Clique na legenda em azul e leia o assunto da localidade Rio Itacuruçá
RIO ITACURUÇÁ - História e Memória (Coletânea de Textos)
Em abril de 2008, o projeto Rio Itacuruçá : História e Memória, foi
executado pelos professores Cosmo Cabral, de Geografia e Estudos
Amazônicos, Ribamar de Oliveira de História e João Pinto de Sociologia e
Estudos Amazônicos, onde resgata a história e a memória de uma
comunidade remanescente quilombola, em Abaetetuba, no estado do Pará.
Com apresentação da
Professora Maria de Fátima Santos de Oliveira (EEEFM “Maria Gabriela
Ramos de Oliveira” - SEDUC - História e Estudos Amazônicos).
Autores:
Adenize do Couto Carvalho
Dayanne da Silva Gomes
Débora Néri Rodrigues
Edgar de Sousa Pinheiro
Fabio Junior Ferreira de Carvalho
Fabricia Maciel Couto
Janilson Gomes Pinheiro
Janilton Porfilio de Carvalho
Jonielson Fonseca Maciel
Jorge Luis Carvalho de Carvalho
Leidiane de Souza Pinheiro
Luciano Maciel Ferreira
Luciane Gomes Maciel
Marcelete Gomes Diogo
Mariete do Socorro Pinheiro Néri
Marinalda Diogo Pinheiro
Maria do Socorro Nery Pinheiro
Mariele de Souza Pinheiro
Marilene do Carmo dos Santos
Marluce Quaresma Maciel
Mony Taylor Rodrigues Maciel
Nailson Quaresma Maciel
Roberto Junior Rodrigues Brandão
Rosana da Silva Gomes
Sandra Pinheiro de Souza
Tatiane Quaresma Gomes
Valdete Gomes Maciel
Beleza de Educar
Lucindo Rodrigues
Andei pelo mundo inteiro
Teve coisas que amei
Outras coisas pesquisaram
Da arte a profissão
Do vulgar ao cidadão
Vi coisas de admirar
Cheguei me emocionar
Mas entre as mais preciosas
Mais bonita e valorosa
É a beleza de educar
O educador transforma
Analfabeto em professor
Em cientista em doutor
Em juiz, em advogado.
O ignorante em educado
Tem don da sabedoria
Transmitem com alegria
Esta é a realidade
Valorizam a sociedade
Evoluindo a cada dia
Mas não são reconhecidos
Como deveriam ser
São o acumulo do saber
A razão da diplomacia
Trabalham de noite e de dia
São até fiscalizados
Devem ser bem pacatos
Por ética da profissão
Mesmo cheios de razão
Restringem-se a qualquer fato
E não são reconhecidos
Por quem recebe o ensino
O jovem ou menino
Hoje sabe a geografia
A matemática e a história
A ciência e o português
Sabem tudo de uma vez
Deveria a te dar gloria
Com certeza o professor
È um cofre de segredos
Uma brenha, um penedo.
Difícil de acessar
Por que para chegar lá
Tem que escalar montanha
A maratona é tamanha
Tem até regulamento
Dar calo e tem sofrimento
Só mesmo um homem aranha
Obrigado professores
Obrigado alunos
Obrigado Diretores
Ontem, hoje e amanhã.
Serei sempre seu fã.
Apresentação
O Sistema de Organização Modular
de Ensino (Some) foi implantado pela Secretaria Estadual de Educação a
partir de 15 de abril de 1980; portanto possui uma trajetória e caminhos
percorridos ao longo dos anos. Em seu surgimento, na perspectiva em que
foram elaborados seus principais objetivos, tanto em termos genéricos,
nos limites da Lei 5692/71, em vigência no momento da criação do SOME,
quanto no que diz respeito ao reconhecimento das peculiaridades locais:
1 - “...Proporcionar ao educando
a formação integral de sua personalidade, no sentido de
auto-realização,qualificação para o trabalho e o exercício da
cidadania...”;
2 - “...Dar oportunidade de
estudos aos educandos egressos do ensino de 1º. Grau e que não tenham
possibilidades de se transferirem para locais onde existam o Ensino de
2º. Grau..;
3 - Democratizar as
oportunidades educacionais aos alunos do interior do estado, a fim de
garantir sua permanência no lugar de origem...;
“4 - Garantir Ensino Médio de
qualidade, proporcionando melhores condições de desenvolvimento e
levando justiça social a todas as regiões do estado...”.
Levando em consideração como
proposta dos educadores e educandos a utilização da pesquisa como
ferramenta, também, das atividades pedagógicas, sendo um desafio para
todos, inclusive aos outros seguimentos da comunidade.
Logo a pesquisa é um aspecto
importante, pois a história se faz com a construção da trajetória de
vida dos elementos que compõe o cenário a ser estudado, através de
entrevistas produzidas pelos educadores e educandos. Com as pesquisas os
diversos grupos levam para sala de aula proporcionando uma ampla
discussão sobre os diversos assuntos pesquisados e culminando com essa
Coletânea de Textos produzidos pelos alunos, sob a orientação do
Professor de História Ribamar de Oliveira e tendo a colaboração dos
colegas de equipe: João Pinto e Cosmo Cabral.
A Comunidade de Itacuruçá é
ainda uma fonte riquíssima para a pesquisa que precisa ser garimpada em
seus diversos aspectos; pois sem a pesquisa não temos sua História.
Maria de Fátima Santos de Oliveira
Professora - SEDUC
A Geografia do Rio Itacuruçá
Há muito tempo atrás, aqui era
apenas o rio e a floresta. Isto ainda prevalece, mas com a interferência
do ser humano tudo vai se modificando, tornando-se involutariamente
dominado pelas transformações que o homem exerce.
O Rio Itacuruçá, por ser um
imenso centro produtivo vai se modificando ainda mais. Por esse motivo
pessoas, que moravam aqui e que foram embora, estão retornando ao saber
que sua terra esta ficando com maior desempenho na produtividade.
Os negros( de que somos
descendentes) que aqui habitavam eram negros que fugiam das fazendas de
Abaetetuba e conseguiram se esconder nessas terras por muito tempo, até
ser habitada como é hoje.
Olhando assim, podemos ver que o rio Itacuruçá está sempre em momentos religiosos.
(cultura indígena) festa(cultura africana) e nunca sumiu esse modo de ser itacuruçaense.
Para os negros e índios que
moravam aqui tudo o que produziam era mantido em suas casas. Mas com a
habitação aumentando, tudo foi modificando, todos sentiram a necessidade
de escoamento do que produziam, e a falta de alguns utensilios para
eles.
Com isso, rios vizinhos como
Arapapú,Ipanema e Piquiarana começaram fazer esse escoamento,só que,para
se comunicarem com os habitantes do rio Piquiarana, os do Itacuruça
teriam,que percorrerem toda estenção do rio Arapapú, passar pela
costa-maratauíra pra entra no rio Piquiarana.Fazendo isso eles viram que
era longa e cansativa essa viajem,pensaram bem e fizeram surgir um novo
rio, furo de gaita, feito para melhorar a viagem que faziam para o
piquiarana, tornando mas próximo esses dois rios.
O furo grande, rio piqueiro
emprovizado para fazer a passagem de embarcações do rio Ipanema para o
Itacuruçá,também era uma alternativa de maior velocidade na
comercialização entre esses dois rios.
Dividido entre alto, médio e
baixo, no rio Itacuruçá existem também o Aricurú,o igarapé São João e a
ilhinha, situada entre o médio e o baixo onde funciona o colégio
Raimundo Bandeira. Cada um desses níveis tem suas características de
trabalho, dividindo-lhes e um completando o outro.
Forma de trabalho do alto, médio e baixo:
ALTO: produz a mandioca, para fazer a farinha consumida por toda a região do rio Itacuruça.
MÈDIO e BAIXO: maiores
produtores de material cerâmico fazem com que a renda das famlias
aumenta, por ter membros e seus filhos mais velhos trabalhando juntos.
No Ipanema e o Arapapú,a formas de trabalho é praticante,igual a dos médios e baixo Itacuruça.
Logo no começo as olarias da
região eram uns grandes centros da economia, mas a lavouras estava na
frente em produtividade dos Itacuruçaenses. Agora com a migração e
imigração por todo lado essa região está sendo verbanizada, e
principalmente recebendo grandes contruções, melhorias de vidas e
educação qualificada.
Agora o nosso rio possue
características que em cidades a gente não encontra. Mas nesse rio
também existe as diferenças sociais, mas todos vivem em harmonia no
trabalho na escola e em suas casas.
O rio Itacuruçá em 10 anos atrás
possuía apenas o rio como um via de ligação com a cidade de Abaetetuba,
aqui fora tão rápido a transformação que logo foi surgindo o ramal do
Itacuruçá, mais tarde veio à energia elétrica, mesmo não tendo chegado
ao baixo já existe no aqui há cerca de 5 anos, veio também uma
ambulância, pequenos projetos também para população e agora a maior
escola do Itacuruçá e veio para que todos tenham uma educação de
qualidade.
E mas tranqüilidade aos pais de todos os nossos pais que tem filho estudando nessa escola.
No Itacuruçá o esporte é privilegiado temos um time cinco vezes campeão do campeonato das ilhas.
Na verdade todas essas coisas se
distribuem com muito cuidado e trás para nós através da comunidade a
união de times de pessoas e até de outros rios vizinhos para participar
de eventos feitos aqui.
Colocado todas essas características e não podendo esquecer também os defeitos de cada região tem.
Educação
A educação de antes era péssima no sentido de não ter um ambiente adequado para estudar.
Não possuía cadeiras, os alunos não tinham em que estudar, estudavam no chão ou deitados de bruços.
Se os alunos quisessem lanchar tinham de levar cada um seu lanche ou fazer uma coleta de alimentos e levar para a escola.
Não tinham giz e nem quadro, os
professores escreviam com carvão e em um pedaço de madeira. Os cadernos
não eram como de hoje, que vem todo organizado, era de outra forma,
feitos na mão. Cada aluno comprava folhas de papel, cortavam em pedaços,
pegavam agulha e costuravam.
Os alunos não possuíam nem um
modo de ajuda, não existia programas para ajudar os alunos, como nos
temos, hoje, os bolsistas, do governo federal.
A maioria dos alunos parava na
4ª. Série, pois os pais não tinham condições financeiras para mandar
seus filhos estudarem para outro lugar(cidade).
Os professores não eram pagos, trabalhavam de forma voluntária, pois o que eles sabiam e queriam era ensinar para seus alunos.
O tipo de educação antiga não
era tão pesado como no tempo de hoje. Por exemplo, a Matemática, os
professores só sabiam ensinar as contas de somar, diminuir,multiplicação
e divisão.Hoje já existem vários conteúdos de Matemática, se hoje
formos pedi ajuda para nossos pais eles não vão saber responder, pois é
muito diferente de antigamente.
A maneira de ensinar de antigamente era, mas fácil de aprender, os alunos não tinham dificuldades para aprender.
Com o passar do tempo a educação
foi evoluindo, mas isso não significa que a educação melhorou, apesar
de hoje termos um ambiente adequado, mas não é todos que tem esse
privilégio. Pois em alguns lugares ainda estudam em centros comunitários
e barracões alugados etc. Mas mesmo assim, os professores estão sendo
pagos para levar a educação até eles.
Hoje as escolas possuem merenda
escolar, às vezes falta, mas chega, pois se não chegar alguns alunos
desistem de estudar, pois não querem ficar com fome na escola.
Já existem os materiais
escolares próprio para o estudo. Existem cursos e programas para ajudar
os alunos a se desenvolverem na escola. O dinheiro que vem para o
programa ajuda a comprar produtos de higiene pessoal etc. São incentivos
para que as crianças permaneçam na escola, por muito e, mas tempo.
A educação mudou do que era
antes, hoje estudamos várias matérias, antes era só o português,
matemática, Ciências e Estudos Sociais.
Existe uma fonte muito
importante para a população, tudo que precisamos e imaginamo-lo possui
que é o computador, que é algo significante para a sociedade.
A educação de hoje não esta
excelente, mas pra que era antes, podemos dizer que está um pouco
avançada. Segundo o grupo que pesquisou a educação deixa a seguinte
frase “Hoje só não estuda quem não quer e espera que transforme os
jovens em algo importante para a sociedade e que a educação possa esta
em cada canto do mundo”.
Lazer
Para o grupo que ficou
responsável para pesquisar sobre o tema Lazer em Itacuruçá achou
importante somar neste trabalho o lazer evangélico.
Uma das atividades desenvolvidas
no lazer evangélico é a Gincana Bíblica, onde nessa atividade existem
várias tarefas como: corrida do saco engole fio, espada para o ar.
Alguns anos atrás aconteceram também à tarefa da canoagem, onde teve a
saída de São João(Médio) até a chegada na Igreja Evangélica Assembléia
de Deus em Itacuruçá(Templo Central) onde durante a passagem no rio
houve inclusive as torcidas organizadas e nesta prova chegaram a
primeiros colocados: Débora, Jorge e Marli. E depois partiram para
outras tarefas. O que marca esta atividade é a pontuação, onde ninguém
quer perder fazendo com que os participantes se sintam, mas entusiasmado
e divertido.
Outro lazer interessante para alguns segmentos da comunidade é a participação nos clubes.
Um clube tradicional que tem no
Itacuruçá é o Santa Rosa Esporte Clube. Ele foi fundado no ano de 1924
por Manoel Gomes, Juvenal Maciel, Lourenço Gomes e Estandilau Gomes.
Deram-lhe esse nome porque Juvenal Gomes, um dos fundadores, teve uma
filha e colocou seu nome de Rosa aí então surgiu o nome Santa Rosa.
Os primeiros a comandarem o time
foram: Ramos Senas, Caboclo, Zé Matos, Quinca,Mico Araújo, Lili Araújo e
Aluízio Quaresma.Depois veio outros para presidirem o Santa Rosa como:
Tobias Botelho, Sabino Gomes, Zé Gomes,Timotéo Botelho, Mario Quaresma,
Bebê Barão, Orivaldo, Rinaldo Gomes, Dalon Nery, Lázaro Brito, João
Gomes, Nenê Quaresma, Ramito Quaresma e Agostinho Pinheiro. Sendo o
Presidente atual do Santa Rosa é o senhor João Gomes.
As conquistas do Santa Rosa
Esporte Clube em 1989 ele foi vice-campeão,em 1991 ele foi campeão
sub-vinte,1992 ele foi vice de novo e em 1993 campeão do torneio início,
em 1994 foi feita a copa dos campeões, e em 1997 e 1998 não foram vice
nem campeão, em 1999 elefoi vice campeão em 2000 ele foi campeão, em
2001 , 2002 e 2003 não ganhou nada em 2006 não participou em 2007 foi
vice-campeão.
O Bacuri Esporte Clube mais novo
e simpático de sua torcida, foi fundado em 1960 pelos grandes atletas
que formava sua grande equipe. O Bacuri teve vitórias e derrotas como é
normal em qualquer time de futebol. A sua primeira equipe foi formada
assim: Jurandil, Marciano, Nicanor, Júlio Barão, Aladi Barão, Benedito
Carlito Dulor, Castelo, Ceará e Mario Pacheco.
O time participou de torneios,
campeonatos regionais e amistosos, revelando grandes valores que foram
cobiçados por outros clubes maiores. Passaram-se quase quatro décadas e
em 1989 o Padre José criou o campeonato das ilhas e em 1994 o Bacuri
participou do campeonato e foi campeão em cima de seu maior rival, O
Santa Rosa Esporte Clube. Esse campeonato marcou na história a grande
façanha do Clube. Tudo o que aconteceu você vai acompanhar através dos
versos narrados pelo grande poeta Lucindo Rodrigues que conta como
aconteceu das vitórias a escalação.
Nesta vida de poeta
Eu nunca tive embaraço
Crítico de qualquer um
Mas sempre sei o que faço
Nunca humilhei ninguém
Nem apelo para o cangaço
Aqui quero lhes falar
De um fato que aconteceu
No campeonato das ilhas
Quem ganhou e quem venceu
Qual foi a melhor equipe
E também a qual venceu
Participaram muitos clubes
Da grande competição
Todos com muita vontade
O objetivo era
Ser o grande campeão
Aconteceram surpresas
No decorrer da história
Apareceu certo clube
Se não me falha a memória
Bacuri Futebol Clube
Dono de lindas histórias
Esse clube surpreendeu
Até o seu treinador
Surpreendeu o presidente
E o patrocinador
Todos ficaram surpresos
Ao conhecer seu valor
Considerado o menor
Entre os quais participaram
E por ser a primeira vez
Que a competição entraram
Pelos seus próprios vizinhos
Foram muitos criticados
Mas mesmo assim foram à luta
Com disposição e fé
Respeitando qualquer um
Fosse João ou José
Todos com unhas e dentes
Talento, cabeça e pé.
O seu primeiro jogo
Serviu de avaliação
Jogaram com o São Miguel
Que era uma seleção
Foi uma vitória linda
Em cima do valentão
O São Miguel quando perdeu
Pensou não ganhar ninguém
Disse o Eduardo eu pensei
Que o nosso time ia bem
Perdemos pra esse timinho
Quanto mais para os que vêem
Porém nos outros jogos
O São Miguel foi valente
Deu até de goleada
Em quem se meteu em sua frente
Disse o Eduardo agora
O caso é diferente
O Maurito do Bechior
Falou diante os presente
Nós damos de 5x0
Nesse timinho demente
Você quebrar esse Bacuri
E comer com aguardante
E chegou o dia do encontro
De Bechior e Bacuri
O Maurito disse hoje
Coloco o pingo no i
Vamos dar uma goleada
Pra pagar o que prometi
Mas o time do Maurito
Com sua destreza tamanha
Perdeu e disse nunca vi
Num time tanta façanha
Quem enfrentar esse time
Ou corre, ou morre ou apanha.
O Bacuri venceu outra fera
Que foi o grande aliado
Vindo lá do Anequara
Time muito respeitado
Jogaram até demais
Porém foram derrotados
Porém disse o Eduardo
Não acredito em visagem
Perdemos o primeiro jogo
Mas não perdemos a viagem
Agora estamos treinados
Vamos dar-lhes uma lavagem
Porém ainda foi pior
No fim da competição
Foram dois jogos disputados
E de muita emoção
Não resistiram e apanhavam
Em frente a uma multidão
E Bacuri e São Miguel
Voltaram a se encontrar
Era cabeça de chave
O jogo era mortal
Um dos dois em duas partidas
Iria se classificar
Desses dois o qual vencesse
Enfrentaria o Santa Rosa
Na época o melhor time
Com uma torcida fabulosa
Já esperava o vencedor
Como uma cobra venenosa
O Santa Rosa tranqüilo
Devido sua boa campanha
Jogava pelo empate
Uma vantagem tamanha
Goleou o grande Bahia
E esperava na manhã
O Bacuri e São Miguel
Decidiam em duas partidas
Quem enfrentaria o Santa Rosa
Com sua grande torcida
Os jogos eram dramáticos
O caso era morte ou vida
Os jogos foram emocionantes
No Estádio Humberto Parente
O Bacuri atropelava
Quem se metesse em sua frente
O Bacuri ganhou os dois jogos
E esmagou mais um valente
Quando sair o resultado
Foi difícil acreditar
Esse timinho danado
Iria pra grande final
Enfrentaria o Santa Rosa
A fera descomunal
Os dois iriam disputar
Pois um teria que morrer
Porque dentro do Estádio
Só um iria vencer
Mesmo o outro sendo vice
Iria se entristecer
O Santa Rosa preparado
Com certeza da vitória
O Bacuri confiante
Que contaria esta história
Ou descrever seus atletas
Se não fugir a memória
Começava com Piolho
Treinador acostumado
Devido o seu bom trabalho
Tornou-se muito respeitado
Disse ele vamos com fé
Que até já sei o resultado
Outro foi José Leonardo
Com sua palavra de fé
Dizendo aos jogadores
Já vencemos o São Miguel
Até o diabo é mole
Senão, não me chamo Zé.
Dizia Hercias eu também
Confio na nossa galera
Que vai pra dentro do campo
Cada um deles é mais fera
Vamos ganhar esse time
Estamos a sua espera
Já soube que estão falando
Que o Bacuri esta azedo
Mas eles trazem açúcar
Falam e não pede segredo
Dizem que é mais um freguês
Mas isso não nos causa medo
O goleiro Dote disse
Eu também sou criticado
Mas farei o que puder
Pra termos bons resultados
Ganharemos outra partida
E seremos respeitados
Na zaga não tinha falha
Com Aluízio e Negão
Nunca vi dois jogadores
Com tanta disposição
Protegiam o guardião Dote
Que foi a revelação
Rosemiro foi o cara
Era perito em cobrança
Era o terror dos goleiros
Chutava com segurança
Muitos clubes guardam hoje
Ainda uma amarga lembrança
Saraiva, Santana e Sabá
Pelo meio eram velozes
Quando jogavam diziam
Hoje só tem que darmos nós
Vamos pedir ao Pai Nono
Ele ouvirá nona voz
Bibito foi outro cara
Ligeiro e decidido
Sempre leva a melhor
Era ousado e atrevido
Não temia fosse a quem fosse
Não dava chance ao individuo
Cici e João Manoel
Nunca se intimidavam
Levaram a linha de fundo
De qualquer ponto cruzavam
Pra eles tudo era fácil
E lindos gools eles marcavam
Isaias e Figurinho
Nunca fugiram da linha
E Toninho Cagirú
Pra sua posição não tinha
Jogadas individuais
Esta era a sua rotina
Para Francinildo e Pio
Não tinha dificuldade
Tinham tanta rapidez
E tanta facilidade
Eles tinham sim qualidade
E foram heróis de verdade.
No dia 07 de dezembro
Dentro da nona cidade
No Estádio Humberto Parente
Foi a decisão de verdade
Estava o estádio lotado
Pra essa realidade
E começou a partida
Chia de muita emoção
A bola era lá e cá
Em frente a uma multidão
O Bacuri foi fulminante
Jogava aquele bolão
Aconteceu uma falta
Já era uma esperança
A torcida gritou logo
Mantemos a liderança
Gritando ainda mais forte
Rosemiro na cobrança
O juiz posiociona
A barreira foi marcada
Rosemiro chutou forte
Uma bomba abençoada
Na cabeça de Santana
A bola foi desviada
Estava com 10 minutos
Quando Santana marcou
A torcida festejava
O seu belíssimo gol
A partir desse momento
O time deitou e rolou
E foi um Deus nos acuda
A bola era lá e cá
Quando uma outra jogada
Surgiu pela lateral
Negão pegou bateu forte
Foi outra bomba fatal
Santa Rosa foi à luta
Mas não adiantou nada
O jogo foi 2x1
Sua torcida foi decepcionada
A equipe do Bacuri
Já estava consagrada
Foi uma festa bonita
No meio de tanta gente
O povo dizia assim
Esse timinho é valente
Ganhou até torcedores
No Estádio Humberto Parente
Aí está o campeão
Que não foi acreditado
Time de muitas surpresas
Isto ficou comprovado
Pois cão que late não morde
Assim diz um velho ditado.
Associação de Remanescentes de Quilombos da região das Ilhas de Abaetetuba(ARQUIA)
O objetivo é deflagrar ou
dinamizar nas comunidades, um processo de desenvolvimento comunitário
sustentável, cujos elementos norteadores estejam configurados na forma
de um plano de desenvolvimento sustentável, priorizando: o uso
sustentado de recursos naturais, a organização comunitária, centrada no
planejamento participativo de atividades e na (re)formatação das
associações de base para uma mais eficiente atuação junto ao mercado e a
formação de gestores comunitários do processo.
Nas comunidades do Alto, Médio e
Baixo Itacuruçá são constantemente realizados seminários, oficinas de
planejamento participativo e treinamentos, todos voltados para o
desenvolvimento rural sustentável, comercialização conjunta e
verticalização do processo produtivo.
Coordenadores: Edílson(Arapapuzinho) – Coordenador Geral
Benedito(Baixo Itacuruça) – Coordenador da Secretaria
Isaias(Alto Itacuruçá) – Coordenador de Projetos de Renda Comunitária
Maria da Luz(Acaraqui) – Coordenadora de Cultura
Manoel Pinheiro(Médio) – Coordenador de Patrimônio
Egidio(Arapapuzinho) – Coordenador de Esporte e Lazer
Medicina Popular
Para a Dona Maria que é agente
de saúde do baixo Itacuruçá , as doenças que mais afetam as ilhas de
Abaetetuba são as seguintes: Diarréias, a gripe e principalmente a
febre.
Segundo ela o meio mais fácil de
curar a diarréia é o soro caseiro. O modo de preparar é pegar uma
colher de medida de o lado menor colocar sal e do lado maior colocar
açúcar e depois pegar um copo com água e é só dissolver tudo junto.
Para a gripe é só fazer o xarope
caseiro. Cortar um limão ao meio e colocá-lo ao fogo, depois espreme
num copo com mel e alho ralado.
Para a febre
Nome do Remédio: Coramina ( Esse remédio serve para o coração )
Origem: É um remédio de origem vegetal; pois é uma planta encontrada em nossa região.
Modo de preparo: É preciso
somente juntar algumas folhas da coramina, lavar bem e depois rasgar bem
para ficar em pedaços pequenos. Depois misturar com água e deixar
ferver por aproximadamente cinco minutos. Depois é só coar para separar o
chá das folhas. Adoce e você terá o chá de coramina.
Posologia: É tomada uma dose toda vez que precisar
Nome do Remédio: Leite da Sucuúba
Origem: vegetal
Modo de preparo: É tirado quando não é luar
Posologia: Uma vez no dia em jejum
Composição: Leite da Sucuúba, vinho tinto e ovos
Nome do Remédio: Hortelã
Origem: É uma planta de origem vegetal, pois é encontrada na nossa natureza ou seja nessa região
Composição: É composta com catinga de mulata
Modo de preparo: Ferve algumas folhas de hortelã com algumas folhas de catinga de mulata e em cinco minutos está pronto.
Via: Oral
Posologia: Tomar três vezes ao dia
Efeito: Ele serve para crianças quando estão com febres
Cuidados: A criança precisa ficar em repouso
Nome do Remédio: Gengibre
Origem: É de origem vegetal, pois encontramos na nossa região.
Composição: Cachaça e álcool
Modo de preparo: Somente ralar o gengibre e misturar com cachaça e álcool, em dois minutos estará pronto.
Via: Esse remédio é passado nas pernas ou nos braços
Posologia: É passado de cinco em cinco minutos
Efeito: Ele serve para as pessoas quando estão com reumatismo
Cotidiano
Tratando neste aspecto, o
dia-a-dia de uma família que trabalha com muito esforço para ter seu pão
de cada dia, os pais trabalham duro oferecendo o melhor aos seus
filhos, mas os filhos também se esforçam nos estudos, quando crescerem
terem um futuro melhor, que trabalhem e possam ajudar os seus pais e ser
uma pessoa independente.
A maioria dos pais trabalham
tirando barro, já que precisam de disposição e força de vontade. Quem
tira barro sai da casa a noite e passa a noite no mato fazendo a vala
sem dormir, para tirar o barro e encher o barco. Depois de cheio eles
vão desembarcar o barro na olaria, e quando não se tem barro no barco
eles levam novamente o barco para o mato para deixar o barco. E quando
retornarem à noite a embarcação já esteja lá para começar tudo de novo.
Quem trabalha na olaria não
precisa sair cedo. O trabalhador acorda de manhã toma o café e vai para a
olaria, chegando para fazer telha.
A maioria das vezes as mães
trabalham na lavoura. Elas fazem a derrubada, deixam secar e depois
fazem a queimada. A base da plantação é a mandioca, arroz, feijão,
milho, etc..
Depois que já foi feito o
plantio, com um mês uns matinhos que elas chamam de capina ou tiririca. E
começam a tirar o mato, depois de seis meses o plantio já dá para fazer
a colheita. Elas arrancam a mandioca carregam e colocam no poço que é
para amolecer. Com três dias ela já esta pronta para fazer farinha. A
macaxeira serve tanto para farinha, como para fazer bolo ou para comer
com café.
Entrevistado: Raimundo Dilo do Couto
O Senhor Dilo nasceu no dia 12
de julho de 1927. Quando ele começou a se entender, na idade de 10 anos
ele e seus colegas iam para o rio pegar frutas como: seringa, azeite,
maracaxi, mucuúba e jabuticunha. Pegando essas frutas ele vendia e com o
dinheiro comprava comida para poder ajudar sua família junto com seu
pai, pois ele trabalhava de “bico”. Ele com seu pai e sua irmã, e os
mais velhos faziam roçado e depois de algum tempo tiravam a cana de
açúcar e faziam a garapa.
Quando ele começou a estudar,
ele ia para a escola e muitas vezes tinham que levar um pouquinho de
comida em uma lata para poder merendar(isso acontecia quando ele tinha a
comida). Ele trabalhava durante três dias e estudava três dias na
semana. Muitas vezes chegava cansado na casa e não tinha o que comer.
Hoje em dia ele diz que a situação de vida melhorou bastante.
O trabalho nessa época era muito
difícil e pesado, ele cortava lenha em metro para poder vender, muitas
vezes ele ia para o mato com fome, trabalhava horas sem comer Nessa
época a comida não era difícil, o que era difícil era o trabalho e o
dinheiro.
A vida do passado era assim, segundo seu Dilo.
O Sr. Dilo tem cinco irmãos, e
só ele aprendeu a escrever e a ler, ele chegou a estudar até a primeira
série. Seu pai nessa época dizia que era ele aprender a escrever só um
bilhetinho.
Nessa época primeira se aprendia
a ler e depois a escrever. O que existia era a tabuada. O aluno que não
respondesse certo pegava “bolo” na mão, ou seja, recebia pauladas de
palmatória na mão.
O que existia de bom era o
respeito. Quando ele chegava em sala de aula tinha que tomar benção da
Professora, e ai,ai,ai daquele que não respeitasse os mais velhos. Ele
diz que hoje o estudo esta muito melhor do que antes, mas muitos não
sabem o que é o respeito.
O Sr. Dilo se casou com 22 anos de idade, ele não tinha casa, não tinha panela,
mas tinha muita fé de que um dia ele e sua esposa iriam conseguir tudo o que precisasse.
Nessa fase as panelas eram de barro, as redes eram feitas de envira e muitas eram feitas de remendos de panos.
A situação era essa, com muito
sacrifício e muito trabalho pesado, mas graças a Deus hoje esta muito
melhor a condição de viver. Hoje, o pai já consegue investir mais em seu
filho, para que no futuro possa ajudar a família. Ele diz que “ O
futuro de um pai é a esperança de um filho”
Texto produzido pela aluna Maria Neuza Sodré Mota
I – Maneira como o ribeirinho vive e produz.
Os ribeirinhos vivem e mora nas
ilhas, a beira dos rios, trabalhando na roça, olaria e açaizal,
produzindo farinha, telha, tijolo, matapi,paneiro, faz criação de
galinha, pato,porco para seu alimento, também tem peixe, caça. O açaí e
algumas frutas, como inaja, tucumã, abacaxi, goiaba. Geralmente, os
ribeirinhos constituem uma família com dez filhos e hoje alguma só tem
até três filhos. E hoje algumas casas ainda são construídas de assoalho
de paxiúba coberta de palha e as paredes feitas de ripas tiradas do
braço de miriti e outras famílias possuem a casa feita de tábua e
coberta de telha. Alguns usam o pote de barro para colocar àgua para
beber. O balde da cueira serve para levar água para roça. Hoje, ainda
bebem mingau na cuia. Os meios de transportes são as rabetas,os barcos,
cascos e canoas,sendo o rádio, a televisão e o telefone os meios de
comunicações mais acessíveis. Também nas localidades, no momento tem a
festa para homenagear ao Santo padroeiro da comunidade que dura oito
noites.
II – Os fatores de mudança do comportamento sócio-cultural
O processo de construção da vida
crescerá em comunidade eclesial de base que é o paralelo do processo de
organização da vida em comunidade, entidades e instituições de caráter
social, sindical e política. Também valorizando os trabalhos em mutirões
para fortalecer os sentimentos de união e solidariedade entre os
moradores da beira dos rios e contribuir para sua conscientização sócia
política, juntos construindo as casas comunitárias trabalhando na roça
em grupos unidos convencidos de estarem construindo algo para
coletividade efetivando o lema “A união faz a força”.
III - O impacto do desenvolvimento industrial na região
A construção da barragem de
Tucuruí , motor energético de parte do Projeto Grande Carajás que diz
respeito ao complexo industrial Albras-Alunorte,foi um dos principais
fatores da desestruturação da sócio-econômica dos ribeirinhos. A
construção da barragem causou dano à natureza, em termos ecológicos.
Antes da barragem as populações da região alimentavam-se de caça e
pesca, e hoje já não tem na região, sobretudo camarão e o mapará.
IV – Conclusão
Considerando que o ribeirinho se
realiza como ser humano de acordo com os elementos necessários para
sobreviver e desenvolver seu ideal de vida acredita que o mundo
cultural, sócio-econômico ainda vive culturalmente sob o aspecto
político que eles vêm na nossa comunidade prometendo e não cumprindo
suas promessas e nós sofremos com essas mudanças e agora não queremos
sofrer mais, queremos mudança e uma vida melhor.
* Texto produzido por Izabel Rodrigues do Carmo
I - Como vivem os ribeirinhos( Ou viviam )
Os ribeirinhos são umas populações que vivem e moram nas ilhas, na beira dos rios. Os ribeirinhos já não vivem mais como antes.
Antes o açaí e o mingau eram
tomados na cuia tirada da cuiera,agora é só na tigela de vidro ou de
plástico. Agora, também já não usam potes feitos de barro, usa-se um
mais moderno, mais bonito e as pessoas não precisam mas fazer.Vivem
também dos recursos oferecidos pela própria natureza: frutos do mato,
caça,pesca e produtos do extrativismo vegetal e do trabalho da roça:
banana, pupunha, cacau ;assim como mata mucura e tatu e pesca mapará.
II - Aspectos da vida e cultura dos ribeirinhos
Geralmente o ribeirinho constitui uma família numerosa com aproximadamente dez filhos.
Desde a década de 60 do século
passado, mudou muita coisa, antes o transporte era o casco de madeira
movido a remo com as forças dos braços, agora não, é só rabeta movida a
motor e as pessoas nem precisam fazer força para se transportar de um
lugar para o outro. Agora já mudou muito, mas tem alguns lugares que
ainda tem esses modos, por exemplo, na casa da minha avó ainda tecem
paneiros, fazem potes de barro e a refeição é feita no chão em circulo.
III - Fatores de mudanças do comportamento sócio-cultural
As Cebs tinham como momento central a celebração do culto religioso aos domingos.
As considerações sobre a vida e
pregação de Jesus Cristo e aos primeiros cristãos, tornavam-se exemplos a
seguir para a realização do “reino de Deus”.
Unidos trabalhavam convencidos de estarem construindo algo para a coletividade efetivando o lema: “A união faz a força”.
* Informantes
Rosa Maria Botelho - 45 anos
Raimundo Dilo do Couto - 81 anos
José Maria M. Gomes
D. Maria – Agente de Saúde
João Gomes
Lucindo Rodrigues
*Bibliografia
THOMPSON, Paul. A Voz do Passado. São Paulo: Paz e Terra, 1998.
MONTENEGRO, Antônio Torres. História Oral e Memória. A Cultura Revisada.
São Paulo: Contexto, 1994.
Site
Http: /pt.wikipedia.org/wiki/Abaetetuba
Reproduzido pelo Blog do Ademir Rocha
Nenhum comentário:
Postar um comentário