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quarta-feira, 2 de junho de 2010

Turismo 5, Cultura e Meio Ambiente em Abaetetuba

Turismo 5, Cultura e Meio Ambiente em Abaetetuba



TURISMO, CULTURA E MEIO AMBIENTE EM ABAETÉ/ABAETETUBA/PA 5

Continuação dos Museus Para Abaetetuba 2

5. O MUSEU DAS ANTIGAS OFFICINAS DE ABAETÉ, JUSTIFICATIVA E CONTEÚDOS:

AS FUNILARIAS E OFICINAS DE FERREIROS:
Os mais antigos funileiros de Abaeté remontam ao início do século 20, quando existiam inúmeras oficinas desses profissionais na pequena cidade de Abaeté e que atendiam também com o nome de ferreiros. Hoje são chamadas de oficinas metalúrgicas.

Exemplos de alguns utensílios e objetos produzidos nas antigas funilarias e oficinas de ferreiro lamparinas, lampiões, espingardas, panelas, copos, facas, facões, terçados, enxadas, enxadecos, ancinhos, martelos, serrotes, machados, escápulas para redes de dormir, equipamentos em ferro das embarcações, etc. A partir da chegada dos produtos produzidos em ferro e alumínio, vindos de Belém/Pa, a fabricação desses utensílios foi perdendo terreno e as pequenas funilarias tiveram que se adaptar ao conserto e fabricação de peças para atender à crescente demanda dos engenhos de cana-de-açúcar, da carpintaria naval, das olarias e das embarcações de Abaeté.

O funileiro ou bate-chapas, ou folheiro, ou latoeiro era o antigo profissional metalúrgico de hoje, que trabalhava na confecção de peças em folhas-de-flandres. O nome remete à fabricação de peças moldadas a partir de chapas metálicas, como os componentes de alambiques, peças em ferro para as embarcações à vapor e, principalmente, na fabricação de peças em funil, daí a origem do nome funileiro, que com o tempo, passou a designar o responsável pela reparação de partes de máquinas e equipamentos em ferro dos antigos estaleiros de carpintaria naval e dos objetos e utensílios usados nas antigas residências e oficinas locais. O funileiro trabalhava aplicando golpes de martelos nas peças fundidas de ferro e trabalhava também com soldagem de peças ou fabricação de equipamentos e consertos de diferentes tipos de máquinas e equipamentos.

OUTRAS OFICINAS DE ABAETÉ:
Ao lado das oficinas de funileiros e ferreiros, existiam muitos outros tipos de oficinas de várias profissões em Abaeté. Nessas oficinas as pessoas exerciam ou aprendiam uma determinada profissão, daí o nome de oficinas. Eram oficinas de funileiros, ferreiros, alfaiates, ourives, marceneiros, carpinteiros, sapateiros, barbeiros, fogueteiros, mecânicos, serrarias, pedreiros, eletrecistas, relojoeiros, etc. que criaram essa peculiar cultura das oficinas. Ultimamente as oficinas de Abaetetuba se especializaram em oficinas de serralharias, oficinas mecânicas para serviços automotivos, oficinas de marcenaria, oficinas para motos, oficinas para bicicletas.

Os mais antigos donos de oficinas de Abaeté estão elencados abaixo e seus descendentes por certo devem possuir guardados muitos materiais, instrumentos, máquinas e utensílios utilizados nessas oficinas que bem poderiam constituir um memorial das oficinas de Abaeté.
Esse acervo poderia ser constituído pelos seguintes instrumentos, máquinas e utensílios:
. Tornos antigos, grandes, médios ou pequenos, usados nas mais diversas oficinas;
. Martelos e martelinhos antigos e variados, usados por funileiros, ferreiros e mecânicos, sapateiros, ourives, marceneiros, carpinteiros, pedreiros;
. Marretas antigas usadas por ferreiros, mecânicos, funileiros, pedreiros;
. Enxadas e enxadecos usados por pedreiros;
. Inchós, espécie de machadinha usados na construção de barcos
. Pás antigas usadas por pedreiros;
. Bigornas antigas, de tamanhos pequenos, médios e grandes usados por ferreiros, marceneiros, mecânicos, ourives;
. Máquinas e instrumentos antigos, de soldas diversas, usadas por ferreiros, funileiros, mecânicos, ourives, eletrecistas.
. Maçaricos antigos, usados por mecânicos, funileiros, ferreiros, ourives.
. Forjas antigas usadas por funileiros, ferreiros, mecânicos para fundir ferro.
. Serrotes antigos e diversos usados por marceneiros e carpinteiros, pedreiros;
. Serras antigas usadas por funileiros, ferreiros, mecânicos, marceneiros, carpinteiros, ourives, serrarias;
. Máquinas perfuratrizes antigas usadas por funileiros, ferreiros, mecânicos, ourives.
. Máquinas lixadeiras antigas usadas por marceneiros, carpinteiros, ourives, mecânicos, sapateiros;
. Alicates antigos e variados usados por funileiros, mecânicos, ferreiros, ourives, marceneiros, carpinteiros, relojoeiros;
. Machados e machadinhas antigas usadas por marceneiros e carpinteiros.
. Formões antigos usados por marceneiros e carpinteiros;
. Chaves antigas diversas usadas por mecânicos, funileiros, ferreiros, ourives, marceneiros, carpinteiros, sapateiros, relojoeiros;
. Chaves de fenda antigas usadas por eletrecistas, marceneiros, carpinteiros, mecânicos, funileiros, ferreiros, relojoeiros;
. Tesouras antigas diversas usadas por alfaiates, barbeiros, ourives, sapateiros;
. Barbeadores antigos ou lâminas de barbear;
. Máquinas antigas de cortar cabelos;
. Fitas métricas antigas usadas por alfaiates, carpinteiros, marceneiros;
. Moldes antigos usados por sapateiros, alfaiates;
. Máquinas de costuras antigas usadas por alfaiates, sapateiros.
. Agulhas de coser antigas usadas por alfaiates;
. Dedais antigos usados por alfaiates;
. Facas de sapateiros antigas.

ANTIGAS OFICINAS E ANTIGOS MESTRES DE ABAETÉ:
Oficinas na antiga Rua Justo Chermont:
. Oficina de funileiro, do Mestre ALBINO ANTONIO ALVES PEREIRA;
. Oficina de ourives, do Mestre FRANCISCO DE PAULA PAES;
. Oficina de sapateiro, do Mestre JORGE PADRE E IRMÃO;
. Oficina de Barbeiro, do Mestre OLYNTHO ROCHA;
. Oficina de alfaiate, do Mestre EUCLIDES PRIMOGÊNITO DE CASTRO;
. Oficina de barbeiro, do Mestre JOÃO BAPTISTA RODRIGUES;
. Oficina de barbeiro, do Mestre AMÉRICO NERY CORDEIRO;
. Oficina de barbeiro, do Mestre VICENTE FERREIRA MACHADO;
. Oficina de alfaiate, do Mestre EGYDIO MARTINS;
. Oficina de barbeiro, do Mestre MANOEL PEREIRA ARACATY;
. Oficina de barbeiro, do Mestre SERGIFREDO JOSÉ CARDOSO;
. Oficina de ferreiro, do Mestre PASCHOAL CAPORAL DE FRANCESCO;
. Oficina de marceneiro, do Mestre FRANCISCO CARLOS MONTEIRO;
. Oficina de ourives, do Mestre RAYMMUNDO NONNATO DE CARVALHO;
. Serraria com officina Veneza, de Garibaldi Parente & Cia.

Na Rua Siqueira Mendes:
. Oficina de marceneiro do Mestre MANOEL PEREIRA DA SILVA:
. Oficina de ferreiro do Mestre LOURENÇO FERREIRA;
. Oficina de alfaiate do Mestre CLAUDOMIRO FERREIRA DIAS.

Na Travessa Santa Luzia:
. Oficina de fogueteiro, do Mestre ERVÉCIO JOSÉ DE CASTRO.

Na Av. Garibaldi Parente:
. Oficina de funileiria, do Mestre ISMAEL AUGUSTO GOMES;

Na Rua Benjamim Constant:
. Mestre RAMIRO PEREIRA DE ARAUJO, veleiro.

Na Av. Aristides dos Reis e Silva:
. Oficina mecânica de ABEL BARROS, em 1947, atual Rua Getúlio Vargas.

. Oficinas e serrarias agregadas a alguns antigos engenhos de cana-de-açúcar de Abaeté.

Após esses primeiros mestres acima, que são do início do século 20, vieram outros profissionais ou famílias de profissionais que deram continuidade a essas profissões, como:
Ferreiros e mecânicos da tradicional família Lobato, descendentes do Mestre CHRIZANTO LOBATO;
. Ferreiros e mecânicos da tradicional família Abreu, descendentes do Mestre ABREU que formou muitos outros ferreiros em Abaeté;
. Mestre ADI SANTOS, ferreiro;
. Mestre CARLITO LOUREIRO, sapateiro, anos de 1930, 1940, que formou a maioria dos antigos sapateiros de Abaeté:
. Mestre STÉLIO, sapateiro, anos de 1930, 1940.
. Mestre LAURO TESTA BRANCA, sapateiro, anos de 1930, 1940;
. Mestre POMBO DA MAROCA LIMA, sapateiro, anos de 1930;
. Mestre FUAN/CLÓVIS BARROS DA SILVA, sapateiro, anos de 1930.
. Mestres BADICO e CADICO, fogueteiros;
. Mestre JOÃO VELEIRO, veleiro.
. Mestre BACURITITA, que repassou a profissão de sapateiro aos seus filhos Alcimar, Coropó e sobrinho Adonai;
. Mestre MÁRIO TABARANÃ, sapateiro, aluno do Mestre Carlito;
. Mestre ABÍLIO SOUZA, sapateiro;
. Mestre DUQUINHA LOBATO, alfaiate, anos de 1950, 1960;
. Mestre EVERALDO DOS SANTOS ARAUJO e a famosa Alfaiataria Araujo, que formou grande parte dos alfaiates de Abaetetuba, anos de 1960, 1970;
. Mestre CANTÍDIO, mecânico;
. Mestre CÉSAR NEGRÃO, mecânico, que trabalhou na antiga Usina Elétrica de Abaeté e como motorista e mecânico dos caminhões da antiga Prefeitura de Abaeté;
. Mestre CHAVES, antigo mecânico da Usina Elétrica de Abaeté, que ficava na esquina da Av. D. Pedro II com a Trav. Pe. Luiz Varela.
. Mestre ROSA LIMA, marceneiro, que repassou a profissão a seus filhos e sobrinhos e também era mestre musical.
. Mestre CAETANO LIMA, ferreiro;
. Mestre CABRITINHO, ferreiro, consertando espingardas;
. Mestre BOLA, ferreiro;
. Mestre BADUÉ, barbeiro, anos de 1940 e 1950;
. MESTRE ARACATY, barbeiro;, anos de 1940 e 1950
. Mestre ANTONIO PAES, barbeiro, anos de 1940 e 1950;
. Mestre TOTÓ SANTOS, mecânico e ferreiro;
. Mestre GILDO DIAS, mecânico e ferreiro;
. Mestre ESTÁCIO SENA DOS PASSOS, alfaiate, músico que tocava contrabaixo. Em 1908 a 1927
. Mestres de Música, vide item sobre música e músicos de Abaeté.
Mestres Carpinteiros Navais e Marceneiros de Abaeté. Vide na continuação desta postagem.

6. O MUSEU DA CARPINTARIA NAVAL E MARCENARIAS DE ABAETÉ

A CARPINTARIA NAVAL E A MARCENARIA EM ABAETÉ:
A construção naval surgiu em Abaeté a partir dos indígenas locais, que precisavam se deslocar ou exercer suas atividades de pescas nos inúmeros rios, igarapés e baias da região. Os primeiros barcos a surgir foram os pequenos cascos, que os indígenas iniciaram a fabricar escavando troncos de determinadas árvores da região, como as árvores chamadas burajubas, já extinta na região.
A partir desses primeiros e rústicos barcos os antigos ribeirinhos de Abaeté iniciaram o aprendizado na construção de outros tipos de pequenas embarcações até chegar a construção de grandes barcos nos numerosos e famosos estaleiros de Abaeté, que constituíram a chamada “carpintaria naval de Abaeté” cuja fama chegou a ultrapassar as fronteiras do Estado do Pará.
A partir daí a arte de construir barcos, lanchas, canoas se desenvolveu sem que houvesse qualquer conhecimento técnico dessa verdadeira arte em Abaeté. A carpintaria naval é uma atividade quase artesanal. Os construtores navais não têm quaisquer estudos técnicos e, no entanto, são capazes de fazer dos pequenos aos grandes barcos. São famílias inteiras que se dedicam à carpintaria naval e essa arte vai passando de pais para filhos como que por herança.
A demanda para a construção dos diferentes tipos de embarcações de Abaeté veio da necessidade do deslocamento das pessoas nas próprias localidades e para a cidade de Abaeté, das atividades de pesca, do transporte de mercadorias para vendas na cidade, como os produtos de roçados, os pescados, os frutos silvestres, os produtos da coleta das florestas e dos produtos das inúmeras olarias e engenhos de cana-de-açúcar da região de Abaeté e das necessárias viagens para Belém/Pa, capital do Estado e do comércio de regatão para as cidades do Baixo Amazonas. Essa demanda para a construção dessas embarcações sustentou durante décadas a carpintaria naval de Abaeté até o fim dos anos de 1980 quando se iniciou o declínio da carpintaria naval no município.
Foram as décadas de 1950 e 1960 que a carpintaria naval em Abaeté experimentou o seu apogeu, existindo mais de 20 estaleiros para a fabricação dos mais variados tipos de barcos de madeira. Essas oficinas construíam através de projetos intuitivos e manualmente os barcos, sem planta, sem cálculos matemáticos sofisticados, usando-se apenas a intuição na fabricação das pequenas às grandes embarcações. Eram canoas grandes à vela, iates e barcos à motor que eram feitos sob encomenda, construídos para toda a região do Baixo Tocantins, Belém, Baixo Amazonas e Marajó. Nossos construtores de barcos com o conhecimento apenas intuitivo desenvolveram uma técnica de construções que perdura até os dias de hoje, passando de geração em geração de famílias inteiras. Vide abaixo alguns carpinteiros navais de Abaeté.
A carpintaria naval de Abaeté se tornou respeitável pela segurança e estilos dos barcos que tornaram o município uma referência na construção naval.
Os barcos eram o meio de transporte mais usados na região amazônica, responsáveis por 45% do abastecimento das feiras de Belém e quase 100% de algumas cidades da Ilha do Marajó. Dezenas de viagens são feitas diariamente, interligando municípios das várias regiões do Pará entre si e com a capital do Estado e com cidades de outros estados amazônicos. Esses barcos transportavam passageiros e mercadorias diversas, navegando por igarapés, rios, baías e levando às comunidades ribeirinhas os bens de consumo fabricados em centros distantes. Esse tipo de trabalho é fundamental para essas comunidades e garante o ofício dos construtores navais, que até os dias atuais teimam em sobreviver. Apesar de todo o avanço tecnológico, ainda é possível encontrar pequenos armadores navais às proximidades das cidades ribeirinhas.
Em Belém/Pa muitos tipos de barcos da navegação fluvial do Pará estão expostos em pontos turísticos como: Mangal das Garças, São José Liberto e outros museus.

ESCOLA DE MESTRES CARPINTEIROS NAVAIS E MARCENEIROS DE ABAETÉ:
Escola da Localidade Caripetuba, Município de Abaeté:
Mestres Carpinteiros e Marceneiros da Família Rodrigues:
A localidade Caripetuba foi uma das maiores escolas da carpintaria naval e marcenaria de Abaeté. Um dos primeiros mestres carpinteiros e marceneiros do Caripetuba foi o mestre João Batista Rodrigues. Ele era originário dessa localidade. Durante alguns anos foi trabalhar para um rico senhor de Curralinho/Pa, cidade da Ilha do Marajó, chamado de Capitão Eduardo, para quem construiu várias embarcações e desenvolveu outras atividades de carpintaria e marcenaria naquele lugar.

O Mestre João Batista repassou a sua profissão de carpinteiro naval e marceneiro ao seu filho Manoel de Nazaré Rodrigues/Mestre Lelé, que também construiu várias embarcações em Abaeté, sendo o barco Tamoios construído para o Sr. Nápoles, de Abaetetuba, que foi um dos primeiros construídos pelo Mestre Lelé. Além de carpinteiro naval, o Mestre Lelé se tornou um dos maiores marceneiros de Abaeté, tendo repassado essas profissões a muitos de seus filhos, netos e sobrinhos, como os mestres: Sandoval, Sinhuquinha, Sinhôzinho, Zé Maria, Carlos, Guilhito, Newton/Esperguete, Zilico, Geraldo, Lelézinho e outros. Muitos membros dessa família se mudaram do Caripetuba para Abaeté e Belém e seus trabalhos são admirados na arte da marcenaria e carpintaria.

Mestre Esperguete/Newton Rodrigues, sobrinho do Mestre Lelé, veio do Caripetuba e se fixou como carpinteiro naval em Abaetetuba/Pa e trabalha nessa profissão até os dias atuais.
Zilico/João Batista Rodrigues, que é irmão do Mestre Esperguete, dono do Estaleiro São José, estava com 63 anos em 2002. No seu estaleiro fabricou centenas de barcos, como: canoas pequenas, canoas à vela, bajaras, batelões e outros barcos maiores como iates, gaiolas, etc. As encomendas de batelões atendiam às demandas da muitas olarias e engenhos do município. Com o declínio das olarias e dos engenhos, veio o declínio dos estaleiros, restando somente alguns em atividade.

Escola da Localidade Arumanduba, de Abaeté/Pa:

Mestres Carpinteiros e Marceneiros da Família Silva:
Mestre Zé Guilherme/José Guilherme da Silva, carpinteiro naval e marceneiro, que repassou a profissão ao seu filho, Mestre João Domingos/João Domingos da Silva, que por sua vez repassou a profissão aos seus filhos Vadoca, Miguel 7 e outros filhos e sobrinhos e estes aos seus respectivos filhos.
O Mestre Zé Guilherme construiu as primeiras embarcações para os grandes comerciantes e donos de engenhos de Abaeté e entre estes:
Iate São Miguel, para Miguel Matos, comerciante e dono de Engenho;
Iate Rio de Janeiro, para Àlvaro Matos, comerciante e dono de engenho e irmão de Miguel Matos;
Barco Santa Margarida, para Murilo Carvalho
Os mestres Zé Guilherme e seu filho João Domingos, na marcenaria, desenvolveram o difícil ofício de taileiros, isto é, construtores de dornas (grandes tonéis em madeira usados no processo de fabricação de cachaça) para os engenhos de Abaeté/Pa. Eles intuitivamente descobriram os segredos para a fabricação desses grandes tonéis e a madeira apropriada para essa fabricação. Até então as dornas eram importadas de outros estados produtores de cachaça.
O Mestre Zé Guilherme faleceu por volta de 1950, tendo formado toda uma geração de mestres carpinteiros navais e marceneiros de Abaeté.
Mestre João Domingos/João Domingos da Silva, casou com Andradina André, uma irmã de Orêncio Barbosa André.
Além de embarcações os mestres Zé Guilherme, João Domingos e seus filhos construíram inúmeras casas e instalações dos antigos de engenhos de Abaeté. As instalações em madeira de um engenho demoravam meses para serem concluídas, devido a complexidade dessas construções, que incluíam casas para as famílias, alojamentos para trabalhadores e empregados domésticos, capelas, barracões para as máquinas, pontes, embarcadouros.

Mestres Carpinteiros e Marceneiros da Família Barreto:

A família Barreto do Arumanduba forneceu grandes mestres carpinteiros navais e marceneiros de Abaeté: como os mestres: Miguel, Rosa, João, Bráulio Barreto e seus respectivos filhos e netos.
Miguel Barreto se mudou para a cidade de Abaetetuba e se tornou especialista na construção de barcos de passeio para turistas e endinheirados da região.

Além desses mestres carpinteiros e marceneiros acima, são da localidade Arumanduba:
Mestre Napoleão
Mestre Batico
Mestre Antonio Pereira
Mestre Valentim Pereira

Mestres Carpinteiros e Marceneiros da Família Sena, da Cidade de Abaeté:

Mestre Horácio Sena, que foi um dos pioneiros na construção naval na cidade de Abaeté, com um estaleiro situado às margens do Igarapé Cafezal. Ali uma grande quantidade de embarcações foram construídas, especialmente as antigas canoas grandes à vela. As ferramentas desse e de outros mestres carpinteiros navais de Abaeté, eram as mais rústicas possíveis, como machados, terçados, facões, usadas por Horácio Sena, seus filhos e seus trabalhadores. Não havia ferramentas como as de hoje e tudo era feito artesanalmente. Grandes pranchas de piquiá ou outras toras de madeiras como o louro eram moldadas e talhadas com um simples machado. Esse tipo de trabalho, com o tempo, foi se modernizando e Abaeté ganhou fama no Estado do Pará e do Brasil como um grande pólo da carpintaria naval da Amazônia.
Mestre Horácio Sena Filho, era carpinteiro naval e tocava bombardino na Banda Carlos Gomes, no tempo do Mestre Chiquinho Margalho.

Mestres Carpinteiros e Marceneiros da Família Margalho, da Cidade de Abaeté:

Mestre Simeão Margalho, era um antigo carpinteiro naval de Abaeté, do início do século 20. Seus filhos e sobrinhos herdaram a profissão de carpinteiros navais. Entre seus descendentes, se destacaram na carpintaria naval de Abaeté:
Mestre Simeão da Gama Margalho que repassou aos seus filhos a profissão: Coriolano/Coló, Miguel/Guilhito, Benedito, Manoel da Vera Cruz/Duquinha, Climax (gêmeo com Coló), Lilico, João/Tirinha.
Coriolano da Gama Margalho/Coló, nasceu no dia 7/1/1931 e casou com Lucimar Trindade Margalho, no dia 30/5/1953, e alguns de seus filhos herdaram a profissão do pai. Trabalhavam no telheiro de Coló, na carpintaria naval: Guilhito, Duquinha, Tirinha e outros irmãos de Coló. Ele e sua equipe construíram dezenas de embarcações para Abaeté, Ilha do Marajó, Belém e outros lugares.
Em 31/3/1994, quando esta entrevista foi feita com o Mestre Coló e os seus descendentes, estes ainda desenvolviam essa atividade em Abaetetuba.
O Mestre Coló dizia que a carpintaria naval era uma profissão em extinção em Abaeté, devido os seguintes fatores:

A chegada de outros tipos de transportes mais modernos e fabricadas com materiais, que não a madeira, vindos de centros industriais mais desenvolvidos, como: as “chatas” e seus possantes empurradores; os iates de pesca fabricados em ferro e mais apropriados para a pesca em alto-mar; as lanchas voadeiras, embarcações mais rápidas que as fabricadas em Abaeté, vindas de outros centros industriais;
A quase extinção do comércio de regatão, devido a concorrência dos produtos industrializados que substituíram os produtos do comércio de regatão;
A falta de madeira que é a matéria-prima na fabricação das embarcações de Abaeté, que agora vinham de outras regiões do Pará e com preços altíssimos que dificultavam sua aquisição;

Mestre Guilhito Margalho foi embora para Belém-Pa e mora no Bairro do Telégrafo.

ALGUNS ANTIGOS BARCOS CONSTRUÍDOS PELO MESTRE COLÓ MARGALHO E SEUS IRMÃOS:

Iate Abaeté, barco geleiro, para Caboquinho Ribeiro;
Quatro iates geleiros, para Calça Preta/Mimi;
Um iate geleiro, para Into Pamplona, da Ilha do Marajó.
Dois iates boieiros (para transporte de bois), para Chiquinho Boulhosa, Ilha do Marajó.
Um iate geleiro, para Vigiano.
Um iate geleiro, para Cecé Paes.
Três barcos geleiros, para Pedrinho Ribeiro.
Um barco geleiro, para José Ferreira, de Macapá.
Dois barcos geleiros, para Cabeludo Negrão, de Belém.
O barco geleiro Daniel, para Bena Negrão;
A lancha “São Benedito de Gurupá”.
Um iate de nome Tupã, para Vadico Mantegueira/Vadico Silva, hoje proprietário da Marisqueira Porto;
O iate geleiro “Solano”, para Didi Solano.
O barco “São Cláudio”, para João Figueiredo.
O barco “Pinga”, para a cidade de Cametá.
O geleiro “Camotim”, para Vadico Ribeiro.

Continuação dos Mestres Carpinteiros Navais e Marceneiros de Abaeté:
Mestre Augusto, carpinteiro naval em Abaetetuba, com um estaleiro no antigo bairro do Cafezal.
Mestre Brás
Mestre Timóteo
Mestre Velho Zé Margalho
Mestre Diquinho
Mestre Márcio
Mestre Astrogildo
Mestre Chibiu.
Mestre Deonato
Mestre Milor, irmão de Deonato.
Mestre Emílio
Mestre João Mapará

PRINCIPAIS TIPOS DE EMBARCAÇÕES PRODUZIDAS PELA CARPINTARIA NAVAL DE ABAETÉ:































Cada tipo de embarcação produzida em Abaeté tinha sua forma característica e seu uso definido, conforme detalhado abaixo:

OS CASCOS:
Cascos eram as rústicas, pequenas e estreitas embarcações que eram talhadas de uma tora de árvore, que podia ser de louro vermelho ou angelim, com apenas uma ou duas peças de madeira e que servia no transporte de poucas pessoas e movimentados à base de remos. São embarcações usadas em pescarias e deslocamentos pelos igarapés e rios locais. A tora para fazer um casco era escavada e depois atracada com pedaços de madeira, cordas ou cipós para secar. Após esse primeiro processo se partia para os acabamentos finais.

AS MONTARIAS:
Montarias são pequenas canoas, porém maiores e mais largos que os cascos e construídas com várias peças de madeira, movimentadas à remos, velas e até motores e que serviam no transporte de poucas pessoas e mercadorias, atividades de pescas. As canoas que recebiam pequenas velas de pano grosso eram denominadas “caricacas”. Nas suas contruções eram usadas as mesmas espécies de madeira que as dos cascos, especialmente a madeira itaúba.

OS BOTES:
Botes eram pequenas embarcações, porém mais altos e fundos que cascos e montarias, feitos de madeira, movimentadas à remo e com as mesmas finalidades dos cascos e montarias. Os botes, montarias e cascos estão rareando na região devido o aparecimento das modernas “rabetas”, que são compridas canoas motorizadas e, portanto, mais rápidas que as embarcações movimentadas à remo. Estas são usadas apenas á nível de localidades no deslocamento de pessoas e nas pescarias e já viraram peças culturais valiosas de museus. Vide os museus do Mangal das Garças, de São José Liberto, em Belém/Pa.

OS BATELÕES:
Pela necessidade do transporte dos tijolos e telhas produzidas nas antigas olarias de Abaeté, como também pela necessidade no transporte de lenhas e feixes de cana-de-açúcar para os antigos engenhos de Abaeté, surgiram as embarcações chamadas batelões e suas variações.
Os antigos batelões eram barcos construídos em madeira, sem cobertura (toldo), com um porão fundo para receber mercadorias e eram movimentados com um ou dois remos de faias, no “jingo”, isto é, coordenadamente ou rebocados por outros tipos de embarcações.
Posteriormente, nos engenhos, os batelões, serviram também no transporte de mercadorias, especialmente as “frasqueiras” de cachaça, mel de cana e os próprios feixes de lenhas e feixes de cana para a cidade. Quando o usineiro ou comerciante tinha muita mercadoria para transportar, ele colocava vários batelões, em fileiras, um na polpa do outro, que eram rebocados por barcos mais potentes, como canoas grandes, lanchas ou barcos motorizados.

OS REBOQUES:
Os reboques eram embarcações construídas em madeira, para transportar mercadorias. Existiam vários tipos de reboques. O toldo dessas embarcações era feito com palhas (pano de palha) e talas de miriti e eram movimentadas por um remo de faia que ficava na frente da embarcação. Porém existiam reboques que possuíam dois remos de faia, que eram remos grandes de até 12 palmos. Anos depois apareceram as canoas reboques movidas à vela. Os reboques que traziam mercadorias da cidade de Cametá, especialmente o peixe mapará, eram maiores que os de Abaeté e eram chamados de “regatão”, dando origem ao comércio de regatão, muito comum nestas regiões.
As viagens em reboques para Belém duravam uma semana, com paradas para descanso nas localidades de Vila de Beja, Vila de Conde, Vila de Itupanema, Nossa Senhora do Tempo.

AS BALIEIRAS:
Essas pequenas embarcações começaram a ser fabricadas no Baixo Amazonas, em madeira e eram transportadas nos barcos do comércio de regatão. Quando os barcos chegavam a determinados lugares, de difícil atracação, as mercadorias eram transportadas dos barcos para os ancoradouros messas balieiras. As balieiras eram geralmente construídas com a madeira da árvore de itaúba por ser madeira abundante na região e leve.

AS CANOAS GRANDES:
A chamada canoa grande à vela ou canoa veleira começou a ser construída em Abaeté no início do século 20, por volta dos anos de 1905, 1906. Com o desenvolvimento da carpintaria naval em Abaeté as canoas grandes começaram a ser construídas em tamanho maior para receber velas também maiores e se tornarem mais velozes e receber maior quantidade de mercadorias a ser transportadas.

A canoa grande à vela se tornou o mais comum dos barcos de Abaeté e esse tipo de embarcação reinou absoluta durante dezenas de anos no transporte de mercadorias e pessoas, inclusive para Belém/Pa e elas foram elementos importantes no início do comércio de regatão para a Ilha do Marajó. Uma viagem para Belém em uma canoa grande à vela demorava 12 ou mais horas de viagens. E esse era o meio de transporte mais acessível para os mais pobres de Abaeté no deslocamento da rota Abaeté-Belém e vice-versa até os anos de 1960, quando surgiram as primeiras estradas de rodagens de Abaetetuba, que vieram facilitar os deslocamentos das pessoas para Belém.
Todo grande dono de engenho ou comerciante de Abaeté possuía a sua canoa grande. Eram tantas as canoas grandes à vela, que além dos profissionais carpinteiros navais que as fabricavam, deu origem ao profissional chamado veleiro, que fabricava velas para suprir essas embarcações. Muitas casas de comércio de Abaeté também vendiam essas velas em suas casas comerciais. Fabricar velas era um ofício pesado, que exigia muito esforço físico na confecção das mesmas devido o tamanho, o peso e o tipo de tecido que era muito grosso, dificultando o manuseio em sua fabricação em trabalho manual. Depois de prontas essas velas tinham que ser tingidas pelas tintas artesanais extraídas de vegetais como:

Tinta da casca de genipapeiro, uma planta regional, que fornecia uma tinta marron;
Tinta do vegetal areuareua;
Tinta do vegetal anileira.
As canoas grandes eram muito usadas nas atividades comerciais do município e algumas pessoas as usavam na atividade de fretes, principalmente nas rotas: Abaeté-Belém, Abaeté-Ilha do Marajó, Abaeté-Cametá e vice-versa.
As canoas grandes eram construídas em madeira, tendo um grande porão para receber as mercadorias a serem transportadas. Os primeiros donos de canoas freteiras em Abaeté, foram:
Emygdio Nery da Costa Sobrinho, com a canoa à vela de nome “Cisne”, em 12/3/1906.

Outras Antigas Canoas Freteiras do Interior do Município, ano de 1922:

No Rio Jarumã:
João Baptista Lobato;

Na Costa Maratauíra:
Delmiro de Almeida Nobre;

No Rio Tucumanduba:
Capitão João dos Reis e Silva, com a canoa Brazileira;
Aristides Silva e Cia., Canoa Elegante.

No Tauerá de Beja:
Ramiro Pereira de Araujo, que fazia viagens para a Ilha do Marajó e Baixo Amazonas.

Canoas na Séde do Município de Abaeté:
Canoa Madrugada, de Emiliano de Lima Pontes. Vide Genealogia da Família Pontes, Emiliano de Lima Pontes.

Após o surgimento das primeiras canoas grandes mencionadas acima, muitas outras vieram, como as famosas canoas dos anos de 1960, 1970:
Canoa “Cidade de Abaeté”, de Emiliano Pontes. Vide genealogia da família Pontes;
Canoa “Lira Gonçalves”, de Juvenal Gonçalves.
Canoa “Laíde”, de Antonio Sena.
Canoa “Mocinha”, do Mestre Cantidiano. que junto com a canoa “Cidade de Abaeté”, de Emiliano Pontes, supriam o comércio de Abaeté de mercadorias trazidas de Belém/Pa.
Canoa “Oblata”, de Vicente Gama, que viajava para o Marajó, no transporte de gado.
Etc.

AS BAJARAS:
Alguns pequenos barcos de Abaeté, construídos em madeira, começaram a receber no seu meio uma cobertura chamada de toldo, este construído em madeira ou palha e esses barcos, inicialmente, eram movimentadas à remos e que evoluíram para velas e, finalmente, passaram a ser movimentados por motores movidos à óleo diesel.
Esses pequenos barcos ainda existem em abundância na região e são denominadas de “bajarás” e muitos estão à disposições de fretamentos com finalidades variadas.
Mas normalmente essas embarcações eram usadas no transporte de mercadorias e no deslocamento de pessoas. Como os motores dessas embarcações possuem um longo eixo rotatório que fica acoplado ao motor e como esses eixos não possuem uma proteção ou cobertura, se iniciaram na região os acidentes por escalpelamentos de mulheres com cabelos compridos, isto é, quando os cabelos compridos das mulheres prendiam e enrolavam nos eixos dos motores, essas mulheres tinham os cabelos e parte do couro cabeludo arrancados da cabeça, pela força de movimentação dos eixos dos motores.

AS ALVARENGAS:
As alvarengas não eram embarcações fabricadas em Abaeté. Porém, por longos anos, fizeram parte do cenário da navegação local no transporte de cargas e mercadorias para Belém/Pa e muitas pertenciam ao antigo SNAPP, empresa de navegação do Governo do Estado. As alvarengas eram um tipo antigo de balsa, que possuíam um porão fundo onde eram colocadas as mercadorias a serem transportadas, especialmente na forma as toras e peças brutas em madeira, lenha, sementes oleaginosas, feixes de cana-de-açúcar e outras mercadorias do extrativismo local. As alvarengas eram movimentadas por reboques das chamadas lanchas.

AS LANCHAS E IATES À VAPOR:
As lanchas eram embarcações usadas principalmente no transporte de passageiros e a madeira utilizada para sua construção era, principalmente, o piquiá, o angelim vermelho, a sucupira amarela, itaúba e até o cumaru. Ipês também eram usados na construção de lanchas e barcos-motores.
Inicialmente as LANCHAS foram construídas em madeira e movidas à vapor pela queima de lenha. Seus cascos eram devidamente adaptados para receber as máquinas e a caldeira à vapor e esse maquinaria eram cobertas com um toldo. Algumas lanchas eram importadas e com parte de sua estrutura em ferro e eram muitos velozes, possuindo potentes sirenes (apitos) e, basicamente, serviam no transporte de pessoas e no reboque de batelões e alvarengas repletas de mercadorias. Uma lancha, por ser um barco muito mais veloz que os demais barcos fluviais de Abaeté, levava aproximadamente 6 horas em uma viagem na rota Abaeté-Belém e vice-versa.
Os IATES eram embarcações construídas em madeira, com proa “corta-água”, para facilitar o seu deslocamento. Antes eram movidos à vela e depois evoluíram para máquina à vapor. Transportavam de tudo: peixe, gado, mercadorias, pessoas.

Uma das velas dos antigos iates era chamada de “bujarrona” e ficava na proa da embarcação, que servia na orientação dos iates. Existiam iates bivelas, trivelas.
Oscar Solano/ Oscar Solano de Albuquerque, que foi um dos primeiros a fazer viagens para o Baixo Amazonas em comércio de regatão, viajando em um iate à vela de dois mastros, portanto, bivela, denominado Estrela do Mar, onde o maior carregamento era o de cachaça e borracha. Na volta trazia pirarucu salgado e filé de outros peixes do Rio Amazonas.
Barco Santo Elias, de Elias Félix, que fazia viagens para Belém, no ano de 1920.
Barco Pérola do Mar, de Agapito Luz, comerciante em Abaeté, em 1927.
Vapor “São Pedro”, ano de 1927, de José Saul, que fazia a linha Cametá-Abaeté-Belém e que em Abaeté fazia o embarque/desembarque no Trapiche do mesmo José Saul, conhecido comerciante português local.
Lancha Neci, de Nezito Guimarães Rodrigues;
Lancha Gaivota, do comerciante e dono de engenho português, José Joaquim Nunes. Posteriormente essa lancha foi vendida para a Prefeitura Municipal de Abaetetuba, tendo a pilotá-la o Sr. Hildefrides dos Reis e Silva.
Lanchas Tucumanduba e Cardosinha, do rico dono de fazenda-engenho, Coronel Maximiano Guimarães Cardoso.
Lancha Vitória
Lancha Auxiliadora, do Coronel Aristides dos Reis e Silva, comerciante e político local.
Lancha Santana.
Vapor Muruzinho, 1927.

Barcos de Empresas do Estado do Pará:
Outro modo de se chegar à capital do Estado, Belém/Pa, a partir dos anos de 1940, era através dos barcos e navios de empresas do Governo do Estado. Essas embarcações não eram construídas em Abaeté, mas faziam parte do cenário de navegação do município. Porém, nem sempre essas embarcações paravam no Trapiche Municipal, quando voltavam das viagens para a cidade de Cametá/Pa e as pessoas que precisavam viajar para Belém ficavam literalmente “a ver navio” passar. Eram barcos das empresas:
ENASA-Empresa de Navegação da Amazônia, do Governo do Estado, possuíam embarcações tipos chatas que faziam a rota Belém-Cametá e vice-versa, com paradas em Abaetetuba.
SNAPP-Serviços de Navegação da Amazônia e de Administração dos Portos do Pará, com seus navios, rebocadores, chatas e alvarengas movidos à vapor de lenha, nos anos de 1940 em diante, com a mesma rota das antigas chatas e com paradas em Abaetetuba. Essas viagens eram semanais no transporte de cargas e passageiros.

Alguns navios:
Netuno
3 de Outubro.

OS BARCOS MOTORES DE ABAETÉ:
Os barcos movidos à motor à base de óleo diesel, eram chamados barcos-motores (B/M) e eles começaram a ser construídos em Abaeté a partir do fim dos anos de 1930 e início dos anos de 1940 e foi a construção desses barcos construídos em madeira que deu um impulso extraordinário à carpintaria naval de Abaeté.
Esses barcos serviam no transporte de mercadorias e pessoas na rota Abaeté-Belém e vice-versa e no comércio de regatão, que a partir do uso desses barcos também teve um grande impulso na região. Alguns antigos barcos de Abaeté:

Barco Peri, de Edir Paes. Esse barco, depois de centenas de viagens, na rota Abaeté-Belém e vice-versa naufragou e no acidente, morreram algumas pessoas;
Barco Deputado Gantus;
Barco 21 de dezembro
Barco São Benedito de Jesus
Barco Caliandares.
Barco São Cláudio de João Figueiredo.
Barco Sagrado Coração de Jesus;
Barco Rio Guajará;
Barco Rio Branco;
Barco Dias da Silva, que durante muitos anos fez viagens na rota Abaeté-Belém e vice-versa, no transporte de mercadorias e passageiros;
Barco Carisma, de propriedade de Antonio Paes, que se tornou o dono da rede de supermercado “Carisma”, em Belém, nos anos de 1970.
Barco Clodóvio, de Chiquinho Ferreira. Essa foi a embarcação que trouxe para Abaeté/Pa, no dia 7/3/1953 as primeiras irmãs capuchinhas que vieram fundar uma escola para moças em Abaeté.
Barco Pedrinho, motorizado.

Alguns barcos de Garibaldi Parente, rico industrial e comerciante de Abaeté:
Barco Garibaldi
Barco Sílvio Romero
Barco São Timóteo

Em 1950 existiam 20 embarcações motorizadas registradas em Abaeté/Pa. Em 1970 esse número já estava quintuplicado, sendo que a maioria desses barcos saíram dos inúmeros estaleiros de Abaetetuba/Pa. Essa foi a fase áurea da carpintaria naval de Abaetetuba.

Alguns Famosos “Pilotos” de Embarcações de Abaeté:

Ninito Guimarães,
Diquito,
Frutuoso,
Humberto Lima,
Clodoaldo Cardoso.

ALGUNS COMERCIANTES MARÍTIMOS DE ABAETÉ, DO COMÉRCIO DE REGATÃO:
Oscar Solano. Vide iates, acima.
Sinhuca/Hildefrides dos Reis e Silva, que tornou-se comerciante marítimo viajando no barco “São Cláudio”, de João Figueiredo, em viagens para o Baixo Amazonas, no comércio de regatão, onde foi um dos pioneiros nesse tipo de comércio.
João Fonseca, que foi um dos pioneiros no comércio de regatão em Abaeté, viajando em embarcação à vela;
Chico Sena foram também pioneiro no comércio de regatão para o Baixo Amazonas, viajando em embarcação à vela.
Juruti Fernandes.
Cazuzinha Quaresma.
Zulmirinho Quaresma.

TIPOS DE MADEIRAS-DE-LEI USADAS NA CARPINTARIA NAVAL DE ABAETÉ:
As árvores que forneciam as madeiras abaixo, devido as derrubadas indiscriminadas dessas espécies da flora, durante dezenas de anos, sem o devido replantio, já estão extintas na região:
. Piquiá, é a madeira que sustenta o forro dos cascos das embarcações e o piquiazeiro, árvore que fornece essa madeira, já está em extinção em Abaeté.
. Andiroba
. Pracuúba
. Acuri
. Mangabarana
. Itaúba
. Sapucaia
. Angelim vermelho
. Sucupira amarela
. Cumaru
. Ipê amarelo

UTENSÍLIOS, MATERIAIS E FERRAMENTAS USADOS NA CONSTRUÇÃO NAVAL DE ABAETÉ:
. Pregos
. Parafusos
. Tintas, antigamente eram artesanais;
. Inxó ou formão
. Serras e serrotes
. Machados
. Martelos
. Estopas
. Furadeiras manuais

ALGUMAS TÉCNICAS USADAS PARA A CONSTRUÇÃO DE BARCOS DE MADEIRA EM ABAETÉ:
Escolha das madeiras;
Aferimento intuitivo da tonelagem ou tamanho do barco;
Quantidade de andares;

Finalidade da embarcação, como:
• Barcos geleiro, usados no comércio de peixes;
• Barcos boaideiro, usados no comércio de gado bovino;
• Barcos pesqueiros, usados na pesca em alto-mar;
• Barco de comércio de regatão, com grandes porões para acondicionamentos de mercadorias diversas;
• Barcos de passeios, usados em viagens de turismo ou pelas famílias abastadas de Abaeté;
• Barcos de transporte de passageiros (gaiolas), em cujo convés eram amarradas as redes dos passageiros mais pobres e uso de camarotes pelos mais abastados financeiramente. O porão dos barcos de passageiros era usado para o transporte de cargas. Existiam barcos gaiolas que possuíam de um a dois andares.

Forma do barco e o seu talha-mar
Tempo de duração da construção, que demandava mais de 6 meses de trabalho, quando os barcos eram de grande porte.
Montagem da “espinha” do barco, que é a estrutura que ia receber o casco da embarcação.

PARTES DE UM BARCO:
Proa, parte da frente do barco;
Popa, parte traseira do barco;
Tolda, é uma espécie de cobertura dos barcos;
Porão, lugar onde se guardavam as mercadorias transportadas pelos barcos;
Sala de máquinas, que era o local onde ficava assentados os motores do barco e com um “maquinista”, no controle dessas máquinas;
Cabine, que é um espaço existente na proa dos barcos e onde existe o timão do barco e o seu respectivo piloto (comandante);
Convés, que é uma espécie de assoalho dos barcos, embaixo do qual está o porão e a sala de máquinas.
Casco, que é a estrutura do barco que entra em contato com a água e que faz com que o barco flutue e navegue pelos igarapés, rios e baías da região.
Além dessas partes, um barco possuía uma tripulação, formada por:
Um piloto ou comandante do barco e um imediato que poderia substituir o comandante em faltas eventuais;
Um cozinheiro;
Um maquinista;
E outros embarcadiços para realizar os diversos serviços que a embarcação exigia.














Prof. Ademir Rocha, de Abaetetuba/Pa, em 2/6/2010

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