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sexta-feira, 19 de outubro de 2012

2012: BRINQUEDOS 3 E ARTESÕES DE MIRITI DE ABAETETUBA

CÍRIO 2012: BRINQUEDOS 3 E ARTESÕES DE MIRITI DE ABAETETUBA

Brinquedos de Miriti em Feiras e Eventos:


Os Brinquedos de Miriti de Abaetetuba obtiveram grande destaque no mês de outubro em Belém/Pa, antes, durante e depois do grandioso Círio de Nossa Senhora de Nazaré, edição 2012. Os Brinquedos de Mriti foram objeto de exposições, temas de eventos culturais, estudos, pesquisas e vendas por vários pontos da Capital. Porém a tradicional Feira do Miriti não obteve o realce desejado como as de anos anteriores e nem mereceu destaques como os de outros eventos que tiveram os Brinquedos de Miriti e seus artesões como temas e exposições variadas. O espaço da feira ficou acanhado e a divulgação deixou a desejar. Porém, nestas postagens, mostraremos uma série de eventos onde os Brinquedos de Miriti e seus artesões foram destaques em várias exposições, temas e estudos e de acordo com as publicações de várias fontes de informações da mídia e de órgãos do governo do Pará.

FEIRA DO MIRITI:

A Feira do Miriti de Nazaré teve a abertura na quarta-feira (10/102012), promovida pelo Serviço de Apoio às Micro e Pequenas Empresas (Sebrae) e se estendeu até o dia 14/10, com entrada franca e as peças ficaram distribuídas em 60 estandes com aproximadamente 44 mil peças produzidas por artesãos de Abaetetuba, Moju e Belém e os valores de cada peça variavam entre R$ 5 e R$1.500 reais.

Estava sendo esperada a presença 30 mil visitantes cujas vendas pudessem gerar cerca de R$ 300 mil em volume de negócios. Essa expectativa leva em conta o ano de 2011, quando a Feira do Círio e Miriti aconteceu na Estação das Docas e foi visitada por mais de 25 mil pessoas, em evento que gerou mais de R$ 180 mil em volume de negócios para os artesãos participantes. Este ano, além dos tradicionais Brinquedos de Miriti, a feira terá também outros objetos e artefatos produzidos com a fibra do miriti, como peças criativas dos artesãos de Abaetetuba e outros tipos de artesanato vindo de outros municípios paraenses, como cerâmicas, arte em madeira, biojoias e outros produtos do artesanato paraense. Este ano a Feira do Miriti não mais será realizada na Estação das Docas como ano passado e sim na Praça Waldemar Henrique, com entrada franca.

O Corró-Corró no Arrastão do Círio:

O artesão de Abaetetuba chama carinhosamente o brinquedo de Corró-Corró, mas há quem o conheça apenas como Roc-Roc, que é um brinquedo sonoro construído para anunciar a existência dos outros Brinquedos de Miriti. Só é preciso um simples rodar e o som vai surgindo para se incorporar ao colorido e à simplicidade do objeto, numa espécie de encantaria a atrair crianças e adultos. É magia que resgata a memória da cidade e a história do Círio de Nazaré.

“Contam os antigos artesãos de Abaetetuba/Pa que o Roc-Roc ou Corró-Corró aparece na cena do Círio como peça de divulgação dos pontos de vendas dos Brinquedos de Miriti. Uma vez acionado, sua sonoridade cativa os olhares e a atenção dos devotos e revela uma infinidade de formatos e cores inspirados no imaginário ribeirinho e no cotidiano do caboclo paraense”, diz Ronaldo Silva, músico e pesquisador cultural do Instituto Arraial do Pavulagem.

No contato e diálogo com os Artesãos de Miriti veio a descoberta e a percepção de que o brinquedo já quase não vinha mais para a feira tradicional de miriti na Quadra Nazarena. E em 2002, ele passou a fazer parte do Arrastão do Círio, o cortejo de cultura popular realizado pelo Arraial para reverenciar e homenagear a Padroeira dos Paraenses no 2º sábado de outubro, logo após a Romaria Fluvial.

Nas ruas, o Instituto reinventa a sonoridade do brinquedo e evoca os ruídos da floresta na chegada dos brincantes à Praça do Carmo, no bairro da Cidade Velha em Belém. É quando centenas de Roc-Roc começam a ser girados para o alto numa profusão de cores e sons chamada de “Valsa dos Roc-Roc”. Um momento de reflexão sobre os sons da natureza e os sons produzidos pelas atividades humanas no planeta. “Sobre os sons que não escutaremos mais, sobre os sons naturais que ainda escutamos, aqueles nocivos à saúde humana e aqueles mágicos e encantadores que nos equilibram, nos fortalecem, nos identificam”, completa Ronaldo.

Durante as semanas que antecedem o Arrastão do Círio, uma pequena equipe de participantes do cortejo se dedica a conceber o Corró-Corró. Um trabalho feito com carinho e cuidado para criar mil exemplares do singelo brinquedo que vão ser distribuídos para o público na concentração do evento, na Avenida Boulevard Castilhos França, em frente à Estação das Docas, enquanto todos aguardam a chegada da imagem de Nossa Senhora para homenageá-la com música.

As atividades estão aceleradas na sede do Arraial, localizada no bairro da Campina. Mais de 800 Roc-Roc já foram feitos, de todos os tamanhos, de múltiplos formatos e de todas as cores. Ganharam forma e vida pelas mãos de Silvio Nascimento e outras três colaboradoras, num exercício de criatividade e paciência, que começa às 800h da manhã e só termina às seis da tarde, de segunda a sábado. “Mas é divertido também”, garante Silvio.

O músico e artesão de 41 anos assumiu este ano a tarefa de conduzir o processo de criação do brinquedo. “Antes eu ajudava apenas, mas como o Clayderson (o responsável por conceber esses e outros adereços dos cortejos do Arraial) estava muito ocupado esse ano, então eu assumi”, comenta Nascimento.

É Silvio quem sai pela cidade para recolher a matéria-prima do Corró-Corró, os rolos que servem de suporte para o papel nas gráficas de Belém. Depois vai medi-los e cortá-los. Em seguida, os rolos recebem cola de sapateiro em toda a estrutura e uma das extremidades é tampada com cola quente. A parte fechada recebe um furo logo depois, por onde passará o pequeno fio que será girado quando o objeto estiver pronto. O fio é enrolado em uma das pontas a um pedaço de madeira “breado” (espécie de seiva aquecida). “É como o breu-branco”, tenta explicar Silvio. É a seiva que deixa a superfície da madeira lisa, essencial para o som nascer. “É ele que permite esse atrito da cordinha com a madeira para fazer o som”, pontua/E no meio de todo o processo de construção do Corró-Corró vem a pintura. Sempre bem colorido. Depois é só deixar secar e conferir o resultado depois nas ruas, pelas mãos do povo, na celebração da cultura popular. “As pessoas ficam alegres. É legal ver”, se orgulha Silvio.

O Arrastão do Círio 2012 ocorre no sábado, 13 de outubro, logo depois da Romaria Fluvial. O cortejo se concentra na Avenida Boulevard Castilhos França, em frente à Estação das Docas (nas proximidades da Escadinha) para aguardar a chegada da imagem peregrina de Nossa Senhora e prestar uma bela homenagem à padroeira, com o Batalhão da Estrela tocando o hino do Círio de Nazaré ao som de mazurca, um dos ritmos da marujada de Bragança. Na praça do Carmo, além da Valsa dos Roc-Roc está prevista ainda a realização de uma grande roda de Carimbó com as participações de vários artistas, como Luê Soares e Lia Sophia.

O Arrastão faz parte da programação “Nazaré em Todo o canto”, do Governo do Pará, e tem patrocínio da operadora Vivo, por meio do programa Conexão Vivo, da Lei Semear, da Fundação Cultural do Pará Tancredo Neves e apoio da Prefeitura Municipal de Belém.

www.diariodopará.com.br

Brinquedo de Miriti no Mangal das Garças:

No Mangal das Garças, um dos pontos turísticos mais concorridos de Belém, onde vivem algumas variedades de pássaros da fauna amazônica, aconteceu a exposição de aproximadamente 200 aves, como araras, papagaios, guarás, tucanos e garças, cujas espécies são vistas no Mangal, feitas da fibra do miriti, o “Isopor da Amazônia”, que é um  tipo de madeira leve típica do Estado do Pará.

Essas peças ficaram expostas no recanto “Armazém do Tempo”, e essa exposição recebeu o nome de "A Revoada dos Pássaros", que reúniu peças feitas pelos artesãos de Abaetetuba, município no Nordeste do Estado, brinquedos que são famosos pela delicadeza e colorido dos brinquedos. A programação do evento foi feita do dia 6/10 até 11/11/2012.

Quem visitou a exposição “A ‘Revoada dos Pássaros’, observou que a mostra estava em harmonia com o local, onde os pássaros são o grande destaque do Mangal das Garças./Os pássaros da exposição foram selecionados entre 18 ateliês da cidade de Abaetetuba, onde há mais de 200 artesões que se dedicam à produção de brinquedos e outras peças em miriti.

Brinquedos de Miriti na Exposição “Círio de Memória”:

Esculturas feitas de luz

O Círio é a comemoração católica mais importante do Pará, que comanda as manifestações artísticas e culturais do mês de outubro e Nossa Senhora de Nazaré garante inspiração para as mais diversas linguagens. Para contribuir como resgate e difusão das representações que a data possui na vida dos paraenses, o Sesc Boulevard abre hoje a exposição “Círio de Memórias”, com o tema “Miriti, esculturas de Luz”, que reúne imagens do cotidiano dos artesãos de miriti que vivem no município de Abaetetuba.

Sob a batuta de Miguel Chikaoka, os artesãos puderam desenvolver seus próprios equipamentos utilizando técnicas rudimentares, mas capazes de transmitir a mensagem que cada um pretendia imprimir. “Tivemos o primeiro contato com eles em março, quando nos reunimos para apresentar o projeto. Percebemos logo o interesse e tratamos de fazer essa conexão com a história da fotografia. Elaboramos as oficinas pensando nisso”, explica Miguel.

As oficinas foram elaboradas no intuito de mostrar o processo de formação da imagem aos artesãos. Eles foram orientados na produção de registros fotográficos utilizando réplicas de câmeras feitas de talas de miriti produzidas durante as oficinas. Os resultados - câmeras, gravuras e fotografias - poderão ser conferidos na exposição.

O curador da mostra, o artista Emanuel Franco, com 20 anos de pesquisa no universo do miriti, acredita na divulgação do trabalho realizado pelos artesãos em Abaetetuba através desta exposição. “Eu acho esta produção muito rica e diversificada para o estado, só que ela precisa ser mais valorizada. Acho que o ‘Círio de Memórias’ é uma oportunidade para se fazer isso”.

Segundo Emanuel, até a disposição dos trabalhos foi cuidadosamente projetada. “No meio da exposição ficará suspensa uma grande girândola em forma de cubo, onde estarão cerca de trezentos brinquedos de miriti, isso servirá para que as pessoas possam ter conhecimento deste trabalho e saber quem são esses artesãos. As fotos e gravuras feitas pelos artesãos ficarão em panos suspensos pela galeria”, antecipa.

Chikaoka conta que cerca de 50 pessoas participaram das oficinas que resultaram nos 150 trabalhos selecionados para a exposição. “Ao lado das imagens, os visitantes poderão também vislumbrar as câmeras produzidas por eles. O interessante foi que eles se propuseram a apresentar seus cotidianos, suas vidas, dilemas e reflexões”.

“O projeto busca envolver o público com as diversas as temáticas do Círio, valorizando a memória e a história desta grande manifestação cultural”, diz Miguel Chikaoka.

Fonte:  Elias Santos/Diário do Pará

 O Brinquedo de Miriti de Abaetetuba/Pa é
um dos fortes símbolos do Círio de Nazaré
em Belém/Pa

Reproduzido pelo Blog do Ademir Rocha

2 comentários:

  1. Professor Ademir,sou Robson, graduando em História pela Ufpa. Sou de Igarapé-Miri. Andei lendo suas pesquisas sobre nossa cidade, e gostaria muito de poder entrar em contato com o senhor, para se possível, desfrutar de algumas orientações suas. É que estou em fase de construção de monografia. Se possível seu e-mail ou telefone. Obrigado!

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    1. Caro Robson, obrigado pela visita ao Blog e naquilo que eu puder ajudar, conte comigo e e-amil é: ademir-heleno@bol.com.br, abçs, Ademir Rocha

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