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domingo, 28 de agosto de 2011

ÍNDIOS DO PARÁ 2






















AS TRIBOS INDÍGENAS DO PARÁ
Boa Tarde Professor Ademir, me Chamo HERLLSON HAYNES moro em Curuçá há 32 anos e gostaria que me ajudasse em uma dúvida que tenho com relação a etnia que habitou Curuçá antes dos padres Jesuítas terem dominado esta terra, e sempre foi nos repassado que os índios que habitavam Curuçá foram os Andirás, mas segundo li em alguns artigos seus, vi que nossa região poderia ter sido habitada pelos Tupinambás. Gostaria de ter uma explicação mais detalhada, pois tenho uma dúvida. Pois também em outros municípios próximos de Curuçá existem vestígios de outras etnias como é o caso de Maracanã que tinha os indios Maracanãs(Paracanas) e mais além, no município de Santarém Novo tem os Tembés. Já que Senhor tem uma pesquisa bastante aprofunda sobre os povos que habitavam o Pará antes da Colonização e Pós- Colonização, resolvi recorrer ao Senhor. Certo de poder contar com o vosso apoio, manifesto votos de estima e consideração.
          Herllson Haynes
          Resposta:
          Caro Herllson Haynes,
Responder às suas perguntas é bem difícil, devido a confusão dos termos com os nomes das aldeias, malocas, etnias e nações indígenas. Porém você pode analisar as informações abaixo sobre os municípios que você mencionou e outros municípios às proximidades desses e verificar alguns desses termos.
As pesquisas que publico dos índios do Pará são extraídas de autores paraenses, como Ernesto Cruz, Bolivar Bordalo da Silva (este é bragantino), documentos provinciais e outros autores e pesquisas disponíveis na internet.
Troncos e Nações Indígenas:
.  Tupy-Guarany
.  Aruaque
.  Caribe
Nação dos Tupinambás
Antes da chegada dos europeus ao Pará habitavam em nossa região 3 grandes troncos indígenas: Tupi-guarani, aruaque e Caribe. Dentre os índios Tupi-guarani, os mais conhecidos eram os Tupinambás. Portanto, os Tupinambás não eram uma só aldeia de índios e nem uma só etnia e sim uma nação de guerreiros indígenas, de diversas tribos, extremamente belicosos, que guerreavam até mesmo entre si. Documentos científicos sobre essas tribos indígenas são escassos, porém existem muitas evidências e muitos escritos não científicos de historiadores, padres, visitantes e governantes que tratam dessas etnias, tribos e aldeias.
Índios e os Padres Missionários

Em 22/7/1617 chegaram à Belém, vindos do Maranhão, os religiosos capuchos da Província de Santo Antonio, Frei Cristovam de São José, Frei Sebastião do Rosário, Frei Felipe de São Boaventura, sob a direção de Frei Antonio de Marciana e os mesmos presenciaram no Forte do Presépio o clima de hostilidade contra os indígenas, clima francamente contrário aos seus objetivos de catequese. 
Se os indígenas fugiam do convívio com os brancos, pelo terror que lhe infundiam as armas e as desmedidas ambições dos colonos portugueses, que estavam sob a tutela de Castelo Branco, aproximavam-se confiantes dos padres capuchos, especialmente do Frei Cristovam de São José, que foi o primeiro a lançar-se nas selvas paraenses, em 1620, em busca de almas selvagens para a civilização cristã.
 Foi a catequese desse frei junto a tribo dos índios Camutás, em um sítio denominado Cametá-tapera, que lançou os fundamentos da futura Vila Viçosa de Santa Cruz de Camutá (elevada à vila em 1635), onde havia de ser ereta a Capitania de Feliciano Coelho de Carvalho. Com a ajuda dos gentios catequizados o Frei Cristovam de São José abriu caminho em direção a outras tribos das florestas do Baixo Tocantins.
O trabalho de catequese dos padres Capuchos tornou-se notável no Grão-Pará, que foi o primeiro trabalho na evangelização dos nativos da região e na entrada através do sertão, onde encontraram e doutrinaram índios das NAÇÕES Caripunas, Aruãs, Tucujús e Canhoão, aldeando-os na Missão dos Amaquizes.
Igualmente notável foi o trabalho de outros religiosos, entre os quais os jesuítas. 
O primeiro jesuíta a desembarcar na cidade de Belém foi o padre Luís Figueira, no ano de 1636, acompanhando o Governador Francisco Coelho de Carvalho. Esse padre subiu o rio Amazonas e começou a evangelização das TRIBOS do rio Xingu. 
Para prosseguir na sua jornada junto às tribos do Pará, o Padre Figueira retorna à Europa a fim de trazer mais religiosos para a obra de catequese dos gentios. Em 1645, viajando com o Governador Pedro de Albuquerque, estava de volta ao Amazonas com mais 14 missionários, porém a fatalidade não permitiu a realização de seu sonho. Naufragou esse padre às proximidades da Baía do Sol e conseguiu chegar à Ilha do Marajó, onde foi trucidado junto com nove de seus companheiros pelos ferozes índios Aruãs daquela localidade, fato que refletia o ódio que os índios nutriam pelos conquistadores portugueses.
Somente em 1653 é que os jesuítas recomeçaram seu trabalho missionário de doutrinação do gentio e também dos filhos dos colonos do Grão-Pará e a construção de igrejas, a partir de Belém. Foi grandioso o trabalho dos jesuítas no Pará, subindo os rios e penetrando em lugares inóspitos, fundando povoados, levando a Palavra de Deus aos índios e tornando-os excelentes colaboradores dos portugueses na obra de penetração do sertão.
O grande e famoso Padre Antonio Vieira chegou à Belém em 1653, acompanhando os padres Francisco Veloso e Antonio Ribeiro e do irmão Luís, iniciou um trabalho no Pará que resultou na pacificação dos índios Nheengaíbas, do Marajó, em 1655, que estavam em conflito com os colonos portugueses. No Marajó os jesuítas também estabeleceram fazendas de gado vacum e cavalar com mais de 130.000 mil cabeças de gado.
A notável pacificação de mais de cem mil guerreiros Nheengaíbas pelo Padre Antonio Vieira, que tornaram-se submissos aos sermões do grande pregador, levaram esses guerreiros a fazer as pazes com os lusitanos. Foi a ajuda decisiva dos missionários católicos que facilitou a colonização do Grão-Pará. Porém a catequização dos gentios por esses padres, mesmo que com a melhor  boa vontade ou como inocentes úteis na história de colonização do Pará, vai merecer de nossa parte algumas análises, visto que essa catequese muito ajudou na perda da identidade cultural desses antigos povos e no seu extermínio em massa pelas tropas portuguesas.
O bom tratamento que os padres dispensavam aos índios era suficiente para garantir a segurança desses sacerdotes contra as investidas bélicas das tribos com quem estabeleciam contato e demonstrava que a altivez guerreira podia ser refreada por bons tratamentos, coisa que a arrogância de Caldeira Castelo Branco não enxergava.
Alguns padres missionários foram sacrificados em 1649 em assaltos dos indígenas revoltados com a crueldade das tropas e dos colonos portugueses contra os gentios. Mas esses padres não desistiram de lutar pela liberdade dos índios e como seus protetores da sanha dos brancos. Existe aí também a ambição do padres missionários, devido ao fato de eles próprios submeterem os índios submissos aos trabalhos em suas imensas fazendas e grandes engenhos. Os padres missionários do Grão-Pará ao não querer permitir a escravização dos índigenas, baseados nos editos ou cartas reais, no fundo, queriam manter o monopólio da servidão indígena aos seus serviços e também o monopólio dos seus variados negócios de comercialização de muitos produtos das fazendas, dos engenhos e do extrativismo animal e vegetal. Junto à servidão dos povos indígenas os missionários também possuíam em seus negócios a mão-de-obra escrava dos negros africanos. Porém os padres não trucidavam ou aniquilavam tribos inteiras de índios como faziam os colonos e governantes portugueses e não levavam ao pelourinho os escravos negros
O trabalho dos antigos padres missionários tinha o objetivo de catequizar as selvagens tribos do Grão-Pará e muitos povoados foram fundados sobre aldeias indígenas conforme os relatos desses escritos, cheios de topônimos tupi-guarani, especialmente os nomes das povoações, localidades, fauna, flora, cultura, culinária, folclore, danças, etc e gramáticas Tupi-guarani escritas por padres. Também esses missionários contribuíram com a perda de identidade desses povos indígenas e sua decadência.
          Os Índios Tupinambás, a Fundação de Belém e o Início do Extermínio das Tribos Indígenas do Pará

Foi durante o período da União Ibérica (1580-1640) que foi fundada a cidade de Belém, por Francisco Caldeira Castelo Branco. Após a expulsão dos franceses do Maranhão, o comandante português Alexandre de Moura determinara que fosse realizada uma expedição militar para ocupar as terras do rio Amazonas, em expedição composta por 200 homens e chefiados por Francisco Caldeira Castelo Branco, que visava dar combate aos ingleses e holandeses fixados na região. Iniciada a viagem em 25/12/1615, Castelo Branco e seus companheiros adentraram a Baía de Guajará e em suas margens construíram um forte de madeira a quem denominaram de Forte do Presépio, construído justamente sobre uma TABA INDÍGENA, a Taba de Parauassu, dando início ao extermínio dos antigos ÍNDIOS TUPINAMBÁS habitantes das costas e matas do Rio Amazonas.
A cidade de Nossa Senhora de Belém foi fundada a 12/1/1616 e os portugueses continuaram as práticas de abusos contra os nativos locais, tentando a escravização dos mesmos. Esses fatos deram início ao estado de guerra declarado entre muitas tribos indígenas, que não aceitavam os maus tratos e a dominação dos invasores portugueses, contra Castelo Branco e outros governantes que o sucederam e isso levou a insurreições que muitos falam de ”CONJURAÇÃO DOS TUPINAMBÁS CONTRA OS PORTUGUESES”, porém com nítidas desvantagens dos guerreiros indígenas contra as poderosas armas portuguesas.
               As Expedições de Pedro Teixeira e os Índios Tupinambás:
Também em 1616 se inicia a carreira gloriosa do alferes Pedro Teixeira como guerreiro e conquistador do rio Amazonas e na expulsão dos invasores holandeses e ingleses das costas do Pará e Maranhão, contando com a ajuda decisiva dos GUERREIROS TUPINAMBÁS dessas regiões. 
Pedro Teixeira iniciou sua jornada levando só dois soldados e 30 guerreiros, provavelmente índios cativos, que também o guiavam nas guerras de conquistas, através dos inúmeros e perigosos rios da Amazônia. Nessa sua 1ª viagem ao Maranhão fora buscar armas e soldados para dar combate aos invasores. Trouxe somente 30 arcabuzeiros e muitos outros GUERREIROS tupinambás e uma grande partida de artigos para as trocas entre os colonos lusitanos e os índios arredios e hostis, espalhados em centenas de tribos pelas costas e matas paraenses.
Os índios eram guerreiros especialistas na arte de navegar pelos inúmeros e perigosos rios da Amazônia e eram eles que faziam os contatos com as tribos indígenas hostis a quem davam presentes em nome dos forasteiros e recebiam em troca milho, batatas, peixes e carnes de tartarugas, peixes-bois e outros alimentos. Porém esses guerreiros das expedições de Pedro Teixeira já estavam subjugados ao domínio português e que eram obrigados a prestar serviços ao Reino e sem nenhuma consideração e apreço por seus serviços de guerreiros, remeiros, guias das armadas e como exímios caçadores e pescadores e nas salgas desses mantimentos, para garantir a sobrevivência das tripulações dos barcos de guerra. Pelo contrário, eram considerados simples súditos da Coroa e eram forçados a essas viagens e nada recebiam como pagamento e ainda eram severamente castigados nas falhas e erros e praticamente eram mantidos como escravos pelas forças das armas lusitanas. 
A primeira missão de guerra de Pedro Teixeira foi a caça aos holandeses e sua expulsão do Grão-Pará e Maranhão. Ele primeiramente recolhe informações junto aos NATIVOS do lugar e com a ajuda destes, parte à vela e a remos e com duas grandes canoas de guerra, uma comandada por ele e outra comandada por Gaspar de Freitas Macedo, guarnecidos por 20 soldados e MUITOS índios guerreiros tupinambás, flecheiros e remeiros e em velocidade de navegação que só os BRAÇOS SELVAGENS obtinham e que fizeram Pedro Teixeira abordar a grande nau holandesa com uma chuva de balas e flechadas certeiras. Caem mortos e feridos nesse embate holandeses, portugueses e selvagens paraenses e a luta prossegue corpo a corpo, com uso de mosquetes, arcabuzes, espadas, BORDUNAS E FLECHAS, em luta encarniçada e desfavorável à Pedro Teixeira e ele bate em retirada para as canoas desatracadas da nau holandesa e lança mão das FLECHAS INCENDIÁRIAS que os tupinambás fazem cair numa chuva de fogo por todos os recantos do navio holandês, conseguindo, desse modo, ganhar aquela batalha, graças à ajuda dos GUERREIROS indígenas. Ele ainda consegue recolher grande quantidade de armas que lhes seriam muito úteis nas próximas jornadas de guerra.
O GROSSO das tropas de Pedro Teixeira eram sempre os guerreiros selvagens, que também sempre eram os primeiros a invadirem as naus estrangeiras, iniciando ali a matança, que lembrava suas ferozes lutas de tabas contra tabas, quando ainda viviam em suas terras nos sertões do Grão-Pará.
 Até mesmo a cura dos ferimentos era feito pelos PAJÉS INDÍGENAS, com ervas e óleos da terra, pois as expedições geralmente não possuíam cirurgiões.
Na sua gloriosa subida do grande rio Amazonas, que se inicia a 28/10/1637, a mando de Jacome Raimundo de Noronha, governador interino do Maranhão, partiu Pedro Teixeira do Porto de Cametá, com uma escolta de 60 soldados lusitanos e cerca de 1.200 GUERREIROS indígenas e outros indígenas em serviços diversos, alguns religiosos, cujo número total chegou a 2.500 almas, viajando em uma armada de 47 canoas e seus índios remeiros e naus portuguesas, que chegou até Quito no Peru, de onde regressou coberto de louros, tendo aportado em Belém em 12/12/1639. Novamente os GUERREIROS indígenas desempenham grande papel nessa viagem de conquistas e demarcações de terras. Porém a missão de Pedro Teixeira não foi muito pacífica entre os indígenas já inquietos pela demora da viagem e forçados a viajar e onde aconteciam deserções diárias.
Em 1623, sob o comando de Luís Aranha de Vasconcelos e Bento Maciel Parente, uma expedição militar formada por soldados vindos de Lisboa, Pernambuco, Rio Grande do Norte, Maranhão e Pará, além de MIL ÍNDIOS flecheiros guiados pelo frei Cristóvão de São José, guerrearam contra as fortificações inglesas e holandesas existentes ao longo do rio Amazonas.
Bento Maciel Parente, em 1625, torna-se Capitão-mór do Pará e o temível exterminador e apresador de índios. 
Em 1632 o capitão Pedro Baião de Abreu com 20 soldados e 50 GUERREIROS índios tomou o forte inglês de Cumaú.
Desta forma, foram primeiramente os franceses e posteriormente os holandeses e ingleses expulso do vale amazônico pelos lusitanos e contando com a DECISIVA ajuda dos GUERREIROS índios.
No contato com os conquistadores portugueses os indígenas, além dos maus tratos destes, também eram presas fáceis das suas doenças que vitimaram outros milhares de nativos.
A Coroa Portuguesa não reconhecia os serviços dos GUERREIROS tupinambás do Maranhão e Grão-Pará nessas lutas de desbravamento e nem os livros de história enaltecem esses guerreiros e sim as conquistas lusitanas e seus bravos comandantes como Pedro Teixeira, Bento Maciel Parente e outros lusitanos conquistadores e exterminadores de indígenas. E as carnificinas das tribos indígenas continuavam no Grão-Pará, como política de colonização, pois os indígenas hostis eram considerados obstáculos a esse processo.
A história da fundação do Grão-Pará foi escrita com o sangue derramado de muitos GUERREIROS INDÍGENAS do Pará em lutas junto com os colonizadores portugueses ou contra estes, por parte de tribos que não se submetiam ao domínio lusitano.
Anos depois das lutas e carnificinas dos índios guerreiros do Pará, já na fase da República Brasileira, no início do século 20, é que a bravura desses povos é timidamente reconhecida e mereceu dos edis paraenses algumas justas e significativas homenagens, como mereceram também muitos de seus algozes e outros vultos e fatos da história do Pará, com nomes de várias ruas do bairro de Batista Campos das seguintes tribos indígenas: Pariquis, Caripunas, Timbiras, Tamoios, Mundurucus, Jurunas, Apinagés e Tupinambás. Um vereador da cidade de Belém-PA, por desconhecer a história e o valor das tribos indígenas do Pará, achou que poderia trocar o nome de uma das artérias citadas acima e através de um projeto de lei trocou o nome da tribo indígena por outro nome de valor na história moderna do Pará. Esse legislador poderia simplesmente dar o nome para uma das inúmeras artérias ainda não nominadas em Belém e deixar o nome da nação indígena que muito honra a nossa antiga história. Esperemos que outros nomes indígenas das ruas de Belém não sigam o exemplo de extermínio do dito vereador que contribuiu para exterminar mais um pouco essa valorosa nação indígena que muito lutou ao lado do colonizador português e pelo mesmo colonizador foi exterminado das terras do Pará.
Além de guerreiros destemidos, os Tupinambás eram exímios remeiros, flexeiros, caçadores e pescadores e que usavam as bordunas, taquaras e flechas (inclusive as flechas incendiárias) com extrema habilidade, gente muito feroz e carniceira, que nunca quis conhecer sujeição, que habitavam as costas paraenses, maranhenses e outras regiões e que ajudaram os invasores estrangeiros do Maranhão e Grão-Pará, antes mesmo da fundação de Belém e também ajudaram os primeiros colonizadores do Grão-Pará, na luta contra esses mesmos invasores franceses, holandeses e ingleses e que, simultaneamente à ajuda que prestavam aos portugueses, passaram a ser exterminados por estes, já a partir de Pedro Teixeira, Francisco Caldeira Castelo Branco, Jerônimo de Albuquerque, Mathias de Albuquerque e outros governantes e militares do século 17. Apesar de ajudar os colonizadores portugueses na expulsão dos invasores estrangeiros e de ajudar na fundação de Belém, os Tupinambás eram arredios aos portugueses, pelas atrocidades que estes praticavam contra essas tribos, por que esses índios também ajudaram os invasores estrangeiros ou atacaram guarnições, fortificações militares, navios e outras instalações dos portugueses.
A nação dos índios Tupinambás do Grão-Pará e Maranhão compreendia diversas tribos indígenas que habitavam as costas dos rios e baías.
    .   Indíos da Nação dos Tupinambás em Belém e Arredores:
    .   Taba de Parauassu
    .   Aldeia do Una
     Taba de Parauassu, onde foi fundada a cidade de Belém, às margens das águas do Rio Pará/Baia de Guajará.
     Aldeia do Una, missionada pelos Missionários Capuchos de São José
               Etnias Indígenas:
     . Índios Amanagés
     . Índios Tembés
    .  Índios Timbiras
     . Índios Guajarás
     . Índios Jurunas
     . Índios Pariquis
     . Índios Tamoios
     . Índios Apinagés
     . Índios Mundurucus

Índios Marajoaras
Indios citados nos escritos do conhecido e combativo das causas marajoaras e letrado, José Varella Pereira em seu blog gentemarajoara.blogspot.com.br e escritos de outros autores do Pará sobre as tribos, etnias, nações do Sistema Deltaico-Estuarino Amazônico, especialmente dos antigos Povos Marajoaras:

 Tribos e Índios
. Tribo Maquiritare, às margens do Rio Uaricoera, que falavam o idioma maquiritare ou maigong.
. Tribo dos Índios Aruãs/Aroans, habitantes da margem esquerda do Rio Pará.
. Índios Tupinambás, que habitavam a margem direita do Rio Pará, vindos do Maranhão e de áreas do Tocantins, habitantes do Sistema Deltaico-Estuarino Amazônico, que viviam em constantes conflitos e guerras com os Índios da antiga Ilha Grande dos Nheengaíbas, do tempo das guerras de conquista do do Rio das Amazonas, antes mesmo da fundação de Belém do Grão-Pará em 1616, cujos caciques (7) no início de 1659 foram chamados pelo Padre Antonio Vieira,  para estabelecer, no Convento dos Jesuítas, em Belém, conversações para uma tratativa de paz duradoura entre essas etnias da Ilha do Marajó, episódio que redundou no conhecido episódio da "Paz de Mapuá" (pela paz ter sido concretizada na Floresta de Mapuá, hoje Reserva Extrativista Florestal de Mapuá), que envolvia também os colonizadores portugueses, aliados dos Índios Tupinambás. A paz era desejada pelos conquistadores portugueses, pois estes fracassaram em três tentivas de ocupar a Ilha Grande dos Nheengaíbas pela força militar e de outras fracassadas tratativas de paz dos missionários jesuítas, onde, inclusive, alguns foram mortos e devorados por esses índios, que eram descritos como "bestas ferozes".
. Índios Nheengaíbas, antigos nativos de diversas etnias do tronco dos Índios Nuaruaques, da Ilha do Marajó, cujas terras foram invadidas pelos Índios Tupinambás vindos de outras partes do Grão-Pará, dando início a um conflito que durou mais de 40 anos de guerra, cuja paz foi selada pelo episódio conhecido como "Paz de Mapuá". Com essa paz os Índios Nheengaíbas foram empurrados de suas terras para outras paragens da grande Ilha dos Nheengaíbas, dando lugar às aldeias que surgiram após a Paz de Mapuá, como:
. Aldeia de Aricará, que originou a antiga Vila de Melgaço, depois de 1758;
. Aldeia de Arucaru, que originou a vila, hoje município de Portel

Outras Etnias da Ilha do Marajó:
. Índios Iuioanas (vide índios sacacas)
. Índios Mapuá
. Índios Anajás
. Índios Mamaianá
. Índios Camboca
. Índios Guaianá
. Índios Pixi-Pixi

Convém salientar que a Região do Arari abrigou importantes etnias marajoaras que vêm de uma milenar cultura, cujos vestígios foram encontrados no Lago Arari, na forma de sofisticados objetos de cerâmica, que hoje estão em exposições por museus de outras partes do Brasil e do mundo e que no Pará tem um acervo no chamado "Museu do Marajó", que foi criado pela obstinação do Padre Giovanni Gallo, que não recebe dos governantes municipais, estaduais e federais nem uma ajuda dessas esferas de governo e corre sério risco desses fragmentos e outros artefatos culturais dessa milenar cultura, se perder, pelo descaso, ao contrário dos vestígios dessa cultura que se encontram espalhados pelos museus do país e do mundo, que tem belos palacetes como abrigo, e recebendo atenções especiais, enquanto o Museu do Marajó enfrenta o descaso, com risco da perda de seu rico acervo.

O Museu do Marajó surgiu em 1972, no município de Santa Cruz do Arari, criado pelo padre italiano Giovanni Gallo, que enxergava longe o valor da preservação da chamada "Cultura Marajoara", que vem do Período Pré-Colombiano, em peças e elementos culturais que foram recolhidas com muitos sacrifícios e para o qual não é dirigido nenhum olhar para ajudar na preservação dos vestígios dessa rica cultura, pelo menos na Ilha do Marajó, onde está situado. Somente a voz do autor do Blog "gentemarajoara.blogspot.com.br", do marajoara José Varella Pereira e de outros poucos paraenses, se ouve a voz desesperada pela preservação do Museu do Marajó, e pela implantação de um turismo que leve em conta o verdadeiro ecoturismo e com viés literário/cultural, como propõe José Varella Pereira e a luta de outros grupos de marajoaras, que pugnam contra o completo abandono governamental em que os 16 municípios do Marajó se encontram e que lutam por um Marajó Forte, onde se pleiteia a implantação da Universidade Federal do Marajó, que ajudaria a alavancar o progresso não só econômico, como de outros segmentos sociais das populações dessa Grande Ilha, que se encontra em pleno coração do Sistema Deltaico-Estuarino Amazônico, que poderia servir como lugar de investimentos turísticos, envolvendo suas florestas, massas d'água de todos os tipos, de sua rica biodiversidade, de suas lendas e da Cultura Marajoara em geral, que engloba aspectos étnicos, econômicos, sociais, da rica culinária, da rica literatura do grande escritor marajoara Dalcídio Jurandir, da rica história da Colonização Portuguesa na Ilha do Marajó e outros aspectos culturais típicos do Marajó.

Quando falamos em História do Pará, há de se observar não só a história da Capital, a antiga Santa Maria de Belém do Grão-Pará, como de outros lugares, por onde se iniciou a construção dessa história, como da Região do Salgado que culminou com a fundação da Vila de Vigia, da Região Bragantina que culminou com a fundação da Vila dos Caeté, do Baixo Tocantins que culminou com a fundação da Vila dos Camutás, como também a História da Colonização na antiga "Ilha Grande de Joanes" onde muito sangue indígena foi derramado nesses lugares, em favor da chamada "Colonização do Pará", iniciada antes mesmo da fundação de Belém do Grão-Pará. Essa história envolveu muitas tribos indígenas a favor ou contra os colonialistas da Holanda, da Inglaterra, da França, da Espanha e Portugal na cobiça das riquezas dos Rio das Amazonas e de suas planícies ricas das espécies vegetais e animais, de minerais, terras agricultáveis e outros elementos naturais que serviam para abastecer a Europa e Estados Unidos com esses produtos exóticos, conforme mostram os documentos que se reportam às riquezas paraenses exportados para esses lugares nos períodos Colonial e Provincial do Grão-Pará.

A História do Pará pouco fala, não só das tribos e nações indígenas, como dos "Missionários" das diversas ordens religiosas que por aqui começaram a chegar logo após a fundação de Santa Maria de Belém do Grão-Pará, como os Padres Capuchos, dos Jesuítas, dos Mercedários e os de outras ordens que também se envolveram na "Catequização dos Indígenas", muitos de maneira heróica, como foram os casos dos Capuchos e Jesuítas que foram responsáveis pela fundação de dezenas de Lugares, Vilas e até Cidades nesses antigos tempos. E pouco se fala da ação desses padres no tocante as suas ações em favor dos povos indígenas, como foram os casos do célebre "payaçu" dos índios, o Padre Antonio Vieira, que se envolveu diretamente na chamada "Paz de Mapuá" do início de 1659, convocando os povos indígenas que estavam em guerra há mais de 40 anos e que conseguiu selar essa paz no seio dos povos indígenas marajoaras, que estavam em conflito desde a entrada dos franceses, holandeses, ingleses através do Rio das Amazonas, da colonização do Maranhão, das guerras de conquistas dos colonizadores portugueses com a saída da guarnição de Pedro Teixeira via Vila dos Camutás, tendo o "payaçu" dos indígenas conseguido o feito de pacificar os "ferozes" índios Nheengaíbas marajoaras, sem falar da maioria das cidades paraenses que surgiram através dos Lugares, Vilas, Aldeias e Missões Indígenas fundadas no Grão-Pará pelos missionários dessas ordens religiosas, que no início gozavam de prestígio e faziam a tutela dos povos indígenas, mas que depois, em 1661, foram expulsos de terras paraenses pelo Marquês de Pombal, devido solicitação de seu irmão Governador Provincial do Grão-Pará, Francisco Xavier de Mendonça Furtado, em fato que redundou na política governamental chamada "Civilização dos Indígenas" através do famigerado "Diretório dos Índios" (1757-1798), que atrasou a Educação do Pará em mais de 50 anos, e que só veio acelerar a dizimação dos povos nativos da Amazônia. Bem ou mal os missionários desenvolviam a educação, a socialização e a organização dos povos indígenas do Grão-Pará, que rendeu muitos frutos de civilização, organização nas atividades de caça e pesca, da coleta florestal e até do ensino das "humanidades" aos membros dos povos indígenas. Também sabemos que algumas ordens religiosas submetiam os povos indígenas pacificados e destinavam muitos aos trabalhos domésticos dos governantes e cidadãos abastados, dos trabalhos das paróquias, das construções de prédios em Belém e outras localidades, aos trabalho de suas fazendas e engenhos, que foi um mal menor que os usados pelos colonizadores portugueses, que aniquilaram muitos povos indígenas ainda no Século 17, como foi o caso da extinção dos povos indígenas do Marajó, Baixo Tocantins e Salgado paraense.
Aldeias
A maior parte dos municípios marajoaras tiveram sua origem das antigas aldeias dos índios, como:
. Aldeia dos Índios Mangabeuaras/Aldeia das Mangabeiras, que eram pescadores em terras da antiga Ponta de Pedras, os quais deram origem ao município nos primeiros tempos da colonização do Grão-Pará, Vila de Itaguari, comprovado pela "Camboa dos Padres" dos antigos frades das Mercês, existente nesse local.
. Aldeia de Joanes, que deu origem à Vila de Monforte, no final do Século 18, vinda da Aldeia dos Índios Sacacas, que veio a se tornar o atual município de Salvaterra, hoje lugar histórico e ecoturístico, que guarda parte das lembranças dos tempos coloniais do Grão-Pará.
. Aldeia de Mariocai, que deu origem ao atual município de Gurupá
. Aldeia de Aricará, que deu origem ao atual município de melgaço
. Aldeia de Arucaru, que deu origem ao atual município de Portel
. Adeia de Aruã, que deu aorigem ao atual município de Chaves
. Aldeia de Maruaru, que deu origem ao atual município de Curralinho
. Aldeia dos Guaianá, velha aldeia nativa dos guianases, transformada 1758 em Lugar de Vilar, no Igarapé Vilar (extinto, sepultado pelo barro e matagal), hoje Agrovila Antonio Vieira

Povos e Nações Indígenas da Ilha Grande de Joanes e Outros Aspectos Marajoaras Antigos
. Nação dos Índios Aroans
. Nação dos Índios Mucoans
. Nação dos Índios Ingaíbas
. Nação dos Índios Mariapans
. Nação dos Índios Cariponás
. Nação dos Índios Iuioanas, termo este que deu origem ao nome Joanes, que ficou chamada Ilha de Iuioanas, reduzido na atualidade para Ilha de Joanes, com vestígios da antiga arquitetura da antiga Igreja construída pelos Padres Missionários. 
. O termo "índio sacaca", usado na antiga Vila de Joanes, teve a seguinte origem, conforme os escritos de José Varella Pereira: no tempo de Severino dos Santos, que era um indígena pacificado e  Sargento-mor da Ordenança dos Índios da Vila de Monforte (naqueles antigos tempos existia as figuras do "soldado índio"), com o seu trabalho de administrador dessa antiga vila, os indios trabalhavam na antiga Fortaleza da Barra da Cidade e usavam o termo indígena "sacacon", palavra que quer dizer "aviar com o trabalho" e os índios das outras nações indígenas de língua diferente, não sabendo pronunciar corretamente o termo, passaram a chamar os antigos índios iuioanas que habitavam o centro da Ilha de Joanes com o termo  "sacaca", que deram origem a antiga Vila de Monforte (Joanes), aldeia sacaca que veio a ser o atual município de Salvaterra. Os antigos índios sacacas eram perseguidos pelos índios aroans, seus inimigos, que os empurraram para o lugar onde surgiu a Vila de Monforte, hoje correspondente ao atual município de Salvaterra.
Até aqui: Índios Marajoaras

               Dizimação das Tribos Indígenas do Pará:
          O Marquês de Pombal e o Capitão-General Francisco Xavier de Mendonça Furtado
              O Diretórios dos Índios
As tribos indígenas do Pará começaram a ser dizimadas pelos governantes portugueses já a partir do início do Século 17. Com a Instituição dos Diretórios dos Índios, implantado para substituir os padres missionários, os indígenas do Pará já tinham sido quase completamente dizimados pelas ações das tropas portuguesas. Em 1870, das antigas missões e aldeamentos dos padres missionários, só restavam 6 aldeamentos: 2 na Capital; 2 em Santarém; 1 em Porto de Moz e 1 em Portel. Foi nefasta para as populações indígenas da Amazônia a expulsão dos Missionários em 1761, ordenada pelo Marquês de Pombal e executada por Francisco Xavier de Mendonça Furtado. Nas Missões e Aldeamentos dos padres missionários os índios estudavam e aprendiam ofícios: sapateiros, ferreiros, carpinteiros, etc. Com o Diretório dos Índios, os mesmo eram obrigados a trabalhar para os colonos, comerciantes e, principalmente, para os Diretores dos Índios, sofriam castigos e ainda tinham suas mulheres abusadas pelos diretores e que também raptavam seus filhos menores.
               Outras tribos Tupinambás:


A mesma sorte e destino da nação guerreira dos índios Tupinambás tiveram os índios das tribos abaixo, motivados pelas seguidas guerras, expatriações ou transportações/descimentos, por decisões arbitrárias dos antigos capitães dos índios da Província do Pará:
·         Poquiguaras
·         Amanajás
·         Apinagés e outras tribos menos numerosas
                    Índios de Óbidos:
.          Índios Trombetas
.       Indios Trombetas, do Baixo Amazonas, nas áreas da atual cidade de Óbidos, no tempo da invasão holandesa no início do Século 17.
                     Índios da Zona Bragantina:
      Tribo dos Caytés e a Expedição de Daniel de La Touche, Senhor de La Ravardière
          Localidades de Tribos Indígenas
Caités ou Caetés, que eram tupinambás que habitavam a Região do Caité, citada em 1613 em contato com os invasores franceses da Expedição de Daniel de La Touche, Senhor de La Ravardière (Bragança e outras localidades como Turiaçu, inclusive Vizeu, Augusto Correa, ex-Urumajó, Capanema/Siqueira Campos, Primavera, Quatipuru/Miraselvas, Salinas/Salinópolis, Ourém, Guamá, Maracanã, ex-Cintra e Igarapé-Açu, Tracuateua, Piabas, Almoço e Montenegro, Nova Canindé, Peritoró, Bacuriteua, Caratateua, Nova Mocajuba, Tujóca/Benjamim Constant, Treme, Santa Maria, Mano dos Santos e outras localidades com suas tribos indígenas, espalhados pelo vasto território do Caité, este com mais de 68 quilômetros de extensão), descrito muito antes do desembarque de Caldeira Castelo Branco no Grão-Pará, e que deu origem à Capitania Sousa do Caité (ou sub-capitanias do Gurupy e Caité), de Gaspar de Sousa e para onde vieram os franceses chefiados por Daniel de La Touche, Senhor de La Ravardiere, expulsos por Jerônimo de Albuquerque do Maranhão. Os Caités da nação Tupinambás acolheram bem os franceses, daí o nome de Benquerença, outro antigo nome de Bragança. Em Bragança existe o Bairro da Aldeia onde existia os índios Tupinambás da Taba dos Caytés, estes amigos dos invasores franceses desde 8/7/1613.
.     Índios Tembés, de Vizeu
.     Índios Apotiangas, de Maracassumé.
Em 1633, Francisco Coelho de Carvalho doou a Capitania de Caité a seu filho, Feliciano Coelho de Carvalho, que levantou a sede da Capitania à margem do Rio Piriá, na aldeia dos índios Apotiangas, da nação Tupinambás, com o nome de Vera Cruz. Álvaro de Sousa reclamou e ganhou a posse dessa Capitania em 13/2/1634, agora Capitania Sousa do Caité ou Vila Cuéra, posteriormente.
.  Índios Maracanãs ou Paracanãs, antiga etnia também existente em Maracanã/Pa, de índios Tupinambás;
.     Tribo dos Maracatins:
Tribo dos Maracatins, Tupinambás das cercanias de Belém (incluindo índios das margens dos rios das várias localidades às proximidades), que tiveram seu massacre já a partir do século 17, pela ousadia dos selvagens de tentarem por cerco ao Forte do Presépio, por mar e por terra. Entre essas etnias, os Maracatins, dos arredores de Belém.
                    Índios em terras do Capim
     Etnia Turyuaras, com as aldeias:
.          Suaçupepora
.          Cauaxiy
.          Cariucaua.
.          Aldeia dos Amanagés
No rio Ararandeua, afluente do Capim, duas Aldeias de Amanagés
.          Aldeia dos Tembés
No Rio Candiru-assú, afluente do Capim, com aldeias de índios Tembés, vindos do Gurupy.
.          Aldeia Tracuateua, do Rio Gurupy.
Indios no Rio Poteritá, afluentes do Rio Capim
No município de Vizeu, no Alto Gurupy, em 1854 são citados 3.000 almas com 16 aldeamentos de índios das seguintes tribos:
.          Timbiras antigos
.          Timbiras recentemente chegados
.        Índios Tembés, que furavam os lábios e as orelhas e andavam nús, como faziam também os Timbiras antigos. Os Tembés e os Timbiras antigos eram rivais e viviam sempre em luta. Em 1854 esses índios já tinham perdidos esses seus antigos costumes e ferocidade e se subdividiram em pequenas malocas e comerciando com os brancos.
.       Índios Uaiaras ou Guajarás, puramente selvagens e sem residência fixa, vida errante.
               Outros índios de Vizeu e suas aldeias com nomes dos igarapés ou rios:
.     Aldeia Uruhay
.     Aldeia Jararaca
.     Aldeia Prainha
.     Aldeia Anayateua
.     Aldeia Pimental
.     Aldeia Gurupy-miry
.     Aldeia Apará
E a aldeia de Tracuateua, dos índios Tembés, do Alto Gurupy, citada acima e dizimada por comerciantes e autoridades inescrupulosas, devido conflitos de então, aldeia que mudou para Candiru com a invocação de Santa Leopoldina, no mesmo rio, anos de 1850.
Tembés, etnia de São João da Ponta/Pa e Mãe Grande de Curuçá, da nação Tupinambás;
               Outras povoações Tupinambás
Cumã, no Maranhão, que era uma aldeia indígena da nação dos Tupinambás, que foram massacrados e a aldeia destruída por Mathias de Albuquerque já em 1616. Além dessas aldeias, os governantes portugueses do Grão-Pará, ainda massacram os Tupinambásas das seguintes aldeias:
.     Aldeia de Caju, no Grão-Pará, destruída por Diogo Botelho, em 1617
.     Aldeias dos Mortinguras (em Conde e Iguapé), no Grão-Pará, chacinadas pelo alferes Francisco Medina, em 1617.
.     Aldeia Iguapé.
               Outras informações:
.     Aldeia Uruitá, em Vigia/Pa, na região do Salgado, cujos primeiros moradores foram os índios Tupinambás, que ergueram a aldeia Uruitá.
               Vila d'El-Rei em Curuçá:
Vila d'El-Rei/Curuçá/Pa, que teve origem das antigas missões dos jesuítas que no século 17 fundaram a fazenda denominada Curuçá, sob a devoção de Nossa Senhora do Rosário, que perdurou até o ano de 1757, que com a expulsão dos jesuítas do Brasil, mudou a denominação para Vila d’El-Rei e somente em 1895 retomou o nome de Curuçá.
               Vila de Cintra:
Vila de Cintra/Marapanim/Pa, que foi desmembrada de Curuçá/Pa em 1931, foi extinta em 1932, passando a fazer parte do município de Castanhal e novamente restabelecido como município em 1933. Teve suas terras missionados pelos padres jesuítas, que fundaram a fazenda Bom Intento, em 1775 e que passou para a jurisdição da Vila de Cintra, hoje Maracanã. Marapanim sofreu ainda várias mudanças em sua história.
São João da Ponta/Pa, município criado em 1995, desmembrado de São Caetano de Odivela
               Reserva Indígena do Alto Rio Guamá:
Atualmente (2011), existe a Reserva Indígena Alto Rio Guamá, com um total de 279 mil hectares de terras distribuídos pelos novos municípios de Santa Luzia do Pará, Nova Esperança do Piriá e Paragominas.
               Outros Tupinambás no Grão-Pará
.     Índios Omaguas, do Tocantins como os melhores soldados na guerra contra os invasores holandeses da Foz Amazônica no início do Século 17.
.     Índios Aruãs:
.     Índios da Aldeia dos Aruãs, citados em 1653, da Ilha Grande de Joannes (hoje Chaves), que eram ferozes e canibais, que foram missionados pelos padres capuchos de Santo Antonio e que, posteriormente, conforme a história, foram catequizados em um sermão do Padre Vieira, sem antes terem devorados alguns padres jesuítas.
.     Índios Tucujus:
Tucujús, indios Tupinambás da Foz do  Rio Amazonas.
O Forte do Torrego localizado na Ilha dos índios Tucujus, citados em 1668.
.     Índios Nheengaíbas:
Nheengaíbas, índios Tupinambás do Arquipélago do Marajó. Nheengaíbas e Tucujus desenvolviam intensas atividades de comércio com os invasores holandeses, franceses e ingleses, que permutavam seus produtos com mercadorias da Europa. Esse foi um dos motivos que levaram os governantes portugueses a iniciar o extermínio desses povos do Marajó e Tocantins, Rio Amazonas e seus afluentes, já no século 17, iniciado pelo Capitão-Mór do Pará Baltazar Rodrigues de Melo.
               Tapajós, índios Tupinambás da Foz do Rio Tapajós.
Em outros antigos documentos de 1854, são citadas as seguintes tribos indígenas:
Indios do município de Portel:
.     Tribo Curupity (descendentes da antiga tribo Itauã), do Alto Pacajás.
.     Tribo Anambé, que constituía a antiga tribo Cumaru, do Alto Pacajás.
Em 1854 essas duas tribos já estavam pacificadas, vivendo do cultivo de mandioca e coleta de castanha.
.     Tribo Curumbu
.     Tribo Curupitys
.     Tribo Anambés
.    Tribo Curumbu, em constante desavenças com os índios Curupitys e Anambés que ali tem aparecido, citados acima.
Tribos do Rio Uanapu:
Nas cabeceiras do rio Uanapu, com uma numerosa tribo de índios belicosos, que atacavam os extratores da goma elástica naqueles bosques.
               Índios do município de Gurupá:
.     Tribo Apary
.     Tribo Urucu-ianá
No Rio Paru:
.    Índios da tribo Apary, esta no lugar chamado Arimatá-purú e tribo Urucu-ianá, com numerosos indivíduos que não são nômades.
               Índios da Freguesia de Almeirim:
.     Tribo Apáma, que em 1854 já tinha migrado para o rio Maicurú, no distrito de Monte Alegre.
.     Tribo Upuruhy, no rio Parú.
.     Tribo Aiapy, no lugar denominado Tujujú-maity.
.     Tribos Atamacum e Arinahiu, para o centro das matas.
Havia comunicação e mistura entre as tribos do rio Parú e rio Jary.
               Índios do município de Porto de Moz e Rio Xingu:
.     Aldeia de Maturu
Porto de Moz foi ereta vila em 1758 na margem direita do Rio Xingu  e que se originou dos índios da Aldeia de Maturu, assistida pelos Padres Capuchos da Província da Piedade.
.     Tribo Tucunapeua, que se formou em 1859, no rio Xingu. 
.     Tribo dos Jurunas
.     Tribo Tucunapeua
.     Tribo dos Xipocas
.     Tribo dos Araras
.     Tribo dos Tapaiunas
Acima das cachoeiras do Rio Xingu, as tribos seguintes: Jurunas, Tucunapeuas, Xipocas, Araras, Tapaiunas e outras, sendo a nação Juruna a mais numerosa, com aproximadamente 3.000 almas em 1854.
               Índios do município de Itaituba
.     Aldeia dos Mundurucus
.     Tribo dos Maués
.     Índios Mundurucus
Três aldeias de índios Mundurucús, à margem do rio Tapajós e abaixo da vila e mais 29 malocas de índios Mundurucús, nas matas do município e com aproximadamente 9.000 almas.
.     Índios Maués
Quatro malocas da tribo Maués nas margens do rio Tapajós e nas terras centrais 28 malocas desses mesmos índios, com mais de 5.000 almas.
Índios no Xingu:
               Os ìndígenas e  os Invasores Estrangeiros
.     Posto de Mariocay e o Forte de Gurupá:

Mariocay, era um posto fortificado holandês, citado em 1916, do lado do rio Xingu e a ação de reconquista para Portugal desta terra, realizada por Bento Maciel Parente e Luis Aranha de Vasconcelos, auxiliados pelos indígenas que fundaram o forte de Santo Antonio de Gurupá, onde ficava o forte holandês.

Povoação de Mandiutuba:
Quando, em 1625, os holandeses penetraram no Xingu, plantaram uma fortificação entre os rios Piri e Acarai, às proximidades de indígenas pescadores e coletores, a povoação de Mandiutuba. Pedro Teixeira e uma força de 50 homens realizaram a defesa dessas terras para os portugueses ao destruir, em 1625, a referida povoação.
               Índios no Rio Pacajá
As tropas portuguesas, apesar da ajuda dos índígenas na reconquista das terras ocupadas pelos estrangeiros,  por ordem do Capitão-Mor do Grão-Pará, expediu em 11/1627, para o rio Pacajá, o capitão Pedro da Costa Favella para sujeitar ao Governo da Capitania os indomáveis índios que estavam em levante no Rio Pacajá.
               Indios do Rio Tocantins
.     Índios da tribo Jauorite-Tapuira
.     Índios Anambés
.     Nação dos Índios Tupinambás

Nos tempos mais antigos apareceram no rio Pacajá Grande os índios da tribo Jauorite-tapuira que eram índios antropófagos que fizeram guerra contra os índios Anambés que ocupavam as cabeceiras do Pacajá Grande e os Anambés se retiraram e formaram uma aldeia no Tauá, aldeia nas cabeceiras do Rio Caraipé. Em 1864 os Anambés eram a única família indígena existente no Baixo Tocantins. O motivo dessa escassez de indígenas no Baixo Tocantins é que a nação guerreira dos índios Tupinambás desapareceu na luta desigual contra os conquistadores europeus e os que restaram foram engrossar as fileiras dos escravos dos colonos tocantinos.
               Indios do Vale do Xingu 
.     Aldeia Pirauiti Índios
Índios em Vila Pombal, esta criada em 1758, na margem direita do Rio Xingu, onde foi a Aldeia Pirauiti, missionada pelos Padres Jesuítas.
.     Aldeia de Maturu
Índios em Porto de Moz, esta criada em 1758, na margem direita do Rio Xingu, onde foi a Aldeia de Maturu, missionada pelos Padres Capuchos da Piedade.
.     Aldeia de Santo Ignácio de Aricary:
Índios da Vila de Sousel, citados desde 1723, vila criada em 1758, missionada pelos Padres Jesuítas
.     Aldeia Cauiana, na Vila de Vilarinho do Monte, esta criada em 1758 e subordinada à Vila de Gurupá, aldeia missionada pelos Padres Capuchos da Piedade.
.     Aldeia de Itacuruçá:
Localizada na Vila de Veiros, esta criada em 1758.
.     Aldeia de Arapijó, esta localizada na Vila de Carrazelo, esta da jurisdição da Vila de Gurupá.
               Índios no Rio Tapajós
Em 1628 uma expedição foi enviada para o Tapajós com o propósito de sujeitar também os índios em levante do Tapajós.
.     Índios Tucujus e o Forte Torrego:
Em 1668 documentos de provinciais citam índios Tucujus às proximidades do Forte Torrego, ocupados por estrangeiros. Os chefes indígenas se unem às tropas portuguesas na reconquista empreendida por Portugal do Forte de Torrego.
               Dizimação dos Índios da Aldeia de Muturu
A Aldeia de Muturu, erguida em 1639 sob a invocação de São Braz, depois Vila de Porto de Moz, no Alto Rio Xingu, que no conceito dos colonizadores portugueses, era constituída de índios truculentos, por isso suas aldeias foram dizimadas. E foi o Capitão Favella, auxiliado pelo Sargento-Mor Antonio da Costa, que executaram a ação militar onde acontece a morte de 700 selvagens, aprisionamento de 400 e a destruição de 300 ocas que ficaram envoltas em chamas. Foram os Padres Capuchos de São José, em 1639 os primeiros responsáveis pela Aldeia de Muturu e a seguir, os Padres Jesuítas.
Índios do Baixo Rio Xingu:
Os aldeamento no Baixo Rio Xingu eram de responsabilidade do Padres Capuchos da Piedade, que foram os primeiros a realizar a catequese e exploração nessa área e que fundaram o lugar chamado Boa Vista dos Portugueses, com Freguesia e vigário.
               Os Índios e o Município de Altamira
.     Tribo dos Tucuuba
.     Tribo dos Penes
.     Tribo dos Jurunas
.     Tribo dos Achipaias
.     Tribo dos Curiarias
.     Tribo dos Araras
.     Tribo dos Carajás
Foram os frades Ludovico e Carmelo de Mazzarin que em 1868, com os índios das tribos Tacuuba, Penes e Jurunas e, depois, com as tribos Achipaias, Curiarias, Araras e Carajás determinaram o crescimento de Altamira na margem esquerda do rio Xingu, acima da foz do rio Ambé. Logo, Altamira foi criada pelos jesuítas, que foram primeiros que conseguiram chegar por terra, fazendo a Volta Grande do rio Xingu. Com a expulsão destes religiosos, ficou restabelecida como Missão dos Padres Capuchinhos. 
                    Missões Jesuíticas no Alto Xingu
.     Missão de Aricará
.     Missão de Piraveri
.     Missão de Itacuruçá
.     Índios Jurunas
.     Índios Penas
.     Índios Araras
.     Índios Achipayas
.     Missão de Aricará
.     Missão de Piraveri
.     Missão de itacuruçá
No alto Xingu os jesuítas estabeleceram as missões de Aricará,  Piraveri  e Ita curuçá, que eram tão populosas de indígenas que foram logo eretas como vilas,  todas três sobre o Rio Xingu. Nessas povoações os jesuítas reuniam indígenas de várias etnias como Juruna, Penas, Araras e Achipayas, que viviam da agricultura, caça e coleta de salsaparrilha, cravo, castanha. As aldeias foram abandonadas pelos nativos logo após à expulsão dos missionários jesuítas, em 1755, decretada por Sebastião de Carvalho e Mello, o Marquês de Pombal e, finalmente, a saída desses missionários do Pará, em 1759.
               Aldeias Indígenas no Xingu
.     Aldeia de Itacuruçá
.     Aldeia Piraguari
.     Aldeia de Santo Ignácio de Aricari
.     Nação dos Juruna
.     Aldeia Javari
Em 1694, religiosos jesuítas estabeleceram a aldeia de Itacuruçá, com mais de 800 índios e dedicada a São João Batista, e reunida com vários grupos indígenas que não viviam pacificamente entre eles e, por isso, não progrediu.  Os padres jesuítas fundaram, em 1727, a aldeia Piraguari, com os índios dissidentes de Itacuruçá, com mais 700 índios de várias etnias. em Piraguari. Fundaram em 1739 a Aldeia de Santo Ignácio de Aricari que contava com mais de 900 indígenas, muitos dos quais batizados, onde a maioria pertencia à nação Juruna, estes considerados canibais. Posteriormente os padres Manoel dos Santos e Roque Hundertpfundt criaram a Aldeia Javari.
               Índios Aldeados no Xingu
.     Missão de Aricará
.     Missão de Itacuruçá
Os Índios Aldeados do Xingu, homens e mulheres, trabalhavam nas coletas das Missões de Aricará e Itacuruçá, por interesse dos religiosos das missões e como como canoeiros nas viagens das coletas. A região do Xingu era rica em  salsaparrilha, copaíba, cacau. Pelo contato com o homem branco muitos índios aldeados dessas missões morreram afetados pelas doenças dos brancos.
               Índios e Aldeias dos Rios Xingu, Tapajós e outros rios
.     Aldeias dos Tapajós
.     Aldeias do Xingu
.     Aldeias do Rio Madeira
.     Aldeias do Tocantins
Entre 1771-1774 as Aldeias dos Tapajós e Xingu estavam organizadas no sistema de  aldeias de Diretórios e, por isso, eram obrigadas a fornecer os trabalhadores para a agricultura, o extrativismo, os serviços da Coroa Portuguesa, como a construção de fortalezas, igrejas, prédios, abertura de canais, e, ainda, para o trabalho nas expedições de demarcação de fronteiras, nas expedições científicas, nas atividades do arsenal de Marinha de Belém, assim como nos serviços prestados para os colonos, conforme atestam documentos expedidos nesses tempos. Eram os tempos dos "descimentos" forçados de indígenas por diferentes lugares do Grão Pará, onde as nações indígenas dos rios Madeira, Tapajós, Xingu e Tocantins estiveram no centro desses constantes movimentos e isso devido a desmedida ambiação do homem branco que usavam os índios para enriquecer mais rapidamente ou aumentar seus lucros comerciais. Aqui citamos as figuras do comerciante de regatão e donos de engenhos que usavam sistematicamente a mão-de-obra indígena em seus serviços e negócios.
Povoações que surgiram a partir dos aldeamentos indígenas no Rio Xingu:
Povoações já com os nomes e hierarquia de conformidade com as instruções de Francisco Xavier Mendonça Furtado:
.     Gurupá Vila criada em 1639
.     Aldeia dos Pirauiti
.     Pombal Vila criada em 1758, assentada na margem direita do rio Xingu. Foi aldeia dos Pirauiti, missionada pelos Jesuitas.
.     Aldeia de Muturu
.     Porto de Moz Ereta em 1758, situada na orla direita do rio Xingu, onde foi a 1ª Aldeia de Maturu dos missionários da Província da Piedade.
.     Aldeia de Santo ignácio do Aricari
.     Souzel Vila criada em 1758, que foi a antiga aldeia de Santo Ignacio do Aricari, citada 1723).
.     Aldeia Cauiana
.     Vilarinho do Monte, Lugar fundado em 1758 e subordinado à vila de Gurupá e que foi antiga aldeia Cauiana administrada pelos Padres Capuchos da Piedade.
.     Aldeia de Itacuruçá
.     Veiros, lugar que veio da antiga Aldeia de Itacuruça.
.     Aldeia de Arapijó
.     Carrazedo, lugar pertencente à jurisdição da vila de Gurupá e que era a antiga aldeia de Arapijó.
.     Boa Vista, lugar dependente da Vila de Gurupá, e situado abaixo do igarapé Macupá.
As localidades citadas abaixo, da Região do Xingu, vindas dos aldeamentos indígenas, citados em documentos entre 1764-1769, eram grandes produtores, no Grão-Pará, de gêneros para exportação para a Capital e Portugal:
               1764:
.     São João Batista de Itacuruçá
.     São João de Veiros
.     São João do Piraguari
.     São João de Pombal
.     Santo Inácio de Aricari
.     Santo Inacio de Souzel
               1765:
.     Porto de Moz
.     Veiros
.     Pombal
.     Souzel
.     Santa Cruz de Caviana
.     Vilarinho do Monte
.     Porto de Moz
               1767:
.     Porto de Moz,
.     Veiros
.     Pombal
.     Souzel
               1769
.     Porto de Moz
.     Veiros
.     Pombal
.     Souzel
Produtos coletados pelos indígenas: castanha, breu, algodão, óleo de copaíba, azeite de andiroba, cacau, estopa da casca de castanheira, cravo, café, tabaco, manteiga de tartaruga, pirarucu, tartarugas, jabutis, farinha de mandioca, salsa,peixe salgado e outros.
               O Xingu como Região Indígena
A região do Xingu possuía o maior número de indígenas do Pará e o menor número de escravos das oito regiões em que se divida a Província do Pará e era para esses núcleos populacionais indígenas que se dirigiam as políticas de catequização, fundamentadas nas concepções colonizadoras do Marquês de Pombal.
               O Regulamento das Missões de 1845 e as Terras Indígenas
O Império Brasileiro aprova e faz valer o decreto nº 426 de 24/7/1845, que trata da catequese e missões indígenas, decreto objetivos de regulamentar a situação dos índios no Brasil, continha diretrizes sobre as Missões de Catequese e Civilização dos Índios” e esse regulamento nada mais era do que a continuidade da antiga política de aldeamentos instalada pelos missionários desde o século XVII, só que agora interferindo nas terras e no modo de vida selvagem dos índios.
               Diretores Indígenas Para os Índios Aldeados
.     Tribo Taconhapé
Em 1855, na Província do Pará, existiam 15 Diretorias que se reportavam aos 14 aldeamentos e seus 2.472 indígenas aldeados e que procurava estabelecer os contratos em terras indígenas, mas que gerou mais conflitos do que nos tempos dos religiosos missionários e, por força dessa intervenção, se acirraram os conflitos entre as nações indígenas. Como exemplo temos em 10/12/1857 o documento do Ministério dos Negócios do Império, informando o pedido de auxílio militar feito pelo Indígena Manoel Macundé, Cacique da Tribo Taconhapé, situada nas cabeceiras do Rio Xingu e que queria a mudança da sua tribo, composta de mais de 400 indígenas, que desejavam ir para mais abaixo do mesmo rio. Porém, teriam que enfrentar outra tribo hostil e muito numerosa que também habitava a margem do Xingu. Em tempos mais remotos os índios tinham liberdade de se deslocar de um lugar para outro a seu bel-prazer.
               Os Índios no Ciclo da Borracha
O Ciclo da Borracha no Pará veio acirrar os ânimos entre índios e brancos colonizadores. No final do Século 19, vários conflitos foram travados por seringalistas contra os indígenas e, para isso,  organizavam os trabalhadores para atacar e combatê-los. A presença de seringueiros empurrava os territórios de um grupo indígena para o interior das matas, em ações que, de imediato, repercutia sobre o do grupo vizinho, gerando mais conflitos entre diferentes tribos.
A ascensão dos preços da borracha impulsionou a procura de florestas com abundância de seringuais, o que exigia disponibilizar força de trabalho para explorá-las. Os seringueiros avançavam sempre mais o vale do Xingu.
.     Índios Tucunhapeuas
.     Índios Jurunas
Os impactos sobre os grupos indígenas são citados em documentos provinciais, dos anos de 1858-1859, que cita o aparecimento de avultado número de índios das tribos dos Tucunhapeuas e Jurunas, vindos das cabeceiras do Rio Xingu, devido as ilhas e as florestas de terra firme por eles ocupada tornaram-se objeto de disputa por seringais. Os indígenas, qualificados de índios bravos eram atacados com armas de fogo, eles se defendiam com porretes, flechas e excepcionalmente armas.
E os seringalistas utilizavam-se de diversos meios para obrigar membros de aldeias, famílias a trabalhar nos seringais, com ataques as malocas, estimulo as guerras entre grupos indígenas, endividamento e o comercio de armas, obrigando os indígenas a deixar as malocas para viver nos barracões dos seringalistas.
Índios Açurinis
Nesse embate entre seringalistas e grupos indígenas, a diferença de forças foi era desproporcional, mas os ferozes Açurinis do Vale do Xingu, faziam constantemente diversos ataques, conforme citações de 1895, na Serra do Paçai de Cima e na Praia Grande quando atacavam seringueiros.
               O Descimento dos Índígenas
.     Tribo Tocanhapeua
Por conta do Regulamento das Missões e ações dos diretores dos índios, estes estavam sempre sendo deslocados de modo espontâneo ou forçado, para outros aldeamentos ou para os serviços ou negócios dos colonizadores. "O presidente da Província, Manoel de Frias e Vasconcelos informava, em 1859, que o cidadão Domingos Antonio Ferros, que havia feito um contrato com a Presidência para o descimento dos índios da tribo Tocanhapeua, habitante do Alto Xingu. Esse senhor apresentou-se em 4 de abril de este ano com 9 daqueles selvagens entre os quais 2 tuxauas, que no dia 16 do mesmo mês receberam o batismo a mulher de um tuxaua e o filho do outro, de 9 anos de idade, e os despedi, depois de ter distribuído com todos uma porção de roupa, armas de caça, terçados e varias ferramentas de oficio e de lavoura. Voltaram muito satisfeitos. Tratei desde então de procurar um missionário para ir instruir estes indígenas, e encontrei na pessoa do Frei Marcelo de Santa Catarina esse auxiliar, o qual nomeado pelo Reverendo Archidiego Vigário Capitular o fiz seguir no dia 1 de julho findo com as Instruções que encontrareis em anexo, munido de todos os paramentos e alfaias necessários para os cultos sagrados". Vê-se que nesses tempos os indígenas eram destituídos de ambições e se contentavam com os presentes dos brancos e aderiam a fé cristã dos colonizadores.
               Os Indígenas, a Saúde e as Doenças dos Brancos
As doenças dos brancos grassa no meio das tribos indígenas do Baixo Xingu, sob completo descaso das autoridades no Período Provincial do Pará. Não aconteciam as intervenções das autoridades na questão da saúde dos povos indígenas nas Missões do Xingu. Febres Intermitentes nas povoações indígenas de:
.     Porto de Moz
.     Vilarinho do Monte
.     Carrazedo
.     Tapará
               Índios e Missões do Xingu no Período Provincial do Pará
.     Índios Tacuuba
.     Índios Penes
.     Índios Jurunas
.     Índios Achipaias
.     Índios Curiarias
.     Índios Araras
.     Índios Carajás
Mesmo com todas as dificuldades, especialmente na questão da saúde indígena, os religiosos insistiam nas Missões do Xingu. Os capuchinhos Ludovico e Carmelo de Mazzarino dirigiram-se, em 1868, ao Ministério da Agricultura para restabelecer uma missão na margem esquerda do rio Xingu, acima da foz do rio Ambé, na qual pretendiam reunir índios Tacuuba, Penes, Jurunas, Achipaias, Curiarias, Araras e Carajás.
               Índios do Araguaia
.     Tribo Carajás
               A Questão Indígena na Visão Governamental do Período Provincial do Pará:
Citação de 1883:
  • Nos períodos Colonial e Império havia a idéia de integrar os índígenas através da força de seus trabalhos como meio de levá-los à civilização dos brancos.
  • A Catequese e Civilização de Índios, era o nome para a questão da integração dos índios ao meio civilizado dos brancos
  • A Província do Pará possuía um imenso território e precisava de muitos braços para os serviços das lavouras, para as coletas e para os serviços do homem branco. Se tornava necessário atrair para o meio civilizado dos brancos os silvícolas que vagueavam errantes pelas florestas, pondo em sobressalto os habitantes dos povoados vizinhos às aldeias indígenas. 
  • Desse modo o índio tornar-se-ia um cidadão útil, trazendo para a agricultura da Província a força de seu braço.Infelizmente os meios até agora empregados para a consecução desse suposto objetivo tem sido nulos, pouco se aproveitando com as somas despendidas.
  • Precisava-se de um sistema metódico de catequese, seriamente estudado para para atrair à civilização um grande numero de silvícolas.
  • Criou-se a Diretoria Geral dos Índios do Pará, que então estava organizada em 14 unidades. O coronel José Evangelista de Farias Maciel foi nomeado pelo Barão de Maracaju para ocupar o cargo de Diretor Geral.
E essa política se abateu pesada sobre os indígenas do rio Xingu, onde se insistia na política de trazer os indígenas à civilização mediante o trabalho.

               Outras Aldeias, Vilas e Localidades com Origem Indígena
.  Freguesia de Juruty, que antes foi aldeia dos índios Mundurucus, fundada em 1818
.  Aldeia Pirauiti, missionada pelos padres jesuítas e que deu origem à Vila de Pombal em 1758.
.  Aldeia de Santo Ignácio, missionada pelos padres jesuítas citada em 1723 e que deu origem à antiga Vila de Souzel ereta em 1758.
.  Aldeia Cauiana, missionada pelos Padres Capuchos da Piedade e que deu origem à antiga Vila de Vilarinho do Monte ereta em 1758 e subordinada à Vila de Gurupá.
.  Aldeia de Itacuruçá e que deu origem à antiga Vila de Veiros ereta em 1758.
.  Aldeia Arapijó que deu origem à antiga Vila de Carrazedo, esta subordinada à Vila de Gurupá.
.  Aldeia de Caeté, citada em 1664, que deu origem à Vila Souza do Caeté, atual cidade de Bragança.
.  Aldeia dos Índios Uruitás, citada em 1639, que deu origem a atual cidade de Vigia. 
 .  Aldeia de Índios Tupinambás, citada em 1757 e que deu origem ao atual município de Colares
.  Aldeia dos Índios Maracanãs, citada em 1757, missionada pelos Padres Jesuítas e que deu origem ao atual município de Maracanã.
.  Aldeia dos Maraunas, citada em 1757, que deu origem ao atual município de Salvaterra.
.  Aldeia dos Índios Maruanazes e Mundis, citada em 1757, que deu origem ao atual município de Soure.
.  Aldeia de Aricary ou Piraquiry, citada em 1727,  às margens do Rio Xingu e que deu origem ao atual município de Senador José Porfírio.
.  Aldeia Jurubiu, citada em 1729 e que deu origem ao atual município de Alenquer.
.  Aldeia do Paru, na margem esquerda do Rio Amazonas, citada em 1758, missionada pelos Padres Capuchos de Santo Antonio e que deu origem ao atual município de Almerim.
.  Aldeia dos Índios Aruãs, citada em 1755, que recebeu o nome de Santo Antonio de Aruãs, missionada pelos Padres Capuchos de Santo Antonio e que deu origem ao atual município de Chaves.
.  Aldeia dos Índios Jamundás, localizada abaixo da confluência dos rios Paracatu e jamundá, que posteriormente foi transferida pelos Padres Capuchos de Nossa S. da Piedade para um lago sob a denominação de Aldeias dos Jamundás ou Nhamundás, citada em 1758.
.  Aldeia de Guarimu ou Arycuru, citada em 1758, catequizada pelo Padre Antonio vieira e missionada pelo Padres Manuel de Souza e Mateus Delgado e que deu origem ao atual município de Melgaço.
.  Aldeia de Gurupatuba, np Rio Amazonas, citada em 1757 e missionada pelos Padres Capuchos da Piedade.
.  Tribo dos Índios Pauxis, citada em 1758, no Rio Trombetas, onde foi erguido um Forte, na região onde o Rio Amazonas se estreitava, missionada pelos Padres Capuchos.
.  Aldeia dos Bocas, citada em 1661, missionada pelos Padres Jesuítas, no Rio Oeiras que deu origem ao lugar Araticu, hoje municípios de Oeiras do Pará.
.  Aldeia de Arucará, citada em 1758, missionada pelos Padres Jesuítas e que deu origem ao atual município de Portel.
.  Aldeia de Maturu ou Muturu, citada em 1758 e que deu origem ao atual município de Porto de Moz.
.  Aldeia dos Índios Tapajós ou Tapaius, citada em 1758, fundada pelo Padre João Felippe Bettendorf, da Companhia de Jesus, na confluência dos Rios Amazonas e Tapajós, onde foi construída uma fortaleza na aldeia e que deu origem ao atual município de Santarém.
.  Aldeia dos Borais, onde Francisco Xavier de Mendonça Furtado criou a Vila de Alter do Chão, citada em 1758.
.  Aldeia dos Tupinambás, onde Mendonça Furtado criou a Vila de Boim, citada em 1758.
.  Aldeia dos Arapiuns, onde Mendonça Furtado criou a denominada Vila Franca, citada em 1758.
.  Índios Aruãs, que junto com os Índios Nheengaíbas formavam os "Homens de Pacaval", citados em 1747, missionados pelos Padres Jesuítas, e cujas populações deram origem  à Freguesia de Nossa S. da Conceição da Cachoeira e que deu origem ao atual município de Cachoeira do Arari.
.  Aldeia de Mangabeiras, que deu origem à Freguesia de Nossa S. da Conceição, citada em 1757 e que deu origem ao atual município de Ponta de Pedras.
.  Aldeia de Umbuquara, na margem esquerda do Rio Amazonas, missionada pelos Padres Capuchos de Santo Antonio e que deu origem ao atual município de Prainha.
.  Aldeia dos Mundurucus, citada em 1847, que originou uma vila nas margens do Rio Amazonas, e que deu origem ao atual município de Juruti.
.  Aldeia Gibrié ou Curuçá, citada em 1897 e que deu origem ao atual município de Barcarena.
.  Índios Camutás:
.  Indíos Camutás, citados em 1635, missionados pelo Frei Cristovam de São José, na margem esquerda do Rio Tocantins, com a Aldeia de Nossa S. do Socorro em Cametá-Tapera, esta como origem do município de Cametá e situada a duas léguas da atual cidade de Cametá, lugar onde pela 1ª vez foi levantada e adorada a Cruz cristã nas margens do Rio Tocantins e foi desse lugar que partiu, em 1637, a famosa expedição ao Rio Amazonas, comandada pelo bravo Pedro Teixeira, para combater os holandeses invasores do Grão-Pará.

               Missões, Aldeias, Aldeamentos, Povos Indígenas
Captura dos índios para servirem de escravos nas residências, igrejas, fazendas ou engenhos ou soldados das forças militares do período da colonização.
Quando os índios eram apresados pelas tropas militares ou “descidos” (remanejados) de suas aldeias para os aldeamentos implantados pelos padres missionários, esses índios eram preparados para uma série de atividades civis e militares do período colonial e provincial do Pará. Os índios começavam a aprender a ler e escrever, aprendiam os ofícios ensinados pelos próprios missionários e aprendiam as técnicas do plantio de outras culturas, além do milho e mandioca.
Os aldeamentos também serviam de preparo dos índios para fazer parte como soldados nas expedições de guerra das forças militares da Coroa Portuguesa.
Os índios apresados aprendiam uma profissão, eram batizados e recebiam um nome cristão:
               1756:
O Governo do Grão-Pará e Maranhão, Francisco Xavier de Mendonça Furtado envia a seu irmão, o Marquês de Pombal/ a relação dos índios que desertaram das fileiras militares, acusando o enorme prejuízo que a fuga desses índios causou aos cofres de sua majestade, influenciados pelos padres jesuítas:
·        Carpinteiros navais do povo Maracanã: Afonso Guaramanduba, Urbano, Raimundo Coema, João Moteque, Antonio Assu, Thomé Pucu, Natário e Miguel Assu.
·        Serralheiros do povo Bourary: Antonio, Paschoal, Teodósio e Domingos.
·        Pedreiros do povo Tapajó: Manuel de Jesus, Januário e Manuel.
·        Tanoeiros do povo Aricará: Afonso, Frutuoso valério, Severino, Pedro, Alexandre Bueno, Fernando, Agostinho, Bonifácio, Martinho, João Lucas e Alexandre.
·        Entalhadores do povo Itacurussá: Antonio, Júlio, Geraldo, Romão, Alberto, Jacinto, Patrício, Bonifácio, Estácio e ainda: Gaspar, Leonardo, João Gaspar, Nicolau, Agostinho, Raimundo e Cláudio, que eram carpinteiros.
·        Escultores de imagens sacras do povo Arucará: Alexandre e Pedro, que eram primorosos escultores de imagens sacras.
·        Peritos em cordoaria do povo Aricurá: Francisco André, Thomé, Manoel, Ignácio, Valentim, Feliciano, José, André, Antonio, Pedro, José, Fernando, Ambrósio, Manoel, Pedro e Mandu.
·        Ferreiros do povo Araticu: Luiz Maraunu, Jerônimo marimba, Domingos Marannu, João Francisco Carapina, Alexandre Suariuna.
1775:
No levantamento mandado proceder pelo governador do Grão-Pará e Maranhão, Francisco Xavier de Mendonça Furtado, sobre quantos índios estavam incorporados nos regimentos militares do estado, Foi encontrado este número de índios e oficiais brancos, 2.898 soldados-índios e 122 oficiais, assim destacados:
·        Freguesia de Ponta de Pedras,  2 oficiais e 46 índios soldados
·        Freguesia de Nossa Senhora da Cruz de Portel, 6 oficiais e 515 índios-soldados.
·        Vila de Monsarás, 3 oficiais e 37 soldados-índios
·        Condeixas, 1 oficial e 26 soldados-índios
·        São Francisco de Avelar, 1 oficial e 20 soldados-índios
·        São José de Carrazedo, 1 oficial e 33 soldados-índios
·        Nossa Senhora de Penha Longa, 1 oficial e 17 soldados-índios
·        Nossa Senhora do Rosário da Vila de Colares,  4 oficiais e 51 soldados-índios.
·        Vila do Pinhal, 4 oficiais e 77 soldados-índios
·        Vila de Pombal, 5 oficiais e 155 soldados-índios
·        Veiros, 2 oficiais e 64 soldados-índios
·        Vila de Conde, 4 oficiais e 73 soldados-índios
·        São Miguel de Beja, 7 oficiais e 17 soldados-índios
·        Vila de Cintra, 8 oficiais e 104 sóldados-índios
·        Vila Nova del-Rei (Curuçá), 3 oficiais e 85 soldados
·        Santo Antonio da Vila de Chaves, 7 oficiais e 96 soldados-índios
·        São Joaquim de Rebordello, 2 oficiais e 24 soldados-índios
·        Nossa Senhora da Assumpção da Vargem Grande, 9 oficiais e 208 soldados-índios.
·        Nossa Senhora da Conceição de Santarém, 8 oficiais e 139 soldados-índios.
·        São Francisco de Monte Alegre, 7 oficiais e 234 soldados-índios
·        Nossa Senhora da Conceição de Benfica, 3 oficiais e 40 soldados-índios.
·        Nossa Senhora da Conceição de Santarém Novo, 1 oficial e 55 soldados-índios.
·        Nossa Senhora da Saúde de Alter do Chão, 6 oficiais e 55 soldados-índios.
·        Freguesia do Largo Azevedo, 5 oficiais e 70 soldados-índios
·        Nossa Senhora de Oeiras, 8 oficiais e 453 soldados-índios
·        Nossa Senhora de Portelões, 5 oficiais e 27 soldados-índios
·        Nossa Senhora do Rosário de Bragança, 1 oficial e 69 soldados-índios
·        São Francisco Xavier de Barcarena, 2 oficiais e 24 índios
Observações:
·        Os indígenas citados nas localidades acima e em outras localidades não mencionadas (serão acrescentados aos poucos todas a localidades que surgiram a partir de aldeias indígenas) foram os grandes esquecidos na colonização do Pará e nas guerras de conquistas, à exceção de umas poucas menções aos povos indígenas por algumas ruas de Belém (que agora estão substituídos a bel-prazer de governantes e legisladores).
·        Além desses soldados-índios (que podiam ser índios puros ou mestiços), naturalmente que existiam os soldados-brancos.
·        Em alguns lugares havia a presença de um grande contingente de soldados-índios e naturalmente que esses lugares eram os que estavam fortificados para a defesa da colônia contra as invasões inglesas, holandesas e francesas.
·        Os soldados-indios eram índios das várias etnias existentes na época, especialmente os da nação Tupinambá (que eram os mais propensos às guerras) apresados pelas tropas portuguesas  no tempo do Pará colonial e os vindos dos aldeamentos dos padres missionários (que também podiam ser de várias etnias).
Foram muitos os núcleos de catequese, missões ou aldeias de índios fundadas pelas ordens religiosas no Pará até o ano de 1751, como:
Muitas aldeias sob a administração dos padres Capuchos, entre as quais:
·        Menino Jesus
·        São José
·        Anaiatuba
·        Bocas
·        Caviana
·        Urubuquara
·        Acarapy
·        Parú (fundada entre 1757-1758 e que deu origem ao município de Almeirim).
       Aldeia dos Índios Aruãs
       Aldeia dos Índios Camutás
·        E mais duas aldeias na Ilha de Joannes, citadas em 1653 (uma das quais a Aldeia dos Aruãs, fundada entre 1757-1758, que deu origem ao município de Chaves), e uma aldeia dos índios Camutás (vide acima, origem da cidade de Cametá), sob a direção dos padres capuchos de Santo Antonio.
Aldeias ou Missões dos Padres Capuchos da Conceição da Beira e Minho:
·        Mangabeiras
·        Cayá
·        Conceição
·        Iaray
·        Tauary
·        Urumacu
Aldeias ou Missões dos Padres Capuchos de São José:
·        Gurupá
·        Acapijó
·        Caviana
·        Maturú (fundada em 1639, que dá origem, em 16/71758 à Vila de Porto de Moz).
Aldeias ou missões dos Padres Capuchos de Nossa Senhora da Piedade:
·        Jamundá (hoje município de Faro)
·        Freguesia de Juruty, fundada em 1818, às margens do Lago Juruty, depois transferida para a margem direita do Rio Amazonas, defronte das ilhas de Maracauassu, que antes foi aldeia dos índios Mundurucus.
      Muratapera, povoação fundada em 1879, na antiga Aldeia dos Muras e está localizada na margem esquerda do Rio Trombetas, em frente a Foz do Rio Jamundá, que ali entra com o nome de Igarapé Sapucuá.
·        Pauxis (hoje município de Óbidos)
·        Outeiro (hoje município de Prainha)
·        Curuá
·        Manemá
·        Surubiú (hoje município de Alenquer)
·        Gurupatiba (origem do município de Monte Alegre)
      Alenquer, esta elevada à categoria de cidade a 10/6/1881, pela lei nº 1050, e que antes foi a Aldeia de Surubiu, localizada na margem oriental de uma enseada formada junto à foz do Igarapé Itacarará, que entra ao norte no Paraná-Miry, aldeia que foi missionada pelos Padres Capuchos da Piedade
Aldeias ou Missões dos Padres do Carmo:
·        Coary
·        Tefé
·        Maneruá
·        Paraguary
·        Tucuruatuba
·        São Paulo
·        São Pedro
·        Jaú
·        Caragary
·        Comaru
·        Mariná
·        São Caetano
·        Cabuquana
·        Bararuá
·        Dary, no Rio Negro
Aldeias ou Missões dos Padres das Mercês:
·        Uma aldeia no sertão dos índios Urubu
·        Aldeia de Mangabeira, em Marajó-assu, origem do povoado de Itaguary
Aldeias ou Missões sob a administração dos padres Jesuítas, chegados ao Pará em 1636, entre as quais:
·        Maracanã
·        Cabu
·        Vigia
·        Aldeia Mortigura às proximidades da Baia do Marajó, No Furo Atituba, pelo qual se comunica com o Rio Carnapijó.
·        Aldeia Sumahuma, posteriormente deu origem a antiga Freguesia de São Miguel de Beja, distante 16 km de Abaeté e a 77km de Belém, na entrada do Rio de Abaeté, que se lança na costa sul da Baia do Marajó.
·        Araticu
·        Aricará
·        Borari
·        Camaú
·        Santo Inácio
·        Itacuruçá
·        Piramiry
·        São José
·        Abacaxis
·        Trocano
·        Uma aldeia na Capitania de Camutá, a Aldeia de Nossa S. do Socorro na localidade Cametá-Tapera.
·        Uma aldeia na Capitania de Caeté
Essas aldeias fundadas pelas ordens religiosas seriam a origem de muitos municípios paraenses e pode-se dizer que a catequese dos padres missionários foi o maior trabalho de desbravamento feito no 1º século da fundação do Grão-Pará. Sem esse trabalho os portugueses não conseguiriam colonizar o Pará.
Nessas aldeias ou missões os padres ensinavam as várias profissões da época, como as de carpinteiros, pedreiros e marceneiros, que foram muito úteis nas obras de edificações dos padres e dos conquistadores portugueses. Outras profissões foram ensinadas pelos padres como as de sapateiros, ferreiros, alfaiates e na lavra da terra. Porém, o maior uso uso dos braços indígenas foram nas guerras de conquistas do colonizador portiguês e, especialmente nas guerras contra os invasores ingleses, franceses e holandese..
Caso as antigas aldeias de índios, fundadas e disciplinadas pelos padres de diversas ordens que funcionaram no Pará não tivessem sido mudada de nome pelo Governador Francisco Xavier de Mendonça Furtado, em 1751, muitas cidades do Pará teriam ainda os nomes indígenas dados pelos padres, como:
·        Urubu, que mudou para Alenquer
·        Gurupatuba, que mudou para Monte Alegre
·        Pauxis, que mudou para Óbidos
·        Tapajós, que mudou para Santarém
·        Aruãs, que mudou para Chaves
·        Tupinambás, que mudou para Colares
·        Aricury, que mudou para Melgaço
·        Araticu, que mudou para Oeiras
·        Maturu, que mudou para Porto de Moz
·        Marauanás, que mudou para Soure
·        Paru, que mudou para Almeirim
·        Gibrié ou Curuçá, que mudou para Barcarena
·        Pirauiry, que mudou para Pombal
·        Cauhiana, que mudou para Vilarinho do Monte
·        Sacácas, que mudou para Salvaterra
·        Atamucu, que mudou para Espozende
·        Cumaru, que mudou para Vila Franca
·        Santana, que mudou para Mazagão
·        Maracanã, que mudou para Cintra
·        Sousa do Caeté, que mudou para Bragança
               Outras Missões ou Aldeamentos Indígenas
1838, eram cerca de 60.000 índios aldeados na Província do Pará
Em 1848 já eram cerca de 100 mil os indíos aldeados que recebiam os nomes de batizados cristãos na Província do Pará. Os índios aldeados eram pacíficos, robustos, ágeis, sinceros, porém guardando um pouco de desconfiança em relação ao homem branco e ainda eram hospitaleiros e poucos propensos ao trabalho regular e muito menos ao trabalho obrigatório, daí os castigos a que muitos eram submetidos. Os índios aldeados não eram aplicados às artes e ofícios ensinados nos aldeamentos e eram mais dados à vida de pescadores, caçadores e ao plantio agrícola em cultura de subsistência, porém se prestavam à catequese cristã.
Em 1874 existiam aldeamentos indígenas nas seguites localidades:
Região do Rio Acará, com as seguintes tribos:
.     Tribo Turyuára, às margens do Rio Miritipitanga
.     Tribo dos Tembés, às margens do Igarapé Mariquita
.     Tribo Turyágua, às margens do Rio Acará-Miry
.     Tribo dos Tembés, na margem direita do Rio Acará-Miry
.     Região do Rio Capim
.     Região do Rio Moju
.     Região do Rio Tocantins
.     Cidade de Cametá
.     Missão de Gebirié ou Curuçá, onde foi a fazenda dos padres jesuítas, nas margens do Rio São Francisco, em Barcarena
As localidades acima com os seus diretores dos índios e estes possuíam as honras de brigadeiro ou tenentes-coronéis e que tinham a missão de administrar os aldeamentos, policiá-las, instruir e empregar os índios aldeados, além de atrair os índios selvagens para os aldeamentos. Não deu certo esta política indigenista, pelos abusos que os diretores dos índios impunham nos aldeamentos, citados acima. 

OS ÍNDIOS DOS PERÍODOS HISTÓRICOS DO PARÁ
·         A condição indígena no Período Colonial e demais períodos históricos do Pará:
       
Desde 1570, com D. Sebastião, existiam editos reais para proteção dos nativos do Brasil e que dizia que somente em justa guerra eles podiam ser cativos dos brancos, editos que foram francamente derrespeitados pelos governantes, magistrados, militares e colonos abastados da Capitania do Grão-Pará e da Província do Pará.
Em 29/5/1649 conseguiram os jesuítas a Ordem Régia para que os nativos não fossem mais obrigados a trabalhar sem salário, nem sujeitos às violências dos brancos, o que equivalia à liberdade dos nativos. Foi a partir daí que se iniciaram as intrigas dos colonos portugueses contra os padres missionários, que inclusive pesou na expulsão desses padres por várias vezes do Pará. O Rei aboliu a Ordem Régia e voltaram os índios ao cativeiro. Outra lei veio em favor dos índios protegidos pelo “Regimento dos Órfãos”, que invés de escravos, passariam para condição de criados de seus donos, porém, na prática, os índios continuavam em sua condição de escravos, face os interesses contrariados dos colonos, agentes do Reino, governadores e magistrados. Os jesuítas, por força de interesses contrariados dessas pessoas acabaram por ser expulsos definitivamente de todo o sertão do Amazonas a 10/7/1757.
No Período Colonial do Pará as áreas do Tocantins, Marajó, Xingu, Alto, Tapajós, Trombetas e Baixo Amazonas, Região Bragantina e demais áreas indígenas do então Grão-Pará eram habitadas por numerosas e populosas tribos que viviam da caça e pesca, da agricultura de subsistência, das frutas e do extrativismo animal e vegetal. Quando os primeiros europeus  chegaram nessas áreas começaram a plantar cana-de-açúcar. Os grupos indígenas começaram a ser catequizados e, posteriormente, foram enquadrados no sistema de aldeamento dos padres missionários e com isso começaram a perder suas identidades culturais e sociais. Com os índios entrando em contato com os brancos, isso fazia com que as antigas tribos indígenas entrassem em contato com as doenças dos brancos que se transformavam em epidemias que se alastravam com facilidades entre os povos indígenas. Além de serem forçados a trabalhar para os brancos, tinha também a religião que também foi imposta, fazendo com que os rituais indígenas fossem perdendo suas características originais e o pajé, que era o responsável pelos rituais místicos e de curas e que estabelecia o elo entre a dimensão material das tribos com o sobrenatural, também começou a ser descartado pelo sistema de religião do branco, fato que contribuiu decisivamente na perda da antiga religião indígena que foi trocada pela religião dos europeus, impostas nas missões e aldeamentos indígenas. E nesse sistema de aldeamento as características das diferentes nações indígenas não eram levadas em conta pelos missionários, como também não eram consideradas pelos administradores dos aldeamentos e pelos colonos, que começaram a ocupar as terras indígenas. Em resumo, o homem branco queria impor seus valores europeus como referência para os povos indígenas do Pará, Amazônia e Brasil.
·                        A Expulsão dos Jesuítas e a Política do Diretório dos Índios
A condição indígena piorou com a expulsão dos jesuítas em 1757, pois foi criado o Diretório dos Índios, com o propósito da utilização da força do trabalho indígena, que devia se portar como os civilizados, como trabalhadores em convivência com os brancos e de acordo com o regime social do sistema de colonização. Essa política pombalina fracassou totalmente, devido vários fatores, entre os quais a ganância dos “diretores dos índios” nos lugares ou vilas desse tempo e as dificuldades da integração dos indígenas na cultura dos europeus. A inclusão forçada dos indígenas nos trabalhos dos colonos portugueses, como também o aprendizado forçado dos costumes dos brancos, gerou sérios conflitos e rebeliões de muitos grupos indígenas que não suportaram o sistema imposto pelo Diretório dos Índios, sem contar o contato com as doenças do homem branco, como a bexiga, o sarampo e as diarréias que dizimaram milhares de indígenas, quando centenas de povos indígenas sofreram o extermínio se iniciara no período da fundação de Belém em 1616 e que se estenderam para além dos anos de 1800.
Índios Camarapins
Índios Pacajás
Índios Parissós 
·         Os Índios no tempo das Invasões estrangeiras no Grão-Pará
Os franceses, invasores do Maranhão e do Grão-Pará, sabiam como negociar com os índios Tupinambás que habitavam as margens do Rio Pará e recebiam destes toda a atenção, por sua educação e maneira pacífica com que conviviam com os índios. Essa convivência amistosa com os franceses vinha desde 8/7/1613, quando o fidalgo francês Daniel de La Touche, senhor de La Ravardiére chegou ao ponto onde mais tarde seriam lançados os fundamentos da cidade de Belém, primitivamente habitada por muitas tribos de índios tupinambás. Desse ponto saiu Daniel de La Touche, com forte contingente de franceses e indígenas em direção ao rio Tocantins e também fazendo guerras contra as tribos de índios hostis, como os índios Camarapins, tribo inimiga dos Tupinambás que habitavam as margens do Rio Tocantins. Os franceses e indígenas também fizeram guerra nas aldeias dos índios Pacajás e Parissós, que foram duramente combatidos e derrotados pelos invasores franceses.
·                   OS BRAÇOS INDÍGENAS E NEGROS ESCRAVOS NOS TRABALHOS DOS COLONOS PORTUGUESES:
Os trabalhos nas terras dos colonos do Grão-Pará exigiam muita mão-de-obra e esses colonos recorreram ao trabalho escravo para os serviços de seus engenhos, roçados ou fazendas de gado e nada se fazia nas casas dos povoados e vilas sem o auxílio dos índios cativos e, posteriormente, dos escravos negros vindos de Angola e Guiné. Pode-se dizer que a riqueza de um colono era medida pela quantidade de escravos que possuísse.
Com a implantação das fazendas/engenhos pelos colonos portugueses no período da cultura do cacau e dos engenhos da cana doce, foram os braços dos índios cativos e dos escravos negros. Até mesmo os engenhos dos padres missionários usavam a mão-de-obra escrava nos serviços dos seus engenhos.
Usar mão-de-obra dos nativos era proibida pela legislação real, porém essas leis eram francamente descumpridas pelos colonos portugueses e como os missionários jesuítas lutavam pelo cumprimento dessas leis, foram também caluniados pelos colonos, que não viam com bons olhos os trabalhos desses missionários junto às tribos indígenas locais, fornecedoras de mão-de-obra para os serviços das fazendas/engenhos e dos roçados. As calúnias levantadas pelos colonos portugueses contra os padres jesuítas, defensores da liberdade indígena, foi usada no episódio da expulsão desses missionários do Grão-Pará por duas vezes, até sua expulsão definitiva em 1757.
Aos índios não era permitido lavrar canaviais e tabaco e trabalhos nos engenhos, segundo as leis reais.
Pelas margens dos rios ficavam as aldeias dos índios submissos, isto é, índios que já tinham sido catequizados pela ação dos missionários religiosos, viviam nas chamadas aldeias e de onde as tropas iam buscar guerreiros e mantimentos, arcos flechas para as guerras e braços para os serviços dos colonos. Porém restavam inúmeras tribos de índios selvagens, que frequentemente causavam problemas aos colonos lusitanos.
Índios Aruãs
Índios Nheengaíbas
Os conquistadores opinaram para que se fizesse guerra a esses hostis índios Aruãs e Nheengaíbas do Marajó, chamadas de guerras defensivas ou guerras justas, devido os constantes ataques praticados por esses índios, conforme citados acima. As guerras defensivas eram necessárias para conter esses ataques dos selvagens segundo seus defensores e elas estavam na alçada de poder dos governantes do Grão-Pará. Porém as guerras defensivas contra os índios se tornaram meios para os governantes do Grão-Pará descumprirem as Cartas Régias que protegiam os nativos da região.
“Os índios do Marajó eram invencíveis em sua ilha e usavam canoas ligeiras e também atacavam as aldeias dos índios submissos e vinham até aos povoados e vilas das redondezas para atacar os colonos e seus engenhos. Desse modo muitos engenhos foram abandonados por seus proprietários”.
Os serviços usuais executados pelos escravos, índios ou negros
·         Os escravos eram usados como coletores das chamadas drogas do sertão, abundantes nas matas do Grão-Pará;
·         Os índios cativos faziam a fabricação de farinha de mandioca, que era considerada o pão da terra;
·         Os escravos faziam os trabalhos nos roçados, especialmente na roças de cana doce e nos cacauais;
·         Os índios cativos faziam a caça e pesca dos peixes e animais abundantes nos rios e matas da região, assim como faziam a salga para manutenção desses mantimentos;
·         Escravos eram usados como carregadores dos inúmeros produtos extraídos das terras, matas e rios da região e do açúcar e aguardente produzidos nos engenhos de cana doce;
·         As escravas eram usadas como lavadeiras de roupas nas beiras dos rios e igarapés da região;
·         Os índios cativos também eram usados como remeiros das inúmeras canoas de todos os tipos e tamanhos, inclusive para se ir à missa nas capelas das casas de colonos mais abastados ou nas igrejas dos povoados e vilas;
·         Os escravos índios eram usados como guias, intérpretes e guerreiros das expedições militares pelos rios da região;
·         Os índios cativos e escravos negros, desde pequenos, eram usados como empregados domésticos nas casas dos senhores de engenho, colonos, governantes e casas dos povoados e vilas;
·         As escravas eram usadas como fiandeiras e costureiras de roupas de algodão e outros materiais do vestuário;
·         Os índios cativos e escravos negros eram usados como operários nas oficinas e serrarias dos engenhos;
·         Os escravos eram usados como tecelões e operários sapateiros, marceneiros, barbeiros, carpinteiros;
·         As escravas índias ou negras ainda eram usadas como repasto sexual de seus senhores. Porfiavam os homens na posse das negras e das índias, sem que suas famílias ou religião lhe pusessem freios nos seus instintos carnais. Era a dissolução dos costumes que escandalizavam alguns religiosos.
·         Como os senhores de engenhos e seus filhos varões possuíam muitos escravos para os trabalhos dos engenhos, das lavouras e das casas, sobrava-lhes tempo para esses amores libertinos com as negras e índias moças.
O bispo D. Frei Caetano Brandão, chegando ao Pará em 20/10/1780, para o governo da Diocese, ficou surpreendido com os costumes dissolutos da sociedade paraense.
·         Índios Hostis e Índios Submissos (Cativos)
Índios Nheengaíbas
Índios Aruãs
A presença de escravos era essencial para os trabalhos nas fazendas/engenhos e sempre faltavam escravos, índios ou negros, para os trabalhos, especialmente dos engenhos, pois muitas eram as fugas dos índios cativos e escravos negros para o interior das matas da região. Por essa razão é que os índios cativos eram marcados com ferro em brasa com as marcas de seus donos. Melhor sorte não tiveram os escravos negros que também recebiam as marcas de seus donos para facilitar a captura desses escravos fugidos.
Os escravos eram vendidos por preços muito altos e em verdadeiras disputas entre os senhores de engenhos, colonos e para os serviços das residências dos povoados e vilas e até nos serviços da Igreja Católica.
O litoral vivia sempre agitado devido os trabalhos nas propriedades, sempre cheias de escravos negros e índios cativos, que os senhores tratavam com os rigores e exigências da época, com muita crueldade e violência.
Índios Aruãs
Índios Nheengaíbas
Mas nem todos os índios aceitavam a submissão do branco. Os índios hostis das tribos Aruãs e Nheengaíbas do Marajó atacavam periodicamente as aldeias dos índios submissos, numa audácia próxima de seu temperamento selvagem e hostil e vinham ainda atacar os colonos em suas próprias propriedades.
Para 50 escravos negros havia outros 50 índios submissos, com os quais se movimentavam os engenhos de açúcar e se cultivava cana, cacau, arroz e outras culturas.
·         1843:
Foi o Decreto imperial de 21/6/1843 que deu ao governo central a tarefa da distribuição das Missões pelas Províncias, e que no parágrafo 5º, do artigo 11º do Ato Adicional, que diz: “”Deve a Assembléia Provincial promover cumulativamente com a Assembleia e o Governo Geral, a catequese e civilização dos índios”. Antes, a Lei provincial nº 76, de 21/6/1843, criava na Província do Pará 5 Missões:
Missão de São João do Araguaia (vaga de padre)
Missão do Xingu, à cargo do Padre Torquato Antonio de Souza
Missão de São Joaquim do Rio branco, à cargo do frei José dos Santos Innocentes
Missão de Tabatinga, à cargo do Frei Martinho de Santa Rosa de Lima
Missão do Rio Jary, à cargo do padre José Antonio Alves.
·                   1843:
Conflitos do Missionários com os Governantes e Colonos das Localidades:
Eram comuns os conflitos entre os missionários e os Inspetores das Missões e com os poderes Civil e até eclesiásticos.
Recursos Para o Trabalho dos Missionários:
·                   1843:
A política de catequese e Civilização dos Índios tem se mostrado um fracasso total na questão de querer atrair indígenas para se dispor em associação e ao trabalho das lavouras, através de métodos inconvenientes e trabalhos sem recursos para os missionários. Seria conveniente o estabelecimento de uma Missão no Rio Juruá, cujos índios já mantém algum comércio com os brancos e também a criação de duas ou 3 Missões na Comarca de Cametá, onde existem 4 tribos:
A tribo dos índios Jacundás e a dos Cupelobos
A tribo dos índios Taxinas e a dos Carambus,
Índios Jacundás
Devendo uma Missão ser estabelecida nas margens do Remansão na embocadura do Rio Taboca, que é tributário do Rio Tocantins, para a catequese dos índios Jacundás.
Missão em São João do Araguaia
Índios Cupelobos
Outra Missão em São João do Araguaia ou suas imediações para os índios Cupelobos, que habitam as matas próxima àquele Presídio
Índios Carambus
E outra na Mauoquary, no Rio Pacajá, destinada especialmente aos índios Carambus.
São pedidos do Prelado dessa Diocese, o Sr. D. José Afonso de Moraes Torres.
·                   1846:
Não existem Leis no orçamento da Província que garanta o pagamento das Côngruas (espécie de gratificação aos padres, vigários e bispos). Foi o Governo Imperial que criou a Lei da Missões, mas não especificou o pagamento das gratificações aos padres missionários e, à pedido do Governo da Província que alegava falta de recursos, que mandou pagar as gratificações pelo Cofre Geral.
Um Regulamento Para a Cathequese e Civilização dos Índios:
·                   1843:
Falta um Regulamento em que se contenha as providências fixas e oportunas para a Cathequese e Civilização dos Índios, que cabe à Assembléia Provincial providenciar esse regulamento.
Missões:
·                   1846:
Missão de Tabatinga
O missionário da Missão de Tabatinga, Frei Martinho de Santa Roza de Lima, viajou para a Europa, com licença do Governador, para tratar de sua saúde abalada pelos trabalhos na Missão. Com isso, agora, só existem 3 Missões providas de missionários, que são:
A Missão do Rio Xingu
A Missão de São Joaquim do Rio Branco e
A Missão do Juruty.
·                   1844:
Têm faltado aos missionários os recursos, meios e dinheiro para os trabalhos nas Missões.
A mesma
·         As missões providas de padres:
Missão do Rio Xingu
Missão de São Joaquim do Rio Branco
Missão de São Paulo de Olivença
Missões vagas de padres:
Missão de São João do Araguaia
·         As demais Missões constantes em Lei, ainda nem foram estabelecidas.
Obs: quando os índios de determinado tribo, depois dos brindes e contatos, se dispunham a descer para perto dos povoados dos brancos, o processo era chamado de “descimento”. E com isso os índios descidos passavam a viver conforme os costumes brancos. As tribos selvagens e hostis, que não aceitavam os descimentos, chamavam os índios descidos de “índios submissos”, isto é, índios que já tinham sido catequizados pelos missionários. Os índios guerreiros dos tupinambás tinham verdadeiro ódio dos índios submissos e os atacavam constantemente, como também os aldeamentos, engenhos e fazendas dos colonos brancos.
·                   1850:
As missões e aldeamentos faziam parte da política do governo colonial do Pará no tratamento da questão indígena, tirando os índios de suas aldeias ou vida nômade e leva-los para essas missões e aldeamentos, para poder passar a eles uma vida baseada nos valores religiosos, sociais e dos trabalhos dos brancos. E os religiosos, ali nas missões ou aldeamentos, os índios recebiam toda sorte de aprendizado que na política governamental era chamado de “Catequese e Civilização dos Indios”. Isso na teoria, porque na prática não era o bem-estar dos indígenas que os colonos portugueses desejavam e sim os seus préstimos em diversas atividades que serão elencadas abaixo, inclusive usar as índias como esposas ou repasto sexual e as crianças ...Convém salientar que desde o século 16 havia a proibição da Coroa Portuguesa de se usar os índios como escravos dos colonos.
Para levar avante a política de Catequese e Civilização do Índio foi criada pelos governantes  o órgão chamado de Diretoria Geral de Ìndios, que possuía o seu Diretor Geral e em cada missão ou aldeamento existia o diretor da missão ou aldeamento, que geralmente era um padre missionário. Isso no tempo do Pará Colonial, porque no período do Pará Provincial as missões e aldeamentos, conforme várias alterações e regulamentações em lei, passaram para as mãos de civis, que também, junto com a direção dos índios, recebiam a patente de tenentes-coronéis e a partir daí os desmandos e corrupção e enriquecimento eram a tônica dessa política governamental em relação aos índios, conforme se verá abaixo, e a situação piorando com a expulsão dos padres missionários do território da Província do Pará, quando desapareceram totalmente as missões criadas pelas diversas ordens religiosas do período colonial.
·                   1850:
A Diretoria Geral dos Índios, com o passar do tempo, começou a sofrer modificações através de Decretos e Regulamentações que vieram descaracterizar totalmente o caráter da Missão e Aldeamento indígena do tempo dos padres missionários, mesmo porque estes já tinham sido expulsos do Grão-Pará.  Em 24/7/1845 essas funções passaram a ser ocupadas por pessoas com a patente de tenentes-coronéis, e esses diretores de aldeias não cumpriam a finalidade de suas funções e muitos passaram a usar o cargo como meio de enriquecimento, levados por desmedida ganância e opressão dos índios ou esses abastados senhores contentam-se apenas com as honras do cargo. Alguns deles deixam casas e famílias para viverem nas povoações dos índios, fazendo perigosas, extensas e dispendiosas viagens, em geral para viver à custa dos índios, usufruir de seus trabalhos, pondo-os a trabalhar para seu proveito e comércio na pescaria, extrativismo ou como tripulantes de suas canoas ou em seu serviço particular e de seus amigos. Daí a razão de muitos indivíduos empenharem-se em serem nomeados diretores ou encarregados dos índios. Na análise de alguns governantes do período provincial do Pará, seria melhor que os diretores de aldeias e missões passassem novamente para as mãos dos padres missionários, como diretores e missionários ao mesmo tempo. O problema é que os padres das ordens dos missionários já tinham sido expulsas do Grão-Pará pelo Marquês de Pombal, através de seu irmão Francisco Xavier de Mendonça Furtado e não existiam mais padres que quisessem ocupar essas funções. Tinha passado o tempo dos heróicos padres missionários do Grão-Pará, que apesar do heroísmo, também usufruíram bastante da mão-de-obra escrava dos indígenas em suas extensas fazendas. Na prática, as aldeias e malocas dos índios, ficaram sem a Catequese e Civilização dos Índios, e muitas tribos já tinham sido exterminadas, ainda no século 17, pelo próprio colonizador português.
·         Eram as seguintes missões indígenas:
Missões de Cury
Missão Santa Cruz
Missão Ixiúba
Missão Itaituba
·         Eram 5 missões existentes:
A Missão do Rio Branco era dirigida pelo religioso capuchinho Frei Gregório de Bené.
A Missão do Içá e a Missão do Tocantins eram dirigidas pelo padre Antonio Felippe Pereira
A Missão do Rio Andirá, com 500 índios, ficava no distrito da Freguesia de Villa Nova da Rainha, à cargo do missionário capuchinho Frei Pedro de Cyrianna e este estava em conflitos sérios com as autoridades locais da dita freguesia, devido o fato dos colonos quererem usar os indígenas como escravos, sendo as índias usadas como criadas nas casas da vila e os índios para toda espécie de serviços braçais, recebendo em paga os maus tratos dos colonos e salários lesivos, daí o conflito com as autoridades locais. Era uma pressão enorme sobre o padre de parte das autoridades e colonos para a cessão dos indígenas para esses serviços.
No Rio Tapajós
No Alto Rio Tocantins
ALGUMAS TRIBOS, ETNIAS E NAÇÕES INDÍGENAS
·                   1850:
Aldeias dos índios Carajás que habitavam o Araguaia
Tribos dos Apinagés
Como se efetivava a atração dos indígenas para os aldeamentos ou missões:
Eram usados brindes para atrair os índios. Os brindes eram sortimentos de tecidos, armas, ferramentas e utensílios próprios para brindar os índios e atraí-los para as missões.
E os indígenas descidos do Tocantins junto com muitos índios da Ilha do Marajó vieram ajudar a formar as povoações do Baixo Tocantins.
Esses são os casos das povoações das antigas freguesias de São Francisco Xavier de Barcarena, de São João Batista de Conde, de São Miguel de Beja, do Divino Espírito Santo de Moju e de Nossa Senhora da Conceição de Abaeté, Nossa Senhora da Soledade de Cairary, Senhora Sant’Anna de Igarapé-Miri que receberam levas de índios fugidos ou descidos da Zona Tocantina e da Ilha de Marajó (onde se contavam dezenas de milhares de índios de diversas etnias ou nações indígenas, que foram escravizadas ou exterminadas nas lutas contra o colonizador português), que se tornaram, junto com o elemento escravo negro e do branco colonizador, a base étnica das populações dos atuais municípios de Cametá, Abaetetuba, Barcarena, Moju, Igarapé-Miri e demais municípios. São históricas as aldeias Sumaúma, da Freguesia de São Miguel de Beja e da Aldeia Mortigura, na Freguesia de São João Batista de Conde, que receberam a catequese cristã dos padres capuchos e jesuítas ainda nos tempos coloniais.
Arqueólogos comprovam a existência de Tribos Indígenas em Abaetetuba e Região:                   
·                   Índios em Abaetetuba e Região
Sabia-se também que em terras de Abaetetuba e municípios vizinhos existiram muitas tribos indígenas, porém não existiam PROVAS MATERIAIS da existência dessas culturas nas costas e matas dos municípios da microrregião e também não existem museus locais que comprovem a existência dessas culturas primitivas nos municípios de Moju, Abaeté, Igarapé-Miri, Barcarena e Cametá, diferentemente do que acontece com os primitivos habitantes da Ilha do Marajó e da Região do Tapajós, com provas materiais fartas, preservadas em museus de Belém e na própria Ilha do Marajó, especialmente a antiga cerâmica marajoara e tapajônica.
Agora foram encontrados, mesmo que timidamente, provas materiais da presença de povos primitivos em SÍTIOS ARQUEOLÓGICOS em Moju, Barcarena e Abaetetuba.
Índios na Colônia Nova, em Abaetetuba             
Índios na Comunidade São Bernardino, em Moju
Índios na terreno da Fábrica da Alunorte, em Barcarena
Essas descobertas foram frutos de parceria entre o Museu Paraense Emílio Goeldi e a empresa Vale, em estudos de impactos ambientais para a exploração das riquezas minerais na região. Os sítios arqueológicos, já bastante deteriorados pela longa presença humana e exploração agrícola centenária, foram encontrados em 2003, nas comunidades São Bernardino, em Moju, Colônia Nova, em Abaetetuba e na própria fábrica da Alunorte, em Barcarena. Foram feitas análises sobre a origem de muitos fragmentos de peças em cerâmica, louças, rochas e outros vestígios arqueológicos e foi cientificamente comprovado que essas peças vieram da presença de povos primitivos na região.
As Etnias Índigenas Remanescentes no Pará
As remanescentes Etnias Indígenas que estão sofrendo forte pressão em seus hábitos e costumes, devido o modelo econômico baseado no lucro, e no sistema econômico do lucro aplicado na Amazônia:
     Xipaya
     Amanayé
     Juruna
     Gavião
     Munduruku,
     Parakanã
     Zo’e
     HixKaryána
     Mawayâna
     Himarimã
     Anambé
     Karafawyá
     Suruí,
     Apiká
     Wayana-Apalai
     Kuruáya
     Apiaká
     Karajá
     Awareté
     Guarani
     Waiãpi
     Akarôre
     Katwena
     Arara
     Tembé
     Kayapó
     Wai-Wai
     Guajá
     Timbira
     Araweté
     Atikum
     Twriwara
     Kayabi
     Kaxuyana
     Tiriyó
     Assurini
Esses grupos indígenas estão espalhados pelas florestas e margens dos rios paraenses e que possuem cultura e línguas diferentes e essa riqueza cultural está seriamente ameaçada pelo avanço dos agronegócios, das mineradoras, das usinas hidrelétricas e das siderúrgicas que estão avançando cada vez mais nas terras indígenas.
Fonte: Pedacinhos da Amazônia


” A trajetória dos povos livres e nas cidades são exemplos de resistência e de disposição na construção de Outros 500. Mais do que uma prova viva do fracasso do projeto colonizador, eles mostram que é possível e é imprescindível lutar para a evolução de uma sociedade que respeite, celebre e compartilhe as diferenças.” Cimi
Historiadores afirmam que antes da chegada dos europeus à América havia aproximadamente 100 milhões de índios no continente. Só em território brasileiro, esse número chegava 5 milhões de nativos, aproximadamente. Estes índios brasileiros estavam divididos em tribos, de acordo com o tronco lingüístico ao qual pertenciam: tupi-guaranis (região do litoral), macro-jê ou tapuias (região do Planalto Central), aruaques (Amazônia) e caraíbas (Amazônia). Atualmente, calcula-se que apenas 400 mil índios ocupam o território brasileiro, principalmente em reservas indígenas demarcadas e protegidas pelo governo. São cerca de 200 etnias indígenas e 170 línguas. Porém, muitas delas não vivem mais como antes da chegada dos portugueses. O contato com o homem branco fez com que muitas tribos perdessem sua identidade cultural. A sociedade indígena na época da chegada dos portugueses. O primeiro contato entre índios e portugueses em 1500 foi de muita estranheza para ambas as partes. As duas culturas eram muito diferentes e pertenciam a mundos completamente distintos. Sabemos muito sobre os índios que viviam naquela época, graças a Carta de Pero Vaz de Caminha (escrivão da expedição de Pedro Álvares Cabral ) e também aos documentos deixados pelos padres jesuítas.
Os indígenas que habitavam o Brasil em 1500 viviam da caça, da pesca e da agricultura de milho, amendoim, feijão, abóbora, bata-doce e principalmente mandioca. Esta agricultura era praticada de forma bem rudimentar, pois utilizavam a técnica da coivara (derrubada de mata e queimada para limpar o solo para o plantio).
Os índios domesticavam animais de pequeno porte como, por exemplo, porco do mato e capivara. Não conheciam o cavalo, o boi e a galinha. Na Carta de Caminha é relatado que os índios se espantaram ao entrar em contato pela primeira vez com uma galinha. As tribos indígenas possuíam uma relação baseada em regras sociais, políticas e religiosas. O contato entre as tribos acontecia em momentos de guerras, casamentos, cerimônias de enterro e também no momento de estabelecer alianças contra um inimigo comum.
Os índios faziam objetos utilizando as matérias-primas da natureza. Vale lembrar que índio respeita muito o meio ambiente, retirando dele somente o necessário para a sua sobrevivência. Desta madeira, construíam canoas, arcos e flechas e suas habitações (oca). A palha era utilizada para fazer cestos, esteiras, redes e outros objetos. A cerâmica também era muito utilizada para fazer potes, panelas e utensílios domésticos em geral. Penas e peles de animais serviam para fazer roupas ou enfeites para as cerimônias das tribos.
O urucum era muito usado para fazer pinturas no corpo.
A organização social dos índios
Entre os indígenas não há classes sociais como a do homem branco. Todos têm os mesmo direitos e recebem o mesmo tratamento. A terra, por exemplo, pertence a todos e quando um índio caça, costuma dividir com os habitantes de sua tribo. Apenas os instrumentos de trabalho (machado, arcos, flechas, arpões) são de propriedade individual. O trabalho na tribo é realizado por todos, porém possui uma divisão por sexo e idade. As mulheres são responsáveis pela comida, crianças, colheita e plantio. Já os homens da tribo ficam encarregados do trabalho mais pesado: caça, pesca, guerra e derrubada das árvores. Duas figuras importantes na organização das tribos são o pajé e o cacique. O pajé é o sacerdote da tribo, pois conhece todos os rituais e recebe as mensagens dos deuses. Ele também é o curandeiro, pois conhece todos os chás e ervas para curar doenças. Ele que faz o ritual da pajelança, onde evoca os deuses da floresta e dos ancestrais para ajudar na cura. O cacique, também importante na vida tribal, faz o papel de chefe, pois organiza e orienta os índios. A educação indígena é bem interessante. Os pequenos índios, conhecidos como curumins, aprender desde pequenos e de forma prática. Costumam observar o que os adultos fazem e vão treinando desde cedo. Quando o pai vai caçar, costuma levar o indiozinho junto para que este aprender. Portanto a educação indígena é bem pratica e vinculada a realidade da vida da tribo indígena. Quando atinge os 13 os 14 anos, o jovem passa por um teste e uma cerimônia para ingressar na vida adulta.
Os contatos entre indígenas e portugueses
Como dissemos, os primeiros contatos foram de estranheza e de certa admiração e respeito. Caminha relata a troca de sinais, presentes e informações. Quando os portugueses começam a explorar o pau-brasil das matas, começam a escravizar muitos indígenas ou a utilizar o escambo. Davam espelhos, apitos, colares e chocalhos para os indígenas em troca de seu trabalho. O canto que se segue foi muito prejudicial aos povos indígenas. Interessados nas terras, os portugueses usaram a violência contra os índios. Para tomar as terras, chegavam a matar os nativos ou até mesmo transmitir doenças a eles para dizimar tribos e tomar as terras. Esse comportamento violento seguiu-se por séculos, resultando no pequenos número de índios que temos hoje. A visão que o europeu tinha a respeito dos índios era eurocêntrica. Os portugueses achavam-se superiores aos indígenas e, portanto, deveriam dominá-los e colocá-los ao seu serviço. A cultura indígena era considera pelo europeu como sendo inferior e grosseira. Dentro desta visão, acreditavam que sua função era convertê-los ao cristianismo e fazer os índios seguirem a cultura européia. Foi assim, que aos poucos, os índios foram perdendo sua cultura e também sua identidade.
De: Pedacinhos da Amazônia    

Blog do ADEMIR ROCHA, de Abaetetuba/PA

2 comentários:

  1. Agradeço por me permitir participar de um prazerosa leitura em tão vasto conhecimento. Um compêndio de história, memória e fatos indianista do Brasil.

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  2. Parabéns!! Muito importante a sua contribuição para um melhor aprofundamento da cultura indígena em nosso estado e as situações que estes passaram diante da obcecada ganância portuguesa e demais europeus pela exploração de nossas riquezas. Infelizmente, ainda hoje, muitos desconhecem esta história. E os nossos poucos povos indígenas que ainda existem continuam sofrendo as consequências da continuidade desta exploração desmedida, muitos sem vós e sem vez nesta sociedade capitalista que vê o povo nativo apenas como empecilho à implantação de seus ambiciosos projetos. E o governo, nem aí. É triste, mas é a realidade, infelizmente.

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