Mapa de visitantes

terça-feira, 14 de outubro de 2014

Marajó - Viagem Histórico-Cultural e Ecoturística ao Marajó

Viagem Histórico-Cultural e Ecoturística ao Marajó


Fonte das fotos acima: Marajó Forte

O Descaso Histórico e Ambiental Para Com o Baixo Tocantins e Região do Marajó
Pesquisas em várias fontes: livros, internet e blogs
Fotos: Internet, Marivaldo Sena e do autor do Blog do Ademir Rocha
Os textos desta postagem foram extraídos de nossas postagens anteriores e agora acrescidas de novas pesquisas sobre a História e o Meio Ambiente no Baixo Tocantins, Marajó e outras partes do grande Estuário Amazônico e esta nova postagem receberá as nossas impressões de viagem Histórico-Cultural e Ecoturística ao Marajó, especificamente para os municípios de Salvaterra e Soure.
O Baixo Tocantins e o Marajó são regiões vizinhas e praticamente com a mesma cultura e costumes, dado as condições de regiões ribeirinhas. Essas regiões fazem parte do Sistema Deltáico-Estuarino Amazônico e, particularmente, do Estuário Tocantino. Ambos já foram detentores de ricos sistemas florestais e fluviais que abrigavam uma abundante e rica diversidade de espécies da Flora e Fauna em seus característicos e belos sistemas fluvio-marinhos e sistemas florestais de terra-firme. Atualmente ainda possuem uma rica variedade de sistemas naturais, mas, pode-se dizer, muito mais empobrecida pela caça e pesca predatória, extrativismo desenfreado, derrubada de sistemas florestais típicos, exploração sem critérios dos recursos naturais, sem falar da poluição que afeta nossas águas fluviais. E poucos se juntam para preservar daquilo que ainda nos resta de riquezas naturais, dado que estamos situados em um grande sistema deltáico-estuarino que não recebe nenhum tipo de investimento ecoturístico e agro-industrial. Também nossas regiões do Marajó e Baixo Tocantins, junto com as regiões do Salgado, Guajarina, Bragantina, Baixo Amazonas, Xingu e do sistema Araguaia-Tocantins foram o palco da colonização do Pará pelos portugueses e, por isso, berço da História do Pará desde o Século 16. São muitos os traços remanescentes da rica Arquitetura e Cultura dos ciclos históricos pelos quais passaram os antigos povos indígenas dessas regiões, que vieram se juntar aos traços do povo negro vindo da África, de imigrantes árabes e judeus e dos povos europeus, especialmente dos portugueses, que deixaram rastros de sua história e cultura por todas as regiões acima citadas. Mas a mesma hitória foi implacável contra os antigos habitantes naturais do grande Complexo Deltaico-Estuarino Amazônico e de outras regiões, como também foi igualmente triste e destrutiva a sede com que investiram contra os recursos naturais que abasteceram a capital, Santa Maria do Grão-Pará e que também eram exportados em grandes quantidades para a Europa e Estados Unidos a partir do Período Colonial, passando para o Período Provincial e chegando essa exploração até o Período Republicano de nossa História. Igualmente triste foi o modo de se escrever essa História, que sempre pendia e até mesmo era manipulada em favor do ponto de vista dos colonizadores, enquanto que os colonizados ficaram com a pecha negativa de selvagens sem alma, negros da senzala e mestiços sem direitos.
Porém, grande parte da História do Pará foi escrita por esses mesmos povos renegados, mas a História teima em não reconhecer e promover os povos das regiões do Baixo Tocantins, Marajó, Baixo Amazonas, Salgado, Bragantina, Xingu e Araguaia-Tocantins, cujas áreas e riquezas são exploradas para o desenvolvimento de outras regiões, ficando o Pará com a pobreza, os buracos da extração mineral, as áreas devastadas para a implantação de projetos transnacionais do agro-negócio e o volume e força dos rios explorados para a implantação de projetos hidrelétricos, restando para o Pará a pobreza os seus problemas sociais, que teimam em subsistir, contando com a conivência eleitoreira de nossos governantes.
Fotos de Marivaldo Sena e Ademir Rocha
 O céu, as nuvens, as matas, as águas e o homem em suas variadas atividades
se juntam para compor os vários cenários nas localidades marajoaras
 A Pousada dos Guarás é um recante de lazer prazeroso, mas faltaram os guarás e
outras aves em nossa viagem, que talvez estejam esperando as safras de peixes, 
crustáceos e outros mariscos para aparecer. 
Nos períodos colonial, provincial e nas primeiras décadas do Período republicano, 
o Marajó se destacava pela suas fazendas de bois que sustentavam de carne a Capital
da Província do Pará e demais municípios e junto com a carne bovina, outros produtos como peixes e outros do extrativismo animal e vegetal. O touro, em várias espécies, chegaram ao
Marajó, se adaptaram muito bem e agora numerosas fazendas de touros se dedicam ao comércio
de carne de búfalo, queijo e outros produtos vindos desses animais. O touro da foto 
acima é usado como montaria no lazer dos hóspedes das pousadas e eles estão presentes
em muitas outras atividades marajoaras. Além dos búfalos das fazendas, dos búfalos
mansos das atividades humanas, existem outros milhares de búfalos selvagens habitando
as matas e alagados marajoaras. Dizem que a população desses animais é composta de
mais de 500 mil búfalos. Bois ainda existem, mas estão perdendo terreno para os
búfalos

O Marajó já ostentou grandes rebanhos de bois e cavalos e foi, durante os
períodos Colonial, Provincial e grande parte do Período Republicano, um
dos maiores fornecedores de carne frescas, salgadas e bois vivos para a 
Capital, Belém e outras localidades ribeirinhas do Baixo Tocantins. Os 
Missionários Jesuítas chegaram a possuir fazendas com mais de 200 mil
cabeças de gado do tipo "pé duro". Além disso, foi também um dos maiores
fornecedores de fardos de peixes de muitos tipos, borracha e outros tipos
de produtos vindos do extrativismo nos mesmos períodos históricos do
Pará

 
 Como ambientalista chamamos a atenção para a preservação dos
elementos da flora e fauna e recursos naturais, que precisam ser
explorados de modo sustentável. Os peixes tralhotos, das fotos
acima, são animais estigmatizados, pois as pessoas e crianças
costumam apedrejá-los nos banhados marajoaras ou seu habitat
em outras regiões onde eles existem.

 Como Soure e Salvaterra possuem belas praias espalhadas por várias
partes desses municípios marajoaras, precisam de barcos e pontes para as
travessias em busca de lazer como os barquinhos motorizados, balsas, rabetas e
pontes nessas travessias. Como os governantes do Pará não têm muito
carinho para com o turismo paraense, são os empreendedores e trabalhadores
que precisam dotar as localidades turísticas com alguma precária infraestrutura.
O Marajó também está esperando os investimentos e serviços governamentais
para ajudar a região a sair dos piores índices de pobreza do Estado do Pará, onde
Soure e Salvaterra se destacam positivamente em relação a alguns desses índices

Os cenários marajoaras são lindos, até mesmo nos momentos do
anúncio das chuvas
E o Blog do Ademir Rocha vem se juntar ao Blog “gentemarajoara.blogspot.com”, de José Varella Pereira, que pugna pelo desenvolmento do Marajó e de outros poucos jornalistas e blogueiros que sabem que nossa rica História-Cultura e Meio Ambiente devem ser preservado e que investimentos devem ser feitos no sentido do desenvolvimento de nossas regiões, levando em conta nossas peculiaridades históricas, ecônômicas, culturais e ambientais e sem imposição de culturas importadas de outros estados e até paises. Temos riquezas para serem preservadas em todos os segmentos humanos, sociais, étnicos, culturais e ambientais. É nesse sentido que também escrevemos e visitamos algumas localidades, como foi o caso da viagem que fizemos ao Marajó, onde vimos o descaso com a história, a cultura, sistemas naturais, a exploração sustentável e, como também observamos riquezas naturais, culturais e humanas ali existentes relegadas ao abandono de nossas autoridades estaduais e federais. Tivemos o cuidado de anotar muitos pontos desses aspectos e confrontar com o que já escrevemos sobre o Marajó, em sua parte por nós visitada.
O Que Já Pesquisamos e Escrevemos Sobre a Região Marajoara
Escrevemos vários textos sobre o Sistema Deltáico-Estuarino Amazônico, cujos rios Pará, Tocantins e Amazonas e ainda o as áreas do Baixo Tocantins e do Arquipélago do Marajó são como que o coração desse grande Estuário. Vejamos alguns pontos desses textos.
Definição de Estuário
Segundo a definição clássica um estuário é um corpo de água semi-confinada que tem ligação com o mar e onde ocorre a mistura das águas marinhas e fluviais, estas últimas provenientes da drenagem (escoamento) das águas das terras. Pela nossa condição de ambientalista, reforçamos o entendimento do Estuário Amazônico, dizendo que do ponto de vista da Ecologia e da Oceanografia, um Estuário é uma região semi-fechada do oceano e influenciada pelas descargas de água doce de terra, quer seja um ou mais rios, ou apenas da drenagem do continente. No Estuário, o rio se mistura com o mar através de vários canais ou braços do Delta (que é o que acontece no Baixo Tocantins e na região do Marajó, que chamamos de Estuário Tocantino). Um estuário é geralmente uma região com um elevado número de recursos naturais, estes na forma de flora e fauna, associados a uma grande quantidade de corpos d´água e áreas florestais. A definição de Estuário é mais abrangente, incluindo o trecho inferior do rio onde o escoamento é afetado tanto pela vazão fluvial como também pela propagação da maré. A fronteira rio-estuário não permanece fixa no tempo, mas apresenta variações de posição em função da variação dos parâmetros que caracterizam a maré e o escoamento fluvial. Delta e estuário podem ser confundidos como ambientes diferentes. No caso do Estuário Amazônico, trata-se de um estuário do tipo misto, onde existem os deltas e os estuários, onde o rio se mistura com o mar através de vários canais ou braços do Delta. Portanto, no caso do Delta Amazônico, este pode considerar-se também uma Região Estuarina, daí o nome que damos de Sistema Deltáico-Estuarino Amazônico. O Delta Interno do Estuário Amazônico apresenta cerca de 380 km de largura, cobrindo uma área triangular de cerca de 85.500 Km. É nesse grande Estuário Amazônico que é projetado no Oceano Atlântico uma grande massa de água doce do Rio Amazonas, incluindo um grande volume de argila e outros materiais misturados às águas das drenagens.

 Rios, barcos, matas, animais fazem parte dos cenários marajoaras
As matas já estão em uma crítica fase de vegetação terciária
Ruas de Soure



 Igreja Matriz de Soure
Soure é uma antiga cidade do Marajó, vinda dos antigos aldeamentos de índios
marajoaras, que possui um belo traçado de ruas largas e longas no seu centro e com uma bela
orla devidamente calçada e com um anfiteatro e belos locais para os entretenimentos e restaurantes
com comidas marajoaras ou outros pratos do Pará. Precisa apenas da ajuda do governo estadual
e de uma boa gestão municipal que a deixe devidamente preparada para receber os turistas que
lá aportam, vindos de várias partes do Pará e Brasil.
Praias e recantos de lazer em Soure e Salvaterra

 As praias de Salvaterra e Soure são muito grandes e bonitas, algumas resultantes do
rítmos das marés do Rio Pará e com influência do Oceano Atlântico, como as das fotos
acima
 Os búfalos se adaptaram muito bem no Marajó, onde aproveitam os banhados
para se refrescar do forte calor e agora fazem parte do cenário marajoara
 Uma vista do Rio Pará e ao fundo o Oceano Atlântico, este influenciando as massas
d'água do Estuário Amazônico, especialmente o Rio Pará e a Baía do Marajó
 O cenário do contraste entre a areia amarela da praia e o céu azul

 Rua arborizada com mangueiras em Soure
Parte da Pousada dos Guarás

Foz e Ilhas do Sistema Deltáico-Estuarino
A foz ou Desembocadura é o local onde um corpo de água fluente, como um rio, deságua em outro corpo de água que pode ser outro rio, um grande lago, uma lagoa, um mar, ou mesmo o oceano.  Ou Foz ou Desembocadura (desague), é a denominação do local onde há descargas de água doce corrente, como um rio. Quando o desague se dá de forma capilar, com vários braços, ramificados, formando ilhas, denominamos de Delta. A foz em delta, é caracterizada pelo alargamento do leito, formando uma espécie de triângulo (daí o nome Delta), tendo em seus lados as duas margens do rio e o limite com local onde ocorre a desembocadura. Neste tipo de foz, frequentemente, forma-se porções de terra na forma de ilhotas no centro do triângulo. Vê-se que o rio de nosso interesse, o Rio Amazonas, possui foz em delta. Quando coexistem esses dois tipos de fozes, chamamos de Mista, que é o caso do grande Estuário Amazônico. Foz Mista, com muitas ilhas e larga, como é o caso da foz do Rio Amazonas.
O Estuário Amazônico apresenta agrupamentos de ilhas, desde a embocadura do Rio Xingu e ilhas Urucuricália e Grande Gurupá, e esses conjuntos insulares do largo Estuário Amazônico, como as Ilhas insulares do tampão deltaico estuarino de Gurupá-Queimada, com a presença de ilhas de porte mediano e pequeno, que ficam espremidas entre a Baía do Vieira Grande, Canal Sul e o Canal Norte e as Ilhas insulares dos subdeltas situados entre os rios Jacaré e Anajás-Charapucu, à oeste e nordeste do Marajó e ainda as Ilhas insulares frontais dos baixios de Belém-Marajó, com a presença das planícies inundáveis costeiras e a banda de manguezais de todo o arquipélago estuarino. Existem também as Ilhas desde a Ponta de Pedras até Salvaterra, na margem leste do Marajó e as Ilhas rasas de fundo de estuários existentes no interior da Boca Norte do Rio Amazonas, entre o Amapá e Marajó, com um Delta tampão entre o Marajó-Portel e Baía das Bocas. O Estreito de Breves corresponde a um tampão deltaico que assoreou um canal largo que interligava o Rio Amazonas com o Estuário do Rio Pará (Baia de Guajará). As planícies alagáveis, os lagos e tesos (áreas de terras firmes centrais) se estendem desde o rebordo central do conjunto de Anajás até o Canal Sul e o Litoral Atlântico, com área de sedimentação rica em manguezais.
Massas d´’Agua do Complexo Deltáico-Estuarino Amazônico
A “Baía das Bocas” que é a nomenclatura popular da Região (que designava a transição entre os rios do Estuário Amazônico e a largura da Baia de Guajará-Rio Pará) e a “Baia das Bocas”, é equivalente à identificação da frente de um delta, localizada entre uma ilha e o continente. O Estuário do Rio Pará, que corresponde ao Estuário que fica entre a região de Belém e a costa Sul-Sudeste da Ilha do Marajó e a Baía do Marajó, que resulta do contínuo estuarino que se inicia na Baía das Bocas, prossegue pelo Rio Pará, área em que recebe toda a massa de águas do Rio Tocantins e inclui uma pequena baía frente a Belém, à altura do despejo d’água dos rios Guamá-Moju-Acará-Capim, passando a alongada boca do complexo estuarino terminal. Logo, da Baía das Bocas até a frente da Baía de Marajó são 300 km de extensão. O fundo do Estuário do Rio Pará, se estende da Baía das Bocas até as proximidades de Curralinho e daí segue até a região que antecede a Foz do Rio Tocantins, onde existem estrangulamentos devido a presença de ilhas e canais. O volume de águas jogadas pelo Rio Tocantins no Estuário do Rio Pará e Baía do Marajó, deve-se aos mais de 23 km de largura que o Rio Tocantins apresenta em sua foz (desembocadura).
 A bela orla de Soure à noite
 Prédios que ainda lembram a antiga arquitetura do Pará

 Solitário barquinho de pesca sob o impacto das ondas do mar

 Esta casinha foi construída artesanalmente com materiais do extrativismo marajoara




 Nos cenários da Vila de Joanes não podem faltar praias, matas, pedras
e o céu azul
Povos
O Pará, além dos nativos do lugar, recebeu, desde o Período Colonial (1615 em diante), passando pelo Período Provincial (desde 1822 e até o início do Período Republicano (a partir de 1889), uma elevada quantidade de imigrantes portugueses, espanhóis, japoneses e brasileiros de outros estados, como os cearenses, durante o Ciclo da Borracha e construção da Estrada de Ferro de Bragança, e mais recentemente, os maranhenses, estes ajudando a povoar o Sudeste e Sudoeste do Estado do Pará. Os primeiros imigrantes em contato com as populações nativa local e com o povo negro escravo, iniciaram a miscigenação que resultou  numa característica população de povos com diferentes matizes étnicos. A maioria da população miscigenada é a caracterizada como parda, devido à grande herança genética indígena e, em menor parcela, africana, que resultaram no seguinte esquema racial: Pardos, 73,0%; Brancos, 23,8%; Negros, 3,5% e Amarelos ou indígenas, 0,6%.
Os Povos Indígenas no Estuário Tocantino
Outro impacto do Estuário Amazônico foi o das antigas populações indígenas do Pará habitantes das planícies e das populações indígenas das margens dos rios, onde muitas nações indígenas guerreiras foram quase que totalmente dizimadas ou feitas prisioneiras pela política de colonização portuguesa no Pará já a partir do Período Colonial iniciado em 1616. No Século 17 a nação indígena dos Tupinambás do Pará, já estava quase totalmente dizimada pelos antigos capitães-generais do Grão-Pará. E os indígenas descidos do Xingu e Tocantins junto com muitos índios da Ilha do Marajó vieram ajudar a formar as povoações do Baixo Tocantins. A mesma sorte e destino da nação guerreira dos índios Tupinambás tiveram os índios das tribos abaixo, motivados pelas seguidas guerras, expatriações ou transportações/descimentos, por decisões arbitrárias dos antigos capitães dos índios da Província do Pará: Poquiguaras, Amanajás, Apinagés e outras tribos menos numerosas
Sistemas e Biodiversidade Estuarinos Amazônicos
No Estuário, a floresta encontra-se parcialmente inundada, devido os períodos de enchentes e vazantes, e os ecossistemas de várzeas, manguezais e terra firme possuem uma enorme variedade de seres vivos e outros recursos cuja exploração teve início com a ocupação das áreas estuarinas no Período Colonial do Pará, que é uma enorme área, composta pelas embocaduras dos rios Amazonas e Tocantins, cuja biodiversidade apresentava altas taxas de vida marinha e fluvial. É ainda a zona de contato da água doce com a água salgada, em dinâmica importante para a vida no Estuário, onde os recursos de água doce se alternam com os do mar. A densidade da ocupação dessa região deve-se em especial à proximidade da cidade de Belém, em torno da qual foi lentamente se organizando a economia e a sociedade, desde o período colonial, com suas freguesias rurais, muitas dando origem às cidades ribeirinhas, que é o caso das cidades da Microrregião de Cametá, da Região do Marajó e outras microrregiões vizinhas.
Dentre os ambientes que integram os ecossistemas estuarinos amazônicos, estão os rios, os igarapés, as florestas, a várzea, as baías, as ilhas com suas praias, os campos alagados, todos com suas especificidades ambientais e sociais. O Estuário Tocantino era berço de grande biodiversidade, dada à complexidade dos ecossistemas, onde as populações indígenas, ribeirinhas ou urbanas, viveram historicamente uma economia baseada nos recursos florestais e aquáticos ali presentes e abundantes em suas dezenas de ilhas e rios espalhados nas proximidades de sua maior ilha, a do Marajó (Região das Ilhas do Pará), que causava surpresa e admiração por tantos que por ali passaram através dos séculos, pela exuberância da floresta, das águas. Próximos à sua embocadura e em todo o Estuário formado pelo rio e seus afluentes, pelas ilhas, lagos, furos e igarapés, os grupos sociais espalharam-se, dominaram os territórios e sobreviveram graças aos conhecimentos adquiridos através dos tempos. Os habitantes desse local são conhecidos como ribeirinhos, mestiços em sua etnia, que vivem da extração e manejo dos recursos florestais e aquáticos, bem como da agricultura em pequena escala e muitos de seus conhecimentos sobre os recursos naturais foram adquiridos dos seus antepassados indígenas, que utilizavam as florestas de várzea como fonte de alimento e moradia desde a época Pré-Histórica.
Grande parte dos recursos naturais do Estuário Amazônico se encontra em período crítico de extinção devido à superexploração feita de modo não sustentável, empírico e em desacordo com as modernas técnicas de manejos de espécies florestais, animais e da agricultura, como também pela exploração predatória dos demais recursos advindos das águas e florestas. Culturas tradicionais como arroz, milho, feijão, mandioca, cana-de-açúcar existentes nas regiões das Ilhas e Colônias do Baixo Tocantins já estão em franca decadência, junto com  as produções oleiras, madeireiras e a coleta de frutas, fibras, sementes oleaginosas que perderam competividade para os produtos vindos de outras regiões do Brasil. A caça e pesca são atividades que também perderam espaços pela falta das espécies que antigamente existiam em grande quantidade pelos rios e florestas do Estuário, inclusive pela extinção das mais valiosas espécies e escassez de outras que outrora se faziam abundantes pelos ecossistemas do Estuário.
O Sistema Estuarino Como Ambiente Ecológico
Algumas aves do Marajó em fotos de Marivaldo Sena











Pelo período que estivemos no Marajó, em Soure e Salvaterra, 
não vimos muitas aves dos tipos marinhas, pernaltas, costeiras
e outros tipos de aves de matas e canoras
Mangue é um ambiente costeiro, de transição entre ambientes terrestre e marinho, encontrado apenas em regiões tropicais e subtropicais. Saiba que o manguezal é um ecossistema complexo e muito produtivo. Ele está sujeito ao regime das marés, cercado de vegetais típicos (muitas vezes difíceis ou impossíveis de se criar em cativeiro), que estão associados a outros componentes animais. Muitos animais migram para essas áreas pelo menos em uma fase do ciclo de sua vida e outros permanecem a vida inteira nesses locais, como no caso dos crustáceos amazônicos. O manguezal suporta uma enorme variedade de animais, tanto terrestres como aquáticos, como peixes, mamíferos, cobras e muitos pássaros que são facilmente encontrados devido à infinidade de espécies de peixes, caracóis e pequenos crustáceos que lhes servem em sua alimentação.
Os rios Amazonas e Tocantins deságuam na costa do Estado do Pará, onde formam a Foz Amazônica. Nessa região, acontece um período chuvoso no primeiro semestre do ano, de fevereiro a abril, o qual é caracterizado pelo aumento da descarga dos rios e um período menos chuvoso do ano, entre os meses de agosto a outubro. No segundo semestre ocorre o período com menos intensidade de chuvas, com a consequente aproximação das águas salgadas em relação à costa. Os períodos de chuvas e secas são fundamentais para a explosão de vida no Estuário Amazônico.
Devido a dinâmica das águas associada à vegetação de suas margens (mangues), havia uma proporção de desenvolvimento exuberante da fauna, tanto terrestre como aquática, tendo as aves no topo da cadeia alimentar. E as aves possuem um grande poder de ingestão de outros seres vivos, como peixes e mariscos, sendo assim, as aves são excelentes bio-indicadores, mostrando como está a saúde de determinado Estuário. Pela ausência das inúmeras espécies de aves em pontos do Estuário Amazônico, acreditamos que esse estuário não está com boa saúde.
Os estuários apresentam características ambientais únicas, que resultam em elevada produtividade biológica, desempenhando papéis ecológicos de grande importância como  habitate vital para inúmeras espécies; são pontos de passagem para espécies migratórias entre o meio marinho e fluvial; presença de uma fauna comercial primária, entre os quais podemos citar as ostras, camarões, siris, caranguejos, peixes, mamíferos.
Os peixes, aves, crustáceos, mamíferos, quelônios, jacarés que outrora existiam em grande quantidade pelas áreas estuarinas amazônicas, começaram a sofrer grandes explorações já a partir do Período Colonial do Pará, processo que continuou no Período Provincial e na Era Republicana e que continua até os tempos atuais.
As atividades pesqueira, extrativista e de caça nesses períodos não foram processos pacíficos, com o homem se utilizando de processos predatórios na  captura de espécies,  acarretando a  mortandade e destruição de muitos ecossistemas fluviais e marinhos de importância para a manutenção dos estoques animais largamente utilizados na dieta alimentar dos povos ribeirinhos das áreas estuarinas amazônicas.
Para contribuir com a destruição dos ecossistemas fluviais e marinhos vieram a construções dos portos, de grandes projetos minerais, de grandes hidrelétricas, da implantação de grandes projetos do agro-negócio, derrubadas de florestas e destruição de manguezais, da pesca predatória de indústrias pesqueiras, que ajudaram na destruição de muitos ecossistemas que levaram sensivelmente a escassez, não só das espécies fluviais e marinhas, como das demais espécies existentes nos ecossistemas florestais dos entornos das vias fluviais e marinhas do Estuário Amazônico.
O fato agora é que uma dieta baseada nos recursos animais das áreas estuarinas amazônicas está se tornando cada vez mais difícil e cara, portanto longe do poder aquisitivo das tradicionais populações ribeirinhas das áreas do Estuário.
O Complexo Deltaico-Estuarino Amazônico, com os ecossistemas das terras firmes e os  ecossistemas das planícies inundáveis, que antes eram abundantes em recursos naturais de importâncias econômicas, entre as quais madeiras, frutas, palmito, lenha, fibras e borracha, e sem políticas públicas adequadas para a exploração atual e racional desses recursos, que ainda existem em menor quantidade que em épocas passadas, está seriamente ameaçado pelos grandes e variados projetos já implantados e a implantar, como são os grandes portos e projetos hidrelétricos nos rios amazônicos. Apesar de tantas riquezas geradas e projetos implantados, muitos aglomerados populacionais do Baixo Tocantins e Marajó são do rol dos mais pobres da Amazônia, que estão completamente esquecidos pelos administradores do Pará e Brasil.
O Mundo das Águas no Pará
As águas inundam a vida das populações do Pará, onde o rio as aproxima, alimenta e se torna espaço de lazer, contemplação poética e quintal de lendas: Iara, Boto, Cobra Grande, Curupira, Matinta Perera, Pretinhos e sabe-se lá quantas outras. O rio é a vida e às vezes a morte dessas populações. Numa parte do ano, ele invade ruas, casas, roças e pastos, chegando, em algumas regiões, a causar danos materiais. Noutra época do ano, recua e forma belas praias.
Nas regiões marcadas pela realidade do Estuário, caso do Baixo Tocantins e Marajó, a oscilação de seis em seis horas dos rios (maré) condiciona a vida das populações, tendo o pôr-do-sol como uma pintura do dia-a-dia e as marés como condicionantes de modo de vida.
O Rio Pará e a Baía de Marapatá são nomes escondidos atrás de outras realidades fluviais (raramente aparecem nos mapas da região, substituídos pelos nomes dos rio Tocantins, Pará ou Baía de Marajó e o inverso também vale). Trecho alargado do rio Tocantins se confunde com a Baía de Marapatá e Rio Pará se confunde também com a Baía de Marapatá. A Baía de Marapatá ainda é chamada de Baía do Tocantins. O próprio Rio Pará é considerado um Paraná ligando o Rio Amazonas ao Rio Tocantins. E o trecho alargado do Rio Pará forma também a Baía de Guajará na frente de Belém/Pa. No fundo, nem os ribeirinhos entrevistados sabem explicar essas realidades fluviais.
Rio Pará
Nasce na região das Ilhas do Pará e deságua entre o Cabo Maguari e a Ponta de Curuçá no Oceano Atlântico e é um dos principais formadores da Baía do Marajó. Através do estreito de Breves, une-se ao rio Amazonas, separando a ilha do Marajó do continente.
Divide Abaetetuba dos municípios de Muaná e Ponta de Pedras, que é o limite natural sul da Ilha de Marajó. Considera-se que o Rio Pará é o braço do Rio Amazonas que corre ao sul da Ilha de Marajó, recebendo as águas do Tocantins. A continuação do Rio Amazonas seria apenas o canal norte, que corre a oeste da ilha, banhando a cidade de Macapá. O Rio Pará, por sua vez, banharia a cidade de Belém. Apesar de popularmente considerado, o Rio Pará não é efetivamente um rio, mas um paraná (canal natural) do Amazonas.
 Belo cenário da praia marajoara
Areias branquinhas como que formando ondas

Rio Tocantins
É afluente da margem esquerda do rio Amazonas, nasce no Planalto de Goiás pela junção dos rios Paraná e Maranhão, percorrendo uma extensão de 2.400 km, banhando os estados de Goiás, Tocantins (divindo-o do Maranhão) e Pará, até desaguar na Baía de Marapatá (Rio Pará), na foz do Amazonas às proximidades da cidade de Belém, onde desemboca suas águas. É um dos mais importantes rios do Brasil e, junto com o rio Araguaia, forma a maior bacia hidrográfica inteiramente situada em território brasileiro.
Seu curso é dividido em Alto Tocantins, que vai das nascentes até a Cachoeira de Lajeado, numa extensão de 1.060km, onde forma a usina de Serra da Mesa e, logo abaixo, a usina de Canabrava; Médio Tocantins, que vai da Cachoeira de Lajeado até a Cachoeira de Itaboca, numa extensão de 980km, e Baixo Tocantins, que vai da Cachoeira de Itaboca  até a foz (desembocadura), numa extensão de 360 km, onde situa-se  a Hidrelétrica de Tucuruí/PA, a 2ª maior do país, que abastece os projetos de mineração da Serra de Carajás e da Albrás/Alunorte no Baixo Tocantins.
O Rio Tocantins (Bico de Papagaio em Tupi), como parte desse complexo estuarino amazônico, se comunica com o Rio Pará, se junta ao Rio Guamá e vai formar a Baía do Guajará e o conjunto fluvial da foz do gigante Rio Amazonas, o qual despeja diariamente milhões de metros cúbicos de água doce no Oceano Atlântico.
O Rio Tocantins é o segundo maior rio totalmente brasileiro (perde apenas para o Rio São Francisco), e também pode ser chamado de Tocantins-Araguaia, após juntar-se ao Rio Araguaia na região do "Bico do Papagaio", que fica localizada entre o Tocantins, o Maranhão e o Pará e pertence ao Estuário do Rio Amazonas.
Ilha do Marajó no Estuário Amazônico
A ilha de Marajó é uma ilha do Estado do Pará, localizada na foz do rio Amazonas no Arquipélago do Marajó (Região das Ilhas). Com uma área de aproximadamente 40.100 km², é a maior ilha flúvio-marínha do mundo. Destaca-se pelos montes artificiais, nomeados tesos, construídos ainda em seu passado pré-colombiano pelos índios locais. A ilha era chamada de Marinatambal pelos indígenas já no século 16, e em tempos coloniais foi denominada como Ilha Grande de Joannes. Outro destaque da ilha é o lugar onde atualmente existe o maior rebanho de búfalos do Brasil com cerca de 600 mil cabeças, que vieram substituir as tradicionais fazendas de gado bovino existentes nos períodos históricos do Pará.
A ilha é composta por 16 municípios paraenses distribuídos em 3 microregiões: Microregião do Arari: Cachoeira do Arari, Chaves, Muaná, Ponta de Pedras, Salvaterra, Santa Cruz do Arari, Soure; Microregião dos Furos de Breves: Afuá, Anajás, Breves, Curralinho, São Sebastião da Boa Vista e Microregião de Portel: Bagre, Gurupá, Melgaço, Portel.
E ao viajar para a Ilha do Marajó fizemos questão de fazer constar de nosso roteiro turístico-cultural uma visita a atual Vila de Joanes, pois esse nome nos leva a uma rica história cujo palco foi a Ilha Grande de Joanes, atual Marajó, e onde nessa vila se enontram as ruínas da Igreja de Nossa Senhora do Rosário, construída em pedras pelos padres.
Na Região do Marajó, devido os extensos campos e campinaranas existentes em várias áreas alagáveis desse arquipélago, se desenvolveu a atividade pecuária, que por muitos séculos abasteceu as praças de Belém e demais praças estuarinas.
A partir da 2ª metade do Século 19 veio o mais importante produto do extrativismo amazônico, a borracha, que determinou o chamado Ciclo da Borracha, período que determinou o avanço econômico do Pará nos cenários nacional e internacional e que envolveu uma enorme quantidade de braços na coleta, preparo, comercialização e exportação da borracha, atividade que alavancou o desenvolvimento de algumas cidades da Amazônia como Belém, Manaus e algumas cidades menores.
As áreas estuarinas do Baixo Tocantins e Marajó são citadas em 1864 como áreas abundantes de peixes de excelente qualidade e de caças abundantes e diversas, que foram objeto da caça e pesca para exportação para o exterior, desde o Período Colonial do Pará.
Os Maiores Produtores de Gado no Marajó no Período Provincial do Pará em 1840: Afuá, Anajás, Santa Cruz do Arari, Breves, Muaná, Soure, Cachoeira do Arari, Chaves, Portel.
A pecuária é citada como atividade econômica nos períodos Colonial, Provincial e início da Era Republicana e é citada na década de 1840, praticada no Estuário Amazônico, especialmente na criação de gado vacum e cavalar nos campos da Ilha do Marajó e outras áreas estuarinas. O gado era o mais rústico possível, pé duro e facilmente adaptável nos campos do Marajó e seus alagados, quando abasteceu por longas décadas o mercado da Capital e dos outros municípios ribeirinhos.
O Meio Ambiente, o Turismo Ecológico e Outras Atividades Econômicas no Estuário
As águas doces, no caso do Estuário do Tocantins e em todo o Estuário Amazônico, são provenientes de rios, igarapés, córregos, enseadas  e baías que fluem até o oceano Atlântico e se misturam com a água salgada do mar.
O Estuário do Tocantins é influenciado pelas marés, porém se encontra protegido das ondas, ventos e tormentas marítimas pelas inúmeras ilhas que atuam como barreiras ou franjas para o terreno, lodo ou areia, que definem a fronteira do Estuário.  A vegetação das terras úmidas também atua como amortecedor natural entre a terra e o oceano, ajudando a aborver as águas das inundações e dissipando as ressacas e isto protege os organismos terrestres, assim como das tormentas e dos danos por inundações. A vegetação dos estuários também ajuda a prevenir a erosão e estabilizar as costas estuarinas. A destruição dessas realidades estuarinas deve-se, como já dissemos, à ação dos homens em seus processos predatórios das riquezas e ambinetes amazônicos.
Com essa proteção os estuários podem servir como habitats para pássaros costeiros e marinhos, peixes, caranguejos, camarões e lagostas, mamíferos marinhos, moluscos e crustáceos, vermes marinhos, répteis quelônios, que são alguns dos animais que vivem dentro e ao redor dos estuários. Alguns estuários no mundo vivem, subsistem ou enriquecem as suas regiões devido o zelo e exploração racional das riquezas que os estuários podem  oferecer nos mais variados aspectos, como turismo (lazer, visitação, etc.), pesca (inclusive a pesca submarina como esporte) e séde de muitos tipos de indústrias autosustentáveis.
Alguns pontos do Estuário servem  para o chamado turismo ecológico (ecoturismo), que atualmente é o maior gerador de rendas para determinadas regiões, mas que no Baixo Tocantins e Marajó é insipiente por se encontrar esquecido dos gestores estaduais e federais. À parte de servir como habitates  importantes para a vida silvestre, os brejos que circundam muitos dos estuários também desempenham outras funções de alto valor (vide acima).
Benefícios Culturais e de Lazer nos Rios e Canais do Estuário
Nos casos de zelos para as realidades estuarinas, entre os benefícios culturais estão a recreação, a natação e observação de pássaros e animais silvestres,  banhos nas praias, rios e cachoeiras, e práticas de esportes terrestres e submarinos, que são apenas algumas das numerosas atividades recreativas que os cidadãos poderiam desfrutar no Estuário Amazônico.
Sobre a Ilha Grande de Joanes, Salvaterra e Soure
Visitamos as cidades de Soure,  Salvaterra, a Vila de Joanes e outras localidades. Nas pesquisas que encontramos sobre esses municípios marajoaras são registrados vários de seus aspectos históricos, culturais, econômicos e sobre seus sistemas naturais, incluindo a Flora e Fauna, que teceremos algumas impressões do que vimos sobre esses e outros aspectos.
A Ilha Grande de Joanes - História
António de Sousa de Macedo , 2º Barão da Ilha Grande de Joanes, (Lisboa
12/11/1677 – Lisboa, 30/11/1738) foi um nobre português, filho de Luís Gonçalo de Sousa de Macedo, 1º Barão da Ilha Grande de Joanes, e neto do escritor e diplomata António de Sousa de Macedo, 3º Barão de Mullingar, de família originária de Santarém, Portugal. E Antonio de Sousa Macedo casou em 1710 com Dª. Catarina Margarida de Tavora, filha do Senhor da Casa de Cavaleiros. Esta dama deu-lhe sete filhos, um dos quais, Luís de Sousa de Macedo, que tornou-se o 1º Visconde de Mesquitela, sendo, portanto, esse antigo donatário do Marajó, descendente de uma família nobre portuguesa.
Ilha Grande de Joanes era o nome dado à Ilha de Marajó, durante o Período Colonial e o titulo de Barão da Ilha Grande de Joanes foi criado pelo rei D. Afonso VI de Portugal. E a Ilha Grande de Joanes é chamada atualmente de Ilha de Marajó, que é uma Ilha situada na Foz do Rio Amazonas. Essa ilha era território estratégico à época da colonização, e foi constituída Capitania Hereditária pelo rei de Portugal, D. Afonso IV, através da Carta Régia de 23/12/1665, sendo seu 1º donatário o citado António de Sousa de Macedo, que era Secretário de Estado daquele Rei, que tomou posse dessa concessão, por seu procurador, em 2/12/1667. E o filho único de Antonio Macedo, de nome Luís Gonçalo, além de herdeiro, foi feito Barão a 27/09/1666.  Amplos eram os limites dessa Capitania do Marajó, que íam até o Cabo do  Norte, por onde corria o Rio Pará e o Rio das Amazonas, cuja Ilha ficava situada no meio desses grandes rios, correndo pelo lado direito do mar até a Fortaleza de Gurupá, situada na boca do Rio das Amazonas, em região que incluíam ilhas menores ao redor da Ilha Grande.
A região que constituía a Capitania de Joanes era muito disputada entre Portugal e outras nações européias. O conflito de interesses com os franceses era um dos mais preocupantes na região, mas não foi o único; além da proximidade que os holandeses tinham com as nações indígenas da Ilha. Os portugueses também combatiam ingleses e irlandeses, que foram mortos ou presos a partir do pequeno forte de Belém, entre 1623 e 1632, com o apoio ou o confronto das populações indígenas.
O Governador do Estado do Grão-Pará e Maranhão, Luís Vasconcelos de Siqueira, e o Capitão-Mor do mesmo, Aires de Souza Chichorro, queriam a constituição de uma capitania da Ilha, pois era um local com muitos gentios, bons pastos naturais para criação de gado e que exigiria pouca despesa. Sugeriam também que, nos primeiros anos, se aproveitasse os bois para trabalhar nos engenhos e, depois, do respectivo couro; e que os indígenas da ilha fizessem parte das doações também, com o intuito de se criar vilas e ocupar melhor o território.
Consideravam a ilha como um local estratégico para a penetração através do Rio das Amazonas. Apontam ainda como vantagem da Ilha nela habitarem índios de várias nações, entre os quais destaca os Joanes, que já estavam ocupados no Pesqueiro Régio, o qual rendia anualmente cerca de 600 mil réis, e afirmavam que nalgumas das nações reconheciam o caráter belicoso “que as nossas Armas emsinarão pellas muitas vezes que lhe forão dar guerra, e sempre com menos ventagem da nosa parte”, pois a configuração geográfica favorecia os próprios habitantes pelo fato de os sertões serem cortados por muitos rios “e deffensaveis por natureza” .
Após a morte do pai, Luís Gonçalo fez uma doação de terras daquela Ilha aos Capuchos de Santo Antônio, que tinham chegado ao Pará com a incumbência de catequizar os silvícolas dos sertões da Província. A doação foi efetuada a 6/02/1696 , compreendendo a Ilha de Santana, na Foz do Rio Arari, sendo duas léguas de terras na margem esquerda deste rio, começando no igarapé Murucutú para cima, e três léguas na margem oposta.
Há indícios de Luís Gonçalo ter feito uma segunda doação em 1726, porém não encontramos o que comprove essa doação.  
A capitania da Ilha Grande de Joanes seria posteriormente reunida aos limites da Coroa de Portugal. Há documentos do Projeto Resgate que falam sobre a venda da donataria para a Coroa, por Luis de Sousa Macedo, em 1754, onde há partes nas quais conseguimos ler sobre valores de venda e juros, além da troca de títulos, de Barão da Ilha Grande de Joanes para Barão de Mesquitela e algumas outras mercês que foram feitas para compensar a reincorporação da Ilha Grande de Joanes à Coroa, ficando sob o governo da capitania e comarca do Grão Pará.
Como atração turística existem inúmeras e belas praias espalhadas pelas costas, igarapés, rios, uma típica culinária marajoara e já contando com uma rede de pousadas e hotéis. Possui também fazendas para a criação de búfalos, estes que se tornaram animais para todos os tipos de serviços no Marajó. Existem também os búfalos selvagens ao longo dos alagados e campos marajoaras.
Soure
Soure é um município brasileiro do estado do Pará localizado na Mesorregião do Marajó e na Microrregião do Arari. Sua população estimada em 2010 era de 23.001 habitantes, segundo o IBGE. Está localizada a 80km da capital paraense, Belém. Foi fundada em 20 de janeiro de 1847 por Francisco Xavier de Mendonça Furtado. O atual município de Soure, localizado na zona fisiográfica de Marajó e ilhas, fora primitivamente, uma aldeia dos Índios Muruanases, onde se modificaram alguns missionários, nos tempos coloniais. Em meados do século XVIII, se constituía na Freguesia de Menino Deus. Nessa época, em 1757, chegou para governar o Estado do Pará, Francisco Xavier de Mendonça Furtado. Objetivando criar município no interior da Amazônia, fez com que a localidade fosse elevada à categoria de Vila com a denominação de Soure, dando-lhe assim, autonomia municipal, com a qual entrou para a independência. Em 1833 a vila foi extinta, sendo novamente criada em 1847. Entretanto, o seu território permaneceu anexado ao do município de Monsaras até 1859, quando ocorreu a instalação do município de Soure. Após a proclamação da República, em 1890, foi criado o Conselho de Intendência Municipal. Nesse mesmo ano, Soure obteve foros de cidade. O topônimo, de origem portuguesa, é o nome de uma antiga vila concelhia do distrito de Coimbra, que no tempo dos romanos se chamou Saurium (Lagarto em Latim).   
O município de Soure possui 3.051 km² e seus limites são: ao Norte, Oceano Atlântico, rio Amazonas e o município de Chaves, que começa na foz do rio Tartaruga, no rio Amazonas, segue pela Costa, envolvendo as ilhas do percurso até a foz do rio Paracauari, na Baía de Marajó (Rio Pará); ao Sul, Salvaterra, que começa na Baía de Marajó, na foz do rio Paracauari, subindo por este até suas cabeceiras, desta alcança por uma reta o ponto meridional do lago Guajará; a Leste, o município de Cachoeira do Arari, que começa na ponta meridional do lago Guajará, o qual contorna, deixando-o para Cachoeira do Arari, até alcançar sua ponta norte: desta vai por uma reta até a foz do Igarapé Jararaca, no Rio Tartaruga.
Politicamente, Soure é dividida em dois distritos: Soure (sede) e o Distrito de Pesqueiro. O distrito-sede é dividido em oito bairros: Centro (que é o principal bairro da cidade), São Pedro, Matinha, Umirizal, Pacoval, Bairro Novo, Tucumanduba e Macaxeira. O distrito de Pesqueiro, por sua vez, abriga a Vila e Praia de mesmo nome, Comunidade do Pedral, Céu, Caju-Una, e por várias fazendas. Até o ano de 1901, a cidade de Salvaterra era parte da cidade de Soure, formando assim o Distrito de Salvaterra. Mais tarde, o distrito foi desmembrado e se tornou independente, deixando de pertencer a Soure.
Salvaterra
Salvaterra é um município brasileiro, localizado na Ilha do Marajó, no Estado do Pará. É considerado o principal ponto de entrada para a Ilha do Marajó, através do Porto de Camará, localizado no extremo sul do município, na foz do rio Camará. Sua população estimada em 2010 era de 20 183 habitantes. Possui uma área de 1.039 km². Salvaterra era, desde 1901, distrito de Soure. Foi apenas em 1961 que foi elevada à categoria de município, conhecida desde então como a Princesa do Marajó, apresentando hoje 20.183 habitantes. Situada a Oeste do Estado do Pará, esse belo recanto amazônico proporciona aos moradores e visitantes da região um espetáculo natural de suas praias de água doce, dos seus igarapés e de suas fazendas. Pelos campos encharcados durante as pesadas águas do inverno, passeiam búfalos mansos e seus vaqueiros morenos. Água Boa é uma praia escondida dentro de Salvaterra e Joanes fica a 17 km do município. A Reserva Ecológica da Mata do Bacurizal e do Lago Caraparú é uma Unidade de Conservação administrada pela Prefeitura Municipal de Salvaterra, com objetivo de proteger os recursos naturais e desenvolver o ecoturismo. O abacaxi cultivado na região é um dos mais doces do país, tirando daí o sustento dos moradores e a economia da região, fazendo com que o município seja um dos grandes produtores da fruta. A produção de abacaxi de Salvaterra já está ganhando o mundo.
Vila de Joanes em Salvaterra




Ruínas da Igreja de Nossa S. do Rosário, na Vila de Joanes, distrito de Salvaterra e a nova Igreja
Acima temos, no belo lugar da Vila de Joanes, as ruínas históricas da passagem dos antigos padres missionários jesuítas pela antiga Ilha Grande de Joanes, dos antigos Barões de Joanes da então Capitania Hereditária de Joanes, hoje relegada ao descaso e ao abandono pelos nossos governantes,
cuidados apenas por alguns cidadões de boa vontade e de visão histórica. Nesse antigo lugar
histórico da atual Ilha do Marajó existiram tribos indígenas que aproveitavam suas generosas
águas para a pesca e suas matas para caça e extrativismo dos produtos de que necessitavam.
O lugar ainda hoje apresenta sua beleza das águas e cordialidade dos moradores, mas que por falta
 de logística adequada de turismo, se encontra com baixa movimentação turística. Mas as águas
do Rio Pará e vista para o Oceano, ali se encontram para quem quiser desfrutar das suas belezas
naturais. 
Por volta do Século 18, o Município de Salvaterra foi colonizado pelos jesuítas, que construíram a Igreja de Nossa S. do Rosário, onde hoje está localizada a atual Vila de Joanes, para a catequização dos indígenas. Até hoje ainda existem as ruínas desta igreja na atual Vila de Joanes. A Vila também possui a bela Praia de Joanes. Em 31 de dezembro de 1963, o município de Salvaterra passa a ser constituído de 5 distritos : Distrito de Salvaterra (distrito sede); Distrito de Condeixa; Distrito de Joanes; Distrito de Jubim; Distrito de Monsarás Praias: Praia Grande, Praia do Pescador e Praia Grande de Joanes.
Comparações Entre as Realidades Passadas Com as Atuais Realidades do Estuário Amazônico
Animais
Não só os peixes sofreram e sofrem os efeitos da pesca predatória, como igualmente os mamíferos e outros animais de água doce do Estuário Amazônico sofreram implacável caçada pelas suas carnes, banhas, óleos e peles que alcançavam altos preços nos mercados importadores da Europa e Estados Unidos. As carnes de animais como peixes-bois, jacarés, tartarugas também eram usadas fartamente pelas populações das áreas ribeirinhas em sua dieta alimentar.
Peixe-Boi
A carne do mamífero aquático peixe-boi que existia aos milhares nas águas amazônicas era salgada e seca, citada na década de 1840 e era produto consumida pelas populações das áreas estuarinas e também exportada para a Capital e na alimentação das tropas militares do governo ou invasores estrangeiros do Estuário Tocantino e das populações ribeirinhas.
Tartarugas
Além de sua carne para consumo das populações e tropas militares a tartaruga oferecia a sua banha que servia na fabricação de manteiga de tartaruga, citado na década de 1850, produzido na Capital pelas tartarugas do Estuário Amazônico e do rio Amazonas e outros rios. Os ovos de tartaruga também eram largamente consumidos como alimentos pelas populações ribeirinhas da Amazônia.
Aves
Aves silvestres vivas, já citadas na década de 1840, e exportadas em grandes quantidades e usadas como animais da ornamentação.
Penas de garças e outras aves, usadas nas escritas de tinteiros das repartições e escolas da Província.
Peles, Couros e Carnes Extraídos do Estuário Tocantino
Peles, nos períodos colonial e provincial do Pará, as caçadas eram intensas no Estuário Tocantino, quando as peles eram exportadas para a Europa para aplicação na indústria dos vestuários ou bolsas de couros finos.
Couros de veado, citados na década de 1840, 1870, quando milhares de peles e de diversas espécies de veados eram vendidas ou trocadas com os regateiros em milhares de unidades, e usadas na pauta de exportação da Província.
Couros salgados, de animais diversos, citados na década de 1840, eram couros não curtidos e mantidos salgados como forma de conservação nas exportações para a Capital.
Couros secos, de animais diversos, citados na década de 1840, eram os couros de animais silvestres abundantes no Estuário Tocantino, e gado vacum, que já estavam devidamente curtidos pela ação dos ventos e calor do sol e prontos para exportação.
Couros de bois, vindos das fazendas e sítios do Marajó e Zona Tocantina, para a curtição em Belém nos anos de 1860.
Leites, Resinas e Azeites Animais e Vegetais no Estuário Amazônico
Óleo de cumaru, extraído do fruto do cumaru e com fábricas em Belém nos anos de 1860.
Óleo de ficinio, com fábricas em Belém nos anos de 1860.
Mamona, citado na década de 1840, usado na extração de óleo.
Carrapato, citado na década de 1840, usado na extração de óleos.
Óleo de copahyba, citado na década de 1840, 1870, vindo da árvore copaibeira, árvore que existia em abundância no Estuário Tocantino, que entrou em fase de extinção devido métodos predatórios na extração do óleo (faziam buracos profundos, nos troncos da árvore, extraindo todo o sumo e a árvore morria devido esse método de extração). Além das demais áreas estuarinas, as terras altas dos rios Pacajás e Anapu eram abundantes em ávores de copaibeiras, extintas pela força do machado e do terçado já na 1ª metade do século 19 nas margens desses rios.
Óleo de umiry, vindo da árvore umizeiro, precioso óleo que competia com o de óleo de copahyba em valor.
Azeite de andiroba que é extraído da semente da andirobeira (Carapa Guianensis), chamado de azeite de andiroba, era um importante produto coletado por milhares de pessoas no Baixo Tocantins e Marajó e em coleta tão intensa que determinou a diminuição drástica da andirobeira em áreas do Estuário Tocantino. O leite de andiroba era coletado e embalados em potes que seguiam aos milhares para a Capital, Belém, onde era quase todo consumido nessa praça. Em 1864 só a Região do Baixo Tocantins exportou para Belém 9.865 potes de azeite de andiroba, resultando em grandes lucros para esses tipos de coletores. O azeite é extraído das amêndoas triangulares encerradas dentro da casca dessa semente, que era encontradas em grande quantidade nas ilhas e várzeas do Estuário Tocantino e, principalmente, no Baixo Tocantins e Marajó, entre os rios Amazonas e Pará. O processo de sua extração em 1864 era muito arcaico e consistia o da maceração das sementes, processo já empregada há dois séculos na Província, onde acontecia a perda de grande quantidade de óleo e a imperfeição do produto, fatores que não lhe permitia obter um preço mais vantajoso no mercado. E esse aperfeiçoamento da produção do azeite de andiroba era necessário devido o início do uso do gás na iluminação das cidades, pois esse era um dos muitos usos que se fazia com o azeite de andiroba, junto com a fabricação de sabão e usos na medicina caseira.
Leite da árvore de maçaranduba, que era usado pelos ribeirinhos do Estuário Tocantinos em substituição ao leite de gado no café da manhã. Também esse leite, quando coagulado, tinha variadas aplicações na indústria, inclusive como fornecedora de borracha fina. A borracha do leite coagulado da maçarandubeira já é citada em 1860. Além do leite, a maçarandubeira fornecia frutos comestíveis e madeira, esta exportada em grande quantidade no Período Provincial do Pará.
Resina de jutahy (jutahysica), que era extraída da árvore de Jutahy, com aplicação na envernização de louças de barro e das cuias de fabricação artesanal do Período Provincial.
Breu, sumo que provinha da árvore breeira
Resina da ucuubeura branca, que é uma resina sebífera, usada na indústria de velas de cera para iluminação das casas.
Sementes
Castanha-do-pará, produto citado desde a década de 1840, 1850, 1860, 1870, sementes largamente utilizadas na pauta de exportação dos períodos colonial, provincial, citada na década de 1850, e nas primeiras décadas da era republicana. Após a crise da borracha, substitui esse produto como o maior produto de exportação da Província e Estado do Pará. Produto extrativo existente em abundância nas terras do Estuário Tocantino.
Amendoim, produto citado na década de 1840, em cultura de subsistência e nas grandes safras as sementes eram exportadas para a Capital.
Caroço e frutos de inajá, produto citado em 1840, advindo da palmeira Inajazeiro, abundante no Estuário Tocantino e regiões, usado para produzir fumaça na coagulação da borracha.
Caças e Peles
As caças existiam em grande quantidade em todo o Estuário Amazônico e que sofreram o processo de caçadas, alguns pelas valiosas peles e outras pelas peles e carnes, entre os quais citamos a grande variedade de veados e pacas, tatus, capivaras, onças, jaguatiricas, espécies de mamíferos aquáticos (peixes-bois, lontras, ariranhas), variedades de lagartos e jacarés (pelas carnes e peles), aves (muitas destas caçadas por vários motivos, como pelas carnes, penas e ornamentação de casas e museus), além da caça das aves canoras da Amazônia, e a caça dos quelônios como tartarugas, jabotis, muçuãs muito apreciados em algumas antigas indústrias e como iguaria da culinária amazônica.
Citamos entre as espécies de caças existentes em grande quantidade e variedade os veados, com algumas já extintas e outras em grande perigo de extinção. As valiosas peles eram exportadas para a Europa nos períodos históricos do Pará para aplicação na indústria dos vestuários ou bolsas de couros finos ou outras aplicações industriais.
Tartarugas, tracajás, jabotins, citados na década de 1840, existentes com abundâncias no Estuário Tocantino e remetidos vivos para a Capital.
Realidades Florestais
As Florestas densas, presentes nos rasos da região; florestas densas de terras firmes insulares; florestas densas continentais (de Anajás-Belém). Na transição do bloco de Anajás para os campos alagáveis de Marajó, em uma faixa que se estende desde os arredores de Muaná até as proximidades de Chaves, ocorre um ecossistema de palmeiras e bosques diferenciados.
As Florestas de várzeas deltaicas (Guamá-Moju e Acará e delta interno de Guamá-Moju)
As Florestas de várzeas das planícies aluviais
Os Campos submersíveis (Marajó)
As Faixas de aningais (Marajó)
As Campinas, campinaranas, veredas campestres (Moju-Bragantina). Nas  veredas arenosas da região Bragantina, destacavam-se as florestas galerias nas faixas centrais de planícies.
Os Mangues da margem direita da bacia de Marajó.
As Costas do Estuário Tocantino, onde o 2º ponto de costa se encontra no bordo oriental do lago de Santa Cruz do Arari e no bordo oriental da Baía de Santa Cruz.
Madeiras do Baixo Tocantins e Marajó
A madeira foi um produto muito explorado e comercializado no Baixo Tocantins e Marajó, desde o Período Colonial e que, agora, sofre os efeitos da enorme devastação processada nas matas ribeirinhas e de terra firme por conta da intensa comercialização e exportação de madeira e, principalmente, pela derrubada das matas para implantação dos extensos canaviais do ciclo açucareiro e, posteriormente, da indústria canavieira, além da extração da madeira para a construção de casas, barracões, pontes, trapiches e da carpintaria naval do Baixo Tocantins. Os extensos seringais e castanhais da Região Tocantina também sofreram severo processo de redução, tendo em vista a extração predatória em milhares de seringueiras e derrubada dos castanheiras para a obtenção da polpa da sua casca, como para a extração da sua madeira ou derrubada para a implantação do agro-negócio em áreas estuarinas tocantinas.
Como as regiões do Marajó e Tocantins e toda a região do Estuário Tocantino ofereciam uma incrível quantidade e variedade de madeira para várias finalidades, o comércio de madeira-de-lei, lenha e carvão se mostrou muito intenso nessas regiões. Só de madeira-de-lei eram mais de 200 espécies existentes em abundâncias, que atendiam as demandas das construções de casas, serrarias e estaleiros da construção naval do Baixo Tocantins e para exportação.
A madeira-de-lei abastecia a Capital e grande parte era exportada para os mercados europeus e norte-americano, a lenha servia para abastecer os navios à vapor, as caldeiras dos engenhos, os fornos das olarias, padarias e as usinas da capital. A lenha e também o carvão serviam de combustível nos lares ribeirinhos de todas essas regiões e também das cidades e localidades  então existentes. Depois de séculos de desmatamentos, inicialmente para exportação de madeira e demais usos, e depois, a destruição das matas para abrigar os extensos canaviais da indústria canavieira do Baixo Tocantins, agora existe a carência dos principais tipos de madeira-de-lei e árvores e arbusto para a produção de lenha e carvão. Era comum até a década de 1960 se presenciar nos rios de Abaetetuba as alvarengas de Belém que vinham abastecer seus porões com centenas de toras de madeira-de-lei e lenha para exportação e para os lares e caldeiras das fábricas e usinas da Capital. Tudo isso afetou sensivelmente a flora local, onde o que se vê agora é apenas a existência de uma vegetação secundária ou terciária, sem a presença de espécimes das árvores de madeira-de-lei e lenha, outrora abundantes e agora a Região Tocantina é obrigada a importar madeira de outras regiões do Pará. A falta de madeira-de-lei apropriada é um dos fatores da atual decadência da Carpintaria Naval do Baixo Tocantins e Marajó, o mesmo sucedendo com a falta dos demais tipos de madeira que sustentavam as dezenas de serrarias dessas regiões.

Blog do Ademir Rocha, de Abaetetuba/PA

Nenhum comentário:

Postar um comentário