativismo da Madeira, Lenha e as Serrarias no Estuário Tocantino:
·         A Madeira
No caso do recurso madeireiro, também existem sinais de escassez em algumas áreas de várzea do Estuário Tocantino. Por exemplo, em áreas próximas de Belém, onde a exploração é mais antiga, como nas ilhas tocantinas e Marajó, os estoques de espécies madeireiras das florestas de várzea estão praticamente esgotados.
·         A Floresta e Madeiras do Baixo Tocantins

Uso da madeira

    Modernamente a madeira é usada nas construções, na fabricação de embarcações, na carpintaria e marcenaria (móveis, embalagens, torneados, cabos de ferramentas), na confecção de materiais esportivos, de instrumentos musicais e para decoração em geral. Hoje em dia sabemos que a derrubada de árvores deve ser fiscalizada, pois por causa da falta de controle, muitas espécies que forneciam madeiras nobres já foram extintas e outras talvez nem existam mais num futuro próximo.


    A celulose
    O uso da madeira na produção de celulose é uma atividade industrial importante e mais recente no histórico do uso da madeira e consiste no uso da polpa da madeira para a composição do papel. A celulose é extraída da carnaúba, da timbaúba, do ipê-amarelo, do umbu, da fruta-de-cutia. Na Amazônia o uso da madeira na produção de celulose tem que obedecer critérios técnicos e o uso de espécies em que as fábricas possam ter o manejo adequado na cultura de espécies selecionadas para que não possa acontecer o comprometimento de extensas áreas desmatadas de florestas nativas para a implantação de florestas homogêneas, como é o caso das espécies de madeira que se prestam no fornecimento de madeira para celulose.
     Pequeno histórico da exploração da madeira na Amazônia
    A madeira desde o Período Colonial do Pará era explorado como um importante produto de comercialização em toda a Amazônia, onde as exportações para Portugal alimentavam o Comércio da região. Estabelecimentos era montados nas cabeceiras dos principais rios amazônicos ou nos arredores de Belém para o tratamento, beneficiamento e armazenagem da madeira para o devido embarque para a Europa. Assim, a madeira, era exportada no Período Colonial junto com o algodão, açúcar, cacau, café, fumo, borracha e outros produtos. A madeira, já  no Período Provincial do Pará, continuava a se mostrar um importante produto do comércio, sendo exportada para a Europa e Estados Unidos e até para as províncias do Rio de janeiro, Pernambuco, Maranhão, Ceará e outras, junto com produtos como: algodão, anil, baunilha, açúcar, castanha, óleo de copaíba, azeite de andiroba, cravo, cumaru, óleo de rícino, salsa parrilha, gergelim, tabaco estopa, piaçava, sumauma, puxuri, fibras e outros gêneros, como citados no período fiscal de 1871-1872.
A madeira foi um produto muito explorado e comercializado no Baixo Tocantins e Marajó, desde o Período Colonial e que, agora, sofre os efeitos da enorme devastação processada nas matas ribeirinhas e de terra firme por conta da intensa comercialização e exportação de madeira e, principalmente, pela derrubada das matas para implantação dos extensos canaviais do ciclo açucareiro e, posteriormente, da indústria canavieira, além da extração da madeira para a construção de casas, barracões, pontes, trapiches e da carpintaria naval do Baixo Tocantins. Os extensos seringais e castanhais da Região Tocantina também sofreram severo processo de redução, tendo em vista a extração predatória em milhares de seringueiras e derrubada das castanheiras para a obtenção da polpa da sua casca, como para a extração da sua madeira ou derrubada para a implantação do agro-negócio em áreas estuarinas tocantinas.
Como as regiões do Marajó e Tocantins e toda a região do Estuário Tocantino ofereciam uma incrível quantidade e variedade de madeira para várias finalidades, o comércio de madeira-de-lei, lenha e carvão se mostrou muito intenso nessas regiões. Só de madeira-de-lei eram mais de 200 espécies existentes em abundâncias, que atendiam as demandas das construções de casas, serrarias e estaleiros da construção naval do Baixo Tocantins e para exportação.
A madeira-de-lei abastecia a Capital e grande parte era exportada para os mercados europeus e norte-americano, a lenha servia para abastecer os navios à vapor, as caldeiras dos engenhos, os fornos das olarias, padarias e as usinas da capital. A lenha e também o carvão serviam de combustível nos lares ribeirinhos de todas essas regiões e também das cidades e localidades  então existentes. Depois de séculos de desmatamentos, inicialmente para exportação de madeira e demais usos, e depois, a destruição das matas para abrigar os extensos canaviais da indústria canavieira do Baixo Tocantins, agora existe a carência dos principais tipos de madeira-de-lei e árvores e arbusto para a produção de lenha e carvão. Era comum até a década de 1960 se presenciar nos rios de Abaetetuba as alvarengas de Belém que vinham abastecer seus porões com centenas de toras de madeira-de-lei e lenha para exportação e para os lares e caldeiras das fábricas e usinas da Capital. Tudo isso afetou sensivelmente a flora local, onde o que se vê agora é apenas a existência de uma vegetação secundária ou terciária, sem a presença de espécimes das árvores de madeira-de-lei e lenha, outrora abundantes e agora a Região Tocantina é obrigada a importar madeira de outras regiões do Pará. A falta de madeira-de-lei apropriada é um dos fatores da atual decadência da Carpintaria Naval do Baixo Tocantins e Marajó, o mesmo sucedendo com a falta dos demais tipos de madeira que sustentavam as dezenas de serrarias dessas regiões.
Alguns Tipos de Madeira-de-Lei
·.  Acapu, madeira resistente que vem da árvore acapuzeiro, esta fornecedora de muita sombra devido copa compacta e madeira-de-lei citada na década de 1840, muito comum nas matas estuarinas tocantinas, largamente exportada para a Capital, onde possuía diversas aplicações, especialmente no assoalhamento dos palácios, palacetes e sobrados de Belém e a conhecida cerca de acapu dos quintais das cidades ribeirinhas e grande parte servia na exportação no Período Provincial do Pará. Na Zona Tocantina essa madeira tinha as mesmas finalidades de Belém e com outras aplicações, como na produção das tábuas, dos esteios, esteiotes e achas dos cercados, devido a grande durabilidade dessa madeira. Uma casa construída com esteios e tábuas de acapu durava muitas décadas. Quando as toras de acapu eram conservadas embaixo da terra, duravam ainda mais que o acapu que não sofria esse processo de conservação e durabilidade. Os porões das alvarengas vindas do Porto de Belém carregaram muitos troncos e madeira beneficiada de Abaetetuba e de toda a Zona Tocantina. Agora o acapuzeiro encontra-se em vias de extinção.
.  .  Acapurana, madeira de árvore da família do acapuzeiro.
.  .  Abiurana, madeira muito usada na construção de casas e na construção civil.
.  .  Acariquara
.  .  Acuri
.  .  Ameselão
..  Anani, madeira que vem das árvores chamadas ananinzeiros, com duas variedades.
Andiroba, madeira extraída das árvores chamadas andirobeiras, que além da madeira, tem outras utilidades como o fornecimento do azeite de andiroba (é um óleo) com variada aplicação na medicina caseira amazônica e essas árvores já se encontram em vias de extinção no Estuário Tocantino.
·     Angelim, madeira que vem da árvore chamada angelinzeiro e existentes em 3 variedades da madeira angelim: angelim liso, angelim-pedra e angelim vermelho, madeira muito usada na construção de casas. 
·   Araracanga
·. Armim, madeira existente no Baixo Tocantins e Marajó, citada em 1864 nas florestas de Portel, no Marajó.
. .  Ataná, madeira que vem da árvore atanazeiro.
. .  Bacuri, madeira extraída da árvore bacurizeiro, que além da madeira fornece o delicoso fruto bacuri, este muito utilizado no preparo de sorvetes na Amazônia. 
. . Baobá, madeira que não é de uma árvore originária da Amazônia, mas que se adapta ao solo amazônico e fornece madeira. O Baobá veio da África junto com os escravos africanos dos períodos colonial e provincial do Pará. Além da madeira o baobá acumula água em seu tronco.
. .  Breu-branco, madeira que vem da árvore breeiro.
..  Burajuba, que era madeira forte, resistente até ao fogo sem rachar e que antigamente era muito utilizada para construir as canoas em madeira, Já está extinta no Baixo Tocantins.
.  . Carapanaúba branca
.  . Castanha-do-Pará, que também fornece madeira-de-lei e sua semente era intensamente exportada desde o período colonial do Pará para ser usada como alimento e como matéria-prima de produtos industrializados. O período de vida de uma castanheira é de 1000 anos de vida e ela é considerada como a árvore Rainha da Floresta por seu porte e diâmetro gigantesco. Essa árvore já se encontra em vias de extinção no Baixo Tocantins e demais áreas de intensa agropecuária no Estado.
·  .  Cedro, madeira que vem das árvores de grande porte chamadas cedreiros, em duas variedades, o cedro vermelho e o cedro branco, madeira-de-lei citada na década de 1840, muito comum nas matas do Estuário Tocantino e, como as demais madeiras-de-lei, era largamente usadas na pauta de exportação da Província e Estado do Pará e usada na indústria moveleira. Já está em vias de extinção no Estuário Tocantino.
   . Cedrinho, é uma espécie de cedro, sendo árvores de pequeno porte.
·   .   Copiuba
.  . Cumaru, é uma madeira de cor amarelada, forte, considerado mais forte que o acapu e é muito pesada. O âmago do tronco do cumaru é de cor preta azulada e existe em outras variedades.
  .  Cumaru-de-cheiro, é fornecedora da semente cumaru, esta usada como essência na produção de perfumes, sabonetes, comésticos e outras aplicações industriais.
 .  Cumatê, é uma madeira existente em variedades, sendo o mais usado o cumatê  branco
.  . Fava, madeira que vêm das árvores faveiros e que fornecem a madeira fava, sendo a mais consumida a chamada fava arara.
  .  Garapeira
·   .   Freijó, árvore de madeira-de-lei já em vias de extinção no Baixo Tocantins.
  .  Geniparana, madeira muito utilizada pelos povos indígenas na confecção de flexas e que também fornece frutos comestíveis parecidos com a da castanheira.
  .  Goiabarana-da-mata
  .  Guajará
. . Gurajuba, que é uma madeira resistente e muito usada na construção de vários tipos de embarcações.
·    .   Ipê árvore fornecedora de madeira-de-lei existente em várias variedades e que se distingue pela vaiedades das floradas, sendo os mais conhecidos o ipê amarelo e o ipê branco.
  .  Itaúba, madeira existente no Baixo Tocantins, Marajó, Baixo Amazonas e outras áreas estuarinas amazônicas, citada em 1864 nas florestas de Portel, no Marajó. É um tipo de madeira muito usada na carpintaria naval na fabricação das pequenas embarcações amazônicas.
.  . Jacaré
   .  Jacarandá
  .  Jacarerana
  .  Jacareúba
·  .   Jacarandá
  .  Jarana
  .  Jarina
  .  Jatobá
· Jenipapo, madeira existente no Baixo Tocantins e Marajó, citada em 1864 nas florestas de Portel, no Marajó.
  .  Jereua
 . Jutaí, madeira que vem da árvore jutaizeiro e que também possui frutos comestíveis.
 .  Louro, cuja árvores possuem folhas que brilham ao sol e existe em algumas variedades: louro faia, louro vermelho, louro branco.
·     .   Macacahuba, madeira que vem da árvore macacaubeira.
.   . Mahuba
·      .   Maparajuba
.   . Mangabarana
·      .  Marupá
  .  Marapaúba
  .  Maracuatiara
  .  Marupá, madeira que vem da árvore marupazeiro e que era muito usada nas indústrias moveleiras e já está em vias de extinção no Baixo Tocantins.
  .  Marupaúba, é uma variedade do marupá.
· . Massaranduba, madeira que vem da árvore massarandubeira e que, além de fornecer excelente tipo de madeira-de-lei, tem múltiplas aplicações: usada como madeira-de-lei na construção de casas; fornecedora de leite usado como revigorante físico e o fruto é comestível. Índios e ribeirinhos derrubavam as grandes árvores de massaranduba apenas para aproveitar o leite e frutos. As toras de massaranduba chegavam a alcançar até 35m, dado a grande altura dessa árvore que devia chegar até 50, 60m de altura e tronco com até 6m de circunferência, era pois uma portentosa árvore das florestas amazônicas que agora se encontra escassa e em vias de extinção.
.  .  Matamatá, que é uma árvore de grande porte que fornece uma madeira de cor amarelada e fornece um fruto que é muito usado como isca de caças e esses frutos são naturalmente comida do roedor chamado paca. Sua forte madeira era muito usada na construção de trapiches, por serem resistentes à ação da água dos rios e igarapés e ainda fornece um tipo de envira (fibra) muito usada na confecção de objetos de uso caseiro.
  .  Mogno, é uma espécie de cedro especial chamado cedro mogno, cuja madeira especial era muito exportada para a Europa e EUA a partir do período colonial do Pará.
  .  Monguba
· Muirapinima, madeira existente no Baixo Tocantins e Marajó. Em 1864 as florestas do distrito de Portel, no Marajó, eram ricas desse tipo de madeira.
·    Muirapiranga
·    .   Muiracatiara
  .  Murumuru
  . Parapará
  .  Paricá, árvore de madeira-de-lei que só ocorre em áreas de várzeas e já estão em fase de extinção no Baixo Tocantins.
  .  Parinari, madeira que vem de uma árvore que chega a atingir até 80 palmos e que cresce nas áreas de várzeas e era muito utilizada na construção das quilhas de embarcações.
  .  Pau-de-bezerro,  árvore de madeira-de-lei de tronco fino e alto e de folhas grandes e que dá frutos comestíveis e é usada no tratamento de câncer na medicina caseira. Essa árvore, em certa fase da vida, morre e dá filhotes perto do tronco morto
  .  Pau-d'arco, madeira cuja árvore chegava aos 35m de altura.
  .  Pau-de-bicho
  .  Pau ferro
   .  Pau-rosa
   .  Pau-marfim, madeira existente no Baixo Tocantins e no Marajó, citada em 1864 nas florestas do distrito de Portel, no Marajó.
  .  Pau mulato, que era comum nas ilhas e estradas de Abaetetuba devido a facilidade de fornecer mudas.
·   Pau santo
·    Pau amarelo
·    Pau roxo
·    Pau d’arco, com toras de até 30m vindo de árvores de até 50m de altura e circunfer~encia de 5m de diâmetro e que foi largamente exportata a partir do período colonial do Pará.
·  . Pau setim, madeira existente no Baixo Tocantins e Marajó, citada em 1864 nas florestas de Portel, no Marajó.
  .  Paxiuba, madeira-de-lei que vem da árvore paxiubeira.
  .  Pérola
  . Piquiá, madeira extraída da árvore piquiazeiro, com flores amarelas, que era abundante no Baixo Tocantins e Marajó, muito usada na Carpintaria Naval como madeira que sustenta o forro dos cascos de embarcações, cujos frutos é comida natural de veados nas florestas e a espécie já está em vias de extinção no Baixo Tocantins, citada em 1864 nas florestas do distrito de Portel e Marajó em geral.
.  .  Piquiarana, madeira da família do piquiá com flores vermelhas.
  .  Pracaxi, madeira-de-lei que vem da árvore do pracaxizeiro.
.  . Pracuhuba, madeira que vem da árvore pracahubeira.
  .  Quariquara, madeira-de-lei cujo tronco é cheio de reentrãncias em toda a sua extensão e sua madeira serve como esteios na costrução de casas.
  . Quaruba, madeira-de-lei que vem da árvore quarubeira e que serve no fornecimento de tábuas e pernamancas na construção de casas.
·  . Saboarana, madeira existente no Baixo Tocantins e Marajó, citada em 1864 nas florestas de Portel, no Marajó.
  .  Samaúma, madeira que vem das gigantescas árvores samaumeiras e com duas variedades, uma mais alta e outra mais baixa.
   . Sapucaia, é uma castanheira cuja madeira tem aplicações na construção civil e outros ramos da indústria madereira, além do aproveitamento de suas sementes na alimentação, onde estes vem dentro de um ouriço com tampa.
.  . Seringa, madeira que vem da árvore seringueira e que também fornece o látex para a fabricação da borracha e uso do leite da seringa era usado na medicina caseira.
·     Sucupira
  .  Tamanca, madeira que vem da árvore tamanqueiro.
  .  Tamaquaré
  .  Tambori
  .  Tanã, que vem em variedades, como o tanã roxo devido folhas de cor roxa.
·    Tatajuba
  .  Tauari
  .  Taxi, que vem da árvore taxizeiro que se caracteriza pela presença da pequena formiga taxí, de ferroada muito doída e persistente.
.  . Ubá
   .  Ucuúba, madeira que vem da árvore ucuubeira e que é muito usada como madeira de refugo nas construções de casas de alvenaria e árvore que também fornece o leite de ucuúba muito usado na medicina caseira.
  .  Ucuubarana, da mesma família da ucuúba
  .  Umiri
  .  Uxi, madeira que vem da árvore uxizeiro cujos frutos são cosmetíveis.
  .  Uxirana, árvore da família do uxizeiro
  .  Viqueiro, madeira que vem de uma planta cujo odor do sumo é como o do conhecido remédio vick-vaporub.
  .  Virola, madeira que vem da árvore viroleira que ocorre nas florestas de igapós.
   No exercío fiscal de 1871-1872 a madeira se mantém como um importante produto que alimenta o comercio comércio exterior no Pará, com um índice inferior apenas às exportações de algodão, açúcar, cacau, café, fumo e borracha, fato que confirma a importância do produto na atividade comercial da Província.
A quantidade de madeira era vendida por peças, dúzias ou metro cúbico conforme os tipos de peças. O comércio de madeira no Pará começou a ser incrementado a partir da decadência da produção da borracha da Amazônia.
Alguns períodos fiscais
·         1911 com a entrada em Belém de 33.664 peças e dúzias
·         1912 com 309 toneladas de madeira
·         1924 com a entrada de 280.955 peças, assim distribuídas e que correspondem a 77.212 toneladas de madeira (crescimento em mais de 200 vezes em relação com 2012):
69.813 toras de madeira
150.485 vigas e pranchas
60.657 dúzias de táboas e ripas 
·         Municípios maiores produtores de madeira para exportação no triênio de 1914-1916 e anos posteriores:
A exportação da madeira do Pará se iniciou verdadeiramente a partir de 1916 e com apenas os seguintes fornecedores de madeira em ordem crescente de produção: Belém, Acará, S. Domingos, Moju e Abaeté, sendo que produziram no triênio de 1911-1913 99,5% de toda a madeira do Pará e com incremento da produção com a entrada na produção de outros município nos anos seguintes. Em 1924 já eram 32 os municípios fornecedores de madeira para exportação e todos vizinhos à Belém. A produção da madeira em Belém e Acará foi declinando, ano a ano, de 51,8 % a 6,4% pela redução dos estoques, enquanto aumentava a sua produção em outras regiões. A Região das Ilhas do Estuário Tocantino começou a se destacar na produção de madeira a partir de 1924 com 37,4% da produção no Estado. Em seguida veio a região do sistema deltaico estuarino de Acará-Guamá-Moju-Foz Tocantina com 33,2% e Belém ficou em 3º lugar com 24% da produção de madeira.
·         Belém com 55,7% no triênio 1914-1916, porém com descréscimo no ano de 1924
·         Breves com 286 toras de madeira em 1916 e no ano de 1924 chegou aos seguintes resultados, correspondente a 16,4% nas exportações desse ano:
8.073 toras de madeira
36.303 vigas e pranchas
435 dúzias de táboas
·         Curralinho com 14,6 em 1924
Municípios Fornecedores de Madeira em 1924
     1.       Belém com 24,3%
     2.       Breves com 16,4%
     3.       Curralinho com 14,6%
     4.       Moju com 11,2%
     5.       Acará com 6,4%
     6.       S. Domingos com 3,1%
     7.       Abaeté com 4,5%
     8.       Ourém com 1,4%
     9.       Monte alegre com 3,2%
    10.   Guamá com 3,2%
    11.   Macapá com 1,7%
    12.   Irituia com 1,5%
    13.   Muaná com 1,4%
    14.   Ourém com 1,4%
    15.   Mazagão com 1%
Tipos de madeiras beneficiadas exportadas para a Capital
·    Madeira em bruto (toras, pranchas e vigas)
·    Madeira aparelhada
·    Madeira beneficiada (táboas, ripas e pernamancas)
   . Madeiras aparelhadas e beneficiadas:
·     Esteios, sendo Belém o maior fornecedor com 91%
·  Toras e vigas, com 48,6% e 49,5% vindos da Região das Ilhas do Pará (Estuário Tocantino).
·    Toras de madeira esquadriadas à serra ou machado
  . Pranchas e vigotas, vindos da região de Acará com 47,5% e 53,9% respectivamente
·     Dormentes vindos de Curralinho com 53,1% de até 2,60m, 2,80m
· . Táboas, ripas e pernamancas (madeira beneficiada) contadas em dúzias com Belém com 51,4%, 90,5% e 65,6%, respectivamente.
    A madeira aparelhada se destinava à marcenaria, carpintaria, tanoaria, construção naval, etc.
·         O Estuário Tocantino (Região das Ilhas do Pará) no contexto da produção de madeira
Tendo a indústria da borracha entrado em decadência irreversível depois de 1917 a luta pela sobrevivência obrigou os habitantes da Região das Ilhas a procurar outras atividades econômicas que viesse suprir suas necessidades. E entre essas atividades estava a exploração da madeira, uma vez que essa região estava próxima ao Porto de Belém. Breves e Curralinho começaram a se dedicar intensivamente a esse negócio que se mostrava lucrativo e muita madeira em toras, pranchas e vigas (madeira bruta) começaram a ser enviadas para a Capital.
O município de Moju começou também a se dedicar ao comércio de madeira, ao contrário de Acará que ia perdendo a sua primazia na exploração da madeira depois de 1917.
·         A Carpintaria Naval e o Uso da Madeira
A Carpintaria naval é uma antiga atividade que chegou a possuir mais de 30 estaleiros para a construção naval só em Abaetetuba e outros tantos em Igarapé-Miri, Barcarena, Cametá, Marajó, cujos carpinteiros navais ficaram famosos no Pará pela construção de grandes, médios e pequenos barcos e de modo intuitivo, artesanal, que aproveitava o grande potencial madereiro do Baixo Tocantins, Arquipélago do Marajó e outras regiões circunvizinhas e que, atualmente, a Carpintaria Naval se encontra quase extinta, devido falta da matéria-prima, a madeira adequada, e outras causas. Atualmente só existem alguns poucos estaleiros da carpintaria naval, tanto em Abaetetuba quanto em Igarapé-Miri, Barcarena e Marajó.
Em 1864 no Marajó, município de Portel, é citado o Estreito do Anapu com um grande estaleiro para construção de barcos, canoas e escaleres e aproveitando o potencial madeireiro dessa localidade.
Alguns tipos de barcos construídos nos estaleiros do Estuário Tocantino: canoas pequenas, montarias, bajaras, canoas à vela, iates, barcos-motores, navios e barcos específicos: pesqueiros, geleiros, boiadeiros e outros. Atualmente existe a fabricação dos pequenos barcos chamados rabetas e com a madeira vinda das florestas de outras regiões circunvizinhas à Zona Tocantina. Vide nestes textos esses tipos de embarcações.
·         A Extração e Uso da Lenha e Carvão das Matas de Várzeas e Florestas Estuárinas
Lenha, esta foi usada desde os tempos imemoriais do Pará e, também sofreu grande exploração na fase das embarcações, usinas e engenhos movidos á vapor de lenha. O comércio de lenha é citado na década de 1840, produto derivado de uma série de árvores e arbustos das várzeas e matas de terra firme, em atividade de extrativismo, largamente comercializada em todos os períodos da história, para alimentar fogões à lenha, fornos de olarias, caldeiras de engenhos e usinas, caldeiras de embarcações à vapor de lenha, fornos de padarias, etc.
Carvão, produto derivado de uma série de árvores e arbustos usados nas chamadas “caieiras”, que eram estruturas que produzia o carvão utilizado largamente nos períodos colonial, provincial e republicano, nos fogões à carvão, ferros de passar, até o advento dos fogões e ferros elétricos, já nos anos de 1960. O carvão foi e continua sendo intensamente produzido e utilizado nos assados de diversos tipos na culinária paraense. Atualmente existem muitas carvoarias clandestinas que continuam a produzir toneladas de carvão para serem utilizadas nas siderúrgicas que estão sendo implantadas no Sul e Sudeste do Pará.
EXTRATIVISMO DO LÁTEX NO ESTUÁRIO  DOTOCANTINS E DEMAIS FLORESTAS AMAZÔNICAS
·         A Borracha:
A borracha foi o produto de maior importância econômica da Amazônia, nas décadas finais do século 19 e iniciais do século 20, quando as rendas vindas da extração do látex de seringueiras nativas se tornou o sustentáculo das economias do Pará, Amazonas, quando Belém e Manaus se tornaram os grandes centros exportadores da borracha da Amazônia, gerando imensas riquezas na exportação maciça desse produto para os portos dos EUA e Europa, em processo comercial que foi até o abalo ou crise que se estendeu até a década de 1920, onde o Pará saiu do rol das grandes economias dos estados brasileiros e despencou para a situação de penúria que perdurou por várias décadas dos Períodos Provincial e Republicano do Pará. Essa crise foi provocada por vários fatores, sendo que as fraudes na produção de borracha na Amazônia e a concorrência com a borracha de países asiáticos do domínio da Coroa Inglesa foram  fundamentais nessa derrocada de nosso principal produto de exportação do extrativismo na Amazônia. Por esse motivo imensos seringais foram abandonados ou deram lugar a outras culturas, como foi o caso das “estradas de seringa” de Abaeté e Igarapé-Miri, que deram lugar à cultura da cana-de-açúcar no Baixo Tocantins. A coleta da seringa continuou em alguns lugares, porém sem a pujança do passado.  A fabricação da borracha ou goma elástica que produziu lucros fabulosos, foi determinante para a decadência da agricultura tradicional da província, que mais tarde, sentirá a falta de braços devido a febre da riqueza fácil que tomou de assalto os habitantes das localidades, sem contar que boa parte desses braços que se lançaram na coleta da borracha foram dizimados pelas febres palustres que eram endêmicas nas regiões dos seringais da Amazônia. Diante desses fatos é que os governantes traçaram os planos da imigração em massa de brasileiros de outros rincões brasileiros e de estrangeiros que queiram vir explorar os abundantes recursos naturais da Amazônia e também trabalhar nas tradicionais culturas da Província e na indústria fabril que também se ressentiu da perda de braços para a indústria da goma elástica que também tirou trabalhadores das fábricas de Belém e das localidades produtivas da Província.
Outro fator a considerar na indústria da borracha foi o do comércio da praça de Belém e outras praças mais consistentes da Província que tinham prosperado rapidamente com os lucros auferidos pelos segmentos da cadeia dessa indústria, mas que também vieram a sofrer as consequências da crise pela qual a borracha começou a passar já a partir do início dos anos de 1870, quando os fabricantes da goma elástica começaram a desperdiçar seus ganhos em consumos desproporcionais e desnecessários em despesas que íam além de seus haveres e recursos, deixando os seus credores das praças de Belém e demais cidades, como penhor de seus gastos, apenas as suas palhoças e algumas estradas abandonadas de seringa. A ruína dos produtores de borracha acarretou também a ruína dos comerciantes que lhes tinham fiados grandes quantidades de gêneros e materiais usados nas épocas da colheita da seringa.
·         A Origem da Produção de Borracha e os Tipos de Seringueiras da Amazônia:
A borracha já era conhecida e utilizada pelos grupos indígenas da Amazônia há muitos séculos. A goma do látex provinha de uma série de seringueiras como o caucho (Castiloa ulei), a balata (Chysophyllum balata) e a seringa (Hevea brasiliensis), que eram as principais fornecedoras do látex e ainda: a sorva (Couma utilis), a mangaba (Harnicornia speciosa) e a maçaranduba, que eram plantas com goma com várias aplicações na cultura indígena dos povos amazônicos e, após, dos povos ribeirinhos resultantes da colonização.
·         O Uso da Borracha pelo Homem Branco:
No meio ribeirinho amazônico a borracha já era conhecida desde o ano de 1825, também com aplicações caseiras variadas. Seu extrativismo através dos caboclos ribeirinhos é citado nas décadas de 1840, 1850, 1860, 1870, quando a borracha produzida era usada para confeccionar calçados rústicos de borracha, inclusive para a exportação. No Pará a borracha é citada no ano de 1840 para fazer calçados de borracha pelo processo de defumação de camadas de borracha.
Em 1762 o homem branco europeu conseguiu descobrir o processo de vulcanização da borracha, processo que permitiu o início do uso industrial desse produto. Com o uso dessa tecnologia em 1803 se instalou uma fábrica de borracha nos arredores de Paris, para a produção de ligaduras elásticas para suspensórios e ligas para as meias de senhoras e, desse modo, a borracha passou a ser usada em uma série de aplicações industriais que vieram revolucionar importantes setores industriais, como a produção de pneus de borracha nos antigos veículos automotivos das fábricas dos EUA.
Com a introdução da navegação à vapor na Amazônia a borracha passou a ser mais intensamente comercializada a partir dos anos de 1870, quando o transporte de cargas e passageiros foi enormemente incrementado e facilitado pelo vasto interior amazônico e também os vapores das linhas estrangeiras que que levavam a borracha amazônica para os portos dos EUA e da Europa, com intenso movimento da navegação fluvial, costeira e marítima na Amazônia e Pará, até o período da crise da borracha, quando a navegação no Pará entrou em irreversível decadência, prejudicando centenas de localidades que ficaram com dificuldades de transporte e escoamento das diversas produções comerciais. As melhorias da navegação fluvial no Estuário Tocantino só vieram com o advento dos navios do extinto SNAPP e de empresas particulares a partir dos anos de 1930 e pela consolidação das centenas de estaleiros da Carpintaria Naval na Amazônia, especialmente no Baixo Tocantins e Marajó que fabricaram milhares de embarcações na época da fartura de madeiras resistentes e nobres do Estuário.
·         Áreas Produtoras de Borracha na Amazônia e Pará:
O Baixo Tocantins, com exceção de Cametá, não era um grande produtor de borracha, perdendo em muito para a produção da região do Alto Tocantins, Xingu, Baixo Amazonas, Marajó, porém os capitalistas de Cametá, Abaetetuba, Igarapé-Miri compravam as produções das diversas localidades, especialmente do Marajó e, esse comércio, se não enriqueceu os capitalistas do Baixo Tocantins, pelo menos serviu como produto de trocas do ciclo do Comércio de Regatão de Abaetetuba e igarapé-Miri. A borracha do Estuário Tocantino tinha como um de seus centros de exportação a cidade de Cametá, que recebia a produção vinda da Ilha do Marajó, Zona Tocantina e outros centros produtores, cujos estoques abasteciam os navios vapores das linhas de navegação que eram contratadas pelos governos provinciais do Pará para fazer esses carregamentos, como também de outros produtos do extrativismo e transporte de pessoas na Bacia Tocantina e rios da Amazônia.
Nas localidades do Estuário Tocantino as seringueiras começaram a sofrer um processo de diminuição das árvores fornecedoras do látex, em consequência do uso de incisões contínuas e pela prática do “arrocho”, que consistia no estrangulamento das seringueiras, para delas extrair todo o seu suco. Os comerciantes de Borracha do Baixo Tocantins, pela escassez da borracha na 1ª metade do Século 19, vão procura-la na Região do Marajó, especialmente nas Ilhas de Breves e Macapá que são desde as primeiras décadas desse século o reino dos seringueiros da Amazônia.
O Marajó é citado em 1858 com muita coleta de seringa na então Ilha Grande de Joanes e como grande fornecedora de borracha no comércio da goma elástica na Província do Pará. Também é citado em 1864, onde as várzeas do Anapu, Pacajás e nas Ilhas de Melgaço abundam as seringueiras nativas. Porém nenhum distrito poderia competir com o de Breves, onde a borracha é o principal produto do comércio dessa localidade e todas as demais atividades giravam em torno da borracha: trabalho, indústria, negócios e vida dos habitantes. Em 1864 os distritos de Portel, no Marajó exportaram 3.500 arrobas de borracha e o distrito de Melgaço exportou 3.000 alqueires no mesmo ano.
O município de Macapá, citado como grande fornecedor de borracha em 1860.
·         Tipos de Borracha:
Eram vários os tipos de borracha produzidos, como a borracha fina, grossa e sernamby citadas na exportação de 1861 a 1862 e 1863-1864, sendo que a borracha fina já era o principal gênero de exportação desses peíodos fiscais.
·         Borracha fina
·         Borracha entrefina
·         Borracha grossa
·         Borracha sernamby
Abaetetuba, Cametá e Igarapé-Miri e outros municípios do Baixo Tocantins também tinham participação no lucrativo comércio da borracha, através de suas “estradas de seringa” (seringa era a expressão usada pelos caboclos para o látex da seringueira) que era um negócio de pequena produção, mas de grandes compensações financeiras.
·         Processos Predatórios da Extração do Látex:
Pela ambição de muitos seringueiros na extração do látex das seringueiras nativos, eram grandes os estragos causados às árvores fornecedoras da seringa nos anos de 1860 em diante, quando esses coletores usavam os métodos de “estrangulamento”, onde os troncos dessas árvores eram apertados para a seringa descer mais abundante e rapidamente dos troncos das seringueiras, e em consequência, extraindo todo o sumo das árvores, fato que provocou a morte de extensos seringais. Esse era o motivo que fazia com que os seringueiros avançassem cada vez mais para o centro das florestas em buscas de novas áreas de seringa, onde eram acometidos de muitas doenças que resultava num elevado número de mortes através da malária, que era endêmica na Amazônia, entre outros fatores.
·         O Apogeu da Borracha:
O apogeu da borracha foi entre 1890 e 1920, quando Belém e outros centros urbanos contavam com estruturas que outras cidades do sul e sudeste do Brasil ainda não possuíam. Nada pode ser comparado à riqueza trazida pela borracha no seu apogeu, onde a renda per capita da Região Amazônica subiu de US$ 30 em 1820 para US$ 332 no pico do boom em 1900. Em 1912, a região onde se desenvolveu o Ciclo da Borracha já tinha o oitavo maior coeficiente de comercialização do mundo, maior que o da Alemanha, França, Estados Unidos e Brasil como um todo. Nove entre os dez municípios que mais produziam borracha no Estado do Pará estavam localizados na Região Estuarina Amazônica.
Em 1873 a Província do Pará exportou para fora do Imperio 3.446 arrobas de borracha
Mapa de 1925 mostra a produção de borracha desde 1877 até 1924 onde mostramos alguns anos e suas produções:
·         1877 com produção de 7.247.452 quilos de borracha
·         1882 com elevação da produção da borracha para 10.210.233 quilos e desse período em diante mantendo a produção acima de 10 mil quilos até o ano de 1906.
·         1887 com a produção de 11.901.997 quilos de borracha
·         1897 com a produção de 15.588.245 quilos de borracha e mantendo a produção de mais de 15 mil quilos, produção vinda desde 1895 e até o período fiscal de 1900 quando começa a sofre o decréscimo de produção.
·         1899 com a produção de 16.398.330 quilos de borracha, sendo que esse ano foi o de maior produção entre 1877 e 1924.
·         1906 com a produção de 11.012.116 quilos de borracha com queda de produção nos dois anos seguintes.
·         1907 com a produção de 9.671.745 quilos de borracha
·         1909 com produção de 10.152.663 quilos de borracha período que assinala o decréscimo contínuo da produção até o ano de 1924.
·         1917 com a produção de 8.047.361 quilos de borracha
·         1924 com a produção de 4.013.454 quilos de borracha que foi o período fiscal com a menor produção desde 1877.
A produção crescente da borracha começou em 1880 com a produção de 7.793 toneladas e a partir daí sempre em produção crescente até 1889 com 16.398 toneladas. Daí em diante se iniciou o declíneio da produção chegando ao ponto mínimo em 1924 com 4.013 toneladas ou seja, 4 vezes menos que a 26 anos passados.
Principais municípios produtores de borracha em 1924:
·         Altamira, no Xingu, com 517.394 quilos de borracha e 96.813 quilos de caucho em 1924, sendo o mais importante na produção desses produtos. Seu território pertencia até 1912 ao antigo município de Souzel e Altamira possuía a extensa área de 212.205 k2, sendo, em tamanho, o 1º do Estado do Pará, porém com uma diminuta população de 9.343 habitantes em 1924. Altamira começou a produzir borracha somente em 1912 com 720 toneladas e a partir daí foi aumentando a produção e em 1920 teve a maior produção com 2.000 toneladas.
·         Cametá, no Tocantins, sendo um dos mais antigos municípios do Pará e com produção de 343.386 quilos de borracha principalmente do tipo sernamby em 1924, sendo o 2º colocado nesse ano. O sernamby é um tipo de borracha não defumada que simplesmente coagula nas tigelinhas que aparam o látex das seringueiras. Em 1920 Cametá já era o 5º mais populoso do Estado com 41.365 habitantes, porém tendo uma área de apenas 4.860 km2. Sua máxima produção de borracha foi em 1906 com 665 toneladas e o mínimo foi em 1921 com 221 toneladas
·         Itaituba, no Tapajós, com 257.312 quilos de borracha e 69.757 quilos de caucho, sendo o 3º colocado em 1924. A borracha de Itaituba era considerada de superior qualidade.
·         Anajás, município situado na Região das Ilhas do Pará, na Ilha do Marajó, foi um dos municípios que mais concorreu para a produção de borracha e nessa região era apenas sobrepujada pela produção de Breves. Porém em 1924 a produção de 159 toneladas de borracha de Anajás foi superior a de Breves, este município com apenas 94 toneladas. Anajás contava em 1920 uma área de 10.333 km2 e uma população de 11.850 habitantes.
·         Mazagão, que junto com Macapá, pertencia à mesma zona econômica, e Mazagão em 1903 com a produção de 572 toneladas com a 5ª colocação e Macapá, com com 517 toneladas, na 6ª colocação.
·         Chaves, município situado na Região das Ilhas do Pará, com média pequena de 200 toneladas anuais, porém sendo considerada de superior qualidade e procede da Ilha Mexiana. Chaves em 1920 apresentava uma área de 10.647 km2 e uma população de 18.461 habitantes.
·         Almeirim, na região dos Rios, com a produção de 109 toneladas de borracha em 1924. Ao lado da borracha Almeirim exporta muita castanha-do-Pará (33.804 hectolitros em 1924). Almeirim possui uma área muito extensa de 96.680 km2, porém com uma diminuta população de 7.643 habitantes no mesmo ano.
·         Afuá, município da Região das Ilhas do Pará, da Ilha do Marajó, que em 1903 ocupava o 9º lugar na produção de borracha com 476 toneladas e em 1924 estava no 9º lugar com 103 toneladas de borracha. Sua área em 1920 era de 1.702 km e com uma população de 9.850 habitantes, com diminuição de população pois em 1908 eram 19.000 habitantes.
·         Breves, na Região das Ilhas do Pará, na Ilha do Marajó, foi muito importante na antiga produção de borracha, tendo ocupado até 1912 o 1º lugar e daí em diante Souzel e Altamira tomaram a dianteira dessa produção. Em 1903 Breves produziu 1.352 toneladas de borracha que ficaram  reduzidas para 94 toneladas em 1924. Desde 1904 a produção de Breves decresceu assustadoramente. Em 1920 breves tinha uma área de 13.773 km2 e uma população de 22.678 habitantes.
·         Muaná, na Região das Ilhas do Pará, na Ilha do Marajó, com uma produção de borracha de 180 toneladas em 1905, tendo aumentado sua produção para 253 toneladas em 1915 e em 1924 com 94 toneladas, igual à de Breves e no 11º lugar. Sua área em em 1920 era 3.297 km e uma população de 12.579 habitantes.
·         Gurupá, na Região das Ilhas do Pará, na Ilha do Marajó e que produzia uma regular quantidade de borracha até 1905, com 563 toneladas e daí foi decaindo na produção com 86 toneladas em  em 1924. A área de Gurupá em 1920 era 9.454 km2 para uma população de 10.901 habitantes.
·         Ainda em 1924 tem os municípios de Aveiro, Porto de Moz, Mocajuba, Baião, Santarém, Curralinho, Igarapé-Miri, Moju, Melgaço e Portel com uma produção conjunta de 552 toneladas em 1924.
·         Em 1924 os municípios de Abaeté, Ponta de Pedras, Marabá, Belém, Conceição, Bagre, Montenegro, Monte Alegre, S. Sebastião, S. Domingos, Cachoeira, Acará, Prainha, Vigia, Irituia, Faro, S. Caetano, Óbidos, Juruty, S. Miguel, Ourém, Bragança, Alenquer, Marapanim e Igarapé-Miry com a produção de 179 toneladas de borracha em 1924, de acordo com classificação em ordem quantitativa.
A produção de borracha de Altamira, Cametá e Itaituba chegou a 2.161.662 quilos (2.162 arrobas) e que correspondeu a 53,9% de todo o Estado, sendo que os demais municípios da lista acima produziram somente 1.851.792 quilos
·         A Migração em Massa dos Braços das Tradicionais Lavouras do Pará em Direção aos Seringais:
Com o desenvolvimento da extração do látex das seringueiras nativas da Amazônia a partir dos anos de 1840, incluindo os seringais do Baixo Tocantins e Marajó e com as riquezas que essa atividade proporcionava aos comerciantes, os ribeirinhos, iludidos pela possibilidade de riquezas fácil e rápida, migravam em massa rumo aos seringais localizados no meio das florestas na época da colheita do látex, deixando muitas localidades desprovidas de braços para desenvolver as demais atividades das lavouras tradicionais dos produtos que abasteciam a Capital da Província e os demais mercados da Amazônia, fato que gerava o desabastecimento de gêneros e que obrigava os governantes do Ciclo da Borracha a importar de outros estados os produtos que as lavouras do Pará já não mais produziam. Porém, mesmo no Ciclo da Borracha no Pará, entre 1879 a 1912, a produção canavieira do Baixo Tocantins, não sofreu os abalos que outras localidades sentiram, com a falta de braços para tocar as atividades da agricultura na Província, (1821 a 1889) e mesmo nas primeiras décadas do Período Republicano. Com a falta de braços nas tradicionais culturas ribeirinhas do Pará, com os povoados ficando desfalcados dos braços para a produção da farinha de mandioca, arroz, feijão, milho, algodão, açúcar e na coleta dos produtos dos rios e matas estuarinas, esse fato gerava sérias crises da falta desses produtos na Capital e demais localidades  da Província, obrigando os governantes dessa época a importar mercadorias de outros estados brasileiros, inclusive alguns produtos que também eram usados em algumas atividades manufatureiras.
·         O Comércio de Regatão no Ciclo da Borracha:
Durante o Ciclo da Borracha, especialmente da vinda do Marajó, localidades tocantinas, Região do Xingu, Baixo Amazonas e outras áreas da Planície Amazônica, com apogeu de 1890 a 1920, o Comércio de Regatão concorreu para a circulação dessa matéria-prima, quando as pequenas embarcações como botes, escaleres, canoas à vela e mais modernamente os barcos-motores amazônicos que ajudavam no transporte da borracha para importantes entrepostos comerciais das áreas estuarinas tocantinas e marajoaras, e daí eram transportados para Belém ou Manaus nos vapores das diversas empresas de navegação da Amazônia.
Os pequenos barcos da navegação fluvial recolhiam a borracha em todos os pontos da Amazônia. Lugares estratégicos do Estuário Amazônico foram escolhidos para servirem de depósitos dos estoques da borracha recolhida em todos os seringais amazônicos, para depois serem recolhidos pelos grandes vapores de várias companhias particulares que faziam a navegação fluvial pelos rios estuarinos amazônicos. Entre esses lugares se destacava o porto de Cametá, de algumas localidades do Marajó e outras do sistema estuarino amazônico. Algumas localidades do Baixo Tocantins, do Marajó e dos diversos sistemas estuarinos se encarregavam de fazer o transporte da borracha e outros produtos regionais através de canoas à vela, vapores e, posteriormente, a partir da década de 1940, dos chamados barcos-motores amazônicos.  Porém os barcos do Comércio de Regatão do Baixo Tocantins aproveitaram para incrementar o seu comércio com esse produto que era levado para Manaus e Belém e daí seguiam para outros destinos.
·         Fraudes na Fabricação da Borracha:
No início do século 20 a produção da borracha começou a ser afetada por sucessivas crises, estas com variadas causas. Uma das causas era a fraude que se aplicava na fabricação das películas e volumes de borracha, onde os produtores começaram a falsificar o produto para aumentar o peso da produção. Eram muitos os modos da falsificação da borracha, como o processo de se colocar farinha, terra ou pedras em meio ao látex extraído ou mergulhar os volumes de borracha na água dos rios, onde a borracha ganhava mais alguns quilos nas pesadas. Essas falsificações eram facilmente perceptíveis e que ajudara no descrédtio da borracha brasileira e, em consequência, na decaída do comércio da borracha no íncio do século 20. As fraudes aplicadas no fabrico da borracha ajudaram a afastar os compradores ingleses e de outras nações da borracha brasileira. As fraudes na produção de borracha aconteciam principalmente com os produtores da Região das Ilhas do Pará, motivadas pela ambição de maiores ganhos com o produto.
·         A Região das Ilhas do Pará e a Produção da Borracha:
De acordo com a produção econômica, especialmente a produção da borracha, antigamente a Província e, posteriormente, Estado do Pará estava dividido nas seguintes regiões:
·         Região de Oiapoque, às proximidades das Guyanas
·         Região das Ilhas, incluindo os municípios situados na Ilha do Marajó
·         Região dos Rios, que incluía Altamira, no Xingu, Cametá, no Tocantins, Itaituba e Santarém, no Tapajós e outras localidades.
·         Região Agrícola, que incluía Abaeté, Igarapé-Miry e Moju que eram produtores de cereais (eram pequenos produtores de borracha), a foz Tocantina, Belém, Igarapé-Açu, Bragança.
A Região das Ilhas do Pará foi a que mais concorreu antigamente para a produção de borracha no Pará. Em 1904 foram produzidas nessa área estuarina amazônica 7.349 toneladas de borracha, que representaram 67% do total do Estado computado em 10.973 toneladas.
O Extrativismo da Castanha no Pará:
·         O Extrativismo da Castanha-do-Pará na Amazônia e Estuário Amazônico:
A maior parte das riquezas das regiões do Tocantins e Marajó provinha dos recursos vegetais do Período Provincial do Pará. Em nenhuma outra parte da Provícia existiam tão ricos castanhais, além da abundância de muitas outras plantas frutíferas, lactíferas e oleaginosas úteis à alimentação, às artes, à indústria e ao comércio desses tempos.
A castanha-do-Pará era exportada para a Capital em 1860 em grandes quantidades. Em 1864 as terras altas dos rios Pacajás e Anapu eram abundantes em castanheiras que, além de fornecerem as sementes de castanhas, também fornecia a estopa que era extraída de sua casca. Os coletores, para aparoveitarem tudo de uma vez só, arrancavam as cascas das castanheiras a fim de retirar a estopa das cascas para os trabalhos de calafetos de embarcações. Muitas castanheiras, não resistindo a esse método predatório da extração da casca de todo o seu tronco, não resistiam e morriam. Em 1864 foram exportados 5.000 alqueires de castanhas dos distritos de Portel, no Marajó.
      Antigas vilas e localidades do Vale do Xingu produtoras de castanha, conforme citação entre 1764-1769: Vila de Gurupá, São João do Piraguary, São João do Pombal, Souzel, Porto de Moz, Santo ignácio de Aricary.
Principais localidades coletoras de castanha-do-Pará em 1863-1864:
·         Santarém, com 7.751 alqueires, maior produtor no período fiscal
·         Cabo do Norte, com 2.093 alqueires
·         Cametá, com 18.184 alqueires
·         Óbidos, com 4.044 alqueires
·         Alenquer, com 3.978 alqueires
·         Gurupá, com 5.423 alqueires
Em 1873 a Província do Pará já exportava a castanha-do-Pará para fora do Imperio Brasileiro.
Mapa com a produção da castanha-do-Pará no período de 1877 a 1924:
·         1877 com produção de 111.943 hectolitros de castanha
·         1882 com produção de 81.555 hectolitros de castanha
·         1887 com a produção de 85.796 hectolitros de castanha
·         1897 com a produção de 55.503 hectolitros de castanha
·         1899 com a produção de 115.167 hectolitros de castanha
·         1906 com a produção de 27.789 hectolitros de castanha
·         1907 com a produção de 38.080 hectolitros de castanha
·         1909 com produção de 74.105 hectolitros de castanha
·         1917 com a produção de 153.143 hectolitros de castanha
·         1922 com a produção de 319.318 hectolitros de castanha, que foi o ano de maior produção desse produto durante os períodos fiscais de 1877 a 1924.
·         1924 com a produção de 314.371 hectolitros de castanha
A castanha era um gênero de produção muito irregular, devido a época de sua colheita que dependia de muitos braços para esse serviço. Em 1890 a produção foi de 13.467 hectolitros e no ano seguinte subiu para 145.890, ou seja mais de 11 vezes. A Castanha foi mais produzida em 1922 e ela foi um dos produtos que sustentaram a economia do Estado do Pará após a decadência da produção da borracha.
A Cultura Cacaueira no Pará:
·         O Cacau:
A cultura do vegetal cacaueiro se iniciou ainda no século 17 no Estuário Tocantino, para a produção da semente de cacau.
A cultura cacaueira é citada nas antigas vilas e localidades do vale do Xingu entre 1764-1769: Vila de Gurupá, Boa Vista, Porto de Moz, Pombal, Veiros, Souzel.
Citado como produto de Cametá e demais localidades do Baixo Tocantins, Marajó e complexo deltaico estuarino dos rios Capim-Moju-Acará-Guamá-Igarapé-Miri, com grandes cacauais espalhados por essas áreas. O cacau é citado como produto da cultura paraense nas décadas de 1840, 1860, 1870, produto que teve o Baixo Tocantins, especialmente Cametá e Igarapé-Miri entre os maiores produtores dessas décadas na já Provincia do Pará. Era tanto cacau produzido que não existiam navios suficientes na exportação para Portugal. O cacau foi nos anos de 1850, depois da borracha, o 2º maior produto exportado pela Província do Pará. Algumas antigas localidades paraenses que se destacaram na produção de cacau, além dos já citados: Muaná, Santarém, Alenquer e Óbidos em 1871. Porém em 1874 os antigos cacauais dos tempos coloniais estavam entrando em decadência, sendo abandonados e invadidos pelo mato.
Porém a cultura do cacau era feita sem os métodos adequados de manejo, colheita e ensacamento das sementes para a exportação. Eram muitos braços desperdiçados inutilmente no trato com a cultura do cacau e uma simples máquina para quebrar os frutos e fazer a despolpa das sementes redundaria em economia de tempo e centenas de braços que poderiam ser usados em outras tarefas nos sítios e fazendas de cacau.
Em 1873 o cacau ainda era produto importante da Província do Pará, com produção de 2.032 arrobas, mas nesse ano os cacauais já começavam a ser abandonados por seus proprietários e assim eram invadidos pelo mato e ninguém mais pensava em plantar cacau na Província, contentando-se os antigos cultivadores em conservar suas velhas plantações.
O cacau é citado na pauta de exportação de 1863-1864, porém com queda na produção devido às oscilações negativa dos preços.
De 1877 a 1924 a produção do cacau seguiu o seguinte ritmo:
·         1877 com 2.933.806 quilos de cacau
·         1882 com 6.181.233 quilos que foi a maior produção desde 1877
·         1886 com 2.068.368 quilos que foi o período de queda da produção, voltando a subir no ano seguinte para 4.044.703 quilos.
·         1887 com 4.044.703 quilos
·         1888 com 6.717.853 quilos de cacau, sendo que esse ano foi o de maior produção de 1877 até 1924.
·         1897 com 3.537.404 quilos
·         1907 com 1.520.625 quilos
·         1912 com irrisória produção de 827.354 quilos de cacau, com aumento da média de produção nos anos seguintes, porém com produção não satisfaória de cacau e que somente em dois períodos passa das 3 mil toneladas até 1924.
·         1917 com 3.017.491 quilos
·         1919 com 3.145.985 quilos e com queda da produçãoprogressiva após esse período
·         1924 com 1.196.988 quilos
O cacau, após o ano de sua maior produção em 1888 com 6.717.853 quilos, tem sua média de produção reduzida a partir desse ano, fato que significa o abandono da cultura do cacau em favor da coleta de borracha que estava em crescimento. Isto quer dizer que os braços que eram empregados na cultura do cacau foram deslocados para a coleta da borracha e com isso foi decretado o fim dessa cultura nas áreas amazônicas, pois
As principais localidades produtoras de cacau em 1863-1864:
·         Guamá, com 10.065 arrobas
·         Abaeté, com 4.057 arrobas
·         Igarapé-mirim, com 8.444 arrobas
·         Muaná, com 8.340 arrobas
·         Santarém, com 45.426 arrobas
·         Cametá, com 110.714 arrobas, o maior produtor desse período fiscal e sempre foi o maior produtor de cacau na Província do Pará.
·         Óbidos, com 42.237 arrobas
·         Monte Alegre, com 1.227 arrobas
·         Alenquer, com 7.928 arrobas
·         Gurupá, com 5.423 arrobas
Alguns produtos fabricados a partir dos componentes do fruto do cacaueiro:
·         Sabão de cacau, com fabriquetas no Baixo Tocantins e Capital que faziam o aproveitamento da casca e massa do cacau para produzir sabão grosso em mistura com outros componentes.
A Cultura do Café no Pará:
·         O Café:
A cultura do café é antiga, tendo vindo do Período Colonial do Pará como cultura da Região do Xingu que foi plantado pela 1ª vez em 1727 com sementes vindas de Cayenna e 25 anos depois suas semntes já estavam espalhadas pelo Rio de janeiro, Minas e São Paulo. Mas enquanto o Grão-Pará pode manter a cultura do café, esta se espalhara rapidamente pelas áreas estuarinas amazônicas, citada na década de 1840, 1870, porém com baixa produção pela falta de manejo adequado para esse tipo de cultura em solos amazônicos, porem com exportação figurando por longos anos na pauta de exportação da Província, com produção decrescente desde 1727 e só depois do ano fiscal de 1884 esse produto desaparece das estatísticas de exportação. Era a plantação pura e simples dos pés de cafeeiros, sem os cuidados adequados no manejo dos mesmos e no tempo das colheitas não havia o emprego de instrumentos e simples máquinas para facilitar os trabalhos. Um simples instrumento para despolpar e lavar o café já seria suficiente para atenuar o grande trabalho nos sítios e fazendas de café.
Localidades do Vale do Rio Xingua produtoras de café entre 1764-1769: Vila de Gurupá, Veiros.
Em 1864 a região do Marajó é citada como produtora e exportadora de café, com os distritos de Portel exportando 4.000 arrobas e Melgaço exportando 350 arrobas de café.
Nos períodos fiscais de 1858-1859 até 1863-1864 o café, junto com o açúcar, eram produtos largamente importado dos portos do Império Brasileiro.
Vide mapa da produção do café no Pará de 1773 a 1884:
·         1773 com produção de 61.110 quilos de café
·         1774 com acentuada queda da produção para apenas 2.115 quilos
·         1775 com a volta da produção de 1773 com 67.020 quilos
·         1778 com a produção de 98.685 quilos e que foi a maior de todo o espaço de tempo de 1773 a 1884.
·         1779 com queda na produção de café para 67.710 quilos e a partir daí foi somente em 1798 que a produção do café subiu para 75.385 quilos, com queda no ano seguinte e mantendo essa oscilação até 1818, este período com a produção de 64.003 quilos.
·         De 1853 a 1858 0 café manteve a média anual de 80.510 quilos e de 1863 a 1868 a média anual da produção do café subiu para 566.460 quilos, caindo sua média de produção anual no período de 1869 a 1870 para 528.000 quilos.
·         De 1879 a 1884 aconceceu o acentuado decréscimo da produção anual do café para 1.216 quilos.
Exportação do café do Pará de 1879 a 1884:
·         Estados Unidos da América que a partir de 1880 recebeu exportação crescente de café do Pará, sendo o ano de 1883 o de maior exportação com 6.000 quilos.
·         França que começou a receber o café do Pará desde 1879 com 120 quilos, tendo a exportação crescido nos anos subsequentes. Em 1881 a França recebeu a maior quantidade de café do Pará com 1.419 quilos.
·         Portugal que recebeu 1.140 quilos de café em 1879 e tendo decrescido para 200 quilos em 1880, subido em 1881 com 933 quilos e decrescido nos anos seguintes.
·         Cayena, lugar de onde o café veio para o Pará e que somente em 1880 recebe uma única carga de café de 247 quilos.
·         Estados do Sul do país que receberam 546 quilos de café do Pará, sem exportação em 1880 e retorno da exportação em1881 com 210 quilos e considerável aumento para 4.271 quilos em 1883.
·         1884 que foi o ano da plena decadência da exportação do café do Pará com irrisória cota de 180 quilos de café exportado para Portugal.
Em 1873 a cultura do café já estava inteiramente abandonada e a Província do Pará já importava o café de outras províncias brasileiras.

CULTURAS TRADICIONAIS NO ESTUÁRIO AMAZÔNICO:
·         A Mandioca:
Mandioca é cultura ancestral indígena, citada citada como cultura do período Colonial e nas décadas de 1840, 1870, como matéria-prima para a fabricação de uma série de produtos, especialmente da farinha que é um dos principais gêneros na alimentação do povo paraense.
Porém a cultura da mandioca e a fabricação da farinha e outros gêneros feitos a partir da mandioca era toda manual e demandava muitos esforços e tempos na preparação desses gêneros. Não existiam sequer as máquinas raladoras da mandioca e o método do seu preparo seguia os primitivos métodos de se colocar de molho a mandioca até amolecer, a fim de facilitar a pressão no instrumento de palha chamado “tipiti”, método que faz com que se perca grande parte do amido e ainda dá a farinha um gosto pouco agradável que resulta da fermentação na água. Uma simples máquina de ralar mandioca substituiria o antigo método de se colocar a mandioca de molho na água e com resultados muito mais satisfatórios para os fabricantes de farinha e demais gêneros de mandioca, economizando tempo e braços que podiam ser aplicados em outros serviços.
      Cultivo de mandioca citada entre 1764-1769 nas antigas vilas e localidades do Vale do Rio Xingu: Vila de Gurupá, Vila de Pombal, Vila de Souzel, Veiros na Aldeia de Itacuruçá, Vila de Porto de Moz.
·         Farinha de mandioca, citada na década de 1840, 1870, que era o principal produto advindo da mandioca e com grande produção no Baixo Tocantins e áreas dos rios Capim, Guamá, Moju e Igarapé-Miri, exportado para a Capital. Moju era o maior produtor no Baixo Tocantins em 1871 e Acará sempre foi grande produtor de farinha de mandioca em todos os períodos históricos do Pará. O Marajó é citado como produtora e exportadora de farinha de mandioca em 1864, com exportação de 3.000 alqueires só do Distrito de Melgaço e 9.000 alqueires de Portel.
·         Farinha de tapioca, produto citado na década de 1840 e advindo da massa de mandioca, com grande aceitação nos mercados e exportado para a Capital e até para fora do Império, conforme mapa de 1873.
·         Polvinho, citado na década de 1840, extraído da massa da mandioca e o excedente exportado para a Capital.
·         Massa da mandioca, para fazer doces, beijus, tacacá, tapioquinha
      Localidades produtoras de mandioca no Período Colonial:
        Vila de Gurupá
        Vila de Pombal
         Vila de Souzel
         Localidade de Veiros
         Localidade de Santa cruz de Caviana
         Localidade de Vilarinho do Monte
         Porto de Moz
As localidades que eram as maiores produtoras de farinha de mandioca e demais tipos de farinhas no período fiscal de 1863-1864:
·         Guamá, com 7.370 alqueires
·         Bragança, com 7.369 alqueires
·         Curuçá, com 7.182 alqueires
·         Bujaru, com 6.376 alqueires
·         Acará, com 6.350 alqueires
·         Inhangapy, com 4.863 alqueires
·         Capim, com 3.608 alqueires
·         Cintra, com 3.577 alqueires
·         Moju, com 3.559 alqueires
·         Vigia, com 2.209 alqueires
·         Irituia, com 1.708 alqueires
Em 1873 a Província do Pará já importava a farinha de mandioca de outras províncias brasileiras devido o fato dos desvios dos braços dessa cultura terem se direcionado para a produção de borracha.
Parte do trecho que fala da mandioca e seu uso na culinária brasileira, fonte Rafaela Allevato, coordenadora do Serviço de Nutrição do Hospital San Paolo.
A mandioca é conhecida por todos, de norte a sul do país, é ingrediente principal de diversos pratos, também vira vedete em época de festa junina. Talvez o aumento consumo dessa raiz se dê por causa da safra, que vai até julho, garantindo raízes mais bonitas e melhores para o consumo. Uma substância tóxica está presente em sua composição: o ácido cianídrico e é essa substância quem dita a classificação dos tipos de mandioca. A mandioca que contém grande quantidade desse componente é conhecida como mandioca brava, mandioca amarga ou apenas mandioca. Porém o cozimento e a torrefação fazem com que a toxidade seja anulada e desse modo sejam produzidas a tapioca e a farinha de mandioca.
A raiz que nós encontramos em feiras e supermercados e costumamos consumir é chamada de aipim, mandioca mansa ou macaxeira e possui quantidade insignificante da substância, que é totalmente eliminada com o cozimento.
A mandioca não contém glúten, o que faz com que os celíacos possam consumí-la livremente e também quase não tem gordura e possui baixa quantidade de proteína.
O carboidrato, principal nutriente do tubérculo, serve como combustível para o corpo e é constituído de amilopectina e amilose, o que o torna um alimento de fácil digestão. Graças às suas fibras vegetais, a mandioca ajuda a regular a fome e a combater o inchaço abdominal, já que auxilia no trânsito intestinal. A raiz ainda é rica em vitaminas do complexo B, principalmente a niacina (B3), que auxilia no funcionamento do sistema digestivo, no equilíbrio do sistema nervoso e do colesterol, além de atuar na pele.
Como é um alimento bastante versátil, a mandioca vai muito bem em diversas preparações: farofas, purês, escondidinhos, cozida, bolos, sopas.
Normalmente consumimos a raiz, mas as folhas da mandioca também podem ser aproveitadas no preparo da maniçoba, prato típico do Pará.
·         O Milho:
Milho é produto de origem ancestral entre as populações das Américas, é citado no Período Colonial como cultura do Marajó e Região do Xingu e na década de 1840, como produto de subsistência e nas grandes produções era exportado para a Capital. O milho foi usado historicamente nas refeições dos paraenses, quando era muito utilizado nos preparos de mingaus, doces, bolos, pamonhas, cuscuz e outros pratos da culinária do período festivo da quadra junina. O mingau de milho chamado munguzá, misturado à castanha-do-Pará não pode faltar nos festejos juninos e hoje já é encontrado como produto de consumo diário na Capital e outras cidades do Pará. Outro destaque para o milho é o consumo do chamado milho-verde, nas formas assado ou cozido.
       Antigas localidades do vale do Xingu, entre 1764-1769, produtoras de milho: Antiga Aldeia de Itacuruçá em Veiros.
As localidades que eram as maiores produtoras de milho no período de 1863-1864:
·         Guamá, com 2.825 mãos
·         Bragança, com 1.428 mãos
·         Curuçá, com 3.388 mãos
·         Acará, com 5.987 mãos
·         Capim, com 1.181 mãos
·         Cintra, com 3.386 mãos
·         Moju, com 3.030 mãos
·         Abaeté, com 1.392 mãos
·         Igarapé-Mirim, com 1.384 mãos
·         Marajó, com 1.083 mãos
No caso do milho beneficiado, em 1864 só o distrito de Melgaço, no Marajó, exportou 500 alqueires de milho para a Capital
·         O Algodão:
Algodão, citado como cultura do Período Colonial, citado entre 1764-1769, no Vale do Xingu, nas localidades: Vila de Gurupá, localidade Boa Vista, vila de Pombal, Vila de Porto de Moz.
nas décadas de 1840, 1870, teve no Pará um pequeno período de cultura e produção artesanal de fios e panos de algodão, exportados para a Capital. Uma tabela de 1925 mostra a situação da produção do algodão no período de 1877 a 1924:
·         1877 com 7.614 quilos que foi o período de maior produção desse espaço de tempo e com produção sofrendo altos e baixos até entrar em uma grande decadência a sua produção.
·         1887 com 461 quilos
·         1888 com 60 quilos que foi o fundo do poço de produção de algodão em relação aos períodos anteriores.
·         1889 com 3.307 quilos e já no Período Republicano do Pará que foi a retomada aparente da produção de algodão pois em 1890 a produção cai para irrisórios 423 quilos com retomada de crescimento em 1891 com 2.090 quilos.
·         1892 com 66 quilos e sem produção no período seguinte e com retomada de produção em 1894 com 1660 quilos. Após esse perído a produção de algodão como que cessou no Pará com pequenas produções em 1896, 1897, 1901 e 1903 e nos demais períodos e até 1916 não existiu a produção de algodão.
·         1897 com irrisórios 48 quilos de algodão
·         1907 sem produção de algodão
·         1917 retomada da produção de algodão com 82.024 quilos e a partir daí a produção aumentou para acima de 1.000.000 quilos até 1924.
·         1919 com 1.922.537 quilos que foi a maior produção até 1924
·         1924 com 1.627.958 quilos
A produção de algodão no Pará não foi muito grande desde 1877 até 1903 quando não passou de 10 toneladas em cada período. O ano de 1903 assinala o completo desaparecimento dessa cultura no Estado, voltando renovada a partir de 1917 com a produção de 82 toneladas, chegando ao ano de  1919 com a produção de 1.922 toneladas de algodão.
O algodão é citado na pauta de exportação de 1863-1864, exportando-se 5:586 arrobas.
O algodão era exportado para os centros consumidores em plumas ou em fios e 90% do algodão produzido no Estado do Pará vinha da zona da Estrada de Ferro de Bragança.
Em 1873 a cultura do algodão já estava sendo abandonada por seus cultivadores e a Província do pará já importava o algodão de outras províncias brasileiras.
·         O Feijão:
As localidades maiores produtoras de feijão na Província do Pará, no período fiscal de 1863-1864:
·         Guamá, com 123 alqueires
·         Bragança, com 1.357 alqueires
·         Capim, com 190 alqueires
·         Santarém, com 353 alqueires
Feijão, cultura citada na década de 1840, cultivado em cultura de subsistência, com alguns períodos de boa produção e com exportação para a Capital. O consumo de feijão vem dos tempos mais antigos e seu consumo se consolidou, tornando-se ítem obrigatório na culinária paraense.
·         O Arroz:
Arroz, cujas sementes, além do consumo nas refeições, também eram muito utilizadas nos mingaus com açaí, miriti, bacaba. Arroz era exportado para os centros consumidores em casca ou pilado, e este último já é citado a partir da década de 1840, 1870 no Baixo Tocantins e Marajo, e que ainda era exportado para Belém.
A crise na agricultura tradicional se iniciou em 1872 e em 1874, de modo geral, estava em estado lamentável, devido o abandono das lavouras por causa da extração de seringa, que levava grande parte dos braços das atividades de lavoura, por isso a província tinha que comprar esses produtos de outros estados. Só em 1877 aconteceu uma pequena estabilização desses gêneros de 1ª necessidade para o povo.
O arroz com casca e o pilado são citados na pauta de exportação de 1863-1864, porém já com o enfraquecimento de sua produção.
      Antigas localidades do vale do Xingu, citadas entre 1764-1769, como produtoras de arroz: Vila de Gurupá, localidade de Boa Vista.
Localidades que eram as maiores produtoras de arroz com casca na Província do Pará nesse período fiscal:
·         Guamá, com 3.199 alqueires
·         Bujaru, com 5.221 alqueires
·         Acará, com 28.605 alqueires
·         Inhangapy, com 3.161 alqueires
·         Capim, com 1.700 alqueires
·         Moju, com 2.371 alqueires
·         Abaeté, com 11.544 alqueires
·         Igarapé-Mirim, com 1.415 alqueires
·         Muaná, com 1.028 alqueires
Arro pilado, no mesmo período:
·         Acará, com 785 alqueires
·         Capim, com 1.477 alqueires
Em 1873 o arroz pilado era produzido na Província do Pará em pequena quantidade.
Situação da produção do arroz entre os períodos de 1877 a 1924:
·         1877 com 815.610 quilos de arroz
·         1879 com 1.068.835 quilos de arroz que representa um pequeno aumento na produção, que cai no ano seguinte e sobe para 1.123.866 quilos no período de1881 e a partir daí aconteceu uma baixa na produção que não conseguiram obter uma produção acima dos mil quilos de arroz até o período de 1918 com 2.317.599 quilos.
·         1887 com 538.804 quilos
·         1897 com 868.962 quilos
·         1901 com a irrisória produção de 89.298 quilos de arroz, situação que se mantém a mesma até 1918 quando a produção chega a 2.317.599 quilos.
·         1907 com 11.376 quilos
·         1908 sem produção de arroz
·         1917 com 498.778 quilos
·         1918 com 2.317.599 quilos de arroz, fato que representa a retomada da produção de arroz no Estado do Pará com produção crescente até 1920 com 9.045.152 quilos de arroz e com decréscimos de produção nos anos seguintes até a grande produção de 1924, abaixo.
·         1924 com 14.160.451 quilos de arroz que é o período recorde na produção de arroz desde o período de 1877.
A cultura do arroz sempre se fez presente no Pará, citado como cultura do Período Colonial no Marajó e Região do Xingu e no Período Provincial sua produção somente em dois períodos fiscais é que ultrapassou a marca de mil toneladas (1879 e 1881). Porém, pelos esforços dos governantes da Era Republicana do Pará, ficou provado que esse gênero poderia ser produzido em grande quantidade no Estado. Em 1917 a produção de arroz foi de 498 toneladas e no ano ano seguinte já estava em 2.318 toneladas, culminando com a produção recorde de 14.161 toneladas em 1924.
·         Cultura do Tabaco no Pará:
Tabaco, produto citado, entre os anos de 1764-1769, como cultura no Período Colonial, como cultura das antigas áreas indígenas do Vale do Xingu administradas pelos padres missionários: Vila de Gurupá, Porto de Moz, Souzel, Pombal.
Nas décadas de 1840 e em 1864 é citado como cultura nas áreas do Marajó, onde só do distrito de Melgaço foram exportados 500 alqueires de arroz.
Em 1873 o tabaco era cultivado em algumas áreas da Província do Pará, sendo considerado talvez o melhor do Brasil, porém com pequena produção na margem direita do Rio Tapajós. Também fabricava-se tabaco no distrito de Irituya, este também de excelente qualidade.
Localidades produtoras de tabaco: Vila de Gurupá

Blog do ADEMIR ROCHA, de Abaetetuba/PA

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