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domingo, 19 de outubro de 2014

Réquiem Pelas Místicas Samaumeiras de Abaetetuba?


Réquiem Pelas Místicas Samaumeiras de Abaetetuba?

Leia Sobre a Importância da Mística Árvore Samaumeira

Samaúma - a Rainha da Floresta

Pertence às famílias bombacáceas. (Ceiba Pentandra Gaertn).
Samaúma ou Sumaúma (Ceiba pentranda) é uma árvore encontrada na Amazônia. É considerada sagrada para ao antigos povos “maia” e os que habitam as florestas. A palavra samaúma é usada para descrever a fibra obtida dos seus frutos. A planta é conhecida também por algodoeiro. Cresce entre 60–70 m de altura e o seu tronco é muito volumoso, até 3 m de diâmetro com contrafortes. Alguns exemplares chegam a atingir os 90m de altura, sendo, por isso, uma das maiores árvores da flora mundial.
Essa árvore consegue retirar a água das profundezas do solo amazônico e trazer não apenas para abastecer a si mesma, mas também pra repartir com outras espécies. De crescimento relativamente rápido, pode alcançar os 40 metros de altura.
Em determinadas épocas "estrondam" irrigando toda a área em torno dela e o reino vegetal que a circunda.
A samaumeira é tipicamente amazônica, conhecida como a “árvore da vida” ou “escada do céu”. Os indígenas consideram-na “a mãe” de todas as árvores. Suas raízes são chamadas de sapobemba. Estas raízes são usadas na comunicação pela floresta, que é feita através de batidas em tais estruturas. Possui uma copa frondosa, aberta e horizontal.
Além disso, a árvore apresenta propriedades medicinais e é considerada pelos povos da floresta, uma árvore com poderes mágicos, protegendo inclusive as demais árvores e os habitantes da floresta.

flores da samaúma
Frutos
Fotos:-flor e frutos: Wiki - árvore:Octavio Campos Salles

SAMAÚMA, o que significa?
tibério sá maia
SAMAÚMA é uma árvore frondosa, considerada sagrada para o antigo povo “maia” e os que habitam às florestas. Pertence às famílias bombacáceas. (Ceiba Pentandra Gaertn).
Consta que é nativa da América do Sul e África, onde atinge a desproporcional altura de setenta metros. Sem dúvida compondo, em conjunto, as mais altas de todas as árvores.
É comum que se destaque no meio das demais, como as castanheiras, atingindo 35 a 45 m. Sua copa ocupa uma enorme extensão porque seus ramos horizontais são longos e abundantes.
A SAMAÚMA é tida como a "Mãe da Floresta". Para muitos considerada uma raínha ou simplesmente uma princesa, pela sua enorme altivez e pelo que se constitui. Chamam-na também de barriguda; sumaúma; samaumeira ou sumaumeira.
É muito admirada por sua beleza natural, pelos mistérios que a cercam e pelas propriedades medicinais inexploradas.
Sempre é ligada às coisas da natureza. Na Amazônia, onde se encontra em extinção, é nome de cinco ilhas fluviais: no Tocantins, no Tapajós, no Uaupés, a do Cuminá e a do Curuá.
É o nome de dois lagos. Um à margem do Amazonas e outro do Mamuru. E de duas cachoeiras, uma no rio Tiquié e outra, no Catrinâmi. É o nome de um barco que faz ininterrupta comunicação, entre as famílias relacionadas às diversas "samaúmas" dessa extensa região.
De gênero muito variado chega a possuir mais de um cento de espécies.
Típica de várzea, de pantanais e matas alagadas, talvez, por isso, conhecida por algumas singularidades, como o armazenamento de água em seu tronco.
Influenciada pelas as fases da lua, há ocasiões que a água existente no interior da Samaúma desloca-se para a copa ou raízes.
O movimento das águas no seu interior produz ruídos, que o caboclo chama de "estrondos", podendo se ouvir ao longe na floresta. Os povos das grandes matas costumam utilizar sua água quando estão com sede e longe de outros mananciais.
Consta que é milenar e de enorme tradição. Apresenta uma peculiaridade com relação aos pequenos animais escandentes como sagüis, bicho preguiça que ao perceberem que estão expostos aos ataques de aves predadoras procuram a proteção das frondes das samaúmas.
Essa árvore gera uma paina sedosa e macia, extremamente, leve e espessa que envolve as sementes. Elas se mantêm intimamente agregadas como se para resguardá-las e ao estarem prestes a germinar, a paina tangida pelo vento, arrasta-as para longe, espalhando-as, semeando-as, por uma área de raio muito amplo e, em contato com a terra brotarão para o engrandecimento e a perpetuação da espécie.
A fibra é industrializada para enchimento de colchões, almofadas e coletes salva-vidas, isolante térmico e acústico para câmaras frigoríficas e aviões.
A madeira considerada leve e fácil de manusear é explorada para industrialização de compensado, de polpa de papel, de embarcações fluviais, para a fabricação de brinquedos e maquetas.
Como o estimado Dr. Otavio Castello de Campos Pereira, médico, na capital paulista, já nos perguntaram se a Samaúma tem significado na Maçonaria? E respondemos que não. A questão que se levanta está ligada ao sítio, que mantemos na WEB há dezesseis anos (estamos em 2012 ) – pois esta árvore, é para nós, o símbolo mais autêntico da Internet - www.samauma.biz - também dedicado a Maçonaria Regular Brasileira.
Conforme esse amigo, devemos acrescentar, neste trabalho

"Sei que a Samaúma por reter água, no seu tronco se serve para comunicação entre os povos moradores da floresta: porque quando se bate com pancadas ritmadas, no seu tronco, produzem se ribombos ouvidos a grande distância.
De acordo com a medicina popular aprendemos que a água da Samaúma ou o chá da sua casca é um remédio muito poderoso. Capaz de fazer mulheres engravidarem.Recentemente, ouvi a palestra de um ex-seringueiro - Sr. Florêncio Siqueira de Carvalho que destaca o seguinte:- "Existem igarapés-mirins mantidos pela Samaúma, na época da seca. Segundo ele, suas raízes de tão profundas, atingem o lençol freático. Dessa forma, capta água no interior da terra e a espalha pela superfície, tal como uma bomba, preservando esses charcos" e essas fontes perenes. Realmente, as raízes superficiais cobrem um raio de mais de trezentos metros tendo por centro o seu tronco e quando ela estronda libera a água do caule para o solo regando as plantas que estão ao seu alcance durante a estiagem."
SAMAÚMA, para muitos, simboliza a imortalidade. Na prática, além de dar guarida e proteger pequenos animais, ela é o traço de união, de correspondência, de contato de ligação, de aproximação e de harmonia entre muitos entes das selvas que se sentem bem sob sua fronde. Ela tem um destaque de nobreza e uma grandeza própria dos seres raros e majestosos da natureza.

Reproduzido pelo Blog do Ademir Rocha, de Abaetetuba/PA

03 setembro 2008
A Grande Samaumeira dos Índios Ticunas

Samaumeira é o nome desta grande árvore que fotografei apenas por encantamento. Se conhecesse a história, talvez tivesse feito fotos melhores... ou me perdido por lá. A grande samaumeira dos índios ticunas é parte de uma lenda belíssima que fala de resistência e imortalidade. Para os índios, as árvores desepenhavam papel fundamental no universo. Os galhos fortes da gigantesca samaumeira, por exemplo, sustentavam o céu com todos os seus astros . A lenda sobre essa árvore soberba pode ser lida numa obra de 1985, escrita pelos próprios ticunas e publicada pelo Museu Nacional (RJ) . O livro, chamado
Nosso Povo, narra a lenda que conta como apareceu o dia e a história do coração da samaumeira. Quase ninguém com quem falei aqui em Belém sabia sequer o nome da árvore, que dirá a história mítica e linda que ela guarda. Alguns ainda disseram: " é uma árvore centenária que todo mundo diz que tem coração". Como fomos aprender tanto sobre minotauros e medéias e não conhecíamos o coração da samaumeira que sustenta o firmamento e que ainda hoje nos contempla em sua altivez, no meio de uma floresta que o mundo inteiro conhece? Precisamos descobrir o Brasil, antes que os aventureiros lancem mão. E faço a minha pequena parte, postando o resultado da pesquisa para saber que árvore maravilhosa era aquela.

Lendas desconhecidas de uma terra chamada Brasil
Como apareceu o dia. Naquele tempo era sempre noite. Os galhos da samaumeira cobriam o mundo, escurecendo tudo. Os irmãos Yoi e Ipi tentaram abrir um buraco na copa da árvore, jogando-lhe caroços de araratucupi, mas sem resultado. Chamaram o pica-pau, que tentou cortar o tronco com o bico, mas não conseguiu. Resolveram então tirar o machado da cutia. Ipi colou penas em todo o corpo e ficou deitado de boca aberta no caminho da cutia. A cutia estranhou a figura que encontrou no caminho e começou a fazer-lhe perguntas. Como Ipi não respondesse, ameaçou urinar na boca dele, cortar-lhe a língua, até que ele respondeu, dizendo que podia arrancá-la. Ela se aproximou e Ipi arrancou-lhe a paleta, a perna de trás, que era o seu machado. A cutia perseguiu Ipi mancando e gritou-lhe que, quando fizesse roça, não dissesse o nome dela, e que ela iria cobrar-lhe o roubo, furtando nas roças que fizesse. É o que a cutia faz até hoje. A cutia não pode mais plantar. Só cutia pequena ainda tem o machado. De posse do machado, Ipi começou a cortar a árvore. Mas o corte se tornava a fechar. Yoi então tentou cortar e, onde ele batia, o corte se mantinha aberto. Quando se cansou, entregou o machado a Ipi, que continuou a cortar, mas agora o corte não se fechava mais. Apesar de o tronco estar bem fino, a árvore não caía. Olhando para cima, viram que era uma preguiça que a segurava. O quatipuru, convidado para subir e tirar a mão da perguiça do galho, foi até a metade e desceu, com medo da altura. O quatipuru pequeno aceitou subir com formigas de fogo para jogar nos olhos da preguiça. Ele subiu e conseguiu atingir os olhos da preguiça. Deu então um pulo para trás e caiu, machucando o rabo no machado. Por isso o quatipuruzinho tem o rabo dobrado nas costas. A samaumeira caiu, e daí por diante se pôde ver o sol, o céu, as estrelas. Como recompensa, Yoi e Ipoi deram sua irmã para casar com o quatipuruzinho.

O Coração da Samaumeira
Depois de algum tempo, Ipi foi até a árvore derrubada para ver se já tinha apodrecido. Mas ela estava viva e tinha começado a brotar de novo. Ipi ouviu batidas de coração e resolveu tirá-lo. E começou a cortar com o machado. Ipi e Yoi disputavam o machado, cada qual querendo a tarefa de tirar o coração da samaumeira. Finalmente um golpe de Yoi fez o coração pular fora. Um calango o engoliu e ele ficou parado na garganta. Ipi encostou um tição na garganta do calango e o coração pulou fora. Mas uma grande borboleta azul engoliu o coração. Ipi queimou a asa da borboleta com o mesmo tição e ela vomitou. Por isso as borboletas azuis de hoje têm manchas na asa. O coração caiu num buraco muito apertado. Yoi então mandou a cotia roer o coração pelo lado direito, trazer o caroço e plantar no terreiro. Passado algum tempo, daí nasceu a árvore de umari.
O mito da grande samaumeira e o de seu coração também estão divulgados em O Livro das Árvores (Benjamin Constant: OGPTB, 1997), um volume escrito e ilustrado pelos professores indígenas ticunas, que trata da importância das árvores na vida e cultura de seu povo. Entre as suas muitas ilustrações, há um desenho da árvore Tchaparane, que produzia terçados. Ela ficava em Cujaru, um lugar perto do rio Jacurapá, e as pessoas iam até lá e esperavam que caíssem no chão.

Fonte: http://www.geocities.com/RainForest/Jungle/6885/mitos/m08arvor.htm
Sobre os Ticunas
Os Ticunas constituem, hoje, a maior nação indígena do Brasil com mais de 32 mil pessoas. Eles são encontrados também na Colômbia e no Peru. No Brasil, estão localizados no estado do Amazonas, ao longo do rio Solimões, em terras dos municípios de Benjamin Constant, Tabatinga, São Paulo de Olivença, Amaturá, Santo Antônio do Içá, Fonte Boa, Anamã e Beruri. Os Ticunas falam uma língua considerada isolada, que não mantém semelhança com nenhuma outra língua indígena. Sua característica principal é o uso de diferentes alturas na voz, peculiaridade que a classifica como uma língua tonal. Os Ticuna estão organizados em clãs, ou "nações", agrupados em metades, que regulam os casamentos. Membros de uma metade devem casar-se com pessoas da metade oposta, e seus filhos herdam o clã do pai. Numa das metades agrupam-se os clãs com nomes de aves: mutum, maguari, arara, japó etc. Na outra metade estão os clãs que possuem nomes de plantas e de animais, como o buriti, jenipapo, avaí, onça, saúva.

O texto completo sobre os índios ticuna pode ser visto no site http://www.rosanevolpatto.trd.br/ticuna1.htm
Árvore samaumeira e Igreja
Em mudança de folhas 


Samaumeira

22/03/2014
às 14:03 \

FOTOS QUE SÃO OBRA-PRIMA: Fotógrafo José Pinto transforma em livro 30 anos de trabalho e de paixão pela Amazônia. Clique
Folhagem que assumiu a forma de uma borboleta. Lago do Parque Zoobotânico anexo ao Museu Emílio Goeldi, Belém (PA)

Publicado originalmente em 26 de novembro de 2013

Não foi certamente por puro acaso que a primeira imagem a revelar-se diante dos olhos daquele menino de 4 anos, na penumbra mágica do laboratório fotográfico em que entrava pela primeira vez, tivesse sido a de uma árvore.
“Extasiado”, como ele próprio se descreve, ao debruçar-se várias décadas depois sobre essa lembrança, o menino José Pinto veria naquele momento traçados sua vocação e seu destino profissional — ser repórter fotográfico, tal qual o pai, os irmãos e mais tarde os filhos e vários outros parentes — e teria uma espécie de antevisão do que seria seu grande sonho: registrar, com minúcia, carinho e competência, a natureza, a gente e os problemas de sua Amazônia natal.
Este livro esplêndido, resultado de mais de 80 mil quilômetros percorridos no interior da maior floresta tropical do planeta em mais de três décadas de trabalho paciente e primoroso de José Pinto e seu irmão Pedro, é o desfecho natural daquele momento especialíssimo, vivido há mais de 70 anos. Constitui, desde já, um patrimônio do fotojornalismo brasileiro, à altura do colosso que eles tão fielmente retratam.
José Pinto está radicado em São Paulo desde 1952, mas nunca deixou de levar seu Pará no coração e nem de tê-lo na sua objetiva, ao lado dos demais Estados da região Amazônica. Entre outros veículos da imprensa, trabalhou nas extintas revistas O Cruzeiro e Manchete, teve passagem pela TV como câmera, atuou no extinto jornal Última Hora, em O Estado de S.Paulo e em diferentes revistas da Editora Abril.
O trabalho sobre a Amazônia, a ser transformado num livro de 900 páginas — a obra, ainda sem título definitivo, está sendo negociada com editoras –, é uma realização pessoal, bancada pelo próprio bolso, realizado em férias e intervalos entre empregos, e para cujo financiamento Zé Pinto, como o chamam os amigos, chegou a vender propriedades e um carro. “Nele, procuro mostrar a região sob o prisma do povo amazônico, seu cotidiano e o esforço para conjugar a preservação da floresta com o desenvolvimento sustentado”, diz o fotógrafo.
Embora seja um livro de fotos, José Pinto colheu para a obra mais de 250 depoimentos sobre a região, entre poetas, cientistas, escritores, jornalistas, ambientalistas, militares e dirigentes políticos, entre os quais o antropólogo Darcy Ribeiro, o geógrafo Aziz Ab’Szaber, o escritor Rubem Braga, os sertanistas Orlando, Cláudio e Leonardo Villas-Bôas, o bibliófilo José Mindlin, os ex-presidentes Luís Inácio Lula da Silva e Fernando Henrique Cardoso e a presidente Dilma Rousseff.
Desfrutem algumas das fotos magníficas que constarão do livro, selecionadas pela editora de Fotografia de VEJA, Gilda Castral, que confessa: “Sofri muito para escolher algumas em meio a tantas fotos primorosas”.
Não deixe de visitar o belo blog do fotógrafo clicando aqui.
Clique para ver belas fotos na linha acima
Samaumeira, conhecida como a Árvore Sagrada da Amazônia, Macapá (AP)
Cipós retorcidos — o poder da metamorfose amazônica. Em algum ponto do Estado do Amazonas
Mangueira, quintal de uma residência, Belém (PA)
Samaumeira: com 60 metros de altura, 3,5m de diâmetro, a árvore torna pequena a figura do caboclo que escala sua base
Tracajá repousa sobre um jacaré, lago do Parque Zoobotânico anexo ao Museu Emílio Goeldi, Belém

Ribeirinha com filhos gêmeos, feliz por escapar da cheia do Rio Amazonas e conseguir abrigo, Bragança (PA)
Teia de aranha na Floresta Amazônica, em algum ponto do Estado do Acre
A chuva das três da tarde e o Teatro da Paz, Belém
Mercado Ver-o-Peso, entreposto pesqueiro e ponto turístico, Belém
Trecho do Rio Amazonas, rumo ao Amapá
Ossatura do peixe gurijuba. Sua bexiga natatória possui propriedades medicinais e aplicações industriais. Ele é tido pelos ribeirinhos como sacramento da presença de Deus Pai nas águas do rio, pois seus ossos lembram Jesus crucificado
O homem amazônico: catador de caranguejos saindo de um manguezal próximo a Belém. Na sua boca, uma “parranga”, ou “porronga” – um cigarro de maconha do tamanho de um charuto
Casa de ribeirinhos às margens do Rio Amazonas, cercanias de Macapá
Sítio de mineração desativado. O homem passou por aqui, e deixou veias abertas. Serra do Manganês (AP) (Foto: José Pinto)

O sertanista Orlando Villas-Bôas, em sua casa em São Paulo, em 2001. Orlando e seus irmãos Cláudio e Leonardo, segundo José Pinto, “estão eternizados nos murmúrios dos rios, das cachoeiras, na generosidade das chuvas”

Mãe indígena amamenta o filho, São Gabriel da Cachoeira (AM)

A cabocla e os filhos sorriem depois de recolher doações lançadas pelos viajantes do barco “Bom Jesus”, navegando pelo rio Salvadorzinho entre Belém e Macapá

O mimetismo é a forma de proteção da borboleta contra os predadores. Cercanias de Manaus
Vitória-Régia, Manaus
Festa folclórica do Boi-Galheiro, cercanias de Vigia (PA)

Família de ribeirinhos, liderada pela matriarca Gregória, chegam à sua residência, Ananindeua (PA)

A ribeirinha Gregória e a família em sua residência, Ananindeua

Uma das filhas da matriarca Gregória, grávida do garoto Douglas, rio Caraparu (PA)
O garoto Douglas, agora com 6 anos, puxa a canoa, rio Caraparu
Garoto guarani em algum ponto do Pará
A Floresta em Chamas. Uma fusão digital de imagens que mostra um jacaré consumido pelo fogo. A criação do artista não rivaliza com a realidade


Tags: Acre, Amapá, Amazonas, Amazônia, Ananindeua, Belém, Boi-Galheiro, Bragança, Cipós retorcidos, fotos, jacaré, José Pinto, Macapá, Mangueira, manguezal, Mercado Ver-o-Peso, mimetismo, Museu Emílio Goeldi, Orlando Villas Bôas, Ossatura do peixe Gurijuba, Pará, Parranga, Rio Amazonas, Samaumeira, São Gabriel da Cachoeira, Serra do Manganez, Teatro da Paz, Tracajá, Vigia, Vitória-Régia

Reproduzido pelo Blog do Ademir Rocha, de Abaetetuba/PA

A VISAGEM DA SAMAUMEIRA
Na frente da casa do Sr. Ataíde, no local Poção, que fica na embocadura de dois braços de rios, o Furo Ciriaco e Rio Caripetuba, existia uma grande árvore samaumeira. No início dos trabalhos dos padres xaverianos nessa localidade, essa árvore apresentava um grande mistério, inexplicável até os dias atuais e que causava medo e pavor em todos os que ouviam o fenômeno, que acontecia periodicamente, e sempre à tardinha. Era o barulho de algum peso desproporcional, caindo e fazendo muito barulho de galhos quebrados e com forte impacto no chão, a terra tremia e com um estrondo ainda mais assustador. Esse fenômeno foi ouvido por muitas pessoas e durante muito tempo e que espantava todos os moradores do lugar. Quando, pela manhã, ia-se verificar o acontecido, não se encontrava vestígios de nada de anormal, como se nada tivesse acontecido na noite anterior, e a árvore ali estava inteira e sem buracos perto do seu tronco. Os moradores da localidade foram se aconselhar com o padre católico que dava assistência à comunidade e o mesmo recomendou que se fizesse, por 3 vezes a seguinte oração no momento do fenômeno: “Deus te salve”. E disse ainda que são fenômenos causados por almas perdidas que vivem no espaço. Tatá, Dalgisa e Bejoca, chegaram a assistir ao fenômeno e eles fizeram conforme a orientação do padre e ainda se podou a árvore até o tronco e o fenômeno parou de acontecer. Porém, o tronco da árvore emitiu vários brotos de samaumeira, que já estão bem crescidos e o autor do Blog viu esses brotos no quintal da casa do Sr. Ataíde e o mesmo vai deixar os brotos crescerem. Será que o fenômeno voltará a acontecer, com a árvore novamente crescida? É ver para crer ou para assustar novamente!

A CORRENTE DO MALATO
Malato é uma localidade da Ilha do Marajó, município de Ponta de Pedras e situada em frente à região das Ilhas de Abaetetuba, onde residem algumas pessoas conhecidas da população do Rio Caripetuba, Ilha do Capim e arredores. No Malato existe uma grande árvore de samaumeira (para o ribeirinho é uma árvore mística, perto da qual acontecem os fenômenos sobrenaturais, como aparecimento do curupira, fantasmas, pretinhos) onde estava presa e pendurada uma antiga e grande corrente que as pessoas pensavam que tinham sido os revoltosos da Cabanagem que a deixaram pendurada na grande árvore. Muito tempo depois é que os ribeirinhos descobriam que tinha sido uma tropa militar do governo imperial que armara a grande corrente na árvore, para prender, pendurar e matar de fome e sede ou à tiros, os rebeldes cabanos e fazia o mesmo com os ribeirinhos simpatizantes dos cabanos, que ajudavam ou davam abrigo ou protegiam os revoltosos cabanos do Pará. Esse castigo, imposto pelos governantes imperiais, deveria servir de exemplo para todos os que tentassem ajudar os revoltosos, como aconteceu na morte do mártir Tiradentes em Minas Gerais. Os revoltosos cabanos e seus amigos ribeirinhos simpatizantes, muitas das vezes, eram obrigados a vestir pesadas roupas de couro cru e assim eram pendurados na grande corrente, ficando expostos ao forte calor do sol e quando a roupa de couro ia secando,começava a apertar o corpo dos torturados, que morriam de fome, sede e asfixiados pelo aperto da roupa de couro seco. Uma coisa é muito verdadeira nessa história: a revolução cabana teve um de seus maiores focos de resistência nas regiões do Marajó e na região do Baixo Tocantins e centenas de pessoas morreram, de ambos os lados, nas lutas que se desenrolaram nas matas e águas do Marajó, Cametá, Abaeté, Igarapé-Miri, Moju, Capim e Guamá.

Blog do Ademir Rocha, de Abaetetuba/PA

Réquiem Pelas Místicas Samaumeiras de Abaetetuba?

Pertence às famílias bombacáceas. (Ceiba Pentandra Gaertn).
Samaúma ou Sumaúma (Ceiba pentranda) é uma árvore encontrada na Amazônia. É considerada sagrada para ao antigos povos “maia” e os que habitam as florestas. A palavra samaúma é usada para descrever a fibra obtida dos seus frutos. A planta é conhecida também por algodoeiro. Cresce entre 60–70 m de altura e o seu tronco é muito volumoso, até 3 m de diâmetro com contrafortes. Alguns exemplares chegam a atingir os 90m de altura, sendo, por isso, uma das maiores árvores da flora mundial.
Essa árvore consegue retirar a água das profundezas do solo amazônico e trazer não apenas para abastecer a si mesma, mas também pra repartir com outras espécies. De crescimento relativamente rápido, pode alcançar os 40 metros de altura.
Em determinadas épocas "estrondam" irrigando toda a área em torno dela e o reino vegetal que a circunda.
A samaumeira é tipicamente amazônica, conhecida como a “árvore da vida” ou “escada do céu”. Os indígenas consideram-na “a mãe” de todas as árvores. Suas raízes são chamadas de sapobemba. Estas raízes são usadas na comunicação pela floresta, que é feita através de batidas em tais estruturas. Possui uma copa frondosa, aberta e horizontal.
Além disso, a árvore apresenta propriedades medicinais e é considerada pelos povos da floresta, uma árvore com poderes mágicos, protegendo inclusive as demais árvores e os habitantes da floresta.

flores da samaúma
Frutos
Fotos:-flor e frutos: Wiki - árvore:Octavio Campos Salles

SAMAÚMA, o que significa?

tibério sá maia

SAMAÚMA é uma árvore frondosa, considerada sagrada para o antigo povo “maia” e os que habitam às florestas. Pertence às famílias bombacáceas. (Ceiba Pentandra Gaertn).
Consta que é nativa da América do Sul e África, onde atinge a desproporcional altura de setenta metros. Sem dúvida compondo, em conjunto, as mais altas de todas as árvores.
É comum que se destaque no meio das demais, como as castanheiras, atingindo 35 a 45 m. Sua copa ocupa uma enorme extensão porque seus ramos horizontais são longos e abundantes.
A SAMAÚMA é tida como a "Mãe da Floresta". Para muitos considerada uma raínha ou simplesmente uma princesa, pela sua enorme altivez e pelo que se constitui. Chamam-na também de barriguda; sumaúma; samaumeira ou sumaumeira.
É muito admirada por sua beleza natural, pelos mistérios que a cercam e pelas propriedades medicinais inexploradas.
Sempre é ligada às coisas da natureza. Na Amazônia, onde se encontra em extinção, é nome de cinco ilhas fluviais: no Tocantins, no Tapajós, no Uaupés, a do Cuminá e a do Curuá.
É o nome de dois lagos. Um à margem do Amazonas e outro do Mamuru. E de duas cachoeiras, uma no rio Tiquié e outra, no Catrinâmi. É o nome de um barco que faz ininterrupta comunicação, entre as famílias relacionadas às diversas "samaúmas" dessa extensa região.
De gênero muito variado chega a possuir mais de um cento de espécies.
Típica de várzea, de pantanais e matas alagadas, talvez, por isso, conhecida por algumas singularidades, como o armazenamento de água em seu tronco.
Influenciada pelas as fases da lua, há ocasiões que a água existente no interior da Samaúma desloca-se para a copa ou raízes.
O movimento das águas no seu interior produz ruídos, que o caboclo chama de "estrondos", podendo se ouvir ao longe na floresta. Os povos das grandes matas costumam utilizar sua água quando estão com sede e longe de outros mananciais.
Consta que é milenar e de enorme tradição. Apresenta uma peculiaridade com relação aos pequenos animais escandentes como sagüis, bicho preguiça que ao perceberem que estão expostos aos ataques de aves predadoras procuram a proteção das frondes das samaúmas.
Essa árvore gera uma paina sedosa e macia, extremamente, leve e espessa que envolve as sementes. Elas se mantêm intimamente agregadas como se para resguardá-las e ao estarem prestes a germinar, a paina tangida pelo vento, arrasta-as para longe, espalhando-as, semeando-as, por uma área de raio muito amplo e, em contato com a terra brotarão para o engrandecimento e a perpetuação da espécie.
A fibra é industrializada para enchimento de colchões, almofadas e coletes salva-vidas, isolante térmico e acústico para câmaras frigoríficas e aviões.
A madeira considerada leve e fácil de manusear é explorada para industrialização de compensado, de polpa de papel, de embarcações fluviais, para a fabricação de brinquedos e maquetas.
Como o estimado Dr. Otavio Castello de Campos Pereira, médico, na capital paulista, já nos perguntaram se a Samaúma tem significado na Maçonaria? E respondemos que não. A questão que se levanta está ligada ao sítio, que mantemos na WEB há dezesseis anos (estamos em 2012 ) – pois esta árvore, é para nós, o símbolo mais autêntico da Internet - www.samauma.biz - também dedicado a Maçonaria Regular Brasileira.

Conforme esse amigo, devemos acrescentar, neste trabalho: -
"Sei que a Samaúma por reter água, no seu tronco se serve para comunicação entre os povos moradores da floresta: porque quando se bate com pancadas ritmadas, no seu tronco, produzem se ribombos ouvidos a grande distância.
De acordo com a medicina popular aprendemos que a água da Samaúma ou o chá da sua casca é um remédio muito poderoso. Capaz de fazer mulheres engravidarem.
Recentemente, ouvi a palestra de um ex-seringueiro - Sr. Florêncio Siqueira de Carvalho que destaca o seguinte:- "Existem igarapés-mirins mantidos pela Samaúma, na época da seca. Segundo ele, suas raízes de tão profundas, atingem o lençol freático. Dessa forma, capta água no interior da terra e a espalha pela superfície, tal como uma bomba, preservando esses charcos" e essas fontes perenes. Realmente, as raízes superficiais cobrem um raio de mais de trezentos metros tendo por centro o seu tronco e quando ela estronda libera a água do caule para o solo regando as plantas que estão ao seu alcance durante a estiagem."
SAMAÚMA, para muitos, simboliza a imortalidade. Na prática, além de dar guarida e proteger pequenos animais, ela é o traço de união, de correspondência, de contato de ligação, de aproximação e de harmonia entre muitos entes das selvas que se sentem bem sob sua fronde. Ela tem um destaque de nobreza e uma grandeza própria dos seres raros e majestosos da natureza.

Reproduzido pelo Blog do Ademir Rocha, de Abaetetuba/PA

03 setembro 2008
A Grande Samaumeira dos Índios Ticunas
Samaumeira é o nome desta grande árvore que fotografei apenas por encantamento. Se conhecesse a história, talvez tivesse feito fotos melhores... ou me perdido por lá. A grande samaumeira dos índios ticunas é parte de uma lenda belíssima que fala de resistência e imortalidade. Para os índios, as árvores desepenhavam papel fundamental no universo. Os galhos fortes da gigantesca samaumeira, por exemplo, sustentavam o céu com todos os seus astros . A lenda sobre essa árvore soberba pode ser lida numa obra de 1985, escrita pelos próprios ticunas e publicada pelo Museu Nacional (RJ) . O livro, chamado
Nosso Povo, narra a lenda que conta como apareceu o dia e a história do coração da samaumeira. Quase ninguém com quem falei aqui em Belém sabia sequer o nome da árvore, que dirá a história mítica e linda que ela guarda. Alguns ainda disseram: " é uma árvore centenária que todo mundo diz que tem coração". Como fomos aprender tanto sobre minotauros e medéias e não conhecíamos o coração da samaumeira que sustenta o firmamento e que ainda hoje nos contempla em sua altivez, no meio de uma floresta que o mundo inteiro conhece? Precisamos descobrir o Brasil, antes que os aventureiros lancem mão. E faço a minha pequena parte, postando o resultado da pesquisa para saber que árvore maravilhosa era aquela.
Lendas desconhecidas de uma terra chamada Brasil
Como apareceu o dia. Naquele tempo era sempre noite. Os galhos da samaumeira cobriam o mundo, escurecendo tudo. Os irmãos Yoi e Ipi tentaram abrir um buraco na copa da árvore, jogando-lhe caroços de araratucupi, mas sem resultado. Chamaram o pica-pau, que tentou cortar o tronco com o bico, mas não conseguiu. Resolveram então tirar o machado da cutia. Ipi colou penas em todo o corpo e ficou deitado de boca aberta no caminho da cutia. A cutia estranhou a figura que encontrou no caminho e começou a fazer-lhe perguntas. Como Ipi não respondesse, ameaçou urinar na boca dele, cortar-lhe a língua, até que ele respondeu, dizendo que podia arrancá-la. Ela se aproximou e Ipi arrancou-lhe a paleta, a perna de trás, que era o seu machado. A cutia perseguiu Ipi mancando e gritou-lhe que, quando fizesse roça, não dissesse o nome dela, e que ela iria cobrar-lhe o roubo, furtando nas roças que fizesse. É o que a cutia faz até hoje. A cutia não pode mais plantar. Só cutia pequena ainda tem o machado. De posse do machado, Ipi começou a cortar a árvore. Mas o corte se tornava a fechar. Yoi então tentou cortar e, onde ele batia, o corte se mantinha aberto. Quando se cansou, entregou o machado a Ipi, que continuou a cortar, mas agora o corte não se fechava mais. Apesar de o tronco estar bem fino, a árvore não caía. Olhando para cima, viram que era uma preguiça que a segurava. O quatipuru, convidado para subir e tirar a mão da perguiça do galho, foi até a metade e desceu, com medo da altura. O quatipuru pequeno aceitou subir com formigas de fogo para jogar nos olhos da preguiça. Ele subiu e conseguiu atingir os olhos da preguiça. Deu então um pulo para trás e caiu, machucando o rabo no machado. Por isso o quatipuruzinho tem o rabo dobrado nas costas. A samaumeira caiu, e daí por diante se pôde ver o sol, o céu, as estrelas. Como recompensa, Yoi e Ipoi deram sua irmã para casar com o quatipuruzinho.
O Coração da Samaumeira
Depois de algum tempo, Ipi foi até a árvore derrubada para ver se já tinha apodrecido. Mas ela estava viva e tinha começado a brotar de novo. Ipi ouviu batidas de coração e resolveu tirá-lo. E começou a cortar com o machado. Ipi e Yoi disputavam o machado, cada qual querendo a tarefa de tirar o coração da samaumeira. Finalmente um golpe de Yoi fez o coração pular fora. Um calango o engoliu e ele ficou parado na garganta. Ipi encostou um tição na garganta do calango e o coração pulou fora. Mas uma grande borboleta azul engoliu o coração. Ipi queimou a asa da borboleta com o mesmo tição e ela vomitou. Por isso as borboletas azuis de hoje têm manchas na asa. O coração caiu num buraco muito apertado. Yoi então mandou a cotia roer o coração pelo lado direito, trazer o caroço e plantar no terreiro. Passado algum tempo, daí nasceu a árvore de umari.
O mito da grande samaumeira e o de seu coração também estão divulgados em O Livro das Árvores (Benjamin Constant: OGPTB, 1997), um volume escrito e ilustrado pelos professores indígenas ticunas, que trata da importância das árvores na vida e cultura de seu povo. Entre as suas muitas ilustrações, há um desenho da árvore Tchaparane, que produzia terçados. Ela ficava em Cujaru, um lugar perto do rio Jacurapá, e as pessoas iam até lá e esperavam que caíssem no chão.
Fonte: http://www.geocities.com/RainForest/Jungle/6885/mitos/m08arvor.htm

Sobre os Ticunas
Os Ticunas constituem, hoje, a maior nação indígena do Brasil com mais de 32 mil pessoas. Eles são encontrados também na Colômbia e no Peru. No Brasil, estão localizados no estado do Amazonas, ao longo do rio Solimões, em terras dos municípios de Benjamin Constant, Tabatinga, São Paulo de Olivença, Amaturá, Santo Antônio do Içá, Fonte Boa, Anamã e Beruri. Os Ticunas falam uma língua considerada isolada, que não mantém semelhança com nenhuma outra língua indígena. Sua característica principal é o uso de diferentes alturas na voz, peculiaridade que a classifica como uma língua tonal. Os Ticuna estão organizados em clãs, ou "nações", agrupados em metades, que regulam os casamentos. Membros de uma metade devem casar-se com pessoas da metade oposta, e seus filhos herdam o clã do pai. Numa das metades agrupam-se os clãs com nomes de aves: mutum, maguari, arara, japó etc. Na outra metade estão os clãs que possuem nomes de plantas e de animais, como o buriti, jenipapo, avaí, onça, saúva.

O texto completo sobre os índios ticuna pode ser visto no site http://www.rosanevolpatto.trd.br/ticuna1.htm

Samaumeira

22/03/2014
às 14:03 \

FOTOS QUE SÃO OBRA-PRIMA: Fotógrafo José Pinto transforma em livro 30 anos de trabalho e de paixão pela Amazônia. Clique

Folhagem que assumiu a forma de uma borboleta. Lago do Parque Zoobotânico anexo ao Museu Emílio Goeldi, Belém (PA)

Publicado originalmente em 26 de novembro de 2013

Não foi certamente por puro acaso que a primeira imagem a revelar-se diante dos olhos daquele menino de 4 anos, na penumbra mágica do laboratório fotográfico em que entrava pela primeira vez, tivesse sido a de uma árvore.
“Extasiado”, como ele próprio se descreve, ao debruçar-se várias décadas depois sobre essa lembrança, o menino José Pinto veria naquele momento traçados sua vocação e seu destino profissional — ser repórter fotográfico, tal qual o pai, os irmãos e mais tarde os filhos e vários outros parentes — e teria uma espécie de antevisão do que seria seu grande sonho: registrar, com minúcia, carinho e competência, a natureza, a gente e os problemas de sua Amazônia natal.
Este livro esplêndido, resultado de mais de 80 mil quilômetros percorridos no interior da maior floresta tropical do planeta em mais de três décadas de trabalho paciente e primoroso de José Pinto e seu irmão Pedro, é o desfecho natural daquele momento especialíssimo, vivido há mais de 70 anos. Constitui, desde já, um patrimônio do fotojornalismo brasileiro, à altura do colosso que eles tão fielmente retratam.
José Pinto está radicado em São Paulo desde 1952, mas nunca deixou de levar seu Pará no coração e nem de tê-lo na sua objetiva, ao lado dos demais Estados da região Amazônica. Entre outros veículos da imprensa, trabalhou nas extintas revistas O Cruzeiro e Manchete, teve passagem pela TV como câmera, atuou no extinto jornal Última Hora, em O Estado de S.Paulo e em diferentes revistas da Editora Abril.
O trabalho sobre a Amazônia, a ser transformado num livro de 900 páginas — a obra, ainda sem título definitivo, está sendo negociada com editoras –, é uma realização pessoal, bancada pelo próprio bolso, realizado em férias e intervalos entre empregos, e para cujo financiamento Zé Pinto, como o chamam os amigos, chegou a vender propriedades e um carro. “Nele, procuro mostrar a região sob o prisma do povo amazônico, seu cotidiano e o esforço para conjugar a preservação da floresta com o desenvolvimento sustentado”, diz o fotógrafo.
Embora seja um livro de fotos, José Pinto colheu para a obra mais de 250 depoimentos sobre a região, entre poetas, cientistas, escritores, jornalistas, ambientalistas, militares e dirigentes políticos, entre os quais o antropólogo Darcy Ribeiro, o geógrafo Aziz Ab’Szaber, o escritor Rubem Braga, os sertanistas Orlando, Cláudio e Leonardo Villas-Bôas, o bibliófilo José Mindlin, os ex-presidentes Luís Inácio Lula da Silva e Fernando Henrique Cardoso e a presidente Dilma Rousseff.
Desfrutem algumas das fotos magníficas que constarão do livro, selecionadas pela editora de Fotografia de VEJA, Gilda Castral, que confessa: “Sofri muito para escolher algumas em meio a tantas fotos primorosas”.
Não deixe de visitar o belo blog do fotógrafo clicando aqui.
Clique para ver belas fotos na linha acima

Ossatura do peixe gurijuba. Sua bexiga natatória possui propriedades medicinais e aplicações industriais. Ele é tido pelos ribeirinhos como sacramento da presença de Deus Pai nas águas do rio, pois seus ossos lembram Jesus crucificado

O homem amazônico: catador de caranguejos saindo de um manguezal próximo a Belém. Na sua boca, uma “parranga”, ou “porronga” – um cigarro de maconha do tamanho de um charuto


Casa de ribeirinhos às margens do Rio Amazonas, cercanias de Macapá

Sítio de mineração desativado. O homem passou por aqui, e deixou veias abertas. Serra do Manganês (AP) (Foto: José Pinto)
O sertanista Orlando Villas-Bôas, em sua casa em São Paulo, em 2001. Orlando e seus irmãos Cláudio e Leonardo, segundo José Pinto, “estão eternizados nos murmúrios dos rios, das cachoeiras, na generosidade das chuvas”

Mãe indígena amamenta o filho, São Gabriel da Cachoeira (AM)
A cabocla e os filhos sorriem depois de recolher doações lançadas pelos viajantes do barco “Bom Jesus”, navegando pelo rio Salvadorzinho entre Belém e Macapá

O mimetismo é a forma de proteção da borboleta contra os predadores. Cercanias de Manaus
Vitória-Régia, Manaus
Festa folclórica do Boi-Galheiro, cercanias de Vigia (PA)
Família de ribeirinhos, liderada pela matriarca Gregória, chegam à sua residência, Ananindeua (PA)
A ribeirinha Gregória e a família em sua residência, Ananindeua
Uma das filhas da matriarca Gregória, grávida do garoto Douglas, rio Caraparu (PA)
O garoto Douglas, agora com 6 anos, puxa a canoa, rio Caraparu
Garoto guarani em algum ponto do Pará
A Floresta em Chamas. Uma fusão digital de imagens que mostra um jacaré consumido pelo fogo. A criação do artista não rivaliza com a realidade


Tags: Acre, Amapá, Amazonas, Amazônia, Ananindeua, Belém, Boi-Galheiro, Bragança, Cipós retorcidos, fotos, jacaré, José Pinto, Macapá, Mangueira, manguezal, Mercado Ver-o-Peso, mimetismo, Museu Emílio Goeldi, Orlando Villas Bôas, Ossatura do peixe Gurijuba, Pará, Parranga, Rio Amazonas, Samaumeira, São Gabriel da Cachoeira, Serra do Manganez, Teatro da Paz, Tracajá, Vigia, Vitória-Régia

Reproduzido pelo Blog do Ademir Rocha, de Abaetetuba/PA

Réquiem Pelas Místicas Samaumeiras de Abaetetuba?

Leia Sobre a Importância da Mística Árvore Samaumeira
Samaúma - a Rainha da Floresta
by Elma Carneiro 13:02  

Manifesto: clique no selo

"Se houver clareza na alma,
haverá beleza na pessoa.
Se houver beleza na pessoa,
haverá harmonia na casa.
Se houver harmonia na casa,
haverá ordem na nação.
Se houver ordem na nação,
haverá paz no mundo."

Provérbio Chinês
Reproduzido pelo Blog do Ademir Rocha, de Abaetetuba/PA

03 setembro 2008

A Grande Samaumeira dos Índios Ticunas 

Samaumeira é o nome desta grande árvore que fotografei apenas por encantamento. Se conhecesse a história, talvez tivesse feito fotos melhores... ou me perdido por lá. A grande samaumeira dos índios ticunas é parte de uma lenda belíssima que fala de resistência e imortalidade. Para os índios, as árvores desepenhavam papel fundamental no universo. Os galhos fortes da gigantesca samaumeira, por exemplo, sustentavam o céu com todos os seus astros . A lenda sobre essa árvore soberba pode ser lida numa obra de 1985, escrita pelos próprios ticunas e publicada pelo Museu Nacional (RJ) . O livro, chamado
Nosso Povo, narra a lenda que conta como apareceu o dia e a história do coração da samaumeira. Quase ninguém com quem falei aqui em Belém sabia sequer o nome da árvore, que dirá a história mítica e linda que ela guarda. Alguns ainda disseram: " é uma árvore centenária que todo mundo diz que tem coração". Como fomos aprender tanto sobre minotauros e medéias e não conhecíamos o coração da samaumeira que sustenta o firmamento e que ainda hoje nos contempla em sua altivez, no meio de uma floresta que o mundo inteiro conhece? Precisamos descobrir o Brasil, antes que os aventureiros lancem mão. E faço a minha pequena parte, postando o resultado da pesquisa para saber que árvore maravilhosa era aquela.

Lendas desconhecidas de uma terra chamada Brasil 

Como apareceu o dia. Naquele tempo era sempre noite. Os galhos da samaumeira cobriam o mundo, escurecendo tudo. Os irmãos Yoi e Ipi tentaram abrir um buraco na copa da árvore, jogando-lhe caroços de araratucupi, mas sem resultado. Chamaram o pica-pau, que tentou cortar o tronco com o bico, mas não conseguiu. Resolveram então tirar o machado da cutia. Ipi colou penas em todo o corpo e ficou deitado de boca aberta no caminho da cutia. A cutia estranhou a figura que encontrou no caminho e começou a fazer-lhe perguntas. Como Ipi não respondesse, ameaçou urinar na boca dele, cortar-lhe a língua, até que ele respondeu, dizendo que podia arrancá-la. Ela se aproximou e Ipi arrancou-lhe a paleta, a perna de trás, que era o seu machado. A cutia perseguiu Ipi mancando e gritou-lhe que, quando fizesse roça, não dissesse o nome dela, e que ela iria cobrar-lhe o roubo, furtando nas roças que fizesse. É o que a cutia faz até hoje. A cutia não pode mais plantar. Só cutia pequena ainda tem o machado. De posse do machado, Ipi começou a cortar a árvore. Mas o corte se tornava a fechar. Yoi então tentou cortar e, onde ele batia, o corte se mantinha aberto. Quando se cansou, entregou o machado a Ipi, que continuou a cortar, mas agora o corte não se fechava mais. Apesar de o tronco estar bem fino, a árvore não caía. Olhando para cima, viram que era uma preguiça que a segurava. O quatipuru, convidado para subir e tirar a mão da perguiça do galho, foi até a metade e desceu, com medo da altura. O quatipuru pequeno aceitou subir com formigas de fogo para jogar nos olhos da preguiça. Ele subiu e conseguiu atingir os olhos da preguiça. Deu então um pulo para trás e caiu, machucando o rabo no machado. Por isso o quatipuruzinho tem o rabo dobrado nas costas. A samaumeira caiu, e daí por diante se pôde ver o sol, o céu, as estrelas. Como recompensa, Yoi e Ipoi deram sua irmã para casar com o quatipuruzinho. 

O coração da samaumeira. Depois de algum tempo, Ipi foi até a árvore derrubada para ver se já tinha apodrecido. Mas ela estava viva e tinha começado a brotar de novo. Ipi ouviu batidas de coração e resolveu tirá-lo. E começou a cortar com o machado. Ipi e Yoi disputavam o machado, cada qual querendo a tarefa de tirar o coração da samaumeira. Finalmente um golpe de Yoi fez o coração pular fora. Um calango o engoliu e ele ficou parado na garganta. Ipi encostou um tição na garganta do calango e o coração pulou fora. Mas uma grande borboleta azul engoliu o coração. Ipi queimou a asa da borboleta com o mesmo tição e ela vomitou. Por isso as borboletas azuis de hoje têm manchas na asa. O coração caiu num buraco muito apertado. Yoi então mandou a cotia roer o coração pelo lado direito, trazer o caroço e plantar no terreiro. Passado algum tempo, daí nasceu a árvore de umari. 

O mito da grande samaumeira e o de seu coração também estão divulgados em O Livro das Árvores (Benjamin Constant: OGPTB, 1997), um volume escrito e ilustrado pelos professores indígenas ticunas, que trata da importância das árvores na vida e cultura de seu povo. Entre as suas muitas ilustrações, há um desenho da árvore Tchaparane, que produzia terçados. Ela ficava em Cujaru, um lugar perto do rio Jacurapá, e as pessoas iam até lá e esperavam que caíssem no chão.
Fonte: http://www.geocities.com/RainForest/Jungle/6885/mitos/m08arvor.htm
Sobre os Ticunas
Os Ticunas constituem, hoje, a maior nação indígena do Brasil com mais de 32 mil pessoas. Eles são encontrados também na Colômbia e no Peru. No Brasil, estão localizados no estado do Amazonas, ao longo do rio Solimões, em terras dos municípios de Benjamin Constant, Tabatinga, São Paulo de Olivença, Amaturá, Santo Antônio do Içá, Fonte Boa, Anamã e Beruri. Os Ticunas falam uma língua considerada isolada, que não mantém semelhança com nenhuma outra língua indígena. Sua característica principal é o uso de diferentes alturas na voz, peculiaridade que a classifica como uma língua tonal. Os Ticuna estão organizados em clãs, ou "nações", agrupados em metades, que regulam os casamentos. Membros de uma metade devem casar-se com pessoas da metade oposta, e seus filhos herdam o clã do pai. Numa das metades agrupam-se os clãs com nomes de aves: mutum, maguari, arara, japó etc. Na outra metade estão os clãs que possuem nomes de plantas e de animais, como o buriti, jenipapo, avaí, onça, saúva.
O texto completo sobre os índios ticuna pode ser visto no site http://www.rosanevolpatto.trd.br/ticuna1.htm

Blog do Ademir Rocha, de Abaetetuba/PA

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