Mapa de visitantes

domingo, 4 de setembro de 2016

Poesias de Celso de Alencar - Poetas e Poesias

Poesias de Celso de Alencar - Poetas e Poesias


Celso de Alencar é poeta, declamador e tradutor dos mais afamados do Brasil e nós, particularmente, não temos a capacidade de fazer uma análise de sua poesia que também sentimos profunda e revolucionária no sentido de sua expressão e construção. Nos deteremos em publicar as impressões retiradas dos livros TESTAMENTO (livro de poemas de Celso de Alencar) e CENAPOÉTICA (livro de antologia de poetas franceses que fazem parte do programa CENA-Cena de Encontro das Artes) que ele nos remeteu de São Paulo e no que dizem alguns críticos na análise de suas obras e trechos de sua biografia.
Celso de Alencar nasceu em Belém, Pará, a 3/8/1949 e publicou, entre outros livros: Tentação, Borghi Editora, 1979; Arco Vermelho, 1983 (1ª edição), 1985 (2ª edição), 1991 (3ª edição); Salve Salve, 1982; Os Reis de Abaeté, João Scortecci Editor, São Paulo, 1991; O Primeiro Inferno e outros poemas, Editora Maltese, 1994, e O Pastor, Cejup, Belém, 1996. Participou das antologias Papel Arroz, Ensaio IV, Água 1, Folhetim, Ensaio V. Sete (2002), A Outra Metade do Coração (CD- antologia poética), Testamentos (2003).
É tradutor da poesia do nicaragüense Rubén Darío e intérprete da poesia de Mao Tse Tung, radicado em São Paulo desde 1972. Sobre Celso de Alencar, o poeta e crítico Cláudio Willer, afirma que se trata do mais enfático poeta contemporâneo brasileiro, enquanto o compositor e poeta, Jorge Mautner, o considera um poeta da 4ª dimensão, escandalizador e libertador de almas. É reconhecido entre os grandes talentos da geração de 70. A convite apresentou-se na Inglaterra, França e Portugal.
Participou de diversas antologias entre as quais Poesia Contemporânea Brasileira (2001, ed. Alma Azul, de Coimbra), Poesia do Grão-Pará (2001), Scène Poétique (2003, dez poetas brasileiros e dez franceses, edição Cena e Consulado da França em São Paulo), Quando Freud Não Explica Tente a Poesia (2007), além de publicações em revistas e periódicos. Palestrante e integrante de diversos júris de concursos de poesia. Ex-diretor da União Brasileira dos Escritores (gestão 1990/92 e 1992/94).
Celso de Alencar tem a ver com Abaetetuba e ele mudou para São Paulo e deixou familiares no Pará e o pai dele foi vereador na cidade, conforme diz uma sua sobrinha.
Como conhecemos Celso de Alencar e sua poesia: temos no nosso computador “alertas” para tudo o que fale de Abaeté e Abaetetuba. E caiu em nossas mãos a capa do livro “Os Réis de Abaeté”, de Celso de Alencar e fizemos a publicação dessa capa em uma de nossas postagens. Essa postagem caiu no computador de Celso de Alencar e este se comunicou com o autor do Blog e telefonou de São Paulo e nos remeteu 3 livros, um de poesias, outro de traduções poéticas e outro de um seu amigo poeta.
No prefácio do livro Testamentos encontramos os seguintes textos:
É fundamental que os escritores encontrem o seu código e Celso de Alencar há vinte anos já manifestava em suas obras a descoberta do seu código.
O poeta Cláudio Willer afirma que Celso de Alencar é o mais enfático dos poetas contemporâneos brasileiros.
Jorge Mauttner, poeta e filósofo, anuncia que se trata de um poeta da quarta dimensão, escandalizador e libertador de almas.
Para nós, que publicamos um Blog simples, até provincial, destituído de quaisquer artifícios de computação, pois não dominamos a computação gráfica e nosso público é restrito, ficamos até surpresos com o encontro com Celso de Alencar cuja poesia é transversal e enfático na lavra e, acreditamos também, na declamação de seus versos. E o que mais sentimos no encontro com Celso de Alencar é a ausência de egoísmo, pois ele não se fecha em seu mundo poético e procura promover outros autores, conforme se deduz do prefácio do livro traduzido “cenapoética”, onde diz que procura promover através do programa Cena Poética, poetas de diversas gerações em encontros informais com o objetivo mesmo de promover a poesia e seu autor. A maior prova desse seu desprendimento foi o envio do livro “Breves Cartas de Amor, de Edmir Carvalho Bezerra, que é o autor do Blog Veropoema.
Um grande abraço de Ademir Rocha em Celso de Alencar e os demais poetas e poetisas do CENA-Cena de Encontro das Artes.

Celso de Alencar
Nascido no Pará, na cidade de Abaetetuba, em 1949, Celso de Alencar está radicado em São Paulo desde 1972. Atualmente é assessor na Secretaria de Cultura da Cidade de São Paulo.
Participou de grupos de poesia, incluído em inúmeras antologias poéticas, como Folhetim (SP, 1979), Ensaio IV (com o grupo Poeco-Só Poesia. SP, 1980), Papel Arroz (SP, 1981), Ensaio V (SP, 1981), Água I (SP, 1982).
Tem quatro livros individuais. No mais recente, J. B. Sayeg, que o prefacia, diz, em Os Reis de Abaeté, que Celso de Alencar estabelece seu mundo poético a partir do seu inventário de nomes, lugares, palavras. Fiel às raízes paraenses, que nunca abandonou, apesar de distante da terra natal, o poeta canta Abaeté (que não é a lagoa escura de Caymmi, mas o reino onde se encontram os que sonham). Abaeté fascina e cativa porque entre o chão e as nuvens estão os espíritos, reino imponderável em que a imaginação do poeta flutua.
O poeta, este aqui, levantou alguns prêmios literários, como o prêmio no concurso de poesia falada, promovido pela hoje extinta revista Escrita, de São Paulo, editada na época pelo escritor e jornalista Wladir Nader.
Livros: Tentações. Poesia. SP, 1980; Salve Salve. Poesia. SP, 1982; Arco Vermelho. Poesia. SP, 1983. 2.ª ed. 1985; Os Reis de Abaeté. Poesia. SP, João Scortecci, 1987. Prefácio de J. B. Sayeg. Capa e ilustrações de Branco; e O Primeiro Inferno e Outros Poemas. Poesia. SP, 1994.
***
Do livro Poesia do Grão-Pará (Rio, Graphia, 2001, seleção e notas de Olga Savary)

OS REIS DE ABAETÉ
(Fragmentos)
Talvez não saibas
que os barcos não
colidiram
e que os netos de
Mestre Ambrósio
malgrado o forte
vento e a forte
chuva,
descansam no cais.
Talvez não saibas que foram muito
longe.
Trinta rios em quarenta e cinco
noites.
Nos porões trouxeram
carne
de tingas e açus.
Na beirada do porto e do
canal,
os moleques e os
urubus
alinharam-se e espreitaram a
descarga.

A cambraia que lhes escondia as
costas,
não lhes escondia os
bustos.
Eram seios grandes e
amorenados,
bem menos rígidos que os
teus.
A carne veio salgada de
Breves e Santarém.
Das vilazinhas trouxeram:
couros, mel, açúcar grosso,
batata, cacau e
maraçanduba.
Se estivesses lá,
terias apreciado
os perfumes e as sedas
de Paramaribo e
Caiena.
Terias gostado dos
anéis,
dos brincos, das
pulseiras,
os miados dos três
gatos.
Seus dois filhos
estavam juntos.
Nos seus calções
branquinhos
ainda lia-se o nome do trigo
Santa Marta.
Remelentos e babões.
Levavam:
bacaba,
farinha,
sardinha enlatada e
camarão.
O velho:
não larga a mania de
injuriar.
Hoje na casa de
Celeste
deverá ter
baile.
Suas meninas,
inclusive, Esmeralda, Jovina e
Nelma;
com seus trajes do
inferno
e com as caras
avermelhadas do cão,
matarão as
abelhas
e engolirão o mel
amarelado.
É a nova filha da
rameira-mãe do
Paturi.
Amanhã, a loja do
Matias
e o bar do
João Marques,
mostrarão as
novidades.
Teremos as reuniões
familiares.
Certamente falarão em desvios de
verbas
ou em amantes
flagradas.
Nada dirão em tom mais
alto
porque em Abaeté não se
fala
de prefeito, bispo ou
delegado.
Quantos sois já
vimos,
nos teus sessenta e nos meus
vinte?
Nada teve valia, tudo foi
torpe.
Das quatro portas da farmácia de
Madalena,
apenas duas, as duas centrais, são
abertas.
Fede a azedo e
enxofre
a vala da Rua
Tucumanduba.
Onze postes de nossa mais antiga e
longa
avenida estão criando mato e
incupinzando.
Em que tom falarão as nossas
queixas?
O presente é morno e
corrompido.
Ria podre.
Como todos do
poder.
Não lembras que quatro
mortalhas
tiveste em tua
porta?
Não convém falar-te dos
pecados.
Não dos pecados de
morte
e sim, dos de
roubo.
Aqui nada é puro.
O confessionário,
o coreto,
as filhas-de-maria,
nem a batina do
padre.
Os segredos de
Abaeté
são segredos teus
também.

Meu Tio Celso de Alencar tem uma poesia belíssima. É trágica, como aquele arquétipo que a gente tem, da poesia que se aprende na escola, como Antero de Quental e os primeiros poetas, que faziam do pessimismo e da frustração algo transcendente. É simples, porque sai de um homem muito simples, que conviveu com gente de verdade a vida inteira. E é muito crítica, quase didática, pois ensina à gente que existe o desejável e o ruim. E por vezes nos choca de tão pungente, pois sempre há algum hábito em nós mesmos a corrigir. Por isso a poesia dele é muito necessária para combater este mal dos tempos, a auto referência, o egocentrismo. Transcrevo para vocês um belíssimo poema.
"Ah! Os tolos
Assustam-me os tolos.
São tolos porque simplesmente são tolos.
Beiram à ingenuidade.
Não sabem de si mesmos.
Não têm amor próprio.
Não se amam porque não sabem como devem se amar.
São conduzidos sem dificuldades como um rebanho de ovelhas ou vacas.
Destacam-se os tolos nas reuniões
das grandes comemorações.
São reconhecidos e apontados porque se declaram
com suas falas, com seus discursos, com seus passos.
Os tolos não sabem que são tolos."

Celso de Alencar, "O coração dos outros".

O poeta Celso de Alencar, um dos grandes nomes da poesia brasileira atual, será um dos convidados especiais na Festa de 14 anos do Sopa de Letrinhas.
Pra saber mais sobre a festa de 14 anos do Sopa de Letrinhas:
https://www.facebook.com/events/303128350026218/



CELSO DE ALENCAR – Poeta e declamador paraense, radicado em São Paulo desde 1972. Sobre Celso de Alencar, o poeta e crítico Cláudio Claudio Willer, afirma que se trata do mais enfático poeta contemporâneo brasileiro, enquanto o compositor e poeta, Jorge Mautner, o considera um poeta da 4ª dimensão, escandalizador e libertador de almas. Já o cineasta Carlos Reichenbach sintetiza: “Celso de Alencar é, sem nenhum exagero, um dos maiores poetas brasileiros em atividade. Sua poesia blasfema e despudorada é da estirpe de Pasolini, Rimbaud, Leautréamont e todos os nossos malditos maiores.” É reconhecido entre os grandes talentos da Geração 70. É autor de Tentações(1979), Salve Salve(1981), Arco Vermelho(1983, 1985 e 1992) Os Reis de Abaeté(1985), O Pastor(1994, infanto-juvenil), O Primeiro Inferno e Outros Poemas(1994 e 2001), Sete(2002), A Outra Metade do Coração(2003, CD-antologia poética), Testamentos(2003), Livro Obsceno(2008), Poemas Perversos(2011), O Coração dos Outros(2014). Participou de diversas antologias entre as quais, as mais recentes, Poesia Contemporânea Brasileira(2001, Portugal, Ed. Alma Azul), Poesia do Grão-Pará(2001, Governo do Estado do Pará), Scéne Poétique(2003, bilíngue, dez poetas franceses e dez poetas brasileiros, edição Consulado da França em São Paulo e Cena-Centro de Encontro das Artes), Quando Freud Não Explica Tente a Poesia(2007, São Paulo), Cães Que Latem ao Coração(2009, São Paulo), além de publicações em revistas e periódicos, entre as quais, entrevista para a revista Discutindo Literatura, Revista E(SESC-Inéditos), Brasileiros, Suplemento Cultural de Santa Catarina(Ô Catarina), Revista Celuzlose, Córrego. Palestrante e integrante de diversos júris de concursos literários.
2 poemas de Celso de Alencar

MULHERES
No grande interior do país
há mulheres que ainda constroem
suas próprias calcinhas.
São feitas sempre de algodão
e as mais belas trazem bordados
de florzinhas coloridas.
Elas cortam, alinhavam, costuram, com delicadeza
e as amam como se amassem a si.
Há mulheres que ainda usam pedaços de pano
para absorver o sangue da menstruação noturna
e há aquelas que têm corrimentos amarelados
expostos nos varais onde são secadas as roupas.
Ainda há aquelas em que não há gozo
porque são ignorantes
e seus companheiros também são ignorantes
e veem as mulheres como depósito de seu lixo.
Não há mulheres que se beijem
nem mulheres que toquem seus sexos.
Há mulheres que matam suas próprias vaginas.
No grande interior do país
ainda há mulheres criando
suas calcinhas.
Celso de Alencar
OS MORTOS
Eu comi dois pães de milho.
Havia trigo, mas os pães eram de milho
e os engoli raspando o céu da boca.
Dei três dólares, mais dois,
por um copo de suco de framboesa
e o derramei sobre o crânio de um velho búfalo.
O vento marchava com força
derrubava as folhas
e balançava as árvores delicadas.
Havia grãos espalhados pelo chão.
Eu via os mortos.
Sempre tive um dia de ver os mortos.
Celso de Alencar

JOHN COOK BRALEY
Daqui vejo a ponte de madeira
sobre o rio do Parque Público
Madeline Hall.
Hoje um homem será morto.
A K133 anuncia a execução
de John Cook Braley
culpado pelo assassinato cruel
de uma anciã de oitenta e seis anos, cega.
Agora estou vendo um homem de trinta anos
com a cabeça descomunal, comprida
e o queixo extremamente pontudo.
Encontra-se sentado com as mãos na nuca.
Não houve evidências de violência.
Nenhuma que lhe coubesse culpa.
Mas John Cook Braley era culpado.
Ainda que tratasse de sua inocência
John Cook Braley seria morto.
Há necessidade sempre da morte de um homem.
Não há prazer na vida sem a morte.
Aqui os homens ainda morrem.
Às 16.30h entrou na sala com macacão marrom.
Olhava as pessoas e gritava
kyrie eleison, kyrie eleison, kyrie eleison.
Então, todos em coro iniciaram uma vaia, gritos de loucos,
latidos, mugidos, relinchos, palavrões, gestos obscenos.
John Cook Braley via apenas uma roda gigante
toda colorida, repleta de criancinhas.
Os homens ainda morrem.
Pela janela via-se o sol do outono
já se escondendo.
Permanece sobre o rio
a ponte do Madeline Hall.

Celso de Alencar

POEMAS PÓSTUMOS(5)
Fragmento do Livro Testamentos, 2003
Eu vi meu pai
entre as figueiras.
O vento castigava as folhas
das árvores e eu não ouvia
as palavras que ele falava.
No seu peito trazia um
coração pequeno, de criança,
e andava lento, agachado,
quase engatinhando.
Quis alcançar suas mãos
mas havia um córrego de
leito profundo e águas
intransponíveis nos separando.
As únicas frases que eu ouvi
tratavam da minha idade,
do meu irmão mais moço e
da camisa que eu estava usando.
Gritei forçado esperando
que me ouvisse mas
havia entre nós
um córrego nos separando.
Com minhas mãos
molhadas dos olhos
joguei-lhe beijos
contei meus dedos como
se eu fosse um menino
e ainda que intensamente
eu o chamasse, ele se afastou
levado por um redemoinho.


Neste dia em que se comemora o Dia dos Pais, publico esse poema


Nenhum comentário:

Postar um comentário

Powered By Blogger

Quem sou eu

Minha foto
Ademir Heleno A. Rocha, nascido em Abaetetuba-PA, Brasil, casado com Maria de Jesus A. Rocha, cinco filhos, professor, pesquisador de famílias, religião, genealogia e memória biográfica, ambientalista, católico e amigo.

Seguidores

Arquivo do blog

Mapa de Abaetetuba/Pa

Ruas, travessas, praças de Abaetetuba/Pa Mais zoom 0 1 - Rua 2 3 - Cidade 4 5 6 7 8 9 Menos zoom N O L S Informações para proprietários de empresas Página inicial do Google Maps - Página inicial do Google - Termos de Uso - Ajuda

escolas, religião, músicos, genealogia, ilhas, rios, cultura, esportes, ruas, memórias, bandas