Celino Cardoso
Postagem em construção:
Formação:
Em pé:
Taviro, Maxico, Cabecinha, Lucídio, Raimundo Vicente, João Coforote. Mané Roque, Bechoara, Heráclito Sales, 10º.......
Sentados:
Cacau, João Bostoque, Mengo, Vicente Maciel, Bento, Alcindino Carvalho, Mestre Rosa, Quincas
Formação:
1ª fila:
1º......., Manoel João, Burgo, Vandi, Bechoara
2ª fila
Benito, Prudente, Luís Nilamon
3ª fila:
Vicente Maciel, Orencinho, Manoel Antonio
Maestro: Rui Guilherme
Sentado: Chiquinho Margalho (mestre da banda), último sentado à
direita
Cilomário Ferreira Cardoso/Celino Cardoso
07/03/2018 – Entrevista
Obs: postagem em construção, passível de correções e novas informações.
. CILOMÁRIO FERREIRA CARDOSO/Celino Cardoso, com 91 anos em 07/03/2018, portanto nascido em 1927, foi músico e ..., é morador das Ilhas de Abaetetuba, localidade Rio Vilhena, e com 91 anos tem uma prodigiosa memória, onde se lembra de todos os fatos de sua vida particular, das pessoas em sua volta , de seu ambiente e fatos e de sua vida de músico dos conjuntos musicais dos quais participou e da Banda Virgem da Conceição, do tempo de Chiquinho Margalho, onde foi um de seus co-fundadores. Celino Cardoso, c/c Célia Moraes Feio Cardoso e tem 6 filhas e 3 filhos: Cecília Cilomar, Guiomar, Cenira, Raimunda, Maria José, Nazaré do Socorro, João Paulo, Mário e Pedro Emílio de Almeida Cardoso (vide abaixo a genealogia desta família).
Era filho extra-conjugal de Maximiliano de Almeida Cardoso Júnior/Maxiquinho, e fala brincando: "filho da fortuna" e seu pai Maximiliano de Almeida Cardoso Júnior é filho do Coronel Maximiliano Cardoso, este dono de engenhos e fazendas (Vide abaixo), com Raimunda Ferreira Macedo, sendo seu pai de criação o Sr. Manoel Primo Rodrigues, este casado com Joana de Almeida Rodrigues, esta uma ribeirinha da localidade Rio Vilhena, na divisa entre Abaetetuba e Igarapé-Miri, rio que é interligado ao Rio Cuitininga, também nas proximidades de Igarapé-Miri.
Portanto, o Mestre musical Celino Cardoso, tem como seus avós paternos o Coronel Maximiliano Cardoso e Ana de Almeida Cardoso.
Portanto, o Mestre musical Celino Cardoso, tem como seus avós paternos o Coronel Maximiliano Cardoso e Ana de Almeida Cardoso.
. Maximiliano Cardoso, o pai do Maxiquinho, era o abastado senhor de escravos, dono de muitas terras, engenhos, barcos, criador de porcos e outros animais e dono de outros bens e coronel da antiga Guarda Nacional em Abaeté, que era casado com Ana de Almeida Cardoso. Vide genealogia abaixo ou Genealogia da Família Cardoso.
A Senhora Esmerina de Almeida Cardoso, que foi casada com o ex-prefeito empossado por alguns meses na Prefeitura Municipal de Abaetetuba, Sr. Latino Lídio da Silva, logo, sua esposa Esmerina e seus irmãos eram tios de Celino Cardoso e a Sra. Aureliana Miranda, que foi dona do Cartório de Registro de Imóveis, em Abaetetuba, era sua prima por ser filha de...Vide genealogia abaixo.
Histórico musical de Celino Cardoso
Quando garoto Celino Cardoso aprendeu intuitivamente a tocar uma flautinha feita de taboca de bambu na localidade Furo Grande do Tucumanduba, no Igarapé Peua, onde mora até os dias atuais. Quando e músico e professor de música e seu vizinho e cunhado Raimundo Nonato viu o menino, então com seus 11 a 12 anos, tocando na flautinha de taboca de bambu, perguntou ao mesmo se não queria estudar teoria musical. Aí vieram os primeiros ensinamentos de música da parte que trata da melodia, harmonia e rítmo e outras aulas de teoria musical e mais algumas aulas de música, na chamada escala musical, que são a parte de música onde se aprende a tirar as notas nos intrumentos musicais, num total de 13 aulas numa flauta de Ébano. Aí o Sr. Celino já tendo essa pouca informação musical, passou a tocar num sax alto bi-bemol. Foi assim que o Sr. Celino, desde muito jovem, passou a integrar o Conjunto Barrinha, do seu cunhado e vizinho, Sr. Raimundo Nonato, que fazia suas tocatas na sua localidades e redondezas.
Os músicos do Conjunto Barrinha acabaram se desentendendo e eles acabaram se separando. Mas o Sr. Raimundo Nonato aproveitou esse tempo para dar mais algumas lições de música, agora na chamada escala musical para o ainda menino Celino, que somando tudo, chegava a treze lições musicais que o menino recebera do Mestre Raimundo Nonato. Mas como Celino aprendia música intuitivamente, ou ‘de ouvido’ como se costumava chamar, foi para a frente nessa atividade de músico.
O Sr. Celino, já com seus 13, 14 anos, participava do Conjunto Barrinha, tocando apenas 16 números do chamado ‘arquivo musical’ desse conjunto e dos seguintes de que viera participar, ainda menino. Eles tocavam em festas dançantes, após os atos religiosos dos santos das localidades.
O Conjunto Barrinho
O músico e professor de música Raimundo Nonato, cunhado de Celino, tocava o instrumento pistão e tinha um conjunto musical na localidade ...chamado Conjunto Barrinha, a que já nos reportamos acima, assim chamado por causa do barro do local (ver o fato do nome com o Sr. Celino). Esse conjunto era formado pelo senhor Raimundo Nonato (tocando pistão), Raimundo do Carmo Maués (este que era o pai do conhecido Lucinan Maués e seus irmãos), que tocava sax soprano, Manoel dos Santos, que tocava trombone, João Pina Correa, que tocava contrabaixo de sopro ou de pistão (aquele com três teclas).
Formação do Conjunto Musical Barrinho:
. Raimundo Nonato, tocando pistão
. Celino Cardoso, tocando sax alto em bi-bemol
. Raimundo do Carmo Maués, tocando sax soprano
. Manoel dos Santos, tocando trombone
. João Pina Correa, tocando contrabaixo de sopro (pistão de 3 teclas)
O nome Barrinho ficou com os outros músicos que se separaram da formação do conjunto do Sr. Raimundo Nonato.
Com a separação de alguns músicos do conjunto do Sr. Raimundo Nonato, este criou um novo conjunto que ficou sem nome por algum tempo.
O novo conjunto musical sem nome:
O novo conjunto do Sr. Raimundo Nonato era formado por ele mesmo e pelos músicos:
. Celino, tocando sax alto bi-bemol (nosso entrevistado);
. João Pina, tocando contrabaixo de sopro de 3 teclas;
. Zinho Maués, na bateria;
. Lázaro Gonçalves, no banjo.
No conjunto de seu cunhado Raimundo Nonato, Celino chegou a incursionar pelo Rio Pracuhuba, município de Muaná, no Marajó, em São Sebastião de Boa Vista, também no Marajó. Com as amizades adquiridas no Marajó, o seu cunhado Raimundo Nonato, muda para a localidade de São Miguel do Pracuhuba, para ensinar música aos jovens dessa localidade e, desse modo, o conjunto fica praticamente desfeito.
O Conjunto Palha Verde:
Assim, o jovem Celino, entra para o Conjunto Palha Verde, do Sr. Zózimo Palha Verde, este casado com a Sra. Raimunda na localidade Rio Camarãoquara, na divisa com o município de Igarapé-Miri.
1ª Formação do Conjunto Palha Verde:
2ª Formação do Conjunto Palha Verde:
Mas aconteceu um desentendimento entre os músicos desse conjunto e com essa divisão surgiram os conjuntos Palha Verde e o Palha Seca, este ficando na direção do músico Raimundo Silva.
O Conjunto Palha Verde Reorganizado:
Com o Conjunto Palha Verde reorganizado, além do músico Zózimo Palha Verde na direção, este casado com a Sra. Raimunda, entraram os músicos: Agenor Silva, este tio do conhecido músico Bosa e que o criou, músico que veio a se tornar um dos mais conceituados de Abaetetuba, tocando trombone; Ananias Silva Rodrigues, conhecido como Caboco Pica Pau, tocando pistão; Eládio Almeida, tocando contrabaixo de sopro; Tomás/Tomás de Aquino Almeida, como baterista, que foi outro músico altamente intuitivo, que também ficou famoso em Abaetetuba; Francisco dos Santos, no banjo e o jovem Celino, então com os seus 16 anos, tocando trombone, além da flauta.
Observa-se que saíram quase todos os músicos do antigo Conjunto Palha Verde, ficando apenas o Sr. Zózimo, que convidou outros músicos para uma 2ª formação.
2ª formação do Palha Verde:
. Zózimo Palha Verde, na direção e tocando
. Agenor Silva, tocando trombone
. Caboco Pica-Pau/Ananias/Ananias Silva Rodrigues, tocando pistão;
. Eládio Almeida, tocando contrabaixo de sopro (pistão de 3 teclas);
. Tomás de Almeida/Tomás de Aquino Almeida, como baterista;
. Francisco dos Santos, tocando banjo;
. Celino Cardoso/Cilomário Ferreira Cardoso, tocando trombone.
Assim, o jovem músico e ribeirinho Celino Cardoso, ficou 14 anos tocando no Conjunto Palha Verde, até seus 25 anos, em Abaeté, quando já tinha casado aos 23 anos (1940) com Célia Moraes Feio Cardoso
"A palha vai voar"
Foi a rixa entre esses dois grandes conjuntos musicais 'palha' de Abaeté que se criou a expressão “Hoje a palha vai voar”, que quer dizer mais ou menos isso: “ dois grandes conjuntos de Abaetetuba vão tocar e os convidados às festas vão se esbaldar na dança ou simplesmente se deliciar com a performance desses antigos conjuntos musicais do interior de Abaetetuba”. “A palha vai voar” é uma expressão usada até os dias atuais em relação às festas dançantes, carnaval, futebol ou outros acontecimentos expressivos no município. O jovem Celino, já com seus 14 a 18 anos então, hoje com seus 91 anos, participou desses grandes acontecimentos musicais.
O desmonte do Conjunto Palha Verde:
Porém a esposa do músico Zózimo Palha Verde, era uma pessoa de difícil relacionamento, devido às seguidas ausências do marido, que saía amiúde para participar das antigas ‘tocatas’ pelas mais diversas localidades de Abaetetuba e redondezas, e ela culpava-o disso e não se relacionava com os demais músicos do Conjunto Palha Verde. Por causa disso, 5 dos componentes desse conjunto resolveram sair do mesmo, ficando só o Sr. Zózimo, mais uma vez.
O Mestre Agenor Silva entrando na cena musical antiga de Abaetetuba:
O Jazz Brasil
Saíram do antigo Conjunto Palha Verde os músicos: Caboco Pica-Pau/Ananias, Celino, Agenor, Eládio, Tomás, que foram formar em um ‘jazz’, que era uma expressão para os novos conjuntos musicais que se formavam naqueles tempos, já sob a influência do rítmo ‘jazz’, dos Estados Unidos. Já que existiam os: “Jazz Abaeté”, em Abaeté; “Jazz Igarapé-Miri”, em Igarapé-Miri e “Jazz Pará”, em Belém, o jovem Celino deu a sugestão de “Jazz Brasil” para o novo conjunto formado pelo já chamado Mestre Agenor/Agenor Silva. A bateria desse conjunto foi pintada com duas bandeiras intercruzadas, a do Brasil e a do Pará. Assim, a 1ª formação do novo “Jazz Brasil”, ficou sendo a seguinte: Caboco Pica Pau/Ananias/Ananias Silva Rodrigues, tocando pistão; Celino Cardoso, tocando sax alto bi-bemol; Agenor Silva; Eládio Almeida, tocando contrabaixo de sopro (pistão de 3 teclas); Tomás Almeida, tocando bateria, acimas citados e saídos do Conjunto Palha Verde e mais os músicos: Sebastião Pinheiro/Nito, tocando banjo; Bebé, tocando pandeiro. Essa foi a 1ª formação do antigo “Jazz Brasil”, criado pelo Mestre Agenor/Agenor Silva.
1ª formação do Jazz Brasil:
. Mestre Agenor Silva, dirigente, tocando trombone;
. Caboco Pica-Pau/Ananias, tocando pistão;
. Celino Cardoso, tocando sax alto
. Eládio Almeida, tocando contrabaixo de sopro (pistão);
. Tomás Almeida, tocando bateria
. Nito/Sebastião Pinheiro, tocando banjo;
. Bebé, tocando pandeiro
O Conjunto Palha Seca
O Conjunto Palha Seca ficou na direção do Sr. Raimundo Silva.
Celino Cardoso e a Banda Virgem da Conceição:
O Sr. Celino Cardoso diz que a Banda Virgem da Conceição nasceu de um atrito dos dirigentes da Banda Carlos Gomes com os Padres Capuchinos, numa confusão dos irmãos Araújo, Pedro e Prudente Ribeiro de Araújo com os ditos padres. A Banda Carlos Gomes tinha como patrono o santo São Raimundo Nonato, cujas festividades já eram celebradas na Nova Igreja Matriz de Abaeté ou Igreja de Nossa Senhora da Conceição, ainda não concluída totalmente, mas já realizando festas e outros eventos religiosos. Os Frades Capuchinhos cobraram a prestação de contas das festas de São Raimundo Nonato e os irmãos Araujo respondiam sempre que os lucros da festas eram para cobrir os custos dos festejos de N. S. da Conceição e da Banda Carlos Gomes, da qual também eram dirigentes. Esse fato criou um mal estar entre as partes e os freis acabaram convocando o Mestre Chiquinho Margalho para criar uma outra banda para os festejos de santos e demais cerimônias religiosas na nova Igreja Matriz, isso em um prazo muito curto de tempo. O Mestre Chiquinho Margalho era o mestre da Banda Carlos Gomes, em confiança dos irmãos Pauxis, especialmente do Mestre Raimundo Pauxis, que reconhecia os altos conhecimentos musicais de seu pupilo Chiquinho Margalho, isto tudo nos fins da década de 1930 e início da década de 1940. Mas o Mestre Chiquinho Margalho aceitou o pedido de seus grandes amigos, os Padres Capuchinhos Arcádio, Hermes e outro que revezavam na assistência religiosa e espiritual da então Paróquia de Nossa S. da Conceição. Disse o Sr. Celino que Margalho, já no mês de maio de 1949, só mandava os bilhetes para os músicos do interior e alguns da cidade, especialmente do Rio Panacuera do Igarapé-Miri e Maracapucu, onde recrutou os músicos Raimundo Luiz, Manivela, Alcindo, Pipira e outros. Nesse tempo, eram diretores da Festa de Nossa S. da Conceição o Sr. Joaquim Mendes Contente, presidente; o juiz de direito Hugo Ferreira de Mendonça, o Sr. Zé Capataz, o Sr. Raimundo Quaresma, João Veleiro/João Pereira e outros que faziam parte da diretoria da festa. Depois dos músicos já devidamente convocados por Chiquinho Margalho para a 1ª composição da Banda, tendo a ajudá-lo o Mestre Agenor e outros músicos vindos do Jazz Brasil, este convocou os dirigentes da Festa de Conceição e lhes mostrou uma lista com o valor estimado para a composição da nova Banda Virgem da Conceição, esta composta com 28 nomes, vindos especialmente de músicos do interior e alguns da cidade. Os dirigentes da Festa de Nossa S. da Conceição se assustaram com o valor para a organização da nova banda, mas os mestres Chiquinho Margalho e Agenor Silva explicaram que o valor era para uniformizar os músicos e dotá-los de alguns componentes essenciais para a banda como: cadernos de partituras e seus suportes e outros.
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Chiquinho Margalho
Participou da Banda Carlos Gomes, no tempo do Mestre Raimundo Pauxis. Se desentendeu com os responsáveis da Banda Carlos Gomes e com o incentivo dos padres capuchinhos, que estavam de relações estremecidas com os dirigentes da Banda Carlos Gomes, funda a Banda Virgem da Conceição, junto com outro grande mestre musical, Agenor Silva e outros músicos. Seu conjunto musical o “Jazz do Margalho” se tornou famoso na região, tocando nos bailes da época.
Participou da Banda Carlos Gomes, no tempo do Mestre Raimundo Pauxis. Se desentendeu com os responsáveis da Banda Carlos Gomes e com o incentivo dos padres capuchinhos, que estavam de relações estremecidas com os dirigentes da Banda Carlos Gomes, funda a Banda Virgem da Conceição, junto com outro grande mestre musical, Agenor Silva e outros músicos. Seu conjunto musical o “Jazz do Margalho” se tornou famoso na região, tocando nos bailes da época.
Inicialmente, Chiquinho Margalho era componente da famosa Banda Carlos Gomes, comandada p/Raimundo Pauxis/Raymmundo Nonnato da Silva Pauxis. Depois da morte de Raimundo Pauxis em 1948, Chiquinho Margalho assume o comando da Banda Carlos Gomes. Chiquinho Margalho adota a forte disciplina que caracterizava a Banda Carlos Gomes no tempo de Raimundo Pauxis e, por isso, as apresentações da Banda Carlos Gomes continuaram primorosas nas músicas e evoluções de banda.
Posteriormente, Chiquinho Margalho, c/o incentivo dos padres capuchinhos, funda, junto com Agenor Silva e outros músicos, uma nova banda, a Banda Virgem da Conceição, que como o nome diz, reflete o s/lado católico, devoto da Virgem da Conceição e de S. Miguel de Beja e p/ser muito amigo dos padres.
Ele estudou com o Padre Luis Varella e as notas musicais, aprendeu com Raimundo Pauxis.
No tempo dos padres capuchinhos, o Frei Hermes, que era médico, cuidava de sua frágil saúde.
A BANDA VIRGEM DA CONCEIÇÃO
A Banda Virgem da Conceição foi fundada, Agenor Silva e Chiquinho Margalho em 15/9/1949, junto com outros co-fundadores, c/sede provisória na então Rua Nilo Peçanha/hoje Rua Getúlio Vargas, casa de s/sobrinha, Luiza da Gama Margalho, que, inclusive, confeccionou o 1º e pesado fardamento dos músicos da nova banda. Chiquinho Margalho tornou-se, obviamente, o 1º mestre e maestro da nova banda.
Essa banda musical nasceu de um desentendimento dos dirigentes da Banda Carlos Gomes c/os padres capuchinhos. Como Chiquinho Margalho era devoto ardoroso da Virgem da Conceição e de São Miguel de Beja, ele optou p/ficar do lado dos padres, nessa desavença. Como não houve acordo, ele, instigado pelos padres capuchinho da época, saiu da Carlos Gomes e começou a recrutar os bons músicos pelo rico celeiro musical, o interior do município. As razões para as desavenças dos padres capuchinhos eram as mesmas de outras desavenças c/os dirigentes da Banda Carlos Gomes:
Em 1941 aconteceu um 3º atrito dos dirigentes da Banda Carlos Gomes e, p/conseqüência, dos organizadores da festa de São Raimundo Nonato, ainda liderada p/Raimundo Pauxis, c/os dirigentes da Igreja Católica, nos tempos dos Padres Capuchinhos. Os motivos foram os de sempre e com o agravante do inchaço da Confraria de São Raimundo Nonato, onde, muitos desses confrades, diziam os frades, “não possuíam condições morais para participar da confraria”. Ressalte-se que a arregimentação de confrades era feita pelos dirigentes da confraria, que era uma entidade católica independente da Igreja.
Esses frades vieram para ficar em definitivo à frente da Paróquia de Abaeté, e desejavam tomar o controle da paróquia, a começar pela organização dos festejos dos santos populares, que estavam inteiramente nas mãos de cristãos leigos, c/pouca influência dos padres.
Esses fatos se acirraram no tempo do Frei José Maria de Manaus em 1941, Vigário de Abaeté. Os dirigentes da festividade de São Raimundo Nonato se dirigiram a esse frei p/tratar da realização desses festejos, nesse ano. O frei lhes diz que tinha recebido ordens do Frei Paulino Shelere, que era seu superior, para que a festa não fosse realizada naquele ano. Essa notícia foi um choque, não só para os dirigentes da festa, que eram os mesmo dirigentes da Banda Carlos Gomes, como para a comunidade católica local, devido esses festejos terem adquirido tradição, tornando-se a 2ª maior festa, depois da festa da Padroeira, Nossa Senhora da Conceição.
Perguntaram os motivos e o frei lhes disse aqueles motivos já conhecidos: os motivos profanos da festa, a festa fora do controle da igreja, os lucros que nunca chegavam para ajudar nos gastos da Paróquia, a presença de muitos membros indignos na Confraria de São Raimundo Nonato etc.
Os dirigentes da banda tentaram rebater, dizendo que os lucros eram depositados em poupança na Caixa Econômica, para atender eventuais necessidades dos componentes da banda, como doenças, falecimentos com seus funerais e que os membros da banda nada recebiam como pagamento. E que com os saldos das festas também se pagavam as viagens da banda, os padres que participavam dos festejos de São Raimundo e as atividades da Confraria de São Raimundo Nonato. Isso explica o novo nome que o clube recebeu, de Clube Musical e Beneficiente Carlos Gomes.
Mas o frei estava irredutível na decisão. Foi a partir daí que se criou uma grande divisão na Igreja Católica, com dois festejos simultâneos de um mesmo santo, no caso São Raimundo Nonato. Vide livro “Verdades, Atos e Fatos Ainda Não Ditos” da historiadora abaeteense, Maria do Monte Serrat.
Com a chegada dos padres capuchinhos, Chiquinho Margalho, como bom católico que era, devoto da Virgem da Conceição e de São Miguel de Beja, tornou-se amigo desses padres e, a convite dos mesmos, no meio dos atritos desses frades com os dirigentes da Banda Carlos Gomes, passa para o lado dos padres e ajuda na criação de uma nova banda, para tocar nos festejos de santos celebrados na nova Igreja Matriz, a começar da festa de São Raimundo Nonato, que se aproximava.
A nova banda criada por Agenor Silva e Chiquinho Margalho e outros co-fundadores, em 15/9/1949, recebeu a denominação de “Banda Virgem da Conceição”.
Essa banda foi criada às pressas, onde os músicos foram recrutados, na sua maior parte, pelo interior do município, rico celeiro de bons “músicos de ouvido”. Eram agricultores e pescadores que se sentiram desconfortáveis nas pesadas fardas, sapatos, chapéus, que constituía o fardamento da nova banda. Os ensaios das músicas não foram um problema, mas o fardamento, as marchas e evoluções se tornaram um enorme obstáculo a ser superado. Foi, desse modo, que surgiu a Banda Virgem da Conceição, que passou a ter a preferência dos padres nas festas realizadas na nova Igreja Matriz de Abaeté.
Para complicar ainda mais a situação dos festejos de São Raimundo Nonato, organizado pela Banda Carlos Gomes, Raimundo Pauxis falece em 1948 e esse fato leva os padres, no mesmo ano, a mandar derrubar a Igreja do Divino, pois o grande obstáculo, que era o influente diretor da festa de S. Raimundo e da Banda Carlos Gomes, havia falecido. E com a posse do fervoroso católico e novo prefeito de Abaeté, Joaquim Mendes Contente (1951-1955), este proibiu os ditos festejos que eram realizados na praça pública do Divino.
Alguns grandes músicos da banda Virgem da Conceição: Agenor Silva, Chiquinho Margalho, Bento de Sousa, Cilomário Ferreira Cardoso/Celino Cardoso, Raimundo Xavier, Manivela, Pipira, João Perna, Sinfrônio Quaresma; Raimundo Vicente, Miguel Pontes, este era sapateiro e tocava tarol.
A primeira diretoria da banda era assim constituída: Francisco de Miranda Margalho, presidente; Agenor Ferreira da Silva, vice-presidente; Raimundo da Silva Xavier, secretário; Bento de Sousa, tesoureiro.
No seu 1º derrame cerebral Chiquinho Margalho esqueceu quase tudo sobre sua vida, inclusive a música. Ele chorava, tentando ler as partituras. Mas, aos poucos, foi recuperando a memória.
Músico apaixonado que viveu e morreu pela música. Inicialmente tocou muitos anos na Banda Carlos Gomes, onde se de desentendeu com os dirigentes da banda e, à convite dos padres capuchinhos, que estavam em litígio com a banda Carlos Gomes, fundou, junto com Agenor Silva, a Banda Virgem da Conceição.
Para fundar a Banda Virgem da Conceição recrutou muitos músicos pelo interior do município de Abaeté/Pa, rico celeiro de bons músicos, que eram agricultores e pescadores, alguns analfabetos e outros que mal sabiam ler e escrever, mas que aprenderam música pelo que os músicos chamam de “aprendeu de ouvido”, isto é, aprendiam a tocar ouvindo os sons musicais e, com alguns treinos, acabavam aprendendo a tocar os instrumentos musicais.
Pode-se dizer de Chiquinho Margalho o seguinte: Era um apaixonado pela música, tocava p/amor e não media sacrifícios p/se dedicar à s/grande paixão e tirava de s/parcos recursos de funcionário público para investir na música, diga-se conjuntos musicais. Viajava constantemente para o interior do município e municípios vizinhos para tocar nos bailes da época.
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. Cilomário Cardoso, citado na localidade Rio Maracapucu em 1961 como contribuinte da festa de N. S. da Conceição em Abaetetuba.
Genealogia
• MAXIMIANO GUIMARÃES CARDOSO, filho de João Lourenço Cardoso e Gertrudes Guimarães, homem forte e alto e usava bigode característico, que ajudou na 1ª Comissão para a construção da Igreja Matriz de N. S. da Conceição, dono de fazendas/engenhos e escravos no Rio Tucumanduba, provida de luz elétrica fornecida por um sistema com gerador acoplado a rodas de ferro com pás de madeira, movimentadas pela força da correnteza do rio. Ali ele criava gado, carneiros, porcos, cabras, patos, galinhas, cavalos, além do engenho produtor de cachaça e mel de cana. Ele plantava cana-de-açúcar, cacau e possuía seringais. Ele comprou direto da Inglaterra duas lanchas em ferro e aço, a Tucumanduba e a Cardosinha. A Tucumanduba era muito veloz e com sirene potente. Possuía muitos escravos e trabalhadores na fazenda. Com a abolição da escravatura trabalhava com escravos alforriados, citado nas décadas de 1920,1930. O Coronel Maximiano c/c Ana Judith de Almeida Cardoso e tiveram 9 filhos: Esmerina, Esmerina Cardoso da Silva/nome de casada, teve 8 irmãos e também 8 filhos.
. Esmeralda Cardoso, professora, nasceu em 19/6/1904 em Maracapucu/Abaeté/Pa e faleceu em 5/5/1968, aos 63 anos de idade, em Belém do Pará. Com a idade de cinco anos veio de Maracapucu para Abaeté e depois seguiu para Belém em companhia da família de Hygino Antonio Cardoso Amanajás, que chegou a ser editor de jornal em Abaeté e deputado pelo estado do Pará. Junto com Esmeralda seguiram para Belém suas tias Maria Pinho e Quitéria. Esmeralda Cardoso dá nome a uma escola muncipal em Abaeté, a Escola “Professora Esmeralda Cardoso”, mandada construir no governo do prefeito Municipal Ronald Reis Ferreira, em 1980, nas comemorações dos 85 anos de Abaetetuba à categoria de cidade. Ela foi sem dúvida um exemplo de dedicação e amor sem limites à sua família e à educação. A ligação com a fam. Amanajás deve-se ao fato de Esmeralda Cardoso ter sido adotada pela família de Hygino Amanajás.
CHIQUINHO MARGALHO
Chiquinho Margalho/Francisco de Miranda Margalho, foi compositor, maestro, músico eclético, professor de música, funcionário municipal como administrador do Cemitério Municpal, aprendeu música “de ouvido” como se diz. Nasceu no dia 9/2/1906 e faleceu em 11/6/1967. Era filho de José André margalho e Vitória Cardoso Margalho. Casou com Leontina Martins Margalho, que não aceitava as atividades musicais do marido e culpou a música pela morte de seu esposo, fulminado por um segundo derrame cerebral.
Com o falecimento de Raimundo Pauxis, em 1948, em setembro do mesmo ano assume a direção da Banda Carlos Gomes outro grande mestre e discípulo de Raimundo Pauxis, o Mestre Chiquinho Margalho/Francisco de Miranda Margalho, ajudado por outro grande musicista, Oscar Santos Coforote. Este músico e o poeta Bruno de Menezes compuseram o belo hino Mater Puríssima que se tornou o “Hino de Nossa Senhora da Conceição.
Chiquinho Margalho era idealista e amante sem reservas da música. Um músico eclético, porque tocava e ensinava em vários instrumentos musicais. E ele também era um excelente autor musical, tendo composto uma vasta obra musical.
Citação de 1948:
O Clube Musical Carlos Gomes é sustentado pela união e disciplina de seus membros.
Chiquinho Margalho, concretamente, deu a vida pela música, porque doente, fruto de um 1º “derrame cerebral” insistia na nobre profissão e acabou falecendo de um 2º derrame, fato que magoou profundamente sua esposa Dona Leontina, que por causa disso, destrói a grande obra musical do marido. Aliás, Dona Leontina, nunca gostou do estilo de vida do marido, culpando mesmo a música, pela morte do mesmo. E, ainda mais, ele tirava dos parcos recursos que recebia, como administrador do cemitério, para manter as bandas que administrava.
Contemporâneos de Chiquinho Margalho:
Agenor Dilva/Agenor Ferreira da Silva, Prudente Ribeiro de Araujo, Pedro Ribeiro de Araujo, Miguel Loureiro, Ramito, que foram sustentáculo da Banda Carlos Gomes.
Chiquinho Margalho saiu da Banda Carlos Gomes, influenciado pelos seus amigos, os padres capuchinhos, em outro episódio de conflitos entre essa banda e os padres católicos, que resultou na criação da Banda Virgem da Conceição em 1949.
Postagem em construção
Blog do Ademir Rocha, em 26/09/2019




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