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sábado, 2 de janeiro de 2010

HISTÓRIA E MEMÓRIA 1


HISTÓRIA E MEMÓRIA






A terra existe, o povo existe, os rios existem, as ilhas existem, as casas e prédios existem, os nomes existem, as pessoas existem, as artes e culturas existem, a culinária existe, o vestuário existe. São tudo perceptíveis à nossos olhos e demais sentidos, mas de modo superficial.


Quando viajamos, deparamos, vemos e sentimos essas coisas, cara à cara. Mas um dos problemas daquilo que se avista é que essas nunca se apresentam integrais. São como são à nossos olhos e não temos curiosidades de aprofundar n/olhar e ver o que querem dizer. São vistas em estado bruto e não sentimos o que representam, o que realmente são. Às vezes, quando uma curiosidade ou uma outra motivação fútil nos assalta, recorremos a alguém p/perguntar alguma coisa s/o assunto, e só. Sem aprofundamentos, s/questionamentos, sem interrogações mais profundas.


Alguém já se perguntou por que o nome do rio Tucumanduba é rio Tucumanduba? Qual s/papel na história do povo abaeteense? Qual a flora e fauna que já teve? Quais os povos que habitaram em s/margens?


Se não avançarmos em nossas interrogações o rio Tucumanduba continuará sendo apenas um rio e só um rio.


Devemos saber que ele já foi escoadouro de riquezas, abrigou comércios e engenhos nas s/margens, que ali existiu um quilombo de escravos, que nas s/margens os descendentes dos antigos habitantes ainda estão lá, c/suas feições típicas que lembram s/antepassados índios, negros ou brancos, que já forneceu nomes ilustres p/a história do lugar e do município, na música, na política ou na religião.


Assim, o rio Tucumanduba, que antes era apenas um rio, agora ganha a n/olhos e n/mentes uma nova visão, permeada de aspectos ricos e desconhecidos p/nós. Se torna um local histórico, cuja história deve ser preservada, para que esse rio não seja apenas um rio em n/visão. Um rio que forneceu milhares de toneladas de pescados p/alimentar índios, colonos, e ribeirinhos e forneceu nomes notáveis de n/história.

Assim também um nome, um nome que tanta vezes já nos deparamos c/ele e que ele continua a ser apenas um nome em n/mente, sem muita importância e significados. P/exemplo, farinha de mandioca/fainha, tão importante em n/culinária, cujo uso e fabricação remonta a séculos de n/história, quando n/antepassados, os índios, já a fabricavam e usavam em sua alimentação, que é a farinha de maior consumo na Amazônia, usada p/todas as classes sociais. Que s/fabricação é feita a partir da mandioca, que antes é plantada nos ‘roçados”, depois retirada das roças e colocada de molho nos rios para amolecer, ficando mais fácil de manusear, no descascamento, fermentação e maceração em apetrechos como o tipiti, para separar seus subprodutos como o tucupi, a curera e que, depois de devidamente prensada e separada de s/subprodutos no tipiti, é levada ao forno em processo de secagem e torragem. Todo esse processo, como já dissemos, demandou tempo e história p/poder chegar a n/dias.


Antes desses conhecimentos, a farinha de mandioca continuaria a ser apenas a farinha de mandioca, um nome s/importância, talvez com algums acréscimo de gostosa, saborosa e imprescindível nas mesas amazônicas com o açaí, peixe, carne ou charque assado, e nada mais.
Como o rio Tucumanduba e farinha de mandioca, tudo é importante para a história e memória de um povo.

Portanto, se olharmos o mundo s/os devidos conhecimentos, o mundo parecerá aquilo que é à primeira vista, simplesmente um rio, uma casa, uma pessoa, um objeto, um nome. Essas coisas não entram em n/mentes, em n/mundo, por que não as vemos como elas realmente são: a história, a memória de um povo. Mas se olharmos o mundo com um olhar diferenciado, aquilo que vemos se torna um lugar de verdadeira história e memória

Abaetetuba/Pa, em 2/1/2010 – Prof. Ademir Rocha.

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