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sábado, 30 de outubro de 2010

RIO URUBUÉUA: RIOS DE ABAETETUBA
















































Rio Urubueua
Resumo da postagem do Blog do Riba, com pesquisas dos professores Cosmo Cabral, de geografia, João Sérgio, de Sociologia e José Ribamar, de História do Projeto SOME-Sistema de Organização Modular de Ensino) sobre o rio Urubuéua, acrescido de pesquisas do Prof. Ademir Rocha sobre o mesmo rio.

Um Pouco de Geografia Sobre o Rio Urubuéua-Fátima e Seus Tributários
O rio Urubuéua é um dos inúmeros rios de Abaetetuba/Pa, formado por diversos cursos d’água que formam seus afluentes e subafluentes, somando-se aos seus furos que adentram a floresta.
Rio é uma corrente natural de água que flui com continuidade (curso de água), que desemboca no mar, num lago ou em outro rio e, em tal caso, denomina-se afluente. Por seu curso podem navegar, dependendo do tamanho, navios, barcos, barcaças e outras embarcações menores.
Os afluentes são rios menores que deságuam em rios principais.
Confluência é o termo que define a junção de dois ou mais rios.
Foz é o local onde deságua um rio, podendo dar-se em outro rio, ou em um lago ou no oceano.
Igarapé é um termo amazônico que vem do nheengatu, língua originária do tupi-guarani. Nheengatu=língua boa, língua fácil de ser entendida.
Igarapés são braços estreitos de rios pequenos, médios ou grandes, onde a maioria possui águas escuras e são navegáveis por pequenas embarcações e canoas. São como canais existentes na bacia amazônica, caracterizados por pouca profundidade e por correrem quase no interior das matas que os recobrem como túneis vegetais.
Os igarapés desempenham um importante papel como vias de transporte e comunicação. São como ruas fluviais no meio das matas amazônicas.
Igarapé, palavra tupi=caminho de canoa. Ou significa=pequeno rio, riacho.
Furo é um termo genuinamente amazônico. Furo=pequeno canal estreito de um rio.
Furos são córregos ou riachos que unem rios maiores entre si ou adentram as matas de várzeas e igapós amazônicos.
Igapó, palavra tupi=floresta pantanosa, terreno encharcado. Asemelha-se à várzea.
Os furos da Zona Ribeirinha de Abaetetuba/Pa geralmente são navegáveis por pequenas embarcações que transportam pessoas ou mercadorias, diminuindo as distâncias entre as comunidades das ilhas/comunidade ribeirinha e as cidades. Antigamente as embarcações mais utilizadas pelos rios, igarapés e furos eram as chamadas canoas à vela, que eram de porte pequeno, médio ou grande. A expressão “canoa grande” se popularizou quando ainda não havia transporte rodoviário no município e o único meio para se fazer comércio e transporte de pessoas eram as canoas grandes à vela. Outras embarcações menores eram usadas no transporte de mercadorias e pessoas pelas vias fluviais do município/rede hidrográfica como os reboques, montarias, batelões, canoas à remo e cascos. Com o advento dos motores à óleo diesel as embarcações existentes foram adaptadas ao uso de motores movidos a óleo diesel e outros tipos de embarcações foram surgindo como pequenos, médios e grandes barcos motorizados, iates, lanchas voadeiras e outros tipos.
Os rios e igarapés existem em grande quantidade e que se juntam aos furos e baías que vão constituir uma grande massa de água doce que cerca totalmente a parte continental do município e constituem o caminho natural para os habitantes da Zona Ribeirinha em seus deslocamentos diários à Abaetetuba ou municípios vizinhos com as mais variadas finalidades.
As chamadas ilhas do Baixo Tocantins e especialmente as de Abaetetuba são trechos de terras formadas por matas de várzeas, igapós e floresta de terra firme cercadas por uma densa rede hidrográfica de rios, igarapés e furos.
As ilhas do município de Abaeté somam um total de 45 ilhas espalhadas, desde a frente da cidade, até os limites com os municípios vizinhos.
Dentre os inúmeros rios, igarapés, furos, baías, costas e ilhas de Abaetetuba, alguns são históricos e habitados desde os primórdios da história do município.

Entre essas Ilhas se destaca a Ilha Urubuéua

O Rio Pará é o principal rio de Abaetetuba. Esse rio, junto com o município de Barcarena, faz o limite Norte de Abaetetuba. O Rio Pará é o limite natural, a Noroeste, com os municípios de Muaná e Ponta de Pedras. Nesse rio se destacam dezenas de ilhas: Urubuéua, Sirituba, Capim, Campopema, entre outras.
Além da Ilha de Urubuéua, existe o rio Uurubuéua, que em suas margens abriga importantes comunidades das Ilhas de Abaetetuba, como a Comunidade N. S. dos Anjos, no Rio Urubuéua-Cabeceiras e a Comunidade N. S. de Fátima, no Rio Urubuéua-Fátima.
A Baía de Marapatá faz limite com o Oeste de Abaetetuba, junto com Limoeiro do Ajuru, Cametá e a Foz do Rio Amazonas.
A Baía de Marapatá é formada pela foz do rio Tocantins, que banha a cidade de Abaetetuba.
Abaeté foi erigida defronte da Baía de Marapatá, margem direita do Rio Tocantins.
Costa Marapatá, é a costa formada pela Baía de Marapatá.
Costa do Assacu, que abriga a Escola São Lucas.
O Rio Urubuéu-Fátima, abriga uma secretaria da Colônia de Pescadores Z-14 e uma Delegacia Sindical do Sindicato dos Trabalhadores Rurais de Abaetetuba.
Abriga a Comunidade N. S. dos Anjos, no Rio Urubuéua-Cabeceiras e a Comunidade N. S. de Fátima, no Rio Urubuéua-Fátima.
O Rio Urubuéua-Cabeceiras, abriga uma secretaria da Colônia de Pescadores Z-14, uma Delegacia Sindical do Sindicato dos Trabalhadores Rurais de Abaetetuba e a Escola Nossa S. da Luz.
O Rio Urubuéua é o limite entre as ilhas Sapocajuba e Urubuéua.
O rio Urubuéua possui os seguintes afluentes:
Rio da Prata.
Rio Xingu, que abriga a Escola Santo Afonso.
Rio Assacu, que faz confluência com o Rio Urubuéua e ambos deságuam no Rio Pará.
Alguns Furos do Rio Urubuéua-Fátima
Furo da Esperança, furo que facilita e encurta a viagem pelo rio Urubuéua-Fátima, por que se não fosse por esse furo as pessoas teriam que remar uma imensa ponta de terra.
Furo do Genipaúba, que atravessa até o rio da Prata e o Sapucajuba.
Furo dos Carecas, que vai até o Rio da Prata.
Furo Xinguzinho, vai até o rio Xingu.
Furo Boa Vista, atravessa o rio Assacu, encurtando a viagem, até chegar à famosa costa Marapatá, que é a saída do rio Urubuéua para a baía de mesmo nome.
Além do rio Assacu existe o Furo Assacú.
O Furo do Paramajó Liga o Rio Urubuéua à baía de Paramajó e liga o Rio Urubuéua com o Rio Caripetuba e o Rio Paramajó.
Antigamente o distrito judiciário de Abaetetuba abrangia os seguintes subdistritos: Abaetetuba, Arapapu, Maracapucu, Maúba, Tucumanduba e urubuéua.
Antigos Comerciantes e Donos de Engenhos no Rio Urubuéua
Nas margens desse rio existiam importantes casas de comércio e engenhos de cana-de-açúcar, conforme documentos de 1922, cujos proprietários eram:
José Cândido dos Santos;
Felippe Baptista da Costa, que também era Fiscal no Rio Urubuéua no Governo do coronel Aristides, anos de 1920.
Engenho Marapatá, na costa da Baía de Marapatá.
Engenho Borboleta, de Deca Viana/Deoclécio Tocantins Viana, no Rio Urubuéua, que produzia a cachaça Borboleta.
Engenho de Claudionor Viana/Claudionor Tocantins Viana.
Origem do Nome Urubuéua
Conforme o que relatam seus antigos moradores o nome urubuéua vem dos primitivos habitantes do lugar que constituíam a tribo dos índios urubuéuas.
Como em certo trecho do rio Urubuéua os moradores festejam todo ano Nossa Senhora de Fátima, com novenas, missa e festa, esse trecho do rio ficou sendo chamado de rio Urubuéua-Fátima.
E as cabeceiras do rio urubuéua ficou sendo chamado de rio Urubuéua-Cabeceiras.
Algumas Famílias do Rio Urubuéua ou Oriundas Desse Rio
Famílias oriundas do rio Urubuéua: Batista, Lobo, Ribeiro, Gonçalves, Dias, Pinto da Rocha, Santos, Passos, Martins, Viana, Mesquita e a família Teodoro.
A partir dos descendentes dessas primeiras famílias o rio Urubuéua foi sendo povoado de habitantes que logo passaram para outros rios às proximidades do rio Urubuéua.
Foi o caso do rio Assacu que foi inicialmente habitado por uma família vinda de Assacueira, Miguel e Maria e filhos, daí a explicação para o nome do rio Assacu.
A família Pinto da Rocha era uma tradicional e rica família do rio Urubuéua-Fátima e que foi uma das primeiras famílias a implantar engenho de cana-de-açúcar no rio Urubuéua, dona de muitas terras às margens dos rios Assacu e Urubuéua. A família Pinto da Rocha também forneceu grandes nomes para a história política e educacional de Abaeté antiga.
Comandante Frederico Villar, antigo morador das Ilhas de Abaetetuba, fundador da Colônia de Pescadores Z-14 de Abaetetuba, em 23/4/1923.
Deoclécio Tocantins Viana, comerciante, dono de engenho no rio Urubuéua-Fátima, um dos antigos moradores dessa localidade, um dos fundadores do Centro Comunitário dessa localidade, casado e com filhos.
Claudionor Tocantins Viana, irmão de Deoclécio Tocantins Viana, comerciante, proprietários de engenhos no rio Urubuéua.um dos fundadores do Centro Comunitário dessa comunidade.
Raimundo Rodrigues Dias, antigo morador da localidade Urubuéua-Fátima.
Roberto Mesquita Viana, antigo morador da localidade Rio Urubuéua-Fátima.
Valter Furtado Mesquita, um dos antigos moradores da localidade rio Urubuéua-Fátima, comerciante, dono de engenho, um dos fundadores do Centro Comunitário do lugar.
Emelita dos Passos Costa, casada e com filhos, coordenadora do Centro Comunitário do Rio Urubuéua-Fátima em 2007.
Maria Emília Lobato Gonçalves, coordenadora do Centro Comunitário Urubuéua-Fátima em 2007.
Bráz de Souza Lobo, que tinha 69 anos em 2007, morador da localidade rio Urubuéua-Fátima, pescador a 45 anos, dessa localidade e tem muitas histórias para contar e que diz que os principais tipos de pescados eram: dourados, filhotes, piraíbas, maparás, sardas, etc, que hoje rareiam ou não existe mais na região. Era na maré lançante que o Sr. Braz pegava muitos peixes e os vendia para os mercados de Belém, Abaetetuba, Muaná, Conde, além de consumidos na localidade.
Rosete Lobato Gonçalves, diretora da ARQUIA em 2007.
Maria do Socorro dos Passos, nascida em 1/3/1967, tesoureira da ARQUIA, em 2007.
Tacilo Lobato Machado, idade 66 anos, nascido em 22/2/1943, secretário da Colônia de Pescadores Z-14 em 2007.
Dicó dos Passos, 66 anos, nascido em 26/8/1942 em 2007, morador na localidade rio Urubuéua, casado e com filhos.
Lázaro, espécie de pajé da localidade Urubuéua-Fátima, contador de histórias e que contou a Lenda da Cobra Grande.
Seu Chico, dona Ana e seus filhos, protagonistas da Lenda do Boto, na localidade rio Urubuéua-Fátima.
Lucila Gonçalves Assunção, nascida em 25/7/1925, com 83 anos em 2007.
Ana Ribeiro Martins, idade 78 anos, nascida em 25/7/1925.
Maria das Graças Silva dos Santos, nascida em 15/8/1949, dona de casa, poetisa desde a adolescência, moradora da localidade Urubuéua, autora do poema UM Poema Para Abaetetuba
Fernando Ribeiro Martins, nascido em 6/9/1980, cantor, autor musical, membro de um conjunto musical da localidade rio Urubuéua-Fátima.
Cleonildes Martins da Trindade, artesã em palha e talas, moradora do rio Tauá, entrevistada por Lourdes Martins da Trindade, também moradora do Taúa e filha da entrevistada.
Berilo Ribeiro Maués, nasceu em 1921, casado com dona Angélica e com 10 filhos e se encontrava com 86 anos de idade, casado e com 10 filhos, que foi um dos informantes destes dados em 2007.
Simão Martins Ferreira, que disse que a data de fundação do Club São Raimundo foi a 6/11/1996 e a sede inaugurada no dia 1/12/2001, e que se fazem 3 festas ao ano nesse clube, em fevereiro, agosto e novembro e que é uma comunidade unida e alegre, cujas festas atraem bastante gente que se divertem a valer.
Augusto de Souza Pereira, jovem apanhador de açaí na localidade rio Urubuéua-Fátima.
Manoel Nery de Sena, casado e com filhos, que sustenta a família com o trabalho de freteiro na localidade rio Urubuéua-Fátima, dessa localidade para Abaetetuba e vice-versa.
Pedro Góes dos Santos, de 53 anos em 2007, carpinteiro naval na localidade Rio Urubuéua-Fátima. Carpinteiro naval é o que constrói os diversos tipos de embarcações em madeira.
José Raimundo Calandrine Dias, presidente do Bomsucesso Foot-Ball Club em 2007, clube fundado em 9/2/1978, na localidade Urubuéua-Fátima, cujos primeiros presidentes e fundadores desse clube foram os srs. Roberto Mesquita Viana e Raimundo Rodrigues Dias, antigos moradores do local.
Aluízio Fernandes Souza, que em 2007 era o presidente do Coqueiro Sport Club, que tem associados e as festas realizadas no mês de julho e fim de ano.
Alvim Vasconcelos dos Passos, nascido em 30/7/1958, morador do rio da Prata.
Joaquim de Souza Martins, presidente da Colônia de Pescadores Z-14 de Abaetetuba/Pa em 2007.
Izomar Ferreira Dias, nascida em 27/6/1945, com 63 anos em 2007, moradora da localidade rio Urubuéua-Fátima, que faz camparaões entre as atividades do passado e as atuais na sua localidade, uma espécie de memória biográfica da região.
Álvaro Rocha, que foi quem iniciou a Igreja da Assembléia de Deus na região do Urubuéua-Fátima e seus aflentes.
Pessoas Citadas em 1961
. Alice Lobato Machado
. Alírio Gonçalves Martins
. Benedita Cardoso Martins
. Erzina Vasconcelos Martins
. Francisco Dias
. Hilário Gonçalves Martins
. Jandir dos Santos Martins
. José Correa Martins
. Vicente Assunção Marques
Outras Atividades Econômicas Antigas na Localidade Urubuéua e Arredores
Os antigos meios de sobrevivência dos habitantes do rio Urubuéua eram:
Corte de seringueiras para extração do látex ou goma elástica de seringa;
O extrativismo de semente de ocuhuba, para extração do leite de ocuhuba;
O plantio de grandes canaviais, para abastecer de cana o então único engenho existente nesse rio;
Corte de toras de madeira-de-lei, com o serrotão e manualmente, para venda em Belém e Abaetetuba.
Plantio de mandioca para fazer farinha d’água.
Tipos de trabalhos antigos no Rio Urubuéua:
O corte de lenha, para abastecer as caldeiras dos engenhos, olarias e uso doméstico.
Outros tipos de roças, como de arroz, milho, que eram serviços que exigiam muita força e poucos ganhos. As pessoas trabalhavam mais para seus patrões, que os exploravam muito.
Algumas Atividades Econômicas Atuais no Rio Urubuéua-Fátima
Atualmente, entre outras atividades econômicas no rio Urubuéua, temos
Fretes de canoas motorizadas chamadas “rabetas”, para transportar o pessoal da comunidade para a cidade e vice-versa. Essa atividade vem desde o ano de 1998, segundo afirma o morador Manoel Nery de Sena. Ao sair com sua rabeta esse freteiro vai apanhando as pessoas em diversos pontos do rio, começando a 1:00 hora da madrugada e retorna às 15:00, agüentando o sono, o cansaço e o mau humor de alguns passageiros. Sua renda mensal é de mais ou menos de R$ 500,00, no verão. Os maiores clientes são os aposentados, os da bolsa-família e os estudantes. Os custos do trabalho de freteiro são com o óleo do motor da rabeta, que leva bia parte da renda diária;
Fabricação de pequenos barcos de madeira, conforme relata o Sr. Pedro Góes dos Santos, carpinteiro naval residente às margens do rio Urubuéua-Fátima. Além da fabricação de barcos esse carpinteiro também faz consertos em barcos avariados. Como instrumento de trabalho ele usa plainas, serrotes, formão, grampos, furadeiras e outros materiais, alguns muito obsoletos e o trabalho vai das 7:00 horas às 17:00 horas e ele trabalha já a 30 anos nessa profissão, tendo alguns empregados com ele ganhando R$ 35,00 por dia, quando há encomendas. Não se trabalha aos domingos. A madeira usada na carpintaria naval do rio Uurubuéu-Fátima é a itaúba e o piquiá;
Apanhador de açaí, que conforme o jovem Augusto de Souza Pereira, que apanha açaí desde criança. Ele afirma que apanha em média 20 paneiros de açaí por dia, quando as condições são favoráveis e ganha uma média de 8 a 30 reais por dia, durante 4 dias da semana e o dinheiro é pago pelo dono do açaizal.
Comunidades Quilombolas na Região do Urubuéua-Fátima
E o rio Urubuéua foi escolhido por muitos escravos fugidos da escravidão para formar quilombos à margem desse rio e seus afluentes.
A Associação dos Remanescentes de Quilombos das Ilhas de Abaetetuba (ARQUIA) Surgiu em 2002 foi fundada pelo Sr. Remildes Teles e Gercino Vilhena da Costa. A ARQUIA tem como objetivo atender as necessidades dos remanescentes de quilombos das Ilhas de Abaetetuba.
Através de projetos como manejo de açaí com ou sem fundo fornecidos pelo Banco da Amazônia, também a ARQUIA oferece cursos de capacitação para os seus associados em cada comunidade como: cestaria; tecelagem; confecção de bijuteria, gestão ambiental, organização comunitária entre outros.
Atualmente 9 comunidades fazem parte dessa associação (Rio Assacú; alto, baixo e médio, Itacuruçá, Genipaúba, Arapapú Grande e Arapapuzinho e Taueráaçú.)
A coordenação da ARQUIA é escolhida das assembléias gerais com todos ou com 80 % de seus associados que é composta por um presidente; um vice-presidente; um tesoureiro; um coordenador de patrimônio e 2 fiscais de cada comunidade sendo 22 no total.
Para ser sócio da ARQUIA é preciso morar na localidade em que faz parte dela, ter 16 anos e se declarar descendente de negro. A ARQUIA conta hoje com mais de 3.800 associados, ela é uma associação não governamental mas que recebe apoio e recursos do governo federal e do estado, e apoio de outras entidades com STRA (Sindicato dos Trabalhadores Rurais de Abaetetuba).

Entrevistado (a) Maria do Socorro dos Passos, nascida a 1/3/1967
Data de Nasc.: 01/03/1967.
Função (Tesoureira da ARQUIA)
Rio Assacú
Festividade de Nossa Senhora de Fátima e o Centro Comunitário no Urubuéua-Fátima
Eu Dicó nascido dia 26 de agosto de 1942, posso afirmar que a comunidade Nossa Senhora de Fátima foi fundada pelo Sr. Deca Viana, um homem que foi muito rico e poderoso, por ser dono de um dos maiores engenhos de cana-de-açúcar dos municípios de Abaetetuba. Quando a comunidade foi fundada isso eu não sei, por que quando foi inaugurada ninguém marcou o dia, mês ou ano em que ela foi fundada.
Deu-se o nome de Nossa Senhora de Fátima a partir da hora em que a mulher do Sr. Deca Viana doou uma santinha que ela tinha a muito tempo, e que se chamava Fátima.
A primeira capela a ser fundada era de madeira. O barracão surgiu a partir da hora em que seu Deca mandou construir para um festejo em que o Pinduca e banda vinham tocar, daí então ele doou o barracão para a comunidade.
A festividade de nossa padroeira era feita 3 vezes por ano, 13 de Maio, dia de Nossa Senhora de Fátima, em Setembro a festividade de nossa padroeira e em 25 de Dezembro, na festa de Natal.
A respeito de que vive a nossa comunidade em respeito de condição financeira, nossa comunidade já foi muito rica, teve um ano de festa que o dinheiro ganho no bar, leilão, e outras coisas vendidas na festa, pegaram o dinheiro encheram em uma saca e guardaram dentro da capela, e aí quando o pessoal olharam o dinheiro estava pegando fogo, só o dinheiro que eles conseguiram safa do fogo deu pra cobrir todas as despesas e ainda tiveram lucro.
Dos anos que se passaram para os dias de hoje, mudaram muitas coisas, como por exemplo a organização da festa que antes era organizada somente pelos coordenadores e agora é organizado pelos coordenadores sim, mas as famílias da comunidade são divididas em dois grupos, o grupo de baixo e o grupo de cima. Antes era feita quatro noites de festa, hoje é feita só duas noites, por causa da péssima condição financeira.
Centro Comunitário
O centro comunitário do rio Urubuéua foi fundado pelo Sr. Deoclécio Tocantins Viana e Walter Furtado Mesquita.
e sua finalidade para a comunidade é ter lugar para as pessoas se encontrarem para as suas reuniões e no tempo de festejo fazerem deste lugar seu momento de lazer. Para certas pessoas poderem fazer algumas reuniões ou alguns eventos, tem que pedir permissão para a coordenação da comunidade.
Os seus benefícios são: Para as pessoas que tem seus grupos que discutem seus problemas e da comunidade em geral e até para os alunos estudarem e se prepararem para a vida no futuro.
Nem todas as pessoas podem fazer parte do centro comunitário porque o centro comunitário faz parte da comunidade e de uma coordenação que dirige. E essa coordenação é formada quando se faz reuniões para trocar de coordenador e isso acontece através de votos entre as pessoas e os que são escolhidos para ser eleitos a partir que ganham, passam a coordenar a comunidade e o barracão.
Na comunidade não existe um principal representante porque muda pela coordenação conforme os seus trabalhos elaborados. Os trabalhos devem ser desenvolvidos através de mutirão e trabalhos voluntários feitos pelos fieis.
O centro comunitário quer dizer; que é o centro da comunidade e nela não pode faltar o respeito e o zelo porque é um patrimônio e precisa ser preservado. A comunidade ela é composta por pessoas que fazem parte dela e não pelos moradores do rio.
Esportes e Lazer no Rio Urubuéua-Fátima
O lazer no Rio Urubuéua-Fátima
O lazer no rio Urubuéua-Fátima é o futebol e as atividades sociais no barracão de São Raimundo. Os clubes de futebol são o Bonsucesso Foot-boll Club, fundado em 9/2/19178, que segundo o Sr. Raimundo Calandrine Dias, foi fundado pelos Srs. Roberto Mesquita Viana e Raimundo Rodrigues Dias, clube que também realiza atividades festivas. Outro clube é o centro de lazer chamado Coqueiro Sport Club, que fica às margens da costa Marapatá, clube fundado a muitos anos atrás e a sede foi construída em 27/11/1997 e tem como presidente atual o Sr. Aluizio Fernandes Souza, com atividades festivas no mês de julho e fim de ano.
Além desses dois clubes existe também o a pequena comunidade do barracão São Raimundo, que funciona como centro social de lazer. O Sr. Simão Martins Ferreira afirma que a data de fundação deste clube foi a 6/11/1996 e a sede inaugurada a 1/12/2001 e o clube faz 3 festas ao ano, em fevereiro, agosto e novembro em atividades festivas que atraem muita gente.
Também existe o centro comunitário, que funciona como centro de lazer social, fundado à muitos anos pelos antigos moradores do rio, Srs. Deoclécio Tocantins Viana e Valter Furtado Mesquita. Atualmente os atuais coordenadores do centro comunitário são as sras. Emelita dos Passos Costa e Maria Emília Lobato Gonçalves, que coordenam as programações no dia das mães, natal e a festa em setembro ou outubro e em dois dias.
Lendas e Mitos do Urubuéua-Fátima
As histórias contadas abaixo foram vividas ou ouvidas pelas pessoas abaixo:
A LENDA DA COBRA GRANDE
Segundo o Sr. Lázaro, este já foi até o buraco da cobra-grande e diz que é um buraco grande e que muitas pessoas afirmam terem visto boiando ao redor da ilha folhagens amassadas, como se fossem um ninho de alguma coisa e outras pessoas viram se formar pequenas maresias ao redor da ilha habitada pela cobra. Esse Sr., que é um pajé, afirma que o dia em que essa cobra sair do buraco, a ilha vai sumir com tudo o que nela existir. Só se saberá a verdade dessa história se isso acontecer.
O CAÇADOR
Tem uma ilha que fica entre o rio da Prata, que segundo os antigos moradores, existe um caçador, que uns afirmam já o terem visto e dizem que ele anda acompanhado de uma cachorrinha. Uma vez um senhor chamado Vítor, viu o caçador, e como esse Sr. Era metido a bravo e a pajé, resolveu mexer com o tal caçador.
Segundo o Sr. Vítor, o caçador lhe deu uma surra na qual ele só lembra de quando ele acordou em uma montaria nas cabeceiras de um igarapé, com sua montaria cheia de água e ele estava todo dolorido e não dava conta de voltar para sua casa, pois não sabia onde estava. Ele só voltou para sua casa por que seu filho o encontrou lá nas cabeceiras do igarapé. E o Sr. Vítor prometeu nunca mais mexer com o tal caçador.
LOBISONHO/LOBISOMEM
Nessa ilha também existia um tal lobisomem/lobisonho que assustava todo mundo e ele assumia a forma de um porco muito grande. O lobisonho entrava nos chiqueiros dos moradores e colocava todos os porcos para correr e roia caroços e rosnava embaixo das casas e fazia muito barulho.

As pessoas falavam que iriam fazer um serviço para o lobisonho e muitos não tinham coragem e os que tinham não conseguiam acertá-lo. Uma noite os moradores se reuniram e uns rapazes cercaram o lobisonho. Então um dos rapazes pegou uma perna-manca e conseguiu acertá-lo e o lobisonho saiu correndo em direção ao mato.
No dia seguinte descobriu-se que o lobisonho era um senhor que morava não muito longe da casa do rapaz que o acertara, pois esse senhor apareceu com a coluna e nuca toda quebrada, procurando passagem para ir até a cidade de Abaetetuba. Esse senhor que estava muito machucado devido a pancada que levou, não resistiu muito tempo e veio a falecer pouco tempo depois.
A IARA
Perto da casa de um Sr. Funcionava uma olaria. Um dia um dos trabalhadores apareceu doente com muita dor de cabeça e tontura. Levado ao pajé, este afirmou que o trabalhador tinha sido assombrado por uma Iara e que ele e nem os outros deveriam dobrar de costas para a olaria e a partir das 6:00 horas da tarde.
Um dia um senhor que morava perto na beira da praia veio comprar café de manhã bem cedo e então quando ele estava passando em frente à olaria, viu uma moça muito bonita tomando banho e esse Sr. ainda mexeu com a moça, chamando-a pelo nome de uma sua conhecida, mas a moça não respondeu. Então, ao retornar o olhar de volta para o lugar aonde a moça estava tomando banho, não viu mais ninguém.
Então este Sr. chegou falando que tinha visto a tal da Iara.
A LENDA DO BOTO
Era uma vez a família de seu Chico e dona Ana e seus filhos. O trabalho de seu Chico era viajar ou seja, pescar por longos dias. Certa vez seu Chico saiu para uma dessas viagens, deixando sua família em casa. Disse para a mulher que estaria de volta de 15 a 20 ou até mesmo 30 dias. Passado algum tempo passou a vir todos os dias para casa.
Um dia a mulher chamou a atenção do marido, dizendo: você disse que estava de volta de 15 a 20 ou até mesmo 30 dias, agora está vindo todos os dias. O marido falou: não, você está enganada, eu só venho na data certa, ou seja, no combinado. A mulher falou: por que vem um homem aqui com a sua aparência, chega num casco pintado, remo pintado, de chapéu e traz uma cambada de peixe, que vem arrastando pelo chão?
O marido falou: isso pode ser o boto, sabe, mulher, eu vou fingir que vou para a viagem, mas, na verdade, vou me esconder. Uma bela tarde lá vem o homem com a aparência do seu Chico, chegou no porto, amarrou o casco, puxou pela cambada de peixe e saiu andando em direção à casa. A mulher disse: marido, lá vem o homem. Seu Chico que estava escondido atrás da porta puxou pela espingarda e atirou contra o homem, que caiu na água. E todos correram para ver o homem. Encontraram o casco, que era uma aningueira, o remo, que era uma raiz de mangue e o chapéu, que era uma folha de aninga.
ALIMENTAÇÃO ANTIGA NO RIO URUBUÉUA-FÁTIMA
A antiga alimentação era café, chocolate de cacau, peixeS, camarão, caças, carnes: de porco, capivara, jacaré alemão, charque e o açaí que tinha muito. Isso era a alimentação mais consumida no dia-a-dia. O peixe existia com fartura e para pescar se usava a rede de lancear, o pari e o caniço de pesca. Para pegar o camarão tinha que fazer a barragem com o cacuri no poço.
Os tipos de caças mais comuns do Urubuéua, eram: cotias, soiás, veados, tatus, mucuras, preguiças, pacas e pássaros como: marrecos, patos-do-mato, socós, tucanos, papagaios, saracuras e outras aves.
Os instrumentos de caça mais comuns eram as espingardas e os mundés.
AS FESTAS E OS TIPOS DE MÚSICAS E INSTRUMENTOS MUSICAIS NO RIO URUBUÉUA-FÁTIMA
As músicas tocadas nas festas eram sambas, marchas, boleros,mambos, valsas, quadrilhas e lambadas e as pessoas mais idosas formavam uma roda e dançavam a quadrilha. As bebidas das festas eram a cachaça, o vinho, o licor, Ron Montila e outras bebidas fortes para os homens e refrigerantes para as mulheres. Existiam os conjuntos chamados jazzes e as antigas aparelhagens de sons que tocavam essas músicas nas festas do Urubuéua.
Os instrumentos musicais eram: banjo, violão, bumbos, violas, violinos, chocalhos, reque-cheque, flautas e outros instrumentos.
OS ANTIGOS TIPOS DE EMBARCAÇÕES E AS VIAGENS
As embarcações eram mais as canoas ou reboques, e as canoás à vela, as lanchas movidas a vapor de lenha e uma viagem para Belém durava 3 dias à conoa á vela, isso quando ventava toda hora. Um reboque à vela para Abaetetuba levava um dia inteiro, saindo do Urubuéua às 10:00 horas da noite, para chegar lá às 5:00 horas da manhã.
CULTURA NA LOCALIDADE RIO URUBUÉUA-FÁTIMA
A localidade rio Urubuéua-Fátima é rica em cultura e folclore, como as demais localidades das Ilhas de Abaetetuba. Vejamos algumas poesias compostas pelos ribeirinhos do Urubuéua-Fátima:
Dona Maria das Graças, nascida na localidade rio Tauá, em 15/8/1949, moradora da localidade rio Urubuéua-Fátima, fez sua primeira poesias quando estava na 2ª serie e estudava no colégio Basílio de Carvalho, até hoje ainda lembra:

Criança
Ó criança
Minhas vidas
Meus encantos
As que amo tanto!
Ó crianças
Vejo em vocês
Um montão de esperanças
Que se espalham como aroma
Das roças

Ó crianças
Tantos sonhos despertam
No brilho do seu olhar
No seu rostinho alegre
A gargalhar

Ó crianças
Fico horas até contemplar
As tuas travessuras
Não posso contar

A tua imensa candura
Faz-se parar
E meditar
Que és obra especial

De um ser supremo
O nosso grande Deus
Autor da vida
Que faz de você, ó criança
Tão linda!

Poesia de dona Maria das Graças sobre o miriti:

Miriti
Coisa nossa assim/ gigante/ robusta, tuíra, forte, guerreira, viçosa, frondosa, encanto de todos
Caboclos daqui !
És linda por que, além de tua copa, da tua formosura, destaca-lhe em seres, tão útil. A todos nós
Caboclos daqui “rios Tauá”.
Nos ofereces tantas iguarias, com teu gostoso vinho, aguamos o mingau de farinha, de arroz, banana.
É uma delícia saborear o vinho de miriti, com camarão e mapará!
Nos dias de calor, saboreamos o chopp, o picolé, o creme e sorvete, vão também para nossa mesa o bolo, o pudim e a sobremesa.
Tudo de ti, miriti é útil e proveitoso, de tuas filhas cobrimos casas, de teus galhos tecem paredes,
Em tua copa abrigas pássaros, de teu tronco faz-se escada e ponte!
De teu broto, tecem redes, cortinas, tapetes, roupas finas para donzelas, para desfile de miss.
Com tuas talas, tecem paneiro, peneira, cestos, arranjos, tipiti, aturá, tupé, aricá, panacarica, matapi,
Porta-pratos e panelas, abanos, leques e porta-utensílio de bebês!
Dos teus braços miriti, quando já estás seco, mil e tantos brinquedos, que tanto atrai a criançada!
Até mesmo os adultos, principalmente quando vão ao Círio juntos. Festa de nossa fé, em Belém do
Pará, que é o Círio de Nazaré.
Ó miriti, que coisa linda e boa tens em ti! Encanta até turista, quando vêem prontas tuas canoas, a
Cobra, o tatu e passarinho o virapurum, que tanto com o bico.
De ti miriti tantas artes se inventa, do barco a montaria, o navio a rabeta, o iate a prancha, o casco, e
O remo, o faia, a cobra, o tatu, o tucano, o papagaio, o beija-flor que nasce com seu biquinho cada
Instante, e o tico-tico, o macaco com seus irriquetemento.
Entrevista com dona Maria das Grças, moradora do rio Urubuéua-Fátima em 14/11/2007, às 13:00 horas da tarde no Rop Tauá.

UM POEMA PARA ABAETETUBA

Sou Cabocla

Autora: Maria das Graças Silva dos Santos

I
Sou cabocla
Sou faceira
Sou forte
Hospitaleira

II
Mulher de garra
Meu nome é Abaeté
Sou a própria natureza
Que Deus fez e criou

III
Gente simples
E humilde
Que labuta
E sobrevive

IV
Nas ilhas de Abaetetuba.
Banhando-se
Na maré
Comendo tucunaré!

V
Quem chegar à Abaetetuba
Logo de manhã cedo
Saboreia o mingau com açaí
Com vinho de miriti,

VI
Preparado por Dona Diquinha
E o senhor Lambreta
Tão delicoso
De dar água na boca!

VII
Sou cabocla
Sou mata
Sou água
Sou bela
Sou a lua
Cor de prata!

VIII
Sou o sol
Que irradia
E aquece
Cada manhã
Cada dia, a terra e a mata!

IX
Com seus raios luminosos
Aquecendo-me todinha
Para que eu possa ser
A cidade mais bonita
E brilhante que nem ouro.

X
Sou cabocla Abaetetuba
Tudo em mim é natural
Que encanta e embeleza
Sou tai sensacional!

XI
Orgulho-me de ser
Chamada cidade de Abaetetuba
Pérola do Tocantins
Tesouro tão precioso

XII
Pedaço deste chão
Tão cobiçada
E admirada
No meu país – Pará – Brasil!

XIII
Sou Abaetetuba
Um pedaço da Amazônia
O maior pulmão do mundo!

XIV
Sou como as estrelas
Repleta de pontinhos coloridos
Brilhando pra todo lado
Sou cada ser,
Em cada casa
Que há em minha cidade.

XV
Sou alegria das crianças
Quando chegam
Em minha praça!

XVI
Sou cada adolescente,
Jovem, adulto
E da terceira idade
Sou Abaetetuba
Os amo de verdade!

XVII
Por este dia
Quero parabenizar
Ó encantada cidade de Abaetetuba
Ó minha terra natal!
Por aniversariamos juntas

XVIII
Venho de joelhos
Somente agradecer
A nosso Senhor Jesus Cristo
E um pedido lhe fazer!

XIX
Derrame por favor
Meu Senhor rei do Universo
Bênçãos, paz,
Muita paz,
Luzes, saúde,
Vida e graças.

XX
Tão especiais
Para cada um
De meus irmãozinhos
Filhos desta ou de outras cidades
Para cada um de nós
Filhos de Abaetetuba.

XXI
Que tenhamos dias melhores
Com alegria, amor,
Ternura, escuta
E carinho,
Saúde e prosperidade.
Para todos meus irmãzinhos,

XXII
Parabens Abaetetuba
Pelo teu aniversário
Que Nossa Senhora Rainha da Paz,
Nos abençoe, nos ajude
Nos cubra com
O seu sagrado manto

XXIII
Faça com que
Cada caboclo
Filho de Abaetetuba
Tenha mais fé, esperança, amor, união
E caridade
Nesta nossa caminhada

XXIV
Aqui em nossa cidade
Amando e construindo
A sua própria história
Dando bons exemplos

XXV
Respeitando, e partilhando
Entre todos nós
Irmãos abaetetubenses
Capazes de fazer

XXVI
O melhor para o nosso bem estar
E o engrandecimento
Desta nossa querida cidade
De Abaetetuba!

XXVII
Sou cabocla
Sou faceira
Sou forte
Hospitaleira

XXVIII
Mulher de garra
Sou a dona
Desta terraSou a cidade mais bela
Meu nome é Abaetetuba!

ARTESANATO NO RIO URUBUÉUA-FÁTIMA

O artesanto em suas diversas formas é uma das características dos ribeirinhos de Abaetetuba/Pa.

D. Cleonides, falando de artesanato:

Faz paneiros desde os 10 anos de idade e até agora (1/1/2007) com 51 anos ainda faz. Aprendeu a fazer paneiros olhando para as pessoas e depois de olhar, ela foi fazer zozinha e conseguiu. Dependendo do tipo de paneiro, ela faz 50 por dia, se for do grande e do pequeno ela faz 100 por dia. Mas agora, devido a idade faz apenas 25 por dia do grande e 50 do pequeno.

Quando é época do camarão o pessoal compra o cento do paneiro por R$ 50,00 e quando não é época do camarão o pessoal paga só R$ 30,00 o cento. Esse dinheiro não dá para sustentar a família, mas ajuda em alguma compras do mês.

D. Cleonildes faz os seguintes tipos de paneiros: paneiro camaroeiro,paneiro bolacheiro, paneiro de duas bolas, paneiro aturá e paneiro raza.

O paneiro camaroeiro é utilizado para colocar camarão; o paneiro bolacheiro é utilizado para colocar bolachas; o paneiro de duas bolas é usado para colocar cebola; o paneira aturá é usado para colocar mandioca e o paneiro raza é utilizado para colocar açaía debulhado e também serve para pegar camarão no igarapé no processo de gapuiagem.

Além de paneiros d. Cleonildes faz outros tipos de artesanato, como: o abano, usado para abanar o fogo; a peneira, onde é coado o delicioso açaí e coar massa de mandioca.

Dona Cleonildes Martins da trindade, moradora do rio Tauá, entrevistada por Lourdes Martins da trindade, filha da entrevistada e também moradora do rio Tauá.

EQUIPE DESTAS PESQUISAS

Professores do SOME: Cosmo, João Sergio, Ribamar.

Equipe composta por:

Amanda Rocha Gonçalves

Graciane Dias Dias

Jaelsom dos Santos Brabo

Jonathan Rocha de Sena

Postado por blog do "riba" às 00:11
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E Blog do Professor Ademir Rocha, de Abaetetuba/Pa, em 30/10/2010.

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