Viagem Histórico-Cultural e Ecoturística ao Marajó
Fonte das fotos acima: Marajó Forte
O Descaso Histórico e
Ambiental Para Com o Baixo Tocantins e Região do Marajó
Pesquisas em várias fontes: livros, internet e blogs
Fotos: Internet, Marivaldo Sena e do autor do Blog do Ademir Rocha
Os textos desta postagem foram extraídos de nossas postagens
anteriores e agora acrescidas de novas pesquisas sobre a História e o Meio
Ambiente no Baixo Tocantins, Marajó e outras partes do grande Estuário
Amazônico e esta nova postagem receberá as nossas impressões de viagem Histórico-Cultural
e Ecoturística ao Marajó, especificamente para os municípios de Salvaterra e
Soure.
O Baixo Tocantins e o Marajó
são regiões vizinhas e praticamente com a mesma cultura e costumes, dado as
condições de regiões ribeirinhas. Essas regiões fazem parte do Sistema
Deltáico-Estuarino Amazônico e, particularmente, do Estuário Tocantino. Ambos
já foram detentores de ricos sistemas florestais e fluviais que abrigavam uma
abundante e rica diversidade de espécies da Flora e Fauna em seus
característicos e belos sistemas fluvio-marinhos e sistemas florestais de
terra-firme. Atualmente ainda possuem uma rica variedade de sistemas
naturais, mas, pode-se dizer, muito mais empobrecida pela caça e pesca
predatória, extrativismo desenfreado, derrubada de sistemas florestais típicos,
exploração sem critérios dos recursos naturais, sem falar da poluição que afeta
nossas águas fluviais. E poucos se juntam para preservar daquilo que ainda nos
resta de riquezas naturais, dado que estamos situados em um grande sistema
deltáico-estuarino que não recebe nenhum tipo de investimento ecoturístico e
agro-industrial. Também nossas regiões do Marajó e Baixo Tocantins, junto com
as regiões do Salgado, Guajarina, Bragantina, Baixo Amazonas, Xingu e do sistema
Araguaia-Tocantins foram o palco da colonização do Pará pelos portugueses e,
por isso, berço da História do Pará desde o Século 16. São muitos os traços
remanescentes da rica Arquitetura e Cultura dos ciclos históricos pelos quais
passaram os antigos povos indígenas dessas regiões, que vieram se juntar aos
traços do povo negro vindo da África, de imigrantes árabes e judeus e dos povos
europeus, especialmente dos portugueses, que deixaram rastros de sua história e
cultura por todas as regiões acima citadas. Mas a mesma hitória foi implacável
contra os antigos habitantes naturais do grande Complexo Deltaico-Estuarino
Amazônico e de outras regiões, como também foi igualmente triste e destrutiva a
sede com que investiram contra os recursos naturais que abasteceram a capital,
Santa Maria do Grão-Pará e que também eram exportados em grandes quantidades
para a Europa e Estados Unidos a partir do Período Colonial, passando para o
Período Provincial e chegando essa exploração até o Período Republicano de nossa
História. Igualmente triste foi o modo de se escrever essa História, que sempre
pendia e até mesmo era manipulada em favor do ponto de vista dos colonizadores,
enquanto que os colonizados ficaram com a pecha negativa de selvagens sem alma,
negros da senzala e mestiços sem direitos.
Porém, grande parte da História
do Pará foi escrita por esses mesmos povos renegados, mas a História teima em
não reconhecer e promover os povos das regiões do Baixo Tocantins, Marajó,
Baixo Amazonas, Salgado, Bragantina, Xingu e Araguaia-Tocantins, cujas áreas e
riquezas são exploradas para o desenvolvimento de outras regiões, ficando o
Pará com a pobreza, os buracos da extração mineral, as áreas devastadas para a
implantação de projetos transnacionais do agro-negócio e o volume e força dos
rios explorados para a implantação de projetos hidrelétricos, restando para o
Pará a pobreza os seus problemas sociais, que teimam em subsistir, contando com
a conivência eleitoreira de nossos governantes.
Fotos de Marivaldo Sena e Ademir Rocha
O céu, as nuvens, as matas, as águas e o homem em suas variadas atividades
se juntam para compor os vários cenários nas localidades marajoaras
A Pousada dos Guarás é um recante de lazer prazeroso, mas faltaram os guarás e
outras aves em nossa viagem, que talvez estejam esperando as safras de peixes,
crustáceos e outros mariscos para aparecer.
Nos períodos colonial, provincial e nas primeiras décadas do Período republicano,
o Marajó se destacava pela suas fazendas de bois que sustentavam de carne a Capital
da Província do Pará e demais municípios e junto com a carne bovina, outros produtos como peixes e outros do extrativismo animal e vegetal. O touro, em várias espécies, chegaram ao
Marajó, se adaptaram muito bem e agora numerosas fazendas de touros se dedicam ao comércio
de carne de búfalo, queijo e outros produtos vindos desses animais. O touro da foto
acima é usado como montaria no lazer dos hóspedes das pousadas e eles estão presentes
em muitas outras atividades marajoaras. Além dos búfalos das fazendas, dos búfalos
mansos das atividades humanas, existem outros milhares de búfalos selvagens habitando
as matas e alagados marajoaras. Dizem que a população desses animais é composta de
mais de 500 mil búfalos. Bois ainda existem, mas estão perdendo terreno para os
búfalos
O Marajó já ostentou grandes rebanhos de bois e cavalos e foi, durante os
períodos Colonial, Provincial e grande parte do Período Republicano, um
dos maiores fornecedores de carne frescas, salgadas e bois vivos para a
Capital, Belém e outras localidades ribeirinhas do Baixo Tocantins. Os
Missionários Jesuítas chegaram a possuir fazendas com mais de 200 mil
cabeças de gado do tipo "pé duro". Além disso, foi também um dos maiores
fornecedores de fardos de peixes de muitos tipos, borracha e outros tipos
de produtos vindos do extrativismo nos mesmos períodos históricos do
Pará
Como ambientalista chamamos a atenção para a preservação dos
elementos da flora e fauna e recursos naturais, que precisam ser
explorados de modo sustentável. Os peixes tralhotos, das fotos
acima, são animais estigmatizados, pois as pessoas e crianças
costumam apedrejá-los nos banhados marajoaras ou seu habitat
em outras regiões onde eles existem.
Como Soure e Salvaterra possuem belas praias espalhadas por várias
partes desses municípios marajoaras, precisam de barcos e pontes para as
travessias em busca de lazer como os barquinhos motorizados, balsas, rabetas e
pontes nessas travessias. Como os governantes do Pará não têm muito
carinho para com o turismo paraense, são os empreendedores e trabalhadores
que precisam dotar as localidades turísticas com alguma precária infraestrutura.
O Marajó também está esperando os investimentos e serviços governamentais
para ajudar a região a sair dos piores índices de pobreza do Estado do Pará, onde
Soure e Salvaterra se destacam positivamente em relação a alguns desses índices
Os cenários marajoaras são lindos, até mesmo nos momentos do
anúncio das chuvas
E o Blog do Ademir Rocha vem se
juntar ao Blog “gentemarajoara.blogspot.com”, de José Varella Pereira, que
pugna pelo desenvolmento do Marajó e de outros poucos jornalistas e blogueiros que
sabem que nossa rica História-Cultura e Meio Ambiente devem ser preservado e
que investimentos devem ser feitos no sentido do desenvolvimento de nossas
regiões, levando em conta nossas peculiaridades históricas, ecônômicas,
culturais e ambientais e sem imposição de culturas importadas de outros estados
e até paises. Temos riquezas para serem preservadas em todos os segmentos
humanos, sociais, étnicos, culturais e ambientais. É nesse sentido que também
escrevemos e visitamos algumas localidades, como foi o caso da viagem que
fizemos ao Marajó, onde vimos o descaso com a história, a cultura, sistemas
naturais, a exploração sustentável e, como também observamos riquezas naturais,
culturais e humanas ali existentes relegadas ao abandono de nossas autoridades
estaduais e federais. Tivemos o cuidado de anotar muitos pontos desses aspectos
e confrontar com o que já escrevemos sobre o Marajó, em sua parte por nós
visitada.
O Que Já
Pesquisamos e Escrevemos Sobre a Região Marajoara
Escrevemos vários textos sobre o
Sistema Deltáico-Estuarino Amazônico, cujos rios Pará, Tocantins e Amazonas e
ainda o as áreas do Baixo Tocantins e do Arquipélago do Marajó são como que o
coração desse grande Estuário. Vejamos alguns pontos desses textos.
Definição de Estuário
Segundo a definição clássica um estuário é um corpo de água
semi-confinada que tem ligação com o mar e onde ocorre a mistura das águas
marinhas e fluviais, estas últimas provenientes da drenagem (escoamento) das
águas das terras. Pela nossa
condição de ambientalista, reforçamos o entendimento do Estuário Amazônico,
dizendo que do ponto de vista da Ecologia
e da Oceanografia, um
Estuário é uma região semi-fechada do oceano e influenciada pelas descargas de
água doce de terra, quer seja um ou mais rios, ou apenas da drenagem do
continente. No Estuário, o rio se mistura com o mar através de vários canais ou
braços do Delta (que é o que acontece no Baixo Tocantins e na região do Marajó,
que chamamos de Estuário Tocantino). Um estuário é geralmente uma região com um
elevado número de recursos naturais, estes na forma de flora e fauna,
associados a uma grande quantidade de corpos d´água e áreas florestais. A definição de Estuário é mais abrangente, incluindo o trecho inferior
do rio onde o escoamento é afetado tanto pela vazão fluvial como também pela
propagação da maré. A fronteira rio-estuário não permanece fixa no tempo, mas
apresenta variações de posição em função da variação dos parâmetros que
caracterizam a maré e o escoamento fluvial. Delta
e estuário podem ser confundidos como ambientes diferentes. No caso do Estuário
Amazônico, trata-se de um estuário do tipo misto, onde existem os deltas e os
estuários, onde o rio se mistura com o mar através de vários canais ou braços
do Delta. Portanto, no caso do Delta Amazônico, este pode considerar-se também
uma Região Estuarina, daí o nome que damos de Sistema Deltáico-Estuarino
Amazônico. O Delta Interno do Estuário
Amazônico apresenta cerca de 380 km de largura, cobrindo uma área triangular de
cerca de 85.500 Km. É nesse grande Estuário Amazônico que é projetado no
Oceano Atlântico uma grande massa de água doce do Rio Amazonas, incluindo um
grande volume de argila e outros materiais misturados às águas das drenagens.
Rios, barcos, matas, animais fazem parte dos cenários marajoaras
As matas já estão em uma crítica fase de vegetação terciária
Ruas de Soure
Ruas de Soure
marajoaras, que possui um belo traçado de ruas largas e longas no seu centro e com uma bela
orla devidamente calçada e com um anfiteatro e belos locais para os entretenimentos e restaurantes
com comidas marajoaras ou outros pratos do Pará. Precisa apenas da ajuda do governo estadual
e de uma boa gestão municipal que a deixe devidamente preparada para receber os turistas que
lá aportam, vindos de várias partes do Pará e Brasil.
Praias e recantos de lazer em Soure e Salvaterra
Praias e recantos de lazer em Soure e Salvaterra
As praias de Salvaterra e Soure são muito grandes e bonitas, algumas resultantes do
rítmos das marés do Rio Pará e com influência do Oceano Atlântico, como as das fotos
acima
Os búfalos se adaptaram muito bem no Marajó, onde aproveitam os banhados
para se refrescar do forte calor e agora fazem parte do cenário marajoara
Uma vista do Rio Pará e ao fundo o Oceano Atlântico, este influenciando as massas
d'água do Estuário Amazônico, especialmente o Rio Pará e a Baía do Marajó
Rua arborizada com mangueiras em Soure
Parte da Pousada dos Guarás
Foz e Ilhas do Sistema Deltáico-Estuarino
A foz ou Desembocadura
é o local onde um corpo de água fluente, como um rio, deságua em outro corpo de
água que pode ser outro rio, um grande lago, uma lagoa, um mar, ou mesmo o
oceano. Ou Foz ou Desembocadura
(desague), é a denominação do local onde há descargas de água doce corrente,
como um rio. Quando o desague se dá de forma capilar, com vários braços,
ramificados, formando ilhas, denominamos de Delta. A foz em delta, é
caracterizada pelo alargamento do leito, formando uma espécie de triângulo (daí
o nome Delta), tendo em seus lados as duas margens do rio e o limite com local
onde ocorre a desembocadura. Neste tipo de foz, frequentemente, forma-se
porções de terra na forma de ilhotas no centro do triângulo. Vê-se que o rio de
nosso interesse, o Rio Amazonas, possui foz em delta. Quando coexistem esses
dois tipos de fozes, chamamos de Mista, que é o caso do grande Estuário
Amazônico. Foz Mista, com muitas ilhas e larga, como é o caso da foz do
Rio Amazonas.
O Estuário Amazônico apresenta agrupamentos
de ilhas, desde a embocadura do Rio Xingu e ilhas Urucuricália e Grande Gurupá,
e esses conjuntos insulares do largo Estuário Amazônico, como as Ilhas
insulares do tampão deltaico estuarino de Gurupá-Queimada, com a presença de
ilhas de porte mediano e pequeno, que ficam espremidas entre a Baía do Vieira
Grande, Canal Sul e o Canal Norte e as Ilhas insulares dos subdeltas situados
entre os rios Jacaré e Anajás-Charapucu, à oeste e nordeste do Marajó e ainda as
Ilhas insulares frontais dos baixios de Belém-Marajó, com a presença das
planícies inundáveis costeiras e a banda de manguezais de todo o arquipélago
estuarino. Existem também as Ilhas desde a Ponta de Pedras até Salvaterra, na
margem leste do Marajó e as Ilhas rasas de fundo de estuários existentes no
interior da Boca Norte do Rio Amazonas, entre o Amapá e Marajó, com um Delta
tampão entre o Marajó-Portel e Baía das Bocas. O Estreito de Breves corresponde
a um tampão deltaico que assoreou um canal largo que interligava o Rio Amazonas
com o Estuário do Rio Pará (Baia de Guajará). As planícies alagáveis, os lagos
e tesos (áreas de terras firmes centrais) se estendem desde o rebordo central
do conjunto de Anajás até o Canal Sul e o Litoral Atlântico, com área de
sedimentação rica em manguezais.
Massas d´’Agua do
Complexo Deltáico-Estuarino Amazônico
A “Baía das Bocas” que é a
nomenclatura popular da Região (que designava a transição entre os rios do
Estuário Amazônico e a largura da Baia de Guajará-Rio Pará) e a “Baia das
Bocas”, é equivalente à identificação da frente de um delta, localizada entre
uma ilha e o continente. O Estuário do Rio Pará, que corresponde ao Estuário
que fica entre a região de Belém e a costa Sul-Sudeste da Ilha do Marajó e a Baía
do Marajó, que resulta do contínuo estuarino que se inicia na Baía das Bocas,
prossegue pelo Rio Pará, área em que recebe toda a massa de águas do Rio
Tocantins e inclui uma pequena baía frente a Belém, à altura do despejo d’água
dos rios Guamá-Moju-Acará-Capim, passando a alongada boca do complexo estuarino
terminal. Logo, da Baía das Bocas até a frente da Baía de Marajó são 300 km de
extensão. O fundo do Estuário do Rio Pará, se estende da Baía das Bocas até as
proximidades de Curralinho e daí segue até a região que antecede a Foz do Rio
Tocantins, onde existem estrangulamentos devido a presença de ilhas e canais. O
volume de águas jogadas pelo Rio Tocantins no Estuário do Rio Pará e Baía do
Marajó, deve-se aos mais de 23 km de largura que o Rio Tocantins apresenta em
sua foz (desembocadura).
A bela orla de Soure à noite
Prédios que ainda lembram a antiga arquitetura do Pará
Solitário barquinho de pesca sob o impacto das ondas do mar
Esta casinha foi construída artesanalmente com materiais do extrativismo marajoara
Nos cenários da Vila de Joanes não podem faltar praias, matas, pedras
e o céu azul
Povos
O Pará, além dos nativos do
lugar, recebeu, desde o Período Colonial (1615 em diante), passando pelo
Período Provincial (desde 1822 e até o início do Período Republicano (a partir
de 1889), uma elevada quantidade de imigrantes portugueses, espanhóis, japoneses
e brasileiros de outros estados, como os cearenses, durante o Ciclo da Borracha
e construção da Estrada de Ferro de Bragança, e mais recentemente, os
maranhenses, estes ajudando a povoar o Sudeste e Sudoeste do Estado do Pará. Os
primeiros imigrantes em contato com as populações nativa local e com o povo
negro escravo, iniciaram a miscigenação que resultou numa característica população de povos com
diferentes matizes étnicos. A maioria da população miscigenada é a
caracterizada como parda, devido à grande herança genética indígena e, em menor
parcela, africana, que resultaram no seguinte esquema racial: Pardos, 73,0%; Brancos,
23,8%; Negros, 3,5% e Amarelos ou indígenas, 0,6%.
Os Povos Indígenas
no Estuário Tocantino
Outro impacto do Estuário Amazônico
foi o das antigas populações indígenas do Pará habitantes das planícies e das
populações indígenas das margens dos rios, onde muitas nações indígenas
guerreiras foram quase que totalmente dizimadas ou feitas prisioneiras pela
política de colonização portuguesa no Pará já a partir do Período Colonial
iniciado em 1616. No Século 17 a nação indígena dos Tupinambás do Pará, já
estava quase totalmente dizimada pelos antigos capitães-generais do Grão-Pará.
E os indígenas descidos do Xingu e Tocantins junto com muitos índios da Ilha do
Marajó vieram ajudar a formar as povoações do Baixo Tocantins. A mesma sorte e
destino da nação guerreira dos índios Tupinambás tiveram os índios das tribos
abaixo, motivados pelas seguidas guerras, expatriações ou transportações/descimentos,
por decisões arbitrárias dos antigos capitães dos índios da Província do Pará:
Poquiguaras, Amanajás, Apinagés e outras tribos menos numerosas
Sistemas e Biodiversidade Estuarinos Amazônicos
No Estuário, a floresta
encontra-se parcialmente inundada, devido os períodos de enchentes e vazantes,
e os ecossistemas de várzeas, manguezais e terra firme possuem uma enorme
variedade de seres vivos e outros recursos cuja exploração teve início com a
ocupação das áreas estuarinas no Período Colonial do Pará, que é uma enorme
área, composta pelas embocaduras dos rios Amazonas e Tocantins, cuja
biodiversidade apresentava altas taxas de vida marinha e fluvial. É ainda a
zona de contato da água doce com a água salgada, em dinâmica importante para a
vida no Estuário, onde os recursos de água doce se alternam com os do mar. A
densidade da ocupação dessa região deve-se em especial à proximidade da cidade
de Belém, em torno da qual foi lentamente se organizando a economia e a
sociedade, desde o período colonial, com suas freguesias rurais, muitas dando
origem às cidades ribeirinhas, que é o caso das cidades da Microrregião de
Cametá, da Região do Marajó e outras microrregiões vizinhas.
Dentre os ambientes que
integram os ecossistemas estuarinos amazônicos, estão os rios, os igarapés, as
florestas, a várzea, as baías, as ilhas com suas praias, os campos alagados,
todos com suas especificidades ambientais e sociais. O Estuário Tocantino era
berço de grande biodiversidade, dada à complexidade dos ecossistemas, onde as
populações indígenas, ribeirinhas ou urbanas, viveram historicamente uma
economia baseada nos recursos florestais e aquáticos ali presentes e abundantes
em suas dezenas de ilhas e rios espalhados nas proximidades de sua maior ilha,
a do Marajó (Região das Ilhas do Pará), que causava surpresa e admiração por
tantos que por ali passaram através dos séculos, pela exuberância da floresta,
das águas. Próximos à sua embocadura e em todo o Estuário formado pelo rio e
seus afluentes, pelas ilhas, lagos, furos e igarapés, os grupos sociais
espalharam-se, dominaram os territórios e sobreviveram graças aos conhecimentos
adquiridos através dos tempos. Os habitantes desse local são conhecidos como
ribeirinhos, mestiços em sua
etnia, que vivem da extração e manejo dos recursos florestais e aquáticos, bem
como da agricultura em pequena escala e muitos de seus conhecimentos sobre os
recursos naturais foram adquiridos dos seus antepassados indígenas, que
utilizavam as florestas de várzea como fonte de alimento e moradia desde a
época Pré-Histórica.
Grande parte dos recursos
naturais do Estuário Amazônico se encontra em período crítico de extinção
devido à superexploração feita de modo não sustentável, empírico e em desacordo
com as modernas técnicas de manejos de espécies florestais, animais e da
agricultura, como também pela exploração predatória dos demais recursos
advindos das águas e florestas. Culturas tradicionais como arroz, milho,
feijão, mandioca, cana-de-açúcar existentes nas regiões das Ilhas e Colônias do
Baixo Tocantins já estão em franca decadência, junto com as produções oleiras, madeireiras e a coleta
de frutas, fibras, sementes oleaginosas que perderam competividade para os
produtos vindos de outras regiões do Brasil. A caça e pesca são atividades que também
perderam espaços pela falta das espécies que antigamente existiam em grande
quantidade pelos rios e florestas do Estuário, inclusive pela extinção das mais
valiosas espécies e escassez de outras que outrora se faziam abundantes pelos
ecossistemas do Estuário.
O Sistema Estuarino Como Ambiente Ecológico
Algumas aves do Marajó em fotos de Marivaldo Sena
Pelo período que estivemos no Marajó, em Soure e Salvaterra,
não vimos muitas aves dos tipos marinhas, pernaltas, costeiras
e outros tipos de aves de matas e canoras
Algumas aves do Marajó em fotos de Marivaldo Sena
Pelo período que estivemos no Marajó, em Soure e Salvaterra,
não vimos muitas aves dos tipos marinhas, pernaltas, costeiras
e outros tipos de aves de matas e canoras
Mangue é um ambiente costeiro,
de transição entre ambientes terrestre e marinho, encontrado apenas em regiões
tropicais e subtropicais. Saiba que o manguezal é um ecossistema complexo e
muito produtivo. Ele está sujeito ao regime das marés, cercado de vegetais
típicos (muitas vezes difíceis ou impossíveis de se criar em cativeiro), que
estão associados a outros componentes animais. Muitos animais migram para essas
áreas pelo menos em uma fase do ciclo de sua vida e outros permanecem a vida
inteira nesses locais, como no caso dos crustáceos amazônicos. O manguezal suporta
uma enorme variedade de animais, tanto terrestres como aquáticos, como peixes,
mamíferos, cobras e muitos pássaros que são facilmente encontrados devido à
infinidade de espécies de peixes, caracóis e pequenos crustáceos que lhes
servem em sua alimentação.
Os rios Amazonas e Tocantins deságuam na costa do Estado do Pará, onde
formam a Foz Amazônica. Nessa região, acontece um período chuvoso no primeiro
semestre do ano, de fevereiro a abril, o qual é caracterizado pelo aumento da
descarga dos rios e um período menos chuvoso do ano, entre os meses de agosto a
outubro. No segundo semestre ocorre o período com menos intensidade de chuvas,
com a consequente aproximação das águas salgadas em relação à costa. Os
períodos de chuvas e secas são fundamentais para a explosão de vida no Estuário
Amazônico.
Devido a dinâmica das águas
associada à vegetação de suas margens (mangues), havia uma proporção de desenvolvimento
exuberante da fauna, tanto terrestre como aquática, tendo as aves no topo da
cadeia alimentar. E as aves possuem um grande poder de ingestão de outros seres
vivos, como peixes e mariscos, sendo assim, as aves são excelentes
bio-indicadores, mostrando como está a saúde de determinado Estuário. Pela
ausência das inúmeras espécies de aves em pontos do Estuário Amazônico,
acreditamos que esse estuário não está com boa saúde.
Os estuários apresentam
características ambientais únicas, que resultam em elevada produtividade
biológica, desempenhando papéis ecológicos de grande importância como habitate vital para inúmeras espécies; são
pontos de passagem para espécies migratórias entre o meio marinho e fluvial;
presença de uma fauna comercial primária, entre os quais podemos citar as
ostras, camarões, siris, caranguejos, peixes, mamíferos.
Os peixes, aves, crustáceos, mamíferos, quelônios, jacarés que outrora
existiam em grande quantidade pelas áreas estuarinas amazônicas, começaram a
sofrer grandes explorações já a partir do Período Colonial do Pará, processo
que continuou no Período Provincial e na Era Republicana e que continua até os
tempos atuais.
As atividades pesqueira, extrativista e de caça nesses períodos não
foram processos pacíficos, com o homem se utilizando de processos predatórios
na captura de espécies, acarretando a mortandade e destruição de muitos ecossistemas
fluviais e marinhos de importância para a manutenção dos estoques animais
largamente utilizados na dieta alimentar dos povos ribeirinhos das áreas
estuarinas amazônicas.
Para contribuir com a destruição dos ecossistemas fluviais e marinhos
vieram a construções dos portos, de grandes projetos minerais, de grandes
hidrelétricas, da implantação de grandes projetos do agro-negócio, derrubadas
de florestas e destruição de manguezais, da pesca predatória de indústrias
pesqueiras, que ajudaram na destruição de muitos ecossistemas que levaram
sensivelmente a escassez, não só das espécies fluviais e marinhas, como das demais
espécies existentes nos ecossistemas florestais dos entornos das vias fluviais
e marinhas do Estuário Amazônico.
O fato agora é que uma dieta baseada nos recursos animais das áreas
estuarinas amazônicas está se tornando cada vez mais difícil e cara, portanto
longe do poder aquisitivo das tradicionais populações ribeirinhas das áreas do
Estuário.
O Complexo Deltaico-Estuarino
Amazônico, com os ecossistemas das terras firmes e os ecossistemas das planícies inundáveis, que antes eram abundantes em recursos
naturais de importâncias econômicas, entre as quais madeiras, frutas, palmito,
lenha, fibras e borracha, e sem políticas públicas adequadas para a exploração
atual e racional desses recursos, que ainda existem em menor quantidade que em
épocas passadas, está seriamente ameaçado pelos grandes e variados projetos já
implantados e a implantar, como são os grandes portos e projetos hidrelétricos
nos rios amazônicos. Apesar de tantas riquezas geradas e projetos implantados,
muitos aglomerados populacionais do Baixo Tocantins e Marajó são do rol dos
mais pobres da Amazônia, que estão completamente esquecidos pelos
administradores do Pará e Brasil.
O Mundo das Águas no Pará
As águas inundam a vida das populações do Pará, onde o rio as aproxima,
alimenta e se torna espaço de lazer, contemplação poética e quintal de lendas:
Iara, Boto, Cobra Grande, Curupira, Matinta Perera, Pretinhos e sabe-se lá
quantas outras. O rio é a vida e às vezes a morte dessas populações. Numa parte
do ano, ele invade ruas, casas, roças e pastos, chegando, em algumas regiões, a
causar danos materiais. Noutra época do ano, recua e forma belas praias.
Nas regiões marcadas pela realidade do Estuário, caso do Baixo Tocantins
e Marajó, a oscilação de seis em seis horas dos rios (maré) condiciona a vida
das populações, tendo o pôr-do-sol como uma pintura do dia-a-dia e as marés
como condicionantes de modo de vida.
O Rio Pará e a Baía de Marapatá são nomes escondidos atrás de outras
realidades fluviais (raramente aparecem nos mapas da região, substituídos pelos
nomes dos rio Tocantins, Pará ou Baía de Marajó e o inverso também vale).
Trecho alargado do rio Tocantins se confunde com a Baía de Marapatá e Rio Pará
se confunde também com a Baía de Marapatá. A Baía de Marapatá ainda é chamada
de Baía do Tocantins. O próprio Rio Pará é considerado um Paraná ligando o Rio
Amazonas ao Rio Tocantins. E o trecho alargado do Rio Pará forma também a Baía
de Guajará na frente de Belém/Pa. No fundo, nem os ribeirinhos entrevistados
sabem explicar essas realidades fluviais.
Rio Pará
Nasce na região das Ilhas do Pará e deságua entre o Cabo Maguari e a
Ponta de Curuçá no Oceano Atlântico e é um dos principais formadores da Baía do
Marajó. Através do estreito de Breves, une-se ao rio Amazonas, separando a ilha
do Marajó do continente.
Divide Abaetetuba dos municípios de Muaná e Ponta de Pedras, que é o limite natural sul da Ilha de Marajó.
Considera-se que o Rio Pará é o braço do Rio Amazonas que corre ao sul da Ilha
de Marajó, recebendo as águas do Tocantins. A continuação do Rio Amazonas seria
apenas o canal norte, que corre a oeste da ilha, banhando a cidade de Macapá. O
Rio Pará, por sua vez, banharia a cidade de Belém. Apesar de popularmente
considerado, o Rio Pará não é efetivamente um rio, mas um paraná (canal
natural) do Amazonas.
Belo cenário da praia marajoara
Areias branquinhas como que formando ondas
Rio Tocantins
É afluente da margem esquerda do rio Amazonas, nasce no Planalto de Goiás
pela junção dos rios Paraná e Maranhão, percorrendo uma extensão de 2.400 km,
banhando os estados de Goiás, Tocantins (divindo-o do Maranhão) e Pará, até
desaguar na Baía de Marapatá (Rio Pará), na foz do Amazonas às proximidades da
cidade de Belém, onde desemboca suas águas. É um dos mais importantes rios do
Brasil e, junto com o rio Araguaia, forma a maior bacia hidrográfica
inteiramente situada em território brasileiro.
Seu curso é dividido em Alto Tocantins, que vai das nascentes até a
Cachoeira de Lajeado, numa extensão de 1.060km, onde forma a usina de Serra da
Mesa e, logo abaixo, a usina de Canabrava; Médio Tocantins, que vai da
Cachoeira de Lajeado até a Cachoeira de Itaboca, numa extensão de 980km, e
Baixo Tocantins, que vai da Cachoeira de Itaboca até a foz (desembocadura), numa extensão de
360 km, onde situa-se a Hidrelétrica de
Tucuruí/PA, a 2ª maior do país, que abastece os projetos de mineração da Serra
de Carajás e da Albrás/Alunorte no Baixo Tocantins.
O Rio Tocantins (Bico de Papagaio em Tupi), como parte desse complexo
estuarino amazônico, se comunica com o Rio Pará, se junta ao Rio Guamá e vai
formar a Baía do Guajará e o conjunto fluvial da foz do gigante Rio Amazonas, o
qual despeja diariamente milhões de metros cúbicos de água doce no Oceano
Atlântico.
O Rio Tocantins é o segundo maior rio totalmente
brasileiro (perde apenas para o Rio São Francisco), e também pode ser chamado
de Tocantins-Araguaia, após juntar-se ao Rio Araguaia na região do "Bico
do Papagaio", que fica localizada entre o Tocantins, o Maranhão e o Pará e pertence ao Estuário do Rio Amazonas.
Ilha do Marajó no Estuário Amazônico
A ilha de Marajó é uma ilha do Estado do Pará,
localizada na foz do rio Amazonas no Arquipélago do Marajó (Região das Ilhas).
Com uma área de aproximadamente 40.100 km², é a maior ilha flúvio-marínha
do mundo. Destaca-se pelos montes artificiais, nomeados tesos, construídos ainda em seu passado pré-colombiano pelos
índios locais. A ilha era chamada de Marinatambal
pelos indígenas já no século 16, e em tempos coloniais foi denominada como Ilha Grande de Joannes. Outro
destaque da ilha é o lugar onde atualmente existe o maior rebanho de búfalos do
Brasil com cerca de 600 mil cabeças, que vieram substituir as tradicionais
fazendas de gado bovino existentes nos períodos históricos do Pará.
A ilha é composta por 16 municípios paraenses
distribuídos em 3 microregiões:
Microregião do Arari: Cachoeira
do Arari, Chaves, Muaná, Ponta de Pedras, Salvaterra, Santa Cruz do Arari,
Soure; Microregião dos Furos de Breves:
Afuá, Anajás, Breves, Curralinho, São Sebastião da Boa Vista e Microregião de Portel: Bagre, Gurupá,
Melgaço, Portel.
E ao viajar para a Ilha do
Marajó fizemos questão de fazer constar de nosso roteiro turístico-cultural uma
visita a atual Vila de Joanes, pois esse nome nos leva a uma rica história cujo
palco foi a Ilha Grande de Joanes, atual Marajó, e onde nessa vila se enontram
as ruínas da Igreja de Nossa Senhora do Rosário, construída em pedras pelos
padres.
Na Região do Marajó, devido os
extensos campos e campinaranas existentes em várias áreas alagáveis desse
arquipélago, se desenvolveu a atividade pecuária, que por muitos séculos
abasteceu as praças de Belém e demais praças estuarinas.
A partir da 2ª metade do
Século 19 veio o mais importante produto do extrativismo amazônico, a borracha,
que determinou o chamado Ciclo da Borracha, período que determinou o avanço
econômico do Pará nos cenários nacional e internacional e que envolveu uma
enorme quantidade de braços na coleta, preparo, comercialização e exportação da
borracha, atividade que alavancou o desenvolvimento de algumas cidades da
Amazônia como Belém, Manaus e algumas cidades menores.
As áreas estuarinas do Baixo
Tocantins e Marajó são citadas em 1864 como áreas abundantes de peixes de
excelente qualidade e de caças abundantes e diversas, que foram objeto da caça
e pesca para exportação para o exterior, desde o Período Colonial do Pará.
Os Maiores Produtores de Gado
no Marajó no Período Provincial do Pará em 1840: Afuá, Anajás, Santa Cruz do
Arari, Breves, Muaná, Soure, Cachoeira do Arari, Chaves, Portel.
A pecuária é citada como
atividade econômica nos períodos Colonial, Provincial e início da Era
Republicana e é citada na década de 1840, praticada no Estuário Amazônico,
especialmente na criação de gado vacum e cavalar nos campos da Ilha do Marajó e
outras áreas estuarinas. O gado era o mais rústico possível, pé duro e facilmente
adaptável nos campos do Marajó e seus alagados, quando abasteceu por longas
décadas o mercado da Capital e dos outros municípios ribeirinhos.
O Meio Ambiente, o
Turismo Ecológico e Outras Atividades Econômicas no Estuário
As águas doces, no caso do Estuário
do Tocantins e em todo o Estuário Amazônico, são provenientes de rios,
igarapés, córregos, enseadas e baías que
fluem até o oceano Atlântico e se misturam com a água salgada do mar.
O Estuário do Tocantins é
influenciado pelas marés, porém se encontra protegido das ondas, ventos e
tormentas marítimas pelas inúmeras ilhas que atuam como barreiras ou franjas
para o terreno, lodo ou areia, que definem a fronteira do Estuário. A
vegetação das terras úmidas também atua como amortecedor natural entre a terra
e o oceano, ajudando a aborver as águas das inundações e dissipando as ressacas
e isto protege os organismos terrestres, assim como das tormentas e dos danos
por inundações. A vegetação dos estuários também ajuda a prevenir a erosão e
estabilizar as costas estuarinas. A destruição dessas realidades estuarinas
deve-se, como já dissemos, à ação dos homens em seus processos predatórios das
riquezas e ambinetes amazônicos.
Com essa proteção os estuários
podem servir como habitats para pássaros costeiros e marinhos, peixes,
caranguejos, camarões e lagostas, mamíferos marinhos, moluscos e crustáceos,
vermes marinhos, répteis quelônios, que são alguns dos animais que vivem dentro
e ao redor dos estuários. Alguns estuários no mundo vivem, subsistem ou
enriquecem as suas regiões devido o zelo e exploração racional das riquezas que
os estuários podem oferecer nos mais
variados aspectos, como turismo (lazer, visitação, etc.), pesca (inclusive a pesca
submarina como esporte) e séde de muitos tipos de indústrias autosustentáveis.
Alguns pontos do Estuário
servem para o chamado turismo ecológico
(ecoturismo), que atualmente é o maior gerador de rendas para determinadas
regiões, mas que no Baixo Tocantins e Marajó é insipiente por se encontrar
esquecido dos gestores estaduais e federais. À parte de servir como habitates importantes para a vida silvestre, os brejos
que circundam muitos dos estuários também desempenham outras funções de alto
valor (vide acima).
Benefícios
Culturais e de Lazer nos Rios e Canais do Estuário
Nos casos de zelos para as
realidades estuarinas, entre os benefícios culturais estão a recreação, a
natação e observação de pássaros e animais silvestres, banhos nas praias, rios e cachoeiras, e
práticas de esportes terrestres e submarinos, que são apenas algumas das
numerosas atividades recreativas que os cidadãos poderiam desfrutar no Estuário
Amazônico.
Sobre a Ilha
Grande de Joanes, Salvaterra e Soure
Visitamos as cidades de
Soure, Salvaterra, a Vila de Joanes e
outras localidades. Nas pesquisas que encontramos sobre esses municípios
marajoaras são registrados vários de seus aspectos históricos, culturais,
econômicos e sobre seus sistemas naturais, incluindo a Flora e Fauna, que
teceremos algumas impressões do que vimos sobre esses e outros aspectos.
A Ilha Grande de
Joanes - História
António de Sousa de Macedo ,
2º Barão da Ilha Grande de Joanes, (Lisboa
12/11/1677 – Lisboa, 30/11/1738)
foi um nobre português, filho de Luís Gonçalo de Sousa de Macedo, 1º Barão da
Ilha Grande de Joanes, e neto do escritor e diplomata António de Sousa de
Macedo, 3º Barão de Mullingar, de família originária de Santarém, Portugal. E
Antonio de Sousa Macedo casou em 1710 com Dª. Catarina Margarida de Tavora,
filha do Senhor da Casa de Cavaleiros. Esta dama deu-lhe sete filhos, um dos
quais, Luís de Sousa de Macedo, que tornou-se o 1º Visconde de Mesquitela,
sendo, portanto, esse antigo donatário do Marajó, descendente de uma família
nobre portuguesa.
Ilha Grande de Joanes era o
nome dado à Ilha de Marajó, durante o Período Colonial e o titulo de Barão da
Ilha Grande de Joanes foi criado pelo rei D. Afonso VI de Portugal. E a Ilha
Grande de Joanes é chamada atualmente de Ilha de Marajó, que é uma Ilha situada
na Foz do Rio Amazonas. Essa ilha era território estratégico à época da
colonização, e foi constituída Capitania Hereditária pelo rei de Portugal, D.
Afonso IV, através da Carta Régia de 23/12/1665, sendo seu 1º donatário o
citado António de Sousa de Macedo, que era Secretário
de Estado daquele Rei, que tomou posse dessa concessão, por seu procurador, em
2/12/1667. E o filho único de Antonio Macedo, de nome Luís Gonçalo, além de
herdeiro, foi feito Barão a 27/09/1666. Amplos eram os limites dessa Capitania do
Marajó, que íam até o Cabo do Norte, por onde corria o Rio Pará e o Rio das
Amazonas, cuja Ilha ficava situada no meio desses grandes rios, correndo pelo
lado direito do mar até a Fortaleza de Gurupá, situada na boca do Rio das
Amazonas, em região que incluíam ilhas menores ao redor da Ilha Grande.
A região que constituía a
Capitania de Joanes era muito disputada entre Portugal e outras nações
européias. O conflito de interesses com os franceses era um dos mais preocupantes
na região, mas não foi o único; além da proximidade que os holandeses tinham
com as nações indígenas da Ilha. Os portugueses também combatiam ingleses e
irlandeses, que foram mortos ou presos a partir do pequeno forte de Belém,
entre 1623 e 1632, com o apoio ou o confronto das populações indígenas.
O Governador do Estado do
Grão-Pará e Maranhão, Luís Vasconcelos de Siqueira, e o Capitão-Mor do mesmo,
Aires de Souza Chichorro, queriam a constituição de uma capitania da Ilha, pois
era um local com muitos gentios, bons pastos naturais para criação de gado e
que exigiria pouca despesa. Sugeriam também que, nos primeiros anos, se
aproveitasse os bois para trabalhar nos engenhos e, depois, do respectivo couro;
e que os indígenas da ilha fizessem parte das doações também, com o intuito de
se criar vilas e ocupar melhor o território.
Consideravam a ilha como um
local estratégico para a penetração através do Rio das Amazonas. Apontam ainda
como vantagem da Ilha nela habitarem índios de várias nações, entre os quais
destaca os Joanes, que já estavam ocupados no Pesqueiro Régio, o qual rendia
anualmente cerca de 600 mil réis, e afirmavam que nalgumas das nações
reconheciam o caráter belicoso “que as nossas Armas emsinarão pellas muitas
vezes que lhe forão dar guerra, e sempre com menos ventagem da nosa parte”,
pois a configuração geográfica favorecia os próprios habitantes pelo fato de os
sertões serem cortados por muitos rios “e deffensaveis por natureza” .
Após a morte do pai, Luís
Gonçalo fez uma doação de terras daquela Ilha aos Capuchos de Santo Antônio,
que tinham chegado ao Pará com a incumbência de catequizar os silvícolas dos
sertões da Província. A doação foi efetuada a 6/02/1696 , compreendendo a Ilha
de Santana, na Foz do Rio Arari, sendo duas léguas de terras na margem esquerda
deste rio, começando no igarapé Murucutú para cima, e três léguas na margem
oposta.
Há indícios de Luís Gonçalo
ter feito uma segunda doação em 1726, porém não encontramos o que comprove essa
doação.
A capitania da Ilha Grande de
Joanes seria posteriormente reunida aos limites da Coroa de Portugal. Há
documentos do Projeto Resgate que falam sobre a venda da donataria para a
Coroa, por Luis de Sousa Macedo, em 1754, onde há partes nas quais conseguimos
ler sobre valores de venda e juros, além da troca de títulos, de Barão da Ilha
Grande de Joanes para Barão de Mesquitela e algumas outras mercês que foram
feitas para compensar a reincorporação da Ilha Grande de Joanes à Coroa,
ficando sob o governo da capitania e comarca do Grão Pará.
Como atração turística existem
inúmeras e belas praias espalhadas pelas costas, igarapés, rios, uma típica
culinária marajoara e já contando com uma rede de pousadas e hotéis. Possui
também fazendas para a criação de búfalos, estes que se tornaram animais para
todos os tipos de serviços no Marajó. Existem também os búfalos selvagens ao
longo dos alagados e campos marajoaras.
Soure
Soure é um município brasileiro do estado do Pará localizado na Mesorregião
do Marajó e na Microrregião do Arari. Sua população estimada em 2010 era de
23.001 habitantes, segundo o IBGE. Está localizada a 80km da capital paraense,
Belém. Foi fundada em 20 de janeiro de 1847 por Francisco Xavier de Mendonça
Furtado. O atual município de Soure,
localizado na zona fisiográfica de Marajó e ilhas, fora primitivamente, uma
aldeia dos Índios Muruanases,
onde se modificaram alguns missionários, nos tempos coloniais. Em meados do
século XVIII, se constituía na Freguesia de Menino Deus. Nessa época, em 1757, chegou para governar o Estado do
Pará, Francisco Xavier de Mendonça Furtado. Objetivando criar município no interior da
Amazônia, fez com que a localidade fosse elevada à categoria de Vila com a
denominação de Soure, dando-lhe assim, autonomia municipal, com a qual entrou para
a independência. Em 1833 a vila
foi extinta, sendo novamente criada em 1847. Entretanto, o seu território
permaneceu anexado ao do município de Monsaras até 1859, quando ocorreu a instalação do município de Soure. Após a
proclamação da República, em 1890, foi criado o Conselho de Intendência
Municipal. Nesse mesmo ano, Soure obteve foros de cidade. O topônimo, de origem portuguesa, é o nome
de uma antiga vila concelhia do distrito de Coimbra, que no tempo dos romanos
se chamou Saurium (Lagarto em Latim).
O município de Soure possui 3.051 km² e seus limites são: ao Norte, Oceano Atlântico, rio Amazonas e o
município de Chaves, que começa
na foz do rio Tartaruga, no rio Amazonas, segue pela Costa, envolvendo as ilhas
do percurso até a foz do rio Paracauari, na Baía de Marajó (Rio Pará); ao Sul, Salvaterra, que começa na Baía de Marajó, na foz do
rio Paracauari, subindo por este até suas cabeceiras, desta alcança por uma
reta o ponto meridional do lago Guajará; a Leste, o município de Cachoeira
do Arari, que começa na ponta
meridional do lago Guajará, o qual contorna, deixando-o para Cachoeira do
Arari, até alcançar sua ponta norte: desta vai por uma reta até a foz do
Igarapé Jararaca, no Rio Tartaruga.
Politicamente, Soure é dividida
em dois distritos: Soure (sede) e o Distrito de Pesqueiro. O distrito-sede é
dividido em oito bairros: Centro (que é o principal bairro da cidade), São
Pedro, Matinha, Umirizal, Pacoval, Bairro Novo, Tucumanduba e Macaxeira. O
distrito de Pesqueiro, por sua vez, abriga a Vila e Praia de mesmo nome,
Comunidade do Pedral, Céu, Caju-Una, e por várias fazendas. Até o ano de 1901,
a cidade de Salvaterra era parte da cidade de Soure, formando assim o Distrito
de Salvaterra. Mais tarde, o distrito foi desmembrado e se tornou independente,
deixando de pertencer a Soure.
Salvaterra
Salvaterra é um município brasileiro,
localizado na Ilha do Marajó, no Estado do Pará. É
considerado o principal ponto de entrada para a Ilha do Marajó, através do Porto
de Camará, localizado no extremo sul do município, na foz do rio Camará. Sua população estimada em 2010 era de 20 183
habitantes. Possui uma área de 1.039 km². Salvaterra era, desde 1901,
distrito de Soure. Foi apenas em 1961 que foi elevada à categoria de município,
conhecida desde então como a Princesa do Marajó, apresentando hoje 20.183
habitantes. Situada a Oeste do Estado do Pará, esse belo recanto amazônico
proporciona aos moradores e visitantes da região um espetáculo natural de suas
praias de água doce, dos seus igarapés e de suas fazendas. Pelos campos
encharcados durante as pesadas águas do inverno, passeiam búfalos mansos e seus
vaqueiros morenos. Água Boa é uma praia escondida dentro de Salvaterra e Joanes
fica a 17 km do município. A Reserva Ecológica da Mata do Bacurizal
e do Lago Caraparú é uma Unidade de Conservação administrada pela Prefeitura Municipal
de Salvaterra, com objetivo de proteger os recursos naturais e desenvolver o
ecoturismo. O abacaxi cultivado na região é um dos mais doces do país, tirando
daí o sustento dos moradores e a economia da região, fazendo com que o
município seja um dos grandes produtores da fruta. A produção de abacaxi de
Salvaterra já está ganhando o mundo.
Vila de Joanes em Salvaterra
Ruínas da Igreja de Nossa S. do Rosário, na Vila de Joanes, distrito de Salvaterra e a nova Igreja
Acima temos, no belo lugar da Vila de Joanes, as ruínas históricas da passagem dos antigos padres missionários jesuítas pela antiga Ilha Grande de Joanes, dos antigos Barões de Joanes da então Capitania Hereditária de Joanes, hoje relegada ao descaso e ao abandono pelos nossos governantes,
cuidados apenas por alguns cidadões de boa vontade e de visão histórica. Nesse antigo lugar
histórico da atual Ilha do Marajó existiram tribos indígenas que aproveitavam suas generosas
águas para a pesca e suas matas para caça e extrativismo dos produtos de que necessitavam.
O lugar ainda hoje apresenta sua beleza das águas e cordialidade dos moradores, mas que por falta
de logística adequada de turismo, se encontra com baixa movimentação turística. Mas as águas
do Rio Pará e vista para o Oceano, ali se encontram para quem quiser desfrutar das suas belezas
naturais.
Acima temos, no belo lugar da Vila de Joanes, as ruínas históricas da passagem dos antigos padres missionários jesuítas pela antiga Ilha Grande de Joanes, dos antigos Barões de Joanes da então Capitania Hereditária de Joanes, hoje relegada ao descaso e ao abandono pelos nossos governantes,
cuidados apenas por alguns cidadões de boa vontade e de visão histórica. Nesse antigo lugar
histórico da atual Ilha do Marajó existiram tribos indígenas que aproveitavam suas generosas
águas para a pesca e suas matas para caça e extrativismo dos produtos de que necessitavam.
O lugar ainda hoje apresenta sua beleza das águas e cordialidade dos moradores, mas que por falta
de logística adequada de turismo, se encontra com baixa movimentação turística. Mas as águas
do Rio Pará e vista para o Oceano, ali se encontram para quem quiser desfrutar das suas belezas
naturais.
Por volta do Século 18, o
Município de Salvaterra foi colonizado pelos jesuítas, que construíram a Igreja
de Nossa S. do Rosário, onde hoje está localizada a atual Vila de Joanes, para
a catequização dos indígenas. Até hoje ainda existem as ruínas desta igreja na
atual Vila de Joanes. A Vila também possui a bela Praia de Joanes. Em 31 de
dezembro de 1963, o município de Salvaterra passa a ser constituído de 5 distritos : Distrito
de Salvaterra (distrito sede); Distrito de Condeixa; Distrito de Joanes;
Distrito de Jubim; Distrito de Monsarás Praias:
Praia
Grande, Praia do Pescador e Praia
Grande de Joanes.
Comparações Entre as Realidades Passadas Com
as Atuais Realidades do Estuário Amazônico
Animais
Não só os peixes sofreram e sofrem os efeitos da pesca predatória, como
igualmente os mamíferos e outros animais de água doce do Estuário Amazônico
sofreram implacável caçada pelas suas carnes, banhas, óleos e peles que
alcançavam altos preços nos mercados importadores da Europa e Estados Unidos.
As carnes de animais como peixes-bois, jacarés, tartarugas também eram usadas fartamente
pelas populações das áreas ribeirinhas em sua dieta alimentar.
Peixe-Boi
A carne do mamífero aquático
peixe-boi que existia aos milhares nas águas amazônicas era salgada e seca,
citada na década de 1840 e era produto consumida pelas populações das áreas
estuarinas e também exportada para a Capital e na alimentação das tropas
militares do governo ou invasores estrangeiros do Estuário Tocantino e das
populações ribeirinhas.
Tartarugas
Além de sua carne para consumo
das populações e tropas militares a tartaruga oferecia a sua banha que servia
na fabricação de manteiga de tartaruga, citado na década de 1850, produzido na
Capital pelas tartarugas do Estuário Amazônico e do rio Amazonas e outros rios.
Os ovos de tartaruga também eram largamente consumidos como alimentos pelas
populações ribeirinhas da Amazônia.
Aves
Aves silvestres vivas, já citadas na década de 1840, e
exportadas em grandes quantidades e usadas como animais da ornamentação.
Penas de garças e outras aves,
usadas nas escritas de tinteiros das repartições e escolas da Província.
Peles, Couros e
Carnes Extraídos do Estuário Tocantino
Peles, nos períodos colonial e provincial do Pará, as caçadas eram
intensas no Estuário Tocantino, quando as peles eram exportadas para a Europa
para aplicação na indústria dos vestuários ou bolsas de couros finos.
Couros de veado, citados na
década de 1840, 1870, quando milhares de peles e de diversas espécies de veados
eram vendidas ou trocadas com os regateiros em milhares de unidades, e usadas
na pauta de exportação da Província.
Couros salgados, de animais
diversos, citados na década de 1840, eram couros não curtidos e mantidos
salgados como forma de conservação nas exportações para a Capital.
Couros secos, de animais
diversos, citados na década de 1840, eram os couros de animais silvestres
abundantes no Estuário Tocantino, e gado vacum, que já estavam devidamente
curtidos pela ação dos ventos e calor do sol e prontos para exportação.
Couros de bois, vindos das
fazendas e sítios do Marajó e Zona Tocantina, para a curtição em Belém nos anos
de 1860.
Leites, Resinas e
Azeites Animais e Vegetais no Estuário Amazônico
Óleo de cumaru, extraído do fruto do cumaru e com
fábricas em Belém nos anos de 1860.
Óleo de ficinio, com fábricas
em Belém nos anos de 1860.
Mamona, citado na década de
1840, usado na extração de óleo.
Carrapato, citado na década de
1840, usado na extração de óleos.
Óleo de copahyba, citado na
década de 1840, 1870, vindo da árvore copaibeira, árvore que existia em
abundância no Estuário Tocantino, que entrou em fase de extinção devido métodos
predatórios na extração do óleo (faziam buracos profundos, nos troncos da
árvore, extraindo todo o sumo e a árvore morria devido esse método de
extração). Além das demais áreas estuarinas, as terras altas dos rios Pacajás e
Anapu eram abundantes em ávores de copaibeiras, extintas pela força do machado
e do terçado já na 1ª metade do século 19 nas margens desses rios.
Óleo de umiry, vindo da árvore
umizeiro, precioso óleo que competia com o de óleo de copahyba em valor.
Azeite de andiroba que é
extraído da semente da andirobeira (Carapa Guianensis), chamado de azeite de
andiroba, era um importante produto coletado por milhares de pessoas no Baixo
Tocantins e Marajó e em coleta tão intensa que determinou a diminuição drástica
da andirobeira em áreas do Estuário Tocantino. O leite de andiroba era coletado
e embalados em potes que seguiam aos milhares para a Capital, Belém, onde era
quase todo consumido nessa praça. Em 1864 só a Região do Baixo Tocantins
exportou para Belém 9.865 potes de azeite de andiroba, resultando em grandes
lucros para esses tipos de coletores. O azeite é extraído das amêndoas
triangulares encerradas dentro da casca dessa semente, que era encontradas em
grande quantidade nas ilhas e várzeas do Estuário Tocantino e, principalmente,
no Baixo Tocantins e Marajó, entre os rios Amazonas e Pará. O processo de sua
extração em 1864 era muito arcaico e consistia o da maceração das sementes,
processo já empregada há dois séculos na Província, onde acontecia a perda de
grande quantidade de óleo e a imperfeição do produto, fatores que não lhe
permitia obter um preço mais vantajoso no mercado. E esse aperfeiçoamento da
produção do azeite de andiroba era necessário devido o início do uso do gás na
iluminação das cidades, pois esse era um dos muitos usos que se fazia com o
azeite de andiroba, junto com a fabricação de sabão e usos na medicina caseira.
Leite da árvore de
maçaranduba, que era usado pelos ribeirinhos do Estuário Tocantinos em
substituição ao leite de gado no café da manhã. Também esse leite, quando
coagulado, tinha variadas aplicações na indústria, inclusive como fornecedora
de borracha fina. A borracha do leite coagulado da maçarandubeira já é citada
em 1860. Além do leite, a maçarandubeira fornecia frutos comestíveis e madeira,
esta exportada em grande quantidade no Período Provincial do Pará.
Resina de jutahy (jutahysica),
que era extraída da árvore de Jutahy, com aplicação na envernização de louças
de barro e das cuias de fabricação artesanal do Período Provincial.
Breu, sumo que provinha da árvore breeira
Resina da ucuubeura branca, que é
uma resina sebífera, usada na indústria de velas de cera para iluminação das
casas.
Sementes
Castanha-do-pará, produto
citado desde a década de 1840, 1850, 1860, 1870, sementes largamente utilizadas
na pauta de exportação dos períodos colonial, provincial, citada na década de
1850, e nas primeiras décadas da era republicana. Após a crise da borracha,
substitui esse produto como o maior produto de exportação da Província e Estado
do Pará. Produto extrativo existente em abundância nas terras do Estuário
Tocantino.
Amendoim, produto citado na
década de 1840, em cultura de subsistência e nas grandes safras as sementes
eram exportadas para a Capital.
Caroço e frutos de inajá, produto
citado em 1840, advindo da palmeira Inajazeiro, abundante no Estuário Tocantino
e regiões, usado para produzir fumaça na coagulação da borracha.
Caças e Peles
As caças
existiam em grande quantidade em todo o Estuário Amazônico e que sofreram o
processo de caçadas, alguns pelas valiosas peles e outras pelas peles e
carnes, entre os quais citamos a grande variedade de veados e pacas, tatus, capivaras, onças,
jaguatiricas, espécies de mamíferos aquáticos (peixes-bois, lontras,
ariranhas), variedades de lagartos e jacarés (pelas carnes e peles), aves
(muitas destas caçadas por vários
motivos, como pelas carnes, penas e ornamentação de casas e museus), além da
caça das aves canoras da Amazônia, e a caça dos quelônios como tartarugas,
jabotis, muçuãs muito apreciados em algumas antigas indústrias e como iguaria
da culinária amazônica.
Citamos entre as espécies de caças existentes em grande quantidade e
variedade os veados, com algumas já extintas e outras em grande perigo de
extinção. As valiosas peles eram exportadas para a Europa nos períodos
históricos do Pará para aplicação na indústria dos vestuários ou bolsas de
couros finos ou outras aplicações industriais.
Tartarugas, tracajás, jabotins,
citados na década de 1840, existentes com abundâncias no Estuário Tocantino e
remetidos vivos para a Capital.
Realidades
Florestais
As Florestas densas, presentes
nos rasos da região; florestas densas de terras firmes insulares; florestas
densas continentais (de Anajás-Belém). Na transição do bloco de Anajás para os
campos alagáveis de Marajó, em uma faixa que se estende desde os arredores de
Muaná até as proximidades de Chaves, ocorre um ecossistema de palmeiras e
bosques diferenciados.
As Florestas de várzeas
deltaicas (Guamá-Moju e Acará e delta interno de Guamá-Moju)
As Florestas de várzeas das
planícies aluviais
Os Campos submersíveis
(Marajó)
As Faixas de aningais (Marajó)
As Campinas, campinaranas,
veredas campestres (Moju-Bragantina). Nas
veredas arenosas da região Bragantina, destacavam-se as florestas
galerias nas faixas centrais de planícies.
Os Mangues da margem direita
da bacia de Marajó.
As Costas do Estuário Tocantino,
onde o 2º ponto de costa se encontra no bordo oriental do lago de Santa Cruz do
Arari e no bordo oriental da Baía de Santa Cruz.
Madeiras do Baixo Tocantins e Marajó
A madeira foi um produto muito explorado e comercializado no Baixo
Tocantins e Marajó, desde o Período Colonial e que, agora, sofre os efeitos da
enorme devastação processada nas matas ribeirinhas e de terra firme por conta
da intensa comercialização e exportação de madeira e, principalmente, pela
derrubada das matas para implantação dos extensos canaviais do ciclo açucareiro
e, posteriormente, da indústria canavieira, além da extração da madeira para a
construção de casas, barracões, pontes, trapiches e da carpintaria naval do
Baixo Tocantins. Os extensos seringais e castanhais da Região Tocantina também
sofreram severo processo de redução, tendo em vista a extração predatória em
milhares de seringueiras e derrubada dos castanheiras para a obtenção da polpa
da sua casca, como para a extração da sua madeira ou derrubada para a
implantação do agro-negócio em áreas estuarinas tocantinas.
Como as regiões do Marajó e
Tocantins e toda a região do Estuário Tocantino ofereciam uma incrível
quantidade e variedade de madeira para várias finalidades, o comércio de
madeira-de-lei, lenha e carvão se mostrou muito intenso nessas regiões. Só de
madeira-de-lei eram mais de 200 espécies existentes em abundâncias, que
atendiam as demandas das construções de casas, serrarias e estaleiros da
construção naval do Baixo Tocantins e para exportação.
A madeira-de-lei abastecia a
Capital e grande parte era exportada para os mercados europeus e
norte-americano, a lenha servia para abastecer os navios à vapor, as caldeiras
dos engenhos, os fornos das olarias, padarias e as usinas da capital. A lenha e
também o carvão serviam de combustível nos lares ribeirinhos de todas essas
regiões e também das cidades e localidades
então existentes. Depois de séculos de desmatamentos, inicialmente para
exportação de madeira e demais usos, e depois, a destruição das matas para
abrigar os extensos canaviais da indústria canavieira do Baixo Tocantins, agora
existe a carência dos principais tipos de madeira-de-lei e árvores e arbusto
para a produção de lenha e carvão. Era comum até a década de 1960 se presenciar
nos rios de Abaetetuba as alvarengas de Belém que vinham abastecer seus porões
com centenas de toras de madeira-de-lei e lenha para exportação e para os lares
e caldeiras das fábricas e usinas da Capital. Tudo isso afetou sensivelmente a
flora local, onde o que se vê agora é apenas a existência de uma vegetação
secundária ou terciária, sem a presença de espécimes das árvores de
madeira-de-lei e lenha, outrora abundantes e agora a Região Tocantina é
obrigada a importar madeira de outras regiões do Pará. A falta de
madeira-de-lei apropriada é um dos fatores da atual decadência da Carpintaria
Naval do Baixo Tocantins e Marajó, o mesmo sucedendo com a falta dos demais tipos
de madeira que sustentavam as dezenas de serrarias dessas regiões.
Blog do Ademir Rocha, de
Abaetetuba/PA


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