Mapa de visitantes

quarta-feira, 2 de junho de 2010

Turismo 4, Cultura e Meio Ambiente em Abaetetuba

Turismo 4, Cultura e Meio Ambiente em Abaetetuba



MUSEUS PARA ABAETETUBA/PA

 


Arapuca feita de miriti
Arapuca, esteira e outros artefatos feitos de miriti



Barcos

 




 
Esta é uma homenagem ao Dia Mundial do Museu, festejado em 18/5/2010.

ABAETETUBA/PA não possui nenhum MUSEU, apesar de sua rica e diversificada HISTÓRIA-MEMÓRIA CULTURAL. Esperamos que estes escritos abram os olhos de pessoas que possam se interessar pelos assuntos abordados e assim, de alguma forma, ajudar na preservação de alguns aspectos de nossa HISTÓRIA ECONÔMICA e alguns aspectos de nossa MEMÓRIA CULTURAL, conforme abaixo exemplificados.

Nós já tivemos um ciclo econômico em que a INDÚSTRIA CANAVIEIRA sustentou por décadas o desenvolvimento de Abaeté, quando a cidade chegou a ser conhecida nacionalmente por “CIDADE DA CACHAÇA” e nada mais natural do que se implantar o “MUSEU DA INDÚSTRIA CANAVIEIRA DE ABAETÉ”.
Abaixo reportagem sobre os antigo Engenhos de Abaetetuba
Abaixo um garrafão para acondicionar a cachaça de
Abaeté. Os garrafões eram chamdos de 'frasqueiras'
E como na mesma época da indústria canavieira existiram também inúmeras OLARIAS colaborando no desenvolvimento econômico de Abaeté, produzindo telhas e tijolos que eram exportados para a capital do Estado e outras cidades, atividade que ajudou a sustentar dezenas de famílias abaeteenses durante décadas, também se justificaria a implantação de um “MUSEU DA INDÚSTRIA CERÂMICA DE ABAETETUBA.
Abaixo temos foto de uma das mais de 200 olarias de Abaetetuba
da década de 1980

A CULTURA RIBEIRINHA é rica e diversificada em vários aspectos, originando uma peculiar cultura que inclusive influenciou nos hábitos e costumes da então cidade de Abaeté e, por isso, se criaria um museu chamado “MUSEU DO RIBEIRINHO DE ABAETETUBA” e, pelos mesmos motivos, se criaria o “MUSEU DOS COLONOS DE ABAETETUBA”.
Abaixo temos a réplica em miriti de uma casa
ribeirinha ladeada por objetos dessa peculiar
cultura

No início do século 20 a então cidade de Abaeté possuía inúmeras FUNILARIAS E 'OFIFICINAS'” que sustentaram, por décadas, tradicionais famílias abaeteenses seria justo se criar um “MUSEU DAS ANTIGAS OFICINAS DE ABAETETUBA.


Em Abaetetuba surgiu intuitivamente uma atividade econômica que também se destacou no cenário econômico do município e que levou a cidade a ser um dos pólos da CARPINTARIA NAVAL DA AMAZÔNIA e que destacou no cenário regional verdadeiros mestres dessa profissão que também sustentou famílias inteiras de abaeteenses que se dedicavam a esse ofício. E por isso seria interessante se instalar na cidade um museu chamado “MUSEU DA CARPINTARIA NAVAL DE ABAETETUBA”.

A partir do fim do século 19 e principalmente no início do século 20 as ARTES começaram a fazer parte da história do município de Abaeté/Pa, através dos inúmeros clubes voltados às Artes Cênicas, das Artes Musicais e outras nobres artes que despontaram na sociedade abaeteense. Porém, foram as ARTES MUSICAIS que dominaram o cenário artístico do município por mais de um século, com a presença dos clubes musicais com suas bandas e 'jazzes', dos conjuntos musicais e a presença de inúmeros e notáveis 'Mestres Musicais'  abaeteenses. E por essas razões se criaria o MUSEU DAS ARTES DE ABAETETUBA. Vide postagens sobre as artes cênicas, musicas e músicos de Abaeté.

E como a história da cidade de Abaetetuba se iniciou no século 18 concomitante à história da presença da Religião Católica no município, nada mais natural que se implantasse um museu chamado de “MUSEU DAS ARTES SACRAS E DA RELIGIOSIDADE POPULAR DE ABAETETUBA”, que trataria da História da Igreja Católica em Abaeté, das imagens e objetos sacros e dos demais materiais, objetos e utensílios usados na característica Religiosidade Popular que nasceu em Abaeté a partir das devoções aos Santos Populares, das celebrações religiosas populares, assim como trataria da inúmeras igrejas, festas e antigos grupos católicos locais.
Os 'Codões de Boi' tiveram seu auge desde os anos de 1900
até os anos 1970 em Abaetetuba. Abaixo temos algumas
figuras de bois que foram elementos de destaque da chamada
'Quadra Junina' de Abaetetuba, que festejavam os Santos Populares
nessa quadra festiva.

Só com a criação desses MUSEUS e outros é que se poderia conservar a HISTÓRIA E MEMÓRIA CULTURAL DE ABAETETUBA. Se esse resgate não for feito, só teremos lembranças de nossa antiga história e cultura, que inevitavelmente se perderão no decorrer dos tempos modernos, até serem definitivamente esquecidos de nossas memórias, devido não termos lugares apropriados para a conservação dessas riquezas culturais. Ainda existe tempo para o resgate material dessa história.

Um exemplo prático disso é o que se fez recentemente em Belém do Pará, onde uma parcela significativa do acervo cultural daquela cidade e do Pará que foram resgatados e estão colocados em exposição e visitação pública em vários locais revitalizados de nossa Capital como: São José Liberto, que inclusive apresenta aspectos da cultura ribeirinha do Pará, a Igreja de Santo Alexandre, que mostra as Artes Sacras de Belém, a Casa das Onze Janelas e sua rica arquitetura, o Mangal das Garças, com um rico acervo que inclui também a fauna e flora e a cultura ribeirinha e outros prédios onde se podem visualizar aspectos da rica cultura paraense.
Abaixo temos a cachaça de Abaetetuba devidamente
'empalhada' com talas e cipós e fibras amazônicas
Abaixo temos uma olaria remanescentes das mais de
200 já existentes em Abaetetuba

O Museu da Indústria Canavieira de Abaeté, o Museu da Cerâmica de Abaeté e o Museu do Ribeirinho de Abaeté, ficariam situados na Região das Ilhas de Abaeté ou Zona Ribeirinha.
Abaixo temos as RUÍNAS de nosso último engenho
da nossa importante Indústria Canavieira que poderia
ser revitalizado e ali se implantas hum complexo de
museus, conforme citado acima que, certamente, atrairia
muitos turistas para apreciar nossa antiga cultura e história.

Como existe interesse de algumas pessoas na revitalização do Engenho Pacheco, que fica situado no Furo Grande, para servir de atração turística em Abaetetuba e mostrar a importância que foram os antigos engenhos de cana-de-açúcar na economia do município, fica a sugestão de, ao lado desse engenho revitalizado, se implantar os museus acima mencionados. Vide abaixo as sugestões para a implantação desses museus. Bastaria um grande barracão que abrigaria a história e o acervo material desses museus.

Fazendo parte da infra-estrutura desses museus se construíriam lanchonetes, restaurantes ou praças de alimentação e ao redor de toda a área deveriam ser construídas pousadas à beira d’água, cercadas de plantações de cana-de-açúcar, árvores ornamentais, árvores de madeira-de-lei e plantas medicinais.

O Museu dos Colonos de Abaeté ficaria localizado na tradicional localidade chamada “Colônia Velha”, perto do Portal da Cidade, e que foi a 1ª colônia de colonos implantada em Abaetetuba. Vide abaixo as sugestões para a implantação desse museu.

O Museu das Antigas Officinas de Abaeté e o Museu da Carpintaria Naval de Abaetetuba poderiam ficar na cidade de Abaetetuba e localizados em um mesmo lugar, que poderia ser um desses estaleiros desativados (os barracões onde se fabricavam as embarcações em Abaetetuba), devidamente revitalizado, situados na orla do município. Vide abaixo sugestões para a instalação desses museus.

O Museu das Artes de Abaetetuba poderia ser um museu dinâmico e poderia se localizar em um lugar apropriado na cidade de Abaetetuba, que além do museu, também abrigaria um grande salão dotado de palco, onde se pudesse desfrutar dos mais diferentes espetáculos artísticos, como danças, músicas, artes cênicas, artes plásticas, imagens e sons.

SUGESTÕES DE MUSEUS PARA ABAETETUBA/PA

1. O MUSEU DA INDÚSTRIA CANAVIEIRA DE ABAETÉ, JUSTIFICATIVAS E CONTEÚDOS:
Engenhos


 







A Indústria Canavieira representou o maior fator econômico no desenvolvimento do Município de Abaetetuba, onde dezenas de engenhos trabalharam freneticamente na produção de cachaça, açúcar, mel de cana/melaço e rapadura, onde a cachaça e o mel de Abaetetuba atravessaram as fronteiras do Município, sendo produtos reconhecidos em outros lugares, ao ponto de Abaeté receber a alcunha de “Cidade da Cachaça”.

CONTEÚDO DO MUSEU DA INDÚSTRIA CANAVIEIRA DE ABAETÉ:
Esse museu poderia conter:

A LITERATURA que fala do ciclo da indústria canavieira, como a produção, a comercialização e o armazenamento das mercadorias, a matéria-prima dessa indústria e o plantador de cana.

O histórico desse ciclo, enfatizando o contexto sócio-político-cultural da época;

A enumeração dos ENGENHOS E RESPECTIVAS LOCALIDADES, os donos desses engenhos e o destino das riquezas geradas no ciclo;

O PAPEL DO RIBEIRINHO, plantador de cana-de-açúcar (CANAVIEIRO/A) no sistema de meação e no sistema de compras por aviamentos e sua relação com os donos de engenho ou comerciantes da época.

Os PROCESSOS DE PRODUÇÃO das mercadorias produzidas nos engenhos, como CACHAÇA, AÇÚCAR, MEL DE CANA E RAPADURA e os seus MODOS DE ARMAZENAMENTO e COMERCIALIZAÇÃO.

. Os MAQUINÁRIOS, EQUIPAMENTOS, ACESSÓRIOS utilizados nos engenhos, como moendas, alambiques, dornas, caldeiras, etc.



. Os UTENSÍLIOS E APETRECHOS usados pelos trabalhadores dos engenhos e pelos plantadores de cana (canavieiros/as);
. A MATÉRIA-PRIMA, a cana-de-açúcar, com folhetos explicativos dos processos de plantio, as variedades plantadas, seu cultivo e colheita, as áreas de plantação e a produtividade, os terrenos para os plantio.
. Os produtos produzidos nos engenhos, seu armazenamento, sua comercialização, seus mercados e vendas.
. Os antigos TEXTOS e FOTOS existentes sobre os engenhos, plantadores de cana em atividades e dos transportes das mercadorias;
. As embalagens chamadas FRASQUEIRAS, que eram os garrafões empalhados para encher de cachaça para comercialização à grosso e as GARRAFAS de ¼ de litro, devidamente rotuladas, onde a cachaça de cada engenho era acondicionada para venda no comércio local e regional, com seus LACRES onde constava o nome da cachaça, o fabricante, o local e outros dados e com as respectivas TAMPINHAS em latão que também serviam na identificação da cachaça.
Os antigos potes para mel de cana, que eram as embalagens originais para esse produto, com seus respectivos lacres, mel produzido nos engenhos e engenhocas para venda no comércio e feiras das cidades.

Acima temos um dos tipos de garrafões tipo
'frasqueiras' para acondionar a CACHAÇA
produzida nos antigos Engenhos de Abaeté.
Os MEIOS DE TRANSPORTES utilizados na indústria canavieiras, como as canoas grandes à vela, os batelões, os reboques, os botes, os cascos, as montarias e outros tipos de embarcações que serviam no transporte da cana-de-açúcar, da lenha para as caldeiras dos engenhos, dos produtos, e mercadorias e no transporte de pessoas que trabalhavam nos engenhos, nos canaviais;

Os instrumentos, UTENSÍLIOS e objetos usados pelos trabalhadores dos engenhos, pelos canavieiros/as e os instrumentos usados nas embarcações para transporte dos produtos da indústria canavieira, como remos, faias, varas, etc;
Os motivos do DECLÍNIO da indústria canavieira de Abaeté a partir da década de 1960.

ONDE ENCONTRAR OS MATERIAIS PARA O MUSEU DA INDÚSTRIA CANAVIEIRA DE ABAETÉ:
Sabemos que ainda existem pessoas em Abaetetuba que possuem esses materiais, inclusive para venda. Como também deve existir nas casas de antigos ribeirinhos, comerciantes e antigos donos de engenhos na forma de fotos, livros, cadernos e outros materiais referentes à essa indústria. Como grande parte dos antigos engenhos de Abaetetuba, na época do declínio da indústria canavieira, foi enviada para o Estado de Pernambuco, lá se encontra muito dos maquinários dos antigos engenhos de Abaeté.
Vide postagens sobre os antigos engenhos de Abaeté, onde se podem encontrar os nomes dos antigos engenhos, os donos de engenhos em Abaeté, o processo de fabricação de cachaça e outros assuntos referentes aos antigos engenhos.
Qual o turista, que já tendo ouvido falar de Abaeté, seus rios, seus igarapés, seus furos e baías e seus antigos engenhos, resistiria a uma visita a um museu desse tipo? Até mesmo os abaetetubenses e moradores de outras cidades vizinhas viriam fazer essas visitas.



2. O MUSEU DA CERÂMICA DE ABAETÉ, JUSTIFICATIVA E CONTEÚDOS:
olarias
Abaixo temos as mais antigas telhas fabricadas nas antigas
olarias do Baixo Itacuruçá. Elas eram muito grande em relaçao
às telhas que viriam após as primeiras telhas de Abaetetuba.



Abaixo temos duas olarias que fazem parte das olarias
remanescentes das muitas que existiam em Abaetetuba.



Abaixo temos foto de um dos primeiros tijolos fabricados
no Baixo Itacuruçá e eles eram grandes e maciços, isto é,
sem os furos dos tijolos atuais.
Abaetetuba/Pa, com seus inúmeros rios, igarapés, furos, baías e costas, possui uma extensa área de várzea onde existia muita matéria-prima, na forma de argila, barro ou tabatinga que foram muito utilizados na fabricação de telhas e tijolos de barro e ao lado dessa atividade econômica desenvolveu-se um rico artesanato de confecções de artefatos e objetos de barro, que serviam como utensílios domésticos, muitos dos quais eram vendidos nas antigas casas de comércio locais ou até mesmo exportados para outras praças, como o Baixo Amazonas.
As olarias de Abaeté desenvolveram-se paralelamente ao desenvolvimento da indústria canavieira.
O barro ou argila de Abaeté/Pa era de vários tipos, como, barro azulado, barro branco e barro amarelado, este chamado tabatinga, este servindo no artesanato de artefatos de barro e até na pintura de casas ribeirinhas. Os demais tipos de barro serviam na produção de telhas e tijolos.
Nos tempos áureos das olarias que vai de 1950 a 1970 chegaram a existir mais duzentas olarias distribuídas pelos rios e igarapés do município produzindo telhas e tijolos de barro para atender à grande demanda desses materiais, não só no município de Abaetetuba, como de outras cidades como Belém e cidades vizinhas.
Porém, a matéria-prima escasseou e a produção oleira de Abaetetuba começou a entrar em declínio. Restam algumas poucas olarias em atividade em Abaetetuba, que teimam em subsistir, porém com produção precária, quase artesanal, usando os mesmos métodos arcaicos de produção das antigas olarias.

ALGUNS ANTIGOS DONOS DE OLARIAS EM ABAETÉ:
Os descendentes desses antigos oleiros poderiam ajudar no fornecimento de informações, fotos e materiais para enriquecer o Museu da Cerâmica de Abaeté:
Benjamim Gualter Gomes, no Rio Maracapucú.
Agostinho Martins de Carvalho, no Rio Itacuruçá.
Carmelino Pedro Rodrigues, no Rio Maracapucú-Miry.
João Avelino, na cidade.
Benjamim de Carvalho, no Rio Maracapucú.
Mozart Silva, no na Rua Pedro Rodrigues, cidade.
Zé Mucura, no bairro do Algodoal, cidade.
Garibaldi Parente, no bairro de Santa Rosa, às margens do igarapé Jacarequara, cidade.
Alípio Gomes, no rio Jarumã.

OUTROS PRODUTOS DA CERÂMICA ABAETEENSE:
Além das telhas e tijolos o barro de Abaetetuba serviu a uma rica produção oleira na forma de utensílios domésticos e outros artefatos de barro, como:
Potes, usados para armazenar água para beber;
Alguidares, usados na cozinha para amassar açaí e fazer outras massas usadas na cozinha ribeirinha;
Bilhas, que eram frascos menores que os potes, também usadas para armazenar água;
Fogareiros, utensílios usados para queimar carvão no aquecimento de água, alimentos;
Vasos usados para plantio de plantas ornamentais, plantas de flores, plantas medicinais;
Bocas de fogão, que eram acessórios dos fogões à lenha ou carvão;
Filtros, que eram usados na filtragem da água dos rios para uso como água potável;
Penicos, vasos com alças, que eram usados nas necessidades fisiológicas dos ribeirinhos;
Panelas, usadas na cozinha ribeirinha no preparo de alimentos;
Tigelas, usadas para ingerir água, mingaus, etc;
Tigelinhas, usadas para coleta a seringa (látex) que escorria dos ferimentos de seringueiras;
Cabeça de cachimbo, que era acoplado em um tubo e usado para fumos;
Cofres, na forma de porquinhos, para guardar dinheiro em moedas;
Bonequinhos e pequenas figuras de animais e bibelôs em barro;
Pequenas esculturas de frutas, peixes e outros animais de Abaeté.

Esses objetos em barro eram utilizados pelas famílias ribeirinhas e na própria cidade de Abaeté e ainda eram exportadas para outros lugares, inclusive fora do Estado, através do antigo comércio de regatão que se encarregava de distribuir esses objetos pelas cidades onde chegava esse tipo de comércio. Essa indústria artesanal sustentou centenas de famílias ao longo dos anos.

O CONTEÚDO DO MUSEU DA CERÂMICA DE ABAETETUBA:
Além dos produtos em barro citados acima, o museu poderia dispor de uma literatura sobre o assunto, textos antigos, fotos e folhetos explicativos sobre as olarias e o artesanato em barro, detalhando o que é uma olaria, a matéria prima usada nas olarias, os tipos de barro;
As máquinas, equipamentos, instrumentos e utensílios utilizados pelos oleiros e as partes de uma olaria, como maromba, telheiro, forno;

3. O MUSEU DO RIBEIRINHO DE ABAETÉ, JUSTIFICATIVA E CONTEÚDOS:
O Ribeirinho de Abaetetuba e da Micro-Região do Baixo Tocantins em geral, tem uma rica cultura, que inclui seus costumes, hábitos, artes, artesanatos, crenças, linguagem/fala e escrita, religiões, crendices, superstições, lendas, busões, simpatias, culinária, vestuário, folclore, música, dança, trabalhos e atividades de casa e nos roçados.
Esse museu por envolver cultura variada, seria um museu dinâmico onde, além dos objetos em exposição, poderia se pensar em apresentações na forma das artes cênicas, danças, folias, ladainhas, músicas e outras formas de expressões culturais ribeirinhas. Inclusive em parcerias com escolas locais, no que diz respeito à disciplina escolar de Artes e da grupos de artes da cidade que poderiam também participar dessas apresentações artísticas.

CASAS RIBEIRINHAS ANTIGAS, PONTES E TRAPICHES:
Antigamente as casas, pontes e trapiches ribeirinhos faziam parte do cenário das localidades ribeirinhas de Abaeté e eram construídos com materiais extraídos exclusivamente das matas e erguidas à beira dos rios e igarapés, geralmente em cima de áreas de várzeas.

CONSTRUÇÃO ARTESANAL DE UMA CASA RIBEIRINHA E O USO DE MATERIAIS EXTRAÍDOS DAS MATAS:
As antigas casas ribeirinhas obedeciam ao estilo indígena de se construir casas, em forma de PALHOÇAS e essas casas eram construídas do seguinte modo:
Os ESTEIOS eram de troncos de açaizeiros (palmeiras da região) bem maduros, que eram fincados nos terrenos de tabatinga. Em uma das extremidades dos troncos de açaizeiros se faziam ganchos em forma de V para receber os flexais.
Os FLEXAIS também vinham de troncos de açaizeiros e eram amarrados com CIPÓS GARACHAMA (que não apodrecem) aos esteios já fincados nos terrenos em tabatinga.
A COBERTURA das casas eram feitas a partir de PALHAS especiais, retiradas de um certo tipo de palmeira da região denominada palheiro. Essa palha recebia um tratamento, isto é, eram devidamente MOPICADAS (para “sentar”), ficando com pesos em cima por até 2 dias. Quando estava sentada a palha era devidamente EMPANADA com talas de miritizeiros (pameiras da região). Depois desse processo a cobertura já estava pronta para ser assentada na cumieira da casa.
A CUMEIEIRA da casa era preparada a partir de ripas extraídas de troncos de açaizeiros e varas extraídas das matas e colocadas em forma de tesoura, devidamente amarradas com cipós garachama.
Depois, era só colocar a cobertura de palha em cima da cumieira já devidamente preparada e amarrar com cipós.
As PAREDES das casas eram feitas também com palhas mopicadas e amarradas com talas de miritizeiro e cipós, nas estruturas feitas com ripas extraídas de troncos de miritizeiros ou varas extraídos dos matagais.
O ASSOALHO das casas ribeirinhas era feito a partir de paxiúba de açaizeizeiros (chamados panos) ou paxiúba verdadeira (paxiúba é uma espécie de palmeira da região e de tronco muito resistente).
Quando o assoalho era feito a partir de troncos de açaizeiros, estes eram transformados em panos, isto é, eram partidos em 4 partes que eram devidamente preparados para servir de assoalho da casa. O assoalho também era amarrado com cipós garachama.
Já nos assoalhos feitos com paxiúba verdadeira, o tronco era partido ao meio e os pedaços eram socados até se transformarem numa espécie de tábua bem resistente.
Algumas casas ribeirinhas possuíam paredes feitas com talas de jupati (talas resistentes vindas da palmeira jupatizeiro).
Algumas casas possuíam PONTES/ESTIVAS, também construídas com troncos das palmeiras miritizeiros, de razoável tamanho, devido ao movimento das marés e essas pontes se estendiam das portas das casas até a beira do rio, onde recebiam escadas.
Somente anos depois é que as pontes começaram a ser construídas com pranchas da madeira de PARINAZEIROS e tudo feito à base de machados. Do parinarizeiro se faziam também as quilhas para embarcações e essas foram as causas da extinção dessa árvore de madeira-de-lei da região de Abaeté.
Nas casas rurais da zona das estradas de Abaeté as COBERTAS eram feitas com CAVACOS de madeira e as PAREDES eram feitas com cascas da árvore ENVIREIRA (que eram cascas bem grossas e resistentes).
Em uma casa tipicamente ribeirinha, como a descrita acima, jamais aconteciam respingos de água da chuva para dentro da casa, afirmaram os ribeirinhos entrevistados.

O LINGUAJAR CAMETAOARA DOS RIBEIRINHOS DE ABAETETUBA E REGIÃO:
A linguagem falada (linguagem popular) e a escrita ribeirinha se caracterizava como um falar caboclo, tipo cametaoara, devido a mistura das três línguas: português, indígena e dos escravos negros vindos da África. Essa linguagem na forma de conversa, fala e uso de termos típicos constituíam a característica linguagem dos caboclos, que ainda é usada nos dias de hoje e é falada em toda a região do Baixo Tocantins e que tem sido objeto de estudos por especialistas em linguagens.
Esse linguajar sofre pequenas variações nas entonações de voz e no palavreado usado entre os habitantes dos demais municípios da Micro-Região do Baixo Tocantins, como: Abaetetuba, Baião, Cametá, Igarapé-Miri, Limoeiro do Ajuru, Mocajuba, Moju e Oeiras do Pará. Vide professor José Danúzio Pinto Pompeu, em topônimos cametaoaras e Adriana Dias, em lingüística paraense.
Devido essa junção das línguas, criou-se em todo o Pará um linguajar típico, mas que hoje sofre influências do linguajar nordestino e sulista nas novas cidades que surgem no território paraense. Porém, não existe paraense que não fale com chiados característicos e uso de palavras e termos somente existentes aqui e com pequenas diferenciações de lugar para lugar do Pará.
Na Micro-Região do Baixo Tocantins essas diferenciações se acentuaram e criaram o falar “cametaoara”, que é típico da região, como afirma José Danúzio e como o publicado no livreto “Glossário abaeteense”, do escritor abaetetubense Jorge Machado e nos inúmeros livros da professora abaetetubense Maria de Nazaré Carvalho Lobato e das pesquisas do próprio Jorge Danúzio Pinto Pompeu. Essa literatura poderia fazer parte do acervo do museu para consultas e vendas.

A INFLUÊNCIA DA LÍNGUA INDÍGENA NO FALAR CAMETAORA:
Com a colonização do Pará que se iniciou a partir do século 16 aconteceu o contato dos portugueses com os indígenas locais, fato que favoreceu a influência de termos indígenas no linguajar dos moradores da região, com muitas palavras provenientes do tupi antigo, que continuam sendo usadas pelos atuais habitantes desses municípios em suas conversas coloquiais, nas denominações das vias fluviais e na flora e fauna da região.
Os rios da região sofrem grande influência da língua tupi, em nomes como: Abaeté, Arienga, Maratauíra, Carnapijó, Cutijuba, Guajará, Genipaúba, Paramajó, Campompema, Tcumanduba, Curuperé e muitos outros nomes. Vide postagens sobre as vias fluviais da região.
Até os ramais das estradas recebem denominações indígenas: Cujari, Cupuaçu, Urubuputaua, Apeí, Itacupé, Murutinga, etc.
Vide postagens sobre as localidades de Abaetetuba/Pa.
Quase todas as Ilhas da região recebem nomes com influência do tupi, como, Cururu, Capim, Jarumã, Pacoca, etc;
Quase toda a fauna e flora da região usa termos indígenas para denominar as espécies: caba, ambuá, cutia, mutuca, capiavara, tatu, cutaca, maruim, guaxinim, carumbé, jararaca, bojogó, tapuru, turu, etc, na fauna; jupati, ingá, inajá, acapu, copaíba, tucumã, tiririca, sororoca, juquiri, cará, etc, na flora Vide postagens sobre a fauna e flora da região.
A maior parte dos nomes dos utensílios recebe nome da influência indígena, como: catetu, aricá, matapi, pari, tipiti, cacori, mundé, arapuca, peconha, cuia, aturá, curatá, gurupema, mutá, panacarica, etc;
Os alimentos locais e comidas típicas também recebem denominações advindas do tupi, como: maniçoba, beiju, caribé, tucupi, tacacá, vatapá, croeira, caruru, chibé, mojica, paçoca, cará, beiju, tapioca, etc.
As lendas e mitologias estão repletas das influências indígenas, como: anhangá, curupira, matinta-pereira, mãe-do-mato, mãe-d’água, etc;
Até mesmo as doenças e enfermidades recebem termos da influência tupi, como: pereba, pira, titinga, caraca, curuba, curubuçu, molongó, panema, pirrique, quebranto, etc;
Grande parte da antroponímia também é assim, como em: Jurema, Iracema, Ubirajara, Parajara, Sinimbu, Iraci, Jandira, Jaci, Paraguaçu, Acatauassu, Caripuna, etc.
E muitas palavras usadas no linguajar cametaoara são palavras remanescentes do tupi antigo, como:
Arapapá, na expressão “boca de arapapá”
Mutuca, na expressão “na mutuca”
Capina, oriunda de capim;
Pirangueiro, oriundo da palavra piranga;
Capoeirão, oriundo da palavra capoeira.
Assim como na formação de substantivos compostos, como ituí-terçado, ituí-branco, tapera, que vem de taba-puera e tipacoema (que é a parada da maré no fim da vazante) que vem de tipaua+coema;
Existem verbos que são característicos do linguajar cametaoara, como: gapuiar, moquear, bubuiar, enfarar, aferventar, misgalhar, mundiar, sabrecar, tarear, tesar, tisnar, tesar, impinimar, lanternar, etc;
Termos de tratamento, como: suprimo, sumano, aquele um, piqueno, parente, cumpandre, cumadre, mano, etc;
E existem muitas palavras de origem indígenas, que mudam de significado conforme o contexto da fala, como: aru, que representa uma espécie de sapo da região e pode ser empregada com o sentido de “pessoa tola”. E palavras com mais de um significado, como: caraxué, que significa uma espécie de ave ou homem que é sustentado por mulher de prostituição; uso de palavras variantes, como: acabocado, que vem de acaboclado, mundé, que vem de mundéu, etc.
Portanto, o linguajar cametaoara é um rico aspecto da cultura ribeirinha de Abaetetuba e região e que precisa ser preservado em um museu, por que já está entrando em desuso devido influências variadas.

VIDA RIBEIRINHA ANTIGA E AS MUDANÇAS ATUAIS:
O antigo modo de vida ribeirinha, com seus hábitos e costumes característicos refletiam uma vida baseada em valores, como: simplicidade, honestidade, hospitalidade, amizade, solidariedade, obediência, orgulho das origens, hierarquia familiar, persistência nos valores culturais. Porém, a escassez de alimentos vindos das matas e rios, a falta de atividades produtivas, a busca de escolaridade por parte dos jovens ribeirinhos e as mudanças das famílias tradicionais para as cidades, aliados à situação de violência crescente através da pirataria nas ilhas de Abaetetuba, introdução de seitas religiosas e à modernidade trazida pelas modas, avanços tecnológicos, e pelos meios de comunicação, são fatores que estão mudando o antigo modo de vida ribeirinho e transformando essa antiga cultura em um modo de vida semelhante ao existente na cidade, com o abandono gradativo daqueles valores culturais.

CARACTERÍSTICAS FÍSICAS DO RIBEIRINHO:
A maior parte dos ribeirinhos da Micro-Região do Baixo Tocantins carrega a herança indígena, negra ou branca devidamente miscigenada nos seus traços fisicos, com preponderância da ascendência indígena ou negra, em famílias espalhadas por toda a região. Porém existem famílias que denotam nitidamente a origem portuguesa de suas famílias, de pessoas com pele branca e olhos azuis ou verdes.
Há localidades da região onde existem comunidades formadas por remanescentes da escravos negros, que podem ser considerados localidades de quilombos, como em certos lugares de Abaetetuba (localidade Itacuruçá, Acaraqui, Tauerá-Açu, Arapapu, Arapapuzinho, Genipaúba), Moju (localidade África e Jamboaçu) e em certas localidades de Cametá e outras cidades da micro-região.

MÚSICA, CANTOS, FESTAS E DANÇAS RIBEIRINHAS:
O abaeteense e especialmente os ribeirinhos e colonos de Abaeté sempre usaram a música e as danças em suas manifestações culturais. Essa herança vem dos ancestrais portugueses, índios e escravos negros vindos da África. A herança musical portuguesa se manifestava especialmente nos eventos religiosos, especialmente as ladainhas, festas juninas e folias de santos. Juntando com elementos das outras culturas, surgiram variadas formas de danças e festas populares que se disseminaram pelos rios e colônias de Abaeté.
No livro “Fotolendas”, a Profa. Maria de Nazaré Carvalho Lobato relata, com riqueza de detalhes, os antigos cantos, danças, folias, carnavais, eventos da quadra junina como, casamentos na roça, cordões juninos, cordão de bois e as pastorinhas e outros eventos festivos de Abaeté.
E as Informações sobre música de Abaeté se encontram no livro “O Imaginário Religioso na Musicalidade dos Artistas de Abaetetuba”, do Pe. Antonio Braga da Costa Júnior e em obras de conclusão de cursos da UFPA-Campus do Baixo Tocantins.
De fato, nossos ancestrais brancos, índios e negros nos legaram essas antigas tradições, que hoje estão em risco de esquecimento ou desaparecimento e sem o devido comprometimento com a sua preservação.
Um rico acervo material poderia ser montado com objetos desses ricos itens culturais.

ALGUNS EXEMPLOS DESSE ASPECTO DA CULTURA ABAETETUBENSE:

FOLIAS DE REIS/Tiração de Reis e FOLIAS DE SANTOS, que eram tradições do povo abaeteense. A Folia de Reis reunia pessoas devidamente paramentadas e usando instrumentos musicais rústicos, como tambores, violas, reque-xeques, flautas e chocalhos, que saíam de porto em porto ou de casa em casa (se na cidade), ou pelos caminhos, se nas colônias rurais, tirando Reis, tocando e cantando músicas apropriados para essa única noite de festa, a noite de 5 de janeiro.

NA QUADRA CARNAVALESCA:
O CARNAVAL antigo consistia na animação dos chamados foliões que saíam pelas estradas, caminhos ou ruas, durante o período da quadra carnavalesca, na forma de foliões em pequenos grupos ou em blocos carnavalescos de ruas ou cordões carnavalescos.
. O Cordão dos Pretinhos era organizado pelos mestres Abreu, Afonso e Severino e as músicas desse bloco eram compostas pelos próprios componentes do grupo
. Bloco dos Mascarados, usando instrumentos apropriados, como tamborins, pandeiros, tambores, afoxés e também caçarolas, panelas e latas no meio da batucada. Não era uma coisa aleatória, por que existiam pessoas que organizavam os desfiles, cordões e blocos de ruas.
Em 1927 o Grupo Carnavalesco “Namorados”, fazia muito sucesso na cidade de Abaeté.
Nas sedes dos clubes sociais aconteciam as festas carnavalescas com os desfiles de blocos de sede, em coloridos grupos e bonitas coreografias.

NA QUADRA JUNINA:
. CASAMENTOS NA ROÇA, que eram tradicionais nas chamadas Festas de Roças, que era a comédia de um casamento de verdade, com todos os elementos de um casamento normal, com personagens matutos, como noivos, padrinhos, madrinhas, pais, juiz, escrivão, padre, discursos, conselhos e a dança da valsa e com o uso de utensílios e roupas apropriadas, em coloridos berrantes, vestidas erradas e em palavreado cômico, muito divertidos realmente.
. DANÇAS DAS QUADRILHAS, daquelas tradicionais, com os pares organizados e marcação dos passos em músicas apropriadas da quadra junina. Essas tradicionais quadrilhas já são raras de se assistir em Abaeté e em seu lugar entraram as quadrilhas modernas, muito diferentes das quadrilhas tradicionais.
. OS CORDÕES JUNINOS
A família Abreu foi uma das mais destacadas no cenário
folclórico de Abaetetuba


 
. CORDÕES DE PÁSSAROS ou Insetos, que eram comédias populares, como: Beija-Flor, Gavião, Ben-te-vi, Uirapuru, Tucano, Beija-Flor, Papagaio, Rouxinol, Periquito, Arara, Borboleta, Camarão, Inambé (este das Colônias da região rural de Abaeté), que eram apresentações de teatros da vida rural, com o enredo, cantos e músicas e compostos pelos próprios componentes desses grupos juninos. Vide nas sugestões para o Museu das Artes de Abaeté as informações sobre as artes folclóricas.
. CORDÕES DE BOIS, como: Boi Canário, Boi Pingo de Ouro, Touro Russo, Boi Estrela Dalva (de Risó), Boi Pai do Campo (de Roldão), que representavam também comédias musicadas, com personagens da vida rural, em grupos de brincantes que saíam pelas estradas ou ruas da cidade, apresentando-se em casas escolhidas previamente e no final da quadra junina aconteciam as despedidas ou matanças do boi, isto é, o boi se recolhia para voltar somente no próximo ano. O boi era um boneco quase do tamanho natural de um boi vivo, oco, embaixo do qual se colocava o brincante que saltitava embaixo do boi, imitando um boi verdadeiro. Cada personagem ou grupo de personagens vinha com fantasia apropriada nas apresentações dos bois, com toadas musicais compostas para a ocasião e um enredo falado ou cantado, conforme o ato da comédia. Vide nas sugestões sobre o Museu das Artes de Abaeté as informações sobre as artes folclóricas de Abaeté.

NA QUADRA NATALINA:
As PASTORINHAS, que eram comédias próprias da quadra natalina, em apresentações teatrais comoventes de palco ou mesmo cordões de rua, apresentando os fatos referentes ao evento natalino do nascimento de Jesus. Os personagens das Pastorinhas eram:
. O Menino Jesus, que nasce no Natal;
. Os Pastores, em visita ao Menino Jesus;
. Os Camponeses, personagens de motivação local;
. Os Reis Magos, em visita ao Menino Jesus com os seus presentes:
. Os Anjos, anunciadores do nascimento de Jesus e os Anjos cantores celestes;
São José, o pai adotivo do Menino Jesus;
Santa Maria, a Mãe de Jesus;
. Estrela de Davi, a estrela que guiava os Pastores e Reis Magos na visita ao Menino Jesus;
. Os Animais do Presépio;
. Os Marinheiros, motivação local;
. Barqueiros, motivação local;
Os atos da comédia eram todos relacionados ao nascimento de Jesus e também relacionados com a cultura brasileira ou abaeteense.
Eram as senhoras católicas locais que organizavam os quadros das Pastorinhas, especialmente as professoras: Maria Zaíde Cardoso, Pequenina e Alexandrina Sena. Essas apresentações eram muito concorridas.

TIPOS DE DANÇAS ANTIGAS DE ABAETETUBA:
. O CARIMBÓ DA SARACURA, criado pela Profa. Maria de Nazaré C. Lobato e a saracura é uma das bonitas aves da região, das margens dos rios, igarapés e igapós, dança que mostrava as atividades dos ribeirinhos de Abaeté, como: gapuiagens, pesca do camarão e peixes, catação de uruás e caramujos nos aningais e a coleta do açaí, tudo sob o canto mavioso da saracura.
. A FESTA DA MUCURA, festa realizada pelos ribeirinhos de Abaeté, que como o animal de hábitos noturnos, saíam pelas casas ribeirinhas, onde acontecia o canto da ladainha, em pagamento de promessas e com uso de instrumentos musicais rústicos, como: tambores, requexeques, chocalhos, flautas e um cantor improvisando versos e o pessoal dançando até alta madrugada. Essa dança possuía seus cantos próprios.
. A DANÇA DA CHULA, dança importada de outros lugares e que acontecia após as Ladainhas cantadas. O povo se reunia no salão e ao som de instrumentos rústicos, como tambores e violas, cantava e dançava sob o efeito da cachaça e até de madrugada. Essa dança usava cantos próprios.
Como existe literatura sobre essas músicas, danças, festas e cantos, o acervo dessas manifestações culturais seriam os textos e livros escritos a respeito e os materiais seriam os antigos instrumentos musicais, como: tambores, pandeiros, reque-xeques, violas caipiras, flautas caipiras, chocalhos usados e também as indumentárias dessas danças que seriam importantes no mostruário do museu.

ARBORIZAÇÃO DA ÁREA DO MUSEU:
Como grande parte do acervo material desse museu vem de árvores, arbustos e palmeiras ribeirinhas, seria interessante se fazer a arborização ao redor do museu com essas mesmas plantas fornecedoras de matérias-primas, especialmente determinadas palmeiras fornecedoras de talas, fibras, tintas e folhas largamente utilizadas nos diversos tipos de artesanatos.

VESTUÁRIO RIBEIRINHO ANTIGO:
O Ribeirinho possuía vestuário próprio para uso nos roçados, festas e eventos sociais ou religiosos, na caça e pesca. Seriam antigas peças de roupas, como: vestidos, saias simples ou rendadas ou não, blusas simples ou rendadas, calções, coletes, paletós, calças e camisas, roupas usadas nos roçados e outras atividades, bolsas, chapéus, cintos, lenços, etc.

OUTROS MATERIAIS RIBEIRINHOS:
Toalhas, lençóis, cortinas, tapetes.
Ferros de passar à carvão.
Jóias e bijuterias antigas: brincos, pingentes, cordões, anéis, pulseiras, relógios de pulso ou algibeira.
Grandes relógios de parede.
Calçados como: sandálias, alpercatas, botas, sapatos e meias, meiões, cintos.
Objetos variados em porcelana: bibelôs, bonecas, etc.
Utensílios de cozinha em prata ou porcelana.

ACERVO MATERIAL DA CULINÁRIA RIBEIRINHA:
Um rico acervo de materiais e utensílios usados na culinária ribeirinha poderia ser exposto, como: panelas (barro, alumínio, ferro), tigelas variadas, pratos (alumínio, amianto, porcelana, barro, vidro), garfos, colheres variadas, facas de mesa, facões, cutelos, copos (vidro, amianto, alumínio), tachos, alguidares, fogões à lenha, fogões à carvão, boca de fogão à lenha (tudo em barro ou outro material antigo usado), fornos, cuias, colheres de pau, peneiras, pilão, mão de pilão, moedores de café antigos, abanos de folhas de palmeiras, moquém, pratarias, etc.
E o Museu do Ribeirinho deveria colocar à venda a própria comida ribeirinha conforme abaixo especificada e que poderia funcionar como atração turística.

OS PRINCIPAIS ALIMENTOS DA COZINHA RIBEIRINHA:
FARINHAS, como: farinha de mandioca, farinha de tapioca, muito usadas na alimentação ribeirinha e da cidade.
A farinha de mandioca é feita com a massa da mandioca espremida no tipiti e a farinha de tapioca é feita da tapioca seca e prensada no caitetu (instrumento artesanal).
CEREAIS, produzidos nas roças ribeirinhas, como: arroz, milho, feijão comum, feijão coandu;
TUBÉRCULOS E RAÍZES, produzidos nos roçados ribeirinhos, como: batata doce, cará, ária, macaxeira (esta assada, cozida ou na comida preparada), mandioca;
LEGUMES, produzidos nas hortas ribeirinhas, como: jerimum, maxixe, quiabo, tomates;
GARAPA, que é o sumo extraído da cana-de-açúcar, que servia como complemento alimentar, “matar” sede dos ribeirinhos e usada na merenda junto com doces, pães, beijus, bolos;
TEMPEROS usados na culinária local, como: urucu, pimenta malagueta e outras, pimenta-do-reino, cominho, limão-da-terra, limão de Caiena, toranjas, sal, vinagre de cana, pimentão, alho, cebola, chicória, alfavaca, cheiro-verde, etc. Muitos desses temperos eram produzidos nos quintais ribeirinhos, em canteiros apropriados.
DOCES variados, na forma de: doces secos, bolos variados, paçocas de gergelim, doce de gergelim, tapioquinha, doce de tapioca, etc. O bolo de macacheira é um tradicional doce da culinária abaeteense.

ANTIGAS E FAMOSAS DOCEIRAS DE ABAETÉ:
Essas pessoas foram eximias doceiras em Abaeté nos anos de 1940, 1950:
Ana Sena
Sisina Silva
Tia Cezária
Tia Sirena Lopes/Tia Siá.
Maroca Nunes, especialista em fabricar pão de tapioca e beijus.
BEIJUS variados, que são alimentos típicos da região, como beijus feitos de mandioca ou farinha de mandioca ou massa de mandioca, acrescidos de mel de cana, coco.
Alguns beijus de Abaeté: beiju chica, tapioquinhas, beiju doce, etc.
PÃO DE TAPIOCA e PIPOCA que eram feitos da massa de tapioca e ainda hoje são produzidos em Abaetetuba.
CARNES variadas, como carnes de: bois, porcos, caças.
CAÇAS
As principais caças usadas nas refeições ribeirinhas eram: mucuras, tatus, veados, pacas, cotias, soiás, capivaras, macacos, preguiças, veados e eram preparados de vários modos: assados, guisados, cosidos, fritos. As carnes de caças estão proibidas devido a existência de leis federais e estaduais. Como praticamente não existe fiscalização a essa prática, as carnes de caças continuam sendo usados como alimentos em Abaetetuba/Pa.
Ainda hoje se vende na feira da cidade de Abaetetuba/Pa carnes de capivaras, tatus, mucuras e outras caças. Capivaras, tatus e outras caças vêm de outras localidades do Estado do Pará.
MIÚDOS
Os chamados miúdos dos animais (vísceras), cabeças, mocotós são largamente utilizados como alimento em Abaetetuba em preparo de feijoadas, arroz e sarapatéis.
PEIXES, que existiam em grande quantidade e variedade em Abaeté e região (vide postagens sobre a fauna de Abaeté). Porém, devido séculos de pesca indiscriminada e predatória e ainda pela construção da barragem da Usina Hidrelétrica de Tucuruí, os peixes foram desaparecendo da região.
Os peixes eram pescados e usados frescos na alimentação de Abaeté, em preparos variados, como: cosidos, assados, moqueados, fritos e invariavelmente utilizados junto com os vinhos de açaí, miriti, bacaba e outros vinhos.
Como eram pescados grandes quantidades de peixes, a maior parte destes eram salgados (nesse tempo não existiam geladeiras) e transformados em peixes-secos para venda nas feiras de Abaeté e Belém/Pa, nas antigas casas de comércios de “secos e molhados”. Até os dias atuais ainda se utilizam alguns peixes-secos em Abaetetuba/Pa, porém vindos de outras localidades do Pará.
O MAPARÁ, é um desses peixes de Abaeté e principalmente de Cametá/Pa, que também era vendido na forma de moqueado, nas feiras locais. O moqueado era um assado feito no chamado moquém. Os maparás sofriam lanhos (cortes) pelo corpo, e eram espetados em talas resistentes de miritizeiros e colocado para moquear (assar lentamente no calor do fogo) nas Ilhas de Abaeté e posteriormente, eram levados em grandes quantidades para venda na feira da cidade e para Belém/Pa. Mapará moqueado com açaí era uma iguaria em Abaeté.
MARISCOS variados, pescados nos rios, igarapés, furos e mangues da região, na forma de camarões, uruás, caramujos e peixes colhidos em gapuiagens e tapagens diversas. Os peixes de sarandagens, que eram peixes miúdos, pegos em tapagens de igarapés, em camboas, cocoris e gapuias, eram: carás, mandubés, acaris, mandiís, carataís, piranambus, sardinhas de gato, sardas, jacundás, amurés, jandiás, aruiris, tucunarés, arraias, curimatãs, ituís, matupiris, maparás, etc.
AVES, como:
Galinhas caipiras, picotas, marrecos, perus, patos caipiras, patos-do-mato, pombos-do-mato e outras aves silvestres. Aves silvestres como patos-do-mato, marrecos e pombos-do-mato já não existem na região e elas eram abatidas à tiros em grandes quantidades e mantidas conservadas salgadas, para vendas posteriores.
Carnes e ovos de tartarugas e outros quelônios, como: jabotis, matamatás, carumbés, etc.
Carnes de jacarés, jacurarus, camaleões, que são répteis da região. Um alimento que permanece na culinária abaetetubense até os dias atuais é a carne de JACARÉS, agora vindas de outros pontos da Amazônia. A carne de jacaré comum é vendida fresca na cidade e a carne de jacaré alemão é vendida salgada. Basta ir à feira local e encontrar a carne desses animais cuja venda e consumo são proibidos por lei. No entanto falta a fiscalização no local de captura desses animais, que não é em Abaetetuba, pois os jacarés locais já foram extintos, só restando alguns tipos de jacareranas.
MINGAUS variados como: mugunzá, mingau de croeiras (estas em mistura com açaí, miriti, bacaba), mingau de arroz ( em mistura com castanha, açaí, miriti, bacaba), mingau de farinha de mandioca, caribé, etc;

OS TRADICIONAIS VINHOS DA ALIMENTAÇÃO DE ABAETÉ:
Vinhos são os sumos extraídos de determinados frutos regionais e largamente utilizados na alimentação dos habitantes da região e usados como alimentos junto com outros tipos de comidas como carnes variadas, peixes e camarão.
. VINHO DE AÇAÍ, o mais tradicional vinho de Abaetetuba e região, obtido a partir dos frutos de açaizeiros, palmeiras nativas da região. É um alimento usado misturado à farinha de mandioca e comidos juntos de comidas como: peixes assado, moqueado, frito; com carne de porco, capivara, charque, estas cosidas, assadas, guisadas.
. VINHO DE MIRITI, obtido a partir dos frutos do miritizeiro, palmeira nativa da região, alimento usado como o açaí acima descrito;
. VINHO DE BACABA, obtido dos frutos da palmeira bacabeira, alimento usado como o açaí acima descrito. Este alimento já se faz raro na região;
. VINHO DE JUSSARA, obtido dos frutos da palmeira Jussara, alimento usado como o açaí acima descrito. Este alimento já se faz raro na região;

FRUTAS USADAS NA ALIMENTAÇÃO RIBEIRINHA E DE ABAETÉ:










Frutas usadas na alimentação ribeirinha e da cidade:
. Bananas, de várias espécies e usadas como sobremesas e algumas usadas em preparos de minguaus, assadas;
. Mangas, de várias espécies e usadas como sobremesas e no preparo de sucos;
. Tucumãs, frutos silvestres;
. Abacates, de várias espécies, usados de vários modos: amassados com farinha e açúcar e nas abacatadas;
. Laranjas, usadas na sobremesa e no preparo de sucos;
. Tangerinas, usadas como sobremesa;
. Cacau, usado no preparo de sucos e licores;
. Abius, frutos silvestres de várias espécies;
. Ingás, frutos silvestres e de várias espécies;
. Jambos, nas espécies: jambo rosa e jambo maçã, usados na sobremesa;
. Bucuris, frutos silvestres, nas espécies de bacuri pari e bacuri-açu;
. Cupuaçu, fruto silvestre usados no preparo de sucos, doces;
. Castanha-do-pará, fruto silvestre usados no café e no preparo de doces;
. Castanhas sapucaia, frutos silvestres;
. Mari, fruto silvestre
. Uxi, fruto silvestre;
. Marajá, fruto silvestre;
. Mamão, de várias espécies e usado na sobremesa;
. Pepino-do-mato, frutos silvestres;
. Açaí, fruto silvestre de várias variedades e usado na forma de vinho de açaí e junto com outros alimentos;
. Bacaba, fruto silvestre de várias variedades e usada na forma de vinho e junto com outros alimentos;
, Jacas, usadas na sobremesa;
. Fruta-pão, fruto silvestre e usado no café em substituição do pão;
. Ginja, usada no preparo de doces;
. Sapotilha, usada na sobremesa;
. Taperebás, frutos silvestres de duas espécies: taperebá comum, este usado na forma de suco e taperebá do sertão;
. Maracujás, frutos silvestres de duas espécies: marcujá-do-mato e maracujá comum, este usado na forma de suco;
. Cocos, de várias espécies e usados no preparo de doces, beijus, bolos;
. Biribás, frutos silvestres usados na sobremesa;
. Cutitiribá, fruto silvestres
. Cacaui, fruto silvestre
. Cupui, fruto silvestre
. Ajuru, fruto silvestre
. Ameixa, fruto silvestre
. Cajus, em duas espécies: caju comum, usado no preparo de sucos e doces e caju-do-mato, usado na forma de sucos;
. Jenipapo, fruto silvestre usado no preparo de licores;
. Mucajá, fruto silvestre
. Camapu, fruto silvestre
. Goiabas, de várias variedades e usadas no preparo de sucos, doces;
. Araçás, frutos silvestres;
. Jutaí, fruto silvestre;
. Pupunhas, frutos silvestres de várias variedades e usadas no café;
. Abricó, fruto silvestre usado na sobremesa;
. Xurus, frutos silvestres;
. Melancias, de várias variedades e usadas na sobremesa;
. Abacaxis, usados no preparo de sucos, doces e bolos;
. Inajá, fruto silvestre
. Murucis, frutos silvestres, usados na forma de sucos;
. Graviola, usado na forma de sucos;
Etc.

OS PRINCIPAIS PRATOS TÍPICOS DA CULINÁRIA RIBEIRINHA DE ABAETÉ:
 














. MAPARÁ MOQUEADO, que era um modo de preparar e conservar esse peixe durante alguns dias. (vide peixes acima);
. CAMARÃO, crustáceo da região que era preparado de várias formas: assado em espetos, frito, cozido ou em torta de camarão, sopa de camarão/mojica ou usados como recheio de salgadinhos e no tacacá. O camarão é também um tradicional tira-gosto da região.
. CARNES, de porco, boi ou caças, preparados de várias formas: assados (no forno ou nas panelas), fritos na panela, guisados, cozidos usados como alimentos com os vinhos especificados acima;
. MANIÇOBA, feita com folhas moídas da mandioca, com acréscimo de outros alimentos como: carne, banhas, pés e orelhas de porco, toucinhos, etc. É uma iguaria regional.
. PATO NO TUCUPI, alimento muito usado nos dias festivos de Natal, ano novo, festa de Nossa Senhora da Conceição, Nossa Senhora de Nazaré em Belém, pato preparado com o tucupi, que é sumo extraído da massa espremida da mandioca. Também é outra iguaria regional;
. VATAPÁ, alimento feito com massa e temperado com tucupi e camarão da região e difere um pouco do vatapá de outros lugares;
. CARURU, alimento feito com massas, quiabo e camarão regional e que difere um pouco do caruru de outras regiões;
. FEIJOADA, era um alimento típico por que feito com feijão da região e temperado com carnes de porco ou boi, vísceras de porco ou boi, cabeças de porco e boi, mocotós de boi, banha, pés e orelhas de porco e outros temperos regionais. Difere das feijoadas de outras regiões;
. TACACÁ, iguaria feita com massa de tapioca (extraída da mandioca) e acréscimo de tucupi, jambu e camarão da região;
. MARISCOS, como uruás, caramujos e turus cosidos;
. CACHAÇA, bebida alcóolica que também era usada como aperitivo nas refeições ou em preparo de licores de jenipapo, abacaxi, açaí, cacau, etc.
. SARAPATÉIS, iguarias feitos com miúdos (vísceras) de porcos ou outros animais silvestres.
. LINGUIÇAS, feitas com carne e banhas de porcos em mistura com outras carnes e temperos variados;
. PEIXES em preparos variados que vêm desde os antigos habitantes nativos do lugar, nas formas: assados, moqueados, cosidos, fritos, sempre acompanhados de vinhos de açaí, miriti ou bacaba.

MATERIAIS USADOS NAS PESCARIAS EM ABAETÉ/PA:
Existem muitos materiais, todos produzidos artesanalmente, usados nas pescarias de Abaeté, que deveriam ficar em exposição e vendas no Museu do Ribeirinho, como:
. CURATÁ, que é a capa do cacho de inajás, que eram usadas nas gapuiagens dos rios e igarapés de Abaeté;
. CUIAS PITINGAS grandes, que são cuias brutas, sem alguns acabamentos como as artesanais e que eram usadas em certos tipos de gapuiagens;
. PANEIROS de furos pequenos, instrumentos feitos artesanalmente, com talas de palmeiras e que também eram usados em certos tipos de gapuiagens;
. MATAPIS, que são instrumentos fabricados artesanalmente com talas de certas palmeiras e amarrados com cipós e com os quais se faz a pescarias de camarões. Dentro dos matapis se colocam iscas de babaçu, farelo, etc. e quando os camarões entram para comer as iscas eles não podem mais sair;
. PARI, é um instrumento artesanal feito de talas de certas palmeiras, com suportes de varas de madeira e amarrados com cipós, e que é colocado à beira dos igarapés e que impede a saída dos peixes com a maré vazante. Aí então é só fazer a gapuiagem dos mariscos presos;
. CACURI, que é um tipo de pescaria feito com o mesmo pari acima, porém colocado em forma oval na boca dos igarapés. A tapagem é feita na maré enchente para se fazer a pescaria na maré vazante;
. REDE DE LANCEAR, que é usada nas pescarias de lanço, tipo de pescaria feita na beira dos rios, rede que é tecida pelos próprios ribeirinhos e possui alguns artefatos para facilitar a captura dos peixes;
. REDE MALHADEIRA, usada na captura de peixes variados.
Anzóis e linhas de pescar.
Tarrafear, na linguagem dos pescadores de Abaeté, consistia em lançar redes de pescas, com artefatos em chumbo chamados “tarrafas”, que eram presos à rede de pesca, tipo de pescaria que era feita nos leitos mais profundos de lagos e baías.

CRENÇAS, CRENDICES, MITOS, LENDAS, BUSÕES, SUPERSTIÇÕES, SIMPATIAS:
Esses itens fazem parte da antiga cultura de Abaeté. As rezas, benzeções, simpatias, crendices, lendas, mitos e superstições são aspectos culturais muito enraizados na cultura ribeirinha de Abaeté.
Fazia-se uso de certas beberagens, enfusões, garrafadas e outros produtos da medicina popular para se tirar o “mau olhado” e curar doenças, espantar espíritos malignos e benzenções com o mesmo propósito.
Na postagem flora de Abaetetuba/Pa aparecem quase todas as ervas medicinais com largo uso na medicina popular de Abaetetuba.
Desses itens da cultura ribeirinha, poderiam ser expostos fotos, textos, históricos, além das ervas usadas nas crendices populares.
. MITOS, como os mitos da Semana Santa, da mulher grávida e comida de mulher grávida, da jibóia que mundia; das figuras mitológicas como: saci-pererê, dos pretinhos das estradas, da matinta-pereira, da mãe-do-mato, da mãe-d’água, do anhangá, etc, tudo devidamente descrito em folhetos explicativos e da literatura a respeito.
. BUSÕES, superstições, como: da borboleta em casa que traz dinheiro ou visitas, do azar ao passar por gato preto, do azar de passar por baixo de escada, de espantar o azar batendo na madeira, do agouro do canto de coruja ou do anu, do barulho do pica-pau que significava gravidez de menina-moça, do passar chuva com figuras de bonequinhos atrás da porta, do comer caroço de pupunha que tornava as pessoas rudes, do casar com comadre que vira lobisomem, etc.
. LENDAS, como: do Boto, do Poço da Moça Bonita, da Ponte Grande, da Ilha da Pacoca, da Cobra Grande e outras lendas, que constituíam verdadeiras riquezas culturais contadas pela voz de nossos ribeirinhos. Muitas dessas antigas lendas estão catalogadas nos livros de muitos pesquisadores de Abaeté.

Lenda do Curupira em miriti
A lenda da Cobra grande em miriti
A lenda da cobra grande em pintura e alto relevo
A lenda do Mapinguari em miriti
A lenda do boto em miriti



 A lenda do Saci Pererê

 
CRENDICES e crenças vindas de nossos ancestrais (escravos negros e os nativos da região), como pajés e suas pajelanças, macumbeiros e suas macumbas, curandeiros/as e suas curas, garrafadas, mandingas, despachos; das adivinhações por cartas, búzios, peneiras e vidências diversas; dos rituais de benzedeiros/as de curas e espantos de azar e quebrantos.
SIMPATIAS, como prender rapaz solteiro, marido, etc. Vide literatura abaetetubense à respeito dessas simpatias.
No Museu do Ribeirinho, além dos elementos acima especificados, se buscariam os objetos dos itens acima, que poderiam ser estatuetas, esculturas, pinturas, vestuário, etc. para serem colocados em exposição.

ARTESANATO RIBEIRINHO E DAS COLÔNIAS DE ABAETÉ:
O artesanato da Região das Ilhas e da Região das Estradas de Abaeté/Pa é o mais diversificado possível e poderia reunir um rico acervo para servir de mostruário e nas vendas do Museu do Ribeirinho. Esse acervo poderia reunir:
FOTOS e históricos do artesanato em geral;
Exposição e vendas dos famosos BRINQUEDOS DE MIRITI, que, inclusive, nasceu nas Ilhas de Abaeté, com fotos, históricos e objetos produzidos por esse antigo artesanato. A versátil palmeira miritizeiro deveria possuir um histórico com o uso que se faz de suas partes, especialmente da polpa, o chamado miriti, que são fabricados os brinquedos já famosos em todo o Brasil e a ameaçada de extinção, devido derrubada das matas nativas da região das Ilhas de Abaetetuba/Pa.
Exposição e vendas do artesanato em CIPÓS da região, com fotos e históricos dos principais cipós e os objetos produzidos nesse tipo de artesanato, como arranjos florais, figuras humanas, oratórios. Jesus Crucificado e outros objetos frutos da criatividade ribeirinha.

CIPÓS USADOS NO ARTESANATO DE ABAETÉ:
Esses cipós poderiam ficar expostos à visitações e com folhetos explicativos de suas utilizações:
. Cipó mucunã, usado para amarrar pari, que era uma tapagem para apanhar peixes nos igarapés.
. Cipó escada-de-jaboti, que era usado como remédio. Ultimamente esse cipó é muito usado em arranjos florais.
. Cipó japana, que era usado como remédio para o estômago e outras utilidades.
. Cipó tucano, que era usado para se fazer o arco do matapi (armadilha para pegar camarões) e usado como remédio.
. Cipó garaxama, cipó forte, que não apodrece com facilidade, usado para amarrar as partes das antigas cabanas ribeirinhas e dos colonos da antiga cidade de Abaeté.
Cipó morcego, de utilidade variada.
. Cipó titica, muito usado no artesanato e para amarrar as talas dos aturás (cesto para transportar produtos de roçados) pelos colonos e ribeirinhos de Abaeté.
. Cipó de ceboleira, que é um cipó que desce de grandes árvores, especialmente o angelim e o piquiá e dá uma espécie de cebola selvagem e com várias utilidades.
. Cipó apuí é um cipó que envolve e chega a matar árvores sufocadas e usado nos artesanatos locais.

ARTESANATO EM SEMENTES:
Exposição e vendas do artesanato em SEMENTES, especialmente os objetos de bijuterias, como pulseiras, brincos, anéis, cordões. As principais sementes usadas nesse tipo de artesanato eram: sementes de galás-galás, açaí, tucumãs, inajás, etc.

ARTESANATO EM TALAS, FOLHAS, FIBRAS, PALHAS:




talas

Esses materiais eram largamente utilizados no artesanato local na produção de utensílios caseiros e instrumentos de trabalho e nos dias atuais são produzidos em peças em miniatura para vendas em quiosques de vendas de artesanatos.
Essas peças deveriam ficar em exposição e vendas no museu. Principais utensílios feitos de

TALAS, FOLHAS, FIBRAS E PALHAS:
 
. Abanos, instrumentos artesanais, feitos com folhas de palmeiras e usados para abanar o fogo dos fogões de lenha ou à carvão.
. Chapéus variados, feitos com talas e palhas da região. Os chapelões eram usados pelos agricultirres e canavieros/as na defesa contra o calor do sol.
. Cestinhas em palhas ou talas. Ultimamente se usam cestinhas para suportes das cuias de tacacás.
. Bolsas de variados estilos, construídos em palhas, especialmente a palha de tururi extraída da palmeira bussuá.
. Matapis, que são instrumentos artesanais, construídos com talas de palmeiras e são usados na captura dos camarões. Existem os pequenos matapís, que são amostras dos grandes e são produzidos para vendas em quiosques de artesanatos;

Acima temos foto com matapi, com tipiti e chapéus
em talas e fibras
. Pari, que é um instrumento artesanal, contruído com varas e talas resistentes e que é usado em certos tipos de pescarias.
. Cordas de enviras ou manilhas. As enviras são fibras vegetais e que entre suas múltiplas finalidades, serviam também na confecção de cordas de uso doméstico.
. Cestos e cestas de vários tipos, construídos com talas de palmeiras variadas e usos variados. Eram cestos pequenos, médios e grandes. Os grandes eram usados para guardar roupas sujas ou limpas. Os médios e pequenos serviam para usar como utensílios domésticos na guarda de frutos, objetos caseiros e jóias. Existem as cestinhas que são fabricadas para vendas nos quiosques de artesanatos;
. Paredes e coberturas de casas ribeirinhas, que eram feitas com palhas e empanadas com talas de miriti ou jupati e cipós variados. Algumas paredes eram feitas a partir das resistentes talas de jupatis ou de certas envireiras.
. Cestos para montarias (cavalos, jumentos, burros), que eram na verdade dois cestos, que ficavam ao lado das montarias e serviam para carregar os produtos dos roçados, frutos, sementes, etc.
. Aturás ou aricás, eram grandes cestos usados pelos colonos e ribeirinhos de Abaeté, confeccionados com talas de arumãs e amarrados com cipós. Possuíam pés e eram levados nas costas dos colonos e pendurados em suas cabeças através de um suporte. Serviam para carregar os produtos dos roçados como mandioca, frutas, legumes e levar mercadorias para venda na cidade e outras utilidades.
. Paneiros variados, feitos de talas de miritizeiros e outras palmeiras da região e que serviam para embalar ou carregar mercadorias diversas:

• Paneiros para embalar farinha-de-mandioca, os quais eram forrados com folhas de arumã e totalmente fechados. Hoje somente o Sr. Getúlio, da localidade Pirocaba, ainda utiliza essa técnica de embalar farinha de mandioca;
• Paneiros para carregar peixes e camarões e eram grandes e de de bocas largas;
• Paneiros para carregar frutos silvestres, como mangas, jambos, miritis;
• Paneiros de padeiros, eram grandes, de bocas largas e forrados com folhas de palmeiras;
• Rasas, paneiros para carregar o fruto do açaí, que eram chamados e eram muito resistentes e tinham furos pequenos;
• Paneirinhos de miriti, eram rústicos, compridos e usados para vender frutos de miriti;
• Paneirinhos, produzidos para vendas em quiosques de artesanatos.
. Tipitis, que são instrumentos artesanais, que são feitos de talas de arumãzeiros e servem para espremer a massa de mandioca para retirar o tucupi (sumo da mandioca). Existem os pequenos tipitis, que são amostras dos grandes tipitis, e que são fabricados para vendas em quiosques de artesanatos;
. Peneiras, que eram de dois tipos, as caroceiras, de furos grandes e as masseiras, de furos pequenos, feitas de talas de arumã e que serviam para coar açaí, mandioca e outras massas. Existem também as peneirinhas, que são fabricadas para vendas em quiosques de artesanatos.
Rede maqueira: feita de fibras do grelo do miritizeiro (é uma envira) e serve para o descanso das pessoas.
. Esteiras: feita de folhas de palmeiras ou da madeira do miritizeiro e serviam como tapetes, paredes de casas ou na decoração de casas.
. Balaios, cestos baixos, usados para guardar roupas.
. Panacaricas, coberturas em palha usadas em pequenas canoas para proteger mantimentos do sol, chuva e calor.
Abaixo temos uma pequena panacarica, feita de folhas
e talas para pequenas embarcações. A panacarica era
um artefato para proteger pessoas e mercadorias do calor
do sol e da chuva

Gaiolas feitas em talas de miriti ou jupati, utensílios ecologicamente incorretos, para prender pássaros canoros ou ornamentais da região.
Peconhas, são anéis trançados com folhas de açaizeiro, usados para subir nas palmeiras de açaizeiros para apanhar o cacho de açaí. Serve também na descida da árvore.

ÁRVORES FORNECEDORAS DE TALAS, FOLHAS, POLPAS:
. Arumanzeiro, palmeira típica da zona de várzeas, de onde se tira a tala de arumã usada para se fabricar peneiras, aturás (grande cesto usado nas costas dos agricultores para transportar produtos) e para empalhar frasqueira (Frasqueira era um grande garrafão de vidro empalhado com folhas de miriti ou obuim, atracadas com talas de arumã.
. Caranãzeiro, palmeira que dá um fruto chamado caraná e de onde se tira a tala para se fazer o matapi, instrumento artezanal usado para espremer a mandioca e tirar o tucupi, de muita utilidade na alimentação regional como tacacá, pato-no-tucupi.
. Jupatizeiro, palmeira de onde se tira a tala de jupati, usada para se fazer o pari, uma tapagem para se apanhar peixes nos igarapés.
. Marajá, palmeira com duas variedades, o marajá de várzea e o de terra-firme. O de várzea fornece a tala para se fazer o cacuri, instrumento para se pegar peixe nos igarapés.
. Miritizeiro, palmeira de onde se aproveita tudo: tala, frutos, troncos, polpa usada na fabricação dos brinquedos de miriti, rolhas. A tala de miriti possui várias utilidades na região. O fruto, miriti, é muito apreciado como alimento e para se fazer o vinho de miriti, doces, bolos.
A cachaça produzida nos engenhos de Abaeté era acondicionada em frasqueiras. Frasqueira era um grande garrafão de vidro empalhado com folhas de miriti ou obuim, atracadas com talas de arumã.
. Obim, fornecedoras de folhas para artesanatos diversos.
. Jacitara, que fornece talas para fabricar o tipiti (prensa para espremer a massa da mandioca).
. Guarumã, cuja tala serve para fabricar tipiti, instrumento para prensar a massa da mandioca e extrair o tucupi líquido muito usado na culinária de Abaeté.
. Bussuá, palmeira que fornece o tururi, material muito usado na confecção de bolsas, chapéus e até roupas artesanais.
. Raizes sapopemas ou mututis, madeira leve usada na fabricação de rolhas de garrafas e em vários artesanatos, como fabricação de barquinhos e outros briquedos.

ÁRVORES FORNECEDORAS DE ENVIRAS PARA O ARTESANATO:
. Envireira, planta de onde se tira a fibra chamada envira, usada para se fazer cordas.
. Ucima, uma espécie de malva, donde se extrai a fibra para se fazer cordas.
. Miritizeiro, palmeira de onde se tira uma envira chamada curauá, que servia para fazer cordas.
. Mamorana, se tira envira para fazer corda.
. Mucuna, se tira envira para fazer corda.
. Malva, que fornece fibras.
. Cupuaçurana
. Aningueiras
. Juta, que fornece fibras.

ARTESANATO EM MADEIRA:
Como a madeira era abundante na região, além de seu uso na construção de casas, marcenarias, construção naval, também possuía seu uso na produção artesanal de várias e pequenas peças em madeira, como: barcos ornamentais e outros brinquedos, etc.

ARTESANATO DE CUIAS
O artesanato em cuia era uma necessidade para as famílias ribeirinhas,
pois as cuias tinham variadas funções no lar e elas iam das pequenas
às grandes cuias. As grandes cuias eram chamadas cuias pitinga, que
serviam até nas necessidades fisiológicas, como recolher a urina.

 Abaixo, uma cuia usada como balde e outra usada como tijela
no meio de outros objetos da do artesanato em barro

As cueiras são vegetais da flora local que têm um fruto de forma redonda ou oval, em vários tamanhos, de casca dura e massa não comestível.
As cuias são feitas a partir das cascas dos frutos maduros da cueira e têm utilidades domésticas, na decoração e na venda do tacacá.
As cuias eram retiradas das árvores e as maiores eram usadas para se fazer as chamadas cuias pitingas ou baldes para carregar água. As cuias pitingas sofrem apenas um processo de secagem, após a retirada de suas massas, sem um devido preparo artesanal maior. Já as cuias menores sofriam, além do processo de retirada de suas massas e secagem, um processo artesanal de pinturas com tintas artesanais da planta cumatê e tinham várias utilidades como para beber água, mingaus, açaí e outros vinhos e eram muito úteis para tirar água das ondas que invadiam os pequenos barcos à remo.
Antigamente as cuias eram só pintadas na cor preta, com a tinta de cumatê, como as cuias para venda de tacacá e mingaus variados. Posteriormente passaram a sofrer um processo de preparo artesanal com pinturas coloridas e com motivações regionais, como de peixes, aves, outros animais e motivações regionais e que são vendidas em quiosques de vendas de artesanatos.

ARTESANTO EM BARRO:
Exposição e vendas de objetos e utensílios feitos de BARRO (Vide Museu da Cerâmica de Abaeté).
Artesanato em barro: pequena bacia e pequenas tijelas em barro

 As telhas eram produzidas nas olarias de Abaetetuba

Artesanato em tecidos, RENDAS e costuras, para exposição e vendas. As antigas rendas de Abaeté eram feitas nos chamados bilros manipulados pelas exímias rendeiras ribeirinhas.

TINTAS ARTESANAIS:
Na floresta existiam inúmeras árvores produtoras de tintas e estas eram preparadas artesanalmente para várias várias utilidades, conforme o caso.
Exposição de TINTAS produzidas artesanalmente, vindas de árvores como:
Urucuzeiros, que fornecem uma tinta de cor avermelhada e antigamente muito usada pelos nossos antepassados indígenas.
Casca de genipapeiros, uma planta regional, que fornecia uma tinta marron, muito usada no tingimento de velas de canoas grandes;
Tinta extraída da raiz da árvore cumatê, usada para pintar cuias. As cuias são feitas a partir da casca dos frutos da árvore cueira, que vão de pequeno até grandes frutos, donde se fabricavam as chamadas cuias. Vide Árvores fornecedoras de tintas, acima.
Areuareua, que fornecia tinta para tingir velas das canoas grandes.
Murucizeiro
Verônica, cipó que fornecia tinta e também usado na medicina popular.
Anileiras, que forneciam o anil para o tingimento de tecidos.
Mangueiros
Açaizeiros, palmeiras da região, cujos frutos comestíveis também fornecem tinta.

ILUMINAÇÃO CASEIRA:
Como antigamente não existia luz elétrica as pessoas recorriam a outros tipos de iluminação para suas casas, capelas de santos, salões de festas e barracões. Essa iluminação era feita a partir de castiçais com velas de cêra, lamparinas à querosene ou óleos vegetais, lampiões à óleos vegetais, lampiões à base de carbureto e, posteriormente, vieram as antigas lanternas à base de pilhas, que se tornaram muito úteis nas caçadas e pescarias noturnas. O hábito de caçar à noite providos de lanternas criou o verbo “lanternar”, termo que aqui era entendido como sinônimo de caçar à noite.

A MEDICINA POPULAR DE ABAETÉ:
A medicina popular ou caseira de Abaeté se tornou um forte elemento na cultura ribeirinha, onde vários elementos eram retirados da fauna e flora regional para o preparo dos medicamentos usados nessa antiga medicina, como:
Uso de Plantas Medicinais, na forma de frutos, sementes, folhas, raízes, que eram ervas abundantes na região e usadas no combate a várias enfermidades, como: verminoses, dores, problemas na garganta e boca, problemas de estômago, intestino e fígado, derrames, cicatrizações de feridas, coração, dores variadas, problemas de pulmões, como tosses, asmas e catarro, gripes, etc. Vide postagem sobre Flora e Fauna de Abaeté;

Abaixo temos uma pequena parcela de plantas medicinais de Abaetetuba


. Uso de Mel de Abelhas e Mel de Cana-de-Açúcar;
. Uso de Leites medicinais, como:
Leite de Sucuúba, que é um leite vegetal;
Leite de Cachiinguba, que é um leite vegetal;
Leite de Amapá, que é um leite vegetal;
. Uso de Cascas Vegetais, sendo as mais comuns as cascas de:
Casca da planta sucuúba;
Casca da planta cachinguba;
Casca de cajueiro;
Casca da planta verônica;
. Uso de chás diversos, como:
Chá de erva-doce;
Chá de erva-cidreira;
Chá de capim marinho;
Chá de camomila;
Chá de folha de laranjeira;
Chá de folhas de canela;
etc.
. Uso de Óleos e Banhas, que eram largamente utilizados, como:
Banhas de animais, como: cobras jibóias, jacarés, tartarugas, carneiros, galinhas, patos, etc;
Banhas e Óleos vegetais, como: óleo de andiroba, mamona, copaíba, óleo de patuá, banha de pupunha, etc;

4. O MUSEU DOS COLONOS DE ABAETÉ, JUSTIFICATIVA E CONTEÚDOS:
Os colonos da Região das Estradas de Abaetetuba, como os ribeirinhos de Abaetetuba, também possuem uma rica história e cultura diversificada e essa área não pode ficar sem um museu que possa preservar essa memória, que inclui alguns itens culturais já expostos no Museu dos Ribeirinhos e mais outras atividades que eram peculiares aos colonos das estradas, como: roçados de terra firme, trabalhos de carvoarias, trabalhos nas casas de farinha e as atividades em casa e coleta de frutos nas florestas.
De posse desses conhecimentos, fotos e reunindo os materiais usados nessas atividades, pode-se criar um rico acervo da cultura desses colonos para expor em um museu.
Ao redor desse museu seriam criadas pousadas com lanchonetes, restaurantes ou praças de alimentação de comidas típicas da região.

Atrações Turísticas Para o Museu dos Colonos das Estradas de Abaetetuba:
CASA DE FARINHA:
Como uma boa atração turística poderia ser construída uma “Casa de Farinha”, devidamente equipada com todos os componentes de uma casa, com taxos, tipitis, fornos e com folhetos explicativos da produção de farinha de mandioca, que é a mais antiga e tradicional atividade dos colonos de Abaetetuba.

OS CAMPOS NATURAIS:
Os Campos Naturais das estradas de Abaeté, com suas jazidas mineralógicas e sua vegetação característica, especialmente as flores do campo. Muitos desses campos naturais já foram degradados pela ação humana pela exploração de seus areais.
Abaixo
Abaixo temos fotos de um dos inúmeros 'campos naturais' de
Abaetetuba, sendo que esses predominam algumas restantes
'minas' de barro e pedrinhas, enquanto que existem muitos
com predominância de 'minas de areia. Vale ressaltar, que por
serem solos arenosos, a vegetação é rasteira com predominância
de gramíneas e pequenos arbustos.


IGARAPÉS E LAGOS:
São muitos os igarapés e lagos de águas frias da região das estradas que poderiam ser transformados em balneários com uma boa infra-estrutura e que serviriam para banhos relaxantes por parte dos turistas.

CASA DE COLONO:
Poderia ser construída uma típica casa antiga dos primeiros colonos de Abaeté, construída na forma de palhoça, com cobertura de cavacos de madeira e paredes com casca de envireiras e contendo os utensílios e objetos usados pelas antigas famílias, como redes para descanso, potes e filtros de água, fogões à carvão ou fogões à lenha e outros materiais usados nas atividades de trabalho dos colonos, como: chapéus de palhas, cachimbos de barro ou cigarros de palha, facas, facões, enxadas e instrumentos de caças como as antigas espingardas e os cestos para coleta de mandioca, verduras e frutos, como os antigos aturás. Outros elementos importantes nas atividades dos colonos eram suas montarias como os cavalos, mulas e burros, que também eram usados nas carroças que eram muito úteis no transporte de mercadorias para a cidade na forma de paneiros de farinha de mandioca, sacas de carvão, feixes de lenhas.

CARVOEIROS E CAIEIRAS:
O CARVOEIRO era uma figura tradicional da Região das Estradas de Abaeté. Ele sabia que tipos de árvores poderiam ser “derribadas” para a extração das toras de madeira para as suas carvoarias, que aqui eram chamadas de “caieiras” e assim produzir o carvão para ser vendido na cidade onde o uso de fogão à carvão era generalizado e para as suas necessidades de cozimento dos alimentos, beijus e doces rurais em seus fogões à carvão. Convém salientar que nesses antigos tempos não existia energia elétrica e a produção de farinha e dos alimentos caseiros eram feitos nos antigos fornos à lenha ou fogões à carvão ou à lenha.

Preparo das Caieiras:
Depois que a madeira estava empilhada e pronta para produzir o carvão, o carvoeiro fazia uma grande vala de relativa profundidade e ali colocava os galhos e troncos das árvores, devidamente envolvidas em folhas de bananeiras ou sororocas e quando o buraco ficava cheio, o carvoeiro utilizava a mesma terra retirada do buraco, já devidamente umedecida e transformada em barro para forrar externamente a estrutura, formando a chamada “caieira”, que possuí apenas um pequeno orifício, o “suspiro” para a circulação do ar e saída da fumaça da caieira. Esse processo levava alguns dias até transformar a madeira em carvão. Depois que o carvão ficava pronto ele era retirado da caiera, esfriado e acondicionado em sacas de sarrapilheira e levado para venda na feira de Abaeté. A maioria dos fogões das casas da cidade eram à carvão, como também os ferros de passar roupa. Portanto, durante muitos anos, o carvão desempenhou papel importante nas casas abaeteenses.

PILÃO E MÃO DE PILÃO:
Pilão e mão de pilão, instrumentos feitos de madeira e que serviam na socagem de arroz, milho, gergelim e assim eram transformados em alimentos para uso das famílias rurais e da cidade de Abaeté.
Abaixo temos dois tipos de pilões, sendo o 1º fabricado em
oficina de carpinteiro com tornos e o 2º construído à base de
de machadinha e inchó, sendo o mais antigo que já nos deparamos.



FLORESTAS EM PERIGO:
As florestas de Abaetetuba a partir do início do século 20 começaram a ser derrubadas para a implantação dos chamados “roçados” ou para a retirada de madeira para diversos fins e, modernamente, os trechos que restavam das florestas primárias foram derrubados para a implantação de fazendas de gado, centros de lazer, construção de ramais de estradas, restando poucas áreas da floresta primária de terra firme, permanecendo uma floresta secundária onde ainda se podem apreciar as últimas espécies das belas palmeiras e outras árvores de uso não comercial da região. As árvores de madeira-de-lei também já não mais existem em Abaetetuba e a madeira aqui utilizada vem dos vizinhos municípios de Moju, Tailândia e de outras áreas de florestas nativas da micro-região.

Outro fator para a derrubada de trechos de florestas em Abaetetuba e no vizinho município de Barcarena/Pa foi a implantação do Pólo Industrial ALBRÁS/ALUNORTE e outras indústrias nas vizinhanças de Abaetetuba e muitas áreas de florestas continuam a ser derrubadas para atender a demanda por moradias de pessoas que continuam chegando à região e pelas inúmeras invasões de terras comandadas por ordas de “sem-terras” que continuam a ocupar áreas de florestas. A aprazível Vila de Beja, que é distrito de Abaetetuba, está tendo suas terras invadidas, pelo fato de se localizar às proximidades dos projetos industriais de Barcarena e ninguém toma nenhuma providência para coibir essa prática predatória de ocupação de florestas.
As nossas florestas de terra firme e de várzeas perderam
muitas espécies vegetais devido a procura por madeira
de lei, fabricação de carvão e lenha, construção de barcos
em madeira e a construção civil que exigia diferentes
tipos de madeira em suas obras. Vide abaixo as nossas
restantes 'florestas terciárias' de várzea e terra firme.




Somente com uma ação de replantio de árvores nativas locais é que se poderia recuperar um pouco da então exuberante 'Floresta Primária de Terra Firme e de Várzea' que já existiram em Abaetetuba/Pa e sua região.

ADMINISTRAÇÃO DO MUSEU DOS COLONOS:
Para administrar o Museu dos Colonos das Estradas de Abaetetuba ficaria o órgão responsável pelo Turismo no município e as associações e entidades dos agricultores e moradores dessa região.
Prof. Ademir Rocha, de Abaetetuba/Pa, em 2/6/2010

Continua em uma próxima postagem.

Nenhum comentário:

Postar um comentário