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segunda-feira, 13 de janeiro de 2020

A REVOLTA DA CABANAGEM NO PARÁ

A REVOLTA DA CABANAGEM NO PARÁ
O Período Colonial no Brasil: 1500 a 1808
Brasil Colônia
Economia colonial: extrativismo do pau-brasil, cana de açúcar e cacau
Início do povoamento: 1530 até a elevação a Reino Unido em 1815
Capitanias Hereditárias: 1532 a 1549 ou século 16 a 17 (algum erro aqui)
Coroa Portuguesa: 1530 a 1815 (até a fase de reino Unido de Portugal, Brasil e Algarves.
importação de escravos: meados do século 16
Independência do Brasil; 7/9/1822, como Império do Brasil até D. Pedro I, até 1831 e D. Pedro II, até 1840.
Capitanias do Mar: 1516 a 1532
Capitanias Hereditárias: 1532 a 1549
Governo Geral: 1549 a 1580
União Ibérica: 1580 a 1640
Abolição do tráfico negreiro: 1850
Lei do Ventre Livre: 1871, onde filhos de escravos seriam livres a partir dos 21 anos
Lei dos Sexagenários, que era a extinção gradual do elemento servil e criava fundos para a indenização dos proprietários de escravos e escravos livres a partir dos 60 anos: 28/9/1885.
Abolição da Escravatura pela Lei Áurea: 13/5/1888 
O Estado do Maranhão e o Estado do Brasil: 1621 a 1755
A Corte no Brasil: 1808 a 1822
Províncias:
As capitanias brasileiras tornaram-se províncias em 28/2/1821
Eleitores de Província, responsável por proceder as eleições indiretas de todos os cargos eletivos na nova monarquia, constitucional, durante todo o Período Imperial .
O Ato Adicional de 1834 transformou os Conselhos Gerais das Províncias em Assembléias Provinciais Legislativas.
Império Brasileiro: 1822 a 1889
Brasil República: a partir de 15/11/1889
Era Vargas: 1930 a 1945
República Nova: 1945 a 1964
Ditadura Militar: 1964 a 1985
 Nova República: 1985 ...

A Revolta da Cabanagem no Pará foi uma revolta que aconteceu no Período Regencial do Brasil.
Desde o Período colonial o Pará era dominado por um poderoso grupo de comerciantes portugueses, aliados ao altos funcionários civis e militares, e contra esse núcleo foi desencadeado um movimento com ampla participação das camadas populares.
Por isso no Pará a Independência foi retardada foi retardada por quase um ano (8/1823) em relação a sua proclamação oficial em 9/1822.
Destaques na luta luta contra os portugueses, o Cônego Batista Campos, que obteve grande prestigio entre a massa miserável que habitava choupanas à beira dos rios: os cabanos.
Malcher:
Batista campos e Malcher foram marginalizados no Governo Provincial.
Sentindo-se traído, o povo se revoltou, exigindo a participação de seus líderes. A resposta do poder central foi uma violenta repressão sob a chefia do mesmo Grenfel que tinha prendido Batista campos e que fuzilou muitos nativos  e colocou 300 prisioneiros no porão do brigue Palhaço, com escotilhas fechadas e atirando cal sobre eles que, dois dias depois, foram retirados os cadáveres dos bravos paraenses sacrificados por um mercenário em sua luta por liberdade e pela independência.
O ciclo das agitações populares reapareceu com a abdicação. As autoridades provinciais nomeadas pela regência foram contestadas. A falta de firmeza do regente piorou as coisas, estabelecendo um clima de grande instabilidade.
Destacou-se novamente Batista Campos que em 1832 conseguiu sublevar a comarca do Rio Negro e impor a sua política ao presidente da Província Machado de Oliveira.
A regência enviou um novo governador que nem chegou a tomar posse em 1833.
Em dezembro chegaram novas autoridades nomeadas pela Regência: Bernardo Lobo de Sousa, presidente e tenente-coronel José Joaquim Silva Santiago, como comandante das Armas, com política repressora e recrutamento à força, que invés, estimulou novas rebeliões.
Preparava-se com Lobo de Souza um levante armado

Comemoração em 2020
Poemas e videomapping mostraram às novas gerações a importância da revolta popular que tomou conta da região a partir de 1835
07/01/2020 23h24 - Atualizada em 09/01/2020 16h53

Por Dayane Baía (SECOM)
"Todos somos cabanos!" foi o grito que uniu centenas de vozes, no bairro da Cidade Velha, em Belém, para celebrar os 185 anos da Revolta da Cabanagem, na noite desta terça-feira (7). Crianças, adultos e idosos participaram do Preamar Cabano, programação da Secretaria de Estado de Cultura (Secult), com a parceria de coletivos e fazedores de cultura. A agenda prossegue até o dia 12 (domingo), culminando com o aniversário de fundação da capital paraense.
Antônio Juraci Siqueira, escritor paraenseFoto: Bruno Cecim / Ag.ParáA importância da data “7 de Janeiro” foi ressaltada em dois poemas do escritor paraense Antônio Juraci Siqueira, em frente ao Museu do Estado do Pará (MEP). O primeiro rememora a tentativa de tomada de Belém pelo cacique tupinambá Guaymiaba, morto com mais de 2 mil guerreiros, em 1619, cerca de três anos após a fundação da cidade, em 1616. Na mesma data, no ano de 1835, a revolta popular que ganhou o nome de Cabanagem derrubou o então presidente da Província do Grão-Pará, Bernardo Lobo de Sousa, e ficou no poder por cinco anos. É única insurreição em que o povo tomou o poder na história do país.
“São dois momentos da história de Belém e do Pará, quando avulta o sentimento nativista do povo, na mesma data, na mesma cidade, em períodos diferentes”, explicou o poeta.
O pai Paulo e a filha Maria Eduarda Bandeira assistiram ao evento e conheceram mais sobre a história de BelémFoto: Bruno Cecim / Ag.ParáMaria Eduarda Bandeira, 11 anos, assistiu ao evento ao lado do pai, o professor Paulo Bandeira. “Meu pai estava me explicando. As pessoas moravam em cabanas e, por isso, ficou conhecido assim”, contou a menina. “É importante para conhecer um pouco a história da nossa cidade, para dar mais valor, apesar das adversidades que ela passa. E orientarmos as crianças para saber as origens, como tudo começou. As lutas, a arquitetura, a cultura. É importante que ela saiba diretamente com eventos como este”, complementou o professor.
Úrsula Vidal, titular da SecultFoto: Bruno Cecim / Ag.Pará
Valorização - “Nosso Preamar Cabano deságua em valorização da nossa história e da nossa memória, no nosso centro histórico. Iniciamos a nossa programação com essa cantata poética, com música, poesia, cortejo cultural e com a projeção de um vídeo em animação que conta a história da Cabanagem nesse espaço que foi o mais importante, no momento mais marcante, quando as lideranças tomam o poder”, afirmou a titular da Secult, Ursula Vidal.
“Quando a gente conhece a história da cidade, de luta de cabanos, ribeirinhos, indígenas, negros escravizados e libertos, mulheres, nós valorizamos cada vez  mais a nossa identidade”, reiterou a secretária.
Foto: Bruno Cecim / Ag.Pará
Reunir grupos de cultura popular e formatos diversos de arte foi a escolha da Secult para enaltecer a força do povo representada na Cabanagem. “O videomapping, por exemplo, é um tipo de linguagem que trabalha com a intervenção urbana. Foi muito propício utilizá-lo na fachada do prédio histórico representativo, o palco do grande momento da Cabanagem”, explicou Cássio Tavernard, diretor do Departamento de Editoração e Memória da Secult. A técnica, baseada no mapeamento de vídeos em superfícies irregulares, surpreendeu o público. A peça foi criada coletivamente, sob a orientação de VJ Lobo. “O Museu é o guardião da nossa identidade cultural. O videomapping foi uma maneira de trazer isso para fora. Todo mundo se juntou para contar a história da Cabanagem para além dos livros didáticos”, contou o VJ Lobo.
Magda Nascimento assistiu ao evento artístico com o companheiro, Rafael Bastos, e a filha do casal, Helena Ferreira, 4 anos. “Além de saber que hoje é o Dia da Cabanagem, viemos trazer nossa filha para esse movimento cultural. Esse evento é uma valorização histórica de luta e resistência da Amazônia. Para além do que se fala sobre a região, ela precisa conhecer o que é a Amazônia a partir da nossa realidade. A gente tem que se fazer presente nesses locais, apoiar e valorizar a nossa história”, ressaltou Magda.
Foto Bruno Cecim / Ag.ParáCultura e turismo –
A programação contou com um cortejo que partiu do MEP para o Espaço Cultural Casa das 11 Janelas, onde ocorreu uma apresentação da DJ Ananindeusa e da Orquestra Aerofônica. Durante toda a semana o Preamar Cabano terá exposições, ações educativas e musicais.
No próximo domingo, aniversário da fundação de Belém, a programação ocorrerá desde cedo, e contará com o espetáculo musical “Árvores que tocam”, no Theatro da Paz, às 11 h, com entrada franca.
Também em comemoração aos 404 anos da capital paraense, o governador Helder Barbalho entregará o complexo turístico e de convivência Belém Porto Futuro, localizado próximo à Baía do Guajará, que visa fortalecer o contato do povo paraense com o rio, dentro do projeto de revitalização da área portuária. O evento terá apresentações musicais e espetáculo pirotécnico.

A Revolta da Cabanagem

Fonte: Abaixo do texto
Era uma noite fria de janeiro do ano de 1835. Belém, rodeada pela floresta, dormia um sono profundo. Na baia de Guajará os navios estavam quietos e silenciosos. Passavam das 2 horas da madrugada quando, saídos da escuridão da mata, milhares de cabanos tomaram de assalto a capital.
Um verdadeiro exército popular, dividido em quatro colunas de ataque, ocupou os principais pontos. Poucas horas depois os cabanos controlavam todas as posições estratégicas da cidade. Ao amanhecer dia 07 de janeiro a bandeira cabana tremulava ao vento sobre as muralhas do Forte do Castelo como símbolo da vitória da luta popular contra a tirania dos poderosos.
Dia após dia vilas, aldeias e ilhas aderiam ao movimento ou caiam sob sua força, expandindo-se velozmente por toda a região amazônica. Exemplo único em toda a história do Brasil, a Cabanagem, um dos mais impressionantes movimentos populares da América Latina, abalaria profundamente as estruturas de dominação em toda a Amazônia. A sua força motriz eram os pobres, pessoas simples e conscientes dos seus direitos e dispostas a morrer lutando por eles.
Era o dia 07 de janeiro de 1835. Nesse histórico dia, com armas nas mãos, os povos da Amazônia derrubaram o governo da tirania e começaram a escrever a sua própria história.
Exemplo único em toda a história do Brasil e um dos mais impressionantes movimentos populares do mundo durante o século XIX, a Cabanagem foi uma revolução popular feita por homens e mulheres do povo. Agricultores, ribeirinhos, índios, negros e brancos pobres lutavam por liberdade, justiça social e pelo direito sagrado de poderem viver e trabalhar em paz e com dignidade. Homens e mulheres que estavam cansados de tantas injustiças, covardias e humilhações promovidas pelos poderosos durante mais de 200 anos de colonização e exploração brutal dos povos nativos da região.
Estavam saturados por mais de dois séculos de feroz e brutal opressão. Desde que os primeiros europeus desembarcaram na região, os indígenas tiveram suas aldeias incendiadas e a maioria dos seus guerreiros mortos, suas mulheres violentadas e foram obrigados a trabalhar como escravos, assim como os negros que vieram depois. Negros que vinham acorrentados da África nos navios negreiros e que aportavam no porto do Ver-o-Peso, na cidade de Belém, para engrossarem as forças de trabalho escravo nas fazendas de cacau e cana da região.
A Cabanagem foi uma revolução de muitas revoluções. Uma Cabanagem de muitas cabanagens. A dos negros escravizados que exigiam a sua liberdade, a dos índios que lutavam por seus territórios e por sua cultura e modo de viver, a dos agricultores que queriam poder trabalhar sem serem explorados, a dos brancos pobres que queriam justiça e respeito. Todas elas cheias de muita força e amor pela vida e pela liberdade. Vida e liberdade que se encontravam sufocadas e humilhadas pelas mãos tiranas e gananciosas dos ricos proprietários, dos governantes e das ordens religiosas que a todo custo insistiam em controlar e manipular a vida daqueles homens e mulheres da floresta que, assim como todos os outros seres humanos, só queriam poder viver em paz, que só queriam poder criar seus filhos com dignidade e serem livres e felizes.
Mas a doença do lucro e da ignorância insistia em lhes negar os mais básicos e inalienáveis direitos ao qual todo ser humano deve ter acesso ao nascer. Foram mais de duzentos anos de tirania brutal, o que acumulou muita indignação e revolta nos corações dos oprimidos. Quando esses sentimentos foram liberados em toda a sua potência e fúria eles causaram uma grande explosão que foi sentida em toda a Amazônia e no Brasil e ouvida em várias partes do mundo, como atestam os documentos das marinhas inglesa, holandesa, francesas e espanhola, que davam ordens para que nenhum dos seus navios mercantes aportassem mais na cidade de Belém, pois os nativos tinham feito uma grande revolta armada e estavam controlando toda a região.
Os jornais da Europa e das Américas publicavam matérias na época dizendo que os selvagens (filhos das selvas!) da Amazônia tinham se levantado em armas e que na região reinava a barbárie e a carnificina (como se o banho de sangue que os europeus fizeram durante séculos na região fosse um gesto de amor e caridade dos bondosos civilizados europeus para com os pobres coitados moradores dos rios e das florestas, moradores das selvas que antes da chegada da civilização dos europeus não conheciam a miséria, não eram humilhados, não passavam fome e nem viviam escravizados pelos mãos e armas da civilização europeia...).
A Cabanagem teve seu epicentro na cidade de Belém, mas se expandiu velozmente por uma grande parte da Amazônia. Ela foi de Turiaçu, na pré-Amazônia maranhense, até os pés dos Andes, na Amazônia peruana. Cobriu uma área enorme e, durante cinco anos mais de 30% da população morreu em decorrência direta e indireta (fome e doenças) dos combates. Se fosse hoje, teriam sido mais sete milhões de habitantes que teriam perecido. Durante os momentos mais dramáticos dos combates, Belém foi impiedosamente bombardeada pela Armada Imperial (com a ajuda dos ingleses) que tinha bloqueado a Baia de Guajará com dezenas de navios guerra. Foram vários dias de bombardeio pesado que arrasaram com a cidade. Estudos atuais calcularam que a chuva de balas de canhões que se abateu sobre a cidade dos cabanos foi de um poder de fogo equivalente, à época, ao bombardeio sofrido pela cidade de Bagdá durante a invasão dos Estados Unidos.
Durante os cinco anos do movimento, muitas vilas e povoados desapareceram, deixando de existir. Os seus moradores decidiram voltar a viver nas matas, longe da repressão ou foram mortos pelos repressores imperiais. Documentos da época relatam que muitos lugares antes povoados ficaram desertos. Navegava-se pelas margens dos rios durante horas e não se encontrava viva alma. Os moradores ou tinham morrido ou tinham adentrado na floresta para se protegerem e resistirem.
Eram homens e mulheres determinados a não se reder e que, nas cidades como Belém ou Manaus ou no meio das matas, lutavam contra as bem armadas e treinadas forças repressoras do Império do Brasil. Usavam tacapes, bordunas, terçados (facões) e umas poucas armas de fogo e muita criatividade. Chegaram a derrubar palmeiras da região, cortar seus troncos (estirpes) e pintá-las de preto e as colocá-las nas beiras dos rios e entradas de vilas, simulando canhões e fazendo as tropas legalistas recuarem pensando serem verdadeiros e superiores os armamentos dos cabanos. Também faziam manobras de intimidação onde um navio desembarcava num lado da cidade cheio de cabanos armados e depois voltava para buscar mais cabanos em quanto os comandantes imperiais, apreensivos, observavam à distancia toda aquela exibição das forças cabanas. Porém, os cabanos, ao serem desembarcados, corriam escondidos para o porto anterior e embarcavam de novo no mesmo navio que tinha voltado para pegar mais cabanos, fazendo com que as forças rebeldes triplicassem aos olhos assustados dos inimigos.
Os cabanos se alimentavam parcamente de farinha de mandioca, castanhas, frutas, de alguns peixes e bichos que conseguiam pegar na mata e eram quase invencíveis. Os comandantes das tropas imperiais não entendiam por que os cabanos não se rendiam logo, por que continuavam lutando com tanta garra apesar de tantas dificuldades que enfrentavam. Queriam saber de onde vinha tanta força e determinação, que nem os seus bem alimentados, armados e pagos soldados não tinham. Como eles eram capazes de resistir no meio da mata húmida por tanto tempo?
Embora com uma forte organização militar, os cabanos não criaram a sua própria organização política, independente e autônoma, capaz de fazer frente às diversas forças centralistas e manipuladoras. Assim, as forças populares ficaram na dependência dos setores médios da sociedade (ricos proprietários e comerciantes locais) para o exercício do governo cabano, e foram traídas diversas vezes. Os governantes “cabanos” usavam o povo pobre como massa de manobra, e nem de longe queriam o fim da escravidão e a distribuição de terras, reivindicações básicas dos cabanos.
A Cabanagem tinha profundas raízes populares e para impedir a continuidade da luta, o governo imperial sufocou brutalmente o povo e o colocou sob vigilância permanente durante vinte anos (1838-1858). Fez isso obrigando índios, caboclos e negros libertos a se alistarem nos corpos de trabalhadores, a partir de dez anos de idade (!). Nesses corpos o trabalho era feito sob a vigilância de guardas nas lavouras, no comércio e nas obras públicas e em alguns casos os jovens e adultos trabalhavam acorrentados, capinando roças, carregando grandes pesos durante todo dia. Tudo isso com medo de que o povo voltasse a se unir e lutar novamente, pois o exemplo de poder e força que essa união tinha demonstrado era muito assustador e traumático para os poderosos da região e não deveria nunca mais se repetir. Daí as elites, após conseguirem sufocar a revolução cabana, terem escrito livros e espalharem histórias de que os cabanos eram ladrões sanguinários, comedores de criancinhas, etc. para desmerecer a luta do povo, para que ela fosse esquecida, rejeitada e abandonada para sempre. A Cabanagem era um péssimo exemplo de liberdade e justiça social para os pobres da Amazônia e do mundo, por isso mereceria viver trancada nos calabouços da ignorância e do esquecimento.
Hoje, 186 anos após o começo da Revolução Cabana, o povo da Amazônia, assim como o de toda a América Latina e do resto do mundo, continua vítima de problemas semelhantes e até piores aos que originaram a Cabanagem: dominação imperialista, devastação da Amazônia pelas grandes corporações capitalistas do agro e do hidronegocio, injustiças sociais absurdas, fome, desemprego, analfabetismo funcional, mudanças climáticas, pandemias e o crescimento alarmante de doenças degenerativas que são alimentadas pelo modo de vida capitalista que vicia e adoece cada vez mais as pessoas com suas comidas refinadas e industrializadas, aliadas a um estilo de vida sedentário e artificial que danifica o cérebro e todo o corpo e que cada vez mais as afasta da floresta e da natureza. Somado a isso ainda existe uma enorme e crescente alienação que paira sobre boa parte das pessoas no mundo inteiro, que vivem basicamente para trabalhar, consumir e pagar contas, sem tirar um tempo mínimo para estudar e entender o que realmente está acontecendo. Pessoas que vivem sobrevivendo de aparências e infelicidades diárias enquanto seus corações clamam por vidas mais simples, verdadeiras e felizes.
Todo esse conjunto de mazelas é promovida e potencializada por um *Sistema Civilizacional* que prioriza o lucro e o poder em detrimento da vida e da saúde de um planeta inteiro. E essa maneira louca de viver que arrasta quase todas as pessoas só faz aumentar a velocidade da destruição da natureza, dos corpos e das mentes humanas. Aumentando assim a ignorância, a alienação, a depressão, a apatia e o hiperindividualismo entre as pessoas que, em sua maioria veem o mundo ser destruído e não se unem para parar com tanta destruição, mas, ao contrário, lutam entre si por causa times, religiões, partidos políticos, ideologias ou se acomodam onde estão como se nada fosse ou pudesse mudar ou, pior ainda, como se nada fosse acontecer enquanto um planeta inteiro começa a desmoronar.
E, como em um círculo vicioso, tudo isso só faz aumentar mais ainda as crises sociais, econômicas, ambientais e espirituais da humanidade. Fazendo crescer o desemprego, a miséria, a fome, a violência, a falta de educação e de saúde. Aumentando e acelerando como nunca antes visto a poluição e a destruição da terra. Arrastando implacavelmente a humanidade para um verdadeiro colapso total e, junto com ela, todo os seres vivos que ainda habitam este planeta.
Mas não precisa, nem deve e nem pode terminar assim. Não sem uma luta mais completa, mais sistêmica. Uma luta com toda a potência e determinação do espírito cabano de nossos ancestrais nos guiando em pleno combate contra esse monstro global que adoeceu o planeta inteiro e que agora quer torturá-lo até a morte.
Ontem lutamos com armas e mostramos para o mundo que poderíamos vencer nossos inimigos mesmo quando tudo parecia ser impossível. Mostramos que descalços, unidos e no meio da mata, com paus, terçados e algumas armas de fogo éramos senhores de nossas vidas e capazes de fazer em pouco tempo grandes mudanças. De dizer para o mundo inteiro que a última palavra não era a dos opressores e nem que as suas vontades eram divinas ou uma lei ou um destino imutáveis.
Hoje, muito mais do que armas, precisamos de livros e de uma educação que nos ensine a cuidar da vida, a protegê-la e amá-la. Precisamos de mais abraços, mais sorrisos, mais solidariedade, mais simplicidade e humildades verdadeiras. Precisamos, mais do que nunca, de amor profundo e incondicional pelo vida. De mais estudos, de mais saúde verdadeira, de mais coragem, de mais ação, de mais consciência e de mais atitudes simples e diárias. Precisamos também de mais união e organização coletivas, de grandes mobilizações, protestos, greves, campanhas e boicotes à a governos, produtos e empresas que exploram e financiam, apoiam e poluem e desmatam impunimente. Precisamos de mais consumo consciente e responsável que se preocupe não somente em economizar com o principal (alimentos saudáveis e educação de verdade) e gastar à vontade com supérfluos e comidas de plástico, mas que valorize, nas compras do dia-a-dia, os produtos dos pequenos agricultores, dos artesãos, do comércio local.
O mundo e todos os seres vivos que nele habitam, precisam urgentemente que as pessoas comprem menos e vivam mais, se abracem mais, conversem mais, se exercitem mais, comam mais frutas e vegetais, estudem mais e plantem mais e mais agro-florestas (florestas de comida), para que não falte água e não falte alimento para ninguém mais nesse mundo.
Uma educação cabana, uma educação *sistêmica* , *crítica* e *multireferencial* , onde aprendamos a pensar de forma livre e sincera, tendo a natureza como nossa grande mestra e guia, pois é ela que nos faz viver todos os dias e não as nossas crenças e ideias sobre a vida, sobre as pessoas e o mundo.
Uma educação comprometida com a vida que nos explique porque nenhum animal na natureza, em estado de equilíbrio, adoece ou morre de câncer ou ataque cardíaco. Que nos explique porque todos os dias os nossos neurônios nos dizem para nos amar e nos abraçar e, no entanto, boa parte de nós passa os dias brigando e se ofendendo mutuamente. Ou porque sentimos raiva ou tristeza quando nossos neurônios exigem amor e alegria em grandes doses diárias para poder funcionar direito e poder nos fazer sentir felicidade. Ou porque nenhuma outra espécie de ser vivo polui e destrói o planeta a não ser a nossa?
Sim, uma educação que vá além de Marx e Marcuse, de Bakunin e Kropotinkin, da Bíblia e do Alcorão, de Zapata e Quintino, de Shakespeare e Drumonnd, de Louise Michel e Madre Teresa, de Rachel Carson e James Lovelock, de Sócrates e Simone de Beauvoir. Todos eles são muito bons e nos ajudaram e ajudam muito, mas não foram e não são suficientes. Precisamos ir além, ir até a fonte da vida, a Natureza, e nos perguntar onde está o erro principal, a fonte profunda do desequilíbrio de nossa espécie neste mundo.
Por isso precisamos de uma educação que faça com que nos questionemos por que somente o ser humano, e os animais que ele cria, vivem e morrem doentes. Por que não encontramos na mata tatus com dor de cabeça ou depressão? Por que não encontramos cutias com pedra na vesícula ou câncer de estômago? Precisamos de uma educação que nos ensine porque nossas crianças estão nascendo com câncer e autismo e nos estimule a reagir a tempo, de forma fraterna e tribal, veloz e resiliente, pois não temos mais tempo para ficar perdidos enquanto a natureza nos dá tudo o que precisamos para virar o jogo e mudar de vida, nos exigindo apenas que tenhamos inteligência, velocidade e coragem suficientes para reagir e começarmos a viver de verdade, antes que seja tarde demais.
Nesses 186 de Cabanagem, nós, os cabanos de ontem, de hoje e de sempre, continuamos a luta de nossos antepassados de forma atual e resignificada. Luta diária e permanente por um mundo mais justo, verdadeiramente livre e sustentável, mais saudável e consciente, mais simples e fraterno onde a paz e a felicidade não sejam bonitas palavras nos poemas e nos discursos dos grandes oradores. Mas que elas sejam como o nascer do sol numa manhã de verão na floresta amazônica, que a todos ilumina e a tudo aquece e faz viver, sem distinção e com toda a justiça e amor do mundo.
*Aqui estamos.*
*Somos os cabanos e cabanas de sempre.*
*Não nos rendemos.*
*Resistimos!*
*CABANAGEM!*
_Por um novo tempo de vida, lutamos!_
_Rebelde e insurgente Cabano Luciney Vieira_

*REDE CABANA DE COOPERAÇÃO*
*SÓCIO-AMBIENTAL* *MORADA CABANA*
*&*
_Das florestas do Baixo-Acará,_
06 de janeiro de 2021.

Reproduzido pelo Blog do Ademir Rocha

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Ademir Heleno A. Rocha, nascido em Abaetetuba-PA, Brasil, casado com Maria de Jesus A. Rocha, cinco filhos, professor, pesquisador de famílias, religião, genealogia e memória biográfica, ambientalista, católico e amigo.

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