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sexta-feira, 17 de outubro de 2014

Réquiem Pela História-Memória de Uma Antiga Praça e Seu Conjunto Arquitetônico e Festa de Nossa Senhora da Conceição em Abaetetuba

Réquiem Pela História-Memória de Uma Antiga Praça e Seu Conjunto 
Arquitetônico e Festa de Nossa Senhora da Conceição em Abaetetuba Desde Seus Imemoriais Tempos

Questionado por algumas pessoas do porque de não termos nos colocado contra a derrubada dos monumentos históricos existentes na Praça de Nossa Senhora da Conceição em Abaetetuba, dissemos que há muito tempo, com mais de 20 postagens sobre a Devoção à Nossa Senhora da Conceição em Abaetetuba que já vai para seus 3 séculos de devoção, já tínhamos nos colocado do lado de nossa História-Memória. Dissemos também que não somos contra o progresso e evolução das coisas, mas que tão somente nos colocamos como defensores de nossa rica História-Memória e que, agora, está indo para o limbo de nossas mais caras recordações e das lembranças das instituições e vultos citados em duas de nossas postagens sobre a Devoção à Nossa Senhora da Conceição. Será que alguém não se insurgiria contra os ricos monumentos cristãos e não cristãos da Itália, de Congonhas ou mesmo com a derrubada dos monumentos cristãos e não cristãos de Belém do Pará?
As Duas Postagens
1ª Postagem
RELIGIÃO, IGREJAS E VULTOS DE ABAETÉ 4 DEVOÇÃO À NOSSA SENHORA DA CONCEIÇÃO 
NOSSA SENHORA DA CONCEIÇÃO
O título dado à Maria, Mãe de Jesus, de N. S. da Conceição é fruto de um dogma da Igreja, acreditando que Maria foi concebida s/a mancha do pecado, nascendo, portanto, s/o pecado original. Isso ocorreu somente à Maria, para ela vir ao mundo já preparada p/ser a futura Mãe do Filho de Deus. Assim se tornaria o Tabernáculo Vivo onde Jesus moraria por 9 meses. P/ter sido pura desde sua concepção no ventre de sua mãe podemos chamá-la também de Imaculada. Daí o título de IMACULADA CONCEIÇÃO. A palavra conceição é um derivado de concebida, ou seja, Maria foi concebida, veio ao mundo, sem o pecado original e, por isso, é Imaculada. Pode ser chamada de N. S. da Conceição ou Nossa Senhora da Imaculada Conceição. O culto a N. S. da Conceição já existia em Portugal quando em 25/3/1646 o El-Rei, D. João IV, declarou a Virgem N. S. da Conceição padroeira do Reino de Portugal, oficializando um culto que já vinha desde 1589, quando já existiam muitas irmandades de N. S. da Conceição no país lusitano. Os portugueses que vieram colonizar o Brasil já trouxeram consigo o culto a N. S. da Conceição, como foi o caso do navegador português Francisco de Azevedo Monteiro que foi o introdutor desse culto no povoado de Abaeté em 1724, quando veio tomar posse da sesmaria a si doada pelo rei de Portugal.
 A antiga Barraca da Santa e sua bela fachada, tudo posto abaixo e com ela parte da História-Memória de Abaetetuba


Com a evolução da reforma da Barraca de Nossa Senhora
da Conceição, pensava-se que a antiga fachada em concreto dessa Barraca
deveria permanecer como entrada para os recintos dessa estrutura
que representava a memória da passagem dos Missionários
Xaverianos por Abaetetuba. Ledo engano, pois a fachada histórica 
foi demolida para em seu lugar ficar só uma parede frontal, acrescida
de uma horrível estrutura em acrílico
 O Monumento ao Cristo Crucificado, em bela foto, vai ter o mesmo destino dos demais monumentos da antiga Praça da Conceição?
 O Padre Luisão foi o construtor da Fachada da antiga Barraca da Santa

OS PADRES CAPUCHOS INICIAM A CATEQUESE DOS NATIVOS DE ABAETÉ
A história religiosa de Abaetetuba fala dos padres capuchos e padres jesuítas em missão de catequese no povoado de Abaeté. Quem foram os padres capuchos? Os padres capuchos eram os padres da Ordem de Santo Antônio de Lisboa e de N. S. da Conceição da Beira, em Portugal, que chegaram à Província do Pará em 22/7/1617. Nesse mesmo ano os padres capuchos da Ordem de Santo Antonio fundaram o Convento do Una em Belém, assim chamado por essa instalação ficar situada às margens do igarapé Una, em Belém/Pa. Na mesma Belém, no Século 18, em 1736, iniciam a construção da Igreja de Santo Antônio. Esses padres chegaram à Província do Pará c/a missão de catequizar e aldear os nativos nômades, das etnias tupinambás existentes nas regiões de Belém e às s/proximidades. Nas suas visitas aos nativos de Cametá/Capitania de Camutá, também iniciam a catequização dos nativos que viviam à beira dos rios da região. Nas suas visitas aos nativos de Conde/aldeia Mortigura, Beja/aldeia Samahuma e Cametá/aldeia dos Camutás, os padres capuchos também estiveram em visitas aos índios Abaetés, fazendo um trabalho de catequese junto a esses índios, que quando da chegada do português Francisco de Azevedo Monteiro, eles já estavam devidamente catequizados. 
ALGUNS REGISTROS SOBRE A MISSÃO DOS PADRES CAPUCHOS
Foram inicialmente 4 os capuchos designados p/o trabalho árduo da catequese dos nativos: Frei Felipe de S. Boaventura, Frei Sebastião do Rosário, Frei Cristóvão de S. José e Frei Antonio da Marciana. Os capuchos saíram a cumprir a s/nobre missão. O Frei Cristóvão de S. José subiu o rio Tocantins e, na s/margem esquerda lançou os fundamentos de um núcleo populacional, que recebeu o nome dos nativos do lugar, os índios Camutás/Capitania de Camutá. O Frei Cristóvão de S. José foi um grande desbravador, pois. ao subir o rio Tocantins em canoa, na árdua missão de de transformar homens bárbaros em homens dóceis, rebelados em doutrinados, cultivando almas como se cultiva a terra, ele lançou os fundamentos da Vila Viçosa de Santa Cruz de Camutá, onde havia de ser ereta a Capitania de Feliciano Coelho de Carvalho, em 1635. Com a ajuda desses gentios abriu caminhos em direção às florestas próximas. E ficou 3 anos de trabalho missionário, viajando constantemente pelo litoral, embrenhando-se nas matas à procura dos nativos para catequizá-los. Os capuchos auxiliavam os portugueses na obra de conquista, tornando-se notável o trabalho desses religiosos, que foram os primeiros na evangelização dos nativos e na entrada através do sertão. Em 1653 esses padres se retiram de suas bases de catequese dos povoados Mortigura/Conde, Samuhuma/Beja e Abaeté.
A CHEGADA DE FRANCISCO DE AZEVEDO MONTEIRO
Quando o navegador Francisco de Azevedo Monteiro aportou às margens do rio Maratauhyra, em 1724, já encontrou os nativos do lugar devidamente catequizados e para ele não foi difícil construir a capela dedicada a N. S. da Conceição, fruto de uma s/promessa, de que se escapasse da fúria de um temporal mandaria erigir referida capela em honra à Virgem da Conceição. Para isso ele contou c/a ajuda dos nativos locais. Francisco de Azevedo Monteiro já trouxe consigo a devoção à N. S. da Conceição, pois o culto a N. S. da Conceição já existia em Portugal, quando em 25/3/1646 o El-Rei, D. João IV, declarou a Virgem N. S. da Conceição padroeira do Reino de Portugal, oficializando um culto que já vinha desde 1589, quando já existiam muitas irmandades de N. S. da Conceição no país lusitano. Era tão forte a devoção dos portugueses à N. S. da Conceição, no início da Colonização do Brasil e, especificamente do Pará, que dos 74 topônimos religiosos dados às localidades paraenses, antes da expulsão dos jesuítas e outras ordens religiosas do Pará, que 22 eram dedicados à N. S. da Conceição, seguido de S. João Batista com 14 lugares, enquanto S. Miguel, S. José, Santa Maria e N. S. do Rosário acham-se espalhados em 20 outras vilas e cidades. Isso demonstra a força da devoção dos portugueses p/N. S. da Conceição. Portanto, foi Azevedo Monteiro, o introdutor desse culto no povoado de Abaeté em 1724, quando veio tomar posse da sesmaria a si doada pelo rei de Portugal. O culto a N. S. da Conceição encontrou terreno fértil entre os nativos do lugar, que se encarregaram de perpetuar essa devoção.
OS PADRES JESUÍTAS NA CATEQUESE DOS NATIVOS DE ABAETÉ
Quem foram os padres jesuítas? Depois dos missionários capuchos e dos carmelitas calçados, chegaram ao Pará os religiosos da Companhia de Jesus, os jesuítas, fundada em 1534 pelo espanhol Inácio de Loyola e companheiros. O 1º jesuíta a desembarcar na cidade de Belém foi o padre Luís Figueira no ano de 1636. Após um trabalho de evangelização no rio Amazonas, junto às tribos do rio Xingu, regressou esse padre à Europa, a fim de trazer mais religiosos para a obra de catequese. Em 1645 estava de volta ao Amazonas e estando às proximidades da baía do Sol, sofre um naufrágio e o padre Figueira e mais 9 religiosos foram trucidados pelos índios aruans do Marajó. Somente em 1653 os jesuítas retornaram ao Pará, trazendo uma carta onde existia a permissão para esses religiosos fundarem igrejas e doutrinar e encaminhar os gentios nos caminhos da fé. Levantaram estes, na Campina, em Belém, casa e capela, pequenas e de palhas, como as dos gentios. Da Campina passaram p/junto ao Forte do Presépio, onde construíram nova casa e capela. P/longos anos prosseguiram o trabalho na construção do Colégio de Santo Alexandre, que também servia de repouso aos missionários quando voltavam das entradas e missões ao redor de Belém. Foi grandioso o trabalho dos jesuítas no Pará, subindo os rios e penetrando nos lugares inóspitos, fundaram povoados e levaram a palavra de Deus aos índios, tornando-os, desse modo, excelentes colaboradores dos portugueses. Além do Marajó os jesuítas estabeleceram bases em outros lugares, lutando pela liberdade dos índios, inclusive junto aos nativos das aldeias Mortigura e Samuhuma, de onde faziam incursões pelas terras dos índios Abaetés a partir de 1660, em substituição aos padres capuchos que haviam abandonado essas missões em 1653. Dos povoados existentes no Pará Antes da chegada de Francisco Xavier de Mendonça Furtado, irmão do Marquês de Pombal, 26 eram aldeias ou núcleos de povoados dos padres jesuítas, como: Caeté, Maracanã, Cabu, Vigia, Mortigura, Samahuma, Araticu, Aricará, Bonarí, Camaú, Santo Antonio e outros núcleos e outros tantos eram dos padres capuchos, como Camutá, 2 na ilha de Joanes/Marajó, Gurupá. Os padres jesuítas em Abaeté: Foi notável o trabalho do jesuíta Aluizio Conrado Pfeil em terras de Abaeté, em serviço de missão e organização política e social do povoado c/os nativos locais e algumas famílias vindas do Marajó. Os nativos locais já estavam devidamente catequizados pelos padres capuchos e c/forte sentimento de devoção à N. S. da Conceição, haja vista que o próprio nome do nascente povoado era Povoado de Nossa Senhora da Conceição dos Abaetés, alusão à Virgem da Conceição e aos nativos do lugar. Seu trabalho em prol do lugar fez com que o governo lhe concedesse a sesmaria da qual Azevedo Monteiro desistira. Por causa dessa doação o padre Aluizio Conrado Pfeil insistiu junto ao bispado na elevação do povoado á condição de freguesia. 1754: D. Miguel de Bulhões/D. Frei Miguel de Bulhões e Sousa (1748-1760) cria a Paróquia de Abaeté, contemporaneamente às de Igarapé-Miry, Moju, Acará e outras doze paróquias. Seguindo-se ao Padre Pfeil, chega o padre português Padre Antônio Ekel, que iniciou a construção da Igreja de Beja, cujo templo só foi concluído muitos anos depois, em 1888, pelo Padre Pimentel/Padre Francisco Manoel Pimentel. Seguindo-se ao Pe. Antonio Ekel, outros padres por aqui passaram: Pe. José Maria Jarconi, Pe. Bento de Oliveira, Pe. Manoel Sousa, Pe. João Felipe Bettendorf, que escreveu sobre as missões dos jesuítas no Pará. A Freguesia de Nossa Senhora da Conceição de Abaeté fica, porém, subordinada ao território eclesiástico de Beja. Devido a forte defesa em favor da liberdade dos gentios e a forte oposição que faziam aos colonos portugueses e a Companhia Geral do Comércio, condenando o monopólio dessa companhia, os jesuítas sofreram grande oposição desses colonos portugueses e do próprio Governador Francisco Xavier de Mendonça Furtado, irmão do poderoso Marquês de Pombal, que levantaram falsas acusações aos trabalhos dos jesuítas e de falsos crimes que estes praticavam na província, que acabaram p/levar a expulsão desses missionários de todo o sertão do Amazonas, em 10/7/1757. Somente em 1842 os jesuítas voltaram novamente ao Brasil. Citações s/as terras da paróquia: 1) Sobre as terras da Igreja Católica em Abaeté existe uma citação: “Sorte de terras denominada ‘Conceição`, de propriedade da Igreja, onde está assentada a cidade de Abaeté, às margens do rio Maratauhyra”. 2) Foi o padre Jerônimo Roberto Pimentel que aumentou o tamanho do terreno doado por Raposo à Mitra Diocesana. Esse aumento atingiu “às dimensões da antiga sesmaria de Monteiro, isto é, desde o Igarapé Coqueiro até a boca do Rio Jarumãzinho”, onde seria assentada a Paróquia de Abaeté.
A DEVOÇÃO A N. S. DA CONCEIÇÃO SE FIRMA COM O CRESCIMENTO DO POVOADO
A 1ª capela dedicada a N. S. da Conceiçao sofreu os efeitos do tempo e da umidade, ficando em ruínas. Foi construída uma 2ª capela e ao redor dessa capela foi construído um 1º cemitério em Abaeté, denominado Cemitério de N. S. da Conceição. Para levar os fiéis p/a capela de N. S. da Conceição e p/o cemitério foi aberto um caminho que, logo depois, ficou sendo chamado pelo povo de Travessa de N. S. da Conceição/Travessa da Conceição. Esse antigo cemitério foi descoberto quando se fizeram escavações no lugar. Citações: 1) 1894: Trav. da Conceição. 2) 1896: O Intendente Emygdio Nery da Costa/1894-1896 mandou construir o 1º Cemitério Municipal de N. S. da Conceição, em 1896, cfe. citação: “Pago à Leonel Antonio Lobato, pela verba –continuação do Cemitério Municipal – sito na Trav. da Conceição, em 24/10/1896, a 1ª prestação do contrato com a intendência” – Nery da Costa. 3) Av. Abraão Fortunato, onde foi construído o cemitério, c/frente em tijolos e lados cercados com achas. 4) 1902: Na Passagem da Conceição foi construído o prédio em dois pavimentos do Grupo Escolar de Abaeté, inaugurado em 2/4/1902, tendo como 1º diretor o Professor Bernardino Pereira de Barros. 5) 1904: Um trecho de uma escritura de imóvel de 1904 que diz o seguinte: Trav. da Conceição c/a R. Abraham Fortunato. 6) 1904: Rua Cel. Aristides, canto c/a Trav. da Conceição. 7) Em uma escritura de imóvel de 1904 se encontra o trecho: Imóvel situado na Pça. da República, esquina c/a Trav. da Conceição. 8) De 1905 a 1915: Trav. da Conceição. A 2ª capela de N. S. da Conceição, c/o passar do tempo, também ficou em ruínas devido estar localizada em local inadequado, pois ali era um local de várzeas e, p/isso, como já existia a pequena igreja do Divino E. Santo, o culto a N. S. da Conceição passa a ser feito nessa pequena igreja. O Cemitério de N. S. da Conceição também foi considerado impróprio para sepultamentos p/que estava localizado em uma via pública que estava nascendo, a /Travessa de N. S. da Conceição/Travessa da Conceição, p/isso também foi desativado pouco tempo depois. Foi a partir do culto a N. S. da Conceição na igreja do Divino E. Santo que essa devoção cresceu ainda mais em Abaeté. Inicialmente a devoção a N. S. da Conceição na Igreja do Divino, obedecia ao costume antigo dos novenários. Mas como N. S. da Conceição já era considerada padroeira da cidade, o novenário passa a se constituir em uma verdadeira festa de santo c/direito a tudo o que uma festa desse tipo possui, como mastro, hasteamento de bandeiras, folguedos, etc. Assim também acontece o 1º Círio dedicado a N. S. da Conceição em 1912. Os festejos e os círios dedicados a N. S. da Conceição vieram consolidar o culto a essa santa em terras de Abaeté. Citações: 1) Há uma citação que faz a seguinte referência sobre o 1º Círio oficial de N. S. da Conceição, em 1912: O Círio saiu da Igreja do Divino, na Pça. da Conceição/hoje Praça Francisco de Azevedo Monteiro, ganhou a Trav. Nova/hoje Trav. Pedro Pinheiro Paes, foi pela Silva Jardim/hoje Travessa Pe. Luiz Varela, contornou o grande espaço aberto/antiga Pça. Dr. Augusto Montenegro (hoje atual Pça. de N. S. da Conceição e o antigo campo de futebol do Abaeté Futebol Clube) e retornou pela R. Torquato Barros/hoje trecho da Rua Barão do Rio Branco.
A DEVOÇÃO A NOSSA SENHORA DA CONCEIÇÃO COM OS PADRES SECULARES DE BELÉM
Os padres seculares ou diocesanos estão a serviço exclusivo da diocese, não de uma ordem religiosa ou congregação e dependem apenas de seu bispo. Não professam voto de pobreza e outros votos, mas apenas as promessas de obediência ao bispo e também de celibato. Fazem também promessa de rezar todos os dias a Liturgia e celebrar a Eucaristia. Já na condição de freguesia o povoado de Abaeté começou a merecer atenção das autoridades eclesiásticas de Belém, pois já era um local onde a fé católica se enraizara de modo definitivo, especialmente levada pela devoção à N. S. da Conceição. Em 1765 começam a chegar em Abaeté os padres seculares vindos inicialmente de Beja, e depois, de Belém, para substituir os padres jesuítas, expulsos das terras brasileiras. Citações: 1) 12/6/1785: D. Frei Caetano Brandão: visita Conde, Beja, Barcarena, Cajari e o povoado de Abaeté e descreve esses povoados e seus habitantes. Na visita à Abaeté, escreve: “sua igreja era pequena, seus moradores eram brancos e mestiços, estes em número de mil e tantas almas, espalhados pelas suas roças e cacauais. As casas eram de palha, feias. O terreno era fértil. A produção era: cacau, café, arroz e mandioca”. – D. Frei Caetano Brandão – memórias – Braga – 1867, II Edição – Tomo I, pag. 149. 2) Em 1785 regressa Á Belém, depois de cumprir mais uma visita pastoral, o Bispo do Pará Dom Frei Caetano Brandão. As vilas visitadas foram as seguintes: Conde, Beja, Macapá, Mazagão, Arraiolas, Esposende, Almeirim, Monte Alegre, Porto de Moz, Gurupá e os lugares de Barcarena, Abaeté, Cajari, Outeiro, Vilarinho do Monte e Carrazedo, lugares onde celebrou batizados, crismas e casamentos.
CRONOLOGIA DA PRESENÇA DOS PADRES SECULARES DE BELÉM EM ABAETÉ
Após a saída dos padres jesuítas das terras abaeteenses, esses padres são substituídos pelos padres seculares vindos do Bispado de Belém e eles usam a pequena Igreja do Divino E. Santo como Igreja Matriz de Abaeté. Alguns padres desse período de Freguesia de Abaeté, que ajudaram o povo a manter firme sua devoção a Virgem da Conceição: 1) 1821-1842: Padre Jacob Cordeiro de Miranda. Em 1833 a freguesia contava com 2.425 moradores livres e 1639 escravos, conforme Baena – Ensaios, 343 – em escravidão indígena e negra. 2) 1842-1851: Jerônimo Pimentel/Cônego Jerônimo Roberto da Costa Pimentel. Foi o padre Jerônimo Roberto Pimentel que aumentou o tamanho do terreno doado por Raposo à Mitra Diocesana. Esse aumento atingiu “às dimensões da antiga sesmaria de Monteiro, isto é, desde o Igarapé Coqueiro até a boca do Rio Jarumãzinho”, onde seria assentada a Paróquia de Abaeté. Esse padre se envolveu em muitas questões políticas no Pará, relativas a Revolução da Cabanagem, foi deputado da 1ª Assembléia Provincial do Pará em 1838. 1844: A Freguesia de Abaeté é anexada à de Igarapé-Miry, em 11/9/1844 e desmembrada pouco tempo depois, em 19/10/1844. 3) 1851-1859: Padre Coadjutor Antonio Francisco Pereira Matos. 4) 1859-1871: Nogéo José Eliziário Margoroso. 5) 1871: Padre Hermenegildo Domiciano Cardoso Perdigão. 1877: A Freguesia de Abaeté é anexada ao Bispado de Belém, junto c/o de Beja. 6) 1871-1880: Estando como pároco de Abaeté o Cônego Antonio José Bentes, este é nomeado como o 1º vigário de Abaeté, em 1879. 7) 1873: Vigário interino, Frei João da Santa Cruz, pouco tempo permanecendo em Abaeté. 8) 1879: Cônego João Muniz.
ABAETÉ COMO VILA E COM O SEU 1º VIGÁRIO
9) 1880: A Freguesia de Abaeté desmembra-se do Bispado de Belém e é elevada à categoria de vila e Beja é anexada à nova vila, perdendo s/condição de freguesia. 1880: Padre Antonio Nicolau Valentino. 1880: Padre Felisiano Dias de Abreu.
ABAETÉ COM SUA 1ª CÂMARA: 1881
Somente em 7/1/1881 é instalada a 1ª Câmara da Vila de Abaeté, tendo como Presidente da Câmara o Ten-Cel. Arlindo Leopoldo Correa de Miranda, ficando nessa condição em dois períodos, 7/1/1881-1884 e 1884-1887. Padres a partir desse período: 10) 1882-1888: Padre Theodoro Gabriel Thambi, padre secular. 1883: Em 23/3/1883 a Vila de Abaeté consolida-se como sede da Vila, ficando Beja como distrito da nova vila. O município de Abaeté foi criado a 23 /3/1883, quando a antiga freguesia de Abaeté foi elevada à condição de vila. Ao novo município pertenceriam as terras da antiga freguesia de Beja. A instalação da Câmara Municipal ocorreu a 7 de janeiro do ano seguinte. Em 13/12/1886 a séde da comarca de Igarapé-Miry passou para Abaeté, lei revogada um ano depois.
ABAETÉ COMO CIDADE: 15/8/1895
Abaeté é elevada à categoria de cidade, na gestão do intendente Emygdio Nery da Costa. Padres após esse período: 11) 1888-1899: Padre Francisco Manoel Pimentel, que chegou a ser intendente municipal de Abaeté no período de 1896-1900. Vide Pe. Francisco Manoel Pimentel em “ruas de Abaeté”. 12) 1907-1913: Cônego Raimundo Ulisses de Penafort. 13) 1913-1916: E. Costa Teixeira. 14) 1916: Cônego Ricardo Fellipe da Rocha, junto c/o frei Teobaldo 1916: Frei Theobaldo, capuchinho. 15) 1917: Padre Bernardino Ferreira Antero e Padre Luiz Varella. O padre Bernardino ficou pouco tempo em Abaeté, ficando apenas o padre Luiz Varella como vigário de Abaeté até 1932. 1917-1932: Padre Luiz Varella, que foi o grande incentivador da construção da nova Igreja Matriz de Abaeté ou IGREJA MATRIZ DE N. S. DA CONCEIÇÃO. Vide Pe. Luiz Varella em “ruas de Abaeté”. 1927: O padre Geraldo de Carvalho, era membro do Clube Carlos Gomes e secretário do Vera Cruz Sport Club. 16) 1932-1936: Padre Ignácio Magalhães, que foi espancado por seus poderosos desafetos, preso pelo comissário de polícia da época. Por esse motivo a paróquia de Abaeté ficou s/padre e a nova Igreja Matriz de N. S. da Conceição ficou fechada para missas e funções religiosas, só vindo p/Abaeté padres em missões específicas e passageiras. 1936: Paróquia de Abaeté, na gestão do prefeito João Francisco Ferreira (prefeito nomeado: 7/7/1935-12/2/1936 e prefeito eleito: 12/2/1936-31/12/1937) fica fechada, c/a Igreja Matriz de N. S. da Conceição em período de construção. Padres que estiveram em Abaeté no período de interdição da paróquia os seguintes padres: 17) 1936: Padre Eurico Frank, missão específica. 18) 1937: Padre Menezes/Padre José Carvalho de Menezes, missão específica. 19) 1937: Padre João Van Brun, missão específica. Este celebrou a 1ª missa na nova Igreja Matriz de N. S. da Conceição. 20) 1937 A 1939: O Padre Luiz Gussenhoven que esteve aqui em missões específicas em 1937, 1938 e 1939. Foi ele que, em 1939, passou a Paróquia para as mãos dos padres da Congregação dos Padres Capuchinhos, na pessoa do Frei Gabriel, designados que foram pela Arquidiocese de Belém, para o Trabalho Pastoral no município de Abaeté. Isso significou o fim do período de interdição da Paróquia de Abaeté. Alguns padres capuchinhos, que deveriam assumir a Paróquia, também estiveram em Abaeté.
A DEVOÇÃO A N. S. DA CONCEIÇÃO E O PADRE LUIZ VARELLA
Foi o Pe. Luiz Varella/Luiz de França do Amaral Varella, que chegou a Abaeté em 1917, que sentiu a antiga devoção dos abaeteenses p/N. S. da Conceição e o s/forte anseio em construir uma igreja matriz dedicada à s/padroeira, N. S. da Conceição. Ele c/o seu característico dinamismo em fundar e construir obras para atender a Igreja e a sociedade, toma para si essa responsabilidade e logo convoca o povo católico para atender a essa antiga aspiração de ter uma igreja matriz dedicada a N. S. da Conceição. A idéia do padre e seus companheiros ganha corpo e logo empolga o povo católico abaeteense, que sob o comando de uma grande comissão começam as campanhas de arrecadação de fundos, usando os mais diferentes meios e formas nessas campanhas, que envolveram entidades e pessoas p/a construção da tão sonhada “nova igreja Matriz de Abaeté” ou Igreja Matriz de N. S. da Conceição. Essa foi a 1ª comissão formada para esse fim, nos tempos do Pe. Luiz Varella. Algumas citações a esse respeito: 1) O Senhor Francisco Assunção dos Santos Rosado, dedicado tesoureiro da grande Comissão encarregada da construção de nova Igreja matriz, c/livro caixa e balancetes. Balanço da Olaria N. S. da Conceição, de que o Sr. Francisco Assunção dos Santos Rosado é superintendente. Valor da arrecadação: 72$000, que é um maravilhoso resultado. 2) Óbulos, tijolos: “F. A. Santos Rosado & Cia. com 600 tijolos. Outros: 5.800 tijelas de seringa e telhas”, oferecidos p/a campanha de N. S. da Conceição. 3) “A Lancha Tucumanduba de propriedade do Sr. Cel. Maximiano Guimarães Cardoso, levando membros da Comissão da Construção da Matriz: Padre Luiz Varella, Francisco Assunção dos Santos Rosado, José Antonio de Castro, Teodomiro Amanajás de Carvalho e Amphiano Quaresma, Presidente, tesoureiro e membros da Comissão, pelas cidades vizinhas à Abaeté, c/resultados pífios”. 4) 1924: Estatutos da Irmandade de N. S. da Conceição, encarregada da construção da Igreja Matriz. 5) Campanha em fevereiro de 1920, no tempo do Intendente Sr. Coronel Aristides dos Reis e Silva. Produto da Olaria em prol da construção da Matriz: 7.036$773, patrimônio de N. S. da Conceição. Produto do teatrinho e recursos particulares do Sr. Francisco de Assunção dos Santos Rosado, p/levar avante o teatro, mais de 1:200$000, espetáculo em prol da construção da Matriz, José Antonio de Castro, tesoureiro.
A DEVOÇÃO A N. S. DA CONCEIÇÃO PERDURA NO TEMPO
Relembrando: 1) O antigo povoado, nascido em 1724 c/Francisco de Azevedo Monteiro, era chamado de Povoado de Nossa Senhora da Conceição de Abaeté. 2) Em 1754 D. Bulhões/D. Frei Miguel de Bulhões e Sousa (1748-1760) cria a Paróquia de Abaeté. 3) Pelos esforços do Pe. Aluísio Conrado Pfeil é criada a Freguesia de N. S. da Conceição dos Abaetés. 4) As terras da freguesia de Abaeté, nos documentos da época eram denominadas “Sorte de terras ‘Conceição` de propriedade da Igreja Católica”. 5) As primeiras capelas dedicadas a N. S. da Conceição, eram denominadas Capela de N. S. da Conceição. Nessas capelas, conforme costume católico antigo eram realizadas as ladainhas do novenário à Virgem da Conceição. Essas capelas eram rústicas e construídas em madeira e palha, conforme o costume dos nativos locais. 6) O 1º cemitério publico da vila de Abaeté, era denominado Cemitério de N. S. da Conceição, que teve que ser removido p/outro local p/se localizar em local impróprio p/sepultamentos. 7) A rua onde foram edificadas as primeiras capelas e o 1º cemitério de Abaeté ficou sendo denominada popularmente “Travessa de N. S. da Conceição/Travessa da Conceição, porque ali estava edificada a capela de N. S. da Conceição, onde os nativos do lugar prestavam culto a N. S. da Conceição. Essa antiga rua deu origem a atual Av. Pedro Rodrigues.
A QUASE TRICENTENÁRIA DEVOÇÃO A NOSSA SENHORA DA CONCEIÇÃO
Desde a criação do povoado de Abaeté, até a criação da Vila de Abaeté em 1880, foram 156 anos de devoção dos nativos e habitantes do lugar a N. S. da Conceição. Isso significa mais de um século e meio de devoção à Virgem da Conceição, c/precária assistência de padres, pois estes tinham um enorme território para dar assistência catequética, como foi o caso dos jesuítas e dos padres seculares de Belém, que além de Abaeté, tinham muitos outros centros de catequese para desenvolver seus trabalhos espirituais. A partir da condição de vila, constituída em 1880, a devoção a N. S. da Conceição continua a ter o acompanhamento dos padres enviados pelo Bispado de Belém, agora na condição de vigários e até a elevação de Abaeté à condição de cidade em 1895, são mais 15 anos de devoção à Virgem da Conceição. E até os últimos dias do ano de 2009, já são 285 anos de veneração à N. S. da Conceição, o que configura um próximo tricentenário de devoção dos abaetetubenses a N. S. da Conceição.
A DEVOÇÃO A N. S. DA CONCEIÇÃO NA IGREJA DO DIVINO E. SANTO
Após a ruína da capela de N. S. da Conceição, que ficava na Travessa da Conceição, o culto a N. S. da Conceição passa a ser realizado na pequena igreja do Divino E. Santo, que ficava na antiga Praça da República e a devoção à Virgem da Conceição leva a outras mudanças p/essa devoção. Assim: 1) A Praça da República passa a ser denominada popularmente de Praça de N. S. da Conceição/Praça da Conceição (antes era chamada de Praça do Divino), por que ali se localizava a pequena Igreja do Divino E. Santo, onde se venerava e se festejava a Padroeira de Abaeté, N. S. da Conceição. A festa de N. S. da Conceição nessa praça passa a seguir aos antigos costumes de uma festa de santo, com: o arraial c/mastro, os coretos e hasteamento da bandeira, as alvoradas c/fogos e música de banda, os enfeites, as vendas, as procissões que se transformam em Círio no dia 28/11 e dia da festa a 8 de dezembro, dia de N. S. da Conceição e as pessoas trajando suas melhores roupas ou roupas novas p/melhor honrar N. S. da Conceição, e a introdução das músicas de bandas. As bandas começaram a participar das cerimônias religiosas, acompanhado os cantos religiosos na igreja, na procissão do Círio e após as cerimônias religiosas, quando executavam s/dobrados, marchas, sambas, choros e outras músicas animadas, prenunciando os antigos folguedos de arraial, que transformavam uma festa religiosa c/muitos motivos profanos. Convém salientar que as festas de N. S. da Conceição, na antiga Igreja do Divino, foram realizadas até o ano de 1936, quando a nova igreja matriz já estava em construção. Como a festa de N. S. da Conceição era a festa da padroeira do município de Abaeté, também nas casas começaram a se implantar o costume das refeições preparadas especialmente p/esse dia. Nessa época os ribeirinhos de Abaeté começaram a afluir, vindos de s/localidades nas ilhas de Abaeté, em suas canoas à vela ou outros tipos de embarcações, p/também honrar N. S. da Conceição. Famílias inteiras vinham do interior do município e se hospedavam nas casas de s/parentes e amigos da cidade ou eles mesmos construíam casas para esse fim, como foi o caso dos ribeirinhos siriteuaras, que ajudaram a fundar as chamadas vilas Saracura e Sarará. No arraial também se vendiam comidas e bebidas típicas do lugar, doces, brinquedos e se introduziram outros folguedos de arraial. 2) O 2º cemitério público da cidade de Abaeté, manteve o nome de Cemitério de N. S. da Conceição, transferido que foi para a R. Francisco Antonio da Costa/Rua do Cemitério. Algumas tumbas desse novo cemitério trazem inscrições de sepultamentos de falecidos que vieram do 1º Cemitério. E muitas tumbas antigas foram construídas c/muito esmero, como verdadeiras obras de arte, em material variado como mármore, granito, c/incrições em baixo relevo e muitas figuras de anjos e outros motivos católicos. Esse cemitério já devia estar tombado há muito tempo, pelo s/valor histórico e patrimonial que representa, que vai sendo dilapidado a cada ano. 3) De um simples culto, a veneração a N. S. da Conceição passa a ter conotação de uma grande festa, a Festa de N. Senhora da Conceição, a Padroeira do município de Abaeté, que ultrapassou em grandeza outras antigas festas de santos da cidade como a Festa do Divino Espírito Santo, a festa de S. Raimundo Nonato, a Festa de São Sebastião e outras festas. 4) Com os festejos dedicados a N. S. da Conceição veio o 1º Círio de N. S. da Conceição, que aconteceu em 1912. 5) A festividade de N. S. da Conceição foi realizada na igreja do Divino até o ano de 1936 e após esse ano passou a ser realizada na nova Igreja Matriz de Abaeté ou Igreja Matriz de N. S. da Conceição, que ainda estava em construção.
A 1ª CAMPANHA DE ARRECADAÇÃO DE FUNDOS P/A CONSTRUÇÃO DA NOVA IGREJA MATRIZ DE ABAETÉ

 Duas fotos da Igreja Matriz de Abaeté
 Um grupo de meninas em frente da original Igreja Matriz de Abaeté, ainda em construção
Parte interna da original Igreja Matriz de Abaeté
Durante as primeiras campanhas de arrecadação de fundos p/a construção da Igreja Matriz de Abaeté, a partir das primeiras décadas do Sec. 20, pessoas e entidades se envolveram diretamente nessas campanhas, como: 1) Irmandade de Nossa S. da Conceição, que deveria congregar todas as pessoas envolvidas nas campanhas de arrecadação de fundos, devotos e devotas de N. S. da Conceição, p/a construção da nova Igreja Matriz de Abaeté. S/grande mentor foi o Pe. Luiz Varella, que junto c/o rico comerciante/industrial e católico Francisco de Assunção dos Santos Rosado, que foi o 1º thesoureiro dessas campanhas. Irmandade de N. S. da Conceição foi a irmandade criada para N. S. da Conceição, uma vez que a maioria dos santos, venerados na antiga Abaeté, tinham a sua irmandade. Essa irmandade com estatutos e tudo. Seus diretores eram os mesmos que compunham a Grande Comissão para arrecadação de fundos c/aquela finalidade. Citações de 1924: “Estatutos da irmandade de N. S. da Conceição, encarregada da construção da Igreja Matriz”. “O Senhor Francisco de Assunção dos Santos Rosado, dedicado tesoureiro da grande comissão encarregada da construção da nova igreja, com livro caixa e balancetes”. 2) Theatro Nossa S. da Conceição, foi o teatro montado no alpendre da Igreja do Divino, para se encenar peças, com fundo musical, cuja finalidade era a de arrecadar fundos para a construção da nova Igreja Matriz de Abaeté. Esse teatro se chamava de Teatro de N. S. da Conceição e as peças eram encenadas pelos componentes do Grupo Scênico de Abaeté, com o fundo musical feito pela Banda Paulino Chaves, grupo musical criado com a ajuda do Padre Luiz Varella. 3) Grupo Scênico de Abaeté, c/seus artistas amadores da cidade, constituído de rapazes, moças, senhoras e senhores para apresentar os espetáculos teatrais no chamado Theatro de N. S. da Conceição. Era tudo devidamente organizado, c/peças teatrais devidamente escolhidas e ensaiadas p/professor Alberto Costa e c/fundo musical da Banda Paulino Chaves. 4) A Banda Paulino Chaves, que fazia o fundo musical desses espetáculos e participava dos eventos e celebrações religiosas no tempo do Pe. Luiz Varella. Essa banda foi fundada pelo Mestre Gerônimo Guedes em 1919. 5) Olaria Nossa Senhora da Conceição, que foi doada p/Francisco de Assunção dos Santos Rosado à campanha de arrecadação de fundos N. S. da Conceição e que era gerenciada p/mesmo Sr. Rosado, cuja venda de s/produtos deveria reverter p/a construção da nova Igreja Matriz de Abaeté. Balanço da Olaria N. S. da Conceição, de que o Sr. Francisco Assunção dos Santos Rosado é superintendente. Valor da arrecadação: 72$000, que é um maravilhoso resultado. 6) A Liga de Torcedoras do Vera Cruz Sport Club, que era uma torcida organizada do Vera Cruz Sport Club, formada só p/mulheres, que nos dias de jogos do clube saíam pela cidade comandando passeatas, cantando os hinos do clube, acompanhada da Banda Paulino Chaves.
A 2ª CAMPANHA DE ARRECADAÇÃO DE FUNDOS E MATERIAIS DE CONSTRUÇÃO P/A IGREJA MATRIZ DE ABAETÉ
Seguindo-se ao Pe. Luiz Varela, chega à Abaeté o controvertido Pe. Magalhães/Padre Ignácio Ramos de Magalhães, que assume a paróquia, de 1932 a 1936. Ele encontra a cidade em um contexto social e político injusto e passa a defender os oprimidos do município e começa a criticar os senhores de engenho, os grandes comerciantes e os políticos da época, que ele afirmava explorar e desonrar famílias e pessoas humildes da cidade. Devido a essas acusações o Pe. Magalhães foi vítima de um ato de violência, em 1936, praticado pelas pessoas que ele criticava em seus sermões ou a mando destes, quando foi barbaramente espancado, quando se preparava para celebrar a missa das 5 horas da manhã daquele triste dia. E devido a esse ato de violência, o Arcebispo de Belém, D. Antonio Lustosa/Antonio de Almeida Lustosa (1931-1941) determina o fechamento da Igreja Matriz de Abaeté, que estava ainda em construção. C/o fechamento da Matriz o povo de Abaeté não podia mais participar das missas e das outras funções religiosas. Esse foi o pior castigo imposto p/D. Antonio Lustosa a todo o povo de Abaeté, p/culpa de algumas pessoas. Mas antes do s/espancamento o Pe. Magalhães não perde tempo constituindo uma 2ª comissão para os trabalhos da construção da nova Igreja Matriz de Abaeté. 1) Em 1933 foi constituída uma 2ª comissão para a construção da Igreja matriz, presidida por Joaquim Mendes Contente, que recebeu o aval do Arcebispo de Belém, D. Antonio Lustosa, em 1933, para a construção da nova igreja. Foram lançadas campanhas para a arrecadação de materiais para a construção da igreja. A primeira campanha foi a “campanha das pedras”, onde os barcos que chegavam à cidade vinham carregados de pedras que lançavam às margens do rio da frente da cidade. Quando o sino tocava, a população católica saia para recolher as pedras. 2) O requerimento pedindo a autorização do Arcebispo de Belém D. Antonio Lustosa foi preparado no dia 7/5/1933 e assinado pelas seguintes pessoas da Comissão: Pe. Inácio Magalhães, Vigário; Bernardino Mendes da Costa, Raimundo Nonato Viégas, José Ferreira, Joaquim Mendes Contente, José Pinheiro Bahia, Raimundo Pauxis, Humberto Parente, Emiliano de Lima Pontes, Raimundo Nonato Ferreira, Oscar Solano de Albuquerque. Esse mesmo grupo assinou outros documentos em prol da construção da Nova Igreja Matriz de Abaeté, conforme abaixo. Convite: A Comissão abaixo assinada, tem a grata satisfação de convidar todas as Autoridades, Federais, Estaduais e Municipais, bem como as Associações Religiosas e de Classes, o Corpo Comercial, Excelentíssimas Famílias e ao Generoso Povo Abaeteense, para a ‘Bênção do Cruzeiro’ que realizar-se-á no dia 27/5/1933, às 17:00 horas e no dia 28/5 realizar-se-á a Bênção da Primeira Pedra Para a Construção da Igreja Matriz e durante a Missa Campal que se realizará no mesmo local. Rogo a todos, de com sua presença, realçarem esse ato de fé cristã, bem como pedir uma contribuição material para a construção de tão importante Templo de Deus. Penhorados agradecem. Abaeté, 10 de maio de 1933. Pela comissão: Padre Ignácio de Magalhães, vigário; Bernardino Mendes Costa, Raymundo Nonato Viégas, José Pinheiro Baía, José Ferreira, Joaquim Mendes Contente, Humberto Parente, Raymundo Pauxis, Oscar Solano de Albuquerque, Raymundo Nonato Ferreira, Emiliano Pontes. 3) A partir da autorização do Arcebispo de Belém, D. Antonio Lustosa, a comissão, tendo à frente o Pe. Magalhães, Joaquim Mendes Contente e os demais membros citados, iniciam o 2º momento de arrecadação de fundos e materiais e assim se inicia efetivamente a construção da tão sonhada Igreja Matriz de N. S. da Conceição. 4) É natural que o Pe. Luiz Varella e s/comissão tenham entregues a essa 2ª comissão o produto da 1ª arrecadação de fundos desenvolvidas no tempo em que esse padre esteve em Abaeté até o ano de 1932. A construção da nova matriz se iniciou em 1933, c/ a Bênção da Pedra Fundamental do templo a ser construído, feita pelo Pe. Magalhães. 5) Há um registro em um documento antigo de 1940 que diz o seguinte sobre o custo da grande obra: “As obras da igreja matriz já vão bastante adiantadas, na Praça Dr. Augusto Montenegro. Custo: mais de 80 contos de réis (80.949$280)”. Abaetetuba/pa, 16/1/2010 - Prof. Ademir Rocha

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                                                       2ª Postagem                     
Festa 1 de Nossa Senhora da Conceição - História-Memória
A Nova Igreja Matriz de Abaeté em construção Interior da Matriz de Nossa S. da Conceição ainda apresentando suas linhas clássicas e as antigas imagens dos santos mais populares em Abaeté.
Antigamente somente através dos rios, igarapés e baías é que se chegava às localidades da antiga Abaeté, Belém e municípios vizinhos e vice-versa A antiga Igreja do Divino Espírito Santo serviu de Igreja Matriz de Abaeté até 1939 e o seu Largo na antiga Praça do Divino era onde aconteciam os antigos festejos de N. S. da Conceição e demais festejos de Santos de Abaeté A Festa de Nossa Senhora da Conceição em 1939 Programa e Alguns Comentários No ano de 1939 a festa de Nossa Senhora da Conceição, em Abaetetuba, foi realizada na inacabada Igreja Matriz de Abaeté ou Igreja de Nossa Senhora da Conceição. Esta postagem foi feita a partir do programa dessa festa de 1939 quando a Paróquia de Abaeté era dirigida pelos Padres Capuchinhos. Esse programa é o primeiro de uma série que adquirimos e que vai até o ano de 1962, que serão publicados a partir de inúmeras postagens no nosso Blog do Ademir Rocha. Como o referido programa traz informações da História-Memória de Abaetetuba, faremos algumas considerações sobre alguns tópicos que foram citados em algumas de nossas postagens As palavras marcadas em Maíúsculos são para nos mostrar a importância das inúmeras tradições já enraigadas no seio da sociedade católica das Ilhas, Cidade e Colônias de Abaeté e quase todos já devidamente explicados e publicados em inúmeras postagem sobre a Igreja Católica de Abaetetuba. Início da Festa: 28 de Novembro Dia da Festa: 8 de Dezembro Como se observa, a festa se iniciava tradicionalmente em 28 de Novembro e terminava no dia consagrado a Nossa Senhora da Conceição, 8 de dezmbro. Modernamente, depois da chegada dos Padres Xaverianos, o início da festa foi mudado para outro dia, que conforme explicações desses padres, o início da festa podia recair num dia da semana e por esse motivo a tradição do 28 de Novembro foi mudado para um domingo, antes do dia 28. No Programa da Festa de Nossa Senhora da Conceição em 1939, temos as informações práticas da organização da Festa, bem como as orações usadas nos programas dessa Festa, os nomes dos organizadores e colaboradores da Festa e, desde então, já se passaram 74 anos da realização dessa Festa e com informações da Festa de 1938. Para a recordação de alguns antigos devotos de Nossa Senhora da Conceição e para todos os nossos visitantes, aqui vão algumas informações dessa memorável Festa que significa o início da Festa de N. S. da Conceição na nova Igreja Matriz de Abaeté. Invocação Virgem da Conceição, grata esperança Dos que sorvem o cálice de amarguras Quem vos recorre, certo, sempre alcança De Vossa graça as místicas doçuras. Rogar-vos nosso peito não se cansa. - Para nós Vosso manto de ternuras Seja a vela enfurnada de bonança. No mar da vida cheia de loucuras. De Vosso olhar um raio compassivo Lançai por sobre nós, mas decisivo, Que balance noss’alma em pura fé. Sede, Mãe Carinhosa, o lenitivo Nosso! Vossa benção que foi, sempre é: O baluarte do povo de Abaeté. Autor: Santinho Viegas Convém ressaltar que as antigas festas de Nossa Senhora da Conceição eram organizadas pela sociedade civil, devido a escassez de padres na cidade e membros da sociedade civil vinham dos poderes constituídos, dos órgãos públicos, dos comerciantes, industriais e trabalhadores autônomos. Muitos membros dos segmentos sociais faziam parte de alguma confraria ou irmandade desses tempos. E a festa era composta por uma diretoria, conforme abaixo e as informações entre parênteses são do autor do Blog do Ademir Rocha. Diretoria · Presidente: O Vigário Paroquial, (que nesse tempo era um Padre Capuchinho) · Vice-Presidente: Bernardino Mendes da Costa (português, comerciante e industrial que era casado com uma abaeteense da Família de Bento de Carvalho). · 1º Secretário: Raymundo Nonato Viégas (grande abaeteense, letrado, de vivaz inteligência, funcionário da Prefeitura Municipal, que era uma espécie de mentor intelectual nas festas de Nossa S. da Conceição e demais eventos cívicos, sociais de Abaeté e era casado com uma jovem da família Margalho). · 2º Secretário: José da Costa Ferreira Ribeiro (foi prefeito de Abaeté) · Tesoureiro e Diretor Geral: Joaquim Mendes Contente (este era farmacêutico, dono da antiga Phamarcia Indiana, que era o médico da população de Abaeté e, especilamente dos pobres do lugar. Joaquim Mendes Contente também saía ao encontro dos enfermos de Abaeté e não cobrava pelas suas consultas e atendimentos e tudo que a população precisava de medicamentos e poções podia ser encontradas na histórica Phamarcia Indiana. Joaquim Mendes Contente batia na máquina de escrever a medicação que devia ser usada por seus pacientes e repassava para o Sr. Egídio Gonçalves, que fazia o preparo dos remédios e poções, junto com uma jovem de cor que trabalhava na dita farmácia). Comissão Cooperadora · Humberto Parente (jovem membro da tradicional família Parente, cujo pai era um dos maiores comerciantes e industriais da então Abaeté. · Emiliano de Lima Ponte (membro da tradicional Família Pontes de Abaeté, filho de João Pontes, este que era escriturário, guarda-livros e que foi o introdutor da filosofia e das práticas mediúnicas do nascente Espiritimo em Abaeté). · Raimundo Nonato Ferreira (chegou a ser prefeito de Abaeté) · Oscar Solano de Albuquerque (este que era comerciante, marítimo, dono de bens e também um dos antigos comerciantes de regatão de Abaeté do tempo das antigas canoas grandes à vela, inclusive ele já usava um iate trivela). · Raymundo Pauxis (Mundico Pauxis, filho de Hermínio Pauxis, este fundador do Clube Carlos Gomes em 1880, ambos grandes músicos e maestros de Abaeté, possivelmente originários da localidade Tauerá de Beja). · Augusto Ferreira Auxiliares (os Auxiliares da Diretoria eram pessoas influentes, líderes, ribeirinhos, colonos ou capitalistas com interesses comerciais/industriais nos distritos do município e convém salientar que o único modo de locomoção para essas localidades e vice-versa era através dos abundantes rios do município e as embarcações eram os reboques, batelões, canoas grandes à vela ou alguns navios das empresas do Estado e dos donos de engenhos de cachaça e o deslocamento nas localidades ribeirinhas se faziam através dos cascos, canoas e outras pequenas embarcações à remo. Era admirável o trabalho dessas pessoas na arrecadação das contribuições e donativos para a Festa).
1ª Zona – Cidade · A cargo da Diretoria – J. Contente (Joaquim Mendes Contente) 2ª Zona – Rios Jarumã e Tauerá de Beja · Theodomiro Santos 3ª Zona – Guajará de Beja · João Albino Gomes Filho 4ª Zona – Arapiranga, Uraenga e Vila de Beja · Armindo Araujo 5ª Zona – Rios Urubuéua, da Prata e Doce · Feliciano Augusto da Silva 6ª Zona – Rios Sapocajuba, Anequara e Urucuri · Belino Pinheiro (este com nome de rua em Abaetetuba) 7ª Zona – Rios Xingu, Caripetuba e Paramajó · Dalica Paixão 8ª Zona – Rios Rios Sarapuquara, Arumanduba e Guajarázinho · Dulcinda Carvalho 9ª Zona – Rios Maracapucu e Maracapucu-Miri · Madame Manoel do Espírito Santo Ferreira (Duca Ferreira) 10ª Zona – Rios Quianduba e Marianduba · Egídio Pacheco 11ª Zona – Rios Baixo Tucumanduba e Paruru · Palmira Maués Pinheiro 12ª Zona – Rios Ajuaí e Ajuaízinho · Madame Inocêncio J. Pinheiro 13º Zona – Rios Maúba, Furo Panacuéra e Furo da Mata · Rosendo Maués (com nome de rua em Abaetetuba) 14ª Zona – Rios Cuitininga, Sumaúma, Alto Tucumanduba, Camarãoquara e Vilhena · Teodomiro Augusto da Costa 15ª Zona – Rios Furo grande, Tucumanduba, Bacuri, Biribatuba, Costa Maratauíra · Horácio Maúes Cardoso 16ª Zona – Rios Piquiarana-Açu, Piquiarana-Miri, Itanimbuca, Acarajó, Furo do Limão · F. R. Maués 17ª Zona – Rios – Rios panema, Itacuruçá e Arapapu · Antonino dos Santos Carvalho 18ª Zona – Rios Belchior, Sirituba e Tabatinga · Luna Matos 19ª Zona – Rios Abaeté e seus afluentes e Colônia · José Lima, Prudente Ribeiro de Araujo e Manoel Lobato 20ª Zona – Municípios vizinhos e Localidades fora do Município de Abaeté (comerciantes, industriais e donos de engenhos de Igarapé-Miri e Vila Maiuatá, esta antiga Vila Concórdia, eram assíduos contribuintes da Festa de Nossa S. da Conceição, assim como os de Abaeté eram contribuintes da Festa de Sant’Ana em Igarapé-Miri e os festejos de santos da Vila Concórdia, hoje Maiuatá) · A Diretoria da Festa
Como se vê, a sociedade abaeteense participava ativamente da organização da Festa de Nossa Senhora da Conceição e todas as localidades do município eram atingidas pela Festa. Cada localidade do município possuía um ou mais auxiliares na distribuição de cartas e programas, arrecadação de donativos e recebimento, mediante recibos, das contribuições dos Comissários e Mordomos da Festa e dos Devotos espalhados por essas localidades. Na cidade esse serviço era feito pelos membros da Diretoria da Festa. Juizes dos Eventos da Festa – Juizado (Esses Juízes eram os responsáveis pela montagem e preparação dos eventos e peças e dos espaços a serem usados) Juízes da Trasladação e Procissão · Pedro Ribeiro de Araujo (grande músico e que chegou a maestro da Banda Carlos Gomes e membro da Confraria de São Raimundo Nonato, santo padroeiro da Banda. · Fortunato Lobato (filho de Messias de Sigmaringa Lobato) · Licínio Ribeiro de Araujo (músico irmão de Prudente e Pedro Ribeiro de Araujo) · Cesarina Lobato · Maria Mendes Contente · Nieta Paes Loureiro (mãe de João de Jesus e Raimundo Nonato Paes Loureiro, casada com Pedro Loureiro da Sapataria Abaeteense). Juízes do Mastro e Bandeira (o Mastro era um grande tronco de árvore que era erguido no Arraial da Conceição e fazia parte, junto com a Bandeira, do aspecto secular dos Festejos) · João Arlindo · Frederico de Lima · Manoel Barbosa · Sebastião Lobato · Nivarna Silva de Souza Juízes da Festividade · Coronel Aristides dos reis e Silva (o maior nativista de Abaeté, grande nome da História do Município de Abaetetuba e que foi Intendente e deputado estadual) · Giovani Macedo Parente (filho de João Parente, parente de Garibaldi Parente) · José Feliciano de Lima · Almerindo Maués (antigo comerciante e marítimo de Abaeté) · José Luna · Madame Avelino do Vale · Madame Benjamim Quaresma · Madame José Roberto de Araujo · Madame Jayme Silva · Madame Theodomiro Amanajás de Carvalho
Programação da Festa de Nossa Senhora da Conceição
27 de Novembro (era o dia da véspera do Círio da Conceição, onde os movimentos preparativos da Festa ficavam em ebulição pelos últimos retoques dos festejos que se iniciavam com a Romaria, que era a Procissão da Trasladação da Imagem da Virgem da Conceição, sempre à noitinha e como marcava o início dos festejos para a nova Igreja Matriz de Abaeté, essa procissão saía da antiga Igreja do Divino, que até aquele momento era o local dos festejos de Nossa S. da Conceição. A Igreja do Divino foi derrubada pelos Padres Capuchinhos em 1940, contrariando a Irmandade do Divino Espírito Santo que era a responsável pela única Igreja da Cidade, pois a antiga Capela de N. S. da Conceição tinha ruído há muitos anos na antiga Travessa da Conceição, hoje Av. Pedro Rodrigues, onde se localizava). Dia da “deslumbrante Romaria” preparatória para os festejos de Nossa Senhora da Conceição, Padroeira de Abaeté, que terá lugar às 19:30 horas, com a trasladação da Imagem da Excelsa Virgem da Conceição, saindo da Igreja do Divino Espírito santo para a nova Igreja Matriz de Abaeté. 28 de Novembro – Início da Festa Em cada ano que passa, a cada meta dobrada na exist~encia, 28 de Novembro é o dia, por excelência, em que o coração e a alma abaeteense, esquecida as agruras da vida, pulsa mais forte, vibra mais intensa, respectivamente, em motivo de justa e comovente alegria. É que neste dia, desde muito antes do sol levante, música de sinos, ribombar de foguetes, sonoridades musicais, enchendo este ambiente, despertam o ânimo do povo de Abaeté, dando-lhes na lembrança a época festiva de sua gloriosa Padroeira, a mais expressiva de todos os tempos; pois os festejos de N. S. da Conceição são parte relevante no registro dos fatos religiosos deste município. E a alvorada, início solene da grande festividade. Às 6 horas, ao som do Hino, será hasteada no grande Mastro delicado Estandarte da Excelsa Padroeira. À noite desse mesmo dia terão início no novo templo, as Ladainhas do Novenário, acompanhada de grande instrumental. As noitadas serão como de costume patrocinadas pelas diversas Classes da Sociedade Abaeteense, que com o seu acendrado amor e dedicação, não pouparão esforços para o maior brilhantismo dos festejos em honra a Excelsa Padroeira de Abaeté, a Virgem Mãe Consolodara dos Aflitos. Após o levantamento da Bandeira da Matriz, será rezada Missa por almas de todas as pessoas falecidas que tenham cooperado na grande obra de Construção da Casa de N. S. neste rincão.
8 de Dezembro: Dia da Festa de Nossa Senhora da Conceição
Ás 9 horas da manhã será celebrada a Santa Missa, revestida da máxima Solenidade e Explendor, acompanhada em Côro, Músicas e Fogos, em profusão e Salva de Bombas de Alto calibre. Ao Sanctus, ocupará a Tribuna Sagrada o Reverendo Sacerdote celebrante do ato, que empolgará a assistência com um Apredica Evangélica repassada de Fé Cristã na qual fará o Panegyrico da Sagrada Imagem de Nossa Senhora da Conceição, a Virgem Soberana dos Céus e Advogada da Humanidade. (grande parte das atividades e ícones do dia da Festa de N. S. da Conceição ainda permanecem nas festas atuais, especialmente a histórica Imagem de N. S. da Conceição que já vai para os seus 300 anos em Abaetetuba) Procissão Às 5 horas da tarde precisamente, sairá a Procissão da Veneranda Imagem, acompanhada de todos as Irmandades Religiosas locais e dos Fiéis Católicos de Abaeté em geral, adornando o cortejo a alegria dos Sinos, o marulhar aéreo de Foguetes em bastas Girândolas, e os harmoniosos sons da Banda Carlos Gomes para tal fim precisamente contratada, homenagem esta sincera e justa à Imaculada Virgem da Conceição, cuja Imagem Venerável, em finíssimo Andor, acompanhará o trajeto que fará percurso pelas principais ruas da Cidade, obedecendo a ordem dos anos anteriores. Tudo será ao encargo exclusivo da Diretoria da Festa que é a mesma encarregada da Construção da Nova Igreja Matriz, ora em via de Conclusão. (as Irmandades, Confrarias e outros antigos grupos de Igreja foram extintos com a chegada dos Padres Xaverianos, permanecendo apenas o grupo do Apostolado da Oração, que detém o atributo de ser, entre os atuais grupos católicos, o mais antigo de todos). (hoje já não existe a Diretoria da Festa). Te Deum Ao recolher-se a grandiosa Procissão, ato contínuo, será entoado o pomposo Te Deum Laudamos, última parte religiosa dos Festejos consignados neste Programa, após o que realizar-se-á importante Leilão de Oferendas o que, certamente, de par com os Divertimentos Seculares, farão termo à Festividade no corrente ano, deixando no coração da Família Abaeteense uma saudade imorredoura que ficará sonhando para só despertar com os festejos do próximo ano. (o Te Deum já não mais existe, mas permanecem os Divertimentos Seculares).
7 de Dezembro Despesas
Com o maior brilhantismo possível próprio do Cerimonial e os Requintes de Entusiasmo alheios a esse, prencher-se-ão as respectivas Formalidades deste dia, cuja representação será feita oficialmente pelos selecionados dos juízes e Protetores da Festividade no corrente ano.
Novenário
Do dia 28 de Novembro a 6 de Dezembro, todas as noites, às 7 horas, na Nova Matriz Paroquial, haverá ladainhas celebradas com cantoria sacras de Côros, Bênção Especial do S. S. Sacramento, rematados estes atos com sublimes cantos religiosos, entoados por um Conjunto de Vozes Sonoras, e acompanhado pelos Fiéis Devotos à Excelsa Rainha dos Céus. Após estas Cerimônias, sempre que seja possível, terão efetividade, em lugar próprio, os Leilões de Donativos cujos produtos líquidos serão revertidos em auxílio ao custeio de dispêndios com festejos em apreço. No Arraial, feéricamente iluminado e Pomposamente Ornamentado, sentir-se-ão as Diversões, todas de caráter puramente moral e social, que atestarão a nossos Romeiros, e ao Público em Geral, dos sadios princípios de Cultura e de Civismo do Povo Abaeteense. (o Novenário era o ponto forte da parte religiosa dos Festejos de N. S. da Conceição, com muita afluência e participação do povo, Irmandades, Confrarias, grupos católicos de todas as idades, onde as antigas Ladainhas, a Bênção com o Santíssimo e o Te Deum envolviam de forte emoção todos os presentes das noites do Novenário na nova Igreja Matriz, além da vistosa Berlinda contendo a Imagém de Nossa Senhora, esta, conforme a lenda, vinda de Portugal através de Francisco de Azevedo Monteiro e todos na expectativa de também desfrutar da parte Secular dos Festejos no chamado Arraial da Conceição, contando com a música das bandas e das variadas brincadeiras e muitas das antigas diversões do Arraial, que paulatinamente foram substituídas por outras).
Conclusão
Os nomes que por ventura corresponderem a duplicatas, prevalecerão na categoria da espécie superior do Quadro Oficial em razão das seguintes cotas: · Juízes e Juízas 50$000 (cincoenta mil réis) para mais; · Protetores de 10$000 (del mil réis) para mais; · Mordomos e Mordomas de 2$000 (dois mil réis) para mais (os termos Juízes e Juízas, Protetores e Mordomos e Mordamas já não mais existem nas Festividades atuais).
Noitários (os Noitários ainda permanecem em outras formas e nomes) 1ª Noite – Mocidade Abaeteense (já não mais existe essa categoria que envolviam os jovens desses antigos temposd). Comissão: · Ana Cardoso Pinheiro · Ambrosina Coutinho (da Família Pimentel Coutinho) · Garimar Parente (da família Parente) · Osmarina C. Pinheiro · Dalca Leite Lobato (filha do conhecido Capitão Leite) · Orlandina L Rodrigues (filha do conhecido e lendário Prof. Maxico, grande nome da antiga Educação de Abaeté) · Orlanda Costa · Dulce Ferreira (filha de Duca Ferreira) · Osvaldina Rodrigues (filha do Prof. Maxico) · Raymunda Carvalho · Carlaide Ferreira (foi conhecida professora em Abaeté, da Família Jorge) · Jacyra Barros · Adair F. Soares · Fernando Pinto Coelho Júnior · Lauri Ferreira (conhecido comerciante, casado com Alfa Pontes) · Raymundo Rodrigues · Antonio F. Cardoso · Felipe Ferreira Ribeiro (conhecido comerciante dono da casa comercial Boa Esperança, esta gerenciada por Pagão, irmão de Felipe) 2ª Noite – Funcionalismo Público Comissão: · Dr. Walter Figueiredo · Arquimino Athaide · Priscos Navarro · José Figueiredo · Professora Esmerina N. Ferreira (da Família Nunes Ferreira, professora em Abaeté, chegando ao posto de diretora do Grupo Basílio de Carvalho, casada com o imigrante sírio-libanês Bou-Habib). · Professora Noca Martins Ferreira 3ª Noite – Indústria e Agrícola Comissão: · Arthur Nunes Ferreira (da Família Nunes Ferreira, comerciante, dono de engenho de cachaça em Abaeté) · Manoel do Espírito Santo Ferreira (Duca Ferreira, comerciante, dono de engenho de cachaça, político em Abaetetuba). · Horácio Cardoso (Horácio Maués Cardoso, um dos patriarcas da Família Cardoso, pai do comerciante e pescador Horácio Sizino). 4ª Noite – Mães de Família Comissão: · Celina Contente (esposa de Joaquim Mendes Contente, farmacêutico da Phamárcia Indiana ainda existente, que foi prefeito em Abaeté, líder católico e um dos baluartes na construção da antiga Matriz de Abaeté e Presidente da Festa de N. S. da Conceição por vários anos). · Antonia Barros de Castro · Dulcinda Carvalho (líder e ativista católica ribeirinha) · Etelvina Vilaça da Silva (da Família Villaça da Silva, do patriarca dessa família Acrísio Villaça da Silva) · Haida Barros Santos · Waldomira Cunha · Carmelita Parente (da Família Parente) · Judith Vasconcellos · Santinha Ferreira · Estefânia Mello · Angelina Mello Moreno · Augusta Oliveira 5ª Noite – Marítimos (esta classe gozava de grande prestígio nos Festejos de N. S. da Conceição e era líder na arrecadação de contribuições e donativos para os memoráveis Leilões de Donativos de N. S. da Conceição e hoje já não mais faz parte como Noitário do tradicional dia da Véspera da Festa, 7/12, por pressão da Ala Progressista da Teologia da Libertação chegados através de alguns Religiosos Xaverianos).
Comissão: Francisco Marques Ferreira · Acrísio Vilaça da Silva (patriarca da Família Villaça da Silva) · Antonio Silva · Raymundo Sena 6ª Noite – Itatiaia Sport Club (clube social e de foot ball na antiga Abaeté, sabendo-se agora de sua existência no ano de 1939)
Comissão: · A Diretoria do Clube 7ª Noite – Operários ( a classe dos Operários da antiga Abaeté era muito atuante e participante dos eventos da cidade e que se organizavam a partir do Círculo Operário e que possuíam o jornal/semanário LOA-Liga Operária de Abaeté e formado por ferreiros, mecânicos, eletrecistas, marcineiros, calafates, carpinteiros, funileiros e outros tipos, todos chamados de mestres/mestres de ofícios). Comissão: · Vicente Maciel (músico membro da Banda Carlos Gomes e um de seus presidentes) · Pedro Araujo (Pedro Ribeiro de Araujo) · João Arlindo · José Guimarães 8ª Noite – Abaeté Foot-Ball Club (antigo clube social e de futebol que deu origem ao atual Abaeté Futebol Clube, fundado em 1935). Comissão: · A Diretoria do Clube 9ª Noite – Commércio Comissão: · José Sertório de Miranda (antigo comerciante de Abaeté) · Lucídio Negrão Paes (antigo comerciante de Abaeté e um dos patriarcas de uma vertente da Família Paes) · Raymundo Oliveira 10ª e 11ª Noites – (Véspera e Dia da Festa) Comissão: · A Diretoria da Festa Romarias Dia 4 – Pela manhã, às 6 ½ horas, da Igreja do Divino Espírito Santo, os Cruzadinhos da Eucharistia uniformizados sahirão em Romaria bem organizada para a Igreja Matriz; ahi chegados , assistirão à Missa e farão a Comunhão Geral , seguindo logo após para o café em casa do Presidente. (Cruzadinhos já não mais existem e a casa do café da manhã é do Sr. Joaquim Mendes Contente). À noite, às 7 ½ horas, ainda uniformizados farão Guarda de Honra, durante a Reza, sustendo velas acesas. Dia 5 – Pela manhã, às 6 ½ horas, os Legionários e Legionárias, igualmente em uniforme, seguirão em devota Romaria, da mesma Igreja, para a Matriz; ahi chegados, terá lugar a Bênção Solene do Estandarte Legionário e distribuir-se-ão as faixas, que lhe completarão o uniforme, assistirão à Missa e farão a Comunhão Geral, em seguida, formarão a quatro e dirigir-se-ão à Residência do Presidente, para o café. (Legionários e Legionárias já não mais existem). À noite, às 7 ½ horas, farão, ainda em uniforme e sustendo velas acesas, guarda de honra à Nossa Senhora, durante a Reza. Dia 6 – Primeira Comunhão e Comunhão Geral dos alunos do Cathecismo e meninada em geral. Pela manhã, às 6, ½ horas, Romaria devota e bem ordenada da Igreja do Divino do Divino à Matriz; ahi chegados, os meninos assistirão à Missa por entre cânticos e fervorosas orações, durante a qual, farão a 1ª Comunhão os que estiverem devidamente preparados e Comunhão Geral todos os outros; em seguida, em passeata, 4 a 4 se dirigirão à casa sempre hospitaleira da Família Contente para o café, etc. (a histórica Igreja do Divino se localizava onde hoje existe o prédio que abrigava a fábrica do antigo Café Abaetetuba). À tarde, das 2, ½ horas, divertimentos no no largo. Às 7, ½ horas, os de de 1ª Comunhão, sustendo as velas acesas, durante a Reza. N. B: Às 10 horas, Renovação Promessas do batismo. Dia 7 – Pela manhã, às 6,1/2 horas, todos os Associados do Apostolado da Oração deverão achar-se em forma, em frente à Igreja do Divino, donde seguirão em pomposa Romaria para a Matriz, devendo estarem trajados de branco; chegados à Matriz, assistirão à Missa e farão e farão a Comunhão Geral, entre cânticos. À noite, às 7, ½ horas, 30 entre Zeladores e Associados farão guarda de honra à Nossa Senhora, sustendo velas acesas durante a Reza. (o grupo do Apostolado da Oração ainda existe). Dia 8 - Possivelmente os Legionários, em coro de duas vozes (rapazes e moças), cantarão a Missa da Festa. N. B: Haverá Batizados e Casamentos, sempre que apareçam todo dia durante a Festa, das 8 às 10 horas da manhã e das 2 às 4 da tarde. Apelo A Diretoria da Festa, pede encarecidamente a todos os devotos da Virgem Imaculada Conceição, além dos auxílios solicitados e previstos no presente Programa, mais um esforço da boa vontade de cada um em concorrer com donativos para os leilões e óbulos e outros em favor das obras da Matriz, ainda em construção, dessa Excelsa Padroeira de Abaeté.
Agradecimento
Profundamente reconhecida sentir-se-á a Diretoria da Festa no corrente ano para com todos aqueles que, em expressão sincera da melhor boa vontade, concorrerem com seus tão justos quão necessários auxílios que hão de vir perpertuar-se no magestoso edifício, destinado a ser o lar benéfico de nossa Mãe Amorosíssima, Nossa Senhora da Conceição. (o magestoso edífício citado hoje é a atual Catedral de Nossa Senhora da Conceição e muitas ações e nomes dos colabores da construção dessa igreja são citados nas postagens sobre a História-Memória da Festa de N. S. da Conceição) Aviso A Diretoria da Festa chama a atenção das pessoas que ficaram com falta com o pagamento do que arremataram nos leilões do ano passado, por ocasião destes mesmos festejos, cujos nomes estão num livro especial de registro de dívida, a ser transcrito no Balanço final das obras da Matriz, para que não cometam a imprudência de repetir semelhante falta de respeito, que de modo algum justifica, para não terem o desprazer de passarem por vexames ao não lhes serem entregues os donativos que pelteiarem, senão mediante pagamento à vista, sobre o que a mesma Diretoria tomará concernente prévio entendimento com a autoridade policial. Relação nominal das pessoas que contribuíram para a festividade de N. S. da Conceição, no ano de 1938, e que ficam conceituadas para o ano fluente, na ordem seguinte: de 2$000 (dois mil e quinhentos réis, nota do autor do Blog) até 5$000 como Mordomos; a maior de 5$000, como Protetores, exceto o corpo de Juízes oficiais da Festa. (Seguem os nomes dos que contribuíram que podem ser vistos nas genealogias das famílias de Abaetetuba – nota do autor do Blog).
Seguem os nomes dos Auxiliares da Diretoria da Festa, responsáveis pela arrecadação das contribuições de 1938, nas diversas localidades do Município de Abaeté: Auxiliares da Diretoria (como já dito, eram pessoas influentes das localidades e cidade de Abaeté) · Professora Laura dos Santos Ribeiro (nome histórico da Educação em Abaetetuba) · José Feliciano de Lima · Firmo Roberto Maués (membro da tradicional Família Maués, vinda do patriarca João Olímpio Maués). · Filomena Dume · Teodoro dos Santos · Egídio Pacheco · Palmira Maués Pinheiro · Ana Dias Ferreira · Horácio Maués Cardoso · Raymundo Macedo, auxiliado por Madame Inocêncio Joaquim Pinheiro · Dulcinda Carvalho · Teodomiro Augusto da Costa · Sisínia Silva (membro da família de Latino Lídio da Silva que chegou a ser prefeito nomeado e com nome de rua e Sisínia tinha origem na locaslidade Jarumã onde era professora). · Prudente Ribeiro de Araujo (irmão de Pedro e Licínio Ribeiro de Araujo com nome na História-Memória de Abaeté e na musicalidade). · Armindo Araujo · Manoelzinho Lobato · João Albino Gomes Filho · Rozendo Maués (membro da Família Maués e com nome de rua) · Oscar Solano (um dos patriarcas da Família Solano). · Maria Zaíde Cardoso (professora com nome na História-Memória da Educação em Abaetetuba). · Ninita Floresta
Balancete da Receita e Despesa da Festividade de Nossa Senhora da Conceição em 1938
Receita Juízes Protetores e Mordomos: ............................. 1:987$500 (hum milhão, novecentos e oitenta e sete mil e quinhentos réis – nota do autor do Blog) · Subscrições:.................................................. 707$100 · Chocolate:..................................................... 24$100 · Tombola: ...................................................... 970$000 · Carrossel: ...................................................... 718$800 · Contribuição dos Barraqueiros: .................... 810$500 · Botequim: ..................................................... 200$000 · Circo: ............................................................. 194$500 · Concurso de Simpatia: ................................... 635$600 · Barraca do Sorteio: ........................................ 546$000 · Sorteio da Varrição: ....................................... 200$000 · Teatrinho: ...................................................... 73$000 · Leilões: .......................................................... 1:399$600 · Modomagens cobradas pelos Auxiliares da Diretoria: ........................................................ 2:332$200 Saldos entregues pelos Noitários: Funcionalismo Público: .................................. 100$800 Marítimos: .................................................... 301$000 Mocidade Abaeteense: ................................. 700$000 Mães de Famílias: ......................................... 735$300 Comerciantes: ............................................... 878$000 Industriais: ..................................................... 1:332$000 Total da Receita: ............................................ 14:836$000 Despesa · Culto: ............................................................. 587$800 · Preparos da Igreja: ........................................ 305$800 · Preparos do Arraial: ...................................... 2:413$350 · Iluminação: .................................................... 1:143$000 · Fogos: ........................................................... 800$000 · Programas e Impressos: ............................... 750$000 · Música do Arraial: ........................................ 1:800$000 · Total da Despesa: ......................................... 7:417$950 · Saldo para a Construção da Matriz: ............. 7:418$050
A Diretoria
O Vigário Paroquial: Presidente Bernardino Mendes da Costa: Vice-Presidente (português comerciante e industrial, casado com com a abaeteense Áurea Carvalho) Raymundo Nonato Viégas: 1º Secretário (Santinho Viégas, perspicaz, inteligente e letrado funcionário da P. M. de Abaeté, que alfabetizou muitos de seus antigos amigos e colegas, um dos baluartes da construção da Igreja Matriz de Abaeté que foi com sua família para Belém onde todos os seus filhos se formaram pilotos de aviação ou oficiais da Marinha). José da Costa Ferreira Ribeiro: 2º Secretário Joaquim Mendes Contente: Thesoureiro e Diretor Geral da Festa Caixa da Construção da Igreja Matriz em 30 de Setembro de 1939 Caixa Deve . Espórtulas inscritas no Livro 1 de registro de Subscrições de fls. 1 a 9................................. 3:243$510 . Idem no livro de Registro de espórtulas de Fls. 1 a 77..................................................... 77:856$180 . Somma ........................................................ 81:099$690 . Balanço........................................................ 81:099$690 Caixa Haver . Do livro 1 de registro dos Operários de fls. 1 a 55 .......................................................... 26:338$600 . Do livro 1 de registro de Materiais de fls. 1 a fls 12, versos ........................................... 54:610$680 . Somma ....................................................... 80:949$280 . Saldo em Caixa ........................................... 150$410 . Balanço ..................................................... 81:099$690 (esse valor foi citado em uma das postagens sobre a Construção da Igreja Matriz de Abaeté).
Reclame
Já pela sua norma de princípios e finalidades em objetivo, já pelas condições de adaptações, anseio mais requisitos adequados, entre todas as barracas e casas de pastos estabelecidas no arraial, primará de certo, o Bazar da Matriz, onde encontrar-se-ão, sempre de pronto e com a máxima solicitude, todos os especimens congeneres, sob preços os mais convidativos, por cuja concorrência também ficará igualmente agradecida A Diretoria 
Attenção
Com prévia exposição dos respectivos prêmios, no “Bazar da Matriz”, correrá, à meia noite, em ponto, do dia 8 de dezembro, a tradicional tombula cujo producto reverterá em benefício das obras do magestoso templo, em edificação, de N. S. da Conceição, de Abaeté. No corrente anno haverá, em prol das obras da Matriz, um formidável torneio em concurso de sympatia entre os clubes respectivos de Abaeté, mediante copons especiaes de mínimo custo, devendo caberem os prêmios designados dos respectivos vencedores de tão relevante certamem.
Programa Impresso pela Livraria Pará, de Ivo Moreira & Cia, Rua Cons. João Alfredo, 22 , Pará
Blog do Ademir Rocha, de Abaetetuba/PA

Para Entender o Que é Monumento e Documento Histórico
Monumentos e Documentos Históricos
Em 21 de outubro de 2014 as 17h04
Na linguagem popular corrente, utiliza-se a palavra monumento para designar estátuas, lápides, edificações de natureza diversa destinadas a perpetuar a memória de alguém ou de alguma coisa. A noção de monumento, pois, está quase indissociavelmente ligada à ideia de um objeto material intencionalmente feito ou preservado “ad perpetuam rei memoriam” - para a perpétua memória da coisa, como se dizia em latim. Ainda na linguagem corrente do português falado em nossos dias, pode-se usar, por extensão, a palavra monumento para designar alguma obra que, pela sua grandiosidade, mereça ter a memória perpetuada. Assim, pode-se dizer que “Os Sertões”, de Euclides da Cunha, constituem um verdadeiro monumento da Literatura brasileira.
Etimologicamente, porém, se recuarmos até a forma latina monumentum, o sentido é bem mais amplo. Monumento significa “tudo o que lembra alguém ou alguma coisa, o que perpetua uma recordação, qualquer monumento comemorativo”, mas significa também “monumentos escritos, marca, sinal por onde se pode fazer um reconhecimento, uma identificação” (Machado, José Pedro. Dicionário Etimológico da Língua Portuguesa. Lisboa: Editorial Confluência/Livros Horizonte, 1967, t. II, p. 604, verbete Monumento).
Na historiografia moderna, geralmente se associam, mas se distinguem os conceitos de monumento e de documento. Jacques Le Goff propôs, em História e Memória (Campinas: Editora Unicamp, 5ª. ed, 2003), essa distinção terminológica e conceitual que, embora não constitua unanimidade e possa, até mesmo, ser objetável, tornou-se corrente entre os historiadores. Para Le Goff, monumento é tudo quanto resta do passado; e documento é o monumento que o historiador seleciona para seu trabalho. Todo documento é, pois, monumento, mas nem todo monumento é documento. São suas palavras:
“A memória coletiva e a sua forma científica, a história, aplicam-se a dois tipos de materiais: os documentos e os monumentos. De fato, o que sobrevive não é o conjunto daquilo que existiu no passado, mas uma escolha efetuada quer pelas forças que ope­ram no desenvolvimento temporal do mundo e da humanidade, quer pelos que se dedicam à ciência do passado e do tempo que passa, os historiadores. Estes materiais da memória podem apresentar-se sob duas for­mas principais: os monumentos, herança do passado, e os documentos, escolha do historiador” (op. cit., pp. 525-526).
Para se entender o fundamento da distinção proposta por Le Goff, devemos analisar a etimologia dos dois termos, monumento e documento, considerar que, no passado, os sentidos até certo ponto se confundiam. Documento provém do verbo latino docere, ensinar. Documento é, pois, sinônimo de ensinamento. O ensinamento pode ser escrito, pode ser oral e pode também ser simbólico, sem necessariamente se exprimir em linguagem escrita ou falada. O verdadeiro sentido da palavra documento, pois, vai muito além do significado estrito de documento escrito, como entendiam os historiadores positivistas do século XIX (que supervalorizavam o documento escrito e oficial) e como o linguajar popular corrente consagrou.
A proposta de Le Goff é, de certa forma, voltar ao sentido mais próximo do original dos termos e designar como monumento tudo quanto se herdou do passado, em sentido muito amplo e abrangente. E considerar como documento aquilo que o historiador escolhe para seu trabalho historiográfico, de acordo com sua criteriologia e sua respectiva escala de valores. Le Goff restringe, pois, o sentido da palavra documento. Um escrito do passado que tenha chegado até nós, ainda que perfeitamente preservado, é um monumento e não é, por si mesmo, um documento; somente será documento se for selecionado e utilizado por um historiador. Essa distinção tem algo de arbitrário e, portanto, algo de objetável, mas sem dúvida é muito clara, didática e funcional, adequando-se perfeitamente às necessidades terminológicas dos historiadores. Acabou por se impor.
Acrescento que documentos não são necessariamente materiais. Podem também ser imateriais, quando não se materializam, não se corporificam. Um exemplo, entre muitos outros: a existência comprovada, entre os índios brasileiros, de uma versão do mito do dilúvio universal, com Tamandaré (o “Noé” dos Tupi), é algo imaterial. Mas pode ser selecionado como documento, por um historiador que relacione esse mito com mitos análogos provenientes de outras partes do mundo, com relatos bíblicos, com fontes mesopotâmicas (como a saga de Gilgamesh) etc., com vistas a sustentar uma eventual tese sobre a remota origem dos índios brasileiros.
Por fim, nem sempre os documentos são voluntários. Há também documentos involuntários. Alguém pode querer deixar sua marca na história, perenizando uma lembrança. É o caso, por exemplo, de um homem primitivo que tenha pintado, na parede de uma caverna, uma cena de caça ou de luta. Esse mesmo homem pode, também, deixar involuntariamente sua marca na história, se abandonar restos de comida ou um vaso de barro quebrado. Esse “lixo” pré-histórico, analisado com cuidado, revela uma imensidade de coisas acerca da vida de nossos ancestrais. É tipicamente um documento involuntário.
Mesmo documentos escritos podem, contrario sensu, revelar involuntariamente o que não foi intencionalmente escrito. Certas omissões intencionais são muito reveladoras. Le Goff se estende, na obra citada, sobre os cuidados que o historiador deve tomar para não se limitar à letra do texto em si, exclusivamente, como propunham os positivistas, mas saber ir além do texto, inserindo-o num contexto, problematizando-o, interrogando o que nele não está dito e questionando o que nele está dito. Tudo isso constitui tarefa dos historiadores. É o que torna delicioso o nosso ofício.
Armando Alexandre dos Santos é historiador e jornalista profissional, membro do Instituto Histórico e Geográfico Brasileiro.
 
Reproduzido pelo Blog do Ademir Rocha, de Abaetetuba/PA

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