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quarta-feira, 7 de julho de 2010

Clube Carlos Gomes - Música e Músicos de Abaetetuba

Clube Carlos Gomes - Música e Músicos de Abaeté
Banda Carlos Gomes
 Foto da Banda Carlos Gomes, tendo como Mestre o maestro
Chiquinho Margalho

A MÚSICA E OS MÚSICOS DE ABAETETUBA/PA
A Banda Carlos Gomes, braço do Clube Carlos Gomes, ganhou fama
e começou a incursionar pelas Ilhas e Colônia Rural de Abaetetuba,
municípios e até para fora do Estado do Pará
O CLUBE CARLOS GOMES


QUEM FOI CARLOS GOMES:
Maestro Carlos Gomes/Antonio Carlos Gomes, filho de Manoel José Gomes/Maneco Músico e Fabiana Jaguari Gomes, nasceu em Campinas-SP em 11/7/1836 e faleceu em Belém-Pa em 16/9/1896 e foi o mais importante compositor de ópera do Brasil. Ganhou destaque na Europa e foi o 1º compositor brasileiro a ter as suas obras apresentadas no Teatro Alla Scala, de Milão. Entre outras obras é o autor da ópera O Guarani.

Era de família pobre e quando jovem trabalhava como alfaiate e aos 15 anos já compõe valsas, quadrilhas e polcas e aos 18 anos compõe a Missa de São Sebastião. Procura sempre se aprofundar na música e também leciona piano e canto. Tocava na banda fundada por seu pai para tocar em bailes e concertos.

Em 4/9/1861 foi cantada a ópera Noite do Castelo que foi a sua 1ª obra de fôlego, quando conquistou o público e a Corte. Devido suas aptidões musicais em 8/11/1863 viajou para a Europa às expensas da Ópera Lírica Nacional, conforme solicitação do Governo Imperial. Em 1866 recebeu o diploma de mestre e compositor pelo Conservatório de Milão. Compôs várias obras musicais que foram apresentadas na Europa e na América do Norte e em 2/12/1876 se apresenta no Rio de Janeiro em noite de gala. Volta para a Europa e casa-se com Adelina Peri com quem teve 5 filhos e continua a compor óperas que eram apresentadas nos teatros da Europa.

Voltou ao Brasil e com a saúde abalada e na expectativa de um emprego. Em 1895 o Governador do Pará lhe faz um convite para organizar e dirigir o Conservatório daquele Estado. Em 14/5/1895 foi recebido calorosamente pelo povo paraense que o reconhecia como o grande nome da música do Brasil. Porém seu estado de saúde se agravou e o Maestro Carlos Gomes falece a 16/9/1896. Seu corpo foi embalsamado e exposto à visitação pública e o povo paraense lhe presta grandes homenagens póstumas.

E em Abaeté, em 25/4/1880, o musicista abaeteense Hermínio Pauxis funda um clube musical que recebe o nome de Club Musical Carlos Gomes, como homenagem a esse grande maestro e compositor brasileiro.

O MESTRE HERMÍNIO PAUXIS:
Hermínio Pauxis/Hermínio Antonio da Silva Pauxis foi músico, professor de música, maestro, fundador do Club Musical Carlos Gomes. A Banda Carlos Gomes era o braço musical do clube de mesmo nome.

Hermínio Pauxis é filho de Abaeté e prestou serviço militar no Arsenal de Guerra, em Belém, onde aprimorou seus conhecimentos musicais com destaque, ao ponto de seus superiores lhe sugerissem que viajasse para o Rio de Janeiro, então Capital Federal do Brasil, para prosseguir seus estudos de música. Hermínio Pauxis declinou do convite, dizendo que pretendia usar seus conhecimentos musicais em sua terra natal, Abaeté. E, de fato, por volta do ano de 1879 aqui chegou e, junto com outro musicista, Adalberto Benedito Rodrigues, residente no interior do município, abriu uma escola de música que denominou Escola Musical 31 de Agosto, como homenagem à São Raimundo Nonato, santo de quem era devoto.

Foram seus primeiros alunos, os sapateiros e irmãos, Raimundo de Araujo Borges e Paulo de Araujo Borges; Felippe Santiago de Araujo e Luiz Joaquim de Araujo (pai de Felippe Santiago), Antonio Gonçalves Chaves, o enteado de Hermínio Puxis, Manoel Joaquim da Silva Lobato e Manoel Vigílio de Araujo. Esse grupo de músicos logo chegou ao número de 12 componentes.

Em 25/4/1880, em praça pública, Hermínio Pauxis e seus alunos fundaram o Clube Musical Carlos Gomes, que subsiste até os dias atuais em Abaetetuba/Pa. O Clube Musical Carlos Gomes foi um dos primeiros a surgir no antigo município de Abaeté. Junto com o Clube Carlos Gomes e após ele, surgiram outros clubes voltados às artes musicais e outras artes. Foi a partir do Club Musical Carlos Gomes que surgiu a Banda Carlos Gomes, cuja data de fundação é o mesmo do clube musical. O Mestre Hermínio Pauxis, seus filhos e seus primeiros alunos estiveram presentes à cerimônia de instalação da Cidade de Abaeté em 15/8/1895. Outros antigos músicos de Abaeté estiveram presentes a essa cerimônia.

Em 1902 o Clube Carlos Gomes já contava com 22 membros, dentre eles, outros ícones da Banda Carlos Gomes, como Estácio Sena dos Passos, José de Sena, Horácio de Sena, Raimundo Damião de Carvalho, Manoel Joaquim do Nascimento, Coríntio da Silva Lobato e os filhos de Hermínio: Raymundo Pauxis/Raymmundo Nonnato da Silva Pauxis, Aládio Pauxis/Aládio Ladislau da Silva Pauxis e Melquíades Pauxis que foram apresentados pelo pai como os novos componentes da escola de música.

Citações históricas sobre Hermínio Pauxis:

Presentes à Instalação da cidade de Abaeté em 15/8/1895: Hermínio Antonio da Silva Pauxis, Aládio Ladislau da Silva Pauxis, Raymmundo Nonnato da Silva Pauxis.

Hermínio Antônio da Silva Pauxis, 1895.

Rua Lauro Sodré, onde residia Hermínio da Silva Pauxis, residência que pertencia aos herdeiros do Visconde de São Domingos, em 1904.

Na Rua Nova, em 1904, moravam Eleutéria Silva e Hermínio Pauxis.

Recebimentos, 1896: de Júlio da Silva Lúzio e Hermínio Antonio da Silva Pauxis, por 4 cães de estimação, no governo do intendente Emygdio Nery da Costa;

Hermínio Pauxis, aqui constituiu família e passou a residir em uma humilde casa, que também servia como local de estudos e ensaios da nova escola de música.

Seu filho, Raimundo Pauxis, também ficou famoso na cidade, como mestre de banda.

Hermínio Pauxis faleceu em 1908. Citações de 1908:

O Clube Carlos Gomes, com eleição, ficando assim constituída a diretoria: presidente, Garibaldi Parente; secretário, Estácio Sena dos Passos; tesoureiro, Abel Guiães de Barros; regente, Gerônimo Guedes e contra-mestre, Raymmundo Pauxis.

A FAMÍLIA DE HERMÍNIO PAUXIS:
Chegando à Abaeté Hermínio Pauxis casou com mulata Eleutéria Silva, que antes tivera um filho de nome Manoel Joaquim da Silva Lobato, com o rico português, Sr. Dionísio Pedro Lobato.

Hermínio Pauxis e Eleutéria deram início à linhagem da família Pauxis, na então Vila de Abaeté. O sobrenome Pauxis, a partir de Abaeté, se espalhou pelo Baixo Amazonas e Belém. Não se encontra mais o sobrenome Pauxis em Abaetetuba.

Hermínio Pauxis e Eleutéria Silva tiveram os seguintes filhos: Raymmundo Nonnato, Aládio Ladislau, Enoque e Melquíades da Silva Pauxis. Alguns desses filhos de Hermínio Pauxis se tornaram músicos da Banda Carlos Gomes.

Aládio Pauxis/Aládio Ladislau da Silva Pauxis, esteve presente à Instalação da cidade de Abaeté em 15/8/1895. Aládio Pauxis, ingressou na Marinha, casou e teve os filhos: Ivete e Sinhá.
Melquíades Pauxis, foi para a Marinha, casou e teve filhos.

Raimundo Pauxis/Raymmundo Nonnato da Silva Pauxis, teve filhos, conforme abaixo:

Com Matilde, sua 1ª mulher, Raimundo Pauxis teve os seguintes filhos: Péricles, Pericard, Caubi, Acir, Tico, Chico, Abaetélia e Abaeté Pauxis. Desses, só Abaeté Pauxis era músico.

Há um documento de 1935 que se refere a Abaeté Pauxis. Abaeté Pauxis era comerciante, músico da Banda Carlos Gomes, que tocava saxofone no tempo do Mestre Chiquinho Margalho. Casou com Raimunda Braga, com quem teve filhos, sendo um deles um médico que morava em Belém.

Filhos de Raimundo Pauxis com Maria Felipa Rodrigues:

Alarico Pauxis Rodrigues/Sinhôzinho. Alarico teve filhos com Lúcia: Natalina, Alice e outros.

O CLUB MUSICAL CARLOS GOMES E SÃO RAIMUNDO NONATO:
A devoção de Hermínio Pauxis a São Raimundo Nonato era antiga. Ao voltar de Belém/Pa à Vila de Abaeté em 1779 funda uma escola de música com nome de Escola Musical 31 de Agosto. O dia 31 de agosto é consagrado à São Raimundo Nonato, que é o santo protetor das mulheres grávidas ou em trabalho de parto. Deu também o nome de Raimundo Nonato a um de seus filhos e o fez patrono do Club Musical Carlos Gomes, quando passou a festejar esse santo no período de 27 a 31 de agosto em Abaeté.

Esses festejos aconteciam no grande espaço público da então Vila e depois, Cidade de Abaeté, que era a chamada Praça do Divino ou Praça de Nossa Senhora da Conceição, em frente da qual se localizava a antiga Igreja do Divino Espírito Santo.

Os festejos de São Raimundo Nonato se tornaram motivos de atrito dos dirigentes do Club Musical Carlos Gomes, que eram os mesmos dirigentes da Confraria de São Raimundo Nonato, com os padres da Igreja Católica. Um 1º atrito aconteceu ainda nos tempos do Padre Pimentel/Francisco Manoel Pimentel e esse fato levou à criação de uma banda de música, denominada Banda Henrique Gurjão, sob a chefia do mestre Horácio de Deus e Silva, coletor de rendas de Abaeté, em 1904. O Mestre Horácio pertencia ao Club Musical Carlos Gomes, onde era um de seus diretores e contra-mestre. Como o Club Musical Carlos Gomes possuía o seu braço religioso, a Confraria de São Raimundo Nonato, a Banda Henrique Gurjão também criou a Irmandade de São Sebastião com diretoria, tendo o Padre Pimentel como presidente e muitos membros em Abaeté.

A festa de São Raimundo Nonato ganhou projeção em Abaeté, se tornando, no tempo de Raimundo Pauxis, filho mais velho de Hermínio Pauxis, a 2ª festa católica mais importante da cidade, depois da festa de Nossa Senhora da Conceição. E a Confraria de São Raimundo Nonato chegou a possuir um quadro de confrades de mais de 350 pessoas, isto já nos tempos do Padre Luiz Varella/Luiz de França do Amaral Varella. Este padre dizia que muitos dos membros da Confraria de São Raimundo Nonato não possuíam atributos morais para pertencer a uma associação católica e esse fato, junto a outros argumentos do padre, levou a um 2º atrito dos dirigentes do Club Musical Carlos Gomes, que promoviam a Festa de São Raimundo Nonato, com os padres da Igreja Católica. Esse 2º atrito levou à criação, em 1918, de outra banda de música, a Banda Paulino Chaves, sob a chefia do Mestre Gerônimo Guedes, que anteriormente tocava na Banda Carlos Gomes.

Como os dirigentes da Banda Carlos Gomes não entravam em acordo com os padres da Igreja Católica sobre os festejos e a Irmandade de São Raimundo Nonato, os atritos se prolongaram até a chegada provisória dos padres capuchinhos em Abaeté, nos anos de 1937. Os atritos continuaram até a fixação definitiva dos padres capuchinhos em Abaeté no ano de 1939. Como a nova Igreja Matriz de Abaeté já estava praticamente finalizada, os padres capuchinhos pretendiam fazer a derrubada da antiga Igreja do Divino Espírito Santo, onde aconteciam os festejos de São Raimundo Nonato e outros festejos de santos de Abaeté. Os padres capuchinhos não conseguiram derrubar essa igreja devido a interferência política dessa época e a Banda Carlos Gomes continuava, também, a participar dos festejos de Nossa Senhora da Conceição que aconteciam na antiga Igreja do Divino. E os dirigentes da Banda Carlos Gomes eram ativos participantes das campanhas de arrecadação de fundos para a construção da nova Igreja Matriz de Abaeté. Em 1937 as duas bandas, a Carlos Gomes e a Paulino Chaves chegaram a participar do 1º Círio de Nossa Senhora da Conceição, que aconteceu na nova Igreja Matriz.

Os argumentos para a derrubada da antiga Igreja do Divino Espírito Santo era que Abaeté já possuía sua nova Igreja Matriz. Porém, a motivação principal, eram os atritos dos dirigentes do Club Carlos Gomes, com os padres capuchinhos, atritos esses originados pela não participação dos padres na organização das festas de São Raimundo Nonato e em sua confraria, isto é, as festas de São Raimundo Nonato eram organizadas pelos leigos da Confraria de São Raimundo Nonato, que eram os mesmos dirigentes do Club Musical Carlos Gomes, confraria que era uma entidade civil, com estatutos próprios, onde os padres não possuíam quase nenhuma ingerência, a não ser participar dos eventos religiosos, mesmo que a contragosto.

Como conseqüência do atrito dos dirigentes do Club Musical Carlos Gomes com os padres capuchinhos, estes, em 1948 conseguiram derrubar a antiga Igreja do Divino Espírito Santo e em 1949, influenciaram na criação de uma nova banda musical em Abaeté, a Banda Virgem da Conceição, chefiada pelo Mestre Chiquinho Margalho, que antes era regente da Banda Carlos Gomes, mestre que era muito amigo dos padres capuchinhos. Nesse tempo os atritos entre os dirigentes do Club Carlos Gomes e os padres capuchinhos tinham atingido um ponto crítico, onde Abaeté passou a vivenciar duas festas dedicadas à São Raimundo Nonato, uma organizada pelos dirigentes do Club Carlos Gomes, que acontecia na antiga Praça do Divino e outra festa organizada pelos padres capuchinhos, que acontecia na nova Igreja Matriz de Nossa Senhora da Conceição.

O maestro Hermínio Pauxis tinha consigo uma enorme imagem de São Raimundo Nonato, que era a imagem venerada nos dias de festejo.

Nos dias de festejo de São Raimundo Nonato, como também de outros festejos de santos de Abaeté, aconteciam as alvorada às 5,00 horas da manhã, acompanhada de música da banda, foguetório, repicar de sinos e nas noites dos festejos, aconteciam as ladainhas cantadas e acompanhadas por músicas da Banda Carlos Gomes, as orações, bênção e o hino de São Raimundo Nonato, tocado pela banda e cantado pelo povo. Após as funções religiosas, à noite, aconteciam os folguedos de arraial, também com a presença da Banda Carlos Gomes tocando no coreto da Praça do Divino.

No dia da festa, 31 de agosto, aconteciam: a missa, a benção do Santíssimo, as orações, Te Deum Laudatio. Após as funções religiosas, aconteciam: leilão e música na praça. Essa festa se tornou tradicional na cidade de Abaeté e o povo acorria em massa para participar desses festejos.

Como era devoto de São Raimundo Nonato, Hermínio Pauxis iniciou a criação da Irmandade de São Raimundo Nonato, que se consolidou no tempo de Raimundo Pauxis, se tornando a maior irmandade católica que já existiu em Abaeté, com mais de 350 membros, fato que se tornou escândalo para os padres da época, que argumentavam que a confraria possuía muitos associados de moral duvidosa.

Com a posse do novo prefeito de Abaeté, Joaquim Mendes Contente, que era um ardoroso católico e amigo dos padres capuchinhos, ele proibiu os festejos de São Raimundo Nonato que aconteciam na antiga Praça do Divino. Este foi o golpe de misericórdia nos festejos desse santo, que passou a ser festejado no interior do município de Abaeté, na localidade de Guajará de Beja, onde os Pauxis possuíam um sítio.

A partir daí, a festa de São Raimundo Nonato, organizada pelos padres capuchinhos, também não aconteceu mais na cidade de Abaeté e a Banda Carlos Gomes ficou proibida de tocar nas festas de santos de Abaeté.

Citações sobre a Confraria:

Em 1940, Pedro Ribeiro de Araújo era o tesoureiro e Prudente Ribeiro de Araújo era o Secretário da Confraria de São Raimundo Nonato.

Sobre os membros da confraria: Vestiam túnicas próprias do grupo, como também usavam fitas, cantavam o hino de São Raimundo Nonato, empunhavam o estandarte, entoavam cantos, faziam as orações próprias de seu patrono, como também as orações e cantos da Igreja.

Citações dos conflitos com os padres capuchinhos:

Em 1941 aconteceu um 3º atrito dos dirigentes da Banda Carlos Gomes e, por conseqüência, dos organizadores da festa de São Raimundo Nonato, ainda liderada por Raimundo Pauxis, com os dirigentes da Igreja Católica, nos tempos dos Padres Capuchinhos. Os motivos foram os de sempre e com o agravante do inchaço da Confraria de São Raimundo Nonato, muitos desses confrades, diziam os frades, sem condições morais para participar da confraria.

Esses frades vieram para ficar em definitivo à frente da Paróquia de Abaeté, e que desejavam tomar o controle da paróquia, a começar pela organização dos festejos dos santos populares, que estavam inteiramente nas mãos de cristãos leigos, com pouca influência dos padres.

Os ânimos se acirraram no tempo do Frei José Maria de Manaus em 1941, Vigário de Abaeté. Os dirigentes da festividade de São Raimundo Nonato se dirigiram a esse frei para tratar da realização desses festejos, nesse ano. O frei lhes disse que tinha recebido ordens do Frei Paulino Shelere, seu superior, para que a festa não fosse realizada naquele ano. Essa notícia foi um choque, não só para os dirigentes da festa, que eram os mesmo dirigentes da Banda Carlos Gomes, como para a comunidade católica local, devido esses festejos terem adquirido tradição, tornando-se a 2ª maior festa, depois da festa da Padroeira, Nossa Senhora da Conceição.

Os dirigentes da banda tentaram rebater, dizendo que os lucros eram depositados em poupança na Caixa Econômica, para atender eventuais necessidades dos componentes da banda, como doenças, falecimentos com seus funerais e que os membros da banda nada recebiam como pagamento. E que com os saldos das festas também se pagavam as viagens da banda, os padres que participavam dos festejos de São Raimundo e as atividades da Confraria de São Raimundo Nonato. Isso explica o novo nome que o clube recebeu, de Clube Musical e Beneficente Carlos Gomes.

Mas o frei estava irredutível na decisão. Foi a partir daí que se criou uma grande divisão na Igreja Católica, com dois festejos simultâneos de um mesmo santo, no caso São Raimundo Nonato.

Com a chegada dos padres capuchinhos, Chiquinho Margalho, como bom católico que era, devoto da Virgem da Conceição e de São Miguel de Beja, tornou-se amigo desses padres e, a convite dos mesmos, no meio dos atritos desses frades com os dirigentes da Banda Carlos Gomes, passa para o lado dos padres e ajuda na criação de uma nova banda, para tocar nos festejos de santos celebrados na nova Igreja Matriz, a começar da festa de São Raimundo Nonato, que se aproximava.

HISTÓRICO DE ALGUNS ANTIGOS COMPONENTES DA BANDA CARLOS GOMES:
 Tocar o Hino de N.S da Conceição, Padroeira de Abaetetuba,
era uma enorme satisfação para os seus músicos, como também
era uma grande satisfação para os músicos das outras bandas, 
nas antigas festas da Conceição
• Adalberto Benedito Rodrigues, é citado em um documento de 1940 como nascido em 24/10/1837 e falecido em 4/6/1882, filho do Oficial Vogal José Benedito Rodrigues e Anna Maria Barros, músico abaeteense que foi o primeiro mestre de música na vila de Abaeté, tendo instruído e fundado a primeira banda de música do povoado.

Segundo depoimentos colhidos, antes da Banda Carlos Gomes, existia uma banda denominada “Bela Harmonia”, onde a maioria das notícias sobre essa banda se perderam, por falecimento de muitos de seus membros mas conseguiu-se encontrar alguns escritos que confirmam a sua existência.

A 1ª Câmara de Abaeté foi criada em 20/3/1880 até 1884 e José Benedito Rodrigues foi um de seus membros.

Adalberto Benedito Rodrigues. Citação de 1903: A banda de música Bela Harmonia abrilhantou a inauguração em 2/4/1903 do Grupo Escolar de Abaeté, na administração do Intendente municipal Tenente Coronel Torquato Pereira de Barros, com a presença do Dr. João Evangelista Correa de Miranda, Juiz do Distrito judiciário, o Coronel Hygino Maués, Professor Bernardino Pereira de Barros, Diretor do Grupo escolar inaugurado, Padre Francisco Manoel Pimentel, Cornélio Pereira de Barros, lente da Escola Normal do Estado e com a presença dos professores: Basílio Chrispim de Carvalho, Fidélis Magno de Araújo, Maria de Nazaré de Moraes e Francisca Romana de Almeida Pimentel, todos normalistas.

Virgínia Rodrigues era filha do músico Adalberto Rodrigues e esposa do músico e político Tomás de Senna. Seu pai, Adalberto Rodrigues, foi um dos primeiros músicos de Abaeté, tendo fundado a Banda Bela Harmonia. Adalberto era filho de Benedito Rodrigues e está enterrado no Cemitério de Nossa Senhora da Conceição, na frente da Capela, numa sepultura que recebia os cuidados do músico Nilamon de Senna e Cacau/Raimundo Rodrigues Pontes, filho de João Nepomuceno de Pontes com uma filha de Adalberto Rodrigues e nesse túmulo também está sepultada a mãe de criação de Adalberto.

• Luiz Joaquim de Araújo (pai de Clarindo do E. Santo e Felippe Santiago de Araujo), que aprendeu a tocar contrabaixo, aluno de Hermínio Pauxis em 1880, falecido em 28/4/1883, que nasceu na Ilha de Tabatinga, município de Abaeté e ele era capitão e casou com Feliciana Joaquina de Araujo e tiveram filhos: Clarindo do Espírito Santo de Araujo, Ana de Araujo; Camilla de Lélis de Araujo; Antonia das Flores de Araujo; Felippe Santiago de Araujo; Carolina de Araujo; Balbina de Araujo; Sinézio de Araujo; Clara de Nazaré de Araujo; Tomáz de Aquino de Araujo. Vide família Araujo de Abaeté.

• Felipe Santiago de Araujo (vide famílias Pontes, Araujo, Ribeiro de Araujo), nasceu por volta de 1867 e aparece como funcionário público municipal, em 1904, 1905, músico que tocava clarinete, aluno de Hermínio Pauxis em 1880 e participava da Irmandade de São Sebastião em 1908, político, fez parte da 1ª Câmara de Abaeté, criada em 20/3/1880 até 1884. C/cMaria Pessoa de Araujo e tiveram filhos. Em 2/3/1917 Felippe Santiago de Araujo, prepara a sepultura de sua esposa Maria Pessoa de Araujo. Em 27/5/1920 Felippe Santiago de Araujo faz o traspasse de um imóvel, sito à Trav. São Benedito, à Francisco de Assunção dos Santos Rosado. Em 1922, pagamento de impostos à Intendência de Abaeté pelos herdeiros de Felippe Santiago de Araujo. Felippe Santiago de Araujo falece por volta do ano de 1921 em Abaeté.

• Manoel Vigílio de Araujo, aluno de Hermínio Pauxis em 1880 na Escola Musical 31 de Agosto, antigo funcionário do Grupo Escolar de Abaeté, que foi o 1º porteiro dessa escola e que teve como primeiros serventes: Hygino Pereira e Júlia Pereira. Citação de 1908: “A irmandade de São Sebastião que tem na diretoria: Presidente, Padre Francisco Manoel Pimentel; Diretor, Horácio de Deus e Silva; Tesoureiro, Trajano Pereira de Barros; Secretário, Manoel Vigílio de Araújo e José Ferreira Ribeiro; Zeladores, Pedro Pena de Araújo e Hygino Pereira e cobrador, Josino Leandro de Sousa e muitos irmãos”.

• Raimundo de Araújo Borges, sapateiro, que era bumbeiro e pratilheiro e seu irmão Paulo de Araújo Borges, que tocava no oficlides em dó.

• Manoel Joaquim da Silva Lobato, enteado de Hermínio Pauxis que tocava trompa, que era filho de Dionísio Pedro Lobato e Eleutéria Silva, conforme abaixo:

Citações históricas sobre Manoel Joaquim da Silva Lobato, que era avô de Ana de Cristo/Solinha e que deu origem a uma numerosa família de Abaeté, onde a maioria de seus membros eram de pele morena e alguns de pele branca e olhos azuis:

Em 1919 trabalhou como fiscal na gestão do Intendente Coronel Aristides dos Reis e Silva.
Filhos de Manoel Joaquim da Silva Lobato com Maria Sabina Silva Lobato: Raimunda, Juvêncio, Alice, Laura Aurora, Maria Sabina da Silva Lobato Filha, Ofélia, Francisca, Eulina/Guíta, Almerindo, Coríntio e Izabel da Silva Lobato.

• Prudente Ribeiro de Araujo, que em 1908 participava da Irmandade de São Sebastião. Prudente, Pedro e Lycinio Ribeiro de Araujo eram irmãos e músicos e netos de Luiz Joaquim de Araujo e sobrinhos de Felippe Santiago de Araujo e irmãos de outros artistas de Abaeté, conforme abaixo:

Clarindo do Espírito Santo de Araújo, nasceu no dia 20/3/1862, na Ilha de Tabatinga e faleceu em 14/9/1923. Casou com Ângela Ferreira Ribeiro, no dia 26/5/1888. Clarindo era professor e cartorário em Faro/Pa 1894; Secretário da Intendência de Faro e de 9/1/1888 a 27/11/1899, cartorário em Ponta de Pedras. Em Abaeté foi, também, Oficial de registro Civil e Professor. Clarindo e Ângela tiveram 11 filhos: Idalina/Idália, Valdomira/Mira, Zizina/Zizi, Prudente, Raimundo/Raimundinho, Antônio/Antonico/Titá, Anna/Anica/Nicota, Lauro, Angelina, Pedro e Licynio Ribeiro de Araujo.

• Antônio Luiz Gonçalves Chaves, que aprendeu a tocar pistão, foi um dos fundadores do Club Musical Carlos Gomes em 25/4/1880 e esteve presente na cerimônia de instalação da Cidade de Abaeté em 15/8/1895. Faleceu em 25/5/1927, na casa de seu cunhado José Lima da Costa. Participou da Banda Musical Carlos Gomes junto com Francisco de Miranda Margalho, Edgar dos Reis Borges, Manoel Joaquim da Costa, Raymundo Costa, Esmerino Cardoso, Victor Tavares de Lima.

• Estácio Sena dos Passos, era alfaiate, funcionário municipal e músico, que tocava contrabaixo. Em 1908 aparece como secretário do Club Musical Carlos Gomes. Seu nome aparece como sócio do Clube Musical Carlos Gomes em 1927 e que também tocou na Banda Paulino Chaves no mesmo ano de 1927.

• Uma citação de 1908: O Clube Carlos Gomes, com eleição, ficando assim constituída a diretoria: Presidente, Garibaldi parente; Secretário, Estácio Sena dos Passos; Tesoureiro, Abel Guiãs de Barros; regente, Gerônimo Guedes e Contra-Mestre, Raymmundo Pauxis.

Estácio Sena dos Passos, foi secretário do Clube Carlos Gomes em 1/10/1921.

Estácio Sena dos Passos, em outubro de 1921, em uma carta endereçada ao Instituto Histórico e Geográfico do Pará, protesta contra a divisão territorial que tirou de Abaeté grande parte de suas terras, em favor do município do Moju e Igarapé-Miry.

• Abel Guiães de Barros, músico e diretor da Banda Carlos Gomes em 1908, que veio da localidade Jararaca/Muaná/Pa para fixar residência em Abaeté e que em 1927 era vice-presidente da Banda Carlos Gomes.

• Gerônimo Guedes, fogueteiro em Abaeté, foi maestro, músico eclético e mestre de banda. Se tornou o regente da Banda Carlos Gomes após o falecimento de Hermínio Pauxis, em 1908 e foi o fundador da Banda Paulino Chaves em 1919 onde se tornou seu regente. Era conhecido por Mestre Guedes, pelos seus conhecimentos musicais. Citação de 1908: “O Clube Carlos Gomes, fazendo eleição, ficando assim constituída a Diretoria: Presidente: Garibaldi Parente; Secretário: Estácio dos Passos; Tesoureiro: Abel de barros; Regente: Gerônimo Guedes e Contra-Mestre: Raymmundo Pauxis”. Citação de 1922: “Fundação da Banda Musical Paulino Chaves, pelo mestre Gerônimo Guedes”. Uma anotação de 1937: “Em 1937, as duas bandas, a Carlos Gomes, chefiada por Raymmundo Pauxis, tendo compo Mestre de Banda o Sr. Chiquinho Margalho e a Banda Paulino Chaves, chefiada pelo Mestre de Banda Gerônimo Guedes”. “A Banda Paulino Chaves foi fundada ainda com a partir do “Grêmio Guarany”, em 1919. A Banda Paulino ChaveTocava à paisana”.

• Aládio Pauxis/Aládio Ladislau da Silva Pauxis, era o filho mais velho do Mestre Hermínio Pauxis e Eleutéria Silva. Participou do grupo dos primeiros alunos de música desse mestre. Depois, Aládio Ladislau foi estudar para Belém e ingressou na Marinha Mercante.

RAIMUNDO PAUXIS E SUA ERA NA BANDA CARLOS GOMES:
Quando jovem, inicialmente, Raimundo Pauxis, trabalhava com Garibaldi Parente na loja da Rua Justo Chermont. Depois, ele mesmo torna-se comerciante de gado (marchante), funcionário público, político, músico, professor de música e maestro. Vide Raimundo Nonato da Silva Pauxis em “A música e os músicos em Abaeté”.

Em 1908 falece Hermínio Pauxis e Garibaldi Parente assume a presidência do Clube Carlos Gomes, tendo como contra-mestre da Banda Carlos Gomes, Raimundo Pauxis.

Em fins do ano de 1910, Raimundo Pauxis/Raymmundo Nonnato da Silva Pauxis, com a ausência de seu irmão mais velho, Aládio Ladislau da Silva Pauxis, que ingressou na Marinha Mercante, assume a presidência e a regência do Clube Carlos Gomes.

Raimundo Pauxis, a partir de 1910, impõe à Banda Carlos Gomes uma disciplina tipo militar e rigorosa e com uso de uniforme e marcha tipo militar.

Em 1914 há registros, em jornais desse ano, da Banda Carlos Gomes.

Raimundo Pauxis teve como um dos contra-mestres da Banda Carlos Gomes o músico Joaquim do Nascimento, abaeteense nato.

O aparecimento em Abaeté dos conjuntos musicais chamados de “jazz”, influência dos Estados Unidos, surgiu a partir de Raimundo Pauxis.

Raimundo Pauxis, na década de 1930, foi um dos baluartes na construção da Igreja Matriz de Abaeté, no tempo do Padre Magalhães/Ignácio Ramos de Magalhães.

Há um documento antigo de 1922, do tempo da Intendência Municipal do Dr. Lindolfo Cavalcante de Abreu (1922-1926), que faz a seguinte referência: Raymmundo Pauxis, marchante na cidade de Abaeté.

Nos tempos antigos a festa de Nossa S. da Conceição era organizada por uma diretoria e pessoas da sociedade de então, junto com o padre da época. A festa de Nossa S. da Conceição envolvia autoridades, comerciantes, industriais e pessoas da sociedade. Vide relação onde aparece o nome de Raimundo Pauxis como Juiz Protetor da festa.

Citações de 1937: As duas bandas de música, a Carlos Gomes, chefiada por Raymmundo Pauxis, tendo como Mestre de Banda o Sr. Chiquinho Margalho e Banda Paulino Chaves, chefiada pelo Mestre de Banda Jerônimo Guedes, com 21 músicos, participaram do 1º Círio de Nossa Senhora da Conceição, na nova Igreja Matriz de Abaeté, em 1937.

A 2ª Comissão para a construção da nova Igreja Matriz de Abaeté: Padre Ignácio de Magalhães, Bernardino Mendes, Raymundo Nonato Viégas, José Pinheiro Baía, José Ferreira, Joaquim Mendes Contente, Humberto Parente, Raymundo Pauxis, Oscar Solano, Raymundo Nonato Ferreira, Emiliano Pontes.

Raimundo Pauxis como político:

Foi vogal da Intendência nas gestões:
Domingos de Carvalho, de 1915 a 1918
Do Intendente Manoel Pinto da Rocha, no período de 1918 a 1919;
Do Intendente Coronel Aristides dos Reis e Silva, no período de 1919 a 1922;
Do Intendente Dr. Lindolpho Cavalcante de Abreu, no período de 1922 a 1926.
Raimundo Pauxis como prefeito nomeado de Abaeté, na Revolução de 1930:
Prefeito nomeado de 25/4/1945 a 17/11/1945.
Prefeito nomeado de 18/2/1946 a 12/7/1946.

Em 1948 Raimundo Pauxis em 1948 foi à Belém buscar a imagem de Nossa Senhora de Fátima, que estava em peregrinação pelo Brasil e trazê-la, em comitiva, até Abaeté. Nessa viagem, em plena tensão política, ainda na baia do Marajó, alguém lhe comunica de que não seria mais o candidato a prefeito pelo PSD-Partido Social Democrático, partido do Interventor Federal do Estado do Pará, Magalhães Barata. Decepcionado com a notícia de que não mais seria o candidato escolhido por Benedito Carvalho, pelo PSD, nas eleições que se aproximavam, sofre um infarto do coração que culminou na sua morte em plena baía do Marajó.

Essa foi a gota d’água para o rompimento do grupo político de Raimundo Pauxis com Magalhães Barata. Como resposta esse grupo se uniu à candidatura de Humberto Parente, candidato da Coligação, mas, mesmo assim, perderam a eleição para o candidato de Barata que era Pedro Pinheiro Paes (1948-1951).

No entanto, Raimundo Pauxis deixou seu nome na história de Abaeté, não pelos cargos políticos que ocupou, mas, principalmente, por outra paixão sua, a música. Esse dom foi herdado de seu pai Hermínio Pauxis.

Com Raimundo Pauxis a disciplina da Banda Carlos Gomes se tornou mais rigorosa, nos moldes militares, com uso de uniforme, marchas e evoluções e primorosas execuções musicais, nos eventos cívicos, sociais ou religiosos das quais a banda participava. Tornou-se mestre de muitos outros alunos, que também se tornaram famosos, até mesmo fora de Abaeté. Entre estes destacamos: Chiquinho Margalho, Oscar Santos, Miguel Loureiro.

Há uma rua em Abaetetuba com o nome de Rua Raimundo Pauxis.

Outras citações:
Citação de 1928: “Frederico Silva, Raimundo Pauxis e Abel Barros eram músicos da banda Carlos Gomes em 1928”.

A FAMA DA BANDA CARLOS GOMES ULTRAPASSA OS LIMITES DE ABAETÉ:
A Banda Carlos Gomes, devido a fama adquirida a partir de Raimundo Pauxis, começa a ser solicitada para tocar em outras localidade, fora de Abaeté. A banda tornou-se famosa por suas variedades e qualidades musicais, pelo seu grande elenco de bons músicos, pelos seus mestres de banda e, por isso, passou a ser muito solicitada para tocar em Belém e outras localidades vizinhas como Moju, Igarapé-Miri, Vila Maiuatá, as cidades do Marajó e até municípios do Baixo do Amazonas.

Em 1926, pela 1ª vez, essa banda se exibe na cidade de Moju, trocando na festividade de São José, com grande sucesso. Em 1934 a banda foi tocar na cidade de Ponta de Pedras, na festividade de São Francisco de Borja, deixando saudades nessa cidade. Em cada lugar que tocava, a banda deixava sua marca de excelência e disciplina, na hora de formar, tocar e fazer as evoluções, ao modo militar.

Raimundo Pauxis falece em 1946, mas em setembro do mesmo ano assume outro grande mestre, discípulo de Raimundo Pauxis, o Mestre Chiquinho Margalho/Francisco de Miranda Margalho, ajudado por outro grande musicista, Oscar Santos Coforote.

Um fato:
Maximiano Figueiredo Cardoso, morava em Abaeté e tinha os filhos Sinval, Antoniozinho, Alfredinho e algumas filhas. Maxico Cardoso, como era chamado, era rico e tinha uma lancha tipo gaiola que naufragou numa de suas viagens e, nesse episódio, morreram duas de suas filhas. Depois desse fato ele resolveu se mudar para a cidade de Parintins, no Baixo Amazonas, onde já morava um seu tio de nome Elpídio Figueiredo. Nessa cidade ele se tornou industrial, comerciando fibra de juta, em comércio de exportação. Adquiriu prestígio como bom e rico comerciante e nessas condições, em 1953, veio até Abaeté e contratou a Banda Carlos Gomes para tocar na festa de Nossa Senhora do Carmo, Padroeira daquele município, no período de 8 a 16/7. Nesse tempo, Prudente Ribeiro de Araújo trabalhava no seu escritório, como guarda-livro:
A banda levou 25 componentes, sob a regência do Mestre Miguel Loureiro e direção de Pedro Ribeiro de Araujo. No dia 22/7 a banda aqui chegou da viagem à Parintins, rumando para a Igreja Matriz de Nossa Senhora da Conceição, tocando o Hino do Congresso Eucarístico. Vale lembrar, que no dia do embarque para Parintins, o clube foi receber as Santas Bênçãos de Nossa Senhora da Conceição, ocasião em que o Frei José Maria de Manaus, também concedeu a Bênção do Santíssimo Sacramento. E dali mesmo a banda rumou para o Trapiche Municipal, executando os seus famosos dobrados. Nesse tempo os padres capuchinhos já estavam em desentendimento com os dirigentes do Club Musical Carlos Gomes.

A ERA DE CHIQUINHO MARGALHO NA BANDA CARLOS GOMES

Banda Carlos Gomes
Formação:
Em pé:
Sentados: e Chiquinho Margalho (mestre da banda)


CHIQUINHO MARGALHO
Chiquinho Margalho/Francisco de Miranda Margalho, foi compositor, maestro, músico eclético, professor de música, funcionário municipal como administrador do Cemitério Municpal, aprendeu música “de ouvido” como se diz. Nasceu no dia 9/2/1906 e faleceu em 11/6/1967. Era filho de José André margalho e Vitória Cardoso Margalho. Casou com Leontina Martins Margalho, que não aceitava as atividades musicais do marido e culpou a música pela morte de seu esposo, fulminado por um segundo derrame cerebral.

Com o falecimento de Raimundo Pauxis, em 1948, em setembro do mesmo ano assume a direção da Banda Carlos Gomes outro grande mestre e discípulo de Raimundo Pauxis, o Mestre Chiquinho Margalho/Francisco de Miranda Margalho, ajudado por outro grande musicista, Oscar Santos Coforote. Este músico e o poeta Bruno de Menezes compuseram o belo hino Mater Puríssima que se tornou o “Hino de Nossa Senhora da Conceição.

Chiquinho Margalho era idealista e amante sem reservas da música. Um músico eclético, porque tocava e ensinava em vários instrumentos musicais. E ele também era um excelente autor musical, tendo composto uma vasta obra musical.

Citação de 1948: O Clube Musical Carlos Gomes é sustentado pela união e disciplina de seus membros.

Chiquinho Margalho, concretamente, deu a vida pela música, porque doente, fruto de um 1º “derrame cerebral” insistia na nobre profissão e acabou falecendo de um 2º derrame, fato que magoou profundamente sua esposa Dona Leontina, que por causa disso, destrói a grande obra musical do marido. Aliás, Dona Leontina, nunca gostou do estilo de vida do marido, culpando mesmo a música, pela morte do mesmo. E, ainda mais, ele tirava dos parcos recursos que recebia, como administrador do cemitério, para manter as bandas que administrava.

Contemporâneos de Chiquinho Margalho: Agenor Dilva/Agenor Ferreira da Silva, Prudente Ribeiro de Araujo, Pedro Ribeiro de Araujo, Miguel Loureiro, Ramito, que foram sustentáculo da Banda Carlos Gomes.

Chiquinho Margalho saiu da Banda Carlos Gomes, influenciado pelos seus amigos, os padres capuchinhos, em outro episódio de conflitos entre essa banda e os padres católicos, que resultou na criação da Banda Virgem da Conceição em 1949.

A BANDA CARLOS GOMES E A ERA MIGUEL LOUREIRO
Aconteceram atritos do Clube Carlos Gomes com os padres da
Igreja Matriz de Abaeté, e isso desde os tempos do Padre Pimentel, no início do século 20, passando
esses atritos da banda para o Padre Luiz Varela, nas décadas de 1920 e 1930 e, depois, esses atritos
passaram para os tempos dos Padres Capuchinhos, nas décadas posteriores. Os Padres Capuchinhos proibiram. Leia esses fatos aqui nesta postagem.
a Banda Carlos Gomes de tocar nas festas de N.S. da Conceição nesses tempos. Foi somente com o
Mestre Miguel Loureiro, como Mestre da Banda, que essas partes fizeram as pazes definitivas. Mas, 
com a chegada dos Padres Xaverianos, a partir dos anos de 1970, as bandas de Abaetetubas começaram a ficar fora dos festejos da Padroeira, N.S. da Conceição e de outras festas religiosas.
 Foi um duro golpe na cultura e tradição dessas 
festas religiosas.

MIGUEL LOUREIRO
Miguel Loureiro/Miguel Maués Loureiro, foi compositor, grande maestro, músico eclético, professor de música, que morava na Avenida d. Pedro II, perto do antigo Cine Natan, onde hoje está construído o prédio Charrua. Posteriormente morou no local chamado Atalaia, onde foi construído a sede do Bancrévea Clube de Abaetetuba.

Com a morte de Chiquinho Margalho assume como maestro da banda Carlos Gomes. Além da banda possuía também o seu jazz, o “Jazz Abaeté”, que nasceu no ano de 1928, subsistindo até aos anos de 1970. O Jazz Abaeté foi criado por Miguel Loureiro e era muito solicitado para tocar nos bailes daquela época. No jazz, Miguel Loureiro tocava saxofone; Maxico, no trompete, Ildefrides Reis, tocava flauta; André Sena, tocava pistão; Raimundo Rosa Lima (Rosa), tocava banjo; Raimundo Melo, tocava banjo; Pedro Araújo, no trombone e Vicente Maciel, tocava bateria. Esse jazz, de muito sucesso, foi desfeito em 1975.

Foi discípulo de Raimundo Pauxis e adotou a disciplina do antigo mestre na banda Carlos Gomes. Músico eclético, exímio saxofonista.

Em 2/6/1958 aconteceu a eleição no Clube Musical e Beneficiente Carlos Gomes, com a aprovação dos Estatutos do clube.

Os eleitos e associados votantes foram os seguintes:

Presidente, Miguel Maués Loureiro; vice presidente, Pedro Ribeiro de Araujo; 2º secretário, Prudente Ribeiro de Araujo e com a presença de: Raimundo Rodrigues da Silva, Manoel Roque Ferreira, João de Deus Ferreira, João Rosado dos Santos, Belarminio Rodrigues de Farias, Manoel João de Souza, Raimundo da Silva Melo, Raimundo Bernardino da Silva, Erogildo Fonseca de Lima, Raimundo de Lima Pontes, Miguel do Carmo Araujo, Pedro Paulo Ferreira, Taviro Manoel Ferreira, Otacílio Ferreira Dias, Heráclito Delmiro de Sales, Galdino Cardinal da Cost, Manoel dos Santos, João Cunha de Oliveira e Acindino Naziazeno de Carvalho.

Foi com o Mestre Miguel Loureiro que aconteceu o episódio que selou a paz entre a Banda Carlos Gomes e os padres da Igreja Católica, em atritos que já vinham desde os remotos tempos do Padre Pimentel. Vide abaixo “Um fato inusitado...”

Miguel Loureiro tocava vários instrumentos musicais, mas era um exímio saxofonista, professor de música, dono de Jazz e que faleceu em 1982, em Barcarena-Pa, praticamente esquecido por todos os de Abaeté.

UM FATO INUSITADO, IGARAPÉ-MIRY RECONCILIA A BANDA CARLOS GOMES COM OS PADRES:
Formação de 1953:
Em pé:      e Cardinal
Sentados: 

As represálias à Banda Carlos Gomes continuaram no tempo do Mestre Miguel Loureiro, não podendo esta banda tocar nos eventos religiosos da Paróquia de Abaeté. Mas um fato inusitado aconteceu para por fim a esse conflito.

No ano de 1948, a Paróquia de Igarapé-Miry, estava subordinada à de Abaeté. Os dirigentes dos festejos da Santíssima Trindade, nas ilhas daquele município, vieram contratar as músicas para esses festejos com o então Vigário, Frei José Maria de Manaus. Este lhes explicou que a Carlos Gomes não podia tocar nos festejos de santos da Paróquia. Então esses dirigentes, se dirigiram ao músico Pedro Ribeiro de Araujo e este lhes confirmou a proibição dos padres. Voltaram a falar com o Frei e este, novamente, lhes diz que a Banda Carlos Gomes estava proibida de tocar nas festas religiosas da Paróquia de Abaeté.

Esses dirigentes tomaram a decisão de ir até Belém, falar com o Arcebispo da Arquidiocese, na época, D. Mário de Miranda Villas-Boas, que lhes confirma a história da proibição. Eles disseram então a D. Mario, que se a Carlos Gomes não fosse tocar naqueles festejos, que os mesmos fariam a festa, mesmo sem a aprovação da igreja, numa casa particular, na foz do Rio Meruu. O Arcebispo pressentiu outra forte divisão, na já dividida Paróquia de Abaeté e, ele mesmo, determinou um padre para celebrar as funções religiosas da festividade, independente dos capuchinhos e a contratação da Banda Carlos Gomes. E assim aconteceu a festividade da Santíssima Trindade, em Igarapé-Miri. Foi esse fato que atenuou as relações entre a Banda Carlos Gomes e os padres da Igreja Católica, devido também ao fato abaixo que ocorreu na chegada da banda à Abaeté.

Retornando para Abaeté, a Banda Carlos Gomes, tendo à frente o Mestre Miguel Loureiro, às 13;00 horas, ordenou que a Banda rumasse para a nova Igreja Matriz de Abaeté, tocando hinos religiosos. O Frei José Maria de Manaus, que morava numa casa quase apegada à igreja, onde hoje se situa o Colégio S. Francisco Xavier, atravessou rápido a rua e foi abrir a igreja para a banda entrar, onde os músicos, ajoelharam-se, fizeram preces, choravam como crianças e tocaram, pelo fim das hostilidades com os padres da Igreja Católica, iniciadas nos longínquos anos do Padre Pimentel.

O Frei José Maria de Manaus poderia até não abrir a igreja, mas o fez, num ato de desarmamento de corações, após tanto tempo de atritos, com perdas para ambos os lados em conflito.

A BANDA CARLOS GOMES E A ERA PEDRO E PRUDENTE RIBEIRO DE ARAUJO:
Pedro Araújo/Pedro Ribeiro de Araújo, era músico, assume a direção da banda Carlos Gomes com a saída do Mestre Miguel Loureiro. No seu período essa banda começou a experimentar o declínio, não por sua culpa, mas devido o contexto musical da época, que não se mostrava muito favorável à existência de bandas musicais, ainda mais com a falta de apoio dos poderes públicos e da iniciativa privada, que não tinham visão para enxergar a riqueza cultural que era a manutenção dessa banda já centenária e de outras bandas do município.

Pedro e Prudente Ribeiro de Araujo e seus irmãos músicos vieram de uma tradicional família de músicos, entre os quais: Felippe Santiago de Araujo, Clarindo Araujo, Luiz Joaquim de Araujo e outros seus parentes, que ajudaram Hermínio Pauxis a fundar o Clube Musical Carlos Gomes, em 25/8/1880.

No período de Pedro Araújo, como mestre da banda Carlos Gomes, esta atravessava um difícil período de decadência e, apesar de todo o seu esforço em soerguer a banda, esta não conseguia se organizar. Os desentendimentos entre os próprios músicos, levados por ganância financeira, não permitiam mais que acontecessem as reuniões e os ensaios. A ambição de alguns músicos e o desentendimento interno se acentuava a cada novo dia. Os interesses particulares só aumentavam, com alguns músicos querendo vender até mesmo a sede do clube, para repartir o produto da venda.

Nesse clima, no lugar de Pedro Ribeiro, assume, como Mestre da Banda Carlos Gomes, o seu irmão, o moderado Prudente Araújo/Prudente Ribeiro de Araújo. Prudente era homem de moral inquestionável em Abaeté, músico respeitado e que tocava o menor dos instrumentos, o ‘flautim”, instrumento que dava um equilíbrio todo especial às fortes notas musicais dos outros instrumentos de sopro. Prudente Araujo ficou por mais de 10 anos à frente da já decadente Banda Carlos Gomes, mesmo doente e já muito idoso.

Prudente Araújo era idealista e abnegado, um exemplo de vigor físico, boa vontade e amor à arte musical. Na sua época a banda toma novo fôlego, mesmo sem o brilho do passado.

Na gestão do prefeito municipal Hildo Tavares Carvalho (1967-1970), o Clube Musical Carlos Gomes passa a assumir a denominação de Clube Musical e Beneficente Carlos Gomes, com eleição de nova diretoria e contando com sede própria, construído na gestão desse prefeito, em 1972.

Prudente Araujo se comunica com o músico Rui Guilherme Mendes dos Reis e o coloca a par da situação em que a Banda Carlos Gomes se encontrava e pediu a esse músico que assumisse a missão de novamente soerguer a Carlos Gomes. O Mestre Rui Guilherme aceita a missão e inicia um árduo trabalho, contando com a decisiva ajuda de Prudente Araujo.

A BANDA CARLOS GOMES E A ERA RUI GUILHERME:
O Mestre rui Guilherme/Rui Guilherme Mendes dos Reis, foi maestro, músico eclético, professor de música e nasceu em 11/11/1925, na Rua Siqueira Mendes, na residência pai Miguel Mendes dos Reis. Foi para Belém do Pará, onde prestou serviços militares, na Aeronáutica, onde integrava a banda de música dessa corporação militar. Completando seu tempo de serviço, pediu sua reforma e veio de volta para Abaeté. Foi convidado por Prudente Ribeiro de Araújo e não rejeitou o pedido para organizar a Banda Carlos Gomes, que atravessava uma longa fase de declínio e inatividade e ninguém mais acreditava que a banda pudesse se reerguer.

Mas Rui Guilherme não mediu esforços e iniciou logo os trabalhos da recuperação da banda, fazendo a limpeza e reparos dos velhos instrumentos e adquirindo outros mais novos. E também, em 1979, fez os trabalhos reparos e pintura do prédio, que servia de sede da banda, situado à Travessa Pedro Pinheiro Paes, cuja construção foi iniciada em 25/5/1948 e ficou inacabada por falta de recursos. Prudente Araújo se incumbiu de convocar os antigos componentes da banda, que estavam dispersos, pedindo que retornassem aos seus quadros. Com essas medidas práticas a banda Carlos Gomes, após dez anos de inatividade, volta novamente á cena musical da cidade. Ninguém mais acreditava que isso pudesse acontecer, mas Rui Guilherme amava a música e, como idealista que era, fez a antiga banda ressurgir do abandono e descaso dos poderes públicos e da sociedade.

Além da Banda Carlos Gomes, Rui Guilherme assume também o conjunto musical “Os Muiraquitãs”, conjunto fundado por Gigi/Hermenegildo Solano Gomes em 1976, para tocar na Boate Borboleta. Com Rui Guilherme esse conjunto ganha notoriedade e passa a tocar nos principais clubes sociais daquela época e a fazer excursões por outras cidades vizinhas. E foi numa dessas excursões, em 1977, que esse conjunto foi vítima de um pavoroso acidente rodoviário, onde morreram oito pessoas, e entre estes, dois componentes do conjunto: Tio Guela e Besteira.

No tempo do Mestre Rui Gulherme a Banda Carlos Gomes recupera parte de sua fama e prestígio do passado e faz várias excursões pelos municípios vizinhos e Belém. A banda recebe da antiga FUNARTE, um órgão federal, 8 novos instrumentos musicais.

Ele teve o apoio do Prefeito Ronald Reis Ferreira, seu parente. De fato, com o trabalho de Rui Guilherme e o apoio dos prefeitos Hildo Tavares Carvalho e Ronald Reis Ferreira, a Banda Carlos Gomes foi se reerguendo da decadência em que se encontrava. A sede foi reformada e foi a reaberta a escola de Música, com aulas grátis para formar novos músicos. No tempo de Rui Guilherme a banda Carlos Gomes foi até tocar na festividade de Santana, em Igarapé-Miri e outras localidades e passou a tocar em muitos eventos de que estava ausente há mais de 10 anos em Abaeté.

No dia 25/4/1982, ainda com Rui Guilherme à frente do Clube Carlos Gomes, foi eleita e empossada uma nova diretoria do clube: Vicente Maciel, presidente; Otacílio Ferreira Dias, vice-presidente; Francisco Augusto Negrão, 1º secretário; Manoel Roque Ferreira, 2º secretário; Prudente Ribeiro de Araujo, tesoureiro; Rui Guilherme, mestre reeleito e os presentes: Herogildo Fonseca de Lima/Mestre Rosa, Andércio Cardoso/Benito, Valdeíno Cardoso/Vândi e Romildo Pantoja da Costa.

Após 10 anos de letargia muitos músicos da própria banda não acreditavam que a Banda Carlos Gomes pudesse se reerguer. O ceticismo das pessoas se baseava no fato de que para se manter um grupo musical, exigia-se idealismo, desprendimento, aptidão, força de vontade, amor à música e muita disciplina e algum ganho financeiro, daí o desaparecimento de muitos grupos musicais de Abaeté.

Mas Rui Guilherme, como idealista que era, consegue fazer ressurgir a banda, mostrando grande vigor artístico e repassando aos outros o seu idealismo e amor a arte musical. Mas ele já estava bastante idoso e adoentado e após alguns anos à frente da banda, em 1982, se afasta por motivo de doença, ajudando apenas como supervisor, arranjador, o que já era muito, dado o seu delicado estado de saúde.

O Maestro Rui Guilherme cede a direção da banda para outro mito vivo da Banda Carlos Gomes, Vicente Maciel. Rui Guilherme falece no dia 26/7/1982.

A BANDA CARLOS GOMES E A ERA VICENTE MACIEL
Com o avançar dos anos, como os músicos praticamente não recebiam
proventos das antigas bandas, a partir dos anos de 1960 em diante, começaram
a se formar os conjuntos musicais e pequenas bandas, para tirar da música
os meios de sustento para suas famílias.

VICENTE MACIEL
Vicente Maciel, nasceu em 19/5/1909 e era ferreiro e músico da Banda Carlos Gomes, onde dedicou quase toda a sua vida, tocando bumbo e prato. Na época em que assume a banda, já estava idoso e adoentado. Mas se tornou um grande defensor da banda e muito lutou pela não venda do prédio, que servia de sede para o grupo. Alguns componentes da Carlos Gomes, achando que a banda já estava no fim, insistiam com a diretoria pela venda da sede, com a repartição do produto com os associados do Clube Musical e Beneficente Carlos Gomes. Vicente Maciel não permitiu a venda, explicando os bons motivos dessa atitude e tomou posse como o novo diretor da banda no dia 25/4/1982, já com os seus 73 anos de idade e quando o Clube Musical e Beneficente Carlos Gomes completava 102 anos de existência.

Como a esclerose avançava sempre mais, Vicente Maciel, num último gesto de amor à sua querida Banda Carlos Gomes, entrega o grande acervo musical à Fundação Cultural de Abaetetuba, o que foi um grande erro seu, porque esse rico material histórico com os nomes dos músicos, partituras, uniformes, instrumentos musicais antigos, atas com numerosas anotações históricas, se perderam com as constantes mudanças de endereços da Fundação e dirigentes sem compreensão da imensa riqueza que representava aquele arquivo para a memória cultural do município.

ALGUNS ARTIGOS DOS ESTATUTOS DO CLUBE MUSICAL CARLOS GOMES:
Nos Estatutos reformados do Clube Musical e Beneficente Carlos Gomes se encontram algumas informações e artigos normativos que nos fornecem informações importantes sobre esse clube:

• O Clube Musical e Beneficente Carlos Gomes, foi fundado em 25/4/1880, por Hermínio Antonio da Silva Pauxis e companheiros;
• É uma banda de música com estilo militarizada;
• Deve prestar assistência aos seus associados em casos de doenças, invalidez e morte;
• Tomará como seu patrono o Glorioso São Raimundo Nonato;
• Terá uma escola de música com o nome Escola de Música Hermínio Pauxis, para aprendizagem musical;
• Os associados podem ser de ambos os sexos, de boa conduta, moral elevada e com saúde;
• Os sócios fundadores são os músicos de 25/4/1880, os sócios efetivos são os músicos da banda, os sócios beneméritos são os que prestam relevantes serviços ao clube e os sócios cooperadores são as pessoas estranhas ao clube, dignas deste nome;
• A diretoria possui os cargos de presidente, vice-presidente, secretários, tesoureiros, regente e sub-regente e a comissão fiscal;
• Uniformes à moda militar;
• Serão cobradas mensalidades para os sócios, exceto os músicos;
• As reuniões acontecem de dois em dois meses, nas terças-feiras da 2ª semana, para ensaios e outros assuntos;
• Serão aplicadas multas, suspensões e eliminação para os músicos faltosos e indisciplinados.
• O músico que quisesse participar da banda deveria exercer outra profissão, porque os ganhos financeiros com a música eram muito baixos e esporádicos e o associado devia possuir o amor a arte musical. A música para essas pessoas deveria se constituir um ideal de vida, um prazer e que exigia denodo, amor e dedicação gratuita. A música deveria se tornar um momento de alegria, de relaxamento, de bálsamo ou, mesmo, razão de viver, sem ganhos financeiros. Vide uma das formações da banda com o nome dos músicos e suas profissões.

AS REFORMAS INTRODUZIDAS NA IGREJA CATÓLICA DE ABAETÉ:
Quando os padres xaverianos chegaram a Abaeté no ano de 1961 as Bandas Carlos Gomes e Virgem da Conceição ainda ficaram tocando nos círios e nas festas de Nossa Senhora da Conceição até os anos de 1970, por que era uma tradição a presença dessas bandas tocando nos coretos da Praça Matriz.

A partir dos anos de 1970 se iniciaram as mudanças em vários aspectos na Paróquia de Abaeté. Uma das mudanças foi a retirada das bandas para tocar nos coretos, durante os dias de festividade de Nossa S. da Conceição, com o argumento de contenção de gastos. As bandas ficaram tocando apenas nas procissões dos círios. Até mesmo os dois coretos da Praça de Nossa S. da Conceição foram derrubados, sem maiores explicações para o povo. Mesmo com o pagamento das bandas por terceiros ou prefeitura, a presença das bandas sofria cada vez mais restrições para tocar nas festas da Padroeira da cidade.

Devido a pressão popular os dois coretos, onde as bandas de Abaetetuba tocavam nas festas de Nossa Senhora da Conceição, foram reconstruídos. Mas a situação das bandas continuava a mesma, sem apoios e sem espaços para demonstrar sua arte. Chegaram tempos em que até mesmo alguns gestores da Prefeitura Municipal se recusaram em bancar as despesas com as bandas. E a Paróquia dizia que se tornava dispendioso manter as bandas tocando nas festas.

Isso selou a decadência das tradicionais bandas musicais de Abaeté, um patrimônio que não foi devidamente reconhecido pelos padres, autoridades e grande parte da sociedade. Essas bandas ainda existem, mas são apenas sombras, daquilo que já foram e representaram em cultura para o município.

O DESCASO PARA COM A MEMÓRIA CULTURAL:
A Banda Carlos Gomes tinha em dia 27/12/2007, 127 anos de fundação, portanto, já era uma banda centenária, uma instituição que deveria ser preservada em sua história cultural e memória biográfica. Poderia ser o orgulho musical da cidade, como acontece em outros municípios, como Vigia e Ponta de Pedras. Isso não aconteceu por falta de apoio dos poderes competentes, autoridades e parcela da sociedade. A banda sobreviveu e continua sobrevivendo pela ajuda de alguns idealistas, que não mediram esforços e sacrifícios em mantê-la, como foram os casos dos Pauxis, dos Araujo, dos Ribeiro de Araujo, de Chiquinho Margalho, de Miguel Loureiro, de Zé Guilherme e Vicente Maciel e muitos de seus antigos e idealistas músicos (vide abaixo essas relações), que dedicaram grande parte de suas vidas pela amada banda. Seríamos injustos em não dizer que não existiram autoridades e pessoas da sociedade que não ajudaram na subsistência e elevação do nome da famosa banda, mas foram poucos, como os prefeitos Hildo Tavares Carvalho, Ronald Reis Ferreira e cidadãos como Jair Nery, Mariano Solano, Teodolino Maués e alguns outros.

OUTROS GRANDES MÚSICOS DA BANDA CARLOS GOMES:
• Oscar Santos, nasceu em 29/12/1905, que em Abaeté era um humilde funcionário público na Costa Maratahyra. Oscar Santos tocava vários instrumentos. Mas por trás do humilde músico e professor existia um grande mestre e maestro de banda.

Em Abaeté, Oscar Santos começou a estudar aos 6 anos com o seu pai, também mestre de banda de música. Oscar Santos, chegando a tocar na Banda de Música Carlos Gomes. De Abaeté, Oscar Santos foi para a cidade de Soure, em 1937. Esteve um breve tempo em Chaves, Afuá e depois foi para Macapá.

Oscar Santos, Na banda Carlos Gomes e no Conjunto Euterpe Jazz, aprendeu a tocar, graças a afinidade com os instrumentos musicais.

Ele aprendeu a tocar os seguintes instrumentos: percussão, bateria, saxofone, clarinete e flauta transversa. Ele era um músico e professor de música fora de série, mais que eclético. Aos 17 anos começou a compor para a banda Carlos Gomes e, como estudou praticamente sozinho, criou os seus próprios métodos e técnicas, que logo passou a utilizar nas suas aulas de música.

Oscar Santos, teve o bombardino como seu 1º instrumento musical e dedicou-se ao ensino da música por vários municípios e localidades paraense, formando bandas sinfônicas e conjuntos musicais por onde passava.

Chegou ao Amapá em 1944. Seu 1º emprego no Amapá foi como fiscal de obras (apontador) e não possuía documentos que o habilitassem na área da música. Sua neta Lúcia Uchoa diz que seu avô foi um verdadeiro autodidata. Em abril de 1944 Oscar Santos conheceu Joaquim Gomes Diniz (1920-1945), advogado da Prefeitura de Macapá, que compôs a letra e Oscar Santos fez a música da chamada “Canção do Amapá”, que virou hino oficial do estado. Compôs o “Dobrado 15”, na década de 50, que foi gravado pelo grande flautista Altamiro Carrilho, onde Altamiro não sabia o nome do autor, até que um dia o descobriu e lhe agradeceu pela bela música.

A partir de janeiro de 1945, durante o Governo de Janary Nunes, primeiro Governador do Amapá, Oscar Santos transformou-se num grande educador musical. Tornou-se o responsável pela Academia de Música Oscar Santos, onde preparou várias gerações de músicos de bandas.

Era amigo pessoal do 1º Governador de Amapá Janary Nunes e do influente Luís Mendes da Silva, que o mandou para a Escola Nacional de Música, no Rio de janeiro-RJ. Oscar Santos tornou-se mestre e maestro das primeiras bandas do Amapá. Foi o responsável pela Academia de Música Oscar Santos. Tornou-se um dos mais importantes nomes da música amapaense.
Da Orquestra Oscar Santos saíram os primeiros conjuntos músicais do Amapá, entre eles “Os Cometas”.

Oscar Santos revolucionou a cultura musical no Amapá, ensinando todos os instrumentos na área do sopro, percussão, violão, violino, acordeon, teoria musical, bandolim e piano.

A Banda de Música Oscar Santos foi fruto do trabalho desenvolvido pelo mestre na antiga Escola Industrial de Macapá, à convite da Professora Aracy Miranda de Mont’Alverne e ele foi recebido pelo diretor Epifânio Martins, mais tarde homenageado com o Dobrado Epifânio Martins. Também os alunos da Escola foram homenageados com o dobrado “Os Bonequinhos”, por vestirem a cor azul e parecerem bonequinhos. Era assim que homenageava as pessoas, através da música.

São ex-alunos do Mestre Oscar: Joaquim França, hoje regente da orquestra Filarmônica do Brasil; José do Carmo Freitas (Nambu), ex-maestro da Banda de Música da Polícia Militar. Oscar Santos também formou um conjunto feminino só de acordeons e percussão; e os músicos Aimorézinho, Sebastião Mont’Alverne e Nonato Leal e Oscar Santos formou uma lista enorme de bons músicos no Amapá. “O cantor e compositor Nivito revela que tem uma lista e pelo menos 30 amigos que passaram pela escola de música “Oscar Santos”, inclusive ele e seu pai”.

Como professor de música Oscar Santos era muito exigente. Como compositor musical compôs dobrados, marchas, valsas, hinos, missas, boleros, sambas, quadrilhas, choros, frevos, carimbos e poemas.

De seus 13 netos, 5 são professores de música e cuidam do acervo de seu avô com mais de 560 obras, sendo 123 exclusivas dele.

Convidado pelo diretor pianista Altino Pimenta, em janeiro de 1952, Mestre Oscar fez parte da 1ª equipe do corpo docente do Conservatório Amapaense de Música, depois, Escola de Música Walquíria Lima.

São frutos do Trabalho de Oscar Santos: criações de bandas marciais (seus alunos), bandas musicais das escolas públicas de Macapá (seus alunos), professor de muitos músicos do Exército, Aeronáutica, professor de muitos músicos, como o Professor Biraelson Correa, da classe de trompete da escola de Música da UFPa.

Foi objeto de uma dissertação de mestrado de sua neta Lúcia Uchoa, que resultou no livro “Trilhas da Música”.

Esse texto foi produzido pelos jornalistas Paulo Silva e Walter Júnior, por ocasião do Centenário de vida do Mestre Oscar, em 29/12/2005.

Em 1976, aos 71 anos de idade, começou a enfrentar problemas de saúde, mas não abandonou sua missão. Faleceu no dia 20/3/1976, tendo sido sepultado no Cemitério de Nossa S. da Conceição, em Macapá. Nesse dia a banda de música de Macapá passou a chamar-se Banda Oscar Santos.

• Manoel Joaquim do Nascimento, faleceu em 7/1927 e foi músico, mestre da Banda “Sai Cinza” da Vila de Beja e professor de música. Era do Guajará de Beja e professor de música na orquestra Recreativa Carlos Gomes do Rio Guajará.

Raimundo Pauxis impõe à Banda Carlos Gomes uma disciplina tipo militar e tendo como contra-mestre, por volta de 1910, Joaquim do Nascimento, músico e abaeteense nato.

Uma citação de 1927 diz: “Em Beja existia a Banda Sai Cinza sob a direção do Sr. Manoel do Nascimento e essa banda e mais a Banda Paulino Chaves, abrilhantaram os nove dias de festejo do Divino Espírito Santo”.

• Horácio Sena, era carpinteiro naval e músico na Banda Carlos Gomes, c/c Ana Philonila da Silva/Tia Anica e tiveram os seguintes filhos: Iracildes, Raimundo, Maria, Cecília, Francisca, João, Teódulo, Horácio Filho e Manoel Silva Sena.

Citações de 1922: Horácio Nabor de Senna com pagamento do imposto de valor locativo de um imóvel sito à Rua Siqueira Mendes, na cidade de Abaeté.

• Horácio Sena Filho, era carpinteiro naval e tocava bombardino na Banda Carlos Gomes, no tempo do Mestre Chiquinho Margalho.

• Aládio Ladislau da Silva Pauxis, era o filho mais velho do Mestre Hermínio Pauxis e Eleutéria Silva. Participou do grupo dos primeiros alunos de música desse mestre. Depois, Aládio Ladislau foi estudar para Belém e ingressou na Marinha Mercante.

• Mestre Damião/Raymmundo Damião de Carvalho, era mestre, maestro, compositor, músico eclético e professor de música, nasceu em Igarapé-Miri-Pa, filho de uma negra escrava chamada Mãe Tinina com com o senhor dono de engenho e político Bento de Carvalho, cujo nome herdou. Mestre Damião nasceu livre e com 18 anos foi prestar os serviços militares no Exército e a seguir entrou para a polícia, chegando a delegado e nessa função ficou até o fim da vida. Estudou o curso primário e aprendeu música, sabendo tocar vários instrumentos e entrou para o Clube Carlos Gomes. Repassou seus conhecimentos musicais para muitos alunos. Além de mestre e professor de música Mestre Damião compôs várias peças para a banda Carlos Gomes.

Foi casado com Julieta dos Santos Carvalho e tiveram filhos, entre os quais: Enildes Casemiro dos Santos Carvalho/Cutéia, nascido em 4/3/1936, que foi famoso jogador de futebol em Abaetetuba;

Maria do Monte Serrat Carvalho Quaresma, casada com Benedito Quaresma, e foi professora em Abaeté, funcionária e gerente do Posto do INSS local, atualmente é aposentadae e é famosa escritora em Abaetetuba;

Maria de Nazaré Carvalho Lobato, que foi professora estadual, atualmente aposentada e é famosa escritora de Abaetetuba.

• Mestre Cardinal/Galdino Cardinal da Costa, era filho de Raimundo Pedro da Costa e Maria Francisca dos Santos Costa, irmão do famoso Cavalinho, exímio tocador de banjo e cavaquinho. Cardinal nasceu em 18/4/1928, em Abaetetuba e casou com Ruth do Carmo Araújo Rocha, com quem teve os filhos, e entre esses: Marta, Rui, Maria, Roberto, Márcia e residiam na Avenida D. Pedro II, tocava clarinete e outros instrumentos, participou de muitos grupos musicais da cidade de Abaeté.

O interesse de Cardinal pela música surgiu em 1940, vendo o Chico Padeiro/Francisco Rodrigues ensaiar notas musicais à noite, com um instrumento de sopro, que eram as aulas do mestre Licínio Araújo. Cardinal pediu ao Chico Padeiro que lhe repassasse as aulas do Mestre Lícinio e assim ele foi aprendendo as lições junto com o Chico Padeiro. Nessas alturas era bem novo, com uns 20 anos de idade e já sabia alguns instrumentos de corda como cavaquinho, banjo que são instrumentos muito diferentes dos de sopro. Depois de aprender as lições do Chico padeiro, passou a estudar diretamente com o Mestre Damião, com quem teve umas quatro lições apenas. Mestre Damião era um professor renomado de música e ele é que dá nome à escola de música da Fundação Cultural de Abaetetuba. Mestre Damião logo percebeu o grande potencial musical de Cardinal e ele contata com o Mestre Miguel Loureiro e lhe fala dos dons musicais de Cardinal. O Mestre Miguel Loureiro, que morava perto do antigo Cine Natan, manda chamar Cardinal e lhe fala das informações que recebera do mestre Damião. Mestre Miguel Loureiro pergunta sobre o que Cardinal já tinha aprendido e como tinha aprendido e Cardinal lhe fala das lições com o Chico padeiro e com o Mestre Damião. Nessas alturas Cardinal possuía apenas uma flauta como instrumento de sopro. E foi com esse instrumento que ele começou seus estudos de aulas de música com notas bem mais difícies do Mestre Miguel Loureiro. No outro dia mostra ao Mestre as lições aprendidas e o mestre ficou admirado com a facilidade com que Cardinal aprendera aquelas lições. Assim, em pouco tempo, Cardinal foi se aprofundando nos segredos musicais das notas, subdivisão, simetria. A simetria é a grande dificuldade para a grande maioria dos alunos de música, porque exige muita calma, paciência e tenacidade dos iniciantes. Uma escola de música inicia com a sala cheia de alunos mas, devido a simetria, muitos desistem. O Mestre Miguel Loureiro dá a Cardinal um conjunto de lições pesadas de teoria musical e cardinal se saiu bem em todas as lições. O seu problema era a flauta, instrumento não muito recomendável para as pesadas lições. Foi aí que aconteceu o fato de um aluno vir devolver o seu material de estudo como o método e o instrumento, que era um clarinete. Mestre Miguel Loureiro já tinha pensado nessa possibilidade e foi o que aconteceu e a partir daí os ensaios começaram a ser feito com esse instrumento e Cardinal, com três meses de estudos, já estava ensaiando na Banda Carlos Gomes. Além de clarinete, Cardinal aprendeu a tocar saxofone, mas seu intrumento preferido era o clarinete.

A Banda Carlos Gomes tinha um estatuto rigoroso e os músicos tinham que se portar conforme o estatuto exigia e um dos artigos pedia a exclusividade dos músicos com a Banda. Cardinal ficou conhecido por ser um bom músico de clarinete e por isso, começa a tocar nos conjuntos musicais da época como o Jazz União, Orquestra Brasil, Jazz do Margalho, um conjunto do Furo Grande e no conjunto Acapulco de Daniel Margalho. No tempo da gestão da 1ª gestão do prefeito Hildo Carvalho, apareceu um contrato para o Jazz Brasil do Mestre Agenor Silva, para tocar em Pontas de Pedra, uma cidade da Ilha do Marajó, e esse mestre convida Cardinal para se juntar a ele na excursão. Cardinal foi falar com o Mestre da Banda Carlos Gomes, que era o Miguel Loureiro sobre o assunto e o Mestre Miguel Loureiro lhe explicou o que pregava os estatutos da Banda. Mesmo assim Cardinal firma compromisso para ir para pontas de pedras. Para seu azar aparece um contrato para a Banda Carlos Gomes tocar na recepção ao 1º Bispo de Abaetetuba. A banda firmou o contrato e os seus músicos foram convocados para os ensaios e Cardinal estava em Pontas de pedras. Três dias depois da recepção ao Bispo, Cardinal recebe a carta de seu desligamento da Banda Carlos Gomes, por indisciplina, por não ter respeitado a cláusula de exclusividade. Com isso teve que entregar todo o material que estava com ele, como instrumento, uniforme, estante. Mas poucos dias depois se inicia a Festa de Nossa Senhora da Conceição e as duas bandas iam tocar nessa festividade. Cardinal encontra o Mestre Agenor silva e lhe conta do problema na Banda Carlos Gomes que resultou do seu desligamento da mesma. E, a partir daí, Cardinal passou a tocar na outra banda musical da cidade, a Banda Virgem da Conceição. E Cardinal fica nessa banda, que, pouco tempo depois, ganha um novo mestre, que era o Mestre Luiz do Nilamon. Fica tocando nessa banda e em inúmeros outros compromissos para o qual era convidado, tocando sozinho ou nos conjuntos musicais da época. Na 2ª gestão do prefeito Chico Narrina assume como professor de música na Escola de Música Mestre Damião da fundação Cultural de Abaetetuba.

Para cardinal os grandes músicos de Abaetetuba foram os seguintes: Raimundo Pauxis, Miguel Loureiro, Chiquinho Margalho, Licínio Araújo, Maxico Almeida, Heráclito Sales, Raimundo Damião, Agenor Silva, Raimundo Vicente, Taviro, Cardinal, Miguel Cardoso, Rosado, Tomás Almeida.

Cardinal explicou a divergência na Banda Carlos Gomes entre os dois grandes músicos Raimundo Pauxis e Chiquinho Margalho, quando este saiu da Carlos Gomes para funda sua própria banda, que foi a Virgem da Conceição. Chiquinho Margalho recrutou os primeiros componentes dessa nova banda pelo interior do município, grande celeiro de músicos. Um desses músicos recrutado por Margalho foi o Mestre Agenor, que é do Rio Bacuri, município de Abaetetuba.

Cada banda possuía quase 30 componentes, o que é difícil de acontecer. Cardinal explicou que os instrumentos de percussão de uma banda são: bumbo, tarol, surdo, surdo-bumbo, prato. Os melódicos são: saxofone, pistão, clarinete, trombone, requinta (não se usa mais), flautim, contra-baixo (tuba).

Cardinal tornou-se um respeitado clarinetista na cidade e um bom professor de música. Era de difícil temperamento, mas Chiquinho Margalho, quando era mestre da Banda Carlos Gomes, soube moldá-lo Por ter aprendido profundamente a leitura musical Cardinal e se tornou um grande instrumentista e professor musical. Chegou a ser convidado para fazer parte da Banda de Música da Polícia Militar, em Belém do Pará, mas devido seu temperamento arredio perdeu essa grande oportunidade, que outros seus companheiros de Abaetetuba não desperdiçaram para ser músico e Sargento da Polícia. Depois, também tocou nos diversos conjuntos musicais, jazzes e conjuntos de seresta da época, como O “Jazz do Margalho”; “Luar de Abaeté”, do Cabinho Lacerda; “Os Coroas”, de Luiz Sena; o grupo “Piçarra” e outros conjuntos da cidade. Cardinal dominava o clarinete com maestria e, frequentemente, fazia concertos em diversos pontos da cidade de Abaetetuba.

A música hoje em Abaetetuba:

Cardinal disse que a música e os músicos estão em decadência. São muitos os fatores para esse quadro como: a música eletrônica, a música digital, a falta de interesse dos jovens que não têm paciência, o apoio dos poderes públicos, a falta de professores de música e a falta de instrumentos musicais.

Na Escola de Música da Fundação Cultural de Abaetetuba, até a data de 5/1994 Cardinal já tinha preparado 5 músicos e 4 estavam em preparativos. Cardinal também era compositor musical, tendo preparado inúmeras peças na forma de sambas, dobrados, frevos, boleros, carimbós, lambadas e mambos, marchas, samba-canção, choros, chorinhos, valsas e junto com Agenos Silva e Miguel Loureiro compunham as músicas para os cprdões juninos de Nina Abreu. Participou de vários concursos e jurados.

• Manoel Antônio de Sousa, nasceu em 13/4/1910 e era filho do músico Josino Leandro de Sousa, integrante da Banda musical Paulino Chaves. Manoel Antonio era músico bumbeiro e pratilheiro da Banda Carlos Gomes. Foi ele quem repassou muitas informações das bandas e músicos antigos, inclusive da Banda Bela Harmonia, que foi uma das primeiras bandas do município. Também tocava pistão. Seu irmão também era músico.

• Adamor/Adamor Aires de Lima, ribeirinho, filho de Pedro Pereira Pinheiro de Lima e Italvina Aires de Lima, nascido na localidade de Mahuba, morou no Panacuéra, trabalhava nos engenhos de Abaeté como caldereiro e era músico, tendo iniciado o aprendizado de música em 1951, com o Sr. Edmundo Quaresma, ribeirinho do Arapapu. Este ia pelas casas de seus alunos ensinando a teoria musical. Adamor, para aprender a tocar, teve que se esforçar muito nas práticas instrumentais e ele iniciou seu aprendizado musical no banjo. Depois, em 1974, veio para Abaetetuba e se integrou definitivamente à Banda Carlos Gomes, da qual já participava desde 1961, mesmo morando no interior, no tempo do Mestre Miguel Loureiro. Adamor tocava trombone.

• Frederico Silva. Músico, Uma citação de 1928: Frederico Silva, da Banda Carlos Gomes.
• Manoel Tabatinga. Em 1928 era o pulmão de aço da Banda Carlos Gomes”. Ele, como a maioria dos músicos locais, aprendeu a tocar música “de ouvido”, como se dizia naqueles tempos.

DIRETORIAS E ALGUMAS FORMAÇÕES DA BANDA CARLOS GOMES:
Citações de 1908: “O Clube Carlos Gomes fazendo eleição, ficando assim constituída a diretoria: Presidente: Garibaldi Parente; Secretário: Estácio dos Passos; Tesoureiro: Abel de Barros; Regente, Gerônimo Guedes e Contra-Mestre, Raymmundo Pauxis”.

Em 2/6/1958 aconteceu a eleição no Clube Musical e Beneficiente Carlos Gomes com a aprovação dos estatutos do clube.

Os eleitos e votantes foram os seguintes:

Presidente, Miguel Maués Loureiro;
Vice presidente, Pedro Ribeiro de Araujo,
2º secretário, Prudente Ribeiro de Araujo
Músicos votantes:
Raimundo Rodrigues da Silva,
Manoel Roque Ferreira,
João de Deus Ferreira,
João Rosado dos Santos,
Belarmino Rodrigues de Farias,
Manoel João de Souza,
Raimundo da Silva Melo,
Raimundo Bernardino da Silva,
Erogildo Fonseca de Lima,
Raimundo de Lima Pontes,
Miguel do Carmo Araujo,
Pedro Paulo Ferreira,
Taviro Manoel Ferreira,
Otacílio Ferreira Dias,
Heráclito Delmiro de Sales,
Galdino Cardinal da Costa,
Manoel dos Santos,
João Cunha de Oliveira
Acindino Naziazeno de Carvalho.

Há na Fundação Cultural de Abaetetuba uma antiga foto da Banda Carlos Gomes com uma formação dos tempos do Maestro Rui Guilherme, anos de 1970, em que aparecem os músicos:
Maestro Luis Guilherme,
Agenor,
Besteira,
Nêgo,
Zé do Lindolfo,
Belchioara
João Perna.

PROFISSÃO DE ALGUNS MÚSICOS DA BANDA CARLOS GOMES:
Havia nos estatutos do Clube Musical Carlos Gomes um artigo que proibia a entrada na Banda Carlos Gomes de músicos que não possuíssem outra profissão, alem de músico. Era esse o motivo pelo qual, ao lado do nome do músico, sempre aparecer a sua outra profissão desse período. Os antigos mestres Raimundo Pauxis e Chiquinho Margalho sempre enfatizavam o fato de uma pessoa, para ser músico da banda, que tivessem amor a arte musical, devido os ganhos financeiros de um músico que eram incertos e ínfimos e não garantiam o sustento de uma família. Uma das antigas formações da Banda Carlos Gomes com a outra profissão dos seus músicos:

Paulinho Coforote, alfaiate e tocava de trompa;
Manuel Coforote, canavieiro e tocava baixo;
João Coforote, canavieiro e tocava trombone;
Oscar Santos, professor de música e tocava trombone; Oscar Santos, Na banda Carlos Gomes e no Conjunto Euterpe Jazz, aprendeu a tocar, graças a afinidade com os instrumentos musicais.
Tibica, agricultor e tocava bombardino ou barito;
Horácio Sena, carpinteiro naval e tocava bombardino;
Horácio Filho, carpinteiro naval e tocava bombardino;
Mestre Leoderlino, professor e tocava bombardino;
Arcelino Pinta Caroço, carpinteiro e tocava Clarinete;
Manoel Lipordino, que tocava requinta (uma espécie de clarinete antigo);
Estácio de Sena dos Passos, alfaiate, funcionário municipal e tocava contrabaixo;
Cazuza Sena, carpinteiro e tocava clarone (uma espécie de clarinete baixo, que hoje é um instrumento raro, extinto); Cazuza Sena, músico, tocava um instrumento comprido apelidado de mamoeiro.
Heráclito Sales, carpinteiro e tocava clarinete;
Abel Guiães de Barros Ferreira, português, ferreiro e tocava bumbo;
Abaeté Pauxis, comerciante ambulante (viajante) e tocava saxofone;
Orêncio Coutinho, cartorário e tocava saxofone barito (intrumento antigo e raro que é uma relíquia);
Polo Borges/Paulo Borges, carpinteiro e tocava afrenquides (instrumento antigo e raro, de apelido mamoeiro);
Cici Costa, comerciante e tocava trompa;
Churamba, comerciante ambulante e tocava trompa;
Bernardo Rebolado/Bernardo Auto de Carvalho, oficial de justiça e tocava requinta ( é uma espécie de clarinete antigo);
Raimundo Melo, tocava surdo;
João Bostoque, marceneiro e era caixista;
Mestre Benjamim (era cego de um lado do olho), calafate e tocava trompa;
Durico, calafate e tocava bombardino;
Miguel Loureiro, sapateiro e tocava saxofone;
Prudente Araújo/Prudente Ribeiro de Araújo, escriturário e tocava flautim (o menor instrumento da banda);
Pedro Araújo/Pedro Ribeiro de Araújo, professor e tocava trombone;
Mestre Cardinal, professor de música e tocava clarinete.
Chiquinho Margalho/Francisco de Miranda Margalho, funcionário público e tocava saxofone e tenor.

Da formação da Banda Carlos Gomes acima, ainda pode-se dizer o seguinte:

A família Santos/dos Coforotes, era uma família de agricultores e dela saíram alguns nomes que fazem parte da história da música em Abaetetuba.

A família Sena, forneceu vários músicos para Abaetetuba.

A família Pauxis, descendentes do Mestre Hermínio Pauxis, era uma família de grandes músicos;
A família Araujo forneceu os primeiros músicos da Banda Carlos Gomes, como:

• Felippe Santiago de Araújo, que aprendeu tocar clarinete;

• Luiz Joaquim de Araújo (pai de Felippe Santiago), que aprendeu a tocar contrabaixo;

• Raimundo de Araújo Borges, que era bumbeiro e pratilheiro e seu irmão Paulo de Araújo Borges, que tocava oficlides em dó (instrumento raro e já em extição);

A família Ribeiro de Araújo, cuja ancestralidade vem da localidade Malato, no município de Ponta de Pedras, Ilha do Marajó, também forneceu muitos músicos para a cidade de Abaeté, entre os quais os idealistas músicos: Pedro, Lícínio e Prudente Ribeiro de Araujo, que eram aparentados com os Araujo acima.

Na formação acima aparecem verdadeiros ícones da arte musical de Abaeté, como os Mestres Miguel Loureiro, Cardinal, Oscar Santos e Chiquinho Margalho.

Nesse tempo a Banda Carlos Gomes ainda experimentava o seu período áureo dos tempos dos mestres Raimundo Pauxis e seus discípulos Chiquinho Margalho e Miguel Loureiro. Porém, foi no fim do período de Raimundo Pauxis, como mestre da Banda Carlos Gomes, que aconteceu um sério atrito entre a diretoria da banda e os padres capuchinhos, nos fins dos anos de 1940 e início dos anos de 1950. Nesse período a Banda Carlos Gomes foi impedida de tocar nos eventos religiosos da Igreja Católica e esse atrito marca o início da decadência dessa tradicional banda de Abaeté, em relação à fama e o primor de suas apresentações.

FORMAÇÃO DE 4/12/1979:
Pedro Ribeiro de Araujo, vice-presidente;
Raimundo Bernardino da Silva;
Manoel Roque Ferreira;
Manoel João de Sousa;
Herogildo Fonseca de Lima;
Adamor Aires de Lima;
Francisco Augusto Negrão;
Miguel Negrão;
Heráclito Delmiro de Sarges;
Valdeíno Cardoso Dias;
Antonio Cardoso Dias;
Manoel dos Santos;
Antonio Pereira da Silva.

OUTRA FORMAÇÃO DA BANDA CARLOS GOMES:
Pedro Araújo/Pedro Ribeiro de Araújo, trombone;
Mestre Rosa, tarol;
Raimundo Melo, surdo;
Vicente Maciel, bumbo;
Tomás, pistão; Tomás Almeida, músico,
Ramito, saxofone;
Prudente Araújo/Prudente Ribeiro de Araújo, flautim;
Miguel Loureiro, saxofone;
Raimundo Belchioara, tuba;
Pedro Paulo, tuba;
Nego, prato.
Nesta formação os quadros começam a rarear e com a presença de muitos músicos veteranos que vieram do período das desavenças com os padres capuchinhos dos anos de 1950.

FORMAÇÃO DE 1980:
Rui Guilherme, mestre da banda;
Prudente Araujo, que tocava flautim;
Miguel Negrão, que tocava clarinete;
Manoel Antonio, que tocava pistão;
Valdeíno Cardoso, que tocava trombone;
Otacílio Dias/Ramito, que tocava sax alto;
Adamor, que tocava sax alto;
Francisco Negrão, que tocava sax tenor;
Vicente Gama, que tocava bumbo;
José Pinheiro Rodrigues, que tocava caixa clara;
Manoel João, que tocava pratos;
Benito Cardoso, que tocava caixa surda;
Belchioara, que tocava baixo tuba.

A DECADÊNCIA DA BANDA CARLOS GOMES:
A Banda Carlos Gomes experimentou muitos anos de sucesso e pompa nos tempos dos mestres Raimundo Pauxis, Chiquinho Margalho e Miguel Loureiro. Mas no fim do período do Mestre Raimundo Pauxis, anos de 1940, a banda começou a sofrer uma acentuada decadência, devido a alguns fatores, como a atrito com os padres capuchinhos.

Além desse atrito, devido a grande fama que a banda gozava a nível de cidade e região e pelos inúmeros contratos que a banda firmava para tocar nos eventos cívicos e religiosos da época, alguns músicos começaram a exigir melhores ganhos financeiros. Junte-se a isso o fato da banda ter alterado seus estatutos para se tornar beneficente, com pagamentos de despesas referentes a falecimentos, sepultamentos e doenças dos músicos e seus familiares. Além do mais, não havia renovação dos quadros musicais da banda. E somente nos governos dos prefeitos Hildo Tavares Carvalho (1967-1970 e 1973-1977) e Ronald Reis Ferreira (1977-1982) é que a Banda recebeu um consistente apoio oficial, através do órgão de cultura do município. Outros governantes ignoraram o grande valor histórico e cultural que a Banda Carlos Gomes representava para o Município de Abaetetuba e até a documentação dessa banda se perdeu no meio do descaso para com a tradicional banda.

Esses foram os motivos que levaram a centenária Banda Carlos Gomes a experimentar um grande declínio em suas atividades e hoje sobrevive às duras penas, tocando em alguns poucos eventos e sem a fama do passado quando fazia viagens para tocar em vários município paraenses e até fora do Pará.

O CENTENÁRIO DA BANDA CARLOS GOMES:
Em 25/4/1980 a tradicional Banda Carlos Gomes completava os seus 100 anos de existência, porém não aconteceu, como deveria ter sido, uma festa à altura desse relevante fato para a história e memória da banda. Somente em 25/4/1984 foram festejados os 104 anos da banda. Nessa ocasião foram relembrados os antigos e aposentados músicos da banda, como o Professor Maxico/Maximiano Antonio Rodrigues, Taviro e outros.

MÚSICOS QUE SE TORNARAM MESTRE NA BANDA CARLOS GOMES:
• Mestre Hermínio Pauxis/Hermínio Antonio da Silva Pauxis, que fundou o Club Musical 31 de Agosto no ano de 25/4/1894 e faleceu em 1908.

• Mestre Adalberto Benedito Rodrigues, ajudante do Mestre Hermínio Pauxis no Club Musical 31 de Agosto e na fundação da Banda Carlos Gomes.

• Mestre Gerônimo Guedes, regente da Banda Carlos Gomes em 1908, após o falecimento de Hermínio Pauxis. Em 1919 o Mestre Gerônimo Gudes funda a Banda Paulino Chaves em Abaeté;

• Mestre Raimundo Pauxis/Raymmundo Nonnato da Silva Pauxis, filho de Hermínio Pauxis que substituiu o seu falecido pai em 1908. O Mestre Raimundo Pauxis faleceu em 1946.

Citação: Depois que Hermínio Pauxis falece em 1908 assume no seu lugar, como mestre e maestro da banda, o Mestre Gerônimo Guedes e como contra-mestre, o seu filho Raimundo Pauxis/Raymmundo Nonnato da Silva Pauxis, outro grande nome da música em Abaeté.

• Mestre Manoel do Nascimento, grande músico de Abaeté, da Banda Carlos Gomes. Por volta do ano de 1910, Manoel Joaquim do Nascimento/Velho Nascimento se tornou contra-mestre da Banda Carlos Gomes.

• O Mestre Laudelino/Laudelino Nunes Fernandes e seu filho Ceci Fernandes, tocaram na Banda Carlos Gomes.

O Mestre Laudelino nasceu no Rio Guajará de Beja e ele era professor escolar, músico que tocava bombardino e professor de música e maestro. Inicialmente a família do Mestre Laudelino morou em Igarapé-Miry, local onde ele trabalhava como professor escolar, e onde nasceu o seu filho Ceci, que nasceu no Rio Santo Antonio, em 1918, no Engenho do Capitão Deodato. À convite do seu amigo o Coronel Aristides dos Reis e Silva, em 1923, o Mestre Laudelino e família vieram para Abaeté, para aqui trabalhar como professor escolar.

Trabalhou como professor de leitura por muitos anos em Abaeté. O Mestre Laudelino, como professor escolar, foi contemporâneo dos professores Carolina Pinto da Rocha, Abílio Nery de Araujo, Ederlina Maués, Josino Antonio de Sousa, Maximiano Antonio Rodrigues, Miguel Mendes dos Reis, João Bernardino Dias, Coronel Hygino Maués, Raymmundo Maués Pinheiro, Paulo Elpídio, João Ferreira e Abílio Nery.

Como músico, o Mestre Laudelino Nunes Fernandes tocou também na Banda Paulino Chaves, junto com um seu irmão de nome Domício Nunes Fernandes. Em 1927 o Mestre Laudelino chegou ao posto de regente da banda. Foram seus contemporâneos na Banda Paulino Chaves: Horácio de Deus e Silva, Estácio de Sena, Félix Machado e seus irmãos Veriano e Emiliano.

Os documentos de Ceci Fernandes o apresentam como se em Abaeté tivesse nascido. Ceci aprendeu a tocar com o seu pai Laudelino. Ceci, com um mês de aprendizagem musical aprendeu a tocar flauta. Depois, aprendeu a tocar trompa.

Alguns contemporâneos de Ceci Fernandes: Francisco Assunção dos Santos Rosado, Adalberto Silva, Veriano e Emiliano Machado que formaram uma orquestra no Rio Guajarazinho.

• Mestre Chiquinho Margalho/Francisco de Miranda Margalho, que era contra-mestre da Banda Carlos Gomes, discípulo e ajudante do Mestre Raimundo Pauxis e que o substitui quando de seu falecimento em 1946. Chiquinho Margalho além de músico era compositor musical.

Citação: Em agosto de 1946 falece Raimundo Pauxis e assume como novo mestre Chiquinho Margalho/Francisco de Miranda Margalho e como contra-mestre, Oscar Santos, ambos discípulos de Raimundo Pauxis.

• Mestre Oscar Santos, que era contra mestre na Banda Carlos Gomes e que também era compositor musical e tocava vários instrumentos musicais. Compôs o hino Mater Puríssima dedicado à Padroeira de Abaeté e esse mestre só ganhou notoriedade como músico quando se mudou para a cidade de Macapá.

• Mestre Benjamim (era cego de um lado do olho), calafate e tocava trompa;

• Mestre Damião/Raimundo Damião de Carvalho, que foi autor de peças musicais e professor de música de muitos alunos em Abaeté;

• Mestre Pedro Ribeiro/Pedro Ribeiro de Araujo, que chegou ao posto de mestre da Banda Carlos Gomes:

• Mestre Prudente de Araujo/Prudente Ribeiro de Araujo, que chegou ao posto de mestre da Banda Carlos Gomes;

• Mestre Paulinho Coforote, irmão de Oscar Santos;

• Mestre Rui Guilherme/Rui Guilherme Mendes dos Reis, músico abaeteense que veio de Belém no início dos anos de 1980 para assumir a Banda Carlos Gomes quando esta atravessava série crise nos tempos de Prudente Ribeiro de Araujo;

• Mestre Cardinal/Galdino Cardinal da Costa, exímio clarinetista e autor de várias peças musicais, professor de música.

CLUBE MUSICAL E BENEFICIENTE CARLOS GOMES:
Na gestão do prefeito municipal Hildo Tavares Carvalho (1967-1970), o Clube Musical Carlos Gomes passa a assumir a denominação de Clube Musical e Beneficente Carlos Gomes, com eleição de nova diretoria e contando com sede própria, construída na gestão do referido prefeito.

MUSEU MUSICAL:
Como Abaetetuba se destacou na arte musical das bandas e conjuntos musicais, seria o caso de se fazer uma pesquisa entre os descendentes desses músicos, para se localizar esses antigos instrumentos, fardamentos e outros apetrechos usados pelas bandas e conjuntos musicais. Além dos instrumentos, as letras, partituras musicais deveriam ser recolhidos para constituir um “Museu Musical de Abaeté”. Nesse museu deveria existir um histórico de cada músico, banda e conjunto musical, a história dos instrumentos usados, alguns até extintos. Com certeza, muitos desses instrumentos vieram dos países europeus, como França, Inglaterra, Portugal, Itália ou Espanha. Outros vieram de países como Turquia, Líbano, Síria, Israel, países que mandaram muitos imigrantes para Abaeté, no início do século 20.

Seria interessante se ver os saxosfones dos mestres Miguel Loureiro e Chiquinho Margalho, o clarinete do Mestre Cardinal, o cavaquinho do Cavalinho, o banjo do Joã do Banjo, o violão elétrico do Daniel Margalho, o rabecão do Silvio Pimentel, o bumbo de Vicente Maciel, o flautim de Prudente Ribeiro, a trompa do Mestre Benjamim, o surdo de Raimundo Melo, o barito de Orêncio Coutinho, o clarone de Cazuza Sena, os bombardinos, afrenquides, mamoeiros e outros instrumentos históricos de nossos conjuntos musicais, bandas, jazzes. E as partituras de Miguel Loureiro, Cardinal, Chiquinho Margalho, Oscar Santos e outros grandes autores musicais de Abaeté. Vide as postagens Cultura, Turismo e Meio Ambiente em Abaeté.

TIPOS DE MÚSICAS E OS INTRUMENTOS MUSICAIS DE UMA BANDA DE MÚSICA:

As bandas musicais tocavam uma variedade muito grande de músicas na forma de: choros, chorinhos, marchas, sambas, xote, bolero, samba-canção, mambo, baião, xaxado, quadrilha, lundu, síria, valsa, Fox, maxixe, carimbo, mazurca, rumba. Os instrumentos mais comuns das bandas eram, segundo o Sr. Ceci Fernandes: flauta, flautim, saxofone, pistão, trompa ou sax, trompete, trombone, surdo, caixa, clarinete, contrabaixo, fagote, barito, bombardino, requinta, clarone. Alguns dos instrumentos usados nas bandas antigas já não são mais usados como: requinta, bombardino e outros se aperfeiçoaram e os antigos saíram da linha de produção e são verdadeiras relíquias que deviam constituir o acervo de um museu musical.

OUTROS MÚSICOS DA BANDA CARLOS GOMES:

Frederico Silva, em 1928 era músico da Banda Carlos Gomes.
Manoel Tabatinga, que em 1928 era o pulmão de aço da Banda Carlos Gomes. Ele, como a maioria dos músicos locais, aprendeu a tocar música “de ouvido”, como se dizia naqueles tempos.
Heráclito Sales, músico,
Maxico Almeida, músico,
Cazuza Sena, músico, tocava um instrumento comprido apelidado de mamoeiro.
Raimundo vicente, músico, que tocava pistão,
Taviro, músico, que tocava pistão,
Miguel Cardoso, músico,
Rosado, músico,
Tomás Almeida, músico,

Prof. Ademir Rocha, de Abaetetuba/Pa, em 7/7/2010.

3 comentários:

  1. Fiz uma gostosa viagem num tempo de belas canções e grandes músicos. Faço licenciatura Plena em Música pela UFPa e estou num projeto onde a banda carlos gomes é o tema. Seu Blog contibui muito para o desenvolvimento.
    Parabéns!!!!!

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  2. Caro Cabinho,
    Se for o Cabinho, grande cantor e violonista dos famosos conjuntos de serestas de Abaeté e o cantor e compositor tantas vezes premiado em festivais de canções, quero que saiba que que o tenho em grande conta pelo seu valor artístico. gostaria de fazer uma bela postagem sobre os antigos conjuntos de serestas de Abaetetuba, especialmente o da família Lacerda.
    Um abraço,
    Prof. Ademir Rocha

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    1. Sim, estou em Capanema concluindo o Curso de Música e no seu blog encontrei vasto material, rico em detalhes, sobre a nossa cultura. Quando chegar vou tentar entrar em contato com o Sr.
      Um grande abraço.

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