ESTUÁRIO 1: ABAETETUBA E O BAIXO TOCANTINS NO CONTEXTO DELTAICO ESTUARINO AMAZÔNICO ATRAVÉS DOS TEMPOS HISTÓRICOS DO PARÁ
Belo cenário no Estuário Tocantino em foto de
Rui Santos
Rui Santos
Sumário desta
postagem
. Datas de referências
. Estuário: definição, fatores, extensão, forças,
foz/desembocadura, variáveis, zonas, ecossistemas, vida, produtividade
biológica
· . O sistema deltaico estuarino como ambiente
ecológico: fauna, renovação das águas, recursos naturais, florestas, várzeas
· . Pequeno histórico dos recursos naturais
· . O extrativismo no estuário Amazônico: drogas do
sertão
· . Madeira, municípios exportadores, tipos de
madeiras, modalidades de madeiras exportadas, madeira da carpintaria naval
· . Extração e uso de madeiras para carvão e lenha
· . O extrativismo da borracha
. O extrativismo da castanha
· . As culturas do cacau, café
· . As culturas tradicionais: mandioca, milho,
algodão, feijão, arroz, tabaco e outras
. Datas de Referências Para o Entendimento das
Diversas Fases que Serão Citadas nos Textos Abaixo:
Estas postagens são frutos de
pesquisas várias em textos novos e antigos, com poucas opiniões do autor do
Blog do ADEMIR ROCHA, com nomes e itens que já podem se encontrar defasados,
mas importantes para o bom entendimento dos variados assuntos das diversas
postagens sobre o Estuário Amazônico. Os respectivos itens serão acrescidos de
outras informações de acordo com as nossas pesquisas.
Resgatar a história-memória de pessoas, cidades, regiões, fatos
históricos e cultura seria um trabalho sem consistência se não existissem
as datas, e estas como elementos importantes
para levar os leitores a se situar melhor no contexto
sócio-histórico-cultural e financeiro do passado, daí a preocupação do autor do
Blog na citação de datas e fatos, que procuram identificar melhor as pessoas,
os vultos, os personagens, as localidades, os municípios e regiões e muitos
eventos dessa história-memória que envolve direta ou indiretamente Abaetetuba e
sua Região do Baixo Tocantins. As datas são importantes para nos situar no
passado e assim darmos valor àquilo que já tivemos, o que temos nos presente e
o que podemos almejar para o futuro de nosso município e Região. Uma localidade
sem sua memória é uma localidade sem história.
1.
Período
Colonial:
·
Dos Capitães-Mores: 1615 a 1753
·
Dos Governadores: 1753 a 1820.
Foi no tempo dos capitães-mores e dos governadores do então Grão-Pará
que surgiu a cidade de Santa Maria de Belém do Grão-Pará e as primeiras
povoações, entre estes o Povoado de Nossa S. da Conceição de Abaeté e os
primeiros engenhos de cana de açúcar que surgiram nas terras do Baixo
Tocantins, Marajó, Zonas do Capim, Guamá, Acará, Moju e outras regiões do
antigo Pará.
2.
Período
Provincial ou da Província do Grão-Pará, com os Presidentes da Província: 1821
a 1889 (até a Proclamação da República).
Foi a partir do início do período provincial que a indústria canavieira
tomou novo impulso que resultou na instalação de dezenas de engenhos em
Abaetetuba e Igarapé-Miri, agora não mais para a produção de açúcar e sim da
produção da aguardente de cana ou cachaça, esta, junto com outros produtos,
levadas aos mais longínquos lugares do Estuário Amazônico e outras regiões
amazôniocas, através do importante Comércio de Regatão do Baixo Tocantins.
3.
Período
Republicano: 16/11/1889 a 2007.
·
A Era
Republicana, pelo Movimento Republicano decreta o fim do império em 1889.
República Velha ou República das Oligarquias: 1889 a 1930, com a
Revolução de 1930, de Getúlio Vargas.
No início do Período Republicano a Indústria Canavieira estava em pleno
auge e Abaeté e Igarapé-Miri/PA começaram a ganhar projeção no cenário
econômico do Baixo Tocantins, onde Cametá/PA já desfrutava de renome pelo seu
passado histórico-econômico glorioso, este
vindo desde os tempos dos governadores-mores.
Independência do
Brasil da Coroa Portuguesa: 1822, através de D. Pedro I.
No período colonial do Pará, os engenhos eram obrigados a produzir açúcar
para abastecer os mercados da Capital, Belém e com grande parte da produção
sendo exportada para Portugal. Nesse período, pela obrigatoriedade da produção
de açúcar, os engenhos foram proibidos de produzir cachaça por vários motivos,
sendo o motivo principal a produção de açúcar para suprir as necessidades da
Coroa Portuguesa e a cachaça praticamente era produzida clandestinamente no
tempo do Brasil-Colônia. Somente com a independência do Brasil a produção de
cachaça se tornou comum nos engenhos e o mais importante produto do Comércio de
Regatão do Baixo Tocantins.
·
Fim da
escravidão negra no Brasil: 13/5/1888, instituída pela Lei Áurea, decretada
pela princesa Isabel.
Antes do fim definitivo da escravidão negra no Brasil e, em consequência
no Pará, os engenhos de cana-de-açúcar utilizavam uma grande quantidade de
braços escravos de indígenas e escravos africanos nas pesadas tarefas da
indústria canavieira e em outros roçados e serviços, e os donos de engenhos
sentiram o forte impacto que o fim da escravidão negra ocasionou pela falta de
braços nos roçados de cana, das outras culturas e demais serviços. Os donos de
engenho do Baixo Tocantins conseguiram adaptar o sistema patriarcal da tutela
em relação aos trabalhadores dos engenhos e de suas famílias e a produção de
cachaça seguiu o seu curso no Baixo Tocantins, sendo esse produto e outros
recursos do Estuário Amazônico os usados no Comércio de Regatão do Baixo
Tocantins.
·
Diocese
do Pará: 4/3/1719, criada com o desmembramento da então Diocese do Maranhão.
Abaetetuba e Igarapé-Miri fizeram parte, por muitos anos, do Bispado e,
posteriormente, da Arquidiocese do Pará, quando Igreja e Estado constituíam um
só ente político-social e a Catequese e Civilização dos Indígenas e o Culto
Divino ou Culto Público faziam parte da política de colonização do Grão-Pará
através das Missões Religiosas que se encarregavam de catequizar os nativos do
Grão-Pará e, com isso, de fundar centenas de freguesias, lugares, sistema que avançou para o período provincial
e das primeiras décadas do Regime Republicano. Foi sob o importante trabalho
das missões e catequese dos padres missionários de várias ordens religiosas que
Belém e as primeiras cidades do Estuário Amazônico surgiram no cenário desse
grande Estuário, inclusive as antigas Freguesias de Sant’Ana de Igarapé-Miry
e Nossa Senhora da Conceição de Abaeté e
demais freguesias do Baixo Tocantins, que somente nos anos de 1960 saíram da
dependência da gigantesca Área Eclesiástica da
Arquidiocese de Belém. Abaetetuba e Igarapé-Miri ficaram atreladas
à Arquidiocese de Belém ou Sé Metropolitana até 25/11/1961, no caso de
Abaetetuba e a Paróquia de Igarapé-Miri passou a fazer parte da Prelazia da
vizinha cidade de Cametá. Para Abaetetuba foi importante a criação da Prelazia
de Abaeté do Tocantins, em 1961, pois foi a partir daí que os municípios da
região da Prelazia começaram a receber os importantes serviços das Obras
Sociais da Igreja Católica, com a instalação de escolas, hospitais, centros
sociais e criação das Comunidades Eclesiais de Base que serviram na visão de
uma sociedade mais justa, fraterna e solidária e um olhar político menos
atrelado aos interesses de pessoas e grupos dominantes. Foi através do trabalho
da Igreja que Abaetetuba muito avançou no seu desenvolvimento sócio-político
e educacional através das Obras Sociais
da então Prelazia de Abaeté do Tocantins e hoje Diocese de Abaetetuba.
·
Períodos
de Povoado, Freguesia, Vila e Cidade:
Esses períodos são marco importante da história-memória das localidades
do Pará, nos aspectos econômicos, financeiros, políticos, sociais, geográficos
e demográficos.
·
Igarapé-Miri:
A partir de 1710, Povoação de Sant’Anna de Igarapé-Miri se estendeu até
a condição de Freguesia de Sant’Anna de Igarapé-Miri em 29/12/1754, dada pelo D.
Frei Miguel de Bulhões e pela Lei Nº 113, de 16/10/1843 torna-se Vila de
Igarapé-Miri, que compreende a freguesia de mesmo nome e as freguesias de
Abaeté e Cairary, tendo a sua instalação e 1ª Câmara Municipal somente em
26/7/1845 (1845 a 1849) e a Comarca de Igarapé-Miry foi criada pelo Decreto nº
6.992 de 14/8/1878, composta de 3 municípios: Igarapé-Miry, Abaeté e Moju e 5
freguesias: Sant’Anna de Igarapé-Miry, Nossa Senhora da Conceição de Abaeté,
São Miguel de Beja, Divino Espírito Santo do Moju e Nossa Senhora da Soledade
de Cairary. E, pela Lei Nº 438, de 23/5/1896, a Villa de Igarapé-Miry é elevada
à condição de Cidade de Igarapé-Miri.
·
Abaetetuba:
Povoação de Nossa Senhora da Conceição de Abaeté em 8/12/1724 se
estendeu até 1750, quando se torna Freguesia de Nossa Senhora da Conceição de
Abaeté e em se torna Villa de Abaeté pela Lei nº 973 de 23/3/1880, que também
criava a Câmara de Vereadores e a instalação da Cidade de Abaeté em 15/8/1895 e
até os dias atuais, quando se torna o importante polo comercial e educacional
do Baixo Tocantins.
·
1ª
Câmara de Vereadores:
Eram as Câmaras de Vereadores, antes da adoção do Conselho de
Intendência, que faziam a administração das vilas ou cidades da Província do
Pará. Todas as demandas e questões políticas eram tarefas das antigas Câmaras
de Vereadores dos municípios até o surgimento dos Conselhos de Intendência, que
substituíram o sistema anterior das Câmaras de Vereadores. Abaeté só chegou a
ter Câmara de Vereadores a partir de sua elevação à condição de Vila de Abaeté
em 1880 até o ano 1889, com a Proclamação da República.
·
Igarapé-Miri
já era município desde 1845 com a 1ª Câmara criada em 1845 a 1849.
·
Abaetetuba,
com 1ª Câmara criada em 7/1/1881 até 1884; 2ª Câmara até 1884 1887; 3ª Câmara:
1887 a 1889.
·
O
ESTUÁRIO AMAZÔNICO
Para falar do Estuário Amazônico, precisamos saber do que se trata e dos
impactos e recursos que proporciona às diversas comunidades tradicionais que
dele fazem parte como populações ribeirinhas, descendentes dos nativos do
lugar, mescladas aos grupos dos negros escravos vindos da África e com os
brancos de origem européia, e também precisamos entender a linguagem que
usaremos nestas postagens, no tocante à geografia deltaica estuarina, como
também precisamos saber algumas palavras e termos usados na hidrografia, na
Geologia e na Geografia e outros importantes aspectos da complexidade de um
Estuário.
No Estuário, a floresta
encontra-se parcialmente inundada, devido os períodos de enchentes e vazantes,
e os ecossistemas de várzea, manguezais e terra firme possuem uma enorme
variedade de seres vivos e outros recursos cuja exploração teve início com a
ocupação das áreas estuarinas no Período Colonial do Pará.
É uma enorme área, composta pelas
embocaduras dos rios Amazonas e Tocantins, cuja biodiversidade apresenta altas
taxas de vida marinha e fluvial. É ainda a zona de contato da água doce com a
água salgada, em dinâmica importante para a vida no Estuário, onde os recursos
de água doce se alternam com os do mar. A densidade da ocupação dessa região
deve-se em especial à proximidade da cidade de Belém, em torno da qual foi
lentamente se organizando a economia e a sociedade, desde o período colonial,
com suas freguesias rurais, muitas dando origem às cidades ribeirinhas, que é o
caso das cidades da Microrregião de Cametá e outras microrregiões vizinhas que
serão citadas em nossas postagens.
A presença de população
agroextrativista pode ser observada por todo o estuário, até mesmo em locais próximos aos
grandes centros urbanos. Os habitantes desses locais são conhecidos como
ribeirinhos, mestiços em sua
etnia, que vivem da extração e manejo dos recursos florestais e aquáticos, bem
como da agricultura em pequena escala e muitos de seus conhecimentos sobre os
recursos naturais foram adquiridos dos seus antepassados indígenas, que
utilizavam as florestas de várzea como fonte de alimento e moradia desde a
época Pré-Histórica. Como grande parte das áreas do Estuário Tocantino
pertencem à União, devido o que determina a Constituição do Brasil de 1988,
daremos algumas sugestões para a exploração dos recursos naturais, muitos dos
quais em período crítico de extinção devido à superexploração feita de modo não
sustentável, empírico e em desacordo com as modernas técnicas de manejos de espécies
florestais, animais e da agricultura, como também pela exploração predatória
dos demais recursos advindos das águas e florestas. Culturas tradicionais como
arroz, milho, feijão, farinha de mandioca, cana-de-açúcar existentes nas
regiões das Ilhas e Colônias do Baixo Tocantins já estão em franca decadência,
junto como também as produções oleiras, madeireiras e a coleta de frutas,
fibras, sementes oleaginosas que perderam competividade para os produtos vindos
de outras regiões do Brasil. A caça e pesca são atividades que perderam espaços
pela falta das espécies que antigamente existiam em grande quantidade pelos
rios e florestas do Estuário Tocantino, inclusive pela extinção das mais
valiosas espécies e escassez de outras que outrora se faziam abundantes pelos
ecossistemas do Estuário.
·
Definição
Clássica de Um Estuário
Segundo a definição clássica um estuário é um corpo de água
semi-confinado que tem ligação com o mar e onde ocorre a mistura das águas
marinhas e fluviais, estas últimas provenientes da drenagem (escoamento) das
águas das terras.
Pela nossa condição de ambientalista, reforçamos o entendimento do Estuário
Amazônico, dizemos que do ponto de vista da Ecologia e da Oceanografia,
um Estuário é uma região semi-fechada do oceano e influenciada pelas descargas
de água doce de terra, quer seja um ou mais rios, ou apenas da drenagem do
continente. No Estuário, o rio se mistura com o mar através de vários canais ou
braços do Delta (que é o que acontece no Baixo Tocantins e na região do Marajó,
que chamamos de Estuário Tocantino). Um aspecto muito importante é que devido
aos nutrientes que as águas de terra transportam, um estuário é geralmente uma
região com um elevado número de recursos naturais, estes na forma de flora e
fauna, associados a uma grande quantidade de corpos d´água e matas nativas, daí
a necessidade de sua preservação e racionalidade em sua exploração.
Essas definições ainda precisam levar em consideração a região onde
ainda ocorre a influência das ondas das marés, embora não haja mistura com água
salgada, pois o estuário como um
ambiente aquático de transição entre um rio e o mar, e que também apresenta
diversos corpos ambientais, desde águas doces próximos da sua cabeceira, águas salobras, e águas marinhas
próximas da sua desembocadura.
·
Fatores
Que Devem Ser Considerados na definição de Estuário
A definição de Estuário é mais abrangente, incluindo o trecho inferior
do rio onde o escoamento é afetado tanto pela vazão fluvial como também pela
propagação da maré. A fronteira rio-estuário não permanece fixa no tempo, mas
apresenta variações de posição em função da variação dos parâmetros que
caracterizam a maré e o escoamento fluvial. No caso do rio Amazonas, onde a
mistura de água doce e salgada ocorre na plataforma continental, a perturbação
do escoamento fluvial pela maré se percebe até algumas centenas de quilômetros
à montante da foz. A penetração da maré é fortemente afetada pela vazão fluvial
e a presença de águas mais rasas, onde o atrito começa a ser importante, quando são geradas outras características das marés.
Do ponto de vista da Ecologia
e da Oceanografia, um Estuário é uma região semi-fechada do Oceano,
influenciada pelas descargas de água doce que vêm de terra, quer seja um ou
mais rios, ou apenas da drenagem do continente. Nos casos das regiões
tocantinas e guajarinas e das outras regiões às proximidades, são vários rios
que recebem as descargas das águas doces das chuvas e, agora, da drenagem das
cidades que estão contribuindo para a poluição e contaminação de nossos rios.
Delta e estuário podem ser
confundidos como ambientes diferentes. No caso do Estuário Amazônico, trata-se
de um estuário do tipo misto, onde existem os deltas e os estuários, onde o rio
se mistura com o mar através de vários canais ou braços do Delta. Portanto, no
caso do delta Amazônico, este pode considerar-se também uma Região Estuarina.
Alguns Aspectos do Estuário Amazônico
·
Extensão do Estuário Amazônico
O Delta Interno do Estuário Amazônico apresenta cerca de 380 km de largura,
cobrindo uma área triangular de cerca de 85.500 Km. É nesse grande
Estuário Amazônico que é projetado no Oceano Atlântico uma grande massa de água
doce do Rio Amazonas, incluindo um grande volume de argila e outros materiais
misturados às águas das drenagens.
·
As
Forças Atuantes nas Marés no Estuário Amazônico:
A penetração da maré num estuário é o resultado da interação do
escoamento fluvial e do movimento oscilatório gerado pela maré na sua
embocadura, onde essas ondas longas são geralmente amortecidas e
progressivamente distorcidas pelas forças do atrito no fundo e a força da vazão
fluvial e influenciada também pela geometria do canal. As principais forças
intervenientes no processo das marés são a força de gravidade (principal agente
no escoamento fluvial), força da de pressão (provenientes de desníveis na linha
d’água gerados pela maré), forças de atrito (geradas pela resistência no
fundo), forças inerciais e finalmente, as forças provenientes da estratificação
da água (pelo encontro de água doce e salgada).
·
Foz ou
Desembocadura
A foz ou Desembocadura
é o local onde um corpo de água fluente, como um rio, deságua em outro corpo de
água que pode ser outro rio, um grande lago, uma lagoa, um mar, ou mesmo o
oceano. Ou Foz ou Desembocadura
(desague), é a denominação do local onde há descargas de água doce corrente,
como um rio.
Tipos de Foz:
·
Quando um rio desemboca no mar ou oceano,
através de um único canal, recebe este tipo de foz o nome de Estuário. A foz em
estuário e onde o rio corre uniformemente em seu leito até o fim.
·
Quando, entretanto, o desague se dá de forma
capilar, com vários braços, ramificados, formando ilhas, denominamos de Delta.
A foz em delta é caracterizada pelo alargamento do leito, formando uma espécie
de triângulo (daí o nome Delta), tendo em seus lados as duas margens do rio e o
limite com local onde ocorre a desembocadura. Neste tipo de foz,
frequentemente, forma-se porções de terra na forma de ilhotas no centro do
triângulo. Bons exemplos de fozes em delta são dos Rios Nilo, Amazonas, Níger,
Pérolas e Danúbio. Vê-se que o rio de nosso interesse, o Rio Amazonas, possui
foz em delta.
·
Quando coexistem esses dois tipos de fozes,
chamamos de Mista, que é o caso do grande Estuário Amazônico. Foz
Mista, com algumas ilhas laterais, mas com uma foz larga, como é o
caso do Rio Amazonas.
Algumas Variáveis de Um Estuário
Um Estuário é um ambiente
complexo em vários aspectos. Entre as principais varáveis ambientais do
estuário, podemos citar:
·
Salinidade, que pode variar conforme topografia,
estação do ano e quantidade de água doce trazida pelos rios ou água salgada
pelas das marés.
·
A água do estuário possui enorme quantidade de
partículas em suspensão, dificultando a penetração de luz, causando a
diminuição da fotossíntese e sua respectiva produtividade.
·
Temperatura, que costuma variar bastante em
razão do menor volume de água existente e da entrada de água doce que tende ser
sempre mais fria.
·
As correntes de um Estuário são causadas
principalmente pelo fluxo de água do mar e dos rios. Ambiente com seus
sedimentos provenientes do mar e rios, com o Estuário possuindo substrato
lamoso e macio.
Zonas de Um Estuário
Um Estuário é um sistema, onde podemos encontrar três Zonas
distintas:
·
Zona de Maré dos Rios, que corresponde à parte
fluvial com baixa salinidade, mas ainda sujeita a influência da maré;
·
Zona de Mistura, onde ocorre a mistura da água
doce proveniente da drenagem continental com a água da região costeira
adjacente;
·
Zona Costeira, que corresponde à região costeira
adjacente.
Ecossistemas e Biodiversidade no
Estuário Amazônico
O Estuário Amazônico é berço de
grande biodiversidade, dada à complexidade dos ecossistemas que possui, onde as
populações indígenas, ribeirinhas ou urbanas, viveram historicamente de uma
economia baseada nos seus recursos florestais e aquáticos, aqui presentes e
abundantes em suas dezenas de ilhas espalhadas nas proximidades de sua maior
ilha, a do Marajó (Região das Ilhas do Pará com mais de 2.000 ilhas do Pará ao
Amapá), que causa surpresa e admiração por tantos que por aqui passaram através
dos séculos, pela exuberância da floresta, das águas, das forças e dos seus
movimentos. Próximos à sua embocadura e em todo o Estuário formado pelos rios e
seus afluentes, pelas ilhas, lagos, furos e igarapés, os grupos sociais
espalharam-se, dominaram os territórios e sobreviveram graças aos
conhecimentos empíricos adquiridos
através dos tempos.
Dentre os ambientes que integram
os ecossistemas estuarinos amazônicos, estão os rios, os igarapés, as
florestas, as várzeas, as baías, as ilhas com suas praias, os campos alagados,
todos com suas especificidades ambientais e sociais.
No Estuário a floresta
encontra-se parcialmente inundada, com seus períodos de enchentes e vazantes, e
que determinam os ecossistemas de várzea, manguezais e terra firme. É uma
enorme área composta pelas embocaduras dos rios Amazonas e Tocantins, cuja
biodiversidade apresenta altas taxas de vida marinha e fluvial. É ainda a zona
de contato da água doce com a água salgada, dinâmica importante para a vida no
Estuário, onde os recursos de água doce se alternam com os do mar. A densidade
da ocupação dessa região é pequena e deve-se em especial à proximidade da
cidade de Belém, em torno da qual foram lentamente se organizando a economia e
a sociedade tradicional paraense desde o período colonial, com suas freguesias
rurais, muitas dando origem às cidades ribeirinhas, que é o caso das cidades
das regiões do Tocantins, do Marajó e outras vizinhas ou mais afastadas da
Capital do Pará.
E baseado nessas questões das
águas e terras do Estuário do Tocantins que resolvemos destacar algumas Mesos e
Microrregiões (estes são conceitos recentes) e alguns municípios, que foram e
continuam ser importantes para a história de Abaetetuba/Pa e o Baixo Tocantins,
conforme as pesquisas efetuadas em várias fontes, como dados do IBGE dos anos
de 2008 até 2010 e, pode ser, que a divisão apresentada abaixo, como alguns
conceitos e denominações já tenham até sido modificados, dado o dinamismo das
mudanças em vários aspectos que afeta a vida de algumas Mesos e Microrregiões
do Pará Estimativas do IBGE para 1º de julho de 2009 e outras fontes de
pesquisas na Internet, livros e revistas que tratam do assunto.
Importância da Vegetação Estuarina
Amazônica na Biodiversidade
A vegetação é parte importante da
biodiversidade estuarina amazônica e é um hábito antigo do homem ribeirinho
fazer uso das plantas nas mais diversas atividades. Com o passar do tempo,
acabamos descobrindo que muitos vegetais, além de atenderem às nossas
necessidades básicas de alimentação e de abrigo, podiam também ser utilizados
para curar doenças, fabricar utensílios. Com os avanços tecnológicos, passamos
a usar mais e mais substâncias medicinais vindas dos vegetais, trazendo novas
oportunidades de cura e melhoria da qualidade de vida nas áreas estuarinas amazônicas.
Aspectos da importância da fauna
no equilíbrio dos ecossistemas
A fauna tem importância
fundamental no equilíbrio dos ecossistemas em geral, pois muitos animais são
vitais à existência de muitas plantas, pois estas se constituem no elemento de
procriação e multiplicação das espécies, já que muitos animais são agentes
polinizadores, como no caso dos beija-flores, insetos como borboletas,
besouros, abelhas, etc. E muitos animais são dispersores de sementes, como os
casos de muitos mamíferos e aves como principais disseminadores de sementes e
todos os animais são excelentes agentes adubadores, através de suas fezes e
hábitos alimentares.
Entre alguns ecossistemas do Estuário Amazônico, vale
destacar
·
Mangue, que é um ambiente costeiro, de transição
entre ambientes terrestre e marinho, encontrado apenas em regiões tropicais e
subtropicais. Saiba que o manguezal é um ecossistema complexo e muito
produtivo. Ele está sujeito ao regime das marés, cercado de vegetais típicos
(muitas vezes difíceis ou impossíveis de se criar em cativeiro) aos quais estão
associados a outros componentes animais e variáveis desses ecossistemas. Muitos
animais migram para estas áreas por pelo menos uma fase do ciclo de sua vida e
outros permanecem sua vida inteira nestes locais, como no caso dos crustáceos
amazônicos. O manguezal é um ambiente de baixa salinidade e suporta uma enorme
variedade de animais tanto terrestres, como aquáticos, como: macacos, serpentes
e muitos pássaros que são facilmente encontrados devido à infinidade de
espécies de peixes, caracóis e pequenos crustáceos encontrados que lhes servem
em sua alimentação. Dependendo da região, encontramos peixes exóticos e até
mesmo no lamaçal dos mangues. O Litoral Amazônico, que compreende a foz do Rio
Oiapoque (AP) ao Rio Parnaíba (MA/PI), com alguns trechos extensos, possuindo
largura superior a 100 km e caracterizado por ser lamacento, esse litoral
apresenta área extensa de manguezais e matas de várzeas de marés.
As diversas aplicações da
vegetação estuarina amazônica:
A vegetação estuarina amazônica
tem variadas aplicações na vida das populações, no setor econômico e outros
aspectos. Alguns dos usos dos estoques vegetais ainda são frutos da coleta
predatória desses recursos naturais e outros são de muita utilidade nas
melhorias da qualidade de vida das populações estuarinas e até mundiais, pois
manter de pé as florestas é boa política no uso sustentável dos recursos
florestais e do fornecimento do gás oxigênio responsável pela respiração do
homem e de outros seres vivos e contribuindo na manutenção da harmonia dos
fatores climáticos do planeta Terra.
Os alimentos
vegetais
A maior parte dos vegetais também
serve de alimento para os animais. Milho, arroz, feijão, caju, babaçu,
macaxeira, castanha, amendoim e outras sementes e frutos são alimentos que não
podem faltar em nossa dieta alimentar diária e muitas áreas do Estuário
Amazônico foram usadas nos períodos históricos do Pará na cultura de alguns
desses grãos e na coleta das abundantes frutas amazônicas.
Uso dos vegetais tóxicos na
medicina e como remédios caseiros
São muitas espécies de vegetais
tóxicos espalhadas pelas áreas estuarinas amazônicas e alguns desses vegetais
já eram usados nos antigos processos de captura de pescados pelos rios e
igarapés amazônicos. É chamado de tóxico o vegetal que tem uma substância que
envenena e, atualmente, muitos vegetais tóxicos são usados na medicina e na
veterinária na fabricação de remédios usados na cura de algumas doenças e para
matar insetos, ratos e carrapatos. Como na Amazônia existe uma grande
quantidade de vegetais com diferentes princípios ativos, estes são devidamente
estudados e posteriormente esses fármacos são utilizados para fabricar remédios
e podem ser extraídos de qualquer parte da planta. Já existem muitos exemplos
de vegetais que já fornecem substâncias para a produção de remédios industriais
e uma grande maioria de vegetais que são usados na tradicional medicina caseira
amazônica e no tratamento de muitas doenças e problemas que afetam a saúde
humana.
As Ameaças às Plantas Medicinais
Porém a cultura do uso das plantas como remédios caseiros está ameaçada por diversos fatores. Como sabemos muitas espécies da Flora Amazônica eram amplamente usadas pelas populações ribeirinhas como remédios caseiros,
em conhecimento puramente empírico, com pouco ou nenhum conhecimento científico sobre seu uso como remédios. De concreto se sabe que eram perto de 200 espécies de plantas usadas pelos diferentes povos das áreas
amazônicas como remédios.
A contribuição indígena no uso das plantas medicinais
As populações indígenas há milênios usaram e ainda utilizam as
espécies da flora na cura e tratamento de muitos males que acometiam essas populações.
Porém esse conhecimento empírico das plantas vem se perdendo pela rápida aculturação
a que os povos indígenas são submetidos nas áreas amazônicas. É provável que
muitas espécies de plantas brasileiras tenham uso medicinal ainda desconhecido
e esse conhecimento ainda está ameaçado
pelo desmatamento e pela expansão das terras da agropecuária, que são outros
grandes problemas que vem afetando as florestas amazônicas.
Vide Remédios Caseiros no Blog do ADEMIR ROCHA.
Importância das florestas e algumas aplicações dos estoques dos
recursos naturais florestais do Estuário Amazônico
Aplicações
· . Na alimentação na forma de frutos, raízes,
folhas, caules, que também fornecem farinhas, sucos, doces, etc.
· . Na farmacologia e medicina fornecendo muitos
princípios ativos para a fabricação de medicamentos e muitos produtos
medicinais, especialmente na medicina popular.
· . No vestuário onde muitos tecidos são fabricados
através de fibras vegetais.
· . Na habitação fornecendo madeira, folhas e fibras
para a construção de moradias.
· . Na atividade industrial fornecendo muitas
matérias-primas para a fabricação de papel, móveis, óleos, polpas de frutas,
etc.
· . Na decoração e arborização de áreas, casas,
quintais, jardins.
· . Na indústria de cosméticos e perfumes onde as
essências e produtos vegetais são fartamente usados na fabricação de perfumes e
cosméticos.
. Na indústria naval fornecendo madeira para a
construção de embarcações de madeira, pequenas ou de grandes portes.
Importância e Influências das florestas sobre a Natureza
. As florestas desempenham um papel muito importante na
conservação da natureza, pois elas influem no clima de diversas formas:
·. Impedem que os raios solares incidam diretamente
sobre o solo, tornando a temperatura mais amena.
·. Aumentam a umidade da região por meio da
transpiração das plantas, tornando maior o índice de chuvas.
· . Auxiliam a renovação do ar atmosférico. Durante
a fotossíntese, as plantas liberam oxigênio para o ar atmosférico, retirando
dele o excesso de gás carbônico.
·. Diminuem a velocidade do vento e a incidência
direta da chuva no solo, reduzindo assim a erosão.
·
Além dessas vantagens, as florestas impedem que
a água das chuvas chegue até o solo com muita força e carregue consigo as
substâncias nutritivas da camada superficial. Assim, a flora não só protege o
solo contra a erosão provocada pelas chuvas como a mantém fértil.
A VIDA NO ESTUÁRIO AMAZÔNICO
O Delta Externo do Estuário Amazônico abrange toda a costa dos estados do
Pará e Amapá e forma um complexo ambiente aquático-terrestre, de elevada
produtividade biológica, que sustenta uma grande biomassa de espécies.
Além das espécies de grande importância econômica para a região, o
Estuário Amazônico e a vegetação circundante são considerados como um
“berçário”, visto que abriga e alimenta populações jovens de diversas espécies
de peixes e crustáceos, típicos de águas salobras e marinhas.
Os rios Amazonas e Tocantins deságuam na costa do Estado do Pará, onde
formam a Foz Amazônica. Nessa região, acontece um período chuvoso no primeiro
semestre do ano, de fevereiro a abril, o qual é caracterizado pelo aumento da
descarga dos rios e um período menos chuvoso do ano, entre os meses de agosto a
outubro. No segundo semestre ocorre o período de seca, com menos intensidade de
chuvas, com a consequente aproximação das águas salgadas em relação à costa. Os
períodos de chuvas e secas são fundamentais para a explosão de vida no Estuário
Amazônico.
Como o Estuário é a parte
terminal de um rio ou lagoa que se encontra em contato com o mar, sofrendo
influência das marés e descargas de água doce de terra, possuindo água com mais
sais dissolvidos que a água doce e em menor quantidade de sais que a água do
mar, pode-se dizer que o Estuário,
como ambiente aquático de transição entre um rio e o mar, que sofre a
influência das marés e que, por isso, apresenta fortes gradientes ambientais,
desde águas doces próximos da sua cabeceira, águas salobras, e águas marinhas
próximo da sua desembocadura. As zonas que ficam situadas entre as marés são
geralmente constituídas de várzeas (lama) com suas populações de crustáceos,
peixes, aves e alguns animais mamíferos importantes para o equilíbrio do meio
ambiente. Os mangues são importantes habitats de ostras e os pântanos, são
ótimas zonas para o desenvolvimento de espécies aquáticas, sem contar a
infinidade de espécies de peixes e outras espécies animais nas regiões
costeiras do Estuário Amazônico, incluindo a Costa Atlântica e as costas dos
estuários internos do grande Estuário Amazônico.
·
Produtividade Biológica do Estuário Amazônico
Um aspecto muito importante é
que, devido aos nutrientes que as águas de terra transportam, um estuário é
geralmente uma região com elevada produtividade biológica. No entanto, devido
ser uma região semi-fechada que sofre particularmente os efeitos da poluição
advinda das drenagens sanitárias das cidades e pode, assim, se transformar num
deserto biológico, como já está acontecendo com a Baía de Guajará e demais
corpos d’água que seguem as correntes naturais das marés, que também recebem os
detritos vindos do sistema de saneamento de Belém e demais cidades estuarinas.
Esse fato e as práticas de caça e pesca indiscriminada e predatória, estão
tornando essas águas menos ricas em espécies, haja vista a grande quantidade e
variedade de espécies que os corpos d’água do Estuário Tocantino possuíam nos
tempos mais antigos. A mesma pesca predatória acontece nas costas atlânticas do
Estuário Amazônico.
Delta e estuário podem ser
confundidos como ambientes diferentes, quando na realidade trata-se do mesmo
ambiente.
Os rios Amazonas e Tocantins desaguam no oceano Atlântico na costa norte
do Brasil, entre os estados do Pará e Amapá e esta áreaé chamada de Estuário do
Amazonas, e estende-se na linha de costa destes estados, formando um ambiente
aquático complexo com uma alta produtividade biológica, que suporta uma
biomassa substancial de espécies de peixes exploradas por frotas artesanais e
industriais estabelecidas em ambos os estados. O Estuário Amazônico é
considerado uma das regiões mais produtivas do país e em 1998 estimou-se que
cerca de 40% da produção brasileira de pescado foi originada nesta área. Esta riqueza
fez do local um grande polo industrial de exploração de recursos
pesqueiros. Estudos de 1995 mencionam que as frotas pesqueiras exploraram a
abundância do pescado nas águas interiores, no estuário, na costa e no oceano,
em diferentes períodos do ano.
·
O Sistema Estuarino Como Ambiente
Ecológico
Os estuários apresentam
características ambientais únicas, que resultam em elevada produtividade
biológica, desempenhando papéis ecológicos de grande importância como:
· . É um habitat vital para inúmeras espécies,
· . São pontos de passagem para espécies migratórias
entre o meio marinho e fluvial
· . São áreas geradoras de bens e serviços para as
populações locais.
· . No inverno há uma explosão de produtividade e no
verão existe uma alta taxa de crescimento.
· . É um exportador de nutrientes e matéria orgânica
para águas costeiras adjacentes
· . As águas estuarinas são biologicamente mais
produtivas do que as dos rios e oceano adjacente, apresentando altas
concentrações de nutrientes e estimulando a produção primária.
· . Devido a dinâmica das águas associada à
vegetação de suas margens (mangues), há uma proporção de desenvolvimento
exuberante da fauna, tanto terrestre como aquática, tendo as aves no topo da
cadeia alimentar. E as aves possuem um grande poder de ingestão de outros seres
vivos, como peixes e mariscos, sendo assim, as aves são excelentes
bio-indicadores, mostrando como está a saúde de determinado Estuário. Pela
ausência das inúmeras espécies de aves em pontos do Estuário Amazônico,
acreditamos que esse estuário não está com boa saúde.
·
Fauna de um Estuário
A fauna do
Estuário é abundante e diversificada em espécies. No caso do Estuário
Amazônico, podemos ter uma Fauna comercial primária, entre os quais
podemos citar as ostras, camarões, siris, caranguejos e peixes, mamíferos e os
animais das florestas circundantes.
Renovação das Águas de Um
Estuário
· Um Estuário possui capacidade natural de renovação
periódica e sistemática de suas águas sob a influência das marés, daí a
facilidade de instalações portuárias, comerciais e navais, a abundante
biodiversidade, facilidade para captação de água doce e sua proximidade para as
atividades econômicas e de lazer. Isso faz com que os estuários sejam
receptáculos naturais, não só da drenagem dos afluentes naturais da região
adjacente, como também de substâncias patogênicas do centro urbano, como é o
caso da cidade de Belém e muitas outras cidades do Estuário Amazônico, com o
uso excessivo desses ambientes com finalidade de crescimento, fato que tem
ocasionado um desgaste nos recursos naturais dessas áreas em termos ambientais.
RECURSOS NATURAIS DAS FLORESTAS
DE VÁRZEAS DO ESTUÁRIO AMAZÔNICO E ALGUMAS ATIVIDADES ECONÔMICAS
O conjunto das florestas de
várzea do Estuário Amazônico engloba uma área de
aproximadamente 25.000 km², compreendendo as ilhas do Arquipélago de Marajó e
as margens dos rios que compõem o Estuário
desde sua foz até o Rio Xingu. As várzeas são áreas planas e de baixa altitude,
sendo boa parte sujeita às inundações diárias pela variação da maré que chega a
3,50m em Belém e apenas 0,50m na foz do Xingu. O clima da região é quente.
Inúmeros rios e igarapés formam
uma rede fluvial densa que facilita o acesso por barco a grande parte das
áreas. Vide foto do Estuário
As Florestas de Várzeas do Estuário Amazônico, que antes eram
abundantes em recursos naturais de importâncias econômicas, entre as quais
madeiras, frutas, palmito, lenha, peixes, fibras e borracha e com muitos desses
recursos já esgotados pela grande exploração nos períodos históricos do Pará
(Colonial, Provincial e Republicano) e sem políticas públicas adequadas para a
exploração atual e racional desses recursos que ainda existem em menor
quantidade que em épocas passadas. Apesar de tantas riquezas geradas muitos
aglomerados populacionais do Baixo Tocantins e Marajó são do rol dos mais
pobres da Amazônia.
· As florestas de várzea do Estuário Amazônico
são abundantes em recursos naturais de importância econômica, que no passado
geravam rendas para as famílias e sustentavam a economia dos núcleos
populacionais espalhados pelas áreas do Estuário. Não foi uma exploração
pacífica e racional e, pelo contrário, foi uma exploração predatória que acabou
por reduzir drasticamente esses recursos nessas florestas.
· Como as populações ribeirinhas continuam pobres
como antes, sugerimos a formação de Florestas de Produção em algumas áreas, em
particular de Reservas Extrativistas, que seria a melhor forma de gerar renda
para a população local, sem continuar agredindo os estoques florestais
restantes.
· O sucesso econômico baseado no extrativismo
dependerá da capacidade de explorar sustentavelmente os recursos naturais,
diversificar a produção, produzir com qualidade, bem como da habilidade dos
moradores para o trabalho em associações e cooperativas. Adiante daremos
algumas sugestões de como explorar racionalmente esses e outros recursos que o
Estuário ainda possa oferecer.
Pequeno
Histórico da Exploração dos Recursos Naturais do Estuário Amazônico no decorrer
dos períodos históricos do Pará
A antiga exploração comercial
pelos europeus dos recursos naturais na Planície Amazônica e, especificamente
no Estuário Amazônico, teve início no Século 16 e durante os séculos 17 e 18 o
plantio e processamento da cana de açúcar, do café, bem como a pecuária também
fortaleceram a economia estuarina. E algumas indústrias manufatureiras, usinas
e engenhos se instalaram nas áreas estuarinas, ao lado do extrativismo e das
culturas tradicionais vindas dos povos indígenas e outras introduzidas pelos
colonizadores do Grão-Pará, com destaque para o açúcar, o café, o cacau e
também o plantio de árvores frutíferas vindas das Guianas e Europa que junto
com a pecuária se tornaram importantes atividades econômicas, algumas já a
partir do Século 17. Na Região do Marajó, devido os extensos campos e
campinaranas existentes em várias áreas do desse arquipélago, se desenvolveu a
atividade pecuária que por muitos séculos abasteceram as praças de Belém e
demais praças estuarinas. A partir da 2ª metade do Século 19 veio o mais
importante produto do extrativismo amazônico, a borracha, que determinou o
chamado Ciclo da Borracha, período que determinou o avanço econômico do Pará
nos cenários nacional e internacional e que atingiu remotas áreas amazônicas e,
consequentemente, as diversas áreas do Estuário Amazônico e envolveu uma enorme
quantidade de braços na coleta, preparo, comercialização e exportação da
borracha, atividade que alavancou muitas outras atividades nas localidades e
vias navegáveis da Amazônia. Abaixo elencamos algumas antigas atividades
econômicas e os principais produtos dos períodos históricos do Pará.
·
O EXTRATIVISMO NA AMAZÔNIA
O extrativismo é uma atividade
bem antiga na Amazônia, que começou com pelo extrativismo das “drogas do
sertão” do Período Colonial, chegou ao Período Provincial com o “Ciclo da
Borracha” (este ciclo enriqueceu o Estado do Pará, tornando-o um dos maiores em
poderio econômico do Brasil de então-vide “Ciclo da Borracha”), ciclo que
avançou até o início da Era Republicana, tornando Belém uma das mais ricas e
belas metrópoles do Brasil. As regiões do Baixo Tocantins, Marajó e demais
sistemas deltaicos estuarinos amazônicos participaram ativamente desses períodos do extrativismo,
com Cametá tendo se tornado um dos pólos da concentração comercial antiga,
recebendo os produtos que desciam os rio Tocantins, Amazonas, Xingu e Araguaia
inicialmente através dos antigos botes e escaleres dos tempos provinciais e,
posteriormente, dos antigos navios à vapor das empresas de navegação fluvial,
costeira e internacional que faziam as linhas através do Estuário, que paravam
na cidade de Cametá, e também em outras localidades como Abaeté, Cairary, Moju,
Igarapé-Miri (vapores da navegação fluvial), para fazer o embarque dos produtos
advindos também da Ilha do Marajó e do Baixo Tocantins (Vide os produtos do
extrativismo animal e vegetal do Baixo Tocantins e Ilha do Marajó). Esses
produtos do extrativismo seguiam para abastecer o mercado da Capital, sendo que
a maior parte desses produtos alimentava o intenso mercado exportador de Belém
em direção aos mercados europeus e nortes americanos. Em contrapartida, devido
ás riquezas geradas pelo “Ciclo da Borracha”, o porto da Capital se tornou um
grande ponto de importação dos produtos manufaturados dos mercados da Europa e
Estados Unidos, que serviram na construção e ornamentação de muitas igrejas,
prédios, sobrados e instalações antigas de Belém, Manaus e outras cidades
importantes como Cametá, Bragança, Vigia, Santarém, Moju, Acará, Igarapé-Miri e
outras que ainda guardam os traços da arquitetura barroca e acervos variados de
materiais advindos da Europa e Estados unidos.
·
Decadência
do Extrativismo Animal e Vegetal
Os produtos do extrativismo animal e vegetal também entraram em
decadência pelas atividades irracionais da caça e pesca e extração de outros
produtos advindos das matas e rios da região. Foram intensos os comércios dos
couros de animais silvestres (jacarés, onças, jaguatiricas, lontras, ariranhas,
peles de veados, cobras, capivara, aves e penas de aves, etc), de peixes e
outros animais de água doce (que eram salgados e secados para
comercialização-foi esse processo que extinguiu o peixe-boi, os quelônios e
jacarés do Baixo Tocantins), e das caçadas de animais silvestres (mamíferos,
aves, etc) para uso das carnes na alimentação local.
Então, aí está a importância do Blog do Prof. Ademir Rocha se preocupar
em ajudar a resgatar a história-memória e genealogia
dos municípios do Baixo Tocantins, Marajó e de outras regiões e, quem sabe, com a ajuda de outras pessoas interessadas no assunto,
produzir uma obra escrita que eternize a história-memória e genealogia das
famílias do Baixo Tocantins e Pará inteiro.
·
O Extrativismo Animal e Vegetal no Estuário
Tocantino
Todo estuário é rico em
diferentes ecossistemas e, por conseguinte, rico em diferentes recursos naturais de toda ordem. Entre os
recursos naturais temos a Flora e Fauna do Estuário Tocantino, outrora povoado
de animais e vegetais, muitos dos quais já foram extintos pela irracional caça,
pesca e extrativismo predatórios. Inicialmente, antes da chegada do colonizador
e dos invasores do Delta Tocantino, a Natureza vivia em equilíbrio com seus habitantes
naturais, os índios, que pela abundância de animais e vegetais, não precisavam
depredar o meio ambiente em busca de alimentos e recursos naturais para suprir
suas necessidades. Foi com a chegada dos colonizadores e invasores estrangeiros
que por aqui estiveram ainda nos tempos coloniais do Pará (1616-1753), onde se
iniciaram as grandes matanças de peixes-bois, tartarugas, pescados e muitas
espécies de aves para suprir as tropas guerreiras dos colonizadores ou
invasores estrangeiros e os moradores das localidades que começaram a ser
fundadas desde o início do Período Colonial.
Com a expulsão dos invasores
estrangeiros e a afirmação da colonização no Grão-Pará, os recursos naturais do
Estuário Tocantino vieram fazer parte do regime alimentar dos colonizadores ou
compor no rol dos abundantes recursos naturais exportáveis para a Capital da
Colônia, Santa Maria de Belém do Grão-Pará e desta para os portos da Coroa
Portuguesa.
Os próprios índios das costas
estuarinas passaram a adotar as práticas predatórias dos europeus e também
forçados pelos governantes, missionários ou comerciantes de regatão, que os
levavam às práticas da depredação das “drogas do sertão”, extração de óleos,
banhas ou resinas animais e vegetais e na caça e pesca com métodos predatórios por
envenenamento das águas dos rios e igarapés na captura dos peixes e outros
animais fluviais.
As aves eram caçadas em vista da
comercialização de suas carnes ou penas para uso nas antigas canetas-tinteiros,
o mesmo acontecendo com as espécies de peixes, cujas carnes eram salgadas para
alimentação das populações, tropas militares ou para exportação, inclusive com
a exportação da chamada grude de peixes, que tinha larga aplicação industrial
nos países europeus.
O mesmo se pode dizer da
exploração da borracha, da castanha-do-pará, das peles de animais silvestres,
da madeira e outros produtos que eram explorados nas áreas do Estuário
Amazônico.
Com o advento do Período Imperial
e do Período Republicano, os processos de depredação dos recursos naturais
continuaram agora na forma de exploração das terras do agro-negócio selvagem,
devido a derrubada de extensas áreas de terras, do uso dos recursos
hidroenergético dos corpos fluviais e da continuação predatória da caça e pesca
nociva aos variados ecossistemas do Estuário Amazônico, sem contar a moderna
prática da destruição e poluição dos rios da Amazônia pela drenagem dos
sistemas de esgoto das cidades.
Inclusive aconteceu no Período
Provincial a grande demanda pelas peles dos animais do Estuário Amazônico que
eram exportadas para a Europa e Estados Unidos, especialmente da pele de
veados, onças, jaguatiricas, lontras, ariranhas, jacarés e de algumas espécies
de lagartos de peles vistosas, peles que eram exportadas aos milhares. Muitas
peles voltavam desses centros industriais na forma de calçados, bolsas e outros
produtos da Belle Èpoque e também levados para as trocas do antigo Comércio de
Regatão do Período Provincial e os próprios regateiros é que repassavam essas
peles aos compradores da praça de Belém, para a devida exportação.
·
DROGAS DO SERTÃO
O Extrativismo na Amazônia e,
especificamente no Pará, se iniciou já a partir do início do Século 17 com a
procura pelas chamadas “Drogas do Sertão”, pedras preciosas e ouro através dos primeiros
colonizadores que chegaram ao Grão-Pará. Quando as “Drogas do Sertão” foram
localizadas em áreas estuarinas amazônicas, começou aí a coleta predatória
desses produtos, que já no século 19 estavam com os estoques muito reduzidos
pela prática da coleta predatória de muitas espécies. Algumas “Drogas do
Sertão” localizadas e coletadas pelas áreas estuarinas amazônicas:
. Anil, com coleta vinda desde os tempos coloniais do Pará, entre 1764-1769, nas antigas vilas e localidades do Vale do Xingu.entre 1764-1769, como Porto de Moz, Veiros, Pombal, Souzel.
. Baunilha, droga do sertão com coleta vinda dos tempos coloniais e nos anos de 1860 a árvore baunilheira já estava praticamente extinta pela ação predatória de seus coletores nas terras altas dos rios Pacajás e Anapu.
. Cravo, coleta vinda dos tempos coloniais nas antigas vilas e lugares de Gurupá, São João Batista de Itacuruçá, Santo Ignácio de Aricary, Veiros, Pombal, Porto de Moz entre 1764-176, século 17, citado na década de 1840, 1870, exportado para a Capital e nos anos de 1860 as áreas dos craveiros já estavam em extinção pelos grandes estragos praticados pelos coletores. Em 1864 é citada a extração de cravo nas terras altas dos rios Pacajá e Anapu, fato que determinou o desparecimento dos craveiros das margens desses rios.
. Urucu, usado como tintura ou temperos na alimentação, citado na década de 1840, 1870, e Igarapé-Miri era o maior produtor, e Abaetetuba também com usinas artesanais de processamento de urucu, cultura que não teve continuidade no período provincial do Pará. Era um dos produtos das chamadas “drogas do sertão”. O urucu é citado como gênero da pauta de exportação do período de 1863-1864, porém com sensível queda na sua produção. Em 1873 uma pequena quantidade de urucu (399 quilos) foi exportada para fora do Imperio brasileiro.
. Salsa parrilha (salsa), citada entre 1764-1769 nas antigas vilas e localidades de Porto de Moz, Veiros, Pombal, Souzel e citada na década de 1840, 1870, droga do sertão fartamente explorada pelo extrativismo vegetal dos períodos colonial e provincial e já se encontra praticamente extinta no estuário Tocantino. A salsa é citada como gênero de exportação em 1863-1864, porém com a diminuição da sua quantidade. Em 1873 uma razoável quantidade de salsa parillha (7.836 quilos) foi exportada para fora do Imperio brasileiro.
. Canela, coleta vinda desde o século 16, citada na década de 1840, droga do sertão, como atividade do extrativismo vegetal e a espécie já está praticamente extinta nas áreas estuarinas tocantinas.
. Cumaru
. Rícino
. Puxuri
. Anil, com coleta vinda desde os tempos coloniais do Pará, entre 1764-1769, nas antigas vilas e localidades do Vale do Xingu.entre 1764-1769, como Porto de Moz, Veiros, Pombal, Souzel.
. Baunilha, droga do sertão com coleta vinda dos tempos coloniais e nos anos de 1860 a árvore baunilheira já estava praticamente extinta pela ação predatória de seus coletores nas terras altas dos rios Pacajás e Anapu.
. Cravo, coleta vinda dos tempos coloniais nas antigas vilas e lugares de Gurupá, São João Batista de Itacuruçá, Santo Ignácio de Aricary, Veiros, Pombal, Porto de Moz entre 1764-176, século 17, citado na década de 1840, 1870, exportado para a Capital e nos anos de 1860 as áreas dos craveiros já estavam em extinção pelos grandes estragos praticados pelos coletores. Em 1864 é citada a extração de cravo nas terras altas dos rios Pacajá e Anapu, fato que determinou o desparecimento dos craveiros das margens desses rios.
. Urucu, usado como tintura ou temperos na alimentação, citado na década de 1840, 1870, e Igarapé-Miri era o maior produtor, e Abaetetuba também com usinas artesanais de processamento de urucu, cultura que não teve continuidade no período provincial do Pará. Era um dos produtos das chamadas “drogas do sertão”. O urucu é citado como gênero da pauta de exportação do período de 1863-1864, porém com sensível queda na sua produção. Em 1873 uma pequena quantidade de urucu (399 quilos) foi exportada para fora do Imperio brasileiro.
. Salsa parrilha (salsa), citada entre 1764-1769 nas antigas vilas e localidades de Porto de Moz, Veiros, Pombal, Souzel e citada na década de 1840, 1870, droga do sertão fartamente explorada pelo extrativismo vegetal dos períodos colonial e provincial e já se encontra praticamente extinta no estuário Tocantino. A salsa é citada como gênero de exportação em 1863-1864, porém com a diminuição da sua quantidade. Em 1873 uma razoável quantidade de salsa parillha (7.836 quilos) foi exportada para fora do Imperio brasileiro.
. Canela, coleta vinda desde o século 16, citada na década de 1840, droga do sertão, como atividade do extrativismo vegetal e a espécie já está praticamente extinta nas áreas estuarinas tocantinas.
. Cumaru
. Rícino
. Puxuri
·
As Raízes e Essências Aromáticas
Essências vegetais
. As matas de várzeas e matas de
terra firme do Estuário Amazõnico são ricas em vegetais que fornecem os
chamados óleos essenciais ou óleos voláteis de larga aplicação na indústria de
perfumes e produtos de beleza. Até então o processo utilizado para aquisição
das sementes, cascas, raízes, fibras aromáticas eram feitas através do
tradicional processo da coleta no seio das matas amazônicas nos períodos históricos do Pará. Agora, porém, as
indústrias interessadas já se preocupam com o plantio de espécies aromáticas
que se prestam para o fornecimento dos óleos essenciais. As principais plantas
aromáticas são a amburana, o capim-limão, a canela-silvestre, o babaçu, o pau-rosa
e o caju. As plantas aromáticas por terem sabor e aroma agradáveis são usadas
na fabricação de perfumes e produtos de beleza e também na fabricação de
remédios e até do fumo aromatizado.
Algumas essências vegetais
. Cumaru, citado nas décadas de 1840, 1870, produto do
extrativismo vegetal para obtenção de essência no período provincial e óbtenção
de óleos de cumaru em algumas fábricas da Capital nos anos de 1860.
· . Pau-cravo, essência muito apreciada, descoberto
ainda nos tempos coloniais e exportado para a Europa a partir dos anos de 1660,
em cargas de mais de 10 arrobas por ano e vegetal já praticamente extinta nos
tempos provinciais do Pará.
· . Raízes aromáticas
Extrativismo
da Madeira, Lenha e as Serrarias no Estuário Tocantino:
·
A Madeira
No caso do recurso madeireiro,
também existem sinais de escassez em algumas áreas de várzea do Estuário Tocantino. Por exemplo, em áreas
próximas de Belém, onde a exploração é mais antiga, como nas ilhas tocantinas e
Marajó, os estoques de espécies madeireiras das florestas de várzea estão
praticamente esgotados.
·
A Floresta
e Madeiras do Baixo Tocantins
Uso da madeira
Modernamente a madeira é usada nas
construções, na fabricação de embarcações, na carpintaria e marcenaria (móveis,
embalagens, torneados, cabos de ferramentas), na confecção de materiais
esportivos, de instrumentos musicais e para decoração em geral. Hoje em dia
sabemos que a derrubada de árvores deve ser fiscalizada, pois por causa da
falta de controle, muitas espécies que forneciam madeiras nobres já foram
extintas e outras talvez nem existam mais num futuro próximo.
A celulose
O uso da madeira na produção de
celulose é uma atividade industrial importante e mais recente no histórico do
uso da madeira e consiste no uso da polpa da madeira para a composição do
papel. A celulose é extraída da carnaúba, da timbaúba, do ipê-amarelo, do umbu,
da fruta-de-cutia. Na Amazônia o uso da madeira na produção de celulose tem que
obedecer critérios técnicos e o uso de espécies em que as fábricas possam ter o
manejo adequado na cultura de espécies selecionadas para que não possa
acontecer o comprometimento de extensas áreas desmatadas de florestas nativas
para a implantação de florestas homogêneas, como é o caso das espécies de
madeira que se prestam no fornecimento de madeira para celulose.
Pequeno histórico da exploração da madeira na Amazônia
A madeira desde o Período Colonial do Pará era explorado como um importante produto de comercialização em toda a Amazônia, onde as exportações para Portugal alimentavam o Comércio da região. Estabelecimentos era montados nas cabeceiras dos principais rios amazônicos ou nos arredores de Belém para o tratamento, beneficiamento e armazenagem da madeira para o devido embarque para a Europa. Assim, a madeira, era exportada no Período Colonial junto com o algodão, açúcar, cacau, café, fumo, borracha e outros produtos. A madeira, já no Período Provincial do Pará, continuava a se mostrar um importante produto do comércio, sendo exportada para a Europa e Estados Unidos e até para as províncias do Rio de janeiro, Pernambuco, Maranhão, Ceará e outras, junto com produtos como: algodão, anil, baunilha, açúcar, castanha, óleo de copaíba, azeite de andiroba, cravo, cumaru, óleo de rícino, salsa parrilha, gergelim, tabaco estopa, piaçava, sumauma, puxuri, fibras e outros gêneros, como citados no período fiscal de 1871-1872.
A madeira foi um produto muito explorado e comercializado no Baixo
Tocantins e Marajó, desde o Período Colonial e que, agora, sofre os efeitos da
enorme devastação processada nas matas ribeirinhas e de terra firme por conta
da intensa comercialização e exportação de madeira e, principalmente, pela
derrubada das matas para implantação dos extensos canaviais do ciclo açucareiro
e, posteriormente, da indústria canavieira, além da extração da madeira para a
construção de casas, barracões, pontes, trapiches e da carpintaria naval do
Baixo Tocantins. Os extensos seringais e castanhais da Região Tocantina também
sofreram severo processo de redução, tendo em vista a extração predatória em
milhares de seringueiras e derrubada das castanheiras para a obtenção da polpa
da sua casca, como para a extração da sua madeira ou derrubada para a
implantação do agro-negócio em áreas estuarinas tocantinas.
Como as regiões do Marajó e
Tocantins e toda a região do Estuário Tocantino ofereciam uma incrível
quantidade e variedade de madeira para várias finalidades, o comércio de
madeira-de-lei, lenha e carvão se mostrou muito intenso nessas regiões. Só de
madeira-de-lei eram mais de 200 espécies existentes em abundâncias, que
atendiam as demandas das construções de casas, serrarias e estaleiros da
construção naval do Baixo Tocantins e para exportação.
A madeira-de-lei abastecia a
Capital e grande parte era exportada para os mercados europeus e
norte-americano, a lenha servia para abastecer os navios à vapor, as caldeiras
dos engenhos, os fornos das olarias, padarias e as usinas da capital. A lenha e
também o carvão serviam de combustível nos lares ribeirinhos de todas essas
regiões e também das cidades e localidades
então existentes. Depois de séculos de desmatamentos, inicialmente para
exportação de madeira e demais usos, e depois, a destruição das matas para
abrigar os extensos canaviais da indústria canavieira do Baixo Tocantins, agora
existe a carência dos principais tipos de madeira-de-lei e árvores e arbusto
para a produção de lenha e carvão. Era comum até a década de 1960 se presenciar
nos rios de Abaetetuba as alvarengas de Belém que vinham abastecer seus porões
com centenas de toras de madeira-de-lei e lenha para exportação e para os lares
e caldeiras das fábricas e usinas da Capital. Tudo isso afetou sensivelmente a
flora local, onde o que se vê agora é apenas a existência de uma vegetação
secundária ou terciária, sem a presença de espécimes das árvores de
madeira-de-lei e lenha, outrora abundantes e agora a Região Tocantina é
obrigada a importar madeira de outras regiões do Pará. A falta de
madeira-de-lei apropriada é um dos fatores da atual decadência da Carpintaria
Naval do Baixo Tocantins e Marajó, o mesmo sucedendo com a falta dos demais tipos
de madeira que sustentavam as dezenas de serrarias dessas regiões.
Alguns Tipos
de Madeira-de-Lei
·. Acapu, madeira resistente que vem da árvore acapuzeiro, esta fornecedora de muita sombra devido copa compacta e madeira-de-lei citada na década de 1840,
muito comum nas matas estuarinas tocantinas, largamente exportada para a
Capital, onde possuía diversas aplicações, especialmente no assoalhamento dos
palácios, palacetes e sobrados de Belém e a conhecida cerca de acapu dos
quintais das cidades ribeirinhas e grande parte servia na exportação no Período Provincial do Pará. Na Zona
Tocantina essa madeira tinha as mesmas finalidades de Belém e com outras
aplicações, como na produção das tábuas, dos esteios, esteiotes e achas dos
cercados, devido a grande durabilidade dessa madeira. Uma casa construída com
esteios e tábuas de acapu durava muitas décadas. Quando as toras de acapu eram
conservadas embaixo da terra, duravam ainda mais que o acapu que não sofria
esse processo de conservação e durabilidade. Os porões das alvarengas vindas do
Porto de Belém carregaram muitos troncos e madeira beneficiada de Abaetetuba e
de toda a Zona Tocantina. Agora o acapuzeiro encontra-se em vias de extinção.
. . Acapurana, madeira de árvore da família do acapuzeiro.
. . Abiurana, madeira muito usada na construção de casas e na construção civil.
. . Acariquara
. . Acuri
. . Ameselão
.. Anani, madeira que vem das árvores chamadas ananinzeiros, com duas variedades.
. . Acapurana, madeira de árvore da família do acapuzeiro.
. . Abiurana, madeira muito usada na construção de casas e na construção civil.
. . Acariquara
. . Acuri
. . Ameselão
.. Anani, madeira que vem das árvores chamadas ananinzeiros, com duas variedades.
. Andiroba, madeira extraída das árvores chamadas andirobeiras, que além da madeira, tem outras utilidades como o fornecimento do azeite de andiroba (é um óleo) com variada aplicação na medicina caseira amazônica e essas árvores já se encontram em vias de extinção no Estuário Tocantino.
· Angelim, madeira que vem da árvore chamada angelinzeiro e existentes em 3 variedades da madeira angelim: angelim liso, angelim-pedra e angelim vermelho, madeira muito usada na construção de casas.
· . Araracanga
·. Armim, madeira existente no Baixo Tocantins e
Marajó, citada em 1864 nas florestas de Portel, no Marajó.
. . Ataná, madeira que vem da árvore atanazeiro.
. . Ataná, madeira que vem da árvore atanazeiro.
. . Bacuri, madeira extraída da árvore bacurizeiro, que além da madeira fornece o delicoso fruto bacuri, este muito utilizado no preparo de sorvetes na Amazônia.
. . Baobá, madeira que não é de uma árvore originária da Amazônia, mas que se adapta ao solo amazônico e fornece madeira. O Baobá veio da África junto com os escravos africanos dos períodos colonial e provincial do Pará. Além da madeira o baobá acumula água em seu tronco.
. . Breu-branco, madeira que vem da árvore breeiro.
.. Burajuba, que era madeira forte, resistente até ao fogo sem rachar e que antigamente era muito utilizada para construir as canoas em madeira, Já está extinta no Baixo Tocantins.
. . Carapanaúba branca
. . Castanha-do-Pará, que também fornece madeira-de-lei e sua semente era intensamente exportada desde o período colonial do Pará para ser usada como alimento e como matéria-prima de produtos industrializados. O período de vida de uma castanheira é de 1000 anos de vida e ela é considerada como a árvore Rainha da Floresta por seu porte e diâmetro gigantesco. Essa árvore já se encontra em vias de extinção no Baixo Tocantins e demais áreas de intensa agropecuária no Estado.
· . Cedro, madeira que vem das árvores de grande porte chamadas cedreiros, em duas variedades, o cedro vermelho e o cedro branco, madeira-de-lei citada na década de 1840,
muito comum nas matas do Estuário Tocantino e, como as demais madeiras-de-lei,
era largamente usadas na pauta de exportação da Província e Estado do Pará e usada na indústria moveleira. Já está em vias de extinção no Estuário Tocantino.
. Cedrinho, é uma espécie de cedro, sendo árvores de pequeno porte.
. Cedrinho, é uma espécie de cedro, sendo árvores de pequeno porte.
· . Copiuba
. . Cumaru, é uma madeira de cor amarelada, forte, considerado mais forte que o acapu e é muito pesada. O âmago do tronco do cumaru é de cor preta azulada e existe em outras variedades.
. Cumaru-de-cheiro, é fornecedora da semente cumaru, esta usada como essência na produção de perfumes, sabonetes, comésticos e outras aplicações industriais.
. Cumatê, é uma madeira existente em variedades, sendo o mais usado o cumatê branco
. . Fava, madeira que vêm das árvores faveiros e que fornecem a madeira fava, sendo a mais consumida a chamada fava arara.
. Garapeira
. . Cumaru, é uma madeira de cor amarelada, forte, considerado mais forte que o acapu e é muito pesada. O âmago do tronco do cumaru é de cor preta azulada e existe em outras variedades.
. Cumaru-de-cheiro, é fornecedora da semente cumaru, esta usada como essência na produção de perfumes, sabonetes, comésticos e outras aplicações industriais.
. Cumatê, é uma madeira existente em variedades, sendo o mais usado o cumatê branco
. . Fava, madeira que vêm das árvores faveiros e que fornecem a madeira fava, sendo a mais consumida a chamada fava arara.
. Garapeira
· . Freijó, árvore de madeira-de-lei já em vias de extinção no Baixo Tocantins.
. Geniparana, madeira muito utilizada pelos povos indígenas na confecção de flexas e que também fornece frutos comestíveis parecidos com a da castanheira.
. Goiabarana-da-mata
. Guajará
. Geniparana, madeira muito utilizada pelos povos indígenas na confecção de flexas e que também fornece frutos comestíveis parecidos com a da castanheira.
. Goiabarana-da-mata
. Guajará
. . Gurajuba, que é uma madeira resistente e muito usada na construção de vários tipos de embarcações.
· . Ipê árvore fornecedora de madeira-de-lei existente em várias variedades e que se distingue pela vaiedades das floradas, sendo os mais conhecidos o ipê amarelo e o ipê branco.
. Itaúba, madeira existente no Baixo Tocantins, Marajó, Baixo Amazonas e outras áreas estuarinas amazônicas, citada em 1864 nas florestas de Portel, no Marajó. É um tipo de madeira muito usada na carpintaria naval na fabricação das pequenas embarcações amazônicas.
. . Jacaré
. Jacarandá
. Jacarerana
. Jacareúba
. Itaúba, madeira existente no Baixo Tocantins, Marajó, Baixo Amazonas e outras áreas estuarinas amazônicas, citada em 1864 nas florestas de Portel, no Marajó. É um tipo de madeira muito usada na carpintaria naval na fabricação das pequenas embarcações amazônicas.
. . Jacaré
. Jacarandá
. Jacarerana
. Jacareúba
· . Jacarandá
. Jarana
. Jarina
. Jatobá
. Jarana
. Jarina
. Jatobá
· . Jenipapo, madeira existente no Baixo Tocantins e
Marajó, citada em 1864 nas florestas de Portel, no Marajó.
. Jereua
. Jutaí, madeira que vem da árvore jutaizeiro e que também possui frutos comestíveis.
. Louro, cuja árvores possuem folhas que brilham ao sol e existe em algumas variedades: louro faia, louro vermelho, louro branco.
. Jereua
. Jutaí, madeira que vem da árvore jutaizeiro e que também possui frutos comestíveis.
. Louro, cuja árvores possuem folhas que brilham ao sol e existe em algumas variedades: louro faia, louro vermelho, louro branco.
· . Macacahuba, madeira que vem da árvore macacaubeira.
. . Mahuba
. . Mahuba
· . Maparajuba
. . Mangabarana
. . Mangabarana
· . Marupá
. Marapaúba
. Maracuatiara
. Marupá, madeira que vem da árvore marupazeiro e que era muito usada nas indústrias moveleiras e já está em vias de extinção no Baixo Tocantins.
. Marupaúba, é uma variedade do marupá.
. Marapaúba
. Maracuatiara
. Marupá, madeira que vem da árvore marupazeiro e que era muito usada nas indústrias moveleiras e já está em vias de extinção no Baixo Tocantins.
. Marupaúba, é uma variedade do marupá.
· . Massaranduba, madeira que vem da árvore massarandubeira e que, além de fornecer excelente tipo de madeira-de-lei, tem múltiplas aplicações:
usada como madeira-de-lei na construção de casas; fornecedora de leite usado
como revigorante físico e o fruto é comestível. Índios e ribeirinhos derrubavam
as grandes árvores de massaranduba apenas para aproveitar o leite e frutos. As toras de massaranduba chegavam a alcançar até 35m, dado a grande altura dessa árvore que devia chegar até 50, 60m de altura e tronco com até 6m de circunferência, era pois uma portentosa árvore das florestas amazônicas que agora se encontra escassa e em vias de extinção.
. . Matamatá, que é uma árvore de grande porte que fornece uma madeira de cor amarelada e fornece um fruto que é muito usado como isca de caças e esses frutos são naturalmente comida do roedor chamado paca. Sua forte madeira era muito usada na construção de trapiches, por serem resistentes à ação da água dos rios e igarapés e ainda fornece um tipo de envira (fibra) muito usada na confecção de objetos de uso caseiro.. Mogno, é uma espécie de cedro especial chamado cedro mogno, cuja madeira especial era muito exportada para a Europa e EUA a partir do período colonial do Pará.
. Monguba
· . Muirapinima, madeira existente no Baixo
Tocantins e Marajó. Em 1864 as florestas do distrito de Portel, no Marajó, eram
ricas desse tipo de madeira.
· . Muirapiranga
· . Muiracatiara
. Murumuru
. Parapará
. Paricá, árvore de madeira-de-lei que só ocorre em áreas de várzeas e já estão em fase de extinção no Baixo Tocantins.
. Parinari, madeira que vem de uma árvore que chega a atingir até 80 palmos e que cresce nas áreas de várzeas e era muito utilizada na construção das quilhas de embarcações.
. Pau-de-bezerro, árvore de madeira-de-lei de tronco fino e alto e de folhas grandes e que dá frutos comestíveis e é usada no tratamento de câncer na medicina caseira. Essa árvore, em certa fase da vida, morre e dá filhotes perto do tronco morto
. Pau-d'arco, madeira cuja árvore chegava aos 35m de altura.
. Pau-de-bicho
. Pau ferro
. Pau-rosa
. Pau-marfim, madeira existente no Baixo Tocantins e no Marajó, citada em 1864 nas florestas do distrito de Portel, no Marajó.
. Pau mulato, que era comum nas ilhas e estradas de Abaetetuba devido a facilidade de fornecer mudas.
. Murumuru
. Parapará
. Paricá, árvore de madeira-de-lei que só ocorre em áreas de várzeas e já estão em fase de extinção no Baixo Tocantins.
. Parinari, madeira que vem de uma árvore que chega a atingir até 80 palmos e que cresce nas áreas de várzeas e era muito utilizada na construção das quilhas de embarcações.
. Pau-de-bezerro, árvore de madeira-de-lei de tronco fino e alto e de folhas grandes e que dá frutos comestíveis e é usada no tratamento de câncer na medicina caseira. Essa árvore, em certa fase da vida, morre e dá filhotes perto do tronco morto
. Pau-d'arco, madeira cuja árvore chegava aos 35m de altura.
. Pau-de-bicho
. Pau ferro
. Pau-rosa
. Pau-marfim, madeira existente no Baixo Tocantins e no Marajó, citada em 1864 nas florestas do distrito de Portel, no Marajó.
. Pau mulato, que era comum nas ilhas e estradas de Abaetetuba devido a facilidade de fornecer mudas.
· . Pau santo
· . Pau amarelo
· . Pau roxo
· . Pau d’arco, com toras de até 30m vindo de árvores de até 50m de altura e circunfer~encia de 5m de diâmetro e que foi largamente exportata a partir do período colonial do Pará.
· . Pau setim, madeira existente no Baixo Tocantins
e Marajó, citada em 1864 nas florestas de Portel, no Marajó.
. Paxiuba, madeira-de-lei que vem da árvore paxiubeira.
. Pérola
. Piquiá, madeira extraída da árvore piquiazeiro, com flores amarelas, que era abundante no Baixo Tocantins e Marajó, muito usada na Carpintaria Naval como madeira que sustenta o forro dos cascos de embarcações, cujos frutos é comida natural de veados nas florestas e a espécie já está em vias de extinção no Baixo Tocantins, citada em 1864 nas florestas do distrito de Portel e Marajó em geral.
. Quariquara, madeira-de-lei cujo tronco é cheio de reentrãncias em toda a sua extensão e sua madeira serve como esteios na costrução de casas.
. Quaruba, madeira-de-lei que vem da árvore quarubeira e que serve no fornecimento de tábuas e pernamancas na construção de casas.
. Paxiuba, madeira-de-lei que vem da árvore paxiubeira.
. Pérola
. Piquiá, madeira extraída da árvore piquiazeiro, com flores amarelas, que era abundante no Baixo Tocantins e Marajó, muito usada na Carpintaria Naval como madeira que sustenta o forro dos cascos de embarcações, cujos frutos é comida natural de veados nas florestas e a espécie já está em vias de extinção no Baixo Tocantins, citada em 1864 nas florestas do distrito de Portel e Marajó em geral.
. . Piquiarana, madeira da família do piquiá com flores vermelhas.
. Pracaxi, madeira-de-lei que vem da árvore do pracaxizeiro.
. . Pracuhuba, madeira que vem da árvore pracahubeira.. Pracaxi, madeira-de-lei que vem da árvore do pracaxizeiro.
. Quariquara, madeira-de-lei cujo tronco é cheio de reentrãncias em toda a sua extensão e sua madeira serve como esteios na costrução de casas.
. Quaruba, madeira-de-lei que vem da árvore quarubeira e que serve no fornecimento de tábuas e pernamancas na construção de casas.
· . Saboarana, madeira existente no Baixo Tocantins
e Marajó, citada em 1864 nas florestas de Portel, no Marajó.
. Samaúma, madeira que vem das gigantescas árvores samaumeiras e com duas variedades, uma mais alta e outra mais baixa.
. Sapucaia, é uma castanheira cuja madeira tem aplicações na construção civil e outros ramos da indústria madereira, além do aproveitamento de suas sementes na alimentação, onde estes vem dentro de um ouriço com tampa.
. . Seringa, madeira que vem da árvore seringueira e que também fornece o látex para a fabricação da borracha e uso do leite da seringa era usado na medicina caseira.
. Samaúma, madeira que vem das gigantescas árvores samaumeiras e com duas variedades, uma mais alta e outra mais baixa.
. Sapucaia, é uma castanheira cuja madeira tem aplicações na construção civil e outros ramos da indústria madereira, além do aproveitamento de suas sementes na alimentação, onde estes vem dentro de um ouriço com tampa.
. . Seringa, madeira que vem da árvore seringueira e que também fornece o látex para a fabricação da borracha e uso do leite da seringa era usado na medicina caseira.
· . Sucupira
. Tamanca, madeira que vem da árvore tamanqueiro.
. Tamaquaré
. Tambori
. Tanã, que vem em variedades, como o tanã roxo devido folhas de cor roxa.
. Tamanca, madeira que vem da árvore tamanqueiro.
. Tamaquaré
. Tambori
. Tanã, que vem em variedades, como o tanã roxo devido folhas de cor roxa.
· . Tatajuba
. Tauari
. Taxi, que vem da árvore taxizeiro que se caracteriza pela presença da pequena formiga taxí, de ferroada muito doída e persistente.
. . Ubá
. Ucuúba, madeira que vem da árvore ucuubeira e que é muito usada como madeira de refugo nas construções de casas de alvenaria e árvore que também fornece o leite de ucuúba muito usado na medicina caseira.
. Ucuubarana, da mesma família da ucuúba
. Umiri
. Uxi, madeira que vem da árvore uxizeiro cujos frutos são cosmetíveis.
. Uxirana, árvore da família do uxizeiro
. Viqueiro, madeira que vem de uma planta cujo odor do sumo é como o do conhecido remédio vick-vaporub.
. Virola, madeira que vem da árvore viroleira que ocorre nas florestas de igapós.
. Tauari
. Taxi, que vem da árvore taxizeiro que se caracteriza pela presença da pequena formiga taxí, de ferroada muito doída e persistente.
. . Ubá
. Ucuúba, madeira que vem da árvore ucuubeira e que é muito usada como madeira de refugo nas construções de casas de alvenaria e árvore que também fornece o leite de ucuúba muito usado na medicina caseira.
. Ucuubarana, da mesma família da ucuúba
. Umiri
. Uxi, madeira que vem da árvore uxizeiro cujos frutos são cosmetíveis.
. Uxirana, árvore da família do uxizeiro
. Viqueiro, madeira que vem de uma planta cujo odor do sumo é como o do conhecido remédio vick-vaporub.
. Virola, madeira que vem da árvore viroleira que ocorre nas florestas de igapós.
No exercío fiscal de 1871-1872 a madeira se mantém como um importante produto que alimenta o comercio comércio exterior no Pará, com um índice inferior apenas às exportações de algodão, açúcar, cacau, café, fumo e borracha, fato que confirma a importância do produto na atividade comercial da Província.
A quantidade de madeira era
vendida por peças, dúzias ou metro cúbico conforme os tipos de peças. O
comércio de madeira no Pará começou a ser incrementado a partir da decadência
da produção da borracha da Amazônia.
Alguns
períodos fiscais
·
1911 com a entrada em Belém de 33.664 peças e
dúzias
·
1912 com 309 toneladas de madeira
·
1924 com a entrada de 280.955 peças, assim
distribuídas e que correspondem a 77.212 toneladas de madeira (crescimento em
mais de 200 vezes em relação com 2012):
69.813 toras de madeira
150.485 vigas e pranchas
60.657 dúzias de táboas e ripas
·
Municípios maiores produtores de madeira para
exportação no triênio de 1914-1916 e anos posteriores:
A exportação da madeira do Pará
se iniciou verdadeiramente a partir de 1916 e com apenas os seguintes
fornecedores de madeira em ordem crescente de produção: Belém, Acará, S.
Domingos, Moju e Abaeté, sendo que produziram no triênio de 1911-1913 99,5% de
toda a madeira do Pará e com incremento da produção com a entrada na produção
de outros município nos anos seguintes. Em 1924 já eram 32 os municípios
fornecedores de madeira para exportação e todos vizinhos à Belém. A produção da
madeira em Belém e Acará foi declinando, ano a ano, de 51,8 % a 6,4% pela
redução dos estoques, enquanto aumentava a sua produção em outras regiões. A
Região das Ilhas do Estuário Tocantino começou a se destacar na produção de
madeira a partir de 1924 com 37,4% da produção no Estado. Em seguida veio a
região do sistema deltaico estuarino de Acará-Guamá-Moju-Foz Tocantina com
33,2% e Belém ficou em 3º lugar com 24% da produção de madeira.
·
Belém com 55,7% no triênio 1914-1916, porém com
descréscimo no ano de 1924
·
Breves com 286 toras de madeira em 1916 e no ano
de 1924 chegou aos seguintes resultados, correspondente a 16,4% nas exportações
desse ano:
8.073 toras de madeira
36.303 vigas e pranchas
435 dúzias de táboas
·
Curralinho com 14,6 em 1924
Municípios
Fornecedores de Madeira em 1924
1.
Belém com 24,3%
2.
Breves com 16,4%
3.
Curralinho com 14,6%
4.
Moju com 11,2%
5.
Acará com 6,4%
6.
S. Domingos com 3,1%
7.
Abaeté com 4,5%
8.
Ourém com 1,4%
9.
Monte alegre com 3,2%
10.
Guamá com 3,2%
11.
Macapá com 1,7%
12.
Irituia com 1,5%
13.
Muaná com 1,4%
14.
Ourém com 1,4%
15.
Mazagão com 1%
Tipos de
madeiras beneficiadas exportadas para a Capital
· . Madeira em bruto (toras, pranchas e vigas)
· . Madeira aparelhada
· . Madeira beneficiada (táboas, ripas e
pernamancas)
. Madeiras aparelhadas e beneficiadas:
. Madeiras aparelhadas e beneficiadas:
· . Esteios, sendo Belém o maior fornecedor com 91%
· . Toras e vigas, com 48,6% e 49,5% vindos da
Região das Ilhas do Pará (Estuário Tocantino).
· . Toras de madeira esquadriadas à serra ou machado
. Pranchas e vigotas, vindos da região de Acará com 47,5% e 53,9% respectivamente
. Pranchas e vigotas, vindos da região de Acará com 47,5% e 53,9% respectivamente
· . Dormentes vindos de Curralinho com 53,1% de até
2,60m, 2,80m
· . Táboas, ripas e pernamancas (madeira
beneficiada) contadas em dúzias com Belém com 51,4%, 90,5% e 65,6%,
respectivamente.
A madeira aparelhada se destinava à marcenaria, carpintaria, tanoaria, construção naval, etc.
A madeira aparelhada se destinava à marcenaria, carpintaria, tanoaria, construção naval, etc.
·
O Estuário Tocantino (Região das Ilhas do Pará)
no contexto da produção de madeira
Tendo a indústria da borracha
entrado em decadência irreversível depois de 1917 a luta pela sobrevivência
obrigou os habitantes da Região das Ilhas a procurar outras atividades
econômicas que viesse suprir suas necessidades. E entre essas atividades estava
a exploração da madeira, uma vez que essa região estava próxima ao Porto de
Belém. Breves e Curralinho começaram a se dedicar intensivamente a esse negócio
que se mostrava lucrativo e muita madeira em toras, pranchas e vigas (madeira
bruta) começaram a ser enviadas para a Capital.
O município de Moju começou
também a se dedicar ao comércio de madeira, ao contrário de Acará que ia perdendo
a sua primazia na exploração da madeira depois de 1917.
·
A Carpintaria Naval e o Uso da Madeira
A Carpintaria naval é uma antiga
atividade que chegou a possuir mais de 30 estaleiros para a construção naval só
em Abaetetuba e outros tantos em Igarapé-Miri, Barcarena, Cametá, Marajó, cujos
carpinteiros navais ficaram famosos no Pará pela construção de grandes, médios
e pequenos barcos e de modo intuitivo, artesanal, que aproveitava o grande
potencial madereiro do Baixo Tocantins, Arquipélago do Marajó e outras regiões
circunvizinhas e que, atualmente, a Carpintaria Naval se encontra quase
extinta, devido falta da matéria-prima, a madeira adequada, e outras causas.
Atualmente só existem alguns poucos estaleiros da carpintaria naval, tanto em
Abaetetuba quanto em Igarapé-Miri, Barcarena e Marajó.
Em 1864 no Marajó, município de
Portel, é citado o Estreito do Anapu com um grande estaleiro para construção de
barcos, canoas e escaleres e aproveitando o potencial madeireiro dessa
localidade.
Alguns tipos de barcos
construídos nos estaleiros do Estuário Tocantino: canoas pequenas, montarias,
bajaras, canoas à vela, iates, barcos-motores, navios e barcos específicos:
pesqueiros, geleiros, boiadeiros e outros. Atualmente existe a fabricação dos
pequenos barcos chamados rabetas e com a madeira vinda das florestas de outras
regiões circunvizinhas à Zona Tocantina. Vide nestes textos esses tipos de
embarcações.
·
A
Extração e Uso da Lenha e Carvão das Matas de Várzeas e Florestas Estuárinas
Lenha, esta foi usada desde os tempos imemoriais do Pará e, também
sofreu grande exploração na fase das embarcações, usinas e engenhos movidos á
vapor de lenha. O comércio de lenha é citado na década de 1840, produto
derivado de uma série de árvores e arbustos das várzeas e matas de terra firme,
em atividade de extrativismo, largamente comercializada em todos os períodos da
história, para alimentar fogões à lenha, fornos de olarias, caldeiras de
engenhos e usinas, caldeiras de embarcações à vapor de lenha, fornos de
padarias, etc.
Carvão, produto derivado de uma
série de árvores e arbustos usados nas chamadas “caieiras”, que eram estruturas
que produzia o carvão utilizado largamente nos períodos colonial, provincial e
republicano, nos fogões à carvão, ferros de passar, até o advento dos fogões e
ferros elétricos, já nos anos de 1960. O carvão foi e continua sendo
intensamente produzido e utilizado nos assados de diversos tipos na culinária
paraense. Atualmente existem muitas carvoarias clandestinas que continuam a
produzir toneladas de carvão para serem utilizadas nas siderúrgicas que estão
sendo implantadas no Sul e Sudeste do Pará.
EXTRATIVISMO DO LÁTEX NO ESTUÁRIO DOTOCANTINS E DEMAIS FLORESTAS AMAZÔNICAS
·
A Borracha:
A borracha foi o produto de maior importância econômica da Amazônia, nas
décadas finais do século 19 e iniciais do século 20, quando as rendas vindas da
extração do látex de seringueiras nativas se tornou o sustentáculo das
economias do Pará, Amazonas, quando Belém e Manaus se tornaram os grandes
centros exportadores da borracha da Amazônia, gerando imensas riquezas na
exportação maciça desse produto para os portos dos EUA e Europa, em processo
comercial que foi até o abalo ou crise que se estendeu até a década de 1920,
onde o Pará saiu do rol das grandes economias dos estados brasileiros e
despencou para a situação de penúria que perdurou por várias décadas dos
Períodos Provincial e Republicano do Pará. Essa crise foi provocada por vários
fatores, sendo que as fraudes na produção de borracha na Amazônia e a
concorrência com a borracha de países asiáticos do domínio da Coroa Inglesa
foram fundamentais nessa derrocada de
nosso principal produto de exportação do extrativismo na Amazônia. Por esse
motivo imensos seringais foram abandonados ou deram lugar a outras culturas, como
foi o caso das “estradas de seringa” de Abaeté e Igarapé-Miri, que deram lugar
à cultura da cana-de-açúcar no Baixo Tocantins. A coleta da seringa continuou
em alguns lugares, porém sem a pujança do passado. A fabricação da borracha ou goma elástica que
produziu lucros fabulosos, foi determinante para a decadência da agricultura
tradicional da província, que mais tarde, sentirá a falta de braços devido a
febre da riqueza fácil que tomou de assalto os habitantes das localidades, sem
contar que boa parte desses braços que se lançaram na coleta da borracha foram
dizimados pelas febres palustres que eram endêmicas nas regiões dos seringais
da Amazônia. Diante desses fatos é que os governantes traçaram os planos da
imigração em massa de brasileiros de outros rincões brasileiros e de
estrangeiros que queiram vir explorar os abundantes recursos naturais da
Amazônia e também trabalhar nas tradicionais culturas da Província e na
indústria fabril que também se ressentiu da perda de braços para a indústria da
goma elástica que também tirou trabalhadores das fábricas de Belém e das
localidades produtivas da Província.
Outro fator a considerar na indústria da borracha foi o do comércio da
praça de Belém e outras praças mais consistentes da Província que tinham
prosperado rapidamente com os lucros auferidos pelos segmentos da cadeia dessa
indústria, mas que também vieram a sofrer as consequências da crise pela qual a
borracha começou a passar já a partir do início dos anos de 1870, quando os
fabricantes da goma elástica começaram a desperdiçar seus ganhos em consumos
desproporcionais e desnecessários em despesas que íam além de seus haveres e
recursos, deixando os seus credores das praças de Belém e demais cidades, como
penhor de seus gastos, apenas as suas palhoças e algumas estradas abandonadas
de seringa. A ruína dos produtores de borracha acarretou também a ruína dos
comerciantes que lhes tinham fiados grandes quantidades de gêneros e materiais
usados nas épocas da colheita da seringa.
·
A Origem da Produção de Borracha e os Tipos de
Seringueiras da Amazônia:
A borracha já era conhecida e utilizada pelos grupos indígenas da Amazônia há muitos séculos. A goma do látex
provinha de uma série de seringueiras como o caucho (Castiloa ulei), a balata
(Chysophyllum balata) e a seringa (Hevea brasiliensis), que eram as principais
fornecedoras do látex e ainda: a sorva (Couma utilis), a mangaba (Harnicornia
speciosa) e a maçaranduba, que eram plantas com goma com várias aplicações na
cultura indígena dos povos amazônicos e, após, dos povos ribeirinhos
resultantes da colonização.
·
O Uso
da Borracha pelo Homem Branco:
No meio ribeirinho amazônico a
borracha já era conhecida desde o ano de 1825, também com aplicações caseiras
variadas. Seu extrativismo através dos caboclos ribeirinhos é citado nas
décadas de 1840, 1850, 1860, 1870, quando a borracha produzida era usada para
confeccionar calçados rústicos de borracha, inclusive para a exportação. No Pará a borracha é citada no ano de 1840
para fazer calçados de borracha pelo processo de defumação de camadas de
borracha.
Em 1762 o homem branco europeu conseguiu descobrir o processo de
vulcanização da borracha, processo que permitiu o início do uso industrial
desse produto. Com o uso dessa tecnologia em 1803 se instalou uma fábrica de
borracha nos arredores de Paris, para a produção de ligaduras elásticas para
suspensórios e ligas para as meias de senhoras e, desse modo, a borracha passou
a ser usada em uma série de aplicações industriais que vieram revolucionar
importantes setores industriais, como a produção de pneus de borracha nos
antigos veículos automotivos das fábricas dos EUA.
Com a introdução da navegação à vapor na Amazônia a borracha passou a
ser mais intensamente comercializada a partir dos anos de 1870, quando o
transporte de cargas e passageiros foi enormemente incrementado e facilitado
pelo vasto interior amazônico e também os vapores das linhas estrangeiras que
que levavam a borracha amazônica para os portos dos EUA e da Europa, com
intenso movimento da navegação fluvial, costeira e marítima na Amazônia e Pará,
até o período da crise da borracha, quando a navegação no Pará entrou em
irreversível decadência, prejudicando centenas de localidades que ficaram com
dificuldades de transporte e escoamento das diversas produções comerciais. As
melhorias da navegação fluvial no Estuário Tocantino só vieram com o advento
dos navios do extinto SNAPP e de empresas particulares a partir dos anos de
1930 e pela consolidação das centenas de estaleiros da Carpintaria Naval na
Amazônia, especialmente no Baixo Tocantins e Marajó que fabricaram milhares de
embarcações na época da fartura de madeiras resistentes e nobres do Estuário.
·
Áreas
Produtoras de Borracha na Amazônia e Pará:
O Baixo Tocantins, com exceção de Cametá, não era um grande produtor de
borracha, perdendo em muito para a produção da região do Alto Tocantins, Xingu,
Baixo Amazonas, Marajó, porém os capitalistas de Cametá, Abaetetuba,
Igarapé-Miri compravam as produções das diversas localidades, especialmente do
Marajó e, esse comércio, se não enriqueceu os capitalistas do Baixo Tocantins,
pelo menos serviu como produto de trocas do ciclo do Comércio de Regatão de
Abaetetuba e igarapé-Miri. A borracha do Estuário Tocantino tinha como
um de seus centros de exportação a cidade de Cametá, que recebia a produção
vinda da Ilha do Marajó, Zona Tocantina e outros centros produtores, cujos
estoques abasteciam os navios vapores das linhas de navegação que eram
contratadas pelos governos provinciais do Pará para fazer esses carregamentos,
como também de outros produtos do extrativismo e transporte de pessoas na Bacia
Tocantina e rios da Amazônia.
Nas localidades do Estuário
Tocantino as seringueiras começaram a sofrer um processo de diminuição das
árvores fornecedoras do látex, em consequência do uso de incisões contínuas e
pela prática do “arrocho”, que consistia no estrangulamento das seringueiras,
para delas extrair todo o seu suco. Os comerciantes de Borracha do Baixo
Tocantins, pela escassez da borracha na 1ª metade do Século 19, vão procura-la na
Região do Marajó, especialmente nas Ilhas de Breves e Macapá que são desde as
primeiras décadas desse século o reino dos seringueiros da Amazônia.
O Marajó é citado em 1858 com
muita coleta de seringa na então Ilha Grande de Joanes e como grande fornecedora
de borracha no comércio da goma elástica na Província do Pará. Também é citado
em 1864, onde as várzeas do Anapu, Pacajás e nas Ilhas de Melgaço abundam as
seringueiras nativas. Porém nenhum distrito poderia competir com o de Breves,
onde a borracha é o principal produto do comércio dessa localidade e todas as
demais atividades giravam em torno da borracha: trabalho, indústria, negócios e
vida dos habitantes. Em 1864 os distritos de Portel, no Marajó exportaram 3.500
arrobas de borracha e o distrito de Melgaço exportou 3.000 alqueires no mesmo
ano.
O município de Macapá, citado
como grande fornecedor de borracha em 1860.
·
Tipos de Borracha:
Eram vários os tipos de borracha
produzidos, como a borracha fina, grossa e sernamby citadas na exportação de
1861 a 1862 e 1863-1864, sendo que a borracha fina já era o principal gênero de
exportação desses peíodos fiscais.
·
Borracha fina
·
Borracha entrefina
·
Borracha grossa
·
Borracha sernamby
Abaetetuba, Cametá e Igarapé-Miri
e outros municípios do Baixo Tocantins também tinham participação no lucrativo
comércio da borracha, através de suas “estradas de seringa” (seringa era a
expressão usada pelos caboclos para o látex da seringueira) que era um negócio
de pequena produção, mas de grandes compensações financeiras.
·
Processos Predatórios da Extração do Látex:
Pela ambição de muitos
seringueiros na extração do látex das seringueiras nativos, eram grandes os
estragos causados às árvores fornecedoras da seringa nos anos de 1860 em diante,
quando esses coletores usavam os métodos de “estrangulamento”, onde os troncos
dessas árvores eram apertados para a seringa descer mais abundante e
rapidamente dos troncos das seringueiras, e em consequência, extraindo todo o
sumo das árvores, fato que provocou a morte de extensos seringais. Esse era o
motivo que fazia com que os seringueiros avançassem cada vez mais para o centro
das florestas em buscas de novas áreas de seringa, onde eram acometidos de
muitas doenças que resultava num elevado número de mortes através da malária,
que era endêmica na Amazônia, entre outros fatores.
·
O Apogeu da Borracha:
O apogeu da borracha foi entre 1890 e 1920, quando Belém e outros centros
urbanos contavam com estruturas que outras cidades do sul e sudeste do Brasil
ainda não possuíam. Nada pode ser comparado à riqueza trazida pela
borracha no seu apogeu, onde a renda per capita da Região Amazônica subiu de
US$ 30 em 1820 para US$ 332 no pico do boom em 1900. Em 1912, a região onde se desenvolveu o Ciclo da Borracha já tinha
o oitavo maior coeficiente de comercialização do mundo, maior que o da
Alemanha, França, Estados Unidos e Brasil como um todo. Nove entre os dez
municípios que mais produziam borracha no Estado do Pará estavam localizados na
Região Estuarina Amazônica.
Em 1873 a Província do Pará
exportou para fora do Imperio 3.446 arrobas de borracha
Mapa de 1925
mostra a produção de borracha desde 1877 até 1924 onde mostramos alguns anos e
suas produções:
·
1877 com produção de 7.247.452 quilos de
borracha
·
1882 com elevação da produção da borracha para
10.210.233 quilos e desse período em diante mantendo a produção acima de 10 mil
quilos até o ano de 1906.
·
1887 com a produção de 11.901.997 quilos de
borracha
·
1897 com a produção de 15.588.245 quilos de
borracha e mantendo a produção de mais de 15 mil quilos, produção vinda desde
1895 e até o período fiscal de 1900 quando começa a sofre o decréscimo de
produção.
·
1899 com a produção de 16.398.330 quilos de
borracha, sendo que esse ano foi o de maior produção entre 1877 e 1924.
·
1906 com a produção de 11.012.116 quilos de
borracha com queda de produção nos dois anos seguintes.
·
1907 com a produção de 9.671.745 quilos de
borracha
·
1909 com produção de 10.152.663 quilos de
borracha período que assinala o decréscimo contínuo da produção até o ano de
1924.
·
1917 com a produção de 8.047.361 quilos de
borracha
·
1924 com a produção de 4.013.454 quilos de
borracha que foi o período fiscal com a menor produção desde 1877.
A produção crescente da borracha começou em 1880 com a produção de 7.793
toneladas e a partir daí sempre em produção crescente até 1889 com 16.398
toneladas. Daí em diante se iniciou o declíneio da produção chegando ao ponto
mínimo em 1924 com 4.013 toneladas ou seja, 4 vezes menos que a 26 anos
passados.
Principais municípios produtores de borracha em
1924:
·
Altamira,
no Xingu, com 517.394 quilos de borracha e 96.813 quilos de caucho em 1924,
sendo o mais importante na produção desses produtos. Seu território pertencia
até 1912 ao antigo município de Souzel e Altamira possuía a extensa área de
212.205 k2, sendo, em tamanho, o 1º do Estado do Pará, porém com uma diminuta
população de 9.343 habitantes em 1924. Altamira começou a produzir borracha
somente em 1912 com 720 toneladas e a partir daí foi aumentando a produção e em
1920 teve a maior produção com 2.000 toneladas.
·
Cametá,
no Tocantins, sendo um dos mais antigos municípios do Pará e com produção de
343.386 quilos de borracha principalmente do tipo sernamby em 1924, sendo o 2º
colocado nesse ano. O sernamby é um tipo de borracha não defumada que
simplesmente coagula nas tigelinhas que aparam o látex das seringueiras. Em
1920 Cametá já era o 5º mais populoso do Estado com 41.365 habitantes, porém
tendo uma área de apenas 4.860 km2. Sua máxima produção de borracha foi em 1906
com 665 toneladas e o mínimo foi em 1921 com 221 toneladas
·
Itaituba,
no Tapajós, com 257.312 quilos de borracha e 69.757 quilos de caucho, sendo o
3º colocado em 1924. A borracha de Itaituba era considerada de superior
qualidade.
·
Anajás,
município situado na Região das Ilhas do Pará, na Ilha do Marajó, foi um dos
municípios que mais concorreu para a produção de borracha e nessa região era
apenas sobrepujada pela produção de Breves. Porém em 1924 a produção de 159
toneladas de borracha de Anajás foi superior a de Breves, este município com
apenas 94 toneladas. Anajás contava em 1920 uma área de 10.333 km2 e uma
população de 11.850 habitantes.
·
Mazagão,
que junto com Macapá, pertencia à mesma zona econômica, e Mazagão em 1903 com a
produção de 572 toneladas com a 5ª colocação e Macapá, com com 517 toneladas,
na 6ª colocação.
·
Chaves,
município situado na Região das Ilhas do Pará, com média pequena de 200
toneladas anuais, porém sendo considerada de superior qualidade e procede da
Ilha Mexiana. Chaves em 1920 apresentava uma área de 10.647 km2 e uma população
de 18.461 habitantes.
·
Almeirim,
na região dos Rios, com a produção de 109 toneladas de borracha em 1924. Ao
lado da borracha Almeirim exporta muita castanha-do-Pará (33.804 hectolitros em
1924). Almeirim possui uma área muito extensa de 96.680 km2, porém com uma
diminuta população de 7.643 habitantes no mesmo ano.
·
Afuá,
município da Região das Ilhas do Pará, da Ilha do Marajó, que em 1903 ocupava o
9º lugar na produção de borracha com 476 toneladas e em 1924 estava no 9º lugar
com 103 toneladas de borracha. Sua área em 1920 era de 1.702 km e com uma
população de 9.850 habitantes, com diminuição de população pois em 1908 eram
19.000 habitantes.
·
Breves,
na Região das Ilhas do Pará, na Ilha do Marajó, foi muito importante na antiga
produção de borracha, tendo ocupado até 1912 o 1º lugar e daí em diante Souzel
e Altamira tomaram a dianteira dessa produção. Em 1903 Breves produziu 1.352
toneladas de borracha que ficaram
reduzidas para 94 toneladas em 1924. Desde 1904 a produção de Breves
decresceu assustadoramente. Em 1920 breves tinha uma área de 13.773 km2 e uma
população de 22.678 habitantes.
·
Muaná,
na Região das Ilhas do Pará, na Ilha do Marajó, com uma produção de borracha de
180 toneladas em 1905, tendo aumentado sua produção para 253 toneladas em 1915
e em 1924 com 94 toneladas, igual à de Breves e no 11º lugar. Sua área em em
1920 era 3.297 km e uma população de 12.579 habitantes.
·
Gurupá,
na Região das Ilhas do Pará, na Ilha do Marajó e que produzia uma regular
quantidade de borracha até 1905, com 563 toneladas e daí foi decaindo na
produção com 86 toneladas em em 1924. A
área de Gurupá em 1920 era 9.454 km2 para uma população de 10.901 habitantes.
·
Ainda
em 1924 tem os municípios de Aveiro, Porto de Moz, Mocajuba, Baião, Santarém,
Curralinho, Igarapé-Miri, Moju, Melgaço e Portel com uma produção conjunta de
552 toneladas em 1924.
·
Em
1924 os municípios de Abaeté, Ponta de Pedras, Marabá, Belém, Conceição, Bagre,
Montenegro, Monte Alegre, S. Sebastião, S. Domingos, Cachoeira, Acará, Prainha,
Vigia, Irituia, Faro, S. Caetano, Óbidos, Juruty, S. Miguel, Ourém, Bragança,
Alenquer, Marapanim e Igarapé-Miry com a produção de 179 toneladas de borracha
em 1924, de acordo com classificação em ordem quantitativa.
A produção de borracha de Altamira, Cametá e Itaituba chegou a 2.161.662
quilos (2.162 arrobas) e que correspondeu a 53,9% de todo o Estado, sendo que
os demais municípios da lista acima produziram somente 1.851.792 quilos
·
A Migração em Massa dos Braços das Tradicionais
Lavouras do Pará em Direção aos Seringais:
Com o desenvolvimento da extração do látex das seringueiras nativas da
Amazônia a partir dos anos de 1840, incluindo os seringais do Baixo Tocantins e
Marajó e com as riquezas que essa atividade proporcionava aos comerciantes, os
ribeirinhos, iludidos pela possibilidade de riquezas fácil e rápida, migravam
em massa rumo aos seringais localizados no meio das florestas na época da
colheita do látex, deixando muitas localidades desprovidas de braços para
desenvolver as demais atividades das lavouras tradicionais dos produtos que
abasteciam a Capital da Província e os demais mercados da Amazônia, fato que
gerava o desabastecimento de gêneros e que obrigava os governantes do Ciclo da
Borracha a importar de outros estados os produtos que as lavouras do Pará já
não mais produziam. Porém, mesmo no Ciclo da Borracha no Pará, entre 1879 a
1912, a produção canavieira do Baixo Tocantins, não sofreu os abalos que outras
localidades sentiram, com a falta de braços para tocar as atividades da
agricultura na Província, (1821 a 1889) e mesmo nas primeiras décadas do
Período Republicano. Com a falta de braços nas tradicionais culturas
ribeirinhas do Pará, com os povoados ficando desfalcados dos braços para
a produção da farinha de mandioca, arroz, feijão, milho, algodão, açúcar e na
coleta dos produtos dos rios e matas estuarinas, esse fato gerava sérias crises
da falta desses produtos na Capital e demais localidades da Província, obrigando os governantes dessa
época a importar mercadorias de outros estados brasileiros, inclusive alguns
produtos que também eram usados em algumas atividades manufatureiras.
·
O
Comércio de Regatão no Ciclo da Borracha:
Durante o Ciclo da Borracha,
especialmente da vinda do Marajó, localidades tocantinas, Região do Xingu,
Baixo Amazonas e outras áreas da Planície Amazônica, com apogeu de 1890 a 1920,
o Comércio de Regatão concorreu para a circulação dessa matéria-prima, quando
as pequenas embarcações como botes, escaleres, canoas à vela e mais
modernamente os barcos-motores amazônicos que ajudavam no transporte da
borracha para importantes entrepostos comerciais das áreas estuarinas
tocantinas e marajoaras, e daí eram transportados para Belém ou Manaus nos
vapores das diversas empresas de navegação da Amazônia.
Os pequenos barcos da navegação
fluvial recolhiam a borracha em todos os pontos da Amazônia. Lugares
estratégicos do Estuário Amazônico foram escolhidos para servirem de depósitos
dos estoques da borracha recolhida em todos os seringais amazônicos, para
depois serem recolhidos pelos grandes vapores de várias companhias particulares
que faziam a navegação fluvial pelos rios estuarinos amazônicos. Entre esses
lugares se destacava o porto de Cametá, de algumas localidades do Marajó e outras
do sistema estuarino amazônico. Algumas localidades do Baixo Tocantins, do
Marajó e dos diversos sistemas estuarinos se encarregavam de fazer o transporte
da borracha e outros produtos regionais através de canoas à vela, vapores e,
posteriormente, a partir da década de 1940, dos chamados barcos-motores
amazônicos. Porém os barcos do Comércio
de Regatão do Baixo Tocantins aproveitaram para incrementar o seu comércio com
esse produto que era levado para Manaus e Belém e daí seguiam para outros
destinos.
·
Fraudes na Fabricação da Borracha:
No início do século 20 a produção
da borracha começou a ser afetada por sucessivas crises, estas com variadas
causas. Uma das causas era a fraude que se aplicava na fabricação das películas
e volumes de borracha, onde os produtores começaram a falsificar o produto para
aumentar o peso da produção. Eram muitos os modos da falsificação da borracha,
como o processo de se colocar farinha, terra ou pedras em meio ao látex
extraído ou mergulhar os volumes de borracha na água dos rios, onde a borracha
ganhava mais alguns quilos nas pesadas. Essas falsificações eram facilmente
perceptíveis e que ajudara no descrédtio da borracha brasileira e, em
consequência, na decaída do comércio da borracha no íncio do século 20. As
fraudes aplicadas no fabrico da borracha ajudaram a afastar os compradores
ingleses e de outras nações da borracha brasileira. As fraudes na produção de
borracha aconteciam principalmente com os produtores da Região das Ilhas do
Pará, motivadas pela ambição de maiores ganhos com o produto.
·
A Região das Ilhas do Pará e a Produção da
Borracha:
De acordo com a produção
econômica, especialmente a produção da borracha, antigamente a Província e,
posteriormente, Estado do Pará estava dividido nas seguintes regiões:
·
Região de Oiapoque, às proximidades das Guyanas
·
Região das Ilhas, incluindo os municípios
situados na Ilha do Marajó
·
Região dos Rios, que incluía Altamira, no Xingu,
Cametá, no Tocantins, Itaituba e Santarém, no Tapajós e outras localidades.
·
Região Agrícola, que incluía Abaeté,
Igarapé-Miry e Moju que eram produtores de cereais (eram pequenos produtores de
borracha), a foz Tocantina, Belém, Igarapé-Açu, Bragança.
A Região das Ilhas do Pará foi a
que mais concorreu antigamente para a produção de borracha no Pará. Em 1904
foram produzidas nessa área estuarina amazônica 7.349 toneladas de borracha,
que representaram 67% do total do Estado computado em 10.973 toneladas.
O Extrativismo da Castanha no Pará:
·
O Extrativismo da Castanha-do-Pará na Amazônia e
Estuário Amazônico:
A maior parte das riquezas das regiões
do Tocantins e Marajó provinha dos recursos vegetais do Período Provincial do
Pará. Em nenhuma outra parte da Provícia existiam tão ricos castanhais, além da
abundância de muitas outras plantas frutíferas, lactíferas e oleaginosas úteis
à alimentação, às artes, à indústria e ao comércio desses tempos.
A castanha-do-Pará era exportada
para a Capital em 1860 em grandes quantidades. Em 1864 as terras altas dos rios
Pacajás e Anapu eram abundantes em castanheiras que, além de fornecerem as
sementes de castanhas, também fornecia a estopa que era extraída de sua casca.
Os coletores, para aparoveitarem tudo de uma vez só, arrancavam as cascas das
castanheiras a fim de retirar a estopa das cascas para os trabalhos de
calafetos de embarcações. Muitas castanheiras, não resistindo a esse método
predatório da extração da casca de todo o seu tronco, não resistiam e morriam.
Em 1864 foram exportados 5.000 alqueires de castanhas dos distritos de Portel,
no Marajó.
Antigas vilas e localidades do Vale do Xingu produtoras de castanha, conforme citação entre 1764-1769: Vila de Gurupá, São João do Piraguary, São João do Pombal, Souzel, Porto de Moz, Santo ignácio de Aricary.
Antigas vilas e localidades do Vale do Xingu produtoras de castanha, conforme citação entre 1764-1769: Vila de Gurupá, São João do Piraguary, São João do Pombal, Souzel, Porto de Moz, Santo ignácio de Aricary.
Principais
localidades coletoras de castanha-do-Pará em 1863-1864:
·
Santarém, com 7.751 alqueires, maior produtor no
período fiscal
·
Cabo do Norte, com 2.093 alqueires
·
Cametá, com 18.184 alqueires
·
Óbidos, com 4.044 alqueires
·
Alenquer, com 3.978 alqueires
·
Gurupá, com 5.423 alqueires
Em 1873 a Província do Pará já
exportava a castanha-do-Pará para fora do Imperio Brasileiro.
Mapa com a
produção da castanha-do-Pará no período de 1877 a 1924:
·
1877 com produção de 111.943 hectolitros de
castanha
·
1882 com produção de 81.555 hectolitros de
castanha
·
1887 com a produção de 85.796 hectolitros de
castanha
·
1897 com a produção de 55.503 hectolitros de
castanha
·
1899 com a produção de 115.167 hectolitros de
castanha
·
1906 com a produção de 27.789 hectolitros de
castanha
·
1907 com a produção de 38.080 hectolitros de
castanha
·
1909 com produção de 74.105 hectolitros de
castanha
·
1917 com a produção de 153.143 hectolitros de
castanha
·
1922 com a produção de 319.318 hectolitros de
castanha, que foi o ano de maior produção desse produto durante os períodos
fiscais de 1877 a 1924.
·
1924 com a produção de 314.371 hectolitros de
castanha
A castanha era um gênero de
produção muito irregular, devido a época de sua colheita que dependia de muitos
braços para esse serviço. Em 1890 a produção foi de 13.467 hectolitros e no ano
seguinte subiu para 145.890, ou seja mais de 11 vezes. A Castanha foi mais
produzida em 1922 e ela foi um dos produtos que sustentaram a economia do
Estado do Pará após a decadência da produção da borracha.
A Cultura Cacaueira no Pará:
·
O Cacau:
A cultura do vegetal cacaueiro se
iniciou ainda no século 17 no Estuário Tocantino, para a produção da semente de
cacau.
A cultura cacaueira é citada nas antigas vilas e localidades do vale do Xingu entre 1764-1769: Vila de Gurupá, Boa Vista, Porto de Moz, Pombal, Veiros, Souzel.
Citado como produto de Cametá e demais localidades do Baixo Tocantins, Marajó e complexo deltaico estuarino dos rios Capim-Moju-Acará-Guamá-Igarapé-Miri, com grandes cacauais espalhados por essas áreas. O cacau é citado como produto da cultura paraense nas décadas de 1840, 1860, 1870, produto que teve o Baixo Tocantins, especialmente Cametá e Igarapé-Miri entre os maiores produtores dessas décadas na já Provincia do Pará. Era tanto cacau produzido que não existiam navios suficientes na exportação para Portugal. O cacau foi nos anos de 1850, depois da borracha, o 2º maior produto exportado pela Província do Pará. Algumas antigas localidades paraenses que se destacaram na produção de cacau, além dos já citados: Muaná, Santarém, Alenquer e Óbidos em 1871. Porém em 1874 os antigos cacauais dos tempos coloniais estavam entrando em decadência, sendo abandonados e invadidos pelo mato.
A cultura cacaueira é citada nas antigas vilas e localidades do vale do Xingu entre 1764-1769: Vila de Gurupá, Boa Vista, Porto de Moz, Pombal, Veiros, Souzel.
Citado como produto de Cametá e demais localidades do Baixo Tocantins, Marajó e complexo deltaico estuarino dos rios Capim-Moju-Acará-Guamá-Igarapé-Miri, com grandes cacauais espalhados por essas áreas. O cacau é citado como produto da cultura paraense nas décadas de 1840, 1860, 1870, produto que teve o Baixo Tocantins, especialmente Cametá e Igarapé-Miri entre os maiores produtores dessas décadas na já Provincia do Pará. Era tanto cacau produzido que não existiam navios suficientes na exportação para Portugal. O cacau foi nos anos de 1850, depois da borracha, o 2º maior produto exportado pela Província do Pará. Algumas antigas localidades paraenses que se destacaram na produção de cacau, além dos já citados: Muaná, Santarém, Alenquer e Óbidos em 1871. Porém em 1874 os antigos cacauais dos tempos coloniais estavam entrando em decadência, sendo abandonados e invadidos pelo mato.
Porém a cultura do cacau era
feita sem os métodos adequados de manejo, colheita e ensacamento das sementes
para a exportação. Eram muitos braços desperdiçados inutilmente no trato com a
cultura do cacau e uma simples máquina para quebrar os frutos e fazer a despolpa
das sementes redundaria em economia de tempo e centenas de braços que poderiam
ser usados em outras tarefas nos sítios e fazendas de cacau.
Em 1873 o cacau ainda era produto
importante da Província do Pará, com produção de 2.032 arrobas, mas nesse ano
os cacauais já começavam a ser abandonados por seus proprietários e assim eram
invadidos pelo mato e ninguém mais pensava em plantar cacau na Província,
contentando-se os antigos cultivadores em conservar suas velhas plantações.
O cacau é citado na pauta de
exportação de 1863-1864, porém com queda na produção devido às oscilações
negativa dos preços.
De 1877 a 1924 a produção do
cacau seguiu o seguinte ritmo:
·
1877 com 2.933.806 quilos de cacau
·
1882 com 6.181.233 quilos que foi a maior
produção desde 1877
·
1886 com 2.068.368 quilos que foi o período de
queda da produção, voltando a subir no ano seguinte para 4.044.703 quilos.
·
1887 com 4.044.703 quilos
·
1888 com 6.717.853 quilos de cacau, sendo que
esse ano foi o de maior produção de 1877 até 1924.
·
1897 com 3.537.404 quilos
·
1907 com 1.520.625 quilos
·
1912 com irrisória produção de 827.354 quilos de
cacau, com aumento da média de produção nos anos seguintes, porém com produção
não satisfaória de cacau e que somente em dois períodos passa das 3 mil
toneladas até 1924.
·
1917 com 3.017.491 quilos
·
1919 com 3.145.985 quilos e com queda da
produçãoprogressiva após esse período
·
1924 com 1.196.988 quilos
O cacau, após o ano de sua maior
produção em 1888 com 6.717.853 quilos, tem sua média de produção reduzida a
partir desse ano, fato que significa o abandono da cultura do cacau em favor da
coleta de borracha que estava em crescimento. Isto quer dizer que os braços que
eram empregados na cultura do cacau foram deslocados para a coleta da borracha
e com isso foi decretado o fim dessa cultura nas áreas amazônicas, pois
As principais
localidades produtoras de cacau em 1863-1864:
·
Guamá, com 10.065 arrobas
·
Abaeté, com 4.057 arrobas
·
Igarapé-mirim, com 8.444 arrobas
·
Muaná, com 8.340 arrobas
·
Santarém, com 45.426 arrobas
·
Cametá, com 110.714 arrobas, o maior produtor
desse período fiscal e sempre foi o maior produtor de cacau na Província do
Pará.
·
Óbidos, com 42.237 arrobas
·
Monte Alegre, com 1.227 arrobas
·
Alenquer, com 7.928 arrobas
·
Gurupá, com 5.423 arrobas
Alguns produtos
fabricados a partir dos componentes do fruto do cacaueiro:
·
Sabão de cacau, com fabriquetas no Baixo
Tocantins e Capital que faziam o aproveitamento da casca e massa do cacau para
produzir sabão grosso em mistura com outros componentes.
A Cultura do
Café no Pará:
·
O Café:
A cultura do café é antiga, tendo
vindo do Período Colonial do Pará como cultura da Região do Xingu que foi plantado pela 1ª vez em 1727 com
sementes vindas de Cayenna e 25 anos depois suas semntes já estavam espalhadas
pelo Rio de janeiro, Minas e São Paulo. Mas enquanto o Grão-Pará pode manter a
cultura do café, esta se espalhara rapidamente pelas áreas estuarinas
amazônicas, citada na década de 1840, 1870, porém com baixa produção pela falta
de manejo adequado para esse tipo de cultura em solos amazônicos, porem com
exportação figurando por longos anos na pauta de exportação da Província, com
produção decrescente desde 1727 e só depois do ano fiscal de 1884 esse produto
desaparece das estatísticas de exportação. Era a plantação pura e simples dos
pés de cafeeiros, sem os cuidados adequados no manejo dos mesmos e no tempo das
colheitas não havia o emprego de instrumentos e simples máquinas para facilitar
os trabalhos. Um simples instrumento para despolpar e lavar o café já seria
suficiente para atenuar o grande trabalho nos sítios e fazendas de café.
Localidades do Vale do Rio Xingua produtoras de café entre 1764-1769: Vila de Gurupá, Veiros.
Localidades do Vale do Rio Xingua produtoras de café entre 1764-1769: Vila de Gurupá, Veiros.
Em 1864 a região do Marajó é
citada como produtora e exportadora de café, com os distritos de Portel
exportando 4.000 arrobas e Melgaço exportando 350 arrobas de café.
Nos períodos fiscais de 1858-1859
até 1863-1864 o café, junto com o açúcar, eram produtos largamente importado
dos portos do Império Brasileiro.
Vide mapa da
produção do café no Pará de 1773 a 1884:
·
1773 com produção de 61.110 quilos de café
·
1774 com acentuada queda da produção para apenas
2.115 quilos
·
1775 com a volta da produção de 1773 com 67.020
quilos
·
1778 com a produção de 98.685 quilos e que foi a
maior de todo o espaço de tempo de 1773 a 1884.
·
1779 com queda na produção de café para 67.710
quilos e a partir daí foi somente em 1798 que a produção do café subiu para
75.385 quilos, com queda no ano seguinte e mantendo essa oscilação até 1818,
este período com a produção de 64.003 quilos.
·
De 1853 a 1858 0 café manteve a média anual de
80.510 quilos e de 1863 a 1868 a média anual da produção do café subiu para
566.460 quilos, caindo sua média de produção anual no período de 1869 a 1870
para 528.000 quilos.
·
De 1879 a 1884 aconceceu o acentuado decréscimo
da produção anual do café para 1.216 quilos.
Exportação do
café do Pará de 1879 a 1884:
·
Estados Unidos da América que a partir de 1880
recebeu exportação crescente de café do Pará, sendo o ano de 1883 o de maior
exportação com 6.000 quilos.
·
França que começou a receber o café do Pará
desde 1879 com 120 quilos, tendo a exportação crescido nos anos subsequentes.
Em 1881 a França recebeu a maior quantidade de café do Pará com 1.419 quilos.
·
Portugal que recebeu 1.140 quilos de café em
1879 e tendo decrescido para 200 quilos em 1880, subido em 1881 com 933 quilos
e decrescido nos anos seguintes.
·
Cayena, lugar de onde o café veio para o Pará e
que somente em 1880 recebe uma única carga de café de 247 quilos.
·
Estados do Sul do país que receberam 546 quilos
de café do Pará, sem exportação em 1880 e retorno da exportação em1881 com 210
quilos e considerável aumento para 4.271 quilos em 1883.
·
1884 que foi o ano da plena decadência da
exportação do café do Pará com irrisória cota de 180 quilos de café exportado
para Portugal.
Em 1873 a cultura do café já estava
inteiramente abandonada e a Província do Pará já importava o café de outras
províncias brasileiras.
CULTURAS
TRADICIONAIS NO ESTUÁRIO AMAZÔNICO:
·
A Mandioca:
Mandioca é cultura ancestral
indígena, citada citada como cultura do período Colonial e nas décadas de 1840, 1870, como matéria-prima para a fabricação de
uma série de produtos, especialmente da farinha que é um dos principais gêneros
na alimentação do povo paraense.
Porém a cultura da mandioca e a
fabricação da farinha e outros gêneros feitos a partir da mandioca era toda
manual e demandava muitos esforços e tempos na preparação desses gêneros. Não
existiam sequer as máquinas raladoras da mandioca e o método do seu preparo
seguia os primitivos métodos de se colocar de molho a mandioca até amolecer, a
fim de facilitar a pressão no instrumento de palha chamado “tipiti”, método que
faz com que se perca grande parte do amido e ainda dá a farinha um gosto pouco
agradável que resulta da fermentação na água. Uma simples máquina de ralar
mandioca substituiria o antigo método de se colocar a mandioca de molho na água
e com resultados muito mais satisfatórios para os fabricantes de farinha e
demais gêneros de mandioca, economizando tempo e braços que podiam ser
aplicados em outros serviços.
Cultivo de mandioca citada entre 1764-1769 nas antigas vilas e localidades do Vale do Rio Xingu: Vila de Gurupá, Vila de Pombal, Vila de Souzel, Veiros na Aldeia de Itacuruçá, Vila de Porto de Moz.
Cultivo de mandioca citada entre 1764-1769 nas antigas vilas e localidades do Vale do Rio Xingu: Vila de Gurupá, Vila de Pombal, Vila de Souzel, Veiros na Aldeia de Itacuruçá, Vila de Porto de Moz.
·
Farinha de mandioca, citada na década de 1840,
1870, que era o principal produto advindo da mandioca e com grande produção no
Baixo Tocantins e áreas dos rios Capim, Guamá, Moju e Igarapé-Miri, exportado
para a Capital. Moju era o maior produtor no Baixo Tocantins em 1871 e Acará
sempre foi grande produtor de farinha de mandioca em todos os períodos
históricos do Pará. O Marajó é citado como produtora e exportadora de farinha
de mandioca em 1864, com exportação de 3.000 alqueires só do Distrito de
Melgaço e 9.000 alqueires de Portel.
·
Farinha de tapioca, produto citado na década de
1840 e advindo da massa de mandioca, com grande aceitação nos mercados e
exportado para a Capital e até para fora do Império, conforme mapa de 1873.
·
Polvinho, citado na década de 1840, extraído da
massa da mandioca e o excedente exportado para a Capital.
·
Massa da mandioca, para fazer doces, beijus,
tacacá, tapioquinha
Localidades produtoras de mandioca no Período Colonial:
Vila de Gurupá
Vila de Pombal
Vila de Souzel
Localidade de Veiros
Localidade de Santa cruz de Caviana
Localidade de Vilarinho do Monte
Porto de Moz
Localidades produtoras de mandioca no Período Colonial:
Vila de Gurupá
Vila de Pombal
Vila de Souzel
Localidade de Veiros
Localidade de Santa cruz de Caviana
Localidade de Vilarinho do Monte
Porto de Moz
As localidades
que eram as maiores produtoras de farinha de mandioca e demais tipos de
farinhas no período fiscal de 1863-1864:
·
Guamá, com 7.370 alqueires
·
Bragança, com 7.369 alqueires
·
Curuçá, com 7.182 alqueires
·
Bujaru, com 6.376 alqueires
·
Acará, com 6.350 alqueires
·
Inhangapy, com 4.863 alqueires
·
Capim, com 3.608 alqueires
·
Cintra, com 3.577 alqueires
·
Moju, com 3.559 alqueires
·
Vigia, com 2.209 alqueires
·
Irituia, com 1.708 alqueires
Em 1873 a Província do Pará já
importava a farinha de mandioca de outras províncias brasileiras devido o fato
dos desvios dos braços dessa cultura terem se direcionado para a produção de
borracha.
Parte do trecho que fala da mandioca e seu uso na culinária brasileira,
fonte Rafaela Allevato, coordenadora do Serviço de Nutrição do Hospital San
Paolo.
A mandioca é conhecida por todos,
de norte a sul do país, é ingrediente principal de diversos pratos, também vira
vedete em época de festa junina. Talvez o aumento consumo dessa raiz se dê por
causa da safra, que vai até julho, garantindo raízes mais bonitas e melhores
para o consumo. Uma substância tóxica está presente em sua composição: o ácido
cianídrico e é essa substância quem dita a classificação dos tipos de mandioca.
A mandioca que contém grande quantidade desse componente é conhecida como
mandioca brava, mandioca amarga ou apenas mandioca. Porém o cozimento e a
torrefação fazem com que a toxidade seja anulada e desse modo sejam produzidas
a tapioca e a farinha de mandioca.
A raiz que nós encontramos em
feiras e supermercados e costumamos consumir é chamada de aipim, mandioca mansa
ou macaxeira e possui quantidade insignificante da substância, que é totalmente
eliminada com o cozimento.
A mandioca não contém glúten, o
que faz com que os celíacos possam consumí-la livremente e também quase não tem
gordura e possui baixa quantidade de proteína.
O carboidrato, principal
nutriente do tubérculo, serve como combustível para o corpo e é constituído de
amilopectina e amilose, o que o torna um alimento de fácil digestão. Graças às
suas fibras vegetais, a mandioca ajuda a regular a fome e a combater o inchaço
abdominal, já que auxilia no trânsito intestinal. A raiz ainda é rica em
vitaminas do complexo B, principalmente a niacina (B3), que auxilia no
funcionamento do sistema digestivo, no equilíbrio do sistema nervoso e do
colesterol, além de atuar na pele.
Como é um alimento bastante
versátil, a mandioca vai muito bem em diversas preparações: farofas, purês,
escondidinhos, cozida, bolos, sopas.
Normalmente consumimos a raiz, mas as folhas da mandioca
também podem ser aproveitadas no preparo da maniçoba, prato típico do Pará.
·
O Milho:
Milho é produto de origem
ancestral entre as populações das Américas, é citado no Período Colonial como cultura do Marajó e Região do Xingu e na década de 1840, como
produto de subsistência e nas grandes produções era exportado para a Capital. O
milho foi usado historicamente nas refeições dos paraenses, quando era muito
utilizado nos preparos de mingaus, doces, bolos, pamonhas, cuscuz e outros
pratos da culinária do período festivo da quadra junina. O mingau de milho
chamado munguzá, misturado à castanha-do-Pará não pode faltar nos festejos
juninos e hoje já é encontrado como produto de consumo diário na Capital e
outras cidades do Pará. Outro destaque para o milho é o consumo do chamado
milho-verde, nas formas assado ou cozido.
Antigas localidades do vale do Xingu, entre 1764-1769, produtoras de milho: Antiga Aldeia de Itacuruçá em Veiros.
Antigas localidades do vale do Xingu, entre 1764-1769, produtoras de milho: Antiga Aldeia de Itacuruçá em Veiros.
As localidades
que eram as maiores produtoras de milho no período de 1863-1864:
·
Guamá, com 2.825 mãos
·
Bragança, com 1.428 mãos
·
Curuçá, com 3.388 mãos
·
Acará, com 5.987 mãos
·
Capim, com 1.181 mãos
·
Cintra, com 3.386 mãos
·
Moju, com 3.030 mãos
·
Abaeté, com 1.392 mãos
·
Igarapé-Mirim, com 1.384 mãos
·
Marajó, com 1.083 mãos
No caso do milho beneficiado, em
1864 só o distrito de Melgaço, no Marajó, exportou 500 alqueires de milho para
a Capital
·
O Algodão:
Algodão, citado como cultura do Período Colonial, citado entre 1764-1769, no Vale do Xingu, nas localidades: Vila de Gurupá, localidade Boa Vista, vila de Pombal, Vila de Porto de Moz.
nas décadas de 1840, 1870, teve no Pará um pequeno período de cultura e produção artesanal de fios e panos de algodão, exportados para a Capital. Uma tabela de 1925 mostra a situação da produção do algodão no período de 1877 a 1924:
nas décadas de 1840, 1870, teve no Pará um pequeno período de cultura e produção artesanal de fios e panos de algodão, exportados para a Capital. Uma tabela de 1925 mostra a situação da produção do algodão no período de 1877 a 1924:
·
1877 com 7.614 quilos que foi o período de maior
produção desse espaço de tempo e com produção sofrendo altos e baixos até
entrar em uma grande decadência a sua produção.
·
1887 com 461 quilos
·
1888 com 60 quilos que foi o fundo do poço de
produção de algodão em relação aos períodos anteriores.
·
1889 com 3.307 quilos e já no Período
Republicano do Pará que foi a retomada aparente da produção de algodão pois em
1890 a produção cai para irrisórios 423 quilos com retomada de crescimento em
1891 com 2.090 quilos.
·
1892 com 66 quilos e sem produção no período
seguinte e com retomada de produção em 1894 com 1660 quilos. Após esse perído a
produção de algodão como que cessou no Pará com pequenas produções em 1896, 1897,
1901 e 1903 e nos demais períodos e até 1916 não existiu a produção de algodão.
·
1897 com irrisórios 48 quilos de algodão
·
1907 sem produção de algodão
·
1917 retomada da produção de algodão com 82.024
quilos e a partir daí a produção aumentou para acima de 1.000.000 quilos até
1924.
·
1919 com 1.922.537 quilos que foi a maior
produção até 1924
·
1924 com 1.627.958 quilos
A produção de algodão no Pará não
foi muito grande desde 1877 até 1903 quando não passou de 10 toneladas em cada
período. O ano de 1903 assinala o completo desaparecimento dessa cultura no
Estado, voltando renovada a partir de 1917 com a produção de 82 toneladas,
chegando ao ano de 1919 com a produção
de 1.922 toneladas de algodão.
O algodão é citado na pauta de exportação de 1863-1864, exportando-se
5:586 arrobas.
O algodão era exportado para os
centros consumidores em plumas ou em fios e 90% do algodão produzido no Estado
do Pará vinha da zona da Estrada de Ferro de Bragança.
Em 1873 a cultura do algodão já
estava sendo abandonada por seus cultivadores e a Província do pará já
importava o algodão de outras províncias brasileiras.
·
O Feijão:
As localidades maiores produtoras
de feijão na Província do Pará, no período fiscal de 1863-1864:
·
Guamá, com 123 alqueires
·
Bragança, com 1.357 alqueires
·
Capim, com 190 alqueires
·
Santarém, com 353 alqueires
Feijão, cultura citada na década de 1840, cultivado em
cultura de subsistência, com alguns períodos de boa produção e com exportação
para a Capital. O consumo de feijão vem dos tempos mais antigos e seu consumo
se consolidou, tornando-se ítem obrigatório na culinária paraense.
·
O Arroz:
Arroz, cujas sementes, além do
consumo nas refeições, também eram muito utilizadas nos mingaus com açaí,
miriti, bacaba. Arroz era exportado para os centros consumidores em casca ou
pilado, e este último já é citado a partir da década de 1840, 1870 no Baixo
Tocantins e Marajo, e que ainda era exportado para Belém.
A crise na agricultura
tradicional se iniciou em 1872 e em 1874, de modo geral, estava em estado
lamentável, devido o abandono das lavouras por causa da extração de seringa,
que levava grande parte dos braços das atividades de lavoura, por isso a
província tinha que comprar esses produtos de outros estados. Só em 1877
aconteceu uma pequena estabilização desses gêneros de 1ª necessidade para o
povo.
O arroz com casca e o pilado são
citados na pauta de exportação de 1863-1864, porém já com o enfraquecimento de
sua produção.
Antigas localidades do vale do Xingu, citadas entre 1764-1769, como produtoras de arroz: Vila de Gurupá, localidade de Boa Vista.
Antigas localidades do vale do Xingu, citadas entre 1764-1769, como produtoras de arroz: Vila de Gurupá, localidade de Boa Vista.
Localidades
que eram as maiores produtoras de arroz com casca na Província do Pará nesse
período fiscal:
·
Guamá, com 3.199 alqueires
·
Bujaru, com 5.221 alqueires
·
Acará, com 28.605 alqueires
·
Inhangapy, com 3.161 alqueires
·
Capim, com 1.700 alqueires
·
Moju, com 2.371 alqueires
·
Abaeté, com 11.544 alqueires
·
Igarapé-Mirim, com 1.415 alqueires
·
Muaná, com 1.028 alqueires
Arro pilado,
no mesmo período:
·
Acará, com 785 alqueires
·
Capim, com 1.477 alqueires
Em 1873 o arroz pilado era
produzido na Província do Pará em pequena quantidade.
Situação da
produção do arroz entre os períodos de 1877 a 1924:
·
1877 com 815.610 quilos de arroz
·
1879 com 1.068.835 quilos de arroz que
representa um pequeno aumento na produção, que cai no ano seguinte e sobe para
1.123.866 quilos no período de1881 e a partir daí aconteceu uma baixa na
produção que não conseguiram obter uma produção acima dos mil quilos de arroz
até o período de 1918 com 2.317.599 quilos.
·
1887 com 538.804 quilos
·
1897 com 868.962 quilos
·
1901 com a irrisória produção de 89.298 quilos
de arroz, situação que se mantém a mesma até 1918 quando a produção chega a
2.317.599 quilos.
·
1907 com 11.376 quilos
·
1908 sem produção de arroz
·
1917 com 498.778 quilos
·
1918 com 2.317.599 quilos de arroz, fato que
representa a retomada da produção de arroz no Estado do Pará com produção
crescente até 1920 com 9.045.152 quilos de arroz e com decréscimos de produção
nos anos seguintes até a grande produção de 1924, abaixo.
·
1924 com 14.160.451 quilos de arroz que é o
período recorde na produção de arroz desde o período de 1877.
A cultura do arroz sempre se fez
presente no Pará, citado como cultura do Período Colonial no Marajó e Região do Xingu e no Período Provincial sua produção somente em dois
períodos fiscais é que ultrapassou a marca de mil toneladas (1879 e 1881).
Porém, pelos esforços dos governantes da Era Republicana do Pará, ficou provado
que esse gênero poderia ser produzido em grande quantidade no Estado. Em 1917 a
produção de arroz foi de 498 toneladas e no ano ano seguinte já estava em 2.318
toneladas, culminando com a produção recorde de 14.161 toneladas em 1924.
·
Cultura do Tabaco no Pará:
Tabaco, produto citado, entre os anos de 1764-1769, como cultura no Período Colonial, como cultura das antigas áreas indígenas do Vale do Xingu administradas pelos padres missionários: Vila de Gurupá, Porto de Moz, Souzel, Pombal.
Nas décadas de 1840 e em 1864 é citado como cultura nas áreas do Marajó, onde só do distrito de Melgaço foram exportados 500 alqueires de arroz.
Nas décadas de 1840 e em 1864 é citado como cultura nas áreas do Marajó, onde só do distrito de Melgaço foram exportados 500 alqueires de arroz.
Em 1873 o tabaco era cultivado em
algumas áreas da Província do Pará, sendo considerado talvez o melhor do Brasil,
porém com pequena produção na margem direita do Rio Tapajós. Também
fabricava-se tabaco no distrito de Irituya, este também de excelente qualidade.
Localidades produtoras de tabaco: Vila de Gurupá
Localidades produtoras de tabaco: Vila de Gurupá
Blog do ADEMIR ROCHA, de Abaetetuba/PA

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