CÍRIO 2012: BRINQUEDOS 3 E ARTESÕES DE MIRITI DE ABAETETUBA
Brinquedos de Miriti em Feiras e Eventos:
Os Brinquedos de Miriti de
Abaetetuba obtiveram grande destaque no mês de outubro em Belém/Pa, antes,
durante e depois do grandioso Círio de Nossa Senhora de Nazaré, edição 2012. Os
Brinquedos de Mriti foram objeto de exposições, temas de eventos culturais,
estudos, pesquisas e vendas por vários pontos da Capital. Porém a tradicional
Feira do Miriti não obteve o realce desejado como as de anos anteriores e nem
mereceu destaques como os de outros eventos que tiveram os Brinquedos de Miriti
e seus artesões como temas e exposições variadas. O espaço da feira ficou
acanhado e a divulgação deixou a desejar. Porém, nestas postagens, mostraremos
uma série de eventos onde os Brinquedos de Miriti e seus artesões foram
destaques em várias exposições, temas e estudos e de acordo com as publicações
de várias fontes de informações da mídia e de órgãos do governo do Pará.
FEIRA DO MIRITI:
A Feira do Miriti de Nazaré teve a
abertura na quarta-feira (10/102012), promovida pelo Serviço de Apoio
às Micro e Pequenas Empresas (Sebrae) e se estendeu até o dia 14/10, com
entrada franca e as peças ficaram distribuídas em 60 estandes com aproximadamente
44 mil peças produzidas por artesãos de Abaetetuba, Moju e Belém e os valores
de cada peça variavam entre R$ 5 e R$1.500 reais.
Estava sendo esperada a
presença 30 mil visitantes cujas vendas pudessem gerar cerca de R$ 300 mil em
volume de negócios. Essa expectativa leva em conta o ano de 2011, quando a
Feira do Círio e Miriti aconteceu na Estação das Docas e foi visitada por mais
de 25 mil pessoas, em evento que gerou mais de R$ 180 mil em volume de negócios
para os artesãos participantes. Este ano, além dos tradicionais Brinquedos de
Miriti, a feira terá também outros objetos e artefatos produzidos com a fibra
do miriti, como peças criativas dos artesãos de Abaetetuba e outros tipos de artesanato
vindo de outros municípios paraenses, como cerâmicas, arte em madeira, biojoias
e outros produtos do artesanato paraense. Este ano a Feira do Miriti não mais
será realizada na Estação das Docas como ano passado e sim na Praça Waldemar
Henrique, com entrada franca.
O Corró-Corró no Arrastão do Círio:
O artesão de Abaetetuba chama carinhosamente o
brinquedo de Corró-Corró, mas há quem o conheça apenas como Roc-Roc, que é um
brinquedo sonoro construído para anunciar a existência dos outros Brinquedos de
Miriti. Só é preciso um simples rodar e o som vai surgindo para se incorporar
ao colorido e à simplicidade do objeto, numa espécie de encantaria a atrair
crianças e adultos. É magia que resgata a memória da cidade e a história do
Círio de Nazaré.
“Contam os antigos artesãos de Abaetetuba/Pa que o Roc-Roc ou
Corró-Corró aparece na cena do Círio como peça de divulgação dos pontos de
vendas dos Brinquedos de Miriti. Uma vez acionado, sua sonoridade cativa os
olhares e a atenção dos devotos e revela uma infinidade de formatos e cores
inspirados no imaginário ribeirinho e no cotidiano do caboclo paraense”, diz
Ronaldo Silva, músico e pesquisador cultural do Instituto Arraial do Pavulagem.
No
contato e diálogo com os Artesãos de Miriti veio a descoberta e a percepção de
que o brinquedo já quase não vinha mais para a feira tradicional de miriti na
Quadra Nazarena. E em 2002, ele passou a fazer parte do Arrastão do Círio, o
cortejo de cultura popular realizado pelo Arraial para reverenciar e homenagear
a Padroeira dos Paraenses no 2º sábado de outubro, logo após a Romaria Fluvial.
Nas
ruas, o Instituto reinventa a sonoridade do brinquedo e evoca os ruídos da
floresta na chegada dos brincantes à Praça do Carmo, no bairro da Cidade Velha em
Belém. É quando centenas de Roc-Roc começam a ser girados para o alto numa
profusão de cores e sons chamada de “Valsa dos Roc-Roc”. Um momento de reflexão
sobre os sons da natureza e os sons produzidos pelas atividades humanas no
planeta. “Sobre os sons que não escutaremos mais, sobre os sons naturais que
ainda escutamos, aqueles nocivos à saúde humana e aqueles mágicos e
encantadores que nos equilibram, nos fortalecem, nos identificam”, completa
Ronaldo.
Durante as semanas que antecedem o Arrastão do Círio, uma pequena
equipe de participantes do cortejo se dedica a conceber o Corró-Corró. Um
trabalho feito com carinho e cuidado para criar mil exemplares do singelo
brinquedo que vão ser distribuídos para o público na concentração do evento, na
Avenida Boulevard Castilhos França, em frente à Estação das Docas, enquanto
todos aguardam a chegada da imagem de Nossa Senhora para homenageá-la com
música.
As atividades estão aceleradas na sede do Arraial, localizada no bairro
da Campina. Mais de 800 Roc-Roc já foram feitos, de todos os tamanhos, de
múltiplos formatos e de todas as cores. Ganharam forma e vida pelas mãos de
Silvio Nascimento e outras três colaboradoras, num exercício de criatividade e
paciência, que começa às 800h da manhã e só termina às seis da tarde, de
segunda a sábado. “Mas é divertido também”, garante Silvio.
O músico e artesão
de 41 anos assumiu este ano a tarefa de conduzir o processo de criação do
brinquedo. “Antes eu ajudava apenas, mas como o Clayderson (o responsável por
conceber esses e outros adereços dos cortejos do Arraial) estava muito ocupado
esse ano, então eu assumi”, comenta Nascimento.
É Silvio quem sai pela cidade para
recolher a matéria-prima do Corró-Corró, os rolos que servem de suporte para o
papel nas gráficas de Belém. Depois vai medi-los e cortá-los. Em seguida, os
rolos recebem cola de sapateiro em toda a estrutura e uma das extremidades é
tampada com cola quente. A parte fechada recebe um furo logo depois, por onde
passará o pequeno fio que será girado quando o objeto estiver pronto. O fio é
enrolado em uma das pontas a um pedaço de madeira “breado” (espécie de seiva
aquecida). “É como o breu-branco”, tenta explicar Silvio. É a seiva que deixa a
superfície da madeira lisa, essencial para o som nascer. “É ele que permite
esse atrito da cordinha com a madeira para fazer o som”, pontua/E no meio de
todo o processo de construção do Corró-Corró vem a pintura. Sempre bem
colorido. Depois é só deixar secar e conferir o resultado depois nas ruas,
pelas mãos do povo, na celebração da cultura popular. “As pessoas ficam
alegres. É legal ver”, se orgulha Silvio.
O Arrastão
do Círio 2012 ocorre no sábado, 13 de outubro, logo depois da Romaria Fluvial.
O cortejo se concentra na Avenida Boulevard Castilhos França, em frente à
Estação das Docas (nas proximidades da Escadinha) para aguardar a chegada da
imagem peregrina de Nossa Senhora e prestar uma bela homenagem à padroeira, com
o Batalhão da Estrela tocando o hino do Círio de Nazaré ao som de mazurca, um
dos ritmos da marujada de Bragança. Na praça do Carmo, além da Valsa dos
Roc-Roc está prevista ainda a realização de uma grande roda de Carimbó com as
participações de vários artistas, como Luê Soares e Lia Sophia.
O Arrastão faz
parte da programação “Nazaré em Todo o canto”, do Governo do Pará, e tem
patrocínio da operadora Vivo, por meio do programa Conexão Vivo, da Lei Semear,
da Fundação Cultural do Pará Tancredo Neves e apoio da Prefeitura Municipal de
Belém.
Fontes: www.arraialdopavulagem
e
www.diariodopará.com.br
Brinquedo de Miriti no Mangal das Garças:
No Mangal das Garças, um dos pontos turísticos mais
concorridos de Belém, onde vivem algumas variedades de pássaros da fauna
amazônica, aconteceu a exposição de aproximadamente 200 aves, como araras,
papagaios, guarás, tucanos e garças, cujas espécies são vistas no Mangal,
feitas da fibra do miriti, o “Isopor da Amazônia”, que é um tipo de madeira leve típica do Estado do Pará.
Essas peças ficaram expostas no recanto “Armazém do Tempo”, e essa exposição
recebeu o nome de "A Revoada dos Pássaros", que reúniu peças feitas
pelos artesãos de Abaetetuba, município no Nordeste do Estado, brinquedos que
são famosos pela delicadeza e colorido dos brinquedos. A programação do evento
foi feita do dia 6/10 até 11/11/2012.
Quem visitou a exposição “A ‘Revoada dos
Pássaros’, observou que a mostra estava em harmonia com o local, onde os
pássaros são o grande destaque do Mangal das Garças./Os pássaros da exposição
foram selecionados entre 18 ateliês da cidade de Abaetetuba, onde há mais de
200 artesões que se dedicam à produção de brinquedos e outras peças em miriti.
Brinquedos de Miriti na Exposição “Círio
de Memória”:
Esculturas feitas de luz
O Círio é a comemoração católica mais
importante do Pará, que comanda as manifestações artísticas e culturais do mês
de outubro e Nossa Senhora de Nazaré garante inspiração para as mais diversas
linguagens. Para contribuir como resgate e difusão das representações que a
data possui na vida dos paraenses, o Sesc Boulevard abre hoje a exposição
“Círio de Memórias”, com o tema “Miriti, esculturas de Luz”, que reúne imagens
do cotidiano dos artesãos de miriti que vivem no município de Abaetetuba.
Sob a
batuta de Miguel Chikaoka, os artesãos puderam desenvolver seus próprios
equipamentos utilizando técnicas rudimentares, mas capazes de transmitir a
mensagem que cada um pretendia imprimir. “Tivemos o primeiro contato com eles
em março, quando nos reunimos para apresentar o projeto. Percebemos logo o
interesse e tratamos de fazer essa conexão com a história da fotografia. Elaboramos
as oficinas pensando nisso”, explica Miguel.
As oficinas foram elaboradas no
intuito de mostrar o processo de formação da imagem aos artesãos. Eles foram
orientados na produção de registros fotográficos utilizando réplicas de câmeras
feitas de talas de miriti produzidas durante as oficinas. Os resultados -
câmeras, gravuras e fotografias - poderão ser conferidos na exposição.
O
curador da mostra, o artista Emanuel Franco, com 20 anos de pesquisa no
universo do miriti, acredita na divulgação do trabalho realizado pelos artesãos
em Abaetetuba através desta exposição. “Eu acho esta produção muito rica e
diversificada para o estado, só que ela precisa ser mais valorizada. Acho que o
‘Círio de Memórias’ é uma oportunidade para se fazer isso”.
Segundo Emanuel,
até a disposição dos trabalhos foi cuidadosamente projetada. “No meio da
exposição ficará suspensa uma grande girândola em forma de cubo, onde estarão
cerca de trezentos brinquedos de miriti, isso servirá para que as pessoas
possam ter conhecimento deste trabalho e saber quem são esses artesãos. As
fotos e gravuras feitas pelos artesãos ficarão em panos suspensos pela
galeria”, antecipa.
Chikaoka conta que cerca de 50 pessoas participaram das
oficinas que resultaram nos 150 trabalhos selecionados para a exposição. “Ao
lado das imagens, os visitantes poderão também vislumbrar as câmeras produzidas
por eles. O interessante foi que eles se propuseram a apresentar seus
cotidianos, suas vidas, dilemas e reflexões”.
“O projeto busca envolver o
público com as diversas as temáticas do Círio, valorizando a memória e a
história desta grande manifestação cultural”, diz Miguel Chikaoka.
O Brinquedo de Miriti de Abaetetuba/Pa é
um dos fortes símbolos do Círio de Nazaré
em Belém/Pa
Professor Ademir,sou Robson, graduando em História pela Ufpa. Sou de Igarapé-Miri. Andei lendo suas pesquisas sobre nossa cidade, e gostaria muito de poder entrar em contato com o senhor, para se possível, desfrutar de algumas orientações suas. É que estou em fase de construção de monografia. Se possível seu e-mail ou telefone. Obrigado!
ResponderExcluirCaro Robson, obrigado pela visita ao Blog e naquilo que eu puder ajudar, conte comigo e e-amil é: ademir-heleno@bol.com.br, abçs, Ademir Rocha
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