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quinta-feira, 1 de fevereiro de 2018

Índios 3 - Os índios citados em datas mais recentes por diversas fontes

ÍNDIOS 3
Os povos indígenas no Mundo, Brasil e Pará

Fonte: dialogosdosuloperamundi.uol.com.br/direitoshumanos
Paulo Cannabrava Filho
No Brasil, genocídio iniciado em 1500 se estendeu até os anos 1900, quando começam a surgir políticas com intenção de impedir ou diminuiu a mortandade
31 de maio 2019
“O Maior Genocídio da História da Humanidade — mais de 70 milhões de vítimas entre os povos originários das Américas - Resistência e Sobrevivência”. Tudo isso é o título da capa do livro de Marcelo Grondin e Moema Viezzer, editado por Princeps, em Toledo, Estado do Paraná, em 2018.
Viezzer e Grondin, na apresentação do livro, citam documento que assegura que a invasão européia nas Américas, desde 1492, provocou um extermínio entre 90 e 95% da população total. Assustados com esses dados foram, pesquisar e chegaram à conclusão de que a conquista e ocupação territorial pelos europeus provocou ao longo dos séculos, cerca de 70 milhões de mortos. Sem dúvida, o maior genocídio da história da humanidade.

No Brasil o genocídio ainda não terminou
No Brasil de 1500, com a chegada dos conquistadores portugueses, havia uma população nativa de 4 a 5 milhões de habitantes. A coroa portuguesa distribuía terras sem limites à nobreza e membros da corte, criando desde os primeiros assentamentos, o latifúndio e a cultura de terra arrasada.
Os bandeirantes organizavam expedições armadas para capturar indígenas para o trabalho escravo e no avanço da ocupação os confinam em reduções e aldeias sob controle do poder colonial.
Esse genocídio sem controle iniciado em 1500 se estendeu até os anos 1900, quando começam a surgir políticas com intenção de impedir ou diminuiu a mortandade. A partir da República surgem novas ameaças com as extensões das ferrovias e rodovias e a expansão predatória da fronteira agrícola, seguida dos processos de ruralização e urbanização, com adensamento da população branca resultado da promoção da imigração de europeus. População branca adversa, que raramente aceitavam conviver com a população indígena e negra. Em muitos centros urbanos a população de negros escravos ou libertos era maior do que a dos colonos brancos.
Houve guerra, diz a história, mas na verdade foi resistência e massacre pela incomparável disparidade de força e do armamento utilizado pelos invasores das terras.
Em 1910, o governo, por iniciativa do marechal Cândido da Silva Rondon, descendente de índios, em tarefa de demarcação das fronteiras, criou o Serviço de Proteção do Índio (SPI) e reservas florestais protegidas para sobrevivência das aldeias. Em 1967, em plena ditadura militar, o SPI foi substituído pela Fundação Nacional do Índio (Funai). A trajetória dessas duas organizações oscilava entre proteger os indígenas e favorecer os proprietários fundiários na expansão dos latifúndios.
Nos primeiros anos dos 1900, na pequena e provinciana capital de São Paulo ainda se falava nhenhen catu, a língua geral tupi-guarani. Nesse início do século 20, os livros de geografia indicavam que a partir de Bauru, no centro-oeste paulista, eram terras desconhecidas habitadas pelos indígenas. De fato, eram botocudos, tupi-guarani majoritariamente. Esse território ia até as barrancas do Rio Paraná e, do outro lado do rio, ao Sul, tribos da etnia guarani e, ao Norte, xavantes.
Foi Vargas quem abriu as terras de Mato Grosso, colindante com São Paulo, para colonização por latifundiários paulistas ou seus descendentes. Eram terras habitadas pelos guarani ao Sul e xavante ao Norte. Os indígenas foram obrigados a se deslocar para terras virgens e florestas inóspitas do Centro-Oeste e do Norte.
Nos anos 1950 essa fronteira agrícola se estendeu pelo Norte e Oeste do Paraná, Oeste de Santa Catarina. Na década seguinte, continuou a expansão da fronteira agrícola em direção Oeste e começou a ocupação da Amazônia, projeto da ditadura militar, com abertura de estradas (transamazônica), assentamentos e matança dos povos originários. Em outra década mais e a fronteira se estendeu pelo Sul do Pará e do Maranhão, Oeste e Norte de Goiás, Norte de Mato Grosso.
Tudo isso se faz ao custo da vida dos povo originários e ribeirinhos, dos quilombolas, posseiros, e também ao custo do desmatamento, contaminação de rios, perda de mananciais. Há um dramático documentário feito pela Televisão italiana, Rai, que mostra brancos metralhando aldeias e jogando roupas contaminadas para envenenar os índios.
Essa é a história da invasão europeia (chamada civilização ocidental e cristã) que continua perpetuada pelos descendentes dos primeiros colonizadores e pelos imigrantes que lhes seguiram os passos no transcorrer desses cinco séculos. Massacre contínuo das populações e destruição predatória da natureza, praticada também até mesmo pela população não tão branca por força da mestiçagem. Essa é a história da expansão das fronteiras agrícolas no século 21, sem que se tenha visto vontade de mudar. Entra governo sai governo, continua tudo na mesma.
Como ocorre a expansão da fronteira agrícola
Como regra, o governo libera áreas de terras da União para uma empresa de colonização. É quem processa a divisão em lotes, que serão vendidos para agricultores e pecuaristas, prevê caminhos e centros urbanos para oferta de serviços. Os primeiros que entram na área são as madeireiras. Derrubam a floresta, vendem as toras para a indústria madeireira e também para os fazedores de carvão. No Brasil do século 21 ainda há fundições que utilizam carvão vegetal.
Os assentamentos e o movimento nessas áreas logo atraem os grileiros para ocupar as terras ao redor. Também é muito comum o tipo que compra uma fazendo os alqueires rapidamente dobrar ou triplicar o tamanho ocupando terras públicas ou de posseiros.
Nas décadas de 1940/50, no Norte do Paraná, derrubaram a Mata Atlântica, mataram os povos nativos e plantaram café. Hoje essa região está transformada em um mar de soja a perder-se no horizonte.
Hoje a expansão predatória se faz principalmente fazendo pasto ou semeando grãos (soja, milho, algodão, amendoim, sorgo). O Brasil tem hoje o maior rebanho bovino do mundo com 220 milhões de cabeças; e já ultrapassou os Estados Unidos em produção de soja.
A modernização da agricultura extensiva de grão para exportação em nada melhorou a vida das populações em geral. Ao contrário, aumentou as desigualdades sociais, ampliou enormemente o abismo entre a pobreza e a riqueza e obriga os brasileiros a conviverem com as mudanças climáticas por conta da derrubada das florestas, contaminação dos rios e mananciais e dos defensivos agrícolas venenosos. E, como se não bastasse, o desprezo absoluto por qualquer ser vivente.
*Paulo Cannabrava Filho é editor da Diálogos do Sul

Índios 3: Continuação

Índios 3 - Os índios citados em datas mais recentes

Os grupos indígenas na Amazônia ocupam s região há milênios, e todos eles, desde o primeiro ano de existência, interagem com a natureza amazônica em plena harmonia com a mesma. Pouco depois da chegada dos colonizadores portugueses, estes, já a partir de 1500, começaram a ameaçar a vida e a sobrevivência dos grupos indígenas, e já em 1917, começou uma grande revolta dos índios tupinambás do Maranhão e do Pará contra os desmandos e violência dos portugueses. (Vide "Índios 1" e "Índios 2" de nossas pesquisas.

"Tesouro Descoberto no Máximo Rio Amazonas", livro com 766 páginas, escrito em seis partes, cujos manuscritos se encontram depositados nos acervos da Biblioteca Nacional, no Rio de Janeiro, que foram trazidas em 1808 por Dom João VI, sendo que a sexta parte foi perdida e depois encontrada na Biblioteca de Évora, em Portugal, parte que acabou vinda em 1976 para o Brasil. São dois volumes, sendo que temos o Volume 1 em busca do Volume 2. A primeira parte que temos em mãos ((publicada pela Contraponto Editoras e Prefeitura de Belém, gestão do Professor e Arquiteto Edmilson Brito Rodrigues e apresentação de Vicente Salles) em 1ª edição de janeiro de 2004) tem a apresentação do historiador paraense Vicente Salles, de onde tiramos alguns apontamentos. A publicação desses manuscritos vêm desde 1820 e se deve ao Bispo José Joaquim de Azeredo Coutinho, responsável pela localização dos manuscritos e, desde aí, tem toda uma história de publicações, passando por exames de Vicente Salles, Francisco Adolfo Vanhagen, este o pai da historiografia brasileira, Euclides da Cunha 
livro do jesuíta Padre João Daniel (1722-1776), Volume 1, que viveu na na região entre 1741 e 1757, quando foi preso por ordem do Marquês de Pombal, é considerado pelos historiadores, desde o Século XIX, a principal fonte de informações sobre a Amazônia no Período Colonial do Brasil, escrito nos dezoito anos de prisão, onde também morreu, onde ele fala de de História, Etnografia, Antropologia, Botânica, Zoologia.
Sobre os índios fala de inúmeras tribos, tatuagens, relações sociais, culto indígena, ciumeira dos maridos, indicações locais, geográficas e históricas sobre os indígenas, da coexistência com a Natureza, em dimensão e profundidade, daqueles antigos tempos dos meados do Século XVIII, se reportando às ciências sociais e as ciências naturais, quando estas eram de pouco fundamento no Brasil de então, antes mesmo do Iluminismo tardio do Marquês de Pombal, quando à viva força quis reformar tudo, modernizar, até pela violência o país que se atrasara em relação ao resto do mundo. Por ironia do destino, o que fez João Daniel, senão antecipar-se ou juntar-se ao afã modernizador do Marquês de Pombal, que escrevendo obra em que o Iluminismo se deixa transparecer ao leitor de hoje do livro "Tesouro..." com perspectiva de espaço e tempo, dentro da ordem e forma que a realidade tome para quem o examine.
O sabor da Natureza Tropical, da vida alimentada por aventuras em rios e matas amazônicas.
As muitas riquezas do Rio Amazonas, que então enriquece e regala toda Europa, como são o cacau, cravo, salsa, algodão e outros gêneros, que é abundantíssima em toda Amazônia.    

Nessas nossas primeiras pesquisas citamos muitos povos indígenas antigos. Nesta atual pesquisa vamos nos reportar a alguns povos indígenas citados em escritos mais recentes.

A CHEGADA DOS MISSIONÁRIOS CAPUCHOS E JESUÍTAS E A COLONIZAÇÃO DO GRÃO-PARÁ
. Índios Caripunas, do Tocantins
. Índios Aruãs, do Marajó
. Índios Tucujus, da Foz do Rio Amazonas
. Índios da Tribo Canhão
Missão dos Amaquizes
Em 22/7/1617 chegaram à Belém, vindos do Maranhão, os religiosos capuchos da Província de Santo Antonio, Frei Cristovam de São José, Frei Sebastião do Rosário, Frei Felipe de São Boaventura, sob a direção de Frei Antonio de Marciana e os mesmos presenciaram no Forte do Presépio o clima de hostilidade contra os indígenas, clima francamente contrário aos seus objetivos de catequese.
Se os indígenas fugiam do convívio com os brancos, pelo terror que lhe infundiam as armas e as desmedidas ambições dos colonos portugueses, que estavam sob a tutela de Castelo Branco, aproximavam-se confiantes dos padres capuchos, especialmente do Frei Cristovam de São José, que foi o primeiro a lançar-se nas selvas paraenses, em 1620, em busca de almas selvagens para a civilização cristã.
Foi a catequese desse frei junto a tribo dos índios Camutás, em um sítio denominado Cametá-tapera, que lançou os fundamentos da futura Vila Viçosa de Santa Cruz de Camutá (elevada à vila em 1635), onde havia de ser ereta a Capitania de Feliciano Coelho de Carvalho. Com a ajuda dos gentios catequizados o Frei Cristovam de São José abriu caminho em direção a outras tribos das florestas do Baixo Tocantins.
O trabalho de catequese dos padres Capuchos tornou-se notável no Grão-Pará, que foi o primeiro trabalho na evangelização dos nativos da região e na entrada através do sertão, onde encontraram e doutrinaram índios das NAÇÕES Caripunas, Aruãs, Tucujús e Canhoão, aldeando-os na missão dos Amaquizes.

Índios remanescentes do Pará: citações de 1974, 1976, 1979, 1986
Populações índígenas: 
. Gavião
. Xikrin
. Suruí
. Parakanan
. Assurini, do Médio Tocantins, no Sudoeste do Pará, no interior da Amazônia brasielira.

Aldeias de Índios:

. Gaviões, vivem nos campos maranhenses e na região de floresta tropical do vale do Médio Rio Tocantins, sofreram pressões extrativistas e pressões da frente pecuária que levaram os grupos gaviões do Tocantins paraense a mudanças em sua sociedade e cultura.
. Índios Timbiras, que são os gaviões do Oeste, que habitam em condições ecológicas mais ocidentais, são índios Timbiras, que falam uma língua ligada ao tronco linguístico Macro-Jê, que estão divididos em dois grupos principais, ambos localizados no interior da Reserva Mãe Maria. Alguns índios remanescentes de um grupo que habitava na Reserva Gavião da Montanha, localizada no município de Tucuruí nos meados da década de 1970. Essa segunda aldeia não mais existe, tendo esse grupo passando a viver, também, na nova aldeia Mãe Maria.
.Grupo de gaviões Parakateyê ou Rorokateyê, que era o grupo que habitava no Km 30 da Rodovia-PA 332, então Belém-Marabá se autodenominava Parakateyê ou Rorokateyê.
. Gaviões Koykateyê, que era outro grupo que habitava na altura do Km 34 da mesma rodovia, no interior da floresta, no lugar chamado Ladeira Vermelha, e não existe mais este grupo, passando a viver na Reserva Mãe Maria.
Inicialmente os índios Gaviões mudam em 1956 da Rodovia PA-332 - Belém-Marabá, para a cidade de Itupiranga/PA, esta cidade na margem esquerda do Rio Tocantins. Em 1961 a população remanescente em Itupiranga era de 37 índios, na localidade Cocal, onde mortes, cisões internas reduziram a população. Mas com a mudança para a Reserva Mãe, teve a dinâmica populacional invertida, onde passou a ter a proteção tutelar do governo brasileira, via FUNAI.
A prolongada convivência com representantes da população local, determinou sensíveis alterações nos usos e costumes dos índios Gavião, particularmente nos primeiros índios pacificados, os Parakateyê.
Com a mudança para a Reserva Mãe Maria os índios Gaviões diminuíram sua criação artística de material indígena, como arcos e flechas, bordunas, buzinas, colares, pulseiras, cocares, tangas e outros adornos e indumentárias e a prática do xamanismo (tratamentos indígenas), mas continuavam sua alimentação à base dos produtos da agricultura proveniente de seus roçados, da caça e pesca e da coleta vegetal. Ainda produziam beijus de mandioca e sua língua original era utilizada nos contatos internos. Porém ainda mantinham-se coesos em torno de seus chefes tribais, onde em cada aldeia havia um chefe tribal denominado 'capitão'. Continuaram com suas 'brincadeiras' - como a corrida de tora e o lançamento de flechas. Mas a mitologia desses índios sobrevivia no pensamento Gavião, que explicava fatos do passado remoto, a origem do homem branco e o culto de heróis mitológicos da tribo. Mitos como o do Sol e a Lua e o da origem do homem branco, que contêm a visão cosmológica e mágica desses índios sobre a formação do Mundo, das coisas, dos seres e do homem.
Na atividade de caças dos índios Gaviões, existiam as seguintes aves: mutuns, jacuaçus, jacobins, jacamins, nambus, araras, papagaios, gaviões, maracanãs, ararajubas, que aproveitavam as penas dessas aves para sua produção artística e na confecção de arcos e flechas, colares, pulseiras, cocares, buzinas, etc. Caçavam também: veados (mateiro, vermelho e branco), pacas, tatus (peba e rabo de couro), cutias, queixadas, caetitus, antas, onças (pintada, preta e vermelha). Caçavam répteis: jacarés, cobras (surucucus, jibóias, caninanas, jararacas, corais e cobra papagaio). Na atividade de pesca: poraquês, traíras, jijus, piabanhas, mandis, jundiás, carás, tamoatás, acaris, piaus e outros mais raros. Na coleta de frutas no inverno: pequiás, cupuaçus, açaí, bacaba, cajus e castanha do pará (esta fruta para alimentação e comercialização). Plantavam na agricultura: arroz, mandioca, milho, amendoim, cará, inhame, melancia, banana, mamão, fava e algodão. Claro que muitos produtos da agricultura dos gaviões, estes já tinham assimilado os costumes dos brasileiros. O excedente de sua agricultura eram comercializados em Marabá, São Félix e vendas na estrada e reserva. Os índios Gaviões, são citados na economia do extrativismo da castanha do pará, em 1975, como castanheiros, assim como os brasileiros que desempenhavam essa atividade.
. Índios Hok (Gavião) e Índios Pane (Arara), que eram grupos antagônicos nos jogos indígenas das toras e flechas.
O problema era que o sistema de reserva indígena abrigava índios de diferentes etnias indígenas, além de brasileiros agregados ao grupo, fato que gerava a perda parcial da cultura desses povos.

Índios Xikrin, Djóre-Xikrin ou Membemokre

Tronco Gorotire
. Os índios Xikrin e os Índios Guarani conviviam normal e pacificamente com os índios Gaviões, que os reconheciam segundo as suas origens tribais, mas os Gaviões eram a cultura dominante nesse meio. Os índios Xikrin habitam uma aldeia no sudoeste do Estado do Pará. às proximidades do Igarapé Cateté, que é afluente pela margem esquerda do Rio Itacaiúnas, que por sua vez é tributário do Rio Tocantins. Os ìndios Xikrin também são referidos como Djóre-Xicrin e eles se autodenominam-se Membemokre e são caçadores e coletores de alimentos de origem vegetal e animal, praticando também a pesca e o cultivo de gêneros alimentácios. É um grupo de Kaiapós, provavelmente vindo de um tronco único Gorotire (situado no Vale do Rio Xingu). Pelo prolongado contato com outras culturas indígenas, adquiriram costumes de outros grupos tribais. Sua arma inicial e principal era a borduna, mas atualmente usam arcos e flechas e usam artefatos e objetos da natureza com mínimas interferêcias do trabalho humano, como: cascos de caramujos como raspadores, ralos, cachimbos, dentes de cutia como escavadores, vasos de sapucaia e recipientes de taquara, etc. Mas, devido contatos com os 'civilizados', já usam terçados, facões, facas, enxadas, machados, lamparinas, latas, canecos, tesouras, espelhos, lanternas, roupas, mosquiteiros, redes e até rifles e espingardas. Cultivam em suas roças: batata doce, cana de açúcar, arroz, mandioca e feijão, sendo que algumas dessas culturas pelos seus novos hábitos alimentares. Mas ainda conservam a tradição de casas para homens e casas para solteiros e com a função de chefia transmitida de pai para filho; foram pacificados em 1953-1954. Usam arcos e flechas na pesca, bordunas, lanças, mãos-de-pilões, brincos, bolsas, esteiras. Objetos com origem animal e vegetal: cintos com cascos de antas, colar com dente de gato do mato, pingentes para os lábios de bico de tucano  e colares de conchas do rio, casco de caracol, adornos de sementes e penas de aves para a cabeça e outros objetos como: buzinas, maracás, braçadeiras, cachimbos, peneiras, tangas, etc. São citados em 1976 com suas festas e cerimoniais indígenas e nas doenças continuam recorrendo aos pajés nos casos menos graves.

Índios Karajá
Índios Suruís
. Índios Suruís, em 1976, da Aldeia Suruí, do Igarapé Sororozinho.
. Índios Kaiapó, nas margens do Rio Bacajá.

Reserva Indígena Mãe Maria

A Reserva Indígena Rio Maria foi criada pelo Decreto Estadual nº 4.503, de 28 de dezembro de 1943, do Governo do Estado do Pará. Limita-se a leste com o Rio Jacundá de Cima; a Oeste pelo Igarapé Flexeiras; ao Norte por uma linha imaginária que liga o Igarapé Flexieras ao Rio Jacundá de Cima; e ao Sul por uma linha imaginária do Igarapé Fleixeiras ao Rio Jacundá de Cima, e antes de atingir este última, a linha imaginária quebra quebra em direção ao sul até alcançar a margem direita do Rio Tocantins, pelo qual sobe até atingir o Rio Jacundá de Cima. A superfície totasl da reserva é de 52.607 ha. A reserva é cortada no sentido norte-sul pelo Igarapé Mãe Maria, no ponto do Km 30 da Rodovia PA 332, com a sede da Reserva, o Posto Indígena Mãe Maria e uma das aldeias dos índios Gaviões.

Reserva Indígena Apiterewa

Fica localizada em terras do município de São Félix do Xingu.

Abaixo fotos em uma aldeia Pataxó em Porto Seguro/BA
Dançando com os índios




Os Tupinambás, os Pacajás, os Tabajaras, os Jurunas e outros grupos antigos são citados em nossas pesquisas anteriores, e serão ainda citados porque são também citados em pesquisas de muitos autores em pesquisas, jornais, livros e estudos mais recentes.

Povos Pacajás:
Habitavam as margens dos rios Xingu, Tocantins e Pacajá, na época dos primeiros contatos com os portugueses. E já sabemos que eles eram valentes, grandes guerreiros e antropófagos e falavam a língua Tupi. Construíam canoas grandes a partir do tronco de uma só árvore (cascos grandes), onde cabiam dezenas de pessoas e usadas também nas guerras contra seus inimigos.

Povos Tabajaras
Os povos Tabajaras habitavam a atual região do Ceará quando os portugueses chegaram ao Brasil. Falavam a língua Tupi e eram grandes guerreiros.

Povos Jurunas
Falavam a língua Tupi e habitavam o Rio Xingu. Eram selvagens canibais e viviam em aldeias distantes entre si e protegidas pelas águas e suas cachoeiras. Tinham contato com os portugueses do forte Gurupá, mas resistiam contra eles. Protegiam bravamente sua gente e seu território até a morte. Fugiam das aldeias missionárias e chegavam a matar os padres que tentavam catequizá-los. Mas com a descoberta do valor da seringa, foram quase extintos pelos seringueiros

Povos Tupinambás
Os povos Tupinambás eram os mais importantes em toda esta região litorânea do Rio Amazonas, habitando em malocas desde os tempos da chegada dos portugueses, e as malocas ficavam longe uma das outras pois eles guerreavam até entre si, mas se juntavam nas guerras contra seus inimigos portugueses ou outros grupos indígenas. No Pará e Maranhão eram um total de 35.000 guerreiros somente nas malocas conhecidas pelos portugueses. Morubixaba era o nome do chefe em cada maloca e esse chefe tomava as iniciativas em nome de seu povo. O conjunto das malocas formavam uma aldeia e estas chegavam a um número de 68 aldeias entre o Pará e o Maranhão. Cultivavam a terra, caçavam e pescavam, tudo em harmonia com a natureza. Sua cultura era recheada de festas e cerimônias religiosas para tudo. 
Os Tupinambás do Pará sentiram-se ameaçados pelos conquistadores portugueses e por isso fugiam sempre para o meio da densa floresta. Atacavam sempre de surpresa seus inimigos e com muita violência. As aldeias criadas pelos padres jesuítas ou de outros missionários católicos, onde também moravam os índios já catequizados e caboclos   

Índios Tupinambás:
Em outros tempos se desceram do rio Tocantins muitos índios das nações Tupinambá e Pochiguará, com os quais se fundou uma aldeia na margem do mesmo rio, pouco menos de uma maré de viagem acima da Vila Viçosa da qual passaram para a aldeia de Mortiguara, hoje denominada Vila do Conde, e a aldeias dos índios Bócas, por serem da nação Cambóca os índios da sua refundação, do que procedeu a denominação de baía dos Bócas.

Em Portel, os índios das nações Pakajá, Tucunyaepé e outras.
Em Portel os índios da nação Uanapu
Aldeia de Cajuná, na Vila de Chaves
Marajó, índios das naçõesAruã, Nheengaibas, Mamayaná, Anajás, Mapuá, Guajará, Pixipixi e outras

Extraído do Roteiro de viagens da cidade do Pará até as últimas colônias do Sertão da Província, 1768, de José Monteiro de Noronha

As baías de marapatá e a baía do Limoeiro, separadas por um furo de 5 léguas, baias que são a barra do grande e caudaloso rio dos Tocantins, onde deságuam nele muitos rios por uma e outra margem, rio onde se encontram muitos peixes e tartarugas.

As nações mais conhecidas dos gentios que há na parte Oriental do Rio dos Tocantins:
Apinayé
Copegé.
Amanayes
Acarajá pitanga
Pururu
Panacumucu
Joni
Curuamerim
Curuauaçus
Kupe-rop

Na parte Ocidental do rio dos Tocantins há os índios das nações:
grajacá
grajuará
Uaia
Mucura
Turiwara
e muitas outras

As aldeias são populosas e muitas de cada nação, especialmente do Copegé.

Índios das nações Apinaye e Timbira são de corso, especialmente da Copegé e usam por instrumentos marciais de maçãs de pau e, para caça, de arcos e flechas sem veneno, o que também praticam os índios de muitas nações, sendo nas mais comuns o uso de arco e flechas para a guerra e para caça.
Todos, geralmente, são valorosos e inclinados à Guerra. Lutam uns contra os outros em defesa de suas pedreiras. Não t~em pa nem comércio com os brancos.

Em 24/7/1845 foi criada a Diretoria dos Índios com 1 Diretor geral e os Diretores Parciais. O Diretor Geral com honras de Brigadeiro e os Parciais com honras de Tenente-Coronel

Em 1848 os índios que eram batizados ficavam com o nome de batismo e já eram 100 mil almas de índios aldeados em 1848 e já eram 33 os diretores dos índios por toda a Província do Pará.

Índios atuais do Estado do Pará:
Índios kaiapós, em Novo Progresso, nos limites com Mato Grosso/MT, no Oeste do Pará.
Índios Mundurucus, com aldeias no município de Jacaréacanga/Pa, no oeste do Pará
Índios Surunis, da aldeia Bororo, em Altamira/Pa, São Geraldo do Araguaia
Índios Xicrins, na reserva de Marabá/Pa
Índios do Xingu, estão sendo prejudicados pelas obras da construção da Usina Hidrelétrica de Belo Monte.


Índios:
Habitantes Originais do Brasil - Livro conta a história do Brasil antes de Cabral para acabar com clichês - 06/08/2017 - Ciência - Folha de S.Paulo

Fontes: wwwf.folha.uol.com.br e https://www.thinglink.com
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Livro conta a história do Brasil antes de Cabral para acabar com clichês - 06/08/2017 - Ciência - Folha de S.Paulo
Livro conta a história do Brasil antes de Cabral para acabar com clichês
RICARDO BONALUME NETO
DE SÃO PAULO 06/08/2017 02:00h

Quanto mais recuada no tempo a época escolar de um brasileiro, mais clichês foram "aprendidos" sobre os habitantes originais da terra.
Não era incomum ouvir que o país era quase despovoado e repleto de mato. Pior ainda, ouvia-se que os índios eram selvagens primitivos vivendo em plena Idade da Pedra, "indolentes" demais para trabalhar nas lavouras dos colonos portugueses, que por isso tiveram que importar escravos africanos.
Parte dessa visão ainda domina muitas salas de aula. O jornalista Reinaldo José Lopes, que foi editor de "Ciência e Saúde" da Folha, escreve uma coluna quinzenal nesta página, aos domingos, e é autor do blog "Darwin e Deus", escreveu "1499 - O Brasil antes de Cabral" para colocar a casa em ordem.
"Este livro é uma modesta tentativa de tirar da sua cabeça a imagem, a um só tempo clássica e profundamente equivocada, do Brasil pré-Cabral como um paraíso terrestre tropical, no qual a mão do homem (e a da mulher, lógico) pouco havia mexido", escreveu Lopes na introdução.
A visão dos originais habitantes do território brasileiro foi colorida desde o primeiro contato com um povo letrado, o desembarque dos portugueses da frota de Pedro Álvares Cabral na região de Porto Seguro (BA) em 22 de abril de 1500. Foi na carta de Pero Vaz de Caminha, o primeiro cronista do país, que começaram os mitos.
"Eram pardos, todos nus, sem coisa alguma que lhes cobrisse suas vergonhas. Nas mãos traziam arcos com suas setas. Vinham todos rijos sobre o batel; e Nicolau Coelho lhes fez sinal que pousassem os arcos. E eles os pousaram" é como descreve Caminha o primeiro contato transatlântico em carta ao rei de Portugal.
"Assim, Senhor, a inocência desta gente é tal, que a de Adão não seria maior, quanto a vergonha", continua Caminha, já lançando as sementes da ideia de que aqui haveria um paraíso, e que os índios viviam em estado adâmico.
Mesmo depois de três quartos de século desde o primeiro "encontro de civilizações" -a maneira politicamente correta hoje de falar "descobrimento"- os preconceitos dos europeus permeavam sua visão dos nativos.
É o caso de um pioneiro historiador luso, Pero de Magalhães de Gândavo (autor de "História da província Santa Cruz a que vulgarmente chamamos Brasil", 1576). Para Gândavo, "a língua de que usam toda pela costa é uma [...]. Carece de três letras, convém a saber, não se acha nela F, nem L, nem R, cousa digna de espanto, porque assim não têm Fé, nem Lei, nem Rei: e desta maneira vivem desordenadamente sem terem além disto conta, nem peso, nem medido".
É curioso relembrar o comentário de Gândavo ao ler o que Lopes escreveu sobre a variedade linguística da América do Sul: "basta dizer que o nosso pedaço do continente abriga, sozinho, cerca de um quarto do total de famílias linguísticas do planeta: 108 famílias sul-americanas, para ser mais exato, de uma soma de 420 delas mundo afora".
"Não é exagero dizer que você é um privilegiado por viver nesta década de 2010, gentil leitor", diz o autor do livro. O motivo é simples: nas últimas décadas a ciência avançou muito em áreas tão distintas como arqueologia, genética, botânica ou linguística, e esses avanços jogaram nova luz na pré-história do continente americano (veja infográfico nesta página).
Outros locais da América Latina exibem prédios monumentais que atestam a pujança de civilizações pré-colombianas, como os astecas do México, os maias da América Central e os Incas do Peru, além de outros com nomes menos conhecidos.
Nada parecido foi achado no Brasil; nenhum Indiana Jones local achou um templo perdido na floresta amazônica. Mas isso não quer dizer que culturas sofisticadas não existiram por aqui.
Claro, não existia tanta pedra para criar pirâmides e fortes, como nestes outros lugares. Mas muitas das funções rituais, religiosas, simbólicas equivalentes às dessas megaconstruções existiram no território brasileiro. Não havia pirâmides, mas montes artificiais ou "tesos", cumpriam essa função. Na região de Santarém (PA) pode ter mesmo existido um "quase estado" com líderes "aristocratas", guerreiros, e diferenciação social que deveria incluir sacerdotes e com certeza artesãos especializados.
Algo parecido aconteceu na ilha de Marajó, um lugar ruim para a agricultura por conta das inundações, mas ótimo para a criação e/ou captura de peixes, um dos elementos mais básicos da dieta amazônica até hoje. Métodos relativamente sofisticados de uma forma de piscicultura foram então desenvolvidos.
Frutos do mar também estão na base dos chamados sambaquis do litoral, enormes montes de conchas e restos de peixes. A ideia antiga de que era um mero depósito de lixo foi deixada de lado quando novas pesquisas mostraram que ali havia corpos enterrados e sinais de rituais simbólicos.
O gosto de Lopes pelo tema e a experiência com reportagens e pesquisas estão destilados em "1499" com o tradicional estilo coloquial do autor, que cordialmente chama o leitor de "gentil", "nobre" ou "insigne".
O autor procura ser didático, por isso o livro inclui vários quadros com "explicações técnicas". Em uma delas, sobre o método de datação por carbono-14, ele diz que o "treco é instável: surge quando a atmosfera da Terra leva pancadas de raios cósmicos, vindos do espaço sideral, e desaparece com o tempo, transformando-se lentamente em nitrogênio-14 após cuspir um par de partículas radioativas, feito criança que perde um dente de leite". Quem mais escreveria algo assim?

Arte de Silvia Mendonça Silva
A arte de Silvia Mendonça Silva em rituais do grafismo com as artes de vários traçados das etnias indígenas Tembé, Xicrim, Kaiapó, Gavião, Kadiwéu, artes marajoaras e tapajônicas, somando-se a arte rupestre, feitos à mão, em grafismo mão livre nas cuias pitingas (naturais) e miningas (que passam pelo processo de cumatê) de tamanhos variados e a arte é personalizada em cuias e cuititas, conforme informação de Márcio Maués.

Reproduzido pelo Blog do Ademir Rocha

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Ademir Heleno A. Rocha, nascido em Abaetetuba-PA, Brasil, casado com Maria de Jesus A. Rocha, cinco filhos, professor, pesquisador de famílias, religião, genealogia e memória biográfica, ambientalista, católico e amigo.

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