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sábado, 13 de novembro de 2010

VULTOS, HISTÓRIAS E LENDAS DE ABAETÉ













































HOMENAGEM A UM ABAETETUBENSE

Como homenagem ao popular Maxico/Maximiano de Lima Cardoso, falecido em 4/11/2010 em Cuiabá/MT, com grandes amizades em Abaetetuba, especialmente entre os antigos esotéricos de Abaeté, homem trabalhador, que junto com sua esposa souberam educar seus filhos, hoje todos formados e exercendo atividades profissionais em Abaetetuba e outros recantos do Brasil, publicamos algumas postagens de seu filho Clóvis Figueiredo Cardoso, que se referem à rica e varada cultura de Abaetetuba.

A INCRÍVEL HISTÓRIA DA VISAGE “PADRE SEM CABEÇA” QUE USAVA CHAPÉU

Éramos um trio de moleques do centro de Abaeté. Vizinhos, eu, o Amiraldo e o Pedro Jorge (Rato do Esgoto), brincávamos e fazíamos nossas estripulias e aventuras como irmãos. Pira n’água, pescaria, espeta, “camonisilá”, peteca, pião, papagaio e curica, etc etc..Ah! Também havia porradas e muita sacanagem.
Conhecíamos os quintais das quadra circunvizinhas que nenhum GPS podia ser mais preciso: as goiabeiras por seus frutos e pelo excelente material para nossas baladeiras, o abiu mais pela sacanagem de ficar pregando os beiços do que pelo sabor, o marmeleiro que não tinha gosto nenhum a não ser a o sabor de surripiá-lo sem permissão. Mas tinha um que, na época certa, era especial: o quintal do prédio do INPS que ficava na Barão do Rio Branco, quase em frente da livraria da Dona Edna. É que lá tinha um pé de abricó. E que pé...

No mês de outubro, se não engano, essa garbosa árvore florescia e, após, expunha a nós, muitos, mas muitos frutos mesmo...E como o abricó é gostoso...carnudo, com sua polpa indo do amarelo ao vermelho, o odor que desperta intensa salivação e até aquela dorzinha embaixo das orelhas de tão bom...e o gosto, então! O gosto doce e azedo é indescritível....

O quintal do INPS com o abricoteiro carregado de frutos era o objeto de todos os nossos desejos.

Entretanto, entre nossos desejos e o seu objeto existia um obstáculo cruel: “Seu” Paulo Piraíba, o guarda do INPS, que teimava em vigiar o abricoteiro muito mais que o prédio. Não sei até hoje porque ele tinha esse comportamento, pois o abricoteiro era do Governo Federal que se dizia do povo e para o povo e nós éramos povo, moleques mas filhos do povo. Nós tínhamos direito natural e constitucional aos abricós. Mas o “Seu” Paulo Piraíba parecia seguir ordens dos ditadores de plantão e não respeitava os direitos do povo, nossos direitos legítimos aos abricós.

Ocorre que a dialética prevê que o novo sobrepõe o velho em algum momento, dadas as condições objetivas e subjetivas para tanto. E assim aconteceu. O cansaço dominou o corpo e a mente do guarda do INPS diante do vigor espiritual e físico de seus oponentes, na flor da idade. Era difícil controlar três endiabrados moleques que pareciam se multiplicar por dez quando queriam tomar de assalto a frondosa árvore de abricós.

“Seu” Paulo Piraiba, inteligentemente, inventou uma história que o quintal era assombrado por uma visage: o “padre sem cabeça”. Este teria sido um sacerdote do interior que, necessitando de cuidados médicos foi ao INPS e, como é de conhecimento público, não foi atendido. Tinha uma terrível dor de cabeça, insuportável até para um representante de Deus. Com a falta de atendimento, sua cabeça teria explodido enquanto estava na fila aguardando uma senha para ser atendido pelo porteiro do INPS. Assim, sua alma estava vagando pelo INPS, sem a cabeça explodida.

Lógico que a história da visage do “padre sem cabeça” fez nosso trio paralisar as atividades de tomar nossos direitos aos abricós à força. Quase uma semana sem chegar perto do INPS.

Mas a vida era insuportável sem os abricós que pendiam no terreno assombrado.

Reunimos-nos e decidimos na porrinha quem seria o “corajoso” a ir à frente para emprestar alguns abricós. O azar recaiu sobre Amiraldo.

Fomos os três para a frente do INPS. Eu e Pedro Jorge ficaríamos na calçada e Amiraldo entraria no quintal. Se nada acontecesse, assoviaria para entrarmos.

Pois bem, Amiraldo entrou e saiu. Parece que saiu antes mesmo de entrar tamanha foi a velocidade desse fato. E saiu branco, cabelos arrepiados e gaguejando.

Afastamo-nos do local para ouvir o que tinha acontecido. Amiraldo gritou:

- Eu vi o “padre sem cabeça”....e ele usava um chapéu preto imenso....

Pedro Jorge questionou na lata:

- Mas se ele é “sem cabeça”, como usa chapéu???

Amiraldo retrucou na mesma velocidade:

- Então entra lá pra ver se não é verdade!!!

E o “padre sem cabeça” até hoje deve estar usando chapéu porque eu e Pedro Jorge não ousamos duvidar das leis do outro mundo e porque o Amiraldo devia entender de visagem mais que nós....

Cuiabá, 15 de novembro de 2008

Clóvis Figueiredo Cardoso
Postado porClóvis Figueiredo Cardoso Clóvis Figueiredo Cardoso às 06:26

ABAETETUBA E A CABANAGEM

30.8.1835 – ABAETÉ. PA. Cabanagem. Destacamento da GN apoiado por voluntários atacou e expulsou os cabanos. Em novembro, por três dias tentarão retomá-a. (Abaeté, nome popular de Abaeté do Tocantins, na foz do Rio Tocantins, passou a se chamar Abaetetuba).

4.11.1835 - ABAETÉ. PA. Cabanagem. Primeiro de três dias de ataque cabano. Perdendo a localidade a 30.8, buscam recuperá-la. Vantagem para a defesa comandada pelo cap. Luis José de Araújo, da GN, e tenente de caçadores João Luís de Castro. A escuna Bela Maria, do ten. Joaquim Manuel de Oliveira Figueiredo, apoiou o dispositivo governamental. No dia 6, tendo sofrido elevadas perdas, os cabanos desistem. Voltariam ao ataque em 10.3.1836, igualmente sem conseguir retomar Abaeté.

10.3.1836 - ABAETÉ. PA. Cabanagem. Repelidos em novembro, os cabanos voltaram ao ataque, com 300 homens transportados em um iate, três batelões e embarcações menores. A defesa, reforçada e com o apoio dos fogos da canhoneira Independência, do iate Boa Fé e de um lanchão, provoca perdas pesadas entre os atacantes que, afinal, recuam deixando em mãos dos governamentais o iate, armado com oito peças.

(Donato,Hernani, Dicionário das Batalhas Brasileiras, Hernani Donato, São Paulo: IBRASA, 1987, p. 197)

Postado porClóvis Figueiredo Cardoso Clóvis Figueiredo Cardoso às 15:15 2 comentários
Marcadores: abaetetuba abaeté cabanagem batalha guerra pará

AÇAÍ COM MAPARÁ EM CUIABÁ

Eu e os meus dois filhos que moram comigo, Mariana e Júnior, acabamos de nos refestelar sobre várias tigelas de açaí com farinha tendo como acompanhamento um delicioso mapará assado na chapa. A degustação que acabamos de realizar ocorreu aqui em Cuiabá, capital de Mato Grosso, onde não têm açaí nem mapará.

Meus três filhos são mato-grossenses e os dois que comeram açaí com mapará agora há pouco são cuiabanos. Cuiabanos de “tchapa e cruz” como se diz do cidadão originário destas plagas.

Entretanto, enquanto cuiabanos de “tchapa e cruz” meus filhos adotaram o gosto pela culinária paraense. Embora de mãe paranaense, são apaixonados por uma tigela de açaí com farinha. Sem açúcar, diga-se de passagem, como qualquer bom caboclo marajoara. E a farinha tem que quase “empedrar” no açaí, formando com este, aquela massa que sempre foi a base de minha alimentação e de minha família.

Adoram açaí com mapará, com charque, com sardinha em lata, com camarão, com carne de porco

Se em Abaetetuba comíamos, “chula” “churamba”, “chibé”, era por falta. Aqui muitas vezes também comemos desses diversos modos mas para aumentar a quantidade. A distância impõe a falta.

Quando os vejo se deliciando com açaí e mapará, como demonstram as fotos, sinto um orgulho fantástico de ser abaetetubense, nascido na beira do rio, comedor de açaí, mapará, tamuatá, miriti, etc. Sinto orgulho de ser paraense e de repassar às futuras gerações a cultura que a Amazônia nos legou. Sinto orgulho de ser brasileiro e de ser cidadão cuiabano e mato-grossense como meus filhos.

Postado porClóvis Figueiredo Cardoso Clóvis Figueiredo Cardoso às 19:34 0 comentários

Lenda do fantasma que existia em Abaetetuba

"Até os anos 60 e 70, acreditava-se existir circulando pelas ruas da cidade, das onze e meia a meia-noite, um fantasma, sempre vindo do fim da rua D. Pedro II para a beira (feira). Pelo número dos fatos ocorridos, o fantasma se tornou lendário em nosso meio e visto por várias pessoas.

Era um estranho sujeito, da altura do poste de iluminação, muito seco, usando calça preta e camisa muito branca e feia que esvoaçava ao vento. Seu andar parecia o jogo de um fado português, som de tamancos ritmados, dando a impressão de soar de um peleque e tum, tum, tum. Nas noites de luar, mesmo quem não via, acordava a essa hora ouvindo-lhe passar.

Sua constância maior era na rua D. Pedro II e Pedro Rodri-gues. Ao vê-lo, a pessoa ficava estática e estarrecida, pregava ao solo, sem poder mover-se, até o fantasma se perder na distância.

Por vezes era visto cobrindo toda a extensão da rua, como um grande lençol esvoaçante, ou em forma de animal muito branco, que de pequeno crescia até se tornar aquela coisa enorme e apavorante.

Assim era Abaetetuba, simples, meiga, e cheia de mistérios e lendas fantásticas contadas por nossos anciões como verdades ocorridas." (extraído do indispensável livro "ECOS DA TERRA" da autora Maria de Nazaré Carvalho Lobato, editado pela Secretaria de Estado da Cultura em 1993.)

A leitura dessa obra nos transporta à Abaetetuba de qualquer lugar do mundo.
Postado porClóvis Figueiredo Cardoso Clóvis Figueiredo Cardoso às 08:34 0 comentários

OS SEGREDOS DE ABAETÉ

Com seu inventário de nomes, lugares, palavras, Celso de Alencar estabelece seu mundo poético. Abaeté não é uma lagoa escura, como diz Caymmi, mas o reino onde se encontram os que sonham. "Abaeté fascina e cativa porque entre o chão e as nuvens estão os espíritos". Ë o reino do imponderável, em que a imaginação do poeta flutua, devolvendo as impressões, acumuladas durante os anos da existência. Ë o vago cemitério marinho que sutilmente aflora "Grande mer de delires douée/peau de panthère et chlamy-de trouée/ de mille et mille idoles du soleil/ hydre absolue/ ivre de ta chair bleue,/ qui te remords/ l’étincelante queue/ dans un tumulte au silence pareil." — em que nos arrebata o genial Paul Valéry.

O fabulário funda-se no inconsciente, criando mitos sobre personagens e lugares, provavelmente reais. Assim os reis de Abaeté, quer sejam reis, quer seja Abaeté, o referencial se liga à realidade. Ë um mundo que Celso criou na sua fantasia e que convive com outras alusões extraídas do real; lugares como: — a loja do Matias, o bar do João Marques, a vala da rua Tucumanduba, Breves e Santarém; cenas da vida quotidiana: - Olga, a filha mais nova do Coletor, padece pelo amor de Justino; Apoio esbravejando com a calça mijada; Esmeralda, Jovina e Nelma; Torquato noticiará os 17 anos de Clotilde; rameira-mãe do Paturi; o riso do Mariano.

Com os mitos, nomes, lugares e alusões extraídas do subconsciente e da realidade constrói o mistério, não se sabendo o que trata de verdade e o que de fantasia, como "Caixas com garrafas de uísques/, vinhos, licores/ os mais finos foram/ trazidas./ O Santa Margarida/ atracou no trapiche do Mercado de Peixe”. Outro: "se estivesse lá/ terias apreciado os perfumes e as sedas/ de Paramaribo e Caiena", e ainda "Talvez não saibas/ que os barcos não colidiram / e que os netos de Mestre Ambrósio/ malgrado o forte vento e a forte chuva/ descansam no cais”.
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O enunciado é bíblico, tom cerimonioso de sermão. É a palavra do pregador, premonitória das possíveis incertezas na vida e as quebras do procedimento, acarretando a perda da recompensa.

"Trinta rios em quarenta e cinco noites."

Todo o mistério, o medo, a incerteza, carregando o castigo ou a recompensa. A expectativa da chegada. "Nos porões trouxeram carne/ de tingas e açus". "Na beirada do porto e do canal/ os moleques e os urubus/ alinharam-se e espreitaram a / descarga".

"Aqui nada é/ puro./ O confessionário, o coreto/ as fïlhas-de--maria,/ nem a batina do/ padre./ Os segredos de/ Abaete/ são se¬gredos teus também."

Tom bíblico, mas não profético. A exposição grandiosa dos acontecimentos e suas conseqüências na vida das pessoas e na alma do poeta. É como diz Whitman: "Great are the Miths - I too delight in them,/ Great the risen and fallen nations, and their poets, women,/ sages, inventors, rules, warriors, and priests."

Diz o poeta: "Eu te digo/ a barreira de pedra/ não vencerá as águas/ grandes./ contra o tempo não há/ luta./ contra o tempo nenhuma arma é/ capaz." Diz ainda o poeta: — "Tu que foste/ escrava do rio, da tina,/ do assoalho e das/ paredes/ eu te pergunto: onde está a alegria/ que tinhas na casa de teus/ pais? "

Depois a messe, a criação e abundância, como a oferecer e a negar o prêmio do homem. "Acaso tens o pavão/ as marrecas, o matamatá no teu/ quintal? Onde está a fertilidade? / o arroz/ o milho/ o feijão." Ë o manjar dos deuses, a natureza concedendo ao homem a fruição do mundo, mas o próprio homem controlando, negando e sonegando. Por isso: "mostraremos as esquinas/ as ruas sem iluminação/ as ameixeiras, os açaizeiros/ os talhos vazios./ Não negaremos a fome/ a pobreza/ o rastro de Jeremias/ a morte de nossos cães."/ O bem e o mal serão expostos, para o julgamento. "Não sufocaremos nossos/ fantasmas". A grande realidade do mundo: "A cidade existe! / É cinza/ como o inverno e as chuvas."

Celso já publicou outros livros: Tentações; Salve Salve; Arco Vermelho. Levantou alguns prêmios no concurso de poesia falada promovido pela Revista Escrita, onde pode nos privilegiar com excelentes interpretações entre as quais destaco: - O ANJO "A argila fez-te belo./ - Ó pequeno anjo barroco./ Teu corpo fino como/ escumilha/ realça-te como obra de arte./ Canta a vida/ ó nobre divindade./ Esparrama no espaço/ a beleza esmerada/ contida no teu corpo./ Mostra a tua força inilidível / e conquista/ (com as armas que ostentas)/ o mundo."

Celso de Alencar é um poeta de grande inspiração, uma poesia que se pode classificar como "work in progress". A metáfora fácil em contínuo no texto, como espetáculo, explode em "fireworks", música de Handel para os Reais Fogos de Artifício, na terra fascinante dos segredos do reino de Abaeté.

J.B. Sayeg]
(Prefácio ao livro de poesias "OS REIS DE ABAETÉ" / Celso Alencar-1ª ed. - São Paulo:João Scortecci Editor, 1987)

Postado porClóvis Figueiredo Cardoso Clóvis Figueiredo Cardoso às 19:00 0 comentários

domingo, 8
DICIONÁRIO PAPACHIBÉ

Este-um – Outra expressão legitimamente nossa, bem paraense, usada à larga pelo povo interiorano.

EXEMPLO – O capiau veio pra capital passar o Círio. Ia atravessando a Presidente Vargas com sua fubiquinha quando – crec! – acertou na traseira do Corolla dum filhinho-de-papai. O garotão desceu do carro, já querendo briga. O capiau tentou acalmá-lo.

- Não esquenta aí seu moço. Num sabe que conversando a gente se entende? Pêra lá.
O capiau foi na fubiquinha dele, apanhou uma garrafa, tirou a rolha e voltou:

- Seu moço, experimente um gole dessa. É lá de ABAETETUBA e ESTE-UM aqui, pode “agarantir” que depois de provar dessa caninha, a gente “vamo” bater um papo numa boa.

O garotão topou a sugestão, provou, gostou e foi virando o gargalo da garrafa mesmo. Lá pela quarta ou quinta dose o capiau virou-se pro filhinho-de-papai e anunciou:

- O moço ta carmo agora, né? Antão vamo chamar a poliça pra fazer o tal de teste de bafômetro, tá?

(extraído de Sobral, Raymundo Mário, in DICIONÁRIO PAPACHIBÉ - A LÍNGUA PARAENSE, VOL. II, , Belém, SECULT-PARÁ, 1998, p.99/100)

Postado porClóvis Figueiredo Cardoso Clóvis Figueiredo Cardoso às 19:25 0 comentários
terça-feira, 26 de junho de 2007

O MAPARÁ É ABAETETUBENSE

Diz a Lenda do mapará, que um morubixaba estava preocupado com sua tribo, localizada às margens do Rio Meruú ou Maratauíra, onde hoje está a cidade de Abaetetuba, porque estavam vivendo em grande seca e havia pouca ou quase nenhuma comida. Logo após, sua filha mais velha e a mais bela de todas, que todos os guerreiros desejavam "comer", caiu doente na rede com estranha doença. O Pajé foi chamado e depois da pajelança avisou que não tinha cura, pois Tupã a tinha chamado. O Morubixaba abaetetubense, nada besta, pediu então que Tupã recompensasse sua tribo com uma comida tão boa de comer como sua filha. Aí Tupã disse que eles fossem pescar no Rio Maracapucú, que naquelas épocas não tinha nada de peixe. Passaram várias vezes a rede e nada pegaram. Reclamaram novamente para Tupã e este falou que eles haviam pedido uma comida tão gostosa como a filha do Morubixaba e ele havia concedido, mas que essa comida era igual mulher bonita e gostosa, tinha que ter manha para ser conquistada. Daí surgiu a técnica do Borqueio. Quando os índios fizeram o Borqueio no Rio maracapucú conseguiram imensa fartura do peixe mais gostoso que já haviam conhecido. Era o Mapará. O Morubixaba deu de comer para toda sua tribo, que convidou outras tribos, localizadas onde hoje ficam as cidades de Cametá e Igarapé-Miri para aprenderem a fazer borqueio e degustarem o delicioso Mapará.

Postado porClóvis Figueiredo Cardoso Clóvis Figueiredo Cardoso às 17:37 1 comentários

DECAMERON E O TRAPICHE DE ABAETETUBA

TIVE UMA FASE NA VIDA QUE MINHA COMPULSÃO DIRIGIU-SE PARA A LEITURA DAS OBRAS CLÁSSICAS DA LITERATURA.

MORANDO EM SÃO CARLOS-SP, APROVEITEI DA EXISTÊNCIA DE FARTO ACERVO EXISTENTE NAS DIVERSAS BIBLIOTECAS PÚBLICAS, TAIS COMO DA UNIVERSIDADE FEDERAL, USP, FACULDADES PARTICULARES, AS DO MUNICÍPIO E A DA CÂMARA MUNICIPAL.

MERGULHEI NOS TEXTOS DE CAMÕES, VICTOR HUGO, DANTE ALIGHIERI, STHENDAL, TOLSTÓI, MARK TWAIN, SHAKESPEARE, MACHADO DE ASSIS, FLAUBERT, GÓGOL E POR AI VAI.

NESSA MALUCA E OBSTINADA VIAGEM PELO MUNDO DAS MELHORES OBRAS LITERÁRIAS, ENCONTREI UM IGUAL QUE ME AJUDOU MUITO.

O SECRETÁRIO DA CÂMARA MUNICIPAL DE SÃO CARLOS, XAVIERZINHO, HAVIA, RECENTEMENTE, ADQUIRIDO ENORME QUANTIDADE DESSAS OBRAS PARA O JÁ GRANDE E IMPORTANTE ACERVO DA BIBLIOTECA DAQUELE PODER. ENTRETANTO NÃO ERA PERMITIDA A RETIRADA DOS LIVROS E FUI OBRIGADO A LÊ-LOS SOB AQUELE EDIFÍCIO QUE FOI PROJETADO POR EUCLIDES DA CUNHA PARA SER UM PRESÍDIO.

O SECRETÁRIO INDICOU A LEITURA DE DECAMERÃO, DO ITALIANO GIOVANNI BOCCACCIO, ESCRITA ENTRE OS ANOS DE 1348 E 1353.

SETE MOÇAS E TRÊS RAPAZES, FUGINDO DA PESTE NEGRA QUE ASSOLAVA FLORENÇA, REFUGIAM-SE FORA DA CIDADE, ONDE PASSAM O TEMPO SE DISTRAINDO CONTANDO CASOS AMOROSOS DURANTE DEZ DIAS SEGUIDOS, TOTALIZANDO 100 NOVELAS. DAÍ O NOME DA OBRA: “DECAMERON” = “DEZ DIAS” EM GREGO.

MEU ASSOMBRO AO LER E RELER ESSE LIVRO É QUE, ANTES DE CONHECÊ-LO, JÁ SABIA DA MAIORIA DOS CASOS ALI DESCRITOS!

COMO PODERIA TER CIÊNCIA DAS NOVELAS DESSE CLÁSSICO ANTES DE LÊ-LO?

MINHA MEMÓRIA REPORTOU AO TRAPICHE DE ABAETETUBA. AQUELE MESMINHO QUE FOI TRAGADO PELA COBRA-GRANDE QUE TEM O RABO ESCONDIDO BEM EMBAIXO DA CATEDRAL.

UMA DAS AVENTURAS MAIS PRAZEIROSAS QUE TINHA ERA PESCAR DE CIMA DO TRAPICHE OS MANDIIS, MANDUBÉS, BACÚS E OUTROS PEIXINHOS.

ENQUANTO ESPERAVA A “BATIDA” NO ANZOL ISCADO COM CHARQUE, IAM APORTANDO AS GELEIRAS, FUBICAS, CANOAS, BARCOS E OUTROS. OS EMBARCADIÇOS SE REUNIAM NAS BARRAQUINHAS DE CAFÉ OU EM VOLTA DE UM BELO LITRO DE CACHAÇA DE ABAETÉ. OS CASOS ERAM NARRADOS COMO ELES PRÓPRIOS TIVESSES PARTICIPADO DOS FATOS.

MONSTROS, TRAIÇÕES, LENDAS, VISAGENS, DOENÇAS MULHERES, MÚSICAS, ETC. o)S CASOS MAIS DIVERTIDOS ERAM JUSTAMENTE OS DO BOCAGE – SACANAGEM PURA!

EU AGORA DEBRUÇADO SOBRE UMA MESA DA BIBLIOTECA DA CÂMARA MUNICIPAL DE SÃO CARLOS, LIA OS CASOS QUE JÁ HAVIA ESCUTADO INÚMERAS VEZES, POR NARFRATIVAS DE CABOCLOS, MUITOS DOS QUAIS ANALFABETOS, NO TRAPICHE DO MUNICÍPIO DE ABAETETUBA QUE UM DIA A COBRA GRANDE ARRASTOU PARA SEU NINHO.

Postado por Clóvis Figueiredo Cardoso às 19:21

O TEMPO DE UMA ABAETÉ

A avó Maria segurava sua mão e caminhavam para o sítio na “Boca do Jarumã”, por onde passava o antigo ramal de Beja, numa distância de mais ou menos cinco quilômetros.

Era uma aventura aquela caminhada. Tanto pela lonjura quanto pela descoberta que no caminho a avó fazia questão de iniciá-lo.

A velha senhora, feições típicas de cabocla ribeirinha, carregava um ‘aturá’, grande cesto tecido de cipós, no qual passava uma espécie de cinta que ia presa em sua testa. Utensílio indígena com toda certeza.

Uma parada e apanhavam camapús, noutra, tucumãs e inajás, que pendiam sob armadilhas de espinhos.

Após o “Campo da Aviação”, antes do “Laranjal”, ficava um sororocal, onde pombos-do-mato arrulhavam em grande algazarra.

Sempre tinha a vez da paradinha para acender um cachimbo de cabeça de barro, após fatiar-se o “tabaco de mole” e amassá-lo nas mãos. Apesar da avó fumar o tabaco de mole, que era comprido como uma vara e vinha enrolado numa embira, no aturá ia o tabaco “Leão” que era o do gosto do avô. Na “Bera” tinha também o tabaco “Papão” que, tal qual o Leão, já vinha cortado, desfiado e empacotado. A paixão pelos times do Paissandu ou do Remo é que definiam a diferença de marcas e o gosto do fumante...

Às vezes cortavam caminho pela mata, passando pela tapera do Manduca, lanterneiro fazedor de lamparina a partir de lata de leite ninho, e por um afamado “terreiro” onde se cultuava Mãe Mariana, a Rainha da Turquia que se encantou nas matas da Amazônia.

Mas o que impressionava o menino eram os ensinamentos que recebia. As folhas e ramas de murta braba eram reconhecidas e apanhadas calmamente com um ritual religioso. A identificação do pé de verônica e a forma de se retirar suas partes sem matar a planta que junto com outras ia compor uma milagrosa garrafada para apertar vaginas e ajudar as raparigas e moças de família a resolverem diversos problemas sexuais, afetivos e financeiros. Além dessas, muitas e outras plantas da flora amazônica revelavam suas mágicas para o garoto.

Para se chegar no sítio, antes se passava pela floresta de ingazeiros, castanheira, andirobeira, bacuri-pari e açu, pepino do mato, pé de ginja, cacau, cacaui, açaí, bacaba, e uma bela casa-de-farinha com seus pilões, pás, remos, tipitis e o gigante forno de cobre para torrar a farinha d’água.

O menino corria para o avô e o abraçava. O avô,cego, segurando em uma mão uma vara e noutra a pequena mão, contava o que mais gostava de ouvir: a história da Rainha Encantada Maria de Portugal que vivia no olho d’água perto do Tijuquaquara e que explodia nas noites de lua cheia à qualquer aproximação humana.

A noite todos os sons e todos os encantamentos passavam na ilharga daquela casa abençoada. Mapinguari, Cobra-Grande, Negrinho da Pororoca, Labisonho, Padre-Sem-Cabeça e todos os entes do tempo.

Ao amanhecer o menino segurava a mão do avô cego que seguia pela mata, mas que a conhecia com a alma. Banhavam-se nas águas do igarapé ao lado de currais de mandioca braba que fermentavam tucupi em suas entranhas. Acarás passeavam tranqüilos sobre as águas.

Esse tempo anda vagando pela lembrança de um homem adulto, jogado no mundo que não lhe pertence, em qualquer metrópole do mundo.

O tempo pertence ao avô que doou sua carne e seu espírito para germinar um pé de andiroba na ilharga de um igarapé.

O tempo pertence à avó que encantou-se Matinta Perera e que espera seu neto trazer-lhe um bom tabaco de mole.

Cuiabá, 29 de outubro de 2009

Clóvis Figueiredo Cardoso

A LENDA DA ILHA DA PACOCA

Demóstenes, no auge de sua juventude, sentiu ardor no peito. Não, não era doença braba, mas um não-sei-o-quê, um não-tem-lugar, uma apertação no corpo, uma friagem quente que nem ele, com seu sentir, podia explicar o que era. Tinha aparecido no arraial de N. Sra. da Conceição quando viu aquela mocinha, tão bonita como as girandas de brinquedos. Era a Sebastiana, filha mais nova do Velho Bruno, tecedor de matapi lá do Furo-Grande.

O doente de não-sabe-o-quê, filho único de navegadores dos rios e do mar, estava só no mundo desde a adolescência, quando o pai não respeitou a tradição de presentear os negrinhos-da-pororoca com a destilada cana de Abaeté, perecendo entre ondas e remansos do encontro de águas doces e salgadas.

Homem de habilidades, Demóstenes dominava a ciência de se conduzir pelas águas, salgadas ou doces, calmas ou revoltas, no claro ou no escuro, de qualquer forma. Se tivesse apenas uma enxó construía qualquer embarcação, dependendo da madeira e do tempo. A matemática dos mastros e dos cascos lhe pertencia. A mecânica dos astros, o cheiro e a direção dos ventos, e as marés, era tudo o que precisava para navegar em qualquer água. Cortava o pano com o cálculo da experiência , encerava-o com resina de plantas ou de peixes, organizando qualquer velame.

Não tinha paragem. Hoje aqui, amanhã outro porto.

Mas jurou ficar ponte pelo amor da linda Sebastiana.

Tanto cantou, tanto cercou, tanto falou e ouviu, que Sebastiana também sentiu ardor no peito , o não-sei-o-quê , a apertação, o não-tem-lugar, as friagens, ou seja, apaixonou-se pelo navegador Demóstenes.

Pediu a moça em casamento e levou, não só a benção de seus pais, mas uma terra para se quietar: um lindo paraíso de várzeas, igapós e terra-firme, chamada de Ilha da Pacoca porque lá moravam muitas pacas.

Demóstenes e Sebastiana fixaram residência e domicilio e se amavam mais e mais conforme o passar do tempo. Até que uma noite a esposa cai doente: febre, tremedeira, diarréia, vômitos e desmaios. Era necessário buscar auxílio na vila imediatamente. Mas a noite era de temporal e de águas agitadas.

O mestre navegante observou o tempo e viu que era praticamente impossível vencer as ondas, correntezas e remansos, com apenas uma montaria que possuíam na Ilha, pois, desde que casou, não mais possuía outra embarcação para não ser tentado a voltar a navegar como antes.

Mas era o tempo ou a morte de seu amor. Resolveu enfrentar a natureza. Mas quando buscou sua montaria, percebeu que o temporal foi mais esperto e levou a embarcação em suas brabezas.

O desespero tomou conta do corpo e da alma daquele caboclo. Não tendo alternativas, pegou sua amada mulher nos braços e jogou-se no rio para levá-la a nado até onde pudessem salvá-la. Entretanto, o rio o devolvia para a margem com fúria e força. Após várias tentativas, e vendo seu amor suspirando de morte, Demóstenes começou a gritar clamando pelos encantados da floresta e dos rios. Pedia clemência pela vida de sua paixão. Não obtendo resposta, correu para casa e pegou todos os panos que lá tinham e os estendeu sobre as árvores, amarrando-os pelas bordas e pontas, formando um velame. Agarrou o remo que sobrou da sua montaria e, na beira do rio, mergulhava-o na água com o movimento de quem rema.

Tentava, com o velame de seus panos e com as remadas de seus braços, transformar a Ilha da Pacoca em embarcação, navegando na noite de temporal para salvar sue esposa. Demóstenes gritava por todos e por tudo e, de repente, sentiu que a ilha se mexia e navegava. Alegre, foi abraçar sua esposa desfalecida quando teve o assombro de não mais sentir sua respiração e seu calor: Sebastiana não suportou e faleceu.

Num impulso indescritível, Demóstenes levantou o corpo de Sebastiana aos céus gritando com a voz de cem trovões quando aconteceu um encantamento: a Ilha da Pacoca se iluminou toda, com as luzes de centenas de faróis e luas; os panos feitos velas se inflaram, e a Ilha da Pacoca começou a navegar velozmente sobre as furiosas águas do temporal.


Assim, até hoje, quando se tem um temporal feio na região do Rio Maratauíra, nas proximidades de Abaetetuba, uma grande embarcação, toda iluminada, com velas e velas, surge singrando as águas do rio e lá se vê, em sua proa, um homem com uma mão no cordame e, em outro braço, um corpo de mulher. É a Ilha da Pacoca, encantada, com Demóstenes levando Sebastiana para tentar salvá-la.

Cuiabá, 08 de novembro de 2008

Clóvis Figueiredo Cardoso

Postado por Clóvis Figueiredo Cardoso Clóvis Figueiredo Cardoso às 22:56 2 comentários

Uma homenagem do Blog do Prof. Ademir Rocha ao abaetetubense Maxico e seus familiares.

Outra Parte

quarta-feira, 4 de setembro de 2013

CLÓVIS FIGUEIREDO CARDOSO - ARTES E ARTISTAS

CLÓVIS FIGUEIREDO CARDOSO - ARTES E ARTISTAS
"Escrever é uma arte"
 Clóvis e família
 Clóvis Figueiredo Cardoso, como Poeta
Considerações sobre a origem do Clóvis Cardoso
Quando criança conheci alguns membros das famílias Cardoso e Figueiredo, conhecimento que se aprofundou nas fases de estudante e professor em Abaetetuba. Essas duas famílias vieram de tradicionais famílias de Abaetetuba, sendo que os Figueiredo constituíam-se de comerciantes, marítimos, donos de fábricas e engenhos em Abaetetuba e região e que espalharam sua descendência por Belém, Abaetetuba e outras partes do Brasil. Os Cardoso vieram de uma tradicional família da localidade Jarumã, os Lima Cardoso, constituindo-se de pessoas simples, dignas e trabalhadores da lida diária em favor do sustento de suas famílias. O certo que os Figueiredo e os Lima Cardoso obtiveram grande sucesso no tocante à educação e formação de seus filhos. Veja-se o caso do Sr. Maximiano de Lima Cardoso, o popular Maxico, que casou com Elza Negrão Figueiredo/Piquixita e que tiveram uma família onde todos os seus filhos foram bem criados e educados com muitos esforços dos pais, que conseguiram fazê-los estudar e hoje estão bem situados na vida e dando sequência aos descendentes das famílias Figueiredo e Lima Cardoso. Um dos filhos do Sr. Maxico e D. Piquixita é o conhecido Clóvis Figueiredo Cardoso, que homenageamos nesta postagem de “Artes e Artistas de Abaetetuba”. Temos homenageado aqui renomados artistas de Abaetetuba, vindo das Artes Plásticas, da Escultura, do Artesanato, das Artes Cênicas, das Artes Musicais e, agora, damos sequência às homenagens aos Artistas das Letras, no caso, a Poesia, o Romance, o Conto, que são modos de manifestação dos Artistas das Letras. No caso da Poesia, esta manifesta de modo figurado ou direto, os sentimentos, a sensibilidade do poeta em relação às motivações intrínsecas do seu ser pessoal ou social e das motivações que o cercam em suas abstrações ou sentimentos de espírito em determinado momento de sua vida, como também é a arte de manifestar em palavras a vida, a dinâmica ou a cultura de um povo. No caso de Clóvis Figueiredo Cardoso ele sabe fazer bem as duas coisas, conforme suas poesias que se seguem, nesta homenagem aos poetas de Abaetetuba e Pará.

CLÓVIS CARDOSO
                     
Ademir Rocha conheceu Clóvis de Figueiredo Cardoso e sua família quando moravam em Abaetetuba. Posteriormente, por motivo de estudos e trabalhos, essa família se deslocou para outros pontos do país, como São Carlos/SP e outros lugares. Ademir Rocha, em pesquisas pela Internet, localizou Clóvis de Figueiredo Cardoso através do Blog Abaetetuba e Clóvis Cardoso já morando na cidade de Cuiabá, no Estado de Mato Grosso e formado Advogado. Clóvis Cardoso também é detentor de cultura geral e adepto de boas leituras, amizades e, dentre os seus livros citados em seu Blog, o livro “Os Réis de Abaeté”, este de autoria do abaetetubense Celso de Alencar, poeta, ensaísta, intérprete de poesias e tradutor radicado em São Paulo, que se tornou amigo de Ademir Rocha e seu Blog sobre Abaetetuba. Em Mato Grosso Clóvis de Figueiredo Cardoso foi Secretário Adjunto de Acompanhamento de Programas e Políticas Especiais da Casa Civil do Governo de Mato Grosso e atualmente é Secretário Adjunto de Agricultura Familiar/SEDRAF
Clóvis de Figueiredo Cardoso é filho de Maximiano Lima Cardoso/Maxixo e Elza Negrão Figueiredo/Piquixita e tem como irmãos: Vera, Ana Brígida, Elza, Hildebrandina, Sévulo, João Bosco e Passarinho.
Clóvis Cardoso é casado e com filhos e ele e seus amigos/as da Internet são ardorosos defensores da memória e cultura de Abaetetuba e também é poeta e escritor, sendo de sua lavra o belo poema “Borqueio de Mapará”, abaixo que fala da cultura de Abaetetuba e, mais abaixo, a bela versão da Lenda da Ilha da Pacoca e outras obras.
Leia algumas de suas produções literárias

BORQUEIO DE MAPARÁ

 

                                               Ao Preto, singular amigo.
                                               Pelos ensinamentos que me ofereceu.

I

Escrevo nomes em cada passo.
Ouço catipurus observando dos caules de açaizeiros,
Meu estranho mundo de máquinas fotográficas e passados.

Tudo o que poderia ser, ainda é.
E ainda soa passado.

As sombras das várzeas  revelam  passados,
Amores, rebeliões, sons de violões em Beja.

A volta é solidão e o amor de possível,
Envolve-se em realidades inaceitáveis...

O cruzeiro não é mais cruzeiro,
Enquanto cruzo avenidas buscando o que deixei.
Revolvo com as mãos as lamas de várzeas e igapós,
Procurando a matéria orgânica que me construiu.

Mergulho nas águas que me circundaram,
Onde me afogava, e me inundava de barro,
Argila dissolvida na imensidão do ser.

É impossível ser abaetetubense,
É impossível recobrar Abaeté do Tocantins,
Desconhecendo o fluxo das marés:
A preamar com sua desconhecida lógica,
A maré alta e sua estonteante e avassaladora multiface,
A maré baixa e sua vida pululando em matapis e anhingáis.

II


Quatro mil e quinhentos desempregados são pescadores.
Entre pescadores há os que pescam comida;
Há os que pescam o formulário de seguro desemprego;
Há os que pescam os fundos dos rios e baías;
Há os que, como eu, tentam pescar a si próprios...

Pés, mãos, braços, pernas, pulmões, canoas,
Silentes instrumentos de borqueios.
Aqui o silêncio é meio para saciar a  aventura
De romper o marco da fome.

III


As mulheres aguardam as canoas e seus homens.
E a tarefa que lhes incumbe,
Utilizar a armadilha para caçar o animal que escapa do cheiro
Inebriante do babaçu é árdua.

Como é possível prender em seu coração
- Matapi de possibilidades -
O pescador, largado nas baías do mundo?

Dia após dia, a espera não é esperança,
É, antes de tudo, paixão pela vida,
Pelo alvoroço da vida, pelo mergulho nas águas,
Nas encostas de várzeas, no olhar para a lua,
Que o tempo se encarrega de afirmar:
- Não há mais fase lunar e teu homem vai voltar...

IV


O borqueio se encerra
E ao pescador espera o açaí e o camarão.
E ele oferece o mapará.
Sua amante, desesperada, abre o peixe-trabalho,
Salga-o, dessalga-o;
Assa-o com seu coração.

Seu homem está presente.
Seu homem é sua pesca.

Assa o mapará com os olhos,
Serve o açaí, o camarão,
Sob luz de lamparinas.

Reza para Nossa Senhora da Conceição,
Abre todas as janelas e portas,   
E ama seu pescador,
Como se nenhum homem de terra e das águas,
Pudesse receber tanto mundo e tanta sorte,
Nas terras de Abaetetuba.
O VIOLEIRO

QUANDO NO CÉU SE DESFEZ A NUVEM
BRILHANTE ELA APARECEU
RELUZINDO O RIO PREAMANTE
ENCANTANDO O VIOLEIRO DA PONTE
TRANSFORMANDO A NOITE EM MADRUGADA.

E COMO NUM CIRCUITO
NO PÉ DO CALVÁRIO ERRANTE
O VIOLEIRO DA PONTE
DE SÚBITO ESTREMECEU.

TODOS NÓS QUE NA PRAÇA O ESCUTÁVAMOS
ACORDAMOS COMO UMA ENCHENTE 
FORTE QUE AS MARGENS ALARGA
DEBROCHANDO IGUAL UMA FLOR
QUE A QUALQUER PAIXÃO SE RENDE

UNS ACORDES RADICAIS
INVADINDO A NOITE CALMA DA CIDADE]
IMPLANTANDO NOS PEITOS O ARDOR
QUE NA HORA NINGUÉM ENTENDE
PEDIU UM POUCO DE PAZ

O RIO NAVEGANTE SE ARDE
EM ETERNAS MARESIAS
SEU LEITO AGORA É ÁGUA
BARRO COR SOM
E PRINCIPALMENTE LUZ
ACENDENDO COM TODA EUFORIA

A IARA LINDA SEM IDADE
OFUSCANDO A PRÓPRIA BELEZA
ATÉ AO PRÓPRIO BOTO SEDUZ
NESTE INSTANTE ONDE TODA NATUREZA
É SÓ E PLENAMENTE ORGIA

NO INSTANTE DAS LOUCAS AVENTURAS
ESTÁ ELA ETÉREA A BRILHAR
SOZINHA COMO – NUM CÉU
SOZINHAS BRILHAM AS ESTRELAS PURAS –
BAILANDO NUM SALÃO ELÍTICO

BEIJANDO A ERÓTICA PRAIA
(DONDE TALVEZ ELA TENHA SURGIDO)
NÓS, OS ETERNOS BÊBADOS
COM OLHARES MAIS QUE ETÍLICOS
ADMIRAMOS-A COM O CORAÇÃO ESTENDIDO
SOBRE A PELE.

SUBLIME, A CANÇÃO DEDILHADA
NO ESPAÇO ABERTO PELA LUZ,
VOA COM VELA ABERTA
SEMPRE NA MESMA E ÚNICA DIREÇÃO
QUE A MARÉ OSCILANTE LHE ENSINA

NÃO HÁ NA CIDADE CORAÇÃO
QUE LHE RESISTA NUA
NAVEGANDO E ILUMINANDO
OS RIOS AS PRAÇAS OS QUARTOS
AS RUAS EM SUA CANOA

E NÓS SEUS CANTADORES
ONDE ESTIVERMOS, SEMPRE HAVEREMOS
DE CANTÁ-LA

NA REBELDIA QUE NOS FEZ PRESENTE
A TODO INSTANTE
NO VERBO MUTANTE
NO MAIS LONGÍNQUO LUGAR
NO TODO E NO QUALQUER DO MOMENTO
A VEREMOS SEMPRE A DANÇAR
NAS PONTES
NA PRAIA
NO CALVÁRIO DA PRAÇA VAZIA
NO RIO BARRENTO
E, ANTES DE QUALQUER SENTIMENTO
ESTAREMOS SEMPRE A AMAR

Clóvis Cardoso - 1984
Ao meu irmão Trik
Conversamos e jejuamos limites.
Desapercebidos passam o tempo e as palavras soltas.
Tu libertas palavras encandeadas com o mundo
Tu me falas de amores e vidas
Refletes a minha própria.

O que há em ti
Que os dias fazem-se batalhas
E as noites ritmam valsas?

O que acontece conosco
Nesta fórmula alquímica
Nesta busca filosófica da pedra
Ângulo da transformação?

Um projeto surge
Outro se insurge.
Uma versação de poemas croma teu peito
Insuflando camarada meu coração.

Quantas porradas levamos?
Lavramos um campo de discórdias
E surgem dissabores desordenados
Assim como brotam viçosas as sementes
Que libertarão o mundo.

Existirão milhões de alegrias
Compartilhadas senão juntos
Ao menos em certezas.

Voamos!
Do alçar desejam-nos inexatidão.
Querem que sejamos pássaros
Fluindo entre sóis e desagradando estações.
Querem que sejamos homens livres
No meio das multidões.
Imagina!
Que outra forma alada
Pode realizar o futuro
Sentir as vitórias do agora
E continuamente as do final?

São Carlos-SP, 26 de março de 1986.
Clóvis Figueiredo Cardoso
Não quero a razão
Pois eu sei
O quanto estou errado
E o quanto já fiz destruir
Só sinto no ar o momento
Em que o copo está cheio
E que já não dá mais
Pra engolir...
Veja bem!
Nosso caso
É uma porta entreaberta
E eu busquei
A palavra mais certa
Vê se entende
O meu grito de alerta
Veja bem!
É o amor agitando o meu coração
Há um lado carente
Dizendo que sim
E essa vida dá gente
Gritando que não...
O VENDEDOR DE BALÕES

(Clóvis Cardoso)

I

Eu sou um vendedor de balões.
Eu passeio na eternidade deste parque,
Deste mundo, vendendo balões.
Conheço os mínimos detalhes deste parque,
Porque sou um vendedor de balões.

Às vezes pergunto aos balões:
- Vós que sois formados de gás e elasticidade,
Dizei-me: onde anda a sinceridade?

Às vezes os balões respondem:
- Tu que armas tua insanidade,
tu que armas tua vida,
em mim só encontrarás um totem.

Percorro o imenso vazio do parque,
Procuro um totem.
Carrego comigo um vazio enorme,
Cheio de hélio
Cheio de rosas
Cheio de vácuos.

Hasteados nas mãos, trago balões,
Trago ilusões.
Um longo trago, aliás,
Traz de volta ilusões.

Hirtos, fios perfuram o espaço,
Estraçalham a miopia,
Transluzem cores:
São os balões – flores abertas,
Flores fechadas e certas, flores flores.
Qualquer primavera esplandece flores.

Mas eu sou um vendedor de balões,
E percorro a vida deste parque
procurando ilusões
criando ilusões.

Faço desta vida o que me acolher:
Desfaço-a, Revivo-a, Mantenho-a.
Faço desta vida o que me proporcionarem:
Encontro-a, Vivo-a, Lembro-me.

Vendo balões.
Vendo balões, visualizais:
Existem os balões, o vendedor também existe,
Está no meio dos fios,
Está no meio da multidão
De balões.

Existo, e tu, vendo balões,
Existes.

II

O parque é muito grande,
os rostos são muitos.
Incansáveis, movimentam-se
As estruturas de ferro e trabalho:
Roda a gigante roda,
Voa o dangler,
Rompe o medo a montanha-russa.

Os rostos são múltiplos,
Diversidades de fisionomias
Formando confusões.

Há risos e euforia
E uma criança que me surpreende:
- Moço, eu quero um balão.

Sou um vendedor de balões.
Percorro a interinidade deste parque
Procurando balões.

III

Armei-me de vida
Buscando-a

Luto pela vida
Buscando-a

Balões sobem e não agüentam a pressão
Da atmosfera que os ronda.
A atmosfera, de leve, altera-se pesada,
Na medida que moléculas de incompreensão
Podem viver mais juntas.

Os balões estouram
E eu já não os observo.
Já não observo o movimento do parque:
Crio situações.

IV

Sinto a necessidade da descendência.
Já espalhei sementes e
Tenho uma vida.

Ê madrugada e o parque está parado:
Dormem os protagonistas de sua razão.

Sento-me na intempestiva organização
De minha razão.
Descanso.

É o ultimato da sinceridade.
E aqui acho um totem.

O parque contem intranqüilidades,
Incertezas e possibilidades.

Hoje este parque está tomado
De febre, de um calor que ultrapassa
As paixões.

Ofereço um balão a uma criança
E despeço-me:
- Apenas vendo balões,
minha razão está aquém do teu pedido.
A criança sorri e me diz
No meio da interinidade da profissão
Que ora exerço:
- Moço, eu só quero um balão.

Existe a explosão do momento.
O parque fervilha e, num. dado
Instante, vários balões voam, sobem
Ate onde podem, formulando
Cores na escura realidade que cobre
As diversões desta universalidade de sorrisos.

Estou agora com as mãos livres,
Com os pés livres.
Não encho mais balões,
Não vendo balões.
Espero e luto.

Diversificam-se as paisagens
Extrapolam-se as situações.
Formam-se inúmeras situações:
O sol vem abrindo as pétalas do dia,
A sombra surge do meu corpo.
Floresce a intimidade da vida
Quando a vida já foi feita.

V
Ontem pude vê-la:
Estava linda como as cores dos balões.
Ela percebeu-me olhando o futuro
E realizando a mais impensada situação.

Pude vê-la durante todos os átimos
De minha existência.
Ah! O que seria o parque sem sua presença?

Antes só existiam problemas
E agora encontro situações.
Surgem palavras aladas, verbos livres,
Sonha-se com uma aurora de fato
Espalhando petardos nos peitos sombrios.

Conversei com minha amada.

Sabe, eu te vejo no dia como a luz:
Em qualquer objeto que vejo, vejo-te.
À noite vejo-te armada no escuro:
Retornas para meu sonho.

Lançastes teu sorriso
E colhi-o no ar de minha busca.
Mas não pude guardá-lo na lapela
Forjada no mundo de minha ternura
Porque ele, sem você, inexiste.

Porém, nesta luta que travamos,
Apareço alameda outonal, vivo,
E com as conseqüências da estação.
Tu apareces flor desejada
Mas com as conseqüências da solidão.
Quando será que se juntarão as existências
E os fenômenos da evasão?

VI

Minha amada olha e sorri.
De seus lábios florescem movimentos,
De sua garganta ondas e ondas
Lançam fonemas, letras aladas, sílabas aéreas.
De seus olhos saltam cores, todas as cores,
E todo seu corpo me envolve,
Elástico me ama e me vive,
Como se experimentasse a morte.
E me ama e me tem e me ama
E me ama e ri e me tem e sou eu
E é minha amada e somos...
Nós dois, um parque,
Com suas sortes,
E seus azares.
E sua mecânica de aços e gozos.
E somos o parque com todos os balões
E todas as crianças
E todas esperanças
E todos os desejos
E todos os seus amores.
E todos os nossos amores.

DESAFIOS DE CLÓVIS CARDOSO
Com a participação de Adenaldo dos Santos Cardoso, João Pedro Maués e Benício Lobato Cruz, em tiradas sarcásticas, irônicas, depreciativas.....mas que falam da cultura de Abaeté

Adenaldo Santoscardoso                              
Flor da várzea / Reflete na água / Na pele do rio / Teu encanto desagua...

Clovis Cardoso
O rio desagua no mar/ O igarapé desagua no rio/ A linda flor marapatá/ É meu amor e arrepio molho de mariajuana...

Adenaldo Santoscardoso
Amor com cheiro de flor / Envolvido com baba de aninga / O amor é amor sedutor / Orgasmo, ardência de pinga!

João Pedro Maué
 Qdo o Clovis falecer/O diabo vai vibrar/Até o dia amanhecer/Com o Mefisto a cantar/ O Maxico desistiu/desse moleque internar/Falou "puxa que partiu/Onde eu fui meu burro amarrar/Seu demônio dê licença/trago açaí em pouquinho/Na moxila mal querença/na cabeça fumaça de nadinho/ Vou esperar o Adenaldo/ Benicio, Guri e Pinho/Vamos tomar muito caldo/serve qualquer cantinho/

Adenaldo Santoscardoso
Benicio, Pedrão e Clovinho / Chega de tanta miragem / A flor segue o seu destino / Pra que apelar pra sacanagem? ...

Adenaldo Santoscardoso
Flor da várzea, flor mundana! / Sufocaram tua beleza / Flor da planta mariajuana / Postada de incerteza...

Clovis Cardoso
É flor a minha amada
Nascida em pleno rio
Bela, amarela, inundada,
Por meu carinho luzidio.

João Pedro Maués
Adenaldo,INRI ou mesmo Papa/a criação é livre e aguda/o Clovinho da um tapa/e fica com a vista miuçada.../Seu Maxico bom pai e amigo/dizia, o menino tá febril/mal sabia era castigo/pro olho só Moura Brasil...

Benicio Lobato Cruz 
..o clovis pirou...o diabo gostou, na eterna "ardencia" do inferno..o meu primo adorou...pois se sentiu em casa e de um ou outro jeito o diabo mora no seu peito......

Clovis Cardoso
Hoje o dia é propicio,
Pra voce que é Benicio,
Pra voce que é Pedrão, 
Que no inferno já estão,
Vivendo nesta vida,
O Diabo vermelhão 
Que nao cura ferida.
E bota no chão mais carvão.

Benicio Lobato Cruz 
...o dia fica mais gostoso...sem o clovis cardoso, se ele pinta no pedaço o diabo manda-lhe um abraço, sem meu amigo pedrão....coitado da situação...o clovis perde dois ombros amigos para chorar da situação......

Clovis Cardoso
O mal atrai o mal...o bem atrai o bem...nessa conjunçao banal...náo entra ninguém...que não seja igual...e o diabo diz amem...

Adenaldo Santoscardoso
Nas rimas pretenciosas / De Benicio e de Pedrão / Meu caro amigo Clovinho / Te espetaram o coração
E a flor que num flash colheste / Mostraste com emoção / Benicio e João Pedro / Não merecem tua paixão

Clovis Cardoso
Nao sabem o que é paixao...nem pouco, nem pouquinho...um é puro ódio, carvão...e o outro parece santinho...

Adenaldo Santoscardoso
Dar a flor pra tua amada / Deixa de seres teimoso / Esses caras embruteceram / O teu lado amoroso

Benicio Lobato Cruz
vc esta certo adenaldo, o clovis nao tem coracao...por isso merece reclamacao.....o seu horizonte e uma pura escuridao....vamos ficar feliz eu e o meu amigo pedrao...\

João Pedro Maués
O diabo é gente fina/ pinta caroço e o sete/qdo vê o Clovis se amofina/e diz :perdi minha diabete/ O menino é desalmado/mete medo no capeta/quando chega encachaçado/a pé,de moto ou lambreta/Seu Maxico coitadinho/rezou pai nosso e ave maria/pedindo clemência ao Clovinho/qdo aportasse no inferno, lá comandando a bateria...

Adenaldo Santoscardoso
João Pedro Maués / Benicio Lobato Cruz/ Todos dois, são dois capetas! / Disfarçados de Jesus...

Benicio Lobato Cruz 
...se somos dois capetas disfarcados de jesus....no meu nome eu ja tenho uma cruz....o que dizer do clovis , meu amigo adenaldo ....que mais parece um desalmado....

Adenaldo Santoscardoso
O Clovis desapareceu / Espantaram o prosador / Sua flor entristeceu / Resta pouco esplendor / No aningal que concebeu / O seu barco encalhou...
Se afundou pelo aningal / Ele pode se salvar / Mas se foi pelo perau / Só se Deus o ressuscitar...

Benicio Lobato Cruz
..pelo perau eu nao sei...so sei se o clovis nao se arrepender do que fez, quando chegar a sua vez.....o diabo no inferno tera um novo fregues.....

João Pedro Maués
O Diabo já falou/aqui o bicho pega/porque o Clovis sempre achou/comigo nem o cão sossega...Seu menino malcriado/toma cachaça rum e batida/já  ta com o bucho quebrado/agora so quer saber da mardita...

Clovis Cardoso
Antes da terra ser imunda/ O Benicio era o Cão/ O Pedro chupava macumba/E tal cheirava carvão/ Assim ninguém afunda...

João Pedro Maués
Nascido nas aguas barrentas/às margens do Tocantins/Clovis,te liga,afugentas/com o odor do enxofre as minas q estão afins...Mas isso tudo é besteira/pra Belzebu, Mefisto e Lucifer/Clovinho estica uma cadeira/pra atrair Pinho,Berilo e quem mais quiser...

Benicio Lobato Cruz
que coisa mais sem luz...a sua vacancia se transforma em petulancia...antes eu , o pedro e o adenaldo..., que vc clovis...fugindo do ditado que tudo que é demais fica enjoado....

João Pedro Maués
Seu Maxico sempre lutou / pros meninos educar/num bom futuro apostou/não foi difícil acertar.../O Conde nunca deu mole/Sérvolo sempre altaneiro/Minha Velha orgulhava a prole/Com o Trica corneteiro/Passarinho e Clovis tomando cana num gole...

Benicio Lobato Cruz
 clovis o seu Futuro será assim......comendo grama...ou a raiz do capim....

Clovis Cardoso
Sera assim se Deus quiser,
Melhor do que o esquecimento ,
a raiva, a depressão, o momento,
Sem nada, sem nada até...
 
Adenaldo Santoscardoso
Água ardente de cana doce / Passarinha à embuança / Seu destino é a cabeça / Mas faz escala pela pança.

Clovis Cardoso
Pela pança ela passa,
Pelo fígado e pelos rins,
Com uma frasqueira de cachaça
Nado de Abaeté a Parintins.

Adenaldo Santoscardoso
Frasqueira, tsunami da pura / Aniquila amargura / Mata o medo e o frio / Garapa, mel, açúcar e rapadura / Ardência e doçura / Sangue bom do Brasil.

Clovis Cardoso
O sangue corre pela veia,
O camarão pelo igarapé 
Meu almoço, merenda e ceia
É a cachaça de Abaeté .
Entornando o garrafão de cachaça,
Pensava em jogar a meia do Santo,
Mas, para meu maior espanto,
Eu era o santo que recebia a graça.

Adenaldo Santoscardoso
Que desgraça! / Se antes eras santo / Hoje és a cachaça / E a frasqueira é teu manto / Milagre da "mardita" / Que entornaste pelo canto / Da tua boca atrevida / Provana de desencantos!

Edu Dias
 "Quem dá pro Santo é um devoto / na mais pura devoção / quem toma cachaça de Abaetetuba / aprende a graça tomar um garrafão"

Adenaldo Santoscardoso
Não eboles graça / A água é ardente / Se não deres pro santo / Serás um penitente.

Clovis Cardoso
Essa pena pago com mui fé,
Delirando ao sabor da caninha,
Pois minha alma não esta sozinha:
O povo inteiro que mora em Abaeté.

Adenaldo Santoscardoso
Pobre frasqueira / Vazia vive no ninho / No museu: canto da casa / Onde mora o Clovinho / De Abaeté pra Cuiabá / Ela deu um trabalhão / Foi presente do Serginho / Com carinho e compaixão / Mas como não se morre de paixão / Não matará o beberrão.

Clovis Cardoso
A frasqueira esta vazia de pura
Mas é repleta de recordação ,
Por isso a guardo com ternura,
No centro do meu coração .

Quando a vejo eu navego
Em Abaeté no seu centro,
Meu louco passado nao nego,
E na frasqueira vou adentro...

Adenaldo Santoscardoso
Vai frasqueira na maresia / No peso de muitas mágoas / Tomamos no gole da agonia / Agonizando vejo o Engenho Pacheco / Enrolado pela maresia / No carnaval tudo é tão vistoso / Depois que se morre vem a alegoria / A riqueza de nossa história / Mostramos em nossas fantasias.
A vida é como o rio / rendada à maresia / Passa vida, passa rio... / Bordados pela ventania / Na frasqueira fica o sonho / A colagem do passado / O alegre e o tristonho / rotulada poranduba: / " O Canto Angustiado / Aos Plantadore de cana de Abaetetuba".

João Pedro Maués Clovis Cardoso,
Clovinho, Leco-Leco/ Não importa o nome ou alcunha/Sempre foi seca-boteco/ tirava gosto com café preto e pupunha.../O Maxico reclamava/A Piquixita, coitada, sofria/Quando cachaça ele tomava/E com o "do índio" rebatia/ Da poesia acho graça/do pingado vejo a agonia/qdo seca a frasqueira de cachaça/fica aquela euforia.../Tento escrever o que presta/Me livrar da rima pobre/Só uma verdade não se contesta/O Clovis é um cara nobre...

Clovis Cardoso
Passa a vida num gojeio/ de um carachué arredio/depois de tomar um copo cheio/viro ponte sobre o rio.

Adenaldo Santoscardoso
Livrai-me Nossa Senhora! / Da tua goela mardita / Depois de uma grande talagada / Deixa a cidade aflita / Coitado de quem pisar no teu cuspe / E aquele que te irritar / Vai escutar só palavrão / Quando tua boca se agitar.

Clovis Cardoso
Minha boca tremula e agitada/ não era resultado da cachaça/ mas do beijo da minha amada/ que ainda hoje me abraça/ chamando de paixão da vida/ e eu chamando-a de minha querida.

Clovis Cardoso
O Nobre fazia aguardente,
Engarrafava a disgramada
Que na noite enluarada,
Fazia rir e chorar o coração da gente.

Clovis Cardoso
A golfada vem de dentro, 
A cachaça vem de fora,
Um vai-e-vem lazarento
Que pega o homem e a senhora
Clovis Cardoso  em ABAETETUBA
Gostaria de estar presente, neste momento,
No teu corpo, num doce acalento...
Estar em teus olhos olhando a tua alma
E vendo quando te acalmas
Sob o roçar de minha boca
Na tua boca...

Nada pra mim é mais divertido do que te assustar
Com minhas loucuras que te põe a duvidar...
Nada pra mim é mais sério quando pronuncio,
Como um gato no cio, os fonemas do verbo amar...
Nada no mundo pra mim importa se comigo estás:
Nem o tempo, nem os segredos, nem os odores...
Vejo em ti amada, milhões e milhões de cores,
Vejo o universo pulsando sangue em ti...
Vejo vida, vejo expansão de espaços, explosões...
Sinto razão, toda tua razão e teu caminhar...
Quando estamos juntos, meu amor, 
Há um processo alquímico que transforma 
O sentido mais profundo da profunda norma,
O Estar junto em Ser único...
Meu amor por você tem o sentido delicioso
De um beijo melado e doce, num show do Djavan...
                Repentes de Clóvis Cardoso

Clovis Cardoso          
Essa cuia de mingau de miriti..
É teu bolo de aniversario...
Tu assopras pra não sentir..,
A fervura... É temerário ....
Mas mesmo assim insistes
Em debruçar sobre essa cuia
Que a essa hora ja deglutistes

                                                    Clovis Cardoso
O sangue corre pela veia,
O camarão pelo igarapé 
Meu almoço, merenda e ceia
É a cachaça de Abaeté .
Clovis Cardoso
‎"Vou te encontrar vestida de cetim,
Pois em qualquer lugar, esperas só por mim..."
Thais Helena, escrevi isso logo após a passagem para outra dimensão da Thamar...

PARA A THAMAR COMO PROVA DE MEU INCONFORMISMO

Somos um mundo criado 
Pela força de nossas mãos
Sorrindo solidárias num aperto indefinido.

Somos a metáfora escondendo-se no poema
Feito sem palavras sem simbólicas rimas
Sem noites cheias de amores apressados.

Somos o Universo transcrevendo
O silencia e a vida por seus próprios caminhos
De fogo vento barro e ar.

Somos todos os elementos das fugas
E das procuras
Todos os indevidos: o suor o descanso e seus contrários
Feitos de cimento e população
Armados nos projetos que se desfazem
Entre zelos e selos e carimbos
Em folhas de pagamento.

Somos o que se pode dizer sem se calar.
Temos a força dos anzóis e dos peixes
Debatendo-se em mortes e vidas
Nas telas de videogames e cassetes
Num jogo de máquina e ciúmes
Entre peidos e perfumes franceses.

Enfim somos o fim que criamos
Como o próprio começo
Que não pudemos perceber.
Somos as ondas vivas da voz reclamando
De fomes e sedes entre sedes e status.

Quais acordes ressoarão por que somos?
Que discordância ecoará?
Que dedo indicará nossas vidas num violão?

Já que somos soma merda e esmeralda
Ouros e brilhantes alucinações
E forte e apaches pazes resumidas
Em cantos e orações de matéria
Cumprindo suas leis
Podemos ser no fim o segundo enfim
Que pronunciamos no término da batalha
Na voz que teima e cala e na que cala e é
Luta com o que conhece.

Somos o terceiro enfim
O murro no estribilho
O poeta que eventualmente se procura
E que compõe uns versos assim:

“Tu és o néctar do jasmim
A doçura que desagrada
Se na solidão embriagada
Não procuras dar-te a mim.

És flor de minhas trovas
Apaixonadas perdidas em sílabas.
És Helena – causa de provas –
Do meu peito em suas ilíadas.”

Somos uma carta sem remetente
Sem sorte e destinatário circulando
Nas vagas noites como circulam os morcegos
E seus radares.

Uma tamareira e um jardim que não têm
Sossegos nem medicina:
Os dois conversavam tranqüilamente:
- Que oásis bonito nasceu em mim!
- Que flor bonita murchará sobre mim?

Enquanto isso somos o quarto enfim
Um quarto escuro e sem paredes.
Por chão uma areia amordaçada
Por luz uma simples lua que nada vê
Por vida dois seres dizendo sim
Por medo o medo e a morte
O véu a noiva o cravo na lapela
A onda a voz o último enfim:
- A noite é feita de pegadas em várzeas
em doces dilemas e solidões vagas
- Percebemos, amor, que somos íris
Que cores e insondáveis verbos são lerdos
São cruzes e “es” sem versos,
O próprio enfim:
- Arcabouços de idéias
O destino não se prevê em nossos atos?

Fantasias não se compõem nas estrofes
Musicadas nos espaços determinados
Por equações e minutas de projetos incongruentes.

Uma banana madura explode suas sementes
Uma calamidade evolui na fome.

Somos a última linha paralela riscando seu traçado
Num acompanhamento sem enfim:
- Andamos sempre juntos em cortes e poréns
Em versos repetidos em poemas gaseificados
Em cruzes e santos crucificados na idéia.

Um passo como uma sílaba escrita
Conforma-se pelo tungstênio da esferográfica?
O suor bruscamente escurece-se num pesadelo
Aí já não podemos ser o que somos
Enfim.

Somos seres mitológicos 
à procura de nossa própria lenda.
Gostaria de estar presente, neste momento,
No teu corpo, num doce acalento...
Estar em teus olhos olhando a tua alma
E vendo quando te acalmas
Sob o roçar de minha boca
Na tua boca...

Nada pra mim é mais divertido do que te assustar
Com minhas loucuras que te põe a duvidar...
Nada pra mim é mais sério quando pronuncio,
Como um gato no cio, os fonemas do verbo amar...
Nada no mundo pra mim importa se comigo estás:
Nem o tempo, nem os segredos, nem os odores...
Vejo em ti amada, milhões e milhões de cores,
Vejo o universo pulsando sangue em ti...
Vejo vida, vejo expansão de espaços, explosões...
Sinto razão, toda tua razão e teu caminhar...
Quando estamos juntos, meu amor, 
Há um processo alquímico que transforma 
O sentido mais profundo da profunda norma,
O Estar junto em Ser único...
Meu amor por você tem o sentido delicioso
De um beijo melado e doce, num show do Djavan...
                                                  Clovis Cardoso 
Dia especial..

AMO TEU SINAL,
TUA FORÇA QUE ME ELEVA COMO SER.
TE AMO COMO MULHER QUE ÉS
NESTA JORNADA DE LUTA E PAIXÃO.
AMO TUA COMPREENSÃO E TEU DESABAFO
NOS DIAS SOLITÁRIOS E DE MULTIDÕES.
AMO TUA PRESTEZA EM SE DOAR A MIM
NA NECESSIDADE E NA INCERTEZA.
AMO TUAS PALAVRAS DURAS, TUA DIREÇÃO.
AMO TUA TERNURA ALIVIANDO MEU CORAÇÃO.
AMO TUA FRANQUEZA EM DIZER UM NÃO,
TEU AMOR INCONDICIONAL E SEM RAZÃO.
AMO TEU RISO E ABOCA QUE O EXPELE.
AMO TEU ABRAÇO E O FOGO DE TUA PELE.
AMO TEU TRABALHO PRODUZINDO DIREITO
A LUZ QUE RECLAMA O PULSAR DE TEU PEITO.
AMO O TEU OLHAR DISTANTE E O MIRANTE
PARA OS CÉUS E PELAS SENDAS ERRANTES.
AMO O QUE TU OUVES DO MUNDO E DE MINHA BOCA,
CAOS, VERSOS MÉTRICOS, RIMAS, POESIA LOUCA.
AMO TUAS DÚVIDAS E TEUS MEDOS
AMO QUANDO ME ACORDAS CEDO.
AMO A LEMBRANÇA DE NOSSO PASSADO
AMO A TUA PRESENÇA AO MEU LADO.
EU TE AMO MULHER
EU TE AMO!

Cuiabá, 08 de março de 2013
Clóvis Cardoso
Para os quarentões, cinquentões outros 

Se você já passou dos cinquenta, prepare-se porque logo, logo, vai começar a sofrer de TPC.

Para quem não está ligando o nome à coisa,explico: TENSÃO PÓS CINQUENTA.

Só os homens sentem isso, porque mulher não faz cinquenta nunca! No máximo...49!

Console-se, porque todo mundo um dia vai envelhecer.

Lembra-se de quando você tinha vinte anos?

Você sofria por bobagens, como ter que usar creme anti-acne?

Agora tem que usar gel para dor muscular...

Você se apaixonava e achava que o teu coração te maltratava?

Experimenta subir correndo um lance de escada agora...

O que é uma fimose diante de uma artrose?

O que é um band-aid, diante de um emplastro?

O pior é quando você percebe que ao invés de ter quatro membros flexíveis e um duro,

passou a ter quatro membros duros e um mole!

O problema maior já não é aquela primeira vez que você não consegue dar a segunda e sim

a segunda vez que você não consegue dar a primeira!

Agora, você nem se importa mais em tirar a roupa e não provocar desejo,

não provocando riso, já tá ótimo!

Aliás, sexo depois dos cinquenta, se você conseguir, é que nem pizza... mesmo ruim, tá bom!

Os médicos dizem que sexo depois dos cinquenta é importantíssimo!

Ajuda na circulação sanguínea, nos batimentos cardíacos e que deve ser praticado no mínimo três vezes por semana!

Então você pergunta:

-Com quem?

E, se você for casado, então... não existe a menor possibilidade que isso aconteça!

E se for solteiro e coroa, também não.

E ainda dizem que depois dos cinquenta o homem fica mais sexy...só se for sex agenário..

Mas se você estiver solteiro, pode conseguir casar depois dos cinquenta e

fazer sua lista de casamento numa farmácia...

Dizem que a vida começa aos quarenta... Verdade!

Só que em vez de um pediatra, você começa a frequentar um geriatra...

Em vez do teste do pézinho...vai ganhar o teste do dedinho: Um bom exame de próstata!

Depois dos cinquenta o romantismo muda para reumatismo... Mas, você pode correr atrás do prejuízo. Corra numa esteira, num parque, não importa...

DICA:

Depois da corrida, tome um açaí com prozac e meio viagra.

Sua depressão vai desaparecer na hora...se você não morrer!
Clovis Cardoso
O rio qua passa embaixo de mim, 
Caminha como eu para seu destino.
Maratauira , Maracapucu ou Capim,
Tanto faz, eu nadando pequenino,
Brincando de pira nas suas águas, 
E hoje mexendo em outros mundos, 
Lembrando de quando ia no fundo,
Do remanso de tuas lindas anáguas

                         
Autoria: Clovis Cardoso / Adenaldo Cardoso.

É no altar que mora o santo
Caboclo embaixo faz contrição
Bem aventurado é o homem que ama
Deus segura na sua mão

O santo ouve cantos e preces
O caboclo a se lamentar
Pede pro santo de joelhos
Pra sua vida melhorar

Pede saúde e felicidade
Pede pro santo ser seu guia
Pede pra ser um homem bom
Pra afastar o que lhe agonia

Caboclo debulha seus pecados
Distribui grão de empatia
Pra ver se o santo lhe promete
Dar graças de garantia

Mas a maneira de viver calado
Poupa a boca de um palavrão
Caboclo pede angustiado
Ficha limpa em eleição

A reza segue seu itinerário
Caboclo quer seu ganha-pão
O santo no oratório matuta
No ar luzi um flash compaixão

Não existe novidade
O santo nunca disse não
Quem vive a vida de milagre
Deve ser bom cidadão

Espera a rede, o remédio...
Que seja breve a solução
Aí, emerge a fé sentida
O santo é seu amigão

Depois de elevar as suas preces
Caboclo se benze em despedida
Sinais da cruz da paixão
Que ele carrega na vida
Clovis Cardoso                  
Abaetetuba

I

Tu és linda como o por do sol
Que se indispõe com o ocaso;
Como a verdade que incontestável,
Aflora na poesia realizando um sonho.

És em mim mais que eu, 
Ícaro falso despontando minhas asas
Entre as camadas de ozone.
És bela, imagem estampada,
Vigilenga, farol pluvial.
És bela, és rio
Cujo leito por minhas veias
Transbordam alegrias.

II

Boiúna, teus olhos de fogo
Incendeiam meu estar.
Teus olhos, mais que olhos,
São duas luas sobre a preamar:
Fonte da água do desejo,
Nascente telúrica do verbo amar.

III

Sabes que és mais linda
Fugindo pela vida a fora
Que vida não se fez ainda
Na vontade de ir-se embora.

Sabes que és mais linda
Voando pelos largos espaços
Nos suspiros dos abraços
Que não se fizeram amor ainda.

Sabes que és linda
Mais que as rezas do rosário
Que não redimiu pecado ainda
Posto que és uma flor solitária.

IV

Brilham serenos teus sentidos
Na plenitude do irresistir
E tudo em mim se faz florido
Quando se abre um sorriso em ti.

E um sorriso em ti se abrindo,
Ai paixão visionária!
É lindo! É lindo!! É lindo!!!

Clóvis Cardoso
                    PAISAGEM I                              

Sombra da noite, sombra das lâmpadas de mercúrio,
Esvoaçando, pluriocasional,
Enquanto observo as moralidades difusas,
Discretas observando a indiscrição.

Várias marcas de pés observo
Nessa manhã na Praia de Beja.
Ao acordar, sentia-me senão um nada,
Nadador desconforme, esfomeado, relutante.

Na areia, os passos marcados dos urubus,
Ave marginal, polivivente.

A lembrança é suave como tiro de canhão
Soando, pólvora (povo) explodida na manhã.
É suave, pois o povo é suave,
Os urubus e seus vôos são suaves,
O tiro de canhão sibilando no ar
É suave...

Os urubus assentam-se no mercado municipal,
Abrem suas asas sobre a cidade.
A negritude de seus corpos é onipresente
E a rapinagem está em outra fotográfica
- imensurável –cabeça,
Não em seu bico.
Clovis Cardoso
De Clóvis Figueiredo Cardoso, em 15/8/2012:
Parabéns Abaeté do Tocantins! Minha terra natal! E em cumprimento ao proposto, posto um poema em sua homenagem:
                            
A CIDADE E A MATINTA

É noite novamente
e a cidade decentemente
explode em profissões e putarias
bebedeiras amores bem e mal amados
conversas de bares.
Planejadores de vidas articulam-se
e em primeira mão circulam
boatos de amanhã.
Ninguém mais escuta esculhambações
ou conselhos – raivas de pentelhos.
A donzela – e não a puta –
emputece-se por nada querer
e quem a quer também.
Imagens canibais enfumaçam-se
Braços nos canaviais – rebeldia
represada na Praça do Descobridor.
O estandarte do carnaval anterior
Sujo alforje de incompreensão
Vibra nas artérias ociosas
da avenida principal.


E dizem os senhores da cidade:
- Vagabundos, dêem passagem à mentira.
Deixem que fortaleçamos a cor
Erupção negra e desmascarada, pois máscaras
Enternecem nossas podres consciências.

E refletem os ditos e malditos vagabundos:
- Esta terra é como o céu
é como o mar:
tudo se agita
a turba aflita
transforma-se futuro.
- Aqui o coração é nulo
sem o corpo – pedra de brita.
- É nulo aqui o corpo
sem o coração – forja de vida.

A cidade ainda é noite
Na circundante multidão de dias.
E eu ouço a Matinta-Perera declamando
Suas inacreditáveis certezas:
- Matem o porquê
matem o porquê
mateeemopooorquêêê
maaateeemopooorquêêê
pooooorquêêêêê pooooorquêêêêê

Clovis Cardoso

Clóvis Figueiredo Cardoso          

Família de trabalhadores que fizeram
história em Abaetetuba 
Clóvis Cardoso, não esquece suas origens,
divulgador da cultura de Abaetetuba e
Mato Grosso
Genealogias de Clóvis Figueiredo Cardoso
Os Figueiredo Cardoso
• Ana de Figueiredo Cardoso, c/c Alcimar Carneiro de Araujo e tiveram 7 filhos.
• Aníbal de Figueiredo Cardoso, citado em 1946.
• Antonio de Figueiredo Cardoso, citado em documento de 1944.
• Maria da Conceição Figueiredo Cardoso, Humanistas de 1960, do Ginásio N. S. dos Anjos.
• Venina Figueiredo Cardoso (professora), citada em 1920.
Família
. Antonio Eusébio Cardoso, origem na localidade Jarumã, casou com Maria Lima e com filhos: Maxico, Tatá, Maria, Catarino, Benedita, Diquinha.
. Antonio Roberto de Figueiredo Cardoso, advogado, Defensor Público em Belém e que ocupou o cargo de Chefe da Defensoria Pública do estado do Pará, casado e com filhos.
. Benedita de Lima Cardoso/Tatá, casada e com filhos: Natalino, Benedito, Paulo Miranda e outros.
. Bruno Lima
. Catarino de Lima Cardoso, casado e com filhos: Genilda e Gertrudes
. Clóvis de Figueiredo Cardoso, é poeta, formado em Direito, Sub-Secretário de Estado em Corumbá, no Mato Grosso, casado e com filhos.
. Diquinha de Lima Cardoso, casada e com filhos
. Hildebrandina/Babá, casada e com filhos
. Hidebrandina de Figueiredo Cardoso/Dedéia
. João Bosco de Figueiredo Cardoso, é advogado e trabalha na Defensoria Pública do Estado do Pará, município de Abaetetuba, casado e com filhos.  
. Maximiano de Lima Cardoso/Maxico, origem na localidade Jarumã, era esotérico, maçon em Abaetetuba nos anos de 1940/1950, dono de quitanda para venda de açaí batido e lanches, casado com Pixiquita Figueiredo e com filhos.
. Maria
. Maria Cardoso Paes/Maria Paes, casou com Antonio Paes e com filhos: Duraval, Délio (gêmeo dom Emanuel), Emanuel, Tonico, Ronaldo, Zé, Carlinhos e, Neide, Aldemira e Manuel.
. Paulo de Figueiredo Cardoso
. Roberto de Figueiredo Cardoso.
. Rosa de Lima, irmã de Babá, Terêncio
. Sérvolo de Figueiredo Cardoso, é oficial da Marinha Mercante ainda atuante, casado e com filhos.
. Terêncio Lima
. Vera Lúcia de Figueiredo CardosoFamília Figueiredo:
Os Figueiredo:
• Elpídio Figueiredo, citado nos anos de 1920.
• João Figueiredo, dono do engenho de cachaça São Cláudio no Rio Arapapu em 1930, comerciante do setor de pesca e dono do barco São Cláudio nos anos de 1940, 1950.
. Maria Figueiredo, citada em 1961 como juiza da festa de N. S. da Conceição como juiza de festa de N. S. da Conceição em Abaetetuba.
Os de Figueiredo
• João de Figueiredo, comércio de mercearia na Rua Justo Chermont, 1931.
• João Gabriel de Figueiredo, comerciante, dono de engenho de cana, contemporâneo de Emygdio Nery da Costa, fornecedor de gêneros para as repartições públicas municipais em 1896.
• Américo de Figueiredo, morador à Rua Siqueira Mendes e comerciante falecido por volta de 1922, deixando herdeiros.
• Sebastião de Figueiredo, citado como consórcio do Vera Cruz Sport Club nos anos de 1920.
• Dr. Walter de Figueiredo, 3º Juiz da Comarca de Abaeté.

Família
• Antonio Cardoso Figueiredo, nascido em 1/7/1926.
• Adelino Cardoso de Figueiredo, nascido em 1881.
• Cláudio Tavares de Figueiredo, nascido em 25/10/1932 e falecido em 7/10/1958.
• João Gabriel de Figueiredo, nascido em fevereiro de 1915.
 Família
• Arnaldo Paes Figueiredo, filho de Raimundo Negrão Figueiredo e Astrogilda Pereira Paes, comerciante e industrial, casado e com filhos.
• Benedita Negrão Figueiredo, estudante da escola INSA citada em 1960.
• Bideca Negrão Figueiredo, dono de oficina mecânica, casado e com filhos: Marcelo, Branco, Mara e outros.
• Davi Paes Figueiredo, filho de Raimundo Negrão Figueiredo e Astrogilda Pereira Paes, advogado, casado e com filhos.
• Izilda Maria Paes Figueirdo.
• Maria do Carmo Paes Figueiredo, filha de Raimundo Negrão Figueiredo e Astrogilda Pereira Paes, humanista e catequista de 1962 pela escola INSA.
• Maria Helena Paes Figueiredo, filha de Raimundo Negrão Figueiredo e Astrogilda Pereira Paes, humanista de 1962 pela escola INSA.
• Raimundo Negrão Figueiredo, comerciante, industrial, c/c Astrogilda Pereira Paes e tiveram filhos.
• Pedro Negrão Figueiredo, comerciante, casado e com filhos. Os Outros Figueiredo
• João Cardoso de Figueiredo, citado em 1927/1946.
• José de Carvalho Figueiredo, citado em 1944.
. Maria Figueiredo, citada em 1961 na festa de N. S. da Conceição em Abaetetuba.
Família
• Maximiano de Lima Cardoso/Maxico, já é falecido, foi dono de lanchonete para venda de lanches, garapa e vinho de açaí, atividades com as quias sustentou sua família e os estudos de seus filhos, c/c Elza Negrão Figueiredo/Piquixita, esta filha de Marcellino Figueiredo e Anna Rita Negrão e com filhos: Vera, Ana Brígida, Elza Hildebrandina, Sérvulo, João Bosco, Passarinho e Clóvis de Figueiredo Cardoso.
• Sérvulo de Figueiredo Cardoso, oficial da Marinha Mercante, tendo ido morar no RJ.
• João Bosco de Figueiredo Cardoso, advogado militante em Abaetetuba.
• Antonio de Figueiredo Cardoso, formado advogado tendo militado nessa função em Abaetetuba e, posteriormente defensor público e tendo chegado ao cargo de chefia da Defensoria Pública do Pará.
• Clóvis de Figueiredo Cardoso, advogado militante em Cuiabá/MT, casado e com 2 filhos.
• Catarino de Lima Cardoso, irmão de Maximiano de Lima Cardoso, vendedor de pipoca na Praça de N. S. da Conceição.
• Tatá de Lima Cardoso, irmã de Maximiano de Lima Cardoso, c/c João Miranda e com filhos.
• Raimunda de Lima Cardoso/Diquinha do Mingau, irmã de Maximiano de Lima Cardoso, vendedora de mingau na cidade.

Blog do ADEMIR ROCHA, de Abaetetuba/PA
Prof. Ademir Rocha, de Abaetetuba/Pa, em 13/11/2010.

3 comentários:

  1. amei o blog!!
    sou abaetetubense com muito orgulho
    continue assim

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  2. Cara Edilene,
    Obrigado pela visita ao Blog e disponha sempre do mesmo para mandar notícias. Venturoso Ano Novo para vc e familiares. Abraços de Ademir Rocha.

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  3. Tinha um comentário que por toque incorreto em um ítem do Blog sumiu das postagem. Pedimos desculpas à autora do comentário e se puder repetir, agradecemos.

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