Fontes da publicação via Blog SOS Rios do Brasil, abaixo
https://www.facebook.com/peixeboi.ampa
http://www.ampa.org.br
https://www.facebook.com/peixeboi.ampa
http://www.ampa.org.br
Pesquisadores, ambientalistas e poder público em prol da conservação do boto-vermelho
Pesquisadores, ambientalistas e poder público
em prol da conservação do boto-vermelho
Uma das sugestões para minimizar o problema da matança do boto é a criação de iscas alternativas, desenvolvidas pela Ampa, Inpa, WSPA e IPi.
Por
Séfora Antela
O
boto-vermelho é símbolo da Amazônia e é protagonista de muitas lendas na
região. É um animal dócil e muito curioso. Sua biologia é totalmente adaptada
para se deslocar na floresta alagada. Tem uma distribuição ampla nos rios da
Amazônia brasileira, boliviana, colombiana, equatoriana e venezuelana. Duas
espécies são conhecidas atualmente: o boto da Bolívia (Inia boliviensis), que
ocorre na bacia do rio Madeira-Beni-Mamoré, e que se encontra atualmente
isolado pela barragem da Usina Hidrelétrica de Santo Antônio, logo acima da
cidade de Porto Velho, em Rondônia. Essa população é pequena e restrita; Já o
Inia geoffrensis, conhecido como boto-cor-de-rosa é mais abundante e habita os
principais rios da bacia Amazônica.
E é pra essa espécie que os olhos do mundo está voltado. Enquanto uns lutam para a preservação, por ser um animal ameaçado de extinção e, por isso, protegido por lei; outros, utilizam o boto para fins comerciais, numa pesca totalmente insustentável e ilegal.
E é pra essa espécie que os olhos do mundo está voltado. Enquanto uns lutam para a preservação, por ser um animal ameaçado de extinção e, por isso, protegido por lei; outros, utilizam o boto para fins comerciais, numa pesca totalmente insustentável e ilegal.
Pesca
da piracatinga
Segundo
registros de estudos desenvolvidos no Instituto Nacional de Pesquisas da
Amazônia - Inpa, em parceria com a Associação Amigos do Peixe-boi - Ampa,
organização não governamental que recebe incentivos da Petrobras; desde 2000, o
boto-vermelho tem sido morto para servir como isca para a pesca da piracatinga
(Callophysus macropterus), um peixe liso, conhecido como urubu d’água. A
pesquisa apontou que 10% da população de boto-vermelho, estudada na Reserva de
Desenvolvimento Sustentável Mamirauá, vem diminuindo todo ano.
A
biologia da piracatinga ainda é pouco conhecida. Até a década passada, o
amazonense não consumia e nem comercializada esse pescado. No entanto, após a
sobrepesca do Capaz (Pimelodus grosskopfii), peixe muito apreciado na Colômbia,
a procura por um tipo similar de bagre para substituí-lo levou os brasileiros a
exportar a piracatinga em grande quantidade para esse país. Por conta da grande
oferta, a comercialização no Brasil não tardou a acontecer. Atualmente, a venda
em mercados e feiras é muito comum. Mas, para se inserir no mercado, ele
recebeu o nome de douradinha, que é vendida filetiada com um valor que varia de
12,90 a 19,90 o quilo.
Estudos
recentes mostraram que em certas regiões da Amazônia brasileira, a mortalidade
dos golfinhos, na última década, aumentou mais do que o dobro por causa dessa
pesca. Isso significa que se essa taxa se mantiver, a espécie poderá desaparecer
em um futuro não muito distante.
E para evitar que o boto-vermelho fique só no imaginário do amazônida e deixe de existir nos rios da maior bacia hidrográfica do mundo; pesquisadores, ambientalistas e o poder público estão reunidos para criar medidas de conservação da espécie.
E para evitar que o boto-vermelho fique só no imaginário do amazônida e deixe de existir nos rios da maior bacia hidrográfica do mundo; pesquisadores, ambientalistas e o poder público estão reunidos para criar medidas de conservação da espécie.
Audiência
pública
Na
última terça-feira, 1º, o Ministério Público Federal realizou uma audiência
pública, presidida pelo promotor de justiça Rafael da Silva Rocha, para
abertura de Inquérito Civil Público sobre a matança dos botos-vermelhos, no
Estado do Amazonas. Na ocasião, representantes da Ampa, Inpa, Instituto
Brasileiro do Meio Ambiente e Recursos Renováveis – Ibama, Reserva de
Desenvolvimento Sustentável Mamirauá, Instituto Piagaçu - IPi, Instituto Chico
Mendes – ICMBio e Secretaria de Estado do Meio Ambiente e Desenvolvimento
Sustentável – SDS se pronunciaram sobre o tema.
Segundo
Sannie Brum, pesquisadora do Instituto Piagaçu, que atua em parceria com a Ampa
e Inpa, em estudo realizado para caracterizar a pesca da piracatinga e mapear
áreas de captura de botos na Reserve de Desenvolvimento Sustentável
Piagaçu-Purus - RDS-PP, a mortalidade dos botos varia desde alguns indivíduos,
utilizados esporadicamente para essa prática por pescadores ribeirinhos, até
centenas, já utilizados pelos barcos pesqueiros que frequentam a região.
“Durante expedições para a reserva, é comum observar barcos que pescam a piracatinga e matam botos, com relatos de até 40 indivíduos, sendo capturados em redes, em um único evento para obtenção de iscas. Em junho desse ano, no município de Tapauá (acima da RDS-PP, distante 450km de Manaus), foi encontrada uma embarcação com 20 carcaças de botos esquartejados provavelmente para serem utilizados como isca. Além desses, também temos informações que barcos de pesca estiveram nos rios Tapauá e Cuniuá (afluentes do rio Purus), mostrando que esta atividade acontece em boa parte da bacia do Purus”, ressalta Brum.
“Durante expedições para a reserva, é comum observar barcos que pescam a piracatinga e matam botos, com relatos de até 40 indivíduos, sendo capturados em redes, em um único evento para obtenção de iscas. Em junho desse ano, no município de Tapauá (acima da RDS-PP, distante 450km de Manaus), foi encontrada uma embarcação com 20 carcaças de botos esquartejados provavelmente para serem utilizados como isca. Além desses, também temos informações que barcos de pesca estiveram nos rios Tapauá e Cuniuá (afluentes do rio Purus), mostrando que esta atividade acontece em boa parte da bacia do Purus”, ressalta Brum.
Ainda conforme os estudos de Brum, a estimativa de mortalidade do boto-vermelho varia entre 67 a 2500 animais por ano para suprir a produção de piracatinga da área metropolitana de Manaus e a fiscalização para essa prática é um desafio para os órgãos competentes. “Os petrechos de pesca da piracatinga variam. Na RDS-PP e nos municípios próximos, como Manacapuru, utiliza-se principalmente o curral, feito com telas tipo “mosquiteiro”. Eles são extremamente fáceis de transportar e esconder. Eu já vi embarcações utilizando currais de 30 metros quadrados. Já as caixas de madeira, utilizadas no Médio Solimões, são mais aparentes, sinalizando logo a pesca da piracatinga”, explica.
“Informações preliminares dão conta de que a
matança está ocorrendo em toda a calha do Rio Solimões, de Santarém, no Pará, e
Tabatinga, no Amazonas. Mas isso ainda está sendo investigado. O Ministério
Público Federal está colhendo informações sobre os locais onde os botos estão
mais vulneráveis e comunicará aos órgãos de fiscalização”, diz Rafael Rocha.
Aliança Boto-vermelho
Foi
criada em 2011 com iniciativa da WSPA, da AMPA e do INPA com a finalidade de
reunir instituições de diversos segmentos que estejam dispostas a contribuir na
temática da conservação da espécie em questão.
A
partir dessa aliança, pesquisadores pretendem estudar iscas alternativas, para
tentar minimizar o problema. “Durante as entrevistas e expedições, observamos
outras iscas (como vísceras de grandes bagres) sendo utilizadas, normalmente,
quando os pescadores não conseguiram capturar botos. Estamos pensando agora em
como facilitar a utilização e distribuição destas iscas alternativas, torná-las
tão eficientes quanto a carne de boto e promover seu uso entre os pescadores. É
importante lembrarmos que a pesca da piracatinga não é crime, o problema são as
iscas. Se tivermos iscas que não agridam a legislação e o meio-ambiente,
podemos tornar esta atividade sustentável, respeitando o recurso e promovendo
renda para as comunidades”, salienta Brum.
Isca
alternativa
O
projeto para elaboração das iscas alternativas será realizado pela AMPA, com
patrocínio da WSPA e colaboração do IPi. O Instituto Piagaçu se une agora a
Aliança Boto-vermelho com o projeto “Peixes da Floresta”, patrocinado pela
Petrobras por meio do programa Petrobras Ambiental. “A partir do ano que vem o
IPi irá realizar testes de iscas, mais pesquisas sobre a cadeia produtiva da
atividade e biologia da piracatinga e, principalmente, irá promover a educação
dos pescadores para a pesca consciente dessa espécie”, reforça Brum.
Reproduzido pelo Blog do ADEMIR
ROCHA, de Abaetetuba/PA

Nenhum comentário:
Postar um comentário