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quinta-feira, 19 de novembro de 2009

Chiquinho Margalho - Música e Músicos de Abaetetuba 2

CHIQUINHO MARGALHO E A BANDA VIRGEM DA CONCEIÇÃO

Francisco de Miranda Margalho/Chiquinho Margalho, n. em 9/2/1906 e f. em 11/6/1967, vítima de um mortal 2º derrame cerebral, funcionário da Prefeitura MunIcipal de Abaeté/Pa, grande e eclético músico de Abaeté/Pa, professor de música, mestre de banda, maestro, compositor musical, dono de conjuntos musicais e conjunto de jazz em Abaeté/Pa.

Funcionário da Prefeitura Municipal de Abaeté/Pa, tendo ocupado o cargo de administrador do Cemitério Municipal N. S. da Conceição.

Residia c/sua família na antiga Rua Nilo Peçanha, hoje R. Getúlio Vargas.

Ele, como a maioria dos músicos de Abaeté/Pa, aprendeu música “de ouvido”, isto, sem estudar, só escutando e vendo os outros tocarem. Era exímio saxofonista, mas tocava outros instrumentos como clarinete, pistão, violão e ainda era compositor e autor musical, tendo composto numerosas músicas, todas devidamente escritas em partituras, que infelizmente se perderam com o triste episódio de s/morte. É que s/esposa Leontina culpava a música p/sua morte, tendo, em ato de desespero, queimado a grande obra musical de s/marido Chiquinho. Só restaram algumas partituras, que se encontram no acervo do Centro Cultural de Abaetetuba.

Aprimorou s/estudos de música com o grande e rígido mestre Raimundo Pauxis/Raymmundo Nonnato da Silva Pauxis, filho de outro grande músico, Hermínio Pauxis/Hermínio Antonio da Silva Pauxis, tendo aprendido a tocar vários instrumentos musicais, mas tendo preferência pelo saxofone, instrumento que tocava na Banda Carlos Gomes, nos s/conjuntos musicais e na Banda Virgem da Conceição.

Participou da Banda Carlos Gomes, no tempo do Mestre Raimundo Pauxis. Se desentendeu com os responsáveis da Banda Carlos Gomes e com o incentivo dos padres capuchinhos, que estavam de relações estremecidas com os dirigentes da Banda Carlos Gomes, funda a Banda Virgem da Conceição, junto com outro grande mestre musical, Agenor Silva e outros músicos. Seu conjunto musical o “Jazz do Margalho” se tornou famoso na região, tocando nos bailes da época.

Chiquinho Margalho c/c Leontina Martins e tiveram filhos: Maria Orlete, Amparo Odília, Raimundo Daniel/Daniel Margalho, Catarina Odélia, Maria Odete/faleceu jovemResidiam na Rua Nilo Peçanha Chrispim Ferreira e Francisco de Miranda Margalho, em 1931.

Na Travessa Padre Pimentel morava o músico Francisco de Miranda Margalho, 1931.

Francisco de Miranda Margalho, c/terreno à Rua Torquato Barros, 1931.

Antonio Luiz Gonçalves Chaves, participou da Banda Musical Carlos Gomes junto c/os músicos Francisco de Miranda Margalho, Edgar dos Reis Borges, Manoel Joaquim da Costa, Raymundo Costa, Esmerino Cardoso, Victor Tavares de Lima.

Documento de 30/4/1948: Recibo de cobrança de imposto, p/sepultura perpétua de Ademar Araujo Rocha, filho de Ademar Lobato Rocha, f. aos 17 anos, às 02: 00 horas, tendo como encarregado do Cemitério Público Francisco de Miranda Margalho, valor pago p/Lourival Leite Lobato, primo de s/esposa Sinhá e amigo e colega de Ademar, na prefeitura.

Participou da Orquestra Brasil, muito famosa na época, tocando em bailes em Abaetetuba e região. Tocava saxofone tenor e alto. Seus companheiros da orquestra Brasil eram: Agenor Ferreira da Silva, no trombone de pista; Celino, no saxofone alto; Fortunato, no pistão; Raimundo Besteira, no 2º pistão; Benones, no clarinete; Nilo Pinheiro, no banjo; Daniel Margalho, no violão elétrico; Maracanã, como cantor; Varlindo dos Santos, como baterista e Sílvio Pimentel, no rabecão.

P/ser muito católico gostava de tocar nas missas, ladainhas, procissões, festividades de santos, na cidade e pelo interior do município. Era devoto de São Miguel de Beja e da Virgem da Conceição. Na Igreja Matriz, acompanhava os cantos religiosos ou as ladainhas cantadas.

Montou conjuntos musicais para tocar nas festas dançantes, bailes, como, exemplo o “Jazz do Margalho”, nos anos de 1950. Uma das formações do Jazz do Margalho era: Pão de Milho, no bongô; Sarapeca, no pandeiro; Chiquinho Margalho, no saxofone; João do Machico, no pistão; Corobo, no trombone; Henrique, na bateria; Cardinal, no clarinete e Cavalinho/Manoel Joaquim Costa, irmão do músico Cardinal, no banjo.

Era o famoso Jazz do Margalho. O jazz era um conjunto musical que tocava músicas balanceadas, próprias para bailes, uma imitação dos jazz americanos.

Ele teve uma íntima relação com as bandas musicais da cidade de Abaetetuba, conforme detalhes abaixo.

Inicialmente, Chiquinho Margalho era componente da famosa Banda Carlos Gomes, comandada p/Raimundo Pauxis/Raymmundo Nonnato da Silva Pauxis. Depois da morte de Raimundo Pauxis em 1948, Chiquinho Margalho assume o comando da Banda Carlos Gomes. Chiquinho Margalho adota a forte disciplina que caracterizava a Banda Carlos Gomes no tempo de Raimundo Pauxis e, por isso, as apresentações da Banda Carlos Gomes continuaram primorosas nas músicas e evoluções de banda.

Posteriormente, Chiquinho Margalho, c/o incentivo dos padres capuchinhos, funda, junto com Agenor Silva e outros músicos, uma nova banda, a Banda Virgem da Conceição, que como o nome diz, reflete o s/lado católico, devoto da Virgem da Conceição e de S. Miguel de Beja e p/ser muito amigo dos padres.

Ele estudou com o Padre Luis Varella e as notas musicais, aprendeu com Raimundo Pauxis.

No tempo dos padres capuchinhos, o Frei Hermes, que era médico, cuidava de sua frágil saúde.


A BANDA VIRGEM DA CONCEIÇÃO


A Banda Virgem da Conceição foi fundada, p/Chiquinho Margalho em 15/9/1949, c/sede provisória na então Rua Nilo Peçanha/hoje Rua Getúlio Vargas, casa de s/sobrinha, Luiza da Gama Margalho, que, inclusive, confeccionou o 1º e pesado fardamento dos músicos da nova banda. Chiquinho Margalho tornou-se, obviamente, o 1º mestre e maestro da nova banda.

Essa banda musical nasceu de um desentendimento dos dirigentes da Banda Carlos Gomes c/os padres capuchinhos. Como Chiquinho Margalho era devoto ardoroso da Virgem da Conceição e de São Miguel de Beja, ele optou p/ficar do lado dos padres, nessa desavença. Como não houve acordo, ele, instigado pelos padres capuchinho da época, saiu da Carlos Gomes e começou a recrutar os bons músicos pelo rico celeiro musical, o interior do município. As razões para as desavenças dos padres capuchinhos eram as mesmas de outras desavenças c/os dirigentes da Banda Carlos Gomes:

Em 1941 aconteceu um 3º atrito dos dirigentes da Banda Carlos Gomes e, p/conseqüência, dos organizadores da festa de São Raimundo Nonato, ainda liderada p/Raimundo Pauxis, c/os dirigentes da Igreja Católica, nos tempos dos Padres Capuchinhos. Os motivos foram os de sempre e com o agravante do inchaço da Confraria de São Raimundo Nonato, onde, muitos desses confrades, diziam os frades, “não possuíam condições morais para participar da confraria”. Ressalte-se que a arregimentação de confrades era feita pelos dirigentes da confraria, que era uma entidade católica independente da Igreja.

Esses frades vieram para ficar em definitivo à frente da Paróquia de Abaeté, e desejavam tomar o controle da paróquia, a começar pela organização dos festejos dos santos populares, que estavam inteiramente nas mãos de cristãos leigos, c/pouca influência dos padres.

Esses fatos se acirraram no tempo do Frei José Maria de Manaus em 1941, Vigário de Abaeté. Os dirigentes da festividade de São Raimundo Nonato se dirigiram a esse frei p/tratar da realização desses festejos, nesse ano. O frei lhes diz que tinha recebido ordens do Frei Paulino Shelere, que era seu superior, para que a festa não fosse realizada naquele ano. Essa notícia foi um choque, não só para os dirigentes da festa, que eram os mesmo dirigentes da Banda Carlos Gomes, como para a comunidade católica local, devido esses festejos terem adquirido tradição, tornando-se a 2ª maior festa, depois da festa da Padroeira, Nossa Senhora da Conceição.

Perguntaram os motivos e o frei lhes disse aqueles motivos já conhecidos: os motivos profanos da festa, a festa fora do controle da igreja, os lucros que nunca chegavam para ajudar nos gastos da Paróquia, a presença de muitos membros indignos na Confraria de São Raimundo Nonato etc.

Os dirigentes da banda tentaram rebater, dizendo que os lucros eram depositados em poupança na Caixa Econômica, para atender eventuais necessidades dos componentes da banda, como doenças, falecimentos com seus funerais e que os membros da banda nada recebiam como pagamento. E que com os saldos das festas também se pagavam as viagens da banda, os padres que participavam dos festejos de São Raimundo e as atividades da Confraria de São Raimundo Nonato. Isso explica o novo nome que o clube recebeu, de Clube Musical e Beneficiente Carlos Gomes.

Mas o frei estava irredutível na decisão. Foi a partir daí que se criou uma grande divisão na Igreja Católica, com dois festejos simultâneos de um mesmo santo, no caso São Raimundo Nonato. Vide livro “Verdades, Atos e Fatos Ainda Não Ditos” da historiadora abaeteense, Maria do Monte Serrat.

Com a chegada dos padres capuchinhos, Chiquinho Margalho, como bom católico que era, devoto da Virgem da Conceição e de São Miguel de Beja, tornou-se amigo desses padres e, a convite dos mesmos, no meio dos atritos desses frades com os dirigentes da Banda Carlos Gomes, passa para o lado dos padres e ajuda na criação de uma nova banda, para tocar nos festejos de santos celebrados na nova Igreja Matriz, a começar da festa de São Raimundo Nonato, que se aproximava.

A nova banda criada por Chiquinho Margalho em 15/9/1949 e recebeu a denominação de “Banda Virgem da Conceição”.

Essa banda foi criada às pressas, onde os músicos foram recrutados, na sua maior parte, pelo interior do município, rico celeiro de bons “músicos de ouvido”. Eram agricultores e pescadores que se sentiram desconfortáveis nas pesadas fardas, sapatos, chapéus, que constituía o fardamento da nova banda. Os ensaios das músicas não foram um problema, mas o fardamento, as marchas e evoluções se tornaram um enorme obstáculo a ser superado. Foi, desse modo, que surgiu a Banda Virgem da Conceição, que passou a ter a preferência dos padres nas festas realizadas na nova Igreja Matriz de Abaeté.

Para complicar ainda mais a situação dos festejos de São Raimundo Nonato, organizado pela Banda Carlos Gomes, Raimundo Pauxis falece em 1948 e esse fato leva os padres, no mesmo ano, a mandar derrubar a Igreja do Divino, pois o grande obstáculo, que era o influente diretor da festa de S. Raimundo e da Banda Carlos Gomes, havia falecido. E com a posse do fervoroso católico e novo prefeito de Abaeté, Joaquim Mendes Contente (1951-1955), este proibiu os ditos festejos que eram realizados na praça pública do Divino.

Esse foi o triste desfecho da festa do “Glorioso São Raimundo Nonato” que teve de ser transferida para o sítio dos Pauxis, no Rio Tauerá de Beja.

Alguns grandes músicos da banda Virgem da Conceição: Agenor Silva, Chiquinho Margalho, Bento de Sousa, Silomário Ferreira Cardoso, Raimundo Xavier, Manivela, Pipira, João Perna, Sinfrônio Quaresma.

Alguns componentes da Banda Virgem da Conceição, contemporâneos de Chiquinho Margalho, fundadores da banda: Silomário Ferreira Cardoso; Raimundo Vicente, Miguel Pontes, este era sapateiro e tocava tarol.

A primeira diretoria da banda era assim constituída: Francisco de Miranda Margalho, presidente; Agenor Ferreira da Silva, vice-presidente; Raimundo da Silva Xavier, secretário; Bento de Sousa, tesoureiro.

No seu 1º derrame cerebral Chiquinho Margalho esqueceu quase tudo sobre sua vida, inclusive a música. Ele chorava, tentando ler as partituras. Mas, aos poucos, foi recuperando a memória.

Músico apaixonado que viveu e morreu pela música. Inicialmente tocou muitos anos na Banda Carlos Gomes, onde se de desentendeu com os dirigentes da banda e, à convite dos padres capuchinhos, que estavam em litígio com a banda Carlos Gomes, fundou a Banda Virgem da Conceição.

Para fundar a Banda Virgem da Conceição recrutou muitos músicos pelo interior do município de Abaeté/Pa, rico celeiro de bons músicos, que eram agricultores e pescadores, alguns analfabetos e outros que mal sabiam ler e escrever, mas que aprenderam música pelo que os músicos chamam de “aprendeu de ouvido”, isto é, aprendiam a tocar ouvindo os sons musicais e, com alguns treinos, acabavam aprendendo a tocar os instrumentos musicais.

Chiquinho Margalho casou com Leontina Martins Margalho e tiveram os seguintes filhos, 3ª G/Netos/N: Maria Orlete, Amparo Odília, Raimundo Daniel/Daniel Margalho, Catarina Odélia, Maria Odete/faleceu jovem).

Residia com sua família na antiga Rua Nilo Peçanha. Participou da Banda Carlos Gomes, no tempo do Mestre Raimundo Pauxis. Se desentendeu com os responsáveis da Banda Carlos Gomes e com o incentivo dos padres capuchinos funda a banda Virgem da Conceição, junto com o Mestre Agenor Silva e outros músicos. Seu conjunto musical o “Jazz do Margalho” se tornou famoso na região.

1931: Francisco de Miranda Margalho com imóvel na Travessa Padre Pimentel e na rua Torquato Barros, imóvel este repassado à Mariano Silveira Cavalcante.
Francisco de Miranda Magalho, administrador do Cemitério, em 1963, pede licença para tratamento de saúde, por hipertensão anterial.

Pode-se dizer de Chiquinho Margalho o seguinte: Era um apaixonado pela música, tocava p/amor e não media sacrifícios p/se dedicar à s/grande paixão e tirava de s/parcos recursos de funcionário público para investir na música, diga-se conjuntos musicais. Viajava constantemente para o interior do município e municípios vizinhos para tocar nos bailes da época.
Ademir rocha – Abaetetuba/pa, em 19/11/2009.

2 comentários:

  1. Eu me chamo Odilia margalho sou a filha caçula de chiquinho margalho, soube do blog por meu filho Waldney Margalho e fiquei emocionada de ler sobre a vida de meu pai, contei a historia de sua vida aos meus 3 filhos, mas, saber que a vida e obra de meu pai é reconhecida por outras pessoas é realmente gratificante.

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  2. Caras Adriana e Odília,
    Agradeço pelos comentários e continuarei a falar de Chiquinho Margalho e outros Margalho cujos dados estão em fase de elaboração.
    Um abraço do
    Prof. Ademir Rocha

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