Mapa de visitantes

terça-feira, 8 de outubro de 2019

Nazismo, Fascismo e Ditaduras

Nazismo, Fascismo e Ditaduras
None
Fonte dos textos e fotos: aparecem no decorrer desta postagem

Clique nas legendas em azul e leia mais textos
Apesar da Segunda Guerra Mundial ter acabado há mais de 70 anos, muitos historiadores ainda especulam o que teria acontecido se ela tivesse terminado de maneira diferente. E se o poder do Eixo derrotasse os Aliados? E se Hitler continuasse vivo?

Obviamente, há muitas variáveis a se considerar ao especular cenários hipotéticos. Algumas mudanças no processo de tomada de decisão e as coisas poderiam ter sido completamente diferentes. A doutrina militar histórica e as agendas nacionais podem nos ajudar a inferir o que poderia ter acontecido e, como você pode imaginar, as perspectivas não seriam nada boas.

Crédito: Reprodução
1. Estabelecimento da ‘Raça Pura” de Hitler
O objetivo final de Hitler, antes mesmo antes do início da guerra, era estabelecer um império ariano na Europa Central e Oriental. Ele acreditava que a imigração era uma grande vulnerabilidade para a Europa e achava que o etnocentrismo era a cura.
Porém, a genética moderna provou que a pureza racial não é de fato uma vantagem. Muitos cientistas evolucionistas e geneticistas descobriram que pais de etnias diferentes criam filhos mais saudáveis; tanto fisicamente quanto intelectualmente. Durante a ascensão nazista, cientistas foram obrigados a esconderem suas pesquisas que comprovam isso.
2. Genocídio completo dos Judeus
O Fuhrer não escondeu sua intenção de exterminar o povo judeu durante a Segunda Guerra, seu plano militar era conhecido como A Solução Final para Questão Judaica.
 
Genocídio em massa de judeus / Crédito: Reprodução
A solução final ordenou o assassinato de todos eles (não apenas na Europa). Quando a Guerra eclodiu, um enorme genocídio começou, matando mais de 6 milhões de judeus, quase metade perecendo no holocausto.
3. Experiências médicas seriam normais
Japão e Alemanha realizavam procedimentos científicos horríveis em seus inimigos. Os nazistas seguiam por três categorias principais: experimentos relacionados a combate; ensaios farmacêuticos e testes genéticos. Os judeus foram submetidos aos mais diversos procedimentos sem ao menos serem anestesiados.
Experiências médicas / Crédito: Reprodução
Alguns testes expuseram os prisioneiros dos campos de concentração a agentes químicos, radiológicos e biológicos, para testarem os limites do corpo. Muitos foram forçados a entrarem em câmaras de alta pressão para testes de como o cérebro lida com a altitude. Os que sobrevivessem, que eram a minoria, passavam por outra bateria de experimentos.
4. A liberdade de expressão não existiria na maior parte do mundo
Assim como qualquer governo autoritário, os alemães não tolerava a discordância de pessoas contra seus atos. Famílias que questionassem os confrontos seriam divididas e exiladas ou, muito provavelmente, mortas. A diversidade de indústria, comércio, mídia, arte e religião seria suprimida e a história seria reescrita. O Nacionalismo e a lealdade cega seriam a única posição política aceitável.
5. O rosto de Hitler estaria em toda a parte
Como vemos em regimes ditatoriais, como na Coreia do Norte, sempre existe uma imagem de seu líder estampada em qualquer lugar do país, e com Adolf não seria diferente.
O rosto de Hitler estaria por toda a parte / Crédito: Reprodução
Figura dominante do partido nazista, ele teria seu rosto adorado por todos e imagens de sua pessoa seriam vistas em todos os restaurantes, cafeterias, metrôs de prédios do governo. Ninguém seria capaz de escapar das imagens, e a profanação de uma delas também renderia pesadas consequências.
6. Os Estados Unidos pertenceria parcialmente ao Japão e a Alemanha
O país fica localizado em uma região geográfica muito boa e de difícil invasão. Com aliados ao norte e um continente relativamente benigno abaixo, uma invasão seria muito difícil, embora possível. A derrota americana provavelmente teria que ocorrer por um ataque nuclear, e japoneses e alemães já tinham planos caso isso ocorresse.
O Estados Unidos pertenceria a Japão e Alemanha / Crédito: Reprodução
O Japão queria que a costa oeste se tornasse uma área fantoche e uma zona militar para dominar o Pacífico. Eles tomariam as cidades costeiras como: Washington, Oregon e Califórnia. Os estados rochosos (Montana, Idaho, Wyoming, Colorado, Utah e Novo México) seriam uma zona neutra e tudo ao leste seria tomado pelos nazistas.
7. Alemão seria a língua oficial da Europa
Se Hitler tivesse vencido e colonizado com sucesso a maior parte da Europa, obviamente ele gostaria que todos falassem sua língua nativa. O sonho de uma raça principal incluía estabelecer o alemão com idioma oficial em todos seus estados conquistados. Se isso acontecesse, é bem possível que o alemão seria ensinado em escolas de todo o mundo, em oposição ao inglês.
8. O Estado de Israel nunca teria existido
Mesmo que as Nações Unidas existissem e dividissem um espaço para o Estado de Israel, o local seria um alvo fácil para o líder alemão. Com a Itália colonizando o Norte da África, a Alemanha possuindo a Europa e tendo presença massiva no oriente Médio e com o Japão controlando o leste da Ásia, ninguém seria capaz de impedir Hitler de destruir Israel. Mas, mais realisticamente, mesmo que o Estado fosse criado, não haveriam refugiados judeus para ocuparem p espaço, ou pelo menos nenhum que estivesse disposto a viver abertamente.
O Estado de Israel poderia nunca existir / Crédito: Reprodução
9. A Itália ainda seria governada por fascistas
Hitler via a Itália como o elo mais fraco da Guerra, por isso ele vivia um dilema: permitir que os italianos imperializassem o norte da África e ficassem com uma grande parte do globo, ou transformá-los em um estado fantoche?
A Itália ainda seria governada por fascistas / Crédito: Reprodução
Como o Japão e a Alemanha, a Itália (principalmente a de Benito Mussolini) acreditava que precisava se expandir. Para isso, Benito escreveu uma nova constituição e tentou fazer uma lavagem cerebral no povo italiano. Se o Eixo tivesse saído vitorioso, essas tendências só aumentariam.

10. Escravidão da Europa ocidental
Hitler percebeu que havia maneira de remover todos que não atendiam ao seu plano de raça superior da Europa. A solução foi levar as pessoas restantes – depois de genocídios, deportações e anos de guerra – e transformá-las em escravos. Eles seriam de propriedade controlado pelo povo ariano.
O plano de expansão territorial e dominação precisaria de pessoas dispostas a cultivarem todas essas terras conquistadas. A ideia de Adolf era escravizar os eslavos – e quaisquer outras pessoas que ele não considerasse digna – e fazê-los trabalharem nas fazendas para alimentar o povo alemão. Ele pretendia manter 14 milhões de ‘racialmente indesejáveis’ para a escravidão.

Radicalização da extrema-direita
Fonte abaixo:
De Blog da Cidadania.com.br
Estímulos para a radicalização da extrema-direita, diz pesquisador

O recente ataque de um grupo de extrema-direita à sede da produtora Porta dos Fundos na terça-feira (24/12) fez reacender as discussões sobre grupos radicais com tendências neofascistas no Brasil.
Em vídeo, o grupo que se intitula Comando de Insurgência Popular Nacionalista expõe cenas da madrugada em que lançaram coquetéis molotov e explicam o que teria motivado o ataque: o especial de Natal “A primeira tentação de Cristo“, feito pelo Porta dos Fundos, que retrata Jesus Cristo (Gregório Duvivier) como um gay que namora Orlando (Fábio Porchat). O Comando se autodenomina integralista, pensamento com fundamento de ideais tradicionais e ligação com o fascismo na época da Segunda Guerra Mundial.
A Ponte havia tratado sobre essa organização em reportagem realizada há um ano, quando a UniRio (Universidade Federal do Estado do Rio de Janeiro) foi invadida e 11 integrantes do grupo queimaram bandeiras antifascistas.
Para o pesquisador Odilon Caldeira Neto, professor de História Contemporânea da Universidade Federal de Juiz de Fora (UFJF) e autor da obra “Sob o Signo do Sigma: Integralismo, Neointegralismo e o Antissemitismo”, grupos assim sempre existiram mas estão se sentindo autorizados a se manifestarem mais livremente diante da figura do atual contexto político brasileiro. “O governo atual tem bandeiras, valores, discursos e práticas que são fiéis, aproximáveis, ou soam como música para ouvidos de grupos de extrema-direita, mesmo dos mais radicais. Não é surpresa no contexto atual que grupos assim se sintam mais animados para poder sugerir uma radicalização e inserção de suas pautas na sociedade”, afirma Neto.
Na época do ataque à UniRio, Odilon ponderou que a ação expunha um cenário mais agitado no campo da direita política, do qual o integralismo faz parte. Um ano depois, o pesquisador traz novas ponderações sobre o que pode representar o suposto ataque do mesmo grupo.

Confira a entrevista:
Ponte – O que explica, no atual contexto, termos a consolidação da violência de extrema-direita?
Odilon Caldeira Neto – A gente deve levar em consideração que a radicalização das ações desses grupos deve ser vista em dois sentidos: o primeiro é de uma disputa interna e outro é a busca por influência em um espaço mais amplo, que vem a partir de um governo como o atual brasileiro, que tem bandeiras, valores, discursos e práticas que são fiéis, aproximáveis, ou soam como música para ouvidos de grupos de extrema-direita dos mais radicais. Então não é surpresa no contexto atual que grupos assim se sintam mais animados para poder sugerir uma radicalização e inserção de suas pautas na sociedade. É inclusive uma forma de eles testarem quais os limites e possibilidades de suas ações. Mas é igualmente uma disputa interna. Se o neofascismo é um espaço múltiplo, que no Brasil não é composto apenas pelo neointegralismo, é necessário que esses grupos disputem espaços com grupos distintos ou mesmos outros grupos radicais. O processo de radicalização política é até uma estratégia ou necessidade de sobrevivência para grupelhos que se sentem ameaçados no seu próprio campo.
Ponte – o que é o neointegralismo, os pontos em contato e as diferenças em relação ao integralismo dos anos 1930?
Odilon – O neointegralismo aparece através de pequenos grupos que surgem após a morte de Plinio Salgado em 1975 e buscam disputar a legitimidade como organização primordial do integralismo. Também procuram uma possibilidade de propor rearticulações, seja através de radicalização do discurso – através de grupos antissemitas por exemplo – ou de organização, discutindo como deve ser o integralismo na contemporaneidade. Alguns acham que deve ser um partido político, outros que deve ser uma organização de cunho civil e cultural. Outros buscam radicalizar ainda mais.
Ponte- O grupo que promoveu o ataque ao Porta dos Fundos é, supostamente, o mesmo que em 2018 invadiu a UniRio. É possível dizer que esse grupo está desenvolvendo novos meios de ataque ou estratégias? E por que esses grupos agora veem a violência como um caminho válido?
Odilon – De uma maneira geral esses grupos fazem o processo de seletividade do próprio integralismo. Alguns deles buscam deixar menos evidente o credencial fascista. Outros buscam retomar essas credenciais intolerantes. O neointegralismo é caracterizado hoje pela inexistência de uma figura aglutinadora como a de Plínio Salgado até 1975, portanto é um espaço claro de disputa. Sem isso, eles podem propor novas ideias, novas práticas e disputar legitimidade perante seus pares. Em torno desse grupo que reivindica o ataque existe uma historicidade, o que demonstra que esse grupo esta buscando radicalizar o campo integralista, e não apenas uma estratégia do próprio grupo. Estão talvez buscando radicalizar o panorama neointegralista para atuação na atualidade. E também é necessário comentar que diversos grupos integralistas ou não – inclui-se aí neofascistas – estão em contato com grupos internacionais similares. E não é apenas via internet, mas também articulação presencial, organização e treinamento in loco. Eventualmente até chegando a atos mais radicais. Então pra interpretar casos como esse que, ao que tudo indica, seja de um grupo neointegralista, é preciso observar que eles dialogam sua radicalização não apenas no panorama nacional, mas também observam as necessidades de intensificação nas interfaces supranacionais, procurando emular o que é feito lá fora aqui no Brasil.
Ponte – Um dos pontos que chamou a atenção para pessoas que não conhecem o assunto foi o manifesto lido pelo grupo que assumiu a autoria do atentado usar vários termos mais típicos da esquerda do que da direita. O que isso diz sobre eles?
Odilon – Isso não é uma novidade, porque o próprio fascismo histórico se apropriou historicamente de algumas bandeiras, de léxicos próprios da esquerda. Mas é preciso levar em consideração que, por exemplo, o termo “burguês” que eles trazem é totalmente diferente do que o que a esquerda entende, seja da esquerda radical ou liberal. No caso desse grupo que assumiu o ato terrorista ele é aproximado em muito do discurso antissemita, conspiracionista, que faz críticas ao capitalismo liberal, mas em tom de radicalização de tipo fascista. Então não é de se espantar na proximidade dos termos, mas o entendimento é inverso.
Ponte – A própria FIB (Federação Integralista Brasileira) não reconheceu tal grupo como integralista. O que isso demonstra sobre o movimento? É possível que essa célula tenha interesse inclusive de por em xeque outros movimentos?
Odilon – A nota demonstra, no mínimo, que há um intenso movimento de disputa por legitimidade no campo neointegralista, com agentes que querem capturar essa carga histórica do integralismo dos anos 1930.
Ponte – Muitas vozes na esquerda avaliam que é preciso tomar extremo cuidado ao expor peças de propaganda como o vídeo do referido grupo. Até que ponto isso é uma crítica válida quando se trata de discutir uma ação como essa?
Odilon – É necessário entender aquilo que quer destruir as forças organizadas de esquerda e tratar essa ameaça de maneira crítica. É preciso compreender quais são os perigos que esses grupos apresentam à legalidade democrática e para as minorias que eles querem destruir ou, no mínimo, criticar, em especial as bases e articulações desses grupos que expandem suas atuações para fora deles próprios. É imprescindível não silenciar e, sim, estudar.
Ponte – Historicamente, quais foram as reações à esquerda para recrudescimento de ações integralistas?
Odilon – Historicamente a resposta da esquerda – sobretudo as tendências mais revolucionárias – é o enfrentamento. Não dá pra dizer que isso há de se repetir, mas há uma historicidade nisso, e o integralismo foi combatido não apenas no campo das ideias, mas através de embates físicos também. A ANL (Aliança Nacional Libertadora) e militantes diversos de esquerda são exemplos históricos disso.
Ponte Jornalismo.
Fonte: Blog da Cidadania 
Ao recontar a história do Antifascismo, livro mostra como enfrentar a extrema-direita
 Com o governo Bolsonaro degringolando a cada semana e vendo sua popularidade derreter a cada nova pesquisa, grupos neofascistas partem para o terrorismo. Na Flipei, em julho, um pequeno grupo de paratianos vieram com rojões e caixa de som contra nossa embarcação livraria com o objetivo de impedir o debate sobre jornalismo com Glenn Greenwald. Na madrugada do domingo (01/09) passado, um pequeno grupelho atacou o Bar e Centro Cultural palestino Al Janiah com bombas de gás lacrimogênio, faca e spray de pimenta. Diante desse cenário, a editora Autonomia Literária se vê obrigada a disponibilizar um dos capítulos do livro “Antifa – O Manual Antifascista“, de Mark Bray. 
Primeiro, alguns fatos importantes: a marcha de Mussolini em Roma foi apenas um espetáculo legitimando um convite anterior para formar um governo. O Putsch da Cervejaria de Hitler em 1923 falhou miseravelmente. Sua eventual ascensão ao poder veio quando o presidente Hindenburg o nomeou chanceler. A lei que lhe concedeu o poder completo foi aprovada pelo parlamento. 
O fascismo e o nazismo surgiram como apelos emocionais e antirracionais fundamentados em promessas masculinas de renovação do vigor nacional. Enquanto a argumentação política sempre é importante para fazer um apelo a uma potencial base popular do fascismo, sua nitidez se ofusca quando confrontada com as ideologias que rejeitam os termos do debate racional. A racionalidade não foi capaz de impedir os fascistas ou os nazistas. Apesar de necessária, da perspectiva antifascista, infelizmente a razão é insuficiente por si só. 
Assim, não é surpresa que a história mostre que governos parlamentares nem sempre são uma barreira para o fascismo. Pelo contrário, em várias ocasiões, foram responsáveis por estender o tapete vermelho. Quando as elites econômicas e políticas do período entre guerras se sentiram suficientemente ameaçadas pela perspectiva da revolução, voltaram-se para figuras como Mussolini e Hitler para esmagar impiedosamente a dissidência e proteger a propriedade privada. Embora seja um erro reduzir inteiramente o fascismo a um último recurso de um sistema capitalista ameaçado, esse elemento de sua composição desempenhou um papel importante e muitas vezes decisivo em suas vitórias. Quando os líderes autoritários do período entre guerras se sentiam muito menos ameaçados, implementavam muitas vezes políticas fascistas de cima para baixo. Para a maioria dos revolucionários, isso significa que o antifascismo deve necessariamente ser anticapitalista. Enquanto o capitalismo continuar a fomentar a luta de classes, eles dizem, o fascismo sempre surgirá como uma solução autoritária para conter a revolução popular.
Para cada revolução, houve uma contrarrevolução. Para cada ataque da Bastilha havia um Termidor. Depois da Comuna de Paris, centenas de pessoas foram executadas e outras milhares presas e deportadas. Mais de 5 mil presos políticos foram executados e 38 mil foram presos após o fracasso da Revolução Russa de 1905, que também testemunhou 690 pogromas antissemitas que mataram mais de 3 mil judeus. Os radicais europeus e as minorias étnicas de modo algum eram estranhos à violência da reação tradicional.
No entanto, o fascismo representava algo novo. Inovações ideológicas, tecnológicas e burocráticas criaram um veículo para o imperialismo e o genocídio que os europeus haviam exportado de todo o mundo quando trouxeram suas guerras de extermínio de volta para casa.
Independente do conteúdo de suas análises, muitos políticos socialistas e comunistas não agiram como se a própria existência de seus movimentos estivesse em jogo. Os socialistas italianos assinaram o Pacto de Pacificação com Mussolini em 1921, e nem eles nem os comunistas achavam que a ascensão do Duce ao poder representaria mais do que uma nova oscilação para a direita no velho pêndulo da política parlamentar burguesa. Dessa forma, eles não eram totalmente diferentes da maioria dos socialistas espanhóis que colaboraram com o governo militar meio-fascista de Primo de Rivera na década 1920. Na Alemanha, os comunistas acreditavam que o fascismo já havia chegado quando os “governos presidenciais” do início da década de 1930 começaram a governar por decreto. No entanto, nem os supostos “governos presidenciais” fascistas nem a chancelaria de Adolf Hitler foram suficientes para convencer a liderança do partido que eles enfrentavam uma ameaça existencial. Para a liderança do KPD, o fascismo não pedia resistência por quaisquer meios necessários, mas sim paciência. Seu slogan era “Hitler primeiro, depois nós”. Na virada do século, os esquerdistas tinham razões para antecipar que épocas de repressão iriam e viriam. O fascismo mudou as regras do jogo.
O primeiro reconhecimento substancial da essência do perigo fascista veio com a “Revolta de Fevereiro” de 1934, quando os socialistas austríacos lutaram contra as incursões do autoritário chanceler Dollfuss nos centros socialistas (instigadas por Mussolini). A revolta foi brutalmente reprimida, deixando 200 mortos, 300 feridos e o partido na clandestinidade. No entanto, sua bravura inspirou os mineiros socialistas espanhóis que se rebelaram mais tarde naquele ano nas Astúrias. Seu slogan era “Melhor Viena do que Berlim”, onde a ascensão de Hitler ao poder não foi combatida pela força. Quando a Guerra Civil Espanhola eclodiu, o antifascismo foi amplamente entendido como uma luta desesperada contra o extermínio.
O desafio em definir o fascismo embaça a linha entre esses dois registros. Além disso, o registro analítico contém uma crítica moral, assim como o registro moral implica em uma ampla análise da relação entre uma determinada fonte de opressão e o fascismo. Embora seja verdade que, em certo ponto, o epíteto fascista perde um pouco seu poder se for usado de forma muito genérica, um componente-chave do antifascismo é se organizar contra ambas políticas, fascistas e fascistóides, em solidariedade com todos aqueles que sofrem e lutam. Questões de definições devem influenciar nossas táticas e estratégias, não nossa solidariedade.
Como inicialmente muitos socialistas e comunistas consideravam o fascismo uma variação da política contrarrevolucionária tradicional, eles se concentraram muito mais em combater uns aos outros do que seus inimigos fascistas. Ambas as frentes argumentavam que, se unissem o proletariado sob sua liderança, superariam qualquer obstáculo da direita.
Assim, enquanto alguns socialistas de base se mantiveram lado a lado com o Arditi Del Popolo para lutar contra os camisas negras italianos no início da década de 20, os quadros do partido se retiraram para retomar sua trajetória eleitoral legalista. Quando esse caminho definitivamente foi bloqueado, o partido cambaleou para conseguir mudar seus rumos.
De forma similar os socialistas alemães optaram, na mesma época, por um curso estritamente legalista nas décadas de 1920 e 30, apesar do crescente desconforto dos membros do partido. Embora os socialistas do Reichsbanner, e mais tarde na Frente de Aço, tenham pressionado por medidas mais agressivas, o aparato do partido estava mal equipado para considerar estratégias alternativas. Da mesma forma, a base do socialismo austríaco lutava para empurrar a liderança do seu partido para a autodefesa militante frente aos ataques da extrema-direita.[9] Na Grã-Bretanha, os membros do Labour Party e do Trades Union Congress confrontaram os fascistas na rua, apesar das advertências de seus líderes. A liderança trabalhista condenou os membros que participaram da Batalha de Cable Street – quando vários grupos enfrentaram os camisas negras de Oswald Mosley no quarteirão judeu do East End em Londres – e se recusou a apoiar os que se juntaram às Brigadas Internacionais para combater na Espanha. Como argumenta o historiador Larry Ceplair, os sociais-democratas “haviam jogado o jogo parlamentar por muito tempo e seus líderes se tornaram ideológica e psicologicamente incapazes de organizar, ordenar ou aprovar qualquer tipo de resistência armada ou revolução preventiva”.
O nazismo e o fascismo surgiram no desejo da burguesia capitalista de libertar o nacionalismo, o militarismo e uma masculinidade “decadente” intrínseca à frente dos governos italiano e alemão, e de capturar as políticas populares coletivistas da esquerda socialista “degenerada”. Mesmo antes de Hitler assumir, o Partido Alemão dos Trabalhadores (predecessor do NSDAP) já usava uma considerável dose de vermelho em suas bandeiras e cartazes, e seus membros chamavam uns aos outros de “camaradas”. Isso produziu paradoxos anti-ideológicos e antirracionais como o “nacional-sindicalismo” e o “nacional-socialismo”. Fascistas e nazistas “de esquerda” foram expurgados à medida que seus partidos conquistavam poder e se uniam às elites econômicas, embora a cooptação nacionalista da retórica popular da classe trabalhadora tenha desempenhado um papel fundamental para fazê-los chegar até lá.
Com base nas suas boas relações com os empresários, os nazistas foram responsáveis por criar novos postos de trabalho para os desempregados. De certa forma, essa era uma variação colaboracionista entre classes, do papel do sindicato como um intermediário para alcançar o emprego em uma indústria. As tabernas das Stormtroops (SA) nazistas claramente floresceram inspiradas na tradição socialista, que datava do século XIX.
Eles também forneceram comida e abrigo gratuito para seus apoiadores no período da Grande Depressão. Essa foi uma ruptura marcante com os conservadores tradicionais, que demonstravam desprezo pelos pobres e desempregados e, no máximo, contribuíam ocasionalmente para instituições de caridade apolíticas ou religiosas.
Esse modelo de caridade política de extrema-direita foi adotado pela Aurora Dourada grega, a CasaPound italiana, o Hogar Social Madrid, e a britânica National Action, todos os quais começaram a distribuir alimentos e mantimentos grátis para gregos, italianos, espanhóis – apenas “brancos”. Os ativistas da CasaPound começaram a imitar as ocupações autonomistas em prédios abandonados, e a Hogar Social Madrid não apenas começou com ocupações, mas também se organizou contra a expulsão de espanhóis étnicos em uma clara tentativa de capitalizar com o vibrante movimento de esquerda espanhol.
Muitos outros exemplos poderiam ser citados, mas esses são suficientes para demonstrar como o antifascismo não se trata apenas de um escape aventuresco na oposição ao fascismo, mas sim da proteção Against the Fascist Creep, como sugere o título do maravilhoso trabalho de Alexander Reid Ross. Eles também demonstram a importância da ideologia de esquerda. Sem estabelecer como eles se encaixam, conceitos como “autonomia”, “libertação nacional”, ou mesmo “socialismo”, e táticas como as ocupações, organização de mutirões de alimentos ou a formação de black blocs podem ser cooptadas bem debaixo dos nossos narizes.
Em 1919, o fascismo de Mussolini tinha 100 membros. Quando Mussolini foi nomeado primeiro-ministro em 1922, cerca de 7% a 8% da população italiana, e apenas 35 dos mais de 500 membros do parlamento, pertenciam ao seu Partido Nazionale Fascista (PNF). O Partido Alemão dos Trabalhadores tinha meros 50 membros quando Hitler participou de sua primeira reunião após a Primeira Guerra Mundial. Quando Hitler foi nomeado chanceler em 1933, apenas cerca de 1,3% da população pertencia ao NSDAP (Nationalsozialistische Deutsche Arbeiterpartei, ou Partido Nacional Socialista dos Trabalhadores Alemães). Em toda a Europa, partidos fascistas de massas emergiram daquilo que inicialmente eram pequenos núcleos durante o período entre guerras. Mais recentemente, o sucesso eleitoral de muitos partidos fascistas, minúsculos antes da crise financeira de 2008, e a recente onda de migração, demonstraram o potencial para um rápido crescimento da extrema-direita quando as circunstâncias se tornam favoráveis.
Esses partidos certamente cresceram e ambos os regimes consolidaram seu poder, conquistando apoio das elites conservadoras, industriais ansiosos, dos alienados proprietários de pequenos negócios, nacionalistas desempregados e outros. As triunfantes narrativas de resistência pós-guerra talvez tenham negado que todos, menos os ideólogos do fascismo mais comprometidos, tenham apoiado figuras como Mussolini ou Hitler, mas na verdade ambos os regimes conseguiram cultivar um amplo apoio popular, obscurecendo ainda mais nosso entendimento do que significava ser um fascista ou um nazista nos anos 1930. Nesse sentido, foram necessários alguns fascistas para conceber o fascismo. O ponto é, no entanto, que antes de conseguir tal apoio popular, os fascistas e os nazistas não eram mais que minúsculos grupos de ideólogos.A trágica ironia do antifascismo moderno é que, quanto mais bem-sucedido, mais sua raison d’être é questionada. Seus maiores sucessos estão no limbo hipotético: quantos movimentos fascistas assassinos foram cortados pela raiz nos últimos 70 anos por grupos antifas antes que sua violência pudesse se espalhar? Nós nunca saberemos – e isso efetivamente é uma coisa muito boa.
Como Adolf Hitler foi, junto com seus apoiadores de outros países, o "Diabo Aniquilador" da 2ª Guerra Mundial.
Reproduzido pelo Blog do Ademir Rocha, em 08/10/2019

Nenhum comentário:

Postar um comentário

Powered By Blogger

Quem sou eu

Minha foto
Ademir Heleno A. Rocha, nascido em Abaetetuba-PA, Brasil, casado com Maria de Jesus A. Rocha, cinco filhos, professor, pesquisador de famílias, religião, genealogia e memória biográfica, ambientalista, católico e amigo.

Seguidores

Arquivo do blog

Mapa de Abaetetuba/Pa

Ruas, travessas, praças de Abaetetuba/Pa Mais zoom 0 1 - Rua 2 3 - Cidade 4 5 6 7 8 9 Menos zoom N O L S Informações para proprietários de empresas Página inicial do Google Maps - Página inicial do Google - Termos de Uso - Ajuda

escolas, religião, músicos, genealogia, ilhas, rios, cultura, esportes, ruas, memórias, bandas