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quarta-feira, 12 de outubro de 2016

Poesias de Nonato Loureiro - Poetas e Poesias

Poesias de Raimundo Nonato Paes Loureiro - Poetas e Poesias
À SOFIA
*Homenagem de Raimundo Nonato Paes Loureiro*
Nesta manhã que nasce docemente
Com sua música suave, extasiante,
Eu vejo, dançando pela sala, sorridente,
Uma criança bonita, alegre e cativante.

Não tem nenhum preconceito musical.
Ela dança samba, merengue, bossa-nova.
Dança e canta de forma natural
Alegrando aquele lar, cheia de prosa.
Adenaldo e Joelma, tão felizes,
Acompanhando a filhinha nessa dança.
A música rola em todos os matizes
Enquanto Sofia dança feliz e não se cansa.
Feliz quem pode ter numa criança
A inspiração que tive nesta hora.
Dance feliz, Sofia. Ame a esperança,
Que assim a felicidade não demora.








RAIMUNDO NONATO PAES LOUREIRO COMO COMPOSITOR MUSICAL E COMO APRESENTADOR DE PROGRAMAS MUSICAIS EM ABAETETUBA:

NONATO LOUREIRO/Raimundo Nonato Paes Loureiro, escritor, jornalista, poeta, apresentador de programas musicais e autor musical de Abaeté, irmão de João de Jesus Paes Loureiro, nascido em Abaetetuba no dia 4/5/1944. Entre suas obras estão as composições: “Uma canção ao pescador”, de 1980, que obteve o 1º lugar num concurso na cidade de Oriximiná, em música. Ainda continua ativo jornalista e compositor musical em Abaetetuba. Contribuição de Nonato Loureiro à sua biografia de compositor musical:

Raimundo Nonato Paes Loureiro, nesse tema, compositor musical, tenho a acrescentar que sou autor do 2º hino oficial do município de Abaetetuba (Canção Cívica de Abaetetuba), já transformado em Lei, além de que tenho parcerias musicais com vários compositores, tais como: Luiz Gonzaga Lobato, Adenaldo Cardoso, Fernandinho (Sandália de Ambuá), Jorge Vinente (Oriximiná), Miguel Bobó, Geba, Iacilda Freitas, Edgard Black, João Max, Mestressica, Geraldo Sena, Salomão Habib, Dico Souza (Dico Cururu), entre outros.
Como apresentador musical, comandou o antigo e bem estruturado programa "Por do Som" no palco do J B Porto Restaurante, a partir das 17:00 h, de propriedade de João Basílio Ferreira, programa com poesias e músicas do belo cancioneiro musical brasileiro, especialmente as músicas do MPB e Nonato Loureiro foi apresentador de um programa nas noites de sábados, das 20 às 22:00h, denominado "Encontro Marcado", na Rádio Comunitária Guarany FM, também com as jóias músicais do cancioneiro musical brasileiro e internacional.

1. Até agora a lista das melhores composições de autores abaetetubenses é a seguinte:

1. - Oi, Sumano! (Nazaré Lobato).
2. - A Flor e a Rosa (Geba e Iacilda Freitas).
3. - Pobre João (Lial Bentes).
4. - Rua Solidão (Paes Loureiro).
5. - Coisas de Várzea (Adenaldo Cardoso).
6. - Matapi (Cabinho Lacerda).
7. - Um caso a mais (Dagoberto Brilhante).
8. - Menina de Abaeté (Jaime Brasil).
9. - Cabelos ao Vento – (Ney Viola).
10. - Flor do Grão Pará (Chico Sena).
11. - A Cidade de Abaeté (Júlio Orlando).
12. - Fina Louça (Alfred Moraes).
13. - Vila do Conde (Paes Loureiro) - Sugeriu: Jaime Brasil.
14. - Lágrimas de um palhaço - (Nazaré Lobato) - Sugeriu: Iacilda Freitas.
15. - S.O.S. Amazônia - (Nonato Loureiro) - Sugeriu: Iacilda Freitas.
16. - Mater Puríssima - (Bruno de Meneses/Oscar Santos) - Sugeriu: Ademir Rocha.
17. - Sororocando no mato - (Garibaldi Parente) - Sugeriu: Giusepe Loureiro.
18. - Buzina do carregador – (Os Muiraquitãs) – Sugeriu: Cássio Dias.
19. - Poesia que resta – (Jaime Brasil) – Sugeriu: Ângela Caripuna.
20. - Musa do meu samba – (Cabinho Lacerda) – Sugestão: Giovani Silva.
21 - Dr. Edinaldo Viana/Luiz Jorge: (Sonhos de canoeiro” - Sugestão: Linomar Ferreira.
22. - Dr. Edinaldo Viana/Luiz Jorge – (Panacuera) – Sugestão: Linomar Ferreira.
23. - Eduardo Dias: “Merengando” - Sugestão: Linomar Ferreira.
24. - Eduardo Dias: (Afroíndio) - Sugestão: Linomar Ferreira.
25. - Lágrimas – (Alfred Moraes) – Sugestão: Davi Figueiredo.
26. - O rock sagrado" –(Metrópole) – Sugestão: Nilson Gonçalves.
27. - Nina Fulô – (Nonato Loureiro) – Sugestão: Salomão Habib.
28. – Rastro de Saudade – (Chico Sena) – Sugeriu: Cabinho Lacerda.

A cada dia publicaremos a relação acrescida com novas sugestões de colegas das páginas dos grupos abaetetubenses.
"Por aqui passaram outros talentos
Difícil se torna, em versos, elencar.
Todos felizes festejando a vida
Nessa nada cruel vida de bar. "


BAR DO CELSO
Quisera fossem imortais todos os que amamos.
Nossos pais, nossos filhos e os netinhos.
Nossos amigos e os amigos mais sinceros

Dos amigos que juntamos no caminho.

Seria como multiplicar felicidade
Semeando amor e debulhar carinho.
Imortais eles já são em nossa mente
Palmilhando juntos esses caminhos.


Uma bebidinha ali, no “Bar do Celso”,
Com a nata dos “de bem” ali deliberando.
Ou, no “Seu Américo”, que olha, agoniado,
O celular, do Florenzano, carregando.


Na mesa de um bar somos crianças
A gargalhar das piadas bem contadas.
Cantamos, recitamos, tocamos violão
E o Davi toca até com a corda arrebentada.


Jaime bebe whisky importado
Trazido dos tonéis do Abaetezinho.
Relembra seus sucessos já gravados
E mostra seus projetos bem quentinhos.


Vindo do mar, até dos oceanos,
O comandante Benício, ri à toa,
Fica vermelho após uma piada
E balança-se feliz de popa à proa.


Heiná e Pedro, figuras mais que humanas,
Estão sempre vestindo paletó.
O falso sogro de um dos circunstantes
Conta piada dançando carimbó.


Odival para fazer melhor suas tarefas,
E assim cumprir o seu papel de garanhão,
Já comeu pedra do chão, perto dos pombos,
E esse engano cruel baixou sua atenção.


Dagoberto, um velejador brilhante,
Não para de, seu “zat-zat”, olhar.
Fabiano, incrível Hulk, disfarçado, pergunta: 
“Viemos aqui pra comer ou pra conversar?”


Por aqui passaram outros talentos
Difícil se torna, em versos, elencar.
Todos felizes festejando a vida
Nessa nada cruel vida de bar.


·         MEUS 69 ANOS Nonato Loureiro
Com sessenta e nove anos
Chego à idade da razão.
Conheci mil desenganos,
Mas fiz muita confusão.

Digo sempre que nasci
No melhor século do mundo.
Não briguei, não me feri,
Nunca fui um vagabundo.

Vi Abaetetuba crescer
Apinhada de mangueiras.
Vi avião aqui descer
Atolando na lameira.

Os navios, na Ponte-Grande,
Eram nossa diversão,
E as piraíbas do Bonde
Disputadas no leilão.

Nossa Rádio principal
Era o Copacabana
Onde o Bandute fazia
Programa toda a semana.

O Gidonda, em seu café,
Com pastéis fritos na hora,
Contava piada em pé.
Ninguém queria ir embora.

Na Sorveteria Princesa,
Os picolés prosperavam.
No salão havia mesas
Que os cervejeiros sentavam.

Bento Souza, Seu Heitor,
O Costa e o Chinesinho,
Cortavam nosso cabelo
Ao lado do Firmozinho.

Pirilampo consertava
Os sapatos já furados,
Everaldo costurava
Os ternos encomendados.

Chile Lima, com sua lavra
E política mordazes,
Escrevia mil palavras
Nos muros dos capatazes

Com seu carrinho de mão,
Afo, o carregador estourado,
Andava na contramão
Assobiando adoidado.

O Goiás vendia mingau
De milho, ou mesmo de arroz,
O Dente vendia jornal
E enchia a cara depois.

O Seteorelha e a mulher
Cedo estavam no batente
Começavam na Italiana
Até a farmácia do Contente.

Xachagra e Andorinha,
Amigos de cama e mesa,
Numa cuia de farinha
Dividiam a sobremesa.

O velho Javó sofria
Assédios da garotada.
Jogava pedra e caia,
Mas logo se levantava.

Antônio Ribeiro, o delegado,
Proibiu jogo de bola,
Se fosse desrespeitado
Entrava mesmo de sola..

O velho Major Ildefonso
Tinha sandália em um pé,
Parecia não ter cansaço
Por força do seu rapé.

Seu André, nosso prefeito,
Tinha terno bicolor,
Paletó, branco ou preto,
Calça, sempre de outra cor.

Vereador Pompeu Machado
Suava em frente ao espelho
Limpava o rosto molhado
Com enorme lenço vermelho.

Vavá Maués, venerava
Uma frase emoldurada:
“O pouco com Deus é muito
O muito sem Deus, é nada!”

A vida foi-se passando
Eu renascendo também.
Vi Frei Hermes abençoando
E o povo dizendo: Amém!

Vi a igreja sem relógio
E muitos santos no altar.
Vi seu Fifi, indo e vindo,
Fazendo o sino tocar.

Na voz do Totó do Kemil
Ouvi mil ave-marias.
Cantei salmos, e quem ouvia,
Louvava minha mania.

A irmã Eufrásia eu conheci
Na inauguração do INSA.
Dela nunca me esqueci
Mesmo após a sua ausência.

A COTELPA inaugurada
Nos trouxe a telefonia
Por muitos nomes mudada
Hoje é a OI na sintonia.

Pelas antenas instaladas
Vi a conquista da Lua.
Vi Garrinha dar pernadas
Como moleque de rua.

O Pelé foi outro astro
Que eu assisti crescer.
Vi Bebeto festejando
O filho que ia nascer.

Os festivais da Record
Mudaram nossas canções.
Em tom maior ou menor
Vivem em nossos corações.

Passei momentos de dor
Por conta dos militares
Que por causa de uma flor
Maltrataram nossos lares.

Foram anos de torturas,
De dor e desassossego.
Fizeram muita loucura
Implantaram a lei do medo.

Veio depois a revolta
Desse povo massacrado.
Trouxemos a lei de volta
E apagar esse passado.

Conheci de nome, homens
Na política do fazer.
Tancredo, Ulisses, Serra,
Covas, Lula e FHC.

Mulheres também surgiram
E botaram pra quebrar.
Francineti, Maria da Penha,
Dilma, Tereza de Calcutá.

Muitos Papas vi morrer
E vi surgirem igrejas.
Muitas delas a trazer
O mal que ninguém deseja.

Por fim, surgiram dois Papas
Num mesmo pontificado.
Uns dizem que é dom de Deus.
Outros acusam o Diabo.

Mas a idade que chega
Tem lá algumas vantagens.
Nos trouxe conhecimentos
De algumas sacanagens.

Sessenta e nove sugere
Kama Sutra no pedaço.
Mesmo que isso nos gere
Um pouco, ou muito, embaraço.

Os cabelos embranquecem,
A nossa barriga cresce,
A mente se aborrece
Pau, latinamente adormece.

As vantagens vêm das leis
Que nos dão meia passagem.
Embora, de quando em vez,
Nos neguem essa vantagem.

Os filhos nos dão os netos
Os netos nos dão bisnetos
Para sermos bisavôs,
E tataravôs dos tataranetos.

Aposentados, enfim,
Fazemos logo um empréstimo.
Já que está perto o fim
O seguro tem seus préstimos.

Moto para o netinho,
Casa para a netinha,
Pensão pra mulher malvada
Que também está velhinha.

Remédio para a pressão
O governo dá de graça,
Mas se dói o coração
Ninguém assume a desgraça.

O velho fica chorando
Pensando que vai morrer,
Solta seus traques, rezando,
Pra nada lhe acontecer.

Sessenta e nove é idade
Pra se sentir bem feliz.
Lembrar que, quando criança,
Comeu coisas do nariz.

Nesta idade, os amigos,
Aos poucos vão se sumindo,
As coisas ficam mais claras
Só ficam os empedernidos.

Mas, nem tudo está perdido,
A vacina já chegou
Uma furada no braço
E a gente se imunizou.

Os versos vão se juntando
De formas nem muito certas
Nossa voz vai se apagando
Quando a saudade aperta.

A vida em cada pessoa
Deveria ser divertida.
Pense em andar de canoa,
Ou reter lágrimas vertidas.

Parabéns ao que eu vivi,
Ao que vi e ao que não vi,
Ao que deixei de fazer
Ao que fiz sem perceber.

Não tenho pressa de nada
A vida é meu grande trunfo,
Quando olho a madrugada
Deparo com meu triunfo.

Olho as estrelas do céu
A piscar pra mim, sorrindo.
Percebo que há um véu
Que vem do espaço, saindo.

As flores do meu quintal
Me olham meio assustadas
Quando faço um pedestal
Às que estão mais desbotadas.

Meu cachorro se agita
Sempre que chego ao seu lado.
Cá dentro meu peito grita
O amor que tenho guardado.

Nas cores do arco-íris
Fui buscar inspiração,
Mas nem mesmo o arco-íris
Despertou minha atenção.

Meu coração ficou preso
Nos espinhos de uma rosa.
Ficou todinho enroscado
Vermelho de tanta prosa.

Nas curvas do meu caminho
Quase nunca me encontrei,
Mas, cheio do teu carinho,
Foi aí que eu te amei.

Se estivesse numa ilha,
Eu e a triste ilusão,
Pensaria em minha filha
E acabava a solidão.

O filho que eu criei,
Com todo o meu carinho,
É a semente que eu plantei
Ao longo do meu caminho.

Sessenta e nove anos vividos
Rejuvenescem minhalma.
Eles vêm aos meus ouvidos
Como uma salva de palmas.


O JORNAL GAZETA
Escrever é um problema 
Quando estamos com problemas
Como quase não os tenho
Fico fora desse tema.

Desde quando fiz Gazeta,
-o jornal, naturalmente!-
Por quarenta e sete anos 
Defendendo minha gente.

Minha gente, este meu povo,
Que trabalha sem parar,
Que bebe sua cachaça
Ou cerveja, pra esquentar.

Esquentar não é o termo
Adequado para isso
O ideal seria dizer:
É gente de compromisso.

Gazeta foi um jornal
Que só tinha gente bamba
Lá se escrevia de tudo
Só não entrava muamba.

Seu Heitor, Barbagelata,
Alcimar, José Heiná,
Luiz Reis e o Carlos Prestes
Só botavam pra quebrar.

Eu trabalhava direto. 
Como chefe-redator
Zé Mamede, revisor,
Miriquinho, compunidor.

Riaj, o Jair Nery
Que queria camuflar
As várias curiosidades
Que gostava de contar.

Demian era o terror
Cada vez que escrevia
Ninguém sabia quem era
Quase sempre o pau comia.

A crônica “Aqui pra nós” 
Barbagelata escrevia
Zé do Mamede, esportes,
Da forma que ele via.

O Alcimar Araújo,
Via “Por cima do alambrado”
Do jogo, lance por lance,
E mandava seu recado.

Luiz Reis era o cronista
De lavra das mais serenas
Seu estilo o consagrou
Xodó de muitas pequenas.

As crônicas do Zé Heiná
De profundidade rara
Certa vez ele escreveu:
“E a ampulheta não pára”.

O Carlos Prestes de Lima
Por engano foi enjaulado
A polícia o confundiu
Com um outro procurado.

Miriquinho não escrevia
Na Olivetti do passado
Arrumava letra à letra
O que seria publicado.

Por causa dumas querelas
Com estudais locais,
Quiseram incendiar
A redação e os jornais.

Na minha velha Olivetti
Com a fita toda furada
Uma letra saía preta 
Outra saía encarnada.

Assim a gente fazia
O “Gazeta” semanal
Eram seis páginas médias
Com conteúdo infernal.

O jornaleiro era o Dente
Rapaz pobre e cachaceiro
Conhecido na cidade
Com fama de biriteiro.

Andorinha e o Xaxagra
Foram citados uma vez
Porque formavam uma dupla
Que foi parar no xadrez.

Ao Andorinha, pergunta,
O seu doutor delegado:
“O que você faz na vida?”
Respondeu: Não faço nada!”

O Xaxagra inquerido
Com aquela sua voz mansinha,
Disse assim pro delegado:
“Eu ajudo o Andorinha!”

Era um período difícil
Para se fazer jornais
O país passava horrores
Nas mãos de alguns generais.

Escrever o que escrevemos
Tendo a censura em cima
Mostra que nossa coragem
Quando atiçada, se anima.

O “Gazeta” circulava
Aos domingos na cidade.
Foi o primeiro jornal
A ter tal periodicidade.

Hoje fica nas lembranças
O que este jornal traçou.
Mostrou que toda coragem
Tem sua força no amor.

O amor por esta terra
Vive preso na memória,
Se não fosse isso verdade
Quem lembraria esta história?

Autor: Nonato Loureiro

O Ano Velho Morreu – Vivas ao Ano Novo!
Mais um ano termina
de seguir os seus caminhos 
deixando pelas estradas
açúcar e fel, rosa e espinhos.

Para uns, foi bom demais,
pra outros, só desgraça.
Uns dormiram no conforto,
outros nos bancos de praça.

Nos Bancos as filas crescem
para pagar bolsa-esmola.
Entretidos no Facebook
surge evasão na escola.

Neste ano vi de tudo,
só não vi assombração.
Vi gente ser condenada,
mas não ir para a prisão.

O mundo ia acabar
em meados de dezembro
Ou os Maias se enganaram
ou eu sonhei... Não me lembro.

Muitos meses sem chover.
A poeira fez a festa.
O açaí melhorou. 
A farinha desembesta.

Veio a chuva com atraso,
mas deu pra lavar as ruas.
Asfalto pela cidade
e a plebe sentando a pua.

Nosso Bispo foi embora
pras bandas de Santarém
Levou consigo saudades
deixou saudades também.

O louco trânsito agora
é a arma mais cruel
A cada dia que passa
manda alguém pro beleléu.

A esperança de todos
para a vida melhorar
é ganhar na Mega Sena
e parar de trabalhar.

Para mim só interessa 
que meu povo viva bem
com saúde e com dinheiro
no Novo Ano que vem.

Autor: Nonato Loureiro

Raimundo Nonato Paes Loureiro
Á Betariz
No coração de um pai
Tudo anda por um triz
No teu não é diferente
Por amor à Beatriz.

Que esta data perdure
Por muitos anos a fio
Cheios de felicidade
Que um dia Deus coloriu.

Parabéns, Pedro Maués,
Parabéns à Beatriz.
Que seus passos sejam firmes
E seja sempre feliz.

Abraços de:
Nonato Loureiro.


SOLIDÃO DE BOTO
Autoria: Raimundo Nonato Paes Loureiro

Um boto solitário
um boto triste
navegando no remanso da maré
leva nos olhos 
a dor do seu encanto
encantado de amor por Abaeté. 

Na solidão das águas poluidas
domina o amor, domina a virgindade
de donzelas por ele possuídas
na beleza lendária da cidade.

Abaeté, 
onde a vida transborda em maresias
nas onduladas águas do viver,
o Boto em seu balé vai conquistando,
novas formas de amar e de morrer.

(Extraído do livro PREAMAR - Ano 2001)   curtiu isto.


UM POEMA PARA ABAETETUBA
Nonato Loureiro 
Quando o Sol começa a se despir
E penetrar na linha do horizonte
Repete o ritual que deve ele cumprir
Dia após dia, logo ali defronte.

Abaetetuba tem um lindo pôr de sol
E o mais colorido que eu já vi.
Desde a Alvorada até o arrebol
Deslumbra, com seis raios, o colibri.

Seu amarelo contrasta com as matas,
Em cujo verde os pássaros descansam.
Enche de alegria, em doce serenata,
Os corações que em nosso peito dançam.

Ama criança, a terra em que vivemos,
E nessa contida oração de piedade,
Saiba que o Sol, que a cada dia perdemos, 
Também leva saudades da cidade.

Abaetetuba, és a flor que canta
Para embalar o sonho desta gente
Que, para colher aquilo que ela planta,
Veste-se de amor e te ama docemente.




1ºlugar – XXXI SEMANA DE ARTE E FOLCLORE/2012
PENSO, LOGO EXISTO
Será que existo porque penso
Ou penso porque existo?
Quando penso que existo
Insisto em mostrar que penso
Para acreditar que existo.
Quem não pensa, não existe?
Quem não existe, não pensa.
A existência consiste
No pensar de quem existe.
O pensamento reflete
A existência do ser.
E como diria Descartes:
“Penso, logo... não insistas!”

Autor: Nonato Loureiro


Raimundo Nonato Paes LoureiroABAETETUBENSES
NAZARÉ LOBATO

Mais uma estrela a brilhar no Céu.
Uma saudade a mais a povoar a Terra.
Um brilho que se vai para o infinito
E uma enorme tristeza o coração encerra.

Fez de sua pena a doce e grande lavra
Na labuta diária do saber contar.
Fez reviver em nós o gosto por nós mesmos
Na tarefa de escrever o que nos fez sonhar.

Fatos, lendas, versos e solfejos.
Candura e vontade de viver nossa cultura
Expressando seu valor por entre as rimas
Exalando o perfume de uma flor tão pura.

Nazaré Lobato foi morar perto de Deus.
Aqui ficamos nós a soluçar baixinho.
Relembrando seus momentos mais felizes
Dando o nosso adeus, nosso maior carinho.

Autor: Nonato Loureiro


Nonato Publico, hoje, uma Poesia do meu amigo e parceiro de copo Nonato Loureiro, homenageando Abaetetuba, cidade onde nasceu e escolheu voltar a viver, após ter morado em tantas outras cidades. Nonato é irmão de João de Jesus Paes Loureiro, e a poesia navega no sangue. Ressalto que Abaeté e Nonato tem quase a mesma idade, rsrs. Assim que ele completar 118 anos, quero fazer uma poesia épica, bonita e épica, narrando ele. Abraços Raimundo Nonato Paes Loureiro.

ABAETETUBA 118 ANOS
No barco da paixão levei meus versos
Entre paneiros, camarões e alguidares.
Aos poucos, no horizonte, o Sol declina
E a noite traz em si doces penares.

Vêm à memória os velhos regatões
Que, em seu bojo, riquezas transportavam.
No ar, a ilusão da vida flutuava,
No ardente perfume da cana que exalava.

Nas olarias o mundo se moldava
Nas marombas de tijolo e telharias.
Preparando, no barro pré-moldado,
O desenhar de novas moradias.

Gapuiando em busca do sustento
Minha gente se molha de alegria
Carregando em seus ombros, aricás
Repletos do trabalho de um dia.

Canoeiros navegam em minha mente
Nas preamares de turvas águas frias.
São pescadores, os bravos que desbravam,
A terra, que a nós tem dado alegrias.

Minha canoa corre rio acima
Em busca do ombro amigo ribeirinho
Que nas várzeas cultiva, em seu trabalho,
As formas de amar e receber carinho.

Abaetetuba, aqui eu deposito, satisfeito,
Os votos de alegria nesta feliz cidade
Onde meu coração vive ancorado
Nos braços rijos da real felicidade.


Nonato
Mais uma vez fui premiado com um poema na Semana de Arte. Em terceiro lugar ao lado de Alfred e Adenaldo. Eis o meu poema:

Adenaldo Santoscardoso Prosseguindo com a bela homenagem: Alcimar canta / Feliz pra nos alegrar / No ventre de Abaetetuba / O verbo se fez Alcimar

RAIMUNDO NONATO PAES LOUREIRO COMO COMPOSITOR MUSICAL E COMO APRESENTADOR DE PROGRAMAS MUSICAIS EM ABAETETUBA:
NONATO LOUREIRO/Raimundo Nonato Paes Loureiro, escritor, jornalista, poeta, apresentador de programas musicais e autor musical de Abaeté, irmão de João de Jesus Paes Loureiro, nascido em Abaetetuba no dia 4/5/1944. Entre suas obras estão as composições: “Uma canção ao pescador”, de 1980, que obteve o 1º lugar num concurso na cidade de Oriximiná, em música. Ainda continua ativo jornalista e compositor musical em Abaetetuba. Contribuição de Nonato Loureiro à sua biografia de compositor musical:
Raimundo Nonato Paes Loureiro,  nesse tema, compositor musical, tenho a acrescentar que sou autor do 2º hino oficial do município de Abaetetuba (Canção Cívica de Abaetetuba), já transformado em Lei, além de que tenho parcerias musicais com vários compositores, tais como: Luiz Gonzaga Lobato, Adenaldo Cardoso, Fernandinho (Sandália de Ambuá), Jorge Vinente (Oriximiná), Miguel Bobó, Geba, Iacilda Freitas, Edgard Black, João Max, Mestressica, Geraldo Sena, Salomão Habib, Dico Souza (Dico Cururu), entre outros.

Como apresentador musical, comandou o antigo e bem estruturado programa "Por do Som" no palco do J B Porto Restaurante, a partir das 17:00 h, de propriedade de João Basílio Ferreira, programa com  poesias e músicas do belo cancioneiro musical brasileiro, especialmente as músicas do MPB e Nonato Loureiro foi apresentador de um programa nas noites de sábados, das 20 às 22:00h, denominado "Encontro Marcado", na Rádio Comunitária Guarany FM, também com as jóias músicais do cancioneiro musical brasileiro e internacional.

Poesias de Raimundo Nonato Paes Loureiro
Publico, hoje, uma Poesia do meu amigo e parceiro de copo Nonato Loureiro, homenageando Abaetetuba, cidade onde nasceu e escolheu voltar a viver, após ter morado em tantas outras cidades. Nonato é irmão de João de Jesus Paes Loureiro, e a poesia navega no sangue. Ressalto que Abaeté e Nonato tem quase a mesma idade, rsrs. Assim que ele completar 118 anos, quero fazer uma poesia épica, bonita e épica, narrando ele. Abraços Raimundo Nonato Paes Loureiro.

Mais uma vez fui premiado com um poema na Semana de Arte. Em terceiro lugar ao lado de Alfred e Adenaldo. Eis o meu poema:

Raimundo Nonato Paes Loureiro

31 de maio de 2013 12:38
João Jesus de Paes Loureiro (Abaetetuba, 23 de junho de 1939) é um escritor, poeta e professor universitário brasileiro. Professor de Estética, História da Arte e Cultura Amazônica, na Universidade Federal do Pará. Mestre em Teoria da Literatura e Semiótica, PUC/UNICAMP, São Paulo e Doutor em Sociologia da Cultura pela Sorbonne, Paris, França.
Possui diversas obras publicadas, como o livro "Cultura Amazônica - Uma Poética do Imaginário", tese de doutoramento na Universidade de Paris V (Sorbonne, França). Parceiro, como poeta, de vários compositores paraenses, tais como Wilson Dias da Fonseca, é autor da inspirada letra da valsa "Rachelina" (1922), escrita em 1996, cujo texto procura retratar, com fidelidade, o espírito da música composta por José Agostinho da Fonseca (1886-1945), em homenagem à pianista santarena Rachel Peluso.
Obras literárias
Tarefa: Pará: Falângola, 1964.
Cantigas de amar de amor e de paz – poesia. Belém: Graf. Globo, 1966.
Epístolas e Baladas – poesia. Belém: Grafisa, 1968.
Remo Mágico – poesia. Belém: Graf. Sagrada Família, 1975.
Enchente amazônica – poesia. Separata publicada pelo Conselho de Cultura do Pará, 1976.
Porantin: poesia, Rio de Janeiro: Civilização Brasileira, 1979.
Deslendário: poesia, Rio de Janeiro: Civilização Brasileira, 1981.
Pentacantos: poesias. São Paulo: Roswitha Kempf, 1984
Cantares Amazônicos: poesia. São Paulo: Roswitha Kempf, 1985.
O Ser Aberto. Belém: Cejup, 1987.
Romance das três flautas ou de como as mulheres perderam o domínio sobre os homens: poesia. Tradução para o alemão de Hildegard Fauser-Werle. Ed. Bilíngüe. São Paulo: Roswitha Kempf, 1987.
O Poeta Wang Wei ( 699 – 759 AD ) Na visão de Sun Chin e João de Jesus Paes Loureiro: poesia. Ed.Bilíngüe. São Paulo: Roswitha Kempf, 1988.
Artesão das Águas. Belém: Cejup/Universidade Federal do Pará, 1989.
Iluminações/Iluminuras: poesia. Tradução para o japonês Kikuo Furuno. Ed.Bilíngüe Roswitha Kempf, 1988.
Altar em chamas e outros poemas. São Paulo: Cejup Cultural, 1989.
Elementos de Estética. Belém: Cejup, 1989.
Cinco palavras amorosas à Virgem de Nazaré: poesia. Belém: Cejup Cultural, Belém-PA, 1989.
Tarefa: poesia. feed. Fac-similar. Pará: Falângola, 1989.
Erleuchtungen/Malereien (Iluminações/Iluminuras). Tradução para o alemão Michael V. Killischh. Munique: Horn, 1990.
Cantares Amazônicos: coletânea de poemas. Ed.Bilíngüe. Português e Italiano, lançado em L’Aquila, Itália. Pará: Falângola, 1990.
Cantares Amazônicos. Berlin, Alemanha (em português e alemão), 1991.
Cultura Amazônica – uma poética do imaginário. Belém: Cejup, 1991.
Un Complainte pour Chico Mendes. Tradução Lyne Strouc. Foire International Terres de L'Avenier-CCFD. Paris, França, 1992.
A poesia como encantaria da linguagem – Hino Dionisíaco ao Boto. Belém: Cejup, 1992.
Altar em Chamas: poesia, Rio de Janeiro: Civilização Brasileira, 1992.
Belém. O Azul e o Raro. Belém: Edição de Violões da Amazônia, 1998.
Pássaro da Terra: teatro. São Paulo: Escrituras, 1999.
Outros trabalhos
Inventário cultural e turístico do Pará. Funarte/Idesp/Cecult.
Proposta Modular de Educação e Cultura – SEMEC. Cadernos de Cultura, 1985.
Proposta Contextual de Educação Infantil – SEMEC. Cadernos de Cultura, 1986.
Projeto PREAMAR: O Pará e a Expressão Amazônica – Boletim da Fundação Cultural “Tancredo Neves”, 1996.
Discos
Disco com canções de sua autoria – Escorpião/Rosembi, 1974.
Até a Amazônia - músicas com Quinteto Violado. Rio de Janeiro, Phonogran, 1975.
Rostos da Amazônia – poesia, com Sebastião Tapajós ao violão. Rio de Janeiro, Phonogran, 1985.
O Rei e o Jardineiro – com Quinteto Violado. Produção independente, 1995.
Belém. O Azul e o Raro – (para ler como quem anda nas ruas) Poesia e Música com Salomão Habib, 1998.
Obras premiadas
lha da Ira. Primeiro Prêmio do Serviço Nacional de Teatro, Ministério da Educação, Rio de Janeiro, 1976.
A Procissão do Sayrê. Inacen/MEC – Rio de Janeiro, 1977.
Altar em Chamas. Prêmio de Poesia, pela Associação Paulista de Críticos de Artes – APCA. São Paulo, 1994.
Romance das três flautas. Prêmio Jabuti. São Paulo, 1998.
Ligações externas
Blog do Paes Loureiro
Jornal da Poesia
A epopeia amazônica de João de Jesus Paes Loureiro.

Raimundo Nonato Paes Loureiro

Nonato DEVANEIO
É triste o sonho.
Prefiro o pesadelo.
As pedras que recebo
São pétalas de chumbo
A me mostrar a dor
Que já não sinto.

De que adianta amar
Se o amor é como a bruma.
Ele cerra os nossos olhos
E mata as esperanças
Supondo que engana
O ser que está amando.

Não vejo a luz no fim daquele túnel.
Não vejo o túnel e o fim daquela estrada.
Só vejo a sensação do nada se movendo
Na sensual penumbra de uma lua
Que despojada de todas as estrelas
Mingua no quarto e se deflora.

Autor: Nonato Loureiro.

Nonato O PEIXE DA ESPERANÇA

Aos poucos se vai voltando para o mar
sem redes, nem arpões enferrujados.
O pescador conhece seu trajeto
e sabe a hora que deve navegar.

O que vislumbra o olhar de quem navega?
Um horizonte sem fim, inalcansável?
Ou apenas a visão do que se fora
num passado repleto de quimeras.

Existe a hora do pescador lançar a linha,
mas existe a hora de voltar ao mar
e nessa volta, às vezes se defronta
com sua própria vontade de ficar.

Ficar no rio, longe da praia
é triste demais, mas é preciso.
Se navegar se torna imperativo
por que negar que é esse o seu motivo?

Sou pescador de sonhos e de letras.
Busco nos livros o peixe da esperança
e quando o vejo morrer arpado num lampejo
parto com ele feliz feito criança.

Autor: Nonato Loureiro.

Raimundo Nonato Paes Loureiro,  nesse tema compositor musical, tenho a acrescentar que sou autor do 2º hino oficial do município de Abaetetuba (Canção Cívica de Abaetetuba), já transformado em Lei, além de que tenho parcerias musicais com vários compositores, tais como: Luiz Gonzaga Lobato, Adenaldo Cardoso, Fernandinho (Sandália de Ambuá), Jorge Vinente (Oriximiná), Miguel Bobó, Geba, Iacilda Freitas, Edgard Black, João Max, Mestressica, Geraldo entre outros.

Raimundo Nonato Paes Loureiro, disse:
Muitos nomes atuais são fruto de proteção aos filhos no tempo da guerra: os Coforotes, alguns Maués, além dos alemães que se fixaram no Rio Belchior quando fugiram valorosamente da guerra num submarinho que veio pelo canal e fundiiou naquela localidade. O professor Garibaldi sabe das coisas...

RAIMUNDO NONATO PAES LOUREIRO COMO COMPOSITOR MUSICAL E COMO APRESENTADOR DE PROGRAMAS MUSICAIS EM ABAETETUBA:
NONATO LOUREIRO/Raimundo Nonato Paes Loureiro, escritor, jornalista, poeta, apresentador de programas musicais e autor musical de Abaeté, irmão de João de Jesus Paes Loureiro, nascido em Abaetetuba no dia 4/5/1944. Entre suas obras estão as composições: “Uma canção ao pescador”, de 1980, que obteve o 1º lugar num concurso na cidade de Oriximiná, em música. Ainda continua ativo jornalista e compositor musical em Abaetetuba. Contribuição de Nonato Loureiro à sua biografia de compositor musical:
Raimundo Nonato Paes Loureiro,  nesse tema, compositor musical, tenho a acrescentar que sou autor do 2º hino oficial do município de Abaetetuba (Canção Cívica de Abaetetuba), já transformado em Lei, além de que tenho parcerias musicais com vários compositores, tais como: Luiz Gonzaga Lobato, Adenaldo Cardoso, Fernandinho (Sandália de Ambuá), Jorge Vinente (Oriximiná), Miguel Bobó, Geba, Iacilda Freitas, Edgard Black, João Max, Mestressica, Geraldo Sena, Salomão Habib, Dico Souza (Dico Cururu), entre outros.
Como apresentador musical, comandou o antigo e bem estruturado programa "Por do Som" no palco do J B Porto Restaurante, a partir das 17:00 h, de propriedade de João Basílio Ferreira, programa com  poesias e músicas do belo cancioneiro musical brasileiro, especialmente as músicas do MPB e Nonato Loureiro foi apresentador de um programa nas noites de sábados, das 20 às 22:00h, denominado "Encontro Marcado", na Rádio Comunitária Guarany FM, também com as jóias músicais do cancioneiro musical brasileiro e internacional.

À Miracy Santos

Um sorriso que se foi
Sem perder a alegria
Chegou cantando no céu
Ao som da Ave-Maria.

Deixou saudades na Terra
E muito exemplo deixou
Foi viver junto de Deus
A quem ela tanto amou.

Miracy está no céu
Junto da Virgem Maria
Ficamos aqui chorosos
Em completa confraria.

Fica aqui esta homenagem
Cravada em versos de flores
Para exaltar sua lembrança
E amenizar nossas dores.

Autor: Nonato Loureiro.

Plagiando Olavo Bilac

Ora (direis) ouvir Vinicius
Certo não tens mais tempo.
E eu vos direi, seu tonto,
Que para ouvi-lo me sinto num deserto
Pois é a hora de derramar meu pranto.

E o escuto no romper da noite,
Enquanto minha lágrima cintila.
E ao ouvir o som, saudoso encanto,
O acompanho pelo céu aberto.

Direis, então, apaixonado amigo,
Que coisas boas ouves de Vinícius?
Qual o mistério nisso, meu amigo?

Eu te responderei: “Amai para entendê-lo!”
Pois só quem ama pode ter ouvidos
Capaz de ouvir e entender Vinícius.

Autor: Nonato Loureiro


SOS AMAZÔNIA
O que fazer,
Agora que começam
a poluir as águas e a floresta?
Seria melhor pensar numa medida
Pra salvar o verde que nos resta.

As águas, já vermelhas de bauxita,
Começaram a jorrar pelas torneiras.
O hospital, se enche – exorbita -
De crianças doentes – morredeiras.

Sobrevoar as matas é uma tristeza,
O rubro salpicado encobre o verde
Que morre todo seco – envenenado.

O antídoto existe, com certeza,
Pra repor o que a Amazônia perde
Com um progresso desumanizado.

Autor: Nonato LoureiroExperiências do surf na pororoca serão contadas em livro

Festival acontece há 12 anos em Arari e reúne surfistas do mundo inteiro.                    
Cidade receberá investimentos de R$ 5 mi em infraestrutura.


Raimundo Nonato Paes Loureiro
Eu gostaria de ser:
• Religioso, tipo o Alexandre Machado;
• Irreverente, tipo o Roberto Osório;
• Elegante, tipo o Zé Heiná Maués;
• Repentista de humor, tipo o Davi Figueiredo;
• Pescador de curimatã, tipo o Ritacínio Carvalho;
• Cantor regional, tipo Adenaldo Cardoso;
• Locutor esportivo, tipo o Pedro Maués;
• Poeta de cordel, tipo o Antônio Macedo; 
• Cronista do humor, tipo o Jaime Brasil;
• Pensador, tipo o Garibaldi Parente;
• Humorista, tipo o Castor;
• Show Man, tipo o The Littos;
• Amado, tipo o Fernandão Ribeiro;
• Carnavalesco, tipo o Guri do Palhuka;
• Vendedor, tipo o Florenzano;
• Advogado, tipo Odival Quaresma;
• Empresário, tipo o Grodédio;
• Mordaz, tipo o seu Ramos;
• Sincero, tipo o Leopoldo Lima;
• Desportista, tipo o Alcimar Araújo;
• Boa vida, tipo o Zé do Pará;
• Viajante, tipo o Armando Dias;
• Bicolor, tipo o Stelo Moraes;
• Apressado, tipo o Edmundo Leitão;
• Marinheiro de bordo, tipo o Benício;
• Sonhador, tipo o Lial Bentes;
• Página na Play Boy, tipo o Iso Gama;
• Famoso, tipo o Abel do Neves;
• Bom de copo, tipo eu mesmo.
Raimundo Nonato Paes Loureiro

Raimundo Nonato Paes Loureiro Muitos nomes atuais são fruto de proteção aos filhos no tempo da guerra: os Coforotes, alguns Maués, além dos alemães que se fixaram no Rio Belchior quando fugiram valorosamente da guerra num submarinho que veio pelo canal e fundiiou naquela localidade. O professor Garibaldi sabe das coisas...

Raimundo Nonato Paes Loureiro
A FOTOGRAFIA É DE UM ILUSTRE PARAENSE QUE NASCEU EM ABAETETUBA E VIVEU ATÉ SUA MORTE NO RIO DE JANEIRO. O NOME DELE ERA GLADSTONE DALVA PARENTE, GRANDE PSIQUIATRA, QUE TRADUZIU DO ALEMÃO PARA O PORTUGUÊS AS OBRAS COMPLETAS DE SIGMUND FREUD.
Ao amigo Ademir. Gostaria que me confirmasses a autenticidade da informação de que Gladstone nasceu em Abaetetuba. Ele era filho de Galileu Parente, irmão de meu avô Garibaldi e primo de meu pai.

Nonato Loureiro
UMA TOCHA DE AMOR
Eis a minha tocha de amor
Por ti Abaetetuba.
Quero te incendiar de amor.
Quero queimar teus prédios
Apinhados de ilusões.
Atiçar o fogo da paixão
Que me invade a alma
E te beijar com a chama desse beijo
Umedecido de carinho
E de desejo
Nesta noite lancinante
Onde a paixão mais forte,
Na verdade,
Quer te aquecer
No abraço amigo deste peito
Esfumaçante de prazer.

Permitas que eu te queime
Abaetetuba
Com o fogo que trago dentro d'alma
E deixes esta paixão
Ferver teu ventre
Ao te beijar os seios palpitantes
Carregados de amor
Por quem te ama.

O coração me arde feito brasa
Na fogueira de uma paixão infinda
Na soturna noite de pecado
Onde a multidão vive perdida.
Queimo-te os lábios de mel
E me embriago.

Toma meu corpo
Me queima até à morte
Não permitas sequer
Que me socorram.
Invade este meu corpo
E dilacera o coração
Que aos poucos vai parando.

Leva o meu computador
- este meu cérebro
Leva os meus dedos
- minha máquina de escrever
Leva os meus móveis
- me deixa assim imóvel
Coloca ar refrigerado em meu esquife.
Veste as minhas roupas já queimadas.
Calça meus sapatos sabrecados.
Quebra os espelhos
Que mostram o meu passado
E redividem meu rosto em mil pedaços.
Hoje te quero quente, Abaetetuba.
Com toda essa quentura que o amor provoca
Quero ser forte como a Cobra Grande
Quero ser feroz que nem a Pororoca
Quero que fumes as cinzas do meu corpo
Quando eu tiver, enfim, que ir embora
Só me jures, querida terra que eu adoro,
Seres a mesma que há cento e poucos anos
Quando recebestes enfim a liberdade.
Abaetetuba
Aqui está a minha tocha
Acesa com o amor de todos nós.

Autor: Nonato Loureiro


1ºlugar – XXXI SEMANA DE ARTE E FOLCLORE/2012


A BENTO XVI

O SANTO QUE VIROU HOMEM

O mundo dá muitas voltas
E não cansa de girar
As gerações se renovam
Em nome do verbo amar.

O Homem povoa a Terra
E dela tira o sustento.
A vida segue seu curso
E o curso cria o momento.

Muitas coisas se repetem
Umas boas, outras maldosas,
As boas nos presenteiam
Com o perfume das rosas.

Jesus Cristo padeceu
Na busca pela verdade.
Morreu pregado na cruz
Pra salvar a humanidade.

Disse certa vez ao povo
Que a criança só merece
Ser tratada com amor
Como quem reza uma prece.

Esse gesto de Jesus
Foi como uma profecia
Ao Homem que desconhece
A dor de uma aleivosia.

Exemplo assim, de grandeza,
Inspirado por Jesus,
Veio lá do Vaticano,
Da Cúria que nos conduz.

Com seu pensar livre e bento,
Condenando a hipocrisia,
Bento dezesseis deu exemplo
Em histórica homilia.

Homilia em que deixava
O mundo desnorteado.
Flor em si despetalando
Num jardim tão mutilado.

No semblante só tristeza,
No peito a dor lhe fervia.
Seus olhos podiam ver
O mundo que se perdia.

Desistiu da santidade
Pra dar seu grito de alerta.
Corajoso, sem maldade,
Chegara na hora certa.

Seguro na decisão
Aquele gesto sagrado
Do santo que virou Homem,
Pra cumprir o seu legado.

Eis aí um belo exemplo
Aos muitos que assim não agem.
O povo seria mais sábio
Se seguisse essa mensagem.

Autor: Nonato Loureiro


Raimundo Nonato Paes Loureiro:
Este poema foi meu presente ao Adenaldo Cardoso no dia de seu aniversário, em 06/07/2011.

ALMA DE SONHADOR

Com alma de sonhador
Coração em sintonia
Leva a vida em plena festa
Navegando na poesia.

Revive velhas lembranças
Valorizando o saber
Desfalece no remanso
Das luzes do bem-querer.

Tem na alma de poeta
O tom solene do canto.
Transborda de alegria
Dando vida ao desencanto.

Na luz, busca sua verdade.
No rio, se banha de afetos.
Nas matas, rejuvenesce
Seus abstratos concretos.

Afundou na tabatinga
De sua doce ilusão.
Caminhou, feito anhinga,
No remanso da paixão.

Em Beja, tentou morada,
Na Pacoca destruída.
Comeu pupunha. Roeu unha
Numa paia poluída.

Adenaldo é homem forte
- Caboclo de carteirinha –
Canta versos e reversos
De sua vida ribeirinha.

Ao ouvir suas canções
O horizonte se inclina.
O Sol fica mais ardente
A Lua supera a neblina.

Parabéns, amigo velho!
Velho amigo, camarada!
Seguimos de par-e-passo
Nesta feliz caminhada.

Autor: Nonato Loureiro.
Nonato
AOS MEUS QUERIDOS MESTRES
Autoria: Raimundo Nonato Paes Loureiro

Hoje és a tia que todos nós amamos,
em cuja vida carregas nossas vidas,
nos ensinaste as letras da verdade
nas entrelinhas dos sonhos desta lida.

Já foste um dia chamada professora
e com orgulho usava teu sorriso
ao comandar o giz, feito batuta,
nossas vidas viravam um paraíso.

Lembro-me bem da professora Carmem
da professora Ilza com seus olhos de orvalho.
Da professora Esmerina, a diretora
do Grupo Escolar Basílio de Carvalho.

Ó! Que saudades da professora Benvinda.
Ponte que me ligou ao que hoje sou,
sem esquecer da professora Elza
a quem um dia jurei ser professor.

Mas, quem me deu a luz primeira
dos conhecimentos do ABC e dos ditados
foi a doce e angelical mestra querida
professora Carlaíde em seus tempos dourados.

O frei Arcádio, meu professor de música
é relembrado com amor e com afeto,
e ainda hoje nas noites de insônia
ouço soar seus tons sob meu teto.

Professor Maxico, que saudades
das sabatinas, dos frutos no quintal.
Do seu sorriso sempre disponível,
De sua sabedoria e calma paternal.

Hoje outros professores renovaram
O espaço que o tempo destronou.
Os nossos filhos os chamam tios e tias,
e tem por eles o mais sincero amor.

São lembranças de felizes amarguras,
ou de amargas felicidades já nem sei.
O que tenho certeza, caros mestres,
é por causa de vocês, que sei o que hoje sei

VALE À PENA SER LEMBRADA: ESMERINA BOU-HABIB

Nonato Loureiro

De descendência sírio-libanesa, Esmerina Bou-Habib viveu em Abaetetuba nos primeiros anos do século XX, cujos familiares faziam parte do grande contingente de sírios e turcos que aqui vieram morar, fugindo da triste siLE tuação sócio-política de suas pátrias totalmente tomadas pelas ideias imperialistas que ganhavam corpo no seio das grandes potências.
Casada com o libanês Jorge Antônio, Esmerina exercia a profissão de professora, sendo a iniciadora de muitos abaetetubenses no conhecimento das primeiras letras. Residia na rua à beira do rio Maratauíra, hoje denominada Santos Dumont, onde, fora de seu horário de trabalho na escola, desenvolvia seus conhecimentos de medicina rudimentar fornecendo gratuitamente remédios homeopáticos a quem deles precisassem, os quais eram manipulados exclusivamente por ela que conhecia essa terapia milenar.
Com a chegada de tantos estrangeiros o comércio local tomou novo impulso iniciando um ciclo mais dinâmico de desenvolvimento. Havia turcos, sírios, libaneses, portugueses, italianos, espanhóis, colombinos, peruanos, enfim, um elevado grupo que se adaptou aos nossos costumes e usos, influenciando com suas culturas o alvorecer de nossa pequena civilização à época.
A professora Esmerina Bou-Habib trabalhou no Grupo Escolar de Abaetetuba, primeira escola pública instalada no município. Localizada à Rua Siqueira Mendes, esquina com a atual Avenida 15 de Agosto, era um prédio composto por dois pavimentos: térreo e superior, construído todo em alvenaria, possuindo uma escadaria com mais de 30 degraus toda em madeira de lei que dava acesso ao andar de cima. Rodeado de janelas e portas, o prédio dava não só uma visão panorâmica da Praça da Bandeira, ainda não muito bem tratada à época, como proporcionava conforto aos alunos e professores pelo arejamento natural das salas de aula.
Muitos dos atuais abaetetubenses, hoje ilustres no campo profissional, estudaram seu curso primário nessa escola que, pelos idos dos anos 50, foi desativada e seu acervo transferido para o Grupo Escolar “Professor Basílio de Carvalho”, no qual Esmerina já passa a exercer as funções de Diretora pelos méritos de seu trabalho voltado para a educação fundamental de nossos irmãos.
Era uma Diretora muito querida por todos e sua personalidade marcante se evidenciava pelo amor dedicado às crianças para com quem tinha um modo especial de tratamento. Atenta ao desenvolvimento intelectual dos alunos, era comum os pais receberem visitas da Diretora Esmerina que lhes informava o baixo desempenho de seus filhos.
Aposentou-se já com idade um tanto avançada, mas permaneceu prestando sua assistência humanitária à população no fornecimento dos remédios homeopáticos, ação social que prestou até a sua morte.
Hoje Abaetetuba não conta mais com a presença dessa mulher que deu vida à educação de nossa gente, mas retribuiu esse trabalho humanitário e educacional nomeando uma de suas escolas como homenagem àquela que foi, sem dúvida alguma, a precursora do alto nível de escolaridade dos nossos estudantes quando estes prestavam exames na capital quando dos vestibulares para o ingresso no curso ginasial, hoje 2º grau.
Através desses dados referentes à Esmerina Bou-Habib pode-se aquilatar o valor inestimável que a imigração estrangeira trouxe para Abaetetuba, cujos imigrantes passaram a integrar-se aos nativos e, unidos por matrimônio, passaram a fazer parte da família abaetetubense gerando filhos que hoje continuam honrando o honrado sangue que corre em suas veias. A história premia os bons, daí a justiça que se faz nesta homenagem.

CASAS DESTRUÍDAS EM ABAETETUBA

João de Jesus PAES LOUREIRO

Soubemos pelos jornais
que o rio Maratauira
em Abaetetuba,
assoreou o barranco
enfraqueceu a terra
e casas naufragaram
como barcos afundando.
Na extremidade da rua em que nasci.

Não foi culpa do rio,
que o rio não tem consciência de seus atos.
Não foi culpa da terra,
que a terra já não decide seu destino.
Não foi a Cobra Grande, que sendo ela
seria por desencantar mundo melhor.
Não foi, portanto, a Boiuna.
A culpa será de quem?

As casas ali foram construídas
pela necessidade urgente de morar.
As pessoas, as famílias,
desde o tempo das cavernas,
precisam de teto e chão para viver.
Na tela movediça da TV
afundam salas, sonhos, oratórios.
Cada olhar, cada voz, cada palavra
enterra seu punhal na consciência,
no coração escondido em nosso peito.

Quem poderá ficar imóvel
ante essa tragédia?
Estendo a mão deste poema
eu peço: “Uma ajuda pelos desvalidos”.
Uma coisa a menos a quem tem tudo,
nunca é de mais.
Uma coisa a mais a quem tem nada,
nunca é de menos.
Belém, 6-01-2014 Todo dia é dia
Mas como tem dia pra tudo
Todo dia é do comércio

(Adenaldo)




CASAS DESTRUÍDAS EM ABAETETUBA João de Jesus PAES LOUREIRO Soubemos pelos jornais que o rio Maratauira em Abaetetuba, assoreou o barranco enfraqueceu a terra e casas naufragaram como barcos afundando. Na extremidade da rua em que nasci. Não foi culpa do rio, que o rio não tem consciência de seus atos. Não foi culpa da terra, que a terra já não decide seu destino. Não foi a Cobra Grande, que sendo ela seria por desencantar mundo melhor. Não foi, portanto, a Boiuna. A culpa será de quem? As casas ali foram construídas pela necessidade urgente de morar. As pessoas, as famílias, desde o tempo das cavernas, precisam de teto e chão para viver. Na tela movediça da TV afundam salas, sonhos, oratórios. Cada olhar, cada voz, cada palavra enterra seu punhal na consciência, no coração escondido em nosso peito. Quem poderá ficar imóvel ante essa tragédia? Estendo a mão deste poema eu peço: “Uma ajuda pelos desvalidos”. Uma coisa a menos a quem tudo tem nunca é de mais. Uma coisa a mais a quem tem nada nunca é de menos. Belém, 6-01-2014

CASAS DESTRUÍDAS EM ABAETETUBA

João de Jesus PAES LOUREIRO

Soubemos pelos jornais
que o rio Maratauira
em Abaetetuba,
assoreou o barranco
enfraqueceu a terra
e casas naufragaram
como barcos afundando.
Na extremidade da rua em que nasci.

Não foi culpa do rio,
que o rio não tem consciência de seus atos.
Não foi culpa da terra,
que a terra já não decide seu destino.
Não foi a Cobra Grande, que sendo ela
seria por desencantar mundo melhor.
Não foi, portanto, a Boiuna.
A culpa será de quem?

As casas ali foram construídas
pela necessidade urgente de morar.
As pessoas, as famílias,
desde o tempo das cavernas,
precisam de teto e chão para viver.
Na tela movediça da TV
afundam salas, sonhos, oratórios.
Cada olhar, cada voz, cada palavra
enterra seu punhal na consciência,
no coração escondido em nosso peito.

Quem poderá ficar imóvel
ante essa tragédia?
Estendo a mão deste poema
eu peço: “Uma ajuda pelos desvalidos”.
Uma coisa a menos a quem tem tudo,
nunca é de mais.
Uma coisa a mais a quem tem nada,
nunca é de menos.
Belém, 6-01-2014 Todo dia é dia
Mas como tem dia pra tudo
Todo dia é do comércio

(Adenaldo)

CASAS DESTRUÍDAS EM ABAETETUBA João de Jesus PAES LOUREIRO Soubemos pelos jornais que o rio Maratauira em Abaetetuba, assoreou o barranco enfraqueceu a terra e casas naufragaram como barcos afundando. Na extremidade da rua em que nasci. Não foi culpa do rio, que o rio não tem consciência de seus atos. Não foi culpa da terra, que a terra já não decide seu destino. Não foi a Cobra Grande, que sendo ela seria por desencantar mundo melhor. Não foi, portanto, a Boiuna. A culpa será de quem? As casas ali foram construídas pela necessidade urgente de morar. As pessoas, as famílias, desde o tempo das cavernas, precisam de teto e chão para viver. Na tela movediça da TV afundam salas, sonhos, oratórios. Cada olhar, cada voz, cada palavra enterra seu punhal na consciência, no coração escondido em nosso peito. Quem poderá ficar imóvel ante essa tragédia? Estendo a mão deste poema eu peço: “Uma ajuda pelos desvalidos”. Uma coisa a menos a quem tudo tem nunca é de mais. Uma coisa a mais a quem tem nada nunca é de menos. Belém, 6-01-2014

De Nonato Loureiro
JOAQUIM MENDES CONTENTE

Desde de criança passei a admirar o trabalho e a personalidade de um dos homens mais importantes que Abaetetuba conheceu e que deixou sua marca indelével na história de nossa terra. Joaquim Mendes Contente era um farmacêutico com status de médico da população do município inteiro que o procurava nas horas amargas quando alguma enfermidade, grave ou não, acometia moradores da cidade, da zona rural ou ribeirinha.
Caracterizava-se pela maneira afável com que tratava as pessoas. De uma personalidade marcante e de um caráter irrepreensível, seu Contente conhecia como ninguém as dificuldades do povo e por isso se manteve fiel no trato com todas as classes sociais que, à época, não apresentavam, ainda, as desproporções hoje existentes.
Seu veículo preferido era uma antiga bicicleta que o levava a todos os recantos da cidade quando precisava atender aos pacientes que tinham dificuldades em ir até a farmácia para a consulta sobre o mal acometido.
Elegante e com um semblante sereno que combinava com seu sorriso sempre disponível, seu Contente cumpria uma jornada de trabalho sem hora para começar ou terminar. Foi o assistente de milhares de senhoras, tanto no período de gestação quanto na hora do parto, pois acompanhava suas pacientes nos nove meses de espera do filho em gestação.
Na farmácia, ele mesmo realizava os curativos quando alguém se machucava. Tinha uma prática incrível para atendimentos de crianças acidentadas, pois, enquanto preparava o medicamento, incluindo injeção no músculo ou na veia, cantava baixinho algumas canções suaves ou engraçadas que distraiam as crianças enquanto limpava o ferimento ou quando passava sobre ele o iodo cromo. Sua cantiga minimizava a dor.
Foi prefeito do município por dois períodos distintos, nos quais deu a Abaetetuba uma nova aparência. Foi em sua gestão que se começou a fazer a pavimentação das ruas da cidade, toda em concreto.
Mesmo na qualidade de prefeito municipal, seu Contente não deixava de dar assistência aos seus pacientes na farmácia, tanto que na prefeitura despachava somente no período da tarde. Criticado certa vez por ter como secretárias algumas pessoas de parentesco próximo, respondia com o bom humor que lhe era peculiar: “Os cargos das pessoas que nomeio são cargos de confiança, então, quem mais de confiança pra mim do que meus parentes?” Foi um prefeito austero, mas não autoritário; compreensivo, mas não benevolente; político, mas não politiqueiro.
Sua índole cristã o inclinou a, durante toda a sua vida, dar assistência pessoal às obras sociais e religiosas da igreja católica, tanto que foi o grande colaborador no soerguimento da religião católica no município sendo, inclusive, um dos que colaborou para a construção da nossa tradicional igreja matriz onde foi entronizada a imagem de Nossa Senhora da Conceição, padroeira do município.
Seu opositor político era o saudoso João Reis, com quem disputava as eleições a prefeito ou a deputado estadual. Eram opositores políticos, mas amigos no convívio social. Seu Contente, ao longo do tempo, firmou-se no conceito da população que até hoje seu nome é sinônimo de respeito, trabalho, amor, dedicação e competência.
No campo da medicina era imbatível. Respeitava seu trabalho e nunca se ouviu dizer que tenha errado no diagnóstico feito em toda a sua vida de farmacêutico. Na Farmácia Indiana, na Avenida Pedro Rodrigues, mantinha um laboratório, e era ali que o seu Higídio realizava a manipulação dos remédios receitados pelo seu Contente. O povo confiava em seu trabalho e o amava por sua maneira afável de atendê-lo.
Possuidor de uma família conceituada, transformou-se num exemplo às gerações que o conheceram e que até hoje o lembram com saudade.
Seu Contente deixou saudades, mas levou consigo a certeza do dever cumprido. Homem de poucas palavras, mas de muita ação, deixou marcada em todos nós a certeza de que a honestidade e o empenho para salvar vidas, são valores que só os possuem os que têm na alma a presença de Deus, e o seu Contente era como a personificação dessas marca que jamais se apagará da mente dos que o conheceram.
Hoje seu Contente se encontra na glória de Deus desfrutando das delícias do paraíso, mas, com certeza, estará sempre atento e reivindicando, junto ao Criador, benções e paz para nossa gente e um futuro grandioso para esta terra que tanto amamos.


terça-feira, 31 de dezembro de 2013

QUEREM ACABAR COM A POESIA DO NATAL

Há colégios que têm se desdobrado em, a título de querer ser o conscientizador das santas mentiras que desde a nossa infância nos são contadas, usam de seus recalques do passado para apagar a poesia que essas mentiras nos envolveram e nos envolverão sempre. Nos colégios de formação também religiosa, essa prática é mais comum, pois “para o bem da moral e dos bons costumes” as crianças devem saber desde cedo que Papai Noel não existe, para que não cresçam com traumas e as guardem pela vida toda.
Falam de Papai Noel de maneira debochada e direcionam ao pai genético ou ao padastro a responsabilidade de contarem-lhes a verdade sob pena de estarem criando futuros delinquentes, quem sabe, revoltados por terem sido enganados à vida toda.
Debocham das famílias que ainda mantém essa história sobre Papai Noel e fazem de tudo para que as crianças acreditem que aquilo é uma maneira. Induzem-nas a questionarem essas e outras mentiras alegando que as crianças já têm idade suficiente de saberem as verdades da vida.
A hipocrisia é tamanha, pois, não aconselham a verdade sobre mentiras contadas sobre: “como são feitos os bebês”, “como somos trazidos pelas cegonhas”, enfim. O pecado maior é a mentira da lenda Papai Noel.
Para nós que não somos filhos da ignorância e nem somos extremamente puritanos, essas questões são naturais no tratamento familiar, principalmente quando há, desde cedo, diálogo franco e aberto com as crianças desde a mais tenra idade.
O Papai Noel, nada mais é do que a materialização da poesia em forma de sorrisos. Quem desconhece a reação de uma criança quando esta recebe das mãos do Papai Noel ou mesmo, quando encontra sob sua rede ou cama, um presente deixado pelo bom velhinho? Reação que não existiria se esse mesmo presente fosse entregue pelo pai, na hora do café da manhã, por exemplo.
A magia do velhinho de barbas brancas, simbolizando o Pai Celestial pintado por Michael Ângelo, ou mesmo, a simbólica presença de um avô querido, envolvem de encantamento a alma da criança fazendo-a transpor as linhas do infinito e chegar aos pés de Deus.
Nunca ouvi dizer que alguma criança tivesse, mesmo sabendo de sua não existência, deixado de esperar, todos os anos, o velho Papai Noel, cheio de amor e presentes para lhe dar.
Hoje, ao longo de uma existência cheia de bons momentos e de grandes oportunidades, mesmo levando uma vida de real prosperidade, tenho saudade do Papai Noel da minha infância. Um homem que era a bondade em pessoa, a lealdade infinita, a pontualidade solar. Um homem que tinha o privilégio de ser o pai da humanidade por apenas uma noite e nessa mesma noite ter a possibilidade de visitar a todos os seres humanos e desumanos de todos os recantos do planeta Terra.
Mas hoje, querem que nossas crianças saibam que ele não existe, e o que é pior, que nunca existiu. Que Maldade! Talvez, quem assim age, sejam daquelas pessoas que no passado não receberam presentes do Papai Noel por que eras pobres de espírito ou sem recursos familiares para que seus pais lhe presenteassem um mimo natalino. Não sabem eles que, os que não recebem presentes materiais, com certeza, devido ao impacto que o momento natalino causa às pessoas, muitas receberam beijos e abraços dados com amor e carinho nos braços entrelaçados de seu pai e de sua mãe no soar da meia-noite ou na hora do café. Quem sabe?
Fui uma criança pobre, como foram todos os meus irmãos, mas, mesmo tendo meus pais uma prole considerável, jamais nos negaram a visita de Papai Noel. Dormíamos cedo, sem antes deixar de colocar nossos sapatinhos ou chinelos embaixo da rede, e dormíamos com o coração em sobressaltos.
Pela manhã, a alegria. Em baixo de cada rede lá estava o nosso presente, que se resumia num lápis com borracha, numa caixa de bombons, numa tabuada e um caderno de caligrafia, um pequeno dicionário com um livro do Pato Donald, presentes que faziam a nossa festa, principalmente com o lápis de cor que um outro também ganhara. Papai Noel era o assunto dia.
Hoje querem tirar de nossas filhos e netos essa magia que mais humaniza do que degrada nossas crianças; que mais dá força aos encantos da sociabilidade entre nossas crianças que, sem maldades e sem preconceitos, ou mesmo, desprovidas de maldades, vão às ruas e dividem com outras crianças a felicidade de terem sido visitadas por um emissário de Deus.
Há poesia mais bonita que esta do Natal? Que me perdoem os maus educadores, mas a ternura é fundamental!

a) Nonato Loureiro.

VALE A PENA SER REGISTRADO: STELO MORAES

Quem tem, como eu, o hábito de tomar café diariamente no “Café do Stelo”, sabe o que é começar o dia num alto astral de limpar a alma. Ali as rivalidades esportivas, mais precisamente entre torcedores de Remo e Paysandu, trazendo cada um a cada dia uma piada nova e com uma pitada de malícia que irrita o adversário e diverte os circunstantes.
Mas nem só de piadas de esporte se vive ali. Temos piadas de todos os gostos e tipos, característica de um começo de dia que todos buscam para zerar os dissabores acumulados . O Stelo é de uma perspicácia impressionante para saber colocar a piada de acordo com o tema da hora, tema esse que surge espontaneamente.
Um dia desses um cliente dava a notícia da morte de uma determinada senhora. Forma-se então o diálogo entre os dois:
- Quando ela morreu?
- Ontem” – responde o cliente.
- De manhã ou de tarde?
- De tarde!
- A que horas?
- Às quatro horas!
- Na ida ou na vinda?
- Deixa de graça, Stelo!
- De que ela morreu?
- Morreu dormindo! Parece que foi enfarto!
- Eu soube que ela estava dormindo e que, quando acordou, viu que estava morta! Não foi assim?
Isso bastou para que o cliente percebesse a brincadeira e deixou de fornecer mais detalhes sobre o óbito.
O café, com ou sem leite, o sanduiche de ovo, o caldo de cana, enfim, são atrativos que ali ganham uma personalidade própria. O troco em moedas é dado após o Stelo espalhar em cima do balcão as moedas guardadas em uma pequena lata. Faz isso todas as vezes que precisa dar troco. Um ritual característico e imutável.
Nas paredes do Café tudo quanto é tipo de notícia tem lá. Fotos diversas, sempre com um toque de críticas sadias sobre todos os assuntos que ali rolam. Seus frequentadores pertencem a todas as classes sociais e convivem como se não houvesse diferença de classes. Todos são iguais perante as sacanagens que a cada minuto ali surgem.
Outra história que nos foi contada pelo Stelo falando sobre um vendedor de galinhas:
“Um vendedor de galinhas foi pro Baixo-Amazonas. Lá se hospedou numa espelunca em que os carapanãs “brincava de pira” no quarto onde ele e seus paneiros com aves também estavam alojados. Lá pela madrugada percebeu um alvoroço em um dos paneiros e viu que num deles um galo tentava cantar, mas não conseguia. Até que, em dado momento, já às três horas da manhã, conseguiu colocar o bico pra fora do paneiro e cantou desesperado:
- Co-co-co-co-ri-ca-ra-lho-de-ca-ra-pa-nã.
Diz o Stelo que trocaram que trocaram de espelunca no dia seguinte.

Raimundo Nonato Paes Loureiro
VALE À PENA SER REGISTRADO: JOSÉ RAIMUNDO CORREA LIMA

Uma lenda viva de Abaetetuba que caminha incansavelmente pelas ruas da cidade com o ar de quem está de bem com a vida e consciente de que é querido por quem o conhece. José Raimundo Correa Lima, o Zé do Pará, tem descendência cearense já que filho do saudoso Major Ildefonso, um dos mais antigos agentes da loteria estadual e federal neste município, oriundo do Ceará nos idos do início do século XX.
José do Pará, desde muito jovem, vem participando na vida ativa do município onde, de maneira honesta e disciplinada, militou e ainda milita, mesmo que moderadamente agora, no campo sócio esportivo, cultural e político na qualidade de cidadão responsável e amante desta terra e de seu povo.
Por sua condição de católico militante, Zé do Pará não se descuida das práticas religiosas do dia-a-dia, frequentando a igreja católica regularmente, onde reza pelas pessoas que lhe são caras. Curiosamente mantém uma agenda na qual se encontram os nomes das pessoas amigas registrados desde a data de nascimento à data de falecimento quando for o caso. Ao lado dos que já morreram coloca um pequeno sinal em forma de cruz a indicar-lhe que aquele não mais está entre nós.
Sobre essa agenda um fato interessante ocorreu quando, ao dirigir-se ao professor Garibaldi parente, mostrou que na letra G do seu livro de anotações o único nome que ainda estava sem a cruz era justamente o do Garibaldi. Aquilo comoveu, ou despertou um certo temor no Gari que, imediatamente, presenteou o Zé do Pará com uma agenda nova e disse em tom solene como lhe é peculiar: “Zé, toma esta agenda e faz novas anotações. Vê se tiras os que já morreram e deixa somente os que ainda vivem.” O Zé renovou suas anotações.
Quando vereador exerceu o mandato com altivez e dignidade, numa época em que o exercício do mandato de vereador não era remunerado, o que demonstra o quanto seu espírito democrático e municipalista agigantou-se junto à população.
Foi militante nas diretorias de um número considerável de entidade esportivas e sociais, nas quais, por sua firmeza de caráter e honestidade em suas ações, atuava como cobrador, tanto que fazia cobrança para o Abaeté Clube, Assembleia Abaetetubense, Bancrévea Clube, Lions Clube, enfim, função que exercia com o mais perfeito denodo e dedicação e, conta a lenda, que nunca misturava o dinheiro de cada uma das instituições. Cada bolso da calça e da camisa destinava a uma específica entidade, tanto que quando não tinha troco para alguma cobrança feita usava o seguinte método: emprestava de um dos outros bolsos o valor colocando um papelzinho anotado quanto tinha retirado. À noite prestava contas a si próprio e regularizava as pendências. Nunca perdeu dinheiro com esse método.
Lembro-me que, por muitos anos, em sua juventude, o Zé do Pará ia a nossa casa para colocar em seu ouvido um remédio que meu pai lhe havia indicado para minimizar seu problema de média surdez. Cresci convivendo com a presença do Zé na minha casa, sempre à noitinha. As más línguas diziam que aquilo era uma maneira do Zé do Pará tentar enraizar um namoro com uma de minhas irmãs. Ele até hoje diz que isso de namoro não é verdade.
Fanático pelo Abaeté não perdia um só jogo e nem aos treinos deixava de ir, tendo sido, muitas vezes diretor desse tradicional clube abaetetubense. Se formos analisar a criação de quase todas as entidades esportivas e sociais hoje existentes em Abaetetuba, lá se encontrará a figura desse homem que viveu em busca de dar a nossa terra um lugar de destaque no setor esportivo e social do estado, hoje, infelizmente, em decadência, lamentado por ele e por todos nós.
Ao Zé do Pará nossas homenagens!

FAMÍLIA

Um universo insólito
Onde os interesses se conflitam
Numa harmonia que se camufla
Num bem-querer, escondido na miragem,
Num mal querer sempre constante
A olhar a nossa cara todo dia.

Tudo é ilusão nesse universo,
Desde o soneto ao mais soturno verso.
Nada é verdade. Vivemos só de sonhos.
Sonhos de mentiras repetidas
Desde o alvorecer ao fim do dia
No silêncio de mil ave-marias.

Buscamos universos diferentes
Onde possamos sentir real felicidade.
Ousamos buscar em outros braços
O universo insólito, ora desfeito.
Nenhuma lembrança boa, relembramos.
A vida jamais nos dá aquilo que sonhamos.

a) Nonato Loureiro

O Hino gravado pelo Sandália de Ambuá.
Prosseguindo com narrativas sobre curiosidades a respeito do Hino de N Sra. da Conceição, de Abaetetuba, hoje vou registrar como surgiu a ideia do Grupo de Samba “Sandália de Ambuá” gravá-lo pela primeira vez, desta feita, inovando-o em ritmo de samba.
Estava eu, posto em sossego, saboreando algumas doses de cerveja no Bar da Sócia, à época sob a gerência do amigo Osmanil, hoje sob a direção geral de seu pai, Osmarino, com alguns dos meus amigos componentes daquele grupo musical: Tita, Alfred Moraes e Sabrecado, companhia que era já comum nos finais de semana.
À época eu estava propenso a gravar, com cantores locais, minhas composições musicais para que não se perdessem no tempo e assim contribuir para o aumento dos registros de nossa cultura. Pois bem, estávamos discutindo planos para o futuro quando externei ao grupo minha disposição de gravar um CD e que além de minhas composições iria gravar o Hino de Nossa Senhora da Conceição em ritmo de samba, a exemplo da Ave Maria que o Jorge Aragão havia feito.
O Tita ouvia atentamente e elogiou a ideia. Passaram-se dias até que, numa bela manhã de final de semana, no mesmo bar, os mesmos amigos da SOCIA quiseram saber quando eu gravaria meu CD. Ao responder-lhes que ainda era só projeto devido aos custos que realmente são altos, os mesmos, meio sem jeito, perguntaram-me se eu não abriria mão da ideia de gravar o hino para que o Sandália de Ambuá o fizesse já que estavam com o projeto de gravação de seu CD a pleno vapor.
Como faço projetos culturais para o engrandecimento de nossa gente e de nossa terra, achei ótima a ideia e prontamente disse que era apenas um projeto em fase ainda testicular sem tempo certo para fecundar. Dito isso festejamos o já vitorioso projeto.
O CD foi gravado incluindo o hino que recebeu o aval da Diocese, na pessoa do Bispo Dom Flávio Giovevale, que fez questão de dar seu depoimento sobre o fato, depoimento esse que está impresso na capa do CD.
E assim foi gravada essa peça literária que todos amamos.
Em seu segundo CD o Sandália de Ambuá trouxe novamente o hino, desta vez, gravado em ritmo de valsa com a mesma beleza e harmonia da primeira gravação.
Foi o salto inicial para que venhamos gravá-lo nos mais diferentes ritmos como diferentes são os nossos bons sentimentos em relação à Virgem da Conceição.

Mais uma curiosidade sobre o Hino de nossa Padroeira Senhora da Conceição, mas, antes, vamos ler o Hino:

Nossa Senhora da Conceição
Oh! Protetora de nossos lares
Como é sublime o teu coração.
A luz celeste de teus altares.

Sob teu manto, sagrado abrigo,
Cobre-nos todos, à vida inteira,
Para que os simples sonhem contigo
Tu és a nossa maior Padroeira.

A tua auréola feita de estrelas
Fulgura em preces que elevamos
Tu és a Santa para entende-las
És a Rainha que cultuamos.

Sob teu manto, sagrado abrigo,
Cobre-nos todos, à vida inteira,
Para que os simples sonhem contigo
Tu és a nossa maior Padroeira.

Com o passar dos anos, os movimentos internos da igreja, resolveram, juntamente com os padres Xaverianos, incluir ao hino mais uma estrofe, que hoje já faz parte na integralidade dele. Eis a estrofe:

Nossa Senhora, Mater puríssima,
Lírio do Céu que em versos louvo
Tu és a nossa Virgem santíssima
Tão venerada por nosso povo.

O cantor e compósito Lial Bentes foi o primeiro a gravar em disco o Hino da Virgem da Conceição e essa atitude do Lial surgiu após uma conversa que tive com ele sobre a beleza dessa peça literária. Falávamos sobre o hino quando eu disse ao Lial:
- Tu sabes, Lial, o hino da Conceição é tão bonito, mas nunca foi divulgado lá fora, pois ele é apenas nosso, foi feito exclusivamente para a Padroeira de Abaetetuba. O meu irmão, Jesus Loureiro, certa vez me falou que, em sua opinião, o hino é o mais bonito que a igreja católica possui e que ficaria feliz em vê-lo trabalhado por uma orquestra sinfônica.
O Lial – como é seu costume – ficou longos segundos pensativo e me disse:
- Taí. Uma boa sacada! Vou gravar esse hino.
Julguei que era mais uma daquelas promessa que a gente faz em meio a “umas& outras” e depois esquece. Mas, qual não foi minha surpresa e alegria, meses depois ouvi a bela interpretação feita pelo Lial e com um arranjo dos mais extraordinários eternizando seu talento sendo executado pelos serviços sonoros do município no período da festa.
Ao Lial agradecemos essa grande contribuição que deu à festa tornando mais universal o hino que cada abaetetubense quando daqui parte para outras venturas ou aventuras, leva e o guarda como grande tesouro que é.

Autor: Nonato Loureiro.

COMO SE FEZ O HINO DA CONCEIÇÃO
No início do século XX era comum virem a Abaetetuba algumas personalidades (poetas e músicos) de Belém para degustar a “azulada” cachaça de fama nacional que era fabricada aqui na terrinha. Numa dessas turmas, duas pessoas marcaram suas passagens nessas visitas: o poeta Bruno de Menezes e o músico-maestro Oscar Santos. O ponto de encontro era o Bar e Sorveteria “Princesa”, do saudoso Nicola Parente, localizado às proximidades da hoje extinta “Ponte Grande” que servia como trapiche municipal. O Nicola, entre uma bicada e outra dos convivas, sugeriu ao Bruno, dizendo:
- Bruno! Tu que és metido a poeta, por que não fazes uma poesia em homenagem a Nossa Senhora da Conceição, Padroeira de Abaetetuba?
Bruno, que à época, era já conhecido como uma das mais jovens capacidades literárias no campo da poesia no Pará, respondeu:
- Nicola! Vou tentar. Na próxima viagem que fizer para cá eu trago alguma coisa para a gente discutir.
Nicola respondeu-lhe:
- Se não trouxeres, ficarás fora da “azulzinha”. Cachaça só noutro lugar pra ti!
Oscar Santos, empolgado com a conversa e com a ideia do Nicola, acrescentou:
- Faz a letra que eu coloco uma música e a gente cria o hino da Padroeira!
Dito e feito! Algumas semanas depois a turma se reúne e o Bruno e o Oscar radiantes mostram letra e música aos colegas que vibraram após os acordes finais daquela peça tão bem elaborada. Foi uma festa só!
Ao Nicola foram entregues letra e partitura para que ele as guardasse e desse a elas o rumo que achasse melhor para divulgar trabalhos. Por isso, no dia seguinte, lá pelas seis horas da tarde de uma segunda-feira, dirigiu-se até a residência do farmacêutico Joaquim Mendes Contente e lhe mostrou aquelas obras que hoje fazem toda uma cidade emocionar-se a cada ano que passa. Contente, mais contente ainda ficou ao ler o poema e ouvir depois a melodia. Mostrou aos frades capuchinhos à época e estes os integraram à vida da igreja. As Bandas Musicais “Carlos Gomes” e “Virgem da Conceição”, nesse mesmo ano passaram a executá-lo nas trasladações, procissões, romarias e no Círio que dava seus primeiros passos como a grande festa local.
Autor: Nonato Loureiro.

Mais uma curiosidade sobre o Hino de nossa Padroeira Senhora da Conceição, mas, antes, vamos ler o Hino:

Nossa Senhora da Conceição
Oh! Protetora de nossos lares
Como é sublime o teu coração.
A luz celeste de teus altares.

Sob teu manto, sagrado abrigo,
Cobre-nos todos, à vida inteira,
Para que os simples sonhem contigo
Tu és a nossa maior Padroeira.

A tua auréola feita de estrelas
Fulgura em preces que elevamos
Tu és a Santa para entende-las
És a Rainha que cultuamos.

Sob teu manto, sagrado abrigo,
Cobre-nos todos, à vida inteira,
Para que os simples sonhem contigo
Tu és a nossa maior Padroeira.

Com o passar dos anos, os movimentos internos da igreja, resolveram, juntamente com os padres Xaverianos, incluir ao hino mais uma estrofe, que hoje já faz parte na integralidade dele. Eis a estrofe:

Nossa Senhora, Mater puríssima,
Lírio do Céu que em versos louvo
Tu és a nossa Virgem santíssima
Tão venerada por nosso povo.

O cantor e compósito Lial Bentes foi o primeiro a gravar em disco o Hino da Virgem da Conceição e essa atitude do Lial surgiu após uma conversa que tive com ele sobre a beleza dessa peça literária. Falávamos sobre o hino quando eu disse ao Lial:
- Tu sabes, Lial, o hino da Conceição é tão bonito, mas nunca foi divulgado lá fora, pois ele é apenas nosso, foi feito exclusivamente para a Padroeira de Abaetetuba. O meu irmão, Jesus Loureiro, certa vez me falou que, em sua opinião, o hino é o mais bonito que a igreja católica possui e que ficaria feliz em vê-lo trabalhado por uma orquestra sinfônica.
O Lial – como é seu costume – ficou longos segundos pensativo e me disse:
- Taí. Uma boa sacada! Vou gravar esse hino.
Julguei que era mais uma daquelas promessa que a gente faz em meio a “umas& outras” e depois esquece. Mas, qual não foi minha surpresa e alegria, meses depois ouvi a bela interpretação feita pelo Lial e com um arranjo dos mais extraordinários eternizando seu talento sendo executado pelos serviços sonoros do município no período da festa.
Ao Lial agradecemos essa grande contribuição que deu à festa tornando mais universal o hino que cada abaetetubense quando daqui parte para outras venturas ou aventuras, leva e o guarda como grande tesouro que é.

Autor: Nonato Loureiro.

Mais curiosidades sobre o Hino da Virgem da Conceição e o banimento das Bandas Musicais da festividade
Muito embora tenhamos um dos mais lindos hinos religiosos de homenagem a Nossa Senhora da Conceição, sua execução, durante a festividade, se faz muito mais pelos serviços sonoros de publicidade do que pelas tradicionais Bandas de Música do município: “Carlos Gomes” e “Virgem da Conceição”.
Foi-se o tempo em que no arraial, em frente à igreja, tínhamos a presença das duas Bandas musicais que, não só embelezavam a Praça, como também, davam o toque poético que marcou a vida de muitos de nós e que até hoje nos faz falta.
Lembro-me que, em 1966, a direção da festividade decidiu em não contratar nenhuma das Bandas para atuar nos coretos naquele ano. Alegando dificuldades financeiras resolveu tirá-las da programação.
O fato revoltou a todos, cuja medida maculava a tradição e feria a sensibilidade poeta do povo. Foi nesse momento que nós, do Jornal GAZETA, semanário que circulava à época, tomamos a iniciativa de protestar, em suas páginas, contra o ato autoritário e unilateral da igreja. Face à repercussão da notícia no jornal, foi realizada reunião de emergência na Casa Paroquial (onde hoje funciona o Colégio “São Francisco Xavier”) para a qual compareceram pessoas proeminentes na liderança social da cidade, entre as quais destaco: o farmacêutico e ex-prefeito Joaquim Mendes Contente, o senhor Lucídio Negrão Paes, o cartorário Orêncio Pimentel Coutinho, e outros da mesma estirpe. Representando o Jornal GAZETA fui o primeiro a ser indagado pelo padre (não me lembro seu nome), à época. Ele queria saber os motivos da revolta do jornal sobre a não contratação das Bandas de Música.
Fiz ver ao padre que as Bandas, além de tradicionais, eram o cartão postal musicado da festa e que davam o clima provinciano que toda festa de arraial precisa ter. Essa a grande riqueza da festa. Fui contestado sob a alegação de que não havia dinheiro para pagá-las e, voltando-se para mim, o padre perguntou-me qual a minha sugestão para conseguir o dinheiro.
Sugeri que fosse tirado das doações milionárias que eram feitas pela comunidade, tanto em dinheiro vivo, quanto nas prendas de leilão e outras que vinham de empresários, dos marítimos, dos donos de engenhos e de olarias. Mesmo assim, o padre disse que não havia lastro para aquela despesa. Ou seja, já estava decidido, e não haveria justificativa que o fizesse voltar atrás.
A situação, nesse pé, fez com que o seu Contente, homem sério, religioso por convicção, percebendo a intolerância da direção da festa, levantou-se e disse:
- Em vista do que assisti nesta reunião, não concordo com a atitude da diretoria da festividades, me retiro em sinal de protesto. Ato contínuo, retirou-se, seguido por mim, Lucídio Paes e a maioria dos presentes, sob o olhar atônito do padre intransigente e dos demais diretores da festa.
No dia seguinte à reunião, ao passar pela Farmácia “Indiana”, percebi que o Pedro Contente, que já trabalhava na farmácia do seu pai, me chamava. Fui até ele que me mostrou uma lista destinada a buscar na comunidade a colaboração para pagar as Bandas. Já estava completa e com as doações no valor exato que cobriria aquela despesa. Disse-me o Pedrinho que, em menos de meia hora, conseguira a importância.
Conclusão: as Bandas foram pagas antecipadamente, ocuparam em todas as noites os dois coretos, e o povo foi feliz para quase o resto de suas vidas, pois há alguns anos, sem ter quem ouse contestar, as Bandas deixaram de ser contratadas para a festa e em seu lugar criou-se um tal de Palco Acústico que pouco, ou nada, tem a ver com as tradições musicais da festividade e que não despertou o interesse popular. Ali se toca de tudo, menos o Hino da Virgem da Conceição. Uma pena!

VALE Á PENA SER LEMBRADO: ANTÔNIO KEMIL DOS SANTOS Antônio Kemil dos Santos, mais conhecido por Totó do Kemil, fez parte da minha história, mesmo que indiretamente, e foi, talvez, quem despertou em mim o gosto pela boa música. Totó trabalhava, acredito que, como voluntário nos estúdios do veículo de comunicação sonora da igreja matriz denominado “A Voz da Matriz”, destinado a informar aos fiéis a programação diária, semanal ou mensal dos ofícios religiosos, tendo trabalhado uma vida inteira prestando esse serviço à população no horário de cinco da tarde às sete horas da noite. Totó do Kemil viveu e conviveu com todas as congregações que se se permutaram nos vários períodos da história católica de Abaetetuba na primeira metade do século XX, congregações que foram tantas que nos dificultam serem nomeadas, mas temos a lembrança de que os frades capuchinhos foram os primeiros que eu conheci nos meus quase oito anos de vida. Destes lembro-me do frei Hermes, que entronizou a imagem do Cristo Crucificado na praça em frente à Matriz, do frei Arcádio, com quem iniciei minhas aulas de música, do frei José Maria de Manaus, que ganhou nome de Rua no Algodoal. Os padres Redentoristas tiveram pequena participação na direção dos católicos, e ainda os padres Xaveriamos, que até hoje se encontram na direção católica do município. No estúdio Totó do Kemil primava pelo bom gosto musical e nos brindava com uma programação radiofônica impecável, na qual dividia muito bem as notícias religiosas das profanas, assim como, na execução de obras sacras e sucessos populares que davam à praça da Conceição um aspecto festivo e cultural. Foi através da “Voz da Matriz” que conheci as composições de Luiz Gonzaga, o Rei do Baião”, que até hoje fazem sucesso em todo o país. Carlos Galhardo, Noel Rosa, Emilinha Borba, Altamiro Carrilho, Waldir Azevedo, enfim, uma infinidade de talentos que marcaram a história musical brasileira ali eram executadas. Totó do Kemil tinha uma impostação de voz que o evidenciava, tanto que as notícias, por ele lidas ou improvisadas, eram recheadas de belos adjetivos e de fácil entendimento, com a sensibilidade na medida certa. Às seis horas da tarde o povo tinha a oportunidade de ouvir a “Prece do Ângelus” cuja narração vinha acompanhada da tradicional Ave Maria, peça clássica que tem o indescritível poder de emocionar a quem a ouve. O timbre de voz do Totó e o envolvimento da mensagem com a música de acompanhamento, ficaram marcados na memória de todos os que tiveram o privilégio de as escutar, à época. Quando se aproximava o horário de início do programa “Voz da Matriz” a praça começava a ganhar público. Os pais levavam seus filhos menores para brincar e saborear essas iguarias que se vendem nas praças. Já os estudantes, de idade mais acentuadas, iam se reunir no “Café do Gidonda”, para prosear, contar as últimas novidades. Comparado aos dias de hoje o “Café do Gidonda” ou “do Tio Mano”, como também era conhecido, seria o FACEBOOK da rapaziada, para colocar o papo em dia. Pois, bem, o Totó do Kemil foi o precursor da mídia de qualidade falada em Abaetetuba, a ponto de muitas vezes, por iniciativa própria, conseguir conectar o estúdio aos microfones da igreja e assim possibilitar a transmissão dos atos religiosos realizados no interior da Matriz. Totó teve o privilégio de transmitir ainda, em cadeia radiofônica, eventos realizados fora do município, como: pronunciamento de Papas, missas celebradas nas capitais do país, inclusive, deu cobertura total ao Congresso Eucarístico Nacional, realizado em Belém, nos idos dos anos 50. Em 1955, transmitiu o discurso de Pio X quando este consagrou aquele ano como o Ano da Paz. Foi a evolução radiofônica conseguida graças aos esforços do Totó do Kemil. Depois dele, ou mesmo conjuntamente com ele, começaram a surgir novos meios de comunicação, havendo uma proliferação desse tipo de mídia, sendo que muitos deles despareceram, outros resistiram ao tempo e ainda hoje mantém-se em atividades. Lembranças bonitas que gostamos de dividi-las com nossos irmãos, como forma de homenagear quem muito se dedicou em proporcionar a todos nós momentos de inesquecíveis demonstrações de amor.
Nonato loureiro

FRANCISCO MAUÉS CARVALHO – O Chico Narrina Sem medo de errar podemos dizer que Francisco Maués Carvalho, o Chico Narrina, foi um dos mais eficientes prefeitos que Abaetetuba conheceu, a partir de 1993, no final do século XX, quando assumiu a prefeitura de Abaetetuba, dando início a um governo que resgatou a dignidade administrativa do município bastante arranhada por algumas administrações que, por descompasso com o governo revolucionário implantado em 64, não conseguiram avançar no tempo e no espaço. Homem destacado no ramo empresarial, decidiu candidatar-se a prefeito com o intuito de dar um novo rumo ao município e, uma vez vitorioso, passou a ação o que trazia elaborado em sua mente. Popularizou-se por seu apurado bom humor que o deixava sempre à vontade para discutir com seus assessores ou adversários, os mais diferentes e preocupantes assuntos ligados à administração do município. Consagrou-se popularmente como “Prefeito Bermuda” devido ao seu traje diário que incluía sempre uma bermuda, com a qual visitava obras, andava pelas ruas da cidade ou em seus passeios aos diversos recantos municipais. Era comum encontrar-se o Chico Narrina papeando nas ruas da cidade conversando com o povo e sentindo de perto suas aspirações e necessidades. Era amado por quem o admirava, e respeitado por seus adversários políticos, os quais sempre tratou com respeito, ouvindo suas reivindicações e atendendo-as na medida do possível. Surpreendeu a todos com seu trabalho voltado para a educação e para a saúde, mas enfrentou dificuldades em algumas tratativas com governos que lhes eram adversários políticos, quer na esfera estadual, quanto na federal. Mesmo cotado para ser reeleito no primeiro mandato, não pôde participar da eleição seguinte já que a lei de reeleição nos municípios não havia ainda sido aprovada no Congresso Nacional. Graças a seu prestígio político, conseguiu eleger seu substituto, mas decepcionou-se com a administração de seu sucessor, vindo a público pedir desculpas por tê-lo indicado, mas prometeu que viria reparar o mal feito, e assim fez, candidatou-se e venceu a eleição, assumindo pela segunda vez as rédeas do poder municipal, onde voltou a se superar e reparou os erros do passado, avançando na construção de obras que deram um novo alento à população. Saiu do governo na certeza de ter cumprido com o seu dever, e com a consciência tranquila, tanto que até hoje é lembrado com saudades pela unanimidade das pessoas de bem do município. Foi um prefeito que governou sem rancor e sem discriminação política, deixando um legado de obras que deverão manter sempre viva a lembrança de quem amou esta terra de forma tão vibrante e de maneira natural com a mesma segurança de um pescador que, mesmo sabendo dos perigos do mar, nunca se recusa a enfrentá-lo. A coragem foi o grande diferencial na vida de Chico Narrina, e esse exemplo ninguém jamais poderá desconhecer, pois só assim teremos exemplos sempre à disposição para ensinarmos às novas gerações de políticos que trazem esse espírito de verdadeiros homens que amam de verdade sua terra e valorizam seu povo.
Nonato Loureiro

ADEUS, SANTOS GÓES!

Hoje o Céu ganhou um santo a mais.
Santo na figura de um homem
Que viveu num eterno anonimato,
Ou, simplesmente, que fez jus ao nome.

Voltará, de vez para a sua morada,
Onde, por muitos anos, conviveu.
Vai se unir aos muitos que se foram
E que em vida por certo conheceu.

Santos Góes hoje fica na lembrança
Como exemplo de amor e inteligência.
Cultivou lindas flores perfumadas
No jardim encantado da decência.

Vá em paz, amigo e companheiro.
Lá no Céu passarás a ser eterno
Junto aos troféus que tanto mereceste
Na luta por um mundo mais fraterno.

a) Nonato Loureiro.


VALE À PENA SER LEMBRADA: ESMERINA BOU-HABIB
Nonato Loureiro
De descendência sírio-libanesa, Esmerina Bou-Habib viveu em Abaetetuba nos primeiros anos do século XX, cujos familiares faziam parte do grande contingente de sírios e turcos que aqui vieram morar, fugindo da triste siLE tuação sócio-política de suas pátrias totalmente tomadas pelas ideias imperialistas que ganhavam corpo no seio das grandes potências.
Casada com o libanês Jorge Antônio, Esmerina exercia a profissão de professora, sendo a iniciadora de muitos abaetetubenses no conhecimento das primeiras letras. Residia na rua à beira do rio Maratauíra, hoje denominada Santos Dumont, onde, fora de seu horário de trabalho na escola, desenvolvia seus conhecimentos de medicina rudimentar fornecendo gratuitamente remédios homeopáticos a quem deles precisassem, os quais eram manipulados exclusivamente por ela que conhecia essa terapia milenar.
Com a chegada de tantos estrangeiros o comércio local tomou novo impulso iniciando um ciclo mais dinâmico de desenvolvimento. Havia turcos, sírios, libaneses, portugueses, italianos, espanhóis, colombinos, peruanos, enfim, um elevado grupo que se adaptou aos nossos costumes e usos, influenciando com suas culturas o alvorecer de nossa pequena civilização à época.
A professora Esmerina Bou-Habib trabalhou no Grupo Escolar de Abaetetuba, primeira escola pública instalada no município. Localizada à Rua Siqueira Mendes, esquina com a atual Avenida 15 de Agosto, era um prédio composto por dois pavimentos: térreo e superior, construído todo em alvenaria, possuindo uma escadaria com mais de 30 degraus toda em madeira de lei que dava acesso ao andar de cima. Rodeado de janelas e portas, o prédio dava não só uma visão panorâmica da Praça da Bandeira, ainda não muito bem tratada à época, como proporcionava conforto aos alunos e professores pelo arejamento natural das salas de aula.
Muitos dos atuais abaetetubenses, hoje ilustres no campo profissional, estudaram seu curso primário nessa escola que, pelos idos dos anos 50, foi desativada e seu acervo transferido para o Grupo Escolar “Professor Basílio de Carvalho”, no qual Esmerina já passa a exercer as funções de Diretora pelos méritos de seu trabalho voltado para a educação fundamental de nossos irmãos.
Era uma Diretora muito querida por todos e sua personalidade marcante se evidenciava pelo amor dedicado às crianças para com quem tinha um modo especial de tratamento. Atenta ao desenvolvimento intelectual dos alunos, era comum os pais receberem visitas da Diretora Esmerina que lhes informava o baixo desempenho de seus filhos.
Aposentou-se já com idade um tanto avançada, mas permaneceu prestando sua assistência humanitária à população no fornecimento dos remédios homeopáticos, ação social que prestou até a sua morte.
Hoje Abaetetuba não conta mais com a presença dessa mulher que deu vida à educação de nossa gente, mas retribuiu esse trabalho humanitário e educacional nomeando uma de suas escolas como homenagem àquela que foi, sem dúvida alguma, a precursora do alto nível de escolaridade dos nossos estudantes quando estes prestavam exames na capital quando dos vestibulares para o ingresso no curso ginasial, hoje 2º grau.
Através desses dados referentes à Esmerina Bou-Habib pode-se aquilatar o valor inestimável que a imigração estrangeira trouxe para Abaetetuba, cujos imigrantes passaram a integrar-se aos nativos e, unidos por matrimônio, passaram a fazer parte da família abaetetubense gerando filhos que hoje continuam honrando o honrado sangue que corre em suas veias. A história premia os bons, daí a justiça que se faz nesta homenagem.

VALE A PENA SER REGISTRADO: STELO MORAES

Quem tem, como eu, o hábito de tomar café diariamente no “Café do Stelo”, sabe o que é começar o dia num alto astral de limpar a alma. Ali as rivalidades esportivas, mais precisamente entre torcedores de Remo e Paysandu, trazendo cada um a cada dia uma piada nova e com uma pitada de malícia que irrita o adversário e diverte os circunstantes.
Mas nem só de piadas de esporte se vive ali. Temos piadas de todos os gostos e tipos, característica de um começo de dia que todos buscam para zerar os dissabores acumulados . O Stelo é de uma perspicácia impressionante para saber colocar a piada de acordo com o tema da hora, tema esse que surge espontaneamente.
Um dia desses um cliente dava a notícia da morte de uma determinada senhora. Forma-se então o diálogo entre os dois:
- Quando ela morreu?
- Ontem” – responde o cliente.
- De manhã ou de tarde?
- De tarde!
- A que horas?
- Às quatro horas!
- Na ida ou na vinda?
- Deixa de graça, Stelo!
- De que ela morreu?
- Morreu dormindo! Parece que foi enfarto!
- Eu soube que ela estava dormindo e que, quando acordou, viu que estava morta! Não foi assim?
Isso bastou para que o cliente percebesse a brincadeira e deixou de fornecer mais detalhes sobre o óbito.
O café, com ou sem leite, o sanduiche de ovo, o caldo de cana, enfim, são atrativos que ali ganham uma personalidade própria. O troco em moedas é dado após o Stelo espalhar em cima do balcão as moedas guardadas em uma pequena lata. Faz isso todas as vezes que precisa dar troco. Um ritual característico e imutável.
Nas paredes do Café tudo quanto é tipo de notícia tem lá. Fotos diversas, sempre com um toque de críticas sadias sobre todos os assuntos que ali rolam. Seus frequentadores pertencem a todas as classes sociais e convivem como se não houvesse diferença de classes. Todos são iguais perante as sacanagens que a cada minuto ali surgem.
Outra história que nos foi contada pelo Stelo falando sobre um vendedor de galinhas:
“Um vendedor de galinhas foi pro Baixo-Amazonas. Lá se hospedou numa espelunca em que os carapanãs “brincava de pira” no quarto onde ele e seus paneiros com aves também estavam alojados. Lá pela madrugada percebeu um alvoroço em um dos paneiros e viu que num deles um galo tentava cantar, mas não conseguia. Até que, em dado momento, já às três horas da manhã, conseguiu colocar o bico pra fora do paneiro e cantou desesperado:
- Co-co-co-co-ri-ca-ra-lho-de-ca-ra-pa-nã.
Diz o Stelo que trocaram que trocaram de espelunca no dia seguinte.


Raimundo Nonato Paes Loureiro



MORRE UM DOS MÚSICOS DA PRIMEIRA FORMAÇÃO DOS MUIRAQUITÃS
José Raimundo Rodrigues, o Zeca, morreu na segunda-feira, aos 55 anos, vítima de câncer no intestino. Ele foi um dos músicos da formação do grupo "Os Muiraquitãs", os primeiros artistas abaetetubenses a gravar um disco, ou Long Plays (LPs) como se dizia naqueles anos 70.
Numa singela homenagem ao Zeca, que vivia modestamente e era uma pessoa de uma simplicidade contagiante, vamos rever uma reportagem especial sobre "Os Muiraquitãs", que produzimos em 2010. Teremos depoimentos do Cloriomar, do Luís Antônio, do Zé Boró e do próprio Zeca.
A reportagem mostra o sucesso do grupo, o fã que até hoje guarda os discos com carinho e outras curiosidades, como a origem do nome do conjunto (assim eram denominadas as bandas musicais).

Revelo que foi um dos momentos mais emocionantes de minha trajetória no jornalismo. Revivi aqueles dias trágicos quando, ainda um menino de dez anos, presenciei a cidade emocionada com o acidente trágico que causou a morte de um dos integrantes do grupo e de várias outras pessoas. Terminava ali a trajetória daquele grupo que fez história na música paraense. Quem não se lembra do "ti ti ti ti abre caminho que eu quero passar..."? Nilson Gonçalves toquei muitos anos com ele na banda Virgem da Conceição,é uma perda muito grande para a classe artística, o meio cultural está de luto eramos muito amigos e posso dizer mais que ninguém o quão doce e sincera era essa pessoa que vai deixar muita saudade,vai com Deus irmão o Cardinal está te esperando pra tocar a percussão no céu.

Uma canoa no porto

No porto da minha cidade uma canoa espreita o rio. Altiva, solitária, move-se ao sabor do marulhar das águas da maré. Ao seu redor outras tantas canoas convivem atracadas ao porto, seguras por correntes e cordas de manilha ou plástico. O vai-vem das pessoas parece passar despercebido por elas que aguardam a hora de zarpar. O reflexo de seu casco colorido forma um diferente caleidoscópio em baixo d’água. Peixinhos e camarões cobrem-nas de beijinhos, ao mesmo tempo em que aproveitam para saborear os pequenos moluscos presos em seus cascos cheios de um verde-esperança, a cor do limo. A manhã parece que cai bem devagar sobre os ombros do meio-dia e estes parecem nem sentir o peso da tarde enevoada que chega com suas nuvens carregadas de raios e trovões. A canoa, no seu constante balançar, mas se compara a uma bailarina nervosa ainda no camarim de uma ópera medieval. O sol... Ah! O Sol! ... Debruçado na janela do Castelo de Rapunzel, tenta jogar suas tranças para que a canoa suba, mas desiste porque as opções são tantas e ele prefere ainda pesquisar qual a melhor. Absorto nesses pensamentos libidinosos nem repara a Lua, minguante, que o observa por detrás de uma nuvem formada por pardais incandescentes. E a canoa se mostra sorridente a bailar de lá pra cá, daqui pra lá, como quem ouve um trecho de uma das sonatas inacabadas de Beethoven. O rio da mesma maneira que pacifica nossa alma, passa e fica dando voltas em torno da canoa como a lhe querer fazer a corte. Eu mesmo reconheço que aquela pequena montaria esconde em si o doce prazer de se saber amada, sentir-se mundiada, numa falsa solidão de quem se sabe desejada. O Sol desiste da conquista ao ver a Lua insinuar-se por detrás dos montes e com ela some envolto em denso temporal. O rio e os peixinhos já cansados com tantas tentativas e assédios, começam a se afastar, com a baixa-mar trazendo tudo à tona. Na lama deixada pelo rio a canoa pára de dançar, e as melodias que eram inacabadas, se acabam no infinito e se diluem. Mas a canoa sabe que é coisa de maré. Que hoje está na lama mergulhada em prantos, mas em seis horas apenas as águas voltarão a lhe fazer a corte e vão lavar seu corpo abandonado para voltar a brilhar e, desnudado, fazer pulsar o coração do Sol, do rio, dos peixes e o meu. (NL)




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Ademir Heleno A. Rocha, nascido em Abaetetuba-PA, Brasil, casado com Maria de Jesus A. Rocha, cinco filhos, professor, pesquisador de famílias, religião, genealogia e memória biográfica, ambientalista, católico e amigo.

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