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sábado, 13 de novembro de 2010

ARTESANATO EM ABAETETUBA





O BRINQUEDO DE MIRITI DE ABAETETUBA

Brinquedos de miriti podem ganhar o mundo

Convidado pelo Sebrae/Abatetuba para elaborar o relatório técnico que servirá de subsidio para o Registro de Indicação Geográfica do Artesanato de Miriti de Abaetetuba no Pará, o Museu Goeldi realizou estudo sobre a origem do brinquedo de miriti e a relação com a cultura local. O documento, preparado pelo Núcleo de Inovação Tecnológica (NIT) da Amazônia Oriental do Museu Goeldi, trata do artesanato, da origem, da relação com Círio de Nazaré e das populações locais. O relatório, segundo a pesquisadora do Goeldi, Graça Ferraz, é responsável por comprovar a singularidade do brinquedo de Miriti.

“A Indicação de Procedência estabelece uma qualidade a um produto regional e analisa a particularidade da sua forma de produção que, no caso dos brinquedos, está na singularidade do uso do miriti e na conexão com a cultura local”, destaca Graça Ferraz, lembrando que a indicação é um modelo de proteção industrial de valores particulares de determinada região e forma de produção.

Nesse contexto, o brinquedo de miriti se enquadra como um dos elementos que mais simbolizam o Círio de Nazaré - maior manifestação religiosa do país que acontece em Belém (PA) no mês de outubro - tornando-se uma tradição que extrapola o período do Círio. O brinquedo já é, agora, elemento decorativo e, segundo o relatório, alcançou a “dimensão de patrimônio cultural, sendo este plural, abrangente, inclusivo em nome de uma identidade local de expressãoda cultura popular”.

O documento elaborado pelo NIT/MPEG abordou o brinquedo de miriti desde a origem, a sua perenidade, a relação com a infância da criança e do povo paraense, o que ele representa no contexto da festividade do Círio de Nazaré, além de analisar o processo artesanal de produção e a transmissão da técnica através da oralidade característica das populações locais. Aspectos sócio-econômicos, a sustentabilidade das comunidades locais e a sua cadeia de produção são outros aspectos abordados no documento.

De acordo com Graça Ferraz, o convite do Sebrae para o Museu Goeldi se deu pelo fato deste ser uma instituição de pesquisa de renome nacional e internacional, com grande inserção regional, além do seu Núcleo de Inovação compor o Registro de Indicação Geográfica. “Nenhum estudo acadêmico sobre a Amazônia brasileira pode prescindir do acúmulo gerado pelo capital intelectual da instituição”, ressalta Graça Ferraz.

O primeiro contato entre Museu e Sebrae ocorreu em 2008, a partir da apresentação do projeto de Indicação Geográfica dos brinquedos pelo SEBRAE/PA. Foi, então, que o NIT/MPEG foi convidado a elaborar o relatório técnico - primeira incursão do Núcleo na temática, que é de muito interesse por estar relacionada com as comunidades amazônicas e com a riqueza da cultura e da biodiversidade.

Um padrão de qualidade

O Registro de Indicação Geográfica é emitido pelo Instituto Nacional de Proteção Industrial (INPI), e indica a procedência e denominação de origem de determinado produto, garantindo a segurança de tais produtos e proteger os seus produtores. Os selos de indicação de procedência são de alto valor para o marketing de produtos, para a potencialização de suas vendas, de acordo com o Instituto.

A concessão do registro é feita com base em um recorte geográfico onde é produzido o artesanato e leva em consideração o padrão de qualidade a partir dos conceitos dos próprios artesãos com o auxilio de pesquisadores. A certificação só é dada a objetos que atendam essas exigências. É portanto esse procedimento, segundo Graça Ferraz, que agrega valor ao brinquedo, já que nele reconhece um padrão de qualidade e remete ao conjunto de elementos culturais que envolvem a sua criação. Com isso, afirma Graça Ferraz, abre-se maiores oportunidades para o produto no mercado.

Assim, a Indicação Geográfica dos brinquedos atua na ampliação da visibilidade e do interesse sobre o brinquedo, ao mesmo tempo em que poderá haver uma melhoria no preço - já que o selo demanda uma série de exigências. Mas, argumentam os especialistas, também haverá um aumento na demanda, já que o produto estará vinculado à cultura amazônica, o que agrega ainda mais valor ao brinquedo nacional e internacionalmente.

Brinquedo de miriti e Abaetetuba - O brinquedo de miriti é inspirado nos elementos da fauna e da flora amazônica e é onde o artesão pode relatar um pouco dos fatos e acontecimentos do seu cotidiano. Assim, segundo o relatório, o miriti se constitui como uma matéria-prima de suma importância para a vida dos ribeirinhos, como também para a população da cidade de Abaetetuba, servindo ainda como fonte de alimento para suprir as necessidades básicas e de sobrevivência da mesma.

E é por grande importância do brinquedo que a cidade de Abaetetuba passou a ser conhecida como a “capital dos brinquedos de miriti”, dado o alcance por estes artefatos, de mercados mais amplos no Brasil e no exterior.

Também conhecido como buriti-do-brejo o miriti (Mauritia Flexuosa L.), é uma palmeira nativa de áreas alagadiças, pertencentes a mesma família do buriti (Mauritia vinifera M.). O mititizeiro mede, aproximadamente, 50 metros de altura e possui em sua copa cerca de 10 a 25 folhas grandes e palmadas, sendo sua produção bianual (dezembro a junho), com 5 a 8 cachos com mais ou menos 500 frutos por cacho.

(Agência Museu Goeldi)
Colaboração do Blog do Prof. Ademir Rocha à cultura de Abaetetuba.
Prof. Ademir Rocha, de Abaetetuba/Pa, em 13/11/2010.

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