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quarta-feira, 6 de março de 2019

Pobre e Rica Belém Histórica e Turística - Comentários sobre suas ruas, praças, casario e outros encantos

Postagem em construção
Pobre e Rica Belém Histórica e Turística - Suas ruas, praças, casario e outros encantos

Enquanto por outros lugares do Brasil os governantes procuram preservar a arquitetura desses lugares e dotá-los de infraestrutura adequada para visitação pública de moradores e turistas e, ao mesmo tempo, aproveitar muitos desses pontos para transformá-los em feiras de produtos diversos desses logradouros públicos ou privados e com produtos das diversas artes ou de seus artesanatos, e também sempre revigorando os prédios ocupados com restaurações constantes, aqui no Pará e, especificamente Belém, nossas ruas, praças, mercados, feiras, prédios, casarios, palácios, monumentos históricos estão completamente relegados ao abandono total e sem a mínima vontade da preservação desses lugares como pontos turísticos de uma cidade verdadeiramente histórica do Brasil. Belém é de uma beleza impressionante quando se fala de ruas e prédios que vieram dos períodos históricos do Pará, mas que hoje são exemplos do abandono pelos poderes públicos e de seus órgãos de controle e fiscalização dessa enorme riqueza que poderia se tornar a redenção turística de nossa capital.
É certo que alguns governantes se movimentaram e construíram algumas áreas turísticas em Belém, como são a Estação das Docas, o Mangal das Garças, o restauro parcial do espaço "Feliz Luzitânia", o espaço do São José Liberto e alguns outros lugares de atração turística em Belém. Mas temos ruas e praças inteiras cujos patrimônios estão completamente abandonados em bairros e ruas e distritos verdadeiramente turísticos e com perdas irreversíveis de sua condição de "patrimônio histórico". É triste de se ver esse patrimônio sendo dilapidado e relegado ao abandono pelos nossos governantes, estes sem nenhum plano ou ação para tornar Belém a mais turística de todo o Brasil.
Vamos dar alguns exemplos desses descaso. As ruas e bairros do "Centro Histórico" de Belém, que estão sendo descaracterizados pelo abandono e ação inclemente do tempo, com muitas casas ou casarões ruindo ou sendo reconstruído em outros padrões arquitetônicos por empresas ou moradores que estão burlando as leis do Patrimônio Histórico, sem autorizações, ou descaso dos órgãos fiscalizadores desses patrimônios. O mesmo se sucede com palácios, solares, casarões, mercados, monumentos e outros elementos históricos de Belém.
Abaixo temos muitas fotos nossas ou de terceiros que também se importam com a relevância histórica dessa nossa arquitetura. Também recolhemos na internet alguns estudos, publicações e fotos que retratam a importância desses patrimônios históricos, que pedimos a devida autorização para publicação nesta postagem e com a devida citação dessas fontes.


Abaixo temos a Igreja de Nossa Senhora de Nazaré, devidamente
reformada no seu padrão original.
Abaixo temos foto de reforma mostrando tapume para burlar
a fiscalização.
Prédio antigo
Casa conservada em suas linhas

Casas e casarões antigos


Prédio antigo conservado pela UFPA


Prédios, casas e casarões antigos


Casa antiga com as paredes azulejadas
Prédio antigo conservado

Busto de uma figura histórica situado na Praça da Bandeira,
esta precisando de uma boa reforma.
Monumentos e esculturas em metal como o abaixo estão
sendo roubados ou vandalizados em Belém.

Igrejas antigas relegadas ao descaso
Igreja da Mercês no Complexo do Mercedário
Igrejas restauradas
Igreja de Nossa S, do Carmo
Basílica de Nossa S. de Nazaré

Igreja de Santo Alexandre

A história 
No entorno das primeiras instalações do Forte do Presépio, da Capela do Santo Cristo e depois da igreja de Nossa Senhora das Graças (Sé), desenvolveu-se a ocupação denominada Feliz Luzitânia. Dali irradiaram os caminhos em direção a novos templos católicos nas versões em taipa de pilão e pau-a-pique – como o da Nossa Senhora do Carmo e São João Batista -, consolidando a estrutura local, hoje o bairro Cidade Velha. 
A chegada dos Padres Franciscanos do Minho à Belém e a instalação de seu Convento vai dar início à ocupação do que viria a ser a freguesia da Campina e, consequentemente, a criação de sua paróquia com a construção das igrejas de Santana, Mercês, Rosário dos Pretos. Ao longo desses caminhos instalaram-se habitações e comércios. O aterramento e drenagem do Piry, vai induzir a maior interiorização e a expansão urbana com implantação de novos bairros. 
Com a vinda da Comissão Demarcadora de Limites para a Amazônia, em meados do século XVIII, chega à Belém o arquiteto italiano Antônio Landi que irá, com o apoio do governo Pombalino, realizar muitas intervenções na cidade, conferindo-lhe novas feições. Praticamente todas as primeiras igrejas serão reformadas por Landi, ganhando monumentalidade e refinamento nos acabamentos, passando a destacar-se na paisagem. Também é de autoria do arquiteto o Palácio dos Governadores, além de muitas outras contribuições que extrapolam a arquitetura. 
A influência europeia é uma marca notória nas edificações distribuídas especialmente na área designada como "Centro Histórico de Belém", bem como no projeto urbanístico do final do XIX que definiu o atual desenho do Boulevard Castilho França, estendendo-se pela praça do Relógio, Doca do Ver-o-peso e praça Dom Pedro. 
Para além dos portugueses, as presenças negras e indígenas são marcantes na configuração social e na formação histórica da cidade, e tiveram suas participações impressas nas paredes das igrejas e em imagens sacras, demonstrando claramente que o processo de constituição da cidade teve (e tem) a participação de diversos atores e agentes em situações muitas vezes díspares, mas resistentes. São os filhos e filhas da terra reivindicando seus lugares na história nas linhas da vivência do presente. 
Entre o final do século XIX e as primeiras décadas do século XX, Belém vai passar por grandes transformações que serão financiadas pelos recursos provenientes da exploração e exportação da borracha. Um grande processo de urbanização e ‘embelezamento’ da cidade que vai ganhar melhor infraestrutura, ruas pavimentadas e arborizadas com mangueiras (daí o título de Cidade das mangueiras), muitos palacetes, construções e elementos urbanos pré-fabricados em ferro decorado ao gosto "art noveau". A decoração eclética, com forte influência art noveau vai marcar as decorações de interior das residências, mas também de alguns edifícios coloniais, como o Palácio dos Governadores, o Palácio Antônio Lemos, o paço municipal e o Teatro da Paz. 
Vale destacar que a realização de todas estas intervenções arquitetônicas, estéticas e estilísticas na capital do estado só foram possíveis graças à ação de mãos trabalhadoras brancas, negras e indígenas, no primeiro momento. Não demorou muito Belém tornou-se um celeiro de imigrantes (judeus-marroquinos, sírios, libaneses, barbadianos, portugueses, espanhóis, franceses, e tantos outros), um lugar de encontro de diferentes povos, resultado de uma nova política colonizadora e civilizatória para a região. As drogas do sertão e o látex esperançavam pessoas que chegavam de diversas partes do mundo e do Brasil, especialmente do Nordeste Brasileiro. 

Bairros
Fonte: http://pt.wilckpedia.org/wiki 
A Cidade Velha, em Belém, é um dos maiores referenciais do patrimônio histórico e cultural do Pará. O bairro nasceu com a construção do Forte do Presépio, hoje chamado Forte do Castelo, construído a mando da Coroa portuguesa, no início do século XVI. 
No pátio do Forte, onde em 1835 foram travadas lutas dos cabanos, hoje funcionam restaurante e lanchonete. É nesse antigo bairro que está guardada a memória dos índios, negros e portugueses, pioneiros no povoamento da cidade. 
É também onde estão os principais pontos turísticos de Belém: casarões antigos, museus, palacetes e igrejas em estilo neoclássico e imperial brasileiro. 

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Bairros

Na Cidade Velha surgiu a primeira rua de Belém, a Rua da Ladeira, que liga a Feira do Açaí ao Largo da Sé e onde se encontram bares e restaurantes antigos e simples. Outro lugar famoso do bairro é a Praça do Relógio, onde se localiza um relógio inglês levantado na década de trinta, com seus 12 metros de altura.

A Praça Dom Pedro II é outra marca histórica da Cidade Velha. Considerada o "centro administrativo da Belém antiga", a praça abriga os poderes Legislativo, Judiciário e Executivo.

A Igreja da Sé está entre os mais antigos templos religiosos de Belém. Construída no Século 17, teve seu projeto assinado pelo arquiteto Antônio Landi, responsável por grande parte da arquitetura de Belém, especialmente no bairro da Cidade Velha. A Igreja da Sé é a Catedral Metropolitana de Belém. Possui telas, afrescos e painéis de grande valor. Fica na Praça Frei Caetano Brandão, Cidade Velha.

Fonte: Fonte: http;//pt.wilckipedia.org/wiki/cidade_velha_belem
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Cidade Velha é o bairro mais antigo de Belém do Pará, onde surgiu a cidade, a partir do seu descobrimento por Francisco Caldeira Castelo Branco, em 12 de janeiro de 1616. Possui inúmeros prédios coloniais históricos, com azulejos portugueses, muitos dos quais tombados pelo Instituto do Patrimônio Histórico e Artístico Nacional - IPHAN.
Suas ruas apresentam nomes de cidades ou personalidades, principalmente portuguesas e brasileiras, tais como:
Avenida Portugal,
Rua de AveiroCidade Irmã,
Rua de Óbidos,
Rua de Breves,
Rua Doutor Assis,
Rua Doutor Malcher,
Rua Siqueira Mendes,
Avenida Almirante Tamandaré,
Rua Ângelo Custódio,
Rua Félix Roque,
Rua Padre Champagnat,
Boulervard Castilho França.
O bairro da Cidade Velha divide com o bairro da Campina, regiões popularmente conhecidas por Comércio, devido predominância quase que exclusiva de lojas, armarinhos, escritórios, cartórios e bancos.
A cidade velha, bairro que cresceu às margens do rio Guamá, desde a fundação da cidade em 1616. Casarões antigos da Cidade Velha são sobreviventes da história da cidade desde sua fundação, passando pelo Ciclo da Borracha (1800/1900) que trouxe muito dinheiro e luxo europeu para Belém, presente até hoje em suas fachadas e estruturas. São um elo entre a origem da população de Belém e os dias de hoje.

Pontos Turísticos:
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Mangal das Garças – O complexo tem 40000 m² de área à beira do Rio Guamá. Nos jardins e no viveiro de pássaros há guarás, garças entre outras aves, o parque também conta com um borboletário onde há quase 800 insetos. O complexo conta ainda com o espaço do antigo estaleiro, que reúne jóias e artesanato produzidos no Polo Joalheiro, o mirante da torre, com vista de 360º de Belém e o Museu Amazônico da Navegação, que retoma a história da Marinha do Brasil.

Praças
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Fonte: http;//pt.wilckipedia.org/wiki/cidade_velha_belem

Praça República do Líbano – Também chamado de Largo de São João, o nome da praça homenageia a colônia libanesa em Belém, no centro da praça há um obelisco em forma de agulha, forma empregada por Landi em seus projetos e desenhos.
Praça do Carmo – Logradouro de grande importância histórica para Belém nele está parte das ruínas da Igreja do Rosário dos Homens Brancos. Seu calçamento é inteiramente de mármore e possuí um anfiteatro no seu centro.
Praça do Arsenal - Primeiramente recebeu o nome de Largo Bajé, dado pelos religiosos da Conceição da Beira do Minho. Quando eles foram expulsos, tanto o largo quanto o convento passaram a ser da Coroa Portuguesa. Em 1761, o convento virou hospital militar e mais tarde arsenal da marinha, de onde veio o nome da praça, que está em estado precário de conservação.
Praça Siqueira Campos – Inaugurada em 1931, é mais conhecida como praça do relógio, por abriga um enorme relógio de doze metros, construído na Inglaterra e montado em Belém. A praça também possui quatro luminárias do início do século XX, instalado na praça durante sua construção.
Praça Dom Frei Caetano Brandão – Foi concluída em 1900, também é conhecida como Largo da Sé, este logradouro integra o Complexo Feliz Lusitânia. O local é ponto de partida estratégica para passeios turísticos no centro histórico, a praça possui um monumento de bronze dedicado ao Bispo Caetano Brandão.
Praça Dom Pedro II – É a mais antiga da capital, concluída em 1772, neste logradouro foram plantadas as primeiras mangueiras de Belém. Seu projeto paisagístico possui espécies de flora regional, uma fonte luminosa, chafarizes e pequeno lagos artificiais.
Praça Felipe Patroni – Situado próximo ao Palácio Antônio Lemos, seu calçamento é inteiramente revestido de pedras importadas de Portugal, é um bom lugar para passeio e descansos durante as tardes.

Belém e seu patrimônio
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O primeiro tombamento feito pelo Iphan no Pará foi das Coleções Arqueológicas e Etnográficas do Museu Paraense Emílio Goeldi, no ano de 1940, contemplando também a ocupação pré-colonial dessa parte da Amazônia e do Brasil.
Em 1941, a partir de uma proposta modernista de construção de uma identidade nacional que na época elegeu o período colonial e o barroco brasileiro como representação maior de uma autentica arte e arquitetura brasileiros, foram protegidos federalmente a Igreja da Sé, a Igreja do Carmo, a Igreja de Santo Alexandre e o antigo colégio anexo, a Igreja e convento dos Mercedários e a igreja de São João Batista.
Os tombamentos das décadas de 1970 e 1980 irão contemplar alguns conjuntos representativos do século XIX e primeiras décadas do XX, como o Palacete Pinho; o Conjunto Arquitetônico e Paisagístico do Ver-o-peso, incluídos os mercados; os conjuntos das avenidas Governador José Malcher e Nazaré com seus sobrados ecléticos azulejados, exemplares representativos de uma forma de morar mais modesta.
A partir de 2000, a atuação do Iphan no Pará vai identificar, documentar e reconhecer, por meio do registro algumas das principais manifestações culturais do Pará como patrimônio cultural brasileiro: Círio de Nazaré, também reconhecido pela UNESCO como patrimônio da humanidade; Carimbó, Festividades de São Sebastião no Marajó e cuias do Baixo Amazonas. Embora algumas se concentrem em outros municípios, todas, sem exceção, mantêm estreita relação com a cidade de Belém decorrente da circulação pelo território paraense de produtos e detentores. Cabe mencionar ainda os inventários preliminares de referências culturais realizados e em andamento no Pará: Marajó; Ver-o-peso, Povo Tembé, Pássaros Juninos, Sairé, comunidades quilombolas de Oriximiná.
Já no ano de 2012, a proteção dos conjuntos dos bairros Campina e Cidade Velha vai reconhecer a importância e a dimensão do conjunto arquitetônico e paisagístico da cidade de Belém com toda a sua trajetória e transformações ao longo dos séculos XVII ao XXI.
No Programa PAC Cidades Históricas lançado em 2014, Belém foi contemplada com 15 projetos, na ordem de R$ 47 milhões, destes o Iphan concluiu a obra do Mercado de Peixe. São parceiros no programa a Prefeitura de Belém, Universidade Federal do Pará e a Secretaria de Estado da Cultura. Destaca-se ainda neste ano a inclusão do conjunto Ver-o-peso na lista de candidatura a patrimônio mundial, tendo Iphan e prefeitura trabalhando desde então para que no final de 2016 o dossiê Ver-o-peso seja enviado para a UNESCO na tentativa de que sua indicação seja votada em 2017.
Essa trajetória de Belém, pode-se dizer, está hoje representada nacionalmente pelos monumentos tombados pelo Iphan, na cidade de Belém, e nos bens registrados nos últimos 12 anos, que extrapolam os marcos edificados e monumentais espalhados pela cidade e estão impressos nos saberes e fazeres da população.

Igrejas
Fonte: percorrendobelem.blogspot.com/2014

sábado, 1 de fevereiro de 2014
Basílica de Nazaré, um exemplo da Arquitetura Neoclássica na cidade de Belém
Jéssica Cabral da Silva
Percorrendo a história da Arquitetura de Belém tive impressões que não esperava, pois como aluna de Arquitetura e Urbanismo, não pude imaginar que por trás de uma cidade tão perigosa e sem saneamento básico para com a maioria de sua população pudesse guardar tantas riquezas históricas de sua Arquitetura.
Logo ao chegar, um dos primeiros locais que estavam agendados no roteiro foi a Basílica de Nossa Senhora de Nazaré, uma igreja que fica a poucos quilômetros do Hostel em que o grupo ficou hospedado. Fomos até lá andando a pé, já conhecendo um pouco da Arquitetura do bairro de Nazaré, que reúne valiosas construções históricas representando o ciclo da borracha (a partir da segunda metade do século XIX), além de prédios comerciais e residenciais.
Figura 1 - Fachada da Basílica de Nazaré
Fonte: Jéssica Cabral, dezembro de 2013. 

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No entanto, antes de falar um pouco a respeito da mesma, deve-se voltar ao contexto histórico do Ciclo da Borracha. Foi um momento importante na história do Brasil, principalmente na região Amazônica (cidades como Belém, Manaus e Porto-Velho), onde proporcionou não apenas um crescimento destas cidade, mas também uma expansão de sua colonização, riquezas, além das grandes transformações culturais e sociais que aquela região obteve. O Ciclo da Borracha foi relacionado com a extração de látex e sua comercialização, e durante ele, Belém foi considerada uma das cidades brasileiras mais desenvolvidas, onde sua manufatura da borracha teve papel destacado.
"De 1870 a 1910, considera-se o maior surto econômico já verificado na região, tendo-se como principal indicador o crescente aumento da produção da borracha, criando-se até a expressão "rubber reclaiming industry". Em 1871 o presidente da Província do Pará, Abel Graça, em sua mensagem à Assembleia Legislativa Provincial, anunciou o primeiro lugar da borracha na pauta de exportação: 4.890.089 quilos contra os 3.381.246 de cacau. Neste período, a borracha constituiu-se no principal produto voltado para o comércio internacional, desta forma carreando recursos e, consequentemente, permitindo um surto econômico vigoroso na região." (SARGES, 2010, p. 96)
Visto a importância deste período, tem-se a ideia de que toda essa economia influenciou também na arquitetura da região Amazônica, e mais precisamente na cidade de Belém.
Segundo o site da Basílica de Nazaré (2010), ela foi erguida em 1852 no mesmo lugar em que foi encontrada a imagem da Santa pelo Caboclo Plácido. No entanto, em 1884 a igreja passou a ser considerada pequena para receber os romeiros que vinham de várias cidades do estado para a festa patronal (o conhecido Círio de Nazaré), além de também o próprio crescimento da cidade ter mudado significativamente por razão do Ciclo da Borracha, não conseguindo mais receber tantos fiéis dentro da igreja. Com isso, no passar do tempo, os Barnabitas viram a necessidade não apenas de uma reforma mas sim de uma nova construção da Basílica. Em 1905 a Paróquia de Nazaré foi entregue aos padres Barbanistas, no qual o Arcebispo de Belém, na época Dom Santino Maria Coutinho, deu-lhes a missão de conservar e aumentar a Paróquia Nazarena, passando assim a se tornar Basílica posteriormente. Logo, em 1908 após ter-se feito um grande regime econômico cortando gastos e abusos em nome da santa, economizou-se uma quantia de 100 contos, um valor que naquele período era considerado suficiente para arcar com as despesas da reforma.
"A comunidade dos Barnabitas em Belém, recebia o Visitador Geral da Ordem, Pe. Luigi Zoia, que inspecionava a Província Brasileira. Zoia era grande conhecedor de artes e se entusiasmou com a ideia, sugerindo levantar uma nova matriz ao lado da antiga, fazendo uma reprodução aproximada da Basílica romana de São Paulo." (BASÍLICA DE NAZARÉ, 2010)
Sendo assim, conforme estudado nas aulas de História da Arquitetura e do Urbanismo no Brasil, ministradas pela professora Patrícia Orfila na Universidade Federal do Tocantins, viu-se que naquele período era bastante comum que os arquitetos contratados para fazerem projetos de residências familiares, igrejas, casarões, palácios entre outras obras, fizessem uma réplica de construções históricas que lhes eram consideradas como uma referência plástica e estética naquele momento. Logo, estas pessoas que contratavam os arquitetos, e os próprios projetistas acabaram sendo muito influenciados pela arquitetura europeia, e no caso da Basílica de Nazaré os Barbanitas queriam uma igreja similar a Basílica de São Paulo Extramuros, que é a segunda maior Basílica católica de Roma, e faz parte também das quatro basílicas patriarcais, todas localizadas em Roma.
"Embora erguida como cópia do modelo romano, a basílica adaptou a decoração interna do original, que possui medalhões com os papas em ordem de sucessão no papado e cenas com a figura de Cristo. Na igreja paraense a decoração exalta a Virgem Maria e outras mulheres da liturgia cristã." (DERENJI, 2009, p. 163)
Conforme o site da Basílica de Nazaré, (2010), visto essa influência, em 24 de outubro de 1909 os Barbanistas deram início a execução do projeto colocando sua pedra fundamental, que foi realizado em Gênova, pelo arquiteto italiano Gino Coppedè e pelo engenheiro Giuseppe Predasso. Foi neste período que o poeta maranhense Euclides Faria compôs o hino de 12 estrofes “Vós sois o lírio mimoso” que se tornou o canto oficial da Padroeira e do Círio de Nazaré.
A Basílica possui um estilo neoclássico, que teve uma grande influência da arquitetura europeia, e que buscou inspiração nos edifícios antigos, em especial no modelo do templo grego. O neoclassicismo se caracterizou por dar ênfase no racionalismo, no equilíbrio, na ordem, na moderação e na economia, e teve como inspiração o legado cultural da antiguidade clássica, conforme dito anteriormente.
Com isso, o neoclássico aconteceu em duas versões; o neoclássico oficial que era todo feito de importações, e o neoclássico provinciano, que era feito por escravos. No entanto, o neoclássico oficial se concretizou nos maiores centros, como Rio de Janeiro, Belém e Recife, que naquele período eram uma das cidades que mais se desenvolviam, além de que tiveram também um contato direto com a Europa, desenvolvendo assim um nível mais robusto de arte e arquitetura durante todo aquele período.
Derenji, J. S. e Derenji, J. (2009), dizem que a planta da basílica se dá em forma de cruz latina, possuindo cinco naves divididas em trinta e seis colunas de granito italiano, a cada lado da nave se abrem capelas com estátuas, totalizando em quinze estátuas de mármore. Há também cinquenta e três vitrais franceses, além de sessenta e cinco ilustrações em mosaico italiano. A decoração do forro da nave central tem uma delicada ornamentação de estilo bizantino, com candelabros e luminárias pendentes. Três grandiosas portas de bronze também fazem parte do cenário, roubando a atenção de quem quer que esteja pela sua riqueza de detalhes esculpidas em cada uma.
Figura 2- Vitrais no interior da Basílica
Fonte: Jéssica Cabral, dezembro de 2013.
Com todos estes detalhes, se vê que o interior da Basílica consegue remeter uma sensação de grandiosidade, pois quem está de fora não imagina que em seu interior há tantos outros elementos e decorações minuciosas, cheias de detalhes e de uma exuberante riqueza, que conseguem prender a atenção de qualquer pessoa para cada elemento, desde sua entrada lembrado um pouco da Arquitetura da Basílica de São Paulo Extramuros, indo até ao detalhe piso, do forro, ou das grandiosas portas de bronze, todos tão bem trabalhados e acima de tudo muito bem conservados. Logo, percebe-se que ao entrar na Basílica cada qual teve uma sensação distinta e diferente dos demais, seu interior consegue transmitir impressões fabulosas, como de paz, tranquilidade, grandeza e também de muita fé.
Figura 3- Detalhe da porta de bronze
Fonte: Jéssica Cabral, dezembro de 2013. 
A fachada da Basílica é composta por duas frases em latim, na frase superior, está escrito "Deiparae Virgini a Nazareth", que em português significa "Virgem de Nazaré Mãe de Deus". Já na frase inferior, está escrito "Salve Regina Mater Misericordiae", que traduzindo a língua portuguesa significa "Salve Rainha Mãe Misericordiosa". Existe também uma terceira frase, acima da porta da nave central, escrita "Domys Dei Et Porta Coeli", que significa "Esta é a casa de Deus e a porta para os céus". 
Ao falar da Basílica de Nossa Senhora de Nazaré é impossível não mencionar o famoso Círio de Nazaré, que é uma devoção a Nossa Senhora de Nazaré, que se tornou na maior manifestação católica do Brasil, e consequentemente um dos maiores eventos religiosos do mundo. Esta devoção é realizada no Brasil anualmente, no segundo domingo do mês de outubro na cidade de Belém do Pará. 
A procissão sai da Catedral da Sé que fica localizada também em Belém e segue em direção até a praça Santuário de Nazaré, reunindo cerca de dois milhões de fieis em uma caminha de fé pelas ruas da capital do estado, totalizado em cerca de 3,6 km percorridos. A imagem da santa fica exposta por quinze dias para a veneração dos romeiros, período chamado de quadra nazarena. 
"No Pará, foi o caboclo Plácido José de Souza quem encontrou, em 1700, às margens do igarapé Murutucú (onde hoje se encontra a Basílica Santuário), uma pequena imagem da Senhora de Nazaré. Após o achado, Plácido teria levado a imagem para a sua choupana e, no outro dia, ela não estaria mais lá. Correu ao local do encontro e lá estava a “Santinha”. O fato teria se repetido várias vezes até a imagem ser enviada ao Palácio do Governo. No local do achado, Plácido construiu uma pequena capela." (CÍRIO DE NAZARÉ, 2013)

Igreja de Santo Alexandre

Círio de Nazaré 
Segundo o site do Círio de Nazaré (2013), em 1792 o Círio foi instituído, pois o Vaticano acabou autorizando a realização da procissão em homenagem à Virgem de Nazaré, em Belém do Pará, onde saíam do Palácio do Governo conforme dito acima, e somente em 1882 que a procissão passou a sair da Catedral da Sé, continuando assim até nos dias atuais. 
Figura 4 - Altar-mor da Basílica 
Fonte: Jéssica Cabral, dezembro de 2013. 
Desta forma, vendo toda sua história, influencia e grandeza, vale ressaltar que a Basílica de Nazaré é a única Basílica da Amazônia brasileira, exercendo um papel importantíssimo na história de Belém, influenciando muito em sua religião católica. Quem vai a Belém com certeza não pode deixar de visitar esta magnífica Igreja, que é sem dúvida uma das mais belas do estado do Pará e patrimônio histórico de Belém. 

Referências Bibliográficas 
SARGES, Maria de Nazaré. Belém: Riquezas produzindo a Belle Époque (1870-1912). 3. ed. Belém: Paka-tatu, 2010. 
BASÍLICA DE NAZARÉ. História da Basílica. Disponível em: . Acesso em: 20 de janeiro de 2014. 
DERENJI, Jussara da Silveira; DERENJI, Jorge. Igrejas, Palácios e Palacetes de Belém. Brasília, DF: Iphan / Programa Monumenta, 2009. 
CÍRIO DE NAZARÉ. Histórico. Disponível em: . Acesso em: 22 de janeiro de 2014.


Reproduzido pelo Blog do Ademir Rocha


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