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segunda-feira, 17 de setembro de 2018

Igreja - Início Congresso "Medellin 50 anos: profecia, comunhão, participação"

Igreja - Início Congresso "Medellin 50 anos: profecia, comunhão, participação"

Fonte: (L’Osservatore Romano)

Início Congresso "Medellín 50 anos: profecia, comunhão, participação"

Dom Tobón: “Renovar o compromisso de trabalhar pela promoção da pessoa humana e dos povos, promovendo os valores da verdade, justiça e paz e da solidariedade. Tudo dentro da opção preferencial pelos pobres e necessitados”.
Cidade do Vaticano
Teve início esta quinta-feira (23/08), no Seminário menor de Medellín, o Congresso eclesial organizado para celebrar o 50º aniversário da segunda assembleia geral dos bispos da América Latina, inaugurada pelo Papa Paulo VI em 24 de agosto de 1968, realizado nesta cidade colombiana.

Intitulado “Medellín cinquenta anos: profecia, comunhão, participação”, o encontro é promovido pelo Conselho episcopal latino-americano (Celam), pela Arquidiocese de Medellín, pela Confederação caribenha e latino-americana dos religiosos e das religiosas e pela Caritas latino-americana.

Igreja em diálogo com o mundo

O congresso, que se concluirá no domingo (26/08), foi precedido de uma reunião de coordenação do Celam conduzida por seu presidente e arcebispo de Bogotá, cardeal Rubén Salazar Gómez, o qual ressaltou a importância do plano global anual intitulado “A Igreja a partir da pastoral em diálogo com o mundo”.
A reunião foi por sua vez precedida, nos dias 18 e 19 de agosto, sempre em Medellín, pelo congresso da Conferência dos religiosos da Colômbia (Crc) da qual participaram 220 religiosos e religiosas, muitos dos quais jovens, além de leigos consagrados, membros de institutos seculares, leigos engajados, seminaristas e sacerdotes diocesanos. O objetivo era “olhar os 50 anos de Medellín como memória e perspectiva para a vida consagrada”.

Trabalho teológico e pastoral: ver, julgar e agir

Metodologicamente, explicou em seu discurso de abertura a presidente nacional da Crc, Irmã Gloria Liliana Franco, a proposta que identificou o trabalho teológico e pastoral da Igreja latino-americana nas últimas cinco décadas foi preservada.
Portanto, “queremos recordar a segunda conferência do episcopado latino-americano que ainda nos desafia a envolver a nossa existência em torno dos verbos ver, julgar e agir”.

Visita do Papa Francisco a Medellín

Durante a sua visita a Medellín em 9 de setembro de 2017, o próprio Papa Francisco  evidenciou a necessidade de formar “discípulos missionários que sabem ver, sem miopias hereditárias; que examinam a realidade segundo os olhos e o coração de Jesus, e daí julgam; e que arriscam, que agem, que se comprometem” afirmou a religiosa.
O anfitrião do evento é o arcebispo de Medellín, Dom Ricardo Antonio Tobón Restrepo. Em entrevista à agência Sir, falando sobre o congresso comemorativo, explicou que “se trata não somente de voltar a ler o documento conclusivo de cinquenta anos atrás, mas também de voltar ao mesmo espírito que animou aquela conferência e que nos permitiu iluminar a Igreja da América Latina, a partir das diretrizes indicadas pelo Concílio Vaticano II, e enriquecer tais orientações com a nossa experiência eclesial”.

Ver a missão com os olhos de Deus
Este evento “deve ser novamente para toda a nossa Igreja latino-americana um espaço de profunda comunhão, à escuta do Espírito Santo, que nos levará a olhar a nossa missão com os olhos de Deus”.
Entre outras coisas, a Conferência de Medellín se deu no ano em que a arquidiocese celebrava o centenário de sua criação; como tal foi um momento que deu um grande impulso para a vida desta Igreja particular, lançando-a rumo a um grande projeto de evangelização.

Exortação de Francisco: formar discípulos missionários

Também Dom Tobón Restrepo recordou a viagem apostólica de Francisco  à Colômbia e a exortação, lançada não somente à Igreja local, mas a toda a América Latina, a viver um caminho para formar discípulos missionários de Jesus Cristo.
“Definitivamente, este é o projeto da nova evangelização. Na mensagem final da Conferência de Medellín os bispos notavam que o propósito deles era ‘alimentar os esforços, acelerar as realizações, permear todo o processo de mudança com os valores evangélicos’”, prossegue o prelado.

Opção preferencial pelos pobres

“Isto é, justamente – acrescenta o arcebispo de Medellín –, o que devemos propor-nos novamente: através do método ver-julgar-agir, renovar o compromisso de trabalhar pela promoção da pessoa humana e dos povos, promovendo os valores da verdade, da justiça, da paz e da solidariedade. Tudo dentro da opção preferencial pelos pobres e necessitados.”
Aquele encontro “chamou a atenção para a pobreza fruto da injustiça evidenciando que esta é uma das situações mais explícitas da realidade latino-americana”, afirma ainda Dom Tobón Restrepo.

Atualidade da mensagem de Medellín

Permanece a atualidade da mensagem, “como espírito de renovação da nossa Igreja na América Latina, como leitura à luz da fé dos eventos e interpretação dos sinais dos tempos, como aprofundamento da Igreja mistério de comunhão e realidade em diálogo com o mundo, como forte impulso pastoral e compromisso a alcançar uma autêntica e duradoura promoção humana baseada na justiça, como fruto de todas as Igrejas particulares do continente que em Medellín viveram um novo e forte anúncio do reino de Deus”.
(L'Osservatore Romano)
 

50 anos de Medellín: colocou tema da pobreza na teologia e pastoral

“A Conferência Medellín teve o mérito de colocar o tema da pobreza na teologia e na pastoral. Chamou a atenção sobre a pobreza fruto da injustiça evidenciando-a como uma das situações mais explícitas da realidade latino-americana”: afirma o arcebispo de Medellín, na Colômbia, Dom Tobón Restrepo.
É o que afirma em entrevista à agência Sir o arcebispo de Medellín, na Colômbia, Dom Ricardo Antonio Tobón Restrepo, em vista do Congresso que, desta quinta-feira até domingo (23 a 26 de agosto), se realiza propriamente na metrópole colombiana para celebrar o 50º aniversário da segunda Conferência Geral do Episcopado Latino-Americano.

Igreja latino-americana com feições próprias

“Esta mensagem fez de modo que a Igreja latino-americana se pensasse não como uma reprodução exata do modelo eclesial europeu, mas como uma versão do projeto de Jesus que, mediante a guia do Espírito Santo, é fonte de graça para o povo que vive em características e circunstâncias próprias do nosso continente.”

Compromisso atual por sociedade mais justa e solidária

Nesse contexto, temas como “a atenção aos sinais dos tempos, a evangelização como processo integral de mudança, a salvação como experiência de libertação, as comunidades cristãs de base, a transformação e integração do laicato, o compromisso em favor de uma sociedade mais justa e solidária ainda mantêm a sua validade”.

Realidade latino-americana marcada pela injustiça social

O arcebispo ressalta que “a Conferência de Medellín teve o mérito de dar uma colocação ao tema da pobreza na teologia e na pastoral. Chamou a atenção sobre a pobreza fruto da injustiça evidenciando-a como uma das situações mais explícitas da realidade latino-americana”.

Combate à injustiça pertence à essência da fé cristã

“Fez uma leitura teológica desta realidade e afirmou que a miséria é uma injustiça que brada aos céus. Portanto, o combate à injustiça social por parte dos cristãos pertence à essência da fé. Medellín lançou as bases para a opção preferencial pelos pobres, feita pela Igreja latino-americana em sua terceira Conferência, a Conferência de Puebla” (México, 1979).

Opção preferencial pelos pobres é opção evangélica

“Esta opção, sobre a qual o Papa Francisco insiste de modo particular, não é uma novidade: está presente no Evangelho. O próprio Concílio Vaticano II recorda isso na Lumen Gentium (8b)”, ressalta Dom Tobón.

Novos rostos da exclusão social na América Latina

“Em particular, o contexto atual da América Latina, embora muito diferente do de 1968, continua apresentando a pobreza como desafio no caminho da evangelização, com novos rostos: dos migrantes que tiveram que deixar seu país em busca de melhores oportunidades, daqueles que vivem nas periferias pobres das cidades, daqueles que não têm acesso a serviços de base como a água, das comunidades indígenas esquecidas e não ouvidas.”

Evangelho: promoção integral do homem

“Estes pobres, que vivem nas periferias existenciais, reclamam no hoje da história uma Igreja em saída, capaz de ser hospital de campanha e boa samaritana, consciente de que a evangelização deve levar a uma promoção integral do homem, mediante os caminhos da justiça e da paz”, conclui o arcebispo de Medellín.

Medellín 50 anos: ser uma Igreja pobre para os pobres e descartados

Cinquenta anos atrás o olhar dos bispos se concentrou na opção preferencial pelos pobres e a Igreja latino-americana passou a ser “fonte de um novo modelo eclesial”; hoje o Papa Francisco dá vida com seu magistério à mesma opção preferencial, em continuidade com a Conferência de 1968.

Cidade do Vaticano
Fazer próprias “a conversão e a reforma da Igreja” promovidas pelo Papa Francisco; “deixar de lado a autorreferêncialidade para ser uma Igreja pobre para os pobres e os descartados”; “superar a sujeira dentro da Igreja e condenar com coragem os abusos sexuais, de poder e de consciência”.

Foi o apelo lançado pelo arcebispo de Huancayo, no Peru, e vice-presidente da Rede eclesial pan-amazônica (Repam), cardeal Pedro Ricardo Barreto Jimeno, durante seu pronunciamento no Congresso latino-americano “Medellín cinquenta anos: profecia, comunhão, participação”, promovido na cidade colombiana pelo Conselho episcopal latino-americano (Celam), pela Arquidiocese de Medellín, pela Coordenação latino-americana dos religiosos e das religiosas (Clar) e pela Caritas latino-americana.

Concílio, Medellín e Papa Francisco

Para o purpurado, o Concílio, a Conferência de Medellín e o papado de Francisco são “sinais de renovação e da reforma que estamos vivendo na Igreja e que devemos reforçar”.
Mais de 70 bispos da América Latina e do Caribe, comunidades religiosas, representantes do clero e leigos provenientes de vários países da região participaram do Congresso, que foi aberto dia 23 de agosto no Seminário menor de Medellín com um desfile de bandeiras representado os países do Celam e a procissão de entrada, com o acompanhamento de dois silleteros, os tradicionais vendedores de flores com suas obras artísticas.

Influência de Medellín ultrapassou nossas fronteiras

Segundo o arcebispo de Mérida, na Venezuela, e administrador apostólico de Caracas, cardeal Baltazar Enrique Porras Cardozo, “os documentos de Medellín foram um marco no caminho pós-conciliar, porque foram os primeiros a assumir o novo clima do Concílio Vaticano II. E tudo isso levou sua influência para além de nossas fronteiras”.
Estes cinquenta anos, continuou o cardeal Porras Cardozo, “foram caracterizados por altos e baixos, mas a Igreja do nosso continente amadureceu, apesar das dificuldades e dos obstáculos, internos e externos”.

Com Francisco, levar a sério o Vaticano II

Agora, o desafio principal “é assumir, na linha do Papa Francisco, a urgente necessidade de levar a sério o Vaticano II e dar à Igreja, neste momento, um rosto de esperança e alegria. Para nós venezuelanos, a fraternidade dos bispos com os quais estamos nos encontrando é consoladora”, enfatizou.
O Congresso teve início com a leitura orante da Palavra de Deus, dirigida pelo representante do Clar, Ángel Cabrera, baseada na experiência do Deus libertador do Êxodo, e o convite a olhar para a realidade com os olhos de Deus, capaz de compaixão e compadecimento.

Em Medellín, bispos elevaram voz profética

Em seu pronunciamento, o arcebispo de Bogotá e presidente do Celam, cardeal Rúben Salazar Gómez, recordou que “50 anos atrás os bispos em Medellín elevaram a voz profética e transformaram a história da Igreja e o continente.
Na homilia, o purpurado ressaltou que “crer no Senhor não é somente aceitar uma doutrina ou adotar uma ética”, mas sobretudo é o encontro “com um evento, com uma pessoa viva”, que dá significado a nossa vida, “um encontro pessoal com o Ressuscitado” que se dá mediante a família, o trabalho, a sociedade. A missa concluiu-se com um momento de envio missionário, dirigido pelo cardeal Salazar a todos os bispos, sacerdotes e fiéis presentes.



Cruz do discípulo missionário
Foi entregue a todos uma cruz como sinal de ser discípulos missionários da Igreja latino-americana, como compromisso a ser uma Igreja missionária “pobre para os pobres”, em constante conversão pastoral e em diálogo com o mundo”.

Método ver, julgar e agir

Os quatro dias do Congresso (23 a 26 de agosto), seguindo o método tradicional do ver-julgar-agir, foram ricos de temas de caráter teológico e pastoral.

Igreja latino-americana, fonte de um novo modelo eclesial

Entre estes, a explanação da teóloga brasileira Maria Clara Bingemer (Universidade Católica do Rio de Janeiro), sobre a relação entre a Conferência de Medellín e o magistério do Papa Francisco: cinquenta anos atrás o olhar dos bispos se concentrou na opção preferencial pelos pobres e a Igreja latino-americana deixou de ser um reflexo da Igreja europeia, para ser, ao invés, “fonte de um novo modelo eclesial”; hoje o Papa Francisco dá vida com seu magistério à mesma opção preferencial, em continuidade com a Conferência de 1968.

Desenvolvimento humano integral

Pe. Pedro María Trigo Durá, teólogo jesuíta venezuelano, evidenciou que a “vontade de Deus para a América Latina é o desenvolvimento integral e, por conseguinte, a Igreja é chamada a favorecer a realização da pessoa humana a partir de um desenvolvimento integral, considerando que a vida está dentro da história”.
Por fim, Cristiano Morsolin, especialista em direitos humanos na América Latina, declarou à agência Sir que “o Congresso de Medellín reconduz à raiz histórica da opção preferencial pelos pobres e a reatualiza com o magistério do Papa Francisco, inclusive em chave não eurocêntrica”.
(L’Osservatore Romano)

América Latina. Concluído o Congresso “Medellín: 50 anos depois”

O Congresso celebrou a II Conferência Geral do Episcopado Latino-americano (CELAM) de 1968, que representa uma etapa fundamental para a história da Igreja da América Latina e do Caribe.

Cidade do Vaticano
De 3 a 5 de abril, na Pontifícia Universidade Xaveriana de Bogotá, foi realizado o Congresso Internacional “Medellín: 50 anos depois”. O Congresso celebrou a II Conferência Geral do Episcopado Latino-americano (CELAM) de 1968, que representa uma etapa fundamental para a história da Igreja da América Latina e do Caribe. Participaram do evento cerca de 25 teólogos entre bispos, cardeais e professores.
Em um comunicado, os coordenadores do Projeto Hispano-americano de Teologia afirmam:
“ Queremos refletir sobre a pastoralidade como nota intrínseca do trabalho eclesial e teológico e não como uma simples aplicação, pastoral ou prática, da teologia e da vida da Igreja ”
Deste modo, “procuramos aprofundar o diálogo entre as gerações que fundaram a teologia na América Hispânica e outras intermediárias e emergentes, contribuindo para uma melhor compreensão do processo de reformas conduzido pelo Papa Francisco”. São propostas no âmbito da celebração do 50º aniversário da II Conferência Episcopal Latino-americana do CELAM que marcou a vida e indicou o caminho da Igreja do continente até hoje.

Opção pelos pobres. Igreja missionária

Na Conferência foram abordados, entre outros temas, a atualidade do encontro de Medellín, a opção pelos pobres e pela pobreza e o rosto da Igreja autenticamente pobre, missionária e pascal. O Congresso foi aberto pelo Cardeal Baltazar E. Porras Cardozo, Arcebispo de Mérida, e Dom Raúl Biord Castillo, Bispo de La Guaira e vice-presidente da Conferência Episcopal da Venezuela, apresentou o tema “Evangelização e promoção humana em Medellín”.

Renovação eclesial

Já no primeiro Encontro Hispano-americano de Teologia, realizado em fevereiro de 2017 na Escola de Teologia e Ministério, reuniram-se mais de 50 teólogos da América Latina, da Espanha e latinos da América do Norte. Na ocasião iniciaram um percurso de diálogo teológico-pastoral nos contextos ibero-americanos. “Nesta ocasião queremos desenvolver duas novas atividades. A primeira é uma nova reunião de trabalho do Grupo Hispano-americano de Teologia e a segunda, aberta a todos, é a realização do Congresso Internacional”, explicam os coordenadores, comentando que a teologia latino-americana teve um importante papel no atual processo de renovação eclesial promovido do Papa Francisco.

Reproduzido pelo Blog do Ademir Rocha

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Ademir Heleno A. Rocha, nascido em Abaetetuba-PA, Brasil, casado com Maria de Jesus A. Rocha, cinco filhos, professor, pesquisador de famílias, religião, genealogia e memória biográfica, ambientalista, católico e amigo.

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